Gestão Hospitalar N.º14/15 1986
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GESTÃO<br />
REVISTA DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA<br />
DE ADMINISTRADORES HOSPITALARES<br />
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Revista da Associação Portuguesa<br />
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Membro da Associação Europeia de<br />
Directores <strong>Hospitalar</strong>es<br />
Publicação Trimestral<br />
.Director<br />
Santos Cardoso<br />
Coordenador<br />
Lopes Martins<br />
Conselho Redactorlal<br />
Ana Manso<br />
Artur Morais Vaz<br />
Ferreira Guiné<br />
Júlio Reis<br />
Lopes Martins<br />
Maria Helena Reis Marques<br />
Santos Cardoso<br />
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O Editorial 'é os Artigos não<br />
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Embora merecendo a<br />
melhor atenção, a colaboração<br />
não solicitada não será<br />
devolvida, reservando-se o<br />
direito de a publicar ou não.<br />
Por José António Meneses Correia<br />
35 CONTRIBUTOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA GARANTIA<br />
DE QUALIDADE EM HOSPITAIS PORTUGUESES<br />
Por José Carlos Lopes Martins<br />
41 A UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS<br />
Por Reis Miranda<br />
43 DA RESPONSABILIDADE DOS ÓRGÃOS DE TUTELA<br />
Por Santos Cardoso<br />
45 A ARQUITECTURA E SISTEMA FUNCIONAL E CIRCULAÇÃO NA<br />
PERSPECTIVA DA SEGURANÇA - INCt:NDIO . ESCOLA N4.CIONAL DE<br />
Por Ludwig August Reiche<br />
48 CONSIDERAÇÕES RELATIVAS A PROTECÇÃÓ<br />
INFORMAÇÃO CLÍNICA<br />
Por Lopes Ferreira e Margarida Viegas<br />
SAÚDE PÚBLICA<br />
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'<br />
1<br />
UM ANO DE .POLÍTICA DE SAÚDE<br />
· .· _·EM PORTUGAL<br />
·.·:ON Y SOIT QUI MAL Y PENSE<br />
..<br />
; ·.<br />
A actuação do Ministério da Saúde tem<br />
assumido, neste último ano, uma curiosa<br />
e estranha mescelânea de características,<br />
mantendo-se, um pouco ao contrário do<br />
que vinha sendo habitual na área da saúde,<br />
por um quase frenesim em actuar,<br />
legislar, intervir, alterar, etc.<br />
Mas, e perdoe-se a imagem, fá-lo por<br />
vezes tão incongruentemente ·:... mas de<br />
forma tão exposta - quanto,· há alguns<br />
anos, os volframistas queimavam a fortuna<br />
recente acendendo os caros charutos<br />
em notas de banco. ·<br />
Utilizando uma curiosa inversão de<br />
método científico, tem vindo o Ministério<br />
da Saúde a actuar sobre os efeitos ignorando<br />
ou esquecendo as causas, responsabilizando,<br />
quantas vezes, as últimas,<br />
atacando intempestivamente os problemas<br />
sem suidar de alternativas viáveis.<br />
O mais que se pode dizer é que, subjacente<br />
à política de saúde em vigor, não<br />
existe uma ideologia da saúde mas sim um<br />
voluntarista, mas fragmentado e incipiente<br />
conjunto de ideias sobre a saúde.<br />
A uma assinalável lucidez no despiste<br />
dos problemas, se alia, contraproducentemente,<br />
uma real incapacidade de intervenção<br />
sobre as suas çausas profundas.<br />
(.9<br />
N<br />
o<br />
1<br />
I<br />
Enquanto duram as cruzadas contra a<br />
falta de assiduidade médica, contra a concorrência<br />
desenfreada na fisioterapia, etc.<br />
- efeitos - se esquece o serviço Nacional<br />
de saúde, ·as verbas fabulosas transferidas,<br />
anualmente, para o sector privado<br />
que detém, por demissão do Estado, o<br />
sector economicamente mais rentável das<br />
prestações. de saúde, a escassez ou má<br />
distribuição geográfica do pessoal e equipamento,<br />
etc. - as causas.<br />
Numa altura em que se fala de um ccpacote»<br />
de legislação sobre a saúde é preocupante<br />
saber-se que, em grande medida,<br />
e a avaliar pela produção legífera já<br />
conhecida, mais do que um pacote de<br />
soluções será um pacote de {novos) problemas.<br />
Mantido, até agora, no segredo<br />
dos gabinetes, o futuro da saúde foi definido,<br />
à revelia daqueles que, de uma<br />
maneira ou outra, têm evitado, há longos<br />
anos, a completa degradação do Serviço<br />
Nacional de Saúde, num perigigoso exercício<br />
criptocrático entremeado, aqui e ali,<br />
com aproximações populistas e acenos<br />
negociais.<br />
Esperemos, no entanto, poder algum dia<br />
dizer: ccOn y soit qui mal y pense». o<br />
--------------------~<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.u 14/ <strong>15</strong> 5
DA OBSTETRÍCIA<br />
EM PORTUGAL<br />
POR CARLOS G. ANTÓNIO (1), CLARISSE F. REGADAS (1), FERNANDO S. LOURINHO (2), FRANCISCO FARO (1),<br />
E MANUEL C. P. SANTOS (3)<br />
C')<br />
o<br />
1<br />
I<br />
DA OBSTETRÍCIA<br />
EM PORTUGAL<br />
...<br />
método não pretendia influir sobre o normal, sem artifícios, em família, num<br />
feto, de uma maneira clara e ineludível, ambiente obscuro e silencioso. Na<br />
pois ainda eram poucos os meios de mesma linha, mas ultrapassando-a, nos<br />
prospecção do seu meio ambiente. Estados Unidos da América do Norte,<br />
• Em 1959, a Escola de Toulouse, as mulheres da Califórnia, em alguns esdirigida<br />
pelo professor Pontomier, intro- tados, assistem-se mutuamente, conio<br />
duz o uso do pentatal como anestésico parteiras empíricas, ao parto dos seus<br />
habitual no parto. Método este alta- filhos.<br />
mente controverso quanto à sua inocui- Muitas das ideias subjacentes a estas<br />
dade, o qual, embora libertando a mu- teorias são profundamente válidas e<br />
lher da dor do parto, não lhe proporcio- úteis à necessária humanização do parnava,<br />
simultaneamente, a vivência do to. Porém, não é lícito esquecer-se que,<br />
nascimento do seu filho.<br />
_ para além dum sofrimento sensorial ou<br />
Nesta década de 50, avança-se, es- emocional, o feto está exposto a um<br />
pectacularmente, na. monitorização bio- sofrimento bioquímico muito mais grave.<br />
física do parto, procedendo-se ao • José Maria Carrera tenta a conciliaregisto<br />
· da frequência cardíaca fetal ção da corrente tecnocrática da obstetrí-<br />
(F. C.F .) e das contracções uterinas de eia oficial com as ideias de pendor<br />
uma maneira permanente e exacta. humanizante, expostas, e propõe o<br />
• Em 1956, a Escola de Montevideu parto ecológico, como sendo o parto<br />
(do professor Caldeiro-Bàrcia) fixou os que a mulher de hoje deseja; isto é, em<br />
critérios para a interpretação dos regis- que a parturiente possa:<br />
tos. Este facto alterou totalmente a filosofia<br />
de assistência ao parto pela possibilidade<br />
- 1.<br />
que trouxe de se detectar, pre<br />
cocemente, o sofrimento fetal (S.F.) e - 2.<br />
poderem-se, assim, accionar medidas<br />
tendentes a evitar a depressão neo-natal<br />
e a subnormalidade mental.<br />
Se Caldeiro-Barcia ensina a qualificar<br />
um sofrimento fetal (S.F.}, Saling, em<br />
1962, ensina a quantificá-lo pelo estudo<br />
directo do equilíbrio ácido-básico do<br />
feto. Esta técnica, combinada com a<br />
monitorização (então francamente divulgada<br />
pela introdução, no mercado, em<br />
meados da década de 60, dos monitores<br />
electrónicos) permite o conhecimento<br />
muito exacto do grau de bem<br />
-estar fetal.<br />
~ também nesta década que se divulgam<br />
certas técnicas de anestesia regional,<br />
em obstetrícia, tais como: a anestesia<br />
epidoral ou peridoral e a anestesia<br />
paracervical.<br />
• No início da década de 70, os<br />
movimentos ecológicos, na altura em<br />
grande actividade, influ~nciam também,<br />
especialmente pelas · suas tendências<br />
naturistas, a obstetrícia.<br />
• Em 1974, o doutor Loboyer publica<br />
o seu livro Para um Nascimento sem Violência,<br />
não se afastando, nele, do<br />
método psicoprofiláctico, mas ultrapassa-o<br />
pela maior atenção que dedica<br />
ao feto.<br />
• Em 1976, o doutor Paciornik, no<br />
Brasil, retoma o parto índio, ou parto de<br />
cócoras, porque - diz - os partos, nestas<br />
condições, em geral, são mais rápidos<br />
e atraumáticos em comparação<br />
com os partos em decúbito dorsal.<br />
• Um pouco por toda a parte, as<br />
mulheres jovens começam a contestar<br />
o parto hospitalar, excessivamente sofisticado.<br />
Desejam a assistência convencional:<br />
a mulher a dar à luz numa cama .<br />
8<br />
,<br />
- 3.<br />
- 4.<br />
- 5.<br />
Viver o seu parto com alegria e<br />
sem sobressaltos;<br />
Participar e colaborar no nascimento<br />
do seu filho, sem que isto<br />
signifique o padecimento do parto<br />
bíblico;<br />
Segurança absoluta quanto à sua<br />
vida e à sua integridade física;<br />
Salvaguarda dos interesses fetais<br />
de forma a que este não corra riscos;<br />
não sofra e nasça são de<br />
corpo e mente;<br />
Humanização do trabalho de parto<br />
e do parto pela presença do marido,<br />
quando desejada, e a criação<br />
••<br />
- -<br />
••<br />
de um ambiente afectivo e adequado.<br />
E se perguntássemos ao feto o que<br />
ele pretende, responder-nos-ia, certamente,<br />
do mesmo modo que o professor<br />
Downs; isto é, assim:<br />
- Quem quer que seja a minha mãe,<br />
quero que o seu corpo seja uma fábrica<br />
adequada para a produção do meu próprio<br />
corpo;<br />
Quero que a minha mãe esteja livre<br />
de doenças e que conte com uma correcta<br />
assistência durante a gravidez e o<br />
parto;<br />
Desejo que, durante o meu nascimento,<br />
sejamos controlados, minha mãe e<br />
eu, adequadamente, e que nos sejam<br />
evitados os sofrimentos desnecessários;<br />
Quero que a minha mãe seja mentalmente<br />
livre de opressão e seja capaz de<br />
me desejar, tratar e amar como eu chegarei<br />
a amá-la um dia;<br />
EVOLUÇÃO DO N. º DE PARTOS EM PORTUGAL ENTRE 1964 E 1984<br />
ANOS<br />
FONTE: 1.N.E.<br />
1964<br />
1965<br />
1966<br />
1967<br />
1968<br />
1969<br />
1970<br />
1971<br />
1972<br />
1973<br />
1974 '<br />
1975<br />
1976<br />
1977<br />
1978<br />
1979<br />
1980<br />
1981<br />
1982<br />
1983<br />
1984<br />
N.oDE<br />
PARTOS<br />
221736<br />
214824<br />
211452<br />
206262<br />
<strong>1986</strong>86<br />
193501<br />
176008<br />
191291<br />
176710<br />
174022<br />
173433<br />
181818<br />
188<strong>15</strong>3<br />
122219<br />
11 7019<br />
161320<br />
<strong>15</strong>9272<br />
<strong>15</strong>2832<br />
<strong>15</strong>1634<br />
144860<br />
143336<br />
VARIAÇÃO<br />
QUADRO IA<br />
fNDICEBASE<br />
fNDICEBASE<br />
1864 = 100 MÓVEL<br />
100,0 100<br />
96,9 96,9<br />
95,4 98,4<br />
93,0 97,5<br />
89,6 96,3<br />
87,3 97,4<br />
79,4 91,0<br />
86,3 108, 1<br />
79,7 92,4<br />
78,5 98,5<br />
78,2 99,7<br />
82,0 104,8<br />
84,9 103,9<br />
55,1 65,0<br />
52,8 95,7<br />
72,8 137,9<br />
71,8 98,7<br />
68,9 96,0<br />
68,4 89,2<br />
65,3 95,5<br />
64,6 98,9<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />
Seja qual for a minha raça, quero, para<br />
bem de todas as raças, que o meu lugar<br />
seja suficientemente seguro para que<br />
não me seja transmitida menos-valia ou<br />
mito de inferioridade;<br />
Qualquer que seja a educação que me<br />
ofereçam, desejo ter a oportunidade de<br />
aprender o que necessito para me<br />
desenvolver;<br />
Seja qual for o tipo de governo em que<br />
nasça, quero justiça equitativa através ·<br />
da qual possa forjar a minha própria<br />
liberdade;<br />
E porque o primeiro direito humano é<br />
nascer bem, nós só poderemos dizer a<br />
este feto falador<br />
«ASSIM SEJA,,<br />
BREVE ANÁLISE<br />
DA SITUAÇÃO<br />
DA OBSTETRÍCIA<br />
EM PORTUGAL: ALGUNS<br />
INDICADORES QUANTITATIVOS<br />
À semelhança do que aconteceu noutros<br />
países, mormente entre os mais<br />
desenvolvidos, também, entre nós, a<br />
prática obstétrica sofreu importantes<br />
alterações qualitativas e quantitativas.<br />
Os indicadores que a seguir apresentamos<br />
são, de algum modo, disso reflexo.<br />
Evolução do número de partos<br />
No período compreendido entre 1964<br />
e 1984, o número de partos diminuiu a<br />
uma taxa média anual de 2,2% - valor<br />
GRÁFICO 1<br />
EVOLUÇÃO DON.º DE PARTOS SEGUNDO O LOCAL DE OCORR~NCIA<br />
E TIPO DE ASSIST~NCIA NO DOMICILIO NO PER(ODO DE 1964 A 1984<br />
PARTOS<br />
90<br />
80<br />
70<br />
6 0<br />
50<br />
40<br />
30<br />
20<br />
10<br />
·-----<br />
·· ···- ····· . ...<br />
64 65 66 67 68 6 9 10 7 1 72 n 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 64 ANOS<br />
FONTE l.N.E.<br />
levemente inferior ao verificado com a<br />
taxa de natalidade (2,5%) - situando-se<br />
o seu valor absoluto, no último destes<br />
anos, em 143 336 (cf. quadro IA).<br />
De realçar que, ao longo destas duas<br />
últimas décadas, a tendência decrescente<br />
verificada no número de partos<br />
ocorridos só foi contrariada em apenas<br />
4 anos (1971; 1975; 1976 e 1979), nos<br />
quais, igualmente, se constataram<br />
acréscimos das taxas de natalidade relativamente<br />
aos valores verificados nos<br />
anos imediatamente anteriores àqueles.<br />
Evolução do número de partos<br />
segundo o local de ocorrência<br />
Tendo-se tornado maioritários relativamente<br />
aos partos no domicílio, a partir<br />
de 1973, os partos efectuados em estabelecimento<br />
com internamento não têm<br />
cessado de crescer ao longo dos últimos<br />
anos, cifrando-se o seu valor percentual,<br />
em 1984, em 83,4% do número total de<br />
partos verificado em Portugal. Este valor<br />
deverá ser considerado ainda mais significativo<br />
porquanto · ele foi conseguido,<br />
em grande medida, à custa da diminui-<br />
REPARTIÇÃO DOS PARTOS OCORRIDOS EM INTERNAMENTO SEGUNDO A CATEGORIA DO ESTABELECIMENTO<br />
ANOS H. CONCELHIOS EU. N.H.D. E H. CONCELHIOS<br />
1. DE C. SAÚDE DEP. DA D.G.H.«ANTIGOS,.<br />
N.º % N.º %<br />
1980 23548 20,0 - -<br />
1981 10050 8,5 13520 11,5<br />
1982 8686 7,3 13674 11 ,5<br />
1983 8539 7,4 10524 9, 1<br />
1984 7625 6,6 10328 8,9<br />
FONTE: • Direcção-Geral dos Cuidados Primários de Saúde.<br />
• DiFecção-Geral dos Hospitais<br />
HOSP. DISTRITAIS<br />
CENTRAIS<br />
N.º %<br />
53039 45,0<br />
53976 45,7<br />
55936 47,1<br />
556<strong>15</strong> 48,3<br />
57722 49,9<br />
NOTA: por falta de dados estatísticos de algumas unidades de saúde, considerou-se que o(s) movimento(s):<br />
- dos HH. de Ovar e ~vora , em 1981 , foram iguais aos de 1980;<br />
- dos HH. de Fafe e Serpa, em 1982, foram iguais aos de 1981 ;<br />
- da Matem. Mariana Martins, em 1984, foi igual ao de 1983;<br />
- das Unid. de Internam. dos Centros de Saúde de ~vora e Viseu, em 1984, foram iguais aos de 1983.<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
HOSP. E MATERNIDADES<br />
N.º %<br />
QUADRO 1<br />
TOTAL<br />
41209 35.0 117796<br />
40546 34,3 11 8092<br />
40517 34,1 118813<br />
40518 35,2 1<strong>15</strong>196<br />
40025 34,6 1<strong>15</strong>700<br />
9
DA OBSTETRÍCIA<br />
EM PORTUGAL<br />
....<br />
ANOS<br />
ESTRUTURA DA DISTRIBUIÇÃO DE PARTOS EM INTERNAMENTO POR GRUPOS DE ESTABELECIMENTOS<br />
ENTRE 1980 e 1984 - ANÁLISE ESTATfSTICA<br />
<<br />
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'Ui<br />
:E<br />
HOSPITAIS E MATERNIDADES<br />
CENTRAIS<br />
w<br />
C· N. ºde Estab.<br />
. (><br />
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tt 4(<br />
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o><br />
o<br />
H. DISTRITAIS ANTIGOS<br />
w ~<br />
N.º de Estab.<br />
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NOVOS H. DISTRITAIS<br />
w~ N.º de Estab.<br />
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QUADRO llA<br />
HH. CONCELHIOS E U.<br />
INTERNAMENTO DOS C. SAÚDE<br />
<<br />
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N. º de Estab.<br />
o.<br />
• (> 1---..-----l<br />
ttS<br />
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o~<br />
1980 4121 2927 71,0 9 1433 765 53,4 24 13 - - - - 187 247 132,1 126<br />
1981 4055 2916 71,9 9 1459 792 54,3 23 14 398 321 80,7 34 103 <strong>15</strong>8 <strong>15</strong>3,4 98<br />
1982 4092 2974 73,4 9 <strong>15</strong>12 814 53,8 22 <strong>15</strong> 391 310 79,3 35 103 130 126,2 64<br />
1983 4052 3101 76,5 9 <strong>15</strong>03 826 55,0 19 18 457 299 65,4 23 101 131 129,7 65<br />
1984 4003 3074 76,8 9 <strong>15</strong>60 856 54,9 19 18 449 282 62,8 23 87 114 131,0 87<br />
FONTE: DIRECÇÃO GERAL DOS CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE<br />
DIRECÇÃO GERAL DOS HOSPITAIS<br />
NOTA: POR FALTA DE DADOS ESTATISTICOS DE ALGUMAS UNIDADES DE SAÚDE, CONSIDEROU-SE QUE O(S) MOVIMENTO(S):<br />
- DOS H. DE OVAR E 8/0RA EM 1981 FORAM IGUAIS AOS DE 1980<br />
- DOS H. DE FAFE E SERPA EM 1982 FORAM IGUAIS AOS DE 1981<br />
- DA MATERNIDADE MARIANA MARTINS EM 1984 FOI IGUAL AO DE 1983<br />
- DAS UNIDADES DE INTERNAMENTO DOS CENTROS DE SAÚDE DE ÉVORA E VISEU EM 1984 FORAM IGUAIS AOS DE 1983<br />
GRÁFICO 11<br />
CURVA DE DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL ACUMULADA<br />
DE PARTOS EM INTERNAMENTO EM FU~ÇÃO<br />
DON.º DE ESTABELECIMENTOS DE SAUDE<br />
•y., acumulada<br />
de partos .<br />
i ; ~ -------------- -------------:.-:.;;--:.;::-.-----------~<br />
~ -<br />
.<br />
1<br />
10 :<br />
1<br />
'<br />
:o 20 Jo o ;J 60 10 3'J M ' : .: ~'J l20 :lo :;e l S) ló:><br />
ção dos partos no domicílio sem assistência,<br />
os quais, entre 1964 e 1984,<br />
sofreram uma diminuição média anual<br />
de 16,1%.<br />
De notar ainda que o aumento dos<br />
partos em estabelecimento com internamento<br />
tem sido levado a cabo sem agravamento<br />
das assimetrias interdistritais,<br />
mas, antes pelo contrário, com correcção<br />
das mesmas, uma vez que, entre<br />
10<br />
N.·· de unidades de saude<br />
1964 e 1984, o coeficiente de variação<br />
interdistritos deste indicador passou de<br />
65,7% para 16,5% e a sua amplitude de<br />
variação de 1/9,6 para 1/1 ,9.<br />
Repartição dos partos<br />
ocorridos em internamento,<br />
segundo a categoria<br />
do estabelecimento<br />
Da leitura do Quadro 1, três grandes<br />
ideias-força ressaltam do mesmo:<br />
- 1 . ª Uma relativa estabilidade do<br />
n.º de partos efectuados em hospitais e<br />
maternidades centrais, bem como do<br />
seu peso relativo no conjunto dos partos<br />
feitos em estabelecimentos com internamento:<br />
cerca de 35%.<br />
- 2.ª Um ligeiro acréscimo da importância<br />
dos hospitais distritais "antigos,,<br />
no parto em internamento - cerca de 5%<br />
entre 1980 e 1984 - aumento esse conseguido,<br />
fundamentalmente, à custa da<br />
diminuição do papel que o conjunto<br />
«hospitais concelhios + unidades de<br />
internamento de centros de saúde +<br />
novos hospitais distritais,,<br />
vêm assumindo<br />
neste campo;<br />
- 3.ª A importância do grupo «hospitais<br />
concelhios + unidades de internamento<br />
dos centros de saúde + novos<br />
hospitais distritais» resultante do facto<br />
de, ainda em 1984, mais de <strong>15</strong>% (!) do<br />
total dos partos efectuados em internamento<br />
o serem neste conjunto de estabelecimentos<br />
de saúde, onde é duvidoso<br />
existirem meios técnicos e humanos<br />
susceptíveis de permitirem a conse-<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />
cução de uma boa assistência à parturiente<br />
e ao recém-nascido.<br />
Analisando, mais em detalhe, o comportamento<br />
de cada um destes grupos<br />
de estabelecimentos (ver Quadro llA),<br />
podemos concluir que:<br />
- nos hospitais e maternidade centrais,<br />
a média de partos efectuados oscilou<br />
entre 4003 (1 984) e 4121 (1 980),<br />
variando a amplitude entre 1 / 12,3 (1981 )<br />
e 1 /26 (1984).<br />
A evolução recente, no período de<br />
1980-1984, acentua uma tendência<br />
crescente para o aumento da irregularidade<br />
de distribuição dos partos efectuados<br />
neste grupo: o coeficiente de variação<br />
subiu de 71,0% para 76,8% e os<br />
índices de concentração (Gini) aumentaram<br />
também de 0,369 para 0,396;<br />
- é no grupo dos hospitais distritais<br />
«antigos» que se verifica a maior tendência<br />
para a isodistribuição: o coeficiente<br />
de variação inter-hospitais oscila entre<br />
53,4% (1980) e 54, 9% (1984) e o índice<br />
de concentração (Gini) ·varia entre 0,28<br />
(1 98?) e 0,30 (1984).<br />
A amplitude de variação, no período<br />
de 1980-1984, está compreendida entre<br />
1/1 0,3 (1981) e 1/ 12 (1984);<br />
- As maiores assimetrias, nas distribuições,<br />
verificam-se, compreensivelmente,<br />
no grupo dos hospitais concelhios<br />
e unidades de internamento dos<br />
centros de saúde, oscilando a amplitude<br />
de variação entre 1/ 1081 (1980) e 1 /482<br />
(1 984) e o coeficiente de variação entre<br />
126,2% (1 982) e <strong>15</strong>3,4% (1 984).<br />
O índice de concentração (Gini) atesta<br />
estas grandes assimetrias, tomando, em<br />
1984, o valor de 0,63;<br />
- Verifica-se uma tendência crescente<br />
para uma maior homogeneidade do<br />
grupo «novos hospitais distritais + exhospitais<br />
concelhios dependentes da<br />
Direcção-Geral dos Hospitais»: a amplitude<br />
variou de 1/276 (1981) para 1/87<br />
(1984), tendo o coeficiente de variação<br />
oscilado entre 80,7% (1 981 ) e 62 ,8%<br />
(1984) e o índice de concentração de<br />
Gini entre 0,45 (1981) e 0,364 (1984).<br />
De referir, por último quatro apontamentos<br />
genéricos que nos sugerem uma<br />
análise global aos locais onde foram<br />
efectuados os partos em estabelecimentos<br />
(ver Gráfico li):<br />
- 1 . Das <strong>15</strong>7 unidades de saúde em<br />
que partejou, em 1984, 130 - ou seja<br />
· 82,8% - fazem menos de <strong>15</strong>00 partos/<br />
/ ano.<br />
- 2. l.)ma só destas unidades - a<br />
Maternidade Alfredo da Costa - é responsável,<br />
só por si, por cerca de 10%<br />
de todos os partos em internamento.<br />
- 3. Em cinco estabelecimentos com<br />
internamento (Maternidade Alfredo da<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />
Costa; Maternidade Júlio Dinis; Hospitais<br />
da Universidade de Coimbra; Hospital<br />
Distrital de Braga e Maternidade Magalhães<br />
Coutinho) fazem-se 1 /4 de todos<br />
os partos em internamento.<br />
- 4. 33 hospitais (9 hospitais centrais<br />
+ 24 hospitais distritais "antigos») são<br />
responsáveis por 75% do total dos partos<br />
em internamento, sendo, em consequência,<br />
25% dos partos restantes<br />
repartidos por 124 (!) estabelecimentos<br />
hospitalares ou centros de saúde com<br />
internamento.<br />
Evolução do número .<br />
de consultas de saúde<br />
materna e de obstetrícia<br />
efectuadas nos centros<br />
de saúde e hospitais<br />
Os avanços da ciência, nomeadamente<br />
os verificados nos campos da<br />
bioquímica, genética, fisiologia, endocrinologia,<br />
electrónica e informática, tornam<br />
, no que tange à obstetrícia cada vez<br />
mais possível e viável a actuação atempada<br />
sobre os factores de risco que<br />
impendem sobre a vida e saúde, quer<br />
do recém-nascido, quer de sua mãe.<br />
As consultas pré-nupciais, pré e pósnatais<br />
assumem, por isso, um papel<br />
cada vez mais importante na prossecução<br />
de um bom nível de cuidados obstétricos.<br />
Qual, então, o panorama vivido no<br />
nosso país neste campo?<br />
Analisando o Quadro li, abaixo referido,<br />
verificamos que, conquanto crescente<br />
a % de grávidas assistidas em<br />
consultas hospitalares, é ainda assaz<br />
inferior à das que são seguidas nas consultas<br />
de saúde materna efectuadas nos<br />
centros de saúde.<br />
Este facto nada indicaria de anormal<br />
se as consultas externas hospitalares<br />
ANOS<br />
fossem apenas reservadas aos casos de<br />
risco, o que nos parece ser negado pelo<br />
baixo número de consultas/utente aí<br />
verificado: 3,5 em 1982; 4,2 em 1983 e<br />
4,0 em 1984. Tudo aponta, pois, que<br />
os Serviços de Obstetrícia hospitalares,<br />
quiçá, por falta de meios humanos e técnicos<br />
em número e qualidade suficientes,<br />
voltam a sua acção, predominantemente,<br />
para o internamento e, em especial,<br />
para o parto.<br />
O Quadro Ili parece, a nosso ver, confirmar<br />
esta hipótese. Com efeito, os hospitais<br />
e maternidades centrais, embora<br />
efectuem apenas cerca de 35% do total<br />
de partos hospitalares, são responsáveis<br />
por = 60% das consultas de obstetrícia,<br />
resultante, provavelmente, de uma maior<br />
concentração de obstetras que tornam<br />
possível tal facto.<br />
De referir ainda, que no que respeita<br />
às consultas de saúde materna, são, significativamente,<br />
os distritos com maiores<br />
recursos humanos e materiais neste<br />
campo (Lisboa, Coimbra, Porto) os que<br />
apresentam uma menor taxa de cobertura<br />
de grávidas por este tipo de consultas,<br />
o que parece pressupor a existência<br />
de fortes meios alternativos, nomeadamente:<br />
a clínica privada; as consultas de<br />
especialidade em centros de saúde e as<br />
próprias consultas hospitalares.<br />
Evolução das taxas<br />
de mortalidade perinatal<br />
e materna. \Ver Gráficos Ili e IV)<br />
A taxa de mortalidade perinatal é um<br />
indicador importante do acompanhamento<br />
da gravidez, do parto e dos primeiros<br />
dias da vida do recém-nascido,<br />
sendo normalmente considerado um<br />
índice de qualidade dos cuidados obstétricos<br />
e pediátricos de um país ou região.<br />
....<br />
CONSULTAS DE SAÚDE MATERNA NOS CENTROS DE SAÚDE<br />
E DE OBSTETRÍCIA NOS HOSPITAIS, ENTRE 1982 E 1984<br />
CONS. OBST. HOSP.<br />
CONS. SAÚDE MATERNA<br />
QUADRO li<br />
N. 0 ABS. 10 N.ºCONS. % GRÁVIDAS N. 0 ABS." 0 N.ºCONS. VoGRÁVIDAS<br />
UTENTE ASSISTIDAS UTENTE ASSISTIDAS<br />
1982 93474 3,5 16,7 250608 5,8 30,6<br />
I•<br />
1983 100395 4,2<br />
. 18,5 165340 5,0 I• 24,2<br />
1984 119925 4,0 20,3 177764 5,0 26,7<br />
FONTE: • DIRECÇÃO-GERAL DOS CUIDADOS PRIMÁRIOS - SERVIÇO DE ESTAT[STICA<br />
• DIRECÇÃO-GERAL DOS HOSPITAIS - SERVIÇO DE ESTATISTICA<br />
11
DA OBSTETRÍCIA<br />
EM PORTUGAL<br />
.....<br />
'\<br />
CONSULTAS EXTERNAS HOSPITALARES DE OBSTETR(CIA<br />
NO PER(ODO DE 1980 A 1984<br />
QUADRO Ili<br />
EM HOSPITAIS E EM HOSP. DISTRITAIS EM HOSP. DISTRITAIS TOTAL<br />
MATERN. CENTRAIS «ANTIGOS» ccNOVOS»<br />
ANOS . N.º N.º CONSI CONS. N.' N.º CONS. CONS. N.º N.º CONS/ CONS. N.º N.º CONS/<br />
ABSOL /UTENTE HOSPIT. ABSOL /UTENTE HOSPIT. ABSOL /UTENTE HOSPIT. ABSOL /UTENTE<br />
1980 61626 5,2 67,1 30211 2,9 32,9 - - - 91837 4,3<br />
1981 56977 5,2 61,7 25801 3,3 27,9 9650 2,2 10,4 92428 4,4<br />
1982 55429 4,0 59,3 27805 3,2 29,2 10740 1,9 11,5 93474 3,5<br />
1983 59656 4,7 59,4 33346 3,5 33,2 7393 2.6 7,4 100395 4,2<br />
1984 62996 5,0 56,3 40903 3,5 36,5 8030 2,6 7,2 11 9929 4,0<br />
FONTE: DIRECÇÃO-GERAL DOS HOSPITAIS - SERVIÇO DE ESTATÍSTICA<br />
42<br />
40<br />
38<br />
36<br />
ç<br />
GRÁFICO 111<br />
EVOLUÇÃO DA TAXA DE MORTALIDADE PERINATAL EM PORTUGAL<br />
ENTRE 1964 E 1984<br />
GRÁFICO IV<br />
EVOLUÇÃO DA TAXA DE MORTALIDADE MATERNA EM PORTUGAL<br />
MORTALIDADE<br />
MATERNA<br />
(%O)<br />
60<br />
40<br />
20<br />
o<br />
1970 72 74<br />
ENTRE 1970 E 1984<br />
MORTALIDADE MATERNA<br />
(por 100 000 N.V.)<br />
76 78<br />
FONTES: Direcção-Geral dos Cuidados de Saude Primários<br />
80<br />
82 84<br />
ANOS<br />
1 . Da análise da situação da assistência<br />
obstétrica, em Portugal, sobressaem,<br />
como aspectos mais marcantes,<br />
os seguintes:<br />
hegemonia do parto em estabelecimento<br />
com internamento "versus"<br />
parto domiciliário;<br />
notória melhoria dos indicadores sanitários<br />
mais pertinentes;<br />
- acentuada pulverização dos locais de<br />
ocorrência do parto em unidades de<br />
saúde com internamento;<br />
- forte concentração de uma significativa<br />
percentagem dos partos em um<br />
reduzido número de estabelecimentos<br />
hospitalares;<br />
