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Gestão Hospitalar N.º 8 2005

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APAH organiza<br />

. workshop sobre<br />

Sistemas de Saúde<br />

rantes e Oliveira<br />

oempreendedor'<br />

guês


04 Editorial<br />

O presidente da APAH, Manuel Delgado, analisa<br />

desta vez a questão da eficiência nos hospitais. O<br />

Executivo pediu um esforço adicional aos responsáveis<br />

pela administração hospitalar no sentido de<br />

reduzir gastos (pelo menos cinco por cento) e<br />

aumentar a qualidade. Será possível? Manuel<br />

Delgado responde.<br />

12 Accões APAH<br />

,<br />

14 Entrevista<br />

Debater com os seus associados assuntos que estão<br />

na ordem do dia é apenas um dos objectivos da<br />

APAH. Para Setembro estão agendadas duas iniciativas<br />

importantes: um 'workshop', sobre "Sistemas<br />

de Saúde" e o jantar-debate, já habitual, sobre<br />

"Modelos Remuneratórios e Motivação Profissional".<br />

Saiba onde e quando e não falte.<br />

João Gomes Esteves, presidente da APIFARMA, é o<br />

entrevistado de Agosto da GH. Numa altura em que<br />

a indústria farmacêutica contesta algumas das iniciativas<br />

governamentais sobre medicamentos,<br />

Gomes Esteves explica, de forma contida, as razões<br />

do seu descontentamento.<br />

18 Reflexões<br />

Nunca se falou tanto em plano tecnológico como<br />

nos últimos tempos. Será que na Ciência e na<br />

Investigação esse plano também pode funcionar?<br />

A GH foi falar com Nuno Arantes e Oliveira. Um ex­<br />

·bolseiro da Gulbenkian que, vindo dos EUA, resolver<br />

criar em Portugal uma empresa vocacionada<br />

para a biomédica. Será que funciona?<br />

30 Comentários<br />

As opiniões de Agosto estão a cargo de José Carlos<br />

Lopes Martins {Administrador <strong>Hospitalar</strong>) e de<br />

Paulo Fidalgo (Médico). Lopes Martins responde a<br />

Vasco Reis (capa da GH de julho) a propósito dos<br />

"milagres". Paulo Fidalgo escreve sobre o novo<br />

impulso para a reforma hospitalar. Leia e compare.<br />

\._,.<br />

I


Sopra<br />

uma boa nova,<br />

•<br />

Mais eficiê nc1a<br />

nos Hos itais<br />

O<br />

desafio que o Governo fez recentemente<br />

aos hospitais do sector público<br />

administrativo (os hospitais SA já têm<br />

nos seus objectivos para <strong>2005</strong> desafio idêntico)<br />

determinando uma redução de custos de 5%, com<br />

de se manter o nível de crescimento na despesa<br />

clínica são óbvios.<br />

Em contrapartida, a actuação nos serviços de<br />

acção médica, designadamente nas áreas do medicamento,<br />

da utilização das tecnologias, dos horá­<br />

excepção das remunerações fixas, até ao fim do ano,<br />

rios de trabalho e da organização dos serviços,<br />

é particularmente exigente e dificilmente atingível.<br />

pode potenciar níveis de poupança significativos<br />

O tempo é escasso, na prática quatro meses, e<br />

e, o que é curioso, com ganhos também ao nível<br />

as medidas com maior impacto previsível demo­<br />

da qualidade das prestações.<br />

Manuel Delgado<br />

Presidente da APAH<br />

"Os gestores têm<br />

que encontrar nos<br />

médicos, nos<br />

enfermeiros e nos<br />

técnicos, aliados de<br />

peso que, pelo seu<br />

perfil, competência e<br />

prestigio, permitam<br />

