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Gestão Hospitalar N.º14/15 1986

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GESTÃO<br />

REVISTA DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA<br />

DE ADMINISTRADORES HOSPITALARES<br />

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Revista da Associação Portuguesa<br />

Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

Membro da Associação Europeia de<br />

Directores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

Publicação Trimestral<br />

.Director<br />

Santos Cardoso<br />

Coordenador<br />

Lopes Martins<br />

Conselho Redactorlal<br />

Ana Manso<br />

Artur Morais Vaz<br />

Ferreira Guiné<br />

Júlio Reis<br />

Lopes Martins<br />

Maria Helena Reis Marques<br />

Santos Cardoso<br />

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N. 0 Registo 109060<br />

Depósito legal<br />

O Editorial 'é os Artigos não<br />

assinados são da responsabilidade<br />

da Direcção da Associação.<br />

Os Artigos assinados são<br />

da exclusiva responsabilidade<br />

dos seus autores, não<br />

comprometendo a Associação<br />

com os pontos de vista<br />

neles expressos.<br />

Embora merecendo a<br />

melhor atenção, a colaboração<br />

não solicitada não será<br />

devolvida, reservando-se o<br />

direito de a publicar ou não.<br />

Por José António Meneses Correia<br />

35 CONTRIBUTOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA GARANTIA<br />

DE QUALIDADE EM HOSPITAIS PORTUGUESES<br />

Por José Carlos Lopes Martins<br />

41 A UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS<br />

Por Reis Miranda<br />

43 DA RESPONSABILIDADE DOS ÓRGÃOS DE TUTELA<br />

Por Santos Cardoso<br />

45 A ARQUITECTURA E SISTEMA FUNCIONAL E CIRCULAÇÃO NA<br />

PERSPECTIVA DA SEGURANÇA - INCt:NDIO . ESCOLA N4.CIONAL DE<br />

Por Ludwig August Reiche<br />

48 CONSIDERAÇÕES RELATIVAS A PROTECÇÃÓ<br />

INFORMAÇÃO CLÍNICA<br />

Por Lopes Ferreira e Margarida Viegas<br />

SAÚDE PÚBLICA<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong> 3<br />

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'<br />

1<br />

UM ANO DE .POLÍTICA DE SAÚDE<br />

· .· _·EM PORTUGAL<br />

·.·:ON Y SOIT QUI MAL Y PENSE<br />

..<br />

; ·.<br />

A actuação do Ministério da Saúde tem<br />

assumido, neste último ano, uma curiosa<br />

e estranha mescelânea de características,<br />

mantendo-se, um pouco ao contrário do<br />

que vinha sendo habitual na área da saúde,<br />

por um quase frenesim em actuar,<br />

legislar, intervir, alterar, etc.<br />

Mas, e perdoe-se a imagem, fá-lo por<br />

vezes tão incongruentemente ·:... mas de<br />

forma tão exposta - quanto,· há alguns<br />

anos, os volframistas queimavam a fortuna<br />

recente acendendo os caros charutos<br />

em notas de banco. ·<br />

Utilizando uma curiosa inversão de<br />

método científico, tem vindo o Ministério<br />

da Saúde a actuar sobre os efeitos ignorando<br />

ou esquecendo as causas, responsabilizando,<br />

quantas vezes, as últimas,<br />

atacando intempestivamente os problemas<br />

sem suidar de alternativas viáveis.<br />

O mais que se pode dizer é que, subjacente<br />

à política de saúde em vigor, não<br />

existe uma ideologia da saúde mas sim um<br />

voluntarista, mas fragmentado e incipiente<br />

conjunto de ideias sobre a saúde.<br />

A uma assinalável lucidez no despiste<br />

dos problemas, se alia, contraproducentemente,<br />

uma real incapacidade de intervenção<br />

sobre as suas çausas profundas.<br />

(.9<br />

N<br />

o<br />

1<br />

I<br />

Enquanto duram as cruzadas contra a<br />

falta de assiduidade médica, contra a concorrência<br />

desenfreada na fisioterapia, etc.<br />

- efeitos - se esquece o serviço Nacional<br />

de saúde, ·as verbas fabulosas transferidas,<br />

anualmente, para o sector privado<br />

que detém, por demissão do Estado, o<br />

sector economicamente mais rentável das<br />

prestações. de saúde, a escassez ou má<br />

distribuição geográfica do pessoal e equipamento,<br />

etc. - as causas.<br />

Numa altura em que se fala de um ccpacote»<br />

de legislação sobre a saúde é preocupante<br />

saber-se que, em grande medida,<br />

e a avaliar pela produção legífera já<br />

conhecida, mais do que um pacote de<br />

soluções será um pacote de {novos) problemas.<br />

Mantido, até agora, no segredo<br />

dos gabinetes, o futuro da saúde foi definido,<br />

à revelia daqueles que, de uma<br />

maneira ou outra, têm evitado, há longos<br />

anos, a completa degradação do Serviço<br />

Nacional de Saúde, num perigigoso exercício<br />

criptocrático entremeado, aqui e ali,<br />

com aproximações populistas e acenos<br />

negociais.<br />

Esperemos, no entanto, poder algum dia<br />

dizer: ccOn y soit qui mal y pense». o<br />

--------------------~<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.u 14/ <strong>15</strong> 5


DA OBSTETRÍCIA<br />

EM PORTUGAL<br />

POR CARLOS G. ANTÓNIO (1), CLARISSE F. REGADAS (1), FERNANDO S. LOURINHO (2), FRANCISCO FARO (1),<br />

E MANUEL C. P. SANTOS (3)<br />

C')<br />

o<br />

1<br />

I<br />


DA OBSTETRÍCIA<br />

EM PORTUGAL<br />

...<br />

método não pretendia influir sobre o normal, sem artifícios, em família, num<br />

feto, de uma maneira clara e ineludível, ambiente obscuro e silencioso. Na<br />

pois ainda eram poucos os meios de mesma linha, mas ultrapassando-a, nos<br />

prospecção do seu meio ambiente. Estados Unidos da América do Norte,<br />

• Em 1959, a Escola de Toulouse, as mulheres da Califórnia, em alguns esdirigida<br />

pelo professor Pontomier, intro- tados, assistem-se mutuamente, conio<br />

duz o uso do pentatal como anestésico parteiras empíricas, ao parto dos seus<br />

habitual no parto. Método este alta- filhos.<br />

mente controverso quanto à sua inocui- Muitas das ideias subjacentes a estas<br />

dade, o qual, embora libertando a mu- teorias são profundamente válidas e<br />

lher da dor do parto, não lhe proporcio- úteis à necessária humanização do parnava,<br />

simultaneamente, a vivência do to. Porém, não é lícito esquecer-se que,<br />

nascimento do seu filho.<br />

_ para além dum sofrimento sensorial ou<br />

Nesta década de 50, avança-se, es- emocional, o feto está exposto a um<br />

pectacularmente, na. monitorização bio- sofrimento bioquímico muito mais grave.<br />

física do parto, procedendo-se ao • José Maria Carrera tenta a conciliaregisto<br />

· da frequência cardíaca fetal ção da corrente tecnocrática da obstetrí-<br />

(F. C.F .) e das contracções uterinas de eia oficial com as ideias de pendor<br />

uma maneira permanente e exacta. humanizante, expostas, e propõe o<br />

• Em 1956, a Escola de Montevideu parto ecológico, como sendo o parto<br />

(do professor Caldeiro-Bàrcia) fixou os que a mulher de hoje deseja; isto é, em<br />

critérios para a interpretação dos regis- que a parturiente possa:<br />

tos. Este facto alterou totalmente a filosofia<br />

de assistência ao parto pela possibilidade<br />

- 1.<br />

que trouxe de se detectar, pre­<br />

cocemente, o sofrimento fetal (S.F.) e - 2.<br />

poderem-se, assim, accionar medidas<br />

tendentes a evitar a depressão neo-natal<br />

e a subnormalidade mental.<br />

Se Caldeiro-Barcia ensina a qualificar<br />

um sofrimento fetal (S.F.}, Saling, em<br />

1962, ensina a quantificá-lo pelo estudo<br />

directo do equilíbrio ácido-básico do<br />

feto. Esta técnica, combinada com a<br />

monitorização (então francamente divulgada<br />

pela introdução, no mercado, em<br />

meados da década de 60, dos monitores<br />

electrónicos) permite o conhecimento<br />

muito exacto do grau de bem­<br />

-estar fetal.<br />

~ também nesta década que se divulgam<br />

certas técnicas de anestesia regional,<br />

em obstetrícia, tais como: a anestesia<br />

epidoral ou peridoral e a anestesia<br />

paracervical.<br />

• No início da década de 70, os<br />

movimentos ecológicos, na altura em<br />

grande actividade, influ~nciam também,<br />

especialmente pelas · suas tendências<br />

naturistas, a obstetrícia.<br />

• Em 1974, o doutor Loboyer publica<br />

o seu livro Para um Nascimento sem Violência,<br />

não se afastando, nele, do<br />

método psicoprofiláctico, mas ultrapassa-o<br />

pela maior atenção que dedica<br />

ao feto.<br />

• Em 1976, o doutor Paciornik, no<br />

Brasil, retoma o parto índio, ou parto de<br />

cócoras, porque - diz - os partos, nestas<br />

condições, em geral, são mais rápidos<br />

e atraumáticos em comparação<br />

com os partos em decúbito dorsal.<br />

• Um pouco por toda a parte, as<br />

mulheres jovens começam a contestar<br />

o parto hospitalar, excessivamente sofisticado.<br />

Desejam a assistência convencional:<br />

a mulher a dar à luz numa cama .<br />

8<br />

,<br />

- 3.<br />

- 4.<br />

- 5.<br />

Viver o seu parto com alegria e<br />

sem sobressaltos;<br />

Participar e colaborar no nascimento<br />

do seu filho, sem que isto<br />

signifique o padecimento do parto<br />

bíblico;<br />

Segurança absoluta quanto à sua<br />

vida e à sua integridade física;<br />

Salvaguarda dos interesses fetais<br />

de forma a que este não corra riscos;<br />

não sofra e nasça são de<br />

corpo e mente;<br />

Humanização do trabalho de parto<br />

e do parto pela presença do marido,<br />

quando desejada, e a criação<br />

••<br />

- -<br />

••<br />

de um ambiente afectivo e adequado.<br />

E se perguntássemos ao feto o que<br />

ele pretende, responder-nos-ia, certamente,<br />

do mesmo modo que o professor<br />

Downs; isto é, assim:<br />

- Quem quer que seja a minha mãe,<br />

quero que o seu corpo seja uma fábrica<br />

adequada para a produção do meu próprio<br />

corpo;<br />

Quero que a minha mãe esteja livre<br />

de doenças e que conte com uma correcta<br />

assistência durante a gravidez e o<br />

parto;<br />

Desejo que, durante o meu nascimento,<br />

sejamos controlados, minha mãe e<br />

eu, adequadamente, e que nos sejam<br />

evitados os sofrimentos desnecessários;<br />

Quero que a minha mãe seja mentalmente<br />

livre de opressão e seja capaz de<br />

me desejar, tratar e amar como eu chegarei<br />

a amá-la um dia;<br />

EVOLUÇÃO DO N. º DE PARTOS EM PORTUGAL ENTRE 1964 E 1984<br />

ANOS<br />

FONTE: 1.N.E.<br />

1964<br />

1965<br />

1966<br />

1967<br />

1968<br />

1969<br />

1970<br />

1971<br />

1972<br />

1973<br />

1974 '<br />

1975<br />

1976<br />

1977<br />

1978<br />

1979<br />

1980<br />

1981<br />

1982<br />

1983<br />

1984<br />

N.oDE<br />

PARTOS<br />

221736<br />

214824<br />

211452<br />

206262<br />

<strong>1986</strong>86<br />

193501<br />

176008<br />

191291<br />

176710<br />

174022<br />

173433<br />

181818<br />

188<strong>15</strong>3<br />

122219<br />

11 7019<br />

161320<br />

<strong>15</strong>9272<br />

<strong>15</strong>2832<br />

<strong>15</strong>1634<br />

144860<br />

143336<br />

VARIAÇÃO<br />

QUADRO IA<br />

fNDICEBASE<br />

fNDICEBASE<br />

1864 = 100 MÓVEL<br />

100,0 100<br />

96,9 96,9<br />

95,4 98,4<br />

93,0 97,5<br />

89,6 96,3<br />

87,3 97,4<br />

79,4 91,0<br />

86,3 108, 1<br />

79,7 92,4<br />

78,5 98,5<br />

78,2 99,7<br />

82,0 104,8<br />

84,9 103,9<br />

55,1 65,0<br />

52,8 95,7<br />

72,8 137,9<br />

71,8 98,7<br />

68,9 96,0<br />

68,4 89,2<br />

65,3 95,5<br />

64,6 98,9<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />

Seja qual for a minha raça, quero, para<br />

bem de todas as raças, que o meu lugar<br />

seja suficientemente seguro para que<br />

não me seja transmitida menos-valia ou<br />

mito de inferioridade;<br />

Qualquer que seja a educação que me<br />

ofereçam, desejo ter a oportunidade de<br />

aprender o que necessito para me<br />

desenvolver;<br />

Seja qual for o tipo de governo em que<br />

nasça, quero justiça equitativa através ·<br />

da qual possa forjar a minha própria<br />

liberdade;<br />

E porque o primeiro direito humano é<br />

nascer bem, nós só poderemos dizer a<br />

este feto falador<br />

«ASSIM SEJA,,<br />

BREVE ANÁLISE<br />

DA SITUAÇÃO<br />

DA OBSTETRÍCIA<br />

EM PORTUGAL: ALGUNS<br />

INDICADORES QUANTITATIVOS<br />

À semelhança do que aconteceu noutros<br />

países, mormente entre os mais<br />

desenvolvidos, também, entre nós, a<br />

prática obstétrica sofreu importantes<br />

alterações qualitativas e quantitativas.<br />

Os indicadores que a seguir apresentamos<br />

são, de algum modo, disso reflexo.<br />

Evolução do número de partos<br />

No período compreendido entre 1964<br />

e 1984, o número de partos diminuiu a<br />

uma taxa média anual de 2,2% - valor<br />

GRÁFICO 1<br />

EVOLUÇÃO DON.º DE PARTOS SEGUNDO O LOCAL DE OCORR~NCIA<br />

E TIPO DE ASSIST~NCIA NO DOMICILIO NO PER(ODO DE 1964 A 1984<br />

PARTOS<br />

90<br />

80<br />

70<br />

6 0<br />

50<br />

40<br />

30<br />

20<br />

10<br />

·­-----<br />

·· ···- ····· . ...<br />

64 65 66 67 68 6 9 10 7 1 72 n 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 64 ANOS<br />

FONTE l.N.E.<br />

levemente inferior ao verificado com a<br />

taxa de natalidade (2,5%) - situando-se<br />

o seu valor absoluto, no último destes<br />

anos, em 143 336 (cf. quadro IA).<br />

De realçar que, ao longo destas duas<br />

últimas décadas, a tendência decrescente<br />

verificada no número de partos<br />

ocorridos só foi contrariada em apenas<br />

4 anos (1971; 1975; 1976 e 1979), nos<br />

quais, igualmente, se constataram<br />

acréscimos das taxas de natalidade relativamente<br />

aos valores verificados nos<br />

anos imediatamente anteriores àqueles.<br />

Evolução do número de partos<br />

segundo o local de ocorrência<br />

Tendo-se tornado maioritários relativamente<br />

aos partos no domicílio, a partir<br />

de 1973, os partos efectuados em estabelecimento<br />

com internamento não têm<br />

cessado de crescer ao longo dos últimos<br />

anos, cifrando-se o seu valor percentual,<br />

em 1984, em 83,4% do número total de<br />

partos verificado em Portugal. Este valor<br />

deverá ser considerado ainda mais significativo<br />

porquanto · ele foi conseguido,<br />

em grande medida, à custa da diminui-<br />

REPARTIÇÃO DOS PARTOS OCORRIDOS EM INTERNAMENTO SEGUNDO A CATEGORIA DO ESTABELECIMENTO<br />

ANOS H. CONCELHIOS EU. N.H.D. E H. CONCELHIOS<br />

1. DE C. SAÚDE DEP. DA D.G.H.«ANTIGOS,.<br />

N.º % N.º %<br />

1980 23548 20,0 - -<br />

1981 10050 8,5 13520 11,5<br />

1982 8686 7,3 13674 11 ,5<br />

1983 8539 7,4 10524 9, 1<br />

1984 7625 6,6 10328 8,9<br />

FONTE: • Direcção-Geral dos Cuidados Primários de Saúde.<br />

• DiFecção-Geral dos Hospitais<br />

HOSP. DISTRITAIS<br />

CENTRAIS<br />

N.º %<br />

53039 45,0<br />

53976 45,7<br />

55936 47,1<br />

556<strong>15</strong> 48,3<br />

57722 49,9<br />

NOTA: por falta de dados estatísticos de algumas unidades de saúde, considerou-se que o(s) movimento(s):<br />

- dos HH. de Ovar e ~vora , em 1981 , foram iguais aos de 1980;<br />

- dos HH. de Fafe e Serpa, em 1982, foram iguais aos de 1981 ;<br />

- da Matem. Mariana Martins, em 1984, foi igual ao de 1983;<br />

- das Unid. de Internam. dos Centros de Saúde de ~vora e Viseu, em 1984, foram iguais aos de 1983.<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

HOSP. E MATERNIDADES<br />

N.º %<br />

QUADRO 1<br />

TOTAL<br />

41209 35.0 117796<br />

40546 34,3 11 8092<br />

40517 34,1 118813<br />

40518 35,2 1<strong>15</strong>196<br />

40025 34,6 1<strong>15</strong>700<br />

9


DA OBSTETRÍCIA<br />

EM PORTUGAL<br />

....<br />

ANOS<br />

ESTRUTURA DA DISTRIBUIÇÃO DE PARTOS EM INTERNAMENTO POR GRUPOS DE ESTABELECIMENTOS<br />

ENTRE 1980 e 1984 - ANÁLISE ESTATfSTICA<br />

<<br />

õ<br />

'Ui<br />

:E<br />

HOSPITAIS E MATERNIDADES<br />

CENTRAIS<br />

w<br />

C· N. ºde Estab.<br />

. (><br />

o s 1--------t<br />

tt 4(<br />

- a::<br />

o><br />

o<br />

H. DISTRITAIS ANTIGOS<br />

w ~<br />

N.º de Estab.<br />

o.<br />

• (> 1---..------4<br />

ttS<br />

o a::<br />

o~<br />

<<br />

õ<br />

'Ui<br />

:E<br />

NOVOS H. DISTRITAIS<br />

w~ N.º de Estab.<br />

Q, • (>....____<br />

tt s<br />

o a::<br />

o~<br />

QUADRO llA<br />

HH. CONCELHIOS E U.<br />

INTERNAMENTO DOS C. SAÚDE<br />

<<br />

õ<br />

'Ui<br />

:E<br />

w ~<br />

N. º de Estab.<br />

o.<br />

• (> 1---..-----l<br />

ttS<br />

o a::<br />

o~<br />

1980 4121 2927 71,0 9 1433 765 53,4 24 13 - - - - 187 247 132,1 126<br />

1981 4055 2916 71,9 9 1459 792 54,3 23 14 398 321 80,7 34 103 <strong>15</strong>8 <strong>15</strong>3,4 98<br />

1982 4092 2974 73,4 9 <strong>15</strong>12 814 53,8 22 <strong>15</strong> 391 310 79,3 35 103 130 126,2 64<br />

1983 4052 3101 76,5 9 <strong>15</strong>03 826 55,0 19 18 457 299 65,4 23 101 131 129,7 65<br />

1984 4003 3074 76,8 9 <strong>15</strong>60 856 54,9 19 18 449 282 62,8 23 87 114 131,0 87<br />

FONTE: DIRECÇÃO GERAL DOS CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE<br />

DIRECÇÃO GERAL DOS HOSPITAIS<br />

NOTA: POR FALTA DE DADOS ESTATISTICOS DE ALGUMAS UNIDADES DE SAÚDE, CONSIDEROU-SE QUE O(S) MOVIMENTO(S):<br />

- DOS H. DE OVAR E 8/0RA EM 1981 FORAM IGUAIS AOS DE 1980<br />

- DOS H. DE FAFE E SERPA EM 1982 FORAM IGUAIS AOS DE 1981<br />

- DA MATERNIDADE MARIANA MARTINS EM 1984 FOI IGUAL AO DE 1983<br />

- DAS UNIDADES DE INTERNAMENTO DOS CENTROS DE SAÚDE DE ÉVORA E VISEU EM 1984 FORAM IGUAIS AOS DE 1983<br />

GRÁFICO 11<br />

CURVA DE DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL ACUMULADA<br />

DE PARTOS EM INTERNAMENTO EM FU~ÇÃO<br />

DON.º DE ESTABELECIMENTOS DE SAUDE<br />

•y., acumulada<br />

de partos .<br />

i ; ~ -------------- -------------:.-:.;;--:.;::-.-----------~<br />

~ -<br />

.<br />

1<br />

10 :<br />

1<br />

'<br />

:o 20 Jo o ;J 60 10 3'J M ' : .: ~'J l20 :lo :;e l S) ló:><br />

ção dos partos no domicílio sem assistência,<br />

os quais, entre 1964 e 1984,<br />

sofreram uma diminuição média anual<br />

de 16,1%.<br />

De notar ainda que o aumento dos<br />

partos em estabelecimento com internamento<br />

tem sido levado a cabo sem agravamento<br />

das assimetrias interdistritais,<br />

mas, antes pelo contrário, com correcção<br />

das mesmas, uma vez que, entre<br />

10<br />

N.·· de unidades de saude<br />

1964 e 1984, o coeficiente de variação<br />

interdistritos deste indicador passou de<br />

65,7% para 16,5% e a sua amplitude de<br />

variação de 1/9,6 para 1/1 ,9.<br />

Repartição dos partos<br />

ocorridos em internamento,<br />

segundo a categoria<br />

do estabelecimento<br />

Da leitura do Quadro 1, três grandes<br />

ideias-força ressaltam do mesmo:<br />

- 1 . ª Uma relativa estabilidade do<br />

n.º de partos efectuados em hospitais e<br />

maternidades centrais, bem como do<br />

seu peso relativo no conjunto dos partos<br />

feitos em estabelecimentos com internamento:<br />

cerca de 35%.<br />

- 2.ª Um ligeiro acréscimo da importância<br />

dos hospitais distritais "antigos,,<br />

no parto em internamento - cerca de 5%<br />

entre 1980 e 1984 - aumento esse conseguido,<br />

fundamentalmente, à custa da<br />

diminuição do papel que o conjunto<br />

«hospitais concelhios + unidades de<br />

internamento de centros de saúde +<br />

novos hospitais distritais,,<br />

vêm assumindo<br />

neste campo;<br />

- 3.ª A importância do grupo «hospitais<br />

concelhios + unidades de internamento<br />

dos centros de saúde + novos<br />

hospitais distritais» resultante do facto<br />

de, ainda em 1984, mais de <strong>15</strong>% (!) do<br />

total dos partos efectuados em internamento<br />

o serem neste conjunto de estabelecimentos<br />

de saúde, onde é duvidoso<br />

existirem meios técnicos e humanos<br />

susceptíveis de permitirem a conse-<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />

cução de uma boa assistência à parturiente<br />

e ao recém-nascido.<br />

Analisando, mais em detalhe, o comportamento<br />

de cada um destes grupos<br />

de estabelecimentos (ver Quadro llA),<br />

podemos concluir que:<br />

- nos hospitais e maternidade centrais,<br />

a média de partos efectuados oscilou<br />

entre 4003 (1 984) e 4121 (1 980),<br />

variando a amplitude entre 1 / 12,3 (1981 )<br />

e 1 /26 (1984).<br />

A evolução recente, no período de<br />

1980-1984, acentua uma tendência<br />

crescente para o aumento da irregularidade<br />

de distribuição dos partos efectuados<br />

neste grupo: o coeficiente de variação<br />

subiu de 71,0% para 76,8% e os<br />

índices de concentração (Gini) aumentaram<br />

também de 0,369 para 0,396;<br />

- é no grupo dos hospitais distritais<br />

«antigos» que se verifica a maior tendência<br />

para a isodistribuição: o coeficiente<br />

de variação inter-hospitais oscila entre<br />

53,4% (1980) e 54, 9% (1984) e o índice<br />

de concentração (Gini) ·varia entre 0,28<br />

(1 98?) e 0,30 (1984).<br />

A amplitude de variação, no período<br />

de 1980-1984, está compreendida entre<br />

1/1 0,3 (1981) e 1/ 12 (1984);<br />

- As maiores assimetrias, nas distribuições,<br />

verificam-se, compreensivelmente,<br />

no grupo dos hospitais concelhios<br />

e unidades de internamento dos<br />

centros de saúde, oscilando a amplitude<br />

de variação entre 1/ 1081 (1980) e 1 /482<br />

(1 984) e o coeficiente de variação entre<br />

126,2% (1 982) e <strong>15</strong>3,4% (1 984).<br />

O índice de concentração (Gini) atesta<br />

estas grandes assimetrias, tomando, em<br />

1984, o valor de 0,63;<br />

- Verifica-se uma tendência crescente<br />

para uma maior homogeneidade do<br />

grupo «novos hospitais distritais + exhospitais<br />

concelhios dependentes da<br />

Direcção-Geral dos Hospitais»: a amplitude<br />

variou de 1/276 (1981) para 1/87<br />

(1984), tendo o coeficiente de variação<br />

oscilado entre 80,7% (1 981 ) e 62 ,8%<br />

(1984) e o índice de concentração de<br />

Gini entre 0,45 (1981) e 0,364 (1984).<br />

De referir, por último quatro apontamentos<br />

genéricos que nos sugerem uma<br />

análise global aos locais onde foram<br />

efectuados os partos em estabelecimentos<br />

(ver Gráfico li):<br />

- 1 . Das <strong>15</strong>7 unidades de saúde em<br />

que partejou, em 1984, 130 - ou seja<br />

· 82,8% - fazem menos de <strong>15</strong>00 partos/<br />

/ ano.<br />

- 2. l.)ma só destas unidades - a<br />

Maternidade Alfredo da Costa - é responsável,<br />

só por si, por cerca de 10%<br />

de todos os partos em internamento.<br />

- 3. Em cinco estabelecimentos com<br />

internamento (Maternidade Alfredo da<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />

