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Gestão Hospitalar 2003

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Maio de <strong>2003</strong> • 8<br />

\<br />

.,.<br />

A Acreditacão ,<br />

'<br />

dos Hospitais em Portugal<br />

., __<br />

'\·, .<br />

"GH" faz um balanço do processo de acredita-ção<br />

desenvolvido em Portugal e dos resultados que se<br />

_ pretendem atingir - pág. 25<br />

O processo de empresarialização das SA's<br />

por Jorge Varanda do Grupo de Missão - pág. 12<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />

Projecto do Governo<br />

e propostas da APAH -pág.39


ANTARES<br />

consulting -<br />

A Antares Consulting é uma empresa do Grupo IPG, co-participada pela ANTARES Espanha e<br />

especializada na prestação de Serviços de Consultoria para o Sector da Saúde, em particular para<br />

os seguintes segmentos: Hospitais e Outras Entidades Prestadores de Serviços Saúde (cuidados<br />

continuados), Companhias Seguros de Saúde, Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Investidores<br />

Privados no sector da Saúde.<br />

A Antares desenvolve a sua actividade nas áreas Tecnologias e Sistema de Informação, Estratégia e<br />

Organização e Recursos Humanos e Formação, oferecendo os seguintes serviços:<br />

Repensar 1<br />

globalmente a<br />

Organização<br />

•<br />

Renovar<br />

a gestão<br />

e revitalizar<br />

o capital<br />

humano<br />

Incorporar<br />

a inovação<br />

e as novas<br />

tecnologias<br />

da informação<br />

~ Planificação estratégica;<br />

~ Planos de desenvolvimento de negócio, estudos de mercado e orientação competitiva;<br />

~ Planos de viabilidade de novas unidades de negócio;<br />

~ Planos funcionais e "layout" de instalações.<br />

~ Modelos de desenvolvimento da <strong>Gestão</strong> Clínica;<br />

~ Metodologias e focalizações em unidades de serviço, normalmente consideradas<br />

"Caixas Negras", nomeadamente, Laboratórios, Blocos Cirúrgicos, Urgências e<br />

Radiologia; lmagiologia<br />

~ Organização dos Cuidados de Enfermagem (Metodologia e ferramenta PRN);<br />

~ Adequação e organização do Pessoal médico;<br />

~ Modelos de Carreira Profissional, modelos de avaliação de competências e<br />

sistemas de remuneração variável;<br />

~ Formação específica dos profissionais da Saúde.<br />

~ Planificação e organização da investigação;<br />

~ Avaliação da estrutura de custos não assistencial do hospital;<br />

~ Modelo funcional e gestão da Investigação;<br />

~ Planos de Sistemas de informação e Implementação de soluções aplicacionais<br />

integradas de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />

~ Implementação de Ferramentas departamentais: solução <strong>Gestão</strong> Eficiente Bloco<br />

Cirúrgico, solução <strong>Gestão</strong> dos Serviços de Enfermagem, etc. ;<br />

~ Implementação de soluções Balanced ScoreCard, para a gestão de Topo dos<br />

hospitais;<br />

~ Desenvolvimento de plataformas B2B e soluções em ambientes Web.<br />

A Antares Consulting é uma companhia internacional, com sede em Madrid e escritórios em Barcelona<br />

e Lisboa. Tem vindo a trabalhar com 90 clientes em 9 países distintos: Andorra, Bélgica, Bulgária,<br />

Espanha, França, Itália, México, Portugal e Suiça.<br />

Largo das Palmeiras, nº 9 1050-168 Lisboa• Tel: 21 358 58 00 •Fax: 21 316 05 05<br />

email: ssalvador@antares-consulting.com •site: www.antares-consulting.com<br />

Revista da Associação Portuguesa<br />

de Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

~E<br />

Membro da Associação Europeia<br />

de Directores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

DIRECTORA<br />

Armanda Miranda<br />

Editorial ............................................ Pág. 5<br />

Opinião<br />

Maio de <strong>2003</strong> • €7<br />

Empresarialização<br />

do Hospital úblico<br />

• Ana Sofia Ferreira ......................... Pág. 7 Português<br />

10 _ 11<br />

CONSELHO REDACTORIAL<br />

• Jorge Varanda .............................. Pág. 12<br />

ABRIL<br />

,- ' ' ' <strong>2003</strong><br />

Ana Isabel Gonçalves<br />

Investigação<br />

"f' -!·. 'l<br />

Teresa Sustelo<br />

ir~<br />

Fontes de informação terapêutica e<br />

Jorge Poole da Costa<br />

r t<br />

Manuel Ligeiro<br />

prescrição de genéricos .................. Pág. 16 . , ~ i ~ ;J i ; ·;<br />

Manuel Delgado<br />

Espaço Aberto<br />

Pedro Lopes<br />

XII Jornadas<br />

Sistema de saúde em questão<br />

de Administração<br />

PROPRIEDADE por Ana Manso .............................. Pág. 22<br />

<strong>Hospitalar</strong> .... Pág. 40<br />

Associação Portuguesa de<br />

Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

Dossiê<br />

Empresa jornalística nº 209259 A Acreditação dos Hospitais em Portugal<br />

Apartado 22801<br />

..... Pág. 25<br />

1146 Lisboa Codex<br />

ADMINISTRAÇÃO E ASSINATURAS<br />

APAH Apartado 22801<br />

1146 Lisboa Codex<br />

PRODUÇÃO GRÁFICA<br />

Augusto Teixeira<br />

DISTRIBUIÇÃO<br />

JMToscano Tel.: 2141429 09/29 34-<br />

Fax: 21 414 29 51<br />

Notícias<br />

Entrevista com<br />

Joaquim Coimbra,<br />

presidente do<br />

Conselho de<br />

Administração da<br />

La besf a 1 ...... Pág. 10<br />

• A realidade da Medicina Geral<br />

Presidentes<br />

ASSINATURA ANUAL - € 24,94 na Bélgica .................................... Pág. 32 das Associações<br />

PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />

Europeias<br />

TIRAGEM - 2.000 exemplares<br />

de Gestores<br />

• A regulamentação do Governo ... Pág. 42<br />

Nº Registo 109060<br />

<strong>Hospitalar</strong>es<br />

Depósito legal n º 16288/87 • Posição da APAH ........................... Pág. 43 reunem<br />

ISSN: 0871 - 0776 • Propostas de alteração ............... Pág. 50 no Algarve ... Pág. 54<br />

NORMAS EDITORIAIS<br />

1 ª A Revista aceita trabalhos sobre qual.q_uer assunto relacionado<br />

com o tema geral da gestão de serviços de saúde entendida esta<br />

no seu mais amplo sentido.<br />

2 ª Os artigos deverão ser enviados ao Director. A este caberá<br />

a responsabilidade de aceitar, rejeitar ou propor modificações.<br />

3 ª Os artigos deverão ser enviados em duplicado (incluindo quadros<br />

e figuras), dactilografados a duas entrelinhas em folha<br />

de formato A4. Em cada folha não deverão ser dactilografadas<br />

mais de 35 linhas. As folhas serão numeradas em ordem sequencial.<br />

4 ª Os artigos deverão ser acompanhados, sempre que possível,<br />

por fotografia do( s) autor( es), tipo passe.<br />

5º Os trabalhos deverão conter em folhas separadas o seguinte.<br />

a)- Título do trabalho, nome(s) do(s) autor(es) e pequeno esboço<br />

curricular do( s) autor( es) , principais funções ou títulos,<br />

até ao máximo de dois;<br />

b) - Pequena introdução ao artigo até ao máximo de uma página<br />

dactilografada;<br />

e)- O texto;<br />

d)- Quadros com títulos e legendas (folhas autónomas) ;<br />

e)- Gráficos desenhados a traço de tinta-da-china sobre papel<br />

vegetal sem números ou palavras;<br />

f)- Títulos , legendas ou elementos dos gráficos escritos em folhas<br />

de f o toe ó pias destes, à parte;<br />

g)- Fotografias numeradas no verso, a lápis, segundo a ordem<br />

de entrada no texto e respectivas legendas;<br />

h)- Pequenos resumos do artigo em língua francesa e inglesa,<br />

incluindo títulos;<br />

i)-Os originais , não deverão conter pés-de página.Todas as<br />

referências bibliográficas completas serão inseridas no final<br />

do artigo.<br />

6 º Nas referências bibliográficas, os autores são coloca.dos por ordem<br />

alfabética (apelido seguido das iniciais o.JJJJJJle)~s~~~ ...<br />

completo do artigo , o título abreviado g~)@, Q, rn4rl).&tQN.O.L De<br />

do volume, os números da primeira e ltima págj~ -e ~-' El!t6l IC. A.<br />

da publicação. --<br />

0 Editorial e os Artigos não assinados ão da responsabilidadf__-<br />

da Direcção da Associação. P ~ ~<br />

Os Artigos assinados são da exclusiva esponsabilidade dos seus<br />

autores, não comprometendo a Assoei ão com os pontos de vista<br />

neles expressos. Embora merecendo a 1 lbor atenção , a ca.k.il:wra.çã..a__<br />

não solicitada não será devolvida, rese ando~ s e.,o ,dir,eitq r .._ \ !<br />

d bl . - n ' O L 1 U . :- '...., A<br />

e a pu icar ou nao.<br />

1<br />

GESTÃO HOSPITALAR ~


Administrador<br />

hospitalar a recibos<br />

verdes e avenças<br />

Sou administrador<br />

hospitalar e sócio, há uns<br />

anos, da Associação<br />

Portuguesa de<br />

Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es. Exerço a<br />

minha acti vidade vai para<br />

seis anos, divididos por dois<br />

hospitais. O que acontece<br />

é que, pasme.-se!, ainda não<br />

tive acesso à carreira de<br />

administração hospitalar,<br />

não obstante a preocupação<br />

e o esforço da APAH para<br />

que esta situação ... que<br />

atinge tantos colegas meus ...<br />

se altere.<br />

Não quererá o Senhor<br />

Ministro colocar.-se na<br />

minha pele e trabalhar a<br />

recibos verdes ou avenças ao<br />

fim de quase seis anos de<br />

actividade? Como explica,<br />

Senhor Ministro, que tanto<br />

diz apostar na gestão dos<br />

hospitais, ainda não ter<br />

inexido uma palha para que,<br />

ao menos, possamos ter um<br />

elementar contrato indivi ...<br />

dual de trabalho? Serão<br />

também imposições da sua ·<br />

colega Manuela Ferreira<br />

Leite?<br />

Leitor identificado<br />

Foi pena,<br />

Senhor Ministro!<br />

Eu não duvido da seriedade<br />

do ministro Luís Filipe<br />

Pereira, nem tenho nada<br />

contra os hospitais ditos SA.<br />

E acredito mesmo que ele<br />

queira o melhor dos mundos<br />

para a saúde dos portugueses,<br />

e para a gestão dos hospitais,<br />

e para fazer o máximo com o<br />

menor dos gastos! O que eu<br />

não entendo é que ele, um<br />

gestor, um gestor arejado,<br />

corajoso até, tenha querido<br />

transformar 34 hospitais em<br />

31 sociedades anónimas sem<br />

aproveitar, como o interesse<br />

nacional exigiria, os recursos<br />

humanos que tem à sua<br />

disposição. Saberá o<br />

ininistro o que é a<br />

reconhecida Escola<br />

Nacional de Saúde Pública?<br />

Se calhar ninguém lhe disse<br />

que ali se formam<br />

administradores hospitalares,<br />

quadros com habilitação<br />

específica para gerir<br />

hospitais. E foi pena. Porque,<br />

se estivesse<br />

convenientemente<br />

informado, teria por certo<br />

sabido aproveitar melhor os<br />

recursos humanos que o<br />

Estado forma e<br />

internacionalmente se<br />

reconhece. Se alguém lhe<br />

tivesse dito, na gestão dos<br />

31 hospitais SA estariam<br />

com certeza não apenas<br />

cerca de 30 por cento de<br />

ad1ninistradores hospitalares.<br />

Administrador hospitalar<br />

identificado<br />

Mude de rumo!<br />

A razão desta meia dúzia<br />

de palavras é só uma, e de<br />

indignação. Neste bom par<br />

de anos de experiência de<br />

administrador hospitalar é<br />

a pnmetra vez que nos<br />

exigem cortes cegos no<br />

orçamento. Quer dizer, tudo<br />

o que aprendemos sobre<br />

os orçamentos, que devem<br />

ser feitos em função da<br />

produção e não da despesa,<br />

vai agora por água abaixo.<br />

Parafraseando a canção,<br />

aceita um conselho,<br />

despartidarizado, senhor<br />

ministro? Mude de rumo!<br />

Leitor identificado<br />

Parabéns,<br />

senhor ministro!<br />

A política do Governo para<br />

a área da Saúde, sobretudo<br />

dos medicamentos, está de<br />

parabéns. Refiro.-me à<br />

promoção de genéricos e<br />

ao sistema da<br />

comparticipação pelo preço<br />

de referência. Reconheça.-se<br />

que, finalmente, houve um<br />

governante, Luís Filipe<br />

Pereira, que proporcionou<br />

medicamentos mais baratos<br />

às pessoas.<br />

O ministro da Saúde está<br />

também de parabéns por<br />

ter tido a coragem de dar<br />

o pontapé de saída para<br />

acabar com o funcionalismo<br />

público nos hospitais. Além<br />

disso, reconheça.-se também,<br />

ao ministro da Saúde se deve<br />

igualmente uma medida<br />

muito importante ... a<br />

possibilidade de as pessoas<br />

escolherem os hospitais.<br />

] osé António Pinto<br />

Porto<br />

Sob o signo da empresarialização<br />

1. O primeiro ano do actual Governo foi - na área<br />

da saúde - marcado pela ideia de empresarialização<br />

dos hospitais públicos.<br />

A aprovação de uma nova lei para a gestão<br />

hospitalar e a subsequente criação de 31 hospitais<br />

S .A. (praticamente metade da capacidade instalada)<br />

traçaram indelevelmente o futuro dos nossos hospitais,<br />

apresentando novas soluções para velhos problemas.<br />

Está realizada a tarefa porventura menos<br />

problemática. Ainda que não isenta de criticas<br />

- de natureza técnica, ideológica ou corporativa.<br />

As primeiras muito ténues, as segundas desfasadas<br />

no tempo, as terceiras marcadamente reactivas.<br />

Neste capitulo, fica por saber se todos os hospitais<br />

evoluirão para S .A. 'sou se a coexistência destas<br />

com os hospitais do sector público administrativo<br />

é para manter.<br />

2. Mas os problemas começaram logo a seguir,<br />

no processo de empresarialização, naturalmente<br />

a fase mais difícil.<br />

A passagem dos 31 hospitais para S .A. 's trouxe<br />

uma profunda alteração à composição dos órgãos<br />

de gestão desses estabelecimentos e nem sempre<br />

as escolhas foram as melhores.<br />

Das pequenas ou grandes amizades, das afinidades<br />

familiares às afinidades políticas, assistimos nos<br />

últimos meses à entrada de novos protagonistas<br />

na gestão hospitalar.<br />

A exclusão de gestores hospitalares com provas<br />

dadas foi evidente e a sua substituição por pessoas<br />

sem curriculum e sem perfil foi frequente.<br />

Nem a ideia, tantas vezes repetida, de que<br />

importava introduzir no sistema gestores de elevado<br />

gabarito provenientes de outros domínios,<br />

que trouxessem um novo espirita empreendedor<br />

mais compatível com as mudanças que se impunham,<br />

se confirmou face ao perfil dos nomeados.<br />

A desconfiança instalou.-se e a desilusão foi grande!<br />

Entre os profissionais, os cidadãos e a classe política.<br />

3. Apesar de viverem já num novo cenário de<br />

gestão, os hospitais S . A. não têm podido até<br />

agora dispor de todos os instrumentos previstos: a<br />

autonomia económico.-financeira tem sido rudemente<br />

posta em causa pelo aperto financeiro do Governo;<br />

o financiamento pela produção foi substituído pelo<br />

antigo modelo de orçamento histórico por rubrica de<br />

despesa; ainda não há condições para uma gestão de<br />

recursos humanos com base nos contratos individuais<br />

de trabalho e segundo modelo de incentivos adequado.<br />

A Unidade da Missão, em boa hora constituída<br />

para acompanhar a gestão destes hospitais, embora<br />

tardiamente, terá aqui uma importante tarefa<br />

a cumprir, em matéria de orientação técnica<br />

e mecanismos de acompanhamento e avaliação.<br />

Ao mesmo tempo, aguarda ... se com particular interesse<br />

o novo modelo de pagamento para os hospitais<br />

públicos, que se espera ser de aplicação universal.<br />

Os trabalhos preparatórios que se conhecem, fazem<br />

prever um modelo razoavelmente bem concebido,<br />

ponderado e de aplicação relativamente fácil e fiável.<br />

4. Faltará definir como funcionará a competição entre<br />

os hospitais (públicos e privados) que integrarão a rede<br />

prestadora de cuidados secundários. O financiamento<br />

público desta rede , associado à liberdade de escolha<br />

dos doentes, coloca problemas novos de regulação e<br />

transparência, particularmente delicados no contexto<br />

de acumulações "à portuguesa".<br />

Papel importante caberá aqui à entidade reguladora,<br />

cujos alicerces estarão prontos lá para o Verão .<br />

5. Depressa demais e voluntarismo excessivo<br />

são alguns dos comentários críticos que se ouvem.<br />

É.-se preso por ter cão e preso por não ter.<br />

Mas sempre ficará a ideia de que o carro<br />

andou à frente dos bois, e que, consequentemente,<br />

os resultados da empresarialização só começarão<br />

a ser visíveis lá para o fim de 2004.<br />

E, naturalmente, espera--se que sejam bons .<br />

[] GESTÃO HOSPITALA R<br />

GESTÃO HOSPITALAR 0


~"O ministro acredita<br />

firmemente que a mudança<br />

é para melhor, enquanto<br />

nós estamos firmemente<br />

convictos de que é para<br />

pior e que não vai resolver<br />

nenhum dos problemas<br />

que o SNS enfrenta,<br />

nomeadamente os cuidados<br />

. ,, . ,,<br />

pnmanos<br />

Luís Pisco, presidente<br />

da Associação Portuguesa<br />

dos Médicos de Clínica Geral,<br />

à revista "Hipócrates" de Março<br />

~"É evidente que não<br />

quero destruir o SNS.<br />

Pelo contrário. Isso é algo<br />

que é dito por responsáveis<br />

anteriores que tiveram<br />

oportunidade para mudar<br />

e não o fizeram. Gostava de<br />

perguntar a essas entidades<br />

se se sentem bem com<br />

a herança que deixaram,<br />

porque se fizeram alguma<br />

coisa para mudar este estado<br />

de coisas, não se nota."<br />

Ministro da Saúde a "O<br />

Independente", em 11/04/<strong>2003</strong><br />

~"O modelo de Hospitais<br />

SA é a negação do<br />

desenvolvimento natural<br />

do mercado, que mostra uma<br />

tendência para a privatização<br />

de empresas, em vez de<br />

as manter ineficazmente<br />

na órbita estatal."<br />

Professor Miguel Gouveia,<br />

ao "Diário Económico",<br />

em 11 /4/<strong>2003</strong>, no âmbito<br />

- das XII ] ornadas<br />

de Administração <strong>Hospitalar</strong><br />

~"A nossa receita médica<br />

é altamente desfavorável<br />

para os doentes, implica<br />

uma sobrecarga<br />

administrativa para<br />

o médico e não apresenta<br />

vantagem em termos<br />

de custos sociais."<br />

Carlos Mendes Leal, presidente<br />

da Direcção do Colégio<br />

da Especialidade de Medicina<br />

Geral e Familiar da Ordem<br />

dos Médicos, em 14/04/<strong>2003</strong>,<br />

ao "Tempo Medicina"<br />

~"Não ter gestores<br />

hospitalares é tão letal para<br />

a actividade dos hospitais<br />

como a ausência de médicos"<br />

Manuel Delgado, presidente<br />

da AP AH, nas XII ] ornadas<br />

de Administração <strong>Hospitalar</strong>,<br />

citado pelo "Tempo Medicina",<br />

na sua edição de 21/04/<strong>2003</strong><br />

~"Não há nada de mais<br />

corrosivo numa organização<br />

do que não podermos<br />

distinguir o inérito e<br />

o empenho das pessoas"<br />

Ministro da Saúde, no decorrer<br />

da sua intervenção na sessão<br />

de abertura das XII Jornadas<br />

de Administração <strong>Hospitalar</strong>,<br />

referido pelo "Tempo Medicina"<br />

em 21/04/<strong>2003</strong><br />

~ "Os cortes cegos que<br />

estão a ser impostos aos<br />

34 hospitais transformados<br />

em sociedades anónimas<br />

levarão a que, a meio<br />

do verão, as administrações<br />

possam ser confronta das<br />

com a falta de verbas<br />

para os seus serviços . "<br />

Cílio Correia, secretário-geral<br />

da FN AM, em conferência<br />

de imprensa noticiada em<br />

"A Capital", na sua edição<br />

de 20/03/<strong>2003</strong><br />

~ "Nove importantes<br />

hospitais da Grã--Bretanha<br />

construídos e1n parceria<br />

público--privada são<br />

"arrasados" numa auditoria<br />

da Associação London<br />

Health Emergency.<br />

O modelo - que para os<br />

especialistas falhou - será<br />

importado para dez hospitais<br />

portugueses, dois com<br />

protocolos de colaboração<br />

já assinados.<br />

( ... ) Mas é na assistência<br />

aos doentes que surgem<br />

as questões mais delicadas.<br />

A maioria dos 'entrevistados'<br />

afirma que há u1na<br />

diminuição do nível de<br />

cuidados. E para poupar,<br />

denunciam, generalizou--se a<br />

prática de requisitar pessoal<br />

para limpar os sanitários e<br />

depois servir comida e bebida<br />

aos doentes."<br />

"Expresso", 25/4/<strong>2003</strong><br />

~"Os analistas estimam<br />

que a quota dos medica-­<br />

mentos genéricos, no mer-­<br />

cado farmacêutico total,<br />

atinja, até final deste ano,<br />

uma expressão da ordem<br />

dos 8 a 1 O por cento"<br />

A. Hipólito de Aguiar,<br />

farmacêutico, em 23/04/<strong>2003</strong>,<br />

"Diário Económico"<br />

~"N ão há uma política<br />

de formação e recrutamento<br />

de novos profissionais para<br />

fazer face à míngua em que<br />

vivem os centros de saúde"<br />

Bernardino Soares,<br />

em "a Capital", 23/04/<strong>2003</strong><br />

~"O melhor contributo<br />

que os partidos e os depu-­<br />

tados da nação podem dar<br />

à credibilização do sistema<br />

político é o de serem eles<br />

próprios os melhores cumpri-­<br />

dores das leis"<br />

António José Teixeira, "Diário<br />

de Notícias", 23/04/<strong>2003</strong><br />

Em relação à gestão<br />

do SNS, ao nível<br />

financeiro os<br />

incentivos para<br />

uma afectação<br />

cuidadosa dos recursos<br />

têm sido reduzidos,<br />

pelo facto de<br />

as restrições<br />

orçamentais,<br />

nomeadamente para<br />

o sector hospitalar,<br />

apesar de teoricamente<br />

assentes em parte<br />

na produção,<br />

serem meramente<br />

indicativas.<br />

< 1 l Por exemplo,<br />

a da OCDE (OECD 1998)<br />

Nova Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>:<br />

Indefinições de uma<br />

reforma por regular<br />

Por Ana Sofia Ferreira*<br />

As avaliações que têm sido produzidas<br />

acerca do nosso serviço nacional<br />

de saúde (SNS) 1 caracterizam~no<br />

genericamente como padecendo<br />

de sérias ineficiências, quer do ponto<br />

de vista técnico como social, e de<br />

algumas iniquidades, apesar da melhoria<br />

dos resultados em saúde registada<br />

em Portugal nas últimas décadas.<br />

Em relação à gestão do SNS,<br />

ao nível financeiro os incentivos<br />

para uma afectação cuidadosa dos<br />

recursos têm sido reduzidos, pelo facto<br />

de as restrições orçamentais,<br />

nomeadamente para o sector hospitalar,<br />

apesar de teoricamente assentes<br />

em parte na produção<br />

(mas também com uma<br />

componente histórica forte),<br />

serem meramente indicativas<br />

( soft budget constraints).<br />

Este aspecto tem facilitado a<br />

formação de elevados défices<br />

no sector, directamente<br />

financiados de modo<br />

incremental pela entidade<br />

central com orçamentos<br />

extraordinários (e pouco<br />

envolvimento directo<br />

das cinco Administrações<br />

Regionais de Saúde a este<br />

nível), o que tem contribuído<br />

para a não contenção<br />

de custos no sector.<br />

A par desta fraca restrição<br />

orçamental enfrentada<br />

pelas instituições do SNS,<br />

os incentivos para a gestão<br />

eficiente do sistema têm sido<br />

praticamente inexistentes,<br />

com uma manifesta<br />

ausência de mecanismos<br />

de autonomização<br />

e responsabilização das<br />

administrações hospitalares<br />

(a par dos restantes<br />

profissionais) pelo desempenho<br />

verificado no sector. Não são comuns<br />

as avaliações sistemáticas<br />

de desempenho, nem ao nível individual,<br />

nem organizacional, nem sistémico,<br />

nem as penalizações face a resultados<br />

insatisfatórios, num sistema que<br />

se mantém fortemente integrado<br />

e centralizado.<br />

Apesar de algumas tentativas<br />

de reforma do sector, particularmente<br />

com a criação das Agências<br />

de Contratualização em 1997 ou<br />

a introdução de algumas experiências<br />

inovadoras de gestão desde 199 5,<br />

é, em traços gerais, neste contexto<br />

que nos encontramos actualmente,<br />

e é nele que surge a nova Lei<br />

de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> (Lei nQ 2 7 /2002<br />

de 8 de Novembro), que altera alguns<br />

pontos da Lei de Bases de 1990<br />

e estabelece o novo regime jurídico<br />

da gestão de hospitais.<br />

Alguns aspectos a realçar neste<br />

diploma são: o alargamento<br />

(e a tentativa de generalização)<br />

do regime laboral aplicável<br />

aos profissionais do sector, com base<br />

em contratos individuais de trabalho;<br />

a intenção de criar um novo sistema<br />

de financiamento assente<br />

numa posterior publicação de tabela<br />

de preços de serviços prestados;<br />

a definição de um novo conceito<br />

de "rede de prestação de cuidados<br />

de saúde", integrando hospitais<br />

públicos "tradicionais", hospitais<br />

públicos com natureza empresarial,<br />

hospitais~sociedades anónimas de<br />

capitais públicos e estabelecimentos<br />

privados, com ou sem fins lucrativos;<br />

a consagração da liberdade de escolha<br />

de estabelecimento hospitalar pelo<br />

utente; a previsão de divulgação anual<br />

de relatórios de avaliação do<br />

desempenho dos hospitais da rede;<br />

e a intenção da promoção de sistemas<br />

de incentivos ao desempenho<br />

~GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR ~


O modo como<br />

as nomeações têm<br />

sido feitas para<br />

os Conselhos<br />

de Administração<br />

destes 34 hospitais<br />

tem sido alvo de<br />

críticas dos mais<br />

diversos quadrantes,<br />

por não haver<br />

. ..... .<br />

exigencia<br />

de qualquer<br />

formação específica<br />

em "gestão<br />

de saúde" para<br />

os recém-nomeados<br />

novos gestores.<br />

2<br />

Facto que publicamente tem<br />

sido alvo de críticas, com base<br />

no argumento de favorecer<br />

a desorçamentação no sector<br />

da saúde, de modo a garantir o<br />

cumprimento da meta de défice<br />

do sector público administrativo<br />

inferior a 3% do PIB, tal como<br />

negociado no Pacto de<br />

Estabilidade e Crescimento<br />

da União Europeia.<br />

3<br />

Observatório Português dos<br />

Sistemas de Saúde 2002, p. 34.<br />

4<br />

Tem sido, no entanto,<br />

anunciada a intenção de<br />

o vir a conceber e implementar<br />

num futuro próximo (por<br />

exemplo, "Diário de Notícias"<br />

de 6 de Dezembro de 2002, ou<br />

entrevista do Ministro da Saúde<br />

ao "Público" de 13 de Janeiro<br />

de <strong>2003</strong>).<br />

5<br />

SALTMAN, R.; BUSSE, R.;<br />

MOSSIALOS, E. (eds.) -<br />

Regulating entrepreneurial<br />

behaviour in European health<br />

care systems. Buckingham:<br />

Open University Press, 2002.<br />

dos profissionais do sector.<br />

O objectivo genérico do<br />

diploma parece ser a promoção<br />

da eficiência dos hospitais,<br />

através do incremento<br />

da flexibilidade interna<br />

na gestão e os incentivos<br />

à maior produtividade.<br />

A materialização desta<br />

dependerá, em grande medida,<br />

da adesão dos profissionais<br />

de saúde aos contratos<br />

individuais de trabalho<br />

e à capacidade dos gestores<br />

de conceberem modelos<br />

de incentivos ao desempenho<br />

inteligentes e que não<br />

contrariem a desejável<br />

contenção de custos.<br />

No entanto, várias indefinições<br />

permanecem e alguns<br />

aspectos,chave indevidamente<br />

acautelados podem vir<br />

a condicionar fortemente<br />

o sucesso destas intenções.<br />

Desde logo, o problema do<br />

modelo de financiamento.<br />

A optimização da eficiência<br />

técnica exige a regulação<br />

simultânea de "preços" de serviços<br />

(ou de financiamento por outros<br />

mecanismos) e de volumes de produção.<br />

É sabido que é contraproducente<br />

determinar "tabelas de preços"<br />

para os serviços hospitalares sem<br />

estabelecer em paralelo mecanismos<br />

de negociação da sua produção,<br />

dado o estímulo que tal facto traria<br />

para um aumento da oferta (e indução<br />

da procura pela oferta), sem garantia<br />

de eficiência social (ou seja, sem garantia<br />

de que tal aumento da oferta responde<br />

às efectivas necessidades dos utentes<br />

e que, portanto, favoreça ganhos<br />

em saúde) e com garantia - largamente<br />

documentada pela literatura da<br />

economia da saúde - de indesejável<br />

aumento da despesa global.<br />

Ora, a especificação de como<br />

será operacionalizada a separação<br />

financiador,prestador (para qualquer<br />

tipo de hospital), como será financiada<br />

a produção hospitalar, como será<br />

acompanhada e que instituições<br />

(do lado do financiador) o farão,<br />

encontra,se por precisar de modo<br />

satisfatório.<br />

Também a forma exacta de consagrar<br />

a intenção de generalizar a avaliação<br />

do desempenho dos hospitais<br />

da "rede", está por definir, apesar de,<br />

em Dezembro de 2002, o Governo<br />

ter avançado com a empresarialização<br />

de 34 hospitais (Decretos,Lei<br />

nº 272/2002 a 302/2002),<br />

transformando,os em 31 sociedades<br />

anónimas de capitais exclusivamente<br />

públicos, integradas no SNS,<br />

mas passando a pertencer ao sector<br />

empresarial do Estado 2 , com muito maior<br />

autonomia de gestão do que até aqui.<br />

O modo, aliás, como as nomeações<br />

têm sido feitas para os Conselhos<br />

de Administração destes hospitais<br />

tem sido alvo de críticas dos mais<br />

diversos quadrantes, por não haver<br />

exigência de qualquer formação<br />

específica em "gestão de saúde" para<br />

os recém,nomeados novos gestores.<br />

Talvez em parte devido a este tipo<br />

de problemas, e à indefinição relativa<br />

à avaliação do desempenho,<br />

em Fevereiro de <strong>2003</strong>, a Resolução<br />

do Conselho de Ministros nº 15/<strong>2003</strong><br />

cria uma unidade de missão, designada<br />

por "Hospitais SA", com a função<br />

específica de coordenar e acompanhar<br />

a empresarialização dos<br />

hospitais~sociedades anónimas de capitais<br />

públicos. No entanto, a coerência<br />

global e compatibilidade estratégica<br />

dos diversos tipos de hospitais do SNS<br />

não fica, obviamente, assegurada<br />

com este mecanismo.<br />

A definição de formas específicas<br />

de fortalecimento do papel do utente,<br />

ao qual parece poder vir a ser concedida<br />

maior liberdade de escolha do que<br />

até ao momento, não está, igualmente,<br />

explicitada, facto que constitui um<br />

motivo de preocupação dada a maior<br />

complexidade do cenário em que os<br />

utentes se movem e que poderá dificultar<br />

o respeito pleno dos seus direitos.<br />

Portanto, com base neste enquadramento<br />

legal, e naquilo que vier a ser o<br />

seu impacte efectivo no sistema de<br />

saúde, tende a verificar,se uma acrescida<br />

complexidade no sector hospitalar, com<br />

maior diversidade de actores e maior<br />

autonomia e descentralização do que<br />

vigorou até aqui. Mas isto exige<br />

uma muito mais exigente e específica<br />

capacidade de regulação do sistema<br />

do que é corrente, com o reforço<br />

da supervisão das entidades<br />

autonomizadas, monitorização<br />

sistemática do seu desempenho<br />

e correcções atempadas de quaisquer<br />

desvios face ao definido como desejável.<br />

No entanto, não só a administração<br />

reguladora na saúde não tem<br />

demonstrado eficácia em Portugal<br />

(como tem sido demonstrado para<br />

as experiências inovadoras de gestão<br />

introduzidas até 2002 3 ), como não foi<br />

anunciado nenhum reforço da regulação<br />

a desenvolver no sector 4 .<br />

O objectivo primordial<br />

do desenvolvimento de estratégias<br />

e mecanismos de regulação é,<br />

precisamente, o de compatibilizar<br />

a introdução de inovações<br />

organizacionais, maior competição<br />

entre os actores e "empreendorismo"<br />

na gestão - potenciadores<br />

da eficiência , , com a forte<br />

responsabilidade social que cabe<br />

ao Estado de garantir melhores<br />

resultados em saúde, em termos<br />

de efectividade, qualidade e equidade 5 .<br />

Aguarda,se, assim, pelo desenvolvimento<br />

dos mecanismos reguladores adequados,<br />

ou seja, de regras formais de<br />

enquadramento da actividade dos<br />

hospitais e de sistemas de incentivos,<br />

financeiros e não financeiros,<br />

que orientem e balizem devidamente<br />

a estratégia produtiva dos hospitais,<br />

e que, em traços gerais e de modo<br />

sintético, julgamos que deveriam<br />

incluir:<br />

- a concepção de um sistema<br />

adequado de financiamento<br />

hospitalar;<br />

- a criação de um modelo<br />

de avaliação do desempenho<br />

das instituições (que inclua<br />

devida previsão de<br />

recompensas/penalizações);<br />

- o desenvolvimento de<br />

instrumentos de garantia<br />

e promoção da qualidade global;<br />

- exigência de um sistema<br />

de informação preciso e comum<br />

a todos os hospitais da "rede de<br />

prestação de cuidados" do SNS;<br />

- formas de fortalecimento<br />

da posição dos utentes; e<br />

- definição precisa das instituições<br />

(e funções) reguladoras ao nível<br />

central e regional.<br />

Ainda será cedo para concluir<br />

se estamos perante mudanças<br />

com impactes estruturais, embora essa<br />

pareça ser a intenção política por trás<br />

da reforma. Mas a actual indefinição<br />

relativamente ao modelo de regulação<br />

que há que implementar no sector<br />

poderá pôr em causa objectivos<br />

normativos desejáveis da própria<br />

política de saúde e, em última análise,<br />

o sucesso de qualquer tentativa<br />

de reforma do sector hospitalar.<br />

No campo da saúde, as reformas<br />

dos sistemas públicos de saúde são<br />

sistémicas e imprescindíveis a três níveis:<br />

reformas de gestão (micro), reformas<br />

organizacionais (mesa) e reformas<br />

dos mecanismos de financiamento<br />

e das entidades reguladoras (macro).<br />

No sector hospitalar, pelo menos<br />

neste terceiro plano, muito parece por<br />

definir. <br />

* Economista.<br />

Finalista do XXXI Curso de Especialização<br />

em Administração <strong>Hospitalar</strong><br />

da ENSP-UNL (2001-<strong>2003</strong>).<br />

REFERÊNCIAS:<br />

DECRETOS - LEI N º 272/2002 A 302/2002<br />

(criação das 31 sociedades anónimas hospitalares).<br />

Diário da república I série -A. 284 (2002.12.9),<br />

285 (2002.12.10) e 286 (2002 .12.11) .<br />

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - Ministério cria comissão<br />