liderar e monitorizar<br />

ram algum tempo a ser implementadas e a dar<br />

resultados. O desafio não deixa, todavia, de ser<br />

oportuno e todos o devíamos levar a sério.<br />

Oportuno, porque retoma a questão da eficiência<br />

hospitalar, num tempo de forre contracção<br />

da despe·sa pública; para levar a sério, porque a<br />

estrutura e o funcionamento dos nossos hospitais<br />

públicos poderiam permitir tratar mais doentes<br />

com os mesmos recursos ou, como é o caso, tratar<br />

os mesmos doentes, gastando menos.<br />

Há, no entanto, que seleccionar bem as áreas<br />

de intervenção e actuar com bom senso e, sobre­<br />

Para isso, os gestores hospitalares têm que<br />

encontrar nos médicos, nos enfermeiros e nos técnicos<br />

de diagnóstico e terapêutica, aliados de peso<br />

que, pelo seu perfil, competência e prestigio, permitam<br />

liderar e monitorizar esse esforço de racionalização.<br />

Muitos destes profissionais têm hoje,<br />

felizmente, uma visão mais arejada das questões<br />

de organização e funcionamento dos serviços e<br />

estão disponíveis para assumir novas tarefas ao<br />

nível da "Governance" clínica.<br />

Mas, não tenhamos ilusões! Os Hospitais são<br />

sempre reféns dos sistemas de saúde em que os<br />

Aliámos a experiência e solidez de um grupo internacional,<br />

líder na sua área, ao maior e mais moderno complexo industrial<br />

farmacêutico português.<br />

&colhemos Portugal para ser o centro mundial de desenvolvimento<br />

e produção de medicamentos injectáveis da Fresenius Kabi.<br />

Apostámos na qualidade, competência e formação dos nossos<br />

profissionais.<br />

esse esforço de<br />

racionalização"<br />

tudo, com inteligência.<br />

A ideia, peregrina, de deixar a componente<br />

clínica à margem deste processo de racionalização<br />

e, actuar, sobretudo, na aquisição de bens e ser­<br />

cuidados de proximidade, primários e continuados,<br />

funcionam mal, já que as ineficiências sistémicas<br />

se repercutem essencialmente nessas<br />

" baluartes institucionais". Por outro lado,<br />

Acreditámos no seu apoio.<br />

Em Portugal, com portugueses, para o mundo.<br />

viços a melhores preços e no corte de despesas<br />

enquanto não se operacionalizarem modelos<br />

com pessoal administrativo e auxiliar, tem tanto<br />

de pueril como de ignorante. Os ganhos de eficiência<br />

são manifestamente marginais e os riscos<br />

remuneratórios mais inteligentes e incentivadores<br />

da eficiência e da qualidade, os avanços serão sempre<br />

episódicos e, eventualmente, reversíveis. rm<br />

~<br />

LABESFAL<br />

Fresenius<br />

Kabi<br />

Caring for Life


Lisboa<br />

Clínicos gerais com subsídio de produção<br />

SIGIC<br />

<strong>º</strong>Ministério da Saúde vai, alargar a ~~dos os clínicos gera~s .<strong>º</strong> regime re~unerat~rio que<br />

prevê o pagamento, alem do salano base, de um subs1d10 de produçao. Regime que<br />

deverá abranger também os médicos das urgências, uma vez que o pagamento de horas extraordinárias<br />

deverá acabar. A secretária de Estado Adjunta do ministro da Saúde, Carmen Pignatelli,<br />

que participava no IV Fórum sobre "As Reformas da Saúde", organizado pelo "Diário<br />

Económico", afirmou que a intenção do Executivo é uniformizar o pagamento do regime<br />

