Gestão Hospitalar 2003
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Maio de <strong>2003</strong> • 8<br />
\<br />
.,.<br />
A Acreditacão ,<br />
'<br />
dos Hospitais em Portugal<br />
., __<br />
'\·, .<br />
"GH" faz um balanço do processo de acredita-ção<br />
desenvolvido em Portugal e dos resultados que se<br />
_ pretendem atingir - pág. 25<br />
O processo de empresarialização das SA's<br />
por Jorge Varanda do Grupo de Missão - pág. 12<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />
Projecto do Governo<br />
e propostas da APAH -pág.39
ANTARES<br />
consulting -<br />
A Antares Consulting é uma empresa do Grupo IPG, co-participada pela ANTARES Espanha e<br />
especializada na prestação de Serviços de Consultoria para o Sector da Saúde, em particular para<br />
os seguintes segmentos: Hospitais e Outras Entidades Prestadores de Serviços Saúde (cuidados<br />
continuados), Companhias Seguros de Saúde, Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Investidores<br />
Privados no sector da Saúde.<br />
A Antares desenvolve a sua actividade nas áreas Tecnologias e Sistema de Informação, Estratégia e<br />
Organização e Recursos Humanos e Formação, oferecendo os seguintes serviços:<br />
Repensar 1<br />
globalmente a<br />
Organização<br />
•<br />
Renovar<br />
a gestão<br />
e revitalizar<br />
o capital<br />
humano<br />
Incorporar<br />
a inovação<br />
e as novas<br />
tecnologias<br />
da informação<br />
~ Planificação estratégica;<br />
~ Planos de desenvolvimento de negócio, estudos de mercado e orientação competitiva;<br />
~ Planos de viabilidade de novas unidades de negócio;<br />
~ Planos funcionais e "layout" de instalações.<br />
~ Modelos de desenvolvimento da <strong>Gestão</strong> Clínica;<br />
~ Metodologias e focalizações em unidades de serviço, normalmente consideradas<br />
"Caixas Negras", nomeadamente, Laboratórios, Blocos Cirúrgicos, Urgências e<br />
Radiologia; lmagiologia<br />
~ Organização dos Cuidados de Enfermagem (Metodologia e ferramenta PRN);<br />
~ Adequação e organização do Pessoal médico;<br />
~ Modelos de Carreira Profissional, modelos de avaliação de competências e<br />
sistemas de remuneração variável;<br />
~ Formação específica dos profissionais da Saúde.<br />
~ Planificação e organização da investigação;<br />
~ Avaliação da estrutura de custos não assistencial do hospital;<br />
~ Modelo funcional e gestão da Investigação;<br />
~ Planos de Sistemas de informação e Implementação de soluções aplicacionais<br />
integradas de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />
~ Implementação de Ferramentas departamentais: solução <strong>Gestão</strong> Eficiente Bloco<br />
Cirúrgico, solução <strong>Gestão</strong> dos Serviços de Enfermagem, etc. ;<br />
~ Implementação de soluções Balanced ScoreCard, para a gestão de Topo dos<br />
hospitais;<br />
~ Desenvolvimento de plataformas B2B e soluções em ambientes Web.<br />
A Antares Consulting é uma companhia internacional, com sede em Madrid e escritórios em Barcelona<br />
e Lisboa. Tem vindo a trabalhar com 90 clientes em 9 países distintos: Andorra, Bélgica, Bulgária,<br />
Espanha, França, Itália, México, Portugal e Suiça.<br />
Largo das Palmeiras, nº 9 1050-168 Lisboa• Tel: 21 358 58 00 •Fax: 21 316 05 05<br />
email: ssalvador@antares-consulting.com •site: www.antares-consulting.com<br />
Revista da Associação Portuguesa<br />
de Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />
~E<br />
Membro da Associação Europeia<br />
de Directores <strong>Hospitalar</strong>es<br />
DIRECTORA<br />
Armanda Miranda<br />
Editorial ............................................ Pág. 5<br />
Opinião<br />
Maio de <strong>2003</strong> • €7<br />
Empresarialização<br />
do Hospital úblico<br />
• Ana Sofia Ferreira ......................... Pág. 7 Português<br />
10 _ 11<br />
CONSELHO REDACTORIAL<br />
• Jorge Varanda .............................. Pág. 12<br />
ABRIL<br />
,- ' ' ' <strong>2003</strong><br />
Ana Isabel Gonçalves<br />
Investigação<br />
"f' -!·. 'l<br />
Teresa Sustelo<br />
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Fontes de informação terapêutica e<br />
Jorge Poole da Costa<br />
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Manuel Ligeiro<br />
prescrição de genéricos .................. Pág. 16 . , ~ i ~ ;J i ; ·;<br />
Manuel Delgado<br />
Espaço Aberto<br />
Pedro Lopes<br />
XII Jornadas<br />
Sistema de saúde em questão<br />
de Administração<br />
PROPRIEDADE por Ana Manso .............................. Pág. 22<br />
<strong>Hospitalar</strong> .... Pág. 40<br />
Associação Portuguesa de<br />
Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />
Dossiê<br />
Empresa jornalística nº 209259 A Acreditação dos Hospitais em Portugal<br />
Apartado 22801<br />
..... Pág. 25<br />
1146 Lisboa Codex<br />
ADMINISTRAÇÃO E ASSINATURAS<br />
APAH Apartado 22801<br />
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PRODUÇÃO GRÁFICA<br />
Augusto Teixeira<br />
DISTRIBUIÇÃO<br />
JMToscano Tel.: 2141429 09/29 34-<br />
Fax: 21 414 29 51<br />
Notícias<br />
Entrevista com<br />
Joaquim Coimbra,<br />
presidente do<br />
Conselho de<br />
Administração da<br />
La besf a 1 ...... Pág. 10<br />
• A realidade da Medicina Geral<br />
Presidentes<br />
ASSINATURA ANUAL - € 24,94 na Bélgica .................................... Pág. 32 das Associações<br />
PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />
Europeias<br />
TIRAGEM - 2.000 exemplares<br />
de Gestores<br />
• A regulamentação do Governo ... Pág. 42<br />
Nº Registo 109060<br />
<strong>Hospitalar</strong>es<br />
Depósito legal n º 16288/87 • Posição da APAH ........................... Pág. 43 reunem<br />
ISSN: 0871 - 0776 • Propostas de alteração ............... Pág. 50 no Algarve ... Pág. 54<br />
NORMAS EDITORIAIS<br />
1 ª A Revista aceita trabalhos sobre qual.q_uer assunto relacionado<br />
com o tema geral da gestão de serviços de saúde entendida esta<br />
no seu mais amplo sentido.<br />
2 ª Os artigos deverão ser enviados ao Director. A este caberá<br />
a responsabilidade de aceitar, rejeitar ou propor modificações.<br />
3 ª Os artigos deverão ser enviados em duplicado (incluindo quadros<br />
e figuras), dactilografados a duas entrelinhas em folha<br />
de formato A4. Em cada folha não deverão ser dactilografadas<br />
mais de 35 linhas. As folhas serão numeradas em ordem sequencial.<br />
4 ª Os artigos deverão ser acompanhados, sempre que possível,<br />
por fotografia do( s) autor( es), tipo passe.<br />
5º Os trabalhos deverão conter em folhas separadas o seguinte.<br />
a)- Título do trabalho, nome(s) do(s) autor(es) e pequeno esboço<br />
curricular do( s) autor( es) , principais funções ou títulos,<br />
até ao máximo de dois;<br />
b) - Pequena introdução ao artigo até ao máximo de uma página<br />
dactilografada;<br />
e)- O texto;<br />
d)- Quadros com títulos e legendas (folhas autónomas) ;<br />
e)- Gráficos desenhados a traço de tinta-da-china sobre papel<br />
vegetal sem números ou palavras;<br />
f)- Títulos , legendas ou elementos dos gráficos escritos em folhas<br />
de f o toe ó pias destes, à parte;<br />
g)- Fotografias numeradas no verso, a lápis, segundo a ordem<br />
de entrada no texto e respectivas legendas;<br />
h)- Pequenos resumos do artigo em língua francesa e inglesa,<br />
incluindo títulos;<br />
i)-Os originais , não deverão conter pés-de página.Todas as<br />
referências bibliográficas completas serão inseridas no final<br />
do artigo.<br />
6 º Nas referências bibliográficas, os autores são coloca.dos por ordem<br />
alfabética (apelido seguido das iniciais o.JJJJJJle)~s~~~ ...<br />
completo do artigo , o título abreviado g~)@, Q, rn4rl).&tQN.O.L De<br />
do volume, os números da primeira e ltima págj~ -e ~-' El!t6l IC. A.<br />
da publicação. --<br />
0 Editorial e os Artigos não assinados ão da responsabilidadf__-<br />
da Direcção da Associação. P ~ ~<br />
Os Artigos assinados são da exclusiva esponsabilidade dos seus<br />
autores, não comprometendo a Assoei ão com os pontos de vista<br />
neles expressos. Embora merecendo a 1 lbor atenção , a ca.k.il:wra.çã..a__<br />
não solicitada não será devolvida, rese ando~ s e.,o ,dir,eitq r .._ \ !<br />
d bl . - n ' O L 1 U . :- '...., A<br />
e a pu icar ou nao.<br />
1<br />
GESTÃO HOSPITALAR ~
Administrador<br />
hospitalar a recibos<br />
verdes e avenças<br />
Sou administrador<br />
hospitalar e sócio, há uns<br />
anos, da Associação<br />
Portuguesa de<br />
Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es. Exerço a<br />
minha acti vidade vai para<br />
seis anos, divididos por dois<br />
hospitais. O que acontece<br />
é que, pasme.-se!, ainda não<br />
tive acesso à carreira de<br />
administração hospitalar,<br />
não obstante a preocupação<br />
e o esforço da APAH para<br />
que esta situação ... que<br />
atinge tantos colegas meus ...<br />
se altere.<br />
Não quererá o Senhor<br />
Ministro colocar.-se na<br />
minha pele e trabalhar a<br />
recibos verdes ou avenças ao<br />
fim de quase seis anos de<br />
actividade? Como explica,<br />
Senhor Ministro, que tanto<br />
diz apostar na gestão dos<br />
hospitais, ainda não ter<br />
inexido uma palha para que,<br />
ao menos, possamos ter um<br />
elementar contrato indivi ...<br />
dual de trabalho? Serão<br />
também imposições da sua ·<br />
colega Manuela Ferreira<br />
Leite?<br />
Leitor identificado<br />
Foi pena,<br />
Senhor Ministro!<br />
Eu não duvido da seriedade<br />
do ministro Luís Filipe<br />
Pereira, nem tenho nada<br />
contra os hospitais ditos SA.<br />
E acredito mesmo que ele<br />
queira o melhor dos mundos<br />
para a saúde dos portugueses,<br />
e para a gestão dos hospitais,<br />
e para fazer o máximo com o<br />
menor dos gastos! O que eu<br />
não entendo é que ele, um<br />
gestor, um gestor arejado,<br />
corajoso até, tenha querido<br />
transformar 34 hospitais em<br />
31 sociedades anónimas sem<br />
aproveitar, como o interesse<br />
nacional exigiria, os recursos<br />
humanos que tem à sua<br />
disposição. Saberá o<br />
ininistro o que é a<br />
reconhecida Escola<br />
Nacional de Saúde Pública?<br />
Se calhar ninguém lhe disse<br />
que ali se formam<br />
administradores hospitalares,<br />
quadros com habilitação<br />
específica para gerir<br />
hospitais. E foi pena. Porque,<br />
se estivesse<br />
convenientemente<br />
informado, teria por certo<br />
sabido aproveitar melhor os<br />
recursos humanos que o<br />
Estado forma e<br />
internacionalmente se<br />
reconhece. Se alguém lhe<br />
tivesse dito, na gestão dos<br />
31 hospitais SA estariam<br />
com certeza não apenas<br />
cerca de 30 por cento de<br />
ad1ninistradores hospitalares.<br />
Administrador hospitalar<br />
identificado<br />
Mude de rumo!<br />
A razão desta meia dúzia<br />
de palavras é só uma, e de<br />
indignação. Neste bom par<br />
de anos de experiência de<br />
administrador hospitalar é<br />
a pnmetra vez que nos<br />
exigem cortes cegos no<br />
orçamento. Quer dizer, tudo<br />
o que aprendemos sobre<br />
os orçamentos, que devem<br />
ser feitos em função da<br />
produção e não da despesa,<br />
vai agora por água abaixo.<br />
Parafraseando a canção,<br />
aceita um conselho,<br />
despartidarizado, senhor<br />
ministro? Mude de rumo!<br />
Leitor identificado<br />
Parabéns,<br />
senhor ministro!<br />
A política do Governo para<br />
a área da Saúde, sobretudo<br />
dos medicamentos, está de<br />
parabéns. Refiro.-me à<br />
promoção de genéricos e<br />
ao sistema da<br />
comparticipação pelo preço<br />
de referência. Reconheça.-se<br />
que, finalmente, houve um<br />
governante, Luís Filipe<br />
Pereira, que proporcionou<br />
medicamentos mais baratos<br />
às pessoas.<br />
O ministro da Saúde está<br />
também de parabéns por<br />
ter tido a coragem de dar<br />
o pontapé de saída para<br />
acabar com o funcionalismo<br />
público nos hospitais. Além<br />
disso, reconheça.-se também,<br />
ao ministro da Saúde se deve<br />
igualmente uma medida<br />
muito importante ... a<br />
possibilidade de as pessoas<br />
escolherem os hospitais.<br />
] osé António Pinto<br />
Porto<br />
Sob o signo da empresarialização<br />
1. O primeiro ano do actual Governo foi - na área<br />
da saúde - marcado pela ideia de empresarialização<br />
dos hospitais públicos.<br />
A aprovação de uma nova lei para a gestão<br />
hospitalar e a subsequente criação de 31 hospitais<br />
S .A. (praticamente metade da capacidade instalada)<br />
traçaram indelevelmente o futuro dos nossos hospitais,<br />
apresentando novas soluções para velhos problemas.<br />
Está realizada a tarefa porventura menos<br />
problemática. Ainda que não isenta de criticas<br />
- de natureza técnica, ideológica ou corporativa.<br />
As primeiras muito ténues, as segundas desfasadas<br />
no tempo, as terceiras marcadamente reactivas.<br />
Neste capitulo, fica por saber se todos os hospitais<br />
evoluirão para S .A. 'sou se a coexistência destas<br />
com os hospitais do sector público administrativo<br />
é para manter.<br />
2. Mas os problemas começaram logo a seguir,<br />
no processo de empresarialização, naturalmente<br />
a fase mais difícil.<br />
A passagem dos 31 hospitais para S .A. 's trouxe<br />
uma profunda alteração à composição dos órgãos<br />
de gestão desses estabelecimentos e nem sempre<br />
as escolhas foram as melhores.<br />
Das pequenas ou grandes amizades, das afinidades<br />
familiares às afinidades políticas, assistimos nos<br />
últimos meses à entrada de novos protagonistas<br />
na gestão hospitalar.<br />
A exclusão de gestores hospitalares com provas<br />
dadas foi evidente e a sua substituição por pessoas<br />
sem curriculum e sem perfil foi frequente.<br />
Nem a ideia, tantas vezes repetida, de que<br />
importava introduzir no sistema gestores de elevado<br />
gabarito provenientes de outros domínios,<br />
que trouxessem um novo espirita empreendedor<br />
mais compatível com as mudanças que se impunham,<br />
se confirmou face ao perfil dos nomeados.<br />
A desconfiança instalou.-se e a desilusão foi grande!<br />
Entre os profissionais, os cidadãos e a classe política.<br />
3. Apesar de viverem já num novo cenário de<br />
gestão, os hospitais S . A. não têm podido até<br />
agora dispor de todos os instrumentos previstos: a<br />
autonomia económico.-financeira tem sido rudemente<br />
posta em causa pelo aperto financeiro do Governo;<br />
o financiamento pela produção foi substituído pelo<br />
antigo modelo de orçamento histórico por rubrica de<br />
despesa; ainda não há condições para uma gestão de<br />
recursos humanos com base nos contratos individuais<br />
de trabalho e segundo modelo de incentivos adequado.<br />
A Unidade da Missão, em boa hora constituída<br />
para acompanhar a gestão destes hospitais, embora<br />
tardiamente, terá aqui uma importante tarefa<br />
a cumprir, em matéria de orientação técnica<br />
e mecanismos de acompanhamento e avaliação.<br />
Ao mesmo tempo, aguarda ... se com particular interesse<br />
o novo modelo de pagamento para os hospitais<br />
públicos, que se espera ser de aplicação universal.<br />
Os trabalhos preparatórios que se conhecem, fazem<br />
prever um modelo razoavelmente bem concebido,<br />
ponderado e de aplicação relativamente fácil e fiável.<br />
4. Faltará definir como funcionará a competição entre<br />
os hospitais (públicos e privados) que integrarão a rede<br />
prestadora de cuidados secundários. O financiamento<br />
público desta rede , associado à liberdade de escolha<br />
dos doentes, coloca problemas novos de regulação e<br />
transparência, particularmente delicados no contexto<br />
de acumulações "à portuguesa".<br />
Papel importante caberá aqui à entidade reguladora,<br />
cujos alicerces estarão prontos lá para o Verão .<br />
5. Depressa demais e voluntarismo excessivo<br />
são alguns dos comentários críticos que se ouvem.<br />
É.-se preso por ter cão e preso por não ter.<br />
Mas sempre ficará a ideia de que o carro<br />
andou à frente dos bois, e que, consequentemente,<br />
os resultados da empresarialização só começarão<br />
a ser visíveis lá para o fim de 2004.<br />
E, naturalmente, espera--se que sejam bons .<br />
[] GESTÃO HOSPITALA R<br />
GESTÃO HOSPITALAR 0
~"O ministro acredita<br />
firmemente que a mudança<br />
é para melhor, enquanto<br />
nós estamos firmemente<br />
convictos de que é para<br />
pior e que não vai resolver<br />
nenhum dos problemas<br />
que o SNS enfrenta,<br />
nomeadamente os cuidados<br />
. ,, . ,,<br />
pnmanos<br />
Luís Pisco, presidente<br />
da Associação Portuguesa<br />
dos Médicos de Clínica Geral,<br />
à revista "Hipócrates" de Março<br />
~"É evidente que não<br />
quero destruir o SNS.<br />
Pelo contrário. Isso é algo<br />
que é dito por responsáveis<br />
anteriores que tiveram<br />
oportunidade para mudar<br />
e não o fizeram. Gostava de<br />
perguntar a essas entidades<br />
se se sentem bem com<br />
a herança que deixaram,<br />
porque se fizeram alguma<br />
coisa para mudar este estado<br />
de coisas, não se nota."<br />
Ministro da Saúde a "O<br />
Independente", em 11/04/<strong>2003</strong><br />
~"O modelo de Hospitais<br />
SA é a negação do<br />
desenvolvimento natural<br />
do mercado, que mostra uma<br />
tendência para a privatização<br />
de empresas, em vez de<br />
as manter ineficazmente<br />
na órbita estatal."<br />
Professor Miguel Gouveia,<br />
ao "Diário Económico",<br />
em 11 /4/<strong>2003</strong>, no âmbito<br />
- das XII ] ornadas<br />
de Administração <strong>Hospitalar</strong><br />
~"A nossa receita médica<br />
é altamente desfavorável<br />
para os doentes, implica<br />
uma sobrecarga<br />
administrativa para<br />
o médico e não apresenta<br />
vantagem em termos<br />
de custos sociais."<br />
Carlos Mendes Leal, presidente<br />
da Direcção do Colégio<br />
da Especialidade de Medicina<br />
Geral e Familiar da Ordem<br />
dos Médicos, em 14/04/<strong>2003</strong>,<br />
ao "Tempo Medicina"<br />
~"Não ter gestores<br />
hospitalares é tão letal para<br />
a actividade dos hospitais<br />
como a ausência de médicos"<br />
Manuel Delgado, presidente<br />
da AP AH, nas XII ] ornadas<br />
de Administração <strong>Hospitalar</strong>,<br />
citado pelo "Tempo Medicina",<br />
na sua edição de 21/04/<strong>2003</strong><br />
~"Não há nada de mais<br />
corrosivo numa organização<br />
do que não podermos<br />
distinguir o inérito e<br />
o empenho das pessoas"<br />
Ministro da Saúde, no decorrer<br />
da sua intervenção na sessão<br />
de abertura das XII Jornadas<br />
de Administração <strong>Hospitalar</strong>,<br />
referido pelo "Tempo Medicina"<br />
em 21/04/<strong>2003</strong><br />
~ "Os cortes cegos que<br />
estão a ser impostos aos<br />
34 hospitais transformados<br />
em sociedades anónimas<br />
levarão a que, a meio<br />
do verão, as administrações<br />
possam ser confronta das<br />
com a falta de verbas<br />
para os seus serviços . "<br />
Cílio Correia, secretário-geral<br />
da FN AM, em conferência<br />
de imprensa noticiada em<br />
"A Capital", na sua edição<br />
de 20/03/<strong>2003</strong><br />
~ "Nove importantes<br />
hospitais da Grã--Bretanha<br />
construídos e1n parceria<br />
público--privada são<br />
"arrasados" numa auditoria<br />
da Associação London<br />
Health Emergency.<br />
O modelo - que para os<br />
especialistas falhou - será<br />
importado para dez hospitais<br />
portugueses, dois com<br />
protocolos de colaboração<br />
já assinados.<br />
( ... ) Mas é na assistência<br />
aos doentes que surgem<br />
as questões mais delicadas.<br />
A maioria dos 'entrevistados'<br />
afirma que há u1na<br />
diminuição do nível de<br />
cuidados. E para poupar,<br />
denunciam, generalizou--se a<br />
prática de requisitar pessoal<br />
para limpar os sanitários e<br />
depois servir comida e bebida<br />
aos doentes."<br />
"Expresso", 25/4/<strong>2003</strong><br />
~"Os analistas estimam<br />
que a quota dos medica-<br />
mentos genéricos, no mer-<br />
cado farmacêutico total,<br />
atinja, até final deste ano,<br />
uma expressão da ordem<br />
dos 8 a 1 O por cento"<br />
A. Hipólito de Aguiar,<br />
farmacêutico, em 23/04/<strong>2003</strong>,<br />
"Diário Económico"<br />
~"N ão há uma política<br />
de formação e recrutamento<br />
de novos profissionais para<br />
fazer face à míngua em que<br />
vivem os centros de saúde"<br />
Bernardino Soares,<br />
em "a Capital", 23/04/<strong>2003</strong><br />
~"O melhor contributo<br />
que os partidos e os depu-<br />
tados da nação podem dar<br />
à credibilização do sistema<br />
político é o de serem eles<br />
próprios os melhores cumpri-<br />
dores das leis"<br />
António José Teixeira, "Diário<br />
de Notícias", 23/04/<strong>2003</strong><br />
Em relação à gestão<br />
do SNS, ao nível<br />
financeiro os<br />
incentivos para<br />
uma afectação<br />
cuidadosa dos recursos<br />
têm sido reduzidos,<br />
pelo facto de<br />
as restrições<br />
orçamentais,<br />
nomeadamente para<br />
o sector hospitalar,<br />
apesar de teoricamente<br />
assentes em parte<br />
na produção,<br />
serem meramente<br />
indicativas.<br />
< 1 l Por exemplo,<br />
a da OCDE (OECD 1998)<br />
Nova Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>:<br />
Indefinições de uma<br />
reforma por regular<br />
Por Ana Sofia Ferreira*<br />
As avaliações que têm sido produzidas<br />
acerca do nosso serviço nacional<br />
de saúde (SNS) 1 caracterizam~no<br />
genericamente como padecendo<br />
de sérias ineficiências, quer do ponto<br />
de vista técnico como social, e de<br />
algumas iniquidades, apesar da melhoria<br />
dos resultados em saúde registada<br />
em Portugal nas últimas décadas.<br />
Em relação à gestão do SNS,<br />
ao nível financeiro os incentivos<br />
para uma afectação cuidadosa dos<br />
recursos têm sido reduzidos, pelo facto<br />
de as restrições orçamentais,<br />
nomeadamente para o sector hospitalar,<br />
apesar de teoricamente assentes<br />
em parte na produção<br />
(mas também com uma<br />
componente histórica forte),<br />
serem meramente indicativas<br />
( soft budget constraints).<br />
Este aspecto tem facilitado a<br />
formação de elevados défices<br />
no sector, directamente<br />
financiados de modo<br />
incremental pela entidade<br />
central com orçamentos<br />
extraordinários (e pouco<br />
envolvimento directo<br />
das cinco Administrações<br />
Regionais de Saúde a este<br />
nível), o que tem contribuído<br />
para a não contenção<br />
de custos no sector.<br />
A par desta fraca restrição<br />
orçamental enfrentada<br />
pelas instituições do SNS,<br />
os incentivos para a gestão<br />
eficiente do sistema têm sido<br />
praticamente inexistentes,<br />
com uma manifesta<br />
ausência de mecanismos<br />
de autonomização<br />
e responsabilização das<br />
administrações hospitalares<br />
(a par dos restantes<br />
profissionais) pelo desempenho<br />
verificado no sector. Não são comuns<br />
as avaliações sistemáticas<br />
de desempenho, nem ao nível individual,<br />
nem organizacional, nem sistémico,<br />
nem as penalizações face a resultados<br />
insatisfatórios, num sistema que<br />
se mantém fortemente integrado<br />
e centralizado.<br />
Apesar de algumas tentativas<br />
de reforma do sector, particularmente<br />
com a criação das Agências<br />
de Contratualização em 1997 ou<br />
a introdução de algumas experiências<br />
inovadoras de gestão desde 199 5,<br />
é, em traços gerais, neste contexto<br />
que nos encontramos actualmente,<br />
e é nele que surge a nova Lei<br />
de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> (Lei nQ 2 7 /2002<br />
de 8 de Novembro), que altera alguns<br />
pontos da Lei de Bases de 1990<br />
e estabelece o novo regime jurídico<br />
da gestão de hospitais.<br />
Alguns aspectos a realçar neste<br />
diploma são: o alargamento<br />
(e a tentativa de generalização)<br />
do regime laboral aplicável<br />
aos profissionais do sector, com base<br />
em contratos individuais de trabalho;<br />
a intenção de criar um novo sistema<br />
de financiamento assente<br />
numa posterior publicação de tabela<br />
de preços de serviços prestados;<br />
a definição de um novo conceito<br />
de "rede de prestação de cuidados<br />
de saúde", integrando hospitais<br />
públicos "tradicionais", hospitais<br />
públicos com natureza empresarial,<br />
hospitais~sociedades anónimas de<br />
capitais públicos e estabelecimentos<br />
privados, com ou sem fins lucrativos;<br />
a consagração da liberdade de escolha<br />
de estabelecimento hospitalar pelo<br />
utente; a previsão de divulgação anual<br />
de relatórios de avaliação do<br />
desempenho dos hospitais da rede;<br />
e a intenção da promoção de sistemas<br />
de incentivos ao desempenho<br />
~GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR ~
O modo como<br />
as nomeações têm<br />
sido feitas para<br />
os Conselhos<br />
de Administração<br />
destes 34 hospitais<br />
tem sido alvo de<br />
críticas dos mais<br />
diversos quadrantes,<br />
por não haver<br />
. ..... .<br />
exigencia<br />
de qualquer<br />
formação específica<br />
em "gestão<br />
de saúde" para<br />
os recém-nomeados<br />
novos gestores.<br />
2<br />
Facto que publicamente tem<br />
sido alvo de críticas, com base<br />
no argumento de favorecer<br />
a desorçamentação no sector<br />
da saúde, de modo a garantir o<br />
cumprimento da meta de défice<br />
do sector público administrativo<br />
inferior a 3% do PIB, tal como<br />
negociado no Pacto de<br />
Estabilidade e Crescimento<br />
da União Europeia.<br />
3<br />
Observatório Português dos<br />
Sistemas de Saúde 2002, p. 34.<br />
4<br />
Tem sido, no entanto,<br />
anunciada a intenção de<br />
o vir a conceber e implementar<br />
num futuro próximo (por<br />
exemplo, "Diário de Notícias"<br />
de 6 de Dezembro de 2002, ou<br />
entrevista do Ministro da Saúde<br />
ao "Público" de 13 de Janeiro<br />
de <strong>2003</strong>).<br />
5<br />
SALTMAN, R.; BUSSE, R.;<br />
MOSSIALOS, E. (eds.) -<br />
Regulating entrepreneurial<br />
behaviour in European health<br />
care systems. Buckingham:<br />
Open University Press, 2002.<br />
dos profissionais do sector.<br />
O objectivo genérico do<br />
diploma parece ser a promoção<br />
da eficiência dos hospitais,<br />
através do incremento<br />
da flexibilidade interna<br />
na gestão e os incentivos<br />
à maior produtividade.<br />
A materialização desta<br />
dependerá, em grande medida,<br />
da adesão dos profissionais<br />
de saúde aos contratos<br />
individuais de trabalho<br />
e à capacidade dos gestores<br />
de conceberem modelos<br />
de incentivos ao desempenho<br />
inteligentes e que não<br />
contrariem a desejável<br />
contenção de custos.<br />
No entanto, várias indefinições<br />
permanecem e alguns<br />
aspectos,chave indevidamente<br />
acautelados podem vir<br />
a condicionar fortemente<br />
o sucesso destas intenções.<br />
Desde logo, o problema do<br />
modelo de financiamento.<br />
A optimização da eficiência<br />
técnica exige a regulação<br />
simultânea de "preços" de serviços<br />
(ou de financiamento por outros<br />
mecanismos) e de volumes de produção.<br />
É sabido que é contraproducente<br />
determinar "tabelas de preços"<br />
para os serviços hospitalares sem<br />
estabelecer em paralelo mecanismos<br />
de negociação da sua produção,<br />
dado o estímulo que tal facto traria<br />
para um aumento da oferta (e indução<br />
da procura pela oferta), sem garantia<br />
de eficiência social (ou seja, sem garantia<br />
de que tal aumento da oferta responde<br />
às efectivas necessidades dos utentes<br />
e que, portanto, favoreça ganhos<br />
em saúde) e com garantia - largamente<br />
documentada pela literatura da<br />
economia da saúde - de indesejável<br />
aumento da despesa global.<br />
Ora, a especificação de como<br />
será operacionalizada a separação<br />
financiador,prestador (para qualquer<br />
tipo de hospital), como será financiada<br />
a produção hospitalar, como será<br />
acompanhada e que instituições<br />
(do lado do financiador) o farão,<br />
encontra,se por precisar de modo<br />
satisfatório.<br />
Também a forma exacta de consagrar<br />
a intenção de generalizar a avaliação<br />
do desempenho dos hospitais<br />
da "rede", está por definir, apesar de,<br />
em Dezembro de 2002, o Governo<br />
ter avançado com a empresarialização<br />
de 34 hospitais (Decretos,Lei<br />
nº 272/2002 a 302/2002),<br />
transformando,os em 31 sociedades<br />
anónimas de capitais exclusivamente<br />
públicos, integradas no SNS,<br />
mas passando a pertencer ao sector<br />
empresarial do Estado 2 , com muito maior<br />
autonomia de gestão do que até aqui.<br />
O modo, aliás, como as nomeações<br />
têm sido feitas para os Conselhos<br />
de Administração destes hospitais<br />
tem sido alvo de críticas dos mais<br />
diversos quadrantes, por não haver<br />
exigência de qualquer formação<br />
específica em "gestão de saúde" para<br />
os recém,nomeados novos gestores.<br />
Talvez em parte devido a este tipo<br />
de problemas, e à indefinição relativa<br />
à avaliação do desempenho,<br />
em Fevereiro de <strong>2003</strong>, a Resolução<br />
do Conselho de Ministros nº 15/<strong>2003</strong><br />
cria uma unidade de missão, designada<br />
por "Hospitais SA", com a função<br />
específica de coordenar e acompanhar<br />
a empresarialização dos<br />
hospitais~sociedades anónimas de capitais<br />
públicos. No entanto, a coerência<br />
global e compatibilidade estratégica<br />
dos diversos tipos de hospitais do SNS<br />
não fica, obviamente, assegurada<br />
com este mecanismo.<br />
A definição de formas específicas<br />
de fortalecimento do papel do utente,<br />
ao qual parece poder vir a ser concedida<br />
maior liberdade de escolha do que<br />
até ao momento, não está, igualmente,<br />
explicitada, facto que constitui um<br />
motivo de preocupação dada a maior<br />
complexidade do cenário em que os<br />
utentes se movem e que poderá dificultar<br />
o respeito pleno dos seus direitos.<br />
Portanto, com base neste enquadramento<br />
legal, e naquilo que vier a ser o<br />
seu impacte efectivo no sistema de<br />
saúde, tende a verificar,se uma acrescida<br />
complexidade no sector hospitalar, com<br />
maior diversidade de actores e maior<br />
autonomia e descentralização do que<br />
vigorou até aqui. Mas isto exige<br />
uma muito mais exigente e específica<br />
capacidade de regulação do sistema<br />
do que é corrente, com o reforço<br />
da supervisão das entidades<br />
autonomizadas, monitorização<br />
sistemática do seu desempenho<br />
e correcções atempadas de quaisquer<br />
desvios face ao definido como desejável.<br />
No entanto, não só a administração<br />
reguladora na saúde não tem<br />
demonstrado eficácia em Portugal<br />
(como tem sido demonstrado para<br />
as experiências inovadoras de gestão<br />
introduzidas até 2002 3 ), como não foi<br />
anunciado nenhum reforço da regulação<br />
a desenvolver no sector 4 .<br />
O objectivo primordial<br />
do desenvolvimento de estratégias<br />
e mecanismos de regulação é,<br />
precisamente, o de compatibilizar<br />
a introdução de inovações<br />
organizacionais, maior competição<br />
entre os actores e "empreendorismo"<br />
na gestão - potenciadores<br />
da eficiência , , com a forte<br />
responsabilidade social que cabe<br />
ao Estado de garantir melhores<br />
resultados em saúde, em termos<br />
de efectividade, qualidade e equidade 5 .<br />
Aguarda,se, assim, pelo desenvolvimento<br />
dos mecanismos reguladores adequados,<br />
ou seja, de regras formais de<br />
enquadramento da actividade dos<br />
hospitais e de sistemas de incentivos,<br />
financeiros e não financeiros,<br />
que orientem e balizem devidamente<br />
a estratégia produtiva dos hospitais,<br />
e que, em traços gerais e de modo<br />
sintético, julgamos que deveriam<br />
incluir:<br />
- a concepção de um sistema<br />
adequado de financiamento<br />
hospitalar;<br />
- a criação de um modelo<br />
de avaliação do desempenho<br />
das instituições (que inclua<br />
devida previsão de<br />
recompensas/penalizações);<br />
- o desenvolvimento de<br />
instrumentos de garantia<br />
e promoção da qualidade global;<br />
- exigência de um sistema<br />
de informação preciso e comum<br />
a todos os hospitais da "rede de<br />
prestação de cuidados" do SNS;<br />
- formas de fortalecimento<br />
da posição dos utentes; e<br />
- definição precisa das instituições<br />
(e funções) reguladoras ao nível<br />
central e regional.<br />
Ainda será cedo para concluir<br />
se estamos perante mudanças<br />
com impactes estruturais, embora essa<br />
pareça ser a intenção política por trás<br />
da reforma. Mas a actual indefinição<br />
relativamente ao modelo de regulação<br />
que há que implementar no sector<br />
poderá pôr em causa objectivos<br />
normativos desejáveis da própria<br />
política de saúde e, em última análise,<br />
o sucesso de qualquer tentativa<br />
de reforma do sector hospitalar.<br />
No campo da saúde, as reformas<br />
dos sistemas públicos de saúde são<br />
sistémicas e imprescindíveis a três níveis:<br />
reformas de gestão (micro), reformas<br />
organizacionais (mesa) e reformas<br />
dos mecanismos de financiamento<br />
e das entidades reguladoras (macro).<br />
No sector hospitalar, pelo menos<br />
neste terceiro plano, muito parece por<br />
definir. <br />
* Economista.<br />
Finalista do XXXI Curso de Especialização<br />
em Administração <strong>Hospitalar</strong><br />
da ENSP-UNL (2001-<strong>2003</strong>).<br />
REFERÊNCIAS:<br />
DECRETOS - LEI N º 272/2002 A 302/2002<br />
(criação das 31 sociedades anónimas hospitalares).<br />
Diário da república I série -A. 284 (2002.12.9),<br />
285 (2002.12.10) e 286 (2002 .12.11) .<br />
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - Ministério cria comissão<br />
para fiscalizar hospitais.<br />
Diário de Notícias (6 de Dezembro de 2002).<br />
LEI N !l 27/2002 (aprova o novo regime jurídico<br />
da gestão hospitalar e procede à primeira alteração<br />
à Lei n º 48/90, de 24 de Agosto). Diário<br />
da República I série -A. 258 ( 2002 .11.8) 7 15 0 ~ 7 154.<br />
OBSERVATÓRIO PORTUGUÊS DOS SISTEMAS<br />
DE SAÚDE - O estado da Saúde e a saúde do Estado:<br />
Relatório da Primavera 2002. Lisboa: ENSP, 2002.<br />
OECD -OECD economic surveys: 1997-1998<br />
Portugal. Paris : OECD, 1998.<br />
PÚBLICO- Entrevista ao Ministro da Saúde.<br />
Público ( 13 de Janeiro de <strong>2003</strong>).<br />
RESOLUÇÃO DO CONSELHO DE MINISTROS<br />
N º 15/<strong>2003</strong> (cria a unidade de missão "Hospitais SA").<br />
Diário da república I série - B. 30 ( <strong>2003</strong>. 2. 5)<br />
SALTMAN, R.; BUSSE, R.; MOSSIALOS,<br />
E. ( eds.) - Regulating entrepreneurial behaviour<br />
in European health care systems.<br />
Buckingham: Open University Press, 2002.<br />
( ... ) a actual<br />
indefinição<br />
relativamente<br />
ao modelo de<br />
regulação que<br />
há que<br />
implementar no<br />
sector poderá<br />
pôr em causa<br />
objectivos<br />
normativos<br />
desejáveis da<br />
própria política<br />
de saúde e, em<br />
última análise,<br />
o sucesso de<br />
qualquer<br />
tentativa de<br />
reforma do<br />
sector<br />
hospitalar.<br />
Palavras ,chave:<br />
reforma;<br />
gestão hospitalar;<br />
regulação.<br />
Q GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR m
Joaquim Coimbra, presidente do Conselho de Administração<br />
Labesfal, uma referência<br />
na Indústria Farmacêutica<br />
Há cerca de meio século, junto à Serra do Caramulo,<br />
o Dr. João Almiro dava início à actividade de<br />
um dos mais importantes laboratórios farmacêuticos<br />
portugueses, os laboratórios LABESFAL, que são<br />
hoje uma referência de inovação e desenvolvimento<br />
tecnológico no contexto da indústria farmacêutica.<br />
Sob a liderança de Joaquim Coimbra, principal<br />
accionista e presidente do Conselho de Administração<br />
da LABESFAL, desenvolvem--se novas unidades<br />
produtivas e empresariais com recurso às mais<br />
modernas tecnologias.<br />
Paralelamente realiza--se um enorme esforço de<br />
valorização em recursos humanos, orientados pela<br />
inovação, sentido de mudança e destacada atenção<br />
ao cliente, cuja missão é produzir e fornecer produtos<br />
e serviços da mais elevada qualidade, aos profissionais<br />
dos serviços de saúde e aos doentes.<br />
ITi] GESTÃO HOSPITALAR<br />
APAH - Como situa a Labesfal no<br />
contexto da Indústria Farmacêutica?<br />
A Labesfal desenvolve estrategicamente<br />
a sua acção em dois campos fundamentais:<br />
internacional e nacional.<br />
No âmbito internacional a Labesfal,<br />
através das suas associadas, fabrica e<br />
comercializa produtos farmacêuticos<br />
em Cabo Verde, Espanha, Brasil e,<br />
desde início de <strong>2003</strong>, na Argentina.<br />
Em Angola e Moçambique tem uma<br />
presença como distribuidor, armazenista<br />
e com um grupo de farmácias.<br />
No âmbito nacional a Labesfal tem<br />
instalações fabris na Venda Nova,<br />
em Campo de Besteiros e um moderno<br />
Complexo Industrial em Santiago de<br />
Besteiros.<br />
A Labesfal é o maior fornecedor nacional<br />
de medicamentos aos hospitais.<br />
Paralelamente, a Clintex,<br />
uma empresa do Grupo Labesfal,<br />
comercializa produtos de marca, para<br />
o mercado ambulatório e desenvolve<br />
Joaquim Coimbra, presidente do Conselho<br />
de Administração da Labesfal<br />
um projecto de co;marketing<br />
com produtos de um reputado<br />
laboratório multinacional.<br />
Se, e como prevemos, os genéricos<br />
de marca vierem a ser uma realidade,<br />
a Clintex estará na primeira linha<br />
da sua comercialização.<br />
Respondendo aos novos desafios<br />
esperamos ter, ainda no primeiro semestre<br />
de <strong>2003</strong>, uma nova unidade de negócios,<br />
de produtos genéricos, em pleno<br />
funcionamento.<br />
APAH - A política e a gestão da saúde<br />
e do medicamento estão em mudança.<br />
Como reage a Labesfal aos novos desafios?<br />
As mudanças são geradoras de novas<br />
oportunidades e a Labesfal estará atenta,<br />
não só para prosseguir a sua afirmação<br />
no mercado hospitalar, mas também<br />
para conquistar uma posição importante<br />
na área dos genéricos.<br />
A Labesfal pretende assurriir,se como<br />
a empresa nacional dos genéricos.<br />
APAH- Como vê a introdução<br />
dos preços de referência?<br />
Observar as consequências que tiveram,<br />
em vários países europeus, as medidas ora<br />
incrementadas em Portugal, permite,nos<br />
encarar o futuro com optimismo.<br />
O mercado farmacêutico é muito<br />
regulamentado em todo mundo, não só<br />
por implicar a saúde dos cidadãos,<br />
mas também por ter um grande peso<br />
no orçamento de cada país.<br />
O preço de novas moléculas está<br />
regulamentado (é o preço mais baixo<br />
praticado num dos países europeus<br />
de referência para Portugal - Espanha,<br />
França ou Itália), tal como a sua<br />
comparticipação.<br />
As cópias e os produtos genéricos<br />
representam, em regra, uma poupança<br />
por serem significativamente mais baratos<br />
que os produtos originais.<br />
Aferir a comparticipação em função<br />
do preço do produto genérico beneficia<br />
o doente, induz uma poupança para<br />
o SNS e para a Sociedade, de um ponto<br />
de vista geral.<br />
Será importante desenvolver estudos<br />
de fármaco,economia e dar maior<br />
relevância à área da Economia da Saúde,<br />
diferenciando as terapêuticas em função<br />
do custo/efectividade.<br />
APAH - Sendo a Labesfal uma empresa<br />
de grande vocação hospitalar, como<br />
encara as recentes alterações?<br />
Encaramos sempre as alterações como um<br />
desafio à nossa capacidade de adaptação.<br />
Continuamos a responder às necessidades<br />
hospitalares com uma vasta gama<br />
de produtos de qualidade e com preços<br />
concorrenciais.<br />
É também nosso objectivo tratar cada<br />
instituição de per si tendo em consideração<br />
as suas especificidades.<br />
A Labesfal é a única empresa que<br />
responde a solicitações individuais para<br />
produção e fornecimento de produtos,<br />
importantes para o tratamento dos doentes,<br />
mas sem interesse comercial e que não<br />
se encontram no mercado.<br />
A Labesfal é uma empresa nacional,<br />
de capitais exclusivamente portugueses,<br />
cuja produção supre, num valor<br />
importante, a necessidade de importações,<br />
contribuindo assim, de forma positiva, para<br />
a balança de pagamentos.<br />
Esperamos que a relevância estratégica, a<br />
nível nacional, contribua também para o<br />
reconhecimento do nosso esforço, para o<br />
êxito e desenvolvimento da empresa e do<br />
orgulho nacional.<br />
APAH - Temos a sensação de que a<br />
Labesfal é como um iceberg: há uma<br />
grande desproporção entre a realidade<br />
e a parte visível. •.<br />
Nos últimos anos a Labesfal aumentou<br />
exponencialmente a sua capacidade de<br />
produção e a sua penetração nos mercados<br />
nacionais e internacionais.<br />
A nível nacional, temos vindo<br />
a desenvolver uma actividade<br />
de relacionamento institucional com<br />
um vasto leque de entidades: ARS,<br />
INFARMED, Direcções Gerais<br />
e vários Serviços do Estado com<br />
os quais temos de interagir.<br />
Os grupos sócio,profissionais<br />
da saúde têm merecido a<br />
, nossa atenção. Apoios para<br />
acções de formação, jornadas<br />
e congressos têm tido<br />
a colaboração frequente<br />
da Labesfal.<br />
A interacção com<br />
a Associação Portuguesa<br />
de Economia da Saúde,. com<br />
a Associação Portuguesa de<br />
Farmacêuticos <strong>Hospitalar</strong>es,<br />
com a Associação Portuguesa<br />
de Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es e com os<br />
Hospitais a nível nacional,<br />
coloca a Labesfal entre os<br />
mais prestigiados fabricantes<br />
e fornecedores de<br />
medicamentos.<br />
Numa perspectiva ética,<br />
como o mercado da saúde<br />
merece e exige, vamos<br />
desenvolver uma campanha<br />
de imagem, coincidindo com<br />
o lançamento de uma<br />
unidade de medicamentos<br />
genéricos, para dar a<br />
conhecer as potencialidades<br />
da Labesfal a todos<br />
os outros parceiros<br />
do âmbito da Saúde.<br />
Internacionalmente<br />
desenvolvemos a nossa<br />
acção tendo em conta<br />
a especificidade de cada país<br />
e a missão da Labesfal.