para fiscalizar hospitais.<br />

Diário de Notícias (6 de Dezembro de 2002).<br />

LEI N !l 27/2002 (aprova o novo regime jurídico<br />

da gestão hospitalar e procede à primeira alteração<br />

à Lei n º 48/90, de 24 de Agosto). Diário<br />

da República I série -A. 258 ( 2002 .11.8) 7 15 0 ~ 7 154.<br />

OBSERVATÓRIO PORTUGUÊS DOS SISTEMAS<br />

DE SAÚDE - O estado da Saúde e a saúde do Estado:<br />

Relatório da Primavera 2002. Lisboa: ENSP, 2002.<br />

OECD -OECD economic surveys: 1997-1998<br />

Portugal. Paris : OECD, 1998.<br />

PÚBLICO- Entrevista ao Ministro da Saúde.<br />

Público ( 13 de Janeiro de <strong>2003</strong>).<br />

RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE MINISTROS<br />

N º 15/<strong>2003</strong> (cria a unidade de missão "Hospitais SA").<br />

Diário da república I série - B. 30 ( <strong>2003</strong>. 2. 5)<br />

SALTMAN, R.; BUSSE, R.; MOSSIALOS,<br />

E. ( eds.) - Regulating entrepreneurial behaviour<br />

in European health care systems.<br />

Buckingham: Open University Press, 2002.<br />

( ... ) a actual<br />

indefinição<br />

relativamente<br />

ao modelo de<br />

regulação que<br />

há que<br />

implementar no<br />

sector poderá<br />

pôr em causa<br />

objectivos<br />

normativos<br />

desejáveis da<br />

própria política<br />

de saúde e, em<br />

última análise,<br />

o sucesso de<br />

qualquer<br />

tentativa de<br />

reforma do<br />

sector<br />

hospitalar.<br />

Palavras ,chave:<br />

reforma;<br />

gestão hospitalar;<br />

regulação.<br />

Q GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR m


Joaquim Coimbra, presidente do Conselho de Administração<br />

Labesfal, uma referência<br />

na Indústria Farmacêutica<br />

Há cerca de meio século, junto à Serra do Caramulo,<br />

o Dr. João Almiro dava início à actividade de<br />

um dos mais importantes laboratórios farmacêuticos<br />

portugueses, os laboratórios LABESFAL, que são<br />

hoje uma referência de inovação e desenvolvimento<br />

tecnológico no contexto da indústria farmacêutica.<br />

Sob a liderança de Joaquim Coimbra, principal<br />

accionista e presidente do Conselho de Administração<br />

da LABESFAL, desenvolvem--se novas unidades<br />

produtivas e empresariais com recurso às mais<br />

modernas tecnologias.<br />

Paralelamente realiza--se um enorme esforço de<br />

valorização em recursos humanos, orientados pela<br />

inovação, sentido de mudança e destacada atenção<br />

ao cliente, cuja missão é produzir e fornecer produtos<br />

e serviços da mais elevada qualidade, aos profissionais<br />

dos serviços de saúde e aos doentes.<br />

ITi] GESTÃO HOSPITALAR<br />

APAH - Como situa a Labesfal no<br />

contexto da Indústria Farmacêutica?<br />

A Labesfal desenvolve estrategicamente<br />

a sua acção em dois campos fundamentais:<br />

internacional e nacional.<br />

No âmbito internacional a Labesfal,<br />

através das suas associadas, fabrica e<br />

comercializa produtos farmacêuticos<br />

em Cabo Verde, Espanha, Brasil e,<br />

desde início de <strong>2003</strong>, na Argentina.<br />

Em Angola e Moçambique tem uma<br />

presença como distribuidor, armazenista<br />

e com um grupo de farmácias.<br />

No âmbito nacional a Labesfal tem<br />

instalações fabris na Venda Nova,<br />

em Campo de Besteiros e um moderno<br />

Complexo Industrial em Santiago de<br />

Besteiros.<br />

A Labesfal é o maior fornecedor nacional<br />

de medicamentos aos hospitais.<br />

Paralelamente, a Clintex,<br />

uma empresa do Grupo Labesfal,<br />

comercializa produtos de marca, para<br />

o mercado ambulatório e desenvolve<br />

Joaquim Coimbra, presidente do Conselho<br />

de Administração da Labesfal<br />

um projecto de co;marketing<br />

com produtos de um reputado<br />

laboratório multinacional.<br />

Se, e como prevemos, os genéricos<br />

de marca vierem a ser uma realidade,<br />

a Clintex estará na primeira linha<br />

da sua comercialização.<br />

Respondendo aos novos desafios<br />

esperamos ter, ainda no primeiro semestre<br />

de <strong>2003</strong>, uma nova unidade de negócios,<br />

de produtos genéricos, em pleno<br />

funcionamento.<br />

APAH - A política e a gestão da saúde<br />

e do medicamento estão em mudança.<br />

Como reage a Labesfal aos novos desafios?<br />

As mudanças são geradoras de novas<br />

oportunidades e a Labesfal estará atenta,<br />

não só para prosseguir a sua afirmação<br />

no mercado hospitalar, mas também<br />

para conquistar uma posição importante<br />

na área dos genéricos.<br />

A Labesfal pretende assurriir,se como<br />

a empresa nacional dos genéricos.<br />

APAH- Como vê a introdução<br />

dos preços de referência?<br />

Observar as consequências que tiveram,<br />

em vários países europeus, as medidas ora<br />

incrementadas em Portugal, permite,nos<br />

encarar o futuro com optimismo.<br />

O mercado farmacêutico é muito<br />

regulamentado em todo mundo, não só<br />

por implicar a saúde dos cidadãos,<br />

mas também por ter um grande peso<br />

no orçamento de cada país.<br />

O preço de novas moléculas está<br />

regulamentado (é o preço mais baixo<br />

praticado num dos países europeus<br />

de referência para Portugal - Espanha,<br />

França ou Itália), tal como a sua<br />

comparticipação.<br />

As cópias e os produtos genéricos<br />

representam, em regra, uma poupança<br />

por serem significativamente mais baratos<br />

que os produtos originais.<br />

Aferir a comparticipação em função<br />

do preço do produto genérico beneficia<br />

o doente, induz uma poupança para<br />

o SNS e para a Sociedade, de um ponto<br />

de vista geral.<br />

Será importante desenvolver estudos<br />

de fármaco,economia e dar maior<br />

relevância à área da Economia da Saúde,<br />

diferenciando as terapêuticas em função<br />

do custo/efectividade.<br />

APAH - Sendo a Labesfal uma empresa<br />

de grande vocação hospitalar, como<br />

encara as recentes alterações?<br />

Encaramos sempre as alterações como um<br />

desafio à nossa capacidade de adaptação.<br />

Continuamos a responder às necessidades<br />

hospitalares com uma vasta gama<br />

de produtos de qualidade e com preços<br />

concorrenciais.<br />

É também nosso objectivo tratar cada<br />

instituição de per si tendo em consideração<br />

as suas especificidades.<br />

A Labesfal é a única empresa que<br />

responde a solicitações individuais para<br />

produção e fornecimento de produtos,<br />

importantes para o tratamento dos doentes,<br />

mas sem interesse comercial e que não<br />

se encontram no mercado.<br />

A Labesfal é uma empresa nacional,<br />

de capitais exclusivamente portugueses,<br />

cuja produção supre, num valor<br />

importante, a necessidade de importações,<br />

contribuindo assim, de forma positiva, para<br />

a balança de pagamentos.<br />

Esperamos que a relevância estratégica, a<br />

nível nacional, contribua também para o<br />

reconhecimento do nosso esforço, para o<br />

êxito e desenvolvimento da empresa e do<br />

orgulho nacional.<br />

APAH - Temos a sensação de que a<br />

Labesfal é como um iceberg: há uma<br />

grande desproporção entre a realidade<br />

e a parte visível. •.<br />

Nos últimos anos a Labesfal aumentou<br />

exponencialmente a sua capacidade de<br />

produção e a sua penetração nos mercados<br />

nacionais e internacionais.<br />

A nível nacional, temos vindo<br />

a desenvolver uma actividade<br />

de relacionamento institucional com<br />

um vasto leque de entidades: ARS,<br />

INFARMED, Direcções Gerais<br />

e vários Serviços do Estado com<br />

os quais temos de interagir.<br />

Os grupos sócio,profissionais<br />

da saúde têm merecido a<br />

, nossa atenção. Apoios para<br />

acções de formação, jornadas<br />

e congressos têm tido<br />

a colaboração frequente<br />

da Labesfal.<br />

A interacção com<br />

a Associação Portuguesa<br />

de Economia da Saúde,. com<br />

a Associação Portuguesa de<br />

Farmacêuticos <strong>Hospitalar</strong>es,<br />

com a Associação Portuguesa<br />

de Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es e com os<br />

Hospitais a nível nacional,<br />

coloca a Labesfal entre os<br />

mais prestigiados fabricantes<br />

e fornecedores de<br />

medicamentos.<br />

Numa perspectiva ética,<br />

como o mercado da saúde<br />

merece e exige, vamos<br />

desenvolver uma campanha<br />

de imagem, coincidindo com<br />

o lançamento de uma<br />

unidade de medicamentos<br />

genéricos, para dar a<br />

conhecer as potencialidades<br />

da Labesfal a todos<br />

os outros parceiros<br />

do âmbito da Saúde.<br />

Internacionalmente<br />

desenvolvemos a nossa<br />

acção tendo em conta<br />

a especificidade de cada país<br />

e a missão da Labesfal.


Reforma dos Hospitais<br />

do Serviço Nacional<br />

de Saúde em Portugal<br />

Por Jorge Varanda *<br />

O<br />

Um dos três hospitais<br />

com um estatuto de serviço<br />

público quase empresarial<br />

foi um êxito, o Hospital<br />

de São Sebastião,<br />

de Santa Maria da Feira:<br />

a satisfação da população,<br />

a eficiência e a resposta<br />

ef ectiva às necessidades<br />

em cuidados hospitalares<br />

da área geográfica que<br />

serve são reconhecidas sem<br />

contestação em Portugal.<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

Governo português saído das eleições<br />

do começo de 2002 empreendeu uma<br />

reforma major ao nível hospitalar do SNS,<br />

transformando em sociedades anónimas<br />

de capitais exclusivamente públicos 34<br />

dos seus 82 hospitais. A mudança<br />

foi empreendida a partir do início de<br />

Dezembro de 2002. Porquê? A resposta<br />

exacta só o Governo a poderá dar.<br />

No entanto, pode<br />

adiantar~se que se<br />

trata de uma decisão<br />

política tomada<br />

num processo<br />

de amadurecimento<br />

da avaliação<br />

de problemas e de<br />

soluções que ao longo<br />

dos anos se foi<br />

produzindo no seio da<br />

comunidade das<br />

entidades e pessoas<br />

mais interessadas nas<br />

questões hospitalares<br />

em Portugal. Esse<br />

processo foi pontuado<br />

por reformas de<br />

aproximação aos<br />

problemas conhecidos:<br />

a introdução, na Lei<br />

de Bases da Saúde<br />

de 1990, de uma norma abrindo<br />

a possibilidade de experiências inovadoras<br />

de gestão hospitalar e a sua utilização<br />

para a concessão da gestão de um novo<br />

hospital construído na periferia de Lisboa<br />

a um consórcio privado e a aplicação a três<br />

outros (dois no N orte e um no Algarve)<br />

de um estatuto quase empresarial.<br />

Um dos três hospitais com um estatuto<br />

de serviço público quase empresarial foi<br />

um êxito, o Hospital de São Sebastião,<br />

de Santa Maria da Feira: a satisfação da<br />

população, a eficiência e a resposta efectiva<br />

às necessidades em cuidados hospitalares<br />

da área geográfica que serve são<br />

reconhecidas sem contestação em Portugal.<br />

A través de um modelo de gestão de<br />

efectiva responsabilização dos profissionais<br />

e dos responsáveis clínicos dos diferentes<br />

serviços, acompanhada de um sistema de<br />

incentivos à produtividade e à qualidade, o<br />

Hospital afirmo u~ se como uma experiência<br />

inovadora de êxito. Esse êxito torna<br />

legítima a pergunta: "Se o Hospital de S.<br />

Sebastião pode, porque é que os restantes<br />

não podem também?"<br />

Estes são alguns aspectos do contexto da<br />

reforma empreendida. N o entanto, h averá<br />

que procurar perceber os objectivos da<br />

transformação operada. O quadro seguinte<br />

esquematiza a teleologia da reforma:<br />

Foco no cidadão Melhor <strong>Gestão</strong> Mais Informação<br />

I• • O cidadão como foco • <strong>Gestão</strong> empresarial. • Informação<br />

da prestação e serviços.<br />

• Responsabilização<br />

mais acessível.<br />

• Melhoria do acesso orçamental. • 1 ntegração<br />

aos cuidados de saúde.<br />

• Optimização da<br />

de sol uções.<br />

• Liberdade de escolha. utilização de recursos. • Padronização<br />

• Solidariedade, equidade • Partilha do risco.<br />

dos sistemas<br />

e justiça social.<br />

de informação.<br />

• Desenvolvimento<br />

• Informação<br />

de parcerias.<br />

• Reporting<br />

mais acessível.<br />

centralizado.<br />

• Competitividade.<br />

• Incentivos à produtividade<br />

e ao mérito.<br />

O processo de empresarialização é, no<br />

entanto, apen as uma das componentes de<br />

uma reforma mais vasta do sistema de<br />

saúde, compreendendo um novo regime<br />

de gestão dos centros de saúde (cuidados<br />

de saúde primários), uma nova política<br />

do medicamento, (preços de referência,<br />

prescrição pela Designação Comum<br />

Internacional, promoção dos genéricos),<br />

uma lei para os cuidados continuados,<br />

uma reformulação dos serviços centrais do<br />

Ministério da Saúde e a criação, e algo<br />

de inovador na Europa de uma Entidade<br />

Reguladora da Saúde, abrangendo, não<br />

apenas os serviços do SNS mas todo<br />

o sistema de saúde, quer seja público,<br />

quer seja privado, como garante do bom<br />

funcionamento do mercado, da qualidade e<br />

da não selecção adversa aos cuidados.<br />

Estrutura de<br />

Regulação<br />

Governo: Ministério<br />

da Saúde<br />

A SAÚDE EM PORTUGAL<br />

Estrutura de<br />

<strong>Gestão</strong> & Controlo<br />

<strong>Gestão</strong> do Desempenho<br />

Autoridades de Saúde<br />

órgãos Tutelares da Saúde<br />

É ainda de assinalar que a lógica da reforma<br />

em curso implica a aplicação dos seguintes<br />

prÍncípios estruturadores da arquitectura do<br />

novo sistema:<br />

• Separação das funções estatais de<br />

financiamento (compra de serviços) e<br />

de prestação de cuidados de saúde.<br />

• Integração entre níveis de cuidados,<br />

assegurada pela entidade financiadora<br />

(compradora de cuidados).<br />

• Liberdade de escolha do cidadão.<br />

• Existência de uma tabela de preços<br />

de serviços hospitalares( internamento,<br />

cirurgia de ambulatório, consultas<br />

externas, urgências, serviço<br />

domiciliário e meios complementares<br />

de diagnóstico e tratamento).<br />

• Regulação do sistema por entidade<br />

pública autónoma.<br />

• Fomento de uma rede<br />

de cuidados continuados que permita<br />

a maximização da utilização dos<br />

recursos do internamento hospitalar,<br />

assegurando em simultâneo os cuidados<br />

apropriados aos doentes no momento<br />

da alta.<br />

• Existência de uma unidade<br />

de apoio directamente dependente<br />

do Ministro da Saúde, com<br />

a finalidade de apoio ao processo<br />

de empresarialização.<br />

• Abertura da rede de Hospitais SA<br />

à empresarialização de outros hospitais<br />

do SNS.<br />

• Possibilidade dos Hospitais SA<br />

alargarem as suas actividades<br />

a outras áreas diferentes da prestação<br />

de cuidados hospitalares.<br />

Prestação de<br />

Cuidados<br />

Cuidados Primários<br />

Médicos de Família<br />

Centros de Sa úde Farmáci as<br />

Cuidados Diferenciados<br />

Urgências <strong>Hospitalar</strong>es<br />

Hospitais<br />

Unidades Especializadas<br />

Cuidados Continuados<br />

Misericórdias<br />

Outras instituições privadas<br />

de solidariedade social<br />

Entidades com fins lucrativos<br />

PESO DA ACTIVIDADE DOS HOSPITAIS SA<br />

NO TOTAL DO SISTEMA POR LINHA DE PRODUÇÃO<br />

2000<br />

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•<br />

765.122 33.714<br />

50%<br />

Internamento<br />

(altas)<br />

44%<br />

Cirurgia<br />

ambulatória<br />

5.834.144 5.497.152 440.134*<br />

51% 50%<br />

.,,<br />

45%<br />

Consultas Urgências Hospital<br />

externas<br />

de Dia<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn<br />

- ---~----~-~ -= -<br />

- -- - ~~--=-=-=--


Em resumo, pode dizer-se que Hospitais<br />

SA correspondem a 4 5 % da a capacidade<br />

pública hospitalar em Portugal e a 50%<br />

da produção. Nos quadros seguintes, estes<br />

valores-resumo serão mais pormenorizados.<br />

Isto significa que se trata de um grupo<br />

hospitalar muito relevante, possuindo mais<br />

de 10 000 camas de agudos, cuja<br />

evolução futura, em termos de produção<br />

e de resultados de qualidade, poderá ter<br />

um impacto muito visível na resposta<br />

qualificada às necessidades populacionais.<br />

100%=14.374<br />

.!!?<br />

l'CI<br />

UI..,<br />

... o ·­ a.<br />

.., UI<br />

::1 o<br />

o :e<br />

..<br />

.!!! 46%<br />

l'CI<br />

'ii<br />

UI<br />

o e(<br />

:e f/)<br />

Número de<br />

médicos<br />

RECURSOS DOS HOSPITAIS SA<br />

FACE AO TOTAL DO SISTEMA<br />

2000<br />

26.044<br />

47%<br />

Número de<br />

enfermeiros<br />

Recursos Humanos<br />

' '<br />

2.061<br />

33%<br />

Número de<br />

residentes<br />

universitários<br />

O papel da Unidade<br />

de Missão Hospitais SA<br />

Com o início do processo de<br />

empresarialização o Governo<br />

decidiu criar uma estrutura ad<br />

hoc para assegurar e consolidar<br />

os objectivos assumidos com<br />

a reforma. Trata-se de uma<br />

estrutura de natureza técnica<br />

com um tempo de vida previsto<br />

de dois anos, podendo o<br />

Governo decidir a sua<br />

continuação por mais um. A<br />

sua composição organizacional<br />

abrange as seguintes três áreas:<br />

Produção, Recursos Humanos<br />

e Controlling, contando com<br />

meios técnicos especializados de<br />

grande diversidade de formação<br />

universitária e de experiência<br />

profissional (da saúde, de<br />

consultoria e outras actividades<br />

empresariais).<br />

O programa de acção desta<br />

[f] GESTÃO HOSPITALAR<br />

,<br />

,<br />

23.655<br />

45%<br />

Número<br />

de camas<br />

estrutura cola-se aos grandes<br />

objectivos desta reforma<br />

hospitalar, facilitando os<br />

processos corporativos nesta<br />

fase de lançamento da<br />

reforma, e apoiando os<br />

Hospitais SA na criação e<br />

concretização de um<br />

programa de melhoria que<br />

tenha em conta o que<br />

esperam deles os seus<br />

diferentes stakeholders<br />

381<br />

48%<br />

Número de<br />

MCDT's<br />

básicos<br />

Recursos Físicos<br />

373<br />

53%<br />

Número de<br />

MCDT's<br />

intermédios e<br />

diferenciados<br />

(•••) pode dizer-se<br />

que os Hospitais SA<br />

correspondem<br />

a 45 por cento<br />

da capacidade pública<br />

hospitalar<br />

em Portugal<br />

e a 50 por cento<br />

da produção.<br />

(clientes,<br />

accionistas<br />

por parte do<br />

Estado-Ministérios<br />

da Saúde e das<br />

Finanças- e<br />

profissionais).<br />

Esse programa<br />

é composto<br />

por iniciativas<br />

de curto prazo<br />

e iniciativas<br />

de médio e longo<br />

prazo, desde a<br />

conformação da<br />

produção para dar resposta ao fluxo normal<br />

da procura e ao backlog e redução dos<br />

tempos de espera, a um inquérito de<br />

OBJECTIVOS DE CONSTITUIÇÃO<br />

DA ESTRUTURA DE MISSÃO HOSPITAIS SA<br />

Criar e<br />

manter mecanismos<br />

de acompanhamento/<br />

controlo por parte<br />

do accionista<br />

Garantir<br />

uniformidade em<br />

matérias comuns às várias<br />

unidades (nomeadamente na fase<br />

de arranque)<br />

Unidade<br />

de Missão<br />

Hospitais SA<br />

Capturar sinergias<br />

entre as unidades,<br />

principalmente a nível da sua<br />

gestão operacional<br />

satisfação com base n a mesma metodologia<br />

e guião de questões, em orde1n a conhecer<br />

os aspectos prioritários a melhorar.<br />

Junta-se a este grupo de linhas de<br />

actuação um outro dedicado à melhoria<br />

da eficiência, em que pontifica a luta<br />

contra fontes de desperdício e a redução<br />

do tempo de internamento inapropriado,<br />

usando sistematicamente as técnicas de<br />

Planeamento de Altas e Continuidade de<br />

Cuidados e a Revisão de Utilização.<br />

Um ponto fulcral: incentivos<br />

Porque o êxito desta iniciativa está<br />

intimamente ligado à atracção dos<br />

profissionais de saúde, e em particular<br />

dos médicos para o projecto, tendo em<br />

conta que a sua esmagadora maioria possui<br />

um vínculo definitivo de funcionário<br />

público, com possibilidade de exercício<br />

de actividades privadas fora dos Hospitais<br />

SA, a Unidade de Missão assumiu no seu<br />

programa de curto prazo duas linhas de<br />

acção:<br />

• Definição de objectivos e incentivos para<br />

<strong>2003</strong>.<br />

• Programas de formação adaptados aos<br />

diferentes grupos profissionais.<br />

Pretende-se desta forma substituir a prática<br />

da função pública, incapaz de alinhar o<br />

desempenho dos colaboradores com os<br />

objectivos de gestão por uma outra assim<br />

caracterizada pelo recrutamento e gestão<br />

do desempenho ao abrigo do contrato<br />

individual de trabalho, estabelecendo os<br />

salários e prémios em função do<br />

desempenho inividual, em cumprimento<br />

dos objectivos da organização.<br />

Conclusão<br />

O processo de reforma hospitalar em<br />

Portugal está, pois, em curso.<br />

O novo modelo implica uma lógica<br />

de gestão substancialmente diferente.<br />

Para tanto, foram definidas linhas<br />

de actuação destinadas a reforçar as<br />

condições favoráveis ao êxito da reforma<br />

e a superar os obstáculos existentes,<br />

a maior parte deles acantonados dentro<br />

da parte velha do sistema. Esperemos<br />

que esta reforma seja<br />

lembrada no futuro<br />

pela modernização<br />

que tenha trazido<br />

ao sistema de saúde<br />

em Portugal,<br />

ajudando-o a<br />

transformar-se num<br />

dos melhores entre<br />

os melhores, objectivo<br />

que os profissionais<br />

de saúde desejam para<br />

o sistema em que se<br />

integram qualquer<br />

que seja o seu País.