Costa; Maternidade Júlio Dinis; Hospitais<br />

da Universidade de Coimbra; Hospital<br />

Distrital de Braga e Maternidade Magalhães<br />

Coutinho) fazem-se 1 /4 de todos<br />

os partos em internamento.<br />

- 4. 33 hospitais (9 hospitais centrais<br />

+ 24 hospitais distritais "antigos») são<br />

responsáveis por 75% do total dos partos<br />

em internamento, sendo, em consequência,<br />

25% dos partos restantes<br />

repartidos por 124 (!) estabelecimentos<br />

hospitalares ou centros de saúde com<br />

internamento.<br />

Evolução do número .<br />

de consultas de saúde<br />

materna e de obstetrícia<br />

efectuadas nos centros<br />

de saúde e hospitais<br />

Os avanços da ciência, nomeadamente<br />

os verificados nos campos da<br />

bioquímica, genética, fisiologia, endocrinologia,<br />

electrónica e informática, tornam<br />

, no que tange à obstetrícia cada vez<br />

mais possível e viável a actuação atempada<br />

sobre os factores de risco que<br />

impendem sobre a vida e saúde, quer<br />

do recém-nascido, quer de sua mãe.<br />

As consultas pré-nupciais, pré e pósnatais<br />

assumem, por isso, um papel<br />

cada vez mais importante na prossecução<br />

de um bom nível de cuidados obstétricos.<br />

Qual, então, o panorama vivido no<br />

nosso país neste campo?<br />

Analisando o Quadro li, abaixo referido,<br />

verificamos que, conquanto crescente<br />

a % de grávidas assistidas em<br />

consultas hospitalares, é ainda assaz<br />

inferior à das que são seguidas nas consultas<br />

de saúde materna efectuadas nos<br />

centros de saúde.<br />

Este facto nada indicaria de anormal<br />

se as consultas externas hospitalares<br />

ANOS<br />

fossem apenas reservadas aos casos de<br />

risco, o que nos parece ser negado pelo<br />

baixo número de consultas/utente aí<br />

verificado: 3,5 em 1982; 4,2 em 1983 e<br />

4,0 em 1984. Tudo aponta, pois, que<br />

os Serviços de Obstetrícia hospitalares,<br />

quiçá, por falta de meios humanos e técnicos<br />

em número e qualidade suficientes,<br />

voltam a sua acção, predominantemente,<br />

para o internamento e, em especial,<br />

para o parto.<br />

O Quadro Ili parece, a nosso ver, confirmar<br />

esta hipótese. Com efeito, os hospitais<br />

e maternidades centrais, embora<br />

efectuem apenas cerca de 35% do total<br />

de partos hospitalares, são responsáveis<br />

por = 60% das consultas de obstetrícia,<br />

resultante, provavelmente, de uma maior<br />

concentração de obstetras que tornam<br />

possível tal facto.<br />

De referir ainda, que no que respeita<br />

às consultas de saúde materna, são, significativamente,<br />

os distritos com maiores<br />

recursos humanos e materiais neste<br />

campo (Lisboa, Coimbra, Porto) os que<br />

apresentam uma menor taxa de cobertura<br />

de grávidas por este tipo de consultas,<br />

o que parece pressupor a existência<br />

de fortes meios alternativos, nomeadamente:<br />

a clínica privada; as consultas de<br />

especialidade em centros de saúde e as<br />

próprias consultas hospitalares.<br />

Evolução das taxas<br />

de mortalidade perinatal<br />

e materna. \Ver Gráficos Ili e IV)<br />

A taxa de mortalidade perinatal é um<br />

indicador importante do acompanhamento<br />

da gravidez, do parto e dos primeiros<br />

dias da vida do recém-nascido,<br />

sendo normalmente considerado um<br />

índice de qualidade dos cuidados obstétricos<br />

e pediátricos de um país ou região.<br />

....<br />

CONSULTAS DE SAÚDE MATERNA NOS CENTROS DE SAÚDE<br />

E DE OBSTETRÍCIA NOS HOSPITAIS, ENTRE 1982 E 1984<br />

CONS. OBST. HOSP.<br />

CONS. SAÚDE MATERNA<br />

QUADRO li<br />

N. 0 ABS. 10 N.ºCONS. % GRÁVIDAS N. 0 ABS." 0 N.ºCONS. VoGRÁVIDAS<br />

UTENTE ASSISTIDAS UTENTE ASSISTIDAS<br />

1982 93474 3,5 16,7 250608 5,8 30,6<br />

I•<br />

1983 100395 4,2<br />

. 18,5 165340 5,0 I• 24,2<br />

1984 119925 4,0 20,3 177764 5,0 26,7<br />

FONTE: • DIRECÇÃO-GERAL DOS CUIDADOS PRIMÁRIOS - SERVIÇO DE ESTAT[STICA<br />

• DIRECÇÃO-GERAL DOS HOSPITAIS - SERVIÇO DE ESTATISTICA<br />

11


DA OBSTETRÍCIA<br />

EM PORTUGAL<br />

.....<br />

'\<br />

CONSULTAS EXTERNAS HOSPITALARES DE OBSTETR(CIA<br />

NO PER(ODO DE 1980 A 1984<br />

QUADRO Ili<br />

EM HOSPITAIS E EM HOSP. DISTRITAIS EM HOSP. DISTRITAIS TOTAL<br />

MATERN. CENTRAIS «ANTIGOS» ccNOVOS»<br />

ANOS . N.º N.º CONSI CONS. N.' N.º CONS. CONS. N.º N.º CONS/ CONS. N.º N.º CONS/<br />

ABSOL /UTENTE HOSPIT. ABSOL /UTENTE HOSPIT. ABSOL /UTENTE HOSPIT. ABSOL /UTENTE<br />

1980 61626 5,2 67,1 30211 2,9 32,9 - - - 91837 4,3<br />

1981 56977 5,2 61,7 25801 3,3 27,9 9650 2,2 10,4 92428 4,4<br />

1982 55429 4,0 59,3 27805 3,2 29,2 10740 1,9 11,5 93474 3,5<br />

1983 59656 4,7 59,4 33346 3,5 33,2 7393 2.6 7,4 100395 4,2<br />

1984 62996 5,0 56,3 40903 3,5 36,5 8030 2,6 7,2 11 9929 4,0<br />

FONTE: DIRECÇÃO-GERAL DOS HOSPITAIS - SERVIÇO DE ESTATÍSTICA<br />

42<br />

40<br />

38<br />

36<br />

ç<br />

GRÁFICO 111<br />

EVOLUÇÃO DA TAXA DE MORTALIDADE PERINATAL EM PORTUGAL<br />

ENTRE 1964 E 1984<br />

GRÁFICO IV<br />

EVOLUÇÃO DA TAXA DE MORTALIDADE MATERNA EM PORTUGAL<br />

MORTALIDADE<br />

MATERNA<br />

(%O)<br />

60<br />

40<br />

20<br />

o<br />

1970 72 74<br />

ENTRE 1970 E 1984<br />

MORTALIDADE MATERNA<br />

(por 100 000 N.V.)<br />

76 78<br />

FONTES: Direcção-Geral dos Cuidados de Saude Primários<br />

80<br />

82 84<br />

ANOS<br />

1 . Da análise da situação da assistência<br />

obstétrica, em Portugal, sobressaem,<br />

como aspectos mais marcantes,<br />

os seguintes:<br />

hegemonia do parto em estabelecimento<br />

com internamento "versus"<br />

parto domiciliário;<br />

notória melhoria dos indicadores sanitários<br />

mais pertinentes;<br />

- acentuada pulverização dos locais de<br />

ocorrência do parto em unidades de<br />

saúde com internamento;<br />

- forte concentração de uma significativa<br />

percentagem dos partos em um<br />

reduzido número de estabelecimentos<br />

hospitalares;<br />

existência de um elevado número de<br />

partos em unidades deficientemente<br />

dotadas dos necessários meios humanos<br />

e materiais;<br />

indícios de insuficiente cobertura<br />

médica da gravidez, em ambulatório.<br />

34<br />

32<br />

30<br />

VARIAÇÃO DO CUSTO MÉDIO DO PARTO<br />

EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE PARTOS<br />

GRAFICO A<br />

DISTRIBUIÇÃO DOS PARTOS<br />

EM ESTABELECIMENTOS COM INTERNAMENTO<br />

POR GRUPOS DE HOSPITAIS1, EM 1984<br />

2 8<br />

l6<br />

CUSTOS UNITÁRIOS<br />

(EM CONTOS)<br />

.,,l'AHIO:-.<br />

CURVAS DE LORENZ<br />

2 4<br />

22<br />

20<br />

1 8<br />

4 l)<br />

38,7<br />

37 ,9<br />

• •<br />

6 4 65 66 67 68 69 70 11 72 73 74 75 76 11 78 79 80 81 82 83 8 4 ANOS<br />

FONTE: l.N.E<br />

Conquanto apresente uma tendência<br />

decrescente - entre 1974 e 1984, a<br />

variação média anual foi de 3,4 % - ela<br />

evidencia, entre nós, e ainda, um valor<br />

bastante elevado quando cotejado com<br />

índices similares de outros países europeus<br />

mais desenvolvidos, o que constitui<br />

um dos problemas mais graves e a que<br />

se impõe dar resposta.<br />

A diminuição da taxa de mortalidade<br />

materna é, claramente, visualizada no<br />

Gráfico IV. O seu valor (<strong>15</strong>,6 óbitos por<br />

100 000 nadas-vivos, em 1984) é de<br />

modo a permitir-nos constatar que, em<br />

Portugal. já são hoje bastante diminutos<br />

os riscos de morte associados à maternidade.<br />

CONCLUSÕES<br />

Tal como atrás já referimos, não constituiu<br />

o nosso objectivo encontrar uma<br />

resposta susceptível de implementação<br />

generalizada, mas, tão-somente, estudar<br />

soluções alternativas para uma realidade<br />

concreta - o distrito de Leiria -.<br />

à luz de critérios objectivos, que se nos<br />

afiguraram consentâneas com a consecução<br />

de um bom nível de cuidados<br />

obstétricos.<br />

j Cl<br />

28 , 4<br />

21 '')<br />

25,7<br />

24 '6<br />

20<br />

1<br />

500<br />

N N<br />

,..., ,.._<br />

. - r---<br />

1000 ::;:.<br />

......<br />

......<br />

•<br />

<strong>15</strong>00<br />

•<br />

•<br />

"°<br />

"'<br />

o<br />

N<br />

25 0U<br />

•<br />

3000<br />

N.'' DE PARTOS<br />

25 •5 b5 85 100<br />

,, .. ,. ....... f',IN11 tlf.lf\MNltJ',<br />

(..!fllrr.r. (~ ..a...f)I:<br />

., ~t'IChC)dr;lfll ....<br />

Hcl!loP ()r.I · W!liqv.,·<br />

Hc1'.(• "mal r.._..-itr..,,<br />

NOTA: Este artigo é extracto de<br />

comunicação apresentada<br />

no 1. º Encontro dos Novos<br />

Hospitais Distritais, realizado<br />

em Alcobaça, em Junho de <strong>1986</strong><br />

12<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

13


PERCENTAGEM DE PARTOS EM ESTABELECIMENTO COM INTERNAMENTO, POR DISTRITO DE RESIDf:NCIA<br />

DAS PARTURIENTES, NO ANO DE 1984<br />

Comunicação apresentada nas VI JORNADAS DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR<br />

