Gestão Hospitalar N.º 5 2005
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04 Editorial<br />
Jorge Poole da Costa "adapta" o enredo da Tosca ao<br />
ambiente político e social que se vive no País. E há<br />
muitas semelhanças. As "danças" de cadeiras nos<br />
hospitais (ou a falta de danças) são trazidas à baila<br />
pelo director da GH. Inquietação ou descontentamento,<br />
podiam ser adjectivos para definir o texto,<br />
mas o responsável prefere dizer que lhe parece<br />
estranho. Aguardemos ... para ver!<br />
11 Parecer<br />
16 Entrevista<br />
A história do concurso de provimento para administradores<br />
hospitalares, de 2001, volta a ser notícia.<br />
Um parecer pedido pela APAH refere que os funcionários<br />
que ainda estejam à espera de uma decisão<br />
governamental podem pedir uma indemnização e<br />
processar o Ministério da Saúde.<br />
O Alto Comissário da Saúde, Pereira Miguel - que até<br />
aqui acumulava estas funções com as de directorgeral<br />
da Saúde - fala sobre o trabalho feito e o que<br />
é importante levar a cabo. Polémico, quando diz que<br />
há muitos rastreios que só servem para gastar dinheiro,<br />
Pereira Miguel anuncia também a criação da<br />
Unidade de Emergências em Saúde Pública, uma<br />
medida que precisa de acompanhamento noutras<br />
vertentes, segundo afirma.<br />
18 Reflexões<br />
Coração em Maio. A Fundação Portuguesa de<br />
Cardiologia (FPC) volta a relembrar as regras básicas<br />
para manter um coração saudável e dá conta das<br />
comemorações a realizar. Manuel Carrageta, presidente<br />
da FPC, e Seabra Gomes, responsável pelo<br />
Plano Nacional das Doenças Cardiovasculares (pág.<br />
38) analisam a situação e deixam alguns avisos através<br />
da GH. Para o responsável da FPC, por exemplo,<br />
é altura de dar atenção aos mais pequenos. É que as<br />
crianças portuguesas são as segundas da UE em<br />
excesso de peso.<br />
22 Lazer & Prazer<br />
O Verão está à porta e antes de férias o cansaço<br />
começa a sentir-se. Que tal uma visita a um SPA para<br />
relaxar e recuperar forças? A GH deixa-lhe algumas<br />
ideias. Aproveite, porque a vida não é só trabalho.
Sopra<br />
uma boa nova,<br />
Parece-me<br />
estran o ...<br />
1<br />
Cansado de tudo fiz um intervalo de uns dias e<br />
• fui até ao Met ouvir a Tosca. Excelente produção.<br />
Sempre actual metáfora da vida que vivemos.<br />
Perseguições, traições, decepções e vingança. Parece a<br />
trama das nossas organizações. Não temos o Castel<br />
Sant'Angelo mas há sempre a hipótese de saltar da<br />
muralha do Castelo de S.Jorge ...<br />
ta uma generalizada indiferença relativamente ao papel<br />
que irão desempenhar as Administrações Regionais de<br />
Saúde numa nova estratégia de organização de serviços,<br />
com uma nova relação entre cuidados primários e diferenciados.<br />
Parece-me estranho que praticamente se<br />
ignorem os objectivos que presidiram à transformação<br />
dos Hospitais S.A em E.P.E. e que pretendem, como<br />
Jorge Poole da Costa<br />
Director da GH<br />
"Seria muito grave<br />
se, de cedência<br />
em cedência,<br />
se viesse a criar<br />
um tumulto<br />
de mudança<br />
nas instituições".<br />
2<br />
Anda uma certa inquietude no ar. Provavelmen<br />
• te resultante de expectativas e de sinais. Os<br />
sinais são importantes, criam um determinado clima<br />
social . Na área da Saúde parece-me que os sinais apontam<br />
no sentido certo: o da correcção da desenfreada<br />
onda de alterações a que infelizmente fomos assistindo<br />
nos últimos anos. O problema das expectativas é muito<br />
mais sério. A expectativa é subjectiva. Existem tantas<br />
quantos os sujeitos e abrangem vários níveis: o exclusivamente<br />
pessoal, o institucional e o geral. A cada acto<br />
eleitoral, a cada mudança de governo corresponde uma<br />
generalizada génese de expectativas. Fundamentalmente<br />
individuais, sejamos claros.<br />
Como nos librettos há ambições que se pretendem<br />
satisfazer, há vinganças que não se querem adiar e existem<br />
novas prima-donnas.<br />
3<br />
É-me estranha a pessoalização que sistematica<br />
• mente se vai fazendo das questões das saúde. É<br />
evidente que é extremamente importante saber quais as<br />
características e as qualificações dos protagonistas.<br />
Parece-me, no entanto, muito mais importante conhecer<br />
a missão atribuída às organizações, os objectivos e<br />
metas que lhes são traçados, a adequação dos recursos<br />
que lhes são disponibilizados para o efectivo cumprimento<br />
dessas finalidades. Parece-me estranho que exis-<br />
escreveu o Secretário de Estado da Saúde em artigo no<br />
semanário Expresso, instituir uma nova cultura que elimine<br />
a discriminação de utentes e que insira nos critérios<br />
de sucesso a avaliação da qualidade, cujos indicadores<br />
passarão a ser monitorizados. Parece-me estranho<br />
que as questões se pareçam resumir a "foi nomeado X",<br />
"reconduziram Y". Parece-me estranho mas é assim ...<br />
4<br />
Seria muito grave se, de cedência em cedência,<br />
• se viesse a criar um tumulto de mudança nas<br />
instituições. Os profissionais devem fundamentalmente<br />
reclamar a tranquilidade necessária e o apoio indispensável<br />
para a prossecução das suas actividades. A<br />
mudança eficaz é gradual, lentamente interiorizada e<br />
efectivamente absorvida. De outra forma o que acontece<br />
é uma aparente mudança radical que deixa tudo na<br />
mesma ou pior. O radicalismo que muitas vezes se<br />
reclama, em serviços e instituições antigas (algumas<br />
centenárias), não é mais do que a alteração do que é<br />
mais superficial e irrelevante. É fundamental ser-se<br />
paciente, até porque, como dizia o Pessoa no Desassossego,<br />
a impaciência é sempre uma grosseria.1m<br />
Aliámos a experiência e solidez de um grupo internacional,<br />
líder na sua área, ao maior e mais moderno complexo industrial<br />
farmacêutico português.<br />
Escolhemos Portugal para ser o centro mundial de desenvolvimento<br />
e produção de medicamentos injectáveis da Fresenius Kabi.<br />
Apostámos na qualidade, competência e formação dos nossos<br />
profissionais.<br />
Acreditámos no seu apoio.<br />
Em Portugal, com portugueses, para o mundo.<br />
[2'J<br />
LABESFAL<br />
Fresenius<br />
Kabi<br />
Car i ng for Life
Portalegre<br />
Receita electrónica nos hospitais<br />
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..<br />
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O<br />
s médicos dos hospitais de Portalegre e Elvas vão<br />
começar a passar receitas electrónicas durante o mês de<br />
Abril. A iniciativa piloto do Ministério da Saúde pretende agilizar<br />
o processo de prescrição de medicamentos e que envolve<br />
clínicos, farmácias e utentes. Mas o processo está atrasado<br />
devido a condições logísticas. A maioria dos postos de trabalho<br />
no Hospital de Portalegre não tem mobiliário próprio para<br />
receber um computador e uma impressora.<br />
ln Público 01/04/05<br />
EPE's<br />
Governo quer participação das câmaras<br />
Governo<br />
O<br />
ministro da Saúde, Correia de Campos,<br />
defendeu que as câmaras municipais<br />
devem participar no capital dos novos<br />
hospitais EPE (Entidades Públicas<br />
Empresariais). O titular da pasta da Saúde<br />
afirmou também não excluir a possibilidade<br />
das empresas privadas de capital público<br />
poderem participar no capital dos hospitais<br />
EPE e considerou natural que os hospitais de<br />
ensino possam ser concessionados às<br />
universidades.<br />
PPP's reduzidas para metade<br />
O<br />
programa de Parcerias Público<br />
Privadas (PPP) para o sector da<br />
Saúde pode ficar reduzido a metade. O<br />
ministro da Saúde, Correia de Campos,<br />
admitiu o seu reaquacionamento, o que<br />
pode afectar cinco dos dez hospitais<br />
incluídos. O ministro alega que não<br />
existem estudos técnicos que suportem a<br />
necessidade dos hospitais e a sua actual<br />
localização.<br />
ln "Diário Económico", 07 /02/05<br />
ln "Diário de Notícias", 19/02/05<br />
Grupo Mello<br />
Privados<br />
querem metade<br />
do mercado<br />
hospitalar<br />
E<br />
m entrevista, o presidente da José<br />
Mello Saúde, Salvador de Mello,<br />
defendeu que os privados deveriam ter uma<br />
presença mais significativa no sector da<br />
Saúde em Portugal, chegando aos 50% do<br />
mercado hospitalar até 2010, em vez dos<br />
5% actualmente detidos.<br />
ln Diário de Notícias 04/04/05<br />
Taxas moderadoras<br />
Aumento para falsas urgências<br />
O<br />
Governo está a considerar a<br />
hipótese de aumentar as taxas<br />
moderadoras no caso das falsas urgências<br />
hospitalares como forma de<br />
racionalização do atendimento e da<br />
procura. O Executivo anunciou ainda a<br />
criação de uma comissão para o<br />
desenvolvimento dos cuidados de saúde<br />
às pessoas idosas e em situação de<br />
dependência.<br />
ln Público 12/04/05<br />
Norte<br />
Ministro suspende<br />
centro Materno-Infantil<br />
O<br />
ministro da Saúde decidiu suspender<br />
a construção do Centro Materno-<br />
Infantil do Norte no Hospital de S.João, no<br />
Porto, alegando que a tutela está a ser<br />
lesada de forma indigna com o processo.<br />
o governante exigiu às autoridades de<br />