Reforma dos Hospitais<br />
do Serviço Nacional<br />
de Saúde em Portugal<br />
Por Jorge Varanda *<br />
O<br />
Um dos três hospitais<br />
com um estatuto de serviço<br />
público quase empresarial<br />
foi um êxito, o Hospital<br />
de São Sebastião,<br />
de Santa Maria da Feira:<br />
a satisfação da população,<br />
a eficiência e a resposta<br />
ef ectiva às necessidades<br />
em cuidados hospitalares<br />
da área geográfica que<br />
serve são reconhecidas sem<br />
contestação em Portugal.<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
Governo português saído das eleições<br />
do começo de 2002 empreendeu uma<br />
reforma major ao nível hospitalar do SNS,<br />
transformando em sociedades anónimas<br />
de capitais exclusivamente públicos 34<br />
dos seus 82 hospitais. A mudança<br />
foi empreendida a partir do início de<br />
Dezembro de 2002. Porquê? A resposta<br />
exacta só o Governo a poderá dar.<br />
No entanto, pode<br />
adiantar~se que se<br />
trata de uma decisão<br />
política tomada<br />
num processo<br />
de amadurecimento<br />
da avaliação<br />
de problemas e de<br />
soluções que ao longo<br />
dos anos se foi<br />
produzindo no seio da<br />
comunidade das<br />
entidades e pessoas<br />
mais interessadas nas<br />
questões hospitalares<br />
em Portugal. Esse<br />
processo foi pontuado<br />
por reformas de<br />
aproximação aos<br />
problemas conhecidos:<br />
a introdução, na Lei<br />
de Bases da Saúde<br />
de 1990, de uma norma abrindo<br />
a possibilidade de experiências inovadoras<br />
de gestão hospitalar e a sua utilização<br />
para a concessão da gestão de um novo<br />
hospital construído na periferia de Lisboa<br />
a um consórcio privado e a aplicação a três<br />
outros (dois no N orte e um no Algarve)<br />
de um estatuto quase empresarial.<br />
Um dos três hospitais com um estatuto<br />
de serviço público quase empresarial foi<br />
um êxito, o Hospital de São Sebastião,<br />
de Santa Maria da Feira: a satisfação da<br />
população, a eficiência e a resposta efectiva<br />
às necessidades em cuidados hospitalares<br />
da área geográfica que serve são<br />
reconhecidas sem contestação em Portugal.<br />
A través de um modelo de gestão de<br />
efectiva responsabilização dos profissionais<br />
e dos responsáveis clínicos dos diferentes<br />
serviços, acompanhada de um sistema de<br />
incentivos à produtividade e à qualidade, o<br />
Hospital afirmo u~ se como uma experiência<br />
inovadora de êxito. Esse êxito torna<br />
legítima a pergunta: "Se o Hospital de S.<br />
Sebastião pode, porque é que os restantes<br />
não podem também?"<br />
Estes são alguns aspectos do contexto da<br />
reforma empreendida. N o entanto, h averá<br />
que procurar perceber os objectivos da<br />
transformação operada. O quadro seguinte<br />
esquematiza a teleologia da reforma:<br />
Foco no cidadão Melhor <strong>Gestão</strong> Mais Informação<br />
I• • O cidadão como foco • <strong>Gestão</strong> empresarial. • Informação<br />
da prestação e serviços.<br />
• Responsabilização<br />
mais acessível.<br />
• Melhoria do acesso orçamental. • 1 ntegração<br />
aos cuidados de saúde.<br />
• Optimização da<br />
de sol uções.<br />
• Liberdade de escolha. utilização de recursos. • Padronização<br />
• Solidariedade, equidade • Partilha do risco.<br />
dos sistemas<br />
e justiça social.<br />
de informação.<br />
• Desenvolvimento<br />
• Informação<br />
de parcerias.<br />
• Reporting<br />
mais acessível.<br />
centralizado.<br />
• Competitividade.<br />
• Incentivos à produtividade<br />
e ao mérito.<br />
O processo de empresarialização é, no<br />
entanto, apen as uma das componentes de<br />
uma reforma mais vasta do sistema de<br />
saúde, compreendendo um novo regime<br />
de gestão dos centros de saúde (cuidados<br />
de saúde primários), uma nova política<br />
do medicamento, (preços de referência,<br />
prescrição pela Designação Comum<br />
Internacional, promoção dos genéricos),<br />
uma lei para os cuidados continuados,<br />
uma reformulação dos serviços centrais do<br />
Ministério da Saúde e a criação, e algo<br />
de inovador na Europa de uma Entidade<br />
Reguladora da Saúde, abrangendo, não<br />
apenas os serviços do SNS mas todo<br />
o sistema de saúde, quer seja público,<br />
quer seja privado, como garante do bom<br />
funcionamento do mercado, da qualidade e<br />
da não selecção adversa aos cuidados.<br />
Estrutura de<br />
Regulação<br />
Governo: Ministério<br />
da Saúde<br />
A SAÚDE EM PORTUGAL<br />
Estrutura de<br />
<strong>Gestão</strong> & Controlo<br />
<strong>Gestão</strong> do Desempenho<br />
Autoridades de Saúde<br />
órgãos Tutelares da Saúde<br />
É ainda de assinalar que a lógica da reforma<br />
em curso implica a aplicação dos seguintes<br />
prÍncípios estruturadores da arquitectura do<br />
novo sistema:<br />
• Separação das funções estatais de<br />
financiamento (compra de serviços) e<br />
de prestação de cuidados de saúde.<br />
• Integração entre níveis de cuidados,<br />
assegurada pela entidade financiadora<br />
(compradora de cuidados).<br />
• Liberdade de escolha do cidadão.<br />
• Existência de uma tabela de preços<br />
de serviços hospitalares( internamento,<br />
cirurgia de ambulatório, consultas<br />
externas, urgências, serviço<br />
domiciliário e meios complementares<br />
de diagnóstico e tratamento).<br />
• Regulação do sistema por entidade<br />
pública autónoma.<br />
• Fomento de uma rede<br />
de cuidados continuados que permita<br />
a maximização da utilização dos<br />
recursos do internamento hospitalar,<br />
assegurando em simultâneo os cuidados<br />
apropriados aos doentes no momento<br />
da alta.<br />
• Existência de uma unidade<br />
de apoio directamente dependente<br />
do Ministro da Saúde, com<br />
a finalidade de apoio ao processo<br />
de empresarialização.<br />
• Abertura da rede de Hospitais SA<br />
à empresarialização de outros hospitais<br />
do SNS.<br />
• Possibilidade dos Hospitais SA<br />
alargarem as suas actividades<br />
a outras áreas diferentes da prestação<br />
de cuidados hospitalares.<br />
Prestação de<br />
Cuidados<br />
Cuidados Primários<br />
Médicos de Família<br />
Centros de Sa úde Farmáci as<br />
Cuidados Diferenciados<br />
Urgências <strong>Hospitalar</strong>es<br />
Hospitais<br />
Unidades Especializadas<br />
Cuidados Continuados<br />
Misericórdias<br />
Outras instituições privadas<br />
de solidariedade social<br />
Entidades com fins lucrativos<br />
PESO DA ACTIVIDADE DOS HOSPITAIS SA<br />
NO TOTAL DO SISTEMA POR LINHA DE PRODUÇÃO<br />
2000<br />
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765.122 33.714<br />
50%<br />
Internamento<br />
(altas)<br />
44%<br />
Cirurgia<br />
ambulatória<br />
5.834.144 5.497.152 440.134*<br />
51% 50%<br />
.,,<br />
45%<br />
Consultas Urgências Hospital<br />
externas<br />
de Dia<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn<br />
- ---~----~-~ -= -<br />
- -- - ~~--=-=-=--
Em resumo, pode dizer-se que Hospitais<br />
SA correspondem a 4 5 % da a capacidade<br />
pública hospitalar em Portugal e a 50%<br />
da produção. Nos quadros seguintes, estes<br />
valores-resumo serão mais pormenorizados.<br />
Isto significa que se trata de um grupo<br />
hospitalar muito relevante, possuindo mais<br />
de 10 000 camas de agudos, cuja<br />
evolução futura, em termos de produção<br />
e de resultados de qualidade, poderá ter<br />
um impacto muito visível na resposta<br />
qualificada às necessidades populacionais.<br />
100%=14.374<br />
.!!?<br />
l'CI<br />
UI..,<br />
... o · a.<br />
.., UI<br />
::1 o<br />
o :e<br />
..<br />
.!!! 46%<br />
l'CI<br />
'ii<br />
UI<br />
o e(<br />
:e f/)<br />
Número de<br />
médicos<br />
RECURSOS DOS HOSPITAIS SA<br />
FACE AO TOTAL DO SISTEMA<br />
2000<br />
26.044<br />
47%<br />
Número de<br />
enfermeiros<br />
Recursos Humanos<br />
' '<br />
2.061<br />
33%<br />
Número de<br />
residentes<br />
universitários<br />
O papel da Unidade<br />
de Missão Hospitais SA<br />
Com o início do processo de<br />
empresarialização o Governo<br />
decidiu criar uma estrutura ad<br />
hoc para assegurar e consolidar<br />
os objectivos assumidos com<br />
a reforma. Trata-se de uma<br />
estrutura de natureza técnica<br />
com um tempo de vida previsto<br />
de dois anos, podendo o<br />
Governo decidir a sua<br />
continuação por mais um. A<br />
sua composição organizacional<br />
abrange as seguintes três áreas:<br />
Produção, Recursos Humanos<br />
e Controlling, contando com<br />
meios técnicos especializados de<br />
grande diversidade de formação<br />
universitária e de experiência<br />
profissional (da saúde, de<br />
consultoria e outras actividades<br />
empresariais).<br />
O programa de acção desta<br />
[f] GESTÃO HOSPITALAR<br />
,<br />
,<br />
23.655<br />
45%<br />
Número<br />
de camas<br />
estrutura cola-se aos grandes<br />
objectivos desta reforma<br />
hospitalar, facilitando os<br />
processos corporativos nesta<br />
fase de lançamento da<br />
reforma, e apoiando os<br />
Hospitais SA na criação e<br />
concretização de um<br />
programa de melhoria que<br />
tenha em conta o que<br />
esperam deles os seus<br />
diferentes stakeholders<br />
381<br />
48%<br />
Número de<br />
MCDT's<br />
básicos<br />
Recursos Físicos<br />
373<br />
53%<br />
Número de<br />
MCDT's<br />
intermédios e<br />
diferenciados<br />
(•••) pode dizer-se<br />
que os Hospitais SA<br />
correspondem<br />
a 45 por cento<br />
da capacidade pública<br />
hospitalar<br />
em Portugal<br />
e a 50 por cento<br />
da produção.<br />
(clientes,<br />
accionistas<br />
por parte do<br />
Estado-Ministérios<br />
da Saúde e das<br />
Finanças- e<br />
profissionais).<br />
Esse programa<br />
é composto<br />
por iniciativas<br />
de curto prazo<br />
e iniciativas<br />
de médio e longo<br />
prazo, desde a<br />
conformação da<br />
produção para dar resposta ao fluxo normal<br />
da procura e ao backlog e redução dos<br />
tempos de espera, a um inquérito de<br />
OBJECTIVOS DE CONSTITUIÇÃO<br />
DA ESTRUTURA DE MISSÃO HOSPITAIS SA<br />
Criar e<br />
manter mecanismos<br />
de acompanhamento/<br />
controlo por parte<br />
do accionista<br />
Garantir<br />
uniformidade em<br />
matérias comuns às várias<br />
unidades (nomeadamente na fase<br />
de arranque)<br />
Unidade<br />
de Missão<br />
Hospitais SA<br />
Capturar sinergias<br />
entre as unidades,<br />
principalmente a nível da sua<br />
gestão operacional<br />
satisfação com base n a mesma metodologia<br />
e guião de questões, em orde1n a conhecer<br />
os aspectos prioritários a melhorar.<br />
Junta-se a este grupo de linhas de<br />
actuação um outro dedicado à melhoria<br />
da eficiência, em que pontifica a luta<br />
contra fontes de desperdício e a redução<br />
do tempo de internamento inapropriado,<br />
usando sistematicamente as técnicas de<br />
Planeamento de Altas e Continuidade de<br />
Cuidados e a Revisão de Utilização.<br />
Um ponto fulcral: incentivos<br />
Porque o êxito desta iniciativa está<br />
intimamente ligado à atracção dos<br />
profissionais de saúde, e em particular<br />
dos médicos para o projecto, tendo em<br />
conta que a sua esmagadora maioria possui<br />
um vínculo definitivo de funcionário<br />
público, com possibilidade de exercício<br />
de actividades privadas fora dos Hospitais<br />
SA, a Unidade de Missão assumiu no seu<br />
programa de curto prazo duas linhas de<br />
acção:<br />
• Definição de objectivos e incentivos para<br />
<strong>2003</strong>.<br />
• Programas de formação adaptados aos<br />
diferentes grupos profissionais.<br />
Pretende-se desta forma substituir a prática<br />
da função pública, incapaz de alinhar o<br />
desempenho dos colaboradores com os<br />
objectivos de gestão por uma outra assim<br />
caracterizada pelo recrutamento e gestão<br />
do desempenho ao abrigo do contrato<br />
individual de trabalho, estabelecendo os<br />
salários e prémios em função do<br />
desempenho inividual, em cumprimento<br />
dos objectivos da organização.<br />
Conclusão<br />
O processo de reforma hospitalar em<br />
Portugal está, pois, em curso.<br />
O novo modelo implica uma lógica<br />
de gestão substancialmente diferente.<br />
Para tanto, foram definidas linhas<br />
de actuação destinadas a reforçar as<br />
condições favoráveis ao êxito da reforma<br />
e a superar os obstáculos existentes,<br />
a maior parte deles acantonados dentro<br />
da parte velha do sistema. Esperemos<br />
que esta reforma seja<br />
lembrada no futuro<br />
pela modernização<br />
que tenha trazido<br />
ao sistema de saúde<br />
em Portugal,<br />
ajudando-o a<br />
transformar-se num<br />
dos melhores entre<br />
os melhores, objectivo<br />
que os profissionais<br />
de saúde desejam para<br />
o sistema em que se<br />
integram qualquer<br />
que seja o seu País.
Fontes de informação<br />
terapêutica<br />
e prescrição de genéricos<br />
Por Reinaldo A. G. Proença*<br />
Sabendo..-se que a despesa com produtos éticos 1<br />
em Portugal representa mais de 2% do PIB,<br />
compreende..-se a importância futura dos genéricos 2<br />
numa política de contenção da despesa no âmbito<br />
dos cuidados primários de saúde:<br />
"Generic medicines provide high quality<br />
medicines at affordable prices.<br />
Therefore, they provide the opportunity for<br />
major savings in health care expenditure ... "<br />
(Trade and External Aff airs Committee<br />
of the European Parliament, 2001).<br />
Embora em crescimento exponencial nos últimos<br />
meses, os genéricos representam menos de dois<br />
por cento do mercado farmacêutico nacional.<br />
Como tal, importa conhecer algumas das causas<br />
que concorrem para tal situação .<br />
1 O conceito de "produto ético" reporta<br />
aos fármacos de prescrição médica,<br />
distinguindo-se assim do OTC (Over the<br />
Counter) que não necessita de receita<br />
médica para ser adquirido.<br />
2 A designação de genérico aplica-se ao<br />
fá rmaco com o mesmo princípio activo<br />
do medicamento original de marca cuja<br />
patente chegou ao seu termo, razão<br />
pela qual tem indicações terapêuticas<br />
idênticas, embora seja comercializado<br />
a um preço significativamente inferior.<br />
3 Apenas uma das cinco secções<br />
que constituem o questionário<br />
foi utilizada neste estudo, dado que<br />
a mesma recolhe todos os dados<br />
necessários quanto ao grau<br />
de concordância dos médicos de<br />
família portugueses relativamente<br />
às diferentes fontes de informação<br />
terapêutica disponíveis.<br />
rn GESTÃO HOSPITALAR<br />
Obj ectivo do Estudo<br />
Tendo presente outras causas já<br />
detectadas para a baixa prescrição de<br />
geqéricos em Portugal (Rego e outros,<br />
2001 ), o principal objectivo deste estudo<br />
é perceber até que ponto as fontes<br />
de informação terapêutica podem ser<br />
entendidas como uma das causas<br />
subjacentes à fraca prescrição de<br />
genéricos no nosso país.<br />
Hipótese de Investigação<br />
Tendo presente a bibliografia<br />
internacional mais representativa neste<br />
domínio, é possível afirmar que existe<br />
uma forte correlação entre as fontes<br />
de informação e comportamento de<br />
prescrição (Gaither e outros, 1996).<br />
Como tal, a hipótese de investigação<br />
que iluminou esta reflexão foi:<br />
A fraca prescrição de genéricos em<br />
Portugal, até ao final do século passado,<br />
deve~se, em parte, à credibilidade<br />
atribuída pelos médicos de família a<br />
cada uma das fontes de informação<br />
terapêutica ao seu dispôr.<br />
Método<br />
Com base num estudo qualitativo sobre<br />
atributos, consequências e valores<br />
clínicos associados às classes terapêuticas<br />
(Proença, 2001), foi desenvolvido um<br />
questionário 3 para recolha da<br />
informação sobre a abordagem<br />
farmacológica da h ipertensão arterial<br />
(HTA). Tal decisão respeita a linha de<br />
investigação preconizada noutros estudos<br />
internacionais sobre comportamento de<br />
prescrição (Freeman e outros, 1993 ).<br />
Definição da Amostra<br />
O questionário fo i enviado pelo correio<br />
a uma amostra aleatória de 1500 médicos<br />
de família, os quais representam mais<br />
de 23 .0% dos clínicos a exercerem<br />
actividade nos diversos Centros de<br />
Saúde de Portugal Continental e Insular.<br />
Uma segunda vaga de questionários foi<br />
enviada 3 meses depois, tendo sido<br />
devolvidos 321 question ários até 31 de<br />
Dezembro de 1998, dos quais 309 foram<br />
sujeitos a análise estatística.<br />
Taxa de Resposta Obtida<br />
A taxa de resposta (TR) obtida<br />
ultrapassou os 21 %, o que pode ser<br />
considerado bastante razoável se<br />
tivermos presente a existência de outros<br />
estudos internacionais sobre<br />
comportamento de prescrição cuja TR<br />
fo i de 17% (Freeman e outros, 1993).<br />
Escalas Utilizadas<br />
e Análise dos Dados<br />
Os inquiridos assinalaram o seu o grau de<br />
concordância com as afirmações listadas<br />
através de escalas de Likert ( i.e., escalas<br />
ordinais), com ordenação crescente de<br />
1 a 7. Ou seja, o menor algarismo<br />
representa uma discordância total, sendo<br />
o contrário verdadeiro para o algarismo<br />
7. A partir das escalas de Likert,<br />
foi desenvolvida uma análise factorial<br />
exploratória (ver Tabela 1), por forma<br />
a determinar as dimensões que melhor<br />
explicam a fraca aderência à prescrição<br />
dos genéricos.<br />
Resultados<br />
Análise Factorial Exploratória<br />
Dado que os valores encontrados para<br />
as estatísticas de Kaiser,Meyer,Olkin e<br />
teste de Bartlett eram significativos<br />
(KMO=O. 77 4 78; Bartlett= 243 7 ,5946;<br />
p=0.00000), procedeu,se à extracção das<br />
componentes que pudessem explicar a<br />
variância máxima da amostra através de<br />
uma análise das componentes principais,<br />
com rotação varimax.<br />
A solução encontrada contempla 7<br />
factores com "eigenvalues" superiores à<br />
unidade (Tabela 1 ), tendo sido analisado<br />
as "communalities" e os "loadings" de<br />
cada uma das variáveis desses factores<br />
(Tabela 2) para melhor os caracterizar.<br />
Numa primeira análise dos 7 factores<br />
encontrados e da variância total<br />
explicada (VTE), é possível argumentar<br />
que os médicos de família portugueses, a<br />
exemplo do que acontece noutros países<br />
da U.E., abordam as diversas fontes de<br />
informação terapêutica que estão ao seu<br />
dispôr de forma diferente, embora sem<br />
acentuadas clivagens.<br />
Apesar da aparente uniformidade, é<br />
possível descortinar posturas<br />
diferenciadas face a duas dessas fontes<br />
de informação: "indústria farmacêutica"<br />
e "autoridades de saúde", representadas<br />
pelos 2 primeiros factores, os quais são<br />
responsáveis por mais de metade (3 7,4%)<br />
da VTE (69.3 %) (ver Tabela 1).<br />
Tabela 1: Análise Factorial Exploratória<br />
Ao olhar para os "loadings" e para as<br />
"communalities" do 1 º factor (Tabela 2),<br />
o qual representa a fonte de informação<br />
"indústria faramacêutica" e é responsável<br />
por 23.4% da VTE, constatamos que<br />
as variáveis "credibilidade científica",<br />
"papel informativo" e "delegado<br />
de informação médica" são as mais<br />
relevantes para a compreensão<br />
da eventual discordância entre<br />
os inquiridos. Por outras palavras,<br />
os médicos de família portugueses<br />
divergem, embora não acentuadamente,<br />
n a apreciação do papel da indústria<br />
farmacêutica como fonte de informação<br />
com influência sobre o comportamento<br />
de prescrição, particularmente<br />
no tocante às 3 variáveis referidas.<br />
O mesmo é verdadeiro, embora com<br />
menor variância, para o 2 º factor<br />
(1 4.0% da VTE). Na génese desta<br />
apreciação encontra,se a atitude<br />
destes médicos face ao aparecimento<br />
dos "boletins terapêuticos"<br />
desenvolvidos pelas diferentes ARSs,<br />
sua credibilidade científica<br />
e também o papel atribuído<br />
ao INFARMED neste contexto.<br />
Quanto ao 3º factor, "perfil de<br />
prescrição", é a "relação estabelecida<br />
com as empresas farmacêuticas<br />
que os comercializam" e a "opção<br />
por fármacos de marca" que melhor<br />
explicam os 8.5% de variância<br />
explicada. Se a este valor juntarmos<br />
os 14% do 2 º factor, também<br />
associado com as fontes de informação<br />
promovidas pelas autoridades<br />
de saúde, obtemos 22.5 %.<br />
Este valor aproxima,se da percentagem<br />
de VTE obtida para o 1 º factor<br />
"indústria farmacêutica" (23.4%) .<br />
Factor 1 Factor 2 Factor 3 Factor 4 Factor 5 Factor 6 Factor 7<br />
Eigenvalue:<br />
4.90 2.94 1.79 1.48 1.24 1.12 1.07<br />
% da variância explicada:<br />
23.4 14.0 8.5 7.1 5.9 5.3 5.1<br />
Variância Total Explicada = 69.3 % Cronbach's alpha (std) = 0.8148<br />
Número Total de Variáveis: 21<br />
( ••• ) os médicos<br />
de família<br />
portugueses<br />
divergem<br />
na apreciação<br />
do papel da<br />
indústria<br />
farmacêutica<br />
como fonte<br />
de informação<br />
com influência<br />
sobre o<br />
comportamento<br />
de prescrição.<br />
GESTÃO HOSP!TALAR ffi
Tabela 2: Factores, "Communalities 4 " e "Loadings 5 "<br />
Factor Nome do Factor Variáveis COMMUN. LOADINGS<br />
1 Indústria Farmacêutica<br />
2 Autoridades de Saúde<br />
3 Perfil de Prescrição<br />
4 Médicos a exercer<br />
no Centro de Saúde/<br />
Informação Terapêutica<br />
5 Leaders de Opinião<br />
6 Credibilidade Global do<br />
Laboratório Farmacêutico<br />
7 Informação Científica<br />
(Iniciativa do Médico)<br />
(...) os médicos<br />
de famaia<br />
portugueses<br />
assumem<br />
a prescrição<br />
como um vector<br />
muito pessoal<br />
da sua nobre<br />
actividade<br />
clínica.<br />
4 As "communalities" representam a<br />
proporção da variância de cada variável<br />
explicada pelas componentes principais<br />
retidas.<br />
5 Os "loadings"ou pesos espelham a<br />
relação existente entre as variáveis e os<br />
factores a que estão associados, sendo<br />
esta análise possível após rotação da<br />
mat riz das componentes.<br />
rr;J GESTÃO HOSPITALAR<br />
11_50 ·Credibilidade Científica .74163 .85372<br />
li_ 49 · Papel Informativo .74160 .84899<br />
li 53 · Delegado lnf. Médica .75351 .84557<br />
li 48 · Brochura Promocional .59670 .75898<br />
li 54 · Capacidade do DIM .61796 .73318<br />
li 52 · Reuniões Clínicas .58508 .70106<br />
11_67 ·Boletim Terapêutico .69553 .81120<br />
11_ 68 · Credibilidade Científica .73397 .80084<br />
11_72 · Boletim INFARMED .67508 .78734<br />
11_75 ·Relação Médico-Indústria .72855 .84045<br />
11_74 ·Opção por Fármacos de Marca .67119 .69565<br />
11_73 ·Eficácia de Novas Marcas .61252 .59698<br />
11_57 ·Reuniões Formais .80450 .88736<br />
11_58 ·Reuniões Informais .80797 .87206<br />
li_ 60 · Nacional .70231 .78469<br />
11_59 ·Regional .66184 .73777<br />
11_55 · Maior Performance/DIM .81645 .87711<br />
11_56 · Laboratório/Produto/DIM .75463 .79208<br />
11_ 63 · Revistas Médicas .78816 .86845<br />
11_64 · UPDATE .47762 .48719<br />
11_65 · Sebentas de Farmacologia .56834 .47338<br />
Face ao exposto, convém acentuar<br />
que a fonte de informação "indústria<br />
Tabela 3: Média e Desvio-Padrão por Variável<br />
NQ Var<br />
1<br />
2<br />
·3<br />
4<br />
5<br />
6<br />
7<br />
8<br />
9<br />
10<br />
11<br />
12<br />
13<br />
14<br />
15<br />
16<br />
17<br />
18<br />
19<br />
20<br />
21<br />
Variável<br />
11_48<br />
11_49<br />
11_50<br />
li 52<br />
11_53<br />
11_54<br />
11_55<br />
11_56<br />
li 57<br />
11_58<br />
11_59<br />
11_60<br />
li 63<br />
11_64<br />
11_65<br />
11_67<br />
11_68<br />
li 72<br />
11_73<br />
11_74<br />
11_75<br />
"Reability" da Escala: 0.8148<br />
faramacêutica" ( 1 Q factor)<br />
e "autoridades de saúde"<br />
(2Q e 3Q factores) aumentam a sua<br />
importância (45 .9%) na VTE pelos<br />
7 factores (69.3%).<br />
Quanto ao 4º factor, "troca de<br />
informação terapêutica" (formal<br />
ou informal) entre médicos<br />
do mesmo centro de saúde, regista<br />
apen as 7 .1 % da VTE. Tal significa,<br />
conforme é visível pela análise<br />
da média e do desvio,padrão das<br />
variáveis que constituem este factor,<br />
que os médicos de família<br />
portugueses assumem a prescrição<br />
como um vector muito pessoal da<br />
sua nobre actividade clínica. Esta<br />
constatação ajuda a perceber a baixa<br />
taxa de resposta encontrada na<br />
maioria dos estudos publicados.<br />
Os "leaders de opinião" (regionais<br />
ou nacionais), dão ao 5 Q factor<br />
5.9% da VTE, o que significa<br />
um baixo poder de explicação de<br />
eventuais divergências. Nesta linha<br />
de raciocínio, a conclusão é idêntica<br />
para os dois restantes factores, os<br />
quais registam pouco mais de 10%<br />
da VTE.<br />
É importante fazer notar que no<br />
6Q factor, "credibilidade global do<br />
Atributo Média Desvio-Padrão<br />
Brochura Promocional 3.5893 1.3059<br />
Papel Informativo 4.6893 1.4810<br />
Credibilidade Científica 3,9250 1,3775<br />
Reuniões Clínicas 4,5214 1,6547<br />
Importância do DIM 4,2500 1,6025<br />
Capacidade Técnica DIM 4,2929 1,5098<br />
Influência do DIM 3,9929 1,9083<br />
Triologia: Lab/Prod/DIM 5,0750 1,5651<br />
Troca lnf. Formal 2,9607 1,6640<br />
Troca lnf. Informal 2,7393 1,5310<br />
Leader Regional 3,5071 1,5427<br />
Leader Nacional 5,0857 1,3116<br />
Jornais Médicos 5,7786 1,0613<br />
UPDATE 5,3657 1,4389<br />
Sebentas Médicas 3,9536 1,7581<br />
Boletins Terapêuticos 2,3893 1,6918<br />
Credibilidade Científica 3,5107 2,0530<br />
Boletim INFARMED 3,5357 2,1316<br />
Eficácia Novas Marcas 5,0679 1,6349<br />
Opção Fármacos Marca 4,9643 1,5423<br />
Relacão Médico-lnd. Far. 3,6537 1,8621<br />
laboratório farmacêutico", responsável<br />
por apenas 5 .3% da VTE, é pacífica<br />
a influência conj ugada da triologia<br />
a postura atitudinal dos médicos<br />
de família quanto a esta fonte<br />
de informação.<br />
Tabela 4: Frequências e Percentagens (absolutas e acumuladas)<br />
/Indústria Farmacêutica<br />
Variável<br />
Valor Escolhido na Escala<br />
1 2 3 4 5 6 7<br />
n; %; n· , %· , n· ,o o/c n· , %· , n· , %· , n· , % n; %<br />
(cum %) (cum %) (cum %) (cum %) (cum %) (cum %) (cum %)<br />
li_ 48: Brochura Promocional: 12 53 80 90 49 16 9<br />
Qualidade Científica 3.9 17.2 25.9 29.1 15.9 5.2 2.8<br />
e Pedagógica 3.9 21.1 47.0 76.1 92.0 97.2 100.0<br />
li_ 49: Papel Informativo 2 23 45 68 66 60 45<br />
0.6 7.4 14.6 22.0 21.4 19.4 14.6<br />
0.6 8.1 22.7 44.7 66.0 85.4 100.0<br />
11_50: Credibilidade 6 48 63 86 58 39 9<br />
Científica 1.9 15.5 20.4 27.8 18.8 12.6 2.9<br />
1.9 17.5 37.9 65.7 84.5 97.1 100.0<br />
11_52: Reuniões Clínicas 15 23 43 65 66 57 40<br />
4.9 7.4 13.9 21.0 21.4 18.4 12.9<br />
4.9 12.3 26.2 47.2 68.6 87.1 100.0<br />
11_53: Importância do DIM 12 40 41 75 63 50 28<br />
3.9 12.9 13.3 24.3 20.4 16.2 9.1<br />
3.9 16.8 30.1 54.4 74.8 90.9 100.0<br />
11·54: Capacidade 12 27 49 69 81 51 20<br />
Técnica do DIM 3.9 8.7 15.9 22.3 26.2 16.5 6.5<br />
3.9 12.6 28.5 50.8 77.0 93.5 100.0<br />
11_55: Influência do DIM 45 33 47 52 41 61 30<br />
/Prescrição 14.6 10.7 15.2 16.8 13.3 19.7 9.7<br />
14.6 25.2 40.5 57.3 70.6 90.3 100.0<br />
11_56: Triologia: 13 10 20 50 65 93 58<br />
Lab/Prod/DIM 4.2 3.2 6.5 16.2 21.0 30.1 18.8<br />
4.2 7.4 13.9 30.1 51.1 81.2 100.0<br />
"laboratório farmacêutico", "produto A análise da Tabela 4 confirma,nos<br />
farmacêutico" e "delegado de informação que a variável que concorre para<br />
médica". No entanto, essa constatação uma maior dispersão dos dados<br />
é menos evidente quando a performance é a opinião expressa pelos médicos<br />
do delegado de informação médica de família ( MF) sobre a importância<br />
(DIM) é analisada como fonte<br />
do delegado de informação médica<br />
de informação individualmente<br />
(II_53) como veículo de informação.<br />
considerada, (ver II_53; II_54;<br />
Sabendo,se que os mesmos estruturam<br />
II_55/Tabela 3 ).<br />
a sua argumentação com base numa<br />
Idêntica reflexão pode ser encontrada brochura promocional (II_ 48),<br />
noutros estudos ( Creyer, 1998).<br />
cuja qualidade científica e pedagógica<br />
Sabendo,se que o 1 Q factor retrata é considerada média pela maioria<br />
a VTE sobre a influência da indústria dos MF, poder,se,à afirmar que o DIM<br />
farmacêutica no comportamento é encarada como tendo pouca influência<br />
de prescrição, e sabendo,se<br />
sobre o comportamento de prescrição,<br />
que as variáveis/items que<br />
embora não desprezível (II_54 e II_55).<br />
o constituem diferem no potencial Na base desta realidade parece estar<br />
de explicação desta dimensão,<br />
a credibilidade científica (II_50)<br />
é de todo conveniente aprofundar da informação que a indústria<br />
( ... ) os médicos<br />
de famaia<br />
portugueses<br />
procuram<br />
filtrar a<br />
informação<br />
que lhes é<br />
transmitida<br />
pela IF através<br />
de outras fontes<br />
de informação.<br />
GESTÃO HOSPITALAR [!!]