GARANTIA DE QUALIDADE<br />

DOS CUIDADOS<br />

MÉDICOS HOSPITALARES<br />

POR: Prof. J. M. CALDEIRA DA SILVA *<br />

_..., __ ..._'V'' X X :..: ><br />

.,..___:..~ X X X X X X<br />

x xxxx xx<br />

X X X X X X X<br />

)( 'X X X X X X<br />

)( X X X X )( )( )( )( ')f<br />

X X X Y. X X<br />

)( X X X X X X X<br />

xxxxxx': X X )( X<br />

)( )( X<br />

LEGENDA<br />

o 0-60<br />

~ 60-70<br />

flf!JJ<br />

m<br />

70 - 80<br />

80-90<br />

~ 90 - 100<br />

FONTE: l.N.E .. ESTATÍSTICAS DA SAÚDE. 1984<br />

Ãdoptámos a expressão GARANTIA<br />

DE QUALIDADE para a área do saber e<br />

das actividades que é reconhecida e<br />

aceite internacionalmente pela designação<br />

inglesa QUALITY ASSURANCE.<br />

Garantia de qualidade dos cuidados<br />

em hospitais representa matéria tão<br />

vasta e complexa e, também, tão confusa<br />

e tão controversa, que bem justifica<br />

que ao tema sejam dedicadas as VI Jornadas<br />

de Administração <strong>Hospitalar</strong>.<br />

Por outro lado, o assunto é novo (entre<br />

nós) e de enorme actualidade; consideramo-lo<br />

- juntamente com a infecção<br />

nosocomial, consciencialização de custos<br />

e modalidades de financiamento<br />

com base em grupos de diagnóstico -<br />

um dos quatro grandes temas de maior<br />

impacte e actualidade no forum hospitalar.<br />

O interesse do tema é confirmado<br />

pelo elevadíssimo número de projectos<br />

de investigação e de publicações sobre<br />

o assunto, aparecidos nos últimos tempos.<br />

Trata-se de uma matéria difícil, não<br />

pacificamente aceite, despertadora de<br />

susceptibilidades e exacerbadora de<br />

sensibilidades. Trata-se, também, de<br />

uma matéria controversa.<br />

Mas, é útil e do interesse de todos -<br />

profissonais de saúde e utentes.<br />

Há, por isso, como primeira etapa de<br />

uma estratégia, que a trazer a terreiro,<br />

iluminá-la pela clareza, explicá-la, ganhar<br />

* Professor na Escola Nacional<br />

de Saúde Pública<br />

para ela a adesão dos vários grupos profissionais.<br />

Como diz Donabedian, o maior arquitecto<br />

da construção teórica sobre<br />

Garantia de Qualidade dos cuidados de<br />

saúde, são os próprios profissionais de<br />

saúde que devem adaptar e assumir a<br />

responsabilidade de processos de avaliação<br />

e correcção da qualidade dos cuidados<br />

que prestam.<br />

As Jornadas de Administração <strong>Hospitalar</strong>,<br />

ao apresentarem e debaterem este<br />

tema, têm entre ·os seus objectivos facilitar<br />

e concorrer para o assumir dessa<br />

responsabilidade por médicos. administradores,<br />

enfermeiros, terapeutas e<br />

todos os outros profissionais de saúde.<br />

Atendendo à novidade (relativa) do<br />

tema e do desentendimento que existe<br />

neste área, considera-se útil, no âmbito<br />

das Jornadas, dar uma perspectiva global<br />

sobre o assunto e esclarecê-lo. É o<br />

que se pretende com este trabalho de<br />

síntese. Ele estará particularmente<br />

focado sobre os cuidados mé.dicos (no<br />

seu sentido restrito). dada a sua relevância<br />

no quadro da Garantia de Qualidade<br />

dos cuidados de saúde e, por outro<br />

lado, nos cuidados prestados no hospital<br />

, origem e sede privilegiada da aplicação<br />

das metodologias de avaliação e<br />

correcção da qualidade.<br />

Sucessivamente, serão abordados os<br />

pontos seguintes:<br />

Situar o assunto e caracterizar o<br />

seu conteúdo, motivações e breves<br />

antecedentes históricos;<br />

Explorar conceptualmente a ideia<br />

de qualidade de cuidados médicos;<br />

Abordar a metodologia de um programa<br />

de garantia de qualidade (de<br />

cuidados médicos);<br />

Fazer o ponto da situação no presente<br />

e prespectivar o que poderá<br />

acontecer;<br />

Concluir.<br />

SITUAR O TEMA.<br />

NECESSIDADES E MOTIVAÇÕES<br />

QUE DERAM ORIGEM AOS<br />

PROGRAMAS DE GARANTIA<br />

DE QUALIDADE E CONCEITO.<br />

BREVE ABORDAGEM<br />

HISTÓRICA.<br />

Para melhor situar o tema, podemos<br />

começar por levantar algumas questões:<br />

É a medicina exercida devidamente?<br />

Existe uma qualidade nos cuidados<br />

médicos (ou cuidados de saúde)? É ela<br />

avaliável e mensurável? Que valor terá a<br />

qualidade dos cuidados médicos que se<br />

prestam? Será possível avaliar a qualidade<br />

dos cuidados e introduzir correcções?<br />

O exercício médico e a prestação de<br />

cuidados médicos baseia-se na aplicação<br />

de princípios científicos. Sendo os<br />

actos médicos (ou sob a sua responsabilidade<br />

e por sua decisão) b3.seados na<br />

ciência e não na sorte, avaliar os resultados<br />

desses actos nos doentes pode<br />

ser tomado como natural, no âmbito<br />

científico da actuação médica. pois os<br />

....<br />

14<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />

<strong>15</strong>


MÉDICOS HOSPITALARES<br />

resultados devem estar correlacionados<br />

com a correcção com que a ciência foi<br />

aplicada nos processos de diagnóstico<br />

e terapêutica.<br />

Mas as coisas não se passam desta·<br />

maneira simplista. Outros valores entram<br />

em jogo, complicam e distorcem o princípio<br />

simples.<br />

A profissão médica tem uma reacção<br />

de rejeição em relação a este assunto,<br />

incluindo à ideia de qualidade de cuidados<br />

médicos e muito mais emotiva à<br />

i ; ~ 9 ia de uma avaliação dessa qualidade.<br />

O corpo médico tem aversão a qualquer<br />

tipo de avaliação, porque significa a<br />

intromissão (de leigos), comparação,<br />

ameaça à liberdade clínica.<br />

Outras razões são também invocadas 1<br />

como a de que o exercício da medicina<br />

é uma «arte" não comparável e não<br />

mensurável; que o trabalho médico só<br />

pode ser apreciado por outros médicos;<br />

que a avaliação não passa de uma análise<br />

de custos e de restrições financeiras.<br />

Na caracterização particular do trabalho<br />

médico - acentuado profissionalismo,<br />

ética e peculariedade do comportamento<br />

médico - poderá encontrar-se<br />

um esboço de avaliação da qualidade<br />

da actuação médica. Realmente, o<br />

acentuado profissionalismo acarreta<br />

autocorrecção, auto-regulação e busca<br />

de aperfeiçoamento. Os médicos foram<br />

educados e estão habituados a exercer<br />

a sua profissão em confiança; estão<br />

habituados, também, a tentar explicar<br />

diferenças nos padrões de exercício, o<br />

que estimula a sua curiosidade intelectual,<br />

primeiro passo para a correcção e<br />

aperfeiçoamento.<br />

Tradicionalmente, também, a profissão<br />

médica controla a qualificação e a<br />

integridade dos seus membros, atraves<br />

do chamado controlo de competência.<br />

São exemplos as exigências para se<br />

obter a licença para exercer, as impostas<br />

pelos colégios de especialistas, as da<br />

carreira médica.<br />

Pode dizer-se, então, que uma preocupação<br />

com a avaliação do seu próprio<br />

trabalho e aperfeiçoamento sempre existiram<br />

de modo natural e implícito.<br />

Estas formas, nos últimos tempos,<br />

não têm sido suficientes, em grande<br />

parte devido a mudanças radicais na<br />

área da prestação de cuidados de saúde,<br />

tendo-se originado pressões sobre<br />

o trabalho médico, conducentes ao aparecimento<br />

de outro tipo de avaliação.<br />

É assim que se chega ao conceito<br />

actual de controlo e monitorização da<br />

qualidade dos cuidados médicos, ou<br />

melhor, de garantia de qualidade, que<br />

constitui o tema deste trabalho.<br />

Por garantia de qualidade entende-se,<br />

então, o processo sistemático, organi-<br />

zado e contínuo de análise crítica e avaliação<br />

da qualidade dos cuidados médicos<br />

e da utilização dos recursos, usando<br />

critérios objectivos, acrescido das consequentes<br />

mudanças e correcções das<br />

deficiências encontradas.<br />

O conceito inclui, assim, (o que é<br />

muito importante), duas funções: avaliação<br />

e correcção de deficiências. É, portanto,<br />

um conceito dirigido para a acção<br />

e dinâmico e não só metodológico. É a<br />

coexistência das duas componentes<br />

que caracteriza o conceito de garantia<br />

de qualidade. O que visa é obter mudanças<br />

e aperfeiçoamento (designadamente<br />

melhoria no estado de saúde dos utentes)<br />

e não só controlar e muito menos<br />

punir.<br />

Não se trata de inspecção, nem de<br />

um processo administrativo; não tem<br />

finalidades punitivas, mas sim correctivas,<br />

usando fundamentalmente actividades<br />

de formação. De uma maneira geral,<br />

deve tratar-se de um processo voluntário,<br />

local, interpares, orientado para problemas.<br />

É um processo despendioso.<br />

Embora teoricamente todo o tipo de<br />

cuidados e todos os serviços prestados<br />

(aos . vários níveis do sistema) possam<br />

ser submetidos a um processo de<br />

garantia de qualidade, na prática, quase<br />

todos os programas - estudos, projectos<br />

de investigação, publicações - respeitam<br />

ao hospital e, particularmente,<br />

ao hospital de agudos e ao regime de<br />

internamento.<br />

Porquê? Porque esta actividade<br />

começou nos hospitais, porque estes<br />

são serviços bem delimitados e bem<br />

definidos, como os grupos profissionais<br />

que servem e as situações clínicas que<br />

enfrentam. Alta tecnologia, técnicas<br />

complexas e invasivas, casos graves,<br />

profissionais de saúde muito diferenciados,<br />

serviços muito caros. Organização,<br />

apoio administrativo, dossiers clínicos<br />

mais aperfeiçoados, programas de educação<br />

contínua desenvolvidos. Situações<br />

dramáticas, serviços sob a mira<br />

dos políticos, da administração, do<br />

públiqo e outras forças de pressão.<br />

Programas de garantia de qualidade<br />

respeitam essencialmente a médicos (os<br />

responsáveis, os que tomam decisões<br />

nas áreas de diagnóstico, do tratamento<br />

e da reabilitação, os chefes da equipa),<br />

os profissionais de saúde que gastam o<br />

dinheiro. Novas aplicações aos profissionais<br />

de enfermagem e também a outros<br />

profissionais. Actividade essencialmente<br />

desenvolvida na América do Norte, onde<br />

começou e onde a variação é muito<br />

grande no que respeita à formação de<br />

profissionais de saúde, aos serviços<br />

prestadores de cuidados e ao nível dos<br />

cuidados médicos prestados.<br />

Em termos práticos - e na sua maior<br />

aplicação, isto é, aos hospitais - o que<br />

se pretende com o processo de garantia<br />

de qualidade é aplicar mecanismos que<br />

mantenham os cuidados médicos ali<br />

prestados sob constante ou periódica<br />

revisão, apontando desvios em relação<br />

a padrões fixados ou aceites, ou deficiências<br />

em ordem a desencadear imediatas<br />

medidas de correcção.<br />

Entre as motivações que levaram ao<br />

aparecimento de processos de garantia<br />

de qualidade como uma necessidade<br />

citam-se:<br />

- variação no nível de qualidade de<br />

cuidados;<br />

- ética, que valida todos os processos<br />

que tendem a aperfeiçoar as actividades<br />

que lidam com valores como o<br />

bem estar e a vida;<br />

- segurança, que justifica a protecção<br />

do doente e a redução da margem<br />

de risco;<br />

- razões económicas, face ao<br />

aumento imparável dos custos com os<br />

cuidados de saúde, com as técnicas<br />

modernas e a necessidade da sua contenção;<br />

- sociais, porque se desenvolvem os<br />

conceitos de direito à saúde, os sistemas<br />

de saúde, os seguros-doença, os<br />

conceitos de responsabilização dos<br />

prestadores de cuidados médicos<br />

perante a sociedade; porque aumenta a<br />

pressão dos grupos e interesses mais<br />

diversos sobre o trabalho médico e a<br />

profissão médica e o modo como<br />

actuam nas áreas do diagnóstico e do<br />

tratamento (redução da confiança).<br />

Nos USA, a força enorme dos processos<br />

litigiosos e judiciais no âmbito da<br />

chamada «Crise de negligência médica,, ,<br />

representa motivação de destaque.<br />

Refira-se, como interessante, que a<br />

iniciativa original do processo de garantia<br />

de qualidade vem dos médicos, embora<br />

com resistência; as autoridades mantinham-se<br />

desinteressadas, mas com a<br />

subida dos custos, as autoridades passam<br />

a interessar-se e a estimular estudos<br />

e actividades no âmbito da avaliação<br />

e começam a legislar; aí, os médicos<br />

reagem e pretendem retomar a iniciativa<br />

afastando do processo a interferência d~<br />

leigos.<br />

Historicamente, há vestígios de controlo<br />

de qualidade do exercício médico<br />

desde há séculos. Florence Nightingale,<br />

no Séc. XIX introduz uma forma organizada<br />

de revisão de utilização dos recursos<br />

hospitalares e propõe mecanismos<br />

para relacionar os cuidados médicos<br />

com os resultados e o estado dos doentes<br />

à saída do hospital. No início do<br />

século, Codman - o cirurgião de Boston<br />

- a sua iniciativa e proposta para avalia-<br />

ção sistematizada dos verdadeiros resultados<br />

obtidos nos doentes cirúrgicos em<br />

função dos cuidados médicos constitui<br />

um marco da maior relevância para a<br />

institucionalização da garantia de qualidade,<br />

abandonado por razões e interesses<br />

diversos. Durante 30 a 40, o processo<br />

fica adormecido, desenvolvendo­<br />

-se apenas um programa de padronização<br />

mínimo para os hospitais nos EUA<br />

e Canadá. Na década de 60, nos EUA,<br />

os programas de Medicam e Medicaid<br />

estimulam o desenvolvimento de programas<br />

de audit médico e de revisão de<br />

utilização e levam à criação de esquemas<br />

de avaliação dos cuidados hospitalares,<br />

organizados, os chamados<br />

«PSROs".<br />

Exploração conceptual incidindo<br />

sobre a qualidade de cuidados<br />

médicos.<br />

Para os diversos autores, qualidade<br />

ou não é definível, ou reconhecem a<br />

existência de um número imenso de<br />

definições. Não há uma definição universalmente<br />

aceite.<br />

Difícil encontrar um conceito normativo<br />

ou essencial. As definições clássicas<br />

(como as de Lee e Jones e de Esselstyn)<br />

não são puras entrando já na própria<br />

definição com julgamentos de valor a<br />

priori. Donabedian avança um conceito<br />

muito simples: o balanço entre os benefícios<br />

para a saúde e os eventuiais<br />

danos.<br />

Pode usar-se um conceito que considere<br />

os· seus atributos ou manifestações,<br />

ou optar por uma definição operacional.<br />

Na prática, há necessidade de<br />

fixar critérios e padrões, sem o que nos<br />

arriscaríamos a dispor de um conceito<br />

perfeito mas completamente inútil por<br />

não permitir comparar e ajuízar do seu<br />

valor.<br />

Há tendência, num processo de avaliação<br />

da qualidade dos cuidados médicos,<br />

para fugir para a avaliação dos<br />

prestadores ou dos meios usados na<br />

prestação dos cuidados.<br />

A análise do módulo mais simples de<br />

gestão de prestação de cuidados médicos<br />

- um episódio de doença aguda claramente<br />

definido, num determinado<br />

doente, gerido por um médico - permitiria<br />

identificar dois domínios, ou duas<br />

componentes: a técnico-científica (a<br />

ciência do exercício da Medicina) e a das<br />

relações interpessoais (a arte do exercício).<br />

Em cada um dos domínios é possível<br />

identificar factores de qualidade<br />

mais especificamente.<br />

Este modelo complicar-se-ia quando<br />

se lhe acrescentassem componentes<br />

secundárias - (1) factores de humanização<br />

dos cuidados, (2) quantidade e (3)<br />

custos.<br />

Uma quantidade insuficiente de cuidados<br />

para as necessidades deteriora a<br />

qualidade; cuidados excessivos podem<br />

causar danos, aumentam os riscos,<br />

podem gerar fenómenos iatrogéneos,<br />

aumentam o custo, absorvem recursos<br />

que poderiam ser úteis a outros e contrariam<br />

o princípio da parcimónia.<br />

Os custos financeiros não devem ser<br />

considerados como um ingrediente obrigatório<br />

da qualidade, mas, nos últimos<br />

tempos, os custos tendem a ser tomados<br />

como uma componente da qualidade,<br />

numa ideia de custo eficácia.<br />

A satisfação do doente poderia, também<br />

e para alguns autores, ser um atributo<br />

da qualidade. Se os cuidados<br />

médicos são encarados sob um prisma<br />

mais lato (não só a relação recíproca e<br />

personalizada médico-doente), aspectos<br />

como a disponibilidade, acessibilidade,<br />

conveniência, adequação, continuidade<br />

e globalidade seriam outras tantas componentes<br />

de qualidade.<br />

Donabedian propõe correlacionar<br />

benefícios com riscos e custos, para<br />

chegar a um resultado de utilidade e de<br />

saldo entre o valor destas variáveis que<br />

corresponderia ao conceito de qualidade.<br />

O objectivo consiste na procura de<br />

qualidade optimizada (qualidade lógica,<br />

de Vuori) e não maximizada, em termos<br />

realistas.<br />

Outro modo de interpretar qualidade<br />

de cuidados médicos seria através das<br />

suas componentes ou formas de apreciação:<br />

- eficácia, que significa o impacte de<br />

um serviço, num sistema operativo, em<br />

condições ideais;<br />

- efectividade, significando a relação<br />

entre o impacte real de um serviço num<br />

sistema operativo e o seu potencial<br />

impacte total numa situação ideal;<br />

- eficiência, querendo significar a<br />

relação ~ntre o impacte real de um serviço<br />

e os recursos investidos.<br />

Para os vários grupos envolvidos no<br />

sector da saúde, qualidade de cuidados<br />

médicos não tem o mesmo significado<br />

ou a mesma dominância.<br />

Para os políticos interessa-lhes a<br />

satisfação geral da comunidade e prestação<br />

de cuidados equitativamente; os<br />

administradores pensam em bons serviços<br />

e. bons resultados próximos com o<br />

menor uso de recursos; os médicos<br />

estabelecem a conotação com a possibilidade<br />

de utilizar os últimos progressos<br />

da ciência e da tecnologia, de modo a<br />

obter diagnósticos e tratamentos eficazes;<br />

os utentes/ doentes correlacionam<br />

qualidade com alívio do sofrimento e do<br />

desconforto, com a identificação das<br />

causas das suas doenças e com o restauro<br />

das suas capacidades físicas e<br />

funcionais.<br />

Metodologia de um programa de<br />

garantia de qualidade<br />

Para investigar o valor da qualidade<br />

dos cuidados médicos, identificar eventuais<br />

deficiências e obter correcções e<br />

aperfeiçoamentos, o processo de garantia<br />

de qualidade recorre a uma metodologia<br />

própria.<br />

Não se pode dizer que haja uma única<br />

metodologia, . pois constitui área de<br />

divergências entre autores e onde se<br />

tem investido largamente em estudos<br />

sob aspectos conceptuais e operacionais.<br />

Basicamente, a metodologia que se<br />

...<br />

16<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

17


MÉDICOS HOSPITALARES<br />

segue compreende cinco fases, que se<br />

sucedem em ciclo fechado, num sistema<br />

de tipo cibernético.<br />

Previamente, há que tornar o processo<br />

conhecido e fazê-lo aceitar no<br />

hospital, particularmente usando uma<br />

estratégia de larga informação e esclarecimento<br />

e de adesão dos profissionais<br />

para a ideia.<br />

Há, igualmente (e visto que se trata<br />

de um processo orientado para problemas)<br />

que seleccionar e ordenar, por<br />

prioridades, os tópicos ou problemas a<br />

submeter ao processo de garantia de<br />

qualidade e que devem obedecer às exigências<br />

seguintes: terem relevância para<br />

a saúde e em termos económicos, constituírem<br />

situações bem definidas, ser fácil<br />

estabelecer critérios e padrões para<br />

comparação e serem susceptíveis de<br />

mudanças e correcções.<br />

A selecção das actividades, tópicos a<br />

avaliar, pode fazer-se, também, ou (1)<br />

recorrendo à elaboração de uma lista de<br />

casos ordenados por prioridades por<br />

uma comissão própria, ou (2) através<br />

dos chamados quadros de gradação da<br />

gravidade das doenças, ou, ainda, (3)<br />

pelos «Casos sentinela» inesperados e<br />

merecendo investigação.<br />

A 1 . ª fase consiste em coleccionar<br />

informação e conhecer a prática corrente<br />

e real (como são prestados os cuidados<br />

médicos), o que normalmente se<br />

faz, numa atitude retrospectiva, recorrendo<br />

aos processos clínicos.<br />

Poderia recorrer-se, também, à observação<br />

directa, aos inquéritos ou à análise<br />

de dados estatísticos habitualmente<br />

colhidos e tabulados. Normalmente,<br />

está-se, portanto, perante aquilo a que<br />

se chama «revisão de casos". ..<br />

Para conhecer esta prática corrente e<br />

o modo como os cuidados são prestados,<br />

pode usar-se, basicamente, três ·<br />

tipos de abordagem: incidindo sobre as<br />

estruturas, o processo ou os resultados<br />

finais. Trata-se de matéria muito<br />

controversa, muito estudada, em que<br />

vários autores discutem as vantagens e<br />

os inconvenientes dos três métodos.<br />

A abordagem das estruturas representa<br />

a apreciação de todos os recursos<br />

envolvidos, desde os físicos aos organizacionais,<br />

passando pela qualificação<br />

dos profissionais. É um método indirecto,<br />

considerado hoje menos válido, mas<br />

que dá indicações preciosas sobre as<br />

condições para a prestação de cuidados.<br />

A abordagem pelo processo refere-se<br />

às actividades entre prestadores e utilizadores,<br />

ao processo de cuidados médicos<br />

propriamente dito, ao modo e ao<br />

caminho seguido para chegar ao<br />

diagnóstico e à terapêutica. É um<br />

método directo, o mais fácil, o mais prático<br />

e o mais utilizado.<br />

O método que utiliza a abordagem<br />

dos resultados finais foi o usado por<br />

Codman no princípio do século e respeita<br />

aos próprios objectivos dos cuidados<br />

médicos, ao estado de saúde<br />

dos doentes após a prestação dos cuidados.<br />

Daí a sua enorme validade e<br />

actualidade. Trata-se de uma abordagem<br />

indirecta, difícil e despendiosa.<br />

Grande dificuldade em encontrar critérios<br />

e indicadores e, depois, em julgá-los<br />

e medi-los; há que recorrer a inquéritos<br />

especiais, entrevistas e à técnica de folloe-up;<br />

as conclusões da avaliação são<br />

diferidas no tempo em relação aos resultados<br />

no estado de saúde dos doentes.<br />

Factores exteriores e estranhos<br />

podem deformar os resultados do processo<br />

de garantia de qualidade, como<br />

aspectos culturais, sociais, do meio,<br />

genéticos, do caso e do grau de conformação<br />

dos doentes com as prescrições<br />

médicas, quando se utiliza a abordagem<br />

pelos resultados finais.<br />

A este respeito fala-se no indicador<br />

único e global de apreciação do estado<br />

de saúde (HSI), no recurso a vários indicadores<br />

ou a um «perfil» de variáveis e<br />

vectores. São mais usadas variáveis de<br />

mortalidade, morbilidade, satisfação,<br />

capacidade funcional e reintegração<br />

social.<br />

Os dois programas mai$ vulgarmente<br />

utilizados nos EUA, no âmbito do<br />

método que usa a abordagem do pro­<br />

. cesso, são a revisão de utilização e<br />

o audit médico. A revisão de utilização<br />

é um método mais no âmbito da administração,<br />

de tipo económiéo, que aprecia<br />

a decisão de internamento, a duração<br />

deste e o grande recurso a meios<br />

complementares. O audit médi~o (ou<br />

revisão inter-pares, ou revisão de cuidados<br />

médicos) e que compreende observação<br />

detalhada, acrescida de julgamento,<br />

tem sido o método mais usado,<br />

baseando-se na observação retrospectiva<br />

dos dossiers médicos, comparando<br />

habitualmente o seu conteúdo com critérios<br />

objectivos, e é feito por médreos.<br />

Os três métodos de abordagem têm<br />

constituído matéria de investigação aturada<br />

e de debate sobre o seu mérito<br />

pelos vários estudiosos. Difícil de estabelecer<br />

relações de causalidade entre o<br />

método usado e a qualidade dos cuidados<br />

médicos. Concluí-se que, nesta<br />

matéria, há necessidade de prosseguir<br />

o estudo e a investigação.<br />

A 2.ª. etapa consiste em escolher critérios.<br />

e padrões, o que se torna indispensável<br />

para comparar e formular juízo<br />

de valor.<br />

Os critérios são vias predeterminadas,<br />

relativamente às quais podem ser comparados<br />

aspectos de qualidade.<br />

Padrões são valores dos critérios, que<br />

·expressam uma medida boa, ou um<br />

grau adequado, ou um intervalo de variação<br />

aceitável.<br />

Os critérios explícitos - preparados<br />

por grupos de especialistas, antes do<br />

processo de avaliação - são mais objectivos<br />

e os critérios implícitos, de tipo subjectivo,<br />

são os dos próprios avaliadores<br />

durante o processo de avaliação,<br />

estando mais sujeitos a enviesamentos.<br />

Critérios e padrões são chamados de<br />

normativos ou ideias, se estabelecidos<br />

em termos teóricos, recorrendo à literatura<br />

reconhecida e a peritos de foro académico,<br />

e empíricos, se fixados por<br />

especialistas práticos e clínicos.<br />

A 3. ª etapa consiste em comparar a<br />

prática real observada (cuidados médicos<br />

que foram, ou são, praticados) com<br />

os padrões e identificar eventuais deficiências<br />

de qualidade. É imediata e pode<br />

optar-se pela metodologia que usa critérios<br />

explícitos ou pela que usa critérios<br />

implícitos e, no primeiro caso, por<br />

padrões ideais, ou empíricos.<br />

Pode, ainda, comparar-se a situação<br />

observada com padrões mínimos de<br />

qualidade.<br />

Na 4.ª etapa propõem-se mudanças<br />

e correcções, se se identificarem desvios<br />

ou deficiências.<br />

As mudanças podem respeitar à instituição,<br />

ou ao comportamento individual<br />

de médicos (ou outros profissionais), ou<br />

de utentes.<br />

Os programas de educação (contínua)<br />

constituem o mecanismo mais usado<br />

para obter essas mudanças ou aperfeiçoamentos<br />

dos médicos, que incidem<br />

sobre os conhecimentos, aptidões e atitudes,<br />

embora com particular ênfase nos<br />

conhecimentos.<br />

Outros mecanismos utilizados para<br />

correcção e mudança são a revisão<br />

intercorrente do exercício médico e o<br />

emprego de protocolos.<br />

Os programas de educação (contínua)<br />

num processo de garantia de qualidade,<br />

designadamente o seu valor como<br />

agente de mudança, têm dado lugar a<br />

vários estudos e representam matéria de<br />

acentuada discordância entre autores.<br />

Estes programas são elaborados com<br />

base directa nas insuficiências (e portanto<br />

necessidades) detectadas.<br />

Segundo Brown e o seu conceito de<br />

duplo ciclo, os dois ciclos (o dos cuidados<br />

médicos e o dos programas de educação)<br />

estão relacionados e apresentam<br />

uma interdependência, tendo ambos· os<br />

ciclos origem. nas necessidades de aperfeiçoamento<br />

dos cuidados de saúde.<br />

Vencer a resistência à mudança é algo<br />

com que tem que se contar e pressupõe<br />

elaborar e seguir uma estratégia,<br />

entrando neste campo os vários aspectos<br />

de resolução de conflitos.<br />

Na 5.ª etapa faz-se (segundo um processo<br />

de retorno) a reavaliação ou monitorização,<br />

completando o ciclo. Depois<br />

de se dar tempo a que as mudanças<br />

possam ter lugar, observa-se de novo a<br />

realidade da prestação dos cuidados,<br />

· através de informação recolhida, a fim<br />

de monitorizar a correcção (e manutenção)<br />

das deficiências.<br />

Esta avaliação da própria avaliação<br />

deve incluir os custos e os recursos<br />

envolvidos no processo de garantia de<br />

qualidade, que devem ser apreciados<br />

criteriosamente.<br />

SITUAÇÃO ACTUAL NA EUROPA<br />

E PROSPECTIVA<br />

Embora mostrando curiosidade, os<br />

países da Europa consideram ainda a<br />

avaliação e garantia de qualidade um<br />

processo nebuloso e perigoso, pelo que<br />

só se encontram experiências esporádicas,<br />

designadamente no Reino Unido,<br />

Espanha, Holanda e Itália. Portugal inicia,<br />

com a colaboração da OMS, um<br />

programa relativo a cuidados de enfermagem<br />

e estão dados os primeiros passos<br />

no sentido da montagem de programas<br />

de revisão da utilização em alguns<br />

hospitais centrais e distritais.<br />

A prospectiva mostra-nos uma tendência<br />

para incorporar a contenção de<br />

custos obrigatoriamente no conceito e<br />

nos programas de garantia de qualidade,<br />

devido às restrições financeiras no<br />

sector saúde, face à escalada dos<br />

encargos e ao domínio da atitude de<br />

custo-eficácia.<br />

No futuro, há necessidade de prosseguir<br />

a investigação, procurando tornar o<br />

processo de garantia de qualidade num<br />

método de rigor científico. Deve tentar­<br />

-se que o processo administrativo não<br />

sufoque o profissional e que não haja<br />

contrição da autonomia clínica e do valor<br />

da componente de arte dos cuidados<br />

médicos. A avaliação deve processar-se<br />

sempre num clima de correcção, aperfeiçoamento<br />

dos cuidados e do estado<br />

de saúde dos utentes e estar muito<br />

ligada à educação dos profissionais.<br />

Os programas evoluirão para a multidisciplinaridade,<br />

para os outros níveis de<br />

cuidados do sistema, focalizando-se<br />

mais no doente/utente.<br />

CONCLUSÃO<br />

Como conclusão poderá dizer-se que,<br />

chegados a este ponto, será desejável<br />

que se desenvolvam, voluntariamente,<br />

programas de garantia de qualidade dos<br />

cuidados médicos, o que se vem<br />

notando recentemente, evitando que a<br />

avaliação caia na mão de leigos e na<br />

burocracia.<br />

A profissão médica é responsável<br />

perante os doentes, perante a sociedade.<br />

Os doentes esperam que os médicos<br />

- e os outros profissionais de saúde<br />

- vão procedendo à monitorização<br />

dos cuidados que prestam e do seu trabalho.<br />

Em termos nacionais e de administração<br />

de saúde, pensa-se que a entidade<br />

responsável pela rede hospitalar e pelos<br />

cuidados que ela presta vá seguindo<br />

uma táctica sem atropelos, sensibilizando<br />

para a aceitação da ideia e esclarecendo<br />

o conteúdo da matéria, levando<br />

a que os grupos profissionais e os hospitais<br />

adoptem voluntariamente a aplicação<br />

de processos de garantia de qualidade.<br />

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project: instltutionalizli19 a system<br />

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FOWKES, F.G. - Medical audit cycle.<br />

«Medical Education», ·)xford, (16), 1982, pp.<br />

18<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/1 5<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

1'9


GARANTIA DE QUALIDADE<br />

DOS CUIDADOS<br />

MÉDICOS HOSPITALARES<br />

~<br />

228-238.<br />

GEYNT, Willy de - Five approaches for<br />

assessing the quality of care. "Hospital<br />

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21-42.<br />

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audit. ccJournal of the American Medical<br />

Association" Chicago, (199), 1967, pp. 543-<br />

Sinónimo de precisão<br />

Microscópios cirúrgicos<br />

Microscópios biológicos<br />

Microscópios de análise<br />

Microscópios estereoscópicos<br />

Micrótomos<br />

Sistemas modulares<br />

de microfotografia<br />

Sistemas óptico-electrónicos<br />

de análise<br />

WILD+ LEITZ<br />

PORTUGAL, LDA.<br />

550.<br />

MCAULIFFE, William E. - Measuring the<br />

quality of medical care: process versus<br />

outcome. «Milbank Memorial Fund Ouarterly/<br />

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of the American Medical Association", Chicago,<br />

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WILLIAMSON, John and Associates -<br />

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S. Francisco Ca. , Jossey - Bass Publishers,<br />

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Care, a Report on the Proceedings of an<br />

lnternational lnvitational Symposium, Genêve,<br />

June 22 - 24, 1983, pp <strong>15</strong> - 23. O<br />

•<br />

..........<br />

?LUM:IXl11tltlLl~<br />

Instrumentos e sistemas para Topografia, Geodesia, Fotogrametria, Microscopia, Medições e Controle. Material para Fotografia,<br />

Projecção e Ensino. Binóculos.<br />

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20 <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV ·• N. 0 14/<strong>15</strong><br />

o<br />

"'"<br />

1<br />

I<br />

CJ<br />

Comunicação apresentada nas VI JORNADAS DE ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR<br />

COMPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLÍNICA INTER-HOSPITAIS:<br />

UM MÉTODO DE ANALISE BASEADO NA LEI DE PARETO<br />

POR: DR. JOSÉ ANTÓNIO MENESES CORREIA *<br />

Com base na literatura anglo-saxónica,<br />

a Direcção do Plano da Assistance<br />

Publigue propõe uma definição de qualidade<br />

(dos cuidados médicos), tendo<br />

em conta cinco factores:<br />

- eficácia técnica<br />

- segurança<br />

- conforto<br />

- produtividade<br />

- acessibilidade<br />

«A qualidade torna-se assim uma função<br />

complexa a cinco · variáveis, que é<br />

possível ponderar de maneira diferente<br />

· segundo o problema em causa.» (1)<br />

A escassez de recursos manifestamente<br />

evidentes em muitos dos nossos<br />

hospitais justifica que privilegiemos o<br />

aspecto da produtividade.<br />

Relação entre um produto obtido e a<br />

quantidade dos factores de produção<br />

utilizados, a produtividade «apresenta-se<br />

sob a forma dum ratio cujo numerador<br />

exprime a quantidade física de produção<br />

(outpu~ e o denominador os factores (inputs)<br />

que contribuíram para isso:<br />

. . _ volume outuput<br />

Produt1v1dade - volume Input<br />

No hospital são possíveis ganhos de<br />

produtividade, nomeadamente através<br />

da diminuição do consumo de factores.<br />

Estes ganhos podem resultar da<br />

modificação das práticas e procedimentos<br />

- avaliação crítica dos protocolos de<br />

* Administrador <strong>Hospitalar</strong> - Hospital<br />

S. João do Porto<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano·IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

diagnósticos e terapêuticos, por exemplo,<br />

orientados no sentido duma maior<br />

economicidade dos meios utilizados.<br />

Para poder avaliar os resultados da<br />

sua actividade, cada estabelecimento<br />

necessita, no entanto, dum sistema de<br />

referência.<br />

Alguns dos nossos hospitais dispõem<br />

dum sistema de informação médico­<br />

-administrativa razoavelmente normalizado<br />

e capaz, portanto, de alimentar um<br />

banco de dados, no âmbito do qual seja<br />

possível comparar a actividade inter­<br />

-hospitais.<br />

O objectivo deste trabalho é o de propor<br />

uma metodologia que permita essa<br />

QUADRO 1<br />

comparação, utilizando os elementos do<br />

sistema de informação referido.<br />

O SISTEMA MÍNIMO<br />

DE INFORMAÇÃO<br />

Antes de analisarmos o problema em<br />

questão parece-nos útil uma breve ·abordagem<br />

do sistema mínimo de informação;<br />

seus antecedentes, princípios em<br />

que assenta, conteúdo, situação actual<br />

e perspectivas futuras.<br />

ANTECEDENTES HISTÓRICOS<br />

Em três dos antigos centros mecano-<br />

Número de doentes saídos, dias de internamento e número de diagnósticos<br />

distintos por hospital<br />

HOSPITAL<br />

C1<br />

C2<br />

D1<br />

D2<br />

03<br />

D4<br />

D5<br />

ND1<br />

ND2<br />

H. Reunião<br />

FONTE - CRIN<br />

N.º DOENTES<br />

SAÍDOS<br />

29642<br />

7825<br />

3067<br />

8970<br />

8210<br />

6297<br />

6739<br />

1474.<br />

1914<br />

74138<br />

N.º DIAS<br />

INTERNAMENTO<br />

N. DIAGNÓSTICOS<br />

DISTINTOS<br />

437931 695<br />

125655 . 605<br />

19525 329<br />

73753 524<br />

79548 578<br />

58467 361<br />

54850 443<br />

26138 284<br />

21880 182<br />

897747 870<br />

21


COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />

•<br />

gráficos do Ministério da Saúde era processada<br />

uma aplicação - estatística<br />

hospitalar - de natureza médico-administrativa.<br />

Essencialmente vocacionada para fornecer<br />

elementos à gestão do hospital,<br />

os exemplos de utilização para fins clínicos<br />

dessa estrutura de dados foram, por<br />

isso, relativamente reduzidos.<br />

Estando os centros mecanográficos<br />

equipados com sistemas diferentes e<br />

incompatíveis, a «estatística de doentes»<br />

foi desenvolvida separadamente por<br />

cada centro. Existiam, por isso, três aplicações<br />

obviamente não normalizadas.<br />

Como os equipamentos instalados<br />

tinham todos fraca capacidade, o grau<br />

de integração das aplicações, neles<br />

desenvolvidas, era diminuto. Daí que o<br />

Plano Director de Informática da Saúde<br />

(PDl/S) tenha -apontado para uma solução<br />

completamente nova.<br />

O modelo proposto - gestão de doentes<br />

- respeitando os princípios da modularidade<br />

- e integração assenta numa<br />

estrutura de dados - ficheiro de doentes<br />

- alimentada por um grande fluxo de<br />

informação.<br />

Os atrasos na implementação do PDI/<br />

IS obrigaram a «reconverter» a aplicação<br />

estatística de doentes Internados para<br />

os novos equipamentos.<br />

Responsável pela análise dessa «reconversão»<br />

o Dr. Reis Abreu, técnico do<br />

CRIN, tomou obviamente em consideração<br />

os recursos técnicos de que os centros<br />

iriam dispor, a experiência adquirida<br />

no contacto com médicos das diversas<br />

especialidades e algumas soluções<br />

estrangeiras.<br />

Estas condicionantes conduziram à<br />

opção pelo modelo da Universidade<br />

Católica de Louvain, cujo móduib<br />

nuclear tem, curiosamente, semelhanças<br />

com a aplicação que corria nos anti-·<br />

gos centros mecanográficos.<br />

CONCEITOS DE BASE<br />

Os conceitos que estão na base do<br />

S.M.l.M.A. são bastante simples:<br />

- estabelecimento dum resumo clínico<br />

"seleccionando a quinta­<br />

-essência dos dados médicos<br />

numa abordagem global do doente»<br />

(2)<br />

- Interligação modular destas informações<br />

com dossiers especializados.<br />

- Normalização dos suportes administrativos,<br />

das nomenclaturas e<br />

dos códigos a utilizar.<br />

O sistema mínimo de informação é<br />

assim constituído por dois módulos de<br />

base.<br />

- Identificação do doente<br />

QUADR02<br />

Percentagem de doentes e de diagnósticos distintos para 80% dos dias de<br />

internamento em cada hospital<br />

Hospital o/oD. lnt. % Doentes % Diagnt.<br />

C1 80,1 78,8 24,6<br />

C2 80,1 7'5,3 24,3<br />

D1 80,2 76,7 21 ,3<br />

D2 80,1 74,4 16<br />

D3 80,2 73,4 21<br />

D4 80 77,4 22,3<br />

D5 80,1 76,5 <strong>15</strong><br />

ND1 80,2 64,7 26,4<br />

ND2 80,6 74,6 17,6<br />

H.R. 80 77,7 23,9<br />

- Dossier clínico mínimo<br />

O Dossier clínico mínimo, anonimo,<br />

pode ser definido «Como um pequeno<br />

número de informações facilmente acessíveis<br />

susceptíveis dum grande número<br />

de aplicações,, (2).<br />

A informação fornecida poderá ser utilizada<br />

tanto a nível local - listagem de<br />

problemas, investigação clínica, epidemiologia,<br />

gestão hospitalar - como nível<br />

regional e central - recursos financeiros<br />

e planeamento.<br />

CONTEÚDO DO SMIMA<br />

O conteúdo de cada um dos subsistemas<br />

de base foi em princípio determinado<br />

pela análise dos resultados necessários<br />

à gestão hospitalar, à D.G.H. ao<br />

1. N. E. e teve em consideração o recomendado<br />

pela Comissão de Estatística<br />

<strong>Hospitalar</strong> para Estudos Epidemiológicos<br />

da Comunidade Europeia.<br />

A exploração desta apliacação, na sua<br />

formulação original, por diversos hospitais<br />

das zonas Norte e Centro permitiu,<br />

entretanto, constituir uma amostra de<br />

224 <strong>15</strong>5 resumos de alta (relativa aos<br />

-<br />

N. DIAGNOSTICOS<br />

DISTINTOS<br />

AMOSTRA<br />

TOTAL<br />

171 695<br />

147 605<br />

70 329<br />

84 524<br />

93 443<br />

129 578<br />

54 361<br />

75 284<br />

32 182<br />

208 870<br />

anos de 83 e 84), destinados a ser analisados<br />

pelo «Health System Manage~<br />

ment Group dirigido pelo Prof. Robert B.<br />

Fetter.<br />

A dinâmica suscitada pelo lançamento<br />

do projecto Grupo de Diagnósticos<br />

Homogéneos, pelo DGFS, levou o<br />

Grupo de Informática Médica do CRIN<br />

a elaborar uma proposta de Normalização/Implementação<br />

do Sistema Mínimo<br />

de Informação Médico-Administrativa.<br />

As informações obrigatórias serão<br />

assim (3):<br />

- Registo de Identificação do<br />

Doente<br />

- N.º do processo clínico<br />

- Nome<br />

- Sexo .<br />

- Data de nascimento<br />

- Estado civil<br />

- Distrito e concelho de residência<br />

- Nível de instrução<br />

- Actividade profisssional<br />

- Regime de comparticipação -<br />

N. º de beneficiário .<br />

- Data de abertura do processo<br />

clínico<br />

QUADR03<br />

Percentagem de doentes e de diagnósticos distintos para 5% dos dias de<br />

internamento em cada hospital<br />

N. DIAGNOSTICOS<br />

Hospital % D. lnt. % Doentes % Diagnt. DISTINTOS<br />

AMOSTRA<br />

TOTAL<br />

C1 4,9 5,9 49,1 341 695<br />

C2 4,9 7,9 47,1 285 605<br />

D1 4,8 9,7 48,9 161 329<br />

D2 5 9 58,8 304 524<br />

D3 4,9 9,6 52,8 234 443<br />

D4 5 7,9 52,2 302 578<br />

D5 5 8,2 58,4 211 361<br />

ND1 4,9 13,6 45,4 129 284<br />

ND2 4,9 10,6 54,4 99 182<br />

H.R. 5 7,2 50,2 437 870<br />

FONTE- CRIN<br />

QUADRO 4<br />

Percentagem de dias de internamento para 513 e <strong>15</strong>6 diagnósticos comuns<br />

dos HH, C1 e C2<br />

HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />

HOSPITAL REFER~NCIA<br />

HOSPITAL 513 DIAGNÓSTICOS <strong>15</strong>6 DIAGNÓSTICOS<br />

% DIAS INTERNAMENTO % DIAS INTERNAMENTO<br />

C1 87,36 71,2<br />

C2 96,53 72,7<br />

- Registo de informação<br />

no internamento<br />

- N.º do processo clínico<br />

- N.º de internamento<br />

- Designação do serviço de internamento<br />

- Data de admissão no serviço<br />

- Natureza da admissão<br />

- Proveniência do doente<br />

- Diagnóstico de contacto/admissão<br />

- Diagnóstico principal<br />

- Diagnósticos associados<br />

- Intervenções cirúrgicas e obstétricas<br />

- Anestesias<br />

- Resultado do tratamento<br />

- Destino após a alta<br />

- Data da alta do serviço<br />

- Médico assistente<br />

Este último registo, que constitui um<br />

resumo do dossier clínico, destina-se a<br />

ser preenchido em cada serviço onde o<br />

doente tenha sido internado.<br />

O SMIMA, pode ser progressivamente<br />

aumentado com outras informações<br />

relevantes: dados médicos críticos, exames<br />

complementares de diagnóstico e<br />

terapêutica, actos de enfermagem, etc.<br />

SITUAÇÃO ACTUAL E<br />

PERSPECTIVAS FUTURAS<br />

A aplicação em apreço está, actualmente,<br />

implementada num número significativo<br />

de hospitais 'das Zonas Centro<br />

e Norte.<br />

A colheita de dados é feita a partir<br />

dum suporte intermédio onde são elaboradas<br />

as codificações.<br />

O registo de internamento é incompletamente<br />

preenchido na maior parte dos<br />

hospitais que não recolhem , por exemplo,<br />

os procedimentos cirúrgicos.<br />

Para a codificação dos diagnósticos<br />

é utilizada a Classificação Internacional<br />

das Doenças da OMS - 9. ª revisão -<br />

sendo este trabalho geralmente executado<br />

por pessoal com pouca preparação.<br />

A forma como se procede à colheita<br />

dos dados e a inexistência de informação<br />

de retorno, para controles de exactidão,<br />

não garantem a fiabilidade dos<br />

resultados.<br />

A propostq do Grupo de Informática<br />

Médica do CRIN inclui a normalização<br />

• dos suportes, suprimindo a necessidade<br />

de transcrição de informações e reduzindo<br />

ao mínimo as necessidades de<br />

codificação.<br />

O projecto do SIS, de distribuição de<br />

meios informáticos, permitindo a exploração,<br />

em tempo real, do ficheiro de<br />

22<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

23


CO .. MPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />

...<br />

doentes internados vai, com certeza,<br />

aumentar o interesse dos médicos hospitalares<br />

por este projecto, condição<br />

necessária à melhoria da qualidade da<br />

informação.<br />

A comparação inter-hospitais, porém,<br />

só será legítima se as informações de<br />

base forem homogéneas. Para isso<br />

parece-nos indispensável que o lançamento<br />

e a exploração do SMIMA, sejam<br />

apoiadas, a nível regional, por equipas<br />

pluridisciplinares; equipas que seriam<br />

coordenadas, a nível central, por um<br />

grupo técnico-normativo incumbido da<br />

normalização dos métodos, processos e ·<br />

regras de gestão deste projecto.<br />

Reunidas estas condições, pensamos<br />

que será possível obter, a curto prazo,<br />

a cobertura da generalidade dos hospitais<br />

e conseguir um banco de dados, de<br />

boa qualidade, com manifesto interesse<br />

para o planeamento e gestão dos serviços.<br />

A LEI DE PARETO E OS<br />

DADOS CLÍNICOS<br />

O conjunto de dados em análise<br />

O conjunto sobre que vamos trabalhar,<br />

com o objectivo de propor um<br />

método de comparação da actividade<br />

inter-hospitalar, é constituído pelos<br />

dados relativos aos doentes saídos,<br />

durante 1984, de 9 hospitais gerais:<br />

2 hospitais centrais (designados por<br />

C1 e C2) com um total de 1942 camas;<br />

5 hospitais distritais (01 a 05) com<br />

1294 camas.<br />

2 novos distritais (ND1 e ND2) com<br />

207 camas num total de 3443 camas.<br />

O Quadro 1 fornece-nos o número de<br />

doentes saídos, os dias de internamento<br />

correspondentes e o número de diagnósticos<br />

distintos (n.d.d) para cada um<br />

dos hospitais e para o «hospital reunião", ·<br />

ou seja, para o hospital fictício que teria<br />

tratado todos os doentes.<br />

Podemos assim verificar:<br />

- O número elevado de diagnósticos<br />

distintos;<br />

- A forte variação do n.d.d de hospital<br />

para hospital;<br />

A primeira constatação evidencia a<br />

dificuldade de avaliação da actividade<br />

hospitalar face à diversidade do "Produto".<br />

A segunda, quando confrontada com<br />

o n.d.d do «hospital reunião» faz, desde<br />

logo, prever um número reduzido de diagnósticos<br />

comuns aos diferentes estabelecimentos.<br />

A VERIFICAÇÃO DA LEI<br />

Se o número de diagnósticos distintos<br />

é muito elevado importa, contudo, ave-<br />

24 .<br />

QUADRO 5<br />

Percentagem de dias de internamento para 105 e 32 diagnósticos comuns<br />

dos HH, N01 e N02<br />

HOSPITAL<br />

HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />

105 DIAGNÓSTICOS<br />

% DIAS INTERNAMENTO<br />

ND1 46,9<br />

ND2 85,6<br />

FONTE - CRIN<br />

QUADROS<br />

HOSPITAL REFER~NCIA<br />

32 DIAGNÓSTICOS<br />

% DIAS INTERNAMENTO<br />

Percentagem de dias de internamento para 133 e 47 diagnósticos comuns<br />

dos HH, 01, 02, 03, 04 e 05<br />

HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />

35<br />

71 ,6<br />

HOSPITAL R EFER~NCIA<br />

HOSPITAL 133 DIAGNÓSTICOS 47 DIAGNÓSTICOS<br />

FONTE - CRIN<br />

% DIAS INTERNAMENTO % DIAS INTERNAMENTO<br />

D1 69,3 52,8<br />

D2 65,2 53 ,5<br />

D3 57,0 44,6<br />

D4 76,8 65,1<br />

D5 69.7 52,6<br />

QUADR07<br />

Percentagem de dias de internamento para 392 e 97 diagnósticos comuns<br />

dos HH, 02 e 03<br />

HOSPITAL<br />

D2<br />

D3<br />

FONTE- CRIN<br />

HOSPITAL INTERSECÇÃO<br />

392 DIAGNÓSTICOS<br />

% Dias Internamento·<br />

89,9<br />

86,3<br />

HOSPITAL REFER~NCIA<br />

97 DIAGNÓSTICOS<br />

% Dias Internamento<br />

74,5<br />

66,9 .<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />

riguar qual o respectivo peso nos dias<br />

de internamento consumidos.<br />

Concretamente terá interesse constatar<br />

a possível aplicação, neste campo,<br />

da Lei de Pareto.<br />

Esta lei traduz, como se sabe, o facto<br />

de a 20% do número corresponder,<br />

aproximadamente, 80% do volume.<br />

O Quadro 2 indica-nos, para cada<br />

hospital e para o «hospital reunião" a<br />

percentagem de diagnósticos correspondente<br />

a 80% dos dias de internamento.<br />

Os valores obtidos oscilam entre <strong>15</strong><br />

e 26,4% numa clara aplicação da Lei de<br />

Pareto.<br />

O Quadro Ili mostra-nos, ainda, que<br />

a 5% dos dias de internamento correspondem,<br />

em média, 50% dos diagnósticos.<br />

Um exemplo simples põe em relevo a<br />

importância desta constatação:<br />

- Diminuindo de 1 dia a demora no<br />

hospital dos doentes abrangidos pelos<br />

23,9% dos diagnósticos do Quadro 1,<br />

a demora média do "hospital reunião,,<br />

passaria de 12, 1 para 11 ,3 e o equivalente<br />

em camas (para uma taxa de ocu-<br />

31.5- 5.6<br />

1.6- 3.6<br />

14.6-18.6<br />

8.8-13.8<br />

l[)<br />

o<br />

1<br />

pação de 80%) dos dias de internamento<br />

poupados seria de 195.<br />

Com diminuição semelhante da<br />

demora dos doentes abrangidos pelos<br />

50,2% de diagnósticos do Quadro Ili a<br />

demora média passaria para 12 e o equivalente-cama<br />

seria de 18.<br />

Nestas condições, o esforço de avaliação<br />

deve incidir sobre os «diagnósticos-chave»<br />

responsáveis por cerca de<br />

80% dos dias de internamento.<br />

A Lei de Pareto terá, de resto, uma<br />

aplicação alargada no campo da actividade<br />

clínica.<br />

A título de exemplo incluímos (Anexo<br />

1) neste trabalho uma listagem de actos<br />

operatórios realizados no bloco central<br />

dum hospital geral onde a constatação<br />

da Lei é uma evidência.<br />

A COMPARAÇÃO<br />

INTER-HOSPITAIS<br />

o cchospital intersecção»<br />

A comparação da actividade de diferentes<br />

hospitais adquire o seu verdadeiro<br />

significado quando efectuada na<br />

OFINNRIR tem o prazer de informar<br />

base dos diagnósticos comuns.<br />

Para nos facilitar a comparação<br />

vamos então definir dois hospitais fictícios;<br />

,.... «Hospital-Intersecção" - H.I. - hospital<br />

que trataria todos os doentes saídos,<br />

com diagnósticos comuns, dos<br />

hospitais em estudo.<br />

- O «Hospital-Referência - H.R. -<br />

resultado da aplicação da Lei de Pareto<br />

ao H.I. (doentes com diagnósticos<br />

comuns correspondentes a 80% dos<br />

dias de internamento)<br />

O H.I. dos nove hospitais em questão<br />

tem apenas 54 diagnósticos distintos, a<br />

que correspondem as percentagens de<br />

dias de internamento seguintes, para<br />

cada hospital:<br />

C1 =27,9<br />

C2 =35,3<br />

01 = 44,7<br />

02 =33,6<br />

03 =33,5<br />

04 =45,8<br />

05 =35,7<br />

ND1 =33,5<br />

ND2 =52,4<br />

CALENDÁRIO DE CONGRESSOS MÉDICOS EM HELSÍNQUIA - 1987<br />

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25.º Congresso Internacional de Hospitais {IHF - Internacional<br />

Hospital Federation)<br />

9. 0 Encontro Europeu da E.A.C.R.<br />

{European Association for Cancer Research)<br />

Congresso Europeu EDBC-87<br />

(European Congress for Developmental Biology)<br />

11. º Congresso Internacional de Epidemiologia<br />

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I<br />

0 ....----------------------------------------------------------------..J<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong> 25