existência de um elevado número de<br />
partos em unidades deficientemente<br />
dotadas dos necessários meios humanos<br />
e materiais;<br />
indícios de insuficiente cobertura<br />
médica da gravidez, em ambulatório.<br />
34<br />
32<br />
30<br />
VARIAÇÃO DO CUSTO MÉDIO DO PARTO<br />
EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE PARTOS<br />
GRAFICO A<br />
DISTRIBUIÇÃO DOS PARTOS<br />
EM ESTABELECIMENTOS COM INTERNAMENTO<br />
POR GRUPOS DE HOSPITAIS1, EM 1984<br />
2 8<br />
l6<br />
CUSTOS UNITÁRIOS<br />
(EM CONTOS)<br />
.,,l'AHIO:-.<br />
CURVAS DE LORENZ<br />
2 4<br />
22<br />
20<br />
1 8<br />
4 l)<br />
38,7<br />
37 ,9<br />
• •<br />
6 4 65 66 67 68 69 70 11 72 73 74 75 76 11 78 79 80 81 82 83 8 4 ANOS<br />
FONTE: l.N.E<br />
Conquanto apresente uma tendência<br />
decrescente - entre 1974 e 1984, a<br />
variação média anual foi de 3,4 % - ela<br />
evidencia, entre nós, e ainda, um valor<br />
bastante elevado quando cotejado com<br />
índices similares de outros países europeus<br />
mais desenvolvidos, o que constitui<br />
um dos problemas mais graves e a que<br />
se impõe dar resposta.<br />
A diminuição da taxa de mortalidade<br />
materna é, claramente, visualizada no<br />
Gráfico IV. O seu valor (<strong>15</strong>,6 óbitos por<br />
100 000 nadas-vivos, em 1984) é de<br />
modo a permitir-nos constatar que, em<br />
Portugal. já são hoje bastante diminutos<br />
os riscos de morte associados à maternidade.<br />
CONCLUSÕES<br />
Tal como atrás já referimos, não constituiu<br />
o nosso objectivo encontrar uma<br />
resposta susceptível de implementação<br />
generalizada, mas, tão-somente, estudar<br />
soluções alternativas para uma realidade<br />
concreta - o distrito de Leiria -.<br />
à luz de critérios objectivos, que se nos<br />
afiguraram consentâneas com a consecução<br />
de um bom nível de cuidados<br />
obstétricos.<br />
j Cl<br />
28 , 4<br />
21 '')<br />
25,7<br />
24 '6<br />
20<br />
1<br />
500<br />
N N<br />
,..., ,.._<br />
. - r---<br />
1000 ::;:.<br />
......<br />
......<br />
•<br />
<strong>15</strong>00<br />
•<br />
•<br />
"°<br />
"'<br />
o<br />
N<br />
25 0U<br />
•<br />
3000<br />
N.'' DE PARTOS<br />
25 •5 b5 85 100<br />
,, .. ,. ....... f',IN11 tlf.lf\MNltJ',<br />
(..!fllrr.r. (~ ..a...f)I:<br />
., ~t'IChC)dr;lfll ....<br />
Hcl!loP ()r.I · W!liqv.,·<br />
Hc1'.(• "mal r.._..-itr..,,<br />
NOTA: Este artigo é extracto de<br />
comunicação apresentada<br />
no 1. º Encontro dos Novos<br />
Hospitais Distritais, realizado<br />
em Alcobaça, em Junho de <strong>1986</strong><br />
12<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
13
PERCENTAGEM DE PARTOS EM ESTABELECIMENTO COM INTERNAMENTO, POR DISTRITO DE RESIDf:NCIA<br />
DAS PARTURIENTES, NO ANO DE 1984<br />
Comunicação apresentada nas VI JORNADAS DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR<br />
GARANTIA DE QUALIDADE<br />
DOS CUIDADOS<br />
MÉDICOS HOSPITALARES<br />
POR: Prof. J. M. CALDEIRA DA SILVA *<br />
_..., __ ..._'V'' X X :..: ><br />
.,..___:..~ X X X X X X<br />
x xxxx xx<br />
X X X X X X X<br />
)( 'X X X X X X<br />
)( X X X X )( )( )( )( ')f<br />
X X X Y. X X<br />
)( X X X X X X X<br />
xxxxxx': X X )( X<br />
)( )( X<br />
LEGENDA<br />
o 0-60<br />
~ 60-70<br />
flf!JJ<br />
m<br />
70 - 80<br />
80-90<br />
~ 90 - 100<br />
FONTE: l.N.E .. ESTATÍSTICAS DA SAÚDE. 1984<br />
Ãdoptámos a expressão GARANTIA<br />
DE QUALIDADE para a área do saber e<br />
das actividades que é reconhecida e<br />
aceite internacionalmente pela designação<br />
inglesa QUALITY ASSURANCE.<br />
Garantia de qualidade dos cuidados<br />
em hospitais representa matéria tão<br />
vasta e complexa e, também, tão confusa<br />
e tão controversa, que bem justifica<br />
que ao tema sejam dedicadas as VI Jornadas<br />
de Administração <strong>Hospitalar</strong>.<br />
Por outro lado, o assunto é novo (entre<br />
nós) e de enorme actualidade; consideramo-lo<br />
- juntamente com a infecção<br />
nosocomial, consciencialização de custos<br />
e modalidades de financiamento<br />
com base em grupos de diagnóstico -<br />
um dos quatro grandes temas de maior<br />
impacte e actualidade no forum hospitalar.<br />
O interesse do tema é confirmado<br />
pelo elevadíssimo número de projectos<br />
de investigação e de publicações sobre<br />
o assunto, aparecidos nos últimos tempos.<br />
Trata-se de uma matéria difícil, não<br />
pacificamente aceite, despertadora de<br />
susceptibilidades e exacerbadora de<br />
sensibilidades. Trata-se, também, de<br />
uma matéria controversa.<br />
Mas, é útil e do interesse de todos -<br />
profissonais de saúde e utentes.<br />
Há, por isso, como primeira etapa de<br />
uma estratégia, que a trazer a terreiro,<br />
iluminá-la pela clareza, explicá-la, ganhar<br />
* Professor na Escola Nacional<br />
de Saúde Pública<br />
para ela a adesão dos vários grupos profissionais.<br />
Como diz Donabedian, o maior arquitecto<br />
da construção teórica sobre<br />
Garantia de Qualidade dos cuidados de<br />
saúde, são os próprios profissionais de<br />
saúde que devem adaptar e assumir a<br />
responsabilidade de processos de avaliação<br />
e correcção da qualidade dos cuidados<br />
que prestam.<br />
As Jornadas de Administração <strong>Hospitalar</strong>,<br />
ao apresentarem e debaterem este<br />
tema, têm entre ·os seus objectivos facilitar<br />
e concorrer para o assumir dessa<br />
responsabilidade por médicos. administradores,<br />
enfermeiros, terapeutas e<br />
todos os outros profissionais de saúde.<br />
Atendendo à novidade (relativa) do<br />
tema e do desentendimento que existe<br />
neste área, considera-se útil, no âmbito<br />
das Jornadas, dar uma perspectiva global<br />
sobre o assunto e esclarecê-lo. É o<br />
que se pretende com este trabalho de<br />
síntese. Ele estará particularmente<br />
focado sobre os cuidados mé.dicos (no<br />
seu sentido restrito). dada a sua relevância<br />
no quadro da Garantia de Qualidade<br />
dos cuidados de saúde e, por outro<br />
lado, nos cuidados prestados no hospital<br />
, origem e sede privilegiada da aplicação<br />
das metodologias de avaliação e<br />
correcção da qualidade.<br />
Sucessivamente, serão abordados os<br />
pontos seguintes:<br />
Situar o assunto e caracterizar o<br />
seu conteúdo, motivações e breves<br />
antecedentes históricos;<br />
Explorar conceptualmente a ideia<br />
de qualidade de cuidados médicos;<br />
Abordar a metodologia de um programa<br />
de garantia de qualidade (de<br />
cuidados médicos);<br />
Fazer o ponto da situação no presente<br />
e prespectivar o que poderá<br />
acontecer;<br />
Concluir.<br />
SITUAR O TEMA.<br />
NECESSIDADES E MOTIVAÇÕES<br />
QUE DERAM ORIGEM AOS<br />
PROGRAMAS DE GARANTIA<br />
DE QUALIDADE E CONCEITO.<br />
BREVE ABORDAGEM<br />
HISTÓRICA.<br />
Para melhor situar o tema, podemos<br />
começar por levantar algumas questões:<br />
É a medicina exercida devidamente?<br />
Existe uma qualidade nos cuidados<br />
médicos (ou cuidados de saúde)? É ela<br />
avaliável e mensurável? Que valor terá a<br />
qualidade dos cuidados médicos que se<br />
prestam? Será possível avaliar a qualidade<br />
dos cuidados e introduzir correcções?<br />
O exercício médico e a prestação de<br />
cuidados médicos baseia-se na aplicação<br />
de princípios científicos. Sendo os<br />
actos médicos (ou sob a sua responsabilidade<br />
e por sua decisão) b3.seados na<br />
ciência e não na sorte, avaliar os resultados<br />
desses actos nos doentes pode<br />
ser tomado como natural, no âmbito<br />
científico da actuação médica. pois os<br />
....<br />
14<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />
<strong>15</strong>
MÉDICOS HOSPITALARES<br />
resultados devem estar correlacionados<br />
com a correcção com que a ciência foi<br />
aplicada nos processos de diagnóstico<br />
e terapêutica.<br />
Mas as coisas não se passam desta·<br />
maneira simplista. Outros valores entram<br />
em jogo, complicam e distorcem o princípio<br />
simples.<br />
A profissão médica tem uma reacção<br />
de rejeição em relação a este assunto,<br />
incluindo à ideia de qualidade de cuidados<br />
médicos e muito mais emotiva à<br />
i ; ~ 9 ia de uma avaliação dessa qualidade.<br />
O corpo médico tem aversão a qualquer<br />
tipo de avaliação, porque significa a<br />
intromissão (de leigos), comparação,<br />
ameaça à liberdade clínica.<br />
Outras razões são também invocadas 1<br />
como a de que o exercício da medicina<br />
é uma «arte" não comparável e não<br />
mensurável; que o trabalho médico só<br />
pode ser apreciado por outros médicos;<br />
que a avaliação não passa de uma análise<br />
de custos e de restrições financeiras.<br />
Na caracterização particular do trabalho<br />
médico - acentuado profissionalismo,<br />
ética e peculariedade do comportamento<br />
médico - poderá encontrar-se<br />
um esboço de avaliação da qualidade<br />
da actuação médica. Realmente, o<br />
acentuado profissionalismo acarreta<br />
autocorrecção, auto-regulação e busca<br />
de aperfeiçoamento. Os médicos foram<br />
educados e estão habituados a exercer<br />
a sua profissão em confiança; estão<br />
habituados, também, a tentar explicar<br />
diferenças nos padrões de exercício, o<br />
que estimula a sua curiosidade intelectual,<br />
primeiro passo para a correcção e<br />
aperfeiçoamento.<br />
Tradicionalmente, também, a profissão<br />
médica controla a qualificação e a<br />
integridade dos seus membros, atraves<br />
do chamado controlo de competência.<br />
São exemplos as exigências para se<br />
obter a licença para exercer, as impostas<br />
pelos colégios de especialistas, as da<br />
carreira médica.<br />
Pode dizer-se, então, que uma preocupação<br />
com a avaliação do seu próprio<br />
trabalho e aperfeiçoamento sempre existiram<br />
de modo natural e implícito.<br />
Estas formas, nos últimos tempos,<br />
não têm sido suficientes, em grande<br />
parte devido a mudanças radicais na<br />
área da prestação de cuidados de saúde,<br />
tendo-se originado pressões sobre<br />
o trabalho médico, conducentes ao aparecimento<br />
de outro tipo de avaliação.<br />
É assim que se chega ao conceito<br />
actual de controlo e monitorização da<br />
qualidade dos cuidados médicos, ou<br />
melhor, de garantia de qualidade, que<br />
constitui o tema deste trabalho.<br />
Por garantia de qualidade entende-se,<br />
então, o processo sistemático, organi-<br />
zado e contínuo de análise crítica e avaliação<br />
da qualidade dos cuidados médicos<br />
e da utilização dos recursos, usando<br />
critérios objectivos, acrescido das consequentes<br />
mudanças e correcções das<br />
deficiências encontradas.<br />
O conceito inclui, assim, (o que é<br />
muito importante), duas funções: avaliação<br />
e correcção de deficiências. É, portanto,<br />
um conceito dirigido para a acção<br />
e dinâmico e não só metodológico. É a<br />
coexistência das duas componentes<br />
que caracteriza o conceito de garantia<br />
de qualidade. O que visa é obter mudanças<br />
e aperfeiçoamento (designadamente<br />
melhoria no estado de saúde dos utentes)<br />
e não só controlar e muito menos<br />
punir.<br />
Não se trata de inspecção, nem de<br />
um processo administrativo; não tem<br />
finalidades punitivas, mas sim correctivas,<br />
usando fundamentalmente actividades<br />
de formação. De uma maneira geral,<br />
deve tratar-se de um processo voluntário,<br />
local, interpares, orientado para problemas.<br />
É um processo despendioso.<br />
Embora teoricamente todo o tipo de<br />
cuidados e todos os serviços prestados<br />
(aos . vários níveis do sistema) possam<br />
ser submetidos a um processo de<br />
garantia de qualidade, na prática, quase<br />
todos os programas - estudos, projectos<br />
de investigação, publicações - respeitam<br />
ao hospital e, particularmente,<br />
ao hospital de agudos e ao regime de<br />
internamento.<br />
Porquê? Porque esta actividade<br />
começou nos hospitais, porque estes<br />
são serviços bem delimitados e bem<br />
definidos, como os grupos profissionais<br />
que servem e as situações clínicas que<br />
enfrentam. Alta tecnologia, técnicas<br />
complexas e invasivas, casos graves,<br />
profissionais de saúde muito diferenciados,<br />
serviços muito caros. Organização,<br />
apoio administrativo, dossiers clínicos<br />
mais aperfeiçoados, programas de educação<br />
contínua desenvolvidos. Situações<br />
dramáticas, serviços sob a mira<br />
dos políticos, da administração, do<br />
públiqo e outras forças de pressão.<br />
Programas de garantia de qualidade<br />
respeitam essencialmente a médicos (os<br />
responsáveis, os que tomam decisões<br />
nas áreas de diagnóstico, do tratamento<br />
e da reabilitação, os chefes da equipa),<br />
os profissionais de saúde que gastam o<br />
dinheiro. Novas aplicações aos profissionais<br />
de enfermagem e também a outros<br />
profissionais. Actividade essencialmente<br />
desenvolvida na América do Norte, onde<br />
começou e onde a variação é muito<br />
grande no que respeita à formação de<br />
profissionais de saúde, aos serviços<br />
prestadores de cuidados e ao nível dos<br />
cuidados médicos prestados.<br />
Em termos práticos - e na sua maior<br />
aplicação, isto é, aos hospitais - o que<br />
se pretende com o processo de garantia<br />
de qualidade é aplicar mecanismos que<br />
mantenham os cuidados médicos ali<br />
prestados sob constante ou periódica<br />
revisão, apontando desvios em relação<br />
a padrões fixados ou aceites, ou deficiências<br />
em ordem a desencadear imediatas<br />
medidas de correcção.<br />
Entre as motivações que levaram ao<br />
aparecimento de processos de garantia<br />
de qualidade como uma necessidade<br />
citam-se:<br />
- variação no nível de qualidade de<br />
cuidados;<br />
- ética, que valida todos os processos<br />
que tendem a aperfeiçoar as actividades<br />
que lidam com valores como o<br />
bem estar e a vida;<br />
- segurança, que justifica a protecção<br />
do doente e a redução da margem<br />
de risco;<br />
- razões económicas, face ao<br />
aumento imparável dos custos com os<br />
cuidados de saúde, com as técnicas<br />
modernas e a necessidade da sua contenção;<br />
- sociais, porque se desenvolvem os<br />
conceitos de direito à saúde, os sistemas<br />
de saúde, os seguros-doença, os<br />
conceitos de responsabilização dos<br />
prestadores de cuidados médicos<br />
perante a sociedade; porque aumenta a<br />
pressão dos grupos e interesses mais<br />
diversos sobre o trabalho médico e a<br />
profissão médica e o modo como<br />
actuam nas áreas do diagnóstico e do<br />
tratamento (redução da confiança).<br />
Nos USA, a força enorme dos processos<br />
litigiosos e judiciais no âmbito da<br />
chamada «Crise de negligência médica,, ,<br />
representa motivação de destaque.<br />
Refira-se, como interessante, que a<br />
iniciativa original do processo de garantia<br />
de qualidade vem dos médicos, embora<br />
com resistência; as autoridades mantinham-se<br />
desinteressadas, mas com a<br />
subida dos custos, as autoridades passam<br />
a interessar-se e a estimular estudos<br />
e actividades no âmbito da avaliação<br />
e começam a legislar; aí, os médicos<br />
reagem e pretendem retomar a iniciativa<br />
afastando do processo a interferência d~<br />
leigos.<br />
Historicamente, há vestígios de controlo<br />
de qualidade do exercício médico<br />
desde há séculos. Florence Nightingale,<br />
no Séc. XIX introduz uma forma organizada<br />
de revisão de utilização dos recursos<br />
hospitalares e propõe mecanismos<br />
para relacionar os cuidados médicos<br />
com os resultados e o estado dos doentes<br />
à saída do hospital. No início do<br />
século, Codman - o cirurgião de Boston<br />
- a sua iniciativa e proposta para avalia-<br />
ção sistematizada dos verdadeiros resultados<br />
obtidos nos doentes cirúrgicos em<br />
função dos cuidados médicos constitui<br />
um marco da maior relevância para a<br />
institucionalização da garantia de qualidade,<br />
abandonado por razões e interesses<br />
diversos. Durante 30 a 40, o processo<br />
fica adormecido, desenvolvendo<br />
-se apenas um programa de padronização<br />
mínimo para os hospitais nos EUA<br />
e Canadá. Na década de 60, nos EUA,<br />
os programas de Medicam e Medicaid<br />
estimulam o desenvolvimento de programas<br />
de audit médico e de revisão de<br />
utilização e levam à criação de esquemas<br />
de avaliação dos cuidados hospitalares,<br />
organizados, os chamados<br />
«PSROs".<br />
Exploração conceptual incidindo<br />
sobre a qualidade de cuidados<br />
médicos.<br />
Para os diversos autores, qualidade<br />
ou não é definível, ou reconhecem a<br />
existência de um número imenso de<br />
definições. Não há uma definição universalmente<br />
aceite.<br />
Difícil encontrar um conceito normativo<br />
ou essencial. As definições clássicas<br />
(como as de Lee e Jones e de Esselstyn)<br />
não são puras entrando já na própria<br />
definição com julgamentos de valor a<br />
priori. Donabedian avança um conceito<br />
muito simples: o balanço entre os benefícios<br />
para a saúde e os eventuiais<br />
danos.<br />
Pode usar-se um conceito que considere<br />
os· seus atributos ou manifestações,<br />
ou optar por uma definição operacional.<br />
Na prática, há necessidade de<br />
fixar critérios e padrões, sem o que nos<br />
arriscaríamos a dispor de um conceito<br />
perfeito mas completamente inútil por<br />
não permitir comparar e ajuízar do seu<br />
valor.<br />
Há tendência, num processo de avaliação<br />
da qualidade dos cuidados médicos,<br />
para fugir para a avaliação dos<br />
prestadores ou dos meios usados na<br />
prestação dos cuidados.<br />
A análise do módulo mais simples de<br />
gestão de prestação de cuidados médicos<br />
- um episódio de doença aguda claramente<br />
definido, num determinado<br />
doente, gerido por um médico - permitiria<br />
identificar dois domínios, ou duas<br />
componentes: a técnico-científica (a<br />
ciência do exercício da Medicina) e a das<br />
relações interpessoais (a arte do exercício).<br />
Em cada um dos domínios é possível<br />
identificar factores de qualidade<br />
mais especificamente.<br />
Este modelo complicar-se-ia quando<br />
se lhe acrescentassem componentes<br />
secundárias - (1) factores de humanização<br />
dos cuidados, (2) quantidade e (3)<br />
custos.<br />
Uma quantidade insuficiente de cuidados<br />
para as necessidades deteriora a<br />
qualidade; cuidados excessivos podem<br />
causar danos, aumentam os riscos,<br />
podem gerar fenómenos iatrogéneos,<br />
aumentam o custo, absorvem recursos<br />
que poderiam ser úteis a outros e contrariam<br />
o princípio da parcimónia.<br />
Os custos financeiros não devem ser<br />
considerados como um ingrediente obrigatório<br />
da qualidade, mas, nos últimos<br />
tempos, os custos tendem a ser tomados<br />
como uma componente da qualidade,<br />
numa ideia de custo eficácia.<br />
A satisfação do doente poderia, também<br />
e para alguns autores, ser um atributo<br />
da qualidade. Se os cuidados<br />
médicos são encarados sob um prisma<br />
mais lato (não só a relação recíproca e<br />
personalizada médico-doente), aspectos<br />
como a disponibilidade, acessibilidade,<br />
conveniência, adequação, continuidade<br />
e globalidade seriam outras tantas componentes<br />
de qualidade.<br />
Donabedian propõe correlacionar<br />
benefícios com riscos e custos, para<br />
chegar a um resultado de utilidade e de<br />
saldo entre o valor destas variáveis que<br />
corresponderia ao conceito de qualidade.<br />
O objectivo consiste na procura de<br />
qualidade optimizada (qualidade lógica,<br />
de Vuori) e não maximizada, em termos<br />
realistas.<br />
Outro modo de interpretar qualidade<br />
de cuidados médicos seria através das<br />
suas componentes ou formas de apreciação:<br />
- eficácia, que significa o impacte de<br />
um serviço, num sistema operativo, em<br />
condições ideais;<br />
- efectividade, significando a relação<br />
entre o impacte real de um serviço num<br />
sistema operativo e o seu potencial<br />
impacte total numa situação ideal;<br />
- eficiência, querendo significar a<br />
relação ~ntre o impacte real de um serviço<br />
e os recursos investidos.<br />
Para os vários grupos envolvidos no<br />
sector da saúde, qualidade de cuidados<br />
médicos não tem o mesmo significado<br />
ou a mesma dominância.<br />
Para os políticos interessa-lhes a<br />
satisfação geral da comunidade e prestação<br />
de cuidados equitativamente; os<br />
administradores pensam em bons serviços<br />
e. bons resultados próximos com o<br />
menor uso de recursos; os médicos<br />
estabelecem a conotação com a possibilidade<br />
de utilizar os últimos progressos<br />
da ciência e da tecnologia, de modo a<br />
obter diagnósticos e tratamentos eficazes;<br />
os utentes/ doentes correlacionam<br />
qualidade com alívio do sofrimento e do<br />
desconforto, com a identificação das<br />
causas das suas doenças e com o restauro<br />
das suas capacidades físicas e<br />
funcionais.<br />
Metodologia de um programa de<br />
garantia de qualidade<br />
Para investigar o valor da qualidade<br />
dos cuidados médicos, identificar eventuais<br />
deficiências e obter correcções e<br />
aperfeiçoamentos, o processo de garantia<br />
de qualidade recorre a uma metodologia<br />
própria.<br />
Não se pode dizer que haja uma única<br />
metodologia, . pois constitui área de<br />
divergências entre autores e onde se<br />
tem investido largamente em estudos<br />
sob aspectos conceptuais e operacionais.<br />
Basicamente, a metodologia que se<br />
...<br />
16<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
17
MÉDICOS HOSPITALARES<br />
segue compreende cinco fases, que se<br />
sucedem em ciclo fechado, num sistema<br />
de tipo cibernético.<br />
Previamente, há que tornar o processo<br />
conhecido e fazê-lo aceitar no<br />
hospital, particularmente usando uma<br />
estratégia de larga informação e esclarecimento<br />
e de adesão dos profissionais<br />
para a ideia.<br />
Há, igualmente (e visto que se trata<br />
de um processo orientado para problemas)<br />
que seleccionar e ordenar, por<br />
prioridades, os tópicos ou problemas a<br />
submeter ao processo de garantia de<br />
qualidade e que devem obedecer às exigências<br />
seguintes: terem relevância para<br />
a saúde e em termos económicos, constituírem<br />
situações bem definidas, ser fácil<br />
estabelecer critérios e padrões para<br />
comparação e serem susceptíveis de<br />
mudanças e correcções.<br />
A selecção das actividades, tópicos a<br />
avaliar, pode fazer-se, também, ou (1)<br />
recorrendo à elaboração de uma lista de<br />
casos ordenados por prioridades por<br />
uma comissão própria, ou (2) através<br />
dos chamados quadros de gradação da<br />
gravidade das doenças, ou, ainda, (3)<br />
pelos «Casos sentinela» inesperados e<br />
merecendo investigação.<br />
A 1 . ª fase consiste em coleccionar<br />
informação e conhecer a prática corrente<br />
e real (como são prestados os cuidados<br />
médicos), o que normalmente se<br />
faz, numa atitude retrospectiva, recorrendo<br />
aos processos clínicos.<br />
Poderia recorrer-se, também, à observação<br />
directa, aos inquéritos ou à análise<br />
de dados estatísticos habitualmente<br />
colhidos e tabulados. Normalmente,<br />
está-se, portanto, perante aquilo a que<br />
se chama «revisão de casos". ..<br />
Para conhecer esta prática corrente e<br />
o modo como os cuidados são prestados,<br />
pode usar-se, basicamente, três ·<br />
tipos de abordagem: incidindo sobre as<br />
estruturas, o processo ou os resultados<br />
finais. Trata-se de matéria muito<br />
controversa, muito estudada, em que<br />
vários autores discutem as vantagens e<br />
os inconvenientes dos três métodos.<br />
A abordagem das estruturas representa<br />
a apreciação de todos os recursos<br />
envolvidos, desde os físicos aos organizacionais,<br />
passando pela qualificação<br />
dos profissionais. É um método indirecto,<br />
considerado hoje menos válido, mas<br />
que dá indicações preciosas sobre as<br />
condições para a prestação de cuidados.<br />
A abordagem pelo processo refere-se<br />
às actividades entre prestadores e utilizadores,<br />
ao processo de cuidados médicos<br />
propriamente dito, ao modo e ao<br />
caminho seguido para chegar ao<br />
diagnóstico e à terapêutica. É um<br />
método directo, o mais fácil, o mais prático<br />
e o mais utilizado.<br />
O método que utiliza a abordagem<br />
dos resultados finais foi o usado por<br />
Codman no princípio do século e respeita<br />
aos próprios objectivos dos cuidados<br />
médicos, ao estado de saúde<br />
dos doentes após a prestação dos cuidados.<br />
Daí a sua enorme validade e<br />
actualidade. Trata-se de uma abordagem<br />
indirecta, difícil e despendiosa.<br />
Grande dificuldade em encontrar critérios<br />
e indicadores e, depois, em julgá-los<br />
e medi-los; há que recorrer a inquéritos<br />
especiais, entrevistas e à técnica de folloe-up;<br />
as conclusões da avaliação são<br />
diferidas no tempo em relação aos resultados<br />
no estado de saúde dos doentes.<br />
Factores exteriores e estranhos<br />
podem deformar os resultados do processo<br />
de garantia de qualidade, como<br />
aspectos culturais, sociais, do meio,<br />
genéticos, do caso e do grau de conformação<br />
dos doentes com as prescrições<br />
médicas, quando se utiliza a abordagem<br />
pelos resultados finais.<br />
A este respeito fala-se no indicador<br />
único e global de apreciação do estado<br />
de saúde (HSI), no recurso a vários indicadores<br />
ou a um «perfil» de variáveis e<br />
vectores. São mais usadas variáveis de<br />
mortalidade, morbilidade, satisfação,<br />
capacidade funcional e reintegração<br />
social.<br />
Os dois programas mai$ vulgarmente<br />
utilizados nos EUA, no âmbito do<br />
método que usa a abordagem do pro<br />
. cesso, são a revisão de utilização e<br />
o audit médico. A revisão de utilização<br />
é um método mais no âmbito da administração,<br />
de tipo económiéo, que aprecia<br />
a decisão de internamento, a duração<br />
deste e o grande recurso a meios<br />
complementares. O audit médi~o (ou<br />
revisão inter-pares, ou revisão de cuidados<br />
médicos) e que compreende observação<br />
detalhada, acrescida de julgamento,<br />
tem sido o método mais usado,<br />
baseando-se na observação retrospectiva<br />
dos dossiers médicos, comparando<br />
habitualmente o seu conteúdo com critérios<br />
objectivos, e é feito por médreos.<br />
Os três métodos de abordagem têm<br />
constituído matéria de investigação aturada<br />
e de debate sobre o seu mérito<br />
pelos vários estudiosos. Difícil de estabelecer<br />
relações de causalidade entre o<br />
método usado e a qualidade dos cuidados<br />
médicos. Concluí-se que, nesta<br />
matéria, há necessidade de prosseguir<br />
o estudo e a investigação.<br />
A 2.ª. etapa consiste em escolher critérios.<br />
e padrões, o que se torna indispensável<br />
para comparar e formular juízo<br />
de valor.<br />
Os critérios são vias predeterminadas,<br />
relativamente às quais podem ser comparados<br />
aspectos de qualidade.<br />
Padrões são valores dos critérios, que<br />
·expressam uma medida boa, ou um<br />
grau adequado, ou um intervalo de variação<br />
aceitável.<br />
Os critérios explícitos - preparados<br />
por grupos de especialistas, antes do<br />
processo de avaliação - são mais objectivos<br />
e os critérios implícitos, de tipo subjectivo,<br />
são os dos próprios avaliadores<br />
durante o processo de avaliação,<br />
estando mais sujeitos a enviesamentos.<br />
Critérios e padrões são chamados de<br />
normativos ou ideias, se estabelecidos<br />