saúde.do Norte a apresentação de um<br />
novo projecto.<br />
ln Portugal Diário, 26/04/05<br />
ANF<br />
Despesas dos hospitais<br />
incontroláveis<br />
O<br />
presidente da ANF, João Cordeiro,<br />
ga rantiu que a despesa com<br />
medicamentos nas farmácias hospitalares<br />
está incontrolável, e não se sabe o que se<br />
consome em medicamentos nos<br />
hospitais.<br />
e<br />
ln Jornal de Negócios 29/04/05<br />
•<br />
(<br />
•• . ,<br />
(<br />
•<br />
Governo<br />
Apenas<br />
•<br />
cinco novos<br />
hospitais<br />
Dos dez novos hospitais anunciados pelo<br />
Governo anterior, o actual ministro só<br />
encontra justificações para cinco e vai pedir<br />
estudos técnicos para elaborar lista de<br />
prioridades. São eles as unidades de Saúde<br />
de Loures, Cascais, Braga, Vila Franca de Xira<br />
e o equipamento final e gestão do Centro de<br />
Medicina Física e Reabilitação de São Brás<br />
de Alportel.<br />
ln Público 04/05/05
jantar-debate da APAH enche antiga FIL<br />
Venda de Primavera<br />
Utilização do medicamento<br />
Benfiquistas "dão a cara"<br />
•<br />
JU<br />
nta técnicos e clínicos<br />
Cada vez gastaremos mais em<br />
medicamentos. E esse foi<br />
o motivo que Levou a APAH<br />
a organizar o evento.<br />
e<br />
arlos Gouveia Pinto e Francisco<br />
Jorge Batel Marques, dois peritos<br />
na área do medicamento e em<br />
Economia da Saúde, foram os convidados da<br />
APAH para o debate realizado a 15 de Abril,<br />
no restaurante da antiga FIL, em Lisboa,<br />
sobre "A utilização do medicamento e ganhos<br />
em Saúde".<br />
Tratou-se do segundo encontro temático,<br />
denominado "Conversas Imprescindíveis",<br />
que vão decorrer até ao final do ano, em vários<br />
>>><br />
Batel Marques defendeu, no encontro, posições<br />
que se ligam à importância de olhar o medicamento<br />
como um bem que exige condições especiais<br />
para ser levado ao doente<br />
por esclerose múltipla<br />
Todos os anos a Sociedade Portuguesa<br />
da Esclerose Múltipla<br />
(SPEM) organiza uma "Venda de Primavera".<br />
Uma forma de angariar fundos<br />
para esta associação de doentes com<br />
mais de mil associados.<br />
A inauguração deste evento aconteceu<br />
no dia 2 de Maio, e desta vez a Sociedade<br />
contou com presenças bem conhecidas<br />
a apoiá-la.<br />
Veloso e Tony, benfiquistas de "alma e coração", das figuras que ajudou na organização do evento<br />
foi Jorge Carlos, responsável do restaurante<br />
fizeram questão de participar numa causa que<br />
consideram "nobre", aproveitando também a Tório, na Rua Tomás Ribeiro. Também ele benfiquista<br />
convicto, aproveitou a ocasião para aju<br />
ocasião para relembrar que a esclerose múltipla<br />
atinge toda a gente.<br />
dar a SPEM a organizar a Venda deste ano.<br />
"Não podemos esquecer que o nosso colega António Amaro de Matos, director da SPEM, e<br />
João Manuel, do União de Leiria, foi vitima da Celeste Amaro de Matos, 1 ° secretária da mesa<br />
doença'', disse Veloso, razão pela qual a presença da AG, estavam contentes pela adesão que o<br />
pontos do país (ver caixa). >>><br />
Estes jantares-debate estão a ter o mérito de<br />
conseguir reunir classes diversificadas ligadas<br />
ao sector da Saúde.<br />
Se em Fevereiro passado os representantes dos<br />
cinco partidos políticos com assento parlamentar<br />
levaram até ao evento responsáveis<br />
com poder governativo no país,desta vez - e<br />
porque o tema era propício - a antiga FIL reuniu<br />
farmacêuticos, médicos e representantes<br />
Conversas<br />
As "Conversas lmprenscindíveis", que se iniciaram em Fevereiro<br />
e vão decorrer até Novembro, vão ser descentralizadas.<br />
Veja o calendário, e acompanhe a APAH nestes jantares-debate.<br />
Os debates são moderados pela editora da GH,<br />
Marina Caldas. Para saber como pode ter acesso ao autocarro<br />
que a APAH vai colocar à sua disposição, sempre que os<br />
eventos tiverem lugar fora de Lisboa, contacte a direcção<br />
da associação .<br />
A "mesa" responsável pelas "Conversas lmprenscindíveis", de Abril: Batel<br />
Marques (à esquerda), Marina Caldas e Gouveia Pinto<br />
da Indústria Farmacêutica, sem contar, obviamente,<br />
com os administradores hospitalares,<br />
razão principal da organização do encontro.<br />
D esta vez, o medicamento esteve em destaque.<br />
O s dois oradores principais - Batel Marques e<br />
Gouveia Pinto - mostraram discordâncias pontuais<br />
relativamente à forma como encaravam a<br />
17 de Junho<br />
Local: Porto<br />
Tema: "O Sistema de<br />
Saúde na perspectiva<br />
dos seus utilizadores"<br />
Oradores:<br />
Durate Lima,<br />
Odete Isabel<br />
e Vitorino Brandão<br />
recente determinação governamental sobre a<br />
venda livre de medicamentos não sujeitos a receita<br />
médica, mas acabaram por ter pontos de acordo,<br />
no que se refere às funções dos organismos<br />
que tutelam a área do medicamento.<br />
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro<br />
Nunes, foi uma das individualidades que fez<br />
16 de Setembro 18 de Novembro<br />
Local: Lisboa<br />
Local: Coimbra<br />
Tema: "Modelos<br />
Tema: "Contratualizar<br />
remuneratórios e e Negociar em Saúde"<br />
motivação profissional" Oradores:<br />
Oradores:<br />
Margarida Bentes,<br />
Isabel Vaz, Adalberto Nascimento Costa<br />
Campos Fernandes e Francisco Fa ro<br />
e Pedro Araújo Lopes<br />
>>><br />
Gouveia Pinto defendeu uma posição mais liberal<br />
e apresentou uma postura mais virada<br />
para a vertente económica<br />
questão em estar presente e não deixou de<br />
apresentar o seu ponto de vista relativamente à<br />
forma como a classe médica encara a utilização<br />
do medicamento. Polémico q.b. em algumas<br />
ideias defendidas, o presidente dos médicos<br />
foi, no entanto, pragmático e realista sobre a<br />
verdade com que os clínicos se deparam nos<br />
hospitais e centros de saúde.<br />
Manuel Delgado, presidente da APAH, acabou<br />
por encerrar o debate, apresentando as<br />
conclusões destas "Conversas". E para o responsável<br />
da APAH, a principal conclusão a<br />
tirar é que o medicamento existe para tratar o<br />
doente e, como tal, deve ser utilizado com a<br />
cautela que todos sabem mas sem esquecer a<br />
eficiência que os tempos presentes exigem. 1111<br />
destas antigas glórias do SLB serviu também público deu à iniciativa. Quando as causas são<br />
para relembrar que a doença atinge todos. Outra nobres só podem ser bem aceites. eu<br />
8<strong>º</strong> Forum sobre Saúde<br />
Gulbenkian "trata" infecção hospitalar<br />
''Arelevância e os custos da infecção hospitalar"<br />
é o tema que vai juntar no as lOHOO, e o tema promete voltar a encher por<br />
Grã-Bretanha. O encontro está agendado para<br />
Fórum Gulbenkian da Saúde, a 18 de Maio, completo o auditório 2 da Fundação, como<br />
António Coutinho, director do Instituto Gulbenkian<br />
da C iência,<br />
tem acontecido desde Janeiro. eu<br />
Francisco.Antunes, professor<br />
da Faculdade de<br />
Medicina de Lisboa e<br />
Jenny Roberts, professor<br />
de Economia da Saúde<br />
Pública da Escola Superior<br />
de Higiene e Medicina<br />
Tropical de Londres,<br />
1<br />
i<br />
09
Comparticipação de opióides<br />
Portugal na cauda da Europa<br />
Parecer jurídico revela<br />
Administradores podem<br />
Portugal é o único país<br />
da Europa no qual os opióides<br />
são comparticipados apenas<br />
a 40 por cento, ao passo<br />
que na esmagadora maioria<br />
dos países europeus<br />
estas substâncias são<br />
comparticipadas quase<br />
na sua totalidade.<br />
O<br />
alerta foi feito por Beatriz Craveiro<br />
Lopes, anestesista e vicepresidente<br />
da Associação Portuguesa<br />
para o Estudo da Dor (APED), durante<br />
o Encontro de Peritos em Dor, realizado em<br />
Lisboa, no qual participaram ainda Alexandra<br />
Fernandes, médica de família, Hermano Gouveia,<br />
gastrenterologista, Jaime Branco, reumatologista,<br />
Paulo Felicíssimo, ortopedista, e<br />
Victor Gil, cardiologista.<br />
Não há "curà' para a dor, mas é possível tratála<br />
e controlá-la. Neste âmbito, a utilização de<br />
opióides para o controlo da dor é uma terapêutica<br />
eficaz e com efeitos secundários controláveis.<br />
Contudo, em Portugal o consumo de<br />
opióides é dos mais baixos da Europa, facto<br />
que, de acordo com os especialistas, pode ser<br />
explicado pelos mitos, tabus e lendas associados<br />
a estas substâncias, bem como pelo processo<br />
complicado e moroso na sua prescrição.<br />
Hermano Gouveia, chefe de serviço de Gastrenterologia<br />
dos HUC, refere que «quando os<br />
doentes são reencaminhados para uma unidade<br />
de dor existe a percepção, tanto por parte do<br />
indivíduo como dos seus familiares, que a<br />
doença é incurável e relacionada com patologias<br />
oncológicas mesmo quando se trata de<br />
uma dor crónica de origem não oncológica».<br />
Pereira Miguel anuncia<br />
Saúde Pública vai ter U n idade de Emergê<br />
•<br />
nc1a<br />
Pereira Miguel tem integrado<br />
órgãos de decisão da Saúde<br />
desde 1998 e coordenou<br />
o Plano Nacional de Saúde<br />
em vigor. Pronto a deixar<br />
a Direcção-Geral de Saúde<br />
para ocupar a tempo interiro<br />
o cargo de Alto-Comissário,<br />