1<br />

1<br />

C0"9PARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />

;<br />

:<br />

Os valores obtidos são, efectivamente,<br />

baixos. OHI, não constitui o quadro<br />

suficiente para comparar a actividade<br />

destes estabelecimentos.<br />

Vejamos por isso o que sucede se os<br />

reunirmos nos seus "agrupamentos<br />

naturais», HHCC, HHDD e novos distritais.<br />

A NECESSIDADE DE<br />

CLASSIFICAÇÃO EM GRUPOS<br />

DE HOSPITAIS HOMOGÉNEOS<br />

Como se vê no Quadro 4, o HI, de<br />

C1 e C2, quase coincide com este último.<br />

Trata-se de hospitais bastante<br />

homogéneos, cujo HR cobre mais de<br />

70% dos dias de internamento de<br />

ambos os estabelecimentos.<br />

O mesmo não acontece (Quadro 5)<br />

com N01 e ND2, que são hospitais<br />

muito diferentes no que respeita à patologia<br />

tratada.<br />

O conjunto dos HHDD tem um comportamento<br />

intermédio. O H.R. destes<br />

hospitais cobre pouco mais de 50% da<br />

actividade de cada hospital, situando-se<br />

mesmo abaixo desse valor em 03.<br />

(Quadro 6)<br />

Mas se tomarmos apenas em consideração<br />

02 e 03 (Quadro 7), vemos uma<br />

subida acentuada dos diagnósticos<br />

comuns - 392; o HR respectivo representa<br />

bastante bem a actividade dos<br />

dois hospitais.<br />

A necessidade de agrupar os hospitais<br />

em grupos homogéneos nem<br />

sequer precisaria de ser demonstrada.<br />

Estes resultados parecem-nos, ainda<br />

assim, interessantes, na medida em que<br />

nos sugerem a utilização do H .1. como<br />

um dos parâmetros a ter em conta ··na<br />

definição desses grupos.<br />

COMPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

DE CINCO HOSPITAIS<br />

DISTRITAIS<br />

Muito embora tenhamos constatado a<br />

insuficiente representatividade do H.I.<br />

dos HHOO é exactamente sobre este<br />

grupo que vamos trabalhar.<br />

O nosso objectivo não é, obviamente,<br />

o de avaliar a actividade clínica destes<br />

hospitais; só uma equipa integrando<br />

médicos hospitalares e trabalhando no<br />

terreno poderia legitimamente fazê-lo.<br />

Trata-se de explorar as potencialidades<br />

do método de comparação proposto.<br />

Por isso, preferimos o conjunto com<br />

o maior número de elementos, mesmo<br />

que em prejuízo da «qualidade» do respectivo<br />

H. R.<br />

A demora média e a percentagem de<br />

dias de internamento, por diagnóstico,<br />

QUADRO 8<br />

Número e percentagem de doentes em relação ao total de cada Hospital,<br />

para 7 diagnósticos comuns<br />

N."<br />

Ordem<br />

FONTE<br />

Designação do Diagnóstico<br />

Parto Completamente<br />

Normal<br />

2 Outras indicações de assistência<br />

ou interv. relacionadas c/ trab. parto<br />

3 Fractura do colo do femur<br />

4 Fractura de outras partes e partes<br />

1ão especificadas do femur<br />

5 Doença cerebro-vascular aguda<br />

mal definida<br />

6 Outras afecções do intestino<br />

7 Ferimentos de outras localizações<br />

e das n/espec. dos membros<br />

QUADRO 9<br />

DEMORA MÉDIA POR GRUPO ETÁRIO<br />

N.'' DOENTES/PERCENTAGEM DE DOENTES<br />

HOSPITAL<br />

D1 D2 D3 D4 D5<br />

174 1408 935 240 1345<br />

5,6 <strong>15</strong>,6 11,3 2,9 16,3<br />

13 2 470 2<br />

0.4 5,7<br />

67 37 40 133 67<br />

2, 1 0,4 0,4 1,6 0,8<br />

51 88 82 11 26<br />

1,6 0,9 0,9 O, 1 0,3<br />

16 25 134 320 213<br />

0,5 0,2 1,6 3,8 2,5<br />

121 14 308 66 <strong>15</strong><br />

3,9 O, 1 3,7 0,8 O, 1<br />

11 273 9 4 3<br />

0,3 3,0 O, 1<br />

HOSPITAL 0-1 2-4 . 5-14 <strong>15</strong>-24 25-44 45-64 65- 74 >75<br />

D1 3, 1 4, 1 8,0 7,2 6,3 9,5 11 ,9 9,5<br />

D2 7,5 6,8 7,8 6,6 p,9 13,2 14,7 14<br />

D3 9 8,9 0,6 6,4 6,9 12,3 14,5 14,6<br />

D4 9,3 6,6 8,3 6,4 5,9 10,9 13,8 13,6<br />

D5 2,0 3,6 4,7 5,9 6,0 11 ,2 16,2 16,5<br />

CRIN<br />

são bastante diferentes no conjunto destes<br />

hospitais. (Anexo li.)<br />

Antes de procurarmos outras causas<br />

será necessário ajuizar da «qualidade»<br />

da informação disponível.<br />

O Quadro 8 mostra-nos o número de<br />

doentes saídos e respectiva percentagem<br />

para 7 diagnósticos comuns aos<br />

cinco hospitais.<br />

Os hospitais D 1 e 04 apresentam<br />

valores muito baixos de saídas no parto<br />

completamente normal. Mas se a esses<br />

valores adicionarmos o número de saídas<br />

classificadas como - Outras Indicações<br />

de Assistência ou Intervenções<br />

Relacionadas com Trabalho de Parto -<br />

atingimos em 04 valores idênticos aos<br />

restantes estabelecimentos.<br />

O mesmo não acontece com 01; no<br />

entanto, se consultarmos a listagem de<br />

diagnósticos desse hospital, vamos<br />

encontrar 250 saídas (8, 1 % do total)<br />

classificadas como - Traumatismos do<br />

Períneo e da Vulva durante o Parto - .<br />

Situação do mesmo tipo parece repetir-se<br />

com os diagnósticos 3 e 4.<br />

Os valores relativos aos restantes diagnósticos<br />

mostram-nos que, quando a<br />

nomenclatura apresenta uma classificação<br />

residual há, pelo menos, um hospital<br />

que a utiliza duma forma aparentemente<br />

abusiva.<br />

Parece pois evidente a necessidade<br />

de afinar os critérios de classificação.<br />

Sem critérios normalizados, quaisquer<br />

conclusões afiguram-se arriscadas.<br />

QUADR010<br />

Esta foi, de resto, uma das razões porque<br />

preférimos estudar a influência das<br />

transferências externas e da estrutura<br />

etária em relação à globalidade de cada<br />

hospital.<br />

O número e percentagem de transferências<br />

externas por hospital foram os<br />

seguintes:<br />

01 = 42 (3,2%)<br />

02 = 37 (0,08%)<br />

03 = 40 (1,14%)<br />

04 = 12 (0,3%)<br />

05 = 63 (1 ,8%)<br />

As percentagens são bastante baixas.<br />

E mesmo em 01 , onde atingem a maior<br />

expressão, a influência da demora média<br />

é mínima. De facto, supondo que todos<br />

os doentes transferidos tiveram uma<br />

demora de 1 dia no hospital, a demora<br />

média dos restantes seria de 6,4 (6,3 foi<br />

a d. m verificada).<br />

A análise das listagens completas<br />

mostrou-nos ter sido em 01 e para a<br />

«fractura do colo do fémur» que se verificou<br />

, de longe, a maior percentagem de<br />

transferências externas (10,4% - 7<br />

doentes num total de 67). Mesmo neste<br />

caso, e na base do raciocínio anterior,<br />

a variação seria pouco sensível (16,2<br />

contra os 14, 7 verificados) quando comparada<br />

à diferença entre os valores de<br />

demora média registados nos diferentes<br />

estabelecimentos para este diagnóstico.<br />

Parece pois que as transferências exter-<br />

Demora média e percentagem de doentes por grupo de idades<br />

Demora média e demora média "ajustada"<br />

IDADE<br />

HOSPITAL DEMORA MÉDIA DEMORA MÉDIA<br />

«AJUSTADA"<br />

< 44 > 44<br />

FONTE - CRIN<br />

D1 5,2 9, 1 6,3 6,7<br />

70,9 29,1<br />

D2 6,5 11 ,6 8,2 8,5<br />

67,0 32,9<br />

D3 7, 1 12,7 9,7 9,3<br />

54,5 45,5<br />

D4 6,2 12,0 9,3 8,5<br />

47,4 52,6<br />

D5 5,5 12,3 8,1 8,2<br />

62,1 37,9<br />

nas não têm influência significativa na<br />

demora média.<br />

A comparação da demora média por<br />

grupos etários mostrou-nos que, em<br />

qualquer destes hospitais, as diferenças<br />

se acentuam a partir dos 44 anos. (Quadro<br />

9).<br />

Considerámos, por isso, dois grandes<br />

grupos, no estudo da influência da idade<br />

na demora média. (Quadro 1 O).<br />

Calculando a «demora média ajustada»<br />

ou seja, a demora média que resultaria<br />

da uniformização etária ao nível<br />

destes dois grupos (60% para idades<br />

iguais ou inferiores a 44 anos e 40% para<br />

as superiores) verificamos que as diferenças<br />

registadas, entre a demora média<br />

praticada e a «demora média registada»,<br />

são muito pequenas.<br />

Por outro lado, a distribuição, por grupos<br />

etários, conduz a conjuntos muito<br />

reduzidos, sem grande significado estatístico.<br />

Parece-nos, por isso, que as comparações<br />

devem ser referidas ao total de<br />

doentes abrangidos pelo mesmo diagnóstico,<br />

com possível ressalva dos<br />

casos em que existam intervenções<br />

cirúrgicas.<br />

Este aspecto não foi tratado por falta<br />

de informação; mas é talvez importante<br />

acentuar que, para estudos desta natureza,<br />

o sistema de informação deve<br />

saber referir as intervenções ao diagnóstico<br />

respectivo (no caso, ao diagnóstico<br />

principal).<br />

CONCLUSÕES SOBRE A<br />

UTILIZAÇÃO DO M~TODO<br />

PROPOSTO<br />

- Análise crítica<br />

O conjunto de hospitais em análise<br />

não tem dimensão suficiente para criar<br />

grupos homogéneos. Pelas razões oportunamente<br />

expostas fizemos incidir a<br />

comparação sobre um subconjunto relativamente<br />

ao qual o H.R. respectivo é<br />

pouco representativo.<br />

Quanto aos critérios para constituição<br />

desses grupos, pensamos que não<br />

poderão ser definidos aprioristicamente;<br />

é indispensável alargar o banco de<br />

dados e tentar depois, por via empírica,<br />

encontrar o modelo adequado.<br />

A determinação do H. R. a partir do<br />

H.I., tem alguns inconvenientes; concretamente,<br />

faz correr o risco de desprezar<br />

diagnósticos com expressã~ significativa<br />

na maior parte dos hospitais, pela simples<br />

razão de não ocorrerem num dos<br />

hospitais do grupo.<br />

Impõe-se, portanto, o estabeleci-<br />

.....<br />

1<br />

26<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

27<br />

1


COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />

0000 ANEXO 1<br />

oo<br />

BLOCO CtNTRAL oo<br />

~C~O*~OOO~O~O~*O~~OO~OgOOóOOOOOOOOOO~O~C~O~COOOOOOOOOOOCOOOOOOOOOOOOOO*OO~O~O~QOO~O~~~*~~OOOOO*****<br />

'° 1 '°"• l~.DkO./I TOTAL. 1 lNT:k. 1 o<br />

o u !:: S 1 \# 114 ~ C A •.J U it. O P E ~ A C A O I uR u EM I T • :>E S 1 G & 1 N TE r\ • 14 C. U."I J L A• I 1 A/ T o<br />

o 1 1 t' 1 1 to<br />

çoo~ooo**~~~~~o~oc~oooç~oooooooooo~cQ~oo~ooooooooooooooo~ooooooooo~ooo~ooooooo~oo~ooo~~~~ooo~'~*)*ºº<br />

l 0,2<br />

1' P e. ~ l• 1 ' f L T :.J '4 1 A<br />

HEkN1~) t ~~t~Tk~Cuf)<br />

L.A?A~ATO~IÃ<br />

éX~LJR~OJ~A<br />

COL.EC.l~TcCTuMlA<br />

~ur.i~~1~.~/~STEuStA)lkA~ALJ,C~l'A~Eu.~l~ALtf~lMAL,TlBlA<br />

TU~O~E~ óE~l~~uS Ou ~ElO<br />

ttl)Tc;ccroMIA r1rA~,Mf J~cCT0~1~,c1~u S/A~rx~~TO~lA<br />

~UT.Ff~lJ.~/uiTEUS,~~~UM<br />

~UÍUKA Ot fE~l~A~ ·<br />

cicRcSê TUMJ~c) &OuT~Q)J<br />

VA~lié) ~OK MtM~KO<br />

Ol~~ISF<br />

~RJ~0PeC/lhT(~~.PRJT.~t ~ ~U~~KFe4KT.-•NCA<br />

MA~Ol~.~~llL..-fl~A(AJ V/JSTfuS!~ff)F<br />

~ U T • f ~ k 1 U • ~ I u) T f U S , F e '4 J ;e/ é A T • Ji ,F t. ..l l ílK OU S J? t.: R 1 OR<br />

)UT.f;~lJ.t/vSTêJS.C)Su LA~Pu uu D~Su ANTEo~AC~ COLLES,s<br />

CJ)T~s E FlSJUL.Ai )AL~U-LOLClGcAS<br />

r1~01~êCTO~lA<br />

~u~-TJTAL.<br />

c:st.iu.·iccrw11A .,,,( "oru~A<br />

"'A~TK:LT.Jf"llA ' SurtltJJAL i'OK r-.fut (U'1 ESVAllAl'l:~Tu<br />

LOoE~Tu~lA<br />

DA TI~OlO~<br />

JEk~u-tPlO.TlPJ )S~tMO~O OJ METF.K1cN~€kTUS CJ~)éKVAOOS<br />

~0L.A~J10uRAFlA TkA\S~UTA~~A-~/~Pulu KAUlOLJ~lA­<br />

~A)T~=cruMlA SJ~TOTAL ~)~ UL~~KA<br />

PILJKJPL.~STI~ LílM ~A~OTüMIA<br />

ANcXiCTOMI~,S~LPl~~(LTü"llA<br />

A~VUTA~A~ ~u DcS~RT.JO TUR~O~EL.0 A A~CA EXCLUSIVE<br />

~OL.!hTu"llA<br />

;,,A:,J Tk!Jl\R AF lA E JuOJt: .,üKRAF IA<br />

COl'IPLEAO llGU~~TlC~-MALAK-tL.cV•C~O<br />

~A~Tk~i~TEHJ)TJMlA<br />

fl~fuLAS o~ '~us SUHLJíA~E~ ~U(O~A)<br />

HE11)KRJIJEi;.T1.1: ... 1 A<br />

LIMPcZ~ CI~J~GlCA uf Fc~lDAS ExT~~~A~<br />

Sl~PL.éS<br />

PATELE~TJMlA,~AT~LJPLA~TlAt~:~lSLELTJ~lA<br />

~A~~L.lcCTOMIA LOM~~R<br />

t!lll.;)0Lê~ T Jf'llA<br />

cNTEkc~TuM~A O~ uMA ~~~A<br />

c~ÃE~TJ fACE E ~AO HJ~~ üU H~T~RuE~•c~TO~ CJ~S~~VAQO~<br />

)UT .f!= id~ •'I uS rE JS•~ lAF I ~e, E.1'•Tl\éM • ~UP • UU S\JPtU CO:•O •E AT • 1<br />

(0LE~Tu~1A ScGMé~TA~<br />

AM~Uf A~4J ~E "l~MuRJS<br />

uSTEuTJMIA .<br />

P~ur~scs A~ft.:R1AlS-AJRí0-FcMURAl~ uu ILEU FF~U~AlS<br />

~R~ST~~CTO~IA TJTAL.<br />

M')T~CTJMIA Tl~J HAL)TéAU<br />

Mdf-~A~S"F~~JRu-~íl~(lT~n<br />

uR~NAGcM O~ A~(f)SuS l~T~A-A~Ou~l~AI~<br />

tXTeMAT.uST:ü).Pl\Or.-our~A)<br />

LOCALllAC~tS<br />

~Xi~~Si ~I~?LF~ l~AO l~CLU~ J MOCJ Di kEPA~At4Jt<br />

cXT.MAT.uST~~S.PKOf.-jAC1AtA~CAtf~MUHtCOLU~4<br />

HH E 11.j~~AF IA<br />

.:.~a~cro .'111. vl't vi. ... 'JTQ:-iu<br />

~ST~klLILAC~U Ll~U~ilCA ~/~I~JL.A?~KOT1MIA<br />

~ü~C~1 AKT!CULA~ (/~lSTukI-TJOAS A~TlCuLA(~êS<br />

TRATAM~~TO :>~ fI~Su~A AN•L.<br />

(Ul\A :1~uR~l'A OJ ~ulSTO Ou ~OkOAO Ov HluRUCêLJ<br />

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e i e ~e S L:<br />

.J E :J u I ~ T u ~ J '"' 1 v 1 A l<br />

COLEu1LJ-D~JJEiNJSTíl~IA ((~~ Oü SEM LÜL~Ll~T;CTJM!At<br />

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~F~~L' JlAf~~üHATlCA ~ EVE~TkALO~S OlAfRA~MlTICAS<br />

ht~NlA 0<strong>15</strong>~AL LílMgA~<br />

~RT~~~.C/t~TiUP.?QJT.J~ i SU~E~F.AkT.-J~~L~)<br />

úUTRAS ê)PLE~fCTJ~lA<br />

tOPOPE~l~E~~~AflA PO~T.S1MPLcStC~LP0~R~FlA '~T.SlMPLES<br />

28<br />

...<br />

z<br />

o,s<br />

3 0,8<br />

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L l 2,9<br />

12 3 t z<br />

13 3,4<br />

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l e, 4 to<br />

lb 4,2<br />

l 7 4,5<br />

18 4,9<br />

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zz 5,8<br />

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D7 17,9<br />

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3dZ 11o7 d ,1<br />

2~7 l4o4 i: 7.1<br />

210 lb94 .31,0<br />

171 l 13 o 5 34 t l<br />

lu9 l'H4 31:>, 1<br />

107 '()o~ 3St0<br />

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•<br />

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COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />

....<br />

síveis erros.<br />

O actual modo de exploração - batch - não favorece o<br />

fornecimento de resultados em tempo oportuno. O programa<br />

de distribuição de meios informáticos, em curso no SIS, pretende,<br />

além do mais, obviar a esse inconveniente.<br />

~ . nesta área, certamente que o conseguirá explorando, em<br />

tempo real, os módulos de base, relativamente aos doentes<br />

internados.<br />

"Se é provavelmente exacto que o dossier não contém mais<br />

de 5% de informações verdadeiramente pertinentes, como<br />

afirma Danai A.B. Lindberg, é actualmente muito difícil de as<br />

ver aparecer claramente sublinhadas. » (2).<br />

O resumo clínico automatizado, perseguindo uma selecção<br />

pertinente dessas informações, é uma estrutura de dados inequivocamente<br />

correcta.<br />

Ao contrário, admitimos que o SMIMA possa ser considerado<br />

incompleto.<br />

Como afirma Mélése, pensamos que o sistema de informação<br />

não é o «fruto imediatamente perfeito duma elaboração<br />

tecnocrática, não nasce adulto, qual MineNa saindo com<br />

armadura e capacete do cérebro de Júpiter». (7).<br />

~ necessário começar por um baby-.system dotado de capacidade<br />

de adaptação e aprendizagem para que o sistema<br />

cresça interactivamente com a estrutura que seNe.<br />

A recolha dos dados individuais dá lugar, a nível do hospital ,<br />

a uma grande variedade de informações. Vimos, no entanto,<br />

que o peso de cada afecção, no consumo de recursos, é<br />

significativamente diferente.<br />

A utilização da Lei de Pareto permite-<br />

-nos, contudo, conhecer os dados efectivamente relevantes<br />

quer a nível do hospital quer a nível inter-hospitalar.<br />

Entretanto, julgamos pertinente repetir que, para podermos<br />

dispor, a esse nível, dum banco de dados fiáveis e homogéneos<br />

é necessário que o lançamento do SMIMA seja acompanhado<br />

por equipas exteriores ao hospital, enquadradas num<br />

órgão de âmbito regional e coordenadas, centralmente, pelo<br />

Grupo Técnico-Normativo responsável pela manutenção deste<br />

projecto.<br />

REFER..:NCIAS<br />

(1) - Direction du Plan - Assistance Publique de Paris -<br />

"Propositions methodologiques pour la mise en place<br />

de la qualité des soins hospitaliers - Jan 80.<br />

(2) - Roger, H - Medicine et lnformatique, centre d'informatique<br />

Medicale de l'Université Catholique de Louvain<br />

- 1979.<br />

(3) - Grupo de Informática do CRIN - Proposta de Normalização/Implementação<br />

do Sistema mínimo de Informação<br />

Médico-Administrativa nos Hospitais Portugueses<br />

- 1985<br />

(4) - Université Catholique de Louvain - Le Resumé Clinique<br />

Automatisé - Rapport de Synthêse 1979.<br />

(5) - Pedoussaut, Marie-France e outros - La Medicalisation<br />

des systémes d'information. Problematique Générale<br />

et apllication à l'Assistance Publique de Paris -<br />

L'Hôpital à Paris - n.º 83 - 1984.<br />

(6) - Secretaria-Geral do Ministério da Saúde - Plano Director<br />

de Informática - Relatório - 1974.<br />

(7) - Mélêse; Jacques - La gestion parles Systémes - Editions<br />

Hommes et Techiques - 1968.<br />

Outra bibliografia consultada:<br />

- David, Deolinda; Urbano,· João e outros - A Informação<br />

de <strong>Gestão</strong> no Hospital - V Jornadas de Administração <strong>Hospitalar</strong>.<br />

- Omnes, L. - Les Gains de Productivité à l'Hôpital - Gestions<br />

Hospitaliéres n.º 242, Jan. 85.<br />

O<br />

1<br />

. 1<br />

.. . . . •· .. .<br />

·.·.·.·.·.·.·•·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·.·•·.·.·.·.·.·.·.·······•·············•···•·•················································•·•·····•·•·····•···•·•···•·•·• ·.·.·•·······•·····•············•·•······•··········•···•· ··•······•·••·•• ·••·······•·•···· ·•······•·•·•······•·••·······•···•········ ····•····•·•·•···•·•· •·•··•··•············•··· ············· .·.·. .·•·. .·.·. ... ~<br />

:-:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:~:-:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·. . .·:·. .·: ·:·:· ·:·:· ·. ·. ....<br />

·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·:·.·=:·:·:·:·<br />

·.•.•.•.•.•.•.•.•.• •.•.•..................................................................................... •.•... •.•.• •.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•.•..•..•.•..•.... .... .<br />

ASSOCIM;Jo PORTUGUESA DE ADNllNIS 1 RADORES HOSPITALARES<br />

O BEM-ESTAR DA CRIANÇA<br />

Este encontro teve como<br />

objectivo reunir um conjunto de<br />

pessoas cuja actividade está voltada<br />

para a criança, nas várias<br />

fases do seu desenvolvimento, e<br />

contou com a presença de profissionais<br />

vários como médicos,<br />

enfermeiros, assistentes sociais,<br />

educador.es de infância, professores,<br />

etc. A discussão, centrada<br />

no tema geral "º Bem-estar da<br />

criança.. foi dividida em seis<br />

mesas-redondas:<br />

- NASCER BEM<br />

- O AMBULATÓRIO<br />

- O INTERNAMENTO<br />

- A URG~NCIA<br />

- A CIRURGIA NA CRIANÇA<br />

- ORGANIZAÇÃO DA ASSIS-<br />

Ti;NCIA A CRIANÇA<br />

terminando com uma proposta:<br />

(A pediatria anos 80).<br />

Foram as seguintes as conclusões<br />

mais importantes das diferentes<br />

mesas-redondas:<br />

NASCER BEM: Considera-se<br />

necessário para nascer bem:<br />

1 . Melhorar a preparação que é<br />

dada nas escolas acerca do<br />

planeamento familiar, vida sexual,<br />

gravidez e parto, amamentação,<br />

crescimento e<br />

desenvolvimento da criança.<br />

2. Criar consultas pré-natais de<br />

boa qualidade e bem distribuídas<br />

geograficamente de<br />

modo a identificar a tempo a<br />

gravidez de risco e encaminhá-la<br />

para consultas de referência.<br />

3. Criar condições para que o<br />

parto seja realmente assistido<br />

em instituições com competência<br />

técnica e que façam<br />

um apoio humanizado. O<br />

recém-nascido deverá permanecer,<br />

tanto quanto possível,<br />

junto da mãe, sendo esta<br />

orientada para a amamentação<br />

da criança.<br />

4. Dev~rá ser feito o exame clínico<br />

do recém-nascido ainda<br />

na maternidade, duas vezes,<br />

ao nascimento e antes da<br />

alta, sempre que possível na<br />

presença da mãe. Deverá<br />

nessa altura ser preenchido o<br />

boletim individual de saúde.<br />

5. Deverão ser criadas unidades<br />

onde seja possível tratar devidamente<br />

os cerca de 10% de<br />

recém-nascidos que vão<br />

necessitar de cuidados especiais<br />

adequados (médicos, de<br />

enfermagem, apoio técnico,<br />

meios complementares de<br />

diagnóstico, etc.), centros<br />

esses que devem trabalhar 24<br />

horas/dia.<br />

6. Deverá manter-se uma interligação<br />

contínua entre as<br />

maternidades, os hospitais e<br />

os centros de cuidados primários.<br />

de modo a não se<br />

perder informação na transição<br />

de uns para outros.<br />

O AMBULATÔRIO: Considera-se<br />

que um dos principais<br />

problemas na organização da<br />

assistência médica. particularmente<br />

sentido ao nível do ambulatório,<br />

é a falta éle inter-relação<br />

entre os hospitais e os centros<br />

de cuidados primários de saúde,<br />

em ambos os sentidos. Assim:<br />

• Deverão os centros de saúde<br />

ser responsáveis pela assistência<br />

às crianças e aí será<br />

feita a triagem dos doentes a<br />

enviar a uma consulta de<br />

pediatria.<br />

• Na consulta de pediatria será<br />

feita uma segunda triagem<br />

com orientação para as consultas<br />

das diversas especialidades,<br />

nos casos que o justifiquem.<br />

• i: fundamental assegurar a<br />

informação escrita e com o<br />

nome dos médicos responsáveis,<br />

de todos os casos, e em<br />

ambos os sentidos, entre os<br />

vários níveis de diferenciação.<br />

• As consultas deverão ter um<br />

ambiente humanizado, próprio<br />

à criança. ·<br />

• A informação aos pais, e auscultação<br />

da opinião destes,<br />

mesmo acerca de atitudes<br />

aparentemente banais, deve<br />

ser preocupação constante,<br />

em todas essas consultas.<br />

• Todas as terapêuticas e exames<br />

complementares deverão<br />

ser ponderados de modo a<br />

evitar os que não sejam seguramente<br />

necessários.<br />

O INTERNAMENTO: Consideram-se<br />

como fundamentais<br />

para os serviços de internamento<br />

em pediatria:<br />

• Que a mãe (ou outro familiar<br />

com ligação afectiva à criança)<br />

tenha possibilidaqe de permanecer<br />

junto a esta.<br />

• Evitar o internamento sempre<br />

que não for absolutamente<br />

necessário e nesse caso reduzi-lo<br />

ao menor tempo possível<br />

(duração média < a 7<br />

dias).<br />

Consideram-se como parâmetros<br />

desejáveis para atingir<br />

esses objectivos:<br />

• Que a relação enfermeira/<br />

/criança, nas 24 horas do dia<br />

seja:<br />

Cuidados intensivos - 1 :1<br />

Cuidados intermédios - 1 :4<br />

Outros serviços Internamento<br />

- 1:10<br />

• Que haja médicos em dedicação<br />

exclusiva ao hospital, pelo<br />

menos 30% do quadro<br />

médico (o ideal seria 100%).<br />

• A dimensão ideal do serviço<br />

será de:<br />

Cuidados intensivos, aproxi-<br />

Porto, 14, <strong>15</strong> e 16 de Novembro/ 1985<br />

'<br />

Directora da Reunião: Dr.ª Cândida Maia<br />

Organização: Serviço de Neuropediatria<br />

Hospital Maria Pia - Porto<br />

CONCLUSÕES DA REUNIÃO<br />

madamente 1 o camas equipadas;<br />

Serviço de internamento igual<br />

ou inferior a 30 camas.<br />

• A taxa de ocupação do hóspital<br />

não deverá ser superior a<br />

70%.<br />

• Todas as crianças internadas<br />

deverão à data da alta ser<br />

acompanhadas de uma informação<br />

clínica escrita dirigida<br />

ao seu médico assistente.<br />

URG~NCIA: Considera-se necessário<br />

para um funcionamento<br />

correcto do S. de Urgência:<br />

• Diminuição do número de<br />

casos 1 que aí ocorrem, aumentando<br />

os postos de atendimento<br />

permanente, que deverão<br />

ser correctamente distribuídos<br />

de acordo com as<br />

necessidades e facilidades de<br />

vias de acesso.<br />

• Melhorar as instalações dos<br />

actuais serviços de urgência<br />

de pediatria, nomeadamente<br />

separando-os das urgências<br />

do adulto.<br />

CIRURGIA NA CRIANÇA: Para.<br />

um correcto funcionamento das<br />

especialidades cirúrgicas considera-se<br />

necessário, para além<br />

das medidas já referidas para o<br />

internamento:<br />

1 . Criação de unidades de cuidados<br />

intensivos pós-operatórios<br />

que permitam a realização<br />

de cirurgia neonatal sem<br />

riscos.<br />

2. Apoio a essas unidades, além<br />

do cirurgião responsável, de<br />

pediatra, anestesista/reanimador<br />

e laboratório nas 24<br />

horas do dia.<br />

3. Melhoria dos actuais blocos<br />

ctrúrgicos e orientação para o<br />

trabalho em regime de tempo<br />

completo prolongado de<br />

modo a melhorar o aproveitamento<br />

dessas instalações.<br />

4. Definição correcta das áreas<br />

de influência dos diversos<br />

hospitais de modo a saber-se<br />

qual a população servida e<br />

poder programar em confor-<br />

30<br />

GH-008<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N .º 14/ <strong>15</strong><br />