em termos teóricos, recorrendo à literatura<br />
reconhecida e a peritos de foro académico,<br />
e empíricos, se fixados por<br />
especialistas práticos e clínicos.<br />
A 3. ª etapa consiste em comparar a<br />
prática real observada (cuidados médicos<br />
que foram, ou são, praticados) com<br />
os padrões e identificar eventuais deficiências<br />
de qualidade. É imediata e pode<br />
optar-se pela metodologia que usa critérios<br />
explícitos ou pela que usa critérios<br />
implícitos e, no primeiro caso, por<br />
padrões ideais, ou empíricos.<br />
Pode, ainda, comparar-se a situação<br />
observada com padrões mínimos de<br />
qualidade.<br />
Na 4.ª etapa propõem-se mudanças<br />
e correcções, se se identificarem desvios<br />
ou deficiências.<br />
As mudanças podem respeitar à instituição,<br />
ou ao comportamento individual<br />
de médicos (ou outros profissionais), ou<br />
de utentes.<br />
Os programas de educação (contínua)<br />
constituem o mecanismo mais usado<br />
para obter essas mudanças ou aperfeiçoamentos<br />
dos médicos, que incidem<br />
sobre os conhecimentos, aptidões e atitudes,<br />
embora com particular ênfase nos<br />
conhecimentos.<br />
Outros mecanismos utilizados para<br />
correcção e mudança são a revisão<br />
intercorrente do exercício médico e o<br />
emprego de protocolos.<br />
Os programas de educação (contínua)<br />
num processo de garantia de qualidade,<br />
designadamente o seu valor como<br />
agente de mudança, têm dado lugar a<br />
vários estudos e representam matéria de<br />
acentuada discordância entre autores.<br />
Estes programas são elaborados com<br />
base directa nas insuficiências (e portanto<br />
necessidades) detectadas.<br />
Segundo Brown e o seu conceito de<br />
duplo ciclo, os dois ciclos (o dos cuidados<br />
médicos e o dos programas de educação)<br />
estão relacionados e apresentam<br />
uma interdependência, tendo ambos· os<br />
ciclos origem. nas necessidades de aperfeiçoamento<br />
dos cuidados de saúde.<br />
Vencer a resistência à mudança é algo<br />
com que tem que se contar e pressupõe<br />
elaborar e seguir uma estratégia,<br />
entrando neste campo os vários aspectos<br />
de resolução de conflitos.<br />
Na 5.ª etapa faz-se (segundo um processo<br />
de retorno) a reavaliação ou monitorização,<br />
completando o ciclo. Depois<br />
de se dar tempo a que as mudanças<br />
possam ter lugar, observa-se de novo a<br />
realidade da prestação dos cuidados,<br />
· através de informação recolhida, a fim<br />
de monitorizar a correcção (e manutenção)<br />
das deficiências.<br />
Esta avaliação da própria avaliação<br />
deve incluir os custos e os recursos<br />
envolvidos no processo de garantia de<br />
qualidade, que devem ser apreciados<br />
criteriosamente.<br />
SITUAÇÃO ACTUAL NA EUROPA<br />
E PROSPECTIVA<br />
Embora mostrando curiosidade, os<br />
países da Europa consideram ainda a<br />
avaliação e garantia de qualidade um<br />
processo nebuloso e perigoso, pelo que<br />
só se encontram experiências esporádicas,<br />
designadamente no Reino Unido,<br />
Espanha, Holanda e Itália. Portugal inicia,<br />
com a colaboração da OMS, um<br />
programa relativo a cuidados de enfermagem<br />
e estão dados os primeiros passos<br />
no sentido da montagem de programas<br />
de revisão da utilização em alguns<br />
hospitais centrais e distritais.<br />
A prospectiva mostra-nos uma tendência<br />
para incorporar a contenção de<br />
custos obrigatoriamente no conceito e<br />
nos programas de garantia de qualidade,<br />
devido às restrições financeiras no<br />
sector saúde, face à escalada dos<br />
encargos e ao domínio da atitude de<br />
custo-eficácia.<br />
No futuro, há necessidade de prosseguir<br />
a investigação, procurando tornar o<br />
processo de garantia de qualidade num<br />
método de rigor científico. Deve tentar<br />
-se que o processo administrativo não<br />
sufoque o profissional e que não haja<br />
contrição da autonomia clínica e do valor<br />
da componente de arte dos cuidados<br />
médicos. A avaliação deve processar-se<br />
sempre num clima de correcção, aperfeiçoamento<br />
dos cuidados e do estado<br />
de saúde dos utentes e estar muito<br />
ligada à educação dos profissionais.<br />
Os programas evoluirão para a multidisciplinaridade,<br />
para os outros níveis de<br />
cuidados do sistema, focalizando-se<br />
mais no doente/utente.<br />
CONCLUSÃO<br />
Como conclusão poderá dizer-se que,<br />
chegados a este ponto, será desejável<br />
que se desenvolvam, voluntariamente,<br />
programas de garantia de qualidade dos<br />
cuidados médicos, o que se vem<br />
notando recentemente, evitando que a<br />
avaliação caia na mão de leigos e na<br />
burocracia.<br />
A profissão médica é responsável<br />
perante os doentes, perante a sociedade.<br />
Os doentes esperam que os médicos<br />
- e os outros profissionais de saúde<br />
- vão procedendo à monitorização<br />
dos cuidados que prestam e do seu trabalho.<br />
Em termos nacionais e de administração<br />
de saúde, pensa-se que a entidade<br />
responsável pela rede hospitalar e pelos<br />
cuidados que ela presta vá seguindo<br />
uma táctica sem atropelos, sensibilizando<br />
para a aceitação da ideia e esclarecendo<br />
o conteúdo da matéria, levando<br />
a que os grupos profissionais e os hospitais<br />
adoptem voluntariamente a aplicação<br />
de processos de garantia de qualidade.<br />
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of patient care quallty assurance. «Pediatrics»,<br />
Springfield , (57), 1976, pp. 775-782.<br />
FOWKES, F.G. - Medical audit cycle.<br />
«Medical Education», ·)xford, (16), 1982, pp.<br />
18<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/1 5<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
1'9
GARANTIA DE QUALIDADE<br />
DOS CUIDADOS<br />
MÉDICOS HOSPITALARES<br />
~<br />
228-238.<br />
GEYNT, Willy de - Five approaches for<br />
assessing the quality of care. "Hospital<br />
Administration", Chicago, <strong>15</strong> (1 ). 1970, pp.<br />
21-42.<br />
JACOBS, Charles; CHRISTOFFEL, Tom;<br />
DIXON, Nancy - Measuring the quality of<br />
patient care. The rationale of outcome<br />
audit, Cambridge Mass., Ballinger Publishing<br />
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- AMH/85 Accreditation Manual for<br />
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Q.A. guide. A resource for hospital quality<br />
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LEMBCKE, P.A. - Evolution of medical<br />
audit. ccJournal of the American Medical<br />
Association" Chicago, (199), 1967, pp. 543-<br />
Sinónimo de precisão<br />
Microscópios cirúrgicos<br />
Microscópios biológicos<br />
Microscópios de análise<br />
Microscópios estereoscópicos<br />
Micrótomos<br />
Sistemas modulares<br />
de microfotografia<br />
Sistemas óptico-electrónicos<br />
de análise<br />
WILD+ LEITZ<br />
PORTUGAL, LDA.<br />
550.<br />
MCAULIFFE, William E. - Measuring the<br />
quality of medical care: process versus<br />
outcome. «Milbank Memorial Fund Ouarterly/<br />
/Health and Society", New York 57 (1 ), 1979,<br />
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MCKEOWN, Thomas - The role of Medicine,<br />
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Nuffield Provincial Hospitais Trust - A<br />
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RESTUCCIA, J. ; HOLLOWAY, Don C. -<br />
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251 . '<br />
SABATINO, Frank - Toward a comprehensive<br />
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«Quality Review Bulletin", Chicago, Special<br />
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Bulletin", Chicago, Special Edition, 1980, pp<br />
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VUORI, hannu - Quality assurance of<br />
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of the American Medical Association", Chicago,<br />
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WILLIAMSON, John - Formulating priorities<br />
for quality assurance activity. «Journal<br />
of the American Medical Association", Chicago,<br />
239 (7), 1978, pp 631 - 637.<br />
WILLIAMSON, John and Associates -<br />
Principies of quality assurance and cost<br />
containment in health care. A guide for<br />
medical students, residents and other<br />
professionals, S. Francisco Ca., Jossey<br />
Bass Publishers, 1982.<br />
WILLIAMSON, John e outros - Priority<br />
setting in quality assurance - reability of<br />
staff judgements in medical institutions.<br />
«Medical Gare», Philadelphia Pa., 16 (11),<br />
1978, pp 931 - 940.<br />
WILLIAMSON, John and Associates -<br />
Searching quality assurance and cost<br />
containment in health care. A faculty guide,<br />
S. Francisco Ca. , Jossey - Bass Publishers,<br />
1982.<br />
World Symposium for Quality in Health<br />
Care, a Report on the Proceedings of an<br />
lnternational lnvitational Symposium, Genêve,<br />
June 22 - 24, 1983, pp <strong>15</strong> - 23. O<br />
•<br />
..........<br />
?LUM:IXl11tltlLl~<br />
Instrumentos e sistemas para Topografia, Geodesia, Fotogrametria, Microscopia, Medições e Controle. Material para Fotografia,<br />
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20 <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV ·• N. 0 14/<strong>15</strong><br />
o<br />
"'"<br />
1<br />
I<br />
CJ<br />
Comunicação apresentada nas VI JORNADAS DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR<br />
COMPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
CLÍNICA INTER-HOSPITAIS:<br />
UM MÉTODO DE ANALISE BASEADO NA LEI DE PARETO<br />
POR: DR. JOSÉ ANTÓNIO MENESES CORREIA *<br />
Com base na literatura anglo-saxónica,<br />
a Direcção do Plano da Assistance<br />
Publigue propõe uma definição de qualidade<br />
(dos cuidados médicos), tendo<br />
em conta cinco factores:<br />
- eficácia técnica<br />
- segurança<br />
- conforto<br />
- produtividade<br />
- acessibilidade<br />
«A qualidade torna-se assim uma função<br />
complexa a cinco · variáveis, que é<br />
possível ponderar de maneira diferente<br />
· segundo o problema em causa.» (1)<br />
A escassez de recursos manifestamente<br />
evidentes em muitos dos nossos<br />
hospitais justifica que privilegiemos o<br />
aspecto da produtividade.<br />
Relação entre um produto obtido e a<br />
quantidade dos factores de produção<br />
utilizados, a produtividade «apresenta-se<br />
sob a forma dum ratio cujo numerador<br />
exprime a quantidade física de produção<br />
(outpu~ e o denominador os factores (inputs)<br />
que contribuíram para isso:<br />
. . _ volume outuput<br />
Produt1v1dade - volume Input<br />
No hospital são possíveis ganhos de<br />
produtividade, nomeadamente através<br />
da diminuição do consumo de factores.<br />
Estes ganhos podem resultar da<br />
modificação das práticas e procedimentos<br />
- avaliação crítica dos protocolos de<br />
* Administrador <strong>Hospitalar</strong> - Hospital<br />
S. João do Porto<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano·IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
diagnósticos e terapêuticos, por exemplo,<br />
orientados no sentido duma maior<br />
economicidade dos meios utilizados.<br />
Para poder avaliar os resultados da<br />
sua actividade, cada estabelecimento<br />
necessita, no entanto, dum sistema de<br />
referência.<br />
Alguns dos nossos hospitais dispõem<br />
dum sistema de informação médico<br />
-administrativa razoavelmente normalizado<br />
e capaz, portanto, de alimentar um<br />
banco de dados, no âmbito do qual seja<br />
possível comparar a actividade inter<br />
-hospitais.<br />
O objectivo deste trabalho é o de propor<br />
uma metodologia que permita essa<br />
QUADRO 1<br />
comparação, utilizando os elementos do<br />
sistema de informação referido.<br />
O SISTEMA MÍNIMO<br />
DE INFORMAÇÃO<br />
Antes de analisarmos o problema em<br />
questão parece-nos útil uma breve ·abordagem<br />
do sistema mínimo de informação;<br />
seus antecedentes, princípios em<br />
que assenta, conteúdo, situação actual<br />
e perspectivas futuras.<br />
ANTECEDENTES HISTÓRICOS<br />
Em três dos antigos centros mecano-<br />
Número de doentes saídos, dias de internamento e número de diagnósticos<br />
distintos por hospital<br />
HOSPITAL<br />
C1<br />
C2<br />
D1<br />
D2<br />
03<br />
D4<br />
D5<br />
ND1<br />
ND2<br />
H. Reunião<br />
FONTE - CRIN<br />
N.º DOENTES<br />
SAÍDOS<br />
29642<br />
7825<br />
3067<br />
8970<br />
8210<br />
6297<br />
6739<br />
1474.<br />
1914<br />
74138<br />
N.º DIAS<br />
INTERNAMENTO<br />
N. DIAGNÓSTICOS<br />
DISTINTOS<br />
437931 695<br />
125655 . 605<br />
19525 329<br />
73753 524<br />
79548 578<br />
58467 361<br />
54850 443<br />
26138 284<br />
21880 182<br />
897747 870<br />
21
COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />
•<br />
gráficos do Ministério da Saúde era processada<br />
uma aplicação - estatística<br />
hospitalar - de natureza médico-administrativa.<br />
Essencialmente vocacionada para fornecer<br />
elementos à gestão do hospital,<br />
os exemplos de utilização para fins clínicos<br />
dessa estrutura de dados foram, por<br />
isso, relativamente reduzidos.<br />
Estando os centros mecanográficos<br />
equipados com sistemas diferentes e<br />
incompatíveis, a «estatística de doentes»<br />
foi desenvolvida separadamente por<br />
cada centro. Existiam, por isso, três aplicações<br />
obviamente não normalizadas.<br />
Como os equipamentos instalados<br />
tinham todos fraca capacidade, o grau<br />
de integração das aplicações, neles<br />
desenvolvidas, era diminuto. Daí que o<br />
Plano Director de Informática da Saúde<br />
(PDl/S) tenha -apontado para uma solução<br />
completamente nova.<br />
O modelo proposto - gestão de doentes<br />
- respeitando os princípios da modularidade<br />
- e integração assenta numa<br />
estrutura de dados - ficheiro de doentes<br />
- alimentada por um grande fluxo de<br />
informação.<br />
Os atrasos na implementação do PDI/<br />
IS obrigaram a «reconverter» a aplicação<br />
estatística de doentes Internados para<br />
os novos equipamentos.<br />
Responsável pela análise dessa «reconversão»<br />
o Dr. Reis Abreu, técnico do<br />
CRIN, tomou obviamente em consideração<br />
os recursos técnicos de que os centros<br />
iriam dispor, a experiência adquirida<br />
no contacto com médicos das diversas<br />
especialidades e algumas soluções<br />
estrangeiras.<br />
Estas condicionantes conduziram à<br />
opção pelo modelo da Universidade<br />
Católica de Louvain, cujo móduib<br />
nuclear tem, curiosamente, semelhanças<br />
com a aplicação que corria nos anti-·<br />
gos centros mecanográficos.<br />
CONCEITOS DE BASE<br />
Os conceitos que estão na base do<br />
S.M.l.M.A. são bastante simples:<br />
- estabelecimento dum resumo clínico<br />
"seleccionando a quinta<br />
-essência dos dados médicos<br />
numa abordagem global do doente»<br />
(2)<br />
- Interligação modular destas informações<br />
com dossiers especializados.<br />
- Normalização dos suportes administrativos,<br />
das nomenclaturas e<br />
dos códigos a utilizar.<br />
O sistema mínimo de informação é<br />
assim constituído por dois módulos de<br />
base.<br />
- Identificação do doente<br />
QUADR02<br />
Percentagem de doentes e de diagnósticos distintos para 80% dos dias de<br />
internamento em cada hospital<br />
Hospital o/oD. lnt. % Doentes % Diagnt.<br />
C1 80,1 78,8 24,6<br />
C2 80,1 7'5,3 24,3<br />
D1 80,2 76,7 21 ,3<br />
D2 80,1 74,4 16<br />
D3 80,2 73,4 21<br />
D4 80 77,4 22,3<br />
D5 80,1 76,5 <strong>15</strong><br />
ND1 80,2 64,7 26,4<br />
ND2 80,6 74,6 17,6<br />
H.R. 80 77,7 23,9<br />
- Dossier clínico mínimo<br />
O Dossier clínico mínimo, anonimo,<br />
pode ser definido «Como um pequeno<br />
número de informações facilmente acessíveis<br />
susceptíveis dum grande número<br />
de aplicações,, (2).<br />
A informação fornecida poderá ser utilizada<br />
tanto a nível local - listagem de<br />
problemas, investigação clínica, epidemiologia,<br />
gestão hospitalar - como nível<br />
regional e central - recursos financeiros<br />
e planeamento.<br />
CONTEÚDO DO SMIMA<br />
O conteúdo de cada um dos subsistemas<br />
de base foi em princípio determinado<br />
pela análise dos resultados necessários<br />
à gestão hospitalar, à D.G.H. ao<br />
1. N. E. e teve em consideração o recomendado<br />
pela Comissão de Estatística<br />
<strong>Hospitalar</strong> para Estudos Epidemiológicos<br />
da Comunidade Europeia.<br />
A exploração desta apliacação, na sua<br />
formulação original, por diversos hospitais<br />
das zonas Norte e Centro permitiu,<br />
entretanto, constituir uma amostra de<br />
224 <strong>15</strong>5 resumos de alta (relativa aos<br />
-<br />
N. DIAGNOSTICOS<br />
DISTINTOS<br />
AMOSTRA<br />
TOTAL<br />
171 695<br />
147 605<br />
70 329<br />
84 524<br />
93 443<br />
129 578<br />
54 361<br />
75 284<br />
32 182<br />
208 870<br />
anos de 83 e 84), destinados a ser analisados<br />
pelo «Health System Manage~<br />
ment Group dirigido pelo Prof. Robert B.<br />
Fetter.<br />
A dinâmica suscitada pelo lançamento<br />
do projecto Grupo de Diagnósticos<br />
Homogéneos, pelo DGFS, levou o<br />
Grupo de Informática Médica do CRIN<br />
a elaborar uma proposta de Normalização/Implementação<br />
do Sistema Mínimo<br />
de Informação Médico-Administrativa.<br />
As informações obrigatórias serão<br />
assim (3):<br />
- Registo de Identificação do<br />
Doente<br />
- N.º do processo clínico<br />
- Nome<br />
- Sexo .<br />
- Data de nascimento<br />
- Estado civil<br />
- Distrito e concelho de residência<br />
- Nível de instrução<br />
- Actividade profisssional<br />
- Regime de comparticipação -<br />
N. º de beneficiário .<br />
- Data de abertura do processo<br />
clínico<br />
QUADR03<br />
Percentagem de doentes e de diagnósticos distintos para 5% dos dias de<br />
internamento em cada hospital<br />
N. DIAGNOSTICOS<br />
Hospital % D. lnt. % Doentes % Diagnt. DISTINTOS<br />
AMOSTRA<br />
TOTAL<br />
C1 4,9 5,9 49,1 341 695<br />
C2 4,9 7,9 47,1 285 605<br />
D1 4,8 9,7 48,9 161 329<br />
D2 5 9 58,8 304 524<br />
D3 4,9 9,6 52,8 234 443<br />
D4 5 7,9 52,2 302 578<br />
D5 5 8,2 58,4 211 361<br />
ND1 4,9 13,6 45,4 129 284<br />
ND2 4,9 10,6 54,4 99 182<br />
H.R. 5 7,2 50,2 437 870<br />
FONTE- CRIN<br />
QUADRO 4<br />
Percentagem de dias de internamento para 513 e <strong>15</strong>6 diagnósticos comuns<br />
dos HH, C1 e C2<br />
HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />
HOSPITAL REFER~NCIA<br />
HOSPITAL 513 DIAGNÓSTICOS <strong>15</strong>6 DIAGNÓSTICOS<br />
% DIAS INTERNAMENTO % DIAS INTERNAMENTO<br />
C1 87,36 71,2<br />
C2 96,53 72,7<br />
- Registo de informação<br />
no internamento<br />
- N.º do processo clínico<br />
- N.º de internamento<br />
- Designação do serviço de internamento<br />
- Data de admissão no serviço<br />
- Natureza da admissão<br />
- Proveniência do doente<br />
- Diagnóstico de contacto/admissão<br />
- Diagnóstico principal<br />
- Diagnósticos associados<br />
- Intervenções cirúrgicas e obstétricas<br />
- Anestesias<br />
- Resultado do tratamento<br />
- Destino após a alta<br />
- Data da alta do serviço<br />
- Médico assistente<br />
Este último registo, que constitui um<br />
resumo do dossier clínico, destina-se a<br />
ser preenchido em cada serviço onde o<br />
doente tenha sido internado.<br />
O SMIMA, pode ser progressivamente<br />
aumentado com outras informações<br />
relevantes: dados médicos críticos, exames<br />
complementares de diagnóstico e<br />
terapêutica, actos de enfermagem, etc.<br />
SITUAÇÃO ACTUAL E<br />
PERSPECTIVAS FUTURAS<br />
A aplicação em apreço está, actualmente,<br />
implementada num número significativo<br />
de hospitais 'das Zonas Centro<br />
e Norte.<br />
A colheita de dados é feita a partir<br />
dum suporte intermédio onde são elaboradas<br />
as codificações.<br />
O registo de internamento é incompletamente<br />
preenchido na maior parte dos<br />
hospitais que não recolhem , por exemplo,<br />
os procedimentos cirúrgicos.<br />
Para a codificação dos diagnósticos<br />
é utilizada a Classificação Internacional<br />
das Doenças da OMS - 9. ª revisão -<br />
sendo este trabalho geralmente executado<br />
por pessoal com pouca preparação.<br />
A forma como se procede à colheita<br />
dos dados e a inexistência de informação<br />
de retorno, para controles de exactidão,<br />
não garantem a fiabilidade dos<br />
resultados.<br />
A propostq do Grupo de Informática<br />
Médica do CRIN inclui a normalização<br />
• dos suportes, suprimindo a necessidade<br />
de transcrição de informações e reduzindo<br />
ao mínimo as necessidades de<br />
codificação.<br />
O projecto do SIS, de distribuição de<br />
meios informáticos, permitindo a exploração,<br />
em tempo real, do ficheiro de<br />
22<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
23
CO .. MPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />
...<br />
doentes internados vai, com certeza,<br />
aumentar o interesse dos médicos hospitalares<br />
por este projecto, condição<br />
necessária à melhoria da qualidade da<br />
informação.<br />
A comparação inter-hospitais, porém,<br />
só será legítima se as informações de<br />
base forem homogéneas. Para isso<br />
parece-nos indispensável que o lançamento<br />
e a exploração do SMIMA, sejam<br />
apoiadas, a nível regional, por equipas<br />
pluridisciplinares; equipas que seriam<br />
coordenadas, a nível central, por um<br />
grupo técnico-normativo incumbido da<br />
normalização dos métodos, processos e ·<br />
regras de gestão deste projecto.<br />
Reunidas estas condições, pensamos<br />
que será possível obter, a curto prazo,<br />
a cobertura da generalidade dos hospitais<br />
e conseguir um banco de dados, de<br />
boa qualidade, com manifesto interesse<br />
para o planeamento e gestão dos serviços.<br />
A LEI DE PARETO E OS<br />
DADOS CLÍNICOS<br />
O conjunto de dados em análise<br />
O conjunto sobre que vamos trabalhar,<br />
com o objectivo de propor um<br />
método de comparação da actividade<br />
inter-hospitalar, é constituído pelos<br />
dados relativos aos doentes saídos,<br />
durante 1984, de 9 hospitais gerais:<br />
2 hospitais centrais (designados por<br />
C1 e C2) com um total de 1942 camas;<br />
5 hospitais distritais (01 a 05) com<br />
1294 camas.<br />
2 novos distritais (ND1 e ND2) com<br />
207 camas num total de 3443 camas.<br />
O Quadro 1 fornece-nos o número de<br />
doentes saídos, os dias de internamento<br />
correspondentes e o número de diagnósticos<br />
distintos (n.d.d) para cada um<br />
dos hospitais e para o «hospital reunião", ·<br />
ou seja, para o hospital fictício que teria<br />
tratado todos os doentes.<br />
Podemos assim verificar:<br />
- O número elevado de diagnósticos<br />
distintos;<br />
- A forte variação do n.d.d de hospital<br />
para hospital;<br />
A primeira constatação evidencia a<br />
dificuldade de avaliação da actividade<br />
hospitalar face à diversidade do "Produto".<br />
A segunda, quando confrontada com<br />
o n.d.d do «hospital reunião» faz, desde<br />
logo, prever um número reduzido de diagnósticos<br />
comuns aos diferentes estabelecimentos.<br />
A VERIFICAÇÃO DA LEI<br />
Se o número de diagnósticos distintos<br />
é muito elevado importa, contudo, ave-<br />
24 .<br />
QUADRO 5<br />
Percentagem de dias de internamento para 105 e 32 diagnósticos comuns<br />
dos HH, N01 e N02<br />
HOSPITAL<br />
HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />
105 DIAGNÓSTICOS<br />
% DIAS INTERNAMENTO<br />
ND1 46,9<br />
ND2 85,6<br />
FONTE - CRIN<br />
QUADROS<br />
HOSPITAL REFER~NCIA<br />
32 DIAGNÓSTICOS<br />
% DIAS INTERNAMENTO<br />
Percentagem de dias de internamento para 133 e 47 diagnósticos comuns<br />
dos HH, 01, 02, 03, 04 e 05<br />
HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />
35<br />
71 ,6<br />
HOSPITAL R EFER~NCIA<br />
HOSPITAL 133 DIAGNÓSTICOS 47 DIAGNÓSTICOS<br />
FONTE - CRIN<br />
% DIAS INTERNAMENTO % DIAS INTERNAMENTO<br />
D1 69,3 52,8<br />
D2 65,2 53 ,5<br />
D3 57,0 44,6<br />
D4 76,8 65,1<br />
D5 69.7 52,6<br />
QUADR07<br />
Percentagem de dias de internamento para 392 e 97 diagnósticos comuns<br />
dos HH, 02 e 03<br />
HOSPITAL<br />
D2<br />
D3<br />
FONTE- CRIN<br />
HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />
392 DIAGNÓSTICOS<br />
% Dias Internamento·<br />
89,9<br />
86,3<br />
HOSPITAL REFER~NCIA<br />
97 DIAGNÓSTICOS<br />
% Dias Internamento<br />
74,5<br />
66,9 .<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />
riguar qual o respectivo peso nos dias<br />
de internamento consumidos.<br />
Concretamente terá interesse constatar<br />
a possível aplicação, neste campo,<br />
da Lei de Pareto.<br />
Esta lei traduz, como se sabe, o facto<br />
de a 20% do número corresponder,<br />
aproximadamente, 80% do volume.<br />
O Quadro 2 indica-nos, para cada<br />
hospital e para o «hospital reunião" a<br />
percentagem de diagnósticos correspondente<br />
a 80% dos dias de internamento.<br />
Os valores obtidos oscilam entre <strong>15</strong><br />
e 26,4% numa clara aplicação da Lei de<br />
Pareto.<br />
O Quadro Ili mostra-nos, ainda, que<br />
a 5% dos dias de internamento correspondem,<br />
em média, 50% dos diagnósticos.<br />
Um exemplo simples põe em relevo a<br />
importância desta constatação:<br />
- Diminuindo de 1 dia a demora no<br />
hospital dos doentes abrangidos pelos<br />
23,9% dos diagnósticos do Quadro 1,<br />
a demora média do "hospital reunião,,<br />
passaria de 12, 1 para 11 ,3 e o equivalente<br />
em camas (para uma taxa de ocu-<br />
31.5- 5.6<br />
1.6- 3.6<br />
14.6-18.6<br />
8.8-13.8<br />
l[)<br />
o<br />
1<br />
pação de 80%) dos dias de internamento<br />
poupados seria de 195.<br />
Com diminuição semelhante da<br />
demora dos doentes abrangidos pelos<br />
50,2% de diagnósticos do Quadro Ili a<br />
demora média passaria para 12 e o equivalente-cama<br />
seria de 18.<br />
Nestas condições, o esforço de avaliação<br />
deve incidir sobre os «diagnósticos-chave»<br />
responsáveis por cerca de<br />
80% dos dias de internamento.<br />
A Lei de Pareto terá, de resto, uma<br />
aplicação alargada no campo da actividade<br />
clínica.<br />
A título de exemplo incluímos (Anexo<br />
1) neste trabalho uma listagem de actos<br />
operatórios realizados no bloco central<br />
dum hospital geral onde a constatação<br />
da Lei é uma evidência.<br />
A COMPARAÇÃO<br />
INTER-HOSPITAIS<br />
o cchospital intersecção»<br />
A comparação da actividade de diferentes<br />
hospitais adquire o seu verdadeiro<br />
significado quando efectuada na<br />
OFINNRIR tem o prazer de informar<br />
base dos diagnósticos comuns.<br />
Para nos facilitar a comparação<br />
vamos então definir dois hospitais fictícios;<br />
,.... «Hospital-Intersecção" - H.I. - hospital<br />
que trataria todos os doentes saídos,<br />
com diagnósticos comuns, dos<br />
hospitais em estudo.<br />
- O «Hospital-Referência - H.R. -<br />
resultado da aplicação da Lei de Pareto<br />
ao H.I. (doentes com diagnósticos<br />
comuns correspondentes a 80% dos<br />
dias de internamento)<br />
O H.I. dos nove hospitais em questão<br />
tem apenas 54 diagnósticos distintos, a<br />
que correspondem as percentagens de<br />
dias de internamento seguintes, para<br />
cada hospital:<br />
C1 =27,9<br />
C2 =35,3<br />
01 = 44,7<br />
02 =33,6<br />
03 =33,5<br />
04 =45,8<br />
05 =35,7<br />
ND1 =33,5<br />
ND2 =52,4<br />
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<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong> 25
1<br />
1<br />
C0"9PARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />
;<br />
:<br />
Os valores obtidos são, efectivamente,<br />
baixos. OHI, não constitui o quadro<br />