remuneratório experimental.<br />

Quatro mil vales-cirurgia para o Sul<br />

Sociedades Anónimas<br />

O<br />

Ministério da Saúde enviou, entre o<br />

início de Dezembro e 18 de Junho último,<br />

mais de quatro mil vales que permitem<br />

a realização de cirurgias no sector privado a<br />

doentes que esperam operações nas regiões<br />

do Alentejo e Algarve. Contudo, apenas 35%<br />

dos inscritos (1446) reclamaram esses vales<br />

e, destes, apenas 203 já foram operados.<br />

Mas uma avaliação recente detectou que<br />

14% dos doentes pura e simplesmente ser<br />

recusam a ser transferidos do hospital de<br />

origem para outro.<br />

Hospitais reduzem prejuízos em 27,6%<br />

Os 31 hospitais sociedades anónimas<br />

fecharam o ano de 2004 com um prejuízo<br />

global de 91, 1 milhões de euros.Verba que<br />

representa uma diminuição de 27,6% face ao<br />

resultado negativo registado em 2003, o qual<br />

ascendeu a 125,9 milhões de euros. O balanço<br />

analítico divulgado pelo Ministério da Saúde<br />

revela que as dívidas de curto prazo aos fornecedores<br />

aumentaram 8,8%.<br />

ln ''jornal de Negócios" 01/01/05<br />

ln "Público" 04107105<br />

ln "Público" 22/01/05<br />

Orçamento Rectificativo<br />

Saúde reforçada<br />

com 2100 milhões<br />

de euros<br />

O<br />

Orçamento Rectificativo vai transf~rir<br />

1800 milhões de eu ros para o Serviço<br />

Nacional de Saúde (SNS), para pagar despesas<br />

de 2004 e compromissos de <strong>2005</strong>. A<br />

esta verba há que acrescentar os muitos<br />

milhões pagos aos subsistemas de saúde<br />

como a ADSE ou os que abrangem PSP, GNR<br />

e militares, de onde sairão pagamentos por<br />

dívidas ao SNS.<br />

A ADSE, por exemplo, vai receber mais 147<br />

milhões, dos quais 80 milhões serão para<br />

pagar dívidas a outras instituições do SNS<br />

relativas a 2004 e colmatar falhas de <strong>2005</strong>.<br />

ln "Público" 28/06/05<br />

Entrevista<br />

Críticas à indústria<br />

farmacêutica<br />

Em entrevista à revista 11 Notícias Magazine",<br />

o ministro da Saúde Correia de<br />

Campos afirmou que o problema fundamental<br />

das dívidas à indústria farmacêutica<br />

se prende com o facto de as vendas de<br />

medicamentos aos hospitais estarem a crescer<br />

entre 18 a 20% por ano. E sublinha que<br />

não poderão continuar a aceitar pagar todos<br />

os fármacos usados em meio hospitalar<br />

quando os ensaios clínicos chegam ao fim.<br />

Assim, quem fica "refém" da indústria são os<br />

doentes, frisa.<br />

Relatório<br />

ln "Notícias Magazine" 24/06/05<br />

Higiene<br />

60% dos hospitais<br />

sem lavatórios<br />

adequados<br />

U<br />

m relatório do Programa Nacional de<br />

Controlo de Infecção do Instituto Nacional<br />

Ricardo Jorge detectou falhas nas estruturas<br />

de higienização das mãos. Dos 52 hospitais<br />

analisados só 40% têm lavatórios adequados às<br />

necessidades e mais de um terço não possuem<br />

normas escritas. O mesmo estudo revela que<br />

cerca de 8% dos doentes internados sofrem<br />

de, pelo menos, uma infecção hospitalar. Para<br />

combater esta situação, o ministro vai enviar<br />

uma missiva às ordens dos Médicos, Enfermeiros<br />

e Farmacêuticos em que pede ajuda para<br />

uma campanha nacional a lançar em breve.<br />

ln "Diário de Notícias" 1510 7105<br />

INFARMED<br />

Vasco Maria<br />

tomou posse<br />

Vasco Maria, professor da Faculdade de<br />

Medicina da Universidade de Lisboa,<br />

regressou ao Instituto Nacional da Farmácia<br />

e do Medicamento {lnfarmed), tendo<br />

tomado posse no passado<br />

dia 20 como presidente<br />

deste organismo.<br />

Já<br />

ocupara o<br />

mesmo lugar de Janeiro<br />

a Julho de 2002,<br />

nomeado pelo mesmo<br />

ministro, quando Correia<br />

de Campos integrava<br />

a equipa de António<br />

Guterres.<br />

Hélder Mota Filipe, da<br />

Faculdade de Farmácia<br />

de Lisboa, e a médica de família Luísa Carvalho<br />

são os vice-presidentes, tendo como<br />

vogais a economista Emília Alves e o engenheiro<br />

Fernando Bello.<br />

ln ''jornal de Notícias" 27/07105<br />

Santo António tem a gestão mais cara<br />

O<br />

conselho de administração do Hospital de Santo António, no Porto, era<br />

o mais bem pago do país entre as 31 unidades S A, segundo um relatório<br />

da Inspecção-geral de Saúde que se reporta ao mês de Janeiro de 2004.<br />

No total, em cada mês, o hospital gasta mais de 34 mil euros em salários com<br />

gestores.<br />

Quanto aos presidentes dos conselhos de administração, os mais bem pagos<br />

eram liderados pelos hospitais de Santarém (11 .846 euros) e de S. Francisco<br />

de Xavier, em Lisboa (11.495 euros). Sendo, no entanto, ultrapassa dos pelos<br />

directores clínicos do Hospital de Bragança (15.400 euros) e do Hospital de<br />

Amarante (13.500 euros). Todos bem acima do sa lário do presidente da República,<br />