(...) a futura evolução<br />
dos genéricos em Portugal<br />
depende, em grande parte,<br />
da forma como as duas<br />
principais fontes de<br />
informação, indústria<br />
farmacêutica e autoridades<br />
de saúde, equacionarem<br />
a sua argumentação<br />
terapêutica junto<br />
dos médicos de famaia.<br />
6 Para a análise estatística dos dados<br />
foi utilizado o software "Statist ica l<br />
Package for Social Sciences", vulgarmente<br />
designado por SPSS, versão 10.0.<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
farmacêutica (IF) transmite sobre<br />
os seus produtos, a qual é geradora<br />
de polémica, visível pela dispersão<br />
das respostas pelos diferentes valores<br />
da escala.<br />
Tendo presente a conclusão anterior,<br />
parece ser de admitir que os médicos<br />
de família portugueses procuram filtrar<br />
a informação que lhes é transmitida<br />
pela IF através de outras fontes de<br />
informação, de cariz mais científico,<br />
particularmente jornais / revistas médicas<br />
conceituadas (ver Tabela 2, factor 7<br />
e Tabela 3, variável II_63 ).<br />
A procura de outras<br />
fontes de informação<br />
de cariz mais<br />
científico não invalida<br />
o reconhecimento<br />
do papel informativo<br />
da IF (II_ 49).<br />
Sabendo-se<br />
que empresas<br />
farmacêuticas<br />
mais conceituadas<br />
promovem diversas<br />
reuniões clinícas<br />
(II_52), algumas<br />
delas com leaders<br />
de opinião nacionais<br />
ou regionais, é fácil<br />
perceber a importância<br />
das mesmas<br />
na estruturação<br />
da abordagem<br />
terapêutica do ME De certa forma,<br />
estas reuniões clínicas, dada a elevada<br />
capacidade técnico-científica da maioria<br />
dos palestrantes, reforçam a credibilidade<br />
científica da informação transmitida<br />
pelo DIM acerca dos fármacos<br />
da empresa farmacêutica que representa.<br />
Poder-se-à, por isso, afirmar que<br />
a "triologia" credibilidade científica<br />
do laboratório, qualidade terapêutica do<br />
fármaco e performance do DIM (II_56)<br />
é determinante na indução da prescrição<br />
de uma determinada marca farmacêutica.<br />
Face ao exposto, a questão que<br />
se coloca é perceber até que ponto<br />
a informação transmitida por várias<br />
empresas farmacêuticas de reconhecida<br />
competência científica, diverge<br />
da abordagem proposta nos boletins<br />
terapêuticos das ARSs, ou na informação<br />
transmitida pelo INFARMED.<br />
Caso esta divergência se acentue,<br />
a prescrição de genéricos pelos médicos<br />
de família portugueses pode vir<br />
a não ser tão acentuada como<br />
as autoridades da saúde desejariam.<br />
Esta constatação resulta da análise<br />
das variáveis que constituem o 2 º factor,<br />
seguindo a mesma linha de raciocínio<br />
que foi tida na abordagem da indústria<br />
farmacêutica.<br />
Percebe-se, pela análise do valor<br />
encontrado para a média (2,3893),<br />
que o uso do boletim terapêutico (II_67),<br />
produzido pela Comissão de Farmácia<br />
e Terapêutica das diferentes ARSs<br />
do país, pelo menos para actualização<br />
do esquema terapêutico da HTA,<br />
é muito pouco significativo.<br />
Sendo o valor médio mais baixo<br />
de todas as 21 variáveis consideradas<br />
na análise factorial exploratória,<br />
e não tendo o seu desvio-padrão<br />
um valor que represente uma grande<br />
dispersão (1 ,6918), poder-se-à considerar<br />
que a influência deste boletim<br />
terapêutico no comportamento<br />
de prescrição é minímo.<br />
Também a validade do boletim<br />
terapêutico como fonte de actualização<br />
farmacológica credível, independente<br />
e necessária (11_68) é posta em causa,<br />
uma vez que o seu valor médio<br />
é de 3,5107. Neste caso, verifica-se<br />
um forte desvio-padrão (2,0530),<br />
só superado pela informação terapêutica<br />
distribuída pelo INFARMED (II_ 72 ),<br />
cujo valor atinge 2,1316, embora a<br />
sua média seja mais elevada (3,5357).<br />
Tendo estas duas últimas variáveis<br />
o maior desvio-padrão<br />
das 21 consideradas, é correcto<br />
afirmar que o papel das autoridades<br />
da saúde ( 2 º factor) no tocante<br />
ao aconselhamento terapêutico era,<br />
no final do século passado, bastante<br />
problemático e gerador de forte<br />
polémica.<br />
Tal parece não ser o caso quando<br />
se aborda a informação sobre o perfil<br />
de prescrição (3 º factor), com excepção<br />
do uso dessa informação para evitar<br />
mal-entendidos na relação médicolaboratório<br />
farmacêutico (II_ 7 5).<br />
Principais Conclusões<br />
A análise das Tabelas 1 e 2, que<br />
resultam do tratamento estatístico 6<br />
de 309 dos 321 inquéritos recebidos,<br />
., ...<br />
~!<br />
sugere que os médicos de família<br />
portugueses estruturam o seu<br />
comportamento de prescrição<br />
em função do grau de concordância<br />
com as abordagens terapêuticas propostas<br />
pela "Indústria Farmacêutica"<br />
e "Autoridades de Saúde", as duas<br />
principais fontes de informação<br />
terapêutica. Como tal, a futura evolução<br />
dos genéricos em Portugal depende,<br />
em grande parte, da forma como as<br />
duas principais fontes de informação,<br />
indústria farmacêutica e autoridades<br />
de saúde, equacionarem a sua<br />
argumentação terapêutica junto<br />
dos médicos de família. C onvém,<br />
no entanto, não esquecer que a maioria<br />
destes médicos não está muito disponível<br />
para discutir a sua abordagem<br />
farmacológica em reuniões formais<br />
ou informais (ver Tabela 2, factor<br />
4 ). Tal significa que a prescrição,<br />
parte mais visível do acto médico,<br />
é uma decisão muito pessoal<br />
e intransmissível a outras entidades,<br />
por mais respeitáveis que as mesmas<br />
sejam. Assim sendo, é de admitir<br />
que a baixa prescrição de genéricos<br />
em Portugal, até ao final do século<br />
passado, e eventualmente<br />
num futuro próximo, esteja relacionada<br />
com alguma resistência por parte<br />
dos médicos de família na aceitação<br />
da intervenção de outras entidades,<br />
ou de outros profissionais,<br />
sobre a esfera da decisão farmacológica.<br />
A conclusão anterior é ainda mais<br />
contundente se tivermos presente<br />
que na análise da matriz de correlações,<br />
a variável II_62 - Importância<br />
dos farmacêuticos como fonte<br />
de informação para a prescrição,<br />
sempre presente em estudos desta<br />
natureza, não aparece correlacionada<br />
com nenhuma das restantes variáveis,<br />
razão pela qual não fez parte das<br />
variáveis sujeitas à abordagem factorial.<br />
Este supreendente resultado levou<br />
à análise da média ( 1.3821)<br />
e do desvio-padrão (0.8637) desta fonte<br />
de informação, constatando-se serem<br />
os mais baixos de todas as variáveis<br />
consideradas na "purificação estatística".<br />
Tais valores permitem afirmar que<br />
os médicos de família portugueses<br />
rejeitam, inequívocamente,<br />
a intervenção dos farmacêuticos<br />
como fonte de informação<br />
de apoio à prescrição.<br />
Caso a constatação anterior<br />
resulte da percepção de uma maior<br />
e mais frequente intervenção<br />
do farmacêutico(a) no desenvolvimento<br />
da abordagem farmacológica que tem<br />
sido veiculada pelos boletins terapêuticos<br />
distribuídos pelas ARSs, ou pelo<br />
INFARMED, poder-se-à estar<br />
em presença de um conflito de<br />
competências, com a consequente<br />
resistência à prescrição destes fármacos<br />
por parte de um número significativo<br />
de médicos de família.<br />
Sendo um resultado supreendente,<br />
como atrás se referiu, a rejeição<br />
dos farmacêuticos como fonte<br />
de informação de apoio à decisão<br />
de prescrição não é nova e tem<br />
sido encontrada noutros estudos<br />
internacionais:<br />
"Pharmacists have not changed<br />
as an unimportant source of<br />
pharmaceutical inf ormation .<br />
Because of pharmacists' training<br />
and education in pharmacology ,<br />
this result is somewhat puzzling<br />
and illustrates the need for further<br />
research into the interaction between<br />
physicians and pharmacists<br />
in the health care system"<br />
(Williams and Hensel, 1991: 58).<br />
Renova-se, por isso, o interesse<br />
de futura investigação científica<br />
neste domínio, uma vez que a baixa<br />
prescrição de genéricos em Portugal<br />
poderá ter aqui uma das suas causas<br />
. . .<br />
pnnc1pa1s. ~<br />
* Professor a uxiliar<br />
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa<br />
(ISCTE)/ Escola de <strong>Gestão</strong><br />
PhD: University of Glasgow/ Scotland/U.K.<br />
MSc: INDEG/ ISCTE<br />
R eferências<br />
Cryer, Elizabeth H. e Hrsiscodoulakis, Ilias ( 1998)<br />
"Marketing Pharmaceutical Products w P/1ysicians -<br />
Sales Reps lnjluence Physicians' Impressions of the<br />
lndustry", Marketing Health Services, 18 ( 2), pp:<br />
35-38.<br />
Frecman,]., Bames , ]. , Summers, K. e Szeinbach, S.<br />
( 1993) "Modeling Physicians' Prescribing Decisions for<br />
Patients wiih Panic Disorders", ]oumal of Healih Care<br />
Marketing, 13 (1), pp: 34-39<br />
Gaither, Caroline A., Bagoz
SISTEMA DE SAÚDE<br />
~<br />
EM QUESTAO<br />
"Espaço Aberto" é uma nova secção nesta versão renovada<br />
da "<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>'~ na qual registamos, deforma plural, o<br />
pensamento dos principais líderes de opinião<br />
sobre saúde em Portugal. Primeiro tema: "Sistema de Saúde<br />
em Questão". Depois de Maria de Belém, vice-presidente do<br />
Grupo Parlamentar do PS, Aranda da Silva, bastonário da Ordem<br />
dos Farmacêuticos, e Bernardino Soares, presidente do Grupo<br />
Parlamentar do PCP, é a vez de Ana Manso, deputada do PSD.<br />
1- O nosso Sistema de Saúde e, em<br />
particular, o SNS é geralmente considerado<br />
como despesista e incapaz de conter a subida<br />
dos custos. Concorda com esta afirmação?<br />
E, se for o caso, que medidas consideraria<br />
fundamentais para corrigir a situação?<br />
2- O novo governo propõe-se flexibilizar<br />
o mercado da Saúde, admitindo a livre<br />
circulação dos doentes entre os sectores<br />
público e privado (lucrativo ou social) baseada<br />
num financiamento público, cuja referência<br />
será uma tabela de preços a criar. Concorda<br />
ou não com esta decisão e que vantagens<br />
e/ou inconvenientes poderão daí advir?<br />
3- A acumulação de funções públicas com<br />
funções privadas é muitas vezes referida como<br />
factor impeditivo de um desempenho eficiente<br />
dos profissionais de Saúde, designadamente<br />
na área médica. Concorda com esta<br />
afirmação?<br />
E como promover a clarificação desses<br />
regimes ou, se for a sua opção, o fim das<br />
acumulações?<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
4- Afirma-se com frequência que a medicina<br />
familiar, exercida de forma não institucional,<br />
personalizada e de proximidade, concorreria<br />
decisivamente para a diminuição das<br />
urgências hospitalares e, desta forma,<br />
contribuiria para a eficiência do Sistema. Como<br />
encara a situação dos cuidados primários em<br />
Portugal e que soluções preconiza?<br />
5- O programa do governo, ao referir-se<br />
ao financiamento público dos cuidados de<br />
Saúde "essenciais" e ao incentivar seguros<br />
complementares, parece querer clarificar a<br />
natureza e o âmbito dos subsistemas e dos<br />
seguros comerciais. Em que medida considera<br />
esta matéria importante para a racionalização<br />
do sistema de Saúde?<br />
6- A gestão dos hospitais públicos está<br />
sujeita a um modelo jurídico, designadamente<br />
na área das compras, recursos humanos e<br />
dos órgãos de gestão, fortemente criticado<br />
por diferentes quadrantes da opinião pública.<br />
Concorda com esse tipo de críticas?<br />
E que soluções preconizaria para a gestão dos<br />
hospitais públicos?<br />
Ana Manso, deputada do PSD<br />
"Importa tratar bem<br />
quem precisa"<br />
1<br />
Embora todos tenhamos<br />
interiorizado que a saúde não<br />
tem preço, o certo é que o nosso<br />
Sistema Nacional de Saúde enferma<br />
de vícios que se vêm acumulando<br />
e que custam muito dinheiro.<br />
Este dinheiro desperdiçado será<br />
aplicado na melhoria da saúde<br />
dos portugueses e não, como<br />
acon teceu com a complacência,<br />
na alimentação sistemática<br />
de erros há muito detectados<br />
e que só agora começam<br />
a ser combatidos de forma eficaz.<br />
É por isso que as medidas<br />
no âmbito da gestão hospitalar<br />
ou do medicamento são<br />
fundamentais para melhorar<br />
o aproveitamento<br />
de cada euro dispendido na área<br />
da saúde, travando o combate<br />
ao desperdício e à ineficiência<br />
na utilização dos recursos<br />
existentes.<br />
Mas, não basta dispor de mais,<br />
melh ores e modernos instrumentos.<br />
Importa uma nova cultura<br />
e mentalidade ao serviço do sector<br />
da saúde. É preciso racionalizar<br />
as infra,estruturas e melhorar<br />
o aproveitamento dos profissionais<br />
do sector que têm demonstrado<br />
ser de uma generosidade sem<br />
limites. Generosidade que<br />
até tem permitido colmatar muitos<br />
dos erros da governação an terior<br />
nesta área e sem a qual<br />
não podemos deixar de contar<br />
se quisermos ser bem sucedidos<br />
nas medidas em curso.<br />
2<br />
Esta mudança só pode<br />
merecer o aplauso de todos<br />
os que estão preocupados<br />
com a eficácia e a eficiência<br />
do sistema - a melhoria dos<br />
cuidados de saúde e não só<br />
com o sistema em si.<br />
O que importa é tratar bem<br />
e em tempo útil quem precisa<br />
de ser tratado. O sistema<br />
que este G overno precon iza<br />
permite, claramente,<br />
atingir este objectivo - tratar<br />
quem precisa, de forma rápida<br />
e eficiente.<br />
Por outro lado, esta estratégia<br />
configura a consagração<br />
de um princípio básico de cidadan ia<br />
- o da liberdade de escolh a,<br />
reforçando,se o acesso generalizado<br />
dos cidadãos ao sistema, de forma<br />
gratuita ou tendencialmente<br />
gratuita, conforme estipula<br />
a Constituição.<br />
C urioso é que alguns sectores<br />
políticos que tanto apregoam<br />
( ... ) não basta dispor<br />
de mais, melhores<br />
e modernos<br />
instrumentos.<br />
Importa uma<br />
nova cultura<br />
e mentalidade<br />
ao serviço do sector<br />
da saúde.<br />
os direitos cívicos dos cidadãos<br />
fiquem em pân ico quando alguém<br />
passa do "slogan" à sua<br />
concretização.<br />
A criação da "Ta bela de Preços<br />
de Referência da Saúde"<br />
afigura,se assim, como<br />
indispensá ve 1<br />
ao correcto e transparente<br />
financiamento do sistema.<br />
Se não associarmos<br />
o financiamen to à produtividade -<br />
como tem acon tecido até aqui em<br />
que se premiava sistematicamente<br />
quem menos produzia, ou seja,<br />
quem menos tratava quem<br />
precisava - os doentes,<br />
con tinuaremos a alimentar<br />
os vícios do passado.<br />
Deste modo, fazem todo o sentido<br />
as medidas que estão a ser operadas,<br />
quer ao nível das actuais estruturas<br />
organizacionais quer ao n ível<br />
dos métodos de trabalho, com<br />
reais incen t ivos ao desempenho<br />
profission al, alcançando,se<br />
mais e melhores ganhos<br />
em saúde.<br />
Quando há problemas temos<br />
que os resolver e não apenas<br />
atirar,lh es dinheiro para cima.<br />
Essa era a prática e o resultado<br />
viu,se: o dinheiro desaparecia<br />
e os problemas cresciam.<br />
3<br />
A política de "trazer por casa"<br />
da oposição ao actual governo<br />
não tem apostado na apresentação<br />
de propostas sérias e credíveis<br />
para a resolução das situações<br />
de acumulação, que, como se sabe,<br />
se agravaram, manifestamente,<br />
com a inércia dos seus governos.<br />
É por isso que a mesma<br />
se preocupa an tes em lauçar<br />
a confusão e desconfiança<br />
entre os profissionais de saúde<br />
para criar um mal,estar<br />
que inviabilize as necessárias<br />
e inadiáveis reformas estruturantes<br />
GESTÃO HOSPITALAR ~
no sector. É a baixa política<br />
a funcionar, é o diz que disse,<br />
é o dividir para reinar.<br />
É imperioso e da mais elementar<br />
justiça reconhecer que, apesar<br />
dos graves problemas do sistema,<br />
só o esforço extremo dos<br />
profissionais da saúde tem permitido<br />
verdadeiros milagres e, apesar<br />
de todas as dificuldades, nunca,<br />
em circunstância alguma,<br />
baixaram os braços e deixaram<br />
de tratar quem precisa, num esforço<br />
que a todos honra e nos deve servir<br />
de exemplo.<br />
4<br />
Nunca devemos estar<br />
satisfeitos com o realizado<br />
a cada momento. A insatisfação<br />
sistemática, aliada<br />
à vontade de bem,fazer, leva,nos<br />
a melhorar continuamente também<br />
a rede dos cuidados primários.<br />
A melhoria desta rede só será<br />
possível através da introdução<br />
de uma nova filosofia de gestão<br />
de meios conducentes à diminuição<br />
das urgências hospitalares.<br />
É por isso que as novas<br />
metodologias de gestão e a figura<br />
do médico assistente são medidas<br />
complementares tomadas<br />
a favor da melhoria da promoção<br />
( ... ) sem perder<br />
de vista as balizas<br />
constitucionais<br />
que regem<br />
os cuidados<br />
de saúde e os direitos<br />
dos cidadãos,<br />
o Governo<br />
preconiza medidas<br />
que viabilizam<br />
o sistema<br />
e o tornam mais<br />
justo e mais eficaz.<br />
da saúde e da prevenção<br />
da doença.<br />
5<br />
O programa do Governo<br />
reflecte, antes de mais,<br />
um conhecimento profundo<br />
do que existe e do que é importante<br />
fazer para salvar o S istema Nacional<br />
de Saúde.<br />
De facto, nada fazer era empurrar<br />
o SNS para o colapso puro<br />
e simples. Assim, sem perder<br />
de vista as balizas constitucionais<br />
que regem os cuidados de saúde<br />
e os direitos dos cidadãos,<br />
o Governo preconiza medidas<br />
que viabilizam o sistema<br />
e o tornam mais justo<br />
e mais eficaz.<br />
Acaba,se com a diabolização<br />
do privado ou do social e ao<br />
contrário apela, se à conjugação<br />
de esforços, a todos os níveis,<br />
sejam eles financeiros,<br />
materiais ou humanos<br />
para melhor atingir o grande<br />
desígnio do SNS - velar<br />
pela saúde dos portugueses.<br />
6<br />
A gestão dos hospitais<br />
públicos tem tido falhas<br />
que todos conhecem e que<br />
importa eliminar.<br />
Por isso, e apesar das torpes<br />
insinuações e campanha de<br />
desinformação veiculada pela<br />
oposição, o Governo aprovou<br />
uma nova Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />
corajosa que aposta na gestão<br />
moderna e eficaz, que premeia<br />
o mérito, motiva os profissionais<br />
e torna a gestão mais racional<br />
e agilizada dos hospitais,<br />
que ficam assim mais aptos<br />
a cumprir a sua missão. cm><br />
A Acreditação<br />
dos Hospitais em Portugal<br />
A Qualidade é um dos maiores desafios<br />
que os sistemas da saúde enfrentam<br />
em todo o mundo.<br />
'<br />
A medida que as políticas de saúde<br />
se concentram no controlo dos custos<br />
e no uso racional dos recursos,<br />
a salvaguarda de uma prática clínica correcta<br />
e consistente com os ganhos em saúde,<br />
tornam essencial dar aos cidadãos garantias<br />
de que os serviços que utilizam são tecnicamente<br />
• I' • • • I' •<br />
irrepreensiveis e economicamente aceitaveis.<br />
Contracapa<br />
Verso de capa<br />
e contracapa<br />
Cores<br />
€2000<br />
€7500<br />
Página €7000<br />
1 /2 Página € 600<br />
1 /4 Págin a<br />
o u roda pé € 300<br />
Preto e branco<br />
€900<br />
€500<br />
€ 2 5 0<br />
O Dossier sobre a Acreditação <strong>Hospitalar</strong><br />
que apresentamos neste número da ''G.H.'',<br />
tem, assim, o duplo objectivo de dar a conhecer<br />
uma iniciativa relevante e pioneira<br />
na área da Qualidade e, simultaneamente,<br />
promover o desenvolvimento<br />
de metodologias que contribuíam<br />
para a apreciação objectiva<br />
desta importantíssima dimensão<br />
da prestação de cuidados.<br />
rn GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn<br />
- - --- ---~ ---- -~---- ---------------~--- --=-'-=---~~
A.<br />
DOSSIE<br />
Três anos<br />
de experiência<br />
Os programas de acreditação foram , na<br />
última década, alvo de um desenvolvimento<br />
crescente nos países da Europa , sendo que<br />
o programa regional da Catalunha, em Espanha,<br />
e os programas nacionais do King's Fund<br />
Health Quality Service (KFHQS) e do<br />
Hospital Accreditation Programme (CASPE),<br />
no Reino Unido, foram os pioneiros nos<br />
anos de 1984 e 1990. Nos restantes países<br />
da Europa o interesse por estes sistemas<br />
de melhoria da qualidade aumentou<br />
consideravelmente a partir destas datas,<br />
assumindo desenvolvimentos distintos<br />
que reflectiram a natureza dos sistemas<br />
de saúde e os objectivos dos próprios programas.<br />
Embora a Comunidade Europeia não assuma<br />
competências específicas na área da Qualidade,<br />
tem assumido posições claras acerca destas<br />
matérias. Neste sentido , a Recomendação<br />
No. R (97) 17 do Conselho de Ministros ,<br />
que com o objectivo de promoção da união<br />
dos estados membros e consequente adopção<br />
de políticas de saúde comuns , recomenda<br />
que os estados membros apoiem a criação<br />
de sistemas de melhoria da qualidade.<br />
Pedro Lopes Ferreira, professor associado da Faculdade de Economia<br />
da Universidade de Coimbra e director-adjunto do Instituto da Qualidade<br />
em Saúde, e Margarida França, administradora hospitalar<br />
directora-adjunta do IQS.<br />
Os programas originais constituíam primariamente<br />
ferramentas de desenvolvimento organizacional,<br />
com natureza voluntária , que se mantinham<br />
confidenciais à organização. Actualmente alteram~se<br />
os valores da acreditação no sentido da atribuição<br />
de maior ênfase à transparência , responsabilização<br />
e participação os quais exigem, por sua vez,<br />
novos procedimentos , como é o caso da publicitação<br />
dos resultados e o livre acesso aos dados dos processos .<br />
As razões deste interesse quase generalizado<br />
pela acreditação apre sentam~s e intimamente<br />
ligadas às ref armas introduzidas nos sistemas<br />
de saúde, mais especificamente, com os novos<br />
modelos de financiamento, de organização e gestão<br />
dos serviços, de competição entre prestadores de<br />
cuidados de saúde, responsabilização, ef ectividade<br />
e valor dos serviços prestados .<br />
pessoal e partilha de experiências.<br />
Até ao momento tem sido esta<br />
também a filosofia do Programa<br />
N acional de Acreditação de Hospitais,<br />
que dispõe de uma bolsa de 59<br />
auditores do Serviço Nacional de<br />
Saúde distribuídos pelas classes<br />
profissionais da administração<br />
hospitalar, médica, enfermagem e dos<br />
técnicos superiores de saúde.<br />
Estes profissionais da bolsa de<br />
auditores têm de igual modo<br />
acompanhado os auditores ingleses<br />
nas avaliações externas aos diversos<br />
hospitais em processo de acreditação,<br />
desempenhando um duplo papel na<br />
tradução e no seu acompanhamento e<br />
observação.<br />
N a presente data iniciaram processo<br />
de acreditação vinte un idades<br />
hospitalares distribuídas por todo o<br />
Continente e Região A utónoma da<br />
Madeira, tal como apresentado na<br />
figura 1.<br />
Do primeiro grupo de hospitais piloto<br />
os Hosp itais Fernando da Fonseca e<br />
Pedro H ispano obtiveram, nas datas<br />
referidas na figura 2, acreditação total<br />
e o Hospital Doutor José Maria<br />
Grande acreditação provisória pelo<br />
período de um ano.<br />
Por acreditação total deve-se entender<br />
o reconhecimen to de que a<br />
organização cumpre com a totalidade<br />
dos critérios considerados<br />
indispensáveis, após verificação<br />
através de uma auditoria<br />
independente realizada por pares.<br />
Por acreditação provisória deve-se<br />
entender que a organização<br />
demonstrou bom cumprimento geral<br />
dos critérios em processo de avaliação<br />
mas, contudo, insufic iente no quadro<br />
das exigências consideradas de prática<br />
indispensável e boa prática, à data da<br />
auditoria.<br />
Cabe também referir como elemento<br />
promotor da mudança e da inovação,<br />
o papel do apoio financeiro do<br />
3. Q Quadro Comunitário de apoio<br />
2000-2006 - Medida 2.3 , Certificação<br />
e G aran tia da Q ualidade ao projecto<br />
do I QS de criação do Programa<br />
Nacional de Acreditação de Hospitais<br />
acompanhando o mais próximo<br />
possível a evolução dos projectos<br />
de acreditação nos hospitais. Foi<br />
assim decidido realizar uma primeira<br />
medição da satisfação dos uten tes<br />
internados e que recorrem às urgências<br />
para, mais tarde, a poder comparar<br />
com outra medição subsequente.<br />
Para além desta avaliação sob a<br />
perspectiva dos utentes, decidiu-se<br />
também não esquecer os profissionais<br />
da instituição a passar por todo o<br />
processo de melhoria da sua qualidade<br />
Quadro 1 - Dimensões e aspectos do questionário de avaliação<br />
Conhecimento • Sobre a existên cia do processo<br />
• Serviço visitado pelos auditores<br />
Participação<br />
e<br />
envolvimento<br />
Avaliação<br />
dos principais<br />
actores<br />
Avaliação<br />
do impacto<br />
trabalho<br />
• Grau de participação<br />
• Relação entre o grau de participação efectivo<br />
e aquele que estava em cond ições de oferecer<br />
• Valor do esforço despendido<br />
• Disponibilidade para se envolver de novo<br />
• Consultores do King's Fund<br />
• Grupo coordenador do processo de acreditação no hospital<br />
• Conselho de Administração do Hospital<br />
• Direcção do serviço · ·<br />
• Existência de propostas de solução e de melhoria<br />
para os problemas detectados<br />
• Capacidade de as alterações introduzidas facilitarem o<br />
• Capacidade de as alterações introduzidas terem<br />
impacto directo nos doentes<br />
• Melhoria de qualidade sentida<br />
• Orgulho pela participação do hospital no processo<br />
e aos projectos hospitalares de<br />
acreditação. Neste último caso, numa<br />
dupla perspectiva de financiamen to,<br />
por um lado apoiando o<br />
desenvolvimento do processo de<br />
organizacional e inquiri-los em relação<br />
ao conhecimento que têm, ao seu<br />
envolvimento e à avaliação que fazem<br />
relativamente aos principais actores e<br />
às facetas do impacte do processo de<br />
Protocolo entre<br />
o IQS e o KFHQS<br />
A parceria entre o Instituto da<br />
Q ualidade em Saúde (IQS) e o<br />
KFHQS resultou de dois actos<br />
celebrados no ano de 1999,<br />
nomeadamen te um protocolo de<br />
colaboração entre as duas partes e<br />
um contrato regulador dos direitos e<br />
obrigações do mesmo decorrentes.<br />
Estes documentos estabelecem como<br />
objectivos da parceria, a cooperação<br />
no desenvolvimento de projectos de<br />
investigação da qualidade na saúde<br />
e de metodologias e instrumentos<br />
para a melhoria da qualidade e o<br />
desenvolvimento e validação para<br />
Portugal da metodologia e normas do<br />
programa de acreditação de hospitais<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
do KFHQS.<br />
Com esta parceria foi feita uma opção<br />
clara pela consideração dos programas<br />
já existentes com aplicação prática<br />
e resultados efectivos. N este sentido<br />
foi repudiada a opção de construção<br />
de um programa de raiz, através<br />
da criação de base de normas e<br />
metodologias, tendo desta forma sido<br />
possível realizar a primeira auditoria<br />
em Dezembro de 2000,<br />
nomeadamente no H ospital Fernando<br />
da Fonseca.<br />
C om efeito, os dois principais<br />
elementos de um processo desta<br />
natureza são constituídos pelo manual<br />
de acreditação e pela equipa de<br />
auditores. O manual em uso pelo I QS,<br />
nos processos em curso, resultou de um<br />
processo de adaptação e validação para<br />
a realidade nacional da edição de 1997<br />
do King's Fund do "Accreditation UK.<br />
An organ isational audit programme<br />
for acute, community, learning<br />
disabilities and mental health<br />
services". Posteriormente à sua<br />
tradução, o IQS procedeu à sua<br />
validação e adaptação para a realidade<br />
portuguesa, com a colaboração dos<br />
gestores dos processos de acreditação<br />
dos sete hospitais piloto e consequente<br />
aprovação por parte do autor e<br />
en tidade acreditadora.<br />
No que respeita aos auditores, o<br />
programa originário distingue-se de<br />
outros programas de acreditação pela<br />
utilização de auditores pares, que<br />
colaboram com a entidade<br />
acreditadora numa base graciosa e<br />
n um espírito de desenvolvimento<br />
Por acreditação<br />
total deve<br />
entender-se o<br />
reconhecimento<br />
de que a<br />
. ,..,<br />
organizaçao<br />
cumpre com a<br />
totalidade dos<br />
. , .<br />
criterios<br />
considerados<br />
indispensáveis.<br />
Quadro 2 - Primeiros seis hospitais em fase de acreditação<br />
•Hospital Fernando Fonseca - Amadora<br />
• Hospital de Santa Marta - Lisboa<br />
•Hospital Pedro Hispano - Matosinhos<br />
•Hospital Dr. José Maria Grande - Portalegre<br />
•Hospital do Barlavento - Portimão<br />
•Hospital São Teotónio - Viseu<br />
(ordem alfabética da localidade)<br />
avaliação que conduz à acreditação e,<br />
por outro lado, apoiando as melhorias<br />
necessárias e a formação contínua<br />
exigida , esta última no âmbito da<br />
Medida 2.4, Formação de Apoio aos<br />
Projectos de Modernização da Saúde.<br />
Avaliação do impacte interno<br />
dos processos de Acreditação<br />
Sempre fo i nossa intenção ir<br />
acreditação. Isto porque acreditamos<br />
que um processo como este tem<br />
necessariamente impacto na própria<br />
cultura organizacional e de qualidade<br />
da instituição<br />
Assim, construímos um questionário<br />
essencialmen te orientado para as<br />
dimensões e aspectos apresentados<br />
no quadro l.<br />
Neste artigo apresentamos IJJi><br />
GESTÃO HOSPITALAR ffi
DOSSIÊ<br />
Figura 2 - Hospitais com Acreditação<br />
Hospital Fernando Fonseca - Amadora/Sintra<br />
Acreditação Total<br />
~=ti"'"" 6 Março 2002<br />
Hospital Pedro Hispano - ULS Matosinhos<br />
Acreditação Total<br />
"-''"""'""'""";#'""'-' 21 Agosto 2002<br />
Hospital Dr. José Maria Grande - Portalegre<br />
Acreditação Total<br />
~~..w 23 Janeiro 2002<br />
os resultados da aplicação deste<br />
questionário aos seis primeiros<br />
hospitais portugueses em processo de<br />
acreditação, indicados no quadro 2.<br />
O s resultados obtidos (ver quadro<br />
3) correspondem a 1.286 repostas<br />
de profissionais destes seis hospitais,<br />
num total de 7 .025 profissionais, o<br />
que corresponde a um erro amostral<br />
máximo de 2,5% associado a um grau<br />
de confiança de 95% (p=0,50).<br />
Em geral, tivemos respostas de 30%<br />
de profissionais do sexo feminino,<br />
de todas as categorias profissionais,<br />
havendo 55% de prestadores directos<br />
de cuidados e apenas 22 % a<br />
desempenhar um cargo de chefia.<br />
Estes profissionais respondentes têm,<br />
em média, 38 anos de idade, de um<br />
mínimo de 19 anos a um máximo de<br />
69 anos.<br />
Em relação ao conhecimento que<br />
possui de que o seu hospital se<br />
encontra num processo de acreditação<br />
ao abrigo de um protocolo entre<br />
o IQS e o King's Fund H ealth<br />
Quality Service, praticamente todos<br />
os respondentes (em média, 97%)<br />
estavam informados deste facto. Além<br />
disto, 93% teve o seu serviço visitado<br />
pelas equipas de auditores, valor que,<br />
no conjunto dos seis hospitais, varia<br />
de 85% a 97%.<br />
O grau de participação e<br />
envolvimento dos profissionais no<br />
processo de acreditação é francamente<br />
positivo, tendo sido encontrada a<br />
relação 2,3/1 ,O quando os profissionais<br />
que tiveram um envolvimento grande<br />
ou muito grande são comparados<br />
com os que não estiveram de modo<br />
algum envolvidos ou tiveram um<br />
envolvimen to considerado pequeno.<br />
A melhorar ainda este aspecto<br />
podemos afirmar que 41 % destes<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
profissionais<br />
considera<br />
que a sua<br />
participação<br />
poderia ter<br />
sido maior,<br />
tendo em<br />
conta aquela<br />
que estava<br />
em<br />
condições de<br />
oferecer e,<br />
em geral,<br />