suficiente para comparar a actividade<br />
destes estabelecimentos.<br />
Vejamos por isso o que sucede se os<br />
reunirmos nos seus "agrupamentos<br />
naturais», HHCC, HHDD e novos distritais.<br />
A NECESSIDADE DE<br />
CLASSIFICAÇÃO EM GRUPOS<br />
DE HOSPITAIS HOMOGÉNEOS<br />
Como se vê no Quadro 4, o HI, de<br />
C1 e C2, quase coincide com este último.<br />
Trata-se de hospitais bastante<br />
homogéneos, cujo HR cobre mais de<br />
70% dos dias de internamento de<br />
ambos os estabelecimentos.<br />
O mesmo não acontece (Quadro 5)<br />
com N01 e ND2, que são hospitais<br />
muito diferentes no que respeita à patologia<br />
tratada.<br />
O conjunto dos HHDD tem um comportamento<br />
intermédio. O H.R. destes<br />
hospitais cobre pouco mais de 50% da<br />
actividade de cada hospital, situando-se<br />
mesmo abaixo desse valor em 03.<br />
(Quadro 6)<br />
Mas se tomarmos apenas em consideração<br />
02 e 03 (Quadro 7), vemos uma<br />
subida acentuada dos diagnósticos<br />
comuns - 392; o HR respectivo representa<br />
bastante bem a actividade dos<br />
dois hospitais.<br />
A necessidade de agrupar os hospitais<br />
em grupos homogéneos nem<br />
sequer precisaria de ser demonstrada.<br />
Estes resultados parecem-nos, ainda<br />
assim, interessantes, na medida em que<br />
nos sugerem a utilização do H .1. como<br />
um dos parâmetros a ter em conta ··na<br />
definição desses grupos.<br />
COMPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
DE CINCO HOSPITAIS<br />
DISTRITAIS<br />
Muito embora tenhamos constatado a<br />
insuficiente representatividade do H.I.<br />
dos HHOO é exactamente sobre este<br />
grupo que vamos trabalhar.<br />
O nosso objectivo não é, obviamente,<br />
o de avaliar a actividade clínica destes<br />
hospitais; só uma equipa integrando<br />
médicos hospitalares e trabalhando no<br />
terreno poderia legitimamente fazê-lo.<br />
Trata-se de explorar as potencialidades<br />
do método de comparação proposto.<br />
Por isso, preferimos o conjunto com<br />
o maior número de elementos, mesmo<br />
que em prejuízo da «qualidade» do respectivo<br />
H. R.<br />
A demora média e a percentagem de<br />
dias de internamento, por diagnóstico,<br />
QUADRO 8<br />
Número e percentagem de doentes em relação ao total de cada Hospital,<br />
para 7 diagnósticos comuns<br />
N."<br />
Ordem<br />
FONTE<br />
Designação do Diagnóstico<br />
Parto Completamente<br />
Normal<br />
2 Outras indicações de assistência<br />
ou interv. relacionadas c/ trab. parto<br />
3 Fractura do colo do femur<br />
4 Fractura de outras partes e partes<br />
1ão especificadas do femur<br />
5 Doença cerebro-vascular aguda<br />
mal definida<br />
6 Outras afecções do intestino<br />
7 Ferimentos de outras localizações<br />
e das n/espec. dos membros<br />
QUADRO 9<br />
DEMORA MÉDIA POR GRUPO ETÁRIO<br />
N.'' DOENTES/PERCENTAGEM DE DOENTES<br />
HOSPITAL<br />
D1 D2 D3 D4 D5<br />
174 1408 935 240 1345<br />
5,6 <strong>15</strong>,6 11,3 2,9 16,3<br />
13 2 470 2<br />
0.4 5,7<br />
67 37 40 133 67<br />
2, 1 0,4 0,4 1,6 0,8<br />
51 88 82 11 26<br />
1,6 0,9 0,9 O, 1 0,3<br />
16 25 134 320 213<br />
0,5 0,2 1,6 3,8 2,5<br />
121 14 308 66 <strong>15</strong><br />
3,9 O, 1 3,7 0,8 O, 1<br />
11 273 9 4 3<br />
0,3 3,0 O, 1<br />
HOSPITAL 0-1 2-4 . 5-14 <strong>15</strong>-24 25-44 45-64 65- 74 >75<br />
D1 3, 1 4, 1 8,0 7,2 6,3 9,5 11 ,9 9,5<br />
D2 7,5 6,8 7,8 6,6 p,9 13,2 14,7 14<br />
D3 9 8,9 0,6 6,4 6,9 12,3 14,5 14,6<br />
D4 9,3 6,6 8,3 6,4 5,9 10,9 13,8 13,6<br />
D5 2,0 3,6 4,7 5,9 6,0 11 ,2 16,2 16,5<br />
CRIN<br />
são bastante diferentes no conjunto destes<br />
hospitais. (Anexo li.)<br />
Antes de procurarmos outras causas<br />
será necessário ajuizar da «qualidade»<br />
da informação disponível.<br />
O Quadro 8 mostra-nos o número de<br />
doentes saídos e respectiva percentagem<br />
para 7 diagnósticos comuns aos<br />
cinco hospitais.<br />
Os hospitais D 1 e 04 apresentam<br />
valores muito baixos de saídas no parto<br />
completamente normal. Mas se a esses<br />
valores adicionarmos o número de saídas<br />
classificadas como - Outras Indicações<br />
de Assistência ou Intervenções<br />
Relacionadas com Trabalho de Parto -<br />
atingimos em 04 valores idênticos aos<br />
restantes estabelecimentos.<br />
O mesmo não acontece com 01; no<br />
entanto, se consultarmos a listagem de<br />
diagnósticos desse hospital, vamos<br />
encontrar 250 saídas (8, 1 % do total)<br />
classificadas como - Traumatismos do<br />
Períneo e da Vulva durante o Parto - .<br />
Situação do mesmo tipo parece repetir-se<br />
com os diagnósticos 3 e 4.<br />
Os valores relativos aos restantes diagnósticos<br />
mostram-nos que, quando a<br />
nomenclatura apresenta uma classificação<br />
residual há, pelo menos, um hospital<br />
que a utiliza duma forma aparentemente<br />
abusiva.<br />
Parece pois evidente a necessidade<br />
de afinar os critérios de classificação.<br />
Sem critérios normalizados, quaisquer<br />
conclusões afiguram-se arriscadas.<br />
QUADR010<br />
Esta foi, de resto, uma das razões porque<br />
preférimos estudar a influência das<br />
transferências externas e da estrutura<br />
etária em relação à globalidade de cada<br />
hospital.<br />
O número e percentagem de transferências<br />
externas por hospital foram os<br />
seguintes:<br />
01 = 42 (3,2%)<br />
02 = 37 (0,08%)<br />
03 = 40 (1,14%)<br />
04 = 12 (0,3%)<br />
05 = 63 (1 ,8%)<br />
As percentagens são bastante baixas.<br />
E mesmo em 01 , onde atingem a maior<br />
expressão, a influência da demora média<br />
é mínima. De facto, supondo que todos<br />
os doentes transferidos tiveram uma<br />
demora de 1 dia no hospital, a demora<br />
média dos restantes seria de 6,4 (6,3 foi<br />
a d. m verificada).<br />
A análise das listagens completas<br />
mostrou-nos ter sido em 01 e para a<br />
«fractura do colo do fémur» que se verificou<br />
, de longe, a maior percentagem de<br />
transferências externas (10,4% - 7<br />
doentes num total de 67). Mesmo neste<br />
caso, e na base do raciocínio anterior,<br />
a variação seria pouco sensível (16,2<br />
contra os 14, 7 verificados) quando comparada<br />
à diferença entre os valores de<br />
demora média registados nos diferentes<br />
estabelecimentos para este diagnóstico.<br />
Parece pois que as transferências exter-<br />
Demora média e percentagem de doentes por grupo de idades<br />
Demora média e demora média "ajustada"<br />
IDADE<br />
HOSPITAL DEMORA MÉDIA DEMORA MÉDIA<br />
«AJUSTADA"<br />
< 44 > 44<br />
FONTE - CRIN<br />
D1 5,2 9, 1 6,3 6,7<br />
70,9 29,1<br />
D2 6,5 11 ,6 8,2 8,5<br />
67,0 32,9<br />
D3 7, 1 12,7 9,7 9,3<br />
54,5 45,5<br />
D4 6,2 12,0 9,3 8,5<br />
47,4 52,6<br />
D5 5,5 12,3 8,1 8,2<br />
62,1 37,9<br />
nas não têm influência significativa na<br />
demora média.<br />
A comparação da demora média por<br />
grupos etários mostrou-nos que, em<br />
qualquer destes hospitais, as diferenças<br />
se acentuam a partir dos 44 anos. (Quadro<br />
9).<br />
Considerámos, por isso, dois grandes<br />
grupos, no estudo da influência da idade<br />
na demora média. (Quadro 1 O).<br />
Calculando a «demora média ajustada»<br />
ou seja, a demora média que resultaria<br />
da uniformização etária ao nível<br />
destes dois grupos (60% para idades<br />
iguais ou inferiores a 44 anos e 40% para<br />
as superiores) verificamos que as diferenças<br />
registadas, entre a demora média<br />
praticada e a «demora média registada»,<br />
são muito pequenas.<br />
Por outro lado, a distribuição, por grupos<br />
etários, conduz a conjuntos muito<br />
reduzidos, sem grande significado estatístico.<br />
Parece-nos, por isso, que as comparações<br />
devem ser referidas ao total de<br />
doentes abrangidos pelo mesmo diagnóstico,<br />
com possível ressalva dos<br />
casos em que existam intervenções<br />
cirúrgicas.<br />
Este aspecto não foi tratado por falta<br />
de informação; mas é talvez importante<br />
acentuar que, para estudos desta natureza,<br />
o sistema de informação deve<br />
saber referir as intervenções ao diagnóstico<br />
respectivo (no caso, ao diagnóstico<br />
principal).<br />
CONCLUSÕES SOBRE A<br />
UTILIZAÇÃO DO M~TODO<br />
PROPOSTO<br />
- Análise crítica<br />
O conjunto de hospitais em análise<br />
não tem dimensão suficiente para criar<br />
grupos homogéneos. Pelas razões oportunamente<br />
expostas fizemos incidir a<br />
comparação sobre um subconjunto relativamente<br />
ao qual o H.R. respectivo é<br />
pouco representativo.<br />
Quanto aos critérios para constituição<br />
desses grupos, pensamos que não<br />
poderão ser definidos aprioristicamente;<br />
é indispensável alargar o banco de<br />
dados e tentar depois, por via empírica,<br />
encontrar o modelo adequado.<br />
A determinação do H. R. a partir do<br />
H.I., tem alguns inconvenientes; concretamente,<br />
faz correr o risco de desprezar<br />
diagnósticos com expressã~ significativa<br />
na maior parte dos hospitais, pela simples<br />
razão de não ocorrerem num dos<br />
hospitais do grupo.<br />
Impõe-se, portanto, o estabeleci-<br />
.....<br />
1<br />
26<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
27<br />
1
COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />
0000 ANEXO 1<br />
oo<br />
BLOCO CtNTRAL oo<br />
~C~O*~OOO~O~O~*O~~OO~OgOOóOOOOOOOOOO~O~C~O~COOOOOOOOOOOCOOOOOOOOOOOOOO*OO~O~O~QOO~O~~~*~~OOOOO*****<br />
'° 1 '°"• l~.DkO./I TOTAL. 1 lNT:k. 1 o<br />
o u !:: S 1 \# 114 ~ C A •.J U it. O P E ~ A C A O I uR u EM I T • :>E S 1 G & 1 N TE r\ • 14 C. U."I J L A• I 1 A/ T o<br />
o 1 1 t' 1 1 to<br />
çoo~ooo**~~~~~o~oc~oooç~oooooooooo~cQ~oo~ooooooooooooooo~ooooooooo~ooo~ooooooo~oo~ooo~~~~ooo~'~*)*ºº<br />
l 0,2<br />
1' P e. ~ l• 1 ' f L T :.J '4 1 A<br />
HEkN1~) t ~~t~Tk~Cuf)<br />
L.A?A~ATO~IÃ<br />
éX~LJR~OJ~A<br />
COL.EC.l~TcCTuMlA<br />
~ur.i~~1~.~/~STEuStA)lkA~ALJ,C~l'A~Eu.~l~ALtf~lMAL,TlBlA<br />
TU~O~E~ óE~l~~uS Ou ~ElO<br />
ttl)Tc;ccroMIA r1rA~,Mf J~cCT0~1~,c1~u S/A~rx~~TO~lA<br />
~UT.Ff~lJ.~/uiTEUS,~~~UM<br />
~UÍUKA Ot fE~l~A~ ·<br />
cicRcSê TUMJ~c) &OuT~Q)J<br />
VA~lié) ~OK MtM~KO<br />
Ol~~ISF<br />
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r1~01~êCTO~lA<br />
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PILJKJPL.~STI~ LílM ~A~OTüMIA<br />
ANcXiCTOMI~,S~LPl~~(LTü"llA<br />
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~OL.!hTu"llA<br />
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COl'IPLEAO llGU~~TlC~-MALAK-tL.cV•C~O<br />
~A~Tk~i~TEHJ)TJMlA<br />
fl~fuLAS o~ '~us SUHLJíA~E~ ~U(O~A)<br />
HE11)KRJIJEi;.T1.1: ... 1 A<br />
LIMPcZ~ CI~J~GlCA uf Fc~lDAS ExT~~~A~<br />
Sl~PL.éS<br />
PATELE~TJMlA,~AT~LJPLA~TlAt~:~lSLELTJ~lA<br />
~A~~L.lcCTOMIA LOM~~R<br />
t!lll.;)0Lê~ T Jf'llA<br />
cNTEkc~TuM~A O~ uMA ~~~A<br />
c~ÃE~TJ fACE E ~AO HJ~~ üU H~T~RuE~•c~TO~ CJ~S~~VAQO~<br />
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(0LE~Tu~1A ScGMé~TA~<br />
AM~Uf A~4J ~E "l~MuRJS<br />
uSTEuTJMIA .<br />
P~ur~scs A~ft.:R1AlS-AJRí0-FcMURAl~ uu ILEU FF~U~AlS<br />
~R~ST~~CTO~IA TJTAL.<br />
M')T~CTJMIA Tl~J HAL)TéAU<br />
Mdf-~A~S"F~~JRu-~íl~(lT~n<br />
uR~NAGcM O~ A~(f)SuS l~T~A-A~Ou~l~AI~<br />
tXTeMAT.uST:ü).Pl\Or.-our~A)<br />
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.J E :J u I ~ T u ~ J '"' 1 v 1 A l<br />
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COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />
CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />
....<br />
síveis erros.<br />
O actual modo de exploração - batch - não favorece o<br />
fornecimento de resultados em tempo oportuno. O programa<br />
de distribuição de meios informáticos, em curso no SIS, pretende,<br />
além do mais, obviar a esse inconveniente.<br />
~ . nesta área, certamente que o conseguirá explorando, em<br />
tempo real, os módulos de base, relativamente aos doentes<br />
internados.<br />
"Se é provavelmente exacto que o dossier não contém mais<br />
de 5% de informações verdadeiramente pertinentes, como<br />
afirma Danai A.B. Lindberg, é actualmente muito difícil de as<br />
ver aparecer claramente sublinhadas. » (2).<br />
O resumo clínico automatizado, perseguindo uma selecção<br />
pertinente dessas informações, é uma estrutura de dados inequivocamente<br />
correcta.<br />
Ao contrário, admitimos que o SMIMA possa ser considerado<br />
incompleto.<br />
Como afirma Mélése, pensamos que o sistema de informação<br />
não é o «fruto imediatamente perfeito duma elaboração<br />
tecnocrática, não nasce adulto, qual MineNa saindo com<br />
armadura e capacete do cérebro de Júpiter». (7).<br />
~ necessário começar por um baby-.system dotado de capacidade<br />
de adaptação e aprendizagem para que o sistema<br />
cresça interactivamente com a estrutura que seNe.<br />
A recolha dos dados individuais dá lugar, a nível do hospital ,<br />
a uma grande variedade de informações. Vimos, no entanto,<br />
que o peso de cada afecção, no consumo de recursos, é<br />
significativamente diferente.<br />
A utilização da Lei de Pareto permite-<br />
-nos, contudo, conhecer os dados efectivamente relevantes<br />
quer a nível do hospital quer a nível inter-hospitalar.<br />
Entretanto, julgamos pertinente repetir que, para podermos<br />
dispor, a esse nível, dum banco de dados fiáveis e homogéneos<br />
é necessário que o lançamento do SMIMA seja acompanhado<br />
por equipas exteriores ao hospital, enquadradas num<br />
órgão de âmbito regional e coordenadas, centralmente, pelo<br />
Grupo Técnico-Normativo responsável pela manutenção deste<br />
projecto.<br />
REFER..:NCIAS<br />
(1) - Direction du Plan - Assistance Publique de Paris -<br />
"Propositions methodologiques pour la mise en place<br />
de la qualité des soins hospitaliers - Jan 80.<br />
(2) - Roger, H - Medicine et lnformatique, centre d'informatique<br />
Medicale de l'Université Catholique de Louvain<br />
- 1979.<br />
(3) - Grupo de Informática do CRIN - Proposta de Normalização/Implementação<br />
do Sistema mínimo de Informação<br />
Médico-Administrativa nos Hospitais Portugueses<br />
- 1985<br />
(4) - Université Catholique de Louvain - Le Resumé Clinique<br />
Automatisé - Rapport de Synthêse 1979.<br />
(5) - Pedoussaut, Marie-France e outros - La Medicalisation<br />
des systémes d'information. Problematique Générale<br />
et apllication à l'Assistance Publique de Paris -<br />
L'Hôpital à Paris - n.º 83 - 1984.<br />
(6) - Secretaria-Geral do Ministério da Saúde - Plano Director<br />
de Informática - Relatório - 1974.<br />
(7) - Mélêse; Jacques - La gestion parles Systémes - Editions<br />
Hommes et Techiques - 1968.<br />
Outra bibliografia consultada:<br />
- David, Deolinda; Urbano,· João e outros - A Informação<br />
de <strong>Gestão</strong> no Hospital - V Jornadas de Administração <strong>Hospitalar</strong>.<br />
- Omnes, L. - Les Gains de Productivité à l'Hôpital - Gestions<br />
Hospitaliéres n.º 242, Jan. 85.<br />
O<br />
1<br />
. 1<br />
.. . . . •· .. .<br />
·.·.·.·.·.·.·•·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·•·.·.·.·.·.·.·.·······•·············•···•·•················································•·•·····•·•·····•···•·•···•·•·• ·.·.·•·······•·····•············•·•······•··········•···•· ··•······•·••·•• ·••·······•·•···· ·•······•·•·•······•·••·······•···•········ ····•····•·•·•···•·•· •·•··•··•············•··· ············· .·.·. .·•·. .·.·. ... ~<br />
:-:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:~:-:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·. . .·:·. .·: ·:·:· ·:·:· ·. ·. ....<br />
·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·.·=:·:·:·:·<br />
·.•.•.•.•.•.•.•.•.• •.•.•..................................................................................... •.•... •.•.• •.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•..•..•.•..•.... .... .<br />
ASSOCIM;Jo PORTUGUESA DE ADNllNIS 1 RADORES HOSPITALARES<br />
O BEM-ESTAR DA CRIANÇA<br />
Este encontro teve como<br />
objectivo reunir um conjunto de<br />
pessoas cuja actividade está voltada<br />
para a criança, nas várias<br />
fases do seu desenvolvimento, e<br />
contou com a presença de profissionais<br />
vários como médicos,<br />
enfermeiros, assistentes sociais,<br />
educador.es de infância, professores,<br />
etc. A discussão, centrada<br />
no tema geral "º Bem-estar da<br />
criança.. foi dividida em seis<br />
mesas-redondas:<br />
- NASCER BEM<br />
- O AMBULATÓRIO<br />
- O INTERNAMENTO<br />
- A URG~NCIA<br />
- A CIRURGIA NA CRIANÇA<br />
- ORGANIZAÇÃO DA ASSIS-<br />
Ti;NCIA A CRIANÇA<br />
terminando com uma proposta:<br />
(A pediatria anos 80).<br />
Foram as seguintes as conclusões<br />
mais importantes das diferentes<br />
mesas-redondas:<br />
NASCER BEM: Considera-se<br />
necessário para nascer bem:<br />
1 . Melhorar a preparação que é<br />
dada nas escolas acerca do<br />
planeamento familiar, vida sexual,<br />
gravidez e parto, amamentação,<br />
crescimento e<br />
desenvolvimento da criança.<br />
2. Criar consultas pré-natais de<br />
boa qualidade e bem distribuídas<br />
geograficamente de<br />
modo a identificar a tempo a<br />
gravidez de risco e encaminhá-la<br />
para consultas de referência.<br />
3. Criar condições para que o<br />
parto seja realmente assistido<br />
em instituições com competência<br />
técnica e que façam<br />
um apoio humanizado. O<br />
recém-nascido deverá permanecer,<br />
tanto quanto possível,<br />
junto da mãe, sendo esta<br />
orientada para a amamentação<br />
da criança.<br />
4. Dev~rá ser feito o exame clínico<br />
do recém-nascido ainda<br />
na maternidade, duas vezes,<br />
ao nascimento e antes da<br />
alta, sempre que possível na<br />
presença da mãe. Deverá<br />
nessa altura ser preenchido o<br />
boletim individual de saúde.<br />
5. Deverão ser criadas unidades<br />
onde seja possível tratar devidamente<br />
os cerca de 10% de<br />
recém-nascidos que vão<br />
necessitar de cuidados especiais<br />
adequados (médicos, de<br />
enfermagem, apoio técnico,<br />
meios complementares de<br />
diagnóstico, etc.), centros<br />
esses que devem trabalhar 24<br />
horas/dia.<br />
6. Deverá manter-se uma interligação<br />
contínua entre as<br />
maternidades, os hospitais e<br />
os centros de cuidados primários.<br />
de modo a não se<br />
perder informação na transição<br />
de uns para outros.<br />
O AMBULATÔRIO: Considera-se<br />
que um dos principais<br />
problemas na organização da<br />
assistência médica. particularmente<br />
sentido ao nível do ambulatório,<br />
é a falta éle inter-relação<br />
entre os hospitais e os centros<br />
de cuidados primários de saúde,<br />
em ambos os sentidos. Assim:<br />
• Deverão os centros de saúde<br />
ser responsáveis pela assistência<br />
às crianças e aí será<br />
feita a triagem dos doentes a<br />
enviar a uma consulta de<br />
pediatria.<br />
• Na consulta de pediatria será<br />
feita uma segunda triagem<br />
com orientação para as consultas<br />
das diversas especialidades,<br />
nos casos que o justifiquem.<br />
• i: fundamental assegurar a<br />
informação escrita e com o<br />
nome dos médicos responsáveis,<br />
de todos os casos, e em<br />
ambos os sentidos, entre os<br />
vários níveis de diferenciação.<br />
• As consultas deverão ter um<br />
ambiente humanizado, próprio<br />
à criança. ·<br />
• A informação aos pais, e auscultação<br />
da opinião destes,<br />
mesmo acerca de atitudes<br />
aparentemente banais, deve<br />
ser preocupação constante,<br />
em todas essas consultas.<br />
• Todas as terapêuticas e exames<br />
complementares deverão<br />
ser ponderados de modo a<br />
evitar os que não sejam seguramente<br />
necessários.<br />
O INTERNAMENTO: Consideram-se<br />
como fundamentais<br />
para os serviços de internamento<br />
em pediatria:<br />
• Que a mãe (ou outro familiar<br />
com ligação afectiva à criança)<br />
tenha possibilidaqe de permanecer<br />
junto a esta.<br />
• Evitar o internamento sempre<br />
que não for absolutamente<br />
necessário e nesse caso reduzi-lo<br />
ao menor tempo possível<br />
(duração média < a 7<br />
dias).<br />
Consideram-se como parâmetros<br />
desejáveis para atingir<br />
esses objectivos:<br />
• Que a relação enfermeira/<br />
/criança, nas 24 horas do dia<br />
seja:<br />
Cuidados intensivos - 1 :1<br />
Cuidados intermédios - 1 :4<br />
Outros serviços Internamento<br />
- 1:10<br />
• Que haja médicos em dedicação<br />
exclusiva ao hospital, pelo<br />
menos 30% do quadro<br />
médico (o ideal seria 100%).<br />
• A dimensão ideal do serviço<br />
será de:<br />
Cuidados intensivos, aproxi-<br />
Porto, 14, <strong>15</strong> e 16 de Novembro/ 1985<br />
'<br />
Directora da Reunião: Dr.ª Cândida Maia<br />
Organização: Serviço de Neuropediatria<br />
Hospital Maria Pia - Porto<br />
CONCLUSÕES DA REUNIÃO<br />
madamente 1 o camas equipadas;<br />
Serviço de internamento igual<br />
ou inferior a 30 camas.<br />
• A taxa de ocupação do hóspital<br />
não deverá ser superior a<br />
70%.<br />
• Todas as crianças internadas<br />
deverão à data da alta ser<br />
acompanhadas de uma informação<br />
clínica escrita dirigida<br />
ao seu médico assistente.<br />
URG~NCIA: Considera-se necessário<br />
para um funcionamento<br />
correcto do S. de Urgência:<br />
• Diminuição do número de<br />
casos 1 que aí ocorrem, aumentando<br />
os postos de atendimento<br />
permanente, que deverão<br />
ser correctamente distribuídos<br />
de acordo com as<br />
necessidades e facilidades de<br />
vias de acesso.<br />
• Melhorar as instalações dos<br />
actuais serviços de urgência<br />
de pediatria, nomeadamente<br />
separando-os das urgências<br />
do adulto.<br />
CIRURGIA NA CRIANÇA: Para.<br />
um correcto funcionamento das<br />
especialidades cirúrgicas considera-se<br />
necessário, para além<br />
das medidas já referidas para o<br />
internamento:<br />
1 . Criação de unidades de cuidados<br />
intensivos pós-operatórios<br />
que permitam a realização<br />
de cirurgia neonatal sem<br />
riscos.<br />
2. Apoio a essas unidades, além<br />
do cirurgião responsável, de<br />
pediatra, anestesista/reanimador<br />
e laboratório nas 24<br />
horas do dia.<br />
3. Melhoria dos actuais blocos<br />
ctrúrgicos e orientação para o<br />
trabalho em regime de tempo<br />
completo prolongado de<br />
modo a melhorar o aproveitamento<br />
dessas instalações.<br />
4. Definição correcta das áreas<br />
de influência dos diversos<br />
hospitais de modo a saber-se<br />
qual a população servida e<br />
poder programar em confor-<br />
30<br />
GH-008<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N .º 14/ <strong>15</strong><br />
1
Ó BEM-ESTAR<br />
DA CRIANÇA<br />
...<br />
midade.<br />
5. Criação de diversos níveis de<br />
diferenciação tecnológica,<br />
bem articulados entre si, de<br />
modo a só serem tratados a<br />
nível central os casos que não<br />
podem ser resolvidos a outro<br />
nível.<br />
PROPOSTA - A PEDIATRIA<br />
ANOS 80<br />
A situação actual do País traduz-se<br />
pela existência de médicos<br />
em número suficiente (cerca<br />
de 1/400 hab.), dos quais teremos<br />
em breve 1 clínico geral/<br />
<strong>15</strong>00 hab. e 1 pediatra para<br />
16 000 hab. (na CEE em 1979,<br />
1 /24 000 e em Espanha 1 /7200).<br />
Existem também hospitais diferenciados<br />
em número suficiente<br />
- por exemplo, só no Porto há<br />
quatro Serviços de Pediatria a<br />
nível de Hospital Central.<br />
Parece assim que, para se<br />
obter um melhor rendimento é<br />
necessária apenas organizar e<br />
articular os serviços existentes.<br />
No que diz respeito aos cuidados<br />
hospitalares propõe-se:<br />
1 - Definição de critérios de<br />
idoneidade para os serviços<br />
(e podemos tomar<br />
como exemplo a Espanha);<br />
a) Deverão fazer uma reunião<br />
clínica diária;<br />
b) Discussão diária de pro-<br />
HOMENAGEM DE<br />
DESAGRAVO A.<br />
DIRECTOR GERAL<br />
AFASTADO<br />
Em Vila. Nova de Ourém, cerca de duas centenas de pessoas<br />
part1c1param ontem num almoço de homenagem a<br />
Augusto Mantas, demitido em Fevereiro do cargo de director<br />
geral do Departamento de <strong>Gestão</strong> Financeira da Saúde. Estiveram<br />
presentes administradores hospitalares e ainda o antigo<br />
ministro da Saúde, Maldonado Gonelha.<br />
Duran_te ? alr;io90. Maldonado Gonelha salientou a '!grande<br />
competenc1a tecnica de Augusto Mantas", sublinhando: «Foi<br />
um dos colaboradores que me impediu de fazer asneiras<br />
quando fui ministro da S_aúde, mas espero voltar a cumprimentá-lo<br />
como director geral do Departamento de <strong>Gestão</strong><br />
Financeira da Saúde., , sublinhou.<br />
O presidente da entidade promotora da homenagem, Santos<br />
Cardoso, referiu também as qualidades técnicas e humanas<br />
de Augusto Mantas, salientando especialmente"º seu perfil<br />
humano,,.<br />
Augusto Mantas agradeceu as referências elogiosas que lhe<br />
foram feitas e disse: «Com tudo o que me fizeram depois de<br />
ser afast~?º· receio vir a tornar-me um homem importante,<br />
ao contrario do homem humilde que sempre fui.,,<br />
blemas da enfermaria;<br />
c) Sessões semanais;<br />
• Reunião de casos clínicos<br />
- discussão de doentes<br />
da enfermaria ou consulta.<br />
• Reunião clínico-radiológica.<br />
• Reunião de protocolos.<br />
2 - O horário de trabalho terá<br />
de ser efectivamente de<br />
seis horas/dia.<br />
3 - Os critérios de idoneidade<br />
para os hospitais distritais<br />
deverão incluir uma visita<br />
pelo menos semanal e a<br />
existência de uma reunião<br />
semanal de todos os<br />
médicos do Serviço. em<br />
que sejam discutidos<br />
todos os protocolos existentes.<br />
4 - Para definição da idoneidade<br />
do serviço e análise<br />
dos currícula mínimos deverão<br />
ser criadas omissões<br />
técnicas nacionais e<br />
regionais.<br />
5 - A presença da mãe (ou<br />
outro familiar com ligação<br />
afectiva à criança) deve ser<br />
considerada como indispensável<br />
junto a esta em<br />
todos os serviços de<br />
pediatria.<br />
6 - Deverá encarar-se a permuta<br />
de pediatras entre<br />
diferentes serviços de diferentes<br />
regiões do País por<br />
períodos maiores ou<br />
menores, facilitando uma<br />
completa troca de experiências.<br />
7 - Provavelmente será mais<br />
rentável, em vez das reuniões/simpósios<br />
actuais,<br />
convidar especialistas de<br />
diferentes áreas. nacionais<br />
ou estrangeiros, que durante<br />
um determinadc<br />
período trabalhem efect1-<br />
vamente nos serviços,<br />
complementando esse<br />
trabalho com uma ou<br />
outra palestra teórica.<br />
8 - Os serviços de pediatria<br />
nos hospitais distritais<br />
deverão ser formados com<br />
8/9 especialistas de modo<br />
a funcionarem como serviço<br />
real.<br />
9 - Os concursos de provimento<br />
deverão ser preferencialmente<br />
institucionais,<br />
mas com júris nacionais<br />
que incluam representantes<br />
das três zonas.<br />
1 O - O exame final do internato<br />
deverá ser feito com um<br />
júri com representação nacional<br />
(e com representante<br />
da O.M. para se evitar<br />
a repetição do exame<br />
para obtenção do título<br />
pelo O.M.), de modo a evitar<br />
a situação actual em<br />
que noventa por cento das<br />
notas finais do internato<br />
são iguais ou superiores a<br />
18 valores.<br />
11 - No ensino da Pediatria<br />
deverão ser desenvolvidos<br />
os conhecimentos sobre<br />
neonatologia e desenvolvimento<br />
psicomotor da criança.<br />
12 - Todos os serviços deverão<br />
apresentar relatórios anuais,<br />
que incluam uma série<br />
de parâmetros da C.<br />
Externa S.U., internamento,<br />
a definir a nível nacional<br />
de modo a que se possam<br />
fazer comparações e analisar<br />
e corrigir os erros.<br />
o<br />
I<br />
1<br />
J<br />
1.º ENCONTRO<br />
NOVOS HOSPITAIS DISTRITAIS<br />