que estabelece os limites para a Administração Pública.<br />

ln "Correio da Manhã" 12107105<br />

r<br />

i<br />

--<br />

l


EPE's<br />

GOP<br />

Hospitais universitários<br />

Governo adia promessas<br />

podem mudar de estatuto<br />

Prescrição por DCI e acompanhamento de idosos e doentes<br />

crónicos não constam das Grandes Opções do Plano {GOP).<br />

O ministro da Saúde pondera transformar os hospitais<br />

universitários de Lisboa, Porto e Coimbra em empresas públicas.<br />

O<br />

titular da pasta da Saúde, Correia de<br />

Campos, falava durante a inauguração<br />

da segunda sala de exames da Unidade<br />

de cardiologia de Intervenção do serviço de<br />

Cardiologia do Hospital de sanca Maria, no<br />

passado dia 22 de Julho. O governante anunciou<br />

que a decisão sobre a passagem dos hospi<br />

cais universitários a Entidades Públicas<br />

Empresariais (EPE's) será tomada até ao final<br />

do ano. Já o secretário de Escada da Saúde,<br />

Francisco Ramos, anunciara à GH de Junho<br />

que o Governo iria decidir até final de <strong>2005</strong><br />

quais os hospitais que mudariam para EPE's<br />

incluindo os que não faziam parte do grupo<br />

dos SA.<br />

Naquela cerimónia, o ministro afirmou que<br />

"gostaria muito que houvesse um hospital<br />

universitário com ensino de grande difi?:ensão,<br />

de referência e de grande qualidade, que<br />

pudesse passar a entidade pública empresarial".<br />

Ainda de acordo com o governante a<br />

escolha cem de ser criteriosa rendo em coma<br />

o facto de haver dotação limitada quanto ao<br />

capital social necessário para esta transformação.<br />

Segundo o presidente do conselho de administração<br />

do Hospital de Sanca Maria, Adalberto<br />

Campos Fernandes, está neste momento<br />

a ser feito um trabalho técnico de avaliação<br />

rigorosa das condições materiais e financeiras<br />

do hospital para que, acé final de <strong>2005</strong>, o<br />

Santa Maria possa apresentar ao Governo<br />

uma proposta sólida que suporte a candidatura<br />

a empresa pública empresarial.<br />

Campos Fernandes realçou que a passagem a<br />

EPE permite agilizar a contratação e o recrutamento<br />

de recursos humanos, a aquisição de<br />

equipamentos e a inovação. 11111<br />

ppp<br />

<strong>Gestão</strong> clínica pode<br />

sair dos contratos<br />

Caso as propostas de Loures<br />

ou Braga excederem o limite,<br />

o Governo encara a hipótese<br />

de limitar as parcerias<br />

apenas à construção<br />

<strong>º</strong>Executivo de José Sócrates está a estudar<br />

a hipótese de reduzir as parcerias<br />

público-privadas (PPP) em alguns dos últimos<br />

cinco hospitais previstos no programa do<br />

anterior Governo, limitando-as à construção e<br />

deixando fora do contrato a gestão clínica.<br />

Em declarações ao "Diário Económico" de 8<br />

de Julho, o ministro Correia de Campos<br />

confirmou esta hipótese, justificando-a com<br />

o facto de a "parte da construção furar o<br />

valor do comparador público mais fortemente<br />

do que a componente clínica, que é mais<br />

contida" . A posição do m inistro surge depois<br />

da m aioria das propostas dos privados ter<br />

ultrapassado o valor do comparador público<br />

no concurso para o Hospital de Loures,<br />

argumentando os consórcios que não conseguem<br />

apresentar propostas mais baixas sem<br />

prejudicar a qualidade. 11111<br />

Aprescrição de todos os medicamentos medicamentos por D CI não faz parte das<br />

por princípio activo e a criação de serviços<br />

comunitários de proximidade para doen­<br />

De acordo com informações relatadas pela<br />

intenções do Executivo para <strong>2005</strong> ou 2006.<br />

tes crónicos ou idosos são algumas das medidas<br />

que não constam d o d ocumento das apenas em 2007, mas de forma diferente,<br />

Imprensa diária, esta medida poderá avançar<br />

Grandes Opções do Plano (GO P), divulgado nomeadamente, permitindo que o médico<br />

pelo Executivo no passado dia 18 de Julho. escreva, além da substância activa, o nome<br />

Medidas estas que constavam do programa do íaboratório, tal como já faz quando receita<br />

medicamentos genéricos.<br />

do Governo e, também, do p rograma eleitoral<br />

do PS, tal como fo i noticiado pela <strong>Gestão</strong> Também para 2007 fica, em princípio, a<br />

H ospitalar de Fevereiro.<br />

criação de serviços comunitários de proximidade<br />

e o encaminhamento imediato pelo Conforme as GOP, a prescrição de todos os<br />

hos-<br />

Cargos<br />

Ministro continua mudanças<br />

O ministro Correia de Campos continua a sua política de<br />

remodelações na área sob a sua tutela.<br />

A<br />

GH dava conta, no seu número de Julho,<br />

de mudanças em 24 direcções tuteladas<br />

pelo ministro da Saúde, Correia de Campos. A<br />

escas juntou-se a exoneração de José António<br />

Soares da Lomba, vogal do conselho de administração<br />

do hospital de S. Marcos, em Braga,<br />

sem direito a indemnização, por não ter elaborado<br />

os planos e relatórios de actividades do<br />

hospital referentes aos anos de 2004 e <strong>2005</strong>.<br />

No despacho assinado a 16 de Junho e publicado<br />

a 7 de Julho no Diário da República, o ministro<br />

da Saúde começa por lembrar que o decretolei<br />

que aprovou o regime jurídico dos hospitais<br />

do Sector Público Administrativo (decreto-lei n. 0<br />

188/2003, de 20 de Agosto) prevê a existência de<br />

"um conjunto de instrumentos necessários à sua que "de acordo com informação do recentemente<br />