73%<br />
considera<br />
Figura 1 - Unidades <strong>Hospitalar</strong>es em Processo de Acreditação<br />
1º Grupo<br />
Hospitais Piloto<br />
Início do Projecto<br />
em 1999<br />
2º Grupo<br />
de Hospitais<br />
Início do Projecto<br />
em 2000<br />
3º Grupo<br />
de Hospitais<br />
Início do Projecto<br />
em 2001/2002<br />
que o seu esforço valeu a pena,<br />
considerando os resultados esperados<br />
em termos de organização do seu<br />
serviço. Por fim, se o processo<br />
se estivesse a iniciar de novo, é<br />
Hospital Fernando da Fonseca<br />
Hospital Pedro Hispano - ULSM<br />
Hospital Dr. José Maria Grande<br />
Hospital S. Teotónio<br />
Hospital Barlavento Algarvio<br />
Hospital Santa Marta<br />
Hospital Garcia da Horta<br />
Hospital D. Estefânia<br />
Hospital S. José<br />
Hospital Dr. Francisco Zagalo<br />
Hospital Geral de Santo António<br />
IPO Coimbra<br />
Hospital S. Marcos<br />
Hospital S. João<br />
IPO Porto<br />
Hospital Distrital de Anadia<br />
Hospital Santa Luzia<br />
Hospital Distrital de Mirandela<br />
Hospital Distrital de Águeda<br />
animador constatar que só apenas<br />
9% dos profissionais declaram que<br />
não estariam dispostos a estar tão<br />
envolvidos como estiveram.<br />
Em relação à avaliação feita pelos<br />
profissionais dos principais autores<br />
Figura 3 - Avaliação do papel desempenhado pelos principais actores<br />
Consultores do King's Fund<br />
Grupo Coordenador<br />
Conselho de Administração<br />
Direcção do serviço<br />
1 • Mau + Razoável LJ Bom Mau + Razoável 1<br />
Figura 4 • Percepção do impacte do processo de acreditação<br />
l• s1m 0 Não sel Não 1<br />
Orgulho<br />
Propostas solução<br />
Alterações facilitam<br />
Alteraçães 1 mpacte<br />
0% 20% 40% 60% 80% 100%<br />
Figura 5 ·Distribuição das respostas à afirmação "sente orgulho ... "<br />
Concordo mu to 28,1%<br />
Concordo 64,4%<br />
Discordo<br />
Discordo mu to<br />
&,3%<br />
0% 20% 40% 60% 80%<br />
deste processo de acreditação, houve<br />
evidência de alguma exigência. De<br />
facto, menos de 10% consideraram<br />
ter havido um desempenho excelente<br />
e 37% a 51 % disseram,nos que a<br />
avaliação deste desempenho se situava<br />
entre mau e razoável. De salientar<br />
que é o C onselho de Administração a<br />
entidade, em geral, a mais penalizada<br />
e que os consultores do King's Fund<br />
são os menos penalizados. A figura 3<br />
apresenta as avaliações feitas pelos<br />
profission ais a estes quatro principais<br />
actores.<br />
Por fim, medimos a percepção que os<br />
profission ais tem do desenvolvimento<br />
do processo de acreditação (figura<br />
4). Cerca de 20% dos respondentes<br />
Quadro 3 - Principais resultados do inquérito de satisfação<br />
População inicial<br />
Respostas recebidas<br />
% sexo feminino<br />
Idade - média<br />
- mínima<br />
- máxima<br />
% administradores<br />
% prestadores directos<br />
% em cargos de chefia<br />
% conhecimento da acreditação<br />
% casos em que o serviço foi visitado pelos auditores<br />
Grau de participação - % nenhum + pequeno<br />
- % grande+ muito grande<br />
Participação foi a possível - % sim<br />
- % poderia ter participado mais<br />
Esforço valeu a pena - % sim<br />
Voltaria a participar - % sim +talvez<br />
Avaliação dos consultores do King's Fund - % excelente<br />
- % mau + razoável<br />
Avaliação do grupo coordenador - % excelente<br />
- % mau + razoável<br />
Avaliação do Conselho de Administração - % excelente<br />
- % mau + razoável<br />
Avaliação dos directores de serviço - % excelente<br />
- % mau+ razoável<br />
Propostas de solução e de melhoria - % concordo muito<br />
- % concordo<br />
Alterações facilitam o trabalho - % concordo muito<br />
- % concordo<br />
Alterações têm impacto nos doentes - % concordo muito<br />
- % concordo<br />
Hospital melhorou de qualidade - % melhoras já sentidas<br />
Orgulho no hospital - % concordo muito<br />
- % concordo<br />
7.025<br />
1.286<br />
29,6%<br />
38<br />
19<br />
69<br />
1,3%<br />
55,2%<br />
21,6%<br />
97,1%<br />
92,9%<br />
52,0%<br />
22,2%<br />
57,4%<br />
40,8%<br />
73,0%<br />
90,7%<br />
5,4%<br />
37,4%<br />
5,7%<br />
44,2%<br />
3,4%<br />
50,9%<br />
9,1%<br />
41,0%<br />
21,8%<br />
64,9%<br />
17,0%<br />
59,3%<br />
19,1%<br />
57,5%<br />
30,4%<br />
28.1%<br />
64,4%<br />
tem a convicção muito vincada<br />
(e 76% a 87% apenas concordam)<br />
que foram fe itas propostas de solução<br />
e de melhoria para os problemas<br />
detectados, sendo que as alterações<br />
introduzidas pelo processo de<br />
acreditação facilitam o trabalho e têm<br />
impacto directo nos doentes.<br />
Por outro lado, 30% considera que<br />
já se sentem melhoras na qualidade<br />
como consequência do hospital estar a<br />
participar no processo de acreditação,<br />
60% defende que isso vai acontecer,<br />
mas ainda é cedo, e apenas os restantes<br />
10% defendem que isso não seria<br />
mesmo de esperar.<br />
Finalmente, e para completar estes<br />
indicadores de êxito de um processo<br />
ainda a dar os primeiros passos,<br />
questionámos até que ponto os<br />
profissionais sentem orgulho pelo<br />
seu hospital estar a participar neste<br />
processo de acreditação. Este orgulho<br />
é um dos indicadores de uma cultura<br />
da qualidade em formação e deve,<br />
segundo nós, ser procurado. Os nossos<br />
resultados foram também aqui muito<br />
animadores. Feita esta pergunta, 93%<br />
dos profissionais responderam que<br />
concordam com a afirmação. A<br />
figura 5 indica a distribuição desta<br />
concordância.<br />
Conclusões<br />
A principal conclusão a retirar do<br />
programa descrito e da avaliação dos<br />
primeiros seis processos de acreditação<br />
hospitalares é positiva. N o entretanto,<br />
outras catorze unidades distribuídas<br />
por todo o país prosseguem nos<br />
seus percursos de desenvolvimento<br />
e organização interna, consolidando<br />
um projecto verdadeiramen te pioneiro<br />
nos países do Sul da Europa.<br />
Esta experiência pode e deve ser<br />
considerada como instrutiva para<br />
todos os intervenientes no sistema<br />
nacional de saúde, bem como, para<br />
todos os países que se encontrem a<br />
iniciar processos desta natureza.<br />
Por último e tomando em<br />
consideração os mais recentes<br />
desenvolvimentos da acreditação nos<br />
países da Europa, cumpre,nos indicar<br />
como etapa seguinte a consolidação<br />
do programa, através da criação de<br />
uma comissão nacional de acreditação<br />
independente e o inevitável<br />
reconhecimento pelos pares e pelas<br />
instituições de referência, de nível<br />
internacional, do Programa N acional<br />
de Acreditação de Hospitais.<br />
GESTÃO HOSPITALAR m
~<br />
DOSSIE<br />
Centro <strong>Hospitalar</strong> do Funchal<br />
Aposta na qualidade<br />
O<br />
projecto de acreditação do<br />
Centro <strong>Hospitalar</strong> do Funchal<br />
( CHF) foi apresentado no dia 3 de<br />
Junho de 2002 e prevê,se que, até<br />
2004, esteja concluída a primeira fase<br />
de uma trajectória que irá revolucionar<br />
e incrementar processos de qualidade<br />
continuados em todos os serviços desta<br />
instituição. Um passo fundamental<br />
para o Sistema Regional de Saúde<br />
e para todos os utentes da Região<br />
Autónoma da Madeira.<br />
Fruto de parcerias com instituições<br />
especializadas na matéria, este projecto<br />
consiste num sistema de auditoria<br />
organizacional, através do qual a<br />
instituição passará a ser acompanhada<br />
e reconhecida como cumprindo um<br />
conjunto de padrões capazes de<br />
assegurar a qualidade do serviço que<br />
presta.<br />
A acreditação de um hospital significa<br />
avaliar, periodicamente, o<br />
cumprimento de padrões de qualidade<br />
estabelecidos, estimulando o<br />
desenvolvimento de uma cultura de<br />
melhoria contínua da qualidade.<br />
Procura,se, assim, melhorar os<br />
cuidados prestados aos cidadãos,<br />
melhorar o desempenho da<br />
organização, da sua capacidade de<br />
gestão e inovação. Além dos benefícios<br />
que o resultado deste processo acarreta<br />
para todos os utentes, também os ·<br />
profissionais ficam a ganhar com um<br />
serviço reconhecido e com acreditação<br />
a nível regional, nacional e europeia.<br />
Mediante este projecto, será possível<br />
assegurar a melhoria dos cuidados<br />
prestados aos utentes, de modo a<br />
que as opções tomadas e a tomar<br />
possam corresponder à satisfação das<br />
suas necessidades, enquanto indivíduos<br />
que recorrem ao apoio dos serviços<br />
mas, também, enquanto cidadãos que<br />
fazem parte de uma sociedade cada vez<br />
mais exigente e determinada, na busca<br />
da qualidade dos serviços, à qual têm<br />
direito.<br />
Este programa de acreditação nasceu<br />
de parcerias estabelecidas, n o primeiro<br />
trimestre deste ano, entre a Secretaria<br />
Regional dos Assuntos Sociais, o C HF,<br />
o Instituto da Qualidade em Saúde<br />
rnoESTÃO HOSPITALAR<br />
Conceição Estudante, Secretária<br />
Regional dos Assuntos Sociais<br />
e o King's Fund H ealth Quality<br />
Service. No dia 4 de Março de<br />
2002, a Secretaria Regional dos<br />
Assuntos Sociais assinou um protocolo<br />
de colaboração com o Instituto da<br />
Qualidade em Saúde, que assegura,<br />
por parte da última instituição, o<br />
apoio técnico às instituições regionais<br />
de saúde, bem como o reforço das<br />
valências humanas e da formação<br />
contínua dos profissionais.<br />
No dia 25 de Março, foi celebrado<br />
um protocolo de colaboração entre<br />
o Centro <strong>Hospitalar</strong> do Funchal, o<br />
King's Fund Health Quality Service e<br />
o Instituto da Qualidade em Saúde,<br />
tendo em vista a implementação de<br />
programas de melhoria continuada da<br />
qualidade.<br />
A par deste projecto, a criação<br />
de uma rede de informação de<br />
saúde pública n o Serviço Regional<br />
de Saúde e a criação dos grupos<br />
de qualidade, com actuação especifica<br />
em diferentes áreas, irá traduzir, com<br />
certeza, resultados mais eficazes e<br />
positivos em todas as componentes<br />
deste sector.<br />
Quanto aos cuidados primários, a<br />
implementação do programa<br />
MoniQuor está em fase adiantada<br />
em muitos centros de saúde da<br />
região, nomeadamente os con celhios.<br />
Trata,se de uma programa que está<br />
a permitir a implementação duma<br />
avaliação permanente da qualidade<br />
organizacional e, consequentemente,<br />
traduzir,se,á na introdução de<br />
respostas mais adequadas e correctoras,<br />
fundamentais ao bom desempenho da<br />
sua missão.<br />
Responder aos desafios<br />
Esta opção pela qualidade é, sem<br />
dúvida, o percurso a seguir, se<br />
queremos satisfazer a população, se<br />
desejamos incentivar os profissionais<br />
e se queremos construir um S istema<br />
Regional de Saúde mais adaptado às<br />
necessidades actuais e futuras, mais<br />
capacitado em relação aos novos<br />
desafios e mais adequado às aspirações<br />
dos que nele estão envolvidos.<br />
A política da saúde, porque está<br />
directamente ligada à pessoa humana e<br />
ao seu bem,estar, não pode funcionar<br />
separada de uma política da qualidade.<br />
Na pratica, a junção destas duas<br />
vertentes, determina a aposta num<br />
sistema de qualidade, onde o<br />
planeamento das actividades, baseado<br />
na definição de metas especificas<br />
A política da saúde,<br />
porque está<br />
directamente ligada à<br />
pessoa humana e ao<br />
seu bem-estar, não<br />
pode funcionar<br />
separada de uma<br />
política da qualidade.<br />
e de objectivos concretos, permita<br />
uma avaliação contínua e permanente<br />
dos profissionais e serviços e da<br />
sua eficiência quer n o desempenho<br />
pessoal, quer do uso adequado dos<br />
meios postos à sua disposição.<br />
Queremos construir uma cultura da<br />
qualidade nas diversas instituições<br />
regionais afectas à saúde, de modo a<br />
que sejam elas próprias a defender,<br />
depois, este novo conceito, o que se<br />
traduzirá num avanço significativo n ão<br />
só na prestação dos cuidados, mas<br />
também nas atitudes e procedimentos<br />
inerentes a esta área, que se querem<br />
cada vez mais qualificados, inovadores<br />
e humanizados.<br />
Qualidade Organizacional<br />
no Hospital Pedro Hispano<br />
O<br />
Hospital Pedro Hispano foi um<br />
dos sete hospitais que integrou o<br />
primeiro grupo que aderiu à aplicação<br />
do Programa de Qualidade<br />
Organizacional do King's Fund Health<br />
Quality Service (KFHQS), na<br />
sequência do protocolo estabelecido<br />
entre o Instituto da Qualidade em<br />
Saúde (IQS) e aquela instituição<br />
britânica, formalizado em 1999.<br />
Dando início à aplicação do Programa<br />
em Maio de 2000, com o apoio<br />
financeiro do Saúde XXI, o nosso<br />
hospital viria a ser auditado em<br />
Outubro e N ovembro de 2001, ou seja,<br />
exactamente dezoito meses depois.<br />
Foram dezoito meses de trabalho<br />
intenso em que o grupo dinamizador,<br />
de que fui coordenador, viveu<br />
momentos de grande entusiasmo, mas<br />
em que também atravessou períodos<br />
de muita insegurança e, porque não<br />
dizê,lo, de algum desencanto.<br />
Entusiasmo pelo que pôde verificar da<br />
realidade que era o nosso hospital e das<br />
oportunidades de melhoria que se lhe<br />
apresentavam - que, afinal, pareciam<br />
de implementação tão fácil.<br />
De insegurança, pela percepção que ia<br />
tendo da falta de entendimento, por<br />
muitos dos seus pares, sobre o que<br />
caracteriza a qualidade em saúde. E,<br />
consequentemente, do real significado<br />
de melhoria contínua de qualidade.<br />
De desencanto por constatar, não<br />
raras vezes, que algumas das chefias<br />
intermédias e outros responsáveis<br />
da instituição, nem sempre<br />
demonstravam grande<br />
empenhamento.<br />
Sendo que, por vezes, revelavam do<br />
programa um conceito descentrado<br />
dos seus objectivos fundamentais:<br />
- desencadear um movimento<br />
de mudança real de comportamentos<br />
das pessoas.<br />
A auditoria final por pares (KFHQS),<br />
resultou na obtenção da acreditação do<br />
nosso hospital.<br />
Foi para nós motivo de grande orgulho<br />
sermos o primeiro hospital, fora do<br />
Reino Unido, a obter a acreditação<br />
logo na primeira auditoria.<br />
Não pensamos, no entanto, termos<br />
chegado ao fim do nosso trabalho.<br />
Consideramos, isso sim, que este foi o<br />
Nuno Morujão, presidente do<br />
Conselho de Administração do<br />
Hospital Pedro Hispano, S.A.<br />
fim do princípio de um caminho que<br />
nunca mais poderá ser interrompido.<br />
Gostava de poder revelar os resultados<br />
da nossa primeira auto avaliação para,<br />
a partir dela e de algumas das reflexões<br />
que exprimi, poder dizer,vos alguma<br />
coisa sobre o impacte real da aplicação<br />
do programa no HPH.<br />
Resultados globais<br />
da auto-avaliação inicial<br />
Novembro de 2000<br />
D Sim 50,76<br />
D Parcial 27,85<br />
• Não 21,39<br />
Resultados da auto-avaliação<br />
inicial para os critérios<br />
de evidência observada<br />
Novembro de 2000<br />
O Sim 61,6<br />
O Parcial 21,1<br />
• Não 17,3<br />
Resultados da auto-avaliação<br />
inicial para os critérios de evidência<br />
documentada<br />
Novembro de 2000<br />
D Sim 26,1<br />
D Parcial 22,1<br />
• Não 51,8<br />
Foi a partir da identificação dos<br />
critérios de não conformidade ou<br />
conformidade parcial, relativos a cada<br />
uma das normas, distribuídos pelas<br />
diversas secções, que concluímos sobre<br />
as áreas de oportunidade de melhoria.<br />
Tom ar,se,ia fastidioso apresentar os<br />
resultados da nossa auto avaliação,<br />
norma por norma ou secção por<br />
secção.<br />
Será interessante, porém, revelar as<br />
principais áreas em que foi necessário<br />
intervir por delas resultar uma ideia<br />
relativamente clara do trabalho<br />
desenvolvido.<br />
Assim, no que se refere à gestão<br />
institucional, deve destacar,se:<br />
- a divulgação de documento de<br />
orientação estratégica da Un idade<br />
Local de Saúde de Matosinhos (ULS);<br />
- a elaboração do estatuto e<br />
regulamento da Unidade de<br />
Formação da ULS;<br />
- a instalação do Serviço de Saúde<br />
Ocupacional;<br />
- a definição da política de gestão<br />
de risco da ULS e, bem assim, da<br />
estrutura em que assenta a gestão<br />
de risco passando, nomeadamente,<br />
pela nomeação dos gestores de risco<br />
Geral e clínico e dos interlocutores<br />
para a gestão de risco nos diversos<br />
departamentos e serviços;<br />
- a elaboração e implementação<br />
do plano de emergência do HPH<br />
para catástrofes.<br />
No que toca à gestão de recursos, devo<br />
citar:<br />
- a elaboração de documento, tipo<br />
para elaboração do plano de .,...<br />
GESTÃO HOSPITALAR H]
DOSSIÊ<br />
actividades dos serviços a apresentar<br />
ao Conselho de Administração;<br />
- a elaboração de um manual de<br />
integração geral para a ULS e<br />
para cada serviço em particular,<br />
abrangendo todos os grupos<br />
profissionais;<br />
- a elaboração e implementação de um<br />
plano de formação contínua, no qual<br />
se incluem as acções de frequência<br />
obrigatória para os diversos grupos<br />
profissionais (assim, por exemplo, foi<br />
feita formação em Suporte Básico<br />
de Vida a todos os médicos e<br />
enfermeiros, de Suporte Avançado<br />
de Vida a um conjunto de médicos<br />
e enfermeiros com vista à sua<br />
integração nas equipas de<br />
emergência interna do HPH -<br />
totalizando mais de 800 profissionais<br />
- e de combate a incêndio a cerca<br />
de 1.200 profissionais).<br />
A secção de direitos e necessidades<br />
dos doentes determinou intervenção<br />
nos seguintes aspectos:<br />
- definição da política da instituição<br />
quanto aos procedimentos<br />
que exigem consentimento<br />
informado escrito;<br />
- definição de uma política da<br />
instituição de cuidados a doentes<br />
terminais;<br />
- directrizes sobre decisão de não<br />
reanimar e situações de alerta;<br />
- política da instituição sobre<br />
informação aos doentes e seus<br />
familiares, bem como a outras<br />
entidades (media, entidades<br />
judiciais e outros).<br />
No que se refere ao percurso do<br />
O objectivo tem<br />
que ser: fazer<br />
sempre bem<br />
e à primeira<br />
e estar sempre<br />
atento a tudo<br />
o que afecta<br />
a qualidade<br />
do serviço que<br />
prestamos.<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
doente, promovemos a compilação<br />
num único documento das directrizes<br />
sobre referenciação, acesso, admissão<br />
e saída/alta dos doentes, já existentes.<br />
Todas as secções que temos vindo<br />
a citar incluem normas de aplicação<br />
horizontal que, por esse motivo,<br />
foram trabalhadas por grupos<br />
multiprofi.ssionais, provenientes<br />
de diversos serviços, nomeados<br />
para o efeito.<br />
Muitas outras intervenções tiveram<br />
lugar, dando resposta a normas<br />
específicas dos serviços, as quais<br />
estiveram dependentes dos profissionais<br />
específicos de cada serviço.<br />
Só a título de exemplo, poderei citar:<br />
- definição de políticas e<br />
procedimentos em matérias de<br />
segurança (por exemplo, segurança<br />
contra rapto de crianças, evacuação<br />
de doentes, etc.);<br />
- definição de políticas e<br />
procedimentos sobre marcação,<br />
encaminhamento, adiamento e<br />
antecipação de consultas e exames<br />
em regime ambulatório;<br />
- produção de informação específica<br />
para os doentes, com vista à<br />
preparação para exames;<br />
- auditorias clínicas diversas.<br />
Muitos outros aspectos organizacionais<br />
importantes não são citados porque já<br />
existia conformidade com os critérios<br />
do programa.<br />
Como facilmente se percebe, foram<br />
visíveis melhorias que poderemos<br />
resumir em quatro pontos:<br />
- melhoria dos cuidados assistenciais;<br />
- segurança para os utentes e<br />
profissionais;<br />
- efectividade ao melhor custo;<br />
- responsabilidade médico, legal.<br />
Mas o verdadeiro impacte da aplicação<br />
do programa são as modificações de<br />
comportamentos que induziu,<br />
que ainda hoje não abrangem a<br />
totalidade dos profissionais. Mas que<br />
vai funcionando como a gota de tinta<br />
que caiu na folha "mata,borrão":<br />
1. A consciencialização de que a<br />
qualidade não é um "adereço,, e está<br />
implícita em tudo o que fazemos.<br />
2. A consciencialização de que em<br />
saúde a qualidade não pode ser<br />
confundida com a qualidade na<br />
indústria. Nesta, a produção e<br />
o consumo do produto não são<br />
simultâneas, o que permite "verificar"<br />
a conformidade do produto com as<br />
características de qualidade que se<br />
lhe exigem, antes que o consumidor<br />
( ••• ) o trabalho,<br />
nomeadamente<br />
em saúde, é realizado<br />
através de processos,<br />
o que significa que<br />
cada profissional<br />
é simultaneamente<br />
cliente, processador e<br />
fornecedor de serviços.<br />
o adquira. Na saúde, a produção e<br />
consumo do serviço são simultâneos<br />
e o doente faz parte do processo<br />
de produção do serviço ... Por isso<br />
mesmo, em saúde, só podemos falar<br />
de melhoria contínua de qualidade.<br />
O objectivo tem que ser: fazer sempre<br />
bem e à primeira e estar sempre atento<br />
a tudo o que afecta a qualidade do<br />
serviço que prestamos.<br />
3. A consciencialização de que o<br />
trabalho, nomeadamente em saúde,<br />
é realizado através de processos, o<br />
que significa que cada profissional é<br />
simultaneamente cliente, processador<br />
e fornecedor de serviços. Cada<br />
profissional é, portanto, um elo duma<br />
cadeia em que todo o trabalho tem<br />
que estar perfeitamente organizado,<br />
sob pena de ver comprometido,<br />
irremediavelmente, para cada doente<br />
em concreto, o resultado final.<br />
4. A consciencialização de que<br />
o que caracteriza o trabalho no<br />
hospital é a multidisciplinaridade;<br />
a interdependência dos profissionais,<br />
a existência de procedimentos<br />
frequentes, de rotina realizados por<br />
muitas pessoas diferentes, a existência<br />
de procedimentos imprevistos (alguns<br />
raros) e a existência de procedimentos<br />
realizados em situações de grande<br />
stresse. Daqui resulta a consequente<br />
consciencialização da importância da<br />
especificação (definição de políticas,<br />
procedimentos e protocolos) e<br />
da realização de auditorias.<br />
5. A consciencialização da importância<br />
do envolvimento<br />
e responsabilização das chefias.<br />
Compete,lhes dirigir pessoas<br />
e a forma mais eficaz de conseguir<br />
melhorias de produtividade com<br />
qualidade é motivar essas pessoas. Para<br />
isso é preciso liderar pelo exemplo e<br />
adoptar um modelo<br />
de gestão participativa.<br />
Liderar pelo exemplo porque<br />
sem a existência de referências<br />
de empenhamento no trabalho e de<br />
crença nos objectivos, nos resultados<br />
a atingir, aqueles que connosco<br />
colaboram dificilmente se sentirão<br />
motivados.<br />
Modelo de gestão participativa, porque<br />
sem o envolvimento de todos os<br />
profissionais na produção de<br />
inteligência colectiva também será<br />
difícil conseguir a sua motivação.<br />
É indispensável a existência de<br />
mecanismos que nos diversos<br />
departamentos ou serviços, permitam<br />
a partilha de ideias entre todos<br />
os profissionais sobre a forma como<br />
se organiza o trabalho, o modo<br />
de desempenho das tarefas e os<br />
resultados obtidos - é aqui que reside a<br />
inteligência colectiva!.<br />
6. A consciencialização de que a<br />
prestação global de cuidados de<br />
qualidade exige a integração dos<br />
cuidados primários e cuidados<br />
diferenciados através de uma<br />
estrutura de administração comum.<br />
De facto, diversas políticas já foram<br />
definidas e a sua aplicação iniciada,<br />
num contexto de Unidade Local de<br />
Saúde, ou seja, de uma estrutura<br />
de prestação de cuidados primários e<br />
diferenciados com uma administração<br />
comum.<br />
Citarei alguns exemplos:<br />
gestão de risco, cuidados continuados,<br />
referenciação e acesso, admissão<br />
e saída/alta, formação contínua e<br />
procedimentos em serviços de apoio de<br />
utilização comum.<br />
É evidente que o centro de todo<br />
o sistema de saúde são os cuidados<br />
primários. O seu bom funcionamento é<br />
condição necessária para uma prestação<br />
global e integrada de cuidados<br />
assistenciais de qualidade.<br />
Eis porque o Conselho de<br />
Administração a que presido considera<br />
como objectivo prioritário passarmos<br />
agora à implementação do programa de<br />
qualidade organizacional do KFHQS<br />
nos centros de saúde.<br />
Esta será uma oportunidade ímpar<br />
de potenciar as melhorias já obtidas e<br />
complementá,las com diversas outras,<br />
por forma a garantir um programa<br />
de melhoria continua de qualidade<br />
organizacional na prestação global<br />
e integrada de cuidados de saúde.<br />
Fernando Marques<br />
"Depois deste processo<br />
nada será como dantes''<br />
A<br />
PAH - Porquê e como nasceu<br />
esta preocupação com a<br />
qqualidade e porquê a opção pela<br />
acreditação do Hospital?<br />
Fernando Marques - A qualidade é<br />
um conceito de tal forma abrangente<br />
e global que tem a ver com tudo<br />
e com todos. Se a preocupação de<br />
uma organização, qualquer que ela<br />
sej a, passar pela vertente da eficiência,<br />
se pensarmos em racion alização de<br />
custos, no aumento do grau de<br />
satisfação dos profissionais e dos<br />
doentes/cidadãos, em melhorar o<br />
n ível de acessibilidade aos serviços<br />
de saúde, então o conceito de<br />
qualidade tem de estar presente.<br />
N o fundo, aos objectivos estratégicos<br />
das unidades de saúde deverá estar<br />
sempre associada uma componen te<br />
de qualidade interiorizada de forma<br />
crescente pelos seus trabalhadores.<br />
A opção pela acreditação tem a ver<br />
com a abrangência do processo e<br />
a amplitude dos seus efeitos para o<br />
Hospital no seu conjunto.<br />
APAH - Será possível apresentar<br />
três exemplos de áreas de impacto do<br />
programa de acreditação no hospital?<br />
Estas áreas de impacte dizem respeito<br />
a que dimensão da qualidade dos<br />
cuidados de saúde ?<br />
FM - O processo de acreditação de<br />
qualquer unidade hospitalar constitui<br />
um período único de reflexão de<br />
todos os seus sectores de acti vidade<br />
Fernando<br />
Marques,<br />
presidente do<br />
Conselho de<br />
Administração<br />
do Hospital de<br />
Santa Luzia,<br />
Viana do Castelo.<br />
relativamente às suas práticas, aos seus<br />
métodos de trabalho, à sua ligação<br />
com os objectivos gerais e específicos<br />
da unidade, interferindo naturalmente<br />
com os recursos humanos, com os<br />
meios organizacionais, instalações,<br />
equipamentos, etc. Pode dizer,se, sem<br />
margem para dúvidas, que após este<br />
processo nada será como dantes,<br />
particularmente na vertente<br />
organ izacional onde se ganhará uma<br />
consciência mais n ítida do que é<br />
essencial conseguir, preservar e<br />
melhorar.<br />
APAH - Atendendo ao novo regime<br />
jurídico dos hospitais com natureza<br />
empresarial, como vê o futuro da<br />
acreditação?<br />
FM - Vejo,o, naturalmente, como<br />
um precioso aliado para que se<br />
consiga alcançar desta experiência de<br />
empresarialização dos hospitais todos<br />
os objectivos subjacentes: reduzir<br />
o elevado grau de ineficiência do<br />
actual sistema, melhorar a sua<br />
performance, motivar e responsabilizar<br />
os profissionais e, finalmente,<br />
aumentar os níveis de satisfação da<br />
população utente.<br />
APAH - Muito rapidamente,<br />
identifique as cinco maiores vantagens<br />
do processo de acreditação no<br />
hospital.<br />
FM - O processo de acreditação leva<br />
a instituição a um mais profundo ..,.<br />
GESTÃO HOSPITALAR m
A.<br />
DOSSIE<br />
conhecimento dos seus<br />
pontos fracos (ou menos<br />
fortes) obrigando a intervir<br />
sobre eles; permite-nos<br />
avaliar a qualidade do que<br />
fazemos e a segurança com<br />
que o fazemos; controla<br />
custos a partir do momento<br />
em que se reduzam as<br />
ineficiências; é fonte de<br />
motivação dos profissionais<br />
e galvanização do conjunto<br />
organizacional; aumenta o<br />
reconhecimento e a<br />
confiança dos cidadãos nos<br />
serviços prestados.<br />
APAH - Identifique<br />
também as cinco maiores<br />
dificuldades no<br />
desenvolvimento do<br />
processo de acreditação no<br />
hospital.<br />
FM - O principal inimigo deste<br />
processo é a cultura do imobilismo<br />
instalada na Administração Pública<br />
e que não é, de modo algum,<br />
incentivador de um verdadeiro clima<br />
de mudança; por outro lado, a<br />
ausência de incentivos, claros e<br />
objectivos, aos profissionais não ajuda<br />
ao incremento da criatividade e<br />
O principal<br />
• • •<br />
inimigo<br />
deste processo<br />
é a cultura<br />
do imobilismo<br />
instalada na<br />
Administração<br />
Pública<br />
- ,,<br />
e que nao e,<br />
de modo algum,<br />
incentivador<br />
de um<br />
verdadeiro<br />
clima de<br />
mudança.<br />
rn GESTÃO HOSPITALAR<br />
Hospital de Santa Luzia - Viana do Castelo.<br />
do esforço individual e colectivo<br />
continuando todos a assistir a uma<br />
arrastada evolução do sector da<br />
saúde baseada nas boas vontades de<br />
alguns. Sendo um processo muito<br />
trabalhoso torna-se, por vezes, de<br />
difícil conciliação com as tarefas que<br />
os profissionais já têm a seu cargo no<br />
dia-a-dia.<br />
APAH - Considera que estes<br />
programas devem ser estimulados e<br />
premiados ou, antes, possuir natureza<br />
obrigatória? Na hipótese de entender<br />
deverem ser voluntários, que tipo de<br />
estímulos considera mais adequados?<br />
FM - Os programas de melhoria<br />
da qualidade deveriam constituir<br />
instrumentos permanentes de<br />
trabalho n as organizações de saúde<br />
não como um fim em si mesmo<br />
mas como suporte da prestação<br />
de serviços de qualidade crescente.<br />
O que deverá ser estimulado<br />
e premiado é essa prestação de<br />
serviços (assistenciais e outros) com<br />
critérios não apenas quantitativos<br />
mas com o factor qualidade<br />
incorporado de forma a que,<br />
por via indirecta, as organizações<br />
sintam, elas próprias, a necessidade<br />
e conveniência de apostar na<br />
qualidade.<br />
APAH - Entende que a acreditação<br />
deve ser um processo exclusivo do<br />
sector público ou, antes, que deve<br />
ser alargada ao sector privado da<br />
prestação dos cuidados?<br />
FM - A procura da prestação de<br />
cuidados de saúde de qualidade<br />
crescente é uma exigência do cidadão<br />
e, por conseguinte, deverá ser uma<br />
preocupação de toda e qualquer<br />
entidade prestadora de serviços, desta<br />
ou de outra natureza.<br />
APAH - Como relaciona a<br />
acreditação com a avaliação do<br />
desempenho dos profissionais?<br />
FM - Pelo simples facto de, em<br />
qualquer processo de acreditação, se<br />
ter de estudar o que se faz, como se<br />
faz, como se avalia, agindo sobre o que<br />
se faz, permite-nos, muito mais fácil e<br />
objectivamente, criar mecanismos de<br />
avaliação do desempenho individual<br />
e de grupo de forma a premiar<br />
os profissionais cujo trabalho e<br />
criatividade o justifique incentivando<br />
todos a fazer cada vez melhor.<br />
APAH - Se o sistema de acreditação<br />
possuir um sistema de pontuação,<br />
é possível obter um ranking dos<br />
hospitais participantes. Qual é a sua<br />
opinião acerca de uma listagem desta<br />
natureza?<br />
FM - Apesar de não ver nisso<br />
qualquer utilidade prática também<br />
não vejo inconveniente desde que os<br />
critérios sejam, tanto quanto possível,<br />
objectivos e conhecidos de todos,<br />
hospitais e opinião pública em geral.<br />
Hospital Amadora/Sintra<br />
Apenas um troféu<br />
sobre a lareira?<br />
O Programa Nacional de<br />
Acreditação dos Hospitais<br />
constituí um amplo projecto<br />
iniciado em 2000 pelo<br />
Ministério da Saúde ,<br />
através do Instituto da<br />
Qualidade em Saúde<br />
(IQS) e integrado numa<br />
das Medidas do Programa<br />
Operacional da Saúde -<br />
III Quadro Comunitário de<br />