onde espera exercer o que se<br />
pode chamar um magistério<br />
de influência, sublinha que<br />
a poupança no sector faz-se<br />
combatendo o desperdício,<br />
com maior eficiência<br />
nas intervenções, e aponta<br />
o dedo a alguns dos rastreias,<br />
que trazem mais custos<br />
que benefícios.<br />
<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> - Vai deixar de acumular<br />
a Direcção-Geral de Saúde com o cargo de<br />
Alto-Comissário. As suas competências<br />
serão alteradas neste novo contexto?<br />
Pereira Miguel - É prematuro falar sobre o<br />
assunto. Mas penso que me competirá, entre<br />
outras coisas, contribuir para uma maior articulação<br />
entre vários organismos centrais e<br />
regionais do Ministério da Saúde para que<br />
haja mais ganhos em saúde. Certamente terei<br />
também algum papel de coordenação relativamente<br />
ao Plano Nacional de Saúde e ainda<br />
algum trabalho de carácter intersectorial,<br />
naquela interface, com áreas muito importantes,<br />
como são diversos sectores da Administração<br />
Pública verdadeiramente determinantes<br />
para a Saúde (Ambiente, Educação, etc.). Mas<br />
os contornos precisos não sei dizer ainda.<br />
GH - Não tem a sensação que o cargo de<br />
Alto-Comissário é meramente decorativo?<br />
PM - Não, porque e m toda a minha<br />
actuação procurei que assim não fosse. É<br />
certo que tenho sido director-geral e Alto<br />
Comissário ao m esmo tempo. Gostaria que,<br />
n o futuro, isso não fosse só um lugar d e<br />
pompa e circunstância mas um lugar que me<br />
saúde, são áreas extremamente importantes.<br />
Nas doenças, o cancro e as doenças cardiovasculares<br />
são prioritárias. Mas a promoção da<br />
saúde tem de ter um relevo especial. Temos, na<br />
reorganização dos serviços, de melhorar e reorientar<br />
as condições institucionais. Precisamos<br />
de consolidar as novas formas de funcionamento<br />
dos hospitais, desenvolver os cuidados<br />
primários de Saúde e os cuidados continuados.<br />
Na área do planeamento, há um grande défice,<br />
urge racionalizar as instalações, os equipamentos<br />
e os recursos humanos.<br />
1<br />
Há programas do PNS<br />
sem lideranças claras<br />
GH - O (PNS) tem conhecido vários desenvolvimentos<br />
sob a sua direcção. No entanto,<br />
muitos sectores acusam esse Plano de ser mais<br />
teórico que prático.<br />
PM - Sim. Eu compreendo a crítica, mas é preciso<br />
ter em conta que o PNS se situa a um nível<br />
estratégico, dá grandes orientações, nunca poderia<br />
descer a um nível de detalhe muito especializado.<br />
Para isso há programas, projectos, de<br />
outra natureza, mais tácticos, mais operacionais.<br />
Alvos ...<br />
> Correia de Campos - Um grande<br />
lutador<br />
> Constantino Saklarides - Um grande<br />
filósofo<br />
> Manuel Delgado - Um gentleman<br />
> Pedro Nunes - Pater familias<br />
> João Cordeiro - João, sim ...<br />
> Francisco George - Uma jóia<br />
p ermitisse promover essa tal articulação,<br />
quer dentro do sector da Saúde quer em<br />
relação a outros sectores que contribuem<br />
para gerar Saúde.<br />
GH - Qual é o balanço que faz da actual<br />
situação da Saúde em Portugal?<br />
PM - Vejo a Saúde a evoluir de uma forma<br />
positiva. Não tenho uma visão n egativa.<br />
Em alguns sectores poderíamos ter progredido<br />
mais depressa, estar melhor posicionados.<br />
Reconheço q ue temos ainda muito<br />
para fazer. Vejo isto como uma corrida de<br />
estafetas, em que as várias equipas ministeriais<br />
e os seus colaboradores, como é o m eu<br />
caso, vão correndo mais depressa ou mais<br />
devagar, consoante as circunstâncias o perm<br />
item, sempre com o obj ectivo de melhorar<br />
os nossos níveis de saúde e assegurar mais e<br />
melhor saúde para todos.<br />
GH - Quais são os pontos onde é nec~ssário<br />
actuar?<br />
PM - No Plano Nacional de Saúde (PNS)<br />
temos uma visão de quais são as prioridades.<br />
Q uestões de estratégia geral como a prioridade<br />
aos mais pobres, certas doenças sociais e certos<br />
ambientes - 'settings' determinantes para a<br />
GH - Está a dizer que o Plano funciona,<br />
mas o que falha é a concretização das<br />
políticas específicas?<br />
PM -<br />
Não é bem isso. Temos que pugnar por<br />
medidas mais concretas, nomeadamente na área<br />
dos grandes programas nacionais, dos quais há<br />
quarenta, previstos no PNS. Alguns já existem,<br />
alguns precisam de ser remodelados, outros precisam<br />
de ser criados. Esses programas são um dos<br />
passos mais importantes na concretização das<br />
estratégias nacionais. Eles por sua vez desdobramse<br />
em projectos e intervenções mais específicas
GH - Então de quem é a responsabilidade da<br />
plo, no que diz respeito às infecções nosocomiais,<br />
GH -<br />
Sente que há falta de liderança em<br />
rá uma revisão com a realização do Fórum<br />
não concretização desses programas?<br />
à resistência aos anti-microbianos, à saúde repro<br />
algumas instituições?<br />
Nacional de Saúde e fóruns regionais. E a<br />
PM - Primeiro, temos de esclarecer muito bem<br />
dutiva, à tuberculose, só para citar alguns.<br />
PM - Sinto. Mas também porque as coisas<br />
primeira será já em 2006.<br />
quem são as entidades e as pessoas responsáveis<br />
Parte da responsabilidade de fazer o aggiorna<br />
às vezes não estão muito claras à partida .. .<br />
por esses programas. Há programas que, por<br />
mento desses programas depende dos respon<br />
GH -<br />
A revisão do PNS implicará<br />
diversas indefinições nos últimos anos, não têm<br />
sáveis e das instituições. O êxito depende tam<br />
GH - Da parte do Governo?<br />
mudanças de estratégia. Isso implica mais<br />
tido uma liderança clara. E são essas lideranças<br />
bém dos recursos postos à disposição.<br />
PM - Às vezes da pane política, sim. Mas,<br />
gastos com a Saúde?<br />
que deverão fomentar a revisão dos programas<br />
Esforçar-nos-emos por criar as necessárias con<br />
repare que até neste aspecto, este poderá ser<br />
PM - Não sei dizer, tanto pode ser mais<br />
e apresentar as propostas adequadas. Por exem-<br />
dições de sucesso ..<br />
um dos contributos do Alto-Comissário,<br />
como menos. Há, no PNS, um conjunto de<br />
fazendo a ponte entre o governo e os técni<br />
indicadores e metas para serem atingidos e<br />
cos. Aliás, eu tenho procurado fazer este tra<br />
nós, em relação a alguns parâmetros, não<br />
balho, desde que o cargo foi criado. Estando<br />
sabemos como vai evoluir a situação. O ideal<br />
mais solto da Direcção-Geral de Saúde esta<br />
será uma evolução favorável com custos con<br />
rei, digamos, mais disponível para isso.<br />
trolados.<br />
GH - Como é que se vai processar a<br />
revisão do PNS?<br />
PM - Houve um compromisso, quando o<br />
PNS foi feito, entre eternizar a sua preparação<br />
ou abreviá-la para que pudéssemos dis<br />
INão explorámos ainda o<br />
combate ao desperdício<br />
GH -<br />
Invariavelmente a tendência é de<br />
sibilidade aos cuidados de saúde, e, sobretudo,<br />
aos cuidados médicos.<br />
para os modernos sistemas de Saúde como são a<br />
equidade, a acessibilidade e a qualidade.<br />
por de um plano estratégico. Não estivemos<br />
à espera da última moda nem do consenso<br />
total. Ao fim de um ano e tal de discussões e<br />
contributos entendeu-se que o PNS tinha<br />
um formato aceitável para ser proposto e<br />
aprovado.<br />
No próprio Plano se previu a sua reapreciação<br />
regular. E, de dois em dois anos, have-<br />
aumento de custos com as novas tecnologias,<br />
uma população mais idosa.<br />
PM - Tem sido e poderá continuar a sê-lo.<br />
Mas nós também não temos explorado em<br />
toda a sua extensão o que podemos fazer no<br />
combate ao desperdício, na melhoria da eficiência.<br />
Há aspectos a ganhar nestes domínios.<br />
Isto sem prejudicar a equidade, a aces-<br />
GH - Diria que os gastos excessivos na Saúde<br />
decorrem do desperdício?<br />
PM - Eu não digo isso! Estávamos a falar do<br />
aumento dos gastos na Saúde e nas suas causas.<br />
O que eu digo é que esse aumento poderá eventualmente<br />
ser minimizado, se cuidarmos também<br />
das questões da eficiência e do combate ao desperdício<br />
sem hipotecarmos valores importantes<br />
GH - Como é que se controlam os gastos?<br />
PM - A eficiência é sempre uma resultante<br />
entre o que investimos, os custos, e os benefícios.<br />
Há muitas intervenções que se fazem em<br />
Saúde que não são baseadas em evidência<br />
científica. Poderemos estar, ainda que com a<br />
melhor das intenções, a fazer um grande inves-<br />
A reboque da Fundação Portuguesa de Cardiologia<br />
GH - O que é que está programado<br />
para assinalar o Mês do Coração?<br />
PM - As iniciativa partem, desde há muito<br />
tempo, da Fundação Portuguesa de Cardiologia<br />
(FPC) que tem sempre feito uma campanha<br />
pública para que haja maior atenção<br />
aos problemas do coração, quer na vertente<br />
de promoção da Saúde cardiovascular, quer<br />
na vertente de prevenção e tratamento das<br />
doenças cardíacas. É um pouco a reboque da<br />
iniciativa da Fundação que todas as outras<br />
entidades se movimentam ...<br />
GH - Incluindo o ministério?<br />
PM - Incluindo o ministério! Temos no<br />