1


Ó BEM-ESTAR<br />

DA CRIANÇA<br />

...<br />

midade.<br />

5. Criação de diversos níveis de<br />

diferenciação tecnológica,<br />

bem articulados entre si, de<br />

modo a só serem tratados a<br />

nível central os casos que não<br />

podem ser resolvidos a outro<br />

nível.<br />

PROPOSTA - A PEDIATRIA<br />

ANOS 80<br />

A situação actual do País traduz-se<br />

pela existência de médicos<br />

em número suficiente (cerca<br />

de 1/400 hab.), dos quais teremos<br />

em breve 1 clínico geral/<br />

<strong>15</strong>00 hab. e 1 pediatra para<br />

16 000 hab. (na CEE em 1979,<br />

1 /24 000 e em Espanha 1 /7200).<br />

Existem também hospitais diferenciados<br />

em número suficiente<br />

- por exemplo, só no Porto há<br />

quatro Serviços de Pediatria a<br />

nível de Hospital Central.<br />

Parece assim que, para se<br />

obter um melhor rendimento é<br />

necessária apenas organizar e<br />

articular os serviços existentes.<br />

No que diz respeito aos cuidados<br />

hospitalares propõe-se:<br />

1 - Definição de critérios de<br />

idoneidade para os serviços<br />

(e podemos tomar<br />

como exemplo a Espanha);<br />

a) Deverão fazer uma reunião<br />

clínica diária;<br />

b) Discussão diária de pro-<br />

HOMENAGEM DE<br />

DESAGRAVO A.<br />

DIRECTOR GERAL<br />

AFASTADO<br />

Em Vila. Nova de Ourém, cerca de duas centenas de pessoas<br />

part1c1param ontem num almoço de homenagem a<br />

Augusto Mantas, demitido em Fevereiro do cargo de director<br />

geral do Departamento de <strong>Gestão</strong> Financeira da Saúde. Estiveram<br />

presentes administradores hospitalares e ainda o antigo<br />

ministro da Saúde, Maldonado Gonelha.<br />

Duran_te ? alr;io90. Maldonado Gonelha salientou a '!grande<br />

competenc1a tecnica de Augusto Mantas", sublinhando: «Foi<br />

um dos colaboradores que me impediu de fazer asneiras<br />

quando fui ministro da S_aúde, mas espero voltar a cumprimentá-lo<br />

como director geral do Departamento de <strong>Gestão</strong><br />

Financeira da Saúde., , sublinhou.<br />

O presidente da entidade promotora da homenagem, Santos<br />

Cardoso, referiu também as qualidades técnicas e humanas<br />

de Augusto Mantas, salientando especialmente"º seu perfil<br />

humano,,.<br />

Augusto Mantas agradeceu as referências elogiosas que lhe<br />

foram feitas e disse: «Com tudo o que me fizeram depois de<br />

ser afast~?º· receio vir a tornar-me um homem importante,<br />

ao contrario do homem humilde que sempre fui.,,<br />

blemas da enfermaria;<br />

c) Sessões semanais;<br />

• Reunião de casos clínicos<br />

- discussão de doentes<br />

da enfermaria ou consulta.<br />

• Reunião clínico-radiológica.<br />

• Reunião de protocolos.<br />

2 - O horário de trabalho terá<br />

de ser efectivamente de<br />

seis horas/dia.<br />

3 - Os critérios de idoneidade<br />

para os hospitais distritais<br />

deverão incluir uma visita<br />

pelo menos semanal e a<br />

existência de uma reunião<br />

semanal de todos os<br />

médicos do Serviço. em<br />

que sejam discutidos<br />

todos os protocolos existentes.<br />

4 - Para definição da idoneidade<br />

do serviço e análise<br />

dos currícula mínimos deverão<br />

ser criadas omissões<br />

técnicas nacionais e<br />

regionais.<br />

5 - A presença da mãe (ou<br />

outro familiar com ligação<br />

afectiva à criança) deve ser<br />

considerada como indispensável<br />

junto a esta em<br />

todos os serviços de<br />

pediatria.<br />

6 - Deverá encarar-se a permuta<br />

de pediatras entre<br />

diferentes serviços de diferentes<br />

regiões do País por<br />

períodos maiores ou<br />

menores, facilitando uma<br />

completa troca de experiências.<br />

7 - Provavelmente será mais<br />

rentável, em vez das reuniões/simpósios<br />

actuais,<br />

convidar especialistas de<br />

diferentes áreas. nacionais<br />

ou estrangeiros, que durante<br />

um determinadc<br />

período trabalhem efect1-<br />

vamente nos serviços,<br />

complementando esse<br />

trabalho com uma ou<br />

outra palestra teórica.<br />

8 - Os serviços de pediatria<br />

nos hospitais distritais<br />

deverão ser formados com<br />

8/9 especialistas de modo<br />

a funcionarem como serviço<br />

real.<br />

9 - Os concursos de provimento<br />

deverão ser preferencialmente<br />

institucionais,<br />

mas com júris nacionais<br />

que incluam representantes<br />

das três zonas.<br />

1 O - O exame final do internato<br />

deverá ser feito com um<br />

júri com representação nacional<br />

(e com representante<br />

da O.M. para se evitar<br />

a repetição do exame<br />

para obtenção do título<br />

pelo O.M.), de modo a evitar<br />

a situação actual em<br />

que noventa por cento das<br />

notas finais do internato<br />

são iguais ou superiores a<br />

18 valores.<br />

11 - No ensino da Pediatria<br />

deverão ser desenvolvidos<br />

os conhecimentos sobre<br />

neonatologia e desenvolvimento<br />

psicomotor da criança.<br />

12 - Todos os serviços deverão<br />

apresentar relatórios anuais,<br />

que incluam uma série<br />

de parâmetros da C.<br />

Externa S.U., internamento,<br />

a definir a nível nacional<br />

de modo a que se possam<br />

fazer comparações e analisar<br />

e corrigir os erros.<br />

o<br />

I<br />

1<br />

J<br />

1.º ENCONTRO<br />

NOVOS HOSPITAIS DISTRITAIS<br />

CONCLUSÕES<br />

1 . Analisados os 59 hospitais<br />

distritais que constituem a rede<br />

oficial portuguesa deste tipo de<br />

estabelecimentos (tendo em<br />

conta os seis parâmetros disponíveis:<br />

lotação; envelope financeiro;<br />

recursos humanos; doentes<br />

saídos; urgência e consulta<br />

externa), concluiu-se<br />

que os<br />

novos hospitais distritais constituem<br />

um grupo que, apesar de<br />

pontualmente apresentar, em<br />

cada um dos parâmetros, valores<br />

superiores aos verificados em<br />

alguns dos tradicionais hospitais<br />

distritais, ocupa lugares mais baixos<br />

em relação à totalidade dos<br />

parâmetros.<br />

Dispondo de parcos recursos,<br />

quer humanos, quer financeiros,<br />

estes hospitais representam, de<br />

qualquer modo, uma capacidade<br />

instalada não desprezível e que<br />

interessa aproveitar e rentabilizar,<br />

da melhor forma, dignificando as<br />

suas funções e possibilitando,<br />

assim, o aumento dos outputs<br />

produzidos e a melhoria dos<br />

resultados da sua actividade.<br />

2. A informação fornecida pelo<br />

conjunto dos novos hospitais<br />

distritais, referida ao ano de<br />

1985, revela:<br />

• défice global de <strong>15</strong>2 camas<br />

nas valências mais básicas;<br />

• desequilíbrios na distribuição<br />

da lotação por valências e<br />

assimetrias no número de<br />

camas relativamente à população<br />

a servir;<br />

• serviços insuficientemente<br />

dimensionados para serem<br />

rentáveis;<br />

• exiguidade de espaço e de<br />

equipamentos e carências<br />

gravíssimas de pessoal,<br />

nomeadamente médico e de<br />

enfermagem.<br />

Apesar destas carências, o<br />

conjunto destes hospitais atingiu<br />

um total de cerca de 16 000<br />

doentes tratados no internamento;<br />

602 000 atendimentos na<br />

urgência e 105 000 consultas<br />

externas.<br />

A actividade desenvolvida por<br />

estes hospitais sugere, naturalmente,<br />

a necessidade de os<br />

dotar com recursos adequados<br />

a um funcionamento mais de<br />

acordo com o seu estatuto.<br />

3. Quando comparada a actividade<br />

e os gastos dos novos hospitais<br />

distritais e dos hospitais<br />

centrais e distritais, entre 1982 e<br />

1985, verifica-se que os primeiros,<br />

embora apresentem custos<br />

médios inferiores. evidenciam<br />

alguma insuficiência que se traduz<br />

em desperdício de recursos.<br />

No entanto, eles poderão<br />

desempenhar um papel importante<br />

na melhoria da qualidade<br />

do acesso das populações aos<br />

cuidados hospitalares. Torna-se,<br />

contudo, indispensável que esta<br />

opção seja claramente explicitada<br />

e se conheça o seu preço.<br />

4. A reflexão sobre o futuro da<br />

obstetrícia nos novos hospitais<br />

distritais, assente na análise<br />

comparativa dos custos médios/<br />

/parto, resultante das soluções<br />

«Centralização total (HA1 )., e<br />

«descentralização (HB)». permite-nos<br />

extrair as seguintes ilações:<br />

• até 11 42 partos, as maternidades<br />

são seguramente não<br />

rentáveis;<br />

• algures, entre 11 42, 1894,<br />

verifica-se um mínimo na<br />

curva de custos que indicia a<br />

exigência de um «envelope»<br />

de recursos de nível superior,<br />

o que vai implicar a existência<br />

de uma produtividade marginal<br />

inferior à produtividade<br />

média até aí verificada;<br />

• entre 1894 e 2096, situa-se<br />

um máximo relativo da função,<br />

a partir do qual a produtividade<br />

marginal é superior à<br />

produtividade média. Parece,<br />

pois, poder inferir-se que o<br />

número de partos que garante<br />

a máxima rentabilização se<br />

situa a partir de 2000 partos.<br />

Esta conclusão de, algum<br />

modo, responde à interrogação<br />

que titula o Trabalho.<br />

A OBSTETRfCIA NOS NOVOS<br />

HOSPITAIS DISTRITAIS:<br />

QUE FUTURO?<br />

5. O Serviço de Medicina<br />

Interna é uma valência básica<br />

que d.everá estruturar-se como<br />

um verdadeiro serviço hospitalar<br />

de doentes agudos.<br />

Porque o hospital de nível 1 se<br />

encontra na primeira linha de cuidados<br />

diferenciados, deverá privilegiar<br />

um grande espaço de<br />

articulação com os cuidados de<br />

saúde primários e estabelecer<br />

protocolos com os hospitais<br />

mais diferenciados nas valências<br />

que fazem apelo a técnicas mais<br />

sofisticadas, de modo a criar<br />

uma complementaridade nos<br />

serviços de saúde.<br />

6. Os hospitais de nível 1 serão<br />

aquilo que, em termos nacionais,<br />

a comunidade em que se inserem<br />

espera e exige deles, sem,<br />

no entanto, dever ser desprezada<br />

uma perspectiva integrada<br />

e uma visão global da rede de<br />

cuidados de saúde. Mais do que<br />

isso: serão aquilo que os profissionais<br />

de saúde que neles trabalham<br />

aí investem em termos profissionais.<br />

Não se espera que os hospitais<br />

de nível 1 tenham uma<br />

grande dimensão, mas sim que.<br />

com o máximo de eficácia e de<br />

qualidade, satisfaçam a dignidade<br />

do homem que os procura.<br />

7. Pela sua dimensão, situação<br />

geográfica, inserção na rede de<br />

saúde, organização e recursos<br />

disponíveis estão os hospitais de<br />

nível 1 numa situação privilegiada<br />

para a realização de um conjunto<br />

de acções de colaboração com<br />

a rede de cuidados primários.<br />

Independentemente da existência<br />

de legislação, de normas<br />

ou de meras indicações emanadas<br />

dos serviços centrais, alguns<br />

destes hospitais já encetaram<br />

uma estreita colaboração, por<br />

sua iniciativa, e da qual extraíram<br />

benefícios, dúvidas e algumas<br />

conclusões.<br />

A colaboração, que deve existir<br />

deverá acentuar o papel que<br />

cada unidade desempenha, no<br />

sentido da hierarquização de cuidados<br />

e complementarização<br />

dos circuitos da saúde.<br />

Neste aspecto deverão ser<br />

implementadas formas de esclarecimento<br />

aos utentes.<br />

A colaboração deverá assentar<br />

em princípios claros, na legislação<br />

em vigor, procurando-se a<br />

obtenção de vantagens mútuas,<br />

em benefício do utente. Deverão<br />

ser encontradas vias para um<br />

diálogo sério e produtivo, baseadas<br />

na análise de projectos: na<br />

gestão de recursos, em que o<br />

custo eficácia e o custo eficiência<br />

sejam correctamente equacionados.<br />

Admite-se, assim, que entre<br />

as boas vontades e a inércia da<br />

burocracia pode ser encontrado<br />

um caminho alternativo.<br />

Entende-se que as vantagens,<br />

quer financeiras, quer estruturais,<br />

que são por vezes o motivo principal<br />

da colaboração, devem ser<br />

mantidas e mesmo ampliadas<br />

sempre que as condições o permitam.<br />

A obtenção de receitas próprias<br />

superiores será um estímulo<br />

e não deverão os serviços centrais<br />

penalizar os hospitais pelo<br />

seu acréscimo.<br />

8. De acordo com os valores<br />

mais aceitáveis, para Portugal,<br />

do ratio cama/habitante, em<br />

ginecologia, o número de camas,<br />

nesta valência, é manifestamente<br />

insuficiente relaUvamente às<br />

necessidades. Assim sendo, a<br />

existência de unidades de ginecologia<br />

nos novos hospitais distritais<br />

poderá possibilitar, desde<br />

logo, uma maior acessibilidade e<br />

distribuição de cuidados, sobretudo<br />

na área da consulta externa.<br />

Para diagnóstico e tratamento de<br />

situações. nomeadamente, do<br />

foro oncológico, da esterilidade e<br />

da endocrinologia, reputa-se<br />

importante a elaboração de protocolos<br />

com os hospitais mais<br />

diferenciados, pois grande parte<br />

do estudo de base destas situações<br />

poderá ser feito nas unidades<br />

de ginecologia dos novos<br />

hospitais distritais, o que se traduzirá<br />

em economias de tempo,<br />

custos e bem-estar da doente.<br />

9. Tendo em conta que, ao<br />

nível da saúde infantil, a base dos<br />

cuidados está nos cuidados primários<br />

de saúde, na prevenção<br />

da doença (isto é, na identificação<br />

precoce dos problemas a ser<br />

encaminhados, em boas condições<br />

para um meio hospitalar<br />

adequado) e na promoção da<br />

saúde, os novos hospitais distritais<br />

devem integrar-se como unidades<br />

de apoio aos cuidados primários<br />

de saúde da sua área.<br />

Nestes hospitais deverá funcionar<br />

·uma consulta externa de<br />

neonatologia e de pediatria e,<br />

nalguns. o internamento de algumas<br />

crianças, sendo de favorecer<br />

a hospitalização de curta<br />

duração.<br />

O<br />

ASSOCIATION<br />

EUROPÉENNE<br />

DES<br />

DIRECTEURS<br />

D'HÔPITAUX<br />

Président d'Honneur:<br />

W alter JUNG, Krapfstrasse<br />

26 - 7000 STUtTGART 1<br />

Tel.: 711 /60.35.92<br />

BUNDESREPUBLIK<br />

DEUTSCHLAND<br />

Président:<br />

Dott. Luigi SANFILIPPO<br />

Président d e l'Association<br />

Européenne des Directeurs<br />

d 'Hôpitaux<br />

Délégué d u Sindicato Italiano<br />

Dirigenti il Servizio Sanitario<br />

Nazionale<br />

Direttore Amm inistrativo<br />

Ospedale Fatebenefratelli<br />

Corso di Porta Nuova, 23<br />

20121 M ILANO ITALIE<br />

T el.: 2/636340<br />

Vice-Présidents:<br />

1. Georg SCHAFER, Vize­<br />

Prásident der Europaischen<br />

Vereinigung der Krankennhausverwaltungsleiter,<br />

Vorsitzender<br />

der Fachvereinigung<br />

der Verwaltungsleiter<br />

deutscher Krankenanstalten,<br />

...<br />

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3


Verw. Direktor des Marien­<br />

-Hospitals, Hervesterstrasse<br />

57, Postfach 1760, 4370<br />

MARL - Tel.: 23.65/50-200<br />

BUNDESREPUBLIK<br />

DEUTSCHLAND<br />

2. ?<br />

3. David AASLAND, Vice­<br />

President of the European<br />

Association of Hospital Administrators<br />

President of Helsetjenestens<br />

Administrasjonsforbund<br />

(H.A.F.)<br />

LILLEHAMMER<br />

FYLKESSYKEHUS<br />

- 2600 LILLEHAMMER<br />

NORMAY<br />

Tel.: (062)54.000<br />

Assesseurs:<br />

The lnstitute of Health Services<br />

Management<br />

75 Portland Place,<br />

LONDON WIN 4 AN<br />

Tel.: (01)580.5041<br />

GREAT BRITAIN<br />

1. Olof ANDERSSON , President<br />

of the Swedish Hospital<br />

Administrators Association<br />

Hospital Director, Solskensvagen,<br />

7<br />

23100 TRELLEBORG<br />

SWEDEN<br />

Tel. : 0410/55100<br />

2. René BORNET, Association<br />

Suisse des Directeurs<br />

d'Hôpitaux, Directeur de<br />

l'Hôpital Régional de Sion<br />

Herens Conthey<br />

1951 SION - SUISSE<br />

Tél. : 027/ 21 .11 .71<br />

3. Santos CARDOSO, Président<br />

de !'Associação Portuguesa<br />

de Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es (A.P.A.H.),<br />

Directeur de l'Hôpital Pédiatrique<br />

de Coimbra, Av. Bissaya<br />

Barreto<br />

3000 COIMBRA<br />

PORTUGAL<br />

Tel.: 19-351 -39-27163<br />

4. David A GUNNARSSON,<br />

President of the Félag Forstõdumanna<br />

Sjukrahusa à<br />

lslandi Rikisspitalar<br />

REYKJAVIK - ISLAND<br />

Tel.: 29.000<br />

5. Asger HANSEN, President<br />

of Foreningen af Sygehusadimistratorer<br />

i Danmark,<br />

Dir. of Keibenhavns Amts<br />

Sygehus i Gentofte, Niels<br />

Andersens Vej 63<br />

DK - 2900 HELLERUP<br />

DANEMARK<br />

Tel.: (01)65.12.00<br />

Lokal 4100<br />

4<br />

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Mui<br />

Ilustre Presidente e Amigo<br />

ExmQ Senhor<br />

Presidente da Associação Po~<br />

tuguesa de Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es<br />

Quis a Associação Portuguesa de Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

promover uma homenagem ã minha pessoa, como seu sócio honorário - hon<br />

ra de que muito me orgulho - e soube fazê-lo em ambiente muito simp~<br />

tico e requintado.<br />

Fê-lo, tamb~m, por forma a nao facilitar "presenças por presenças"<br />

e ainda bem que assim procedeu.<br />

Foi um bonito conv1vio que muito apreciei e que mu i to me se~<br />

sibilizou e comoveu, tendo-me sido feitos largos elogios que nunca<br />

tinha pensado ouvir .<br />

Não merecia tanto .<br />

Para mim foi perfeitamente inesperada uma tal homenagem. Mas<br />

teve a grande vantagem de me revelar que tenho muitos mais amigos do<br />

que supunha e de que hã muitas mais pessoas do que poderia imaginar<br />

que me consideram e quiseram testemunhã-lo, nela participando .<br />

Venho agradecer ã Associação Portuguesa de Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es a gentileza da iniciativa que tomou e que me foi extremamente<br />

gratificante, como prémio bastante para trinta e três anos de<br />

serviço dedicados ã saude deste pais.<br />

Gostaria de agradecer a todos - administradores, méd i cos, e~<br />

fermeiros, técnicos e outros amigos - a sua presença neste co nvívio<br />

e que, para isso, sacrif i caram um sãbado de merecido descanso e tive<br />

ra~ ainda os incómodos de viagem até Vila Nova de Ourém, para esta -<br />

rem presentes.<br />

Tudo isso foi revelador de amizade e consideração que, neste<br />

momento desejaria retribuir sem saber bem como . Terei de me lir:iitar<br />

a agradecer a todos, do f undo do coração, a vossa presença amiga, e~<br />

viando um exemplar desta carta e continuando sempre ã vossa disposição.<br />

Sirvo-me, para este efeito, da lista de inscrições que amavel -<br />

mente me foi facultada pela A.P.A . H., esperando não esquecer ninguém.<br />

à Associação, na pessoa do seu Ilustre Presidente e Amigo ,<br />

reitero os meus agradecimentos.<br />

Um<br />

grande abraço e bem hajam todos<br />

Lisboa, 23 de Junho de <strong>1986</strong><br />

(AUGUSTO MANTAS)<br />

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<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/1 5<br />

33


COJVIPARAÇÃO DA ACTIVIDADE<br />

CLINICA INTER-HOSPITAIS<br />

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DESENVOLVIMENTO<br />

DA GARANTIA DE QUALIDADE<br />

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qualidade de cuidados fornecidos a<br />

todos os doentes é consistentemente<br />

óptima, através de uma avaliação<br />

contínua, utilizando métodos<br />

de medida adaptados e dignos de<br />

confiança. Sempre que a qualidade<br />

de cuidados se revele inferior à óptima,<br />

deve ser demonstrada a sua<br />

melhoria.»<br />

Um critério desta natureza exige que<br />

as estruturas de cuidados controlem a<br />

sua própria qualidade.<br />

Nesta medida, a garantia de qualidade<br />

tem de ser considerada uma técnica de·<br />

gestão (Management Method), se bem<br />

que a sua função no hospital seja significativamente<br />

diferente daquela que é na<br />

indústria, desde logo porque o efeito dos<br />

cuidados se produz na saúde dos indivíduos<br />

ou das populações.<br />

Controlar a qualidade de procedimentos<br />

e resultados é avaliar não somente<br />

os actos médicos mas também a qualidade<br />

da gestão e da organização hospitalar.<br />

Teoricamente faria sentido, tentar<br />

controlar<br />

todo o sistema, no entanto, razões<br />

de exequibilidade determinam a delimitação<br />

do âmbito dos programas de<br />

garantia de qualidade; qualquer modelo<br />

integrado, que tente cobrir a globalidade<br />

das funções deve ser visto com circunspecção.<br />

PRESSUPOSTOS PARA<br />

O LANÇAMENTO<br />

DE MECANISMOS<br />

DE GARANTIA<br />

DE QUALIDADE<br />

Domínios de aplicação<br />

Três aspectos da medicina são actualmente<br />

outras tantas áreas de intervenção<br />

de programas de garantia de qualidade:<br />

- estrutura, entendida como a organização<br />

em que os cuidados são prestados<br />

e características dos profissionais<br />

de saúde;<br />

- processo ou actividade médica, so­<br />

. matório dos actos médicos numa<br />

dada estrutura;<br />

- resultado ou (outcome) definido como<br />

o estado do doente, após os cuidados.<br />

Requisitos<br />

Antes do lançamento dos programas<br />

de garantia de qualidade em qualquer<br />

das áreas referidas é essencial tomar em<br />

linha de conta três aspectos essenciais:<br />

- clarificação de conceitos, desfazendo<br />

os equívocos frequentemente associados<br />

a esquemas de garantia de<br />

qualidade;<br />

- desenvolvimento de critérios de qualidade<br />

(standards);<br />

- especificaÇão dos dados e definição<br />

das informações com relevância mínima<br />

para a garantia de qualidade.<br />

Trata-se, no fundo, de requisitos que<br />

estão presentes nas várias etapas em<br />

que se desenvolve qualquer processo de<br />

avaliação:<br />

1 - ESTABELECIMENTO<br />

DE CRIT~RIOS<br />

DE QUALIDADE<br />

2 - DESCRIÇÃO<br />

DA PRÁTICA<br />

DESENVOLVIDA<br />

3 - AVALIAÇÃO (2=1?)<br />

4 - ACÇÕES CORRECTIVAS<br />

(se 2= 1)<br />

5 - NOVA AVALIAÇÃO<br />

(depois de 4,2= 1 ?)<br />

Estabelecer critérios decididos por<br />

cada hospital, sem interferência exterior,<br />

respeitando a liberdade de escolha, a fim<br />

de diminuir a contestação entre o corpo<br />

clínico; delimitar o âmbito de intervenção<br />

de programas de avaliação de acordo<br />

cm as possibilidades de cada hospital,<br />

comparar a prática descrita através da<br />

recolha sistematizada dos dados com os<br />

standards fixados; e desencadear soluções<br />

correctivas de acordo com a etiologia<br />

dos problemas encontrados (de<br />

natureza educativa, comportamental ou<br />

organizacional), constitui a via realista<br />

para a introdução progressiva de mecanismos<br />

de garantia de qualidade.<br />

Como refere Ginzberg:<br />

~ preferível obter concordância profissional<br />

acerca de poucos grandes<br />

grupos de má prática desenvolvida<br />

e desencadear acções correctoras<br />

do que tentar estabelecer uma<br />

extensa tabulação de critérios de<br />

qualidade<br />

PERSPECTIVAS<br />

NO CONTEXTO PORTUGU~S<br />

Apresentação de<br />

um modelo acessível<br />

Tendo em conta o conjunto de pressupostos<br />

atrás descritos, que perspectivas<br />

existem actualmente nos hospitais<br />

portugueses no que respeita ao lançamento<br />

de programas de garantia de<br />

qualidade?<br />

Sem excessivo optimismo, creio que<br />

existem os instrumentos potenciais necessários,<br />

como procurei demonstrar<br />

com a apresentação de um modelo<br />

acessível e imediatamente exequível na<br />

maior parte dos nossos hospitais.<br />

Antes porém é indispensável referir o<br />

seguinte: não existe o método definitivo<br />

para a garantia da qualidade de cuidados;<br />

a avaliação de métodos alternativos<br />

não está feita, pelo que não há grande<br />

consenso acerca do método ou conjunto<br />

de métodos óptimo. Dado o actual<br />

estado de situação é imperativo desenvolver<br />

a garantia de qualidade numa via<br />

evolutiva, mantendo em aberto todas as<br />

opções e a experimentação sob várias<br />

formas.<br />

Uma das vias que se afigura particularmente<br />

interessante é a que resulta de<br />

uma aplicação específica e sectorizada<br />

do sistema baseado em índices negativos;<br />

trata-se da adaptação do ·método<br />

de avaliação de qualidade, baseado no<br />

estudo dos acontecimentos sentinela,<br />

proposto em 1976 por Rutstein e seus<br />

colaboradores.<br />

De forma sintética e genérica pode ser<br />

definido como um método de observação<br />

sistemática através do resumo dos<br />

dossiers clínicos automatizados, dos<br />

casos de doença desnecessária, incapacidade<br />

desnecessária e mortes evitáveis;<br />

a sua ocorrência é um acontecimento<br />

sentinela, um sinal de aviso de<br />

que a qualidade de cuidados necessita<br />

de ser melhorada.<br />

O que, em primeiro lugar, aqui se propõe<br />

é a particularização deste método<br />

relativa aos casos de mortes desnecessárias,<br />

verificados em meio hospitalar,<br />

por se tratar de situações imediatamente<br />

objectiváveis e quantificáveis e que<br />

deverão constituir o primeiro passo para<br />

a implantação da globalidade do sistema.<br />

Informação disponível<br />

- minimum basic data set<br />

A abordagem é particularmente estimulante<br />

porque implica a recolha sistemática<br />

de um mínimo de dados relativos<br />

à morbilidade e mortalidade, efectivamente<br />

realizável em todos os hospitais.<br />

Utilizei como campo de observação<br />

(Quadro 1) para elaboração desta proposta<br />

um conjunto de 1 O hospitais centrais,<br />

distritais e novos distritais com uma<br />

lotação global de 4238 camas, de entre<br />

os 1 9 hospitais gerais e especializados<br />

que utilizam actualmente a mesma aplicação<br />

de resumo clínico ou dossier de<br />

base, informatizado, e que permite tratar<br />

de forma agrupada cerca de 200 000<br />

altas por ano, contendo para além de<br />

todos os dados de movimento, informação<br />

da epidemiologia hospitalar.<br />

Este dossier de base têm um carácter<br />

longitudinal por hospitalização e constitui<br />

a síntese lógica de dados médi.cos e<br />

administrativos, que dizem respeito ao<br />

doente; regista e trata o conjunto dos<br />

13 dados que constituem o Minimum<br />

Basic Data Set recomendado pelo grupo<br />

de informação biomédica da CEE-BM3<br />

para os hospitais de países membros.<br />

QUADRO 1<br />

Fig. 2<br />

MINIMUM BASIC DATA SET<br />

1. IDENTIFICAÇÃO DO HOSPITAL<br />

2. NÚMERO DO DOENTE<br />

3. SEXO<br />

4. IDADE<br />

5. ESTADO CIVIL<br />

6. RESID~NCIA<br />

7. DATA DE ADMISSÃO<br />

8. DURAÇÃO DA ESTADA<br />

9. ESTADO A SAÍDA<br />

1 O. DIAGNÓSTICO PRINCIPAL<br />

11 . OUTROS DIAGNÓSTICOS<br />

12. INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS<br />

E OBSTÉTRICAS<br />

13. OUTROS .ACTOS SIGNIFICATIVOS<br />

DADOS DE MOVIMENTOS DOS HOSPITAIS OBSERVADOS<br />

(1984)<br />

HOSPITAIS<br />

LOTAÇÃO<br />

HC1 11 56<br />

HC2 621<br />

HC3 877<br />

HD1 198<br />

HD2 393<br />

HD3 168<br />

HD4 208<br />

HD5 327<br />

HD (ex. cone.) 1 88<br />

HD (ex. cone.) 2 111<br />

HD (ex. cone.) 3 91<br />

Total 4238<br />

Fonte: Aplicação de Estatística de Movimento de Doentes<br />

(a) Dados relativos ao 1." Semestre<br />

DOENTES SAIOOS<br />

12143(aJ<br />

<strong>15</strong>403<br />

14104<br />

3067<br />

10902<br />

6716<br />

6360<br />

8218<br />

714<br />

1474<br />

1914<br />

820<strong>15</strong><br />

QUADRO li<br />

QUANTIFICAÇÃO DE RESULTADOS A SAÍDA<br />

(1984)<br />

Observando o conjunto de parâmetros<br />

que procuram caracterizar o resultado<br />

à saída e que constam do quadro<br />

li, podemos seleccionar a nível de cada<br />

hospital todos os casos de mortalidade<br />

(Quadro Ili) e focalizar uma área-problema<br />

de dimensões reduzidas - não<br />

superior a 5% das altas nos hospitais<br />

centrais e distritais - , mas que possibilita<br />

a detecção e correcção de graves deficiências.<br />

Estabelecimento de critérios<br />

~ então o momento de assegurar<br />

outro requisito prévio à garantia de qualidade<br />

- o estabelecimento de critérios<br />

objectivos.<br />

Muitos esforços para medir a qualidade<br />

podem falhar devido à dificuldade<br />

insuperável em estabelecer standards<br />

que permitam m~dir gradações de sentido<br />

positivo no estado de saúde. Não<br />

são facilmente definíveis quantitativamente<br />

«bons cuidados .., «maus cuidados"<br />

ou «Cuidados médios».<br />

Procurando suplantar esta dificuldade<br />

e evitar uma moratória nas actividades<br />

de garantia de qualidade, até que possam<br />

ser fixados instrumentos de medida,<br />

é proposto por este método o estabelecimento<br />

de índices negativos de<br />

saúde.<br />

Na formulação específica e restrita à<br />

mortalidade do método dos acontecimentos-sentinela,<br />

a ocorrência de uma<br />

morte considecada (por referência aos<br />

índices), como evitável justifica a pergunta.<br />

«Por que é que isto aconteceu?»<br />

Os mapas de diagnóstico por resultado<br />

disponíveis em grande número de<br />

hospitais e resultantes da aplicação<br />

informática de «Estatística do Movimento<br />

de Doentes» ilustram a exequibilidade de<br />

aplicação imediata deste método, ao<br />

nível hospitalar, o que, aliás, é, numa pri-<br />

.<br />

Saídos c .. ados "fo Melholado "fo Mesmo o/o Piorado<br />

,.,<br />

lndetenni·<br />

,.,<br />

Fll.c/IUl. % Fll. si IUl. %<br />

Estado<br />

.<br />

HOSPITAIS DOENTES RESULTADO À SA(DA<br />

HHCC 42650 18574 43.5 18928 44.4 3003 7.0 371 0.9 444 1.0 179 0.4 1<strong>15</strong>1 2.7<br />

HHDD 35263 12488 35.4 19409 55.0 1722 4.9 303 0.9 4 o.o 80 0.2 1257 3.6<br />

HHCC(ex. cone.) 4102 728 17.7 2463 60.0 254 6.2 392 9.6 3 0.1 4 0.1 258 6.2<br />