nomeado presidente do conselho de admi­<br />

boa gestão, cuja elaboração cabe aos elementos<br />

do conselho de administração". E revela ainda nistração do Hospital de S. Marcos, o regulapital<br />

dos idosos e dependentes restabelecidos<br />

de um problema agudo paras as respectivas<br />

famílias, continuando a sua reabilitação a ser<br />

feita através dos centros de saúde.<br />

Para <strong>2005</strong> e <strong>2005</strong> fica apenas prevista a definição<br />

do modelo, tipo de serviços e modalidades em<br />

que esta articulação irá assentar. Para o ano está<br />

ainda previsto o reforço das equipas de cuidados<br />

continuados nos centros de saúde. im<br />

menta interno deste hospical ainda não foi aprovado<br />

por aquele órgão de gestão". Isto apesar de<br />

terem decorrido quase dois anos sobre a entrada<br />

em vigor do referido diploma legal. Também,<br />

acrescenta, não foram elaborados os planos de<br />

actividades e relatórios de actividades do mesmo<br />

hospital referentes aos anos de 2004 e <strong>2005</strong>.<br />

Caso o ministro decida aplicar esta medida a<br />

outros organismos na sua tutela poderá desencadear<br />

uma verdadeira "limpeza" nos lugares<br />

cimeiros. Alguns agentes do sector não deixam<br />

de apontar o caso do presidente da Estrutura de<br />

M issão das Parcerias de Saúde, José Abreu<br />

Simões, que ainda não apresentou um único<br />

relatório anual de actividades desde que assumiu<br />

o cargo no final de 2001 .<br />

Para já, o ministro afastou José Abreu Simões da<br />

comissão de avaliação das propostas do concurso<br />

para o contrato de gestão do Centro de Medicina<br />

Física e Reabilitação do Sul, em S. Brás de<br />

Alportel, embora recusando-se a divulgar os<br />

motivos da sua decisão.<br />

O presidente da comissão será o ex-secretário de<br />

Estado da Segurança Social de António Guterres,<br />

Ribeiro Mendes. im


Programa operacional da Administração Pública<br />

Financiamento da formação<br />

transversal em hospitais<br />

O<br />

novo Programa Operacional da<br />

Administração Pública (POAP),<br />

para o período <strong>2005</strong>/2006, tem<br />

como principais objectivos qualificar os<br />

recursos humanos de modo a prosseguir<br />

uma estratégia integrada de formação transversal.<br />

Neste domínio, inserem-se questões<br />

tão prementes como o reforço de competências,<br />

passando pela melhoria do desempenho,<br />

até à desburocratização e simplificação<br />

de procedimentos e processos de decisão, de<br />

modo a que possam ser adaptados modelos<br />

de organização mais ágeis, flexíveis, eficientes<br />

e transparentes. O que se pretende, concretamente,<br />

é assegurar a qualidade do serviço<br />

público prestado e elevar o grau de<br />

satisfação dos utentes.<br />

A formação destina-se a Dirigentes, T écnicos<br />

Superiores, Chefias, Técnicos e de:.mais<br />

funcionários, independentemente de serem<br />

médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e<br />

outras carreiras espec1a1s.<br />

Será adaptada uma filosofia assente em<br />

gestão por projecros integrados, em que a<br />

formação será uma das áreas de actuação nos<br />

processos de mudança organizacional, visando<br />

responder à satisfação das necessidades<br />

concretas das Instituições.<br />

Para atingir os objectivos referidos, o<br />

POAP está estruturado em três Eixos, cujas<br />

Medidas e metas se encontram evidenciadas<br />

no Quadro seguinte, com excepção do Eixo<br />