Ministério da Saúde, aprovado ainda no<br />
tempo do Governo anterior, um Programa<br />
Nacional de Luta Contra as Doenças<br />
Cardiovasculares. E, no âmbito deste programa,<br />
faz todo o sentido que os serviços<br />
de saúde aproveitem a iniciativa da FPC e<br />
também eles façam muitas coisas que<br />
estão previstas naquele programa.<br />
Ainda no âmbito de outros programas<br />
nacionais, como o dos Estilos de Vida<br />
Saudáveis, os serviços têm também em<br />
Maio um período em que podem aproveitar<br />
esse interesse colectivo para estimular<br />
a cessação tabágica, o exercício físico,<br />
uma dieta mais racional e mais saudável.<br />
O mérito é, sobretudo, da Fundação,<br />
mas todos nós devemos associar-nos e<br />
aproveitar, no âmbito dos nossos programas<br />
e actividades, para reforçar o<br />
esforço da FPC.<br />
GH - Mas esse programa tem passado<br />
despercebido, já que não se vêem<br />
resultados concretos na prevenção<br />
dessas doenças.<br />
PM - É preciso separar duas coisas. No<br />
âmbito das doenças cardiovasculares, se<br />
nos focarmos na evolução da doença coron.ária<br />
e dos acidentes vasculares cerebrais<br />
no nosso país, as estatísticas mostram uma<br />
evolução favorável que resulta de muitos<br />
contributos e, de um modo geral, nos<br />
regozija.<br />
No que diz respeito ao programa, eu diria<br />
que ainda está a levantar voo. É dos programas<br />
mais recentes do ministério. Praticamente,<br />
só no ano passado é que teve o<br />
seu primeiro coordenador nacional e<br />
ainda com escassos meios.<br />
GH - Os portugueses continuam a ter<br />
comportamentos de risco nesta matéria.<br />
O que é que se pode fazer?<br />
PM - Não se pode generalizar. Na área do<br />
tabaco, Portugal tem taxas mais baixas de<br />
consumo que outros países europeus. No<br />
entanto, em alguns subgrupos como os<br />
jovens, os adolescentes, as mulheres, os<br />
valores têm aumentado. Nós teremos de<br />
focar a nossa acção nos grupos, subgrupos<br />
ou até regiões em que os indicadores são<br />
piores. De uma forma geral, não se pode<br />
dizer que os portugueses pisem mais o<br />
risco que no passado. Mas quando nos<br />
comparamos, nalguns indicadores como<br />
os AVC, com outros países da UE o<br />
potencial de prevenção, i.e. de melhorar, é<br />
ainda considerável. m
Curriculum Vitae<br />
José Pereira Miguel<br />
Idade - 58 anos<br />
> Licenciado em Medicina pela<br />
Faculdade de Medicina de Lisboa<br />
> Doutoramento em Medicina (Medicina<br />
Interna)<br />
> Competência em Epidemiologia pela OM<br />
> Diploma em Educação Médica,<br />
Universidade de Gales, Cardiff<br />
> Director do Hospital da Cruz Vermelha<br />
> Director do Instituto de Medicina<br />
Preventiva, Universidade de Lisboa<br />
cimento num aspecro que julgamos muno<br />
positivo mas que a evidência científica mostra<br />
não ser a melhor solução.<br />
GH- Por exemplo?<br />
PM - O problema do rastreio das doenças é<br />
muito óbvio. Para o cidadão comum rastrear as<br />
doenças todas é um princípio que faz todo o sentido,<br />
porque acredita que remos a bola de cristal<br />
e com um reste de diagnóstico conseguimos<br />
saber se a pessoa é ou não portadora de<br />
doença.<br />
Em primeiro lugar, não há nenhum teste de<br />
diagnóstico que seja 100% válido e, quando o<br />
tas vezes estão mal informados e não têm a<br />
capacidade de fazer boas opções ou, até, de se<br />
defenderem das pressões que fazem sobre eles.<br />
GH - Um exemplo dessas reacções emocionais<br />
encontra-se quando se fala do Plano<br />
de Vacinação. Devem ser incluídas mais vacinas?<br />
PM - Compreendo perfeitamente que as famílias<br />
se preocupem em proteger as suas crianças<br />
o mais possível, só que não é absolutamente<br />
linear a relação entre receber um certo conjunto<br />
de vacinas e ficar eficazmente protegido.<br />
Temos uma Comissão Técnica, temos peritos<br />
Emergências de Saúde Pública. Os vários episódios<br />
de riscos rápidos e súbitos para a Saúde<br />
pública têm-nos colocado perante situações<br />
completamente novas que, por outro lado, os<br />
meios tecnológicos e a colaboração com organizações<br />
internacionais como a OMS e a<br />
Comissão Europeia possibilitam também outro<br />
tipo de respostas. Outro aspecto relaciona-se<br />
com as autoridades de Saúde: cerca de 400 delegados<br />
de Saúde que têm de estar equipados e em<br />
contacto fácil, possibilitando uma passagem da<br />
informação em situações de emergência. O<br />
reforço desta rede e das estruturas que os devem<br />
apoiar - os Centros Regionais de Saúde Públi<br />
> Director do Centro de Saúde Escolar,<br />
Universidade de Lisboa<br />
> Professor Catedrático de Medicina<br />
Preventiva e Saúde Pública<br />
> Subdirector-Geral da Saúde<br />
> Director Geral da Saúde<br />
> Coordenador da elaboração da Nova<br />
Estratégia da Saúde - o Plano Nacional<br />
de Saúde 2004-2010<br />
> Alto-Comissário da Saúde<br />
são, sempre em proporções inferiores, nem sempre<br />
interferem positivamente na história natural<br />
da doença. Há várias doenças relarivameme<br />
às quais até poderíamos utilizar testes de diagnóstico,<br />
mas em que isso não tem impacto nenhum<br />
no prognóstico da doença.<br />
Muitas vezes, fazemos, em determinadas circunstâncias,<br />
acrividades de rastreio que, de facto,<br />
só servem para gastar dinheiro, trazendo mais<br />
problemas do que soluções.<br />
que olham para o pacote de vacinas oferecido<br />
pelo Estado e ponderam entre os benefícios -<br />
quais as vacinas mais efectivas e seguras no<br />
nosso meio - e os recursos que o Estado tem<br />
para fazer a administração dessas vacinas. Desse<br />
balanço tem saído o Programa Nacional de<br />
Vacinação. É dos maiores êxitos que a Saúde tem<br />
em Portugal e comemora quarenta anos, com<br />
milhares de casos e mortes evitadas, desde os<br />
tempos do professor Arnaldo Sampaio, D irec<br />
ca - é outro ponto muito importante desta<br />
intervenção.<br />
O Alto Comissário<br />
não pode ser apenas<br />
um cargo de pompa<br />
e circunstância<br />
tor Geral da Saúde.<br />
GH - Vão contratar mais delegados de<br />
GH - Mas o rastreio, ao detectar a doença<br />
Saúde?<br />
mais cedo, até permite poupar dinheiro.<br />
GH - Justifica-se o seu alargamento?<br />
PM- Não necessariamente. Idealmente, dese<br />
PM - Esse é o princípio teórico. Mas, depois, o<br />
que os estudos demonstram na prática, em<br />
PM - No novo PNV há um certo alargamento<br />
com a inclusão da vacina para a meningite c<br />
jaríamos reforçar a carreira de Saúde Pública e<br />
todos os dispositivos que tem ao seu dispor,<br />
relação a determinados testes de rastreio e em<br />
e outras alterações que permitem maior como<br />
dar incentivos e atractivos, prestigiá-la, cada vez<br />
relação a determinadas doenças é que não fun<br />
didade de administração das vacinas evitando,<br />
mais, ter pessoas melhor preparadas. Aumentar<br />
cionam, gerando falsos positivos e falsos nega<br />
por exemplo múltiplas picadas.<br />
só por aumentar não faz sentido. O nosso pro<br />
tivos. Só funcionam para ter despesas, não tra<br />
blema, por vezes, é ter candidatos à altura para<br />
zem mais benefício às pessoas. A validade dos<br />
GH - Ultimamente fala-se muito em cri<br />
os lugares previstos. Há falta de pessoas que<br />
rastreios depende de muitos facrores e entre<br />
ses epidemiológicas, como a gripe das<br />
queiram seguir a carreira de Saúde Pública para<br />
eles da prevalência da doença no grupo visado.<br />
aves ou o vírus de Marburgo. Portugal<br />
ocupar os lugares que estão à espera deles.<br />
tem um plano de catástrofe?<br />
GH - Está a falar de que doenças?<br />
PM - O nosso país tem alguns planos, nós<br />
GH - Não há formação?<br />
PM - Por exemplo, de alguns cancros. Mas, vol<br />
chamamos-lhes "de contingêncià', para fazer<br />
PM - É um conjunto de vários factores, mas<br />
tando atrás, acredito que há espaço para funcionarmos<br />
com mais eficiência. Entre outros<br />
aspectos, que as nossas actuações sejam baseadas<br />
em evidência científica, mais racionais e menos<br />
emocionais. As pessoas têm uma fantasia sobre<br />
as capacidades da tecnologia que não corresponde<br />
à verdade, os profissionais de Saúde mui-<br />
face a situações excepcionais. Um dos últimos<br />
cuja actualização foi aprovada é o plano de contingência<br />
da gripe. Desenvolvemos, também<br />
um plano para as ondas de calor, por exemplo.<br />
Porém, para além dos planos, gostava de sublinhar<br />
que temos estado a trabalhar na criação - na<br />
Direcção-Geral de Saúde - de uma Unidade de<br />
>>><br />
Os serviços ministeriais vão aproveitar as iniciativas da Fundação de Cardiologia para porem em prática<br />
iniciativas integradas nos programas ministeriais<br />
o facto é que ficam vagas por preencher no<br />
Internato de Saúde Pública. O actual Governo<br />
e o ministro já deram sinais de quererem<br />
promover a Saúde Pública e eu tenho esperanças<br />
que nesse pacote de medidas também<br />
se inclua esta carreira e a resposta aos problemas<br />
destes profissionais. am
Prevenção<br />
Os portugueses tratam<br />
bem do seu Coração?<br />
l<br />
l<br />