Fontes de informação<br />

terapêutica<br />

e prescrição de genéricos<br />

Por Reinaldo A. G. Proença*<br />

Sabendo..-se que a despesa com produtos éticos 1<br />

em Portugal representa mais de 2% do PIB,<br />

compreende..-se a importância futura dos genéricos 2<br />

numa política de contenção da despesa no âmbito<br />

dos cuidados primários de saúde:<br />

"Generic medicines provide high quality<br />

medicines at affordable prices.<br />

Therefore, they provide the opportunity for<br />

major savings in health care expenditure ... "<br />

(Trade and External Aff airs Committee<br />

of the European Parliament, 2001).<br />

Embora em crescimento exponencial nos últimos<br />

meses, os genéricos representam menos de dois<br />

por cento do mercado farmacêutico nacional.<br />

Como tal, importa conhecer algumas das causas<br />

que concorrem para tal situação .<br />

1 O conceito de "produto ético" reporta<br />

aos fármacos de prescrição médica,<br />

distinguindo-se assim do OTC (Over the<br />

Counter) que não necessita de receita<br />

médica para ser adquirido.<br />

2 A designação de genérico aplica-se ao<br />

fá rmaco com o mesmo princípio activo<br />

do medicamento original de marca cuja<br />

patente chegou ao seu termo, razão<br />

pela qual tem indicações terapêuticas<br />

idênticas, embora seja comercializado<br />

a um preço significativamente inferior.<br />

3 Apenas uma das cinco secções<br />

que constituem o questionário<br />

foi utilizada neste estudo, dado que<br />

a mesma recolhe todos os dados<br />

necessários quanto ao grau<br />

de concordância dos médicos de<br />

família portugueses relativamente<br />

às diferentes fontes de informação<br />

terapêutica disponíveis.<br />

rn GESTÃO HOSPITALAR<br />

Obj ectivo do Estudo<br />

Tendo presente outras causas já<br />

detectadas para a baixa prescrição de<br />

geqéricos em Portugal (Rego e outros,<br />

2001 ), o principal objectivo deste estudo<br />

é perceber até que ponto as fontes<br />

de informação terapêutica podem ser<br />

entendidas como uma das causas<br />

subjacentes à fraca prescrição de<br />

genéricos no nosso país.<br />

Hipótese de Investigação<br />

Tendo presente a bibliografia<br />

internacional mais representativa neste<br />

domínio, é possível afirmar que existe<br />

uma forte correlação entre as fontes<br />

de informação e comportamento de<br />

prescrição (Gaither e outros, 1996).<br />

Como tal, a hipótese de investigação<br />

que iluminou esta reflexão foi:<br />

A fraca prescrição de genéricos em<br />

Portugal, até ao final do século passado,<br />

deve~se, em parte, à credibilidade<br />

atribuída pelos médicos de família a<br />

cada uma das fontes de informação<br />

terapêutica ao seu dispôr.<br />

Método<br />

Com base num estudo qualitativo sobre<br />

atributos, consequências e valores<br />

clínicos associados às classes terapêuticas<br />

(Proença, 2001), foi desenvolvido um<br />

questionário 3 para recolha da<br />

informação sobre a abordagem<br />

farmacológica da h ipertensão arterial<br />

(HTA). Tal decisão respeita a linha de<br />

investigação preconizada noutros estudos<br />

internacionais sobre comportamento de<br />

prescrição (Freeman e outros, 1993 ).<br />

Definição da Amostra<br />

O questionário fo i enviado pelo correio<br />

a uma amostra aleatória de 1500 médicos<br />

de família, os quais representam mais<br />

de 23 .0% dos clínicos a exercerem<br />

actividade nos diversos Centros de<br />

Saúde de Portugal Continental e Insular.<br />

Uma segunda vaga de questionários foi<br />

enviada 3 meses depois, tendo sido<br />

devolvidos 321 question ários até 31 de<br />

Dezembro de 1998, dos quais 309 foram<br />

sujeitos a análise estatística.<br />

Taxa de Resposta Obtida<br />

A taxa de resposta (TR) obtida<br />

ultrapassou os 21 %, o que pode ser<br />

considerado bastante razoável se<br />

tivermos presente a existência de outros<br />

estudos internacionais sobre<br />

comportamento de prescrição cuja TR<br />

fo i de 17% (Freeman e outros, 1993).<br />

Escalas Utilizadas<br />

e Análise dos Dados<br />

Os inquiridos assinalaram o seu o grau de<br />

concordância com as afirmações listadas<br />

através de escalas de Likert ( i.e., escalas<br />

ordinais), com ordenação crescente de<br />

1 a 7. Ou seja, o menor algarismo<br />

representa uma discordância total, sendo<br />

o contrário verdadeiro para o algarismo<br />

7. A partir das escalas de Likert,<br />

foi desenvolvida uma análise factorial<br />

exploratória (ver Tabela 1), por forma<br />

a determinar as dimensões que melhor<br />

explicam a fraca aderência à prescrição<br />

dos genéricos.<br />

Resultados<br />

Análise Factorial Exploratória<br />

Dado que os valores encontrados para<br />

as estatísticas de Kaiser,Meyer,Olkin e<br />

teste de Bartlett eram significativos<br />

(KMO=O. 77 4 78; Bartlett= 243 7 ,5946;<br />

p=0.00000), procedeu,se à extracção das<br />

componentes que pudessem explicar a<br />

variância máxima da amostra através de<br />

uma análise das componentes principais,<br />

com rotação varimax.<br />

A solução encontrada contempla 7<br />

factores com "eigenvalues" superiores à<br />

unidade (Tabela 1 ), tendo sido analisado<br />

as "communalities" e os "loadings" de<br />

cada uma das variáveis desses factores<br />

(Tabela 2) para melhor os caracterizar.<br />

Numa primeira análise dos 7 factores<br />

encontrados e da variância total<br />

explicada (VTE), é possível argumentar<br />

que os médicos de família portugueses, a<br />

exemplo do que acontece noutros países<br />

da U.E., abordam as diversas fontes de<br />

informação terapêutica que estão ao seu<br />

dispôr de forma diferente, embora sem<br />

acentuadas clivagens.<br />

Apesar da aparente uniformidade, é<br />

possível descortinar posturas<br />

diferenciadas face a duas dessas fontes<br />

de informação: "indústria farmacêutica"<br />

e "autoridades de saúde", representadas<br />

pelos 2 primeiros factores, os quais são<br />

responsáveis por mais de metade (3 7,4%)<br />

da VTE (69.3 %) (ver Tabela 1).<br />

Tabela 1: Análise Factorial Exploratória<br />

Ao olhar para os "loadings" e para as<br />

"communalities" do 1 º factor (Tabela 2),<br />

o qual representa a fonte de informação<br />

"indústria faramacêutica" e é responsável<br />

por 23.4% da VTE, constatamos que<br />

as variáveis "credibilidade científica",<br />

"papel informativo" e "delegado<br />

de informação médica" são as mais<br />

relevantes para a compreensão<br />

da eventual discordância entre<br />

os inquiridos. Por outras palavras,<br />

os médicos de família portugueses<br />

divergem, embora não acentuadamente,<br />

n a apreciação do papel da indústria<br />

farmacêutica como fonte de informação<br />

com influência sobre o comportamento<br />

de prescrição, particularmente<br />

no tocante às 3 variáveis referidas.<br />

O mesmo é verdadeiro, embora com<br />

menor variância, para o 2 º factor<br />

(1 4.0% da VTE). Na génese desta<br />

apreciação encontra,se a atitude<br />

destes médicos face ao aparecimento<br />

dos "boletins terapêuticos"<br />

desenvolvidos pelas diferentes ARSs,<br />

sua credibilidade científica<br />

e também o papel atribuído<br />

ao INFARMED neste contexto.<br />

Quanto ao 3º factor, "perfil de<br />

prescrição", é a "relação estabelecida<br />

com as empresas farmacêuticas<br />

que os comercializam" e a "opção<br />

por fármacos de marca" que melhor<br />

explicam os 8.5% de variância<br />

explicada. Se a este valor juntarmos<br />

os 14% do 2 º factor, também<br />

associado com as fontes de informação<br />

promovidas pelas autoridades<br />

de saúde, obtemos 22.5 %.<br />

Este valor aproxima,se da percentagem<br />

de VTE obtida para o 1 º factor<br />

"indústria farmacêutica" (23.4%) .<br />

Factor 1 Factor 2 Factor 3 Factor 4 Factor 5 Factor 6 Factor 7<br />

Eigenvalue:<br />

4.90 2.94 1.79 1.48 1.24 1.12 1.07<br />

% da variância explicada:<br />

23.4 14.0 8.5 7.1 5.9 5.3 5.1<br />

Variância Total Explicada = 69.3 % Cronbach's alpha (std) = 0.8148<br />

Número Total de Variáveis: 21<br />

( ••• ) os médicos<br />

de família<br />

portugueses<br />

divergem<br />

na apreciação<br />

do papel da<br />

indústria<br />

farmacêutica<br />

como fonte<br />

de informação<br />

com influência<br />

sobre o<br />

comportamento<br />

de prescrição.<br />

GESTÃO HOSP!TALAR ffi


Tabela 2: Factores, "Communalities 4 " e "Loadings 5 "<br />

Factor Nome do Factor Variáveis COMMUN. LOADINGS<br />

1 Indústria Farmacêutica<br />

2 Autoridades de Saúde<br />

3 Perfil de Prescrição<br />

4 Médicos a exercer<br />

no Centro de Saúde/<br />

Informação Terapêutica<br />

5 Leaders de Opinião<br />

6 Credibilidade Global do<br />

Laboratório Farmacêutico<br />

7 Informação Científica<br />

(Iniciativa do Médico)<br />

(...) os médicos<br />

de famaia<br />

portugueses<br />

assumem<br />

a prescrição<br />

como um vector<br />

muito pessoal<br />

da sua nobre<br />

actividade<br />

clínica.<br />

4 As "communalities" representam a<br />

proporção da variância de cada variável<br />

explicada pelas componentes principais<br />

retidas.<br />

5 Os "loadings"ou pesos espelham a<br />

relação existente entre as variáveis e os<br />

factores a que estão associados, sendo<br />

esta análise possível após rotação da<br />

mat riz das componentes.<br />

rr;J GESTÃO HOSPITALAR<br />

11_50 ·Credibilidade Científica .74163 .85372<br />

li_ 49 · Papel Informativo .74160 .84899<br />

li 53 · Delegado lnf. Médica .75351 .84557<br />

li 48 · Brochura Promocional .59670 .75898<br />

li 54 · Capacidade do DIM .61796 .73318<br />

li 52 · Reuniões Clínicas .58508 .70106<br />

11_67 ·Boletim Terapêutico .69553 .81120<br />

11_ 68 · Credibilidade Científica .73397 .80084<br />

11_72 · Boletim INFARMED .67508 .78734<br />

11_75 ·Relação Médico-Indústria .72855 .84045<br />

11_74 ·Opção por Fármacos de Marca .67119 .69565<br />

11_73 ·Eficácia de Novas Marcas .61252 .59698<br />

11_57 ·Reuniões Formais .80450 .88736<br />

11_58 ·Reuniões Informais .80797 .87206<br />

li_ 60 · Nacional .70231 .78469<br />

11_59 ·Regional .66184 .73777<br />

11_55 · Maior Performance/DIM .81645 .87711<br />

11_56 · Laboratório/Produto/DIM .75463 .79208<br />

11_ 63 · Revistas Médicas .78816 .86845<br />

11_64 · UPDATE .47762 .48719<br />

11_65 · Sebentas de Farmacologia .56834 .47338<br />

Face ao exposto, convém acentuar<br />

que a fonte de informação "indústria<br />

Tabela 3: Média e Desvio-Padrão por Variável<br />

NQ Var<br />

1<br />

2<br />

·3<br />

4<br />

5<br />

6<br />

7<br />

8<br />

9<br />

10<br />

11<br />

12<br />

13<br />

14<br />

15<br />

16<br />

17<br />

18<br />

19<br />

20<br />

21<br />

Variável<br />

11_48<br />

11_49<br />

11_50<br />

li 52<br />

11_53<br />

11_54<br />

11_55<br />

11_56<br />

li 57<br />

11_58<br />

11_59<br />

11_60<br />

li 63<br />

11_64<br />

11_65<br />

11_67<br />

11_68<br />

li 72<br />

11_73<br />

11_74<br />

11_75<br />

"Reability" da Escala: 0.8148<br />

faramacêutica" ( 1 Q factor)<br />

e "autoridades de saúde"<br />

(2Q e 3Q factores) aumentam a sua<br />

importância (45 .9%) na VTE pelos<br />

7 factores (69.3%).<br />

Quanto ao 4º factor, "troca de<br />

informação terapêutica" (formal<br />

ou informal) entre médicos<br />

do mesmo centro de saúde, regista<br />

apen as 7 .1 % da VTE. Tal significa,<br />

conforme é visível pela análise<br />

da média e do desvio,padrão das<br />

variáveis que constituem este factor,<br />

que os médicos de família<br />

portugueses assumem a prescrição<br />

como um vector muito pessoal da<br />

sua nobre actividade clínica. Esta<br />

constatação ajuda a perceber a baixa<br />

taxa de resposta encontrada na<br />

maioria dos estudos publicados.<br />

Os "leaders de opinião" (regionais<br />

ou nacionais), dão ao 5 Q factor<br />

5.9% da VTE, o que significa<br />

um baixo poder de explicação de<br />

eventuais divergências. Nesta linha<br />

de raciocínio, a conclusão é idêntica<br />

para os dois restantes factores, os<br />

quais registam pouco mais de 10%<br />

da VTE.<br />

É importante fazer notar que no<br />

6Q factor, "credibilidade global do<br />

Atributo Média Desvio-Padrão<br />

Brochura Promocional 3.5893 1.3059<br />

Papel Informativo 4.6893 1.4810<br />

Credibilidade Científica 3,9250 1,3775<br />

Reuniões Clínicas 4,5214 1,6547<br />

Importância do DIM 4,2500 1,6025<br />

Capacidade Técnica DIM 4,2929 1,5098<br />

Influência do DIM 3,9929 1,9083<br />

Triologia: Lab/Prod/DIM 5,0750 1,5651<br />

Troca lnf. Formal 2,9607 1,6640<br />

Troca lnf. Informal 2,7393 1,5310<br />

Leader Regional 3,5071 1,5427<br />

Leader Nacional 5,0857 1,3116<br />

Jornais Médicos 5,7786 1,0613<br />

UPDATE 5,3657 1,4389<br />

Sebentas Médicas 3,9536 1,7581<br />

Boletins Terapêuticos 2,3893 1,6918<br />

Credibilidade Científica 3,5107 2,0530<br />

Boletim INFARMED 3,5357 2,1316<br />

Eficácia Novas Marcas 5,0679 1,6349<br />

Opção Fármacos Marca 4,9643 1,5423<br />

Relacão Médico-lnd. Far. 3,6537 1,8621<br />

laboratório farmacêutico", responsável<br />

por apenas 5 .3% da VTE, é pacífica<br />

a influência conj ugada da triologia<br />

a postura atitudinal dos médicos<br />

de família quanto a esta fonte<br />

de informação.<br />

Tabela 4: Frequências e Percentagens (absolutas e acumuladas)<br />

/Indústria Farmacêutica<br />

Variável<br />

Valor Escolhido na Escala<br />

1 2 3 4 5 6 7<br />

n; %; n· , %· , n· ,o o/c n· , %· , n· , %· , n· , % n; %<br />

(cum %) (cum %) (cum %) (cum %) (cum %) (cum %) (cum %)<br />

li_ 48: Brochura Promocional: 12 53 80 90 49 16 9<br />

Qualidade Científica 3.9 17.2 25.9 29.1 15.9 5.2 2.8<br />

e Pedagógica 3.9 21.1 47.0 76.1 92.0 97.2 100.0<br />

li_ 49: Papel Informativo 2 23 45 68 66 60 45<br />

0.6 7.4 14.6 22.0 21.4 19.4 14.6<br />

0.6 8.1 22.7 44.7 66.0 85.4 100.0<br />

11_50: Credibilidade 6 48 63 86 58 39 9<br />

Científica 1.9 15.5 20.4 27.8 18.8 12.6 2.9<br />

1.9 17.5 37.9 65.7 84.5 97.1 100.0<br />

11_52: Reuniões Clínicas 15 23 43 65 66 57 40<br />

4.9 7.4 13.9 21.0 21.4 18.4 12.9<br />

4.9 12.3 26.2 47.2 68.6 87.1 100.0<br />

11_53: Importância do DIM 12 40 41 75 63 50 28<br />

3.9 12.9 13.3 24.3 20.4 16.2 9.1<br />

3.9 16.8 30.1 54.4 74.8 90.9 100.0<br />

11·54: Capacidade 12 27 49 69 81 51 20<br />

Técnica do DIM 3.9 8.7 15.9 22.3 26.2 16.5 6.5<br />

3.9 12.6 28.5 50.8 77.0 93.5 100.0<br />

11_55: Influência do DIM 45 33 47 52 41 61 30<br />

/Prescrição 14.6 10.7 15.2 16.8 13.3 19.7 9.7<br />

14.6 25.2 40.5 57.3 70.6 90.3 100.0<br />

11_56: Triologia: 13 10 20 50 65 93 58<br />

Lab/Prod/DIM 4.2 3.2 6.5 16.2 21.0 30.1 18.8<br />

4.2 7.4 13.9 30.1 51.1 81.2 100.0<br />

"laboratório farmacêutico", "produto A análise da Tabela 4 confirma,nos<br />

farmacêutico" e "delegado de informação que a variável que concorre para<br />

médica". No entanto, essa constatação uma maior dispersão dos dados<br />

é menos evidente quando a performance é a opinião expressa pelos médicos<br />

do delegado de informação médica de família ( MF) sobre a importância<br />

(DIM) é analisada como fonte<br />

do delegado de informação médica<br />

de informação individualmente<br />

(II_53) como veículo de informação.<br />

considerada, (ver II_53; II_54;<br />

Sabendo,se que os mesmos estruturam<br />

II_55/Tabela 3 ).<br />

a sua argumentação com base numa<br />

Idêntica reflexão pode ser encontrada brochura promocional (II_ 48),<br />

noutros estudos ( Creyer, 1998).<br />

cuja qualidade científica e pedagógica<br />

Sabendo,se que o 1 Q factor retrata é considerada média pela maioria<br />

a VTE sobre a influência da indústria dos MF, poder,se,à afirmar que o DIM<br />

farmacêutica no comportamento é encarada como tendo pouca influência<br />

de prescrição, e sabendo,se<br />

sobre o comportamento de prescrição,<br />

que as variáveis/items que<br />

embora não desprezível (II_54 e II_55).<br />

o constituem diferem no potencial Na base desta realidade parece estar<br />

de explicação desta dimensão,<br />

a credibilidade científica (II_50)<br />

é de todo conveniente aprofundar da informação que a indústria<br />

( ... ) os médicos<br />

de famaia<br />

portugueses<br />

procuram<br />

filtrar a<br />

informação<br />

que lhes é<br />

transmitida<br />

pela IF através<br />

de outras fontes<br />

de informação.<br />

GESTÃO HOSPITALAR [!!]


(...) a futura evolução<br />

dos genéricos em Portugal<br />

depende, em grande parte,<br />

da forma como as duas<br />

principais fontes de<br />

informação, indústria<br />

farmacêutica e autoridades<br />

de saúde, equacionarem<br />

a sua argumentação<br />

terapêutica junto<br />

dos médicos de famaia.<br />

6 Para a análise estatística dos dados<br />

foi utilizado o software "Statist ica l<br />

Package for Social Sciences", vulgarmente<br />

designado por SPSS, versão 10.0.<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

farmacêutica (IF) transmite sobre<br />

os seus produtos, a qual é geradora<br />

de polémica, visível pela dispersão<br />

das respostas pelos diferentes valores<br />

da escala.<br />

Tendo presente a conclusão anterior,<br />

parece ser de admitir que os médicos<br />

de família portugueses procuram filtrar<br />

a informação que lhes é transmitida<br />

pela IF através de outras fontes de<br />

informação, de cariz mais científico,<br />

particularmente jornais / revistas médicas<br />

conceituadas (ver Tabela 2, factor 7<br />

e Tabela 3, variável II_63 ).<br />

A procura de outras<br />

fontes de informação<br />

de cariz mais<br />

científico não invalida<br />

o reconhecimento<br />

do papel informativo<br />

da IF (II_ 49).<br />

Sabendo-se<br />

que empresas<br />

farmacêuticas<br />

mais conceituadas<br />

promovem diversas<br />

reuniões clinícas<br />

(II_52), algumas<br />

delas com leaders<br />

de opinião nacionais<br />

ou regionais, é fácil<br />

perceber a importância<br />

das mesmas<br />

na estruturação<br />

da abordagem<br />

terapêutica do ME De certa forma,<br />

estas reuniões clínicas, dada a elevada<br />

capacidade técnico-científica da maioria<br />

dos palestrantes, reforçam a credibilidade<br />

científica da informação transmitida<br />

pelo DIM acerca dos fármacos<br />

da empresa farmacêutica que representa.<br />

Poder-se-à, por isso, afirmar que<br />

a "triologia" credibilidade científica<br />

do laboratório, qualidade terapêutica do<br />

fármaco e performance do DIM (II_56)<br />

é determinante na indução da prescrição<br />

de uma determinada marca farmacêutica.<br />

Face ao exposto, a questão que<br />

se coloca é perceber até que ponto<br />

a informação transmitida por várias<br />

empresas farmacêuticas de reconhecida<br />

competência científica, diverge<br />

da abordagem proposta nos boletins<br />

terapêuticos das ARSs, ou na informação<br />

transmitida pelo INFARMED.<br />

Caso esta divergência se acentue,<br />

a prescrição de genéricos pelos médicos<br />

de família portugueses pode vir<br />

a não ser tão acentuada como<br />

as autoridades da saúde desejariam.<br />

Esta constatação resulta da análise<br />

das variáveis que constituem o 2 º factor,<br />

seguindo a mesma linha de raciocínio<br />

que foi tida na abordagem da indústria<br />

farmacêutica.<br />

Percebe-se, pela análise do valor<br />

encontrado para a média (2,3893),<br />

que o uso do boletim terapêutico (II_67),<br />

produzido pela Comissão de Farmácia<br />

e Terapêutica das diferentes ARSs<br />

do país, pelo menos para actualização<br />

do esquema terapêutico da HTA,<br />

é muito pouco significativo.<br />

Sendo o valor médio mais baixo<br />

de todas as 21 variáveis consideradas<br />

na análise factorial exploratória,<br />

e não tendo o seu desvio-padrão<br />

um valor que represente uma grande<br />

dispersão (1 ,6918), poder-se-à considerar<br />

que a influência deste boletim<br />

terapêutico no comportamento<br />

de prescrição é minímo.<br />

Também a validade do boletim<br />

terapêutico como fonte de actualização<br />

farmacológica credível, independente<br />

e necessária (11_68) é posta em causa,<br />

uma vez que o seu valor médio<br />

é de 3,5107. Neste caso, verifica-se<br />

um forte desvio-padrão (2,0530),<br />

só superado pela informação terapêutica<br />

distribuída pelo INFARMED (II_ 72 ),<br />

cujo valor atinge 2,1316, embora a<br />

sua média seja mais elevada (3,5357).<br />

Tendo estas duas últimas variáveis<br />

o maior desvio-padrão<br />

das 21 consideradas, é correcto<br />

afirmar que o papel das autoridades<br />

da saúde ( 2 º factor) no tocante<br />

ao aconselhamento terapêutico era,<br />

no final do século passado, bastante<br />

problemático e gerador de forte<br />

polémica.<br />

Tal parece não ser o caso quando<br />

se aborda a informação sobre o perfil<br />

de prescrição (3 º factor), com excepção<br />

do uso dessa informação para evitar<br />

mal-entendidos na relação médicolaboratório<br />

farmacêutico (II_ 7 5).<br />

Principais Conclusões<br />

A análise das Tabelas 1 e 2, que<br />

resultam do tratamento estatístico 6<br />

de 309 dos 321 inquéritos recebidos,<br />

., ...<br />

~!<br />

sugere que os médicos de família<br />

portugueses estruturam o seu<br />

comportamento de prescrição<br />

em função do grau de concordância<br />

com as abordagens terapêuticas propostas<br />

pela "Indústria Farmacêutica"<br />

e "Autoridades de Saúde", as duas<br />

principais fontes de informação<br />

terapêutica. Como tal, a futura evolução<br />

dos genéricos em Portugal depende,<br />

em grande parte, da forma como as<br />

duas principais fontes de informação,<br />

indústria farmacêutica e autoridades<br />

de saúde, equacionarem a sua<br />

argumentação terapêutica junto<br />

dos médicos de família. C onvém,<br />

no entanto, não esquecer que a maioria<br />

destes médicos não está muito disponível<br />

para discutir a sua abordagem<br />

farmacológica em reuniões formais<br />

ou informais (ver Tabela 2, factor<br />

4 ). Tal significa que a prescrição,<br />

parte mais visível do acto médico,<br />

é uma decisão muito pessoal<br />

e intransmissível a outras entidades,<br />

por mais respeitáveis que as mesmas<br />

sejam. Assim sendo, é de admitir<br />

que a baixa prescrição de genéricos<br />

em Portugal, até ao final do século<br />

passado, e eventualmente<br />

num futuro próximo, esteja relacionada<br />

com alguma resistência por parte<br />

dos médicos de família na aceitação<br />

da intervenção de outras entidades,<br />

ou de outros profissionais,<br />

sobre a esfera da decisão farmacológica.<br />

A conclusão anterior é ainda mais<br />

contundente se tivermos presente<br />

que na análise da matriz de correlações,<br />

a variável II_62 - Importância<br />

dos farmacêuticos como fonte<br />

de informação para a prescrição,<br />

sempre presente em estudos desta<br />

natureza, não aparece correlacionada<br />

com nenhuma das restantes variáveis,<br />

razão pela qual não fez parte das<br />

variáveis sujeitas à abordagem factorial.<br />

Este supreendente resultado levou<br />

à análise da média ( 1.3821)<br />

e do desvio-padrão (0.8637) desta fonte<br />

de informação, constatando-se serem<br />

os mais baixos de todas as variáveis<br />

consideradas na "purificação estatística".<br />

Tais valores permitem afirmar que<br />

os médicos de família portugueses<br />

rejeitam, inequívocamente,<br />

a intervenção dos farmacêuticos<br />

como fonte de informação<br />

de apoio à prescrição.<br />

Caso a constatação anterior<br />

resulte da percepção de uma maior<br />

e mais frequente intervenção<br />

do farmacêutico(a) no desenvolvimento<br />

da abordagem farmacológica que tem<br />

sido veiculada pelos boletins terapêuticos<br />

distribuídos pelas ARSs, ou pelo<br />

INFARMED, poder-se-à estar<br />

em presença de um conflito de<br />

competências, com a consequente<br />

resistência à prescrição destes fármacos<br />

por parte de um número significativo<br />

de médicos de família.<br />

Sendo um resultado supreendente,<br />

como atrás se referiu, a rejeição<br />

dos farmacêuticos como fonte<br />

de informação de apoio à decisão<br />

de prescrição não é nova e tem<br />

sido encontrada noutros estudos<br />

internacionais:<br />

"Pharmacists have not changed<br />

as an unimportant source of<br />

pharmaceutical inf ormation .<br />

Because of pharmacists' training<br />

and education in pharmacology ,<br />

this result is somewhat puzzling<br />

and illustrates the need for further<br />

research into the interaction between<br />

physicians and pharmacists<br />

in the health care system"<br />

(Williams and Hensel, 1991: 58).<br />

Renova-se, por isso, o interesse<br />

de futura investigação científica<br />

neste domínio, uma vez que a baixa<br />

prescrição de genéricos em Portugal<br />

poderá ter aqui uma das suas causas<br />

. . .<br />

pnnc1pa1s. ~<br />

* Professor a uxiliar<br />

Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa<br />

(ISCTE)/ Escola de <strong>Gestão</strong><br />

PhD: University of Glasgow/ Scotland/U.K.<br />

MSc: INDEG/ ISCTE<br />

R eferências<br />

Cryer, Elizabeth H. e Hrsiscodoulakis, Ilias ( 1998)<br />

"Marketing Pharmaceutical Products w P/1ysicians -<br />

Sales Reps lnjluence Physicians' Impressions of the<br />

lndustry", Marketing Health Services, 18 ( 2), pp:<br />

35-38.<br />

Frecman,]., Bames , ]. , Summers, K. e Szeinbach, S.<br />

( 1993) "Modeling Physicians' Prescribing Decisions for<br />

Patients wiih Panic Disorders", ]oumal of Healih Care<br />

Marketing, 13 (1), pp: 34-39<br />

Gaither, Caroline A., Bagoz


SISTEMA DE SAÚDE<br />

~<br />

EM QUESTAO<br />

"Espaço Aberto" é uma nova secção nesta versão renovada<br />

da "<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>'~ na qual registamos, deforma plural, o<br />

pensamento dos principais líderes de opinião<br />

sobre saúde em Portugal. Primeiro tema: "Sistema de Saúde<br />

em Questão". Depois de Maria de Belém, vice-presidente do<br />

Grupo Parlamentar do PS, Aranda da Silva, bastonário da Ordem<br />

dos Farmacêuticos, e Bernardino Soares, presidente do Grupo<br />

Parlamentar do PCP, é a vez de Ana Manso, deputada do PSD.<br />

1- O nosso Sistema de Saúde e, em<br />

particular, o SNS é geralmente considerado<br />

como despesista e incapaz de conter a subida<br />

dos custos. Concorda com esta afirmação?<br />

E, se for o caso, que medidas consideraria<br />

fundamentais para corrigir a situação?<br />

2- O novo governo propõe-se flexibilizar<br />

o mercado da Saúde, admitindo a livre<br />

circulação dos doentes entre os sectores<br />

público e privado (lucrativo ou social) baseada<br />

num financiamento público, cuja referência<br />

será uma tabela de preços a criar. Concorda<br />

ou não com esta decisão e que vantagens<br />

e/ou inconvenientes poderão daí advir?<br />

3- A acumulação de funções públicas com<br />

funções privadas é muitas vezes referida como<br />

factor impeditivo de um desempenho eficiente<br />

dos profissionais de Saúde, designadamente<br />

na área médica. Concorda com esta<br />

afirmação?<br />

E como promover a clarificação desses<br />

regimes ou, se for a sua opção, o fim das<br />

acumulações?<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

4- Afirma-se com frequência que a medicina<br />

familiar, exercida de forma não institucional,<br />

personalizada e de proximidade, concorreria<br />

decisivamente para a diminuição das<br />

urgências hospitalares e, desta forma,<br />

contribuiria para a eficiência do Sistema. Como<br />

encara a situação dos cuidados primários em<br />

Portugal e que soluções preconiza?<br />

5- O programa do governo, ao referir-se<br />

ao financiamento público dos cuidados de<br />

Saúde "essenciais" e ao incentivar seguros<br />

complementares, parece querer clarificar a<br />

natureza e o âmbito dos subsistemas e dos<br />

seguros comerciais. Em que medida considera<br />

esta matéria importante para a racionalização<br />

do sistema de Saúde?<br />

6- A gestão dos hospitais públicos está<br />

sujeita a um modelo jurídico, designadamente<br />

na área das compras, recursos humanos e<br />

dos órgãos de gestão, fortemente criticado<br />

por diferentes quadrantes da opinião pública.<br />

Concorda com esse tipo de críticas?<br />

E que soluções preconizaria para a gestão dos<br />

hospitais públicos?<br />

Ana Manso, deputada do PSD<br />

"Importa tratar bem<br />

quem precisa"<br />

1<br />

Embora todos tenhamos<br />

interiorizado que a saúde não<br />

tem preço, o certo é que o nosso<br />

Sistema Nacional de Saúde enferma<br />

de vícios que se vêm acumulando<br />

e que custam muito dinheiro.<br />

Este dinheiro desperdiçado será<br />

aplicado na melhoria da saúde<br />

dos portugueses e não, como<br />

acon teceu com a complacência,<br />

na alimentação sistemática<br />

de erros há muito detectados<br />

e que só agora começam<br />

a ser combatidos de forma eficaz.<br />

É por isso que as medidas<br />

no âmbito da gestão hospitalar<br />

ou do medicamento são<br />

fundamentais para melhorar<br />

o aproveitamento<br />

de cada euro dispendido na área<br />

da saúde, travando o combate<br />

ao desperdício e à ineficiência<br />

na utilização dos recursos<br />

existentes.<br />

Mas, não basta dispor de mais,<br />

melh ores e modernos instrumentos.<br />

Importa uma nova cultura<br />

e mentalidade ao serviço do sector<br />

da saúde. É preciso racionalizar<br />

as infra,estruturas e melhorar<br />

o aproveitamento dos profissionais<br />

do sector que têm demonstrado<br />

ser de uma generosidade sem<br />

limites. Generosidade que<br />

até tem permitido colmatar muitos<br />

dos erros da governação an terior<br />

nesta área e sem a qual<br />

não podemos deixar de contar<br />

se quisermos ser bem sucedidos<br />

nas medidas em curso.<br />

2<br />

Esta mudança só pode<br />

merecer o aplauso de todos<br />

os que estão preocupados<br />

com a eficácia e a eficiência<br />

do sistema - a melhoria dos<br />

cuidados de saúde e não só<br />

com o sistema em si.<br />

O que importa é tratar bem<br />

e em tempo útil quem precisa<br />

de ser tratado. O sistema<br />

que este G overno precon iza<br />

permite, claramente,<br />

atingir este objectivo - tratar<br />

quem precisa, de forma rápida<br />

e eficiente.<br />

Por outro lado, esta estratégia<br />

configura a consagração<br />

de um princípio básico de cidadan ia<br />

- o da liberdade de escolh a,<br />

reforçando,se o acesso generalizado<br />

dos cidadãos ao sistema, de forma<br />

gratuita ou tendencialmente<br />

gratuita, conforme estipula<br />

a Constituição.<br />

C urioso é que alguns sectores<br />

políticos que tanto apregoam<br />

( ... ) não basta dispor<br />

de mais, melhores<br />

e modernos<br />

instrumentos.<br />

Importa uma<br />

nova cultura<br />

e mentalidade<br />

ao serviço do sector<br />

da saúde.<br />

os direitos cívicos dos cidadãos<br />

fiquem em pân ico quando alguém<br />

passa do "slogan" à sua<br />

concretização.<br />

A criação da "Ta bela de Preços<br />

de Referência da Saúde"<br />

afigura,se assim, como<br />

indispensá ve 1<br />

ao correcto e transparente<br />

financiamento do sistema.<br />

Se não associarmos<br />

o financiamen to à produtividade -<br />

como tem acon tecido até aqui em<br />

que se premiava sistematicamente<br />

quem menos produzia, ou seja,<br />

quem menos tratava quem<br />

precisava - os doentes,<br />

con tinuaremos a alimentar<br />

os vícios do passado.<br />

Deste modo, fazem todo o sentido<br />

as medidas que estão a ser operadas,<br />

quer ao nível das actuais estruturas<br />

organizacionais quer ao n ível<br />

dos métodos de trabalho, com<br />

reais incen t ivos ao desempenho<br />

profission al, alcançando,se<br />

mais e melhores ganhos<br />

em saúde.<br />

Quando há problemas temos<br />

que os resolver e não apenas<br />

atirar,lh es dinheiro para cima.<br />

Essa era a prática e o resultado<br />

viu,se: o dinheiro desaparecia<br />

e os problemas cresciam.<br />

3<br />

A política de "trazer por casa"<br />

da oposição ao actual governo<br />

não tem apostado na apresentação<br />

de propostas sérias e credíveis<br />

para a resolução das situações<br />

de acumulação, que, como se sabe,<br />

se agravaram, manifestamente,<br />

com a inércia dos seus governos.<br />

É por isso que a mesma<br />

se preocupa an tes em lauçar<br />

a confusão e desconfiança<br />

entre os profissionais de saúde<br />

para criar um mal,estar<br />

que inviabilize as necessárias<br />

e inadiáveis reformas estruturantes<br />

GESTÃO HOSPITALAR ~


no sector. É a baixa política<br />

a funcionar, é o diz que disse,<br />

é o dividir para reinar.<br />

É imperioso e da mais elementar<br />

justiça reconhecer que, apesar<br />

dos graves problemas do sistema,<br />

só o esforço extremo dos<br />

profissionais da saúde tem permitido<br />

verdadeiros milagres e, apesar<br />

de todas as dificuldades, nunca,<br />

em circunstância alguma,<br />

baixaram os braços e deixaram<br />

de tratar quem precisa, num esforço<br />

que a todos honra e nos deve servir<br />

de exemplo.<br />

4<br />

Nunca devemos estar<br />

satisfeitos com o realizado<br />

a cada momento. A insatisfação<br />

sistemática, aliada<br />

à vontade de bem,fazer, leva,nos<br />

a melhorar continuamente também<br />

a rede dos cuidados primários.<br />

A melhoria desta rede só será<br />

possível através da introdução<br />

de uma nova filosofia de gestão<br />

de meios conducentes à diminuição<br />

das urgências hospitalares.<br />

É por isso que as novas<br />

metodologias de gestão e a figura<br />

do médico assistente são medidas<br />

complementares tomadas<br />

a favor da melhoria da promoção<br />

( ... ) sem perder<br />

de vista as balizas<br />

constitucionais<br />

que regem<br />

os cuidados<br />

de saúde e os direitos<br />

dos cidadãos,<br />

o Governo<br />

preconiza medidas<br />

que viabilizam<br />

o sistema<br />

e o tornam mais<br />

justo e mais eficaz.<br />

da saúde e da prevenção<br />

da doença.<br />

5<br />

O programa do Governo<br />

reflecte, antes de mais,<br />

um conhecimento profundo<br />

do que existe e do que é importante<br />

fazer para salvar o S istema Nacional<br />

de Saúde.<br />

De facto, nada fazer era empurrar<br />

o SNS para o colapso puro<br />

e simples. Assim, sem perder<br />

de vista as balizas constitucionais<br />

que regem os cuidados de saúde<br />

e os direitos dos cidadãos,<br />

o Governo preconiza medidas<br />

que viabilizam o sistema<br />

e o tornam mais justo<br />

e mais eficaz.<br />

Acaba,se com a diabolização<br />

do privado ou do social e ao<br />

contrário apela, se à conjugação<br />

de esforços, a todos os níveis,<br />

sejam eles financeiros,<br />

materiais ou humanos<br />

para melhor atingir o grande<br />

desígnio do SNS - velar<br />

pela saúde dos portugueses.<br />

6<br />

A gestão dos hospitais<br />

públicos tem tido falhas<br />

que todos conhecem e que<br />

importa eliminar.<br />

Por isso, e apesar das torpes<br />

insinuações e campanha de<br />

desinformação veiculada pela<br />

oposição, o Governo aprovou<br />

uma nova Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />

corajosa que aposta na gestão<br />

moderna e eficaz, que premeia<br />

o mérito, motiva os profissionais<br />

e torna a gestão mais racional<br />

e agilizada dos hospitais,<br />

que ficam assim mais aptos<br />

a cumprir a sua missão. cm><br />

A Acreditação<br />

dos Hospitais em Portugal<br />

A Qualidade é um dos maiores desafios<br />

que os sistemas da saúde enfrentam<br />

em todo o mundo.<br />

'<br />

A medida que as políticas de saúde<br />

se concentram no controlo dos custos<br />

e no uso racional dos recursos,<br />

a salvaguarda de uma prática clínica correcta<br />

e consistente com os ganhos em saúde,<br />

tornam essencial dar aos cidadãos garantias<br />

de que os serviços que utilizam são tecnicamente<br />

• I' • • • I' •<br />

irrepreensiveis e economicamente aceitaveis.<br />

Contracapa<br />

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O Dossier sobre a Acreditação <strong>Hospitalar</strong><br />

que apresentamos neste número da ''G.H.'',<br />

tem, assim, o duplo objectivo de dar a conhecer<br />

uma iniciativa relevante e pioneira<br />

na área da Qualidade e, simultaneamente,<br />

promover o desenvolvimento<br />

de metodologias que contribuíam<br />

para a apreciação objectiva<br />

desta importantíssima dimensão<br />

da prestação de cuidados.<br />

rn GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn<br />

- - --- ---~ ---- -~---- ---------------~--- --=-'-=---~~


A.<br />

DOSSIE<br />

Três anos<br />

de experiência<br />

Os programas de acreditação foram , na<br />

última década, alvo de um desenvolvimento<br />

crescente nos países da Europa , sendo que<br />

o programa regional da Catalunha, em Espanha,<br />

e os programas nacionais do King's Fund<br />

Health Quality Service (KFHQS) e do<br />

Hospital Accreditation Programme (CASPE),<br />

no Reino Unido, foram os pioneiros nos<br />

anos de 1984 e 1990. Nos restantes países<br />

da Europa o interesse por estes sistemas<br />

de melhoria da qualidade aumentou<br />

consideravelmente a partir destas datas,<br />

assumindo desenvolvimentos distintos<br />

que reflectiram a natureza dos sistemas<br />

de saúde e os objectivos dos próprios programas.<br />

Embora a Comunidade Europeia não assuma<br />

competências específicas na área da Qualidade,<br />

tem assumido posições claras acerca destas<br />

matérias. Neste sentido , a Recomendação<br />

No. R (97) 17 do Conselho de Ministros ,<br />

que com o objectivo de promoção da união<br />

dos estados membros e consequente adopção<br />

de políticas de saúde comuns , recomenda<br />

que os estados membros apoiem a criação<br />

de sistemas de melhoria da qualidade.<br />

Pedro Lopes Ferreira, professor associado da Faculdade de Economia<br />

da Universidade de Coimbra e director-adjunto do Instituto da Qualidade<br />

em Saúde, e Margarida França, administradora hospitalar<br />

directora-adjunta do IQS.<br />

Os programas originais constituíam primariamente<br />

ferramentas de desenvolvimento organizacional,<br />

com natureza voluntária , que se mantinham<br />

confidenciais à organização. Actualmente alteram~se<br />

os valores da acreditação no sentido da atribuição<br />

de maior ênfase à transparência , responsabilização<br />

e participação os quais exigem, por sua vez,<br />

novos procedimentos , como é o caso da publicitação<br />

dos resultados e o livre acesso aos dados dos processos .<br />

As razões deste interesse quase generalizado<br />

pela acreditação apre sentam~s e intimamente<br />

ligadas às ref armas introduzidas nos sistemas<br />

de saúde, mais especificamente, com os novos<br />

modelos de financiamento, de organização e gestão<br />

dos serviços, de competição entre prestadores de<br />

cuidados de saúde, responsabilização, ef ectividade<br />

e valor dos serviços prestados .<br />

pessoal e partilha de experiências.<br />

Até ao momento tem sido esta<br />

também a filosofia do Programa<br />

N acional de Acreditação de Hospitais,<br />

que dispõe de uma bolsa de 59<br />

auditores do Serviço Nacional de<br />

Saúde distribuídos pelas classes<br />

profissionais da administração<br />

hospitalar, médica, enfermagem e dos<br />

técnicos superiores de saúde.<br />

Estes profissionais da bolsa de<br />

auditores têm de igual modo<br />

acompanhado os auditores ingleses<br />

nas avaliações externas aos diversos<br />

hospitais em processo de acreditação,<br />

desempenhando um duplo papel na<br />

tradução e no seu acompanhamento e<br />

observação.<br />

N a presente data iniciaram processo<br />

de acreditação vinte un idades<br />

hospitalares distribuídas por todo o<br />

Continente e Região A utónoma da<br />

Madeira, tal como apresentado na<br />

figura 1.<br />

Do primeiro grupo de hospitais piloto<br />

os Hosp itais Fernando da Fonseca e<br />

Pedro H ispano obtiveram, nas datas<br />

referidas na figura 2, acreditação total<br />

e o Hospital Doutor José Maria<br />

Grande acreditação provisória pelo<br />

período de um ano.<br />

Por acreditação total deve-se entender<br />

o reconhecimen to de que a<br />

organização cumpre com a totalidade<br />

dos critérios considerados<br />

indispensáveis, após verificação<br />

através de uma auditoria<br />

independente realizada por pares.<br />

Por acreditação provisória deve-se<br />

entender que a organização<br />

demonstrou bom cumprimento geral<br />

dos critérios em processo de avaliação<br />

mas, contudo, insufic iente no quadro<br />

das exigências consideradas de prática<br />

indispensável e boa prática, à data da<br />

auditoria.<br />

Cabe também referir como elemento<br />

promotor da mudança e da inovação,<br />

o papel do apoio financeiro do<br />

3. Q Quadro Comunitário de apoio<br />

2000-2006 - Medida 2.3 , Certificação<br />

e G aran tia da Q ualidade ao projecto<br />

do I QS de criação do Programa<br />

Nacional de Acreditação de Hospitais<br />

acompanhando o mais próximo<br />

possível a evolução dos projectos<br />

de acreditação nos hospitais. Foi<br />

assim decidido realizar uma primeira<br />

medição da satisfação dos uten tes<br />

internados e que recorrem às urgências<br />

para, mais tarde, a poder comparar<br />

com outra medição subsequente.<br />

Para além desta avaliação sob a<br />

perspectiva dos utentes, decidiu-se<br />

também não esquecer os profissionais<br />

da instituição a passar por todo o<br />

processo de melhoria da sua qualidade<br />

Quadro 1 - Dimensões e aspectos do questionário de avaliação<br />

Conhecimento • Sobre a existên cia do processo<br />

• Serviço visitado pelos auditores<br />

Participação<br />

e<br />

envolvimento<br />

Avaliação<br />

dos principais<br />

actores<br />

Avaliação<br />

do impacto<br />

trabalho<br />

• Grau de participação<br />

• Relação entre o grau de participação efectivo<br />

e aquele que estava em cond ições de oferecer<br />

• Valor do esforço despendido<br />

• Disponibilidade para se envolver de novo<br />

• Consultores do King's Fund<br />

• Grupo coordenador do processo de acreditação no hospital<br />

• Conselho de Administração do Hospital<br />

• Direcção do serviço · ·<br />

• Existência de propostas de solução e de melhoria<br />

para os problemas detectados<br />

• Capacidade de as alterações introduzidas facilitarem o<br />

• Capacidade de as alterações introduzidas terem<br />

impacto directo nos doentes<br />

• Melhoria de qualidade sentida<br />

• Orgulho pela participação do hospital no processo<br />

e aos projectos hospitalares de<br />

acreditação. Neste último caso, numa<br />

dupla perspectiva de financiamen to,<br />

por um lado apoiando o<br />

desenvolvimento do processo de<br />

organizacional e inquiri-los em relação<br />

ao conhecimento que têm, ao seu<br />

envolvimento e à avaliação que fazem<br />

relativamente aos principais actores e<br />

às facetas do impacte do processo de<br />

Protocolo entre<br />

o IQS e o KFHQS<br />

A parceria entre o Instituto da<br />

Q ualidade em Saúde (IQS) e o<br />

KFHQS resultou de dois actos<br />

celebrados no ano de 1999,<br />

nomeadamen te um protocolo de<br />

colaboração entre as duas partes e<br />

um contrato regulador dos direitos e<br />

obrigações do mesmo decorrentes.<br />

Estes documentos estabelecem como<br />

objectivos da parceria, a cooperação<br />

no desenvolvimento de projectos de<br />

investigação da qualidade na saúde<br />

e de metodologias e instrumentos<br />

para a melhoria da qualidade e o<br />

desenvolvimento e validação para<br />

Portugal da metodologia e normas do<br />

programa de acreditação de hospitais<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