CONCLUSÕES<br />
1 . Analisados os 59 hospitais<br />
distritais que constituem a rede<br />
oficial portuguesa deste tipo de<br />
estabelecimentos (tendo em<br />
conta os seis parâmetros disponíveis:<br />
lotação; envelope financeiro;<br />
recursos humanos; doentes<br />
saídos; urgência e consulta<br />
externa), concluiu-se<br />
que os<br />
novos hospitais distritais constituem<br />
um grupo que, apesar de<br />
pontualmente apresentar, em<br />
cada um dos parâmetros, valores<br />
superiores aos verificados em<br />
alguns dos tradicionais hospitais<br />
distritais, ocupa lugares mais baixos<br />
em relação à totalidade dos<br />
parâmetros.<br />
Dispondo de parcos recursos,<br />
quer humanos, quer financeiros,<br />
estes hospitais representam, de<br />
qualquer modo, uma capacidade<br />
instalada não desprezível e que<br />
interessa aproveitar e rentabilizar,<br />
da melhor forma, dignificando as<br />
suas funções e possibilitando,<br />
assim, o aumento dos outputs<br />
produzidos e a melhoria dos<br />
resultados da sua actividade.<br />
2. A informação fornecida pelo<br />
conjunto dos novos hospitais<br />
distritais, referida ao ano de<br />
1985, revela:<br />
• défice global de <strong>15</strong>2 camas<br />
nas valências mais básicas;<br />
• desequilíbrios na distribuição<br />
da lotação por valências e<br />
assimetrias no número de<br />
camas relativamente à população<br />
a servir;<br />
• serviços insuficientemente<br />
dimensionados para serem<br />
rentáveis;<br />
• exiguidade de espaço e de<br />
equipamentos e carências<br />
gravíssimas de pessoal,<br />
nomeadamente médico e de<br />
enfermagem.<br />
Apesar destas carências, o<br />
conjunto destes hospitais atingiu<br />
um total de cerca de 16 000<br />
doentes tratados no internamento;<br />
602 000 atendimentos na<br />
urgência e 105 000 consultas<br />
externas.<br />
A actividade desenvolvida por<br />
estes hospitais sugere, naturalmente,<br />
a necessidade de os<br />
dotar com recursos adequados<br />
a um funcionamento mais de<br />
acordo com o seu estatuto.<br />
3. Quando comparada a actividade<br />
e os gastos dos novos hospitais<br />
distritais e dos hospitais<br />
centrais e distritais, entre 1982 e<br />
1985, verifica-se que os primeiros,<br />
embora apresentem custos<br />
médios inferiores. evidenciam<br />
alguma insuficiência que se traduz<br />
em desperdício de recursos.<br />
No entanto, eles poderão<br />
desempenhar um papel importante<br />
na melhoria da qualidade<br />
do acesso das populações aos<br />
cuidados hospitalares. Torna-se,<br />
contudo, indispensável que esta<br />
opção seja claramente explicitada<br />
e se conheça o seu preço.<br />
4. A reflexão sobre o futuro da<br />
obstetrícia nos novos hospitais<br />
distritais, assente na análise<br />
comparativa dos custos médios/<br />
/parto, resultante das soluções<br />
«Centralização total (HA1 )., e<br />
«descentralização (HB)». permite-nos<br />
extrair as seguintes ilações:<br />
• até 11 42 partos, as maternidades<br />
são seguramente não<br />
rentáveis;<br />
• algures, entre 11 42, 1894,<br />
verifica-se um mínimo na<br />
curva de custos que indicia a<br />
exigência de um «envelope»<br />
de recursos de nível superior,<br />
o que vai implicar a existência<br />
de uma produtividade marginal<br />
inferior à produtividade<br />
média até aí verificada;<br />
• entre 1894 e 2096, situa-se<br />
um máximo relativo da função,<br />
a partir do qual a produtividade<br />
marginal é superior à<br />
produtividade média. Parece,<br />
pois, poder inferir-se que o<br />
número de partos que garante<br />
a máxima rentabilização se<br />
situa a partir de 2000 partos.<br />
Esta conclusão de, algum<br />
modo, responde à interrogação<br />
que titula o Trabalho.<br />
A OBSTETRfCIA NOS NOVOS<br />
HOSPITAIS DISTRITAIS:<br />
QUE FUTURO?<br />
5. O Serviço de Medicina<br />
Interna é uma valência básica<br />
que d.everá estruturar-se como<br />
um verdadeiro serviço hospitalar<br />
de doentes agudos.<br />
Porque o hospital de nível 1 se<br />
encontra na primeira linha de cuidados<br />
diferenciados, deverá privilegiar<br />
um grande espaço de<br />
articulação com os cuidados de<br />
saúde primários e estabelecer<br />
protocolos com os hospitais<br />
mais diferenciados nas valências<br />
que fazem apelo a técnicas mais<br />
sofisticadas, de modo a criar<br />
uma complementaridade nos<br />
serviços de saúde.<br />
6. Os hospitais de nível 1 serão<br />
aquilo que, em termos nacionais,<br />
a comunidade em que se inserem<br />
espera e exige deles, sem,<br />
no entanto, dever ser desprezada<br />
uma perspectiva integrada<br />
e uma visão global da rede de<br />
cuidados de saúde. Mais do que<br />
isso: serão aquilo que os profissionais<br />
de saúde que neles trabalham<br />
aí investem em termos profissionais.<br />
Não se espera que os hospitais<br />
de nível 1 tenham uma<br />
grande dimensão, mas sim que.<br />
com o máximo de eficácia e de<br />
qualidade, satisfaçam a dignidade<br />
do homem que os procura.<br />
7. Pela sua dimensão, situação<br />
geográfica, inserção na rede de<br />
saúde, organização e recursos<br />
disponíveis estão os hospitais de<br />
nível 1 numa situação privilegiada<br />
para a realização de um conjunto<br />
de acções de colaboração com<br />
a rede de cuidados primários.<br />
Independentemente da existência<br />
de legislação, de normas<br />
ou de meras indicações emanadas<br />
dos serviços centrais, alguns<br />
destes hospitais já encetaram<br />
uma estreita colaboração, por<br />
sua iniciativa, e da qual extraíram<br />
benefícios, dúvidas e algumas<br />
conclusões.<br />
A colaboração, que deve existir<br />
deverá acentuar o papel que<br />
cada unidade desempenha, no<br />
sentido da hierarquização de cuidados<br />
e complementarização<br />
dos circuitos da saúde.<br />
Neste aspecto deverão ser<br />
implementadas formas de esclarecimento<br />
aos utentes.<br />
A colaboração deverá assentar<br />
em princípios claros, na legislação<br />
em vigor, procurando-se a<br />
obtenção de vantagens mútuas,<br />
em benefício do utente. Deverão<br />
ser encontradas vias para um<br />
diálogo sério e produtivo, baseadas<br />
na análise de projectos: na<br />
gestão de recursos, em que o<br />
custo eficácia e o custo eficiência<br />
sejam correctamente equacionados.<br />
Admite-se, assim, que entre<br />
as boas vontades e a inércia da<br />
burocracia pode ser encontrado<br />
um caminho alternativo.<br />
Entende-se que as vantagens,<br />
quer financeiras, quer estruturais,<br />
que são por vezes o motivo principal<br />
da colaboração, devem ser<br />
mantidas e mesmo ampliadas<br />
sempre que as condições o permitam.<br />
A obtenção de receitas próprias<br />
superiores será um estímulo<br />
e não deverão os serviços centrais<br />
penalizar os hospitais pelo<br />
seu acréscimo.<br />
8. De acordo com os valores<br />
mais aceitáveis, para Portugal,<br />
do ratio cama/habitante, em<br />
ginecologia, o número de camas,<br />
nesta valência, é manifestamente<br />
insuficiente relaUvamente às<br />
necessidades. Assim sendo, a<br />
existência de unidades de ginecologia<br />
nos novos hospitais distritais<br />
poderá possibilitar, desde<br />
logo, uma maior acessibilidade e<br />
distribuição de cuidados, sobretudo<br />
na área da consulta externa.<br />
Para diagnóstico e tratamento de<br />
situações. nomeadamente, do<br />
foro oncológico, da esterilidade e<br />
da endocrinologia, reputa-se<br />
importante a elaboração de protocolos<br />
com os hospitais mais<br />
diferenciados, pois grande parte<br />
do estudo de base destas situações<br />
poderá ser feito nas unidades<br />
de ginecologia dos novos<br />
hospitais distritais, o que se traduzirá<br />
em economias de tempo,<br />
custos e bem-estar da doente.<br />
9. Tendo em conta que, ao<br />
nível da saúde infantil, a base dos<br />
cuidados está nos cuidados primários<br />
de saúde, na prevenção<br />
da doença (isto é, na identificação<br />
precoce dos problemas a ser<br />
encaminhados, em boas condições<br />
para um meio hospitalar<br />
adequado) e na promoção da<br />
saúde, os novos hospitais distritais<br />
devem integrar-se como unidades<br />
de apoio aos cuidados primários<br />
de saúde da sua área.<br />
Nestes hospitais deverá funcionar<br />
·uma consulta externa de<br />
neonatologia e de pediatria e,<br />
nalguns. o internamento de algumas<br />
crianças, sendo de favorecer<br />
a hospitalização de curta<br />
duração.<br />
O<br />
ASSOCIATION<br />
EUROPÉENNE<br />
DES<br />
DIRECTEURS<br />
D'HÔPITAUX<br />
Président d'Honneur:<br />
W alter JUNG, Krapfstrasse<br />
26 - 7000 STUtTGART 1<br />
Tel.: 711 /60.35.92<br />
BUNDESREPUBLIK<br />
DEUTSCHLAND<br />
Président:<br />
Dott. Luigi SANFILIPPO<br />
Président d e l'Association<br />
Européenne des Directeurs<br />
d 'Hôpitaux<br />
Délégué d u Sindicato Italiano<br />
Dirigenti il Servizio Sanitario<br />
Nazionale<br />
Direttore Amm inistrativo<br />
Ospedale Fatebenefratelli<br />
Corso di Porta Nuova, 23<br />
20121 M ILANO ITALIE<br />
T el.: 2/636340<br />
Vice-Présidents:<br />
1. Georg SCHAFER, Vize<br />
Prásident der Europaischen<br />
Vereinigung der Krankennhausverwaltungsleiter,<br />
Vorsitzender<br />
der Fachvereinigung<br />
der Verwaltungsleiter<br />
deutscher Krankenanstalten,<br />
...<br />
I ~<br />
2<br />
3
Verw. Direktor des Marien<br />
-Hospitals, Hervesterstrasse<br />
57, Postfach 1760, 4370<br />
MARL - Tel.: 23.65/50-200<br />
BUNDESREPUBLIK<br />
DEUTSCHLAND<br />
2. ?<br />
3. David AASLAND, Vice<br />
President of the European<br />
Association of Hospital Administrators<br />
President of Helsetjenestens<br />
Administrasjonsforbund<br />
(H.A.F.)<br />
LILLEHAMMER<br />
FYLKESSYKEHUS<br />
- 2600 LILLEHAMMER<br />
NORMAY<br />
Tel.: (062)54.000<br />
Assesseurs:<br />
The lnstitute of Health Services<br />
Management<br />
75 Portland Place,<br />
LONDON WIN 4 AN<br />
Tel.: (01)580.5041<br />
GREAT BRITAIN<br />
1. Olof ANDERSSON , President<br />
of the Swedish Hospital<br />
Administrators Association<br />
Hospital Director, Solskensvagen,<br />
7<br />
23100 TRELLEBORG<br />
SWEDEN<br />
Tel. : 0410/55100<br />
2. René BORNET, Association<br />
Suisse des Directeurs<br />
d'Hôpitaux, Directeur de<br />
l'Hôpital Régional de Sion<br />
Herens Conthey<br />
1951 SION - SUISSE<br />
Tél. : 027/ 21 .11 .71<br />
3. Santos CARDOSO, Président<br />
de !'Associação Portuguesa<br />
de Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es (A.P.A.H.),<br />
Directeur de l'Hôpital Pédiatrique<br />
de Coimbra, Av. Bissaya<br />
Barreto<br />
3000 COIMBRA<br />
PORTUGAL<br />
Tel.: 19-351 -39-27163<br />
4. David A GUNNARSSON,<br />
President of the Félag Forstõdumanna<br />
Sjukrahusa à<br />
lslandi Rikisspitalar<br />
REYKJAVIK - ISLAND<br />
Tel.: 29.000<br />
5. Asger HANSEN, President<br />
of Foreningen af Sygehusadimistratorer<br />
i Danmark,<br />
Dir. of Keibenhavns Amts<br />
Sygehus i Gentofte, Niels<br />
Andersens Vej 63<br />
DK - 2900 HELLERUP<br />
DANEMARK<br />
Tel.: (01)65.12.00<br />
Lokal 4100<br />
4<br />
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Ilustre Presidente e Amigo<br />
ExmQ Senhor<br />
Presidente da Associação Po~<br />
tuguesa de Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es<br />
Quis a Associação Portuguesa de Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />
promover uma homenagem ã minha pessoa, como seu sócio honorário - hon<br />
ra de que muito me orgulho - e soube fazê-lo em ambiente muito simp~<br />
tico e requintado.<br />
Fê-lo, tamb~m, por forma a nao facilitar "presenças por presenças"<br />
e ainda bem que assim procedeu.<br />
Foi um bonito conv1vio que muito apreciei e que mu i to me se~<br />
sibilizou e comoveu, tendo-me sido feitos largos elogios que nunca<br />
tinha pensado ouvir .<br />
Não merecia tanto .<br />
Para mim foi perfeitamente inesperada uma tal homenagem. Mas<br />
teve a grande vantagem de me revelar que tenho muitos mais amigos do<br />
que supunha e de que hã muitas mais pessoas do que poderia imaginar<br />
que me consideram e quiseram testemunhã-lo, nela participando .<br />
Venho agradecer ã Associação Portuguesa de Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es a gentileza da iniciativa que tomou e que me foi extremamente<br />
gratificante, como prémio bastante para trinta e três anos de<br />
serviço dedicados ã saude deste pais.<br />
Gostaria de agradecer a todos - administradores, méd i cos, e~<br />
fermeiros, técnicos e outros amigos - a sua presença neste co nvívio<br />
e que, para isso, sacrif i caram um sãbado de merecido descanso e tive<br />
ra~ ainda os incómodos de viagem até Vila Nova de Ourém, para esta -<br />
rem presentes.<br />
Tudo isso foi revelador de amizade e consideração que, neste<br />
momento desejaria retribuir sem saber bem como . Terei de me lir:iitar<br />
a agradecer a todos, do f undo do coração, a vossa presença amiga, e~<br />
viando um exemplar desta carta e continuando sempre ã vossa disposição.<br />
Sirvo-me, para este efeito, da lista de inscrições que amavel -<br />
mente me foi facultada pela A.P.A . H., esperando não esquecer ninguém.<br />
à Associação, na pessoa do seu Ilustre Presidente e Amigo ,<br />
reitero os meus agradecimentos.<br />
Um<br />
grande abraço e bem hajam todos<br />
Lisboa, 23 de Junho de <strong>1986</strong><br />
(AUGUSTO MANTAS)<br />
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<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/1 5<br />
33
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todos os doentes é consistentemente<br />
óptima, através de uma avaliação<br />
contínua, utilizando métodos<br />
de medida adaptados e dignos de<br />
confiança. Sempre que a qualidade<br />
de cuidados se revele inferior à óptima,<br />
deve ser demonstrada a sua<br />
melhoria.»<br />
Um critério desta natureza exige que<br />
as estruturas de cuidados controlem a<br />
sua própria qualidade.<br />
Nesta medida, a garantia de qualidade<br />
tem de ser considerada uma técnica de·<br />
gestão (Management Method), se bem<br />
que a sua função no hospital seja significativamente<br />
diferente daquela que é na<br />
indústria, desde logo porque o efeito dos<br />
cuidados se produz na saúde dos indivíduos<br />
ou das populações.<br />
Controlar a qualidade de procedimentos<br />
e resultados é avaliar não somente<br />
os actos médicos mas também a qualidade<br />
da gestão e da organização hospitalar.<br />
Teoricamente faria sentido, tentar<br />
controlar<br />
todo o sistema, no entanto, razões<br />
de exequibilidade determinam a delimitação<br />
do âmbito dos programas de<br />
garantia de qualidade; qualquer modelo<br />
integrado, que tente cobrir a globalidade<br />
das funções deve ser visto com circunspecção.<br />
PRESSUPOSTOS PARA<br />
O LANÇAMENTO<br />
DE MECANISMOS<br />
DE GARANTIA<br />
DE QUALIDADE<br />
Domínios de aplicação<br />
Três aspectos da medicina são actualmente<br />
outras tantas áreas de intervenção<br />
de programas de garantia de qualidade:<br />
- estrutura, entendida como a organização<br />
em que os cuidados são prestados<br />
e características dos profissionais<br />
de saúde;<br />
- processo ou actividade médica, so<br />
. matório dos actos médicos numa<br />
dada estrutura;<br />
- resultado ou (outcome) definido como<br />
o estado do doente, após os cuidados.<br />
Requisitos<br />
Antes do lançamento dos programas<br />
de garantia de qualidade em qualquer<br />
das áreas referidas é essencial tomar em<br />
linha de conta três aspectos essenciais:<br />
- clarificação de conceitos, desfazendo<br />
os equívocos frequentemente associados<br />
a esquemas de garantia de<br />
qualidade;<br />
- desenvolvimento de critérios de qualidade<br />
(standards);<br />
- especificaÇão dos dados e definição<br />
das informações com relevância mínima<br />
para a garantia de qualidade.<br />
Trata-se, no fundo, de requisitos que<br />
estão presentes nas várias etapas em<br />
que se desenvolve qualquer processo de<br />
avaliação:<br />
1 - ESTABELECIMENTO<br />
DE CRIT~RIOS<br />
DE QUALIDADE<br />
2 - DESCRIÇÃO<br />
DA PRÁTICA<br />
DESENVOLVIDA<br />
3 - AVALIAÇÃO (2=1?)<br />
4 - ACÇÕES CORRECTIVAS<br />
(se 2= 1)<br />
5 - NOVA AVALIAÇÃO<br />
(depois de 4,2= 1 ?)<br />
Estabelecer critérios decididos por<br />
cada hospital, sem interferência exterior,<br />
respeitando a liberdade de escolha, a fim<br />
de diminuir a contestação entre o corpo<br />
clínico; delimitar o âmbito de intervenção<br />
de programas de avaliação de acordo<br />
cm as possibilidades de cada hospital,<br />
comparar a prática descrita através da<br />
recolha sistematizada dos dados com os<br />
standards fixados; e desencadear soluções<br />
correctivas de acordo com a etiologia<br />
dos problemas encontrados (de<br />
natureza educativa, comportamental ou<br />
organizacional), constitui a via realista<br />
para a introdução progressiva de mecanismos<br />
de garantia de qualidade.<br />
Como refere Ginzberg:<br />
~ preferível obter concordância profissional<br />
acerca de poucos grandes<br />
grupos de má prática desenvolvida<br />
e desencadear acções correctoras<br />
do que tentar estabelecer uma<br />
extensa tabulação de critérios de<br />
qualidade<br />
PERSPECTIVAS<br />
NO CONTEXTO PORTUGU~S<br />
Apresentação de<br />
um modelo acessível<br />
Tendo em conta o conjunto de pressupostos<br />
atrás descritos, que perspectivas<br />
existem actualmente nos hospitais<br />
portugueses no que respeita ao lançamento<br />
de programas de garantia de<br />
qualidade?<br />
Sem excessivo optimismo, creio que<br />
existem os instrumentos potenciais necessários,<br />
como procurei demonstrar<br />
com a apresentação de um modelo<br />
acessível e imediatamente exequível na<br />
maior parte dos nossos hospitais.<br />
Antes porém é indispensável referir o<br />
seguinte: não existe o método definitivo<br />
para a garantia da qualidade de cuidados;<br />
a avaliação de métodos alternativos<br />
não está feita, pelo que não há grande<br />
consenso acerca do método ou conjunto<br />
de métodos óptimo. Dado o actual<br />
estado de situação é imperativo desenvolver<br />
a garantia de qualidade numa via<br />
evolutiva, mantendo em aberto todas as<br />
opções e a experimentação sob várias<br />
formas.<br />
Uma das vias que se afigura particularmente<br />
interessante é a que resulta de<br />
uma aplicação específica e sectorizada<br />
do sistema baseado em índices negativos;<br />
trata-se da adaptação do ·método<br />
de avaliação de qualidade, baseado no<br />
estudo dos acontecimentos sentinela,<br />
proposto em 1976 por Rutstein e seus<br />
colaboradores.<br />
De forma sintética e genérica pode ser<br />
definido como um método de observação<br />
sistemática através do resumo dos<br />
dossiers clínicos automatizados, dos<br />
casos de doença desnecessária, incapacidade<br />
desnecessária e mortes evitáveis;<br />
a sua ocorrência é um acontecimento<br />
sentinela, um sinal de aviso de<br />
que a qualidade de cuidados necessita<br />
de ser melhorada.<br />
O que, em primeiro lugar, aqui se propõe<br />
é a particularização deste método<br />
relativa aos casos de mortes desnecessárias,<br />
verificados em meio hospitalar,<br />
por se tratar de situações imediatamente<br />
objectiváveis e quantificáveis e que<br />
deverão constituir o primeiro passo para<br />
a implantação da globalidade do sistema.<br />
Informação disponível<br />
- minimum basic data set<br />
A abordagem é particularmente estimulante<br />
porque implica a recolha sistemática<br />
de um mínimo de dados relativos<br />
à morbilidade e mortalidade, efectivamente<br />
realizável em todos os hospitais.<br />
Utilizei como campo de observação<br />
(Quadro 1) para elaboração desta proposta<br />
um conjunto de 1 O hospitais centrais,<br />
distritais e novos distritais com uma<br />
lotação global de 4238 camas, de entre<br />
os 1 9 hospitais gerais e especializados<br />
que utilizam actualmente a mesma aplicação<br />
de resumo clínico ou dossier de<br />
base, informatizado, e que permite tratar<br />
de forma agrupada cerca de 200 000<br />
altas por ano, contendo para além de<br />
todos os dados de movimento, informação<br />
da epidemiologia hospitalar.<br />
Este dossier de base têm um carácter<br />
longitudinal por hospitalização e constitui<br />
a síntese lógica de dados médi.cos e<br />
administrativos, que dizem respeito ao<br />
doente; regista e trata o conjunto dos<br />
13 dados que constituem o Minimum<br />
Basic Data Set recomendado pelo grupo<br />
de informação biomédica da CEE-BM3<br />
para os hospitais de países membros.<br />
QUADRO 1<br />
Fig. 2<br />
MINIMUM BASIC DATA SET<br />
1. IDENTIFICAÇÃO DO HOSPITAL<br />
2. NÚMERO DO DOENTE<br />
3. SEXO<br />
4. IDADE<br />
5. ESTADO CIVIL<br />
6. RESID~NCIA<br />
7. DATA DE ADMISSÃO<br />
8. DURAÇÃO DA ESTADA<br />
9. ESTADO A SAÍDA<br />
1 O. DIAGNÓSTICO PRINCIPAL<br />
11 . OUTROS DIAGNÓSTICOS<br />
12. INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS<br />
E OBSTÉTRICAS<br />
13. OUTROS .ACTOS SIGNIFICATIVOS<br />
DADOS DE MOVIMENTOS DOS HOSPITAIS OBSERVADOS<br />
(1984)<br />
HOSPITAIS<br />
LOTAÇÃO<br />
HC1 11 56<br />
HC2 621<br />
HC3 877<br />
HD1 198<br />
HD2 393<br />
HD3 168<br />
HD4 208<br />
HD5 327<br />
HD (ex. cone.) 1 88<br />
HD (ex. cone.) 2 111<br />
HD (ex. cone.) 3 91<br />
Total 4238<br />
Fonte: Aplicação de Estatística de Movimento de Doentes<br />
(a) Dados relativos ao 1." Semestre<br />
DOENTES SAIOOS<br />
12143(aJ<br />
<strong>15</strong>403<br />
14104<br />
3067<br />
10902<br />
6716<br />
6360<br />
8218<br />
714<br />
1474<br />
1914<br />
820<strong>15</strong><br />
QUADRO li<br />
QUANTIFICAÇÃO DE RESULTADOS A SAÍDA<br />
(1984)<br />
Observando o conjunto de parâmetros<br />
que procuram caracterizar o resultado<br />
à saída e que constam do quadro<br />
li, podemos seleccionar a nível de cada<br />
hospital todos os casos de mortalidade<br />
(Quadro Ili) e focalizar uma área-problema<br />
de dimensões reduzidas - não<br />
superior a 5% das altas nos hospitais<br />
centrais e distritais - , mas que possibilita<br />
a detecção e correcção de graves deficiências.<br />
Estabelecimento de critérios<br />
~ então o momento de assegurar<br />
outro requisito prévio à garantia de qualidade<br />
- o estabelecimento de critérios<br />
objectivos.<br />
Muitos esforços para medir a qualidade<br />
podem falhar devido à dificuldade<br />
insuperável em estabelecer standards<br />
que permitam m~dir gradações de sentido<br />
positivo no estado de saúde. Não<br />
são facilmente definíveis quantitativamente<br />
«bons cuidados .., «maus cuidados"<br />
ou «Cuidados médios».<br />
Procurando suplantar esta dificuldade<br />
e evitar uma moratória nas actividades<br />
de garantia de qualidade, até que possam<br />
ser fixados instrumentos de medida,<br />
é proposto por este método o estabelecimento<br />
de índices negativos de<br />
saúde.<br />
Na formulação específica e restrita à<br />
mortalidade do método dos acontecimentos-sentinela,<br />
a ocorrência de uma<br />
morte considecada (por referência aos<br />
índices), como evitável justifica a pergunta.<br />
«Por que é que isto aconteceu?»<br />
Os mapas de diagnóstico por resultado<br />
disponíveis em grande número de<br />
hospitais e resultantes da aplicação<br />
informática de «Estatística do Movimento<br />
de Doentes» ilustram a exequibilidade de<br />
aplicação imediata deste método, ao<br />
nível hospitalar, o que, aliás, é, numa pri-<br />
.<br />
Saídos c .. ados "fo Melholado "fo Mesmo o/o Piorado<br />
,.,<br />
lndetenni·<br />
,.,<br />
Fll.c/IUl. % Fll. si IUl. %<br />
Estado<br />
.<br />
HOSPITAIS DOENTES RESULTADO À SA(DA<br />
HHCC 42650 18574 43.5 18928 44.4 3003 7.0 371 0.9 444 1.0 179 0.4 1<strong>15</strong>1 2.7<br />
HHDD 35263 12488 35.4 19409 55.0 1722 4.9 303 0.9 4 o.o 80 0.2 1257 3.6<br />
HHCC(ex. cone.) 4102 728 17.7 2463 60.0 254 6.2 392 9.6 3 0.1 4 0.1 258 6.2<br />
Fonte: Aplicação de Estatística de Movimento de Doentes<br />
36<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong> 37
DESENVOLVIMENTO<br />
DA GARANTIA DE QUALIDADE<br />
~<br />
meira etapa, muito linear.<br />
Variáveis organizacionais<br />
Verificado o acontecimento que, normalmente,<br />
não deveria produzir-se,<br />
entram em funcionamento mecanismos<br />
de pesquisa para a detecção das causas<br />
subjacentes.<br />
Os únicos dados disponíveis consistentes<br />
para a avaliação são os constantes<br />
do processo clínico. Hoje em dia só<br />
o resultado imediato, no momento da<br />
alta, pode ser tomado em conta; não há<br />
nenhum sistema prático que possibilite<br />
trazer de novo ao processo clínico<br />
dados relativos a situações pós-alta, isto<br />
é, dados que permitam medir o resulta<br />
·do, definido como o estado e a evolução<br />
do doente após a prestação de cuidados.<br />
Pode haver plena concordância em<br />
considerar que os resultados são mais<br />
importantes de avaliar do que as actividades<br />
médicas, mas o desenvolvimento<br />
de critérios para medir os resultados<br />
parece ser ainda mais difícil.<br />
Daí que a importância que o dossier<br />
clínico assume enquanto reflexo e descrição<br />
da prática médica.<br />
Mesmo na sua forma de organização<br />
tradicional - organização dos dados em<br />
função das disciplinas médicas e<br />
segundo a origem - o dossier clínico<br />
contém as informações cruciais necessárias<br />
à identificação dos factores pessoais,<br />
sociais, ambientais, genéticos,<br />
científicos ou médicos, eventualmente<br />
QUADRO Ili<br />
FALECIMENTOS POR HOSPITAL<br />
(1984)<br />
1111111111111111<br />
1111111111111111<br />
111111111111011<br />
1111111111111111<br />
1111111111 111111<br />
responsáveis pela verificação de um<br />
acontecimento-sentinela (interrogatório<br />
do ·doente, dados de exame clínico,<br />
hipóteses de diagnóstico e planos de<br />
trabalho, resultados de exames complementares,<br />
tratamento, evolução e conclusão<br />
em relatório de referência médica).<br />
Todas as circunstâncias serão então<br />
revistas e avaliadas pelos membros do<br />
corpo clínico. Aliás, entre nós, é um procedimento<br />
previsto no Dec. Reg. 30/77,<br />
de 3 de Maio, sob a forma de competência<br />
consultiva atribuída ao Conselho<br />
Médico e,' fundamentalmente, esta actividade<br />
constitui matéria específica da<br />
competência da Direcção de Serviço a<br />
este nível e da Direcção Médica a nível<br />
de todo o hospital, com o apoio técnico<br />
da Comissão de Avaliação.<br />
A existência de Departamento de<br />
Dossiers Clínicos, de profissionais especializados<br />
- os analistas de dossiers de<br />
saúde (AOS), a redução dos dados a<br />
parâmetros característicos representativos<br />
de todas as informações clínicas<br />
pertinentes e a sua automatização, são<br />
variáveis organizacionais que tornariam<br />
HOSPITAIS DOENTES SAIDOS RESULTADO A SAIDA<br />
Falecidos e/ aut.<br />
HC1 12143 (8) 38<br />
HC2 16403 113<br />
HC3 14104 28<br />
HD1 3067 1<br />
HD2 10902 49<br />
HD3 6716 4<br />
HD4 6360 13<br />
HD5 8218 13<br />
% Fal.s/aut.<br />
0.3 197<br />
0.7 341<br />
0.2 613<br />
o.o 37<br />
0.4 237<br />
O.O 247<br />
0.2 279<br />
0.1 377<br />
% Total %<br />
1.6 235 1.9<br />
2. 1 454 2.8<br />
4.3 641 4.5<br />
1.2 38 1.2<br />
2.2 286 2.6<br />
3.7 251 3.7<br />
4.4 292 4.6<br />
4.6 390 4.7<br />
mais simples e objectivo o estudo destes<br />
acontecimentos.<br />
No entanto, no actual estado da situação<br />
o que se afigura como mínimo<br />
imprescindível é a existência de dossier<br />
clínico completo, sintético e convenientemente<br />