No mês em que o coração merece destaque, desafiámos Manuel Carrageta, presidente da<br />
Fundação Portuguesa de Cardiologia, para nos dizer se os portugueses tratam o seu coração como<br />
deviam. A apreciação deste responsável leva-nos a concluir que ainda falta muito para que, a este<br />
nível, nos equiparemos aos restantes povos europeus. As causas e as consequências aqui ficam.<br />
As doenças cardiovasculares consrituem a<br />
principal causa de doença, morre e custos<br />
em saúde da populaçáo porruguesa. A<br />
«Estamos perante<br />
uma nova situação<br />
alimentação rica em calorias, gorduras saruradas, sal<br />
e açucares, e pobre em fibra vegetal e micronutrientes<br />
essenciais.<br />
prevenção destas doenças deve assentar num estilo de<br />
vida que inclua uma alimentação adequada, actividade<br />
física regular e uma vida sem tabaco, o que por<br />
si só pode evitar a grande maioria de eventos cardiovasculares,<br />
como o enfarte do miocárdio e o acidente<br />
vascular cerebral (AVC).<br />
Um dos maiores erros alimentares dos portugueses<br />
é o excessivo consumo de sal, aliás muito superior ao<br />
consumo médio europeu - pensa-se que este erro alimentar<br />
seja, em grande parte, responsável pelo elevado<br />
número de AVC que atinge a população portuguesa,<br />
em contraste com os restantes países<br />
europeus, incluindo a vizinha Espanha, que tem<br />
uma incidência bastante mais baixa.<br />
Podemos dizer, pois, que Portugal é o campeão<br />
europeu de consumo de sal e é simultaneamente o<br />
país com mais acidentes vasculares cerebrais, que<br />
constitui a principal causa de morte e incapacidade<br />
motora da nossa população.<br />
Sem dúvida que um programa específico que ajude<br />
os portugueses a reduzir o consumo de sal terá um<br />
que se poderá<br />
tornar crítica, caso<br />
não se tomem<br />
as medidas<br />
apropriadas,<br />
só eficazes através<br />
da conjugação de<br />
esforços de todas as<br />
instituições públicas<br />
e privadas, que<br />
actuem na área<br />
da Educação<br />
e da Saúde<br />
cardiovascular».<br />
Estudos recentes mostram que as crianças portuguesas<br />
são as. segundas da europa com maior excesso<br />
de peso e obesidade, o que nos leva a prever futuros<br />
problemas de saúde.<br />
Este drama da obesidade infantil é também explicado<br />
por outros estudos que mostram que a população<br />
portuguesa é a mais sedentária da Europa.<br />
São bem conh ecidas as vantagens d a actividade<br />
física regular, que pode passar por uma simples<br />
marcha diária, em passo rápido, e duração mínima<br />
de meia hora.<br />
Esta epidemia de obesidade infantil em desenvolvimento<br />
arrisca desencadear uma constelação de factores<br />
de risco como a hipertensão arterial, o colesterol<br />
elevado e a diabetes, que irão provocar<br />
complicações cardiovasculares, responsáveis por uma<br />
preocupante redução de esperança de vida das novas<br />
gerações.<br />
Estamos, pois, perante uma nova situação que se<br />
poderá tornar crítica, caso não se tomem as medidas<br />
apropriadas, só eficazes através da conjugação de<br />
1<br />
1<br />
Obsidade Juvenil é o t ema<br />
Mês do Coração <strong>2005</strong><br />
O principal objectivo do <strong>º</strong>Maio<br />
- Mês do Coração" é, segundo<br />
a Fundação Portuguesa<br />
de Cardiologia {FPC), alertar<br />
a população para<br />
a problemática das doenças<br />
cardiovasculares<br />
e particularmente<br />
para o factor de risco.<br />
Uma em cada três crianças é obesa ou tem excesso<br />
de peso. É precisamente devido aos maus rastreias cardiovasculares em diversos pontos do<br />
Durante todo o Mês do Coração vão decorrer<br />
hábitos alimentares adquiridos nos últimos tempos,<br />
que a população começou a ter problemas rio do Tejo, o peditório nacional e a rubrica reser<br />
país, assim como a Regata do Coração, no estuá<br />
cardiovasculares cada vez mais cedo, e estes passaram<br />
a ser uma preocupação de todos e não ape<br />
como já aconteceu em outros anos.<br />
vada ao aconselhamento à população, na rádio,<br />
nas dos mais idosos, como se poderia pensar. No inicio do mês, a FPC marcou presença na<br />
Este ano a grande novidade nas comemorações Feira da Saúde, em Vila Viçosa, entre 5 e 7 de<br />
do mês de Maio é um sarau cultural, denominado<br />
"Falas do Coração", que conta com a par<br />
Coração, no Estádio Universitário de Lisboa, e<br />
Maio. Entre 13 e 15, realizou-se o "Desafio do<br />
ticipação de diversos artistas nacionais e que para os amantes de uma mesa saudável fica a<br />
impacto enorme numa maior esperança e qualidade<br />
esforços de todas as instituições públicas e privadas,<br />
tem lugar dia 24, no Teatro da Trindade, sendo<br />
sugestão de frequentarem o "Curso de Alimen<br />
de vida da nossa população.<br />
Nos últimos anos tem-se desenvolvido uma nova<br />
ameaça para a população portuguesa, em particular<br />
para os jovens, em resultado do abandono progressivo<br />
da nossa tradicional dieta mediterrânea, que<br />
está a ser substituída pela denominada "fast food",<br />
Manuel Carrageta<br />
Fundação Portuguesa<br />
de Cardiologia<br />
que actuem na área da Educação e da Saúde cardiovascular.<br />
O facto do diagnóstico da situação estar feito,<br />
leva-nos a ser optimistas e a confiar que todos os<br />
parceiros no rerreno dêem as máos para enfrentar<br />
estes dois grandes desafios de Saúde Pública. l!!II<br />
Neste Maio, a ideia é relembrar aos<br />
portugueses os riscos das doenças<br />
cardiovasculares. Em <strong>2005</strong>, o problema<br />
da obesidade dos jovens, que ultimamente<br />
tem sido bastante debatido, é o mote<br />
para as actividades que estão a ser promovidas.<br />
posteriormente transmitido na RTP.<br />
A abertura oficial do M ês de Maio foi marcada<br />
por uma sessão solene, que contou com a presença<br />
de várias personalidades da FPC e que<br />
decorreu em Coimbra, mais precisamente no<br />
Mosteiro de São Jorge Mil Réus.<br />
tação Saudável'', que vai decorrer nos dias 24 e<br />
25 na Academia dos Sabores, em Lisboa.<br />
No dia 31 de Maio, em que se comemora o<br />
Dia Mundial Sem Fumo, a tónica da FPC é,<br />
como n ão podia d eixar d e ser, a de um<br />
"Coração Livre" lllll
Assiduidade<br />
Adriano Trevi, responsável principal dos laboratórios<br />
Roche, em Portugal, tem sido uma presença assídua em<br />
todos os debates da APAH. Na foto, conversava com<br />
Batel Marques, o "homem forte" do sistema de comparticipações.<br />
Será que Trevi tentava convencer Batel Marques<br />
a não perder as Conversas lmprenscindíveis?<br />
Genética<br />
O bastonário da OM, Pedro Nunes, e o<br />
professor Vasco Reis, da Escola Nacional de<br />
Saúde Pública, aproveitaram o momento de<br />
café, durante o Fórum da Gulbenkian, para<br />
conversarem sobre assuntos relacionados com<br />
o tema. Será que as duas individualidades têm<br />
opiniões contrárias sobre os alimentos<br />
geneticamente modificados ou pensam da<br />
mesma maneira?<br />
Explicações<br />
Ainda no jantar-debate da FIL. O bastonário da Ordem dos Médicos (OM),<br />
Pedro Nunes, fez questão em não faltar ao evento da APAH. Na foto, o presidente<br />
da OM explicava ao director geral da Roche, em Portugal, Adriano Trevi,<br />
a sua opinião sobre o futuro da Saúde no país. O responsável da Roche é uma<br />
pessoa simpática, muito acessível e afável, mas também muito exigente.<br />
Durante o jantar, Alexandre Trevi deu provas dessa exigência. E todos os presentes<br />
o aplaudiram.<br />
Agradeci mente<br />
O presidente da APAH, Manuel Delgado, agradece<br />
a Carlos Gouveia Pinto, professor de Economia<br />
da Saúde, o facto de ter aceite o convite<br />
para ser um dos oradores do evento.<br />
Gouveia Pinto foi, sem dúvida, uma óptima<br />
escolha: é que além de ter demonstrado ter<br />
um sentido de humor muito apurado - o que<br />
fica sempre bem! - defendeu os seus pontos<br />
de vista com "garra".<br />
Esquecimentos<br />
A 20 de Abril, o Fórum Gulbenkian da Saúde discutiu a "Qualidade<br />
e Segurança Alimentar: Organismos geneticamente modificados,<br />
os protestos pelo direito à saúde e os contaminantes dos alimentos".<br />
No intervalo, Clara Carneiro, farmacêutica e ex-ministra<br />
sombra do PSD para a Saúde, conversou com o responsável pelo<br />
sector da Saúde e Desenvolvimento Humano da Fundação<br />
Calouste Gulbenkian, Rui de Lima. Será que a conversa em questão<br />
não teria a ver com um convite para a farmacêutica socialdemocrata<br />
passar a integrar a Fundação? Quem sabe! É que Marques<br />
Mendes, líder do PSD, parece que se esqueceu de Clara<br />
Carneiro. Imperdoável Dr. Marques Mendes!<br />
Atenção<br />
Pedro Lopes, vice-presidente da APAH, e Maria Filomena Cabeça, membro<br />
da direcção nacional da Ordem dos Farmacêuticos, seguiram com<br />
atenção as apresentações dos oradores, Batel Marques e Gouveia Pinto.<br />
Os semblantes de ambos mostraram alguma preocupação. É que as<br />
apresentações feitas sobre o tema, pelos dois professores, não deixaram<br />
grande esperança quanto ao futuro. Os objectivos entre os parceiros<br />
que estão ligados ao medicamento, como sabemos, são diferenciados,<br />
mas no caso, tanto o administrador hospitalar como a farmacêutica<br />
ficaram com a "pulga atrás da orelha".