do KFHQS.<br />

Com esta parceria foi feita uma opção<br />

clara pela consideração dos programas<br />

já existentes com aplicação prática<br />

e resultados efectivos. N este sentido<br />

foi repudiada a opção de construção<br />

de um programa de raiz, através<br />

da criação de base de normas e<br />

metodologias, tendo desta forma sido<br />

possível realizar a primeira auditoria<br />

em Dezembro de 2000,<br />

nomeadamente no H ospital Fernando<br />

da Fonseca.<br />

C om efeito, os dois principais<br />

elementos de um processo desta<br />

natureza são constituídos pelo manual<br />

de acreditação e pela equipa de<br />

auditores. O manual em uso pelo I QS,<br />

nos processos em curso, resultou de um<br />

processo de adaptação e validação para<br />

a realidade nacional da edição de 1997<br />

do King's Fund do "Accreditation UK.<br />

An organ isational audit programme<br />

for acute, community, learning<br />

disabilities and mental health<br />

services". Posteriormente à sua<br />

tradução, o IQS procedeu à sua<br />

validação e adaptação para a realidade<br />

portuguesa, com a colaboração dos<br />

gestores dos processos de acreditação<br />

dos sete hospitais piloto e consequente<br />

aprovação por parte do autor e<br />

en tidade acreditadora.<br />

No que respeita aos auditores, o<br />

programa originário distingue-se de<br />

outros programas de acreditação pela<br />

utilização de auditores pares, que<br />

colaboram com a entidade<br />

acreditadora numa base graciosa e<br />

n um espírito de desenvolvimento<br />

Por acreditação<br />

total deve<br />

entender-se o<br />

reconhecimento<br />

de que a<br />

. ,..,<br />

organizaçao<br />

cumpre com a<br />

totalidade dos<br />

. , .<br />

criterios<br />

considerados<br />

indispensáveis.<br />

Quadro 2 - Primeiros seis hospitais em fase de acreditação<br />

•Hospital Fernando Fonseca - Amadora<br />

• Hospital de Santa Marta - Lisboa<br />

•Hospital Pedro Hispano - Matosinhos<br />

•Hospital Dr. José Maria Grande - Portalegre<br />

•Hospital do Barlavento - Portimão<br />

•Hospital São Teotónio - Viseu<br />

(ordem alfabética da localidade)<br />

avaliação que conduz à acreditação e,<br />

por outro lado, apoiando as melhorias<br />

necessárias e a formação contínua<br />

exigida , esta última no âmbito da<br />

Medida 2.4, Formação de Apoio aos<br />

Projectos de Modernização da Saúde.<br />

Avaliação do impacte interno<br />

dos processos de Acreditação<br />

Sempre fo i nossa intenção ir<br />

acreditação. Isto porque acreditamos<br />

que um processo como este tem<br />

necessariamente impacto na própria<br />

cultura organizacional e de qualidade<br />

da instituição<br />

Assim, construímos um questionário<br />

essencialmen te orientado para as<br />

dimensões e aspectos apresentados<br />

no quadro l.<br />

Neste artigo apresentamos IJJi><br />

GESTÃO HOSPITALAR ffi


DOSSIÊ<br />

Figura 2 - Hospitais com Acreditação<br />

Hospital Fernando Fonseca - Amadora/Sintra<br />

Acreditação Total<br />

~=ti"'"" 6 Março 2002<br />

Hospital Pedro Hispano - ULS Matosinhos<br />

Acreditação Total<br />

"-''"""'""'""";#'""'-' 21 Agosto 2002<br />

Hospital Dr. José Maria Grande - Portalegre<br />

Acreditação Total<br />

~~..w 23 Janeiro 2002<br />

os resultados da aplicação deste<br />

questionário aos seis primeiros<br />

hospitais portugueses em processo de<br />

acreditação, indicados no quadro 2.<br />

O s resultados obtidos (ver quadro<br />

3) correspondem a 1.286 repostas<br />

de profissionais destes seis hospitais,<br />

num total de 7 .025 profissionais, o<br />

que corresponde a um erro amostral<br />

máximo de 2,5% associado a um grau<br />

de confiança de 95% (p=0,50).<br />

Em geral, tivemos respostas de 30%<br />

de profissionais do sexo feminino,<br />

de todas as categorias profissionais,<br />

havendo 55% de prestadores directos<br />

de cuidados e apenas 22 % a<br />

desempenhar um cargo de chefia.<br />

Estes profissionais respondentes têm,<br />

em média, 38 anos de idade, de um<br />

mínimo de 19 anos a um máximo de<br />

69 anos.<br />

Em relação ao conhecimento que<br />

possui de que o seu hospital se<br />

encontra num processo de acreditação<br />

ao abrigo de um protocolo entre<br />

o IQS e o King's Fund H ealth<br />

Quality Service, praticamente todos<br />

os respondentes (em média, 97%)<br />

estavam informados deste facto. Além<br />

disto, 93% teve o seu serviço visitado<br />

pelas equipas de auditores, valor que,<br />

no conjunto dos seis hospitais, varia<br />

de 85% a 97%.<br />

O grau de participação e<br />

envolvimento dos profissionais no<br />

processo de acreditação é francamente<br />

positivo, tendo sido encontrada a<br />

relação 2,3/1 ,O quando os profissionais<br />

que tiveram um envolvimento grande<br />

ou muito grande são comparados<br />

com os que não estiveram de modo<br />

algum envolvidos ou tiveram um<br />

envolvimen to considerado pequeno.<br />

A melhorar ainda este aspecto<br />

podemos afirmar que 41 % destes<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

profissionais<br />

considera<br />

que a sua<br />

participação<br />

poderia ter<br />

sido maior,<br />

tendo em<br />

conta aquela<br />

que estava<br />

em<br />

condições de<br />

oferecer e,<br />

em geral,<br />

73%<br />

considera<br />

Figura 1 - Unidades <strong>Hospitalar</strong>es em Processo de Acreditação<br />

1º Grupo<br />

Hospitais Piloto<br />

Início do Projecto<br />

em 1999<br />

2º Grupo<br />

de Hospitais<br />

Início do Projecto<br />

em 2000<br />

3º Grupo<br />

de Hospitais<br />

Início do Projecto<br />

em 2001/2002<br />

que o seu esforço valeu a pena,<br />

considerando os resultados esperados<br />

em termos de organização do seu<br />

serviço. Por fim, se o processo<br />

se estivesse a iniciar de novo, é<br />

Hospital Fernando da Fonseca<br />

Hospital Pedro Hispano - ULSM<br />

Hospital Dr. José Maria Grande<br />

Hospital S. Teotónio<br />

Hospital Barlavento Algarvio<br />

Hospital Santa Marta<br />

Hospital Garcia da Horta<br />

Hospital D. Estefânia<br />

Hospital S. José<br />

Hospital Dr. Francisco Zagalo<br />

Hospital Geral de Santo António<br />

IPO Coimbra<br />

Hospital S. Marcos<br />

Hospital S. João<br />

IPO Porto<br />

Hospital Distrital de Anadia<br />

Hospital Santa Luzia<br />

Hospital Distrital de Mirandela<br />

Hospital Distrital de Águeda<br />

animador constatar que só apenas<br />

9% dos profissionais declaram que<br />

não estariam dispostos a estar tão<br />

envolvidos como estiveram.<br />

Em relação à avaliação feita pelos<br />

profissionais dos principais autores<br />

Figura 3 - Avaliação do papel desempenhado pelos principais actores<br />

Consultores do King's Fund<br />

Grupo Coordenador<br />

Conselho de Administração<br />

Direcção do serviço<br />

1 • Mau + Razoável LJ Bom Mau + Razoável 1<br />

Figura 4 • Percepção do impacte do processo de acreditação<br />

l• s1m 0 Não sel Não 1<br />

Orgulho<br />

Propostas solução<br />

Alterações facilitam<br />

Alteraçães 1 mpacte<br />

0% 20% 40% 60% 80% 100%<br />

Figura 5 ·Distribuição das respostas à afirmação "sente orgulho ... "<br />

Concordo mu to 28,1%<br />

Concordo 64,4%<br />

Discordo<br />

Discordo mu to<br />

&,3%<br />

0% 20% 40% 60% 80%<br />

deste processo de acreditação, houve<br />

evidência de alguma exigência. De<br />

facto, menos de 10% consideraram<br />

ter havido um desempenho excelente<br />

e 37% a 51 % disseram,nos que a<br />

avaliação deste desempenho se situava<br />

entre mau e razoável. De salientar<br />

que é o C onselho de Administração a<br />

entidade, em geral, a mais penalizada<br />

e que os consultores do King's Fund<br />

são os menos penalizados. A figura 3<br />

apresenta as avaliações feitas pelos<br />

profission ais a estes quatro principais<br />

actores.<br />

Por fim, medimos a percepção que os<br />

profission ais tem do desenvolvimento<br />

do processo de acreditação (figura<br />

4). Cerca de 20% dos respondentes<br />

Quadro 3 - Principais resultados do inquérito de satisfação<br />

População inicial<br />

Respostas recebidas<br />

% sexo feminino<br />

Idade - média<br />

- mínima<br />

- máxima<br />

% administradores<br />

% prestadores directos<br />

% em cargos de chefia<br />

% conhecimento da acreditação<br />

% casos em que o serviço foi visitado pelos auditores<br />

Grau de participação - % nenhum + pequeno<br />

- % grande+ muito grande<br />

Participação foi a possível - % sim<br />

- % poderia ter participado mais<br />

Esforço valeu a pena - % sim<br />

Voltaria a participar - % sim +talvez<br />

Avaliação dos consultores do King's Fund - % excelente<br />

- % mau + razoável<br />

Avaliação do grupo coordenador - % excelente<br />

- % mau + razoável<br />

Avaliação do Conselho de Administração - % excelente<br />

- % mau + razoável<br />

Avaliação dos directores de serviço - % excelente<br />

- % mau+ razoável<br />

Propostas de solução e de melhoria - % concordo muito<br />

- % concordo<br />

Alterações facilitam o trabalho - % concordo muito<br />

- % concordo<br />

Alterações têm impacto nos doentes - % concordo muito<br />

- % concordo<br />

Hospital melhorou de qualidade - % melhoras já sentidas<br />

Orgulho no hospital - % concordo muito<br />

- % concordo<br />

7.025<br />

1.286<br />

29,6%<br />

38<br />

19<br />

69<br />

1,3%<br />

55,2%<br />

21,6%<br />

97,1%<br />

92,9%<br />

52,0%<br />

22,2%<br />

57,4%<br />

40,8%<br />

73,0%<br />

90,7%<br />

5,4%<br />

37,4%<br />

5,7%<br />

44,2%<br />

3,4%<br />

50,9%<br />

9,1%<br />

41,0%<br />

21,8%<br />

64,9%<br />

17,0%<br />

59,3%<br />

19,1%<br />

57,5%<br />

30,4%<br />

28.1%<br />

64,4%<br />

tem a convicção muito vincada<br />

(e 76% a 87% apenas concordam)<br />

que foram fe itas propostas de solução<br />

e de melhoria para os problemas<br />

detectados, sendo que as alterações<br />

introduzidas pelo processo de<br />

acreditação facilitam o trabalho e têm<br />

impacto directo nos doentes.<br />

Por outro lado, 30% considera que<br />

já se sentem melhoras na qualidade<br />

como consequência do hospital estar a<br />

participar no processo de acreditação,<br />

60% defende que isso vai acontecer,<br />

mas ainda é cedo, e apenas os restantes<br />

10% defendem que isso não seria<br />

mesmo de esperar.<br />

Finalmente, e para completar estes<br />

indicadores de êxito de um processo<br />

ainda a dar os primeiros passos,<br />

questionámos até que ponto os<br />

profissionais sentem orgulho pelo<br />

seu hospital estar a participar neste<br />

processo de acreditação. Este orgulho<br />

é um dos indicadores de uma cultura<br />

da qualidade em formação e deve,<br />

segundo nós, ser procurado. Os nossos<br />

resultados foram também aqui muito<br />

animadores. Feita esta pergunta, 93%<br />

dos profissionais responderam que<br />

concordam com a afirmação. A<br />

figura 5 indica a distribuição desta<br />

concordância.<br />

Conclusões<br />

A principal conclusão a retirar do<br />

programa descrito e da avaliação dos<br />

primeiros seis processos de acreditação<br />

hospitalares é positiva. N o entretanto,<br />

outras catorze unidades distribuídas<br />

por todo o país prosseguem nos<br />

seus percursos de desenvolvimento<br />

e organização interna, consolidando<br />

um projecto verdadeiramen te pioneiro<br />

nos países do Sul da Europa.<br />

Esta experiência pode e deve ser<br />

considerada como instrutiva para<br />

todos os intervenientes no sistema<br />

nacional de saúde, bem como, para<br />

todos os países que se encontrem a<br />

iniciar processos desta natureza.<br />

Por último e tomando em<br />

consideração os mais recentes<br />

desenvolvimentos da acreditação nos<br />

países da Europa, cumpre,nos indicar<br />

como etapa seguinte a consolidação<br />

do programa, através da criação de<br />

uma comissão nacional de acreditação<br />

independente e o inevitável<br />

reconhecimento pelos pares e pelas<br />

instituições de referência, de nível<br />

internacional, do Programa N acional<br />

de Acreditação de Hospitais.<br />

GESTÃO HOSPITALAR m


~<br />

DOSSIE<br />

Centro <strong>Hospitalar</strong> do Funchal<br />

Aposta na qualidade<br />

O<br />

projecto de acreditação do<br />

Centro <strong>Hospitalar</strong> do Funchal<br />

( CHF) foi apresentado no dia 3 de<br />

Junho de 2002 e prevê,se que, até<br />

2004, esteja concluída a primeira fase<br />

de uma trajectória que irá revolucionar<br />

e incrementar processos de qualidade<br />

continuados em todos os serviços desta<br />

instituição. Um passo fundamental<br />

para o Sistema Regional de Saúde<br />

e para todos os utentes da Região<br />

Autónoma da Madeira.<br />

Fruto de parcerias com instituições<br />

especializadas na matéria, este projecto<br />

consiste num sistema de auditoria<br />

organizacional, através do qual a<br />

instituição passará a ser acompanhada<br />

e reconhecida como cumprindo um<br />

conjunto de padrões capazes de<br />

assegurar a qualidade do serviço que<br />

presta.<br />

A acreditação de um hospital significa<br />

avaliar, periodicamente, o<br />

cumprimento de padrões de qualidade<br />

estabelecidos, estimulando o<br />

desenvolvimento de uma cultura de<br />

melhoria contínua da qualidade.<br />

Procura,se, assim, melhorar os<br />

cuidados prestados aos cidadãos,<br />

melhorar o desempenho da<br />

organização, da sua capacidade de<br />

gestão e inovação. Além dos benefícios<br />

que o resultado deste processo acarreta<br />

para todos os utentes, também os ·<br />

profissionais ficam a ganhar com um<br />

serviço reconhecido e com acreditação<br />

a nível regional, nacional e europeia.<br />

Mediante este projecto, será possível<br />

assegurar a melhoria dos cuidados<br />

prestados aos utentes, de modo a<br />

que as opções tomadas e a tomar<br />

possam corresponder à satisfação das<br />

suas necessidades, enquanto indivíduos<br />

que recorrem ao apoio dos serviços<br />

mas, também, enquanto cidadãos que<br />

fazem parte de uma sociedade cada vez<br />

mais exigente e determinada, na busca<br />

da qualidade dos serviços, à qual têm<br />

direito.<br />

Este programa de acreditação nasceu<br />

de parcerias estabelecidas, n o primeiro<br />

trimestre deste ano, entre a Secretaria<br />

Regional dos Assuntos Sociais, o C HF,<br />

o Instituto da Qualidade em Saúde<br />

rnoESTÃO HOSPITALAR<br />

Conceição Estudante, Secretária<br />

Regional dos Assuntos Sociais<br />

e o King's Fund H ealth Quality<br />

Service. No dia 4 de Março de<br />

2002, a Secretaria Regional dos<br />

Assuntos Sociais assinou um protocolo<br />

de colaboração com o Instituto da<br />

Qualidade em Saúde, que assegura,<br />

por parte da última instituição, o<br />

apoio técnico às instituições regionais<br />

de saúde, bem como o reforço das<br />

valências humanas e da formação<br />

contínua dos profissionais.<br />

No dia 25 de Março, foi celebrado<br />

um protocolo de colaboração entre<br />

o Centro <strong>Hospitalar</strong> do Funchal, o<br />

King's Fund Health Quality Service e<br />

o Instituto da Qualidade em Saúde,<br />

tendo em vista a implementação de<br />

programas de melhoria continuada da<br />

qualidade.<br />

A par deste projecto, a criação<br />

de uma rede de informação de<br />

saúde pública n o Serviço Regional<br />

de Saúde e a criação dos grupos<br />

de qualidade, com actuação especifica<br />

em diferentes áreas, irá traduzir, com<br />

certeza, resultados mais eficazes e<br />

positivos em todas as componentes<br />

deste sector.<br />

Quanto aos cuidados primários, a<br />

implementação do programa<br />

MoniQuor está em fase adiantada<br />

em muitos centros de saúde da<br />

região, nomeadamente os con celhios.<br />

Trata,se de uma programa que está<br />

a permitir a implementação duma<br />

avaliação permanente da qualidade<br />

organizacional e, consequentemente,<br />

traduzir,se,á na introdução de<br />

respostas mais adequadas e correctoras,<br />

fundamentais ao bom desempenho da<br />

sua missão.<br />

Responder aos desafios<br />

Esta opção pela qualidade é, sem<br />

dúvida, o percurso a seguir, se<br />

queremos satisfazer a população, se<br />

desejamos incentivar os profissionais<br />

e se queremos construir um S istema<br />

Regional de Saúde mais adaptado às<br />

necessidades actuais e futuras, mais<br />

capacitado em relação aos novos<br />

desafios e mais adequado às aspirações<br />

dos que nele estão envolvidos.<br />

A política da saúde, porque está<br />

directamente ligada à pessoa humana e<br />

ao seu bem,estar, não pode funcionar<br />

separada de uma política da qualidade.<br />

Na pratica, a junção destas duas<br />

vertentes, determina a aposta num<br />

sistema de qualidade, onde o<br />

planeamento das actividades, baseado<br />

na definição de metas especificas<br />

A política da saúde,<br />

porque está<br />

directamente ligada à<br />

pessoa humana e ao<br />

seu bem-estar, não<br />

pode funcionar<br />

separada de uma<br />

política da qualidade.<br />

e de objectivos concretos, permita<br />

uma avaliação contínua e permanente<br />

dos profissionais e serviços e da<br />

sua eficiência quer n o desempenho<br />

pessoal, quer do uso adequado dos<br />

meios postos à sua disposição.<br />

Queremos construir uma cultura da<br />

qualidade nas diversas instituições<br />

regionais afectas à saúde, de modo a<br />

que sejam elas próprias a defender,<br />

depois, este novo conceito, o que se<br />

traduzirá num avanço significativo n ão<br />

só na prestação dos cuidados, mas<br />

também nas atitudes e procedimentos<br />

inerentes a esta área, que se querem<br />

cada vez mais qualificados, inovadores<br />

e humanizados.<br />

Qualidade Organizacional<br />

no Hospital Pedro Hispano<br />

O<br />

Hospital Pedro Hispano foi um<br />

dos sete hospitais que integrou o<br />

primeiro grupo que aderiu à aplicação<br />

do Programa de Qualidade<br />

Organizacional do King's Fund Health<br />

Quality Service (KFHQS), na<br />

sequência do protocolo estabelecido<br />

entre o Instituto da Qualidade em<br />

Saúde (IQS) e aquela instituição<br />

britânica, formalizado em 1999.<br />

Dando início à aplicação do Programa<br />

em Maio de 2000, com o apoio<br />

financeiro do Saúde XXI, o nosso<br />

hospital viria a ser auditado em<br />

Outubro e N ovembro de 2001, ou seja,<br />

exactamente dezoito meses depois.<br />

Foram dezoito meses de trabalho<br />

intenso em que o grupo dinamizador,<br />

de que fui coordenador, viveu<br />

momentos de grande entusiasmo, mas<br />

em que também atravessou períodos<br />

de muita insegurança e, porque não<br />

dizê,lo, de algum desencanto.<br />

Entusiasmo pelo que pôde verificar da<br />

realidade que era o nosso hospital e das<br />

oportunidades de melhoria que se lhe<br />

apresentavam - que, afinal, pareciam<br />

de implementação tão fácil.<br />

De insegurança, pela percepção que ia<br />

tendo da falta de entendimento, por<br />

muitos dos seus pares, sobre o que<br />

caracteriza a qualidade em saúde. E,<br />

consequentemente, do real significado<br />

de melhoria contínua de qualidade.<br />

De desencanto por constatar, não<br />

raras vezes, que algumas das chefias<br />

intermédias e outros responsáveis<br />

da instituição, nem sempre<br />

demonstravam grande<br />

empenhamento.<br />

Sendo que, por vezes, revelavam do<br />

programa um conceito descentrado<br />

dos seus objectivos fundamentais:<br />

- desencadear um movimento<br />

de mudança real de comportamentos<br />

das pessoas.<br />

A auditoria final por pares (KFHQS),<br />

resultou na obtenção da acreditação do<br />

nosso hospital.<br />

Foi para nós motivo de grande orgulho<br />

sermos o primeiro hospital, fora do<br />

Reino Unido, a obter a acreditação<br />

logo na primeira auditoria.<br />

Não pensamos, no entanto, termos<br />

chegado ao fim do nosso trabalho.<br />

Consideramos, isso sim, que este foi o<br />

Nuno Morujão, presidente do<br />

Conselho de Administração do<br />

Hospital Pedro Hispano, S.A.<br />

fim do princípio de um caminho que<br />

nunca mais poderá ser interrompido.<br />

Gostava de poder revelar os resultados<br />

da nossa primeira auto avaliação para,<br />

a partir dela e de algumas das reflexões<br />

que exprimi, poder dizer,vos alguma<br />

coisa sobre o impacte real da aplicação<br />

do programa no HPH.<br />

Resultados globais<br />

da auto-avaliação inicial<br />

Novembro de 2000<br />

D Sim 50,76<br />

D Parcial 27,85<br />

• Não 21,39<br />

Resultados da auto-avaliação<br />

inicial para os critérios<br />

de evidência observada<br />

Novembro de 2000<br />

O Sim 61,6<br />

O Parcial 21,1<br />

• Não 17,3<br />

Resultados da auto-avaliação<br />

inicial para os critérios de evidência<br />

documentada<br />

Novembro de 2000<br />

D Sim 26,1<br />

D Parcial 22,1<br />

• Não 51,8<br />

Foi a partir da identificação dos<br />

critérios de não conformidade ou<br />

conformidade parcial, relativos a cada<br />

uma das normas, distribuídos pelas<br />

diversas secções, que concluímos sobre<br />

as áreas de oportunidade de melhoria.<br />

Tom ar,se,ia fastidioso apresentar os<br />

resultados da nossa auto avaliação,<br />

norma por norma ou secção por<br />

secção.<br />

Será interessante, porém, revelar as<br />

principais áreas em que foi necessário<br />

intervir por delas resultar uma ideia<br />

relativamente clara do trabalho<br />

desenvolvido.<br />

Assim, no que se refere à gestão<br />

institucional, deve destacar,se:<br />

- a divulgação de documento de<br />

orientação estratégica da Un idade<br />

Local de Saúde de Matosinhos (ULS);<br />

- a elaboração do estatuto e<br />

regulamento da Unidade de<br />

Formação da ULS;<br />

- a instalação do Serviço de Saúde<br />

Ocupacional;<br />

- a definição da política de gestão<br />

de risco da ULS e, bem assim, da<br />

estrutura em que assenta a gestão<br />

de risco passando, nomeadamente,<br />

pela nomeação dos gestores de risco<br />

Geral e clínico e dos interlocutores<br />

para a gestão de risco nos diversos<br />

departamentos e serviços;<br />

- a elaboração e implementação<br />

do plano de emergência do HPH<br />

para catástrofes.<br />

No que toca à gestão de recursos, devo<br />

citar:<br />

- a elaboração de documento, tipo<br />

para elaboração do plano de .,...<br />

GESTÃO HOSPITALAR H]