Apoio - 2000/2006.<br />
O<br />
Programa integra, neste momento<br />
e tanto quanto sabemos, mais de<br />
20 hospitais, em diversos níveis de<br />
cumprimento do processo que leva à<br />
atribuição (ou não) da Acreditação<br />
definitiva pelo King's Fund H ealth<br />
Quality Service (e definitiva não<br />
significa, neste caso, para sempre, antes<br />
significando que é válida pelo período<br />
de três anos, após o qual se verificará<br />
uma reacreditação).<br />
Do pelotão dos primeiros hospitais<br />
a adoptar este projecto, o Fernando<br />
Fonseca foi o primeiro no país a<br />
obter a acreditação provisória (em 6<br />
de Novembro de 2001) e, também,<br />
o primeiro a receber a acreditação<br />
definitiva (em Março de 2002),<br />
devendo ser sujeito à visita de<br />
monitorização em Dezembro de 2002<br />
e à auditoria de reacreditação em<br />
Dezembro de <strong>2003</strong>.<br />
O esforço, empenho e entusiasmo<br />
necessários para desenvolver com<br />
sucesso um projecto pioneiro como este<br />
foram imensos. A satisfação de se ter<br />
alcançado a tão desejada acreditação,<br />
também.<br />
O processo<br />
Mas como foi a mudança sendo gerida<br />
(e assimilada) ao longo dos 24 meses<br />
de processo? Qual o segredo (se de<br />
segredo se trata) do sucesso de uma<br />
experiência inovadora desta dimensão e<br />
importância?<br />
Em primeiro lugar, motivação: através<br />
do profundo envolvimento dos<br />
Artur Morais Vaz e Maria João Amaral,<br />
respectivamente membro do Conselho<br />
de Administração e administradora do<br />
Hospital Amadora/Sintra.<br />
colaboradores da instituição, os quais<br />
demonstraram ao longo de todo o<br />
processo a vontade, unidade e sabedoria<br />
necessárias à condução desta tarefa a<br />
bom porto.<br />
Em segundo lugar, liderança: a<br />
metodologia adaptada foi vital para<br />
cumprir os objectivos determinados<br />
e determinantes ao sucesso do<br />
processo. A estrutura " em cascata "<br />
dentro da organização, permitiu que<br />
os cerca de 2000 colaboradores de 60<br />
serviços dessem o seu contributo e se<br />
empenhassem na implementação das<br />
mudanças necessárias.<br />
Estes colaboradores, de todos os grupos<br />
profissionais, organizaram-se em 260<br />
grupos de trabalho, com o objectivo<br />
de enfrentarem e gerirem um processo<br />
organizacional que conta com 53<br />
normas de qualidade e 11 24 critérios a<br />
cumpnr.<br />
O profundo e ((ciclópico" ( rnmbém<br />
O esforço, empenho<br />
e entusiasmo<br />
necessários para<br />
desenvolver com<br />
sucesso um projecto<br />
pioneiro como este<br />
foram imensos.<br />
porque temporalmente, o período de<br />
implementação escolhido foi muito<br />
limitado) trabalho desenvolvido por<br />
estes profissionais, cujas restantes<br />
funções e responsabilidades não foram<br />
em nenhum momento descuradas ou<br />
aligeiradas, só se revelou eficaz pela<br />
capacidade de liderança revelada em<br />
cada um dos grupos constituídos e em<br />
cada etapa cumprida.<br />
Mas liderança quis também sign ificar,<br />
desde o início do processo, um profundo<br />
e directo envolvimento do Conselho de<br />
Administração, bem como a selecção<br />
de gestores do projecto com iniciativa,<br />
coragem e capacidade técnica de<br />
intervenção.<br />
Em terceiro e último lugar, informação.<br />
Qualquer processo tem como base<br />
prioritária e fundamental um bom<br />
sistema de informação. Esta verdade<br />
apodítica toma-se ainda mais óbvia<br />
quando estamos perante um processo e<br />
uma organização de grandes dimensões.<br />
A novidade não foi então tanto a<br />
metodologia, mas sim o conteúdo do<br />
processo em questão.<br />
A fim de dotar os profissionais<br />
envolvidos das bases necessárias à<br />
familiarização com o processo, foram<br />
organ izadas e ministradas cerca de<br />
30.000 horas de formação, as quais<br />
se revelaram um precioso suporte<br />
de transferência de conhecimen tos e<br />
informação.<br />
Os resultados não se fizeram esperar: a<br />
elaboração de 4 20 dossiês de qualidade<br />
e 220 políticas e procedimen tos de<br />
âmbito geral, são h oje a base<br />
documental do processo vivido.<br />
Juntando os ingredientes referidos, nas<br />
doses aconselhadas, foi iniciado o Ciclo<br />
de Acreditação: avaliação inicial, plano<br />
de acção, implementação, auditoria<br />
interna, relatório, padrões cumpridos e<br />
finalmente a tão almejada acreditação!<br />
Mas a mudança só agora começou: o<br />
caminho da qualidade é contínuo e<br />
dinâmico e para que a acreditação não<br />
seja apenas um momento na vida do<br />
hospital, é necessário que este adquira a<br />
lógica da qualidade e a integre nos<br />
seus "produtos" como um atributo<br />
original e essencial. Não se trata<br />
de fechar alguns "iluminados" numa<br />
sala, produzindo resmas de ::i.ormas<br />
e procedimentos. Trata-se antes de<br />
verdadeiro pensamento estratégico<br />
(e, para isso, é essencial que o<br />
hospital e os seus serviços tenham<br />
missões e objectivos bem estruturados<br />
e adquiridos por todos os seus .,...<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
DOSSIÊ<br />
colaboradores) que leva e determina<br />
a acção. Todavia, esse caminho é,<br />
em todos os sen tidos, Cmico e<br />
irrepetível. Ele resulta do património<br />
organizacional, cultural e histórico de<br />
cada organização e passa a integrar<br />
esse mesmo património. N ão há<br />
receitas de sucesso aplicáveis sem esta<br />
contextualização.<br />
E agora?<br />
Mas, é a acreditação apenas mais um<br />
troféu para colocar sobre a lareira do<br />
nosso contentamento?<br />
Essa é, talvez, a questão mais candente e<br />
a que necessita de resposta mais urgente<br />
neste momento.<br />
Q ue não restem dúvidas de que<br />
o processo de acreditação - com<br />
a mudança de mentalidades e<br />
organizacional que envolve , constitui,<br />
por si só e independentemente do<br />
resultado final, um excelente exercício<br />
de pensamento estratégico e<br />
operacional sobre o hospital e um<br />
exercício de desenvolvimento e<br />
crescimen to individual e institucional<br />
sem paralelo. E essa é apenas uma das<br />
vantagens que este processo apresenta<br />
sobre outros menos estruturados, mais<br />
voluntaristas ou desarticulados.<br />
Q ue não restem dúvidas de que<br />
qualquer hospital que passe pelo<br />
processo de acreditação ganha, para<br />
além de uma experiência institucional<br />
inolvidável, uma capacidade redobrada<br />
para fazer face aos mais actuais desafios<br />
ao nível da sua gestão, organização e<br />
operação.<br />
Mas, para além dos evidentes benefícios<br />
de percorrer o caminho, o que espera<br />
os hospitais que atinjam o seu objectivo<br />
(e os que o não atinjam)? Como é<br />
Hospital Amadora Sintra<br />
.... __ __.....<br />
' .<br />
:~t;;.L~:;~:.t 7 X~~c·<br />
( ••• ) o processo de acreditação - com a<br />
mudança de mentalidades e organizacional<br />
que envolve - constitui, um excelente<br />
exercício de pensamento estratégico e<br />
operacional sobre o hospital e um<br />
exercício de desenvolvimento e crescimento<br />
individual e institucional sem paralelo.<br />
sabido, há países em que a acreditação<br />
é condição prévia para a<br />
contratualização dos serviços dos<br />
hospitais com os diversos financiadores<br />
(sejam seguradoras, subsistemas ou<br />
o próprio estado).<br />
Ou seja, a acreditação é um elemento<br />
essencial do sucesso e sobrevivência dos<br />
hospitais.<br />
Seria suposto que, num país como<br />
Portugal, em que tal não acon tece<br />
(•• •) a mudança só agora começou: o<br />
caminho da qualidade é contínuo e dinâmico<br />
e para que a acreditação não seja<br />
apenas um momento na vida do hospital,<br />
é necessário que este adquira a lógica da<br />
qualidade e a integre nos seus "produtos"<br />
como um atributo original e essencial.<br />
rn GESTÃO HOSPITALAR<br />
(e bem, pelo menos nesta fase de<br />
desenvolvimento do processo) houvesse<br />
uma qualquer outra recompensa para<br />
os hospitais que lograssem obter a<br />
acreditação, um prémio à sua<br />
reconhecida e certificada qualidade<br />
organizacional. Afinal, qual é a<br />
diferença entre os hospitais acreditados<br />
e os não acreditados? Tirando o nível de<br />
amor,próprio institucional, não existirá<br />
nenhuma diferença para os hospitais. Já<br />
para os que os utilizam, essa diferença<br />
poderá ser preciosa.<br />
U m processo exigente de acreditação<br />
de serviços de saúde inscreve,se,<br />
obrigatoriamente, num caminho de<br />
sofisticação crescente da sociedade (que<br />
exige e acredita na acreditação) e do<br />
sector da saúde (que se compromete<br />
com a acreditação e com a melhoria<br />
contínua da qualidade). Nesse sentido,<br />
trata,se de um projecto com um<br />
impacte diversificado e abrangendo<br />
todas as fases de planeamento,<br />
programação, construção, gestão e<br />
exploração dos serviços de saúde,<br />
públicos ou privados, lucrativos ou não,<br />
lucrativos, independentemen te do seu<br />
grau de diferenciação técnica ou da<br />
diversidade da sua carteira de serviços.<br />
É um processo trans,nacional e trans,<br />
sectorial. Se o não for, perderá a sua<br />
força transformadora.<br />
Como poderá, então, reconhecer,se e<br />
estimular,se a acreditação dos serviços<br />
de saúde em geral e dos hospitais em<br />
particular?<br />
Num país em que a inveja contin ua<br />
a ser, infe lizmente, a força motriz<br />
dominante e em que o princípio da<br />
igualdade tem sido instrumentalizado<br />
para servir os interesses dos menos<br />
eficientes ou dos mais relapsos, criar<br />
a diferença, reconhecer o mérito ou<br />
premiar a qualidade não é coisa<br />
fácil e pode, inclusivamente, constituir<br />
um risco adicional para os que já<br />
assumiram o risco do processo de<br />
acreditação.<br />
Mas não assumir esse risco, temer<br />
fazer a diferença, recusar reconhecer o<br />
mérito, demonstrar indiferença peran te<br />
a qualidade é claudicar perante o<br />
inimigo de sempre. Os profissionais<br />
e as instituições que enfrentaram<br />
o processo de acreditação precisam<br />
de reconhecimento social e político,<br />
O administrador hospitalar e o papel de "Surveyor"<br />
Um passo atrás para ver melhor<br />
U<br />
m programa de garantia de<br />
qualidade, como o que está em<br />
curso em Portugal, numa parceria en tre<br />
o IQS (Instituto da Qualidade em<br />
Saúde) e o HQS (Health Quality<br />
Service), assenta numa estrutura de<br />
normas e critérios, nacional e<br />
internacionalmente reconhecidos e<br />
validados, que possibilitam às<br />
organizações de saúde auto,avaliar,se<br />
criticamente, incentivando as boas<br />
práticas e definindo uma agenda<br />
permanente para o desenvolvimento e<br />
a melhoria contínua dos serviços.<br />
A auditoria (survey ) levada a cabo por<br />
uma equipa de auditores independentes,<br />
eles próprios profissionais de saúde que<br />
enfrentam nas suas organizações os<br />
mesmos problemas e dificuldades que as<br />
organizações auditadas, é um momento<br />
crítico do processo de acreditação. É o<br />
momento em que toda a equipa (steering<br />
ANTARES<br />
consulting<br />
group ) que conduziu o processo e todos<br />
os profissionais de uma organ ização de<br />
saúde sentem que o seu trabalho vai<br />
ser submetido a uma avaliação e, nessa<br />
medida, eles próprios irão ser avaliados.<br />
Não significa isto que a auditoria seja<br />
a fase mais importante do processo.<br />
Se pensarmos em todo o trabalho<br />
produzido antes e depois do relatório de<br />
feed,back, no envolvimento de centenas<br />
ou milhares de pessoas (dependendo da<br />
dimensão do hospital), facilmente se<br />
compreende que a auditoria é apenas<br />
um momento. Mas é o momento<br />
de maior intensidade dramática, tanto<br />
mais intensa quanto é reconhecida<br />
a nossa natural resistência (quase<br />
aversão) a uma cultura de avaliação.<br />
O papel do auditor<br />
O papel do auditor é o de avaliar o<br />
grau de cumprimento das normas e<br />
-<br />
Q ,,,,<br />
·-<br />
-,,~<br />
naturalmente. Mas precisam, também e<br />
sobretudo, de um claro sinal objectivo<br />
da sociedade civil portuguesa e das<br />
entidades políticas responsáveis pela<br />
Saúde.<br />
Propositadamente, não se avança<br />
nenh uma olução. Aliás, nesta fase<br />
do Programa, seria prematuro fazê, lo.<br />
Todavia, um processo de acreditação<br />
sem consequências , para os que são<br />
acreditados mas, também, para os que<br />
o não são , é o pior serviço que se<br />
pode prestar à qualidade. É tornar a<br />
acreditação num mero troféu sobre a<br />
lareira.<br />
Carlos Manuel Gregório dos Santos,<br />
administrador hospitalar - Instituto<br />
Português de Oncologia Centro<br />
Regional de Oncologia de Coimbra S.A.<br />
dos critérios por parte da organ ização<br />
e proporcionar, lhe um feed,back<br />
susceptível de permitir o<br />
desenvolvimento organizacional. ~<br />
A Antares Consulting é uma empresa do Grupo IPG, co-participada pela ANTARES Espanha e especializada na<br />
prestação de Serviços de Consultoria para o Sector da Saúde, em particular para os seguintes segmentos: Hospitais<br />
e Outras Entidades Prestadores de Serviços Saúde (cuidados continuados), Companhias Seguros de Saúde,<br />
Indústria Farmacêutica, Biotecnologia e Investidores Privados no sector da Saúde.<br />
A Antares desenvolve a sua actividade nas áreas Tecnologias e Sistema de Informação, Estratégia e Organização e<br />
Recursos Humanos e Formação, oferecendo os seguintes serviços:<br />
A Antares Consulting é uma companhia internacional, com sede em Madrid e escritórios em Barcelona e Lisboa. Tem vindo<br />
a trabalhar com 90 clientes em 9 países distintos: Andorra, Bélgica, Bulgária, Espanha, França, Itália, México, Portugal<br />
e Suiça.<br />
Largo das Palmei ras, nº 9 1050-1 68 Lisboa • Tel: 2135858 00 • Fax: 21 31605 05<br />
email: ssalvador@antares-consulting.com •site: www.antares-consulting.com<br />
GESTÃO HOSPITALAR ffi
,A.<br />
DOSSIE<br />
Exige-se do auditor a garantia de<br />
que todos os critérios sob a sua<br />
responsabilidade são avaliados e o seu<br />
grau de cumprimento é registado num<br />
relatório tipo.<br />
O grau de cumprimento dos critérios<br />
é avaliado por três formas distintas<br />
mas complementares:<br />
a)- revisão da documentação;<br />
b)- entrevista aos profissionais<br />
envolvidos e, em determinadas<br />
circunstâncias, aos doentes;<br />
c)- observação do ambiente e das<br />
práticas de trabalho.<br />
Após a avaliação do cumprimento dos<br />
critérios a equipa de auditores produz<br />
um relatório, primeiro verbal, depois<br />
escrito, sobre o que encontrou no<br />
hospital em matéria de cumprimento<br />
das normas. O relatório consiste<br />
basicamente em três grandes grupos:<br />
a)- elogio das práticas excelentes que<br />
tiverem sido observadas;<br />
b)- evidências para cada critério que<br />
não esteja a ser cumprido;<br />
c)- sugestões acerca do modo como<br />
a organização poderá continuar a<br />
desenvolver o seu trabalho por<br />
forma a garantir o cumprimento<br />
dos critérios.<br />
O auditor (surveyor) necessita de<br />
possuir um conjunto de qualidades que<br />
garantam o sucesso de uma auditoria.<br />
Tem que estar bem preparado em<br />
relação aos critérios que vai avaliar,<br />
em relação ao horário com que vai<br />
trabalhar, em relação aos documentos<br />
que necessita de examinar.<br />
Tem que ser preciso e ter objectivos<br />
claros para cada entrevista.<br />
Tem que ser pontual. O horário de uma<br />
auditoria é, regra geral, apertado.<br />
Tem que ser objectivo. Embora<br />
necessite de produzir juízos, estes devem<br />
basear-se em factos, suportados por<br />
evidências claras.<br />
Tem que ser diplomático por forma<br />
a tranquilizar os entrevistados,<br />
normalmente nervosos e ansiosos.<br />
Tem que ser flexível por forma a<br />
reconhecer e responder a uma variedade<br />
de comportamentos e situações.<br />
Tem que ser profissional. O auditor<br />
está num papel de representação<br />
institucional de uma organização de<br />
prestígio, no caso português o I QS,<br />
e o seu desempenho deve reflectir,<br />
com profissionalismo, esse papel<br />
institucional.<br />
O papel do auditor<br />
é o de avaliar o<br />
grau de cumprimento<br />
das normas e dos<br />
critérios por parte da<br />
. -<br />
organizaçao e<br />
proporcionar-lhe um<br />
f eed ... back susceptível<br />
de permitir o<br />
desenvolvimento<br />
organizacional.<br />
Para o desenvolvimento destas<br />
características e dos skills necessários<br />
ao controlo das situações que podem<br />
ocorrer durante uma entrevista de<br />
auditoria - o desenvolvimento e<br />
compreensão de uma linguagem não<br />
verbal, a capacidade de ouvir, a<br />
capacidade de síntese, o controlo do<br />
tempo - é fundamental a formação.<br />
Faço parte da bolsa de auditores do IQS<br />
desde Outubro de 2001 tendo, para o<br />
efeito, recebido formação intensiva em<br />
sala durante duas semanas (III Curso<br />
de Selecção e Treino de Auditores de<br />
Qualidade), ministrada por especialistas<br />
do HQS.<br />
Sendo indispensável a formação<br />
teórica, a simulação, o estudo de casos,<br />
o certo é que o treino em situação real,<br />
acompanhando um surveyor experiente<br />
ao longo de uma semana, vendo como<br />
actua, como entrevista, como regista<br />
as evidências, sendo verdadeiramente a<br />
"sua sombra", assistindo às reuniões no<br />
final do dia para alinhar ideias, cruzar<br />
referências com os colegas, participar<br />
das reuniões de preparação do f eed-back<br />
à organização, tudo isto é vital para a<br />
formacão , de um auditor.<br />
Tive a oportunidade de participar,<br />
na qualidade de auditor "sombra" e<br />
em representação do IQS, em três<br />
auditorias. A primeira, no Hospital<br />
Fernando Fonseca (Amadora-Sintra)<br />
e as seguintes no Hospital de S.<br />
Teotónio (Viseu), a cujos Conselhos de<br />
Administração agradeço a confiança<br />
que permitiu que integrasse a equipa e<br />
a oportunidade de conhecer melhor as<br />
suas organizações.<br />
Todavia aquilo que, como profissional<br />
de administração hospitalar, considero<br />
mais enriquecedor nestas experiências<br />
não é apenas o capital extraordinário<br />
de formação que é proporcionado pelo<br />
contacto com as excelentes práticas<br />
destas organizações e com aquelas<br />
áreas que constituem ainda uma<br />
oportunidade de melhoria.<br />
Mais importante ainda é o contributo<br />
desse olhar sobre uma outra<br />
organização, necessariamente mais<br />
objectivo porque mais distante, para<br />
uma análise das fraquezas e das forças<br />
daquela em que trabalhamos.<br />
A participação numa equipa de<br />
auditores faculta-nos o privilégio de,<br />
com a distância necessária, analisarmos<br />
e questionarmos as nossas próprias<br />
práticas através da observação das<br />
práticas dos outros.<br />
E é por isso, ou é também por isso<br />
que, do meu ponto de vista, é tão<br />
importante para a credibilização de<br />
um programa de acreditação, que os<br />
auditores sejam profissionais de saúde.<br />
Para o hospital auditado existe a<br />
garantia de que as suas práticas são<br />
analisadas por quem enfrenta problemas<br />
idênticos na sua própria organização.<br />
Para o auditor é uma oportunidade de<br />
ouro para questionar as suas próprias<br />
metodologias e contribuir para a<br />
melhoria da organização onde trabalha.<br />
Tal como na observação de uma obra de<br />
arte, nem sempre a melhor perspectiva<br />
é a mais próxima do objecto. Às vezes<br />
é necessário dar um passo atrás para ver<br />
melhor. <br />
A participação<br />
numa equipa de<br />
auditores facultanos<br />
o privilégio de,<br />
com a distância<br />
, .<br />
necessaria,<br />
analisarmos e<br />
q~estionarmos as<br />
nossas próprias<br />
práticas através<br />
da observação das<br />
práticas dos<br />
outros.<br />
Realidade da Medicina Geral na Bélgica<br />
N<br />
a Bélgica verifica-se uma<br />
evolução qualitativamente<br />
positiva da medicina, quer quanto<br />
ao número de médicos, quer de<br />
actos praticados. A medicina geral<br />
tem, contudo, uma evolução própria,<br />
que fixa o seu lugar no sistema de<br />
saúde belga. É esse lugar, o papel aí<br />
desempenhado e as perspecti vas de<br />
evolução da medicina geral e familiar<br />
que Willy Heuschen, secretário-geral<br />
da Asso.ciação Europeia de Gestores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es, abordou na conferência<br />
proferida na 6ª edição do Forum<br />
Gulbenkian - <strong>2003</strong>, promovido pela<br />
APAH, e a que resumidamente se<br />
alude de seguida.<br />
Segurança na doença<br />
O sistema de segurança na doença<br />
é, na Bélgica, quase universal, sendo<br />
constituído por seguro de doença<br />
obrigatório, que absorve uma cada<br />
vez maior fatia orçamental. De 1983<br />
a 1998 passou de 22 para 30<br />
por cento do total, em detrimento<br />
das prestações familiares, que caíram<br />
de 14 para 11 por cento; das<br />
indemnizações, que baixaram de 9<br />
para 6 por cento; bem como dos<br />
subsídios de desemprego, que<br />
desceram de 14 para 11 por cento.<br />
Excepção para as pensões, que, no<br />
mesmo período, cresceram de 43 para<br />
44 por cento.<br />
De sublinhar que os cuidados estão<br />
organizados por níveis com uma oferta<br />
variada e um custo controlado por<br />
tabelas de actos que condicionam a<br />
comparticipação para os doentes e a<br />
convenção com os prestadores.<br />
O seguro obrigatório é negociado<br />
entre as entidades seguradoras, os<br />
profissionais de saúde e as autoridades<br />
públicas.<br />
A acessibilidade, à data, atinge 99 por<br />
cento da população, sem existência de<br />
listas de espera.<br />
Cuidados de saúde<br />
O sistema de cuidados de saúde<br />
é constituído por uma concepção<br />
liberal da medicina. N a sua maioria,<br />
os prestadores de cuidados são<br />
independentes e pagos por acto, e<br />
a liberdade de escolha por parte do<br />
cidadão é total, quer quanto aos<br />
prestadores, quer no que respeita aos<br />
actos médicos.<br />
Willy Heuschen, secretário-geral da Associação Europeia de Gestores <strong>Hospitalar</strong>es (à<br />
esq.), Alcindo Maciel Barbosa, ex-coordenador da Sub-Região de Saúde de Viana do<br />
Castelo (ao centro), e Luís Pisco, presidente da direcção da Associação Portuguesa<br />
de Médicos de Clínica Geral.<br />
<strong>2003</strong><br />
dação Calouste Gulbenki<br />
AUDITÓ.RIO 2<br />
~ o<br />
_ ___,,,,._.....,......,_<br />
Esta característica tem implicado<br />
uma evolução numérica dos médicos<br />
generalistas e especialistas, maior no<br />
segundo caso em virtude dos melhores<br />
pagamentos em relação aos especialistas.<br />
Médico generalista<br />
O médico generalista tem um papel<br />
fundamental no aconselh amento do<br />
doente. É por vezes também<br />
designado por médico de família, por<br />
ter a seu cargo todos os membros da<br />
família e porque exerce sobre ela um<br />
papel global de conselheiro de saúde,<br />
orientando-a, em caso de doença,<br />
para o especialista mais adequado.<br />
O exercício da medicina faz-se em<br />
consultório, mas também<br />
frequentemente ao domicílio ( cerca<br />
de 50 por cento das consultas), a<br />
qualquer hora do dia.<br />
O número de atendimentos em<br />
consulta destes médicos é maior do que<br />
de especialistas. Os dados demonstram<br />
que um cidadão belga recorre três vezes<br />
mais ao médico generalista, ou de<br />
família, do que ao especialista.<br />
Entre pessoas idosas (mais de 65<br />
anos), o recurso a médicos generalistas<br />
é também três vezes superior<br />
relativamente a pessoas mais jovens,<br />
sendo que nas zonas rurais, a diferença<br />
é ainda maior, em virtude da menor<br />
disponibilidade de especialistas.<br />
Ao medico generalista é ainda<br />
atribuído o papel de "sujeito" de<br />
economia e de controlo sobre o<br />
consumo de cuidados de saúde, n a<br />
medida em que a sua "acreditação" vai<br />
evoluindo numa escola que respeita<br />
certas regras de boas práticas de<br />
prescrição, manutenção de níveis de<br />
saúde, prevenção da doença, etc., bem<br />
como manutenção de um processo<br />
clínico dos seus doentes.<br />
Perspectivas de evolução<br />
As perspectivas de evolução da<br />
medicina geral e familiar estão<br />
dependentes de diversos factores,<br />
nomeadamente:<br />
- Melhoria dos níveis de reembolso<br />
(tabelas de actos) dos médicos<br />
generalistas ou de família;<br />
associação destes médicos aos<br />
cuidados hospitalares, nomeadamente<br />
pela sua participação nos conselhos<br />
médicos de cada hospital, bem como<br />
nos comités de ética; assunção de<br />
um papel de coordenação nos lares<br />
de terceira idade com ou sem<br />
prestação de cuidados; e obtenção de<br />
uma protecção especial de forças de<br />
segurança nos serviços domiciliários.<br />
rnoESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
XII Jornadas de administração hospitalar<br />
A empresarialização do hospital público português<br />
AEscola N acional de Saúde<br />
Pública e a Associação<br />
Portuguesa de Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es levaram a efeito, nos<br />
dias 10 e 11 de Abril, na Fundação<br />
Calouste Gulbenkian, as XII Jornadas<br />
de Administração <strong>Hospitalar</strong>, cuja<br />
sessão de abertura foi presidida pelo<br />
ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira.<br />
Subordinadas ao tema<br />
"Empresarialização do hospital<br />
público português", as Jornadas<br />
incluíram três conferências, tendo<br />
testemunho. Penso, aliás, que<br />
estamos todos envolvidos num novo<br />
processo de aprendizagem,<br />
independentemente das dúvidas ou<br />
erros de percurso, do ritmo das<br />
transformações, dos seus opositores<br />
irredutíveis ou dos seus aderen tes<br />
incondicionais.<br />
Aos administradores hospitalares<br />
colocam-se, hoje, novos desafios.<br />
Desde logo, saber liderar e<br />
concretizar novas formas de gerir<br />
os nossos hospitais, através de<br />
instrumentos adequados, novos<br />
modelos de organização do trabalho,<br />
de financiamento, de gestão de<br />
recursos humanos, de negociação, de<br />
medida e avaliação dos resultados.<br />
Por outro lado, saber lidar com os<br />
novos cenários que envolvem hoje a<br />
O Ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, em diálogo com o presidente e vice-presidente<br />
da APAH, Manuel Delgado e Pedro Lopes.<br />
O Ministro da Saúde, intervindo na sessão<br />
de abertura das Jornadas.<br />
A Mesa de Abertura das Jornadas. Da esquerda para a direita: Galvão de Melo,<br />
director da ENSP; Leopoldo Guimarães, reitor da UNL; Luís Filipe Pereira, Ministro<br />
da Saúde; Manuel Delgado, presidente da APAH e Rui Vilar, presidente da Fundação<br />
Calouste Gulbenkian.<br />
tido, entre outras personalidades, as<br />
presenças do reitor da Universidade<br />
Nova de Lisboa, do presidente da<br />
Fundação Calouste Gulbenkian, e da<br />
admimistradora Isabel Mota.<br />
No primeiro dia, os grandes assuntos<br />
foram "A nova gestão pública" e<br />
"Modelos de financiamento", tendo<br />
ocorrido seminários simultâneos em<br />
que se analisou e discutiu o<br />
financiamento, modelos de<br />
distribuição regional de recursos,<br />
avaliação dos hospitais, processo de<br />
transformação de entidades públicas<br />
em privadas, bem como sistemas de<br />
O Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, praticamente repleto, na sessão<br />
de abertura das Jornadas.<br />
incen tivos aos profissionais.<br />
No último dia, a conferência aludiu<br />
aos "Modelos de avaliação", matéria<br />
que foi repartida por dois seminários,<br />
um em que se avaliou a coisa pública<br />
e se apresentou uma experiência<br />
de financiamento; outro em que se<br />
avaliou uma experiência de regulação<br />
e se expôs o processo de uma<br />
experiência de empresarialização.<br />
Os novos desafios<br />
N a intervenção da sessão de<br />
abertura, em que começou por<br />
agradecer de forma particular a<br />
presença honrosa do ministro da<br />
Saúde, bem como do reitor da<br />
Universidade Nova de Lisboa e do<br />
presidente da Fundação Calouste<br />
Gulbenkian, o presidente da APAH,<br />
Manuel Delgado, sublinhou:<br />
A realização destas Jornadas ocorre<br />
num momento particularmente<br />
importante para a vida dos hospitais<br />
e, naturalmente para o futuro dos<br />
doentes que tratamos.<br />
Vivemos sob o signo da<br />
"empresarialização".<br />
Os profi ssionais de gestão hospitalar<br />
que aqui represento sentem-se<br />
particularmente motivados,<br />
disponíveis e ciosos de aprender<br />
novas metodologias, trabalhar com<br />
novos instrumentos e contactar com<br />
novas experiências. A sua<br />
significativa presença nestas Jornadas<br />
são disso um incontornável<br />
profissão que escolheram ..<br />
Apesar da natural ansiedade que<br />
se vive nos hospitais, uns porque<br />
já passaram a SA's, outros porque<br />
aguardam o impacte da mais recente<br />
legislação, con virá dizer que os A .H .,<br />
descontando algumas adversidades de<br />
percurso, têm mantido, no essen cial,<br />
uma postura de disponibilidade e<br />
colaboração, que muito tem<br />
contribuído para a governabilidade<br />
destas complexas organizações.<br />
O desen volvimento de uma<br />
multiplicidade de formações<br />
académicas na área da gestão da<br />
saúde, levadas a cabo por<br />
universidades e escolas diversas,<br />
públicas e privadas, atesta bem a<br />
importância que é dada a esta<br />
área do conhecimento e acompanha,<br />
naturalmente, uma agenda política<br />
em que a gestão, a eficiência e a<br />
qualidade são prioridades n o discurso<br />
da Saúde.<br />
N ão estamos porventura ainda<br />
preparados para separar o trigo do<br />
joio, o oportunismo da seriedade.<br />
Mas cabe-nos também a nós uma<br />
quota-parte de responsabilidade na<br />
definição de regras que credibilizem<br />
esta área do conhecimento,<br />
naturalmente com abertura e sem<br />
preconceitos, mas com a experiência,<br />
a profundidade e o treino a que nos<br />
habituámos na ENSP.<br />
A transformação do sector<br />
hospitalar, quer na componen te<br />
pública, quer na componente<br />
privada, exige o reforço e a<br />
sofisticação da área de gestão, com<br />
profissionais bem preparados e<br />
permanentemente actualizados.<br />
N ão só para os lugares de topo,<br />
mas também para a administração<br />
intermédia ou nos mais diversos<br />
lugares de natureza técnica.<br />
N um artigo publicado há cerca<br />
de 15 dias no insuspeito BMJ,<br />
alguém escrevia: "não haver gestores<br />
hospitalares é tão letal para a<br />
actividade desses estabelecimen tos<br />
como a ausência de médicos".<br />
O futuro estará assim do nosso lado.<br />
Sejamos optimistas.<br />
A sessão de encerramento das XII Jornadas de Administração <strong>Hospitalar</strong>. Da esq.<br />
para a direita: Vasco Reis, Constantino Sakellarides,Nogueira da Rocha, Manuel<br />
Delgado e Correia de Campos.<br />
ti<br />
l<br />
al) GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
Lei de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />
O projecto de regulamentação<br />
do Governo<br />
Preâmbulo<br />
A Lei 27/2002, de 8 de Novembro que<br />
aprovou o regime jurídico da <strong>Gestão</strong><br />
<strong>Hospitalar</strong>, determina que a estrutura<br />
orgãnica das instituições hospitalares<br />
públicas, nomeadamente a composição,<br />
competências e funcionamento dos<br />
órgãos de administração, apoio técnico,<br />
fiscalização e de consulta, bem como<br />
os modelos de financiamento e de<br />
avaliação da actividade realizada, devem<br />
constar de um regulamento a aprovar<br />
por diploma próprio do Governo.<br />
Os hospitais constituem um sector<br />
estratégico da Rede de Prestação<br />
de Cuidados de Saúde em geral,<br />
destacando,se em todos os países e<br />
sistemas de saúde pela sua natureza<br />
e diferenciação técnico,científica, pelo<br />
seu impacte clínico,assistencial na<br />
comunidade, e pelo contributo<br />
relevante que tem dado à educação<br />