Fonte: Aplicação de Estatística de Movimento de Doentes<br />

36<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong> 37


DESENVOLVIMENTO<br />

DA GARANTIA DE QUALIDADE<br />

~<br />

meira etapa, muito linear.<br />

Variáveis organizacionais<br />

Verificado o acontecimento que, normalmente,<br />

não deveria produzir-se,<br />

entram em funcionamento mecanismos<br />

de pesquisa para a detecção das causas<br />

subjacentes.<br />

Os únicos dados disponíveis consistentes<br />

para a avaliação são os constantes<br />

do processo clínico. Hoje em dia só<br />

o resultado imediato, no momento da<br />

alta, pode ser tomado em conta; não há<br />

nenhum sistema prático que possibilite<br />

trazer de novo ao processo clínico<br />

dados relativos a situações pós-alta, isto<br />

é, dados que permitam medir o resulta­<br />

·do, definido como o estado e a evolução<br />

do doente após a prestação de cuidados.<br />

Pode haver plena concordância em<br />

considerar que os resultados são mais<br />

importantes de avaliar do que as actividades<br />

médicas, mas o desenvolvimento<br />

de critérios para medir os resultados<br />

parece ser ainda mais difícil.<br />

Daí que a importância que o dossier<br />

clínico assume enquanto reflexo e descrição<br />

da prática médica.<br />

Mesmo na sua forma de organização<br />

tradicional - organização dos dados em<br />

função das disciplinas médicas e<br />

segundo a origem - o dossier clínico<br />

contém as informações cruciais necessárias<br />

à identificação dos factores pessoais,<br />

sociais, ambientais, genéticos,<br />

científicos ou médicos, eventualmente<br />

QUADRO Ili<br />

FALECIMENTOS POR HOSPITAL<br />

(1984)<br />

1111111111111111<br />

1111111111111111<br />

111111111111011<br />

1111111111111111<br />

1111111111 111111<br />

responsáveis pela verificação de um<br />

acontecimento-sentinela (interrogatório<br />

do ·doente, dados de exame clínico,<br />

hipóteses de diagnóstico e planos de<br />

trabalho, resultados de exames complementares,<br />

tratamento, evolução e conclusão<br />

em relatório de referência médica).<br />

Todas as circunstâncias serão então<br />

revistas e avaliadas pelos membros do<br />

corpo clínico. Aliás, entre nós, é um procedimento<br />

previsto no Dec. Reg. 30/77,<br />

de 3 de Maio, sob a forma de competência<br />

consultiva atribuída ao Conselho<br />

Médico e,' fundamentalmente, esta actividade<br />

constitui matéria específica da<br />

competência da Direcção de Serviço a<br />

este nível e da Direcção Médica a nível<br />

de todo o hospital, com o apoio técnico<br />

da Comissão de Avaliação.<br />

A existência de Departamento de<br />

Dossiers Clínicos, de profissionais especializados<br />

- os analistas de dossiers de<br />

saúde (AOS), a redução dos dados a<br />

parâmetros característicos representativos<br />

de todas as informações clínicas<br />

pertinentes e a sua automatização, são<br />

variáveis organizacionais que tornariam<br />

HOSPITAIS DOENTES SAIDOS RESULTADO A SAIDA<br />

Falecidos e/ aut.<br />

HC1 12143 (8) 38<br />

HC2 16403 113<br />

HC3 14104 28<br />

HD1 3067 1<br />

HD2 10902 49<br />

HD3 6716 4<br />

HD4 6360 13<br />

HD5 8218 13<br />

% Fal.s/aut.<br />

0.3 197<br />

0.7 341<br />

0.2 613<br />

o.o 37<br />

0.4 237<br />

O.O 247<br />

0.2 279<br />

0.1 377<br />

% Total %<br />

1.6 235 1.9<br />

2. 1 454 2.8<br />

4.3 641 4.5<br />

1.2 38 1.2<br />

2.2 286 2.6<br />

3.7 251 3.7<br />

4.4 292 4.6<br />

4.6 390 4.7<br />

mais simples e objectivo o estudo destes<br />

acontecimentos.<br />

No entanto, no actual estado da situação<br />

o que se afigura como mínimo<br />

imprescindível é a existência de dossier<br />

clínico completo, sintético e convenientemente<br />

estruturado, que o mesmo é<br />

dizer suficientemente detalhado e bem<br />

organizado.<br />

A cadeia de responsabilidade para<br />

prevenir a ocorrência de uma morte desnecessária<br />

é longa e complexa, dependente<br />

de uma multiplicidade de factores,<br />

muitos deles exteriores aos serviços de<br />

saúde, e a quebra de um simples elo<br />

pode precipitar o acontecimento indesejável;<br />

no entanto, isso não impede que,<br />

da parte destes, não exista uma atitude<br />

de monitorização sistemática da qualidade<br />

de cuidados e a adopção de medidas<br />

correctoras relevantes para a sua<br />

prevenção, designadamente de natureza<br />

educativa e organizacional.<br />

Vantagens deste modelo<br />

Um sistema de garantia de qualidade,<br />

qualquer que seja a forma que ele revista,<br />

deve estar adaptado aos aspectos<br />

formais e informais da organização do<br />

hospital em concreto; é neste sentido<br />

que esta particularização do método do<br />

estudo dos acontecimentos-sentinela,<br />

parece oferecer algumas vantagens:<br />

a) pode ser implantado sem modificações<br />

na estrutura organizativa;<br />

b) utiliza, sem alterações, o sistema de<br />

informação já existente na área da<br />

gestão do doente;<br />

c) é de grande simplicidade de execução;<br />

d) tem custo reduzido;<br />

e) é de natureza evolutiva e modular;<br />

f) representa, por oposição a um controlo<br />

externo e normativo, um autocontrolo<br />

ou avaliação interna, logo<br />

mais facilmente aceitável.<br />

O método apresentado constitui apenas<br />

uma de entre as múltiplas possíveis<br />

componentes que um programa de garantia<br />

de qualidade envolve. Ainda que<br />

não operacionalmente experimentado,<br />

nem avaliado, pretende ser um pequeno<br />

passo em frente no desenvolvimento de<br />

esquemas de controlo de qualidade de<br />

cuidados.<br />

E a qualidade elevada não é acidental,<br />

só pode ser garantida se estiverem, em<br />

funcionamento sistemático, mecanismos<br />

de controlo.<br />

Nesta medida, se houver um corpo de<br />

profissionais responsáveis e uma gestão<br />

competente, o hospital sentirá a necessidade<br />

de implementar programas de<br />

garantia de qualidade, conceptualizados<br />

como atitude de avaliação e de alteração<br />

de comportamentos, em direcção a<br />

novos níveis de qualidade.<br />

A grande variedade de modelos, complexidade<br />

de muitos deles e a utilização<br />

ainda restrita, coloca a garantia de qualidade<br />

em estado instável. No futuro,<br />

poderá vir a ser um outro ornamento<br />

burocrático ou uma estimulante força de<br />

mudança,<br />

BIBLIOGRAFIA<br />

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hospital organization, World Hospitais, vol.<br />

XXI, n. 0 1, pp. 35-36. Fevereiro 1985<br />

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The New England Journal of Medicine, vai.<br />

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J. Med. , pp. 366-368, Fevereiro 19<strong>15</strong>.<br />

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21 pp. <strong>15</strong>05-<strong>15</strong>11, Dezembro 1916.<br />

MELLIERE, O., Les contrôles de la qualité des<br />

soins dans les hopitaux nord-americains; une<br />

solution pour les hopitaux trançais?, Gestions<br />

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NOBREGA, F., Quality Assessment in Hypertension:<br />

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-148, Janeiro 1911.<br />

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SLEE, V. , PSRO and The Hospitais Quality<br />

Control, Annals of Internai Medicine, vol. 8 1<br />

n. º 1, Julho 1914. O<br />

,_<br />

... .,,,.<br />

.....<br />

..... 1<br />

-,<br />

'<br />

HD (ex. cone.) 1 714 -<br />

- 97<br />

13.6 97 13.6<br />

CONSIDERAÇÕES FINAIS<br />

HD (ex. cone.) 2 1474 4<br />

HD (ex. cone.) 3 1914 -<br />

Fonte: Aplicação de Estatística de Movimento de Doentes<br />

(a) Dados relativos ao 1. 0 semestre<br />

0.2 104<br />

- 57<br />

7.1 108 7.3<br />

3.0 57 3.0<br />

O hospital tem, à face do direito natural<br />

, um contrato com a comunidade,<br />

através do qual se obriga a prestar a<br />

melhor qualidade de cuidados a todos<br />

os doentes e a todo o tempo.<br />

m<br />

o<br />

1<br />

I<br />

(.'.)<br />

38<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

39


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o<br />

O conceito de cuidados intensivos foi<br />

criado há cerca de 30 anos durante a<br />

epidemia de poliomielite que alastrou na<br />

Europa (1950). A unidade de cuidados<br />

intensivos (UCI) era então, como ainda<br />

hoje é, uma enfermaria onde eram agrupados<br />

os doentes mais graves para<br />

serem submetidos a tratamentos altamente<br />

especializados.<br />

Contudo, nestas décadas de evolução,<br />

o conceito de UCI sofreu algumas<br />

alterações fundamentais. Em primeiro<br />

lugar, a UCI transformou-se numa unidade<br />

hospitalar distinta, especialmente<br />

construída, para permitir a utilização de<br />

tecnologia ultramoderna e para respeitar<br />

a execução de protocolos exaustivos<br />

(controle de infecções, etc.) exigídos por<br />

entidades diversas. Em segundo lugar,<br />

os doentes admitidos para tratamento<br />

deixaram de ser exclusivamente aqueles<br />

sofrendo de insuficiência respiratória<br />

aguda ou insuficiência neuro-muscular<br />

para abranger todas as situações clínicas<br />

que representam uma ameaça para<br />

a vida. Os critérios de admissão também<br />

mudaram, estendendo-se hoje a muitos<br />

doentes com prognóstico duvidoso, ou<br />

mesmo com prognóstico seguramente<br />

infausto. Por outro lado, a existência de<br />

camas disponíveis encoraja a admissão<br />

de doentes para os quais a UCI não<br />

representa uma necessidade absoluta.<br />

* Director da UCI<br />

Leitor de Cuidados Intensivos<br />

Universidade de Groningen<br />

Holanda<br />

Em terceiro e último lugar, os custos de<br />

gestão da UCI aumentaram de tal<br />

maneira que ela se transformou, logo a<br />

seguir à sala de operações, na unidade<br />

clínica mais cara de qualquer hospital<br />

moderno.<br />

É hoje geralmente aceite que cerca de<br />

20% do orçamento hospitalar é gasto na<br />

gestão da UCI , muito embora somente<br />

cerca de 5% dos doentes hospitalizados<br />

beneficiem desta unidade durante um<br />

determinado período da sua hospitalização.<br />

Para além ·disso, considerando a<br />

mortalidade média na UCI superior a<br />

20%, são necessários investimentos<br />

importantes para produzir um sobrevivente.<br />

Esta súbita escalada nos custos da<br />

UCI não passou despercebida, transformando-se<br />

numa das maiores preocupações<br />

das autoridades hospitalares. Não<br />

só por causa do seu volume, mas porque<br />

parte dos recursos envolvidos poderiam<br />

ser adjudicados para outros programas<br />

de ·saúde eventualmente mais<br />

benéficos.<br />

Compete aqui dizer que este problema<br />

não se circunscreve unicamente<br />

à UCI, e que"as autoridades hospitalares .<br />

se debatem com situações semelhantes<br />

no que respeita a outras tecnologias inovadoras<br />

- cirurgia cardíaca, transplantes<br />

de órgãos; etc.<br />

Esta problemática foi recentemente<br />

analisada e discutida por intensivistas,<br />

economistas e outros profissionais<br />

durante um simpos10 "The ICU: A<br />

Cost-Benefit Analysis» - realizado em<br />

Groningen, na Holanda. Este simpósio<br />

propunha-se analisar as indicações e<br />

necessidades de cuidados intensivos<br />

num hospital moderno, indicar técnicas<br />

apropriadas para a identificação dos<br />

benefícios resultantes, e analisar o futuro<br />

para que tende a medicina de cuidados<br />

intensivos, à luz da crescente escassez<br />

de recursos financeiros.<br />

Para além do seu conteúdo, a novidade<br />

deste simpósio esteve também no<br />

reconhecimento de que qualquer solução<br />

para estes problemas tem de ser<br />

encontrada num consenso multidisciplinar.<br />

Tornou-se evidente que o futuro da<br />

UCI dependerá de cinco princípios fundamentais:<br />

1 . Os cuidados de saúde dispõem de<br />

recursos financeiros limitados; paralelamente,<br />

novas técnicas e terapêuticas<br />

serão continuamente introduzidas na<br />

prática clínica, oferecendo benefícios<br />

mensuráveis a diversos clientes potenciais,<br />

e concorrendo inevitavelmente<br />

para a exaustão dos recursos disponíveis.<br />

Consequentemente, o uso inapropriado<br />

da UCI deve ser evitado, não só<br />

por razões de economia directa, mas<br />

também para libertar recursos que<br />

poderão ser utilizados por outros doentes.<br />

O uso apropriado da UCI exige a<br />

existência de um critério de admissão<br />

racional, e uma gestão profissional da<br />

unidade, por forma a ser possível estabelecer<br />

uma relação mensurável entre o<br />

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<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/<strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

41


A UNIDADE DE<br />

CUIDADOS INTENSIVOS<br />

capital investido e o resultado obtido.<br />

2. A ausência de coordenação central<br />

em combinação com a inexistência de<br />

manuais de utilização das unidades<br />

estão na origem duma expansão incontrolada<br />

de UCls. Todo e qualquer hospital<br />

se sente na legítima obrigação de<br />

facultar a utilização de UCls, de modo<br />

a servir necessidades multidisciplinares<br />

diversas. As camas serão ocupadas, de<br />

uma forma ou de outra, eventualmente<br />

através de critérios locais para admissão<br />

de doentes, gerando-se não só a justificação<br />

de um investimento como também<br />

a necessidade de mais UCls.<br />

É necessário definir os objectivos dos<br />

serviços de saúde hospitalar a nível.<br />

nacional, regional e local, particularmente<br />

no que respeita às implicações e<br />

organização de serviços de medicina<br />

intensiva. Neste planeamento haverá<br />

não só que atender à procura actual<br />

destes serviços, mas também prever os<br />

acréscimos de utilização gerados pela<br />

expansão de inovações terapêuticas. As<br />

necessidades devem ser analisadas e<br />

definidas dentro de cada região, resultando<br />

na distribuição equilibrada dos<br />

recursos fin~mceiros . Da mesma forma<br />

que para outras especialidades médicas<br />

(cirurgia torácica, neurocirurgia, etc.), as<br />

UCls devem ser planeadas de acordo<br />

com as necessidades regionais e locais.<br />

Tornou-se evidente a urgência de<br />

identificar os grupos de doentes que<br />

beneficiam com a admissão em UCls,<br />

isto é, aqueles cujo prognóstico seria<br />

posto em risco caso não fossem admitidos<br />

na UCI. Os benefícios oferecidos<br />

a estes grupos de doentes também têm<br />

de ser analisados, uma vez que a qualidade<br />

de vida proporcionada pode ter<br />

um valor diferente do da simples sobrevivência.<br />

3. A utilização das instalações existentes<br />

deve ser aproveitada ao máximo.<br />

Excluíndo aqueles doentes que poderiam<br />

ser tratados a um nível inferior de<br />

cuidados (menos pessoal), menos equipamento,<br />

etc.), reduzem-se os custos,<br />

ao mesmo tempo que se aumenta a<br />

capacidade de admissão da unidade.<br />

Um número excessivo de camas encontra-se<br />

frequentemente ocupado por<br />

doentes que já não necessitam de cuidados<br />

intensivos, mas que ainda não se<br />

encontram em condições de transferência<br />

para a enfermaria normal. Assim muitas<br />

camas se encontram vazias, durante<br />

inúmeras horas, todos os dias, aguardando<br />

os doentes que regressam das<br />

salas de operações. Casos pós-operatórios<br />

simples são frequentemente admitidos<br />

na UCI, pelo facto de esta ter<br />

camas vagas; geralmente isto acontece<br />

nas mesmas instituições onde seria<br />

impensável utilizar blocos operatórios<br />

especializados para intervenções de<br />

pequena cirurgia. Estes exemplos' representam<br />

situações nas quais instalações<br />

muito despendiosas, e destinadas à execução<br />

de alta tecnologia, podem ser utilizadas<br />

de forma ineficiente; em muitas<br />

instituições, a utilização defeituosa da<br />

capacidade anual da UCI é superior a<br />

50%.<br />

A implementação de «Cuidados progressivos,,<br />

poderá ser a solução adequada<br />

para estes problemas, adaptando<br />

a organização e a estrutura de unidades<br />

especiais às necessidades dos doentes.<br />

Refiro-me à criação de unidades, como<br />

por exemplo, de cuidados médicos, lembrando<br />

ainda que a utilização total das<br />

instalações existentes (como, por exemplo,<br />

a ·sala de recobro) poderá oferecer<br />

solução adequada para muitos doentes,<br />

requerendo cuidados intensivos de curta<br />

duração (cirurgia cardíaca, etc.).<br />

4. O estabelecimento de prioridades<br />

futuras e de regras gerais de utilização<br />

não é possível, nem desejável, através<br />

de uma óptica exclusivamente médica.<br />

Os esforços e o conhecimento especializado<br />

de muitos outros profissionais é<br />

imprescindível (economistas, administradores,<br />

etc.), sem contar com o direito<br />

que a sociedade tem em saber onde, e<br />

como é, que os recursos financeiros são<br />

despendidos, e quais os benefícios que<br />

daí advêm. O planeamento de saúde e<br />

a gestão hospitalar têm sido tradicionalmente<br />

caracterizados por uma falta de<br />

coordenação entre as diversas disciplinas<br />

envolvidas nas áreas de decisão, as<br />

quais têm frequentemente preferido<br />

reforçar posições e pontos de vista profissionais,<br />

esquecendo os interesses<br />

gerais da colectividade. Ao nível hospitalar,<br />

o conceito de actividade multidisciplinar<br />

deve não só ser aplicado às acções<br />

médicas, como também à gestão e ao<br />

funcionamento das instalações.<br />

5. Muitos países ainda não reconheceram<br />

a Medicina de Cuidados Intensivos<br />

como uma especialidade independente.<br />

Isto tem resultado na situação<br />

paradoxal em que o serviço onde os<br />

doentes mais graves do hospital recebem<br />

tratamento continuamente 24 horas<br />

por dia não funcionarem sob a responsabilidade<br />

directa de profissionais especialmente<br />

treinados e trabalhando em<br />

tempo integral. A necessidade de profissionalização<br />

foi entretanto sentida por<br />

outros grupos, como, por exemplo, a<br />

enfermagem. Razões para este fenómeno<br />

variam de país para país, mas o<br />

motivo mais comum assenta sobretudo<br />

em reacções emocionais de especialidades<br />

estabelecidas, temendo um ataque<br />

às suas áreas de competência do que<br />

' numa análise racional da evolução da<br />

medicina moderna. Este problema não<br />

é novo, e repetiu-se sempre que uma<br />

nova actividade médica reclamou independência<br />

(anestesia, cardiologia, ortopedia,<br />

etc.). A verdade é que a ausência<br />

de representação profissional adequada<br />

na UCI precipitou a expansão incontrolada<br />

das unidades, proporcionou a indefinição<br />

de objectivos, e foi responsável<br />

pelo mau funcionamento de muitas<br />

UCls.<br />

Na altura em que um melhoramento<br />

da capacidade de gestão é mandatário<br />

para o aproveitamento mais eficiente das<br />

unidades existentes, e para um adequado<br />

planeamento a nível nacional,<br />

regional e local, o baixo nível de profissionalização<br />

da UCI torna-se num obstáculo<br />

muito grave. Não só faltam elementos<br />

importantes de informação, nos<br />

quais se devem basear muitas decisões,<br />

como também as autoridades hospitalares<br />

tem dificuldade em encontrar o<br />

grupo profissional com o qual possam<br />

discutir, implementar e controlar os programas<br />

de acção. Na ausência do intensivista,<br />

o grupo multidisciplinar que<br />

deverá ocupar-se do futuro dos cuidados<br />

intensivos na política hospitalar<br />

encontra-se incompleto e não pode funcionar<br />

eficientemente.<br />

D<br />

NOTA - A maior parte deste artigo foi publicada<br />

na revista lntensive Gare World 3,2:39-<br />

-40, <strong>1986</strong>, e é aqui traduzida com permissão<br />

do Editor.<br />

DA RESPONSABILIDADE<br />

DOS ÓRGÃOS DE TUTELA<br />

POR SANTOS CARDOSO*<br />

Falar do direito à saúde abrange a<br />

conotação com o direito à vida, cuja<br />

consagração ninguém põe em dúvida.<br />

Referir o direito à protecção da saúde,<br />

com âmbito· mais restrito, significa que<br />

a prestação de cuidados satisfaz necessidades<br />

que para além de serem sentidas<br />

individualmente flo seu sentido<br />

genérico, são também consideradas<br />

pela sociedade como devendo ser satisfeitas.<br />

Com clara aceitação no texto constitucional<br />

e restantes leis em vigor no<br />

nosso país, compete ao Estado a promoção<br />

directa da prestação de cuidados<br />

de saúde, garantindo a sua provisão,<br />

tutelando-a e regulamentando-a.<br />

Não pretendemos levantar aqui a discussão<br />

se o comprometimento do<br />

Estado na área da saúde deve ser progressivo<br />

ou regressivo. É uma realidade<br />

com direito constituído, e não nos competirá<br />

neste local e neste momento<br />

questionar razões do Estado de Direito,<br />

que de certo todos acatamos, tal como<br />

o mesmo Estado de Direito deve garantir<br />

a possibilidade de existência do sector<br />

privado da saúde.<br />

Neste contexto legal compete à administração<br />

pública em conceito amplo<br />

assegurar a existência e funcionamento<br />

de serviços públicos prestadores de cuidados<br />

de saúde, e é nessa área, .pelo<br />

menos como base, que todos nós situamos<br />

ou devemos situar as nossas actividades<br />

profissionais.<br />

Temos, pois, que somos profissionais<br />

em serviços públicos prestadores de<br />

cuidados, ou serviços produtores de<br />

serviços. A questão que nos parece pertinente<br />

levantar é se os serviços de saúde,<br />

quer se situem no sector de cuidados<br />

primários, quer no sector de cuidados<br />

diferenciados, embora aceitando<br />

que se integram no conceito amplo de<br />

administração pública, têm ou não<br />

características específicas, exigindo uma<br />

organização diferente das restantes<br />

" Administrador <strong>Hospitalar</strong><br />

áreas da administração estatal, com<br />

consequentes formas adequadas à sua<br />

gestão e do próprio estatuto dos seus<br />

trabalhadores.<br />

Por outras palavras, o que pretendemos<br />

propor à discussão é se a orgânica<br />

dos vários escalões do Ministério da<br />

Saúde pode ser igual ou idêntica à de<br />

qualquer outro ministério:<br />

- As leis em vigor estabelecem uma<br />

organização diferente?<br />

- As leis em vigor são adequadas à<br />

especificidade dos serviços prestadores<br />

de cuidados?<br />

- O papel do Ministério da Saúde e<br />

dos vários órgãos de tutela deve ser<br />

igual ao dos restantes ministérios?<br />

- Os critérios de gestão dos serviços<br />

de saúde devem ser idênticos a outros<br />

serviços estatais?<br />

- As normas regulamenta do trabalho<br />

de saúde podem ser iguais às do funcionalismo<br />

público em geral, desde a formação<br />

base, ao recrutamento, à formação<br />

contínua, passando pelo estatuto<br />

remuneratório até à avaliação dos resultados<br />

conseguidos?<br />

A intervenção do Governo na administração<br />

da saúde é fundamentada no<br />

texto constitucional, o qual em modos<br />

idênticos a todos os ministérios .estabelece<br />

que "º Governo é o órgão de condução<br />

política geral do País e o órgão<br />

superior da administração pública»<br />

(art.º 185.º). No que concerne ao Ministério<br />

da Saúde; a Lei do Serviço Nacional<br />

de Saúde (Lei n.º 56/79, de <strong>15</strong> de<br />

Setembro, art.º 3. 0 n.º 1) dispõe que<br />

«Compete ao Governo a definição e a<br />

coordenação global da política de saúde».<br />

A Lei do Serviço Nacional de Saúde,<br />

quer concordemos ou não com ela, .dá<br />

forma ao preceito constitucional<br />

(art.º 64.º) que prevê a sua organização<br />

como serviço nacional, isto é, válido para<br />

todo o território, universal, ou seja, dirigido<br />

a todos os cidadãos, e geral, abrangendo<br />

portanto todos os cuidados de<br />

saúde, sem prejuízo da possibilidade de<br />

existirem organizações privadas de prestação<br />

de cuidados.<br />

Pela mesma Lei, o Serviço Nacional<br />

de Saúde é dotado de autonomia administrativa<br />

e financeira, devendo ser estruturado<br />

como rede de órgãos e serviços<br />

prestadores de cuidados, actuando de<br />

forma articulada e com gestão descentralizada,<br />

sem prejuízo da direcção unificada.<br />

Como órgãos centrais, o Serviço<br />

Nacional de Saúde deve dispor de um<br />

conselho nacional de saúde e da administração<br />

central de saúde, que nunca<br />

foram instituídos.<br />

A primeira constatação que podemos<br />

obter é a de que, nos termos legais, o<br />

Serviço Nacional de Saúde embora funcione<br />

no âmbito do Ministério da Saúde<br />

foi dele organicamente separado, ao<br />

contrário do que a lei anterior previa, pois<br />

pela legislação de 1971 (Decreto-Lei<br />

n.º 413/71, de 27 de Setembro) competia<br />

ao ministro não só dirigir a política<br />

de saúde, como ainda promover a sua<br />

execução e assegurar o funcionamento<br />

dos serviços.<br />

Só que, não tendo ainda sido estruturada<br />

a Administração Central de Saúde,<br />

nem o Conselho Nacional de Saúde<br />

como órgão de consulta, a prática actual<br />

vem mantendo a ligação hierárquica<br />

directa entre o ministro e os órgãos e<br />

serviços já instituídos, continuando a<br />

depender do gabinete ministerial de simples<br />

gestão dos serviços, sem a necessária<br />

repartição decisões de competências,<br />

e, o que quanto a nós é mais grave,<br />

sem a possibilidade de repartição e atribuição<br />

de responsabilidades.<br />

No que se refere ao nível regional<br />

foram criadas as administrações regionais<br />

de saúde. A lei do Serviço Nacional<br />

de Saúde (art.º 64.º) previa que se<br />

deviam manter em funcionamento as<br />

administrações distritais criadas pelo<br />

Decreto-Lei n.º 488/75, de 4 de Setembro,<br />

com âmbito distrital enquanto essa<br />

área de jurisdição não fosse revista com<br />

a criação das regiões de saúde. Como<br />

se sabe, as administrações distritais,<br />

....<br />

42<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

43


ÓRGÃOS DE TUTELA<br />

dotadas de autonomia administrativa,<br />

eram responsáveis não só pela área dos<br />

cuidados primários como pela área dos<br />

cuidados diferenciados.<br />

O Decreto-Lei n. º 254/82, de 29 de<br />

Junho, substituiu as administrações distritais<br />

por administrações regionais,<br />

mantendo o âmbito distrital, mas retirando-lhes<br />

a área de cuidados diferenciados<br />

ou hospitalares. Sucedeu que por<br />

Acordão do Tribunal Constitucional de<br />

11. de Abril de 1984 (Diário da República,<br />

li Série, de 5.5.84), foi declarada a<br />

inconstitucionalidade do seu artigo 1 7. º,<br />

o qual revogava a Lei do Serviço Nacional<br />

de Saúde desde o art.º 18.º ao<br />

art.º 65, ou seja, toda a parte organizativa<br />

que incluía portanto a manutenção<br />

das anteriores administrações distritais.<br />

Na prática, tem continuado em vigor·<br />

o estipulado no Decreto-lei n. 0 254/82<br />

quanto às administrações regionais de<br />

saúde, com os hospitais fora da sua<br />

alçada, abrangendo somente os centros<br />

de saúde. Estes são serviços prestadores<br />

de cuidados de saúde primários,<br />

deveriam depender das administrações<br />

regionais, mas sem prejuízo da autonomia<br />

que lhes fosse fixada, conforme o<br />

art.º 42.º da Lei do Serviço Nacional de<br />

Saúde, reposto em vigor pelo citado<br />

acordão do Tribunal Constitucional.<br />

Como subsiste na prática o Decreto­<br />

-Lei n.º 254/82, aquela retira aos centros<br />

de saúde toda a autonomia de gestão,<br />

transferindo para as administrações<br />

regionais todos os bens, direitos e valores<br />

patrimoniais, assim como o direito<br />

de cobrança de receitas e pagamento<br />

de despesas.<br />

Quanto aos hospitais, estes dispõem<br />

nos textos legais de autonomia administrativa<br />

e financeira (Decreto-Lei n.º 129/<br />

177, de 2 de Abril, e Decreto Regulamentar<br />

n.º 30177, de 20 de Maio), autonomia<br />

essa que tem vindo a ser sucessivamente<br />

suspensa pelas leis que aprovaram<br />

os orçamentos do Estado.<br />

Para coordenar a actividade hospitalar<br />

ainda sobrevivem as comissões inter­<br />

-hospitalares, mas sem programas de<br />

acção conhecidos, tal como se desconhecem<br />

as áreas geográficas de responsabilidade<br />

dois hospitais distritais.<br />

Quando o n.º 4 do art.º 64.º da Constituição,<br />

estabelece que «O serviço<br />

nacional de saúde tem gestão descentralizada<br />

e participada», que realidade<br />

temos?<br />

Que descentralização e participação é<br />

po.ssível exigir no autêntico emaranhado<br />

legal em vigor?<br />

Que coordenação é possível estabelecer<br />

entre cuidados primários e diferenciados?<br />

Qual a vantagem deste estado de coisas?<br />

Há cerca de dez anos os propnos<br />

administradores hospitalares norte-americanos<br />

ainda recusavam tudo o que era<br />

rotulado de gestão: nós somos pessoal<br />

hospitalar, não somos homens de negócios,<br />

diziam eles.<br />

Nas universidades, os docentes ainda<br />

hoje dizem o mesmo, embora simultaneamente<br />

se queixem de a sua instituição<br />

ser mal gerida.<br />

A saúde não tem preço, mas os serviços<br />

que visam promovê-la e defendê-la<br />

devem necessariamente ter um orçamento,<br />

e todos os países ditos ricos ou<br />

pobres acabam por definir os limites dos<br />

recursos disponíveis e considerar o<br />

imperativo de procurar optimizar a relação<br />

custos/benefícios.<br />

Cremos que no nosso país os serviços<br />

·prestadores de cuidados ainda continuam<br />

mais interessados em maximizar<br />

do que- em optimizar, e o «êxito» ainda<br />

se define pela obtenção de um orçamento<br />

maior em vez de ser pela obtenção<br />

de resultados.<br />

Mas a orientação quanto a nós necessária<br />

de optimizar a relação custos/<br />

/benefícios tem de atender à especificidade<br />

muito própria de nos serviços de<br />

saúde serem os próprios prestadores de<br />

cuidados que têm de decidir grande<br />

parte das despesas, ou seja, ao nível<br />

operacional.<br />

Se compararmos essa realidade com<br />

as regras da administração pública propriamente<br />

dita, as quais subordinam o<br />

complicado controle burocrático a autorização<br />

de todos os gastos, teremos de<br />

concluir que a gestão dos serviços de<br />

·saúde tem de seguir normas diferentes.<br />

Porque o prestador de cuidados ao<br />

decidir aplicar uma determinada técnica<br />

ou tratamento, com a despesa consequente,<br />

não pode ser coagido ou cercado<br />

por via administrativa.<br />

A afirmação de que não há doenças<br />

mas sim doentes é normalmente utilizada<br />

para fundamentar a necessidade<br />

de humanização de cuidados. Em nosso<br />

entender, deve ter um alcance mais vasto:<br />

o mesmo doente, com a mesma<br />

patologia, pode reagir amanhã de forma<br />

diferente à terapêutica que hoje lhe foi<br />

aplicada com bom resultado. O diagnóstico,<br />

o prognóstico, a terapêutica nunca<br />

podem ter uma probabilidade absoluta<br />

de êxito.<br />

Se não há standards em sentido<br />

absoluto, na prestação de cuidados,<br />

essa realidade tem forçosamente reflexos<br />

nos critérios de gestão a adaptar<br />

para os serviços de saúde.<br />

Significa, por um lado, que tem de ser<br />

salvaguardada a autonomia de decisão<br />

técnica, mesmo quando esta implica<br />

dispêndios vultosos, e a avaliação,<br />

ponto de chegada mas também ponto<br />

de partida em planeamento, tem de ser<br />

ponderada com a participação dos próprios<br />

técnicos decisores.<br />

Isto é, a avaliação do trabalho dos<br />

prestadores de cuidados tem de ser<br />

efectuada através da hierarquização das<br />

carreiras profissionais respectivas. Se<br />

essa avaliação, sem a qual não há planeamento<br />

ou gestão, for feita sem a participação<br />

da hierarquia técnica das equipas<br />

prestadoras de serviços, será posto<br />

em risco o seu próprio funcionamento,<br />

a sua qualidade, e não será possível<br />

qualquer responsabilização.<br />

Consideramos por isso balisar a distinção<br />

que a própria lei estabelece entre<br />

órgãos centrais, regionais ou locais e<br />

serviços prestadores de cuidados de<br />

saúde quer sejam primários ou diferenciados.<br />

Estes serviços devem depender<br />

dos órgãos locais, regionais ou centrais,<br />

mas sem prejuízo da autonomia que lhes<br />

deve ser claramente definida.<br />

Só nesta base nos parece possível<br />

assegurar a distribuição racional, a hierarquização<br />

técnica, o funcionamento<br />

coordenado dos serviços, definir complementaridades<br />

e promover a descentralização<br />

decisória.<br />

Aos órgaãos previstos na lei deve ser<br />

dada então capacidade técnica e poder<br />

para acordar objectivos e meios correspondentes<br />

com os serviços prestadores<br />

de cuidados de saúde. Capacidade e<br />

poder para responsabiizar os mesmos<br />

serviços quando estes não conseguem<br />

rentabilizar os meios acordados. Capacidad~<br />

e poder para avaliar de forma participada<br />

a qualidade dos cuidados prestados<br />

e os resultados atingidos.<br />

Enquanto assim não suceder, cremos<br />

que vamos continuar a assistir à sucessão<br />

habitual de medidas pontuais, desfasadas<br />

da realidade, quie adiam as<br />

soluções de fundo que se impõem, afastando-nos<br />

cada vez mais do diálogo e<br />

discussão técnica entre os vários parceiros<br />

do sistema de saúde, único caminho<br />

que em nosso entendimento pode levar<br />

a decisões acertadas.<br />

REFER~NCIAS<br />

BIBLIOGRÁFICAS<br />

Cardoso, Santos - Da responsabilidade<br />

profissional dos prestadores de cuidados nos<br />

hospitais - Revista <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, n.º 5,<br />