DOSSIÊ<br />

actividades dos serviços a apresentar<br />

ao Conselho de Administração;<br />

- a elaboração de um manual de<br />

integração geral para a ULS e<br />

para cada serviço em particular,<br />

abrangendo todos os grupos<br />

profissionais;<br />

- a elaboração e implementação de um<br />

plano de formação contínua, no qual<br />

se incluem as acções de frequência<br />

obrigatória para os diversos grupos<br />

profissionais (assim, por exemplo, foi<br />

feita formação em Suporte Básico<br />

de Vida a todos os médicos e<br />

enfermeiros, de Suporte Avançado<br />

de Vida a um conjunto de médicos<br />

e enfermeiros com vista à sua<br />

integração nas equipas de<br />

emergência interna do HPH -<br />

totalizando mais de 800 profissionais<br />

- e de combate a incêndio a cerca<br />

de 1.200 profissionais).<br />

A secção de direitos e necessidades<br />

dos doentes determinou intervenção<br />

nos seguintes aspectos:<br />

- definição da política da instituição<br />

quanto aos procedimentos<br />

que exigem consentimento<br />

informado escrito;<br />

- definição de uma política da<br />

instituição de cuidados a doentes<br />

terminais;<br />

- directrizes sobre decisão de não<br />

reanimar e situações de alerta;<br />

- política da instituição sobre<br />

informação aos doentes e seus<br />

familiares, bem como a outras<br />

entidades (media, entidades<br />

judiciais e outros).<br />

No que se refere ao percurso do<br />

O objectivo tem<br />

que ser: fazer<br />

sempre bem<br />

e à primeira<br />

e estar sempre<br />

atento a tudo<br />

o que afecta<br />

a qualidade<br />

do serviço que<br />

prestamos.<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

doente, promovemos a compilação<br />

num único documento das directrizes<br />

sobre referenciação, acesso, admissão<br />

e saída/alta dos doentes, já existentes.<br />

Todas as secções que temos vindo<br />

a citar incluem normas de aplicação<br />

horizontal que, por esse motivo,<br />

foram trabalhadas por grupos<br />

multiprofi.ssionais, provenientes<br />

de diversos serviços, nomeados<br />

para o efeito.<br />

Muitas outras intervenções tiveram<br />

lugar, dando resposta a normas<br />

específicas dos serviços, as quais<br />

estiveram dependentes dos profissionais<br />

específicos de cada serviço.<br />

Só a título de exemplo, poderei citar:<br />

- definição de políticas e<br />

procedimentos em matérias de<br />

segurança (por exemplo, segurança<br />

contra rapto de crianças, evacuação<br />

de doentes, etc.);<br />

- definição de políticas e<br />

procedimentos sobre marcação,<br />

encaminhamento, adiamento e<br />

antecipação de consultas e exames<br />

em regime ambulatório;<br />

- produção de informação específica<br />

para os doentes, com vista à<br />

preparação para exames;<br />

- auditorias clínicas diversas.<br />

Muitos outros aspectos organizacionais<br />

importantes não são citados porque já<br />

existia conformidade com os critérios<br />

do programa.<br />

Como facilmente se percebe, foram<br />

visíveis melhorias que poderemos<br />

resumir em quatro pontos:<br />

- melhoria dos cuidados assistenciais;<br />

- segurança para os utentes e<br />

profissionais;<br />

- efectividade ao melhor custo;<br />

- responsabilidade médico, legal.<br />

Mas o verdadeiro impacte da aplicação<br />

do programa são as modificações de<br />

comportamentos que induziu,<br />

que ainda hoje não abrangem a<br />

totalidade dos profissionais. Mas que<br />

vai funcionando como a gota de tinta<br />

que caiu na folha "mata,borrão":<br />

1. A consciencialização de que a<br />

qualidade não é um "adereço,, e está<br />

implícita em tudo o que fazemos.<br />

2. A consciencialização de que em<br />

saúde a qualidade não pode ser<br />

confundida com a qualidade na<br />

indústria. Nesta, a produção e<br />

o consumo do produto não são<br />

simultâneas, o que permite "verificar"<br />

a conformidade do produto com as<br />

características de qualidade que se<br />

lhe exigem, antes que o consumidor<br />

( ••• ) o trabalho,<br />

nomeadamente<br />

em saúde, é realizado<br />

através de processos,<br />

o que significa que<br />

cada profissional<br />

é simultaneamente<br />

cliente, processador e<br />

fornecedor de serviços.<br />

o adquira. Na saúde, a produção e<br />

consumo do serviço são simultâneos<br />

e o doente faz parte do processo<br />

de produção do serviço ... Por isso<br />

mesmo, em saúde, só podemos falar<br />

de melhoria contínua de qualidade.<br />

O objectivo tem que ser: fazer sempre<br />

bem e à primeira e estar sempre atento<br />

a tudo o que afecta a qualidade do<br />

serviço que prestamos.<br />

3. A consciencialização de que o<br />

trabalho, nomeadamente em saúde,<br />

é realizado através de processos, o<br />

que significa que cada profissional é<br />

simultaneamente cliente, processador<br />

e fornecedor de serviços. Cada<br />

profissional é, portanto, um elo duma<br />

cadeia em que todo o trabalho tem<br />

que estar perfeitamente organizado,<br />

sob pena de ver comprometido,<br />

irremediavelmente, para cada doente<br />

em concreto, o resultado final.<br />

4. A consciencialização de que<br />

o que caracteriza o trabalho no<br />

hospital é a multidisciplinaridade;<br />

a interdependência dos profissionais,<br />

a existência de procedimentos<br />

frequentes, de rotina realizados por<br />

muitas pessoas diferentes, a existência<br />

de procedimentos imprevistos (alguns<br />

raros) e a existência de procedimentos<br />

realizados em situações de grande<br />

stresse. Daqui resulta a consequente<br />

consciencialização da importância da<br />

especificação (definição de políticas,<br />

procedimentos e protocolos) e<br />

da realização de auditorias.<br />

5. A consciencialização da importância<br />

do envolvimento<br />

e responsabilização das chefias.<br />

Compete,lhes dirigir pessoas<br />

e a forma mais eficaz de conseguir<br />

melhorias de produtividade com<br />

qualidade é motivar essas pessoas. Para<br />

isso é preciso liderar pelo exemplo e<br />

adoptar um modelo<br />

de gestão participativa.<br />

Liderar pelo exemplo porque<br />

sem a existência de referências<br />

de empenhamento no trabalho e de<br />

crença nos objectivos, nos resultados<br />

a atingir, aqueles que connosco<br />

colaboram dificilmente se sentirão<br />

motivados.<br />

Modelo de gestão participativa, porque<br />

sem o envolvimento de todos os<br />

profissionais na produção de<br />

inteligência colectiva também será<br />

difícil conseguir a sua motivação.<br />

É indispensável a existência de<br />

mecanismos que nos diversos<br />

departamentos ou serviços, permitam<br />

a partilha de ideias entre todos<br />

os profissionais sobre a forma como<br />

se organiza o trabalho, o modo<br />

de desempenho das tarefas e os<br />

resultados obtidos - é aqui que reside a<br />

inteligência colectiva!.<br />

6. A consciencialização de que a<br />

prestação global de cuidados de<br />

qualidade exige a integração dos<br />

cuidados primários e cuidados<br />

diferenciados através de uma<br />

estrutura de administração comum.<br />

De facto, diversas políticas já foram<br />

definidas e a sua aplicação iniciada,<br />

num contexto de Unidade Local de<br />

Saúde, ou seja, de uma estrutura<br />

de prestação de cuidados primários e<br />

diferenciados com uma administração<br />

comum.<br />

Citarei alguns exemplos:<br />

gestão de risco, cuidados continuados,<br />

referenciação e acesso, admissão<br />

e saída/alta, formação contínua e<br />

procedimentos em serviços de apoio de<br />

utilização comum.<br />

É evidente que o centro de todo<br />

o sistema de saúde são os cuidados<br />

primários. O seu bom funcionamento é<br />

condição necessária para uma prestação<br />

global e integrada de cuidados<br />

assistenciais de qualidade.<br />

Eis porque o Conselho de<br />

Administração a que presido considera<br />

como objectivo prioritário passarmos<br />

agora à implementação do programa de<br />

qualidade organizacional do KFHQS<br />

nos centros de saúde.<br />

Esta será uma oportunidade ímpar<br />

de potenciar as melhorias já obtidas e<br />

complementá,las com diversas outras,<br />

por forma a garantir um programa<br />

de melhoria continua de qualidade<br />

organizacional na prestação global<br />

e integrada de cuidados de saúde.<br />

Fernando Marques<br />

"Depois deste processo<br />

nada será como dantes''<br />

A<br />

PAH - Porquê e como nasceu<br />

esta preocupação com a<br />

qqualidade e porquê a opção pela<br />

acreditação do Hospital?<br />

Fernando Marques - A qualidade é<br />

um conceito de tal forma abrangente<br />

e global que tem a ver com tudo<br />

e com todos. Se a preocupação de<br />

uma organização, qualquer que ela<br />

sej a, passar pela vertente da eficiência,<br />

se pensarmos em racion alização de<br />

custos, no aumento do grau de<br />

satisfação dos profissionais e dos<br />

doentes/cidadãos, em melhorar o<br />

n ível de acessibilidade aos serviços<br />

de saúde, então o conceito de<br />

qualidade tem de estar presente.<br />

N o fundo, aos objectivos estratégicos<br />

das unidades de saúde deverá estar<br />

sempre associada uma componen te<br />

de qualidade interiorizada de forma<br />

crescente pelos seus trabalhadores.<br />

A opção pela acreditação tem a ver<br />

com a abrangência do processo e<br />

a amplitude dos seus efeitos para o<br />

Hospital no seu conjunto.<br />

APAH - Será possível apresentar<br />

três exemplos de áreas de impacto do<br />

programa de acreditação no hospital?<br />

Estas áreas de impacte dizem respeito<br />

a que dimensão da qualidade dos<br />

cuidados de saúde ?<br />

FM - O processo de acreditação de<br />

qualquer unidade hospitalar constitui<br />

um período único de reflexão de<br />

todos os seus sectores de acti vidade<br />

Fernando<br />

Marques,<br />

presidente do<br />

Conselho de<br />

Administração<br />

do Hospital de<br />

Santa Luzia,<br />

Viana do Castelo.<br />

relativamente às suas práticas, aos seus<br />

métodos de trabalho, à sua ligação<br />

com os objectivos gerais e específicos<br />

da unidade, interferindo naturalmente<br />

com os recursos humanos, com os<br />

meios organizacionais, instalações,<br />

equipamentos, etc. Pode dizer,se, sem<br />

margem para dúvidas, que após este<br />

processo nada será como dantes,<br />

particularmente na vertente<br />

organ izacional onde se ganhará uma<br />

consciência mais n ítida do que é<br />

essencial conseguir, preservar e<br />

melhorar.<br />

APAH - Atendendo ao novo regime<br />

jurídico dos hospitais com natureza<br />

empresarial, como vê o futuro da<br />

acreditação?<br />

FM - Vejo,o, naturalmente, como<br />

um precioso aliado para que se<br />

consiga alcançar desta experiência de<br />

empresarialização dos hospitais todos<br />

os objectivos subjacentes: reduzir<br />

o elevado grau de ineficiência do<br />

actual sistema, melhorar a sua<br />

performance, motivar e responsabilizar<br />

os profissionais e, finalmente,<br />

aumentar os níveis de satisfação da<br />

população utente.<br />

APAH - Muito rapidamente,<br />

identifique as cinco maiores vantagens<br />

do processo de acreditação no<br />

hospital.<br />

FM - O processo de acreditação leva<br />

a instituição a um mais profundo ..,.<br />

GESTÃO HOSPITALAR m


A.<br />

DOSSIE<br />

conhecimento dos seus<br />

pontos fracos (ou menos<br />

fortes) obrigando a intervir<br />

sobre eles; permite-nos<br />

avaliar a qualidade do que<br />

fazemos e a segurança com<br />

que o fazemos; controla<br />

custos a partir do momento<br />

em que se reduzam as<br />

ineficiências; é fonte de<br />

motivação dos profissionais<br />

e galvanização do conjunto<br />

organizacional; aumenta o<br />

reconhecimento e a<br />

confiança dos cidadãos nos<br />

serviços prestados.<br />

APAH - Identifique<br />

também as cinco maiores<br />

dificuldades no<br />

desenvolvimento do<br />

processo de acreditação no<br />

hospital.<br />

FM - O principal inimigo deste<br />

processo é a cultura do imobilismo<br />

instalada na Administração Pública<br />

e que não é, de modo algum,<br />

incentivador de um verdadeiro clima<br />

de mudança; por outro lado, a<br />

ausência de incentivos, claros e<br />

objectivos, aos profissionais não ajuda<br />

ao incremento da criatividade e<br />

O principal<br />

• • •<br />

inimigo<br />

deste processo<br />

é a cultura<br />

do imobilismo<br />

instalada na<br />

Administração<br />

Pública<br />

- ,,<br />

e que nao e,<br />

de modo algum,<br />

incentivador<br />

de um<br />

verdadeiro<br />

clima de<br />

mudança.<br />

rn GESTÃO HOSPITALAR<br />

Hospital de Santa Luzia - Viana do Castelo.<br />

do esforço individual e colectivo<br />

continuando todos a assistir a uma<br />

arrastada evolução do sector da<br />

saúde baseada nas boas vontades de<br />

alguns. Sendo um processo muito<br />

trabalhoso torna-se, por vezes, de<br />

difícil conciliação com as tarefas que<br />

os profissionais já têm a seu cargo no<br />

dia-a-dia.<br />

APAH - Considera que estes<br />

programas devem ser estimulados e<br />

premiados ou, antes, possuir natureza<br />

obrigatória? Na hipótese de entender<br />

deverem ser voluntários, que tipo de<br />

estímulos considera mais adequados?<br />

FM - Os programas de melhoria<br />

da qualidade deveriam constituir<br />

instrumentos permanentes de<br />

trabalho n as organizações de saúde<br />

não como um fim em si mesmo<br />

mas como suporte da prestação<br />

de serviços de qualidade crescente.<br />

O que deverá ser estimulado<br />

e premiado é essa prestação de<br />

serviços (assistenciais e outros) com<br />

critérios não apenas quantitativos<br />

mas com o factor qualidade<br />

incorporado de forma a que,<br />

por via indirecta, as organizações<br />

sintam, elas próprias, a necessidade<br />

e conveniência de apostar na<br />

qualidade.<br />

APAH - Entende que a acreditação<br />

deve ser um processo exclusivo do<br />

sector público ou, antes, que deve<br />

ser alargada ao sector privado da<br />

prestação dos cuidados?<br />

FM - A procura da prestação de<br />

cuidados de saúde de qualidade<br />

crescente é uma exigência do cidadão<br />

e, por conseguinte, deverá ser uma<br />

preocupação de toda e qualquer<br />

entidade prestadora de serviços, desta<br />

ou de outra natureza.<br />

APAH - Como relaciona a<br />

acreditação com a avaliação do<br />

desempenho dos profissionais?<br />

FM - Pelo simples facto de, em<br />

qualquer processo de acreditação, se<br />

ter de estudar o que se faz, como se<br />

faz, como se avalia, agindo sobre o que<br />

se faz, permite-nos, muito mais fácil e<br />

objectivamente, criar mecanismos de<br />

avaliação do desempenho individual<br />

e de grupo de forma a premiar<br />

os profissionais cujo trabalho e<br />

criatividade o justifique incentivando<br />

todos a fazer cada vez melhor.<br />

APAH - Se o sistema de acreditação<br />

possuir um sistema de pontuação,<br />

é possível obter um ranking dos<br />

hospitais participantes. Qual é a sua<br />

opinião acerca de uma listagem desta<br />

natureza?<br />

FM - Apesar de não ver nisso<br />

qualquer utilidade prática também<br />

não vejo inconveniente desde que os<br />

critérios sejam, tanto quanto possível,<br />

objectivos e conhecidos de todos,<br />

hospitais e opinião pública em geral.<br />

Hospital Amadora/Sintra<br />

Apenas um troféu<br />

sobre a lareira?<br />

O Programa Nacional de<br />

Acreditação dos Hospitais<br />

constituí um amplo projecto<br />

iniciado em 2000 pelo<br />

Ministério da Saúde ,<br />

através do Instituto da<br />

Qualidade em Saúde<br />

(IQS) e integrado numa<br />

das Medidas do Programa<br />

Operacional da Saúde -<br />

III Quadro Comunitário de<br />

Apoio - 2000/2006.<br />

O<br />

Programa integra, neste momento<br />

e tanto quanto sabemos, mais de<br />

20 hospitais, em diversos níveis de<br />

cumprimento do processo que leva à<br />

atribuição (ou não) da Acreditação<br />

definitiva pelo King's Fund H ealth<br />

Quality Service (e definitiva não<br />

significa, neste caso, para sempre, antes<br />

significando que é válida pelo período<br />

de três anos, após o qual se verificará<br />

uma reacreditação).<br />

Do pelotão dos primeiros hospitais<br />

a adoptar este projecto, o Fernando<br />

Fonseca foi o primeiro no país a<br />

obter a acreditação provisória (em 6<br />

de Novembro de 2001) e, também,<br />

o primeiro a receber a acreditação<br />

definitiva (em Março de 2002),<br />

devendo ser sujeito à visita de<br />

monitorização em Dezembro de 2002<br />

e à auditoria de reacreditação em<br />

Dezembro de <strong>2003</strong>.<br />

O esforço, empenho e entusiasmo<br />

necessários para desenvolver com<br />

sucesso um projecto pioneiro como este<br />

foram imensos. A satisfação de se ter<br />

alcançado a tão desejada acreditação,<br />

também.<br />

O processo<br />

Mas como foi a mudança sendo gerida<br />

(e assimilada) ao longo dos 24 meses<br />

de processo? Qual o segredo (se de<br />

segredo se trata) do sucesso de uma<br />

experiência inovadora desta dimensão e<br />

importância?<br />

Em primeiro lugar, motivação: através<br />

do profundo envolvimento dos<br />

Artur Morais Vaz e Maria João Amaral,<br />

respectivamente membro do Conselho<br />

de Administração e administradora do<br />

Hospital Amadora/Sintra.<br />

colaboradores da instituição, os quais<br />

demonstraram ao longo de todo o<br />

processo a vontade, unidade e sabedoria<br />

necessárias à condução desta tarefa a<br />

bom porto.<br />

Em segundo lugar, liderança: a<br />

metodologia adaptada foi vital para<br />

cumprir os objectivos determinados<br />

e determinantes ao sucesso do<br />

processo. A estrutura " em cascata "<br />

dentro da organização, permitiu que<br />

os cerca de 2000 colaboradores de 60<br />

serviços dessem o seu contributo e se<br />

empenhassem na implementação das<br />

mudanças necessárias.<br />

Estes colaboradores, de todos os grupos<br />

profissionais, organizaram-se em 260<br />

grupos de trabalho, com o objectivo<br />

de enfrentarem e gerirem um processo<br />

organizacional que conta com 53<br />

normas de qualidade e 11 24 critérios a<br />

cumpnr.<br />

O profundo e ((ciclópico" ( rnmbém<br />

O esforço, empenho<br />

e entusiasmo<br />

necessários para<br />

desenvolver com<br />

sucesso um projecto<br />

pioneiro como este<br />

foram imensos.<br />

porque temporalmente, o período de<br />

implementação escolhido foi muito<br />

limitado) trabalho desenvolvido por<br />

estes profissionais, cujas restantes<br />

funções e responsabilidades não foram<br />

em nenhum momento descuradas ou<br />

aligeiradas, só se revelou eficaz pela<br />

capacidade de liderança revelada em<br />

cada um dos grupos constituídos e em<br />

cada etapa cumprida.<br />

Mas liderança quis também sign ificar,<br />

desde o início do processo, um profundo<br />

e directo envolvimento do Conselho de<br />

Administração, bem como a selecção<br />

de gestores do projecto com iniciativa,<br />

coragem e capacidade técnica de<br />

intervenção.<br />

Em terceiro e último lugar, informação.<br />

Qualquer processo tem como base<br />

prioritária e fundamental um bom<br />

sistema de informação. Esta verdade<br />

apodítica toma-se ainda mais óbvia<br />

quando estamos perante um processo e<br />

uma organização de grandes dimensões.<br />

A novidade não foi então tanto a<br />

metodologia, mas sim o conteúdo do<br />

processo em questão.<br />

A fim de dotar os profissionais<br />

envolvidos das bases necessárias à<br />

familiarização com o processo, foram<br />

organ izadas e ministradas cerca de<br />

30.000 horas de formação, as quais<br />

se revelaram um precioso suporte<br />

de transferência de conhecimen tos e<br />

informação.<br />

Os resultados não se fizeram esperar: a<br />

elaboração de 4 20 dossiês de qualidade<br />

e 220 políticas e procedimen tos de<br />

âmbito geral, são h oje a base<br />

documental do processo vivido.<br />

Juntando os ingredientes referidos, nas<br />

doses aconselhadas, foi iniciado o Ciclo<br />

de Acreditação: avaliação inicial, plano<br />

de acção, implementação, auditoria<br />

interna, relatório, padrões cumpridos e<br />

finalmente a tão almejada acreditação!<br />

Mas a mudança só agora começou: o<br />

caminho da qualidade é contínuo e<br />

dinâmico e para que a acreditação não<br />

seja apenas um momento na vida do<br />

hospital, é necessário que este adquira a<br />

lógica da qualidade e a integre nos<br />

seus "produtos" como um atributo<br />

original e essencial. Não se trata<br />

de fechar alguns "iluminados" numa<br />

sala, produzindo resmas de ::i.ormas<br />

e procedimentos. Trata-se antes de<br />

verdadeiro pensamento estratégico<br />

(e, para isso, é essencial que o<br />

hospital e os seus serviços tenham<br />

missões e objectivos bem estruturados<br />

e adquiridos por todos os seus .,...<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


DOSSIÊ<br />

colaboradores) que leva e determina<br />

a acção. Todavia, esse caminho é,<br />

em todos os sen tidos, Cmico e<br />

irrepetível. Ele resulta do património<br />

organizacional, cultural e histórico de<br />

cada organização e passa a integrar<br />

esse mesmo património. N ão há<br />

receitas de sucesso aplicáveis sem esta<br />

contextualização.<br />

E agora?<br />

Mas, é a acreditação apenas mais um<br />

troféu para colocar sobre a lareira do<br />

nosso contentamento?<br />

Essa é, talvez, a questão mais candente e<br />

a que necessita de resposta mais urgente<br />

neste momento.<br />

Q ue não restem dúvidas de que<br />

o processo de acreditação - com<br />

a mudança de mentalidades e<br />

organizacional que envolve , constitui,<br />

por si só e independentemente do<br />

resultado final, um excelente exercício<br />

de pensamento estratégico e<br />

operacional sobre o hospital e um<br />

exercício de desenvolvimento e<br />

crescimen to individual e institucional<br />

sem paralelo. E essa é apenas uma das<br />

vantagens que este processo apresenta<br />

sobre outros menos estruturados, mais<br />

voluntaristas ou desarticulados.<br />

Q ue não restem dúvidas de que<br />

qualquer hospital que passe pelo<br />

processo de acreditação ganha, para<br />

além de uma experiência institucional<br />

inolvidável, uma capacidade redobrada<br />

para fazer face aos mais actuais desafios<br />

ao nível da sua gestão, organização e<br />

operação.<br />

Mas, para além dos evidentes benefícios<br />

de percorrer o caminho, o que espera<br />

os hospitais que atinjam o seu objectivo<br />

(e os que o não atinjam)? Como é<br />

Hospital Amadora Sintra<br />

.... __ __.....<br />

' .<br />

:~t;;.L~:;~:.t 7 X~~c·<br />

( ••• ) o processo de acreditação - com a<br />

mudança de mentalidades e organizacional<br />

que envolve - constitui, um excelente<br />

exercício de pensamento estratégico e<br />

operacional sobre o hospital e um<br />

exercício de desenvolvimento e crescimento<br />

individual e institucional sem paralelo.<br />

sabido, há países em que a acreditação<br />

é condição prévia para a<br />

contratualização dos serviços dos<br />

hospitais com os diversos financiadores<br />

(sejam seguradoras, subsistemas ou<br />

o próprio estado).<br />

Ou seja, a acreditação é um elemento<br />

essencial do sucesso e sobrevivência dos<br />

hospitais.<br />

Seria suposto que, num país como<br />

Portugal, em que tal não acon tece<br />

(•• •) a mudança só agora começou: o<br />

caminho da qualidade é contínuo e dinâmico<br />

e para que a acreditação não seja<br />

apenas um momento na vida do hospital,<br />

é necessário que este adquira a lógica da<br />

qualidade e a integre nos seus "produtos"<br />

como um atributo original e essencial.<br />

rn GESTÃO HOSPITALAR<br />

(e bem, pelo menos nesta fase de<br />

desenvolvimento do processo) houvesse<br />

uma qualquer outra recompensa para<br />

os hospitais que lograssem obter a<br />

acreditação, um prémio à sua<br />

reconhecida e certificada qualidade<br />

organizacional. Afinal, qual é a<br />

diferença entre os hospitais acreditados<br />

e os não acreditados? Tirando o nível de<br />

amor,próprio institucional, não existirá<br />

nenhuma diferença para os hospitais. Já<br />

para os que os utilizam, essa diferença<br />

poderá ser preciosa.<br />

U m processo exigente de acreditação<br />

de serviços de saúde inscreve,se,<br />

obrigatoriamente, num caminho de<br />

sofisticação crescente da sociedade (que<br />

exige e acredita na acreditação) e do<br />

sector da saúde (que se compromete<br />

com a acreditação e com a melhoria<br />

contínua da qualidade). Nesse sentido,<br />

trata,se de um projecto com um<br />

impacte diversificado e abrangendo<br />

todas as fases de planeamento,<br />

programação, construção, gestão e<br />

exploração dos serviços de saúde,<br />

públicos ou privados, lucrativos ou não,<br />

lucrativos, independentemen te do seu<br />

grau de diferenciação técnica ou da<br />

diversidade da sua carteira de serviços.<br />

É um processo trans,nacional e trans,<br />

sectorial. Se o não for, perderá a sua<br />

força transformadora.<br />

Como poderá, então, reconhecer,se e<br />

estimular,se a acreditação dos serviços<br />

de saúde em geral e dos hospitais em<br />

particular?<br />

Num país em que a inveja contin ua<br />

a ser, infe lizmente, a força motriz<br />

dominante e em que o princípio da<br />

igualdade tem sido instrumentalizado<br />

para servir os interesses dos menos<br />

eficientes ou dos mais relapsos, criar<br />

a diferença, reconhecer o mérito ou<br />

premiar a qualidade não é coisa<br />

fácil e pode, inclusivamente, constituir<br />

um risco adicional para os que já<br />

assumiram o risco do processo de<br />

acreditação.<br />

Mas não assumir esse risco, temer<br />

fazer a diferença, recusar reconhecer o<br />

mérito, demonstrar indiferença peran te<br />

a qualidade é claudicar perante o<br />

inimigo de sempre. Os profissionais<br />

e as instituições que enfrentaram<br />

o processo de acreditação precisam<br />

de reconhecimento social e político,<br />

O administrador hospitalar e o papel de "Surveyor"<br />

Um passo atrás para ver melhor<br />

U<br />

m programa de garantia de<br />

qualidade, como o que está em<br />

curso em Portugal, numa parceria en tre<br />

o IQS (Instituto da Qualidade em<br />

Saúde) e o HQS (Health Quality<br />

Service), assenta numa estrutura de<br />

normas e critérios, nacional e<br />

internacionalmente reconhecidos e<br />

validados, que possibilitam às<br />

organizações de saúde auto,avaliar,se<br />

criticamente, incentivando as boas<br />

práticas e definindo uma agenda<br />

permanente para o desenvolvimento e<br />

a melhoria contínua dos serviços.<br />

A auditoria (survey ) levada a cabo por<br />

uma equipa de auditores independentes,<br />

eles próprios profissionais de saúde que<br />

enfrentam nas suas organizações os<br />

mesmos problemas e dificuldades que as<br />

organizações auditadas, é um momento<br />

crítico do processo de acreditação. É o<br />

momento em que toda a equipa (steering<br />

ANTARES<br />

consulting<br />

group ) que conduziu o processo e todos<br />

os profissionais de uma organ ização de<br />

saúde sentem que o seu trabalho vai<br />

ser submetido a uma avaliação e, nessa<br />

medida, eles próprios irão ser avaliados.<br />

Não significa isto que a auditoria seja<br />

a fase mais importante do processo.<br />

Se pensarmos em todo o trabalho<br />

produzido antes e depois do relatório de<br />

feed,back, no envolvimento de centenas<br />

ou milhares de pessoas (dependendo da<br />

dimensão do hospital), facilmente se<br />

compreende que a auditoria é apenas<br />

um momento. Mas é o momento<br />

de maior intensidade dramática, tanto<br />

mais intensa quanto é reconhecida<br />

a nossa natural resistência (quase<br />

aversão) a uma cultura de avaliação.<br />

O papel do auditor<br />

O papel do auditor é o de avaliar o<br />

grau de cumprimento das normas e<br />

-<br />

Q ,,,,<br />

·-<br />

-,,~<br />

naturalmente. Mas precisam, também e<br />

sobretudo, de um claro sinal objectivo<br />

da sociedade civil portuguesa e das<br />

entidades políticas responsáveis pela<br />

Saúde.<br />

Propositadamente, não se avança<br />

nenh uma olução. Aliás, nesta fase<br />

do Programa, seria prematuro fazê, lo.<br />

Todavia, um processo de acreditação<br />

sem consequências , para os que são<br />

acreditados mas, também, para os que<br />

o não são , é o pior serviço que se<br />

pode prestar à qualidade. É tornar a<br />

acreditação num mero troféu sobre a<br />

lareira.<br />

Carlos Manuel Gregório dos Santos,<br />

administrador hospitalar - Instituto<br />

Português de Oncologia Centro<br />

Regional de Oncologia de Coimbra S.A.<br />

dos critérios por parte da organ ização<br />

e proporcionar, lhe um feed,back<br />

susceptível de permitir o<br />

desenvolvimento organizacional. ~<br />

A Antares Consulting é uma empresa do Grupo IPG, co-participada pela ANTARES Espanha e especializada na<br />

prestação de Serviços de Consultoria para o Sector da Saúde, em particular para os seguintes segmentos: Hospitais<br />

e Outras Entidades Prestadores de Serviços Saúde (cuidados continuados), Companhias Seguros de Saúde,<br />

Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Investidores Privados no sector da Saúde.<br />

A Antares desenvolve a sua actividade nas áreas Tecnologias e Sistema de Informação, Estratégia e Organização e<br />

Recursos Humanos e Formação, oferecendo os seguintes serviços:<br />

A Antares Consulting é uma companhia internacional, com sede em Madrid e escritórios em Barcelona e Lisboa. Tem vindo<br />

a trabalhar com 90 clientes em 9 países distintos: Andorra, Bélgica, Bulgária, Espanha, França, Itália, México, Portugal<br />

e Suiça.<br />

Largo das Palmei ras, nº 9 1050-1 68 Lisboa • Tel: 2135858 00 • Fax: 21 31605 05<br />

email: ssalvador@antares-consulting.com •site: www.antares-consulting.com<br />

GESTÃO HOSPITALAR ffi


,A.<br />

DOSSIE<br />

Exige-se do auditor a garantia de<br />

que todos os critérios sob a sua<br />

responsabilidade são avaliados e o seu<br />

grau de cumprimento é registado num<br />

relatório tipo.<br />

O grau de cumprimento dos critérios<br />

é avaliado por três formas distintas<br />

mas complementares:<br />

a)- revisão da documentação;<br />

b)- entrevista aos profissionais<br />

envolvidos e, em determinadas<br />

circunstâncias, aos doentes;<br />

c)- observação do ambiente e das<br />

práticas de trabalho.<br />

Após a avaliação do cumprimento dos<br />

critérios a equipa de auditores produz<br />

um relatório, primeiro verbal, depois<br />

escrito, sobre o que encontrou no<br />

hospital em matéria de cumprimento<br />

das normas. O relatório consiste<br />

basicamente em três grandes grupos:<br />

a)- elogio das práticas excelentes que<br />

tiverem sido observadas;<br />

b)- evidências para cada critério que<br />

não esteja a ser cumprido;<br />

c)- sugestões acerca do modo como<br />

a organização poderá continuar a<br />

desenvolver o seu trabalho por<br />

forma a garantir o cumprimento<br />

dos critérios.<br />

O auditor (surveyor) necessita de<br />

possuir um conjunto de qualidades que<br />

garantam o sucesso de uma auditoria.<br />

Tem que estar bem preparado em<br />

relação aos critérios que vai avaliar,<br />

em relação ao horário com que vai<br />

trabalhar, em relação aos documentos<br />

que necessita de examinar.<br />

Tem que ser preciso e ter objectivos<br />

claros para cada entrevista.<br />

Tem que ser pontual. O horário de uma<br />

auditoria é, regra geral, apertado.<br />

Tem que ser objectivo. Embora<br />

necessite de produzir juízos, estes devem<br />

basear-se em factos, suportados por<br />

evidências claras.<br />

Tem que ser diplomático por forma<br />

a tranquilizar os entrevistados,<br />

normalmente nervosos e ansiosos.<br />

Tem que ser flexível por forma a<br />

reconhecer e responder a uma variedade<br />

de comportamentos e situações.<br />

Tem que ser profissional. O auditor<br />

está num papel de representação<br />

institucional de uma organização de<br />

prestígio, no caso português o I QS,<br />

e o seu desempenho deve reflectir,<br />

com profissionalismo, esse papel<br />

institucional.<br />

O papel do auditor<br />

é o de avaliar o<br />

grau de cumprimento<br />

das normas e dos<br />

critérios por parte da<br />

. -<br />

organizaçao e<br />

proporcionar-lhe um<br />

f eed ... back susceptível<br />

de permitir o<br />

desenvolvimento<br />

organizacional.<br />

Para o desenvolvimento destas<br />

características e dos skills necessários<br />

ao controlo das situações que podem<br />

ocorrer durante uma entrevista de<br />

auditoria - o desenvolvimento e<br />

compreensão de uma linguagem não<br />

verbal, a capacidade de ouvir, a<br />

capacidade de síntese, o controlo do<br />

tempo - é fundamental a formação.<br />

Faço parte da bolsa de auditores do IQS<br />

desde Outubro de 2001 tendo, para o<br />

efeito, recebido formação intensiva em<br />

sala durante duas semanas (III Curso<br />

de Selecção e Treino de Auditores de<br />

Qualidade), ministrada por especialistas<br />

do HQS.<br />

Sendo indispensável a formação<br />

teórica, a simulação, o estudo de casos,<br />

o certo é que o treino em situação real,<br />

acompanhando um surveyor experiente<br />

ao longo de uma semana, vendo como<br />

actua, como entrevista, como regista<br />

as evidências, sendo verdadeiramente a<br />

"sua sombra", assistindo às reuniões no<br />

final do dia para alinhar ideias, cruzar<br />

referências com os colegas, participar<br />

das reuniões de preparação do f eed-back<br />

à organização, tudo isto é vital para a<br />

formacão , de um auditor.<br />

Tive a oportunidade de participar,<br />

na qualidade de auditor "sombra" e<br />

em representação do IQS, em três<br />

auditorias. A primeira, no Hospital<br />

Fernando Fonseca (Amadora-Sintra)<br />

e as seguintes no Hospital de S.<br />

Teotónio (Viseu), a cujos Conselhos de<br />

Administração agradeço a confiança<br />

que permitiu que integrasse a equipa e<br />

a oportunidade de conhecer melhor as<br />

suas organizações.<br />

Todavia aquilo que, como profissional<br />

de administração hospitalar, considero<br />

mais enriquecedor nestas experiências<br />

não é apenas o capital extraordinário<br />

de formação que é proporcionado pelo<br />

contacto com as excelentes práticas<br />

destas organizações e com aquelas<br />

áreas que constituem ainda uma<br />

oportunidade de melhoria.<br />

Mais importante ainda é o contributo<br />

desse olhar sobre uma outra<br />

organização, necessariamente mais<br />

objectivo porque mais distante, para<br />

uma análise das fraquezas e das forças<br />

daquela em que trabalhamos.<br />

A participação numa equipa de<br />

auditores faculta-nos o privilégio de,<br />

com a distância necessária, analisarmos<br />

e questionarmos as nossas próprias<br />

práticas através da observação das<br />

práticas dos outros.<br />

E é por isso, ou é também por isso<br />

que, do meu ponto de vista, é tão<br />

importante para a credibilização de<br />

um programa de acreditação, que os<br />

auditores sejam profissionais de saúde.<br />

Para o hospital auditado existe a<br />

garantia de que as suas práticas são<br />

analisadas por quem enfrenta problemas<br />

idênticos na sua própria organização.<br />

Para o auditor é uma oportunidade de<br />

ouro para questionar as suas próprias<br />

metodologias e contribuir para a<br />

melhoria da organização onde trabalha.<br />

Tal como na observação de uma obra de<br />

arte, nem sempre a melhor perspectiva<br />

é a mais próxima do objecto. Às vezes<br />

é necessário dar um passo atrás para ver<br />

melhor. <br />

A participação<br />

numa equipa de<br />

auditores facultanos<br />

o privilégio de,<br />

com a distância<br />

, .<br />

necessaria,<br />

analisarmos e<br />

q~estionarmos as<br />

nossas próprias<br />

práticas através<br />

da observação das<br />

práticas dos<br />

outros.<br />

Realidade da Medicina Geral na Bélgica<br />

N<br />

a Bélgica verifica-se uma<br />

evolução qualitativamente<br />

positiva da medicina, quer quanto<br />

ao número de médicos, quer de<br />

actos praticados. A medicina geral<br />

tem, contudo, uma evolução própria,<br />

que fixa o seu lugar no sistema de<br />

saúde belga. É esse lugar, o papel aí<br />

desempenhado e as perspecti vas de<br />

evolução da medicina geral e familiar<br />

que Willy Heuschen, secretário-geral<br />

da Asso.ciação Europeia de Gestores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es, abordou na conferência<br />

proferida na 6ª edição do Forum<br />

Gulbenkian - <strong>2003</strong>, promovido pela<br />

APAH, e a que resumidamente se<br />

alude de seguida.<br />

Segurança na doença<br />

O sistema de segurança na doença<br />

é, na Bélgica, quase universal, sendo<br />

constituído por seguro de doença<br />

obrigatório, que absorve uma cada<br />

vez maior fatia orçamental. De 1983<br />

a 1998 passou de 22 para 30<br />

por cento do total, em detrimento<br />

das prestações familiares, que caíram<br />

de 14 para 11 por cento; das<br />

indemnizações, que baixaram de 9<br />

para 6 por cento; bem como dos<br />

subsídios de desemprego, que<br />

desceram de 14 para 11 por cento.<br />

Excepção para as pensões, que, no<br />

mesmo período, cresceram de 43 para<br />

44 por cento.<br />

De sublinhar que os cuidados estão<br />

organizados por níveis com uma oferta<br />

variada e um custo controlado por<br />

tabelas de actos que condicionam a<br />

comparticipação para os doentes e a<br />

convenção com os prestadores.<br />

O seguro obrigatório é negociado<br />

entre as entidades seguradoras, os<br />

profissionais de saúde e as autoridades<br />

públicas.<br />

A acessibilidade, à data, atinge 99 por<br />

cento da população, sem existência de<br />

listas de espera.<br />

Cuidados de saúde<br />

O sistema de cuidados de saúde<br />

é constituído por uma concepção<br />

liberal da medicina. N a sua maioria,<br />

os prestadores de cuidados são<br />

independentes e pagos por acto, e<br />

a liberdade de escolha por parte do<br />

cidadão é total, quer quanto aos<br />

prestadores, quer no que respeita aos<br />

actos médicos.<br />

Willy Heuschen, secretário-geral da Associação Europeia de Gestores <strong>Hospitalar</strong>es (à<br />

esq.), Alcindo Maciel Barbosa, ex-coordenador da Sub-Região de Saúde de Viana do<br />

Castelo (ao centro), e Luís Pisco, presidente da direcção da Associação Portuguesa<br />

de Médicos de Clínica Geral.<br />

<strong>2003</strong><br />

dação Calouste Gulbenki<br />

AUDITÓ.RIO 2<br />

~ o<br />

_ ___,,,,._.....,......,_<br />

Esta característica tem implicado<br />

uma evolução numérica dos médicos<br />

generalistas e especialistas, maior no<br />

segundo caso em virtude dos melhores<br />

pagamentos em relação aos especialistas.<br />

Médico generalista<br />

O médico generalista tem um papel<br />

fundamental no aconselh amento do<br />

doente. É por vezes também<br />

designado por médico de família, por<br />

ter a seu cargo todos os membros da<br />

família e porque exerce sobre ela um<br />

papel global de conselheiro de saúde,<br />

orientando-a, em caso de doença,<br />

para o especialista mais adequado.<br />

O exercício da medicina faz-se em<br />

consultório, mas também<br />

frequentemente ao domicílio ( cerca<br />

de 50 por cento das consultas), a<br />

qualquer hora do dia.<br />

O número de atendimentos em<br />

consulta destes médicos é maior do que<br />

de especialistas. Os dados demonstram<br />

que um cidadão belga recorre três vezes<br />

mais ao médico generalista, ou de<br />

família, do que ao especialista.<br />

Entre pessoas idosas (mais de 65<br />

anos), o recurso a médicos generalistas<br />

é também três vezes superior<br />

relativamente a pessoas mais jovens,<br />

sendo que nas zonas rurais, a diferença<br />

é ainda maior, em virtude da menor<br />

disponibilidade de especialistas.<br />

Ao medico generalista é ainda<br />

atribuído o papel de "sujeito" de<br />

economia e de controlo sobre o<br />

consumo de cuidados de saúde, n a<br />

medida em que a sua "acreditação" vai<br />

evoluindo numa escola que respeita<br />

certas regras de boas práticas de<br />

prescrição, manutenção de níveis de<br />

saúde, prevenção da doença, etc., bem<br />

como manutenção de um processo<br />

clínico dos seus doentes.<br />

Perspectivas de evolução<br />

As perspectivas de evolução da<br />

medicina geral e familiar estão<br />

dependentes de diversos factores,<br />

nomeadamente:<br />

- Melhoria dos níveis de reembolso<br />

(tabelas de actos) dos médicos<br />

generalistas ou de família;<br />

associação destes médicos aos<br />

cuidados hospitalares, nomeadamente<br />

pela sua participação nos conselhos<br />

médicos de cada hospital, bem como<br />

nos comités de ética; assunção de<br />

um papel de coordenação nos lares<br />

de terceira idade com ou sem<br />

prestação de cuidados; e obtenção de<br />

uma protecção especial de forças de<br />

segurança nos serviços domiciliários.<br />

rnoESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


XII Jornadas de administração hospitalar<br />

A empresarialização do hospital público português<br />

AEscola N acional de Saúde<br />

Pública e a Associação<br />

Portuguesa de Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es levaram a efeito, nos<br />

dias 10 e 11 de Abril, na Fundação<br />

Calouste Gulbenkian, as XII Jornadas<br />

de Administração <strong>Hospitalar</strong>, cuja<br />

sessão de abertura foi presidida pelo<br />

ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira.<br />

Subordinadas ao tema<br />

"Empresarialização do hospital<br />

público português", as Jornadas<br />

incluíram três conferências, tendo<br />

testemunho. Penso, aliás, que<br />

estamos todos envolvidos num novo<br />

processo de aprendizagem,<br />

independentemente das dúvidas ou<br />

erros de percurso, do ritmo das<br />

transformações, dos seus opositores<br />

irredutíveis ou dos seus aderen tes<br />

incondicionais.<br />

Aos administradores hospitalares<br />

colocam-se, hoje, novos desafios.<br />

Desde logo, saber liderar e<br />

concretizar novas formas de gerir<br />

os nossos hospitais, através de<br />

instrumentos adequados, novos<br />

modelos de organização do trabalho,<br />

de financiamento, de gestão de<br />

recursos humanos, de negociação, de<br />

medida e avaliação dos resultados.<br />

Por outro lado, saber lidar com os<br />

novos cenários que envolvem hoje a<br />

O Ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, em diálogo com o presidente e vice-presidente<br />

da APAH, Manuel Delgado e Pedro Lopes.<br />

O Ministro da Saúde, intervindo na sessão<br />

de abertura das Jornadas.<br />

A Mesa de Abertura das Jornadas. Da esquerda para a direita: Galvão de Melo,<br />

director da ENSP; Leopoldo Guimarães, reitor da UNL; Luís Filipe Pereira, Ministro<br />

da Saúde; Manuel Delgado, presidente da APAH e Rui Vilar, presidente da Fundação<br />