.. ... . . "" .. ... ,... .,.,<br />
... ...<br />
- ' ~... . ... ... ~.<br />
.. . -. ....<br />
"'\....... ~ • li " ·~<br />
. .<br />
SPA<br />
m mun<br />
~<br />
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I<br />
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massagens, no banho turco ou na aromaterapia.<br />
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passar mais do que uma hora fora do caos<br />
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as e tensões. Por isso, respire fundo,<br />
relaxe e receba a atenção que merece.
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O papel do Hospital<br />
,,<br />
N<br />
ão é fácil dirigirmo-nos a alguém para falar de doenças,<br />
sobretudo quando a doença é grave e nos faz tomar consciência<br />
da nossa precária condição humana. Mesmo para<br />
aqueles que trabalham diariamente nos hospitais!<br />
Na maioria das vezes, expor as nossas fraquezas, é darmo-nos conta,<br />
a n~s e aos nossos interlocutores da frágil, efémera<br />
e mortal compleição do nosso corpo.<br />
Nos últimos anos, tenho tido oportunidade de<br />
comunicar, a diferentes assembleias, a experiência<br />
por que passei de um cancro da mama. Tenho<br />
ouvido dezenas de mulheres, e alguns homens,<br />
que igualmente padeceram ou ainda padecem<br />
desta assustadora enfermidade.<br />
É aqui, hoje, nesta revista dirigida aos responsáveis<br />
pela administração e funcionamento dos<br />
nossos hospitais, que novamente constrangida<br />
me é concedido falar em meu nome e no de<br />
todas as pessoas com quem compartilho a<br />
mesma dor.<br />
Bem sei que todos vós conhecem, melhor do<br />
que ninguém, quais os modos de minorar as<br />
aflições que as/ os sofredores de cancro da<br />
mama suportam durante o tempo de consultas,<br />
avaliação, internamento, cirurgia e outros<br />
tratamentos.<br />
Acredito que todos projectam para as suas unidades<br />
hospitalares uma maior rapidez na marcação<br />
de consultas, a melhoria dos circuitos de atendimento,<br />
a agilização entre os serviços afins.<br />
Suponho que todos se esforçam para que as instalações<br />
sejam o mais modernas e funcionais<br />
possível, para que o ambiente hospitalar transmita<br />
confiança, saúde e tranquilidade.<br />
Tenho a certeza que todos se esforçam por pro-<br />
mover um clima de bem-estar entre todos os profissionais que trabalham<br />
nos nossos hospitais e se preocupam em lhes oferecer as condições<br />
de trabalho que lhes permitam exercer junto dos doentes a<br />
compassiva missão de curar ou cuidar.<br />
Estou segura de que se hão-de lembrar de criar uma Linha Azul que<br />
«Sonho ainda, chegar um<br />
dia a uma sala de espera<br />
onde não se respire um ar<br />
rarefeito, as gravuras não<br />
estejam desbotadas ou<br />
tortos os velhos quadros,<br />
haja cadeiras<br />
confortáveis para os<br />
utentes que são doentes,<br />
afinal... haja um<br />
reservatório de água e<br />
copos ou um chá quente,<br />
por que não?»<br />
Ana Sousa<br />
Presidente da APDP<br />
possa, a qualquer hora, responder às nossas dúvidas e inquietações. Que<br />
um serviço domiciliário, para os que não possam dirigir-se ao hospital,<br />
seja brevemente instaurado e que uma equipa de serviço social venha<br />
complementar o esforço dos serviços de psicologia.<br />
Também sei que todos estão diligenciando, activamente, para que haja<br />
uma equipa de voluntariado que possa dar o<br />
seu tes.temunho e incentivo para a criação de<br />
grupos de interajuda, como também já está acontecendo<br />
em algumas unidades.<br />
Creio que não vale a pena lembrar-lhes quão<br />
necessária é a existência da proximidade de bons<br />
serviços de radioterapia e quimio, por ser demasiado<br />
óbvia e imaginar que, rápido, rápido, todos<br />
os hospitais as vão poder incluir nas suas valênc1as.<br />
Sonho ainda, chegar um dia a uma sala de espera<br />
onde não se respire um ar rarefeito, as gravuras<br />
não estejam desbotadas ou tortos os velhos<br />
quadros, haja cadeiras confortáveis para os utentes<br />
que são doentes, afinal ... haja um reservatório<br />
de água e copos ou um chá quente, por que<br />
não?<br />
Pretenderei ser excessivamente optimista ao imaginar<br />
que não serão regateados bons modos, atitudes<br />
compassivas, um olhar amigo, algum afecto<br />
até, quando pedimos um esclarecimento, nos<br />
sentimos a desfalecer ou precisamos de ajuda<br />
para ir vomitar?<br />
Três ou dois milénios atrás (se pensarmos nos<br />
egípcios, nos essénios, nos gregos ... ), os hospitais<br />
eram lugares de tratamento, abrigo para os<br />
pobres, agasalho e conforto para as dores do<br />
corpo e da alma.<br />
Intuo que todos diligenciam para que, no mais<br />
curto espaço de tempo, seja devolvida aos hospitais a antiga tradição<br />
hospitaleira que, felizmente, é, ainda, praticada por alguns.<br />
Poderemos nós, doentes de cancro da mama ou de qualquer outro padecimento,<br />
desejar que os hospitais venham a desempenhar, mais eficientemente,<br />
o seu velho, antiquíssimo papel de Casas de Saúde? rm
Garantia<br />
nas Parcerias<br />
dos utentes<br />
Público-Privadas<br />
1<br />
ndependentemente das opções políticas que vierem a ser<br />
adoptadas pelo actual Ministério da Saúde em matéria de<br />
Parcerias Público-Privadas (PPP), julgo dever chamar a<br />
atenção para três ideias fundamentais: (a) necessidade de inovação<br />
em matéria de Administração da Saúde, no quadro de<br />
uma multiplicidade de instrumentos e mecanismos jurídicos,<br />
financeiros, organizacionais e sociais; (b) respeito e defesa do<br />
interesse público enquadrado na prestação de serviços tendentes<br />
à satisfação de necessidades dos cidadãos seja pela própria<br />
Administração seja por outras entidades com as quais aquela<br />
contrata; (c) protecção dos cidadãos que demandam os serviços<br />
de saúde, enquanto serviço público.<br />
Neste momento será oportuno fazer uma reflexão sobre a protecção<br />
dos direitos dos cidadãos, reportando às PPP.<br />
1. Direito de Reclamação<br />
No fundo, a conduta da Administração Pública (A.P.), ou de<br />
outras entidades públicas ou das entidades particulares, agindo<br />
em nome daquelas, ou por causa de uma relação contratual com<br />
aquelas, é pautada por regras de compatibilidade legal, baseadas<br />
no dever de respeito e de ponderação ou de consideração.<br />
Mas este direito e este interesse dos cidadãos também estão<br />
consagrados na CRP: «Todos os cidadãos têm o direito de apresentar,<br />
individual ou colectivamente, aos órgãos de soberania<br />
ou a quaisquer outras autoridades petições, representações,<br />
reclamações ou queixas para defesa dos seus direitos, da Constituição,<br />
das leis ou do interesse geral» . ..«sendo também reconhecido<br />
o direito de acção popular, nos casos e termos previstos<br />
na Lei Fundamental».<br />
Um outro aspecto de garantia judicial dos terceiros, sobretudo<br />
dos cidadãos utentes dos serviços de saúde, é o que se refere à<br />
possibilidade de reclamação, consubstanciada na Base XIV da<br />
Lei de Bases da Saúde, n. 0 1, g), segundo a qual os utentes<br />
podem «Reclamar e fazer queixa sobre a forma como são tratados<br />
e, se for caso disso, receber indemnização por prejuízos<br />
sofridos», nos termos da responsabilidade civil.<br />
2. Os Direitos de Terceiros no Âmbito<br />
do Contencioso Administrativo<br />
Por um lado, nos contratos da A.P. com entidades particulares,<br />
a produção de efeitos na esfera jurídica de terceiros é ainda mais<br />
relevante e evidente, porquanto se está perante actividades praticadas<br />
por particulares transfigurados em entidades administrativas,<br />
com prerrogativas e direitos (designadamente as questões<br />
relativas aos actos praticados no decurso pré-contratual e<br />
mesmo na celebração do contrato - enfim aqueles actos que se<br />
referem à escolha do procedimento de selecção, à falta de publicação<br />
de anúncio, à errada composição do júri, à exclusão, etc.).<br />
Por outro lado, o fenómeno da legitimidade processual das partes<br />
é alargado nos termos seguintes:<br />
a) A legitimidade activa para submeter a tribunal tanto pode<br />
caber a particulares como a entidades públicas, desde que persista<br />
o interesse de os tribunais administrativos apreciarem as<br />
situações de violação (ou eminente violação) de direitos e interesses<br />
legalmente protegidos;<br />
b) Os cidadãos, no âmbito do contencioso administrativo, têm<br />