estruturado, que o mesmo é<br />
dizer suficientemente detalhado e bem<br />
organizado.<br />
A cadeia de responsabilidade para<br />
prevenir a ocorrência de uma morte desnecessária<br />
é longa e complexa, dependente<br />
de uma multiplicidade de factores,<br />
muitos deles exteriores aos serviços de<br />
saúde, e a quebra de um simples elo<br />
pode precipitar o acontecimento indesejável;<br />
no entanto, isso não impede que,<br />
da parte destes, não exista uma atitude<br />
de monitorização sistemática da qualidade<br />
de cuidados e a adopção de medidas<br />
correctoras relevantes para a sua<br />
prevenção, designadamente de natureza<br />
educativa e organizacional.<br />
Vantagens deste modelo<br />
Um sistema de garantia de qualidade,<br />
qualquer que seja a forma que ele revista,<br />
deve estar adaptado aos aspectos<br />
formais e informais da organização do<br />
hospital em concreto; é neste sentido<br />
que esta particularização do método do<br />
estudo dos acontecimentos-sentinela,<br />
parece oferecer algumas vantagens:<br />
a) pode ser implantado sem modificações<br />
na estrutura organizativa;<br />
b) utiliza, sem alterações, o sistema de<br />
informação já existente na área da<br />
gestão do doente;<br />
c) é de grande simplicidade de execução;<br />
d) tem custo reduzido;<br />
e) é de natureza evolutiva e modular;<br />
f) representa, por oposição a um controlo<br />
externo e normativo, um autocontrolo<br />
ou avaliação interna, logo<br />
mais facilmente aceitável.<br />
O método apresentado constitui apenas<br />
uma de entre as múltiplas possíveis<br />
componentes que um programa de garantia<br />
de qualidade envolve. Ainda que<br />
não operacionalmente experimentado,<br />
nem avaliado, pretende ser um pequeno<br />
passo em frente no desenvolvimento de<br />
esquemas de controlo de qualidade de<br />
cuidados.<br />
E a qualidade elevada não é acidental,<br />
só pode ser garantida se estiverem, em<br />
funcionamento sistemático, mecanismos<br />
de controlo.<br />
Nesta medida, se houver um corpo de<br />
profissionais responsáveis e uma gestão<br />
competente, o hospital sentirá a necessidade<br />
de implementar programas de<br />
garantia de qualidade, conceptualizados<br />
como atitude de avaliação e de alteração<br />
de comportamentos, em direcção a<br />
novos níveis de qualidade.<br />
A grande variedade de modelos, complexidade<br />
de muitos deles e a utilização<br />
ainda restrita, coloca a garantia de qualidade<br />
em estado instável. No futuro,<br />
poderá vir a ser um outro ornamento<br />
burocrático ou uma estimulante força de<br />
mudança,<br />
BIBLIOGRAFIA<br />
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hospital organization, World Hospitais, vol.<br />
XXI, n. 0 1, pp. 35-36. Fevereiro 1985<br />
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J. Med. , pp. 366-368, Fevereiro 19<strong>15</strong>.<br />
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21 pp. <strong>15</strong>05-<strong>15</strong>11, Dezembro 1916.<br />
MELLIERE, O., Les contrôles de la qualité des<br />
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NOBREGA, F., Quality Assessment in Hypertension:<br />
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Methods, N. Eng. J. Med, vol. 296 n. º 3, 145-<br />
-148, Janeiro 1911.<br />
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North Holland, Amesterdam 1982.<br />
RUTSTEIN, O. et ai., Measuring the Quality<br />
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SLEE, V. , PSRO and The Hospitais Quality<br />
Control, Annals of Internai Medicine, vol. 8 1<br />
n. º 1, Julho 1914. O<br />
,_<br />
... .,,,.<br />
.....<br />
..... 1<br />
-,<br />
'<br />
HD (ex. cone.) 1 714 -<br />
- 97<br />
13.6 97 13.6<br />
CONSIDERAÇÕES FINAIS<br />
HD (ex. cone.) 2 1474 4<br />
HD (ex. cone.) 3 1914 -<br />
Fonte: Aplicação de Estatística de Movimento de Doentes<br />
(a) Dados relativos ao 1. 0 semestre<br />
0.2 104<br />
- 57<br />
7.1 108 7.3<br />
3.0 57 3.0<br />
O hospital tem, à face do direito natural<br />
, um contrato com a comunidade,<br />
através do qual se obriga a prestar a<br />
melhor qualidade de cuidados a todos<br />
os doentes e a todo o tempo.<br />
m<br />
o<br />
1<br />
I<br />
(.'.)<br />
38<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
39
A UNIDADE DE<br />
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Profissionalização poupa dinheiro<br />
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o<br />
O conceito de cuidados intensivos foi<br />
criado há cerca de 30 anos durante a<br />
epidemia de poliomielite que alastrou na<br />
Europa (1950). A unidade de cuidados<br />
intensivos (UCI) era então, como ainda<br />
hoje é, uma enfermaria onde eram agrupados<br />
os doentes mais graves para<br />
serem submetidos a tratamentos altamente<br />
especializados.<br />
Contudo, nestas décadas de evolução,<br />
o conceito de UCI sofreu algumas<br />
alterações fundamentais. Em primeiro<br />
lugar, a UCI transformou-se numa unidade<br />
hospitalar distinta, especialmente<br />
construída, para permitir a utilização de<br />
tecnologia ultramoderna e para respeitar<br />
a execução de protocolos exaustivos<br />
(controle de infecções, etc.) exigídos por<br />
entidades diversas. Em segundo lugar,<br />
os doentes admitidos para tratamento<br />
deixaram de ser exclusivamente aqueles<br />
sofrendo de insuficiência respiratória<br />
aguda ou insuficiência neuro-muscular<br />
para abranger todas as situações clínicas<br />
que representam uma ameaça para<br />
a vida. Os critérios de admissão também<br />
mudaram, estendendo-se hoje a muitos<br />
doentes com prognóstico duvidoso, ou<br />
mesmo com prognóstico seguramente<br />
infausto. Por outro lado, a existência de<br />
camas disponíveis encoraja a admissão<br />
de doentes para os quais a UCI não<br />
representa uma necessidade absoluta.<br />
* Director da UCI<br />
Leitor de Cuidados Intensivos<br />
Universidade de Groningen<br />
Holanda<br />
Em terceiro e último lugar, os custos de<br />
gestão da UCI aumentaram de tal<br />
maneira que ela se transformou, logo a<br />
seguir à sala de operações, na unidade<br />
clínica mais cara de qualquer hospital<br />
moderno.<br />
É hoje geralmente aceite que cerca de<br />
20% do orçamento hospitalar é gasto na<br />
gestão da UCI , muito embora somente<br />
cerca de 5% dos doentes hospitalizados<br />
beneficiem desta unidade durante um<br />
determinado período da sua hospitalização.<br />
Para além ·disso, considerando a<br />
mortalidade média na UCI superior a<br />
20%, são necessários investimentos<br />
importantes para produzir um sobrevivente.<br />
Esta súbita escalada nos custos da<br />
UCI não passou despercebida, transformando-se<br />
numa das maiores preocupações<br />
das autoridades hospitalares. Não<br />
só por causa do seu volume, mas porque<br />
parte dos recursos envolvidos poderiam<br />
ser adjudicados para outros programas<br />
de ·saúde eventualmente mais<br />
benéficos.<br />
Compete aqui dizer que este problema<br />
não se circunscreve unicamente<br />
à UCI, e que"as autoridades hospitalares .<br />
se debatem com situações semelhantes<br />
no que respeita a outras tecnologias inovadoras<br />
- cirurgia cardíaca, transplantes<br />
de órgãos; etc.<br />
Esta problemática foi recentemente<br />
analisada e discutida por intensivistas,<br />
economistas e outros profissionais<br />
durante um simpos10 "The ICU: A<br />
Cost-Benefit Analysis» - realizado em<br />
Groningen, na Holanda. Este simpósio<br />
propunha-se analisar as indicações e<br />
necessidades de cuidados intensivos<br />
num hospital moderno, indicar técnicas<br />
apropriadas para a identificação dos<br />
benefícios resultantes, e analisar o futuro<br />
para que tende a medicina de cuidados<br />
intensivos, à luz da crescente escassez<br />
de recursos financeiros.<br />
Para além do seu conteúdo, a novidade<br />
deste simpósio esteve também no<br />
reconhecimento de que qualquer solução<br />
para estes problemas tem de ser<br />
encontrada num consenso multidisciplinar.<br />
Tornou-se evidente que o futuro da<br />
UCI dependerá de cinco princípios fundamentais:<br />
1 . Os cuidados de saúde dispõem de<br />
recursos financeiros limitados; paralelamente,<br />
novas técnicas e terapêuticas<br />
serão continuamente introduzidas na<br />
prática clínica, oferecendo benefícios<br />
mensuráveis a diversos clientes potenciais,<br />
e concorrendo inevitavelmente<br />
para a exaustão dos recursos disponíveis.<br />
Consequentemente, o uso inapropriado<br />
da UCI deve ser evitado, não só<br />
por razões de economia directa, mas<br />
também para libertar recursos que<br />
poderão ser utilizados por outros doentes.<br />
O uso apropriado da UCI exige a<br />
existência de um critério de admissão<br />
racional, e uma gestão profissional da<br />
unidade, por forma a ser possível estabelecer<br />
uma relação mensurável entre o<br />
40<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
41
A UNIDADE DE<br />
CUIDADOS INTENSIVOS<br />
capital investido e o resultado obtido.<br />
2. A ausência de coordenação central<br />
em combinação com a inexistência de<br />
manuais de utilização das unidades<br />
estão na origem duma expansão incontrolada<br />
de UCls. Todo e qualquer hospital<br />
se sente na legítima obrigação de<br />
facultar a utilização de UCls, de modo<br />
a servir necessidades multidisciplinares<br />
diversas. As camas serão ocupadas, de<br />
uma forma ou de outra, eventualmente<br />
através de critérios locais para admissão<br />
de doentes, gerando-se não só a justificação<br />
de um investimento como também<br />
a necessidade de mais UCls.<br />
É necessário definir os objectivos dos<br />
serviços de saúde hospitalar a nível.<br />
nacional, regional e local, particularmente<br />
no que respeita às implicações e<br />
organização de serviços de medicina<br />
intensiva. Neste planeamento haverá<br />
não só que atender à procura actual<br />
destes serviços, mas também prever os<br />
acréscimos de utilização gerados pela<br />
expansão de inovações terapêuticas. As<br />
necessidades devem ser analisadas e<br />
definidas dentro de cada região, resultando<br />
na distribuição equilibrada dos<br />
recursos fin~mceiros . Da mesma forma<br />
que para outras especialidades médicas<br />
(cirurgia torácica, neurocirurgia, etc.), as<br />
UCls devem ser planeadas de acordo<br />
com as necessidades regionais e locais.<br />
Tornou-se evidente a urgência de<br />
identificar os grupos de doentes que<br />
beneficiam com a admissão em UCls,<br />
isto é, aqueles cujo prognóstico seria<br />
posto em risco caso não fossem admitidos<br />
na UCI. Os benefícios oferecidos<br />
a estes grupos de doentes também têm<br />
de ser analisados, uma vez que a qualidade<br />
de vida proporcionada pode ter<br />
um valor diferente do da simples sobrevivência.<br />
3. A utilização das instalações existentes<br />
deve ser aproveitada ao máximo.<br />
Excluíndo aqueles doentes que poderiam<br />
ser tratados a um nível inferior de<br />
cuidados (menos pessoal), menos equipamento,<br />
etc.), reduzem-se os custos,<br />
ao mesmo tempo que se aumenta a<br />
capacidade de admissão da unidade.<br />
Um número excessivo de camas encontra-se<br />
frequentemente ocupado por<br />
doentes que já não necessitam de cuidados<br />
intensivos, mas que ainda não se<br />
encontram em condições de transferência<br />
para a enfermaria normal. Assim muitas<br />
camas se encontram vazias, durante<br />
inúmeras horas, todos os dias, aguardando<br />
os doentes que regressam das<br />
salas de operações. Casos pós-operatórios<br />
simples são frequentemente admitidos<br />
na UCI, pelo facto de esta ter<br />
camas vagas; geralmente isto acontece<br />
nas mesmas instituições onde seria<br />
impensável utilizar blocos operatórios<br />
especializados para intervenções de<br />
pequena cirurgia. Estes exemplos' representam<br />
situações nas quais instalações<br />
muito despendiosas, e destinadas à execução<br />
de alta tecnologia, podem ser utilizadas<br />
de forma ineficiente; em muitas<br />
instituições, a utilização defeituosa da<br />
capacidade anual da UCI é superior a<br />
50%.<br />
A implementação de «Cuidados progressivos,,<br />
poderá ser a solução adequada<br />
para estes problemas, adaptando<br />
a organização e a estrutura de unidades<br />
especiais às necessidades dos doentes.<br />
Refiro-me à criação de unidades, como<br />
por exemplo, de cuidados médicos, lembrando<br />
ainda que a utilização total das<br />
instalações existentes (como, por exemplo,<br />
a ·sala de recobro) poderá oferecer<br />
solução adequada para muitos doentes,<br />
requerendo cuidados intensivos de curta<br />
duração (cirurgia cardíaca, etc.).<br />
4. O estabelecimento de prioridades<br />
futuras e de regras gerais de utilização<br />
não é possível, nem desejável, através<br />
de uma óptica exclusivamente médica.<br />
Os esforços e o conhecimento especializado<br />
de muitos outros profissionais é<br />
imprescindível (economistas, administradores,<br />
etc.), sem contar com o direito<br />
que a sociedade tem em saber onde, e<br />
como é, que os recursos financeiros são<br />
despendidos, e quais os benefícios que<br />
daí advêm. O planeamento de saúde e<br />
a gestão hospitalar têm sido tradicionalmente<br />
caracterizados por uma falta de<br />
coordenação entre as diversas disciplinas<br />
envolvidas nas áreas de decisão, as<br />
quais têm frequentemente preferido<br />
reforçar posições e pontos de vista profissionais,<br />
esquecendo os interesses<br />
gerais da colectividade. Ao nível hospitalar,<br />
o conceito de actividade multidisciplinar<br />
deve não só ser aplicado às acções<br />
médicas, como também à gestão e ao<br />
funcionamento das instalações.<br />
5. Muitos países ainda não reconheceram<br />
a Medicina de Cuidados Intensivos<br />
como uma especialidade independente.<br />
Isto tem resultado na situação<br />
paradoxal em que o serviço onde os<br />
doentes mais graves do hospital recebem<br />
tratamento continuamente 24 horas<br />
por dia não funcionarem sob a responsabilidade<br />
directa de profissionais especialmente<br />
treinados e trabalhando em<br />
tempo integral. A necessidade de profissionalização<br />
foi entretanto sentida por<br />
outros grupos, como, por exemplo, a<br />
enfermagem. Razões para este fenómeno<br />
variam de país para país, mas o<br />
motivo mais comum assenta sobretudo<br />
em reacções emocionais de especialidades<br />
estabelecidas, temendo um ataque<br />
às suas áreas de competência do que<br />
' numa análise racional da evolução da<br />
medicina moderna. Este problema não<br />
é novo, e repetiu-se sempre que uma<br />
nova actividade médica reclamou independência<br />
(anestesia, cardiologia, ortopedia,<br />
etc.). A verdade é que a ausência<br />
de representação profissional adequada<br />
na UCI precipitou a expansão incontrolada<br />
das unidades, proporcionou a indefinição<br />
de objectivos, e foi responsável<br />
pelo mau funcionamento de muitas<br />
UCls.<br />
Na altura em que um melhoramento<br />
da capacidade de gestão é mandatário<br />
para o aproveitamento mais eficiente das<br />
unidades existentes, e para um adequado<br />
planeamento a nível nacional,<br />
regional e local, o baixo nível de profissionalização<br />
da UCI torna-se num obstáculo<br />
muito grave. Não só faltam elementos<br />
importantes de informação, nos<br />
quais se devem basear muitas decisões,<br />
como também as autoridades hospitalares<br />
tem dificuldade em encontrar o<br />
grupo profissional com o qual possam<br />
discutir, implementar e controlar os programas<br />
de acção. Na ausência do intensivista,<br />
o grupo multidisciplinar que<br />
deverá ocupar-se do futuro dos cuidados<br />
intensivos na política hospitalar<br />
encontra-se incompleto e não pode funcionar<br />
eficientemente.<br />
D<br />
NOTA - A maior parte deste artigo foi publicada<br />
na revista lntensive Gare World 3,2:39-<br />
-40, <strong>1986</strong>, e é aqui traduzida com permissão<br />
do Editor.<br />
DA RESPONSABILIDADE<br />
DOS ÓRGÃOS DE TUTELA<br />
POR SANTOS CARDOSO*<br />
Falar do direito à saúde abrange a<br />
conotação com o direito à vida, cuja<br />
consagração ninguém põe em dúvida.<br />
Referir o direito à protecção da saúde,<br />
com âmbito· mais restrito, significa que<br />
a prestação de cuidados satisfaz necessidades<br />
que para além de serem sentidas<br />
individualmente flo seu sentido<br />
genérico, são também consideradas<br />
pela sociedade como devendo ser satisfeitas.<br />
Com clara aceitação no texto constitucional<br />
e restantes leis em vigor no<br />
nosso país, compete ao Estado a promoção<br />
directa da prestação de cuidados<br />
de saúde, garantindo a sua provisão,<br />
tutelando-a e regulamentando-a.<br />
Não pretendemos levantar aqui a discussão<br />
se o comprometimento do<br />
Estado na área da saúde deve ser progressivo<br />
ou regressivo. É uma realidade<br />
com direito constituído, e não nos competirá<br />
neste local e neste momento<br />
questionar razões do Estado de Direito,<br />
que de certo todos acatamos, tal como<br />
o mesmo Estado de Direito deve garantir<br />
a possibilidade de existência do sector<br />
privado da saúde.<br />
Neste contexto legal compete à administração<br />
pública em conceito amplo<br />
assegurar a existência e funcionamento<br />
de serviços públicos prestadores de cuidados<br />
de saúde, e é nessa área, .pelo<br />
menos como base, que todos nós situamos<br />
ou devemos situar as nossas actividades<br />
profissionais.<br />
Temos, pois, que somos profissionais<br />
em serviços públicos prestadores de<br />
cuidados, ou serviços produtores de<br />
serviços. A questão que nos parece pertinente<br />
levantar é se os serviços de saúde,<br />
quer se situem no sector de cuidados<br />
primários, quer no sector de cuidados<br />
diferenciados, embora aceitando<br />
que se integram no conceito amplo de<br />
administração pública, têm ou não<br />
características específicas, exigindo uma<br />
organização diferente das restantes<br />
" Administrador <strong>Hospitalar</strong><br />
áreas da administração estatal, com<br />
consequentes formas adequadas à sua<br />
gestão e do próprio estatuto dos seus<br />
trabalhadores.<br />
Por outras palavras, o que pretendemos<br />
propor à discussão é se a orgânica<br />
dos vários escalões do Ministério da<br />
Saúde pode ser igual ou idêntica à de<br />
qualquer outro ministério:<br />
- As leis em vigor estabelecem uma<br />
organização diferente?<br />
- As leis em vigor são adequadas à<br />
especificidade dos serviços prestadores<br />
de cuidados?<br />
- O papel do Ministério da Saúde e<br />
dos vários órgãos de tutela deve ser<br />
igual ao dos restantes ministérios?<br />
- Os critérios de gestão dos serviços<br />
de saúde devem ser idênticos a outros<br />
serviços estatais?<br />
- As normas regulamenta do trabalho<br />
de saúde podem ser iguais às do funcionalismo<br />
público em geral, desde a formação<br />
base, ao recrutamento, à formação<br />
contínua, passando pelo estatuto<br />
remuneratório até à avaliação dos resultados<br />
conseguidos?<br />
A intervenção do Governo na administração<br />
da saúde é fundamentada no<br />
texto constitucional, o qual em modos<br />
idênticos a todos os ministérios .estabelece<br />
que "º Governo é o órgão de condução<br />
política geral do País e o órgão<br />
superior da administração pública»<br />
(art.º 185.º). No que concerne ao Ministério<br />
da Saúde; a Lei do Serviço Nacional<br />
de Saúde (Lei n.º 56/79, de <strong>15</strong> de<br />
Setembro, art.º 3. 0 n.º 1) dispõe que<br />
«Compete ao Governo a definição e a<br />
coordenação global da política de saúde».<br />
A Lei do Serviço Nacional de Saúde,<br />
quer concordemos ou não com ela, .dá<br />
forma ao preceito constitucional<br />
(art.º 64.º) que prevê a sua organização<br />
como serviço nacional, isto é, válido para<br />
todo o território, universal, ou seja, dirigido<br />
a todos os cidadãos, e geral, abrangendo<br />
portanto todos os cuidados de<br />
saúde, sem prejuízo da possibilidade de<br />
existirem organizações privadas de prestação<br />
de cuidados.<br />
Pela mesma Lei, o Serviço Nacional<br />
de Saúde é dotado de autonomia administrativa<br />
e financeira, devendo ser estruturado<br />
como rede de órgãos e serviços<br />
prestadores de cuidados, actuando de<br />
forma articulada e com gestão descentralizada,<br />
sem prejuízo da direcção unificada.<br />
Como órgãos centrais, o Serviço<br />
Nacional de Saúde deve dispor de um<br />
conselho nacional de saúde e da administração<br />
central de saúde, que nunca<br />
foram instituídos.<br />
A primeira constatação que podemos<br />
obter é a de que, nos termos legais, o<br />
Serviço Nacional de Saúde embora funcione<br />
no âmbito do Ministério da Saúde<br />
foi dele organicamente separado, ao<br />
contrário do que a lei anterior previa, pois<br />
pela legislação de 1971 (Decreto-Lei<br />
n.º 413/71, de 27 de Setembro) competia<br />
ao ministro não só dirigir a política<br />
de saúde, como ainda promover a sua<br />
execução e assegurar o funcionamento<br />
dos serviços.<br />
Só que, não tendo ainda sido estruturada<br />
a Administração Central de Saúde,<br />
nem o Conselho Nacional de Saúde<br />
como órgão de consulta, a prática actual<br />
vem mantendo a ligação hierárquica<br />
directa entre o ministro e os órgãos e<br />
serviços já instituídos, continuando a<br />
depender do gabinete ministerial de simples<br />
gestão dos serviços, sem a necessária<br />
repartição decisões de competências,<br />
e, o que quanto a nós é mais grave,<br />
sem a possibilidade de repartição e atribuição<br />
de responsabilidades.<br />
No que se refere ao nível regional<br />
foram criadas as administrações regionais<br />
de saúde. A lei do Serviço Nacional<br />
de Saúde (art.º 64.º) previa que se<br />
deviam manter em funcionamento as<br />
administrações distritais criadas pelo<br />
Decreto-Lei n.º 488/75, de 4 de Setembro,<br />
com âmbito distrital enquanto essa<br />
área de jurisdição não fosse revista com<br />
a criação das regiões de saúde. Como<br />
se sabe, as administrações distritais,<br />
....<br />
42<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
43
ÓRGÃOS DE TUTELA<br />
dotadas de autonomia administrativa,<br />
eram responsáveis não só pela área dos<br />
cuidados primários como pela área dos<br />
cuidados diferenciados.<br />
O Decreto-Lei n. º 254/82, de 29 de<br />
Junho, substituiu as administrações distritais<br />
por administrações regionais,<br />
mantendo o âmbito distrital, mas retirando-lhes<br />
a área de cuidados diferenciados<br />
ou hospitalares. Sucedeu que por<br />
Acordão do Tribunal Constitucional de<br />
11. de Abril de 1984 (Diário da República,<br />
li Série, de 5.5.84), foi declarada a<br />
inconstitucionalidade do seu artigo 1 7. º,<br />
o qual revogava a Lei do Serviço Nacional<br />
de Saúde desde o art.º 18.º ao<br />
art.º 65, ou seja, toda a parte organizativa<br />
que incluía portanto a manutenção<br />
das anteriores administrações distritais.<br />
Na prática, tem continuado em vigor·<br />
o estipulado no Decreto-lei n. 0 254/82<br />
quanto às administrações regionais de<br />
saúde, com os hospitais fora da sua<br />
alçada, abrangendo somente os centros<br />
de saúde. Estes são serviços prestadores<br />
de cuidados de saúde primários,<br />
deveriam depender das administrações<br />
regionais, mas sem prejuízo da autonomia<br />
que lhes fosse fixada, conforme o<br />
art.º 42.º da Lei do Serviço Nacional de<br />
Saúde, reposto em vigor pelo citado<br />
acordão do Tribunal Constitucional.<br />
Como subsiste na prática o Decreto<br />
-Lei n.º 254/82, aquela retira aos centros<br />
de saúde toda a autonomia de gestão,<br />
transferindo para as administrações<br />
regionais todos os bens, direitos e valores<br />
patrimoniais, assim como o direito<br />
de cobrança de receitas e pagamento<br />
de despesas.<br />
Quanto aos hospitais, estes dispõem<br />
nos textos legais de autonomia administrativa<br />
e financeira (Decreto-Lei n.º 129/<br />
177, de 2 de Abril, e Decreto Regulamentar<br />
n.º 30177, de 20 de Maio), autonomia<br />
essa que tem vindo a ser sucessivamente<br />
suspensa pelas leis que aprovaram<br />
os orçamentos do Estado.<br />
Para coordenar a actividade hospitalar<br />
ainda sobrevivem as comissões inter<br />
-hospitalares, mas sem programas de<br />
acção conhecidos, tal como se desconhecem<br />
as áreas geográficas de responsabilidade<br />
dois hospitais distritais.<br />
Quando o n.º 4 do art.º 64.º da Constituição,<br />
estabelece que «O serviço<br />
nacional de saúde tem gestão descentralizada<br />
e participada», que realidade<br />
temos?<br />
Que descentralização e participação é<br />
po.ssível exigir no autêntico emaranhado<br />
legal em vigor?<br />
Que coordenação é possível estabelecer<br />
entre cuidados primários e diferenciados?<br />
Qual a vantagem deste estado de coisas?<br />
Há cerca de dez anos os propnos<br />
administradores hospitalares norte-americanos<br />
ainda recusavam tudo o que era<br />
rotulado de gestão: nós somos pessoal<br />
hospitalar, não somos homens de negócios,<br />
diziam eles.<br />
Nas universidades, os docentes ainda<br />
hoje dizem o mesmo, embora simultaneamente<br />
se queixem de a sua instituição<br />
ser mal gerida.<br />
A saúde não tem preço, mas os serviços<br />
que visam promovê-la e defendê-la<br />
devem necessariamente ter um orçamento,<br />
e todos os países ditos ricos ou<br />
pobres acabam por definir os limites dos<br />
recursos disponíveis e considerar o<br />
imperativo de procurar optimizar a relação<br />
custos/benefícios.<br />
Cremos que no nosso país os serviços<br />
·prestadores de cuidados ainda continuam<br />
mais interessados em maximizar<br />
do que- em optimizar, e o «êxito» ainda<br />
se define pela obtenção de um orçamento<br />
maior em vez de ser pela obtenção<br />
de resultados.<br />
Mas a orientação quanto a nós necessária<br />
de optimizar a relação custos/<br />
/benefícios tem de atender à especificidade<br />
muito própria de nos serviços de<br />
saúde serem os próprios prestadores de<br />
cuidados que têm de decidir grande<br />
parte das despesas, ou seja, ao nível<br />
operacional.<br />
Se compararmos essa realidade com<br />
as regras da administração pública propriamente<br />
dita, as quais subordinam o<br />
complicado controle burocrático a autorização<br />
de todos os gastos, teremos de<br />
concluir que a gestão dos serviços de<br />
·saúde tem de seguir normas diferentes.<br />
Porque o prestador de cuidados ao<br />
decidir aplicar uma determinada técnica<br />
ou tratamento, com a despesa consequente,<br />
não pode ser coagido ou cercado<br />
por via administrativa.<br />
A afirmação de que não há doenças<br />
mas sim doentes é normalmente utilizada<br />
para fundamentar a necessidade<br />
de humanização de cuidados. Em nosso<br />
entender, deve ter um alcance mais vasto:<br />
o mesmo doente, com a mesma<br />
patologia, pode reagir amanhã de forma<br />
diferente à terapêutica que hoje lhe foi<br />
aplicada com bom resultado. O diagnóstico,<br />
o prognóstico, a terapêutica nunca<br />
podem ter uma probabilidade absoluta<br />
de êxito.<br />
Se não há standards em sentido<br />
absoluto, na prestação de cuidados,<br />
essa realidade tem forçosamente reflexos<br />
nos critérios de gestão a adaptar<br />
para os serviços de saúde.<br />
Significa, por um lado, que tem de ser<br />
salvaguardada a autonomia de decisão<br />
técnica, mesmo quando esta implica<br />