e investigação na saúde. O seu peso<br />
no orçamento de estado e na despesa<br />
pública, quer no plano logístico e<br />
tecnológico, quer em recursos humanos,<br />
justifica a necessidade de repensar os<br />
seus modelos de organização, métodos<br />
de gestão e regras de funcionamento.<br />
Não obstante os progressos alcançados,<br />
a realidade tem revelado que os<br />
modelos de organização dos hospitais .<br />
do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se<br />
encontram desajustados às necessidades<br />
actuais das populações, aos novos<br />
padrões de doença e oportunidades<br />
terapêuticas, justificando as alterações<br />
legislativas em curso. Estas têm como<br />
principal objectivo, introduzir uma<br />
maior descentralização na estrutura<br />
funcional, uma maior capacidade<br />
directiva aos órgãos máximos e<br />
intermédios da gestão hospitalar,<br />
nomeadamente aos conselhos de<br />
administração e aos directores de<br />
departamento ou de serviço, bem<br />
como uma identificação clara das suas<br />
responsabilidades na cadeia hierárquica.<br />
O novo modelo de organização exige<br />
de todos os profissionais habilitações<br />
para trabalho em equipas de saúde<br />
multiprofissionaís, e aos respectivos<br />
gestores capacidade de liderança e<br />
conhecimentos que lhes permitam<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
utilizar de forma eficiente os<br />
instrumentos de gestão ao seu dispor.<br />
A par de se reconhecer o contributo<br />
insubstituível dos profissionais de saúde,<br />
e de respeitar as suas competências<br />
ou interesses legítimos, este novo<br />
regime atribui, lhes maior autonomia<br />
e correspondente responsabilização na<br />
gestão clínica, bem como incentivos à<br />
produtividade e qualidade assistenciais.<br />
Paralelamente, o modelo tradicional de<br />
financiamento dos hospitais, baseado em<br />
orçamentos históricos, será igualmente<br />
substituído por um novo regime de<br />
pagamento dos actos, técnicas e serviços<br />
efectivamente prestados, segundo uma<br />
Tabela de Preços única para todo o<br />
SNS, que simultâneamente os classifica,<br />
bem como a contratualização de serviços<br />
por objectivos concretos, adequados<br />
às necessidades das populações e às<br />
capacidades das instituições, premiando<br />
o mérito e o desempenho dos<br />
profissionais. Estes, serão monitorizados<br />
de acordo com um sistema de avaliação<br />
regular, incluindo um conjunto<br />
ponderado de factores, em estreita<br />
ligação com a produção realizada, a<br />
eficiência demonstrada e a qualidade dos<br />
resultados obtidos. Os indicadores da<br />
actividade dos hospitais, reportados ao<br />
ano civil anterior, constituirão matéria<br />
de divulgação e apreciação pública.<br />
Foram ouvidas as organizações<br />
representativas dos profissionais do<br />
sector, de harmonia com a Lei nº 23/98,<br />
de 26 de Maio.<br />
Assim, no desenvolvimento do regime<br />
jurídico estabelecido pelos n ºs 2 e 1,<br />
respectivamente dos artigos 9º e 11 º do<br />
Regime Jurídico da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>,<br />
aprovado pela Lei nº 27/2002, de 8 de<br />
Novembro, e nos termos das alíneas a) e<br />
c) do nº 1 do artigo 198º da Constituição,<br />
o Governo decreta o seguinte:<br />
CAPÍTULO 1<br />
ÃMBITO E NATUREZA JURÍDICA<br />
Artigo 1 º (Ãmbito de aplicação)<br />
O presente diploma aplica,se aos<br />
hospitais do Serviço Nacional de<br />
Saúde (SNS) integrados na Rede<br />
de Prestação de Cuidados de Saúde,<br />
referidos na alíneas a) do n º 1 do<br />
artigo 2º do Regime Jurídico da<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, aprovado pela Lei<br />
nº nº27/2002, de 8 de Novembro, sem<br />
prejuízo do disposto no artigo 42º.<br />
Artigo 2º (Natureza jurídica)<br />
1, Os hospitais referidos no artigo<br />
anterior são pessoas colectivas públicas,<br />
dotadas de personalidade jurídica, com<br />
ou sem autonomia patrimonial, cuja<br />
capacidade jurídica abrange a<br />
universalidade de direitos e obrigações<br />
necessários à prossecução dos seus fins.<br />
2, A autonomia financeira constante<br />
da natureza jurídica dos hospitais não<br />
prejudica o direito dos funcionários<br />
e agentes hospitalares de serem<br />
beneficiários da Assistência na<br />
Doença aos Servidores Civis do<br />
Estado (ADSE), de harmonia com o<br />
disposto no Decreto, Lei n º 118/83, de<br />
25 de Fevereiro.<br />
CAPÍTULO II<br />
ESTRUTURA E ÓRGÃOS<br />
Secção I<br />
Disposições gerais<br />
Artigo 3º<br />
Estrutura de gestão<br />
1, Nos termos do número 3 do artigo<br />
11 º da Lei 2 7 /2002 de 8 de Novembro,<br />
as estruturas orgânicas dos hospitais<br />
podem desenvolver a sua acção por<br />
centros de responsabilidade e de custo.<br />
2, Os centros de responsabilidade<br />
são unidades orgãnicas descentralizadas<br />
dotadas de objectivos específicos e de um<br />
conjunto de meios materiais e humanos<br />
que permitem ao responsável do centro<br />
realizar o seu programa de actividade<br />
com a maior autonomia possível.<br />
3, A organização do hospital em<br />
centros de responsabilidade deve<br />
reflectir um organograma de gestão<br />
que sistematize a divisão de<br />
responsabilidade ao longo da cadeira<br />
hierárquica.<br />
4, O ãmbito da responsabilidade do<br />
centro varia, podendo recair:<br />
a) apenas sobre os custos<br />
(centros de custos),<br />
b) sobre custos e proveitos<br />
(centros de proveitos),<br />
c) sobre custos, proveitos<br />
e activos patrimon iais<br />
(centros de investimentos).<br />
5, Cabe ao conselho de administração<br />
aprovar o organigrama e a<br />
identificação dos respectivos centros<br />
de responsabilidade a integrar no<br />
regulamento interno do h ospital.<br />
Artigo 4º<br />
(Órgãos)<br />
1, O s h ospitais referidos no artigo 1 º<br />
compreendem os seguintes órgãos:<br />
a) Órgão de administração;<br />
b) Órgãos de apoio técnico;<br />
e) Órgão de fiscalização;<br />
d) Órgão de consulta.<br />
2, O órgão de administração é o<br />
conselho de administração.<br />
3, São órgãos de apoio técnico, as<br />
comissões de ética, de humanização<br />
e qualidade de serviços, de infecção<br />
hospitalar e de farmácia e de<br />
terapêutica, sem prejuízo de poderem<br />
ser criados outros órgãos de apoio<br />
técnico que, por lei ou por despacho<br />
do conselho de administração, hajam<br />
que existir, e cuja estrutura,<br />
composição e funcionamento constem<br />
do regulamento interno.<br />
4, O órgão de fiscalização é o fiscal único.<br />
5, O órgão de consulta é o conselho<br />
consultivo.<br />
Secção II<br />
Dos órgãos<br />
Subsecção l<br />
Do órgão de administração<br />
Artigo 5º<br />
(Composição e nomeação<br />
do conselho de admin istração)<br />
1, O conselho de administração é<br />
composto pelo presidente, e por um<br />
vogal, como membros executivos, e<br />
pelos director clínico e enfermeiro,<br />
director que o integram como<br />
membros não executivos formando a<br />
direcção técnica.<br />
2, Os membros executivos do<br />
conselho de administração são<br />
nomeados pelo Ministro da Saúde, sob<br />
proposta do Presidente do C onselho<br />
de Administração.<br />
3, Os membros não executivos do<br />
conselho de administração, são<br />
nomeados pelo Ministro da Saúde, sob<br />
proposta do presidente do conselho de<br />
administração.<br />
4, O Ministro da Saúde pode<br />
determinar que, face ao perfil do<br />
presidente do conselho de<br />
administração, natureza e dimensão<br />
do h ospital, aquele assuma também<br />
as competências dos outros membros,<br />
caso em que não haverá lugar à<br />
designação do respectivo titular.<br />
5, A composição do conselh o de<br />
administração referida n o n º 1 pode<br />
variar face à natureza e dimensão do<br />
h ospital, de acordo com o que vier a<br />
ser fixado no regulamento interno mas<br />
sempre com o limite máximo de sete<br />
membros.<br />
6, Sem prejuízo do disposto nos n ºs<br />
1 a 4, os membros executivos podem<br />
ser coadjuvados por um outro vogal,<br />
nomeado pelo Ministro da Saúde, sob<br />
proposta do presidente do conselho de<br />
administração.<br />
A rtigo 6º<br />
( Competên cias do conselh o<br />
de administração)<br />
1, C ompete ao conselh o de<br />
administração a defin ição e<br />
cumprimento dos princípios<br />
fundamentais, bem como o exercício<br />
de todos os poderes de gestão que<br />
por lei estejam atribuídos aos órgãos<br />
máximos de gestão, e em especial:<br />
a), Elaborar os plan os de acção<br />
anuais e plurianuais, e respectivos<br />
orçamentos a submeter à aprovação<br />
do Ministro da Saúde, bem como,<br />
de harmonia com a alínea b) do<br />
n º 1 do artigo 1 Oº do Regime Jurídico<br />
da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, aprovado pela<br />
Lei nº27/2002, de 8 de N ovembro,<br />
celebrar contratos,programa com a<br />
A dministração Regional de Saúde<br />
(ARS) respectiva.<br />
b), Definir as linhas de orientação a<br />
que devem obedecer a organização e<br />
funcionamento do hospital nas áreas<br />
clínicas e n ão clínicas, propondo<br />
a criação de novos serviços, sua<br />
extinção ou modificação , e alteração<br />
da sua lotação;<br />
c), Acompanhar e avaliar<br />
sistematicamente a actividade<br />
desenvolvida pelo h ospital,<br />
designadamente, responsabilizando<br />
os diferentes sectores pela utilização<br />
dos meios postos à sua disposição<br />
e pelos resultados atingidos,<br />
designadamente em termos da<br />
qualidade dos serviços prestados;<br />
d), Definir as regras atinentes à<br />
assistência prestada aos doen tes,<br />
assegurar o funcionamento<br />
h armónico dos serviços de<br />
assistência, garan tir a qualidade e<br />
prontidão dos cuidados de saúde<br />
prestados pelo hospital;<br />
e), A provar as orientações clínicas<br />
Posição<br />
da APAH ...<br />
1<br />
(Apreciação Geral)<br />
N a sequência da aprovação<br />
da Lei 2 7 /2002, de 8<br />
de N ovembro sobre o<br />
regime jurídico da <strong>Gestão</strong><br />
H ospitalar, o G overno<br />
dispon ibilizou para parecer<br />
dos diferentes parceiros e<br />
associações profissionais,<br />
uma proposta de Decreto,<br />
Lei de Execução aplicável<br />
aos h ospitais do SNS, com<br />
a excepção já conhecida<br />
dos h ospitais S.A., objecto<br />
de orientação<br />
enq uadradora<br />
procedimentalmente<br />
diferente.<br />
O projecto de Decreto,Lei<br />
em apreço é, na<br />
globalidade, um<br />
documento mal<br />
estruturado, tecn icamente<br />
inconsistente,<br />
juridicamente pobre e, em<br />
muitos aspectos, com uma<br />
redacção muito pouco<br />
cuidada. Mais se assemelha<br />
a uma man ta de retalhos,<br />
pela falta de sequência<br />
e desorgan ização<br />
generalizada, incoerên cia<br />
conceptual e conflito<br />
potencial de competên cias.<br />
O que torna a sua<br />
aplicabilidade<br />
materialmente muito<br />
difícil e nalguns casos<br />
impossível.<br />
Revela, por outro lado,<br />
uma en orme falta de<br />
sensibilidade para o<br />
caracter específico das<br />
organizações h ospitalares,<br />
pela forma ligeira e errada<br />
como aborda os orgãos de<br />
gestão , com con tradições<br />
graves e desvalori:ação das<br />
direcções técn icas e, ainda,<br />
pela incapacidade<br />
manifesta em regular a<br />
estrutura de prestação de<br />
cuidados de forma<br />
consistente e inovadora.<br />
GESTÃ O HOSPITALAR rn
elativas à prescrição de medicamentos<br />
e meios complementares de<br />
diagnóstico e terapêutica, bem como<br />
os protocolos clínicos adequados às<br />
patologias mais frequentes, sob<br />
proposta do director clínico, e ratificar<br />
a respectiva avaliação;<br />
f)- Promover a realização, sob<br />
proposta do director clínico, da<br />
avaliação externa do cumprimento<br />
das orientações clínicas e protocolos<br />
mencionados, em colaboração com<br />
a Ordem dos Médicos e instituições<br />
de ensino médico e sociedades<br />
científicas;<br />
g)- Autorizar a realização de ensaios<br />
clínicos e terapêuticos nos termos da lei;<br />
h)- Autorizar a introdução de novos<br />
medicamentos e outros produtos de<br />
consumo hospitalar, com incidência<br />
significativa nos planos assistencial e<br />
económico;<br />
i)- Tomar conhecimento e determinar<br />
as medidas adequadas, se for caso<br />
disso, sobre as queixas e reclamações<br />
apresentadas pelos utentes;<br />
j )- Garantir a execução das políticas<br />
referentes aos recursos humanos,<br />
designadamente as relativas à sua<br />
admissão, nomeação, dispensa,<br />
avaliação, regimes de trabalho e<br />
horários, faltas, formação, segurança<br />
e incentivos;<br />
1)- N omear e designar o pessoal<br />
dirigente, chefias e responsáveis pelos<br />
serviços hospitalares;<br />
m)- Exercer a competência em<br />
matéria disciplinar prevista na lei<br />
independentemente da relação<br />
jurídica de emprego;<br />
n)- Aprovar os documentos de<br />
prestação de contas;<br />
o)- Acompanhar periodicamente a<br />
execução do orçamento aplicando<br />
as medidas destinadas a corrigir<br />
os desvios em relação às previsões<br />
realizadas;<br />
p)- Assegurar a regularidade da<br />
cobrança das receitas e da realização<br />
e pagamento da despesa do hospital,<br />
permitindo-lhe, declarar as suas<br />
dívidas como incobráveis;<br />
q)- Autorizar despesas com aquisição<br />
de bens e serviços até ao valor<br />
máximo legal permitido aos órgãos<br />
dirigentes de organismos com<br />
autonomia administrativa e<br />
financeira, que resultem da aplicação<br />
de regulamento específico ou que lhe<br />
forem delegados;<br />
r)- Tomar as providências necessárias<br />
à conservação do património,<br />
designadamente autorizar todas as<br />
despesas com obras de construção,<br />
beneficiação, ampliação ou<br />
remodelação das instalações em<br />
execução do plano de acção,<br />
aprovado pela ARS, assim como<br />
as despesas de simples conservação<br />
e reparação e beneficiações das<br />
instalações e do equipamento;<br />
s)- Propor à ARS a celebração de<br />
contratos com entidades privadas e<br />
sociais sempre que a prática de boa<br />
gestão o justifique;<br />
t)- Aprovar o regulamento interno;<br />
u)- Fazer cumprir as disposições<br />
legais e regulamentares aplicáveis.<br />
2- Compete ainda ao conselho de<br />
administração submeter a despacho<br />
do Ministro da Saúde a proposta<br />
de protocolo destinado a organizar o<br />
exercício da medicina privada, dentro<br />
do estabelecimento hospitalar, quando<br />
requerida pelos seus membros.<br />
3- Sem prejuízo do disposto no<br />
número anterior e em normas<br />
especiais, os conselhos de<br />
administração detêm ainda as<br />
competências legalmente atribuídas<br />
aos directores gerais da administração<br />
central do Estado.<br />
4- O conselho de administração<br />
pode, sem prejuízo do disposto no<br />
n ° 1, delegar ou subdelegar, nos<br />
termos da lei, nos seus membros ou<br />
demais pessoal dirigente e chefias,<br />
independentemente do vínculo<br />
laboral, as suas competências<br />
originárias bem como as que lhe forem<br />
atribuídas.<br />
5- Sem prejuízo do disposto<br />
no número anterior, compete<br />
especialmente ao presidente<br />
do conselho de administração:<br />
a)- Coordenar a actividade<br />
do conselho de administração,<br />
e dirigir as respectivas reuniões;<br />
b)- Zelar pela correcta execução<br />
das deliberações do conselho<br />
de administração;<br />
c)- Representar o conselho de<br />
administração em juízo e fora dele.<br />
Artigo 7º<br />
(Funcionamento do conselho<br />
de administração)<br />
1- O conselho de administração<br />
reúne semanalmente e, ainda, sempre<br />
que convocado pelo presidente, por<br />
solicitação de dois membros do<br />
Conselho de Administração ou do<br />
Diga-se a propósito, e n a<br />
sequência das críticas que<br />
já apresentamos aquando<br />
da aprovação da Lei de<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, que se<br />
perde aqui uma<br />
oportunidade única de criar<br />
formas mais integradas de<br />
organização do trabalho<br />
clínico, muito mais<br />
orientadas pelos processos<br />
de actuação face à<br />
patologia dos doentes do<br />
que pelas especialidades.<br />
Choca-nos por fim, a<br />
omissão absoluta dos<br />
profissionais de<br />
administração hospitalar.<br />
Aparentemente, não têm<br />
qualquer papel na estrutura<br />
de gestão dos hospitais,<br />
o que contradiz de forma<br />
categórica, o sentido<br />
responsável e altamente<br />
profissional que a Tutela<br />
quer atribuir à nova gestão<br />
hospitalar.<br />
Diga-se a propósito que<br />
todo o diploma aponta para<br />
um modelo de gestão<br />
cada vez mais politizado,<br />
desenvolvido em torno de<br />
interesses circunstanciais e<br />
sem autonomia decisional.<br />
A reforma de gestão<br />
hospitalar poderá ser assim<br />
uma caricatura das<br />
transformações enunciadas,<br />
com efeitos nefastos e<br />
perigosos para a segurança<br />
e bem-estar das populações.<br />
II<br />
(Apreciação na<br />
Especialidade)<br />
Para melhor ilustração<br />
citam-se alguns exemplos<br />
paradigmáticos:<br />
1. No artº 4º, sobre os ·<br />
órgãos, não se prevê a<br />
existência de órgão(s) de<br />
direcção técnica. É a<br />
primeira vez, na legislação<br />
hospitalar portuguesa, que<br />
tal facto, insólito,<br />
acontece. Todavia, no artº<br />
12 º referem-se<br />
competências do Director<br />
Clínico, e no artº 13 º,<br />
referem-se competências<br />
fiscal único.<br />
2- As regras de funcionamento do<br />
conselho de administração serão<br />
fixadas pelo próprio conselho na<br />
sua primeira reun ião e constam do<br />
regulamento interno do hospital.<br />
3- O director clínico e o enfermeirodirector<br />
participam, com direito a<br />
voto, nas reuniões do conselho de<br />
administração.<br />
4- O presidente do conselho de<br />
administração tem voto de qualidade.<br />
5- Das reuniões do conselho de<br />
administração devem ser lavradas<br />
actas, a aprovar na reunião seguinte.<br />
6- Em tudo quanto não esteja previsto<br />
nos números anteriores, deve ser<br />
aplicado, subsidiariamente, o Código<br />
do Procedimento Administrativo<br />
(CPA), aprovado pelo Decreto-Lei<br />
nº 442/91, de 15 de Novembro, na<br />
redacção que lhe fo i conferida pelo<br />
Decreto-Lei nº6/96, de 31 de Janeiro.<br />
Artigo 8º<br />
(Exoneração do conselho de<br />
administração)<br />
1- Os membros do conselho de<br />
administração podem ser livremente<br />
exonerados com fundamento em mera<br />
conveniência de serviço, mediante<br />
indemnização de valor correspondente<br />
aos ordenados vincendos até ao termo<br />
do mandato, mas nunca superior<br />
ao vencimento anual, ao qual será<br />
deduzido o montante do vencimento<br />
do lugar de origem que os respectivos<br />
membros tenham direito a reocupar.<br />
2- A exoneração pode ainda<br />
fundamentar-se em falta de<br />
observãncia da lei ou dos<br />
regulamentos ou na violação grave dos<br />
deveres de gestor.<br />
3- A exoneração fundamentada<br />
nos termos do número anterior é<br />
precedida de audição do interessado,<br />
mas sem dependência de qualquer<br />
processo e sem que haja lugar a<br />
indemnização.<br />
Artigo 9º<br />
(Dissolução do conselho<br />
de administração)<br />
1- O Ministro da Saúde pode dissolver<br />
o conselho de administração nos<br />
seguintes casos:<br />
a)- Desvio substancial entre os<br />
orçamentos e a respectiva execução;<br />
b)- Deterioração dos resultados<br />
da actividade, incluindo a qualidade<br />
dos serviços prestados.<br />
2- Não h averá lugar a dissolução<br />
nos casos em que o conselho de<br />
administração tenha tomado todas<br />
as medidas adequadas para evitar a<br />
verificação dos factos referidos no<br />
número anterior.<br />
Artigo 10º<br />
(Estatuto dos membros)<br />
1- O estatuto de gestor público<br />
aplica-se aos membros executivos<br />
do conselho de administração,<br />
designadamente quanto ao mandato,<br />
incompatibilidades, regime de<br />
trabalho e remunerações.<br />
2- A remuneração dos membros<br />
do conselho de Administração do<br />
hospital é fixada por despacho dos<br />
Ministros das Finanças e Saúde e varia<br />
em função do nível e da lotação do<br />
hospital, não podendo a remuneração<br />
dos membros não executivos ser<br />
inferior ao valor a que têm direito<br />
por virtude da respectiva categoria e<br />
escalão da carreira.<br />
3- Aplica-se aos membros não executivos<br />
do conselho de administração o regime<br />
de incompatibilidades previsto no artigo<br />
20º do Decreto-Lei nº 11/93 de 15 de<br />
Janeiro.<br />
Subsecção II<br />
Da direcção técnica do hospital<br />
Artigo 11 º<br />
(Composição)<br />
A direcção técnica é composta pelos<br />
director clínico e enfermeiro director.<br />
Artigo 12º<br />
(Nomeação e competências do<br />
director clínico)<br />
1- O director clínico é nomeado<br />
pelo Ministro da Saúde, sob proposta<br />
do presidente do conselho de<br />
admin istração, de entre médicos que<br />
trabalhem no SNS.<br />
2- Compete ao director clínico<br />
coordenar toda a assistência prestada<br />
aos doentes, assegurar o<br />
funcionamento harmónico dos<br />
serviços de assistência e garantir a<br />
correcção e prontidão dos cuidados<br />
de saúde prestados e, sem prejuízo<br />
do disposto em sede de regulamento<br />
interno, nomeadamente:<br />
a)- Coordenar a elaboração dos<br />
planos de acção apresentados pelos<br />
vários serviços e departamentos de<br />
acção médica a integrar no plano de<br />
acção global do Hospital;<br />
b)~ Assegurar uma integração<br />
adequada da actividade médica dos<br />
departamentos e serviços,<br />
do Enfermeiro Director.<br />
Estas duas figuras, são até<br />
consideradas como<br />
"Direcção Técnica" no artº<br />
11 º, mas sem qualquer tipo<br />
de suporte orgânico, nem<br />
competências ...<br />
2. A composição do único<br />
orgão de Administração -<br />
o Conselho de<br />
Administração - é confusa<br />
e até aberrante:<br />
a) Define, no máximo,<br />
dois membros executivos<br />
(o Presidente e um Vogal).<br />
Inclui, como não<br />
executivos o Director<br />
Clínico e o Enfermeiro<br />
Director. E, de uma forma<br />
imprecisa e ligeira, admite,<br />
numa interpretação<br />
generosa do que vem<br />
escrito, até mais 3<br />
membros não executivos<br />
(cf. Artº 5º). Como os<br />
membros não executivos<br />
têm direito a voto, pode<br />
gerar-se a situação absurda<br />
destes serem maioritários<br />
nas votações e liderarem<br />
estrategicamente o<br />
hospital. Refira-se a<br />
propósito, que não se<br />
entende a atribuição de<br />
direito de voto a membros<br />
não executivos. Em bom<br />
rigor o papel de membros<br />
não executivos em<br />
Conselhos de<br />
Administração, é,<br />
essencialmente de<br />
colaboração e consulta,<br />
numa perspectiva<br />
exclusivamente opinativa<br />
e não decisional.<br />
b) No nº 4 do artº<br />
5º chega-se ao absurdo<br />
de admitir que o<br />
Presidente do Conselho<br />
de Administração possa<br />
assumir " ... as competências<br />
dos outros membros ...<br />
"(sic), tornando-se o<br />
Conselho de<br />
Administração um orgão<br />
uninominal. Só o<br />
conhecimento<br />
enciclopédico - de<br />
medicina, de enfermagem<br />
e de gestão - poderiam<br />
rn GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
designadamente através de uma<br />
utilização não compartimentada da<br />
capacidade instalada;<br />
c)- Propor medidas necessárias à<br />
melhoria das estruturas organizativas,<br />
funcionais e físicas dos serviços de<br />
acção médica, dentro de parâmetros<br />
de eficiência e eficácia reconhecidos,<br />
que produzam os melhores resultados<br />
face às tecnologias disponíveis;<br />
d)- Propor ao conselho de<br />
administração a aprovação das<br />
orientações clínicas relativas à<br />
prescrição de medicamentos e meios<br />
complementares de diagnóstico e<br />
terapêutica, bem como dos<br />
protocolos clínicos adequados às<br />
patologias mais frequentes,<br />
efectuando um acompanhamento<br />
regular, designadamente a sua<br />
avaliação em termos de qualidade e<br />
de custo-benefício;<br />
e)- Propor ao Conselho de<br />
Administração a realização, sempre<br />
que necessário, da avaliação externa<br />
do cumprimento das orientações<br />
clínicas e protocolos mencionados,<br />
em colaboração com a Ordem dos<br />
Médicos e instituições de ensino<br />
médico e sociedades científicas;<br />
f)- Desenvolver a implementação<br />
de instrumentos de garantia de<br />
qualidade técnica dos cuidados de<br />
saúde;<br />
g)- Decidir sobre conflitos de<br />
natureza técnica entre serviços de<br />
acção médica;<br />
h)- Decidir as dúvidas que lhe sejam<br />
presentes sobre deontologia médica,<br />
desde que não seja possível o recurso,<br />
em tempo útil, à comissão de ética;<br />
i)- Participar na gestão do pessoal<br />
médico, designadamente nos<br />
processos de admissão e mobilidade<br />
interna;<br />
j)- Velar pela constante actualização<br />
do pessoal médico;<br />
1)- Acompanhar e avaliar<br />
sistematicamente outros aspectos<br />
relacionados com o exercício da<br />
medicina e com a formação dos<br />
médicos.<br />
3- O director clinico responde perante<br />
o conselho de administração pela<br />
qualidade da assistência prestada,<br />
dentro das regras da boa prática e<br />
melhor gestão de recursos.<br />
4- No exercício das suas funções,<br />
o director clínico é coadjuvado por<br />
um a três adjuntos, consoante o que<br />
for fixado no regulamento interno do<br />
Hospital, por si livremente escolhidos.<br />
Artigo 13.º<br />
(Nomeação e competências do<br />
enfermeiro director)<br />
1- O enfermeiro director é nomeado<br />
pelo Ministro da Saúde, de entre<br />
enfermeiros que trabalhem no SNS,<br />
sob proposta do presidente do<br />
conselho de administração.<br />
2- Compete ao enfermeiro director,<br />
a coordenação técnica da actividade<br />
de enfermagem do Hospital velando<br />
pela sua qualidade e, sem prejuízo<br />
do disposto em sede do regulamento<br />
interno, nomeadamente:<br />
a)- Coordenar a elaboração os planos<br />
de acção de enfermagem apresentados<br />
pelos vários serviços a integrar no<br />
plano de acção global do Hospital;<br />
b)- Compatibilizar os objectivos do<br />
Hospital com a filosofia e objectivos<br />
da profissão de enfermagem;<br />
c)- Contribuir para a definição das<br />
políticas ou directivas de formação e<br />
investigação em enfermagem;<br />
d)- Definir padrões de cuidados<br />
de enfermagem e indicadores de<br />
avaliação dos cuidados de<br />
enfermagem prestados;<br />
e)- Elaborar propostas referentes à<br />
gestão do pessoal de enfermagem,<br />
designadamente colaborar na<br />
avaliação do pessoal de enfermagem;<br />
f)- Propor a criação de um sistema<br />
efectivo de classificação de utentes/<br />
doentes que permita determinar<br />
necessidades em cuidados de<br />
enfermagem e zelar pela sua<br />
manutenção;<br />
g)- Elaborar estudos para<br />
determinação de custos/benefícios no<br />
âmbito dos cuidados de enfermagem;<br />
h)- Acompanhar e avaliar<br />
sistematicamente outros aspectos<br />
relacionados com o exercício da<br />
actividade de enfermagem e com a<br />
formação dos enfermeiros.<br />
3- O enfermeiro director responde<br />
perante o conselho de administração<br />
pela qualidade da assistência prestada,<br />
dentro das regras da boa prática e<br />
melhor gestão de recursos.<br />
4- No exercício das suas funções,<br />
o enfermeiro director é coadjuvado<br />
por um a três adjuntos, consoante<br />
o que for fixado no regulamento<br />
interno do Hospital, por si livremente<br />
escolhidos.<br />
Subsecção III<br />
Dos órgãos de apoio técnico<br />
permitir tal coisa, na<br />
prática, inverosímil.<br />
3 Quanto à estrutura de<br />
gestão o projecto é<br />
particularmente confuso,<br />
lacunar e sem visão<br />
estratégica:<br />
a) O artº 3 º, "Estrutura de<br />
<strong>Gestão</strong>", estranhamente<br />
colocado no início do<br />
diploma, apenas se refere a<br />
áreas de administração<br />
intermédia (os centros de<br />
responsabilidade). Omite,<br />
de forma incompreensível,<br />
a Administração<br />
Estratégica e a <strong>Gestão</strong><br />
Operacional.<br />
b) Nos Centros de<br />
responsabilidade,<br />
considerados unidades<br />
orgânicas descentralizadas<br />
com objectivos e recursos<br />
próprios, refere-se a<br />
existência de um<br />
"Responsável..."(sic), mas<br />
não se define o seu perfil,<br />
as suas habilitações, a sua<br />
forma de designação ou as<br />
suas competências.<br />
c) Classificam-se os<br />
Centros de<br />
responsabilidade em três<br />
tipos o que parece<br />
corresponder ao que a<br />
ciência de gestão prevê<br />
(nº 4 do artigo 3º).<br />
Todavia, ao referir-se ao<br />
Centro de proveitos, mais<br />
correcto seria referir-se a<br />
Centro de resultados. Por<br />
outro lado, não nos parece<br />
adequado num hospital,<br />
cuja unidade,<br />
complementaridade e<br />
sinergias devem ser<br />
preservadas, a existência<br />
de Centros de<br />
investimento. Tal situação<br />
pode conduzir ao<br />
desenvolvimento<br />
excessivo de áreas ou<br />
serviços, com profundos<br />
desequilíbrios na estrutura<br />
da oferta de cuidados em<br />
prejuízo das opções<br />
estratégicas da Instituição.<br />
d) A não clarificação dos<br />
diferentes níveis de gestão<br />
conduz ao conflito latente<br />
Artigo 14º<br />
(Comissão de ética)<br />
A comissão de ética rege-se pelas<br />
disposições do Decreto-Lei nº 97/95<br />
de 1 O de Maio.<br />
Artigo 15º<br />
(Comissão de humanização<br />
e qualidade dos serviços)<br />
A comissão de humanização e<br />
qualidade dos serviços rege-se pelas<br />
disposições contidas no Despacho do<br />
Secretário de Estado da Saúde de 15<br />
de Dezembro de 1992, publicado no<br />
DR, 2ª, de 16 de Janeiro de 1993.<br />
Artigo 16º<br />
(Comissão do controlo<br />
da infecção hospitalar)<br />
A comissão de controlo da infecção<br />
hospitalar rege-se pelas disposições do<br />
Despacho do Director-Geral de Saúde<br />
datado de 23 de Agosto de 1996,<br />
publicado no DR, 2ª, de 23 de Outubro.<br />
Artigo 17º<br />
(Comissão de farmácia e terapêutica)<br />
A comissão de farmácia e terapêutica,<br />
tem por objectivo controlar o<br />
cumprimento das rotinas associadas ao<br />
formulário nacional de medicamentos,<br />
dar parecer sobre a terapêutica<br />
medicamentosa que não conste do<br />
mesmo formulário, pronunciar-se<br />
sobre a correcção terapêutica da<br />
prescrição aos doentes, e apreciar,<br />
relativamente a cada serviço, os custos<br />
da respectiva terapêutica utilizada.<br />
Subsecção IV<br />
Do órgão de fiscalização<br />
Artigo 18º<br />
(Fiscal único)<br />
1- A fiscalização dos hospitais compete<br />
a um fiscal único, a nomear por<br />
despacho conj unto dos Ministros das<br />
Finanças e da Saúde.<br />
2- Nos hospitais centrais, distritais e<br />
especializados o fiscal único deve ser<br />
revisor oficial de contas ou sociedade<br />
de revisores oficiais de contas.<br />
3- O fiscal único terá sempre um<br />
suplente.<br />
4- Nos hospitais não referidos no nº 2,<br />
o Ministro da Saúde pode determinar<br />
que o fiscal único seja revisor oficial<br />
de contas, sempre que o entenda<br />
conveniente.<br />
5- O fiscal único rege-se pelas<br />
disposições legais respeitantes ao<br />
exercício da actividade de revisor<br />
oficial de contas.<br />
6- Não pode ser designado fiscal único<br />
ou suplente quem for beneficiário<br />
de vantagens particulares do próprio<br />
hospital, tenha exercido funções de<br />
administração nos últimos três anos,<br />
nem os revisores oficiais de contas em<br />
relação aos quais se verifiquem outras<br />
incompatibilidades previstas na lei.<br />
7- O funcionamento e competências<br />
do fiscal único são definidos pelo<br />
regulamento interno dos hospitais, a<br />
aprovar por portaria do Ministro da<br />
Saúde.<br />
Artigo 19º<br />
(Auditoria interna)<br />
1- Nos hospitais com mais de 500<br />
camas deve existir um serviço de<br />
auditoria interna dirigido por um<br />
auditor com a devida qualificação.<br />
2- Este serviço tem como objectivo<br />