Calouste Gulbenkian.<br />

tido, entre outras personalidades, as<br />

presenças do reitor da Universidade<br />

Nova de Lisboa, do presidente da<br />

Fundação Calouste Gulbenkian, e da<br />

admimistradora Isabel Mota.<br />

No primeiro dia, os grandes assuntos<br />

foram "A nova gestão pública" e<br />

"Modelos de financiamento", tendo<br />

ocorrido seminários simultâneos em<br />

que se analisou e discutiu o<br />

financiamento, modelos de<br />

distribuição regional de recursos,<br />

avaliação dos hospitais, processo de<br />

transformação de entidades públicas<br />

em privadas, bem como sistemas de<br />

O Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, praticamente repleto, na sessão<br />

de abertura das Jornadas.<br />

incen tivos aos profissionais.<br />

No último dia, a conferência aludiu<br />

aos "Modelos de avaliação", matéria<br />

que foi repartida por dois seminários,<br />

um em que se avaliou a coisa pública<br />

e se apresentou uma experiência<br />

de financiamento; outro em que se<br />

avaliou uma experiência de regulação<br />

e se expôs o processo de uma<br />

experiência de empresarialização.<br />

Os novos desafios<br />

N a intervenção da sessão de<br />

abertura, em que começou por<br />

agradecer de forma particular a<br />

presença honrosa do ministro da<br />

Saúde, bem como do reitor da<br />

Universidade Nova de Lisboa e do<br />

presidente da Fundação Calouste<br />

Gulbenkian, o presidente da APAH,<br />

Manuel Delgado, sublinhou:<br />

A realização destas Jornadas ocorre<br />

num momento particularmente<br />

importante para a vida dos hospitais<br />

e, naturalmente para o futuro dos<br />

doentes que tratamos.<br />

Vivemos sob o signo da<br />

"empresarialização".<br />

Os profi ssionais de gestão hospitalar<br />

que aqui represento sentem-se<br />

particularmente motivados,<br />

disponíveis e ciosos de aprender<br />

novas metodologias, trabalhar com<br />

novos instrumentos e contactar com<br />

novas experiências. A sua<br />

significativa presença nestas Jornadas<br />

são disso um incontornável<br />

profissão que escolheram ..<br />

Apesar da natural ansiedade que<br />

se vive nos hospitais, uns porque<br />

já passaram a SA's, outros porque<br />

aguardam o impacte da mais recente<br />

legislação, con virá dizer que os A .H .,<br />

descontando algumas adversidades de<br />

percurso, têm mantido, no essen cial,<br />

uma postura de disponibilidade e<br />

colaboração, que muito tem<br />

contribuído para a governabilidade<br />

destas complexas organizações.<br />

O desen volvimento de uma<br />

multiplicidade de formações<br />

académicas na área da gestão da<br />

saúde, levadas a cabo por<br />

universidades e escolas diversas,<br />

públicas e privadas, atesta bem a<br />

importância que é dada a esta<br />

área do conhecimento e acompanha,<br />

naturalmente, uma agenda política<br />

em que a gestão, a eficiência e a<br />

qualidade são prioridades n o discurso<br />

da Saúde.<br />

N ão estamos porventura ainda<br />

preparados para separar o trigo do<br />

joio, o oportunismo da seriedade.<br />

Mas cabe-nos também a nós uma<br />

quota-parte de responsabilidade na<br />

definição de regras que credibilizem<br />

esta área do conhecimento,<br />

naturalmente com abertura e sem<br />

preconceitos, mas com a experiência,<br />

a profundidade e o treino a que nos<br />

habituámos na ENSP.<br />

A transformação do sector<br />

hospitalar, quer na componen te<br />

pública, quer na componente<br />

privada, exige o reforço e a<br />

sofisticação da área de gestão, com<br />

profissionais bem preparados e<br />

permanentemente actualizados.<br />

N ão só para os lugares de topo,<br />

mas também para a administração<br />

intermédia ou nos mais diversos<br />

lugares de natureza técnica.<br />

N um artigo publicado há cerca<br />

de 15 dias no insuspeito BMJ,<br />

alguém escrevia: "não haver gestores<br />

hospitalares é tão letal para a<br />

actividade desses estabelecimen tos<br />

como a ausência de médicos".<br />

O futuro estará assim do nosso lado.<br />

Sejamos optimistas.<br />

A sessão de encerramento das XII Jornadas de Administração <strong>Hospitalar</strong>. Da esq.<br />

para a direita: Vasco Reis, Constantino Sakellarides,Nogueira da Rocha, Manuel<br />

Delgado e Correia de Campos.<br />

ti<br />

l<br />

al) GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />

O projecto de regulamentação<br />

do Governo<br />

Preâmbulo<br />

A Lei 27/2002, de 8 de Novembro que<br />

aprovou o regime jurídico da <strong>Gestão</strong><br />

<strong>Hospitalar</strong>, determina que a estrutura<br />

orgãnica das instituições hospitalares<br />

públicas, nomeadamente a composição,<br />

competências e funcionamento dos<br />

órgãos de administração, apoio técnico,<br />

fiscalização e de consulta, bem como<br />

os modelos de financiamento e de<br />

avaliação da actividade realizada, devem<br />

constar de um regulamento a aprovar<br />

por diploma próprio do Governo.<br />

Os hospitais constituem um sector<br />

estratégico da Rede de Prestação<br />

de Cuidados de Saúde em geral,<br />

destacando,se em todos os países e<br />

sistemas de saúde pela sua natureza<br />

e diferenciação técnico,científica, pelo<br />

seu impacte clínico,assistencial na<br />

comunidade, e pelo contributo<br />

relevante que tem dado à educação<br />

e investigação na saúde. O seu peso<br />

no orçamento de estado e na despesa<br />

pública, quer no plano logístico e<br />

tecnológico, quer em recursos humanos,<br />

justifica a necessidade de repensar os<br />

seus modelos de organização, métodos<br />

de gestão e regras de funcionamento.<br />

Não obstante os progressos alcançados,<br />

a realidade tem revelado que os<br />

modelos de organização dos hospitais .<br />

do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se<br />

encontram desajustados às necessidades<br />

actuais das populações, aos novos<br />

padrões de doença e oportunidades<br />

terapêuticas, justificando as alterações<br />

legislativas em curso. Estas têm como<br />

principal objectivo, introduzir uma<br />

maior descentralização na estrutura<br />

funcional, uma maior capacidade<br />

directiva aos órgãos máximos e<br />

intermédios da gestão hospitalar,<br />

nomeadamente aos conselhos de<br />

administração e aos directores de<br />

departamento ou de serviço, bem<br />

como uma identificação clara das suas<br />

responsabilidades na cadeia hierárquica.<br />

O novo modelo de organização exige<br />

de todos os profissionais habilitações<br />

para trabalho em equipas de saúde<br />

multiprofissionaís, e aos respectivos<br />

gestores capacidade de liderança e<br />

conhecimentos que lhes permitam<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

utilizar de forma eficiente os<br />

instrumentos de gestão ao seu dispor.<br />

A par de se reconhecer o contributo<br />

insubstituível dos profissionais de saúde,<br />

e de respeitar as suas competências<br />

ou interesses legítimos, este novo<br />

regime atribui, lhes maior autonomia<br />

e correspondente responsabilização na<br />

gestão clínica, bem como incentivos à<br />

produtividade e qualidade assistenciais.<br />

Paralelamente, o modelo tradicional de<br />

financiamento dos hospitais, baseado em<br />

orçamentos históricos, será igualmente<br />

substituído por um novo regime de<br />

pagamento dos actos, técnicas e serviços<br />

efectivamente prestados, segundo uma<br />

Tabela de Preços única para todo o<br />

SNS, que simultâneamente os classifica,<br />

bem como a contratualização de serviços<br />

por objectivos concretos, adequados<br />

às necessidades das populações e às<br />

capacidades das instituições, premiando<br />

o mérito e o desempenho dos<br />

profissionais. Estes, serão monitorizados<br />

de acordo com um sistema de avaliação<br />

regular, incluindo um conjunto<br />

ponderado de factores, em estreita<br />

ligação com a produção realizada, a<br />

eficiência demonstrada e a qualidade dos<br />

resultados obtidos. Os indicadores da<br />

actividade dos hospitais, reportados ao<br />

ano civil anterior, constituirão matéria<br />

de divulgação e apreciação pública.<br />

Foram ouvidas as organizações<br />

representativas dos profissionais do<br />

sector, de harmonia com a Lei nº 23/98,<br />

de 26 de Maio.<br />

Assim, no desenvolvimento do regime<br />

jurídico estabelecido pelos n ºs 2 e 1,<br />

respectivamente dos artigos 9º e 11 º do<br />

Regime Jurídico da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>,<br />

aprovado pela Lei nº 27/2002, de 8 de<br />

Novembro, e nos termos das alíneas a) e<br />

c) do nº 1 do artigo 198º da Constituição,<br />

o Governo decreta o seguinte:<br />

CAPÍTULO 1<br />

ÃMBITO E NATUREZA JURÍDICA<br />

Artigo 1 º (Ãmbito de aplicação)<br />

O presente diploma aplica,se aos<br />

hospitais do Serviço Nacional de<br />

Saúde (SNS) integrados na Rede<br />

de Prestação de Cuidados de Saúde,<br />

referidos na alíneas a) do n º 1 do<br />

artigo 2º do Regime Jurídico da<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, aprovado pela Lei<br />

nº nº27/2002, de 8 de Novembro, sem<br />

prejuízo do disposto no artigo 42º.<br />

Artigo 2º (Natureza jurídica)<br />

1, Os hospitais referidos no artigo<br />

anterior são pessoas colectivas públicas,<br />

dotadas de personalidade jurídica, com<br />

ou sem autonomia patrimonial, cuja<br />

capacidade jurídica abrange a<br />

universalidade de direitos e obrigações<br />

necessários à prossecução dos seus fins.<br />

2, A autonomia financeira constante<br />

da natureza jurídica dos hospitais não<br />

prejudica o direito dos funcionários<br />

e agentes hospitalares de serem<br />

beneficiários da Assistência na<br />

Doença aos Servidores Civis do<br />

Estado (ADSE), de harmonia com o<br />

disposto no Decreto, Lei n º 118/83, de<br />

25 de Fevereiro.<br />

CAPÍTULO II<br />

ESTRUTURA E ÓRGÃOS<br />

Secção I<br />

Disposições gerais<br />

Artigo 3º<br />

Estrutura de gestão<br />

1, Nos termos do número 3 do artigo<br />

11 º da Lei 2 7 /2002 de 8 de Novembro,<br />

as estruturas orgânicas dos hospitais<br />

podem desenvolver a sua acção por<br />

centros de responsabilidade e de custo.<br />

2, Os centros de responsabilidade<br />

são unidades orgãnicas descentralizadas<br />

dotadas de objectivos específicos e de um<br />

conjunto de meios materiais e humanos<br />

que permitem ao responsável do centro<br />

realizar o seu programa de actividade<br />

com a maior autonomia possível.<br />

3, A organização do hospital em<br />

centros de responsabilidade deve<br />

reflectir um organograma de gestão<br />

que sistematize a divisão de<br />

responsabilidade ao longo da cadeira<br />

hierárquica.<br />

4, O ãmbito da responsabilidade do<br />

centro varia, podendo recair:<br />

a) apenas sobre os custos<br />

(centros de custos),<br />

b) sobre custos e proveitos<br />

(centros de proveitos),<br />

c) sobre custos, proveitos<br />

e activos patrimon iais<br />

(centros de investimentos).<br />

5, Cabe ao conselho de administração<br />

aprovar o organigrama e a<br />

identificação dos respectivos centros<br />

de responsabilidade a integrar no<br />

regulamento interno do h ospital.<br />

Artigo 4º<br />

(Órgãos)<br />

1, O s h ospitais referidos no artigo 1 º<br />

compreendem os seguintes órgãos:<br />

a) Órgão de administração;<br />

b) Órgãos de apoio técnico;<br />

e) Órgão de fiscalização;<br />

d) Órgão de consulta.<br />

2, O órgão de administração é o<br />

conselho de administração.<br />

3, São órgãos de apoio técnico, as<br />

comissões de ética, de humanização<br />

e qualidade de serviços, de infecção<br />

hospitalar e de farmácia e de<br />

terapêutica, sem prejuízo de poderem<br />

ser criados outros órgãos de apoio<br />

técnico que, por lei ou por despacho<br />

do conselho de administração, hajam<br />

que existir, e cuja estrutura,<br />

composição e funcionamento constem<br />

do regulamento interno.<br />

4, O órgão de fiscalização é o fiscal único.<br />

5, O órgão de consulta é o conselho<br />

consultivo.<br />

Secção II<br />

Dos órgãos<br />

Subsecção l<br />

Do órgão de administração<br />

Artigo 5º<br />

(Composição e nomeação<br />

do conselho de admin istração)<br />

1, O conselho de administração é<br />

composto pelo presidente, e por um<br />

vogal, como membros executivos, e<br />

pelos director clínico e enfermeiro,<br />

director que o integram como<br />

membros não executivos formando a<br />

direcção técnica.<br />

2, Os membros executivos do<br />

conselho de administração são<br />

nomeados pelo Ministro da Saúde, sob<br />

proposta do Presidente do C onselho<br />

de Administração.<br />

3, Os membros não executivos do<br />

conselho de administração, são<br />

nomeados pelo Ministro da Saúde, sob<br />

proposta do presidente do conselho de<br />

administração.<br />

4, O Ministro da Saúde pode<br />

determinar que, face ao perfil do<br />

presidente do conselho de<br />

administração, natureza e dimensão<br />

do h ospital, aquele assuma também<br />

as competências dos outros membros,<br />

caso em que não haverá lugar à<br />

designação do respectivo titular.<br />

5, A composição do conselh o de<br />

administração referida n o n º 1 pode<br />

variar face à natureza e dimensão do<br />

h ospital, de acordo com o que vier a<br />

ser fixado no regulamento interno mas<br />

sempre com o limite máximo de sete<br />

membros.<br />

6, Sem prejuízo do disposto nos n ºs<br />

1 a 4, os membros executivos podem<br />

ser coadjuvados por um outro vogal,<br />

nomeado pelo Ministro da Saúde, sob<br />

proposta do presidente do conselho de<br />

administração.<br />

A rtigo 6º<br />

( Competên cias do conselh o<br />

de administração)<br />

1, C ompete ao conselh o de<br />

administração a defin ição e<br />

cumprimento dos princípios<br />

fundamentais, bem como o exercício<br />

de todos os poderes de gestão que<br />

por lei estejam atribuídos aos órgãos<br />

máximos de gestão, e em especial:<br />

a), Elaborar os plan os de acção<br />

anuais e plurianuais, e respectivos<br />

orçamentos a submeter à aprovação<br />

do Ministro da Saúde, bem como,<br />

de harmonia com a alínea b) do<br />

n º 1 do artigo 1 Oº do Regime Jurídico<br />

da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, aprovado pela<br />

Lei nº27/2002, de 8 de N ovembro,<br />

celebrar contratos,programa com a<br />

A dministração Regional de Saúde<br />

(ARS) respectiva.<br />

b), Definir as linhas de orientação a<br />

que devem obedecer a organização e<br />

funcionamento do hospital nas áreas<br />

clínicas e n ão clínicas, propondo<br />

a criação de novos serviços, sua<br />

extinção ou modificação , e alteração<br />

da sua lotação;<br />

c), Acompanhar e avaliar<br />

sistematicamente a actividade<br />

desenvolvida pelo h ospital,<br />

designadamente, responsabilizando<br />

os diferentes sectores pela utilização<br />

dos meios postos à sua disposição<br />

e pelos resultados atingidos,<br />

designadamente em termos da<br />

qualidade dos serviços prestados;<br />

d), Definir as regras atinentes à<br />

assistência prestada aos doen tes,<br />

assegurar o funcionamento<br />

h armónico dos serviços de<br />

assistência, garan tir a qualidade e<br />

prontidão dos cuidados de saúde<br />

prestados pelo hospital;<br />

e), A provar as orientações clínicas<br />

Posição<br />

da APAH ...<br />

1<br />

(Apreciação Geral)<br />

N a sequência da aprovação<br />

da Lei 2 7 /2002, de 8<br />

de N ovembro sobre o<br />

regime jurídico da <strong>Gestão</strong><br />

H ospitalar, o G overno<br />

dispon ibilizou para parecer<br />

dos diferentes parceiros e<br />

associações profissionais,<br />

uma proposta de Decreto,<br />

Lei de Execução aplicável<br />

aos h ospitais do SNS, com<br />

a excepção já conhecida<br />

dos h ospitais S.A., objecto<br />

de orientação<br />

enq uadradora<br />

procedimentalmente<br />

diferente.<br />

O projecto de Decreto,Lei<br />

em apreço é, na<br />

globalidade, um<br />

documento mal<br />

estruturado, tecn icamente<br />

inconsistente,<br />

juridicamente pobre e, em<br />

muitos aspectos, com uma<br />

redacção muito pouco<br />

cuidada. Mais se assemelha<br />

a uma man ta de retalhos,<br />

pela falta de sequência<br />

e desorgan ização<br />

generalizada, incoerên cia<br />

conceptual e conflito<br />

potencial de competên cias.<br />

O que torna a sua<br />

aplicabilidade<br />

materialmente muito<br />

difícil e nalguns casos<br />

impossível.<br />

Revela, por outro lado,<br />

uma en orme falta de<br />

sensibilidade para o<br />

caracter específico das<br />

organizações h ospitalares,<br />

pela forma ligeira e errada<br />

como aborda os orgãos de<br />

gestão , com con tradições<br />

graves e desvalori:ação das<br />

direcções técn icas e, ainda,<br />

pela incapacidade<br />

manifesta em regular a<br />

estrutura de prestação de<br />

cuidados de forma<br />

consistente e inovadora.<br />

GESTÃ O HOSPITALAR rn


elativas à prescrição de medicamentos<br />

e meios complementares de<br />

diagnóstico e terapêutica, bem como<br />

os protocolos clínicos adequados às<br />

patologias mais frequentes, sob<br />

proposta do director clínico, e ratificar<br />

a respectiva avaliação;<br />

f)- Promover a realização, sob<br />

proposta do director clínico, da<br />

avaliação externa do cumprimento<br />

das orientações clínicas e protocolos<br />

mencionados, em colaboração com<br />

a Ordem dos Médicos e instituições<br />

de ensino médico e sociedades<br />

científicas;<br />

g)- Autorizar a realização de ensaios<br />

clínicos e terapêuticos nos termos da lei;<br />

h)- Autorizar a introdução de novos<br />

medicamentos e outros produtos de<br />

consumo hospitalar, com incidência<br />

significativa nos planos assistencial e<br />

económico;<br />

i)- Tomar conhecimento e determinar<br />

as medidas adequadas, se for caso<br />

disso, sobre as queixas e reclamações<br />

apresentadas pelos utentes;<br />

j )- Garantir a execução das políticas<br />

referentes aos recursos humanos,<br />

designadamente as relativas à sua<br />

admissão, nomeação, dispensa,<br />

avaliação, regimes de trabalho e<br />

horários, faltas, formação, segurança<br />

e incentivos;<br />

1)- N omear e designar o pessoal<br />

dirigente, chefias e responsáveis pelos<br />

serviços hospitalares;<br />

m)- Exercer a competência em<br />

matéria disciplinar prevista na lei<br />

independentemente da relação<br />

jurídica de emprego;<br />

n)- Aprovar os documentos de<br />

prestação de contas;<br />

o)- Acompanhar periodicamente a<br />

execução do orçamento aplicando<br />

as medidas destinadas a corrigir<br />

os desvios em relação às previsões<br />

realizadas;<br />

p)- Assegurar a regularidade da<br />

cobrança das receitas e da realização<br />

e pagamento da despesa do hospital,<br />

permitindo-lhe, declarar as suas<br />

dívidas como incobráveis;<br />

q)- Autorizar despesas com aquisição<br />

de bens e serviços até ao valor<br />

máximo legal permitido aos órgãos<br />

dirigentes de organismos com<br />

autonomia administrativa e<br />

financeira, que resultem da aplicação<br />

de regulamento específico ou que lhe<br />

forem delegados;<br />

r)- Tomar as providências necessárias<br />

à conservação do património,<br />

designadamente autorizar todas as<br />

despesas com obras de construção,<br />

beneficiação, ampliação ou<br />

remodelação das instalações em<br />

execução do plano de acção,<br />

aprovado pela ARS, assim como<br />

as despesas de simples conservação<br />

e reparação e beneficiações das<br />

instalações e do equipamento;<br />

s)- Propor à ARS a celebração de<br />

contratos com entidades privadas e<br />

sociais sempre que a prática de boa<br />

gestão o justifique;<br />

t)- Aprovar o regulamento interno;<br />

u)- Fazer cumprir as disposições<br />

legais e regulamentares aplicáveis.<br />

2- Compete ainda ao conselho de<br />

administração submeter a despacho<br />

do Ministro da Saúde a proposta<br />

de protocolo destinado a organizar o<br />

exercício da medicina privada, dentro<br />

do estabelecimento hospitalar, quando<br />

requerida pelos seus membros.<br />

3- Sem prejuízo do disposto no<br />

número anterior e em normas<br />

especiais, os conselhos de<br />

administração detêm ainda as<br />

competências legalmente atribuídas<br />

aos directores gerais da administração<br />

central do Estado.<br />

4- O conselho de administração<br />

pode, sem prejuízo do disposto no<br />

n ° 1, delegar ou subdelegar, nos<br />

termos da lei, nos seus membros ou<br />

demais pessoal dirigente e chefias,<br />

independentemente do vínculo<br />

laboral, as suas competências<br />

originárias bem como as que lhe forem<br />

atribuídas.<br />

5- Sem prejuízo do disposto<br />

no número anterior, compete<br />

especialmente ao presidente<br />

do conselho de administração:<br />

a)- Coordenar a actividade<br />

do conselho de administração,<br />

e dirigir as respectivas reuniões;<br />

b)- Zelar pela correcta execução<br />

das deliberações do conselho<br />

de administração;<br />

c)- Representar o conselho de<br />

administração em juízo e fora dele.<br />

Artigo 7º<br />

(Funcionamento do conselho<br />

de administração)<br />

1- O conselho de administração<br />

reúne semanalmente e, ainda, sempre<br />

que convocado pelo presidente, por<br />

solicitação de dois membros do<br />

Conselho de Administração ou do<br />

Diga-se a propósito, e n a<br />

sequência das críticas que<br />

já apresentamos aquando<br />

da aprovação da Lei de<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, que se<br />