dispêndios vultosos, e a avaliação,<br />
ponto de chegada mas também ponto<br />
de partida em planeamento, tem de ser<br />
ponderada com a participação dos próprios<br />
técnicos decisores.<br />
Isto é, a avaliação do trabalho dos<br />
prestadores de cuidados tem de ser<br />
efectuada através da hierarquização das<br />
carreiras profissionais respectivas. Se<br />
essa avaliação, sem a qual não há planeamento<br />
ou gestão, for feita sem a participação<br />
da hierarquia técnica das equipas<br />
prestadoras de serviços, será posto<br />
em risco o seu próprio funcionamento,<br />
a sua qualidade, e não será possível<br />
qualquer responsabilização.<br />
Consideramos por isso balisar a distinção<br />
que a própria lei estabelece entre<br />
órgãos centrais, regionais ou locais e<br />
serviços prestadores de cuidados de<br />
saúde quer sejam primários ou diferenciados.<br />
Estes serviços devem depender<br />
dos órgãos locais, regionais ou centrais,<br />
mas sem prejuízo da autonomia que lhes<br />
deve ser claramente definida.<br />
Só nesta base nos parece possível<br />
assegurar a distribuição racional, a hierarquização<br />
técnica, o funcionamento<br />
coordenado dos serviços, definir complementaridades<br />
e promover a descentralização<br />
decisória.<br />
Aos órgaãos previstos na lei deve ser<br />
dada então capacidade técnica e poder<br />
para acordar objectivos e meios correspondentes<br />
com os serviços prestadores<br />
de cuidados de saúde. Capacidade e<br />
poder para responsabiizar os mesmos<br />
serviços quando estes não conseguem<br />
rentabilizar os meios acordados. Capacidad~<br />
e poder para avaliar de forma participada<br />
a qualidade dos cuidados prestados<br />
e os resultados atingidos.<br />
Enquanto assim não suceder, cremos<br />
que vamos continuar a assistir à sucessão<br />
habitual de medidas pontuais, desfasadas<br />
da realidade, quie adiam as<br />
soluções de fundo que se impõem, afastando-nos<br />
cada vez mais do diálogo e<br />
discussão técnica entre os vários parceiros<br />
do sistema de saúde, único caminho<br />
que em nosso entendimento pode levar<br />
a decisões acertadas.<br />
REFER~NCIAS<br />
BIBLIOGRÁFICAS<br />
Cardoso, Santos - Da responsabilidade<br />
profissional dos prestadores de cuidados nos<br />
hospitais - Revista <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, n.º 5,<br />
Jan/Mar, 1984.<br />
Drucker, Peter F. - Inovação e <strong>Gestão</strong> -<br />
Editorial Presença, <strong>1986</strong>.<br />
Ferreira, Coriolano - Editorial da Revista<br />
Portuguesa de Saúde Pública, n.º 4, Out/Dez,<br />
1984.<br />
Ferreira, Coriolano - Administração da<br />
Saúde em Portugal - Revista da Administração<br />
Pública - n. 0 29/30, Jul/Dez, 1985. D<br />
A ARQUITECTURA<br />
E SISTEMA FUNCIONAL<br />
DE CIRCULAÇÃO<br />
NA PERSPECTIVA<br />
DA SEGURANÇA - INCÊN1DIO<br />
POR ENG.º LUDWIG AUGUST REICHE *<br />
A introdução de novos planos de arquitectura,<br />
de novos materiais de construção,<br />
de novos sistemas de climatização<br />
- mais no sentido da sua aplicação<br />
filosófica de conceito multidisciplinar<br />
- alteram completamente toda a<br />
perspectiva de risco, mormente os devidos<br />
a sinistros de incêndio.<br />
As várias filosofias de segurança que<br />
foram imperando ao longo destes decénios<br />
permitiram caminhar para soluções<br />
técnicas mais aproximadas - inglesas,<br />
americanas, francesas, suecas e<br />
alemãs - não havendo contudo ainda<br />
uma filosofia prevalecente.<br />
Julgamos que o valor de tendências<br />
de segurança em uma área em que, de<br />
forma· geral, os custos de aplicação,<br />
embora essenciais, não são sobreestimados,<br />
garantem uma certa meta.<br />
Por outro lado, e no sentido do vector<br />
SEGURANÇA, também os conceitos<br />
sobre saúde e forma de visão da mesma<br />
se alteraram nos últimos tempos modificando<br />
por isso o esquema provindo do<br />
pós-guerra. Hoje concebem-se unidades<br />
hospitalares de menores dimensões<br />
por motivos de ordem administrativa ou<br />
unidades dispersas por edifícios, sendo<br />
esta dispersão motivada por questões<br />
que se relacionam com razões técnicas,<br />
de segurança e mais essencialmente de<br />
saúde.<br />
As filosofias mais tradicionais no<br />
campo de SEGURANÇA - I NC~NDIO<br />
foram sempre baseadas na fuga, mais<br />
* Técnico de Segurança-Incêndio<br />
ou menos ordenada dos doentes e na<br />
transferência para o exterior do equipamento<br />
possível e necessário ao tratamento<br />
daqueles.<br />
Daí resultou que as circulações deveriam<br />
ser, para além de largas ao nível<br />
dos internamentos, e possuírem também<br />
bastantes circulações verticais,<br />
sem, no entanto, que estas fossem tratadas<br />
nos aspectos das propagações,<br />
quer de chamas, quer de fumos'.<br />
Esta situação contribuiu muitas das<br />
vezes para enormes catástrofes as<br />
quais, e infelizmente, permitiram tirar<br />
algumas ilações tais como:<br />
1) A falta completa de coordenação<br />
interna;<br />
2) A falta de coordenação com os<br />
socorros provindos do exterior;<br />
3) O facto de cerca de 90% das mortes<br />
serem imputadas a doentes;<br />
4) O facto de 83% das mortes serem<br />
provocadas por asfixia;<br />
5) O valor total de mortes rondarem<br />
em média os 4 % da população na altura<br />
do incêndio.<br />
Esta situação analítica dos incêndios<br />
até finais da década de 60 foi alterada,<br />
não se podendo ainda quantificar por faltarem<br />
cerca de 1 O anos para termo 'de<br />
comparação. No entanto, este valor<br />
ronda actualmente os 2,7%, sendo a<br />
tendência para o abaixamento do mesmo,<br />
por motivos de novas construções<br />
com níveis estudados e aplicados, em<br />
termos de SEGURANÇA - INC~ND IO ,<br />
bem como também pela me l hor i~ das<br />
condições nas unidades hospitalares<br />
mais antigas.<br />
Assim, os incêndios, na última década,<br />
fizeram alterar toda a concepção<br />
arquitectónica dos espaços e nas confinações,<br />
tendo estes conceitos sido<br />
introduzidos também ao nível das unidades<br />
hospitalares, partindo-se para a planificação<br />
dos edifícios, que são unidades<br />
complexas de riscos, com os mesmos<br />
divididos por compartimentações integrais.<br />
A esta compartimentação foi atribuída<br />
uma importância tal que foram<br />
definidos critérios que permitissem afirmar<br />
tratar-se de uma unidade perfeitamente<br />
isolada.<br />
Um edifício é, pois, hoje considerado<br />
como o somatório do número de compartimentações<br />
com características definidas<br />
por três critérios de comportamento<br />
ao fogo (estabilidade, dos elementos<br />
estruturais), estanquidade<br />
(dos elementos de inter-relação ou<br />
confrontações) e resistência ao fogo<br />
(através de barreiras interpostas),<br />
passando-se então a chamar a estes<br />
compartimentos corta-fogo ou melhor<br />
explanando, compartimento à prova de<br />
fogo.<br />
A introdução destas unidades (compartimentos<br />
à prova de fogo), umas<br />
ao lado das outras e/ou por cima ou por<br />
baixo permitem que o tratamento das<br />
circulações tenha maior importância,<br />
apenas na área das confrontações e nos<br />
seus acessos.<br />
Verificou-se, no entanto, que a exis-<br />
44<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
45<br />
A
SEGURANÇA - INCÊNDIO<br />
tência deste tipo de compartimentos,<br />
ainda não era suficiente, não tanto pelas<br />
propagações rápidas de incêndio, mas<br />
outrossim pela disposição de fumos, os<br />
quais são os causadores em média de<br />
2,2% das mortes. (Nível actual.)<br />
Verificou-se portanto que a compartimentação<br />
apenas beneficiou, em termos<br />
de abaixamento, de mortes em média<br />
no valor de 0,5%.<br />
Foi no sentido de se tentar baixar o<br />
valor de 2,2% que se estabeleceu uma<br />
nova concepção de compartimentação,<br />
já não às chamas mas aos fumos pela<br />
subdivisão da área de compartimentação<br />
corta-fogo.<br />
É evidente que se pode perguntar,<br />
porque não construir apenas compartimentos<br />
corta-fogo tantos quantos o<br />
risco o indicar, com áreas extremamente<br />
pequenas?<br />
- T ai solução não é viável apenas por<br />
razões económicas, directamente dirigidas<br />
aos custos e à conservação, digamos<br />
que da mesma forma que não<br />
existe «Um polícia para cada ladrão».<br />
Assim , estabelece-se um critério aceitável<br />
entre a possibilidade de ocorrência<br />
de um sinistro e o custo da sua limitação.<br />
Esta nova concepção de compartimentos<br />
corta-fogo ou estanques aos<br />
fumos permite uma melhor organização, ·<br />
quer na evacuação das áreas sinistradas,<br />
quer ainda no estabelecimento de<br />
uma melhor intervenção, dando inclusivamente<br />
a possibilidade de tratamentos<br />
e a continuação de operações em circunstâncias<br />
aceitáveis, pela transferência<br />
das pessoas para compartimentos<br />
corta-fogo contíguos, e isto tudo sem<br />
pânico.<br />
Cada unidade hospitalar deverá possuir<br />
um agregado de pessoas que<br />
tenham um técnico de formação continuada<br />
nas acções e metodologia a<br />
desenvolver em caso de incêndio. Mas<br />
só estes elementos não são suficientes,<br />
pois se ao nível do projecto não forem<br />
encontradas soluções, antes da construção<br />
e modificação de um edifício, fácil<br />
é verificar-se a inoperância.<br />
Assim, ao nível do projecto, devem ser<br />
encaradas todas as hipóteses mais gravosas<br />
de ocorrência e ainda todas as<br />
que são passíveis de uma maior sinistralidade<br />
(caso de enfermarias, sala de<br />
operações).<br />
Estas soluções, vão desde a definição<br />
de paredes comuns a dois compartimentos<br />
até à construção de câmaras de<br />
passagem entre compartimentos corta<br />
-fogo, passando pela metodologia de climatização<br />
e distribuição de energia.<br />
Também em termos de projecto se<br />
devem prever situações- limites, como<br />
sejam a evacuação de uma ala em que<br />
o acesso central foi atingido não sendo<br />
possível a passagem senão para o piso<br />
imediatamente superior, ou a existência<br />
de áreas extremamente gravosas (laboratórios).<br />
Se em relação à primeira será fácil<br />
estabelecer, por exemplo, um patamar<br />
alargado que . permita a colocação de<br />
uma . série de acamados, em relação à<br />
segunda situação, ela tem a ver com<br />
uma localização dependente inclusivamente<br />
do quadrante normal dos ventos.<br />
Porque as áreas de compartimentação<br />
ao fogo poderão ser ainda bastante<br />
grandes (1250 m2) fácil é preverem-se<br />
corredores com o máximo de 60 metros<br />
onde existem necessidades de indicações<br />
suplementares que orientem e<br />
coordenem a fuga, tais como armaduras<br />
de iluminação autónomas, quer de iluminação,<br />
quer com informação de saída,<br />
de proibição ou de circulação ou ainda<br />
outro equipamento que funcione, quer<br />
de dia, quer de noite, quer ainda na<br />
ausência total de iluminação por avaria<br />
de circuitos e/ou corte dos sectores<br />
afectados.<br />
É dentro deste último contexto que se<br />
devem prever sistemas, que permitam<br />
não só a orientação das pessoas que<br />
se podem locomover, mas também de<br />
permitir às equipas de intervenção e<br />
coordenação de fuga uma capacidade<br />
de orientação nas condições mais graves.<br />
Estes equipamentos que existem no<br />
mercado são baseados em propriedades<br />
químicas luminescentes e traduzem<br />
uma informação total, 30 minutos após<br />
ausência total de luz.<br />
A coordenação antipânico e de fuga,<br />
deverá poder actuar de imediato,<br />
quando em situação de alarme, transferindo<br />
em primeiro lugar todos os pacientes<br />
que se possam mover por si mesmos,<br />
devendo ainda ser ajudados a<br />
manter a calma e a serem localizados<br />
em outro compartimento corta-fogo.<br />
Seguidamente dever-se-á proceder à<br />
retirada dos acamados, através de<br />
vários processos, como sejam, o transporte<br />
às costas, aos ombros, em cadeira<br />
improvisada com as mãos, por arrastamento<br />
de cobertores, ou mesmo por<br />
deslocação de camas.<br />
Estes acamados poderão vir a ser<br />
aglomerados, numa primeira fase, no<br />
compartimento estanque ao lado do que<br />
se encontra em situação de sinistro,<br />
sendo posteriormente transportados<br />
com mais calma para o próximo compartimento<br />
corta-fogo.<br />
Este é o normal procedimento, evitando-se<br />
conflitos de circulação.<br />
Caberá à equipa de intervenção retirar<br />
para a rectaguarda, entregando à equipa<br />
de coordenação de fuga, possíveis<br />
doentes inanimados, ou mesmo em<br />
situação precária de vida, nas zonas<br />
atingidas pelo fogo. A equipa de coordenação<br />
de fuga não deve entrar nunca<br />
em conflito de circulação com a equipa<br />
de intervenção que se encontra protegida<br />
normalmente com equipamento de<br />
extinção.<br />
É evidente que toda esta organização<br />
tem de ser bastante bem estruturada,<br />
com planos prévios de actuação determinados<br />
e responsabilizados; e tal só é<br />
possível se houver uma METODOLOGIA<br />
capaz, que abranja a PREVISÃO, a PRE<br />
VENÇÃO e a PROTECÇÃO, na qual se<br />
inclui a COORDENAÇÃO DE FUGA E<br />
ANTI PÂNICO.<br />
Qualquer área de fogo apenas deverá<br />
mobilizar as equipas de coordenação de<br />
fuga da área de sinistro e a equipa geral<br />
de intervenção, devendo tanto quanto<br />
possível continuarem a funcionar todas<br />
as demais funções hospitalares. O<br />
r<br />
r<br />
r-<br />
o<br />
1<br />
I<br />
CONSIDERAÇÕES RELATIVAS<br />
À PROTECÇÃO<br />
DA INFORMAÇÃO CLÍNICA<br />
POR PEDRO LOPES FERREIRA E MARGARIDA VIEGAS<br />
Nos últimos vinte anos tem-se assistido a um crescendo da necessidade<br />
de protecção dos dados pessoais dos cidadãos, com vista a uma integração<br />
em sistemas informáticos cada vez mais sofisticados. Neste artigo é feito<br />
o posicionamento histórico do problema, são inventariadas algumas ameaças<br />
aos bens informáticos e apresentadas algumas soluções de combate<br />
aos acessos ilegais à informação.<br />
Num sistema de informação hospitalar,<br />
uma grande parte da informaç~o é<br />
de carácter confidencial. É portanto<br />
necessário criar-se um sistema de protecção<br />
da informação (nomeadamente<br />
clínica), de tal modo que apenas as pessoas<br />
directamente relacionadas com tal<br />
informação possam aceder a ela. ·<br />
Este é um problema actual e demasiado<br />
importante, principalmente após o<br />
grande desenvolvimento dos microcomputadores<br />
e correspondentes emulações<br />
de protocolos de grandes . sistemas,<br />
e o aumento das possibilidades de<br />
acesso em tempo repartido e em multiprogramação,<br />
que permitem o acesso<br />
de um grande número de utilizadores ao<br />
mesmo sistema informático. Resumindo,<br />
quanto maior liberdade e flexibilidade é<br />
dada aos utilizadores de um computador,<br />
maior é a dificuldade de combater<br />
os acessos ilegais à informação de<br />
modo a preservar esses mesmos utilizadores.<br />
Antigamente, a informação era baseada<br />
em suportes materiais e o seu<br />
manuseamento passava por procedimentos<br />
manuais, cujos rastos eram dificilmente<br />
destruídos na sua totalidade.<br />
Hoje em dia, pelo contrário, o roubo ou<br />
a alteração de informação não deixa<br />
rasto algum, senão em sistemas de<br />
informação demasiado complexos.<br />
Além disso, a crescente utilização de<br />
dados individuais para fins de investigação<br />
cria uma tensão entre os interesses<br />
dos cidadãos na tentativa de preservarem<br />
os seus direitos e os dos investigadores.<br />
É difícil conseguir um equilíbrio<br />
entre esses interesses, uma vez que os<br />
objectivos da protecção de dados de<br />
saúde ainda não estão definidos com<br />
precisão, assim como ainda não estão<br />
convenientemente inventariados os<br />
casos de má utilização dessa mesma<br />
informação.<br />
POSICIONAMENTO HISTÓRICO<br />
As noções de privacidade em sistemas<br />
de Informação de cuidados de<br />
saúde de certo modo acompanharam,<br />
desde 1960, as cinco etapas de desenvolvimento<br />
do processamento informático<br />
de dados.<br />
Assim, até meados dos anos sessenta,<br />
e acompanhando a evolução da primeira<br />
e segunda gerações de computadores,<br />
todos os artigos e publicações<br />
relativas à aplicação da informática nos<br />
cuidados de saúde focavam a grande<br />
vantagem da utilização dos computadores<br />
em medicina, nomeadamente no que<br />
respeita ao armazenamento, manipulação<br />
e distribuição de grandes volumes<br />
de dados. Foi a época do processamento<br />
dos dados com fins administrativos,<br />
o despertar dos sistemas de informação<br />
hospitalares, e o início de utilização<br />
do computador como auxiliar de<br />
diagnóstico.<br />
Só na segunda metade dos anos sessenta,<br />
com o aparecimento da terceira<br />
geração de computadores, é dado o<br />
alerta em relação a utilizações menos<br />
próprias da informação contida em<br />
suportes informáticos. É nesta altura que<br />
se coloca pela primeira vez o problema<br />
da confidencialidade da informação no<br />
sector dos cuidados de saúde.<br />
Os anos que decorreram entre 1970<br />
e 1973 puderam ver a criação e o crescimento,<br />
em alguns países, de comissões<br />
governamentais e de grupos de<br />
investigação no domínio da privacidade.<br />
Começa a sentir-se, em alguns domínios,<br />
algumas limitações sob o ponto de<br />
vista do equipamento e de suportes lógicos<br />
dos computadores utilizados. As<br />
conclusões de tais comissões e grupos<br />
de investigação centraram-se essencialmente<br />
na necessidade de protecção dos<br />
dados e na constatação da quase inexistência<br />
de suportes legais que impedis-<br />
sem a violação da confidencialidade dos<br />
dados e da privacidade dos cidadãos.<br />
Assim, até finais dos anos setenta,<br />
vários países adoptaram leis de protecção<br />
da privacidade. No nosso caso, a<br />
Constituição da República Portuguesa<br />
de 1976 diz, no ponto 1 do seu artigo<br />
35. º, que "todos os cidadãos têm o<br />
direito de tomar conhecimento do que<br />
constar de registos mecanográficos a<br />
seu respeito e do fim a que se destinam<br />
as informações, podendo exigir a rectificação<br />
dos dados e a sua actualização».<br />
No entanto, todas estas afirmações<br />
não passarão de boas intenções se não<br />
forem suficientemente regulamentadas.<br />
Tal regulamentação deverá ter em conta<br />
não só o cidadão que se dirige a serviços<br />
de saúde, como também a necessidade<br />
que alguns técnicos e investigadores<br />
têm da utilização da informação contida<br />
em suportes informáticos. ~ necessário<br />
também estabelecer-se uma legislação<br />
que não limite a investigação em<br />
domínios tão importantes como aqueles<br />
que se relacionam com a saúde de<br />
todos nós.<br />
Os anos oitenta é já uma época de<br />
maturidade nesta área da informática.<br />
Começam a rever-se algumas leis referentes<br />
à protecção dos dados, posicionando-as<br />
mais realisticamente no ambiente<br />
de hoje. Por outro lado, é necessário<br />
dar um novo alerta social pois o<br />
boom verificado na informática, no respeitante<br />
a equipamento e de sistemas<br />
lógicos, poderá ter de levar a análise da<br />
protecção de dados a graus de abstracção<br />
ainda mais elevados do que aqueles<br />
hoje por nós considerados.<br />
É evidente que a questão central é<br />
saber quais os princípios que devem ser<br />
escritos em lei ou adoptados como guias<br />
de natureza ética pelos gestores dos sistemas<br />
de dados de saúde. Vai levar<br />
tempo até se construírem princípios<br />
gerais que satisfaçam os interesses dos<br />
doentes, dos profissionais, e das organizações,<br />
nunca se devendo ignorar que<br />
há que manter a confiança dos doentes<br />
nos serviços de saúde.<br />
Ameaças aos bens informáticos<br />
Antes de se poder falar em segurança<br />
da informação, privacidade e outros termos<br />
tão ~teis hoje em dia para combater<br />
algumas das aplicações informáticas<br />
implementadas, devemos definir os<br />
«bens» informáticos a proteger.<br />
Tais bens informáticos podem ser<br />
classificados em bens materiais, bens<br />
lógicos e bens de informação. Estes últimos<br />
são bens imateriais de capital<br />
importância, pois condicionam toda a<br />
acção do sistema de informação e são<br />
o suporte de todo o conhecimento e do<br />
saber.<br />
Em face dos meios informáticos atrás<br />
referidos, podemos falar de vários tipos<br />
de ameaças a que estão eventualmente<br />
sujeitos: o roubo, a fraude, a destruição,<br />
o erro.<br />
Em relação a estas ameaças há que<br />
proteger os bens contra supressões,<br />
desaparecimentos, modificações ou alterações.<br />
Há que manter o secretismo<br />
e a confidencialidade da inf armação em<br />
relação à sua consulta.<br />
A privacidade dos dados é essencialmente<br />
um problema social , que deve ser<br />
correcta e criteriosamente posicionada<br />
em termos legais.<br />
A segurança é uma questão um tanto<br />
diferente, que diz fundamentalmente<br />
respeito<br />
à instituição responsável pelo<br />
armazenamento e tratamento dos<br />
dados.<br />
A segurança e privacidade sempre<br />
foram questões muito importantes no<br />
campo da medicina. Já na Antiguidade,<br />
com Hipócrates, o sigilo era dever de<br />
todo o médico.<br />
Hoje os registos médicos de vários<br />
tipos são indispensáveis em todos os<br />
cuidados de saúde.<br />
A segurança dos arquivos clássicos é .<br />
de facto pobre, não sendo raro que a<br />
sua leitura sirva de entretenimento a<br />
recepcionistas de consultório ou a responsáveis<br />
de arquivo nos hospitais. A<br />
sua defesa contra incêndios ou outros<br />
acidentes naturais é também muitas<br />
vezes nula.<br />
Quando o armazenamento da informação<br />
passa para o computador, os<br />
problemas são um pouco diferentes,<br />
mas continuam a existir. Uma base de<br />
dados pode armazenar, num espaço<br />
mínimo, uma imensa quantidade de<br />
informação, com acesso incomparavelmente<br />
mais rápido do que o de um<br />
ficheiro clássico. Poderemos assim imaginar<br />
. os estragos que um acidente<br />
casual ou deliberado pode provocar.<br />
A segurança de ficheiros de informação<br />
médica é tanto mais importante<br />
quanto maior for o significado que eles<br />
assumirem na investigação e consequente<br />
melhoria dos cuidados de saúde.<br />
Para garantir a segurança há que<br />
conhecer as ameaças a que podem<br />
estar sujeitos.<br />
As ameaças podem incidir sobre os<br />
próprios dados, isto é, directamente<br />
sobre a informação, ou sobre o seu<br />
suporte.<br />
Responsáveis pelo primeiro tipo<br />
temos os erros ou omissões involuntárias.<br />
A expressão «errar é humano»,<br />
retrata a fiabilidade das atitudes do<br />
homem e justifica plenamente o aparecimento<br />
destas ameaças. Como exemplo<br />
destes casos, citemos o do programador<br />
que acidentalmente apaga um ficheiro,<br />
do qual por imprudência não possui<br />
cópia, tornando-se a sua recuperação<br />
impossível.<br />
Mais sinistros do que estes acidentes<br />
não intenacionais são os de origem criminosa<br />
efectuados por indivíduos não<br />
autorizados a aceder ao sistema de<br />
informação. Tem havido muita publicidade<br />
à volta das célebres «fraudes informáticas",<br />
principalmente no mundo dos<br />
negócios, onde se movimentam altas<br />
somas de dinheiro.<br />
Em medicina, embora por razões diferentes,<br />
também estas fraudes se podem<br />
manifestar, incidindo mais provavelmente<br />
sobre a revelação de dados de saúde<br />
confidenciais.<br />
Tivemos em 1978, no Canadá, um<br />
dos primeiros exemplos disto, quando<br />
um jornal revelou que programadores de<br />
um departamento de saúde se divertiam<br />
a coleccionar listas de pessoas que<br />
tinham sido tratadas por sofrerem de<br />
doenças venéreas. Pode ter havido<br />
especulação na notícia, mas é de reter<br />
que coisas como estas podem realmente<br />
acontecer.<br />
Há também riscos de destruição deliberada<br />
de dados, por vingança ou sabotagem<br />
, factos que já sucederam na<br />
indústria, com consequências devastadoras.<br />
As ameaças do tipo natural, como<br />
fogo ou água utilizada para combater,<br />
incidem sobretudo sobre o hardware,<br />
podendo da mesma forma levar à destruição<br />
de informação, se esta não tiver<br />
uma protecção adequada.<br />
É de salientar também o perigo do<br />
fumo. O próprio fumo do tabaco pode<br />
trazer prejuízos para o suporte magnético<br />
dos dados, dificultando ou impossibilitando<br />
a sua leitura.<br />
Mais raro, mas de qualquer modo<br />
possível, é a destruição da informação<br />
devido à presença de um campo<br />
magnético sobre o suporte que a contém.<br />
Combate aos acessos ilegais<br />
O combate.aos acessos ilegais à informação<br />
contida em suportes informáticos<br />
deve ser, conjugando esforços de material<br />
e de organização, um problema<br />
essencialmente de natureza lógica.<br />
Devemos ter sempre em consideração<br />
o caso do intruso que, por ataques<br />
sucessivos (tentativas de log-in) tenta<br />
entrar no sistema. Normalmente, tal<br />
intruso ao responder ao pedido da palavra-de-acesso<br />
(password), começará ·<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
49
A PROTECÇÃO<br />
DA INFORMAÇÃO CLÍNICA<br />
...<br />
por tentar sucessões aleatórias de<br />
números ou os nomes próprios dos utilizàdores.<br />
Há que minimizar tal risco!<br />
Uma das hipóteses de o conseguir é<br />
fornecer ao próprio sistema a possibilidade<br />
de construir, ele próprio, as palavras-de-acesso.<br />
Neste caso corre-se o<br />
risco de se obterem sucessões de<br />
caracteres dificilmente memorizáveis,<br />
obrigando o utilizador a escrever a palavra-de-acesso,<br />
aumentando, por conseguinte,<br />
o risco de violação da informação.<br />
Várias alternativas se colocam. Uma<br />
delas é proibir palavras-de-acesso com<br />
apenas três ou quatro caracteres. Outra<br />
será proibir alguns nomes mais frequentemente<br />
usados. (<br />
Uma das soluções possíveis de compromisso<br />
é o sistema fornecer ao utilizador<br />
uma lista de palavras-de-acesso, da<br />
qual escolhe uma.<br />
Como, apesar de tudo, pode ser<br />
observada, aquando da sua utilização<br />
(basta observar com cuidado a pessoa<br />
que a está a introduzir no teclado), as<br />
palavras-de-acesso deverão ser periodicamente<br />
alteradas.<br />
Existe também um procedimento simples<br />
e eficiente, proposto por L. J . Hoffman:<br />
o sistema fornece um número<br />
pseudo-aleatório X ao utilizador que,<br />
através de uma transformação mental T<br />
sobre X produz um outro número V. O<br />
computador executa a mesma transformação<br />
com o algoritmo protegido, e<br />
verifica a igualdade entre os dois valores.<br />
Um intruso apenas verá os valores de<br />
X e de V . Mesmo funções T simples são<br />
difíceis de descobrir.<br />
É possível também reduzir ao mínimo<br />
o número de tentativas falhadas sucessivas<br />
de acesso ao sistema. Se se atingir<br />
um determinado número limite, o terminal<br />
poderá, por programa, ser bloqueado.<br />
Mais sofisticado ainda, e com vista à<br />
protecção da informação durante a<br />
transmissão ou quando armazenada em<br />
memória, é a técnica de criptografia.<br />