a possibilidade de exercerem o direito de acção popular para<br />
defesa de "valores e bens constitucionalmente protegidos, como<br />
a saúde pública, o ambiente, o urbanismo, o ordenamento do<br />
território, a qualidade de vida, o património cultural e os bens<br />
do Estado, das Regiões Autónomas e das autarquias locais",<br />
direito que a CRP lhes confere, como se viu, no art. 52. 0 , n. 0 3.<br />
e) Existe ainda a legitimidade para propositura de acções no<br />
domínio da execução dos contratos, para garantia do cumprimento,<br />
por parte dos concessionários de serviços de interesse<br />
económico geral, dos deveres consignados no contrato de concessão<br />
em que se consubstancia a garantia dos princípios da<br />
igualdade de tratamento dos utentes, da continuidade do ser-<br />
viço e da eficiência na gestão das redes de serviço público.<br />
Parece poder concluir-se que os utentes de um dado hospital,<br />
no seio do qual foi celebrado um contrato de parceria entre a<br />
contratual ou do seu não cumprimento por parte dos co-condos<br />
pelo deficiente ou imperfeito ou incompleto<br />
tratamento ou atendimento, podem<br />
demandar judicialmente quer a entidade<br />
pública (os corpos gerentes do hospital) quer<br />
a parte concessionária (uma entidade privada)<br />
- as pessoas colectivas, às quais corresponde,<br />
afinal, a legitimidade passiva para se defenderem.<br />
Se o contrato de gestão for omisso em matéria<br />
de escolha de patologias a tratar (sempre num<br />
contrato hão-de estar assegurados o tratamento<br />
de certas patologias de acordo com a capacidade<br />
instalada), ou se não se enquadrar no<br />
planeamento da saúde de uma dada região<br />
(pois é bom não esquecer que estamos a falar<br />
de articulação dentro do SNS), ou se não estabelecer<br />
preços de acordo com as tabelas praticadas<br />
(um contrato há-de seguir um preçário<br />
previamente estipulado), ou não definir critérios<br />
de qualidade (de actuação) - ou se a entidade<br />
concessionária não acompanhar, dentro<br />
do que ficar estabelecido, a evolução técnica<br />
do processo de exploração adaptado - não há<br />
dúvidas que o contrato de parceria fica ferido<br />
de vícios que prejudicam claramente os terceiros<br />
ou destinatários do seu objecto.<br />
É exactamente no âmbito da execução dos<br />
contratos de parceria que poderão surgir danos para os terceiros<br />
de as parcerias se transformarem num fracasso com fortes repere<br />
que podem resumir-se a: (i) danos decorrentes do risco inerente<br />
à execução do mesmo ou do normal funcionamento do<br />
«É manifesta<br />
a necessidade<br />
administração e um particular, se sintam lesaserviço<br />
prestado; (ii) danos resultantes da negligente execução<br />
tratantes; e (iii)<br />
de uma intervenção<br />
reguladora<br />
que conduza<br />
à capacidade<br />
de acompanhar<br />
e fiscalizar<br />
as actividades<br />
levadas a cabo por<br />
entidades privadas»<br />
Paulo Salgado<br />
Administrador <strong>Hospitalar</strong><br />
danos imputáveis ao deficiente exercício dos<br />
poderes-deveres de fiscalização e vigilância por<br />
parte da Administração [de qualquer entidade<br />
pública].<br />
3. Perspectivas<br />
1. A relação jurídica administrativa envolve<br />
dois ou mais sujeitos de Direito, públicos ou<br />
privados, com vista à prossecução do interesse<br />
público, e que se plasma na concretização de<br />
diversas formas de contratos, entre os quais se<br />
perfila a parceria público-privada em saúde,<br />
no horizonte das opções político-jurídicas.<br />
2. Todavia, a noção ontológica de interesse<br />
público é, actualmente, ultrapassada por dinâmicas<br />
de "interesses" que não conduzem ao<br />
sentido social que está presente na CRP.<br />
3. É manifesta a necessidade de uma intervenção<br />
reguladora que conduza à capacidade<br />
de acompanhar e fiscalizar as actividades levadas<br />
a cabo por entidades privadas.<br />
4. Os terceiros podem reclamar e apresentar<br />
petições ou queixas, e podem também recorrer<br />
aos tribunais para defesa dos interesses e direitos<br />
que eventualmente possam ser postos em<br />
causa na execução de um contrato de parceria.<br />
5. É imperioso colocar muito empenho e cautela<br />
na fase da sua construção e elaboração das<br />
PPP, sob pena de se ferir de morte o SNS, ou<br />
cussões negativas no atendimento dos utentes dentro do Sistema<br />
de Saúde, principalmente dos mais desfavorecidos. l!lll
Maio<br />
Mês<br />
o Coração<br />
/<br />
E<br />
bem<br />
conhecido que as doenças cardiovasculares<br />
continuam a constituir a principal<br />
causa de morre em Portugal.<br />
Não surpreende, portanto, que em 2003 tenha sido<br />
aprovado o Programa Nacional de Prevenção e Controlo<br />
das Doenças Cardiovasculares (PNPCDCV),<br />
elaborado pela Direcção-Geral de Saúde e, posteriormente,<br />
nomeada uma Comissão de Coordenação<br />
desse Programa.<br />
Já em 2004, o Governo apresentou o Plano Nacional<br />
de Saúde (PNS), contemplando as Doenças<br />
Cardiovasculares, que define orientações estratégicas<br />
para a saúde, fomentando a coordenação e colaboração<br />
dos diversos sectores que para ela concorrem e<br />
estabelecendo as respectivas metas a atingir até<br />
2010.<br />
No conjunto, pretende-se não só melhorar a vigilância<br />
epidemiológica dos factores de risco, promover a<br />
prevenção, melhorar a qualidade da prestação dos<br />
cuidados médicos e encorajar o cidadão a ser responsável<br />
pela sua saúde, como também uma melhor<br />
Organização global, promovendo estratégias de<br />
intervenção e coordenando as múltiplas actividades<br />
com outras entidades.<br />
As metas prioritárias para as Doenças Cardiovasculares<br />
estabelecidas no PNS visam a redução da mortalidade<br />
padronizada por Doença Isquémica do<br />
Coração (DIC) e por Acidente Vascular Cerebral<br />
(AVC) antes dos 65 anos, a diminuição da mortalidade<br />
intra-hospitalar por ambas as patologias, bem<br />
como o aumento dos internamentos pelas Vias Verdes<br />
e o aumento da referenciação a Unidades de<br />
Reabilitação, tanto por DIC como por AVC.<br />
As metas pré-estabelecidas no Plano deverão ser<br />
conseguidas através das acções desenvolvidas pelo<br />
Programa.<br />
Os objectivos do PNPCDCD e do PNS são ambiciosos<br />
e o desafio lançado é enorme.<br />
Pormgal é, no entanto, um país "especial". As<br />
doenças cardiovasculares constituem a principal<br />
causa de mortalidade tal como em outros países<br />
europeus mas, ao contrário de todos os outros,<br />
incluindo os da bacia mediterrânica, a principal<br />
causa de mortalidade é devida à doença cerebrovascular<br />
e não à doença isquémica do coração. Usando<br />
dados de 2002 (os últimos disponíveis neste<br />
momento), a mortalidade anual padronizada por<br />
100 000 habitantes por AVC é de 127,6 para os<br />
homens e de 105,5 para as mulheres, enquanto que<br />
a mortalidade por DIC é de 85,7 e de 44,4, para os<br />
homens e as mulheres, respectivamente. As diferenças<br />
correspondem à diferente prevalência de<br />
hipertensão arterial e de doença coronária encontrada<br />
em alguns, poucos, estudos epidemiológicos realizados<br />
no nosso país. No entanto, para idades inferiores<br />
a 65 anos, a mortalidade anual por DIC é<br />
superior à do AVC nos homens (29,4 vs 22, 1),<br />
enquanto que nas mulheres a mortalidade por AVC<br />
é superior (11,3 vs 7,3). As variações regionais são<br />
igualmente muito significativas.<br />
Parece lógico que a implementação de estratégias de<br />
intervenção, que procurem reduções de mortalidade<br />
e Ganhos em Saúde, deva ser baseada na realidade<br />
do país.<br />
Para um conhecimento mais conecto da nossa realidade<br />
parece necessário, em primeiro lugar, melhorar<br />
os sistemas de informação não só nos aspectos estatísticos,<br />
dispersos por várias fontes (INE, IGIF,<br />
etc.), como também sobre a epidemiologia das<br />
doenças cardiovasculares, o tratamento usado tanto<br />
em meio hospitalar como em ambulatório, o modo<br />
de monitorização e avaliação das medidas de intervenção<br />
a serem propostas, etc..<br />
Paralelamente, parece importante adaptar e actualizar<br />
regularmente Recomendações (Guidelines)<br />
internacionais, de preferência europeias, sobre as<br />
medidas de prevenção e sobre aspectos clínicos, de<br />
diagnóstico e tratamento, das doenças cardiovasculares<br />
mais prevalentes. Mesmo que a Medicina Baseada<br />
na Evidência, que apoia essas<br />