3 - Assistência Técnica, cujo beneficiário<br />

final é o Gestor do Programa Operacional.<br />

A abertura das candidaturas está prevista<br />

para Setembro, podendo as entidades da<br />

Administração Pública apresentar projectos<br />

formativos, nomeadamente nas seguintes<br />

áreas:<br />

- SIADAP; Novos Modelos de <strong>Gestão</strong> Organizacional;<br />

<strong>Gestão</strong> Financeira para não Financeiros;<br />

<strong>Gestão</strong> de Serviços Médicos; <strong>Gestão</strong> de<br />

Recursos Humanos; <strong>Gestão</strong> de Equipas; Sistemas<br />

de <strong>Gestão</strong> da Qualidade; Auditores da Qualidade;<br />

<strong>Gestão</strong> de Resíduos; <strong>Gestão</strong> de Risco;<br />

POCP- Plano Oficial de Contas da Administração<br />

Pública; Contabilidade Analítica; Higiene<br />

e Segurança no Trabalho; outros em função<br />

do diagnóstico de necessidades de formação.<br />

A Sinase tem experiência nesta área de intervenção,<br />

através de serviços de consultoria e<br />

formação desenvolvidos e outros a decorrer,<br />

nomeadamente o SIADAP, junto de vários<br />

Ministérios; Secretarias Gerais; Direcções<br />

Gerais; Serviços; Institutos Públicos; Governos<br />

Civis; Hospitais; Administrações Regionais de<br />

Saúde; Centros de Saúde; Câmaras Munici-<br />

Estrutura<br />

EIXO<br />

MEDIDA<br />

1 - Modernização<br />

1 - Promoção dos Sistemas<br />

da Modernização e e dos Procedimentos Apoio à realização de<br />

da Qualidade<br />

Projectos-piloto de<br />

na Administração<br />

modernização da AP<br />

Pública<br />

Z - Qualificação<br />

dos Serviços Públicos<br />

2 - Qualificação<br />

e Valorização<br />

dos Recursos<br />

Humanos<br />

pais; outros Organismos da Administração<br />

Pública Central e Autárquica.<br />

O SIADAP veio instituir medidas aplicáveis<br />

a toda a Administração Pública, com vista a<br />

uma profunda reestruturação organizacional,<br />

mais justa e eficiente, fundamentalmente orientada<br />

para as necessidades dos utentes, promovendo<br />

a eficiência, organização e qualidade dos<br />

serviços prestados.<br />

A intervenção da SINASE insere-se no diagnóstico<br />

organizacional, definição de metodologias,<br />

apresentação de processos de pedido de<br />

co-financiamento aos respectivos Programas<br />

Operacionais, formação, aplicação de instrumentos<br />

de Avaliação, promovendo-se o debate<br />

de ideias e consensos, tendo em vista a<br />

implementação de ferramentas decorrentes de<br />

novas práticas de gestão pública, potenciando as<br />

vertentes de Avaliação do Desempenho (Organizações<br />

e pessoas). rm<br />

METAS<br />

Realização de 4.000 estágios<br />

1 - Qualificação<br />

e Valorização Formação para 130.000<br />

dos Recursos Humanos formandos {dos quais 25%<br />

devem ser Dirigentes e<br />

Técnicos Superiores)<br />

BENEFICIÁRIOS<br />

Serviços da Administração<br />

directa e Organismos<br />

da Administração lndirecta<br />

do Estado<br />

Serviços da Administração<br />

directa e Organismos da<br />

Administração lndirecta do<br />

Estado, associações<br />

profissionais, associações<br />

representativas dos<br />

trabalhadores, estagiários e<br />

candidatos a funcionários<br />


Workshop Manahealth/ APAH<br />

Sistemas de Saúde - as decisões,<br />

o financiamento e o desempenho<br />

A Associação Portuguesa de Administradores <strong>Hospitalar</strong>es (APAH) realiza a 12 de Setembro, em<br />

Lisboa, um workshop sobre "Sistemas de Saúde -As decisões, o financiamento e o desempenho".<br />