promover a manutenção de um<br />
sistema de controlo interno eficaz<br />
destinado a:<br />
a)- Assegurar a função de auditoria<br />
nos domínios contabilístico,<br />
financeiro, operacional, informático,<br />
ambiental, da segurança e qualidade;<br />
b)- Assegurar o desenvolvimento das<br />
acções de auditoria solicitadas pelos<br />
órgãos de administração;<br />
c)- Fornecer ao conselho de<br />
administração e aos gestores<br />
operacionais, análises e<br />
recomendações sobre as actividades<br />
revistas para potenciar a melhoria da<br />
performance dos serviços;<br />
d)- Apoiar os órgãos de<br />
administração e gestão no<br />
cumprimento da sua missão;<br />
e)- Solicitar a realização de<br />
auditorias por entidades terceiras.<br />
2- O auditor reporta em termos<br />
orgânicos ao presidente do conselho<br />
de admin istração, devendo fornecer,<br />
em resultado das suas acções, pareceres<br />
e recomendações a problemas surgidos<br />
nas actividades revistas.<br />
3- No sentido de obter informação<br />
adequada para o desenvolvimento das<br />
auditorias, o auditor tem acesso livre<br />
a registos, computadores, instalações e<br />
pessoal do hospital.<br />
4- O serviço de auditoria interna é<br />
dirigido por um auditor com a devida<br />
qualificação, nomeado pelos Ministros<br />
das Finanças e da Saúde.<br />
5- O auditor elabora um plano<br />
anual de auditoria, de acordo com<br />
normas emanadas pelo conselho de<br />
administração, até 30 de Setembro<br />
de cada ano, para permitir a sua<br />
aprovação até 30 de Outubro do<br />
entre o que poderão ser as<br />
competências do<br />
"Responsável" pelo Centro<br />
de responsabilidade, e as<br />
que são atribuídas ao<br />
Director de Departamento<br />
e ao Director de Serviço,<br />
numa descrição de<br />
responsabilidades pouco<br />
esclarecida e pouco<br />
inovadora. Diga-se, a<br />
propósito, que a estrutura<br />
de prestação de cuidados<br />
assente no conceito de<br />
serviço ou departamento<br />
é hoje questionável pelos<br />
especialistas em<br />
organização hospitalar, e<br />
há soluções implementadas<br />
em diferentes países que<br />
dão credibilidade e<br />
vantagens clínicas e<br />
económicas a modelos<br />
mais integradores.<br />
e) É particularmente<br />
preocupante a falta de<br />
clareza quanto aos poderes<br />
do Director de Serviço em<br />
matéria disciplinar (alínea<br />
m) do nº 2 do artº<br />
25º), confrontados com<br />
os poderes do Conselho<br />
de Administração sobre a<br />
mesma matéria (alínea m)<br />
do nº 1 do artº 6º). Não<br />
é, do ponto de vista da<br />
gestão, desejável que o<br />
poder disciplinar seja, de<br />
forma integral e completo,<br />
atribuído ás direcções<br />
operacionais. Desse modo,<br />
um dos instrumentos<br />
fundamentais do Conselho<br />
de Administração, em<br />
matéria de regulação e<br />
controlo do clima<br />
organizacional, da<br />
disciplina e do<br />
desempenho de todos os<br />
profissionais, dentro de<br />
regras uniformes e<br />
equitativas, pode ser<br />
seriamente posto em<br />
causa.<br />
4. A nomeação dos orgãos<br />
de gestão e das figuras<br />
de Director Clínico e<br />
Enfermeiro Director é<br />
matéria da maior<br />
relevância,<br />
ffi GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
ano anterior a que diz respeito, o<br />
qual deve ser elaborado de acordo<br />
com o resultado de uma análise de<br />
risco negativo para o desempenho do<br />
hospital.<br />
6- Compete ao auditor entregar<br />
um relatório semestral ao conselho<br />
de administração no qual constem<br />
as principais deficiências verificadas<br />
a nível organizacional e medidas<br />
correctivas correspondentes.<br />
7- Sem prejuízo do disposto no<br />
número anterior, o auditor enviará,<br />
semestralmente, aos Ministros das<br />
Finanças e da Saúde, com<br />
conhecimento ao conselho de<br />
administração, um relatório sucinto<br />
sobre a actividade desenvolvida em<br />
que se refiram os controlos efectuados<br />
e as anomalias detectadas.<br />
8- A actividade do auditor deve ser<br />
articulada com a da Inspecção-Geral de<br />
Finanças, da Inspecção-Geral da Saúde<br />
e com o Instituto de <strong>Gestão</strong> Informática<br />
e Financeira da Saúde (IGIF).<br />
9- A remuneração do auditor é fixada<br />
por despacho conjunto dos Ministros<br />
das Finanças e da Saúde, suportado<br />
por verbas do orçamento do SNS.<br />
10- Nos hospitais não referidos no<br />
número 1, poderá igualmente existir<br />
um auditor, sempre que o Ministro da<br />
Saúde o entenda conveniente.<br />
Subsecção V<br />
Do órgão de consulta<br />
Artigo 20º<br />
(Composição do conselho consultivo)<br />
1- O conselho consultivo é composto<br />
por um presidente e nove vogais,<br />
nomeados de acordo com as seguintes<br />
regras:<br />
a)- O presidente e dois vogais<br />
designados pelo Ministro da Saúde;<br />
b)- Um vogal designado pelo<br />
Ministro das Finanças;<br />
c)- Três vogais designados pelas<br />
assembleias municipais dos<br />
municípios com maior número de<br />
utentes do hospital no triénio<br />
imediatamente an terior;<br />
d)- Três vogais designados pelo<br />
conselho de administração de entre<br />
o pessoal hospitalar, sendo<br />
obrigatoriamente um médico e um<br />
enfermeiro.<br />
O mandato dos membros do conselho<br />
consultivo tem a duração de três<br />
anos, sem prejuízo da possibilidade<br />
da sua substituição, a todo<br />
o tempo, pelas entidades que<br />
os designaram.<br />
rrJ GESTÃO HOSPITALAR<br />
Artigo 21 º<br />
(Competências do conselho consultivo)<br />
Compete ao conselho consultivo:<br />
a)- Apreciar os planos de actividade<br />
e financeiros de natureza anual e<br />
plurianual e as respectivas alterações,<br />
bem como os relatórios e contas;<br />
b)- Apreciar todas as informações<br />
que tiver por necessárias para o<br />
acompanhamento da actividade do<br />
hospital.<br />
Artigo 22º<br />
(Funcionamento do Conselho<br />
Consultivo)<br />
1- O conselho consultivo reúne duas<br />
vezes por ano e as suas deliberações<br />
serão tomadas por maioria simples e<br />
constarão de acta, tendo o presidente<br />
voto de qualidade.<br />
2- As demais regras de funcionamento<br />
do conselho consultivo são definidas<br />
em regulamento próprio, o qual deve<br />
incluir a previsão da substituição dos<br />
seus membros em situações de falta ou<br />
impedimento.<br />
3- Os membros do conselho<br />
consultivo têm direito ao abono de<br />
senhas de presença, de montante a<br />
definir por despacho conjunto dos<br />
Ministros das Finanças e da Saúde<br />
C APÍTULO III<br />
DA DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS<br />
E DEPARTAMENTOS<br />
Secção I<br />
Dos serviços de acção médica<br />
Artigo 23º<br />
(Nomeação dos directores<br />
de departamento e serviço)<br />
1- O director de departamen to, se<br />
previsto em sede de regulamento<br />
interno, é nomeado, em comissão de<br />
serviço por um período de três anos,<br />
pelo conselho de administração, sob<br />
proposta do Director C línico, de entre<br />
médicos com condições para serem<br />
nomeados directores de serviço.<br />
2- O director de serviço é nomeado<br />
pelo conselho de administração em<br />
comissão de serviço, por um período<br />
de três anos, entre chefes de serviço<br />
ou, na sua falta, de en tre assistentes<br />
graduados que, em qualquer dos casos,<br />
manifestem notórias capacidades de<br />
organização e qualidade de chefia;<br />
na falta de assisten tes graduados, e<br />
nas mesmas condições, poderá ser<br />
nomeado de entre assistentes.<br />
3- Os nomeados para os cargos<br />
referidos nos números anteriores<br />
deverão apresentar, no prazo de 30<br />
para a qual o documento<br />
em apreço, pouco ou nada<br />
d iz:<br />
a) Para o orgão de gestão<br />
não se define,<br />
minimamente, o perfil dos<br />
nomeados o que muito nos<br />
preocupa face ao processo,<br />
insofismavelmente<br />
desastroso, das nomeações<br />
para os Conselhos de<br />
Administração dos<br />
hospitais S.A. É a primeira<br />
vez que o legislador se<br />
dispensa de indicar, ainda<br />
que de forma elementar<br />
e geral, as condições para<br />
que uma pessoa possa<br />
desempenhar cargos de tão<br />
grande complexidade e<br />
relevância social;<br />
b) N os casos do Director<br />
Clínico e Enfermeiro<br />
Director, a redacção<br />
utilizada é, no mínimo,<br />
leviana e infeliz. Ao<br />
admitir que estes altos<br />
responsáveis pela<br />
condução técnica dos<br />
cuidados de saúde, têm<br />
que ser apenas, médicos e<br />
enfermeiros que<br />
" ... trabalham no<br />
SNS ... "(sic), sem qualquer<br />
exigência, em matéria de<br />
senioridade, experiência e,<br />
sobretudo, competências<br />
reconhecidas, abre espaço<br />
a todo o tipo de<br />
aberrações, culminando na<br />
inversão dos valores éticos<br />
e deontológicos ineren te<br />
aos cargos em referência,<br />
e no seu defin itivo<br />
desprestígio;<br />
c ) N ão se faz, ao longo de<br />
toda a proposta qualquer<br />
referência ao papel dos<br />
profissionais de gestão<br />
hospitalar. O legislador<br />
sabe da existência de um<br />
conhecimento específico<br />
nesta área, que obriga<br />
inclusive a uma formação<br />
pós-graduada dada por<br />
uma instituição<br />
universitária pública - a<br />
Escola N acional de Saúde<br />
Pública, da Universidade<br />
Nova de Lisboa.<br />
dias, con tados da data de início de<br />
funções, um programa de acção para<br />
o departamento ou serviço, conforme<br />
os casos, a submeter à aprovação<br />
do conselho de administração, com<br />
prévio parecer do director clínico<br />
e, se se aplicar, do director do<br />
departamento.<br />
+ A renovação da comissão de<br />
serviço está dependente da apreciação<br />
pelo conselho de administração de<br />
um relatório de actividades que<br />
explicite os resultados alcançados<br />
no cumprimen to dos objectivos<br />
estabelecidos e de um programa de<br />
acção para novo mandato a apresen tar<br />
pelos interessados até 60 dias antes do<br />
seu termo.<br />
5- As comissões de serviço podem,<br />
a todo o tempo, ser dadas por<br />
findas, por despacho do conselho de<br />
administração, com fundamento em:<br />
a) - N ão cumprimento dos objectivos<br />
previamente definidos, conforme<br />
estabelecido no n º 3 do artigo 1 Oº<br />
da Lei n º2 7 /2002 de 8 de Novembro;<br />
b)- Não apresentação ou não<br />
aprovação do programa de acção<br />
previsto no n.º3;<br />
c)- Procedimento disciplinar em que<br />
se tenha concluído pela aplicação de<br />
sanção disciplinar;<br />
d) - Requerimento do interessado.<br />
Artigo 24º<br />
(Competências do director de<br />
departamento)<br />
Ao director de departamento<br />
compete, com a salvaguarda das<br />
competências técnicas e científicas<br />
atribuídas a outros profissionais:<br />
a)- Promover, coordenar e programar<br />
as iniciativas técnico-científicas e<br />
de investigação dos diversos serviços<br />
que integram o departamento;<br />
b)- Compatibilizar e propor os planos<br />
de acção preparados pelos diversos<br />
serviços do departamento com vista<br />
à sua integração no plano de<br />
exploração do hospital;<br />
c)- G arantir a eficiente utilização da<br />
capacidade instalada,<br />
designadamente pelo pleno<br />
aproveitamento dos equipamentos<br />
e infra-estruturas existentes e pela<br />
diversificação do regime de horário<br />
de trabalho, de modo a alcançar<br />
uma taxa óptima da utilização dos<br />
recursos disponíveis;<br />
d )- Defin ir, propor e adoptar as<br />
medidas adequadas à máxima<br />
rentabilização da capacidade<br />
instalada do departamento,<br />
designadamente através de uma<br />
utilização não compartimentada da<br />
mesma, bem como acompanhar o<br />
sistema de avaliação;<br />
e)- Propor e adaptar as medidas<br />
necessárias à melhoria das estruturas,<br />
organizativas, funcionais e fís icas dos<br />
serviços do departamento, com vista<br />
ao incremento da eficiência conjunta<br />
da utilização dos recursos disponíveis,<br />
ao aumento da sua eficácia e à<br />
obtenção dos melhores resultados;<br />
f)- Preparar informações, relatórios<br />
e outros documentos, com a<br />
periodicidade adequada, e submetê-los<br />
ao conselho de administração de forma<br />
a mantê-lo constantemente informado;<br />
g)- Assegurar a máxima integração<br />
da actividade dos serviços do<br />
departamento, designadamente<br />
através da partilha de instalações<br />
e equipamento, multidisciplinaridade<br />
de actuação e desenvolvimento de<br />
proj ectos comuns, nomeadamente<br />
através de estruturas matriciais e<br />
transversais de prestação de cuidados;<br />
h )- Desenvolver a implemen tação<br />
de instrumentos de garantia de<br />
qualidade técnica dos serviços do<br />
departamento;<br />
i)- Velar pela constante actualização<br />
do pessoal, designadamente a que<br />
promova a multidisciplinaridade e<br />
intersectorialidade interna bem<br />
como pelos aspectos relativos à<br />
execução da política de recursos<br />
humanos definida para o hospital.<br />
Artigo 25º<br />
(Competências do director de serviço)<br />
1- Ao director de serviço compete,<br />
com a salvaguarda das competências<br />
técnicas e científicas atribuídas a<br />
outros profissionais, planear e dirigir<br />
toda a actividade do respectivo serviço<br />
de acção médica, sendo responsável<br />
pela correcção e prontidão<br />
dos cuidados de saúde a prestar aos<br />
doentes, bem como pela utilização e<br />
eficiente aproveitamento dos recursos<br />
postos à sua disposição.<br />
2- Compete, em especial, ao director<br />
de serviço:<br />
a)- Definir a organ ização da<br />
prestação de cuidados de saúde e<br />
emitir orientações, na observãncia<br />
das normas emitidas pelas en tidades<br />
competentes;<br />
b)- Elaborar o plano an ual de<br />
actividades e orçamento do serviço;<br />
c) - Analisar mensalmente os desvios<br />
Inclusivamen te, é o<br />
próprio SNS que<br />
contempla uma carreira<br />
própria, desde 1980, para<br />
os administradores<br />
hospitalares. Pois bem, tal<br />
formação e os profissionais<br />
que a possuem são<br />
completamente omitidos<br />
pelo legislador, e, em<br />
contrapartida, os lugares<br />
de gestão estratégica,<br />
intermédia e operacional,<br />
ficam disponíveis para<br />
qualquer pessoa,<br />
independentemente da sua<br />
formação ou experiência.<br />
Tudo se conjuga, assim,<br />
para que, a exemplo do<br />
que se tem passado nos<br />
hospitais S.A., pessoas sem<br />
qualificação<br />
adequada,sejam nomeadas<br />
para lugares de elevada<br />
responsabilidade, tendo<br />
por único critério de<br />
escolha a amizade pessoal<br />
e/ou a afinidade partidária.<br />
É profundamente<br />
lamen tável e con trário aos<br />
mais elementares<br />
princípios de<br />
responsabilidade política e<br />
social, utilizar os hospitais<br />
e as reformas que se<br />
anunciam, para, distribuir<br />
num círculo restrito,<br />
prebendas e compensações<br />
manifestamente ilegítimas.<br />
5. Por fim, uma referência<br />
à natureza jurídica dos<br />
hospitais. O legislador, no<br />
seu artº 2º, nºl, não<br />
se refere à autonomia<br />
administrativa e financeira<br />
dos hospitais, situação que<br />
desde os anos 60 se<br />
verificava. Não temos<br />
qualquer informação que<br />
nos permita dizer se é<br />
um lapso ou uma vontade<br />
deliberada. A confirmar-se<br />
esta segunda hipóte:;e,<br />
representará um retrocesso<br />
inimaginável para a gestão<br />
hespitalar.<br />
Lisboa, 25 de Fevereiro de <strong>2003</strong><br />
A Direcção da APAH<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
verificados face à actividade esperada<br />
e verbas orçamentadas, corrigi-los,<br />
ou, sendo necessário, propor medidas<br />
correctivas ao Director C línico, ou<br />
de Departamen to, quando exista;<br />
d )- Assegurar a produtividade e<br />
eficiência dos cuidados de saúde<br />
prestados e proceder à sua avaliação<br />
sistemática;<br />
e )- Acompanhar a realização de<br />
ensaios clínicos ou outras actividades<br />
promocionais em que esteja<br />
envolvido o nome do<br />
estabelecimento ou o serviço do<br />
h ospital sem colidir com o disposto<br />
no número anterior;<br />
f)- Promover a aplicação dos<br />
programas de controlo de qualidade<br />
e de produtividade zelando por uma<br />
melhoria contínua da qualidade dos<br />
cuidados de saúde;<br />
g)- Zelar pela organização e<br />
constante actualização dos processos<br />
clínicos, designadamente através da<br />
revisão das decisões de admissão e<br />
de alta, mantendo um sistema de<br />
codificação correcto e atempado das<br />
altas clínicas;<br />
h)- Propor ao director clínico ou de<br />
departamento, quando necessário, a<br />
realização de auditorias clínicas;<br />
i)- Propor a celebração de protocolos<br />
de colaboração ou apoio, contratos<br />
de prestação de serviço ou<br />
con ven ções com profissionais de<br />
saúde e instituições, públicas e<br />
privadas, no âmbito das suas<br />
actividades e para a prossecução dos<br />
objectivos definidos;<br />
j )- Zelar pela actualização das<br />
técnicas utilizadas, promovendo por<br />
si ou propondo aos órgãos<br />
competentes as iniciativas<br />
aconselháveis para a valorização,<br />
aperfeiçoamento e formação<br />
profissional do pessoal em serviço,<br />
organizar e supervisionar todas as<br />
actividades de formação e<br />
investigação;<br />
k)- Tomar conhecimento e<br />
determinar as medidas adequadas em<br />
resposta a reclamações apresen tadas<br />
pelos uten tes;<br />
1)- Assegurar a gestão adequada<br />
dos recursos humanos, incluindo a<br />
avaliação in tern a do desempenho<br />
global dos profissionais, dentro dos<br />
parâmetros estabelecidos;<br />
m)- Exercer o poder disciplinar sobre<br />
todo o pessoal independen temen te<br />
do regime de trabalho que o liga ao<br />
hospital;<br />
n)- Promover a manutenção de<br />
um sistema de controlo interno eficaz<br />
destinado a assegurar a salvaguarda<br />
dos activos, a integridade e<br />
fiabilidade do sistema de informação,<br />
a observância das leis, dos<br />
regulamentos e normas aplicáveis,<br />
assim como o acompanhamento dos<br />
obj ectivos globais definidos;<br />
o )- Zelar pelo registo atempado e<br />
correcto da contabilização dos actos<br />
clínicos, e providenciar pela gestão<br />
dos bens e equipamentos do serviço;<br />
p)- A ssegurar a gestão adequada e o<br />
controlo dos consumos dos produtos<br />
mais significativos, nomeadamente<br />
medicamen tos e material clínico.<br />
3- O director de serviço pode delegar<br />
as suas competências, reservando<br />
sempre para si o controlo da<br />
actividade do mesmo.<br />
Artigo 26º<br />
(Enfermeiro-chefe)<br />
Compete ao enfermeiro-ch efe, para<br />
além das competên cias constantes<br />
do DecretoLei nº437/91, de 8 de<br />
N ovembro e sua legislação<br />
complementar:<br />
a)- Supervisionar os cuidados de<br />
enfermagem e coordenar,<br />
tecnicamente, a actividade de<br />
enfermagem;<br />
b )- Colaborar na preparação de<br />
planos de acção e respectivos<br />
relatórios do serviço e promover a<br />
utilização optimizada dos recursos<br />
com especial relevo para o controlo<br />
dos consumos;<br />
c)- Programar as actividades de<br />
enfermagem, definindo<br />
nomeadamente as obrigações<br />
específicas dos enfermeiros e do<br />
pessoal auxiliar que com eles<br />
colabora, em especial os auxiliares<br />
de acção médica, propondo medidas<br />
destinadas a adequar os recursos<br />
disponíveis às necessidades,<br />
nomeadamente quando da elaboração<br />
de horários e planos de férias;<br />
d)- Propor o nível e tipo de<br />
qualificação exigidas ao pessoal de<br />
enfermagem, em função dos cuidados<br />
de enfermagem a prestar;<br />
e)- Elaborar, de forma articulada, o<br />
plano e relatórios anuais, referen tes<br />
às actividades de enfermagem;<br />
f)- Incrementar métodos de trabalho<br />
que favoreçam um melhor nível<br />
de desempenho do pessoal de<br />
enfermagem e responsabilizar-se pela<br />
... e propostas<br />
de alteração<br />
I<br />
A Direcção da APAH na sequência<br />
da reunião havida com Sua<br />
Excelência o Ministro da Saúde<br />
sobre o projecto de Decreto-Lei<br />
em referência, no passado dia 13<br />
de Março, vem, conforme então<br />
solicitado pelo Senhor Ministro,<br />
remeter algumas alterações que, no<br />
seu entender, permitirão dotar o<br />
documento de maior consistência<br />
técnica e organ izacional,<br />
designadamente, pelo<br />
reconhecimento do papel dos<br />
gestores hospitalares na actividade<br />
dos nossos h ospitais públicos.<br />
II<br />
A s alterações propostas são as<br />
seguintes:<br />
1. No artº 3º - Estrutura<br />
de <strong>Gestão</strong><br />
a) Justificação<br />
Os centros de responsabilidade são,<br />
no nosso entendimento, estruturas<br />
intermédias de gestão hospitalar,<br />
para as quais se necessita de órgãos<br />
intermédios de administração<br />
(referidos, aliás, no preâmbulo do<br />
projecto).<br />
Podem, por outro lado, envolver<br />
serviços de natureza exclusivamente<br />
clínica ou de natureza logistica<br />
ou podem, horizontalmente, incluir<br />
serviços de natureza mista.<br />
Ora, a liderança médica de um<br />
Centro de Responsabilidade,<br />
pressupõe a reunião de um conjunto<br />
vasto de conhecimentos,<br />
competências e aptidões que, em<br />
muito, transcendem a prestação<br />
técnica de cuidados e a sua<br />
organização. As questões<br />
económicas, de gestão de recursos,<br />
de avaliação de resultados e de<br />
controlo de gestão, aconselham<br />
a presença de um profissional<br />
de Administração <strong>Hospitalar</strong> que<br />
acompanhe a actividade de cada<br />
um dos Centros de<br />
Responsabilidade e permita<br />
estabelecer um diálogo permanente<br />
garantia da qualidade dos cuidados<br />
de enfermagem prestados;<br />
g)- Promover a divulgação da<br />
informação com in teresse para o<br />
pessoal de enfermagem.<br />
Secção II<br />
Dos serviços não clínicos<br />
Artigo 27º<br />
(Nomeação do responsável dos serviços)<br />
1- Os responsáveis pelos serviços<br />
são nomeados pelo conselho de<br />
administração, em comissão de<br />
serviço, por um período de três anos.<br />
2- Para efeitos do disposto n o número<br />
an terior, a respectiva nomeação deve<br />
recair, preferencialmente e sempre<br />
que o quadro de pessoal institucional<br />
o permita, em profissionais que<br />
man ifestem notórias capacidades de<br />
organização e experiên cia de gestão<br />
e chefia, sem prejuízo do<br />
preenchimento dos requisitos legais<br />
necessários para o exercício dos<br />
respectivos cargos e funções.<br />
Artigo 28º<br />
(Competências)<br />
1- Ao responsável pelo serviço<br />
compete, com salvaguarda das<br />
competências atribuídas por lei a<br />
outros órgãos, planear e dirigir toda<br />
a actividade do respectivo serviço,<br />
sendo responsável pela utilização e<br />
eficiente aproveitamento dos recursos<br />
postos à sua disposição.<br />
2- Compete, em especial, ao<br />
responsável pelo serviço, o seguin te:<br />
a)- Elaborar o plano anual de<br />
actividades e o orçamento do serviço;<br />
b )- Analisar mensalmente os desvios<br />
verificados face à actividade esperada<br />
e verbas orçamentadas, corrigi-los,<br />
ou, sendo necessário, propor medidas<br />
correctivas ao Conselh o de<br />
Administração;<br />
c)- Promover a manutenção de<br />
um sistema de con trolo interno<br />
eficaz destinado a assegurar a<br />
salvaguarda dos activos, a integridade<br />
e fiabilidade do seu sistema de<br />
informação, a observância das leis,<br />
dos regulamentos e n ormas<br />
aplicáveis, assim como o<br />
acompanhamen to dos object ivos<br />
globais definidos;<br />
d)- Assegurar a gestão adequada<br />
dos recursos humanos, incluindo a<br />
avaliação interna do desempenho<br />
global dos profissionais, dentro dos<br />
parâmetros estabelecidos e manter a<br />
disciplina do serviço, assegurando o<br />
cumprimento integral por todo o<br />
pessoal, independentemente do regime<br />
de trabalho que o liga ao hospital;<br />
e)- Promover a organ ização e registo<br />
da con tabilidade bem como<br />
providenciar pela organ ização e<br />
cadastro dos bens, móveis e imóveis;<br />
f)- A ssegurar a gestão adequada<br />
dos artigos em armazém, respectivo<br />
circuito e controlo de consumos<br />
dos produtos mais sign ificativos,<br />
utilizando para o efeito as técnicas<br />
mais adequadas;<br />
g)- Promover a aplicação dos<br />
programas de controlo de qualidade<br />
e de produtividade zelando por uma<br />
melhoria contínua da qualidade dos<br />
serviços, propondo ao conselho de<br />
administração, quando necessário, a<br />
realização de auditorias;<br />
h )- Propor a celebração de<br />
protocolos de colaboração ou apoio,<br />
contratos de prestação de serviço<br />
ou con venções com instituições,<br />
públicas e privadas, no âmbito das<br />
suas actividades e para a prossecução<br />
dos objectivos defin idos;<br />
i)- Zelar pela actualização das<br />
técnicas utilizadas, promovendo por si<br />
ou propondo aos órgãos competentes<br />
as iniciativas aconselháveis para a<br />
valorização, aperfeiçoamento e<br />
formação profiss ional do pessoal em<br />
serviço, organ izar e supervisionar<br />
todas as actividades de formação e<br />
investigação.<br />
CA PÍT U LO IV<br />
(RECURSOS HUMAN OS)<br />
Artigo 29º<br />
(Pessoal)<br />
O s funcionários e agentes da<br />
Administração Pública que prestam<br />
serviço no hospital, à data da entrada<br />
em vigor do presente diploma, regem-se<br />
pelas normas gerais previstas na Base<br />
XXXI da Lei nº 48/90, de 24 de Agosto,<br />
na redacção que lhe foi dada pela Lei<br />
27/2002, de 8 de N ovembro.<br />
Artigo 30º<br />
(A dmissão)<br />
1- A admissão de pessoal, após<br />
a entrada em vigor do presente<br />
diploma, pode reger-se, de acordo<br />
com os princípios da publicidade,<br />
da igualdade, da proporcionalidade e<br />
da prossecução do interesse público,<br />
pelas normas aplicáveis ao contrato<br />
individual de trabalho, de harmonia<br />
com o disposto no artigo 14 º da Lei<br />
27/2002, de 8 de N ovembro.<br />
e un iforme com o Conselho de<br />
Administração.<br />
b ) A lteração proposta<br />
Propõe-se acrescentar en tre os<br />
n úmeros 2 e 3, do artº 3º, um<br />
outro número (que passaria a 3,<br />
assumindo os restan tes números do<br />
artigo, sucessivamente, os números<br />
4, 5 e 6), com a seguinte<br />
formulação:<br />
3. No sentido de promover o melhor<br />
acompanhamento técn ico quanto<br />
à gestão, coordenação e avaliação<br />
dos resultados, deverá o Conselho<br />
de Administração designar um<br />
profissional de Administração<br />
<strong>Hospitalar</strong> para o exercício dessas<br />
funções junto de um ou mais<br />
Centros de Responsabilidade,<br />
sempre que o seu responsável não<br />
possua esse tipo de formação.<br />
2. No artº 5º - Composição<br />
e nomeação do<br />
Conselho de Administração<br />
a) Justificação<br />
O artigo em referência enferma,<br />
para além de uma deficien te e<br />
imprecisa redacção, de<br />
vulnerabilidades técnicas<br />
relevantes.<br />
Sobressai, desde logo, o facto<br />
dos membros executivos e nãO"<br />
executivos poderem constituir um<br />
número par, pelo menos na sua<br />
formulação básica, o que tom a o<br />
C onselho de Administração menos<br />
operativo, contrariando até as<br />
exigências de composição previstas<br />
nos hospitais S.A ., sem razão lógica<br />
ou evidente.<br />
Releva também da proposta a<br />
ausência de um perfil mín imo ou<br />
enquadrador para os nomeados,<br />
situação que deve ser corrigida<br />
como garantia indispensável para<br />
a boa gestão de entidades tão<br />
complexas, específicas e socialmente<br />
importantes como são os hospitais.<br />
b ) A lterações propostas<br />
1. O Conselho de Administração<br />
é composto pelo Presidente e dois<br />
vogais, como membros executivos ...<br />
(o restante mantém-se).<br />
2. Os membros executivos do<br />
C onselho de Admin istração são<br />
~ GESTÃO HOSP!TALAR<br />
GESTÃO HOSP!TALAR ~
2- Mantém-se em vigor as dotações<br />
de pessoal definidas para os hospitais,<br />
bem como os concursos para ingresso<br />
ou acesso em curso à data de entrada<br />
em vigor do presente diploma, nos<br />
termos gerais da lei.<br />
CAPÍTULO V<br />
Financiamento<br />
Artigo 31 º<br />
(Receitas)<br />
Constituem receitas dos hospitais as<br />
constantes do artigo 13º do Regime<br />
Jurídico da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>, aprovado<br />
pela Lei nº27/2002, de 8 de Novembro,<br />
sem prejuízo do disposto no artigo 35º.<br />
Artigo 32º<br />
(Tabela de preços)<br />
1- De harmonia com o nºl da Base<br />
XXXIII da Lei de Bases da Saúde,<br />
aprovada pela Lei nº48/90, de 24<br />
de Agosto, na redacção que lhe<br />
foi dada pelo artigo 1 ºda Lei<br />
nº 27/2002, de 8 de Novembro,<br />
os hospitais são financiados através<br />
do pagamento dos actos, técnicas<br />
e serviços efectivamente prestados,<br />
segundo uma Tabela de Preços que<br />
consagra uma classificação dos<br />
mesmos, a aprovar por Portaria do<br />
Ministro da Saúde.<br />
Artigo 33º<br />
(Contrato e forma de pagamento)<br />
1- O Estado, através de organismo<br />
apropriado do Ministério da Saúde,<br />
negociará anualmente com cada<br />
Hospital um Contrato, que terá por<br />
objecto a definição de objectivos e meta ~<br />
quantitativas do plano de actividade do<br />
Hospital no âmbito da prestação de<br />
serviços e cuidados de saúde.<br />
2- O referido Contrato disporá ainda<br />
sobre as prioridades e modalidades<br />
da prestação de cuidados, padrões<br />
de qualidade, níveis de serviço e<br />
sistema de monitorização e avaliação<br />
de resultados.<br />
3- O pagamento dos serviços e<br />
cuidados de saúde prestados terá<br />
como base os valores definidos<br />
anualmente pelo organismo apropriado<br />
do Ministério da Saúde, para a<br />
globalidade das prestações e volumes de<br />
produção acordados para o período de<br />
vigência do Contrato, ponderados pelo<br />
índice de case-mix de cada hospital.<br />
4- O C ontrato poderá ainda dispor<br />
sobre contrapartidas financeiras<br />
especiais, a auferir pelo Hospital, em<br />
função dos resultados obtidos ou da<br />
~ GESTÃO HOSPITALAR<br />
criação de incentivos de produtividade<br />
e da prestação mais eficiente de<br />
cuidados, associadas a programas e<br />
planos de convergência plurianuais.<br />
5- O Hospital deverá emitir e enviar<br />
mensalmente à entidade responsável<br />
uma factura com a descrição dos<br />
actos, serviços e cuidados prestados,<br />
identificados por utente, relativa à<br />
actividade do mês anterior.<br />
6- O Hospital receberá, mensalmente,<br />
por adiantamento do contrato, as<br />
importâncias correspondentes aos<br />
volumes de produção contratados, que<br />
serão objecto de acerto de contas<br />
trimestrais, face à facturação emitida e<br />
conferida pela entidade responsável.<br />
CAPÍTULO VI<br />
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO<br />
Artigo 34º<br />
(Sistema de avaliação de<br />
desempenho)<br />
1- O sistema de avaliação de<br />
desempenho hospitalar constitui um<br />
instrumento de gestão e motivação<br />
dos profissionais, associado ao sistema<br />
de objectivos traçado para cada<br />
hospital, atendendo às necessidades<br />
específicas e aos objectivos concretos a<br />
prosseguir em cada região ou unidade<br />
hospitalar num determinado período<br />
de tempo.<br />
2- O sistema de avaliação de<br />
desempenho inclui um conjunto<br />
ponderado de factores de avaliação,<br />
em estreita ligação com a produção<br />
alcançada, eficiência conseguida na<br />
gestão dos recursos e com a qualidade<br />
dos resultados obtidos.<br />
3- O sistema de avaliação do<br />
desempenho estabelecido pelo<br />
presente diploma será regulamentado<br />
por despacho do Ministro da Saúde,<br />
tendo em vista operacionalizar o<br />
relatório crítico de actividades, e<br />
pormenorizar outros aspectos relativos<br />
à aplicação do sistema.<br />
Artigo 35º<br />
(Divulgação pública)<br />
Nos termos do artigo 8º do Regime<br />
Jurídico da <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>,<br />