Recomendações, possa, aparentemente,<br />
não corresponder à nossa<br />
realidade, precisamos do seu<br />
suporte científico para implementar<br />
medidas educacionais.<br />
O problema seguinte será o de<br />
motivar os profissionais de saúde<br />
para seguir as Recomendações. O<br />
problema não é só nosso, dado que<br />
este é também um objectivo das<br />
principais sociedades científicas<br />
internacionais. Sem interferir na<br />
individualidade de cada doente,<br />
nenhum médico duvidará, na sua<br />
responsabilidade profissional, da<br />
importância de diagnosticar e tratar<br />
adequadamente a hipertensão arterial,<br />
a dislipidémia, a diabetes, as<br />
disrritmias (como a fibrilhação auricular),<br />
o enfarte do miocárdio, etc ..<br />
Há também um papel importante<br />
a desempenhar pelo Estado no<br />
estabelecimento de Redes de Referenciação<br />
não só entre os Médicos<br />
de Medicina Geral e Familiar nos<br />
seus Centros de Saúde e os Hospitais<br />
de Referência, como igualmente,<br />
nas situações de maior Urgência,<br />
entre o doente e o Hospital<br />
mais adequado (Vias Verdes) e até<br />
entre Hospitais de diferente nível<br />
técnico. Talvez seja importante<br />
lembrar que em Portugal 50-70%<br />
da mortalidade por enfarte agudo<br />
«Em Portugal<br />
50-70%<br />
da mortalidade<br />
por enfarte agudo<br />
do miocárdio<br />
ocorre antes<br />
da chegada<br />
ao Hospital.<br />
Só recentemente<br />
começaram a ser<br />
criadas as Unidades<br />
de AVC capazes<br />
de reduzir<br />
a mortalidade»<br />
Ricardo Seabra Gomes<br />
Presidente da Comissão<br />
de Coordenação do Programa<br />
Nacional de Prevenção<br />
e Controlo das Doenças<br />
Cardiovasculares<br />
e Membro da Comissão<br />
de Acompanhamento<br />
do Plano Nacional de Saúde<br />
do miocárdio ocorre antes da chegada ao Hospital e<br />
que só recentemente começaram a ser criadas as Unidades<br />
de AVC capazes de reduzir a mortalidade se os<br />
doentes forem para elas dirigidos<br />
atempadamente.<br />
Importante é a menção no PNS à<br />
referenciação para Unidades de<br />
Reabilitação, após DIC aguda ou<br />
AVC, aspecto totalmente inovador<br />
e a requerer enorme vontade política<br />
para ser implementado, mas<br />
que poderia melhorar, indiscutivelmente,<br />
a futura qualidade de<br />
vida dos doentes.<br />
Por fim, deve haver participação<br />
responsável do cidadão, indivíduo<br />
saudável ou doente, nos cuidados<br />
com a sua própria saúde. Independentemente<br />
da problemática do<br />
acesso a cuidados médicos e da<br />
responsabilidade do Estado na<br />
garantia de cuidados aos mais desfavorecidos,<br />
o cidadão deve ser<br />
suficientemente informado sobre<br />
os cuidados a ter com a sua saúde<br />
(medidas de prevenção), como e<br />
quando procurar o médico ou<br />
chamar o 112, o porquê da medicação,<br />
etc ..<br />
O desafio é grande mas não<br />
impossível, se houver vontade e<br />
estabilidade políticas, diálogo e<br />
colaboração de todos os possíveis<br />
intervenientes, sentido de responsabilidade<br />
aos vários níveis, ausência<br />
de protagonismos e verdadeiro<br />
empenhamento da Sociedade Civil<br />
e dos cidadãos.r.m
1<br />
DIÁRIO DA REPÚBLICA<br />
A GH faz eco, mensalmente, das medidas tomadas por quem nos governa e que de uma forma ou de outra<br />
são importantes para o sector da Saúde e, em casos mais específicos, para o próprio País. Nesta edição, damos<br />
conta de decisões apresentadas em Diário da República entre 5 e 27 de Abril de <strong>2005</strong>.<br />
Roche<br />
Presidência do Conselho de Ministros<br />
Resolução do Conselho de Ministros n. 0<br />
84/<strong>2005</strong>, de 27 de Abril de<br />
<strong>2005</strong><br />
Aprova os princípios fundamentais orientadores da estrucuração dos cuidados<br />
de saúde às pessoas idosas e às pessoas em sicuação de dependência<br />
Portaria de n. 0 400/<strong>2005</strong>, de 7 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Autoriza o funcionamento do curso de complemento de formação em<br />
Enfermagem na Escola Superior de Saúde Jean Piaget de Vila Nova de Gaia<br />
e aprova o respectivo plano de escudos<br />
Inovamos na Saúde<br />
Resolução do Conselho de Ministros n. 0<br />
<strong>2005</strong><br />
85/<strong>2005</strong>, de 27 de Abril de<br />
Cria a Comissão para a Avaliação dos Hospitais Sociedades Anónimas<br />
Resolução do Conselho de Ministros n. 0<br />
86/<strong>2005</strong>, de 27 de Abril de<br />
<strong>2005</strong><br />
C ria um grupo técnico para a reforma dos cuidados de saúde primários<br />
MINISTÉRIO DA SAÚDE<br />
Portaria n. 0 393/<strong>2005</strong>, de 5 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Integra no escalão B as associações de antiasmáticos e ou de broncodilatadores<br />
(5.1) constantes do escalão C do anexo à Porcaria n.<strong>º</strong> 1474/2004,<br />
de 21 de D ezembro<br />
Despacho n. 0 7007/<strong>2005</strong> (2ª série), de 5 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Regulamento interno do Hospital de S. João<br />
Portaria n. 0 437/<strong>2005</strong>, de 21 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Autoriza o funcionamento do curso de pós-licenciatura de especialização<br />
em Enfermagem Comunitária na Escola Superior de Enfermagem Dr. José<br />
Timóteo Montalvão Machado<br />
Portaria n. 0 442/<strong>2005</strong>, de 22 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Autoriza o funcionamento do curso de pós-licenciacura de especialização<br />
em Enfermagem de Reabilitação na Unidade de Ponte de Lima da Universidade<br />
Fernando Pessoa e aprova o respectivo plano de estudos<br />
Portaria n. 0 443/<strong>2005</strong>, de 27 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Cria na Escola Superior de Enfermagem do lnsricuco Politécnico de Santarém<br />
o curso de pós-licenciatura de especialização em enfermagem de<br />
Saúde Materna e Obstetrícia e aprova o respectivo plano de escudos<br />
Portaria n. 0<br />
420/<strong>2005</strong>, de 14 de Abril<br />
Aprova o carrão de identificação para uso exclusivo dos trabalhadores do<br />
IN FARMED<br />
MINISTÉRIO DAS ACTIVIOADES ECONÓMICAS E DO TRABALHO,<br />
DAS FINANÇAS E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DO TURISMO<br />
Portaria n. 0 382/<strong>2005</strong>, de 5 de Abril<br />
Portaria n. 0 426/<strong>2005</strong>, de 15 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Estabelece que os encargos com a transferência e respectiva devolução do<br />
utente e processo clínico que ocorram no âmbito do SIGIC (sistema de ges<br />
Aprova o Regulamento de Execução do Sistema de Incentivos à Economia<br />
Digital (SIED)<br />
tão de inscritos para a cirurgia) são da responsabilidade do hospital de origem<br />
MINISTÉRIO DA SEGURANÇA SOCIAL, DA FAMÍLIA E DA CRIANÇA<br />
Decreto-Lei n. 0 77/<strong>2005</strong>, de 13 de Abril de <strong>2005</strong><br />
!<br />
1<br />
34<br />
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA<br />
E DA SAÚDE<br />
Portaria n. 0 396/<strong>2005</strong>, de 7 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Fixa as taxas a cobrar pelos actos relativos a ensaios clínicos<br />
Estabelece o regime jurídico de protecção social na maternidade, paternidade<br />
e adopção no âmbito do subsistema previdencial de segurança<br />
social face ao regime preconizado na legislação de trabalho vigente<br />
Portaria n . 0 4 18/<strong>2005</strong>, de 14 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Aprova o regulamento interno que define a organização e o funcionamento<br />
MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA<br />
xzczcz<br />
dos serviços da Entidade Reguladora de Saúde<br />
xczxczxcz<br />
MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, INOVAÇÃO E ENSINO SUPERIOR<br />
Portaria n. 0 399/<strong>2005</strong>, de 7 de Abril de <strong>2005</strong><br />
Converte a Escola Superior de Enfermagem de Portalegre, do Instituto Politécnico<br />
de Portalegre, em Escola Superior de Saúde, co m a denominação<br />
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA<br />
Resolução da Assembleia da República n. 0 16-A/<strong>2005</strong>, de 21 de Abril<br />
Propõe a realização de um referendo sobre a descriminali zação da inter<br />
de Escola Superior de Saúde de Portalegre<br />
rupção voluntária da gravidez realizada nas primeiras l O semanas
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a nossa vida<br />
a melhorar a sua<br />
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