O<br />

encontro, que se engloba no pro- ,<br />

jecto europeu de gestão dos serviços<br />

de Saúde denominado<br />

'Manahealth', tem como objectivo principal<br />

"contribuir para o conhecimento dos sistemas de<br />

sau 'd e europeus ".<br />

A expressão "Manahealth" associa duas palavras<br />

- 'management' e 'health' - e a sua vocação está<br />

ligada ao desenvolvimento de uma cultura europeia<br />

na área de <strong>Gestão</strong> de Serviços de Saúde.<br />

Assim, existem três sectores primordiais a ter em<br />

atenção e que vão ser o ponto de partida dos<br />

debates agendados.<br />

Questões na mesa<br />

Uma dessas vertences passa por conhecer as<br />

"medidas de desempenho dos sistemas de saúde",<br />

tendo por base a definição do 'ranking', e<br />

importância dos indicadores e as polític~s de<br />

'benchmark'. Um segundo tema que vai certamente<br />

marcar este workshop está relacionado<br />

com a polémica e actual questão de "como<br />

pagar a saúde". É que além de existirem diferentes<br />

sistemas de financiamento, há ainda a<br />

considerar o já clássico drama dos seguros, sem<br />

esquecer a combinação entre seguros públicos e<br />

privados e os pagamentos dos utilizadores.<br />

A terceira área a ter em conta prende-se com "as<br />

decisões em saúde", ou seja quem decide, que<br />

tipo de informação está disponível e que formas<br />

de incentivo se podem utilizar para a implementação<br />

das decisões.<br />

Nomes de relevo<br />

Este worshop destina-se a administradores hospitalares<br />

e outros profissionais de saúde ligados<br />

à gestão de serviços, não sendo exigido conhecimento<br />

prévio sobre sistemas ou economia da<br />

Saúde. Neste encontro, que vai decorrer durante<br />

todo o dia na Escola N acional de Saúde<br />

Pública (ENSP) vão estar presentes duas personalidades<br />

europeias ligadas ao sector.<br />

Trata-se de Hans Keiding, que além de professo<br />

r de Economia da Saúde da Universidade<br />

de Copenhaga é também investigador na<br />

área do financiamento e dos seguros de saúde,<br />

bem como na avaliação económica das tecnologias;<br />

e M artine Bellanger, doutorada em<br />

Economia e investigadora sénior na ENSP<br />

de Renhes.<br />

Martin e Bellanger é especi ai is ta na análise<br />

comparada dos. Sistemas de Saúde e conhecedora<br />

profunda do sistema de saúde francês.<br />

Este encontro tem como número máximo de<br />

participantes 30 pessoas, e a data limite de inscrições<br />

é 2 de Setembro. l!!D<br />

A 'rentrée' da APAH com jantar-debate<br />

Modelos remuneratórios<br />

e motivação profissional<br />

Depois de férias, merecidas, regressam em Setembro<br />

os jantares-debate da APAH. São as já conhecidas<br />

"Conversas Imprescindíveis" a marcarem espaço na Saúde.<br />

O<br />

próximo encontro está agendado<br />

para dia 16 de Setembro, em Lisboa,<br />

m ais precisamente no restaurante<br />

da antiga FIL, e o tema que vai<br />

estar em discussão é polémico qb: "Modelos<br />

remuneratórios e motivação profissional".<br />

Os oradores convidados são, desta vez, três<br />

nomes bem conhecidos de quantos estão<br />

ligados à área da Saúde, ou seja Isabel Vaz,<br />

presidente do CA do Espírito Santo Saúde;<br />

Adalberto Campos Fernandes, presidente do<br />

CA do Hospital de Santa Maria e Pedro Araújo<br />

Lopes, vice-presidente da APAH e membro<br />

do CA dos H.U.C. Numa altura em que<br />

os gastos nos hospitais são questionados pela<br />

tutela -<br />

quer seja no que se refere a medicamentos<br />

quer a horas extraordinárias, com<br />

médicos e enfermeiros - é altura de se saber<br />

também o que pensa quem está, de uma<br />

forma ou de outra, no meio do problema. Por<br />

outro lado, importa também ter em ·conta se<br />

as opções do sector público e do privado são<br />

idênticas. Mais: será que quem esteve no privado<br />

e está actualmente no sector público -<br />

como é o caso de Campos Fernandes -<br />

muda de posição? Em todo este domínio há<br />

ainda que saber quais as diferenças de pensamento<br />

de médicos e de administradores hospitalares.<br />

E já agora, que modelos remuneratórios<br />

devem ser tidos em con ta pelos<br />

responsáveis governamentais? De certeza que<br />

os que são baseados na produção são os preferidos<br />

de quem governa, mas serão plausíveis<br />

no momento actual tendo em conta as regras<br />

existentes, quer se trate de gestores quer de<br />

clínicos? Muitas questões na mesa, para um<br />

debate com convidados que prometem uma<br />

discussão viva. É a AP AH em fase de 'rentrée'.<br />

O jantar está agendado para as 20h30 e o<br />

debate será moderado por Marina Caldas. rm


João Gomes Esteves à G H<br />

Hospitais públicos sao<br />

#'ffll<br />

os piores pagadores<br />

De forma muito sucinta,<br />

João Gomes Esteves,<br />

presidente da Apifarma,<br />

analisa algumas das questões<br />

que se colocam hoje em dia<br />

na área dos medicamentos.<br />

Chama a atenção para o facto<br />

de a verdadeira redução dos<br />

preços dos medicamentos,<br />

proposta recentemente pelo<br />

Governo, afinal ultrapassar<br />

os quatro por cento para<br />

o produtor e sublinha<br />

que todas as medidas que<br />

o Executivo quer introduzir<br />

neste sector levarão a uma<br />

alteração da estratégia<br />

da indústria farmacêutica<br />

internacional em Portugal.<br />

Com óbvios custos para<br />

os doentes portugueses.<br />

De qualquer forma, ainda<br />

permanece esperançado<br />

em que as negociações com<br />

o ministro Correia de campos<br />

possam produzir frutos.<br />

<strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong> - Os medicamentos<br />