perde aqui uma<br />

oportunidade única de criar<br />

formas mais integradas de<br />

organização do trabalho<br />

clínico, muito mais<br />

orientadas pelos processos<br />

de actuação face à<br />

patologia dos doentes do<br />

que pelas especialidades.<br />

Choca-nos por fim, a<br />

omissão absoluta dos<br />

profissionais de<br />

administração hospitalar.<br />

Aparentemente, não têm<br />

qualquer papel na estrutura<br />

de gestão dos hospitais,<br />

o que contradiz de forma<br />

categórica, o sentido<br />

responsável e altamente<br />

profissional que a Tutela<br />

quer atribuir à nova gestão<br />

hospitalar.<br />

Diga-se a propósito que<br />

todo o diploma aponta para<br />

um modelo de gestão<br />

cada vez mais politizado,<br />

desenvolvido em torno de<br />

interesses circunstanciais e<br />

sem autonomia decisional.<br />

A reforma de gestão<br />

hospitalar poderá ser assim<br />

uma caricatura das<br />

transformações enunciadas,<br />

com efeitos nefastos e<br />

perigosos para a segurança<br />

e bem-estar das populações.<br />

II<br />

(Apreciação na<br />

Especialidade)<br />

Para melhor ilustração<br />

citam-se alguns exemplos<br />

paradigmáticos:<br />

1. No artº 4º, sobre os ·<br />

órgãos, não se prevê a<br />

existência de órgão(s) de<br />

direcção técnica. É a<br />

primeira vez, na legislação<br />

hospitalar portuguesa, que<br />

tal facto, insólito,<br />

acontece. Todavia, no artº<br />

12 º referem-se<br />

competências do Director<br />

Clínico, e no artº 13 º,<br />

referem-se competências<br />

fiscal único.<br />

2- As regras de funcionamento do<br />

conselho de administração serão<br />

fixadas pelo próprio conselho na<br />

sua primeira reun ião e constam do<br />

regulamento interno do hospital.<br />

3- O director clínico e o enfermeirodirector<br />

participam, com direito a<br />

voto, nas reuniões do conselho de<br />

administração.<br />

4- O presidente do conselho de<br />

administração tem voto de qualidade.<br />

5- Das reuniões do conselho de<br />

administração devem ser lavradas<br />

actas, a aprovar na reunião seguinte.<br />

6- Em tudo quanto não esteja previsto<br />

nos números anteriores, deve ser<br />

aplicado, subsidiariamente, o Código<br />

do Procedimento Administrativo<br />

(CPA), aprovado pelo Decreto-Lei<br />

nº 442/91, de 15 de Novembro, na<br />

redacção que lhe fo i conferida pelo<br />

Decreto-Lei nº6/96, de 31 de Janeiro.<br />

Artigo 8º<br />

(Exoneração do conselho de<br />

administração)<br />

1- Os membros do conselho de<br />

administração podem ser livremente<br />

exonerados com fundamento em mera<br />

conveniência de serviço, mediante<br />

indemnização de valor correspondente<br />

aos ordenados vincendos até ao termo<br />

do mandato, mas nunca superior<br />

ao vencimento anual, ao qual será<br />

deduzido o montante do vencimento<br />

do lugar de origem que os respectivos<br />

membros tenham direito a reocupar.<br />

2- A exoneração pode ainda<br />

fundamentar-se em falta de<br />

observãncia da lei ou dos<br />

regulamentos ou na violação grave dos<br />

deveres de gestor.<br />

3- A exoneração fundamentada<br />

nos termos do número anterior é<br />

precedida de audição do interessado,<br />

mas sem dependência de qualquer<br />

processo e sem que haja lugar a<br />

indemnização.<br />

Artigo 9º<br />

(Dissolução do conselho<br />

de administração)<br />

1- O Ministro da Saúde pode dissolver<br />

o conselho de administração nos<br />

seguintes casos:<br />

a)- Desvio substancial entre os<br />

orçamentos e a respectiva execução;<br />

b)- Deterioração dos resultados<br />

da actividade, incluindo a qualidade<br />

dos serviços prestados.<br />

2- Não h averá lugar a dissolução<br />

nos casos em que o conselho de<br />

administração tenha tomado todas<br />

as medidas adequadas para evitar a<br />

verificação dos factos referidos no<br />

número anterior.<br />

Artigo 10º<br />

(Estatuto dos membros)<br />

1- O estatuto de gestor público<br />

aplica-se aos membros executivos<br />

do conselho de administração,<br />

designadamente quanto ao mandato,<br />

incompatibilidades, regime de<br />

trabalho e remunerações.<br />

2- A remuneração dos membros<br />

do conselho de Administração do<br />

hospital é fixada por despacho dos<br />

Ministros das Finanças e Saúde e varia<br />

em função do nível e da lotação do<br />

hospital, não podendo a remuneração<br />

dos membros não executivos ser<br />

inferior ao valor a que têm direito<br />

por virtude da respectiva categoria e<br />

escalão da carreira.<br />

3- Aplica-se aos membros não executivos<br />

do conselho de administração o regime<br />

de incompatibilidades previsto no artigo<br />

20º do Decreto-Lei nº 11/93 de 15 de<br />

Janeiro.<br />

Subsecção II<br />

Da direcção técnica do hospital<br />

Artigo 11 º<br />

(Composição)<br />

A direcção técnica é composta pelos<br />

director clínico e enfermeiro director.<br />

Artigo 12º<br />

(Nomeação e competências do<br />

director clínico)<br />

1- O director clínico é nomeado<br />

pelo Ministro da Saúde, sob proposta<br />

do presidente do conselho de<br />

admin istração, de entre médicos que<br />

trabalhem no SNS.<br />

2- Compete ao director clínico<br />

coordenar toda a assistência prestada<br />

aos doentes, assegurar o<br />

funcionamento harmónico dos<br />

serviços de assistência e garantir a<br />

correcção e prontidão dos cuidados<br />

de saúde prestados e, sem prejuízo<br />

do disposto em sede de regulamento<br />

interno, nomeadamente:<br />

a)- Coordenar a elaboração dos<br />

planos de acção apresentados pelos<br />

vários serviços e departamentos de<br />

acção médica a integrar no plano de<br />

acção global do Hospital;<br />

b)~ Assegurar uma integração<br />

adequada da actividade médica dos<br />

departamentos e serviços,<br />

do Enfermeiro Director.<br />

Estas duas figuras, são até<br />

consideradas como<br />

"Direcção Técnica" no artº<br />

11 º, mas sem qualquer tipo<br />

de suporte orgânico, nem<br />

competências ...<br />

2. A composição do único<br />

orgão de Administração -<br />

o Conselho de<br />

Administração - é confusa<br />

e até aberrante:<br />

a) Define, no máximo,<br />

dois membros executivos<br />

(o Presidente e um Vogal).<br />

Inclui, como não<br />

executivos o Director<br />

Clínico e o Enfermeiro<br />

Director. E, de uma forma<br />

imprecisa e ligeira, admite,<br />

numa interpretação<br />

generosa do que vem<br />

escrito, até mais 3<br />

membros não executivos<br />

(cf. Artº 5º). Como os<br />

membros não executivos<br />

têm direito a voto, pode<br />

gerar-se a situação absurda<br />

destes serem maioritários<br />

nas votações e liderarem<br />

estrategicamente o<br />

hospital. Refira-se a<br />

propósito, que não se<br />

entende a atribuição de<br />

direito de voto a membros<br />

não executivos. Em bom<br />

rigor o papel de membros<br />

não executivos em<br />

Conselhos de<br />

Administração, é,<br />

essencialmente de<br />

colaboração e consulta,<br />

numa perspectiva<br />

exclusivamente opinativa<br />

e não decisional.<br />

b) No nº 4 do artº<br />

5º chega-se ao absurdo<br />

de admitir que o<br />

Presidente do Conselho<br />

de Administração possa<br />

assumir " ... as competências<br />

dos outros membros ...<br />

"(sic), tornando-se o<br />

Conselho de<br />

Administração um orgão<br />

uninominal. Só o<br />

conhecimento<br />

enciclopédico - de<br />

medicina, de enfermagem<br />

e de gestão - poderiam<br />

rn GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


designadamente através de uma<br />

utilização não compartimentada da<br />

capacidade instalada;<br />

c)- Propor medidas necessárias à<br />

melhoria das estruturas organizativas,<br />

funcionais e físicas dos serviços de<br />

acção médica, dentro de parâmetros<br />

de eficiência e eficácia reconhecidos,<br />

que produzam os melhores resultados<br />

face às tecnologias disponíveis;<br />

d)- Propor ao conselho de<br />

administração a aprovação das<br />

orientações clínicas relativas à<br />

prescrição de medicamentos e meios<br />

complementares de diagnóstico e<br />

terapêutica, bem como dos<br />

protocolos clínicos adequados às<br />

patologias mais frequentes,<br />

efectuando um acompanhamento<br />

regular, designadamente a sua<br />

avaliação em termos de qualidade e<br />

de custo-benefício;<br />

e)- Propor ao Conselho de<br />

Administração a realização, sempre<br />

que necessário, da avaliação externa<br />

do cumprimento das orientações<br />

clínicas e protocolos mencionados,<br />

em colaboração com a Ordem dos<br />

Médicos e instituições de ensino<br />

médico e sociedades científicas;<br />

f)- Desenvolver a implementação<br />

de instrumentos de garantia de<br />

qualidade técnica dos cuidados de<br />

saúde;<br />

g)- Decidir sobre conflitos de<br />

natureza técnica entre serviços de<br />

acção médica;<br />

h)- Decidir as dúvidas que lhe sejam<br />

presentes sobre deontologia médica,<br />

desde que não seja possível o recurso,<br />

em tempo útil, à comissão de ética;<br />

i)- Participar na gestão do pessoal<br />

médico, designadamente nos<br />

processos de admissão e mobilidade<br />

interna;<br />

j)- Velar pela constante actualização<br />

do pessoal médico;<br />

1)- Acompanhar e avaliar<br />

sistematicamente outros aspectos<br />

relacionados com o exercício da<br />

medicina e com a formação dos<br />

médicos.<br />

3- O director clinico responde perante<br />

o conselho de administração pela<br />

qualidade da assistência prestada,<br />

dentro das regras da boa prática e<br />

melhor gestão de recursos.<br />

4- No exercício das suas funções,<br />

o director clínico é coadjuvado por<br />

um a três adjuntos, consoante o que<br />

for fixado no regulamento interno do<br />

Hospital, por si livremente escolhidos.<br />

Artigo 13.º<br />

(Nomeação e competências do<br />

enfermeiro director)<br />

1- O enfermeiro director é nomeado<br />

pelo Ministro da Saúde, de entre<br />

enfermeiros que trabalhem no SNS,<br />

sob proposta do presidente do<br />

conselho de administração.<br />

2- Compete ao enfermeiro director,<br />

a coordenação técnica da actividade<br />

de enfermagem do Hospital velando<br />

pela sua qualidade e, sem prejuízo<br />

do disposto em sede do regulamento<br />

interno, nomeadamente:<br />

a)- Coordenar a elaboração os planos<br />

de acção de enfermagem apresentados<br />

pelos vários serviços a integrar no<br />

plano de acção global do Hospital;<br />

b)- Compatibilizar os objectivos do<br />

Hospital com a filosofia e objectivos<br />

da profissão de enfermagem;<br />

c)- Contribuir para a definição das<br />

políticas ou directivas de formação e<br />

investigação em enfermagem;<br />

d)- Definir padrões de cuidados<br />

de enfermagem e indicadores de<br />

avaliação dos cuidados de<br />

enfermagem prestados;<br />

e)- Elaborar propostas referentes à<br />

gestão do pessoal de enfermagem,<br />

designadamente colaborar na<br />

avaliação do pessoal de enfermagem;<br />

f)- Propor a criação de um sistema<br />

efectivo de classificação de utentes/<br />

doentes que permita determinar<br />

necessidades em cuidados de<br />

enfermagem e zelar pela sua<br />

manutenção;<br />

g)- Elaborar estudos para<br />

determinação de custos/benefícios no<br />

âmbito dos cuidados de enfermagem;<br />

h)- Acompanhar e avaliar<br />

sistematicamente outros aspectos<br />

relacionados com o exercício da<br />

actividade de enfermagem e com a<br />

formação dos enfermeiros.<br />

3- O enfermeiro director responde<br />

perante o conselho de administração<br />

pela qualidade da assistência prestada,<br />

dentro das regras da boa prática e<br />

melhor gestão de recursos.<br />

4- No exercício das suas funções,<br />

o enfermeiro director é coadjuvado<br />

por um a três adjuntos, consoante<br />

o que for fixado no regulamento<br />

interno do Hospital, por si livremente<br />

escolhidos.<br />

Subsecção III<br />

Dos órgãos de apoio técnico<br />

permitir tal coisa, na<br />

prática, inverosímil.<br />

3 Quanto à estrutura de<br />

gestão o projecto é<br />

particularmente confuso,<br />

lacunar e sem visão<br />

estratégica:<br />

a) O artº 3 º, "Estrutura de<br />

<strong>Gestão</strong>", estranhamente<br />

colocado no início do<br />

diploma, apenas se refere a<br />

áreas de administração<br />

intermédia (os centros de<br />

responsabilidade). Omite,<br />

de forma incompreensível,<br />

a Administração<br />

Estratégica e a <strong>Gestão</strong><br />

Operacional.<br />

b) Nos Centros de<br />

responsabilidade,<br />

considerados unidades<br />

orgânicas descentralizadas<br />

com objectivos e recursos<br />

próprios, refere-se a<br />

existência de um<br />

"Responsável..."(sic), mas<br />

não se define o seu perfil,<br />

as suas habilitações, a sua<br />

forma de designação ou as<br />

suas competências.<br />

c) Classificam-se os<br />

Centros de<br />

responsabilidade em três<br />

tipos o que parece<br />

corresponder ao que a<br />

ciência de gestão prevê<br />

(nº 4 do artigo 3º).<br />

Todavia, ao referir-se ao<br />

Centro de proveitos, mais<br />

correcto seria referir-se a<br />

Centro de resultados. Por<br />

outro lado, não nos parece<br />

adequado num hospital,<br />

cuja unidade,<br />

complementaridade e<br />

sinergias devem ser<br />

preservadas, a existência<br />

de Centros de<br />

investimento. Tal situação<br />

pode conduzir ao<br />

desenvolvimento<br />

excessivo de áreas ou<br />

serviços, com profundos<br />

desequilíbrios na estrutura<br />

da oferta de cuidados em<br />

prejuízo das opções<br />

estratégicas da Instituição.<br />

d) A não clarificação dos<br />

diferentes níveis de gestão<br />

conduz ao conflito latente<br />

Artigo 14º<br />

(Comissão de ética)<br />

A comissão de ética rege-se pelas<br />

disposições do Decreto-Lei nº 97/95<br />

de 1 O de Maio.<br />

Artigo 15º<br />

(Comissão de humanização<br />

e qualidade dos serviços)<br />

A comissão de humanização e<br />

qualidade dos serviços rege-se pelas<br />

disposições contidas no Despacho do<br />

Secretário de Estado da Saúde de 15<br />

de Dezembro de 1992, publicado no<br />

DR, 2ª, de 16 de Janeiro de 1993.<br />

Artigo 16º<br />

(Comissão do controlo<br />

da infecção hospitalar)<br />

A comissão de controlo da infecção<br />

hospitalar rege-se pelas disposições do<br />

Despacho do Director-Geral de Saúde<br />

datado de 23 de Agosto de 1996,<br />

publicado no DR, 2ª, de 23 de Outubro.<br />

Artigo 17º<br />

(Comissão de farmácia e terapêutica)<br />

A comissão de farmácia e terapêutica,<br />

tem por objectivo controlar o<br />

cumprimento das rotinas associadas ao<br />

formulário nacional de medicamentos,<br />

dar parecer sobre a terapêutica<br />

medicamentosa que não conste do<br />

mesmo formulário, pronunciar-se<br />

sobre a correcção terapêutica da<br />

prescrição aos doentes, e apreciar,<br />

relativamente a cada serviço, os custos<br />

da respectiva terapêutica utilizada.<br />

Subsecção IV<br />

Do órgão de fiscalização<br />

Artigo 18º<br />

(Fiscal único)<br />

1- A fiscalização dos hospitais compete<br />

a um fiscal único, a nomear por<br />

despacho conj unto dos Ministros das<br />

Finanças e da Saúde.<br />

2- Nos hospitais centrais, distritais e<br />

especializados o fiscal único deve ser<br />

revisor oficial de contas ou sociedade<br />

de revisores oficiais de contas.<br />

3- O fiscal único terá sempre um<br />

suplente.<br />

4- Nos hospitais não referidos no nº 2,<br />

o Ministro da Saúde pode determinar<br />

que o fiscal único seja revisor oficial<br />

de contas, sempre que o entenda<br />

conveniente.<br />

5- O fiscal único rege-se pelas<br />

disposições legais respeitantes ao<br />

exercício da actividade de revisor<br />

oficial de contas.<br />

6- Não pode ser designado fiscal único<br />

ou suplente quem for beneficiário<br />

de vantagens particulares do próprio<br />

hospital, tenha exercido funções de<br />

administração nos últimos três anos,<br />

nem os revisores oficiais de contas em<br />

relação aos quais se verifiquem outras<br />

incompatibilidades previstas na lei.<br />

7- O funcionamento e competências<br />

do fiscal único são definidos pelo<br />

regulamento interno dos hospitais, a<br />

aprovar por portaria do Ministro da<br />

Saúde.<br />

Artigo 19º<br />

(Auditoria interna)<br />

1- Nos hospitais com mais de 500<br />

camas deve existir um serviço de<br />

auditoria interna dirigido por um<br />

auditor com a devida qualificação.<br />

2- Este serviço tem como objectivo<br />

promover a manutenção de um<br />

sistema de controlo interno eficaz<br />

destinado a:<br />

a)- Assegurar a função de auditoria<br />

nos domínios contabilístico,<br />

financeiro, operacional, informático,<br />

ambiental, da segurança e qualidade;<br />

b)- Assegurar o desenvolvimento das<br />

acções de auditoria solicitadas pelos<br />

órgãos de administração;<br />

c)- Fornecer ao conselho de<br />

administração e aos gestores<br />

operacionais, análises e<br />

recomendações sobre as actividades<br />

revistas para potenciar a melhoria da<br />

performance dos serviços;<br />

d)- Apoiar os órgãos de<br />

administração e gestão no<br />

cumprimento da sua missão;<br />

e)- Solicitar a realização de<br />

auditorias por entidades terceiras.<br />

2- O auditor reporta em termos<br />

orgânicos ao presidente do conselho<br />

de admin istração, devendo fornecer,<br />

em resultado das suas acções, pareceres<br />

e recomendações a problemas surgidos<br />

nas actividades revistas.<br />

3- No sentido de obter informação<br />

adequada para o desenvolvimento das<br />

auditorias, o auditor tem acesso livre<br />

a registos, computadores, instalações e<br />

pessoal do hospital.<br />

4- O serviço de auditoria interna é<br />

dirigido por um auditor com a devida<br />

qualificação, nomeado pelos Ministros<br />

das Finanças e da Saúde.<br />

5- O auditor elabora um plano<br />

anual de auditoria, de acordo com<br />

normas emanadas pelo conselho de<br />

administração, até 30 de Setembro<br />

de cada ano, para permitir a sua<br />

aprovação até 30 de Outubro do<br />

entre o que poderão ser as<br />

competências do<br />

"Responsável" pelo Centro<br />

de responsabilidade, e as<br />

que são atribuídas ao<br />

Director de Departamento<br />

e ao Director de Serviço,<br />

numa descrição de<br />

responsabilidades pouco<br />

esclarecida e pouco<br />

inovadora. Diga-se, a<br />

propósito, que a estrutura<br />

de prestação de cuidados<br />

assente no conceito de<br />

serviço ou departamento<br />

é hoje questionável pelos<br />

especialistas em<br />

organização hospitalar, e<br />

há soluções implementadas<br />

em diferentes países que<br />

dão credibilidade e<br />

vantagens clínicas e<br />

económicas a modelos<br />

mais integradores.<br />

e) É particularmente<br />

preocupante a falta de<br />

clareza quanto aos poderes<br />

do Director de Serviço em<br />

matéria disciplinar (alínea<br />

m) do nº 2 do artº<br />

25º), confrontados com<br />

os poderes do Conselho<br />

de Administração sobre a<br />

mesma matéria (alínea m)<br />

do nº 1 do artº 6º). Não<br />

é, do ponto de vista da<br />

gestão, desejável que o<br />

poder disciplinar seja, de<br />

forma integral e completo,<br />

atribuído ás direcções<br />

operacionais. Desse modo,<br />

um dos instrumentos<br />

fundamentais do Conselho<br />

de Administração, em<br />

matéria de regulação e<br />

controlo do clima<br />

organizacional, da<br />

disciplina e do<br />

desempenho de todos os<br />

profissionais, dentro de<br />

regras uniformes e<br />

equitativas, pode ser<br />

seriamente posto em<br />

causa.<br />

4. A nomeação dos orgãos<br />

de gestão e das figuras<br />

de Director Clínico e<br />

Enfermeiro Director é<br />

matéria da maior<br />

relevância,<br />

ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


ano anterior a que diz respeito, o<br />

qual deve ser elaborado de acordo<br />

com o resultado de uma análise de<br />

risco negativo para o desempenho do<br />

hospital.<br />

6- Compete ao auditor entregar<br />

um relatório semestral ao conselho<br />

de administração no qual constem<br />

as principais deficiências verificadas<br />

a nível organizacional e medidas<br />

correctivas correspondentes.<br />

7- Sem prejuízo do disposto no<br />

número anterior, o auditor enviará,<br />

semestralmente, aos Ministros das<br />

Finanças e da Saúde, com<br />

conhecimento ao conselho de<br />

administração, um relatório sucinto<br />

sobre a actividade desenvolvida em<br />

que se refiram os controlos efectuados<br />

e as anomalias detectadas.<br />

8- A actividade do auditor deve ser<br />

articulada com a da Inspecção-Geral de<br />

Finanças, da Inspecção-Geral da Saúde<br />

e com o Instituto de <strong>Gestão</strong> Informática<br />

e Financeira da Saúde (IGIF).<br />

9- A remuneração do auditor é fixada<br />

por despacho conjunto dos Ministros<br />

das Finanças e da Saúde, suportado<br />

por verbas do orçamento do SNS.<br />

10- Nos hospitais não referidos no<br />

número 1, poderá igualmente existir<br />

um auditor, sempre que o Ministro da<br />

Saúde o entenda conveniente.<br />

Subsecção V<br />

Do órgão de consulta<br />

Artigo 20º<br />

(Composição do conselho consultivo)<br />

1- O conselho consultivo é composto<br />

por um presidente e nove vogais,<br />

nomeados de acordo com as seguintes<br />

regras:<br />

a)- O presidente e dois vogais<br />

designados pelo Ministro da Saúde;<br />

b)- Um vogal designado pelo<br />

Ministro das Finanças;<br />

c)- Três vogais designados pelas<br />

assembleias municipais dos<br />

municípios com maior número de<br />

utentes do hospital no triénio<br />

imediatamente an terior;<br />

d)- Três vogais designados pelo<br />

conselho de administração de entre<br />

o pessoal hospitalar, sendo<br />

obrigatoriamente um médico e um<br />

enfermeiro.<br />

O mandato dos membros do conselho<br />

consultivo tem a duração de três<br />

anos, sem prejuízo da possibilidade<br />

da sua substituição, a todo<br />

o tempo, pelas entidades que<br />

os designaram.<br />

rrJ GESTÃO HOSPITALAR<br />

Artigo 21 º<br />

(Competências do conselho consultivo)<br />

Compete ao conselho consultivo:<br />

a)- Apreciar os planos de actividade<br />

e financeiros de natureza anual e<br />

plurianual e as respectivas alterações,<br />

bem como os relatórios e contas;<br />

b)- Apreciar todas as informações<br />

que tiver por necessárias para o<br />

acompanhamento da actividade do<br />

hospital.<br />

Artigo 22º<br />

(Funcionamento do Conselho<br />

Consultivo)<br />

1- O conselho consultivo reúne duas<br />

vezes por ano e as suas deliberações<br />

serão tomadas por maioria simples e<br />

constarão de acta, tendo o presidente<br />

voto de qualidade.<br />

2- As demais regras de funcionamento<br />

do conselho consultivo são definidas<br />

em regulamento próprio, o qual deve<br />

incluir a previsão da substituição dos<br />

seus membros em situações de falta ou<br />

impedimento.<br />

3- Os membros do conselho<br />

consultivo têm direito ao abono de<br />

senhas de presença, de montante a<br />

definir por despacho conjunto dos<br />

Ministros das Finanças e da Saúde<br />

C APÍTULO III<br />

DA DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS<br />

E DEPARTAMENTOS<br />

Secção I<br />

Dos serviços de acção médica<br />

Artigo 23º<br />

(Nomeação dos directores<br />

de departamento e serviço)<br />

1- O director de departamen to, se<br />

previsto em sede de regulamento<br />

interno, é nomeado, em comissão de<br />

serviço por um período de três anos,<br />

pelo conselho de administração, sob<br />

proposta do Director C línico, de entre<br />

médicos com condições para serem<br />

nomeados directores de serviço.<br />

2- O director de serviço é nomeado<br />

pelo conselho de administração em<br />

comissão de serviço, por um período<br />

de três anos, entre chefes de serviço<br />

ou, na sua falta, de en tre assistentes<br />

graduados que, em qualquer dos casos,<br />

manifestem notórias capacidades de<br />

organização e qualidade de chefia;<br />

na falta de assisten tes graduados, e<br />

nas mesmas condições, poderá ser<br />

nomeado de entre assistentes.<br />

3- Os nomeados para os cargos<br />

referidos nos números anteriores<br />

deverão apresentar, no prazo de 30<br />

para a qual o documento<br />

em apreço, pouco ou nada<br />

d iz:<br />

a) Para o orgão de gestão<br />

não se define,<br />

minimamente, o perfil dos<br />

nomeados o que muito nos<br />

preocupa face ao processo,<br />

insofismavelmente<br />

desastroso, das nomeações<br />

para os Conselhos de<br />

Administração dos<br />

hospitais S.A. É a primeira<br />

vez que o legislador se<br />

dispensa de indicar, ainda<br />

que de forma elementar<br />

e geral, as condições para<br />

que uma pessoa possa<br />

desempenhar cargos de tão<br />

grande complexidade e<br />

relevância social;<br />

b) N os casos do Director<br />

Clínico e Enfermeiro<br />

Director, a redacção<br />

utilizada é, no mínimo,<br />

leviana e infeliz. Ao<br />

admitir que estes altos<br />

responsáveis pela<br />

condução técnica dos<br />

cuidados de saúde, têm<br />

que ser apenas, médicos e<br />

enfermeiros que<br />

" ... trabalham no<br />

SNS ... "(sic), sem qualquer<br />

exigência, em matéria de<br />

senioridade, experiência e,<br />

sobretudo, competências<br />

reconhecidas, abre espaço<br />

a todo o tipo de<br />

aberrações, culminando na<br />

inversão dos valores éticos<br />

e deontológicos ineren te<br />

aos cargos em referência,<br />

e no seu defin itivo<br />

desprestígio;<br />

c ) N ão se faz, ao longo de<br />

toda a proposta qualquer<br />

referência ao papel dos<br />

profissionais de gestão<br />

hospitalar. O legislador<br />

sabe da existência de um<br />

conhecimento específico<br />

nesta área, que obriga<br />

inclusive a uma formação<br />

pós-graduada dada por<br />

uma instituição<br />

universitária pública - a<br />

Escola N acional de Saúde<br />

Pública, da Universidade<br />

Nova de Lisboa.<br />

dias, con tados da data de início de<br />

funções, um programa de acção para<br />

o departamento ou serviço, conforme<br />

os casos, a submeter à aprovação<br />

do conselho de administração, com<br />

prévio parecer do director clínico<br />

e, se se aplicar, do director do<br />

departamento.<br />

+ A renovação da comissão de<br />

serviço está dependente da apreciação<br />

pelo conselho de administração de<br />

um relatório de actividades que<br />

explicite os resultados alcançados<br />

no cumprimen to dos objectivos<br />

estabelecidos e de um programa de<br />

acção para novo mandato a apresen tar<br />

pelos interessados até 60 dias antes do<br />

seu termo.<br />

5- As comissões de serviço podem,<br />

a todo o tempo, ser dadas por<br />

findas, por despacho do conselho de<br />

administração, com fundamento em:<br />

a) - N ão cumprimento dos objectivos<br />

previamente definidos, conforme<br />

estabelecido no n º 3 do artigo 1 Oº<br />

da Lei n º2 7 /2002 de 8 de Novembro;<br />

b)- Não apresentação ou não<br />

aprovação do programa de acção<br />

previsto no n.º3;<br />

c)- Procedimento disciplinar em que<br />

se tenha concluído pela aplicação de<br />

sanção disciplinar;<br />

d) - Requerimento do interessado.<br />

Artigo 24º<br />

(Competências do director de<br />

departamento)<br />

Ao director de departamento<br />

compete, com a salvaguarda das<br />

competências técnicas e científicas<br />

atribuídas a outros profissionais:<br />

a)- Promover, coordenar e programar<br />

as iniciativas técnico-científicas e<br />

de investigação dos diversos serviços<br />

que integram o departamento;<br />

b)- Compatibilizar e propor os planos<br />

de acção preparados pelos diversos<br />

serviços do departamento com vista<br />

à sua integração no plano de<br />

exploração do hospital;<br />

c)- G arantir a eficiente utilização da<br />

capacidade instalada,<br />

designadamente pelo pleno<br />

aproveitamento dos equipamentos<br />

e infra-estruturas existentes e pela<br />

diversificação do regime de horário<br />

de trabalho, de modo a alcançar<br />

uma taxa óptima da utilização dos<br />

recursos disponíveis;<br />

d )- Defin ir, propor e adoptar as<br />

medidas adequadas à máxima<br />

rentabilização da capacidade<br />

instalada do departamento,<br />

designadamente através de uma<br />

utilização não compartimentada da<br />

mesma, bem como acompanhar o<br />

sistema de avaliação;<br />

e)- Propor e adaptar as medidas<br />

necessárias à melhoria das estruturas,<br />

organizativas, funcionais e fís icas dos<br />

serviços do departamento, com vista<br />

ao incremento da eficiência conjunta<br />

da utilização dos recursos disponíveis,<br />

ao aumento da sua eficácia e à<br />

obtenção dos melhores resultados;<br />

f)- Preparar informações, relatórios<br />

e outros documentos, com a<br />

periodicidade adequada, e submetê-los<br />

ao conselho de administração de forma<br />

a mantê-lo constantemente informado;<br />

g)- Assegurar a máxima integração<br />

da actividade dos serviços do<br />

departamento, designadamente<br />

através da partilha de instalações<br />

e equipamento, multidisciplinaridade<br />

de actuação e desenvolvimento de<br />

proj ectos comuns, nomeadamente<br />

através de estruturas matriciais e<br />

transversais de prestação de cuidados;<br />

h )- Desenvolver a implemen tação<br />

de instrumentos de garantia de<br />

qualidade técnica dos serviços do<br />

departamento;<br />

i)- Velar pela constante actualização<br />

do pessoal, designadamente a que<br />

promova a multidisciplinaridade e<br />

intersectorialidade interna bem<br />

como pelos aspectos relativos à<br />

execução da política de recursos<br />

humanos definida para o hospital.<br />

Artigo 25º<br />

(Competências do director de serviço)<br />

1- Ao director de serviço compete,<br />

com a salvaguarda das competências<br />

técnicas e científicas atribuídas a<br />

outros profissionais, planear e dirigir<br />

toda a actividade do respectivo serviço<br />

de acção médica, sendo responsável<br />

pela correcção e prontidão<br />

dos cuidados de saúde a prestar aos<br />

doentes, bem como pela utilização e<br />

eficiente aproveitamento dos recursos<br />

postos à sua disposição.<br />

2- Compete, em especial, ao director<br />

de serviço:<br />

a)- Definir a organ ização da<br />

prestação de cuidados de saúde e<br />

emitir orientações, na observãncia<br />

das normas emitidas pelas en tidades<br />

competentes;<br />

b)- Elaborar o plano an ual de<br />

actividades e orçamento do serviço;<br />

c) - Analisar mensalmente os desvios<br />

Inclusivamen te, é o<br />

próprio SNS que<br />

contempla uma carreira<br />

própria, desde 1980, para<br />

os administradores<br />

hospitalares. Pois bem, tal<br />

formação e os profissionais<br />

que a possuem são<br />

completamente omitidos<br />

pelo legislador, e, em<br />

contrapartida, os lugares<br />

de gestão estratégica,<br />

intermédia e operacional,<br />

ficam disponíveis para<br />

qualquer pessoa,<br />

independentemente da sua<br />

formação ou experiência.<br />

Tudo se conjuga, assim,<br />

para que, a exemplo do<br />

que se tem passado nos<br />

hospitais S.A., pessoas sem<br />

qualificação<br />

adequada,sejam nomeadas<br />

para lugares de elevada<br />

responsabilidade, tendo<br />

por único critério de<br />

escolha a amizade pessoal<br />

e/ou a afinidade partidária.<br />

É profundamente<br />

lamen tável e con trário aos<br />

mais elementares<br />

princípios de<br />

responsabilidade política e<br />

social, utilizar os hospitais<br />

e as reformas que se<br />

anunciam, para, distribuir<br />

num círculo restrito,<br />

prebendas e compensações<br />

manifestamente ilegítimas.<br />

5. Por fim, uma referência<br />

à natureza jurídica dos<br />

hospitais. O legislador, no<br />

seu artº 2º, nºl, não<br />

se refere à autonomia<br />

administrativa e financeira<br />

dos hospitais, situação que<br />

desde os anos 60 se<br />

verificava. Não temos<br />

qualquer informação que<br />

nos permita dizer se é<br />

um lapso ou uma vontade<br />

deliberada. A confirmar-se<br />

esta segunda hipóte:;e,<br />

representará um retrocesso<br />

inimaginável para a gestão<br />

hespitalar.<br />

Lisboa, 25 de Fevereiro de <strong>2003</strong><br />

A Direcção da APAH<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


verificados face à actividade esperada<br />

e verbas orçamentadas, corrigi-los,<br />

ou, sendo necessário, propor medidas<br />

correctivas ao Director C línico, ou<br />

de Departamen to, quando exista;<br />

d )- Assegurar a produtividade e<br />

eficiência dos cuidados de saúde<br />

prestados e proceder à sua avaliação<br />

sistemática;<br />

e )- Acompanhar a realização de<br />

ensaios clínicos ou outras actividades<br />

promocionais em que esteja<br />

envolvido o nome do<br />

estabelecimento ou o serviço do<br />

h ospital sem colidir com o disposto<br />

no número anterior;<br />

f)- Promover a aplicação dos<br />

programas de controlo de qualidade<br />

e de produtividade zelando por uma<br />

melhoria contínua da qualidade dos<br />

cuidados de saúde;<br />

g)- Zelar pela organização e<br />

constante actualização dos processos<br />

clínicos, designadamente através da<br />

revisão das decisões de admissão e<br />

de alta, mantendo um sistema de<br />

codificação correcto e atempado das<br />

altas clínicas;<br />

h)- Propor ao director clínico ou de<br />

departamento, quando necessário, a<br />

realização de auditorias clínicas;<br />

i)- Propor a celebração de protocolos<br />

de colaboração ou apoio, contratos<br />

de prestação de serviço ou<br />

con ven ções com profissionais de<br />

saúde e instituições, públicas e<br />

privadas, no âmbito das suas<br />

actividades e para a prossecução dos<br />

objectivos definidos;<br />

j )- Zelar pela actualização das<br />

técnicas utilizadas, promovendo por<br />

si ou propondo aos órgãos<br />

competentes as iniciativas<br />

aconselháveis para a valorização,<br />

aperfeiçoamento e formação<br />

profissional do pessoal em serviço,<br />

organizar e supervisionar todas as<br />

actividades de formação e<br />

investigação;<br />

k)- Tomar conhecimento e<br />

determinar as medidas adequadas em<br />

resposta a reclamações apresen tadas<br />

pelos uten tes;<br />

1)- Assegurar a gestão adequada<br />

dos recursos humanos, incluindo a<br />

avaliação in tern a do desempenho<br />

global dos profissionais, dentro dos<br />

parâmetros estabelecidos;<br />

m)- Exercer o poder disciplinar sobre<br />

todo o pessoal independen temen te<br />

do regime de trabalho que o liga ao<br />

hospital;<br />

n)- Promover a manutenção de<br />

um sistema de controlo interno eficaz<br />

destinado a assegurar a salvaguarda<br />

dos activos, a integridade e<br />

fiabilidade do sistema de informação,<br />

a observância das leis, dos<br />

regulamentos e normas aplicáveis,<br />

assim como o acompanhamento dos<br />

obj ectivos globais definidos;<br />

o )- Zelar pelo registo atempado e<br />

correcto da contabilização dos actos<br />

clínicos, e providenciar pela gestão<br />

dos bens e equipamentos do serviço;<br />

p)- A ssegurar a gestão adequada e o<br />

controlo dos consumos dos produtos<br />

mais significativos, nomeadamente<br />

medicamen tos e material clínico.<br />

3- O director de serviço pode delegar<br />

as suas competências, reservando<br />

sempre para si o controlo da<br />

actividade do mesmo.<br />

Artigo 26º<br />

(Enfermeiro-chefe)<br />

Compete ao enfermeiro-ch efe, para<br />

além das competên cias constantes<br />

do DecretoLei nº437/91, de 8 de<br />

N ovembro e sua legislação<br />

complementar:<br />

a)- Supervisionar os cuidados de<br />

enfermagem e coordenar,<br />

tecnicamente, a actividade de<br />

enfermagem;<br />

b )- Colaborar na preparação de<br />

planos de acção e respectivos<br />

relatórios do serviço e promover a<br />

utilização optimizada dos recursos<br />

com especial relevo para o controlo<br />

dos consumos;<br />

c)- Programar as actividades de<br />

enfermagem, definindo<br />

nomeadamente as obrigações<br />

específicas dos enfermeiros e do<br />

pessoal auxiliar que com eles<br />

colabora, em especial os auxiliares<br />

de acção médica, propondo medidas<br />

destinadas a adequar os recursos<br />

disponíveis às necessidades,<br />

nomeadamente quando da elaboração<br />

de horários e planos de férias;<br />

d)- Propor o nível e tipo de<br />

qualificação exigidas ao pessoal de<br />

enfermagem, em função dos cuidados<br />

de enfermagem a prestar;<br />

e)- Elaborar, de forma articulada, o<br />

plano e relatórios anuais, referen tes<br />

às actividades de enfermagem;<br />

f)- Incrementar métodos de trabalho<br />

que favoreçam um melhor nível<br />

de desempenho do pessoal de<br />

enfermagem e responsabilizar-se pela<br />

... e propostas<br />

de alteração<br />

I<br />

A Direcção da APAH na sequência<br />

da reunião havida com Sua<br />

Excelência o Ministro da Saúde<br />

sobre o projecto de Decreto-Lei<br />

em referência, no passado dia 13<br />

de Março, vem, conforme então<br />

solicitado pelo Senhor Ministro,<br />

remeter algumas alterações que, no<br />

seu entender, permitirão dotar o<br />

documento de maior consistência<br />

técnica e organ izacional,<br />

designadamente, pelo<br />

reconhecimento do papel dos<br />

gestores hospitalares na actividade<br />

dos nossos h ospitais públicos.<br />

II<br />

A s alterações propostas são as<br />

seguintes:<br />

1. No artº 3º - Estrutura<br />

de <strong>Gestão</strong><br />

a) Justificação<br />

Os centros de responsabilidade são,<br />

no nosso entendimento, estruturas<br />

intermédias de gestão hospitalar,<br />

para as quais se necessita de órgãos<br />

intermédios de administração<br />

(referidos, aliás, no preâmbulo do<br />

projecto).<br />

Podem, por outro lado, envolver<br />

serviços de natureza exclusivamente<br />

clínica ou de natureza logistica<br />

ou podem, horizontalmente, incluir<br />

serviços de natureza mista.<br />

Ora, a liderança médica de um<br />

Centro de Responsabilidade,<br />

pressupõe a reunião de um conjunto<br />

vasto de conhecimentos,<br />

competências e aptidões que, em<br />

muito, transcendem a prestação<br />

técnica de cuidados e a sua<br />

organização. As questões<br />

económicas, de gestão de recursos,<br />

de avaliação de resultados e de<br />

controlo de gestão, aconselham<br />

a presença de um profissional<br />

de Administração <strong>Hospitalar</strong> que<br />

acompanhe a actividade de cada<br />

um dos Centros de<br />

Responsabilidade e permita<br />

estabelecer um diálogo permanente<br />

garantia da qualidade dos cuidados<br />

de enfermagem prestados;<br />

g)- Promover a divulgação da<br />

informação com in teresse para o<br />

pessoal de enfermagem.<br />

Secção II<br />

Dos serviços não clínicos<br />

Artigo 27º<br />

(Nomeação do responsável dos serviços)<br />

1- Os responsáveis pelos serviços<br />

são nomeados pelo conselho de<br />

administração, em comissão de<br />

serviço, por um período de três anos.<br />

2- Para efeitos do disposto n o número<br />

an terior, a respectiva nomeação deve<br />

recair, preferencialmente e sempre<br />

que o quadro de pessoal institucional<br />

o permita, em profissionais que<br />

man ifestem notórias capacidades de<br />

organização e experiên cia de gestão<br />

e chefia, sem prejuízo do<br />

preenchimento dos requisitos legais<br />

necessários para o exercício dos<br />

respectivos cargos e funções.<br />

Artigo 28º<br />

(Competências)<br />

1- Ao responsável pelo serviço<br />

compete, com salvaguarda das<br />

competências atribuídas por lei a<br />

outros órgãos, planear e dirigir toda<br />

a actividade do respectivo serviço,<br />

sendo responsável pela utilização e<br />

eficiente aproveitamento dos recursos<br />

postos à sua disposição.<br />

2- Compete, em especial, ao<br />

responsável pelo serviço, o seguin te:<br />

a)- Elaborar o plano anual de<br />

actividades e o orçamento do serviço;<br />

b )- Analisar mensalmente os desvios<br />

verificados face à actividade esperada<br />

e verbas orçamentadas, corrigi-los,<br />

ou, sendo necessário, propor medidas<br />

correctivas ao Conselh o de<br />

Administração;<br />

c)- Promover a manutenção de<br />

um sistema de con trolo interno<br />

eficaz destinado a assegurar a<br />

salvaguarda dos activos, a integridade<br />

e fiabilidade do seu sistema de<br />

informação, a observância das leis,<br />

dos regulamentos e n ormas<br />

aplicáveis, assim como o<br />

acompanhamen to dos object ivos<br />

globais definidos;<br />

d)- Assegurar a gestão adequada<br />

dos recursos humanos, incluindo a<br />

avaliação interna do desempenho<br />

global dos profissionais, dentro dos<br />

parâmetros estabelecidos e manter a<br />

disciplina do serviço, assegurando o<br />

cumprimento integral por todo o<br />

pessoal, independentemente do regime<br />