aprovado pela Lei nº 27/2002, de<br />
8 de Novembro, os conselhos de<br />
administração dos hospitais devem<br />
proceder, até 30 de Março de cada<br />
ano, ao envio de um relatório à<br />
respectiva ARS, com os indicadores<br />
de desempenho e eficiência que lhes<br />
venham a ser solicitados, reportados<br />
ao ano civil anterior, que permita<br />
nomeados pelo Ministro da Saúde,<br />
na observância pelo estabelecido<br />
no número seguinte.<br />
3. (Novo) Pelo menos dois dos<br />
membros executivos do Conselho<br />
de Administração deverão possuir<br />
formação especifica em gestão<br />
hospitalar e experiência efectiva de<br />
gestão de, no mínimo, 3 anos.<br />
4. (Igual ao actual nº 3 ).<br />
5. O Ministro da Saúde pode<br />
determinar que, face ao perfil<br />
do Presidente do Conselho de<br />
Administração, natureza e<br />
dimensão do hospital, aquele<br />
assuma também as competências de<br />
um dos outros membros executivos.<br />
6. (Igual ao actual nº 5)<br />
Propõe-se, em conformidade com<br />
o anteriormente proposto, a<br />
eliminação do actual n º 6 deste<br />
artigo.<br />
3. No artº 20º - Composição<br />
do Conselho Consultivo<br />
a) Justificação<br />
Considerando as competências<br />
previstas para este órgão ( cf. artigo<br />
21 º)e o facto de os A.H. serem<br />
profissionais previstos e existentes<br />
nos quadros dos hospitais, a sua<br />
inclusão no Conselho Consultivo é<br />
uma mais-valia natural e óbvia que<br />
convirá repescar.<br />
Afigura-se-nos, assim, que a<br />
presença dos A.H. neste órgão,<br />
pelo conhecimento técnico que<br />
possuem e pela prática já obtida<br />
pelos actuais "Conselhos Técnicos"<br />
será, indiscutivelmente, das mais<br />
relevantes para o funcionamento<br />
do "novo" Conselho Consultivo.<br />
b) Alteraçõespropostas<br />
Propõe-se uma alteração na alínea<br />
d) do nº 1 que ficará com a seguinte<br />
redacção: ,.<br />
""<br />
1. d) três vogais designados pelo •<br />
Conselho de Administração, de<br />
cada um: dos seguintes grupos<br />
profissionais: de administração<br />
hospitalar, médico e de<br />
enfermagem.<br />
4. Secção II .. Dos Serviços<br />
não clínicos<br />
Artigo 2 7 º .. Nomeação<br />
do responsável dos serviços<br />
a) Justificação<br />
a posterior consolidação com as<br />
diferentes regiões, e a sua divulgação<br />
pública pelo Ministro da Saúde.<br />
C apítulo VI<br />
Disposições finais e transitórias<br />
Artigo 36º<br />
(Regulamento interno)<br />
1- Para efeitos do disposto no n ° 2 do<br />
artigo 11 º da Lei n º2 7 /2002, de 8 de<br />
N ovembro, o regulamento interno dos<br />
hospitais é aprovado pelo conselho<br />
de administração, e homologado pelo<br />
Ministro da Saúde.<br />
2- O regulamento interno deve ser<br />
aprovado no prazo de 120 dias a<br />
contar da data da entrada em vigor<br />
deste diploma.<br />
Artigo 37º<br />
(Grupos e centros hospitalares)<br />
1- É aplicável a cada um dos<br />
hospitais integrados em grupos e aos<br />
centros hospitalares o esquema de<br />
órgãos previsto neste diploma, com as<br />
necessárias adaptações, bem como as<br />
respectivas competências, sem prejuízo<br />
do disposto no Decreto-Lei n º284/99,<br />
de 26 de Julho, e com observância do<br />
disposto no número seguinte.<br />
2- No regulamento interno de cada<br />
centro ou grupo hospitalar serão<br />
definidos, além da composição dos<br />
seus órgãos, o grau de autonomia e<br />
o esquema de órgãos de cada um dos<br />
estabelecimentos que o constituem.<br />
Artigo 38º<br />
(Comissões de Serviço)<br />
A renovação das comissões de serviço<br />
dos mandatos dos directores de<br />
departamento, de serviço e<br />
equiparados, bem como de outros<br />
cargos, inseridos em estatutos das<br />
respectivas carreiras, que<br />
correspondam a corpos especiais do<br />
Ministério da Saúde, que terminam em<br />
<strong>2003</strong> está dependente da apreciação<br />
pelo conselho de administração de um<br />
relatório que explicite os resultados<br />
alcançados e de um programa de acção<br />
para o novo mandato, a apresentar no<br />
prazo de 90 dias após a entrada em<br />
vigor do presente diploma.<br />
Artigo 39º<br />
(Contratação de bens e serviços)<br />
1- A contratação de bens e serviços<br />
pelos hospitais rege-se pelas normas<br />
de direito privado, sem prejuízo da<br />
aplicação das directivas comunitárias<br />
e do A cordo sobre Mercados Públicos<br />
celebrados no âmbito da Organização<br />
Mundial do Comércio.<br />
2- O regulamento interno dos hospitais,<br />
aprovado nos termos do artigo 35º,<br />
deve, para efeitos do número anterior,<br />
garantir o cumprimento dos princípios<br />
da publicidade, da livre concorrência e<br />
da não discriminação, da qualidade e da<br />
economicidade, de molde a alcançar a<br />
melhor gestão dos meios ao seu dispor, de<br />
harmonia com regulamento-tipo a aprovar<br />
por despacho do Ministro da Saúde.<br />
Artigo 40º<br />
(Tabela de preços)<br />
A Tabela de Preços prevista no nºl do<br />
artigo 32º deverá ser progressivamente<br />
aplicada para os devidos efeitos, durante<br />
o ano de <strong>2003</strong>, de forma a poder entrar<br />
em vigor a 1 de Janeiro de 2004.<br />
Artigo 41 º<br />
(Sucessão)<br />
Os hospitais referidos no artigo 1 º<br />
sucedem na universalidade dos direitos<br />
e obrigações de que sejam titulares,<br />
constituindo o presente diploma título<br />
bastante para o efeito.<br />
Artigo 42º<br />
(Extensão do âmbito de aplicação)<br />
Sem prejuízo do disposto no artigo<br />
1 °, o presente diploma aplica-se<br />
subsidiariamente aos hospitais do SNS<br />
integrados na Rede de Prestação<br />
de Cuidados de Saúde, referidos na<br />
alíneas b) do nºl do artigo 2º e nos<br />
temos do nº l do artigo 18º, bem<br />
como aos hospitais referidos no artigo<br />
15 º, todos do Regime Jurídico da<br />
G estão <strong>Hospitalar</strong>, aprovado pela Lei<br />
nº27/2002, de 8 de Novembro.<br />
A rtigo 43º<br />
(Norma revogatória)<br />
São revogados:<br />
a)- Os artigos 1 º, 2º, 5º e 6º do Decreto,<br />
Lei nº39/2002, de 20 de Fevereiro;<br />
b)- O Decreto-Regulamentar nº3/88,<br />
de 22 de Janeiro;<br />
e)- O Decreto-Regulamentar n º7 /89,<br />
de 4 de Março;<br />
d), O Decreto,Regulamentar<br />
nºl4/90, de 6 de Junho.<br />
Artigo 43º<br />
(Entrada em vigor)<br />
O presente diploma entra em vigor no dia<br />
1 do mês seguinte ao da sua publicação.<br />
Visto e aprovado em Conselho<br />
de Ministros,<br />
O Primeiro - Ministro<br />
A Ministra de Estado e das Finanças<br />
O Ministro da Saúde<br />
A designação " ... serviços não<br />
clínicos" em oposição terminológica<br />
com serviços clínicos não nos<br />
parece a mais feliz. O carácter complementar<br />
e sinérgico desse tipo de<br />
serviços aconselha porventura uma<br />
terminologia não dicotómica que<br />
sugira a inter-relação indispensável<br />
entre eles.<br />
Por outro lado, a existência de<br />
uma formação especializada em<br />
A .H. contemplada numa carreira<br />
própria, para a qual os hospitais<br />
dispõem de lugares nos seus<br />
quadros, pressupõe que a direcção e<br />
chefia deste tipo de serviços esteja a<br />
cargo de profissionais de A.H ..<br />
b) A lterações propostas<br />
O titulo da Secção II deverá<br />
ser modificado, e em vez da<br />
designação "Dos Serviços não<br />
Clínicos", propõe-se a designação<br />
de "Serviços de suporte operacional<br />
e de gestão".<br />
Propõe-se, também, a alteração do<br />
n º2, que passaria a ter a seguin te<br />
redacção:<br />
2. Para efeitos do disposto no<br />
número anterior, a respectiva<br />
nomeação deve recair, sempre que<br />
possível e aplicável, em<br />
profissionais com formação<br />
específica em administração<br />
hospitalar, sem prejuízo do<br />
preenchimento dos requisitos legais<br />
necessários para o exercício dos<br />
respectivos cargos e funções.<br />
III<br />
Notas finais<br />
Limitamo-nos, nestas sugestões, a<br />
dar cumprimento à amável<br />
solicitação de Sua Excelência o<br />
Ministro da Saúde, no que<br />
concerne aos interesses específicos<br />
dos profissionais de A.H., tendo em<br />
conta a gestão dos nossos hospitais<br />
públicos.<br />
Todavia, as restantes dúvidas,<br />
omissões e reparos que<br />
apresentamos no nosso comentário<br />
inicial, mantêm-se, recome!'ldando<br />
esta Direcção a sua ponderação, no<br />
sentido de se promover a melhoria<br />
global do projecto do Decreto-Lei<br />
em apreço.<br />
Lisboa, 18 de Março de <strong>2003</strong><br />
A Direcção da APAH<br />
GESTÃO HOSPITALAR rn
Comunicação para a Qualidade na Saúde<br />
INA promove formação inovadora<br />
Aqualidade dos serviços de saúde é<br />
um tema de grande actualidade.<br />
Contudo, quem garante que cidadãos<br />
e profissionais da saúde partilham a<br />
mesma ideia de "qualidade em saúde"?<br />
A fim de contribuir para a resposta<br />
a este desafio, o Instituto Nacional<br />
de Administração (INA) iniciou em<br />
2002 um programa de formação em<br />
comunicação para os profissionais<br />
da saúde, que constitui o primeiro<br />
projecto na área oferecido em Portugal.<br />
Com a colaboração de um profissional<br />
especialista na matéria e com<br />
experiência adquirida quer no<br />
estrangeiro, quer em Portugal, o<br />
INA pretende ir ao encontro das<br />
necessidades há muito identificadas<br />
por utentes dos serviços de saúde,<br />
profissionais e responsáveis políticos.<br />
Atendendo ao êxito da primeira<br />
edição do curso "Comunicação para<br />
a Qualidade nos Hospitais", o INA<br />
e a APAH promovem, de 26 e<br />
27 de Junho e 11 de Julho, em<br />
Oeiras, no Palácio dos Marqueses de<br />
Pombal, a 2.ª edição desta acção de<br />
formação destinada a administradores<br />
hospitalares. Esta visa dar a conhecer<br />
os fenómenos da comunicação e<br />
a sua relevância para a "reforma<br />
cultural" subjacente a um programa de<br />
qualidade nos hospitais.<br />
A comunicação desempenha um papel<br />
fundamental na implementação de<br />
uma política de qualidade. Mas o<br />
conceito de "qualidade em saúde",<br />
o seu significado, necessita de ser<br />
"comunicado" aos públicos internos e<br />
externos das organizações do Serviço<br />
Nacional de Saúde (SNS).<br />
Profundas alterações<br />
A implementação de políticas de<br />
qualidade exige profundas alterações<br />
de comportamentos e processos para<br />
as quais a definição de planos e<br />
estratégias de comunicação eficientes<br />
é decisiva. Com efeito, torna-se<br />
necessário demonstrar que as propostas<br />
para a qualidade apresentam enormes<br />
vantagens para todos e saber como<br />
contrariar as percepções erradas<br />
entretanto estabelecidas, responsáveis<br />
pelas resistências à mudança e<br />
inovação. Importa reflectir sobre o<br />
papel da função "comunicação" e dos<br />
instrumentos estratégicos na promoção<br />
de políticas de qualidade na saúde<br />
e identificar alternativas práticas para<br />
fomentar as necessárias alterações<br />
comportamentais.<br />
O programa de formação em<br />
comunicação para a saúde surge no<br />
âmbito de um programa de formação<br />
mais alargado de comunicação pública,<br />
oferecido pelo IN A há já alguns<br />
anos, que se destina a promover a<br />
institucionalização na Administração<br />
Pública de políticas de comunicação<br />
enquanto instrumentos estratégicos de<br />
apoio à gestão pública.<br />
Para mais informação e inscrições:<br />
isalia.casimiro@ina.pt ou 21 4118741.<br />
Presidentes das Associações Europeias<br />
de Gestores <strong>Hospitalar</strong>es reunem-se no Algarve<br />
V<br />
ilamoura<br />
foi o local escolhido<br />
para a reunião trimestral dos<br />
dirigentes da Associação Europeia de<br />
Gestores <strong>Hospitalar</strong>es, nos passados<br />
dias 2 e 3 de Maio.<br />
Na agenda das sessões - da Direcção ·<br />
e do Conselho de Administração -<br />
incluiu-se a preparação da Assembleia<br />
Geral a ter lugar nos próximos<br />
dias 5 e 6 de Julho em Dresden,<br />
na Alemanha, designadamente a<br />
aprovação das contas de 2002 e o<br />
orçamento para 2004.<br />
Foi ainda analisado o alargamento<br />
da EAHM a novos países-membros,<br />
como p. ex. a Grécia, Malta e<br />
Turquia, bem como os trabalhos<br />
levados a cabo pela Subcomissão<br />
Cientifica, com vista à preparação<br />
de um Seminário Europeu sobre<br />
Acreditação <strong>Hospitalar</strong>.<br />
Ficou também decidido o lançamento<br />
de um questionário a ser preenchido<br />
por cada país-membro, que actualize a<br />
informação sobre o papel dos gestores<br />
hospitalares, as características<br />
profissionais e sociais do seu<br />
ÉE GESTÃO HOSPITALAR<br />
desempenho, as suas competências<br />
e, ainda, que indique os aspectos<br />
mais marcantes da vida de cada<br />
Associação Nacional. Os resultados<br />
deste inquérito serão, em principio,<br />
apresentados na Assembleia Geral,<br />
a realizar-se proximamente em<br />
Dresden.<br />
Finalmente, foram apresentados os<br />
desenvolvimentos já registados na<br />
preparação do próximo Congresso<br />
da EAHM, em Oslo, em 2004, e<br />
cuja organização está a cargo das<br />
Associações Norueguesa e Sueca.<br />
Com a presença dos Presidentes das<br />
Associações nacionais de cerca de<br />
20 países membros e a APAH<br />
como anfitriã, este acontecimento<br />
decorreu com o maior sucesso, quer<br />
nas sessões de trabalho, quer na<br />
sua componente social, factos que<br />
foram amplamente reconhecidos,<br />
com simpatia e gratidão, por todos os<br />
participantes.<br />
Presidente da APAH integra comissão organizadora<br />
Conferência luso-francófona de saúde<br />
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es, Manuel Delgado, foi convidado pelas autoridades<br />
canadianas do Quebec para integrar, por Portugal, a comissão<br />
organizadora da Conferência Luso-Francófona de Saúde, a<br />
realizar em Montreal em 2005.<br />
A Comissão Organizadora será presidida pelo director da<br />
Universidade de Montreal, contando ainda com a participação<br />
do presidente da Associação Brasileira dos Secretários Estaduais<br />
da Saúde.<br />
..<br />
Em Alzira, Valência<br />
Experiência de sucesso<br />
no Hospital de La Ribera<br />
Os alunos do XXXI Curso de<br />
Especialização em Administração<br />
<strong>Hospitalar</strong>, da Escola Nacional de Saúde<br />
Pública, realizaram nos dias 9 e 10<br />
de Dezembro, uma visita de estudo ao<br />
Hospital La Ribera, em Alzira (Valência),<br />
acompanhados pelo presidente da<br />
Associação Portuguesa de Administradores<br />
<strong>Hospitalar</strong>es, Dr. Manuel Delgado, uma<br />
comitiva do Hospital dos Capuchos,<br />
presidida pelo director, Prof. Pereira Alves,<br />
e pelo administrador-delegado dos<br />
H ospitais da Universidade de Coimbra,<br />
Dr. Pedro Lopes.<br />
O interesse desta visita foi determinado<br />
pela experiência que representa para o<br />
sistema de saúde espanhol e, sobretudo,<br />
para a comunidade valenciana, a gestão<br />
deste novo hospital que, pelo segundo ano<br />
consecutivo, obteve o primeiro lugar no<br />
sistema de classificação de desempenho,<br />
Top 20 1 , na categoria dos "Grandes<br />
Hospitales Generales".<br />
Os dois dias do programa foram<br />
preenchidos com sete palestras que<br />
abordara1n as principais áreas de gestão e<br />
organização do hospital, incluindo ainda<br />
uma visita ao hospital.<br />
Na sessão de abertura, Manuel Marin,<br />
representante da comunidade valenciana,<br />
e Alberto de la Rosa, gestor do hospital,<br />
fizeram um enquadramento do hospital La<br />
Ribera no sistema de saúde da comunidade<br />
valenciana e apresentaram o sistema de<br />
financiamento (capitação) que respeita<br />
exclusivamente ao La Ribera.<br />
Em Espanha a reforma do sistema de<br />
saúde passou pela entrega da gestão<br />
do sistema às comunidades autónomas,<br />
pertencendo a responsabilidade da<br />
concessão administrativa do hospital La<br />
Ribera à Comunidade Valenciana. Esta,<br />
por sua vez, definiu um modelo cujo<br />
financiamento é capitativo (224.58 Euros<br />
por habitante/ano - 230 mil pessoas); o<br />
terreno onde foi construído o hospital é<br />
público e reverterá num prazo de 1 O anos<br />
para o domínio público; o controlo público<br />
é realizado através da figura do comissário<br />
(criada para o efeito), com capacidade de<br />
controlo, inspecção e faculdade normativa<br />
e sancionatória.<br />
Entre as funções do comissário deve<br />
destacar-se a supervisão da realização de<br />
inquéritos aos utentes e o facto de<br />
ser o primeiro destinatário das queixas<br />
formuladas ao funcionamento do hospital.<br />
Tem ainda poderes de supervisão na<br />
definição da programação dos serviços ou<br />
da inclusão de novas especialidades à<br />
carteira de serviços definida inicialmente.<br />
A lista de espera do hospital nunca poderá<br />
exceder os 90 dias.<br />
O hospital La Ribera é um hospital público<br />
de gestão privada, entregue por concurso<br />
a um consórcio cujo capital é distribuído<br />
desta forma: 51 %, companhia de seguros<br />
ADESLAS; 44%, Cajas de Ahorros; 4%,<br />
empresas construtoras.<br />
As bases conceptuais do modelo a destacar<br />
para além do financiamento capitativo,<br />
do controlo público e da reversão para<br />
o domínio público, centram-se na<br />
contratação de pessoal que é realizada pelo<br />
contrato individual de trabalho. Seguindo<br />
o princípio de que o dinheiro segue o<br />
doente, o hospital paga a outros hospitais<br />
100 % do custo do tratamento de doentes<br />
da sua área de influência e cobra 80 % do<br />
custo dos doentes tratados no hospital e<br />
1<br />
O Top 20 é um programa<br />
de avaliação dos hospitais,<br />
baseado em dados objectivos<br />
e disponíveis. A participação<br />
neste benchmarking é<br />
voluntária e visa constituir<br />
um padrão de referência para<br />
a identificação de áreas de<br />
melhoria no funcionamento<br />
dos hospitais. Os hospitais<br />
são classificados em cinco<br />
grupos, em função de critérios<br />
de tamanho, de ensino e<br />
nível tecnológico. Ql)pois de<br />
agrupados, os hospitais são<br />
confrontados com cinco<br />
indicadores chave que<br />
contemplam: critérios de<br />
qualidade, funcionamento e<br />
eficiência. Em cada grupo são<br />
escolhidos os quatro primeiros<br />
hospitais que formam o Top<br />
20. Este ranking na edição de<br />
2002 envolveu 143 hospitais<br />
públicos e privados.<br />
GESTÃO HOSPITALAR ffi
oriundos de outras áreas.<br />
Os aspectos de diferenciação do hospital<br />
para a população residem na livre escolha<br />
do hospital, na livre escolha dos<br />
profissionais, na inexistência de lista de<br />
espera, nos quartos individuais ( 225),<br />
no horário das consultas (segunda a<br />
sexta das 8:00 às 22:00), no horário<br />
de funcionamento dos blocos operatórios<br />
(segunda a sábado das 8:00 às 22:00), no<br />
sistema de incentivos por objectivos, na<br />
informatização total do hospital (história<br />
clínica electrónica - sistema radiológico<br />
digital).<br />
Neste momento, o Hospital La Ribera vive<br />
um período crucial na sua história, visto<br />
o contrato realizado com a comunidade<br />
valenciana ter sido interrompido por<br />
comum acordo de forma a possibilitar<br />
a realização de um novo concurso que<br />
estipule prazos mais alargados (30 anos).<br />
A satisfação da entidade financiadora, dos<br />
destinatários dos serviços e da entidade<br />
prestadora estará na base desta alteração.<br />
A experiência de gestão do La Ribera<br />
poderá também ser transferida para<br />
Portugal. O representante do consórcio<br />
espanhol revelou à comitiva portuguesa<br />
que se estão a preparar para se lançarem no<br />
mercado português.<br />
Incentivos<br />
aos profissionais<br />
O Hospital La Ribera possui um quadro de<br />
incentivos que, meticulosamente, pondera<br />
os objectivos, individuais e colectivos,<br />
assente num eficaz arsenal de indicadores<br />
de gestão e num potente sistema de<br />
informação intra, hospitalar.<br />
C riam,se alvos orçamentais colectivos e<br />
individuais. A avaliação de resultados é<br />
ponderada por meio dos Diagnosis Related<br />
Groups. N o ambulatório a valoração é ao<br />
acto, já nos serviços centrais, por exemplo,<br />
é de acordo com o tempo de resposta. A<br />
unidade entre os objectivos da empresa,<br />
do serviço e dos indivíduos é o princípio<br />
inspirador do esquema de incentivos no La<br />
Ri bera.<br />
Os sistemas de incentivos têm, neste<br />
hospital, como fins primordiais: a<br />
diferenciação positiva dos funcionários;<br />
a criação de condições de atractividade<br />
em relação a outros hospitais da rede<br />
de saúde respondendo às reclamações do<br />
pessoal da rede pública através de um<br />
meio de remuneração e quadro de recursos<br />
humanos distintos.<br />
Este modelo funciona nas<br />
denominadas áreas de:<br />
Hospitalização; Bloco<br />
Operatório; Urgências e<br />
Serviços Centrais.<br />
Para além dos incentivos<br />
pecuniários, o hospital<br />
financia cursos de<br />
formação, assistência a<br />
congressos e estágios com<br />
a apreciação prévia da<br />
Comissão de Dotações<br />
(a importância atribuída<br />
a esta questão encontra,se<br />
bem patente nas 483<br />
assistências a cursos<br />
financiadas pelo hospital e 36.060,73 euros<br />
investidos em estágios de investigação, só<br />
no ano de 2001 ).<br />
Política de Qualidade<br />
A missão do Hospital de La Ribera<br />
é resolver os problemas de saúde da<br />
população, de acordo com os critérios<br />
científicos mais actuais e utilizando a<br />
tecnologia mais modern a, com uma<br />
organização centrada no doente e numa<br />
assistência de qualidade, baseando,se numa<br />
gestão eficiente dos recursos e<br />
demonstrando a viabilidade do novo<br />
modelo de gestão que representa.<br />
N esse sentido, o Hospital de La Ribera<br />
está a implementar o Sistema de <strong>Gestão</strong><br />
da Qualidade na área assistencial segundo<br />
o modelo internacional da EFQM,<br />
prosseguindo uma prestação de serviços<br />
acessíveis e equitativos, com um nível<br />
profissional óptimo, que tenha em conta os<br />
recursos disponíveis e a adesão e satisfação<br />
dos utentes.<br />
O grande objectivo a atingir é a satisfação<br />
do doente, o qual passa pelo<br />
desenvolvimento de uma<br />
estratégia de fidelização.<br />
Esta estratégia de fidelização<br />
do "cliente" assenta em 4<br />
linhas mestras orientadas para<br />
o doente: ( 1) humanização<br />
na atenção dada aos doentes<br />
(visível, por exemplo, no tipo<br />
de instalações que o hospital<br />
dispõe, exclusivamente<br />
quartos individuais com cama<br />
para o acompanhante); (2)<br />
liberdade de escolha (o doente<br />
pode escolher o médico a que<br />
Na nova forma<br />
de organização,<br />
os blocos e as camas<br />
não pertencem<br />
a nenhuma<br />
especialidade<br />
em particular.<br />
(...) primeiro e único<br />
hospital do território<br />
espanhol com uma<br />
história clínica<br />
electrónica<br />
completamente<br />
integrada e com todas<br />
•<br />
as imagens<br />
radiológicas<br />
digitalizadas, o<br />
Hospital de La Ribera<br />
disponibiliza aos seus<br />
colaboradores uma<br />
rede interna<br />
(intranet) com 420<br />
postos de trabalho<br />
(sendo 280 clínicos)<br />
e 110 postos de<br />
distribuição de<br />
•<br />
imagens.<br />
quer recorrer); (3) liberdade<br />
de acesso (disponibilização<br />
de vários canais de acesso aos<br />
serviços do hospital , linha<br />
telefónica diária, marcação<br />
de consultas por internet);<br />
( 4) visão por processos<br />
(ciclo de melhoria contínua:<br />
análise redesenho e<br />
medição de resultados).<br />
Prosseguindo a máxima de<br />
que "lo que no se mide<br />
no se mejora", a avaliação<br />
de resultados desempenha<br />
um papel fundamental na<br />
política de qualidade do<br />
Hospital de La Ribera. Papel<br />
esse facilitado pelo sistema<br />
de informação que, de uma<br />
forma integrada, percorre<br />
todas as áreas de hospital,<br />
permitindo a todo o<br />
momento a recolha "online"<br />
dos mais diversos<br />
indicadores. Paralelamente,<br />
o Hospital de La Ribera<br />
preocupa,se com a inquirição<br />
regular da satisfação dos<br />
seus doentes. O índice de<br />
satisfação geral situa,se nos<br />
8.51 pontos, numa escala de<br />
10, sendo curioso que 80%<br />
dos doentes desconhece qual o sistema de<br />
gestão do hospital.<br />
A área cirúrgica<br />
A área cirúrgica está organizada de uma<br />
forma bastante simples e verticalizada já<br />
que elimina muitos dos cargos intermédios.<br />
Assim, é composta por uma direcção<br />
médica, da qual dependem o coorden ador<br />
da área cirúrgica, que é responsável pela<br />
coordenação da área administrativa, da<br />
área médica (coordenadores de serviço<br />
que são responsáveis pelos médicos<br />
especialistas) e da área de enfermagem<br />
(adjunto da direcção de enfermaria da área<br />
cirúrgica responsáveis pelos supervisores de<br />
enfermagem cirúrgica que coordenam os<br />
enfermeiros auxiliares) e o comité de bloco<br />
(responsável, através de um reunião com os<br />
coordenadores de serviço e responsáveis de<br />
enfermagem e administração da área, pela<br />
planificação trimestral e pela definição dos<br />
objectivos trimestrais)<br />
A actividade de cirurgia programada<br />
resulta da actividade das consultas<br />
externas, já que é durante estas que é dada<br />
a indicação cirúrgica, após a qual é feita a<br />
classificação segundo o tipo de intervenção<br />
(hospitalar, cirurgia de ambulatório maior<br />
ou cirurgia de ambulatório menor), é<br />
realizada uma folha pré,operatória, são<br />
solicitados estudos pré,operatórios e é dada<br />
entrada na lista de espera.<br />
A gestão do bloco cirúrgico assenta na<br />
planificação ajustada à procura e na<br />
valorização da cirurgia ambulatória, com<br />
o objectivo de garantir que a espera para<br />
cirurgia não seja superior a 90 dias.<br />
Esta opção tem implicações na planificação<br />
da actividade que deixa de estar<br />
dependente de uma organização em que<br />
cada serviço tinha um determinado<br />
número de camas e de blocos cirúrgicos ao<br />
qual a procura tinha de se ajustar (levando<br />
ao sub,aproveitamento de recursos em<br />
simultâneo com a existência de listas de<br />
espera muito longas). Na nova forma<br />
de organização, os blocos e as camas<br />
não pertencem a nenhuma especialidade<br />
em particular e a planificação, realizada<br />
trimestralmente, é fe ita tendo em conta as<br />
indicações de gravidade/urgência cirúrgica<br />
e a forma de alcançar um tempo de<br />
espera inferior a 90 dias. Após considerar<br />
estas duas variantes, a actividade cirúrgica<br />
é "distribuída" pelas várias especialidades<br />
de modo a possibilitar o alcance dos<br />
objectivos por especialidade/médico. Este<br />
sistema de planeamento exige uma grande<br />
flexibilidade e não assegura prioridade<br />
a esta ou aquela especialidade ou<br />
profissional.<br />
Este tipo de planificação conduz a<br />
indicadores em "bossa" já que como<br />
o objectivo é não ultrapassar os 90<br />
dias de espera e a programação é<br />
fe ita trimestralmente a tendência é para<br />
a existência de picos de actividade<br />
de algumas especialidade durante um<br />
trimestre e o abrandamento no seguinte, e<br />
assim sucessivamente. A forma de gestão<br />
e planeamento adaptadas tem permitido<br />
um aumento do número de cirurgias<br />
programadas e de cirurgias maiores de<br />
ambulatório, um tempo de espera médio<br />
entre os 50,90 dias.<br />
As estratégias de gestão passam por um<br />
aumento da produtividade estrutural através<br />
da realização de benchmarking e manutenção<br />
da posição no TOP 20; pela redução<br />
do tempo em lista de espera cirúrgica;<br />
pela redução da incerteza através da<br />
0'.11 GESTÃO HOSPITALAR<br />
GESTÃO HOSPJTALAR lfil
utilização de guias clínicas; pela actualização<br />
administrativa e auditorias periódicas das<br />
listas de espera cirúrgicas; pela gestão da<br />
área feita segundo modelos de eficiências<br />
considerados mais ajustados; pela utilização<br />
de um sistema de incentivos por objectivos;<br />
pela utilização do sistema de hospitalização<br />
único; pela utilização de sistemas<br />
informáticos e de ajuda à decisão de grande<br />
capacidade; pelo regime de contratação dos<br />
recursos humanos e; por um método de<br />
planeamento cirúrgico "original".<br />
Os Sistemas de Informação<br />
Um dos factores críticos que fazem do<br />
Hospital de La Ribera um caso de<br />
sucesso ao nível da gestão das organizações<br />
prestadoras de cuidados de saúde é, sem<br />
dúvida, o reconhecimento por parte da<br />
empresa gestora, da importância detida<br />
pelos Sistemas de Informação (SI) na<br />
gestão estratégica e operacional do<br />
Hospital.<br />
Esta importância traduz,se numa equipa<br />
permanente de 26 elementos, sendo 4<br />
pertencentes aos quadros do próprio<br />
hospital e os restantes profissionais a<br />
empresas de outsorcing de SI. Estas equipas,<br />
que funcionam sempre com base em<br />
projectos, garantem, em todo o momento,<br />
a manutenção e desenvolvimento da<br />
estrutura do SI, seja de software, seja de<br />
hardware.<br />
Se a quantidade de recursos humanos<br />
disponíveis impressionou, já o seu peso<br />
orçamental foi algo surpreendente<br />
comparativamente com essa estrutura de<br />
RH: são orçamentados cerca de 1,5<br />
milhões de euros anualmente para<br />
exploração e foram investidos cerca de 4<br />
milhões de euros inicialmente. Segundo<br />
os responsáveis este montante é<br />
perfeitamente justificável perante os<br />
resultados obtidos.<br />
Tratando,se do primeiro e único hospital<br />
do território espanhol com uma história<br />
clínica electrónica completamente<br />
integrada e com todas as imagens<br />
radiológicas digitalizadas, o Hospital de La<br />
Ribera disponibiliza aos seus colaboradores<br />
uma rede interna (intranet) com 420<br />
postos de trabalho (sendo 280 clínicos) e<br />
11 O postos de distribuição de imagens.<br />
A utilização do sistema que está disponível<br />
em todo o hospital é diferenciada por<br />
níveis de acesso que acedem ao processo<br />
clínico do doente. Este processo clínico<br />
§3 GESTÃO HOSPITALAR<br />
detém todo o historial<br />
do doente na instituição<br />
de saúde, desde os<br />
resultados dos exames dos<br />
meios complementares aos<br />
diagnósticos médicos<br />
imputados por estes no<br />
momento da consulta,<br />
a actualização dos dados<br />
no processo clínico é<br />
realizada no momento da<br />
sua produção.<br />
No que respeita à<br />
arquitectura do sistema, é<br />
de salientar a completa<br />
integração entre os<br />
principais softwares<br />
utilizados nas diferentes áreas do hospital.<br />
Estes softwares são standards para cada<br />
uma dessas áreas e podem,se encontrar<br />
no mercado. O desenho e as<br />
intercomunicações foram desenvolvidos<br />
internamente. Em termos práticos, esta<br />
comunicabilidade entre os diferentes<br />
sectores permite saber a todo o momento,<br />
não só uma série de indicadores básicos que<br />
constituem o quadro de bordo do hospital,<br />
mas todo um conjunto de informação<br />
da qual se destaca o custo por doente,<br />
a análise das prescrições médicas ou os<br />
desvios face aos objectivos propostos.<br />
ESCOU\ NAC.Ot",ij,L l -<br />
~AUC-1~ P )8UC A<br />
Ficou bem patente nesta visita que<br />
os Sistemas de Informação representam J ()O 3 · O G · .9 4<br />
nos nossos dias um factor,chave para<br />
o sucesso organizacional. O conecto<br />
dimensionamento das estruturas físicas,<br />
humanas e financeiras dos SI<br />
permitem obter<br />
constantemente ganhos, que<br />
se traduzem em factores tão<br />
importantes como a<br />
fiabilidade da informação<br />
produzida, a rapidez com que<br />
ela obtida ou a forma como<br />
ela circula, é disponibilizada<br />
e compartilhada.<br />
Consequentemente<br />
aumentarão os parâmetros de<br />
flexibilidade de resposta à<br />
mudança externa constante<br />
e de eficiência e eficácia<br />
no processo de tomada de<br />
decisões.
Roché<br />
Inovamos na Saúde