Jan/Mar, 1984.<br />

Drucker, Peter F. - Inovação e <strong>Gestão</strong> -<br />

Editorial Presença, <strong>1986</strong>.<br />

Ferreira, Coriolano - Editorial da Revista<br />

Portuguesa de Saúde Pública, n.º 4, Out/Dez,<br />

1984.<br />

Ferreira, Coriolano - Administração da<br />

Saúde em Portugal - Revista da Administração<br />

Pública - n. 0 29/30, Jul/Dez, 1985. D<br />

A ARQUITECTURA<br />

E SISTEMA FUNCIONAL<br />

DE CIRCULAÇÃO<br />

NA PERSPECTIVA<br />

DA SEGURANÇA - INCÊN1DIO<br />

POR ENG.º LUDWIG AUGUST REICHE *<br />

A introdução de novos planos de arquitectura,<br />

de novos materiais de construção,<br />

de novos sistemas de climatização<br />

- mais no sentido da sua aplicação<br />

filosófica de conceito multidisciplinar<br />

- alteram completamente toda a<br />

perspectiva de risco, mormente os devidos<br />

a sinistros de incêndio.<br />

As várias filosofias de segurança que<br />

foram imperando ao longo destes decénios<br />

permitiram caminhar para soluções<br />

técnicas mais aproximadas - inglesas,<br />

americanas, francesas, suecas e<br />

alemãs - não havendo contudo ainda<br />

uma filosofia prevalecente.<br />

Julgamos que o valor de tendências<br />

de segurança em uma área em que, de<br />

forma· geral, os custos de aplicação,<br />

embora essenciais, não são sobreestimados,<br />

garantem uma certa meta.<br />

Por outro lado, e no sentido do vector<br />

SEGURANÇA, também os conceitos<br />

sobre saúde e forma de visão da mesma<br />

se alteraram nos últimos tempos modificando<br />

por isso o esquema provindo do<br />

pós-guerra. Hoje concebem-se unidades<br />

hospitalares de menores dimensões<br />

por motivos de ordem administrativa ou<br />

unidades dispersas por edifícios, sendo<br />

esta dispersão motivada por questões<br />

que se relacionam com razões técnicas,<br />

de segurança e mais essencialmente de<br />

saúde.<br />

As filosofias mais tradicionais no<br />

campo de SEGURANÇA - I NC~NDIO<br />

foram sempre baseadas na fuga, mais<br />

* Técnico de Segurança-Incêndio<br />

ou menos ordenada dos doentes e na<br />

transferência para o exterior do equipamento<br />

possível e necessário ao tratamento<br />

daqueles.<br />

Daí resultou que as circulações deveriam<br />

ser, para além de largas ao nível<br />

dos internamentos, e possuírem também<br />

bastantes circulações verticais,<br />

sem, no entanto, que estas fossem tratadas<br />

nos aspectos das propagações,<br />

quer de chamas, quer de fumos'.<br />

Esta situação contribuiu muitas das<br />

vezes para enormes catástrofes as<br />

quais, e infelizmente, permitiram tirar<br />

algumas ilações tais como:<br />

1) A falta completa de coordenação<br />

interna;<br />

2) A falta de coordenação com os<br />

socorros provindos do exterior;<br />

3) O facto de cerca de 90% das mortes<br />

serem imputadas a doentes;<br />

4) O facto de 83% das mortes serem<br />

provocadas por asfixia;<br />

5) O valor total de mortes rondarem<br />

em média os 4 % da população na altura<br />

do incêndio.<br />

Esta situação analítica dos incêndios<br />

até finais da década de 60 foi alterada,<br />

não se podendo ainda quantificar por faltarem<br />

cerca de 1 O anos para termo 'de<br />

comparação. No entanto, este valor<br />

ronda actualmente os 2,7%, sendo a<br />

tendência para o abaixamento do mesmo,<br />

por motivos de novas construções<br />

com níveis estudados e aplicados, em<br />

termos de SEGURANÇA - INC~ND IO ,<br />

bem como também pela me l hor i~ das<br />

condições nas unidades hospitalares<br />

mais antigas.<br />

Assim, os incêndios, na última década,<br />

fizeram alterar toda a concepção<br />

arquitectónica dos espaços e nas confinações,<br />

tendo estes conceitos sido<br />

introduzidos também ao nível das unidades<br />

hospitalares, partindo-se para a planificação<br />

dos edifícios, que são unidades<br />

complexas de riscos, com os mesmos<br />

divididos por compartimentações integrais.<br />

A esta compartimentação foi atribuída<br />

uma importância tal que foram<br />

definidos critérios que permitissem afirmar<br />

tratar-se de uma unidade perfeitamente<br />

isolada.<br />

Um edifício é, pois, hoje considerado<br />

como o somatório do número de compartimentações<br />

com características definidas<br />

por três critérios de comportamento<br />

ao fogo (estabilidade, dos elementos<br />

estruturais), estanquidade<br />

(dos elementos de inter-relação ou<br />

confrontações) e resistência ao fogo<br />

(através de barreiras interpostas),<br />

passando-se então a chamar a estes<br />

compartimentos corta-fogo ou melhor<br />

explanando, compartimento à prova de<br />

fogo.<br />

A introdução destas unidades (compartimentos<br />

à prova de fogo), umas<br />

ao lado das outras e/ou por cima ou por<br />

baixo permitem que o tratamento das<br />

circulações tenha maior importância,<br />

apenas na área das confrontações e nos<br />

seus acessos.<br />

Verificou-se, no entanto, que a exis-<br />

44<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/<strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

45<br />

A


SEGURANÇA - INCÊNDIO<br />

tência deste tipo de compartimentos,<br />

ainda não era suficiente, não tanto pelas<br />

propagações rápidas de incêndio, mas<br />

outrossim pela disposição de fumos, os<br />

quais são os causadores em média de<br />

2,2% das mortes. (Nível actual.)<br />

Verificou-se portanto que a compartimentação<br />

apenas beneficiou, em termos<br />

de abaixamento, de mortes em média<br />

no valor de 0,5%.<br />

Foi no sentido de se tentar baixar o<br />

valor de 2,2% que se estabeleceu uma<br />

nova concepção de compartimentação,<br />

já não às chamas mas aos fumos pela<br />

subdivisão da área de compartimentação<br />

corta-fogo.<br />

É evidente que se pode perguntar,<br />

porque não construir apenas compartimentos<br />

corta-fogo tantos quantos o<br />

risco o indicar, com áreas extremamente<br />

pequenas?<br />

- T ai solução não é viável apenas por<br />

razões económicas, directamente dirigidas<br />

aos custos e à conservação, digamos<br />

que da mesma forma que não<br />

existe «Um polícia para cada ladrão».<br />

Assim , estabelece-se um critério aceitável<br />

entre a possibilidade de ocorrência<br />

de um sinistro e o custo da sua limitação.<br />

Esta nova concepção de compartimentos<br />

corta-fogo ou estanques aos<br />

fumos permite uma melhor organização, ·<br />

quer na evacuação das áreas sinistradas,<br />

quer ainda no estabelecimento de<br />

uma melhor intervenção, dando inclusivamente<br />

a possibilidade de tratamentos<br />

e a continuação de operações em circunstâncias<br />

aceitáveis, pela transferência<br />

das pessoas para compartimentos<br />

corta-fogo contíguos, e isto tudo sem<br />

pânico.<br />

Cada unidade hospitalar deverá possuir<br />

um agregado de pessoas que<br />

tenham um técnico de formação continuada<br />

nas acções e metodologia a<br />

desenvolver em caso de incêndio. Mas<br />

só estes elementos não são suficientes,<br />

pois se ao nível do projecto não forem<br />

encontradas soluções, antes da construção<br />

e modificação de um edifício, fácil<br />

é verificar-se a inoperância.<br />

Assim, ao nível do projecto, devem ser<br />

encaradas todas as hipóteses mais gravosas<br />

de ocorrência e ainda todas as<br />

que são passíveis de uma maior sinistralidade<br />

(caso de enfermarias, sala de<br />

operações).<br />

Estas soluções, vão desde a definição<br />

de paredes comuns a dois compartimentos<br />

até à construção de câmaras de<br />

passagem entre compartimentos corta­<br />

-fogo, passando pela metodologia de climatização<br />

e distribuição de energia.<br />

Também em termos de projecto se<br />

devem prever situações- limites, como<br />

sejam a evacuação de uma ala em que<br />

o acesso central foi atingido não sendo<br />

possível a passagem senão para o piso<br />

imediatamente superior, ou a existência<br />

de áreas extremamente gravosas (laboratórios).<br />

Se em relação à primeira será fácil<br />

estabelecer, por exemplo, um patamar<br />

alargado que . permita a colocação de<br />

uma . série de acamados, em relação à<br />

segunda situação, ela tem a ver com<br />

uma localização dependente inclusivamente<br />

do quadrante normal dos ventos.<br />

Porque as áreas de compartimentação<br />

ao fogo poderão ser ainda bastante<br />

grandes (1250 m2) fácil é preverem-se<br />

corredores com o máximo de 60 metros<br />

onde existem necessidades de indicações<br />

suplementares que orientem e<br />

coordenem a fuga, tais como armaduras<br />

de iluminação autónomas, quer de iluminação,<br />

quer com informação de saída,<br />

de proibição ou de circulação ou ainda<br />

outro equipamento que funcione, quer<br />

de dia, quer de noite, quer ainda na<br />

ausência total de iluminação por avaria<br />

de circuitos e/ou corte dos sectores<br />

afectados.<br />

É dentro deste último contexto que se<br />

devem prever sistemas, que permitam<br />

não só a orientação das pessoas que<br />

se podem locomover, mas também de<br />

permitir às equipas de intervenção e<br />

coordenação de fuga uma capacidade<br />

de orientação nas condições mais graves.<br />

Estes equipamentos que existem no<br />

mercado são baseados em propriedades<br />

químicas luminescentes e traduzem<br />

uma informação total, 30 minutos após<br />

ausência total de luz.<br />

A coordenação antipânico e de fuga,<br />

deverá poder actuar de imediato,<br />

quando em situação de alarme, transferindo<br />

em primeiro lugar todos os pacientes<br />

que se possam mover por si mesmos,<br />

devendo ainda ser ajudados a<br />

manter a calma e a serem localizados<br />

em outro compartimento corta-fogo.<br />

Seguidamente dever-se-á proceder à<br />

retirada dos acamados, através de<br />

vários processos, como sejam, o transporte<br />

às costas, aos ombros, em cadeira<br />

improvisada com as mãos, por arrastamento<br />

de cobertores, ou mesmo por<br />

deslocação de camas.<br />

Estes acamados poderão vir a ser<br />

aglomerados, numa primeira fase, no<br />

compartimento estanque ao lado do que<br />

se encontra em situação de sinistro,<br />

sendo posteriormente transportados<br />

com mais calma para o próximo compartimento<br />

corta-fogo.<br />

Este é o normal procedimento, evitando-se<br />

conflitos de circulação.<br />

Caberá à equipa de intervenção retirar<br />

para a rectaguarda, entregando à equipa<br />

de coordenação de fuga, possíveis<br />

doentes inanimados, ou mesmo em<br />

situação precária de vida, nas zonas<br />

atingidas pelo fogo. A equipa de coordenação<br />

de fuga não deve entrar nunca<br />

em conflito de circulação com a equipa<br />

de intervenção que se encontra protegida<br />

normalmente com equipamento de<br />

extinção.<br />

É evidente que toda esta organização<br />

tem de ser bastante bem estruturada,<br />

com planos prévios de actuação determinados<br />

e responsabilizados; e tal só é<br />

possível se houver uma METODOLOGIA<br />

capaz, que abranja a PREVISÃO, a PRE­<br />

VENÇÃO e a PROTECÇÃO, na qual se<br />

inclui a COORDENAÇÃO DE FUGA E<br />

ANTI PÂNICO.<br />

Qualquer área de fogo apenas deverá<br />

mobilizar as equipas de coordenação de<br />

fuga da área de sinistro e a equipa geral<br />

de intervenção, devendo tanto quanto<br />

possível continuarem a funcionar todas<br />

as demais funções hospitalares. O<br />

r<br />

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r-<br />

o<br />

1<br />

I<br />


CONSIDERAÇÕES RELATIVAS<br />

À PROTECÇÃO<br />

DA INFORMAÇÃO CLÍNICA<br />

POR PEDRO LOPES FERREIRA E MARGARIDA VIEGAS<br />

Nos últimos vinte anos tem-se assistido a um crescendo da necessidade<br />

de protecção dos dados pessoais dos cidadãos, com vista a uma integração<br />

em sistemas informáticos cada vez mais sofisticados. Neste artigo é feito<br />

o posicionamento histórico do problema, são inventariadas algumas ameaças<br />

aos bens informáticos e apresentadas algumas soluções de combate<br />

aos acessos ilegais à informação.<br />

Num sistema de informação hospitalar,<br />

uma grande parte da informaç~o é<br />

de carácter confidencial. É portanto<br />

necessário criar-se um sistema de protecção<br />

da informação (nomeadamente<br />

clínica), de tal modo que apenas as pessoas<br />

directamente relacionadas com tal<br />

informação possam aceder a ela. ·<br />

Este é um problema actual e demasiado<br />

importante, principalmente após o<br />

grande desenvolvimento dos microcomputadores<br />

e correspondentes emulações<br />

de protocolos de grandes . sistemas,<br />

e o aumento das possibilidades de<br />

acesso em tempo repartido e em multiprogramação,<br />

que permitem o acesso<br />

de um grande número de utilizadores ao<br />

mesmo sistema informático. Resumindo,<br />

quanto maior liberdade e flexibilidade é<br />

dada aos utilizadores de um computador,<br />

maior é a dificuldade de combater<br />

os acessos ilegais à informação de<br />

modo a preservar esses mesmos utilizadores.<br />

Antigamente, a informação era baseada<br />

em suportes materiais e o seu<br />

manuseamento passava por procedimentos<br />

manuais, cujos rastos eram dificilmente<br />

destruídos na sua totalidade.<br />

Hoje em dia, pelo contrário, o roubo ou<br />

a alteração de informação não deixa<br />

rasto algum, senão em sistemas de<br />

informação demasiado complexos.<br />

Além disso, a crescente utilização de<br />

dados individuais para fins de investigação<br />

cria uma tensão entre os interesses<br />

dos cidadãos na tentativa de preservarem<br />

os seus direitos e os dos investigadores.<br />

É difícil conseguir um equilíbrio<br />

entre esses interesses, uma vez que os<br />

objectivos da protecção de dados de<br />

saúde ainda não estão definidos com<br />

precisão, assim como ainda não estão<br />

convenientemente inventariados os<br />

casos de má utilização dessa mesma<br />

informação.<br />

POSICIONAMENTO HISTÓRICO<br />

As noções de privacidade em sistemas<br />

de Informação de cuidados de<br />

saúde de certo modo acompanharam,<br />

desde 1960, as cinco etapas de desenvolvimento<br />

do processamento informático<br />

de dados.<br />

Assim, até meados dos anos sessenta,<br />

e acompanhando a evolução da primeira<br />

e segunda gerações de computadores,<br />

todos os artigos e publicações<br />

relativas à aplicação da informática nos<br />

cuidados de saúde focavam a grande<br />

vantagem da utilização dos computadores<br />

em medicina, nomeadamente no que<br />

respeita ao armazenamento, manipulação<br />

e distribuição de grandes volumes<br />

de dados. Foi a época do processamento<br />

dos dados com fins administrativos,<br />

o despertar dos sistemas de informação<br />

hospitalares, e o início de utilização<br />

do computador como auxiliar de<br />

diagnóstico.<br />

Só na segunda metade dos anos sessenta,<br />

com o aparecimento da terceira<br />

geração de computadores, é dado o<br />

alerta em relação a utilizações menos<br />

próprias da informação contida em<br />

suportes informáticos. É nesta altura que<br />

se coloca pela primeira vez o problema<br />

da confidencialidade da informação no<br />

sector dos cuidados de saúde.<br />

Os anos que decorreram entre 1970<br />

e 1973 puderam ver a criação e o crescimento,<br />

em alguns países, de comissões<br />

governamentais e de grupos de<br />

investigação no domínio da privacidade.<br />

Começa a sentir-se, em alguns domínios,<br />

algumas limitações sob o ponto de<br />

vista do equipamento e de suportes lógicos<br />

dos computadores utilizados. As<br />

conclusões de tais comissões e grupos<br />

de investigação centraram-se essencialmente<br />

na necessidade de protecção dos<br />

dados e na constatação da quase inexistência<br />

de suportes legais que impedis-<br />

sem a violação da confidencialidade dos<br />

dados e da privacidade dos cidadãos.<br />

Assim, até finais dos anos setenta,<br />

vários países adoptaram leis de protecção<br />

da privacidade. No nosso caso, a<br />

Constituição da República Portuguesa<br />

de 1976 diz, no ponto 1 do seu artigo<br />

35. º, que "todos os cidadãos têm o<br />

direito de tomar conhecimento do que<br />

constar de registos mecanográficos a<br />

seu respeito e do fim a que se destinam<br />

as informações, podendo exigir a rectificação<br />

dos dados e a sua actualização».<br />

No entanto, todas estas afirmações<br />

não passarão de boas intenções se não<br />

forem suficientemente regulamentadas.<br />

Tal regulamentação deverá ter em conta<br />

não só o cidadão que se dirige a serviços<br />

de saúde, como também a necessidade<br />

que alguns técnicos e investigadores<br />

têm da utilização da informação contida<br />

em suportes informáticos. ~ necessário<br />

também estabelecer-se uma legislação<br />

que não limite a investigação em<br />

domínios tão importantes como aqueles<br />

que se relacionam com a saúde de<br />

todos nós.<br />

Os anos oitenta é já uma época de<br />

maturidade nesta área da informática.<br />

Começam a rever-se algumas leis referentes<br />

à protecção dos dados, posicionando-as<br />

mais realisticamente no ambiente<br />

de hoje. Por outro lado, é necessário<br />

dar um novo alerta social pois o<br />

boom verificado na informática, no respeitante<br />

a equipamento e de sistemas<br />

lógicos, poderá ter de levar a análise da<br />

protecção de dados a graus de abstracção<br />

ainda mais elevados do que aqueles<br />

hoje por nós considerados.<br />

É evidente que a questão central é<br />

saber quais os princípios que devem ser<br />

escritos em lei ou adoptados como guias<br />

de natureza ética pelos gestores dos sistemas<br />

de dados de saúde. Vai levar<br />

tempo até se construírem princípios<br />

gerais que satisfaçam os interesses dos<br />

doentes, dos profissionais, e das organizações,<br />

nunca se devendo ignorar que<br />

há que manter a confiança dos doentes<br />

nos serviços de saúde.<br />

Ameaças aos bens informáticos<br />

Antes de se poder falar em segurança<br />

da informação, privacidade e outros termos<br />

tão ~teis hoje em dia para combater<br />

algumas das aplicações informáticas<br />

implementadas, devemos definir os<br />

«bens» informáticos a proteger.<br />

Tais bens informáticos podem ser<br />

classificados em bens materiais, bens<br />

lógicos e bens de informação. Estes últimos<br />

são bens imateriais de capital<br />

importância, pois condicionam toda a<br />

acção do sistema de informação e são<br />

o suporte de todo o conhecimento e do<br />

saber.<br />

Em face dos meios informáticos atrás<br />

referidos, podemos falar de vários tipos<br />

de ameaças a que estão eventualmente<br />

sujeitos: o roubo, a fraude, a destruição,<br />

o erro.<br />

Em relação a estas ameaças há que<br />

proteger os bens contra supressões,<br />

desaparecimentos, modificações ou alterações.<br />

Há que manter o secretismo<br />

e a confidencialidade da inf armação em<br />

relação à sua consulta.<br />

A privacidade dos dados é essencialmente<br />

um problema social , que deve ser<br />

correcta e criteriosamente posicionada<br />

em termos legais.<br />

A segurança é uma questão um tanto<br />

diferente, que diz fundamentalmente<br />

respeito<br />

à instituição responsável pelo<br />

armazenamento e tratamento dos<br />

dados.<br />

A segurança e privacidade sempre<br />

foram questões muito importantes no<br />

campo da medicina. Já na Antiguidade,<br />

com Hipócrates, o sigilo era dever de<br />

todo o médico.<br />

Hoje os registos médicos de vários<br />

tipos são indispensáveis em todos os<br />

cuidados de saúde.<br />

A segurança dos arquivos clássicos é .<br />

de facto pobre, não sendo raro que a<br />

sua leitura sirva de entretenimento a<br />

recepcionistas de consultório ou a responsáveis<br />

de arquivo nos hospitais. A<br />

sua defesa contra incêndios ou outros<br />

acidentes naturais é também muitas<br />

vezes nula.<br />

Quando o armazenamento da informação<br />

passa para o computador, os<br />

problemas são um pouco diferentes,<br />

mas continuam a existir. Uma base de<br />

dados pode armazenar, num espaço<br />

mínimo, uma imensa quantidade de<br />

informação, com acesso incomparavelmente<br />

mais rápido do que o de um<br />

ficheiro clássico. Poderemos assim imaginar<br />

. os estragos que um acidente<br />

casual ou deliberado pode provocar.<br />

A segurança de ficheiros de informação<br />

médica é tanto mais importante<br />

quanto maior for o significado que eles<br />

assumirem na investigação e consequente<br />

melhoria dos cuidados de saúde.<br />

Para garantir a segurança há que<br />

conhecer as ameaças a que podem<br />

estar sujeitos.<br />

As ameaças podem incidir sobre os<br />

próprios dados, isto é, directamente<br />

sobre a informação, ou sobre o seu<br />

suporte.<br />

Responsáveis pelo primeiro tipo<br />

temos os erros ou omissões involuntárias.<br />

A expressão «errar é humano»,<br />

retrata a fiabilidade das atitudes do<br />

homem e justifica plenamente o aparecimento<br />

destas ameaças. Como exemplo<br />

destes casos, citemos o do programador<br />

que acidentalmente apaga um ficheiro,<br />

do qual por imprudência não possui<br />

cópia, tornando-se a sua recuperação<br />

impossível.<br />

Mais sinistros do que estes acidentes<br />

não intenacionais são os de origem criminosa<br />

efectuados por indivíduos não<br />

autorizados a aceder ao sistema de<br />

informação. Tem havido muita publicidade<br />

à volta das célebres «fraudes informáticas",<br />

principalmente no mundo dos<br />

negócios, onde se movimentam altas<br />

somas de dinheiro.<br />

Em medicina, embora por razões diferentes,<br />

também estas fraudes se podem<br />

manifestar, incidindo mais provavelmente<br />

sobre a revelação de dados de saúde<br />

confidenciais.<br />

Tivemos em 1978, no Canadá, um<br />

dos primeiros exemplos disto, quando<br />

um jornal revelou que programadores de<br />

um departamento de saúde se divertiam<br />

a coleccionar listas de pessoas que<br />

tinham sido tratadas por sofrerem de<br />

doenças venéreas. Pode ter havido<br />

especulação na notícia, mas é de reter<br />

que coisas como estas podem realmente<br />

acontecer.<br />

Há também riscos de destruição deliberada<br />

de dados, por vingança ou sabotagem<br />

, factos que já sucederam na<br />

indústria, com consequências devastadoras.<br />

As ameaças do tipo natural, como<br />

fogo ou água utilizada para combater,<br />

incidem sobretudo sobre o hardware,<br />

podendo da mesma forma levar à destruição<br />

de informação, se esta não tiver<br />

uma protecção adequada.<br />

É de salientar também o perigo do<br />

fumo. O próprio fumo do tabaco pode<br />

trazer prejuízos para o suporte magnético<br />

dos dados, dificultando ou impossibilitando<br />

a sua leitura.<br />

Mais raro, mas de qualquer modo<br />

possível, é a destruição da informação<br />

devido à presença de um campo<br />

magnético sobre o suporte que a contém.<br />

Combate aos acessos ilegais<br />

O combate.aos acessos ilegais à informação<br />

contida em suportes informáticos<br />

deve ser, conjugando esforços de material<br />

e de organização, um problema<br />

essencialmente de natureza lógica.<br />

Devemos ter sempre em consideração<br />

o caso do intruso que, por ataques<br />

sucessivos (tentativas de log-in) tenta<br />

entrar no sistema. Normalmente, tal<br />

intruso ao responder ao pedido da palavra-de-acesso<br />

(password), começará ·<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

49


A PROTECÇÃO<br />

DA INFORMAÇÃO CLÍNICA<br />

...<br />

por tentar sucessões aleatórias de<br />

números ou os nomes próprios dos utilizàdores.<br />

Há que minimizar tal risco!<br />

Uma das hipóteses de o conseguir é<br />

fornecer ao próprio sistema a possibilidade<br />

de construir, ele próprio, as palavras-de-acesso.<br />

Neste caso corre-se o<br />

risco de se obterem sucessões de<br />

caracteres dificilmente memorizáveis,<br />

obrigando o utilizador a escrever a palavra-de-acesso,<br />

aumentando, por conseguinte,<br />

o risco de violação da informação.<br />

Várias alternativas se colocam. Uma<br />

delas é proibir palavras-de-acesso com<br />

apenas três ou quatro caracteres. Outra<br />

será proibir alguns nomes mais frequentemente<br />

usados. (<br />

Uma das soluções possíveis de compromisso<br />

é o sistema fornecer ao utilizador<br />

uma lista de palavras-de-acesso, da<br />

qual escolhe uma.<br />

Como, apesar de tudo, pode ser<br />

observada, aquando da sua utilização<br />

(basta observar com cuidado a pessoa<br />

que a está a introduzir no teclado), as<br />

palavras-de-acesso deverão ser periodicamente<br />

alteradas.<br />

Existe também um procedimento simples<br />

e eficiente, proposto por L. J . Hoffman:<br />

o sistema fornece um número<br />

pseudo-aleatório X ao utilizador que,<br />

através de uma transformação mental T<br />

sobre X produz um outro número V. O<br />

computador executa a mesma transformação<br />

com o algoritmo protegido, e<br />

verifica a igualdade entre os dois valores.<br />

Um intruso apenas verá os valores de<br />

X e de V . Mesmo funções T simples são<br />

difíceis de descobrir.<br />

É possível também reduzir ao mínimo<br />

o número de tentativas falhadas sucessivas<br />

de acesso ao sistema. Se se atingir<br />

um determinado número limite, o terminal<br />

poderá, por programa, ser bloqueado.<br />

Mais sofisticado ainda, e com vista à<br />

protecção da informação durante a<br />

transmissão ou quando armazenada em<br />

memória, é a técnica de criptografia.<br />

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Consiste em transformações algorítmicas<br />