de trabalho que o liga ao hospital;<br />

e)- Promover a organ ização e registo<br />

da con tabilidade bem como<br />

providenciar pela organ ização e<br />

cadastro dos bens, móveis e imóveis;<br />

f)- A ssegurar a gestão adequada<br />

dos artigos em armazém, respectivo<br />

circuito e controlo de consumos<br />

dos produtos mais sign ificativos,<br />

utilizando para o efeito as técnicas<br />

mais adequadas;<br />

g)- Promover a aplicação dos<br />

programas de controlo de qualidade<br />

e de produtividade zelando por uma<br />

melhoria contínua da qualidade dos<br />

serviços, propondo ao conselho de<br />

administração, quando necessário, a<br />

realização de auditorias;<br />

h )- Propor a celebração de<br />

protocolos de colaboração ou apoio,<br />

contratos de prestação de serviço<br />

ou con venções com instituições,<br />

públicas e privadas, no âmbito das<br />

suas actividades e para a prossecução<br />

dos objectivos defin idos;<br />

i)- Zelar pela actualização das<br />

técnicas utilizadas, promovendo por si<br />

ou propondo aos órgãos competentes<br />

as iniciativas aconselháveis para a<br />

valorização, aperfeiçoamento e<br />

formação profiss ional do pessoal em<br />

serviço, organ izar e supervisionar<br />

todas as actividades de formação e<br />

investigação.<br />

CA PÍT U LO IV<br />

(RECURSOS HUMAN OS)<br />

Artigo 29º<br />

(Pessoal)<br />

O s funcionários e agentes da<br />

Administração Pública que prestam<br />

serviço no hospital, à data da entrada<br />

em vigor do presente diploma, regem-se<br />

pelas normas gerais previstas na Base<br />

XXXI da Lei nº 48/90, de 24 de Agosto,<br />

na redacção que lhe foi dada pela Lei<br />

27/2002, de 8 de N ovembro.<br />

Artigo 30º<br />

(A dmissão)<br />

1- A admissão de pessoal, após<br />

a entrada em vigor do presente<br />

diploma, pode reger-se, de acordo<br />

com os princípios da publicidade,<br />

da igualdade, da proporcionalidade e<br />

da prossecução do interesse público,<br />

pelas normas aplicáveis ao contrato<br />

individual de trabalho, de harmonia<br />

com o disposto no artigo 14 º da Lei<br />

27/2002, de 8 de N ovembro.<br />

e un iforme com o Conselho de<br />

Administração.<br />

b ) A lteração proposta<br />

Propõe-se acrescentar en tre os<br />

n úmeros 2 e 3, do artº 3º, um<br />

outro número (que passaria a 3,<br />

assumindo os restan tes números do<br />

artigo, sucessivamente, os números<br />

4, 5 e 6), com a seguinte<br />

formulação:<br />

3. No sentido de promover o melhor<br />

acompanhamento técn ico quanto<br />

à gestão, coordenação e avaliação<br />

dos resultados, deverá o Conselho<br />

de Administração designar um<br />

profissional de Administração<br />

<strong>Hospitalar</strong> para o exercício dessas<br />

funções junto de um ou mais<br />

Centros de Responsabilidade,<br />

sempre que o seu responsável não<br />

possua esse tipo de formação.<br />

2. No artº 5º - Composição<br />

e nomeação do<br />

Conselho de Administração<br />

a) Justificação<br />

O artigo em referência enferma,<br />

para além de uma deficien te e<br />

imprecisa redacção, de<br />

vulnerabilidades técnicas<br />

relevantes.<br />

Sobressai, desde logo, o facto<br />

dos membros executivos e nãO"<br />

executivos poderem constituir um<br />

número par, pelo menos na sua<br />

formulação básica, o que tom a o<br />

C onselho de Administração menos<br />

operativo, contrariando até as<br />

exigências de composição previstas<br />

nos hospitais S.A ., sem razão lógica<br />

ou evidente.<br />

Releva também da proposta a<br />

ausência de um perfil mín imo ou<br />

enquadrador para os nomeados,<br />

situação que deve ser corrigida<br />

como garantia indispensável para<br />

a boa gestão de entidades tão<br />

complexas, específicas e socialmente<br />

importantes como são os hospitais.<br />

b ) A lterações propostas<br />

1. O Conselho de Administração<br />

é composto pelo Presidente e dois<br />

vogais, como membros executivos ...<br />

(o restante mantém-se).<br />

2. Os membros executivos do<br />

C onselho de Admin istração são<br />

~ GESTÃO HOSP!TALAR<br />

GESTÃO HOSP!TALAR ~


2- Mantém-se em vigor as dotações<br />

de pessoal definidas para os hospitais,<br />

bem como os concursos para ingresso<br />

ou acesso em curso à data de entrada<br />

em vigor do presente diploma, nos<br />

termos gerais da lei.<br />

CAPÍTULO V<br />

Financiamento<br />

Artigo 31 º<br />

(Receitas)<br />

Constituem receitas dos hospitais as<br />

constantes do artigo 13º do Regime<br />

Jurídico da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, aprovado<br />

pela Lei nº27/2002, de 8 de Novembro,<br />

sem prejuízo do disposto no artigo 35º.<br />

Artigo 32º<br />

(Tabela de preços)<br />

1- De harmonia com o nºl da Base<br />

XXXIII da Lei de Bases da Saúde,<br />

aprovada pela Lei nº48/90, de 24<br />

de Agosto, na redacção que lhe<br />

foi dada pelo artigo 1 ºda Lei<br />

nº 27/2002, de 8 de Novembro,<br />

os hospitais são financiados através<br />

do pagamento dos actos, técnicas<br />

e serviços efectivamente prestados,<br />

segundo uma Tabela de Preços que<br />

consagra uma classificação dos<br />

mesmos, a aprovar por Portaria do<br />

Ministro da Saúde.<br />

Artigo 33º<br />

(Contrato e forma de pagamento)<br />

1- O Estado, através de organismo<br />

apropriado do Ministério da Saúde,<br />

negociará anualmente com cada<br />

Hospital um Contrato, que terá por<br />

objecto a definição de objectivos e meta ~<br />

quantitativas do plano de actividade do<br />

Hospital no âmbito da prestação de<br />

serviços e cuidados de saúde.<br />

2- O referido Contrato disporá ainda<br />

sobre as prioridades e modalidades<br />

da prestação de cuidados, padrões<br />

de qualidade, níveis de serviço e<br />

sistema de monitorização e avaliação<br />

de resultados.<br />

3- O pagamento dos serviços e<br />

cuidados de saúde prestados terá<br />

como base os valores definidos<br />

anualmente pelo organismo apropriado<br />

do Ministério da Saúde, para a<br />

globalidade das prestações e volumes de<br />

produção acordados para o período de<br />

vigência do Contrato, ponderados pelo<br />

índice de case-mix de cada hospital.<br />

4- O C ontrato poderá ainda dispor<br />

sobre contrapartidas financeiras<br />

especiais, a auferir pelo Hospital, em<br />

função dos resultados obtidos ou da<br />

~ GESTÃO HOSPITALAR<br />

criação de incentivos de produtividade<br />

e da prestação mais eficiente de<br />

cuidados, associadas a programas e<br />

planos de convergência plurianuais.<br />

5- O Hospital deverá emitir e enviar<br />

mensalmente à entidade responsável<br />

uma factura com a descrição dos<br />

actos, serviços e cuidados prestados,<br />

identificados por utente, relativa à<br />

actividade do mês anterior.<br />

6- O Hospital receberá, mensalmente,<br />

por adiantamento do contrato, as<br />

importâncias correspondentes aos<br />

volumes de produção contratados, que<br />

serão objecto de acerto de contas<br />

trimestrais, face à facturação emitida e<br />

conferida pela entidade responsável.<br />

CAPÍTULO VI<br />

AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO<br />

Artigo 34º<br />

(Sistema de avaliação de<br />

desempenho)<br />

1- O sistema de avaliação de<br />

desempenho hospitalar constitui um<br />

instrumento de gestão e motivação<br />

dos profissionais, associado ao sistema<br />

de objectivos traçado para cada<br />

hospital, atendendo às necessidades<br />

específicas e aos objectivos concretos a<br />

prosseguir em cada região ou unidade<br />

hospitalar num determinado período<br />

de tempo.<br />

2- O sistema de avaliação de<br />

desempenho inclui um conjunto<br />

ponderado de factores de avaliação,<br />

em estreita ligação com a produção<br />

alcançada, eficiência conseguida na<br />

gestão dos recursos e com a qualidade<br />

dos resultados obtidos.<br />

3- O sistema de avaliação do<br />

desempenho estabelecido pelo<br />

presente diploma será regulamentado<br />

por despacho do Ministro da Saúde,<br />

tendo em vista operacionalizar o<br />

relatório crítico de actividades, e<br />

pormenorizar outros aspectos relativos<br />

à aplicação do sistema.<br />

Artigo 35º<br />

(Divulgação pública)<br />

Nos termos do artigo 8º do Regime<br />

Jurídico da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>,<br />

aprovado pela Lei nº 27/2002, de<br />

8 de Novembro, os conselhos de<br />

administração dos hospitais devem<br />

proceder, até 30 de Março de cada<br />

ano, ao envio de um relatório à<br />

respectiva ARS, com os indicadores<br />

de desempenho e eficiência que lhes<br />

venham a ser solicitados, reportados<br />

ao ano civil anterior, que permita<br />

nomeados pelo Ministro da Saúde,<br />

na observância pelo estabelecido<br />

no número seguinte.<br />

3. (Novo) Pelo menos dois dos<br />

membros executivos do Conselho<br />

de Administração deverão possuir<br />

formação especifica em gestão<br />

hospitalar e experiência efectiva de<br />

gestão de, no mínimo, 3 anos.<br />

4. (Igual ao actual nº 3 ).<br />

5. O Ministro da Saúde pode<br />

determinar que, face ao perfil<br />

do Presidente do Conselho de<br />

Administração, natureza e<br />

dimensão do hospital, aquele<br />

assuma também as competências de<br />

um dos outros membros executivos.<br />

6. (Igual ao actual nº 5)<br />

Propõe-se, em conformidade com<br />

o anteriormente proposto, a<br />

eliminação do actual n º 6 deste<br />

artigo.<br />

3. No artº 20º - Composição<br />

do Conselho Consultivo<br />

a) Justificação<br />

Considerando as competências<br />

previstas para este órgão ( cf. artigo<br />

21 º)e o facto de os A.H. serem<br />

profissionais previstos e existentes<br />

nos quadros dos hospitais, a sua<br />

inclusão no Conselho Consultivo é<br />

uma mais-valia natural e óbvia que<br />

convirá repescar.<br />

Afigura-se-nos, assim, que a<br />

presença dos A.H. neste órgão,<br />

pelo conhecimento técnico que<br />

possuem e pela prática já obtida<br />

pelos actuais "Conselhos Técnicos"<br />

será, indiscutivelmente, das mais<br />

relevantes para o funcionamento<br />

do "novo" Conselho Consultivo.<br />

b) Alteraçõespropostas<br />

Propõe-se uma alteração na alínea<br />

d) do nº 1 que ficará com a seguinte<br />

redacção: ,.<br />

""<br />

1. d) três vogais designados pelo •<br />

Conselho de Administração, de<br />

cada um: dos seguintes grupos<br />

profissionais: de administração<br />

hospitalar, médico e de<br />

enfermagem.<br />

4. Secção II .. Dos Serviços<br />

não clínicos<br />

Artigo 2 7 º .. Nomeação<br />

do responsável dos serviços<br />

a) Justificação<br />

a posterior consolidação com as<br />

diferentes regiões, e a sua divulgação<br />

pública pelo Ministro da Saúde.<br />

C apítulo VI<br />

Disposições finais e transitórias<br />

Artigo 36º<br />

(Regulamento interno)<br />

1- Para efeitos do disposto no n ° 2 do<br />

artigo 11 º da Lei n º2 7 /2002, de 8 de<br />

N ovembro, o regulamento interno dos<br />

hospitais é aprovado pelo conselho<br />

de administração, e homologado pelo<br />

Ministro da Saúde.<br />

2- O regulamento interno deve ser<br />

aprovado no prazo de 120 dias a<br />

contar da data da entrada em vigor<br />

deste diploma.<br />

Artigo 37º<br />

(Grupos e centros hospitalares)<br />

1- É aplicável a cada um dos<br />

hospitais integrados em grupos e aos<br />

centros hospitalares o esquema de<br />

órgãos previsto neste diploma, com as<br />

necessárias adaptações, bem como as<br />

respectivas competências, sem prejuízo<br />

do disposto no Decreto-Lei n º284/99,<br />

de 26 de Julho, e com observância do<br />

disposto no número seguinte.<br />

2- No regulamento interno de cada<br />

centro ou grupo hospitalar serão<br />

definidos, além da composição dos<br />

seus órgãos, o grau de autonomia e<br />

o esquema de órgãos de cada um dos<br />

estabelecimentos que o constituem.<br />

Artigo 38º<br />

(Comissões de Serviço)<br />

A renovação das comissões de serviço<br />

dos mandatos dos directores de<br />

departamento, de serviço e<br />

equiparados, bem como de outros<br />

cargos, inseridos em estatutos das<br />

respectivas carreiras, que<br />

correspondam a corpos especiais do<br />

Ministério da Saúde, que terminam em<br />

<strong>2003</strong> está dependente da apreciação<br />

pelo conselho de administração de um<br />

relatório que explicite os resultados<br />

alcançados e de um programa de acção<br />

para o novo mandato, a apresentar no<br />

prazo de 90 dias após a entrada em<br />

vigor do presente diploma.<br />

Artigo 39º<br />

(Contratação de bens e serviços)<br />

1- A contratação de bens e serviços<br />

pelos hospitais rege-se pelas normas<br />

de direito privado, sem prejuízo da<br />

aplicação das directivas comunitárias<br />

e do A cordo sobre Mercados Públicos<br />

celebrados no âmbito da Organização<br />

Mundial do Comércio.<br />

2- O regulamento interno dos hospitais,<br />

aprovado nos termos do artigo 35º,<br />

deve, para efeitos do número anterior,<br />

garantir o cumprimento dos princípios<br />

da publicidade, da livre concorrência e<br />

da não discriminação, da qualidade e da<br />

economicidade, de molde a alcançar a<br />

melhor gestão dos meios ao seu dispor, de<br />

harmonia com regulamento-tipo a aprovar<br />

por despacho do Ministro da Saúde.<br />

Artigo 40º<br />

(Tabela de preços)<br />

A Tabela de Preços prevista no nºl do<br />

artigo 32º deverá ser progressivamente<br />

aplicada para os devidos efeitos, durante<br />

o ano de <strong>2003</strong>, de forma a poder entrar<br />

em vigor a 1 de Janeiro de 2004.<br />

Artigo 41 º<br />

(Sucessão)<br />

Os hospitais referidos no artigo 1 º<br />

sucedem na universalidade dos direitos<br />

e obrigações de que sejam titulares,<br />

constituindo o presente diploma título<br />

bastante para o efeito.<br />

Artigo 42º<br />

(Extensão do âmbito de aplicação)<br />

Sem prejuízo do disposto no artigo<br />

1 °, o presente diploma aplica-se<br />

subsidiariamente aos hospitais do SNS<br />

integrados na Rede de Prestação<br />

de Cuidados de Saúde, referidos na<br />

alíneas b) do nºl do artigo 2º e nos<br />

temos do nº l do artigo 18º, bem<br />

como aos hospitais referidos no artigo<br />

15 º, todos do Regime Jurídico da<br />

G estão <strong>Hospitalar</strong>, aprovado pela Lei<br />

nº27/2002, de 8 de Novembro.<br />

A rtigo 43º<br />

(Norma revogatória)<br />

São revogados:<br />

a)- Os artigos 1 º, 2º, 5º e 6º do Decreto,<br />

Lei nº39/2002, de 20 de Fevereiro;<br />

b)- O Decreto-Regulamentar nº3/88,<br />

de 22 de Janeiro;<br />

e)- O Decreto-Regulamentar n º7 /89,<br />

de 4 de Março;<br />

d), O Decreto,Regulamentar<br />

nºl4/90, de 6 de Junho.<br />

Artigo 43º<br />

(Entrada em vigor)<br />

O presente diploma entra em vigor no dia<br />

1 do mês seguinte ao da sua publicação.<br />

Visto e aprovado em Conselho<br />

de Ministros,<br />

O Primeiro - Ministro<br />

A Ministra de Estado e das Finanças<br />

O Ministro da Saúde<br />

A designação " ... serviços não<br />

clínicos" em oposição terminológica<br />

com serviços clínicos não nos<br />

parece a mais feliz. O carácter complementar<br />

e sinérgico desse tipo de<br />

serviços aconselha porventura uma<br />

terminologia não dicotómica que<br />

sugira a inter-relação indispensável<br />

entre eles.<br />

Por outro lado, a existência de<br />

uma formação especializada em<br />

A .H. contemplada numa carreira<br />

própria, para a qual os hospitais<br />

dispõem de lugares nos seus<br />

quadros, pressupõe que a direcção e<br />

chefia deste tipo de serviços esteja a<br />

cargo de profissionais de A.H ..<br />

b) A lterações propostas<br />

O titulo da Secção II deverá<br />

ser modificado, e em vez da<br />

designação "Dos Serviços não<br />

Clínicos", propõe-se a designação<br />

de "Serviços de suporte operacional<br />

e de gestão".<br />

Propõe-se, também, a alteração do<br />

n º2, que passaria a ter a seguin te<br />

redacção:<br />

2. Para efeitos do disposto no<br />

número anterior, a respectiva<br />

nomeação deve recair, sempre que<br />

possível e aplicável, em<br />

profissionais com formação<br />

específica em administração<br />

hospitalar, sem prejuízo do<br />

preenchimento dos requisitos legais<br />

necessários para o exercício dos<br />

respectivos cargos e funções.<br />

III<br />

Notas finais<br />

Limitamo-nos, nestas sugestões, a<br />

dar cumprimento à amável<br />

solicitação de Sua Excelência o<br />

Ministro da Saúde, no que<br />

concerne aos interesses específicos<br />

dos profissionais de A.H., tendo em<br />

conta a gestão dos nossos hospitais<br />

públicos.<br />

Todavia, as restantes dúvidas,<br />

omissões e reparos que<br />

apresentamos no nosso comentário<br />

inicial, mantêm-se, recome!'ldando<br />

esta Direcção a sua ponderação, no<br />

sentido de se promover a melhoria<br />

global do projecto do Decreto-Lei<br />

em apreço.<br />

Lisboa, 18 de Março de <strong>2003</strong><br />

A Direcção da APAH<br />

GESTÃO HOSPITALAR rn


Comunicação para a Qualidade na Saúde<br />

INA promove formação inovadora<br />

Aqualidade dos serviços de saúde é<br />

um tema de grande actualidade.<br />

Contudo, quem garante que cidadãos<br />

e profissionais da saúde partilham a<br />

mesma ideia de "qualidade em saúde"?<br />

A fim de contribuir para a resposta<br />

a este desafio, o Instituto Nacional<br />

de Administração (INA) iniciou em<br />

2002 um programa de formação em<br />

comunicação para os profissionais<br />

da saúde, que constitui o primeiro<br />

projecto na área oferecido em Portugal.<br />

Com a colaboração de um profissional<br />

especialista na matéria e com<br />

experiência adquirida quer no<br />

estrangeiro, quer em Portugal, o<br />

INA pretende ir ao encontro das<br />

necessidades há muito identificadas<br />

por utentes dos serviços de saúde,<br />

profissionais e responsáveis políticos.<br />

Atendendo ao êxito da primeira<br />

edição do curso "Comunicação para<br />

a Qualidade nos Hospitais", o INA<br />

e a APAH promovem, de 26 e<br />

27 de Junho e 11 de Julho, em<br />

Oeiras, no Palácio dos Marqueses de<br />

Pombal, a 2.ª edição desta acção de<br />

formação destinada a administradores<br />

hospitalares. Esta visa dar a conhecer<br />

os fenómenos da comunicação e<br />

a sua relevância para a "reforma<br />

cultural" subjacente a um programa de<br />

qualidade nos hospitais.<br />

A comunicação desempenha um papel<br />

fundamental na implementação de<br />

uma política de qualidade. Mas o<br />

conceito de "qualidade em saúde",<br />

o seu significado, necessita de ser<br />

"comunicado" aos públicos internos e<br />

externos das organizações do Serviço<br />

Nacional de Saúde (SNS).<br />

Profundas alterações<br />

A implementação de políticas de<br />

qualidade exige profundas alterações<br />

de comportamentos e processos para<br />

as quais a definição de planos e<br />

estratégias de comunicação eficientes<br />

é decisiva. Com efeito, torna-se<br />

necessário demonstrar que as propostas<br />

para a qualidade apresentam enormes<br />

vantagens para todos e saber como<br />

contrariar as percepções erradas<br />

entretanto estabelecidas, responsáveis<br />

pelas resistências à mudança e<br />

inovação. Importa reflectir sobre o<br />

papel da função "comunicação" e dos<br />

instrumentos estratégicos na promoção<br />

de políticas de qualidade na saúde<br />

e identificar alternativas práticas para<br />

fomentar as necessárias alterações<br />

comportamentais.<br />

O programa de formação em<br />

comunicação para a saúde surge no<br />

âmbito de um programa de formação<br />

mais alargado de comunicação pública,<br />

oferecido pelo IN A há já alguns<br />

anos, que se destina a promover a<br />

institucionalização na Administração<br />

Pública de políticas de comunicação<br />

enquanto instrumentos estratégicos de<br />

apoio à gestão pública.<br />

Para mais informação e inscrições:<br />

isalia.casimiro@ina.pt ou 21 4118741.<br />

Presidentes das Associações Europeias<br />

de Gestores <strong>Hospitalar</strong>es reunem-se no Algarve<br />

V<br />

ilamoura<br />

foi o local escolhido<br />

para a reunião trimestral dos<br />

dirigentes da Associação Europeia de<br />

Gestores <strong>Hospitalar</strong>es, nos passados<br />

dias 2 e 3 de Maio.<br />

Na agenda das sessões - da Direcção ·<br />

e do Conselho de Administração -<br />

incluiu-se a preparação da Assembleia<br />

Geral a ter lugar nos próximos<br />

dias 5 e 6 de Julho em Dresden,<br />

na Alemanha, designadamente a<br />

aprovação das contas de 2002 e o<br />

orçamento para 2004.<br />

Foi ainda analisado o alargamento<br />

da EAHM a novos países-membros,<br />

como p. ex. a Grécia, Malta e<br />

Turquia, bem como os trabalhos<br />

levados a cabo pela Subcomissão<br />

Cientifica, com vista à preparação<br />

de um Seminário Europeu sobre<br />

Acreditação <strong>Hospitalar</strong>.<br />

Ficou também decidido o lançamento<br />

de um questionário a ser preenchido<br />

por cada país-membro, que actualize a<br />

informação sobre o papel dos gestores<br />

hospitalares, as características<br />

profissionais e sociais do seu<br />

ÉE GESTÃO HOSPITALAR<br />

desempenho, as suas competências<br />

e, ainda, que indique os aspectos<br />

mais marcantes da vida de cada<br />

Associação Nacional. Os resultados<br />

deste inquérito serão, em principio,<br />

apresentados na Assembleia Geral,<br />

a realizar-se proximamente em<br />

Dresden.<br />

Finalmente, foram apresentados os<br />

desenvolvimentos já registados na<br />

preparação do próximo Congresso<br />

da EAHM, em Oslo, em 2004, e<br />

cuja organização está a cargo das<br />

Associações Norueguesa e Sueca.<br />

Com a presença dos Presidentes das<br />

Associações nacionais de cerca de<br />

20 países membros e a APAH<br />

como anfitriã, este acontecimento<br />

decorreu com o maior sucesso, quer<br />

nas sessões de trabalho, quer na<br />

sua componente social, factos que<br />

foram amplamente reconhecidos,<br />

com simpatia e gratidão, por todos os<br />

participantes.<br />

Presidente da APAH integra comissão organizadora<br />

Conferência luso-francófona de saúde<br />

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es, Manuel Delgado, foi convidado pelas autoridades<br />

canadianas do Quebec para integrar, por Portugal, a comissão<br />

organizadora da Conferência Luso-Francófona de Saúde, a<br />

realizar em Montreal em 2005.<br />

A Comissão Organizadora será presidida pelo director da<br />

Universidade de Montreal, contando ainda com a participação<br />

do presidente da Associação Brasileira dos Secretários Estaduais<br />

da Saúde.<br />

..<br />

Em Alzira, Valência<br />

Experiência de sucesso<br />

no Hospital de La Ribera<br />

Os alunos do XXXI Curso de<br />

Especialização em Administração<br />

<strong>Hospitalar</strong>, da Escola Nacional de Saúde<br />

Pública, realizaram nos dias 9 e 10<br />

de Dezembro, uma visita de estudo ao<br />

Hospital La Ribera, em Alzira (Valência),<br />

acompanhados pelo presidente da<br />

Associação Portuguesa de Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es, Dr. Manuel Delgado, uma<br />

comitiva do Hospital dos Capuchos,<br />

presidida pelo director, Prof. Pereira Alves,<br />

e pelo administrador-delegado dos<br />

H ospitais da Universidade de Coimbra,<br />

Dr. Pedro Lopes.<br />

O interesse desta visita foi determinado<br />

pela experiência que representa para o<br />

sistema de saúde espanhol e, sobretudo,<br />

para a comunidade valenciana, a gestão<br />

deste novo hospital que, pelo segundo ano<br />

consecutivo, obteve o primeiro lugar no<br />

sistema de classificação de desempenho,<br />

Top 20 1 , na categoria dos "Grandes<br />

Hospitales Generales".<br />

Os dois dias do programa foram<br />

preenchidos com sete palestras que<br />

abordara1n as principais áreas de gestão e<br />

organização do hospital, incluindo ainda<br />

uma visita ao hospital.<br />

Na sessão de abertura, Manuel Marin,<br />

representante da comunidade valenciana,<br />

e Alberto de la Rosa, gestor do hospital,<br />

fizeram um enquadramento do hospital La<br />

Ribera no sistema de saúde da comunidade<br />

valenciana e apresentaram o sistema de<br />

financiamento (capitação) que respeita<br />

exclusivamente ao La Ribera.<br />

Em Espanha a reforma do sistema de<br />

saúde passou pela entrega da gestão<br />

do sistema às comunidades autónomas,<br />

pertencendo a responsabilidade da<br />

concessão administrativa do hospital La<br />

Ribera à Comunidade Valenciana. Esta,<br />

por sua vez, definiu um modelo cujo<br />

financiamento é capitativo (224.58 Euros<br />

por habitante/ano - 230 mil pessoas); o<br />

terreno onde foi construído o hospital é<br />

público e reverterá num prazo de 1 O anos<br />

para o domínio público; o controlo público<br />

é realizado através da figura do comissário<br />

(criada para o efeito), com capacidade de<br />

controlo, inspecção e faculdade normativa<br />

e sancionatória.<br />

Entre as funções do comissário deve<br />

destacar-se a supervisão da realização de<br />

inquéritos aos utentes e o facto de<br />

ser o primeiro destinatário das queixas<br />

formuladas ao funcionamento do hospital.<br />

Tem ainda poderes de supervisão na<br />

definição da programação dos serviços ou<br />

da inclusão de novas especialidades à<br />

carteira de serviços definida inicialmente.<br />

A lista de espera do hospital nunca poderá<br />

exceder os 90 dias.<br />

O hospital La Ribera é um hospital público<br />

de gestão privada, entregue por concurso<br />

a um consórcio cujo capital é distribuído<br />

desta forma: 51 %, companhia de seguros<br />

ADESLAS; 44%, Cajas de Ahorros; 4%,<br />

empresas construtoras.<br />

As bases conceptuais do modelo a destacar<br />

para além do financiamento capitativo,<br />

do controlo público e da reversão para<br />

o domínio público, centram-se na<br />

contratação de pessoal que é realizada pelo<br />

contrato individual de trabalho. Seguindo<br />

o princípio de que o dinheiro segue o<br />

doente, o hospital paga a outros hospitais<br />

100 % do custo do tratamento de doentes<br />

da sua área de influência e cobra 80 % do<br />

custo dos doentes tratados no hospital e<br />

1<br />

O Top 20 é um programa<br />

de avaliação dos hospitais,<br />

baseado em dados objectivos<br />

e disponíveis. A participação<br />

neste benchmarking é<br />

voluntária e visa constituir<br />

um padrão de referência para<br />

a identificação de áreas de<br />

melhoria no funcionamento<br />

dos hospitais. Os hospitais<br />

são classificados em cinco<br />

grupos, em função de critérios<br />

de tamanho, de ensino e<br />

nível tecnológico. Ql)pois de<br />

agrupados, os hospitais são<br />

confrontados com cinco<br />

indicadores chave que<br />

contemplam: critérios de<br />

qualidade, funcionamento e<br />

eficiência. Em cada grupo são<br />

escolhidos os quatro primeiros<br />

hospitais que formam o Top<br />

20. Este ranking na edição de<br />

2002 envolveu 143 hospitais<br />

públicos e privados.<br />

GESTÃO HOSPITALAR ffi


oriundos de outras áreas.<br />

Os aspectos de diferenciação do hospital<br />

para a população residem na livre escolha<br />

do hospital, na livre escolha dos<br />

profissionais, na inexistência de lista de<br />

espera, nos quartos individuais ( 225),<br />

no horário das consultas (segunda a<br />

sexta das 8:00 às 22:00), no horário<br />

de funcionamento dos blocos operatórios<br />

(segunda a sábado das 8:00 às 22:00), no<br />

sistema de incentivos por objectivos, na<br />

informatização total do hospital (história<br />

clínica electrónica - sistema radiológico<br />

digital).<br />

Neste momento, o Hospital La Ribera vive<br />

um período crucial na sua história, visto<br />

o contrato realizado com a comunidade<br />

valenciana ter sido interrompido por<br />

comum acordo de forma a possibilitar<br />

a realização de um novo concurso que<br />

estipule prazos mais alargados (30 anos).<br />

A satisfação da entidade financiadora, dos<br />

destinatários dos serviços e da entidade<br />

prestadora estará na base desta alteração.<br />

A experiência de gestão do La Ribera<br />

poderá também ser transferida para<br />

Portugal. O representante do consórcio<br />

espanhol revelou à comitiva portuguesa<br />

que se estão a preparar para se lançarem no<br />

mercado português.<br />

Incentivos<br />

aos profissionais<br />

O Hospital La Ribera possui um quadro de<br />

incentivos que, meticulosamente, pondera<br />

os objectivos, individuais e colectivos,<br />

assente num eficaz arsenal de indicadores<br />

de gestão e num potente sistema de<br />

informação intra, hospitalar.<br />

C riam,se alvos orçamentais colectivos e<br />

individuais. A avaliação de resultados é<br />

ponderada por meio dos Diagnosis Related<br />

Groups. N o ambulatório a valoração é ao<br />

acto, já nos serviços centrais, por exemplo,<br />

é de acordo com o tempo de resposta. A<br />

unidade entre os objectivos da empresa,<br />

do serviço e dos indivíduos é o princípio<br />

inspirador do esquema de incentivos no La<br />

Ri bera.<br />

Os sistemas de incentivos têm, neste<br />

hospital, como fins primordiais: a<br />

diferenciação positiva dos funcionários;<br />

a criação de condições de atractividade<br />

em relação a outros hospitais da rede<br />

de saúde respondendo às reclamações do<br />

pessoal da rede pública através de um<br />

meio de remuneração e quadro de recursos<br />

humanos distintos.<br />

Este modelo funciona nas<br />

denominadas áreas de:<br />

Hospitalização; Bloco<br />

Operatório; Urgências e<br />

Serviços Centrais.<br />

Para além dos incentivos<br />

pecuniários, o hospital<br />

financia cursos de<br />

formação, assistência a<br />

congressos e estágios com<br />

a apreciação prévia da<br />

Comissão de Dotações<br />

(a importância atribuída<br />

a esta questão encontra,se<br />

bem patente nas 483<br />

assistências a cursos<br />

financiadas pelo hospital e 36.060,73 euros<br />

investidos em estágios de investigação, só<br />

no ano de 2001 ).<br />

Política de Qualidade<br />

A missão do Hospital de La Ribera<br />

é resolver os problemas de saúde da<br />

população, de acordo com os critérios<br />

científicos mais actuais e utilizando a<br />

tecnologia mais modern a, com uma<br />

organização centrada no doente e numa<br />

assistência de qualidade, baseando,se numa<br />

gestão eficiente dos recursos e<br />

demonstrando a viabilidade do novo<br />

modelo de gestão que representa.<br />

N esse sentido, o Hospital de La Ribera<br />

está a implementar o Sistema de <strong>Gestão</strong><br />

da Qualidade na área assistencial segundo<br />

o modelo internacional da EFQM,<br />

prosseguindo uma prestação de serviços<br />

acessíveis e equitativos, com um nível<br />

profissional óptimo, que tenha em conta os<br />

recursos disponíveis e a adesão e satisfação<br />

dos utentes.<br />

O grande objectivo a atingir é a satisfação<br />

do doente, o qual passa pelo<br />

desenvolvimento de uma<br />

estratégia de fidelização.<br />

Esta estratégia de fidelização<br />

do "cliente" assenta em 4<br />

linhas mestras orientadas para<br />

o doente: ( 1) humanização<br />

na atenção dada aos doentes<br />

(visível, por exemplo, no tipo<br />

de instalações que o hospital<br />

dispõe, exclusivamente<br />

quartos individuais com cama<br />

para o acompanhante); (2)<br />

liberdade de escolha (o doente<br />

pode escolher o médico a que<br />

Na nova forma<br />

de organização,<br />

os blocos e as camas<br />

não pertencem<br />

a nenhuma<br />

especialidade<br />

em particular.<br />

(...) primeiro e único<br />

hospital do território<br />

espanhol com uma<br />

história clínica<br />

electrónica<br />

completamente<br />

integrada e com todas<br />

•<br />

as imagens<br />

radiológicas<br />

digitalizadas, o<br />

Hospital de La Ribera<br />

disponibiliza aos seus<br />

colaboradores uma<br />

rede interna<br />

(intranet) com 420<br />

postos de trabalho<br />

(sendo 280 clínicos)<br />

e 110 postos de<br />

distribuição de<br />

•<br />

imagens.<br />

quer recorrer); (3) liberdade<br />

de acesso (disponibilização<br />

de vários canais de acesso aos<br />

serviços do hospital , linha<br />

telefónica diária, marcação<br />

de consultas por internet);<br />

( 4) visão por processos<br />

(ciclo de melhoria contínua:<br />

análise redesenho e<br />

medição de resultados).<br />

Prosseguindo a máxima de<br />

que "lo que no se mide<br />

no se mejora", a avaliação<br />

de resultados desempenha<br />

um papel fundamental na<br />

política de qualidade do<br />

Hospital de La Ribera. Papel<br />

esse facilitado pelo sistema<br />

de informação que, de uma<br />

forma integrada, percorre<br />

todas as áreas de hospital,<br />

permitindo a todo o<br />

momento a recolha "online"<br />

dos mais diversos<br />

indicadores. Paralelamente,<br />

o Hospital de La Ribera<br />

preocupa,se com a inquirição<br />

regular da satisfação dos<br />

seus doentes. O índice de<br />

satisfação geral situa,se nos<br />

8.51 pontos, numa escala de<br />

10, sendo curioso que 80%<br />

dos doentes desconhece qual o sistema de<br />

gestão do hospital.<br />

A área cirúrgica<br />

A área cirúrgica está organizada de uma<br />

forma bastante simples e verticalizada já<br />

que elimina muitos dos cargos intermédios.<br />

Assim, é composta por uma direcção<br />

médica, da qual dependem o coorden ador<br />

da área cirúrgica, que é responsável pela<br />

coordenação da área administrativa, da<br />

área médica (coordenadores de serviço<br />

que são responsáveis pelos médicos<br />

especialistas) e da área de enfermagem<br />

(adjunto da direcção de enfermaria da área<br />

cirúrgica responsáveis pelos supervisores de<br />

enfermagem cirúrgica que coordenam os<br />

enfermeiros auxiliares) e o comité de bloco<br />

(responsável, através de um reunião com os<br />

coordenadores de serviço e responsáveis de<br />

enfermagem e administração da área, pela<br />

planificação trimestral e pela definição dos<br />

objectivos trimestrais)<br />

A actividade de cirurgia programada<br />

resulta da actividade das consultas<br />

externas, já que é durante estas que é dada<br />

a indicação cirúrgica, após a qual é feita a<br />

classificação segundo o tipo de intervenção<br />

(hospitalar, cirurgia de ambulatório maior<br />

ou cirurgia de ambulatório menor), é<br />

realizada uma folha pré,operatória, são<br />

solicitados estudos pré,operatórios e é dada<br />

entrada na lista de espera.<br />

A gestão do bloco cirúrgico assenta na<br />

planificação ajustada à procura e na<br />

valorização da cirurgia ambulatória, com<br />

o objectivo de garantir que a espera para<br />

cirurgia não seja superior a 90 dias.<br />

Esta opção tem implicações na planificação<br />

da actividade que deixa de estar<br />

dependente de uma organização em que<br />

cada serviço tinha um determinado<br />

número de camas e de blocos cirúrgicos ao<br />

qual a procura tinha de se ajustar (levando<br />

ao sub,aproveitamento de recursos em<br />

simultâneo com a existência de listas de<br />

espera muito longas). Na nova forma<br />

de organização, os blocos e as camas<br />

não pertencem a nenhuma especialidade<br />

em particular e a planificação, realizada<br />

trimestralmente, é fe ita tendo em conta as<br />

indicações de gravidade/urgência cirúrgica<br />

e a forma de alcançar um tempo de<br />

espera inferior a 90 dias. Após considerar<br />

estas duas variantes, a actividade cirúrgica<br />

é "distribuída" pelas várias especialidades<br />

de modo a possibilitar o alcance dos<br />

objectivos por especialidade/médico. Este<br />

sistema de planeamento exige uma grande<br />

flexibilidade e não assegura prioridade<br />

a esta ou aquela especialidade ou<br />

profissional.<br />

Este tipo de planificação conduz a<br />

indicadores em "bossa" já que como<br />

o objectivo é não ultrapassar os 90<br />

dias de espera e a programação é<br />

fe ita trimestralmente a tendência é para<br />

a existência de picos de actividade<br />

de algumas especialidade durante um<br />

trimestre e o abrandamento no seguinte, e<br />

assim sucessivamente. A forma de gestão<br />

e planeamento adaptadas tem permitido<br />

um aumento do número de cirurgias<br />

programadas e de cirurgias maiores de<br />

ambulatório, um tempo de espera médio<br />

entre os 50,90 dias.<br />

As estratégias de gestão passam por um<br />

aumento da produtividade estrutural através<br />

da realização de benchmarking e manutenção<br />

da posição no TOP 20; pela redução<br />

do tempo em lista de espera cirúrgica;<br />

pela redução da incerteza através da<br />

0'.11 GESTÃO HOSPITALAR<br />

GESTÃO HOSPJTALAR lfil


utilização de guias clínicas; pela actualização<br />

administrativa e auditorias periódicas das<br />

listas de espera cirúrgicas; pela gestão da<br />

área feita segundo modelos de eficiências<br />

considerados mais ajustados; pela utilização<br />

de um sistema de incentivos por objectivos;<br />

pela utilização do sistema de hospitalização<br />

único; pela utilização de sistemas<br />

informáticos e de ajuda à decisão de grande<br />

capacidade; pelo regime de contratação dos<br />

recursos humanos e; por um método de<br />

planeamento cirúrgico "original".<br />

Os Sistemas de Informação<br />

Um dos factores críticos que fazem do<br />

Hospital de La Ribera um caso de<br />

sucesso ao nível da gestão das organizações<br />

prestadoras de cuidados de saúde é, sem<br />

dúvida, o reconhecimento por parte da<br />

empresa gestora, da importância detida<br />

pelos Sistemas de Informação (SI) na<br />

gestão estratégica e operacional do<br />

Hospital.<br />

Esta importância traduz,se numa equipa<br />

permanente de 26 elementos, sendo 4<br />

pertencentes aos quadros do próprio<br />

hospital e os restantes profissionais a<br />

empresas de outsorcing de SI. Estas equipas,<br />

que funcionam sempre com base em<br />

projectos, garantem, em todo o momento,<br />

a manutenção e desenvolvimento da<br />

estrutura do SI, seja de software, seja de<br />

hardware.<br />

Se a quantidade de recursos humanos<br />

disponíveis impressionou, já o seu peso<br />

orçamental foi algo surpreendente<br />

comparativamente com essa estrutura de<br />

RH: são orçamentados cerca de 1,5<br />

milhões de euros anualmente para<br />

exploração e foram investidos cerca de 4<br />

milhões de euros inicialmente. Segundo<br />

os responsáveis este montante é<br />

perfeitamente justificável perante os<br />

resultados obtidos.<br />

Tratando,se do primeiro e único hospital<br />

do território espanhol com uma história<br />

clínica electrónica completamente<br />

integrada e com todas as imagens<br />

radiológicas digitalizadas, o Hospital de La<br />

Ribera disponibiliza aos seus colaboradores<br />

uma rede interna (intranet) com 420<br />

postos de trabalho (sendo 280 clínicos) e<br />

11 O postos de distribuição de imagens.<br />

A utilização do sistema que está disponível<br />

em todo o hospital é diferenciada por<br />

níveis de acesso que acedem ao processo<br />

clínico do doente. Este processo clínico<br />

§3 GESTÃO HOSPITALAR<br />

detém todo o historial<br />

do doente na instituição<br />

de saúde, desde os<br />

resultados dos exames dos<br />

meios complementares aos<br />

diagnósticos médicos<br />

imputados por estes no<br />

momento da consulta,<br />

a actualização dos dados<br />

no processo clínico é<br />

realizada no momento da<br />

sua produção.<br />

No que respeita à<br />

arquitectura do sistema, é<br />

de salientar a completa<br />

integração entre os<br />

principais softwares<br />

utilizados nas diferentes áreas do hospital.<br />

Estes softwares são standards para cada<br />

uma dessas áreas e podem,se encontrar<br />

no mercado. O desenho e as<br />

intercomunicações foram desenvolvidos<br />

internamente. Em termos práticos, esta<br />

comunicabilidade entre os diferentes<br />

sectores permite saber a todo o momento,<br />

não só uma série de indicadores básicos que<br />

constituem o quadro de bordo do hospital,<br />

mas todo um conjunto de informação<br />

da qual se destaca o custo por doente,<br />

a análise das prescrições médicas ou os<br />

desvios face aos objectivos propostos.<br />

ESCOU\ NAC.Ot",ij,L l -<br />

~AUC-1~ P )8UC A<br />

Ficou bem patente nesta visita que<br />

os Sistemas de Informação representam J ()O 3 · O G · .9 4<br />

nos nossos dias um factor,chave para<br />

o sucesso organizacional. O conecto<br />

dimensionamento das estruturas físicas,<br />

humanas e financeiras dos SI<br />

permitem obter<br />

constantemente ganhos, que<br />

se traduzem em factores tão<br />

importantes como a<br />

fiabilidade da informação<br />

produzida, a rapidez com que<br />

ela obtida ou a forma como<br />

ela circula, é disponibilizada<br />

e compartilhada.<br />

Consequentemente<br />

aumentarão os parâmetros de<br />

flexibilidade de resposta à<br />

mudança externa constante<br />

e de eficiência e eficácia<br />

no processo de tomada de<br />

decisões.


Roché<br />

Inovamos na Saúde

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