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.,,. .... ,. . , . •• r- ...<br />
1 • r , . ,.. ',.. ,. ·' ·' _<br />
... •:,':', .. ,,.. ,. - .. .<br />
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f"'.) ~ • ,,... • • ••<br />
..<br />
1'<br />
• ,1.<br />
Consiste em transformações algorítmicas<br />
da informação de modo a ser traduzida<br />
em formas ilegíveis para todos<br />
excepto aos detentores da «Chave,, da<br />
transformação inversa. Precisando<br />
melhor, a chamada transformação de<br />
privacidade é uma função T (K) de um<br />
espaço RS(A) de todos os registos possíveis<br />
de um determinado comprimento,<br />
que são compostos por símbolos de um<br />
alfabeto A, de acordo com o vocabulário,<br />
a sintaxe, a semântica e a gramática<br />
de uma linguagem L natural ou artificial,<br />
num espaço ES(B) de cadeais de caracteres<br />
de um alfabeto B. Tal transformação<br />
pode ser obtida, quer por dispositivos<br />
físicos, quer por rotinas de programação.<br />
De qualquer modo, é absolutamente<br />
necessário, se pretendermos mais uma<br />
vez a confiança de todos os utentes do<br />
sistema de informação, a criação de um<br />
diário informático, onde sejam registados<br />
todos os acessos à informação.<br />
Poder-se-á não evitar algumas violações<br />
da informação; conseguir-se-á, contudo,<br />
o tal rasto tão necessário ao combate<br />
de acções como as descritas anterior -<br />
mente. O nível de segurança de um sistema<br />
é determinado, de maneira considerável,<br />
pela sua própria concepção.<br />
Vimos algumas técnicas de programação<br />
de combate aos acessos ilegais à<br />
informação contida em suportes informáticos.<br />
Contudo, estas técnicas são<br />
apenas um dos aspectos de segurança<br />
da informação: têm de ser baseadas em<br />
características de equipamento e perfeitamente<br />
aglutinadas em estruturas organizacionais<br />
e nos procedimentos de gestão.<br />
Considerações finais<br />
Em todo este texto, privacidade tem<br />
sido sinónimo de direito dos doentes à<br />
confidencialidade dos respectivos dados<br />
clínicos. Os dados tratados pelos sistemas<br />
de informação implantados nos serviços<br />
de saúde dizem respeito a seres<br />
humanos: é indispensável controlar rigorosamente<br />
os direitos de acesso. Este<br />
controlo, de preferência, deverá passar<br />
quase despercebido para aqueles que<br />
possuam o direito de aceder aos dados.<br />
Em relação à admissão de doentes e<br />
aos dados administrativos, há que definir<br />
com precisão quais os dados que poderão<br />
(e os que não poderão) ser registados<br />
para tratamento informático, tendo<br />
sempre em atenção que os dados não<br />
poderão ser usados para outros fins que<br />
não os indicados ao doente.<br />
Este deverá ser explicitamente informado<br />
de que se pretende introduzir os<br />
seus dados clínicos em suporte informático<br />
e que estes contribuirão para uma<br />
melhoria de cuidados de saúde prestados<br />
pelo próprio serviço de saúde.<br />
Deverá ser possibilitada a consulta<br />
pelo doente dos respectivos dados,<br />
podendo ele propor a alteração de<br />
alguma informação não correcta.<br />
No entanto, toda e qualquer utilização<br />
estatística dos dados terá de ser feita<br />
com base em registos completamente<br />
anónimos, e isto deverá também ser dito<br />
ao doente.<br />
Embora a confidencialidade e a protecção<br />
dos dados em relação ao exterior<br />
do serviço de saúde seja o problema<br />
capital, pois se relaciona com o direito<br />
à privacidade de todo o cidadão, não é<br />
de excluir também o caso do acesso aos<br />
dados por parte de alguém exterior à<br />
própria equipa de investigação que os<br />
recolheu e que os mantém para sua própria<br />
investigação. Também aqui deve ser<br />
dada aos investigadores a confiança<br />
suficiente para armazenar os seus próprios<br />
dados de investigação, sabendo<br />
que só serão utilizados por pessoal<br />
especialmente autorizado para o efeito.<br />
Em conclusão, é necessário, também<br />
aqui, um código de ética para a investigação<br />
em serviços de saúde.<br />
O desenho e técnicas de construção<br />
que sistematicamente excluem a violação<br />
das condições de segurança são o<br />
tópico de vários trabalhos de investigação,<br />
embora não exista até hoje um<br />
método completo e geralmente aplicado.<br />
Parece ser impossível desenhar um<br />
sistema completamente inviolável. T aivez<br />
isso também não seja absolutamente<br />
necessário. O que é importante<br />
é criar mecanismos de segurança, de tal<br />
modo que seja demasiado despendic;>so<br />
e difícil ultrapassá-los. Há que ter também<br />
em consideraçâo que medidas de<br />
segurança da info_rmação provocam<br />
geralmente uma perda das performances<br />
do sistema •. essencialmente em relação<br />
ao tempo. Devemos também ter<br />
presente que, com o armazenamento da<br />
inforrnação em equipamentos informático:;>,<br />
um intruso para penetrar no sistema<br />
de segurança "de uma base de dados<br />
deverá (1 ) obter informação suficiente<br />
relativa ao modelo conceptual da base<br />
de dados e. às medidas de segurança<br />
existentes; (2) estabelecer um plano,<br />
tendo em conta as restrições de custo<br />
e as probabilidades de êxito e risco; (3)<br />
obter acesso físico · ao si.stema da base<br />
de dados; (4) e, finalmente, penetrar r.ia<br />
base de dados e obter a informação pre ~<br />
tendida. Convenhamos que não é simples,<br />
principalmente se comparado com<br />
as protecções existentes na grande<br />
maioria dos hospitais (especialmente os<br />
escolares). onde qualquer pessoa vestida<br />
com uma bata branca pode aceder<br />
aos arquivos dos processos dos doentes.<br />
Bibliografia<br />
- Bakker, A.R.; Louwerse, C.P., Considerations<br />
on the effectiveness of protecions<br />
by passwords. ln LNMl25 - MIE 85<br />
- Ferreira, P, Sistema de informação clínica<br />
automatizado do Hospital Pediátrico<br />
de Coimbra. Tese de mestrado.<br />
- Hôpital Cantonal Universitaire de Genéve.<br />
(Division d'lnformatique.) - «DIOGE-<br />
cetec:-<br />
NE: Systéme d'information Hospitalier•>.<br />
Genéve 1985.<br />
- Leer, O.F.C., Guidelines for privacy -<br />
protection in Dutch Health Care. ln<br />
LNMl25 - MIE85<br />
- Roger, F.H. - Protection des données<br />
médicales dans les systémes informatiques.<br />
ln «F.B.V. I. - F.A. l. B. Congrés<br />
1982»<br />
- Sauter, K. - Data security in health lnformation<br />
Systems by Applying Software<br />
Techiques". ln Meth. lnform. Med.<br />
- Westin, A.F. - Privacy and Health Sata<br />
Systems. ln Medinfo 80, pag. 276. O<br />
INVERTO~ ~u íl(C<br />
Representante exclusivo em Portugal<br />
Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 5<br />
Telefs. 56 35 31 / 8 - Teleg. Equipa - Telex 12483-1097 Lisboa Codex<br />
equipament:as e t:écnica de elect:rictdade sarl<br />
C\J<br />
.- o<br />
1<br />
I<br />
0<br />
50<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />
51
novo o<br />
novo"<br />
RFA<br />
LYOSTIPT<br />
Hemostático local de colagénio<br />
- Hemostásia segura e rápida<br />
- Excelente tolerância tecidular<br />
NP-001<br />
RFA<br />
STIMUPLEX®<br />
Estimula para anestesia de<br />
plexos<br />
NP-002<br />
U.S.A.<br />
O ANGIODYNOGRAPH é um<br />
equipamento de ultra-sons computadorizado<br />
que pennite a visua-<br />
1 ização simultânea de tecidos<br />
com escala de cinzentos convencional<br />
e de fluxos sangíneos<br />
a côres em tempo real. É um<br />
sistema que trabalha a frequências<br />
de 5MHz e 7 ,5MHz sendo<br />
particularmente dirigido a cirurgia<br />
vascular, laboratórios vasculares,<br />
radiologia, neurocirurgia,<br />
neurologia e pediatria.<br />
Não usa meios de contraste e<br />
permite uma alta eficiência de<br />
utilização.<br />
PHILIPS<br />
NP-006<br />
U.S.A<br />
AMNIOSTAT -<br />
FLM<br />
Teste imunológico para determinação<br />
da r:naturidade fetal.<br />
•Teste aglutinação semi-quantitativo<br />
que rápidamente determina<br />
a presença ou não<br />
do fosfatidiglicerol.<br />
• Utiliza apenas 100 ui de líquido<br />
amniótico.<br />
• Kit completo que além de<br />
reagente contém 3 contrais:<br />
negativo, positivo e fortemente<br />
positivo.<br />
• Elevada sensibilidade e especidade.<br />
NP-007<br />
B. BRAUN - MELSUNGEN<br />
B. BRAUN - DEXON<br />
U.S.A.<br />
PLEUR -<br />
EVAC®<br />
Sistema compacto e fechado<br />
para drenagem da cavidade pleural<br />
HOWMEDICA, INC. -<br />
USA<br />
M~ - MATERIAL CLiNICO, LDA.<br />
=;~E•••••<br />
NP-004<br />
B.BRAUN - MELSUNGEN AG - RFA<br />
MC- MATERIAL CLINICO, LDA<br />
SUIÇA<br />
WILD HEERBRUGG SA, conhecido<br />
fabricante suiço de lupas<br />
estereoscópicas, macroscópios,<br />
sistemas de microfotografia e<br />
de microscópios cirúrgicos da<br />
mais alta qualidade. acabou de<br />
apresentar uma novidade na<br />
vasta gama de acessórios para<br />
os microscópios cirúrgicos.<br />
De interesse sobretudo, mas<br />
não em exclusivo, no campo<br />
da oftalmologia, trata-se de:<br />
0024- Objectivas especiais com<br />
óptica de iluminação O , permitindo<br />
a observação/operação<br />
de lentes intra-oculares<br />
melhorando considera-<br />
WILD HEERBRUGG SA -<br />
WILD + LEITZ PORTUGAL, LDA.<br />
ITÁLIA<br />
TORNEIRAS<br />
C/FUNCIONAMENTO<br />
NÃO MANUAL<br />
Torneiras especiais e/funcionamento<br />
por disco cerâmico.<br />
de longa duração, e comando<br />
não manual (operáveis pelo cotovelo<br />
ou pé). A nova legislação<br />
europeia aconselha a sua instalação<br />
em Serviços <strong>Hospitalar</strong>es<br />
e estabelecimentos do ramo<br />
alimentar. Homologadas pela<br />
D.P.R. n. 327 de 26/03/80 em<br />
Itália.<br />
HIDRAL (NOVARA)<br />
TORNEIRAS<br />
REVOLTA, LDA.<br />
NP-003<br />
velmente os reflexos vermelhos.<br />
Estas objectivas facilitam e<br />
permitem ... a extração de lentes<br />
mesmo sem dilatação<br />
pupilar.<br />
HEERBRUGG<br />
r<br />
......<br />
I<br />
t<br />
~~ .<br />
,. .<br />
. '<br />
•. -·<br />
~<br />
NP-005<br />
'<br />
0202 5<br />
~<br />
02060<br />
PHILIPS ULTRASOUND INC. -<br />
PHILIPS SISTEMAS MÉDICOS, LDA<br />
AUSTRIA<br />
CENTRAL AUTOMATICA<br />
DE DETECÇÃO DE INCENDIOS<br />
"BMZ COMPACT"<br />
Estas novas Centrais microprocessadas<br />
e com autodiagnóstico,<br />
adicionam às já testadas<br />
"Facilidades SADI" características<br />
inovadoras:<br />
- Actuação em até 8 zonas;<br />
- 2 circuitos de saída vigiada<br />
(Bombeiros + Extinção Automática);<br />
- Funções dia/noite;<br />
- Circuitos de saida temporizados;<br />
SCHRACK ELEKTRONIC AG -<br />
SANTANA<br />
NP-008<br />
- Identificação do detector em<br />
alarme;<br />
- Protocolo p/ligação a computador<br />
e impressora;<br />
- Garantia de alarme, mesmo<br />
em avaria;<br />
- Normas de construção: VOE<br />
0833; DIN 14675.<br />
WIEN<br />
TECNIQUITEL Soe. Equipamentos Técnicos, Lda<br />
HANA BIOLOGICS, INC.<br />
DÉCADA - Equipamentos de Electrónica<br />
e Científicos, SA.<br />
INGLATERRA<br />
JELONET<br />
• Penso de Gaze Parafinada BP<br />
INDICAÇÕES<br />
• Queimaduras<br />
• Zonas de recebimento ou doação<br />
de enxertos<br />
• Úlceras varicosas e gravitacionais<br />
• Perdas de pele, lacerações e<br />
abrasões<br />
APRESENTAÇÕES<br />
5 cm x 5 cm<br />
carteiras individuais<br />
<strong>15</strong>cm X 10 cm<br />
carteiras individuais<br />
10cm X7 m<br />
FRANÇA<br />
PRATICDOSE<br />
- MEMORIZADOR<br />
DE MEDICAMENTOS<br />
Modo prático, comodo e seguro<br />
de· cumprir com rigor o tratamento<br />
medicamentos.<br />
Um auxiliar precioso para quem<br />
toma muitos medicamentos ou<br />
para quem trata de um doente<br />
poli medicado.<br />
•Sem erros<br />
• Sem esquecimento<br />
•Sem omissões<br />
• Sem duplicações<br />
PRATICDOSE (Sechilliene -<br />
GIEFARMA, LDA.<br />
Lata<br />
10 cm X 10 cm<br />
Lata de 36 pensos<br />
10 cm X 10 cm<br />
Lata de 1 O pensos<br />
NOVA APRESENTAÇÃO<br />
Rolo de <strong>15</strong> cm X 2 m<br />
SMITH & NEPHEW, L TO.<br />
INIBSA PORTUGUESA<br />
Vizille)<br />
NP-009<br />
NP-010
novo~<br />
E.U.A.<br />
BRAIN-ATLAS Ili<br />
Sistema de computador (compatíveis<br />
com IBMPC) de 20<br />
canais para EEG espontâneo e<br />
potenciais evocados, 12 canais<br />
disponíveis para medição de<br />
outros parâmetros tais como<br />
EEG, EKG, EMG ou pressão<br />
venosa.<br />
Com duas impressoras sendo<br />
uma para mapas topográficos<br />
a cores e outra para potenciais<br />
evocados.<br />
Monitor a cores de 13", equi"'<br />
pamento móvel dentro de uma<br />
consola, completamente isolado.<br />
810-LOGIC SYSTEMS<br />
CORP. ·-ILLINOIS<br />
INGLATERRA<br />
BACTIGRAS<br />
Penso esterilizado, antiséptico,<br />
de gaze parafinada contendo<br />
0,5% de clorhexidina, . que é<br />
activa contra uma vasta gama<br />
de bactérias.<br />
O BACTIGRAS é recomendado<br />
para a profilaxia em feridas<br />
vulneráveis, a fim de reduzir o<br />
risco de infecção.<br />
INDICAÇÕES<br />
Feridas com menos de 10% da<br />
área da superfície do corpo,<br />
por exemplo:<br />
1. Pequenas queimaduras e escaldaduras.<br />
2. Feridas com perda de pele,<br />
lacerações e escorriações.<br />
•---<br />
NP-011<br />
Alves & C.ª (Irmãos) Lda.<br />
NP-013<br />
3. Áreas doadoras e receptoras<br />
de enxertos.<br />
4. Úlceras da perna.<br />
SMITH & NEPHEW, L TO.<br />
-HULL<br />
INIBSA PORTUGUESA<br />
- Divisão hospitalar<br />
R.F.A.<br />
REFLOTRON<br />
Novos horizontes em química<br />
clínica e diagnóstico são abertos<br />
pelo reflotron. ·<br />
Em 2 - 3 minutos, diferentes<br />
parâmetros podem ser medidos<br />
directamente com uma gota de<br />
sangue, por qualquer pessoa<br />
em qualquer lugar.<br />
O ref lotron é um sistema de<br />
operação totalmente automático<br />
e juntamente com a velocidade<br />
e a ausência de preparação da<br />
amostra, resulta num equipamento<br />
perfeito para utilização<br />
em consultórios, laboratórios de<br />
urgência, gabinetes de medicina<br />
no trabalho ou em qualquer<br />
lugar onde os resultados sejam<br />
necessários de imediato.<br />
E.U.A<br />
DINAMAP<br />
• Monitor de sinais vitais<br />
• Adulto, pediátrico, neonatal<br />
1-90 minutos - intervalo<br />
• Método oscilométrico<br />
• Rejeição de artefactos<br />
• Procura da pressão sistólica<br />
• Sistema de alarmes audíveis/<br />
/visuais<br />
• Interface computador<br />
• Memórias das 100 últimas<br />
leituras<br />
• Bateria interna<br />
* 400 Monitores DINAMAP<br />
* vencidos em Portugal<br />
CRITIKON, TAMPA -<br />
JOHNSON & JOHNSON -<br />
PALO ALTO<br />
NP-012<br />
BOEHRINGEN MANNHEIM<br />
FERRAZ LINCE, LDA.<br />
Divisão Diagnósticos<br />
NP-014<br />
Consegue com os métodos habituais<br />
no tratamento de úlceras de decúbito<br />
e feridas, resultados tão evidentes<br />
como os alcançados com OpSite-1'?<br />
''A humidade acelera a cicatriZflÇãn das<br />
úlceras. OpSite tira partido disto e pode<br />
substituir a tempo todas as outras fonnas de<br />
cuidados das úlceras de decúbito". .<br />
OpSite é uma película firta de poliuretáno que se<br />
adapta intimamente aos contornos elo corpo. É ·<br />
impermeável aos líquidos e às bactérias, mas permeável<br />
ao vapor de ágUa, preyenindo a maceração. ·<br />
As feridas ckatrizarri muito mais rapidamente se<br />
estiverem ht'.µnidas e houver oxigénio livremente<br />
disponíve_l. Este é precisamente o meio proporGionado<br />
por um penso OpSite. O exsudado sob OpSite . .<br />
demonstrou igµàlniente protecção contra a fácil infecção<br />
da cicatriz.ação da ferida É elástico, cómodo, facilitando<br />
assim o movimento da articulação e proporcionando<br />
conforto ao doente. Permite também aos doentes tomar<br />
banho e duche e, uma vez que OpSite não adere à<br />
superfície da ferida, a remoção não é dolorosa<br />
Uma vez que OpSite protege a pele frágil e reduz a<br />
fricção, é também eficaz na profilaxia das úlceras de<br />
compressão.<br />
Como··opSite é à prova de água, protege a pel~<br />
delicada da maceração, um risco particular nos doentes<br />
incontinentes.<br />
Os benefícios da utilização de rotina de OpSite pelas<br />
enfermeiras, são extremamente impressionantes. Um<br />
estudo recente mostrou que, usando de preferência<br />
OpSite ho tratamento das úlceras de compressão, o<br />
tempo de enfermagem foi reduzido em 87%.<br />
-O mesmo estudo mostrou que os pensos<br />
convencionais, resultavam cinco vezes mais caros que<br />
OpSite.<br />
Referencias:<br />
l. Ahmed, M. C .. Nurses'Drug Alert (1980), 4, No. <strong>15</strong>, 113-120 2. Winter, G. D., Surgical<br />
Dressings and Wound Healing (1971), Harkiss, K. J., Bradford University Press. 3. Rovee,<br />
D. T. et ai., Ep(dermal Wound Healing. Eds. Maibach, H. I., and Rovee. D. T., Year Book<br />
Medical Publishers Inc. Chicago, (1972) <strong>15</strong>9-181. 4. Buchan, I. A., et ai Bums, (1 981) 7,<br />
326-334. 5. May, S. R., ln: Wound Healing Symposium, Oxford: The MEDICINE Publishing<br />
Foundation, (1983) 35-51. 6. Callens, J., et ai., Joumal des Sciences Medicales de Lille,<br />
(1981) 99, 2. 7. Hammond, M. A., Nursing Mirror, (November Ist, 1979). 8. Hall, P., Nursing<br />
Focus, (January February, 1983). 9. Kelly, L D., Nursing Focus, (March 1982) Supplement.<br />
·<br />
•Marca Registada<br />
OpSite* PENSOS PARA FERIDAS<br />
Smith Nephew<br />
Representantes Exclusivos:<br />
INIBSA PORTUGUESA<br />
S. Marcos - 2735 CACÉM<br />
Agente na Madeira:<br />
C. J. SOUSA ANDRADE<br />
Rua 31 de Janeiro, 49-2.' - 9000 Funchal-Madeira<br />
PORTUGAL<br />
NP-0<strong>15</strong><br />
E.U.A.<br />
NP-016<br />
Desinfecção de ambientes por<br />
u.v.<br />
No âmbito germicida (bactérias,<br />
vírus e fungos), visando<br />
a eliminação dos agentes patogénicos<br />
que poluem os interiores<br />
(ar e superfícies). por<br />
processos químicos e físicos<br />
conjugados, absolutamente<br />
inócuos.<br />
LAFIL<br />
• Fita de carbono para substituição<br />
de ligamentos<br />
PESTOX<br />
- CONTROLE E DEFESA<br />
DO MEIO AMBIENTE, LDA.<br />
DAVIS E GECK -<br />
B. BRAUN - DEXON<br />
DUNBURY
novo~<br />
FRANÇA<br />
CICAPLAIE Rolo<br />
Penso adesivo hipoalérgico,<br />
com suporte de "não tecido"<br />
elástico, permeável ao ar e<br />
apósito neutro absorvente que<br />
não adere à ferida.<br />
APRESENTAÇÃO<br />
Embalagens de: 5 m X 4 cm.<br />
5 m X 6 cm.<br />
5 m X 8 cm.<br />
NP-017<br />
pro rJ ultofi<br />
EQUIPAMENTOS • LIVROS •TECNOLOGIAS<br />
novo a<br />
RFA<br />
CENTRAL VÍDEO STATION<br />
CENTRAL DE MONITORIZA<br />
ÇÃO A CORES, COM COM<br />
PUTADOR DE ARRITMIAS.<br />
Possibilidade de ligação até 6<br />
doentes a cada monitor, visualização<br />
da imagem de cada<br />
monitor de cabeceira e registador<br />
de alarme de dois canais,<br />
para o registo simultâneo do<br />
ECG e Pressão.<br />
NP-018<br />
E.U.A.<br />
RENATRON<br />
.<br />
Sistema para reutilização de<br />
dialisadores de fibras capilares<br />
lavagem, desinfecção e reutilização<br />
agora com<br />
a nova solução<br />
renatir1<br />
NP-022<br />
PORTUGAL<br />
LINHA SANIS<br />
Cama articulada<br />
. Mesa de cabeceira<br />
Mesa de leito. etc.<br />
Diversos <strong>Hospitalar</strong>es<br />
NP-023<br />
LABORATÓRIOS FISCH -<br />
INIBSA PORTUGUESA -<br />
R.F.A.<br />
Máquina de lavar<br />
vidraria de laboratório<br />
Especialmente concebida . para<br />
a lavagem, desinfecção e secagem<br />
de toda a vidraria, com<br />
a uti lização de um grande<br />
sortido de cestos e complementos<br />
de acordo com o tipo<br />
de vidraria.<br />
VIBRAYE<br />
DIVISÃO HOSPITALAR<br />
NP-019<br />
HELLIGE . Gmbh<br />
PULMOCOR<br />
RENAL SYSTEMS - MINNEAPOLIS<br />
HANDY PORTUGUESA, SA -<br />
HEMOPORTUGAL, LDA.<br />
MOBILIARIO HOSPITALAR<br />
--- - - ----------t----------------___J<br />
SUÉCIA<br />
MÔDULO DE DIÁLISE COM BICARBONATO<br />
Doseia a mistura dos dois concentrados<br />
e possibilita a variação<br />
do bicarbonato e do sódio<br />
independentemente. Módul~<br />
BCM 10-1 .<br />
NP-024<br />
R.F.A.<br />
DIRAPLAST®<br />
Lâmina adesiva cirúrgica.<br />
Protecção eficaz contra a infecção<br />
durante toda a intervenção<br />
NP-025<br />
Miele & Cie, Gütersloh<br />
Miele Portuguesa, Lda.<br />
:". ~<br />
GAMBRO LUNDIA AB (Lund)<br />
GAMBRO, LDA.<br />
B. BRAUN - DEXON - Melsungen<br />
B. BRAUN - DEXON<br />
SU~C/A<br />
Sistema de Hemoperfusão<br />
Adsorba<br />
Para a remoção de drogas e<br />
tóxicos, através de carvão activado.<br />
Equipado com cartuchos para<br />
pediatria (<strong>15</strong>0 gr) ou para adultos<br />
(300 gr).<br />
Gambro Ab, Lund<br />
Gambro, Lda.<br />
NP-020<br />
FRANÇA<br />
LASER MÉDICO - CIRÚRGÍCO<br />
C02 Nd - YAG<br />
• Pne~mologia<br />
• Gastrenterologia<br />
• Cardiologia<br />
•Urologia<br />
•Oncologia<br />
• Cirurgia Vascular<br />
• Cirurgia Visceral<br />
• Dermatologia<br />
• Oftalmologia<br />
CILAS- ALCATEL- Paris<br />
HEMOPORTUGAL, LDA.<br />
NP-021<br />
R.F.A.<br />
SISTEMA TUBOLAR DE TRANSPORTE<br />
PNEUMÁTICO PARA USO HOSPITALAR<br />
Utilizações - intercâmbio entre<br />
diferentes locais, transportando<br />
- rápido · - rentável<br />
- seguro - Vital<br />
- inócuo - Versátil<br />
- fiável<br />
APRESENTAÇÃO<br />
- Estações automáticas de<br />
envio e recepção com possibilidades<br />
de armazenamento<br />
de portadores.<br />
- Central microprocessadora<br />
GCT - Gran Communications<br />
Technology<br />
GMBH & CO.,<br />
CETEC SARL<br />
-<br />
NP-026<br />
R.F.A.<br />
ESTOJOS DE ESTERILIZAÇÃO DBP<br />
Vantagens dos estojos OBP<br />
-Aesculap<br />
- Facilidade de armazenamento<br />
do produto esterilizado<br />
por longo período.<br />
- Transporte seguro<br />
- Preparação fácil<br />
- Caixas estandardizadas formando<br />
unid ade homogénea<br />
- Protecção contra contaminação<br />
AESCULAP<br />
CENTRO TÉCNICO HOSPITALAR, SARL<br />
NP-027
ANUNCIANTES<br />
ALVES & CIA 59<br />
~~~~~~~~~~-~~~<br />
B. BRAUN - DEXON 6<br />
BAYER 39<br />
INDICAÇÕES<br />
AOS AUTORES<br />
Redactorial, a quem cabe decidir a sua<br />
aceitação ou recusa, consoante lhes<br />
reconheça ou não mérito suficiente.<br />
CETEC 51<br />
D~CA DA 4<br />
FINNAIR 25<br />
GAMBRO 2<br />
GERTAL 47<br />
INIBSA 55<br />
JOHNSON & JOHNSON 60<br />
MIELE 40<br />
TORNEIRAS REVOLTA 29<br />
UNISELF 29<br />
WALTER & CIA 30<br />
WILD + LEITZ 20<br />
«GESTÃO HOSPITALAR» é uma<br />
publicação trimestral de divulgação técnico-científica,<br />
opinião, actualidade e<br />
informação profissional. Embora se<br />
dirija particularmente aos gestores hospitalares,<br />
pretende igualmente responder<br />
a todo o público interessado em<br />
problemas de saúde, designadamente<br />
médicos, engenheiros hospitalares e<br />
enfermeiros.<br />
A revista aceita colaboração diversificada,<br />
desde artigos de investigação e<br />
estudos originais até comentários, notícias,<br />
textos literários e mesmo trabalhos<br />
fotográficos. Os originais recebidos<br />
serão avaliados pelo Conselho<br />
~- - - - - - - - ~ - - - - - - - .-1<br />
Para receber informações gratuitas e detalhadas acerca dos 1<br />
produtos e serviços anunciados nesta revista . envie-nos este 1<br />
postal assinalando aqueles em que tenha interesses específicos. I<br />
1<br />
1<br />
1<br />
1<br />
1<br />
1<br />
1<br />
NORMAS<br />
PARA APRESENTAÇÃO<br />
DOS MANUSCRITOS<br />
Os textos deverão:<br />
- apresentar-se dactilografados em<br />
papel normalizado (fornecido pela<br />
A.P.A.H.), ou em papel formato A4,<br />
dactilografado a dois ~spaços, 25 linhas<br />
com 60 batidas cada. Cada folha<br />
deverá ser numerada no canto superior<br />
direito.<br />
- Ser acompanhados por uma cópia.<br />
- Todos os originais deverão ser<br />
enviados para a redacção da revista -<br />
Hospital Pediátrico -Av. Bissaia Barreto<br />
- 3000 COIMBRA<br />
Os autores deverão ainda:<br />
- Preceder o texto de uma primeira<br />
folha (folha de rosto) em que conste o<br />
título do artigo (que deverá ser curto),<br />
o(s) nome(s) do(s) autor(es), formação 1<br />
profissional, cargo e actividade que l ·<br />
desempenha, outras qualificações e<br />
morada para troca de correspondência.<br />
- Apresentar além do texto, um<br />
resumo do mesmo, que não exceda as<br />
200 palavras e que contenha a razão,<br />
1<br />
objectivos e principais conclusões do · :<br />
trabalho. O resumo terá obrigatoria- .<br />
mente de ser traduzido em Inglês e<br />
facultativamente em Francês.<br />
- Evitar abreviaturas ou siglas. Se<br />
utilizadas incluir a respectiva chave, de<br />
1<br />
preferência no princípio. 1<br />
1<br />
1<br />
. _ · ·<br />
.-~. •. \<br />
' " 1<br />
·'<br />
. -:<br />
.·· \ :<br />
É O NOVO CON·CEITO DA VENTILAÇÃO<br />
PARA PACIENTES EM SITUAÇÃO CRÍTICA<br />
Precisamos conhecer os nossos leitores. Por favor «identifique-se" respon.:<br />
dendo às seguintes perguntas:<br />
1. É assinante de cc<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>"<br />
Sim O<br />
Não O<br />
2 Cargo (espec1f1que) _____________ __ _<br />
3. Habilitações Académieas._-,--______ _______ _<br />
4. Local de Aetjvidade<br />
Hospital O Administração Centrai D<br />
Administrcição Regional O Centro de Saude O<br />
Ensino O Outros (Espec1f1que) _ _ ______ _ ___ _ _<br />
Morada Residênci _____________ ______<br />
Localidade________ Código PostaL--F~~!!!!!mm------!-<br />
T elefone___ ___ __ ESCOLA NACIONAL o<br />
SAÚDE f!lúBUCA<br />
~ Morada Local Trabalho _ ______ ___ .f::'.:::'.::::::'.:=::==~~~.:_-U<br />
~ Localidade _________ Código Postal _ _ _ ___ _<br />
õ Telefone ___ _ _ ____<br />
58<br />
BIB L IO T EC A<br />
1<br />
1<br />
1<br />
ILUSTRAÇÕES<br />
Os gráficos, quadros e outras ilustrações<br />
deverão estar em separado do<br />
1<br />
1<br />
texto, numerados e devidamente re- ·<br />
ferenciados no mesmo (preferencialmente<br />
a preto e branco). As fotografias I<br />
1<br />
deverão ter boa qualidade devidamente<br />
identificadas no verso e acom- i<br />
panhadas de legenda. Diagramas e i .<br />
esquemas deverão ser apresentados 1<br />
pronto$ para reprodução. ·<br />
1<br />
REFERENCIAS<br />
BIBLIOGRÁFICAS<br />
Devem vir numeradas por ordem de<br />
citação no texto. Devem trazer nomes e<br />
iniciais de todos os autores. As iniciais<br />
dos nomes não devem vir seguidas de<br />
pontos. Segue-se o título do artigo ou<br />
do livro, o nome da revista (abreviaturás<br />
de acordo com o lndex Medicus)<br />
ou a editora do livro. No final figurarão o<br />
ano da publicação e a localização do<br />
texto referenciado (volume, · número,<br />
páginas).<br />
Os autores não deverão apresentar<br />
o texto a mais que uma<br />
revista simultâneamente. o<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/1 5<br />
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ALTA PERFORMANCE ELECTRÔNICA COM MICROPROCESSADOR<br />
ESPECIALMENTE 'CONCEBIDO PARA VENT,ILAÇÃO PEDIÁTRICA E ADULTA<br />
DESDE A VENTILAÇÃO CONTROLADA. À RESPIRAÇÃO EXPONTÃNEA<br />
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EM TRABALHO$ J~~-~ ·BOTiNA
MONOFILAMEN1i0 DE POLIPROPILENO<br />
-Uma década de<br />
resultados clínicos notáveis<br />
Em milhões de intervenções cirúrgicas, a sutura Prolene tem<br />
provado possuir uma combinação única de importantes<br />
qualidades e características clínicas.<br />
Para conseguir estas vantagens sobre outras fibras de<br />
polipropileno, a Ethicon desenvolveu um processo<br />
. exclusivo e patenteado que controla o alargamento linear do<br />
polipropileno, sendo a sutura Prolene o resultado final.<br />
ETHICON<br />
Uma Companhia<br />
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mo em todos s monofilamen os deve tomar- e cuidado para vitar danificar<br />
superfície do