da informação de modo a ser traduzida<br />

em formas ilegíveis para todos<br />

excepto aos detentores da «Chave,, da<br />

transformação inversa. Precisando<br />

melhor, a chamada transformação de<br />

privacidade é uma função T (K) de um<br />

espaço RS(A) de todos os registos possíveis<br />

de um determinado comprimento,<br />

que são compostos por símbolos de um<br />

alfabeto A, de acordo com o vocabulário,<br />

a sintaxe, a semântica e a gramática<br />

de uma linguagem L natural ou artificial,<br />

num espaço ES(B) de cadeais de caracteres<br />

de um alfabeto B. Tal transformação<br />

pode ser obtida, quer por dispositivos<br />

físicos, quer por rotinas de programação.<br />

De qualquer modo, é absolutamente<br />

necessário, se pretendermos mais uma<br />

vez a confiança de todos os utentes do<br />

sistema de informação, a criação de um<br />

diário informático, onde sejam registados<br />

todos os acessos à informação.<br />

Poder-se-á não evitar algumas violações<br />

da informação; conseguir-se-á, contudo,<br />

o tal rasto tão necessário ao combate<br />

de acções como as descritas anterior -<br />

mente. O nível de segurança de um sistema<br />

é determinado, de maneira considerável,<br />

pela sua própria concepção.<br />

Vimos algumas técnicas de programação<br />

de combate aos acessos ilegais à<br />

informação contida em suportes informáticos.<br />

Contudo, estas técnicas são<br />

apenas um dos aspectos de segurança<br />

da informação: têm de ser baseadas em<br />

características de equipamento e perfeitamente<br />

aglutinadas em estruturas organizacionais<br />

e nos procedimentos de gestão.<br />

Considerações finais<br />

Em todo este texto, privacidade tem<br />

sido sinónimo de direito dos doentes à<br />

confidencialidade dos respectivos dados<br />

clínicos. Os dados tratados pelos sistemas<br />

de informação implantados nos serviços<br />

de saúde dizem respeito a seres<br />

humanos: é indispensável controlar rigorosamente<br />

os direitos de acesso. Este<br />

controlo, de preferência, deverá passar<br />

quase despercebido para aqueles que<br />

possuam o direito de aceder aos dados.<br />

Em relação à admissão de doentes e<br />

aos dados administrativos, há que definir<br />

com precisão quais os dados que poderão<br />

(e os que não poderão) ser registados<br />

para tratamento informático, tendo<br />

sempre em atenção que os dados não<br />

poderão ser usados para outros fins que<br />

não os indicados ao doente.<br />

Este deverá ser explicitamente informado<br />

de que se pretende introduzir os<br />

seus dados clínicos em suporte informático<br />

e que estes contribuirão para uma<br />

melhoria de cuidados de saúde prestados<br />

pelo próprio serviço de saúde.<br />

Deverá ser possibilitada a consulta<br />

pelo doente dos respectivos dados,<br />

podendo ele propor a alteração de<br />

alguma informação não correcta.<br />

No entanto, toda e qualquer utilização<br />

estatística dos dados terá de ser feita<br />

com base em registos completamente<br />

anónimos, e isto deverá também ser dito<br />

ao doente.<br />

Embora a confidencialidade e a protecção<br />

dos dados em relação ao exterior<br />

do serviço de saúde seja o problema<br />

capital, pois se relaciona com o direito<br />

à privacidade de todo o cidadão, não é<br />

de excluir também o caso do acesso aos<br />

dados por parte de alguém exterior à<br />

própria equipa de investigação que os<br />

recolheu e que os mantém para sua própria<br />

investigação. Também aqui deve ser<br />

dada aos investigadores a confiança<br />

suficiente para armazenar os seus próprios<br />

dados de investigação, sabendo<br />

que só serão utilizados por pessoal<br />

especialmente autorizado para o efeito.<br />

Em conclusão, é necessário, também<br />

aqui, um código de ética para a investigação<br />

em serviços de saúde.<br />

O desenho e técnicas de construção<br />

que sistematicamente excluem a violação<br />

das condições de segurança são o<br />

tópico de vários trabalhos de investigação,<br />

embora não exista até hoje um<br />

método completo e geralmente aplicado.<br />

Parece ser impossível desenhar um<br />

sistema completamente inviolável. T aivez<br />

isso também não seja absolutamente<br />

necessário. O que é importante<br />

é criar mecanismos de segurança, de tal<br />

modo que seja demasiado despendic;>so<br />

e difícil ultrapassá-los. Há que ter também<br />

em consideraçâo que medidas de<br />

segurança da info_rmação provocam<br />

geralmente uma perda das performances<br />

do sistema •. essencialmente em relação<br />

ao tempo. Devemos também ter<br />

presente que, com o armazenamento da<br />

inforrnação em equipamentos informático:;>,<br />

um intruso para penetrar no sistema<br />

de segurança "de uma base de dados<br />

deverá (1 ) obter informação suficiente<br />

relativa ao modelo conceptual da base<br />

de dados e. às medidas de segurança<br />

existentes; (2) estabelecer um plano,<br />

tendo em conta as restrições de custo<br />

e as probabilidades de êxito e risco; (3)<br />

obter acesso físico · ao si.stema da base<br />

de dados; (4) e, finalmente, penetrar r.ia<br />

base de dados e obter a informação pre ~<br />

tendida. Convenhamos que não é simples,<br />

principalmente se comparado com<br />

as protecções existentes na grande<br />

maioria dos hospitais (especialmente os<br />

escolares). onde qualquer pessoa vestida<br />

com uma bata branca pode aceder<br />

aos arquivos dos processos dos doentes.<br />

Bibliografia<br />

- Bakker, A.R.; Louwerse, C.P., Considerations<br />

on the effectiveness of protecions<br />

by passwords. ln LNMl25 - MIE 85<br />

- Ferreira, P, Sistema de informação clínica<br />

automatizado do Hospital Pediátrico<br />

de Coimbra. Tese de mestrado.<br />

- Hôpital Cantonal Universitaire de Genéve.<br />

(Division d'lnformatique.) - «DIOGE-<br />

cetec:-<br />

NE: Systéme d'information Hospitalier•>.<br />

Genéve 1985.<br />

- Leer, O.F.C., Guidelines for privacy -<br />

protection in Dutch Health Care. ln<br />

LNMl25 - MIE85<br />

- Roger, F.H. - Protection des données<br />

médicales dans les systémes informatiques.<br />

ln «F.B.V. I. - F.A. l. B. Congrés<br />

1982»<br />

- Sauter, K. - Data security in health lnformation<br />

Systems by Applying Software<br />

Techiques". ln Meth. lnform. Med.<br />

- Westin, A.F. - Privacy and Health Sata<br />

Systems. ln Medinfo 80, pag. 276. O<br />

INVERTO~ ~u íl(C<br />

Representante exclusivo em Portugal<br />

Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 5<br />

Telefs. 56 35 31 / 8 - Teleg. Equipa - Telex 12483-1097 Lisboa Codex<br />

equipament:as e t:écnica de elect:rictdade sarl<br />

C\J<br />

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1<br />

I<br />

0<br />

50<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N. 0 14/ <strong>15</strong><br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/ <strong>15</strong><br />

51


novo o<br />

novo"<br />

RFA<br />

LYOSTIPT<br />

Hemostático local de colagénio<br />

- Hemostásia segura e rápida<br />

- Excelente tolerância tecidular<br />

NP-001<br />

RFA<br />

STIMUPLEX®<br />

Estimula para anestesia de<br />

plexos<br />

NP-002<br />

U.S.A.<br />

O ANGIODYNOGRAPH é um<br />

equipamento de ultra-sons computadorizado<br />

que pennite a visua-<br />

1 ização simultânea de tecidos<br />

com escala de cinzentos convencional<br />

e de fluxos sangíneos<br />

a côres em tempo real. É um<br />

sistema que trabalha a frequências<br />

de 5MHz e 7 ,5MHz sendo<br />

particularmente dirigido a cirurgia<br />

vascular, laboratórios vasculares,<br />

radiologia, neurocirurgia,<br />

neurologia e pediatria.<br />

Não usa meios de contraste e<br />

permite uma alta eficiência de<br />

utilização.<br />

PHILIPS<br />

NP-006<br />

U.S.A<br />

AMNIOSTAT -<br />

FLM<br />

Teste imunológico para determinação<br />

da r:naturidade fetal.<br />

•Teste aglutinação semi-quantitativo<br />

que rápidamente determina<br />

a presença ou não<br />

do fosfatidiglicerol.<br />

• Utiliza apenas 100 ui de líquido<br />

amniótico.<br />

• Kit completo que além de<br />

reagente contém 3 contrais:<br />

negativo, positivo e fortemente<br />

positivo.<br />

• Elevada sensibilidade e especidade.<br />

NP-007<br />

B. BRAUN - MELSUNGEN<br />

B. BRAUN - DEXON<br />

U.S.A.<br />

PLEUR -<br />

EVAC®<br />

Sistema compacto e fechado<br />

para drenagem da cavidade pleural<br />

HOWMEDICA, INC. -<br />

USA<br />

M~ - MATERIAL CLiNICO, LDA.<br />

=;~E•••••<br />

NP-004<br />

B.BRAUN - MELSUNGEN AG - RFA<br />

MC- MATERIAL CLINICO, LDA<br />

SUIÇA<br />

WILD HEERBRUGG SA, conhecido<br />

fabricante suiço de lupas<br />

estereoscópicas, macroscópios,<br />

sistemas de microfotografia e<br />

de microscópios cirúrgicos da<br />

mais alta qualidade. acabou de<br />

apresentar uma novidade na<br />

vasta gama de acessórios para<br />

os microscópios cirúrgicos.<br />

De interesse sobretudo, mas<br />

não em exclusivo, no campo<br />

da oftalmologia, trata-se de:<br />

0024- Objectivas especiais com<br />

óptica de iluminação O , permitindo<br />

a observação/operação<br />

de lentes intra-oculares<br />

melhorando considera-<br />

WILD HEERBRUGG SA -<br />

WILD + LEITZ PORTUGAL, LDA.<br />

ITÁLIA<br />

TORNEIRAS<br />

C/FUNCIONAMENTO<br />

NÃO MANUAL<br />

Torneiras especiais e/funcionamento<br />

por disco cerâmico.<br />

de longa duração, e comando<br />

não manual (operáveis pelo cotovelo<br />

ou pé). A nova legislação<br />

europeia aconselha a sua instalação<br />

em Serviços <strong>Hospitalar</strong>es<br />

e estabelecimentos do ramo<br />

alimentar. Homologadas pela<br />

D.P.R. n. 327 de 26/03/80 em<br />

Itália.<br />

HIDRAL (NOVARA)<br />

TORNEIRAS<br />

REVOLTA, LDA.<br />

NP-003<br />

velmente os reflexos vermelhos.<br />

Estas objectivas facilitam e<br />

permitem ... a extração de lentes<br />

mesmo sem dilatação<br />

pupilar.<br />

HEERBRUGG<br />

r<br />

......<br />

I<br />

t<br />

~~ .<br />

,. .<br />

. '<br />

•. -·<br />

~<br />

NP-005<br />

'<br />

0202 5<br />

~<br />

02060<br />

PHILIPS ULTRASOUND INC. -<br />

PHILIPS SISTEMAS MÉDICOS, LDA<br />

AUSTRIA<br />

CENTRAL AUTOMATICA<br />

DE DETECÇÃO DE INCENDIOS<br />

"BMZ COMPACT"<br />

Estas novas Centrais microprocessadas<br />

e com autodiagnóstico,<br />

adicionam às já testadas<br />

"Facilidades SADI" características<br />

inovadoras:<br />

- Actuação em até 8 zonas;<br />

- 2 circuitos de saída vigiada<br />

(Bombeiros + Extinção Automática);<br />

- Funções dia/noite;<br />

- Circuitos de saida temporizados;<br />

SCHRACK ELEKTRONIC AG -<br />

SANTANA<br />

NP-008<br />

- Identificação do detector em<br />

alarme;<br />

- Protocolo p/ligação a computador<br />

e impressora;<br />

- Garantia de alarme, mesmo<br />

em avaria;<br />

- Normas de construção: VOE<br />

0833; DIN 14675.<br />

WIEN<br />

TECNIQUITEL Soe. Equipamentos Técnicos, Lda<br />

HANA BIOLOGICS, INC.<br />

DÉCADA - Equipamentos de Electrónica<br />

e Científicos, SA.<br />

INGLATERRA<br />

JELONET<br />

• Penso de Gaze Parafinada BP<br />

INDICAÇÕES<br />

• Queimaduras<br />

• Zonas de recebimento ou doação<br />

de enxertos<br />

• Úlceras varicosas e gravitacionais<br />

• Perdas de pele, lacerações e<br />

abrasões<br />

APRESENTAÇÕES<br />

5 cm x 5 cm<br />

carteiras individuais<br />

<strong>15</strong>cm X 10 cm<br />

carteiras individuais<br />

10cm X7 m<br />

FRANÇA<br />

PRATICDOSE<br />

- MEMORIZADOR<br />

DE MEDICAMENTOS<br />

Modo prático, comodo e seguro<br />

de· cumprir com rigor o tratamento<br />

medicamentos.<br />

Um auxiliar precioso para quem<br />

toma muitos medicamentos ou<br />

para quem trata de um doente<br />

poli medicado.<br />

•Sem erros<br />

• Sem esquecimento<br />

•Sem omissões<br />

• Sem duplicações<br />

PRATICDOSE (Sechilliene -<br />

GIEFARMA, LDA.<br />

Lata<br />

10 cm X 10 cm<br />

Lata de 36 pensos<br />

10 cm X 10 cm<br />

Lata de 1 O pensos<br />

NOVA APRESENTAÇÃO<br />

Rolo de <strong>15</strong> cm X 2 m<br />

SMITH & NEPHEW, L TO.<br />

INIBSA PORTUGUESA<br />

Vizille)<br />

NP-009<br />

NP-010


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E.U.A.<br />

BRAIN-ATLAS Ili<br />

Sistema de computador (compatíveis<br />

com IBMPC) de 20<br />

canais para EEG espontâneo e<br />

potenciais evocados, 12 canais<br />

disponíveis para medição de<br />

outros parâmetros tais como<br />

EEG, EKG, EMG ou pressão<br />

venosa.<br />

Com duas impressoras sendo<br />

uma para mapas topográficos<br />

a cores e outra para potenciais<br />

evocados.<br />

Monitor a cores de 13", equi"'<br />

pamento móvel dentro de uma<br />

consola, completamente isolado.<br />

810-LOGIC SYSTEMS<br />

CORP. ·-ILLINOIS<br />

INGLATERRA<br />

BACTIGRAS<br />

Penso esterilizado, antiséptico,<br />

de gaze parafinada contendo<br />

0,5% de clorhexidina, . que é<br />

activa contra uma vasta gama<br />

de bactérias.<br />

O BACTIGRAS é recomendado<br />

para a profilaxia em feridas<br />

vulneráveis, a fim de reduzir o<br />

risco de infecção.<br />

INDICAÇÕES<br />

Feridas com menos de 10% da<br />

área da superfície do corpo,<br />

por exemplo:<br />

1. Pequenas queimaduras e escaldaduras.<br />

2. Feridas com perda de pele,<br />

lacerações e escorriações.<br />

•---<br />

NP-011<br />

Alves & C.ª (Irmãos) Lda.<br />

NP-013<br />

3. Áreas doadoras e receptoras<br />

de enxertos.<br />

4. Úlceras da perna.<br />

SMITH & NEPHEW, L TO.<br />

-HULL<br />

INIBSA PORTUGUESA<br />

- Divisão hospitalar<br />

R.F.A.<br />

REFLOTRON<br />

Novos horizontes em química<br />

clínica e diagnóstico são abertos<br />

pelo reflotron. ·<br />

Em 2 - 3 minutos, diferentes<br />

parâmetros podem ser medidos<br />

directamente com uma gota de<br />

sangue, por qualquer pessoa<br />

em qualquer lugar.<br />

O ref lotron é um sistema de<br />

operação totalmente automático<br />

e juntamente com a velocidade<br />

e a ausência de preparação da<br />

amostra, resulta num equipamento<br />

perfeito para utilização<br />

em consultórios, laboratórios de<br />

urgência, gabinetes de medicina<br />

no trabalho ou em qualquer<br />

lugar onde os resultados sejam<br />

necessários de imediato.<br />

E.U.A<br />

DINAMAP<br />

• Monitor de sinais vitais<br />

• Adulto, pediátrico, neonatal<br />

1-90 minutos - intervalo<br />

• Método oscilométrico<br />

• Rejeição de artefactos<br />

• Procura da pressão sistólica<br />

• Sistema de alarmes audíveis/<br />

/visuais<br />

• Interface computador<br />

• Memórias das 100 últimas<br />

leituras<br />

• Bateria interna<br />

* 400 Monitores DINAMAP<br />

* vencidos em Portugal<br />

CRITIKON, TAMPA -<br />

JOHNSON & JOHNSON -<br />

PALO ALTO<br />

NP-012<br />

BOEHRINGEN MANNHEIM<br />

FERRAZ LINCE, LDA.<br />

Divisão Diagnósticos<br />

NP-014<br />

Consegue com os métodos habituais<br />

no tratamento de úlceras de decúbito<br />

e feridas, resultados tão evidentes<br />

como os alcançados com OpSite-1'?<br />

''A humidade acelera a cicatriZflÇãn das<br />

úlceras. OpSite tira partido disto e pode<br />

substituir a tempo todas as outras fonnas de<br />

cuidados das úlceras de decúbito". .<br />

OpSite é uma película firta de poliuretáno que se<br />

adapta intimamente aos contornos elo corpo. É ·<br />

impermeável aos líquidos e às bactérias, mas permeável<br />

ao vapor de ágUa, preyenindo a maceração. ·<br />

As feridas ckatrizarri muito mais rapidamente se<br />

estiverem ht'.µnidas e houver oxigénio livremente<br />

disponíve_l. Este é precisamente o meio proporGionado<br />

por um penso OpSite. O exsudado sob OpSite . .<br />

demonstrou igµàlniente protecção contra a fácil infecção<br />

da cicatriz.ação da ferida É elástico, cómodo, facilitando<br />

assim o movimento da articulação e proporcionando<br />

conforto ao doente. Permite também aos doentes tomar<br />

banho e duche e, uma vez que OpSite não adere à<br />

superfície da ferida, a remoção não é dolorosa<br />

Uma vez que OpSite protege a pele frágil e reduz a<br />

fricção, é também eficaz na profilaxia das úlceras de<br />

compressão.<br />

Como··opSite é à prova de água, protege a pel~<br />

delicada da maceração, um risco particular nos doentes<br />

incontinentes.<br />

Os benefícios da utilização de rotina de OpSite pelas<br />

enfermeiras, são extremamente impressionantes. Um<br />

estudo recente mostrou que, usando de preferência<br />

OpSite ho tratamento das úlceras de compressão, o<br />

tempo de enfermagem foi reduzido em 87%.<br />

-O mesmo estudo mostrou que os pensos<br />

convencionais, resultavam cinco vezes mais caros que<br />

OpSite.<br />

Referencias:<br />

l. Ahmed, M. C .. Nurses'Drug Alert (1980), 4, No. <strong>15</strong>, 113-120 2. Winter, G. D., Surgical<br />

Dressings and Wound Healing (1971), Harkiss, K. J., Bradford University Press. 3. Rovee,<br />

D. T. et ai., Ep(dermal Wound Healing. Eds. Maibach, H. I., and Rovee. D. T., Year Book<br />

Medical Publishers Inc. Chicago, (1972) <strong>15</strong>9-181. 4. Buchan, I. A., et ai Bums, (1 981) 7,<br />

326-334. 5. May, S. R., ln: Wound Healing Symposium, Oxford: The MEDICINE Publishing<br />

Foundation, (1983) 35-51. 6. Callens, J., et ai., Joumal des Sciences Medicales de Lille,<br />

(1981) 99, 2. 7. Hammond, M. A., Nursing Mirror, (November Ist, 1979). 8. Hall, P., Nursing<br />

Focus, (January February, 1983). 9. Kelly, L D., Nursing Focus, (March 1982) Supplement.<br />

·<br />

•Marca Registada<br />

OpSite* PENSOS PARA FERIDAS<br />

Smith Nephew<br />

Representantes Exclusivos:<br />

INIBSA PORTUGUESA<br />

S. Marcos - 2735 CACÉM<br />

Agente na Madeira:<br />

C. J. SOUSA ANDRADE<br />

Rua 31 de Janeiro, 49-2.' - 9000 Funchal-Madeira<br />

PORTUGAL<br />

NP-0<strong>15</strong><br />

E.U.A.<br />

NP-016<br />

Desinfecção de ambientes por<br />

u.v.<br />

No âmbito germicida (bactérias,<br />

vírus e fungos), visando<br />

a eliminação dos agentes patogénicos<br />

que poluem os interiores<br />

(ar e superfícies). por<br />

processos químicos e físicos<br />

conjugados, absolutamente<br />

inócuos.<br />

LAFIL<br />

• Fita de carbono para substituição<br />

de ligamentos<br />

PESTOX<br />

- CONTROLE E DEFESA<br />

DO MEIO AMBIENTE, LDA.<br />

DAVIS E GECK -<br />

B. BRAUN - DEXON<br />

DUNBURY


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CICAPLAIE Rolo<br />

Penso adesivo hipoalérgico,<br />

com suporte de "não tecido"<br />

elástico, permeável ao ar e<br />

apósito neutro absorvente que<br />

não adere à ferida.<br />

APRESENTAÇÃO<br />

Embalagens de: 5 m X 4 cm.<br />

5 m X 6 cm.<br />

5 m X 8 cm.<br />

NP-017<br />

pro rJ ultofi<br />

EQUIPAMENTOS • LIVROS •TECNOLOGIAS<br />

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CENTRAL VÍDEO STATION<br />

CENTRAL DE MONITORIZA­<br />

ÇÃO A CORES, COM COM­<br />

PUTADOR DE ARRITMIAS.<br />

Possibilidade de ligação até 6<br />

doentes a cada monitor, visualização<br />

da imagem de cada<br />

monitor de cabeceira e registador<br />

de alarme de dois canais,<br />

para o registo simultâneo do<br />

ECG e Pressão.<br />

NP-018<br />

E.U.A.<br />

RENATRON<br />

.<br />

Sistema para reutilização de<br />

dialisadores de fibras capilares<br />

lavagem, desinfecção e reutilização<br />

agora com<br />

a nova solução<br />

renatir1<br />

NP-022<br />

PORTUGAL<br />

LINHA SANIS<br />

Cama articulada<br />

. Mesa de cabeceira<br />

Mesa de leito. etc.<br />

Diversos <strong>Hospitalar</strong>es<br />

NP-023<br />

LABORATÓRIOS FISCH -<br />

INIBSA PORTUGUESA -<br />

R.F.A.<br />

Máquina de lavar<br />

vidraria de laboratório<br />

Especialmente concebida . para<br />

a lavagem, desinfecção e secagem<br />

de toda a vidraria, com<br />

a uti lização de um grande<br />

sortido de cestos e complementos<br />

de acordo com o tipo<br />

de vidraria.<br />

VIBRAYE<br />

DIVISÃO HOSPITALAR<br />

NP-019<br />

HELLIGE . Gmbh<br />

PULMOCOR<br />

RENAL SYSTEMS - MINNEAPOLIS<br />

HANDY PORTUGUESA, SA -<br />

HEMOPORTUGAL, LDA.<br />

MOBILIARIO HOSPITALAR<br />

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SUÉCIA<br />

MÔDULO DE DIÁLISE COM BICARBONATO<br />

Doseia a mistura dos dois concentrados<br />

e possibilita a variação<br />

do bicarbonato e do sódio<br />

independentemente. Módul~<br />

BCM 10-1 .<br />

NP-024<br />

R.F.A.<br />

DIRAPLAST®<br />

Lâmina adesiva cirúrgica.<br />

Protecção eficaz contra a infecção<br />

durante toda a intervenção<br />

NP-025<br />

Miele & Cie, Gütersloh<br />

Miele Portuguesa, Lda.<br />

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GAMBRO LUNDIA AB (Lund)<br />

GAMBRO, LDA.<br />

B. BRAUN - DEXON - Melsungen<br />

B. BRAUN - DEXON<br />

SU~C/A<br />

Sistema de Hemoperfusão<br />

Adsorba<br />

Para a remoção de drogas e<br />

tóxicos, através de carvão activado.<br />

Equipado com cartuchos para<br />

pediatria (<strong>15</strong>0 gr) ou para adultos<br />

(300 gr).<br />

Gambro Ab, Lund<br />

Gambro, Lda.<br />

NP-020<br />

FRANÇA<br />

LASER MÉDICO - CIRÚRGÍCO<br />

C02 Nd - YAG<br />

• Pne~mologia<br />

• Gastrenterologia<br />

• Cardiologia<br />

•Urologia<br />

•Oncologia<br />

• Cirurgia Vascular<br />

• Cirurgia Visceral<br />

• Dermatologia<br />

• Oftalmologia<br />

CILAS- ALCATEL- Paris<br />

HEMOPORTUGAL, LDA.<br />

NP-021<br />

R.F.A.<br />

SISTEMA TUBOLAR DE TRANSPORTE<br />

PNEUMÁTICO PARA USO HOSPITALAR<br />

Utilizações - intercâmbio entre<br />

diferentes locais, transportando<br />

- rápido · - rentável<br />

- seguro - Vital<br />

- inócuo - Versátil<br />

- fiável<br />

APRESENTAÇÃO<br />

- Estações automáticas de<br />

envio e recepção com possibilidades<br />

de armazenamento<br />

de portadores.<br />

- Central microprocessadora<br />

GCT - Gran Communications<br />

Technology<br />

GMBH & CO.,<br />

CETEC SARL<br />

-<br />

NP-026<br />

R.F.A.<br />

ESTOJOS DE ESTERILIZAÇÃO DBP<br />

Vantagens dos estojos OBP<br />

-Aesculap<br />

- Facilidade de armazenamento<br />

do produto esterilizado<br />

por longo período.<br />

- Transporte seguro<br />

- Preparação fácil<br />

- Caixas estandardizadas formando<br />

unid ade homogénea<br />

- Protecção contra contaminação<br />

AESCULAP<br />

CENTRO TÉCNICO HOSPITALAR, SARL<br />

NP-027


ANUNCIANTES<br />

ALVES & CIA 59<br />

~~~~~~~~~~-~~~<br />

B. BRAUN - DEXON 6<br />

BAYER 39<br />

INDICAÇÕES<br />

AOS AUTORES<br />

Redactorial, a quem cabe decidir a sua<br />

aceitação ou recusa, consoante lhes<br />

reconheça ou não mérito suficiente.<br />

CETEC 51<br />

D~CA DA 4<br />

FINNAIR 25<br />

GAMBRO 2<br />

GERTAL 47<br />

INIBSA 55<br />

JOHNSON & JOHNSON 60<br />

MIELE 40<br />

TORNEIRAS REVOLTA 29<br />

UNISELF 29<br />

WALTER & CIA 30<br />

WILD + LEITZ 20<br />

«GESTÃO HOSPITALAR» é uma<br />

publicação trimestral de divulgação técnico-científica,<br />

opinião, actualidade e<br />

informação profissional. Embora se<br />

dirija particularmente aos gestores hospitalares,<br />

pretende igualmente responder<br />

a todo o público interessado em<br />

problemas de saúde, designadamente<br />

médicos, engenheiros hospitalares e<br />

enfermeiros.<br />

A revista aceita colaboração diversificada,<br />

desde artigos de investigação e<br />

estudos originais até comentários, notícias,<br />

textos literários e mesmo trabalhos<br />

fotográficos. Os originais recebidos<br />

serão avaliados pelo Conselho<br />

~- - - - - - - - ~ - - - - - - - .-1<br />

Para receber informações gratuitas e detalhadas acerca dos 1<br />

produtos e serviços anunciados nesta revista . envie-nos este 1<br />

postal assinalando aqueles em que tenha interesses específicos. I<br />

1<br />

1<br />

1<br />

1<br />

1<br />

1<br />

1<br />

NORMAS<br />

PARA APRESENTAÇÃO<br />

DOS MANUSCRITOS<br />

Os textos deverão:<br />

- apresentar-se dactilografados em<br />

papel normalizado (fornecido pela<br />

A.P.A.H.), ou em papel formato A4,<br />

dactilografado a dois ~spaços, 25 linhas<br />

com 60 batidas cada. Cada folha<br />

deverá ser numerada no canto superior<br />

direito.<br />

- Ser acompanhados por uma cópia.<br />

- Todos os originais deverão ser<br />

enviados para a redacção da revista -<br />

Hospital Pediátrico -Av. Bissaia Barreto<br />

- 3000 COIMBRA<br />

Os autores deverão ainda:<br />

- Preceder o texto de uma primeira<br />

folha (folha de rosto) em que conste o<br />

título do artigo (que deverá ser curto),<br />

o(s) nome(s) do(s) autor(es), formação 1<br />

profissional, cargo e actividade que l ·<br />

desempenha, outras qualificações e<br />

morada para troca de correspondência.<br />

- Apresentar além do texto, um<br />

resumo do mesmo, que não exceda as<br />

200 palavras e que contenha a razão,<br />

1<br />

objectivos e principais conclusões do · :<br />

trabalho. O resumo terá obrigatoria- .<br />

mente de ser traduzido em Inglês e<br />

facultativamente em Francês.<br />

- Evitar abreviaturas ou siglas. Se<br />

utilizadas incluir a respectiva chave, de<br />

1<br />

preferência no princípio. 1<br />

1<br />

1<br />

. _ · ·<br />

.-~. •. \<br />

' " 1<br />

·'<br />

. -:<br />

.·· \ :<br />

É O NOVO CON·CEITO DA VENTILAÇÃO<br />

PARA PACIENTES EM SITUAÇÃO CRÍTICA<br />

Precisamos conhecer os nossos leitores. Por favor «identifique-se" respon.:<br />

dendo às seguintes perguntas:<br />

1. É assinante de cc<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>"<br />

Sim O<br />

Não O<br />

2 Cargo (espec1f1que) _____________ __ _<br />

3. Habilitações Académieas._-,--______ _______ _<br />

4. Local de Aetjvidade<br />

Hospital O Administração Centrai D<br />

Administrcição Regional O Centro de Saude O<br />

Ensino O Outros (Espec1f1que) _ _ ______ _ ___ _ _<br />

Morada Residênci _____________ ______<br />

Localidade________ Código PostaL--F~~!!!!!mm------!-<br />

T elefone___ ___ __ ESCOLA NACIONAL o<br />

SAÚDE f!lúBUCA<br />

~ Morada Local Trabalho _ ______ ___ .f::'.:::'.::::::'.:=::==~~~.:_-U<br />

~ Localidade _________ Código Postal _ _ _ ___ _<br />

õ Telefone ___ _ _ ____<br />

58<br />

BIB L IO T EC A<br />

1<br />

1<br />

1<br />

ILUSTRAÇÕES<br />

Os gráficos, quadros e outras ilustrações<br />

deverão estar em separado do<br />

1<br />

1<br />

texto, numerados e devidamente re- ·<br />

ferenciados no mesmo (preferencialmente<br />

a preto e branco). As fotografias I<br />

1<br />

deverão ter boa qualidade devidamente<br />

identificadas no verso e acom- i<br />

panhadas de legenda. Diagramas e i .<br />

esquemas deverão ser apresentados 1<br />

pronto$ para reprodução. ·<br />

1<br />

REFERENCIAS<br />

BIBLIOGRÁFICAS<br />

Devem vir numeradas por ordem de<br />

citação no texto. Devem trazer nomes e<br />

iniciais de todos os autores. As iniciais<br />

dos nomes não devem vir seguidas de<br />

pontos. Segue-se o título do artigo ou<br />

do livro, o nome da revista (abreviaturás<br />

de acordo com o lndex Medicus)<br />

ou a editora do livro. No final figurarão o<br />

ano da publicação e a localização do<br />

texto referenciado (volume, · número,<br />

páginas).<br />

Os autores não deverão apresentar<br />

o texto a mais que uma<br />

revista simultâneamente. o<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> • Ano IV • N.º 14/1 5<br />

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ALTA PERFORMANCE ELECTRÔNICA COM MICROPROCESSADOR<br />

ESPECIALMENTE 'CONCEBIDO PARA VENT,ILAÇÃO PEDIÁTRICA E ADULTA<br />

DESDE A VENTILAÇÃO CONTROLADA. À RESPIRAÇÃO EXPONTÃNEA<br />

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EM TRABALHO$ J~~-~ ·BOTiNA


MONOFILAMEN1i0 DE POLIPROPILENO<br />

-Uma década de<br />

resultados clínicos notáveis<br />

Em milhões de intervenções cirúrgicas, a sutura Prolene tem<br />

provado possuir uma combinação única de importantes<br />

qualidades e características clínicas.<br />

Para conseguir estas vantagens sobre outras fibras de<br />

polipropileno, a Ethicon desenvolveu um processo<br />

. exclusivo e patenteado que controla o alargamento linear do<br />

polipropileno, sendo a sutura Prolene o resultado final.<br />

ETHICON<br />

Uma Companhia<br />

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mo em todos s monofilamen os deve tomar- e cuidado para vitar danificar<br />

superfície do

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