são mesmo caros em Portugal?<br />

João Gomes Esteves - Não. Os preços<br />

dos medicamentos em Portugal são abaixo<br />

da média europeia.<br />

GH - Em Agosto entra em vigor a<br />

redução de preço dos medicamentos<br />

comparticipados. Como é que vê esta<br />

medida?<br />

JGE - Esta decisão foi-nos apresentada<br />

como parte de um processo para fazer face<br />

à situação de pré-recessão que o país atravessa.<br />

GH - Considera justa a redução de 3%<br />

para o produtor?<br />

JGE - Para quem cria a riqueza de um<br />

País, nenhuma redução administrativa de<br />

preços parece justa. Economicamente, é<br />

complicada para a vida das empresas e<br />

para a sua capacidade de investir, manter e<br />

criar novos empregos. Além disso, a baixa<br />

não representará para a indústria 3% mas<br />

sim 4, 17%. Uma surpresa desagradável<br />

que agrava a nossa penalização.<br />

GH - Qual seria a margem de redução<br />

mais justa? Ou qualquer redução é<br />

injusta?<br />

JGE - Qualquer redução é injusta, porque<br />

contraria as expectativas legítimas dos<br />

agentes económicos. Mais ainda no caso<br />

dos medicamentos, um mercado altamente<br />

regulamentado, com critérios espartilhados<br />

de fixação dos preços.<br />

>>><br />

"O fim da majoração de 10% dos genéricos<br />

significa o fim da discriminação de um<br />

segmento de mercado face a outro"<br />

partir de Setembro, como é que vê a<br />

sua introdução já pelos preços de<br />

referência?<br />

JGE - Esperamos poder vir a discutir esse<br />

assunto com o Senhor Ministro em sede de<br />

Protocolo com a indústria farmacêutica.<br />

JGE - Estas medidas podem implicar uma GH - A indústria pôs fim ao acordo com o<br />

alteração estratégica da indústria interna- Ministério da Saúde. O Governo já disse<br />

cional sediada em Portugal. Opções de estar disposto a iniciar negociações.<br />

lançamento de novos produtos, por exem- Quais vão ser as exigências da Apifarma?<br />

plo, podem ser adiadas para Portugal. Aqui, JGE - Num ambiente negocial não se<br />

os maiores prejuízos são para os portugueses. fazem exigências, encontram-se as soluções<br />

mais equilibradas para ambas as partes.<br />

Curriculum Vitae<br />

João Gomes Esteves<br />

Idade - 61 anos<br />

> Licenciado em Ciências Médico­<br />

-Veterinárias da Escola Superior<br />

de Medicina Veterinária<br />

> Assistente no Instituto Nacional ·<br />

de Investigação Industrial<br />

> Oirector do Gabinete da Área de Sines<br />

> Oirector da Divisão AGVET da Merck<br />

Sharp & Oohme<br />

> Oirector Geral dos Laboratórios<br />

Químico-Farmacêuticos Chibret Lda.<br />

> Oirector Geral do Grupo Merck Sharp<br />

& Oohme / Chibret / Frosst<br />

> Oirector da CIP (Confederação da<br />

Indústria Portuguesa)<br />

> Oirector da Câmara de Comércio<br />

Americana em Portugal<br />

> Presidente do Grupo M.S.O.<br />

> Presidente da Apifarma (Associação<br />

Portuguesa da Indústria Farmacêutica)<br />

Se a ANF entrar<br />

na produção<br />

de medicamentos,<br />

a indústria farmacêutica<br />

quererá entrar<br />

na distribuição<br />

GH - Relativamente aos novos medi-<br />

GH - Estas medidas implicam que cus-<br />

tos para a indústria internacional sedia-<br />

GH - E para as empresas nacionais?<br />

JGE - Estimam-se perdas importantes GH - Em que condições é que aceitarão<br />

e venda directa<br />

camentos introduzidos no mercado a<br />

da em Portugal?<br />

para as empresas nac10na1s.<br />

um novo acordo?


JGE - Ainda não foram iniciadas as negociações.<br />

GH - Qual é actualmente a dívida dos<br />

hospitais aos laboratórios?<br />

JGE - A dívida total é de cerca de 7 00<br />

milhões de euros.<br />

GH - Quem deve mais, são os antigos<br />

SA ou os hospitais públicos?<br />

JGE - D evem ambos muito, mas os públicos<br />

são piores pagadores, em geral.<br />

GH - Como vê a liberalização da venda<br />

de medicamentos sem receita médica?<br />

JGE - Uma opção do Governo a que as<br />

empresas da indústria farmacêutica procurarão<br />

dar resposta.<br />

GH - Acha que pode contribuir para a<br />

diminuição do preço dos medicamentos?<br />

JGE - Aplicar-se-ão as regras de mercado.<br />

Esse cenário é um dos possíveis.<br />

GH - Já admitiu a sua surpresa com a<br />

associação da Associação Nacional de<br />

farmácias (ANF} e a Alliance Unichem.<br />

Acha que as fa rmácias não se devem<br />

associar à produção?<br />

JGE - Se lh es fo r permitido isso, à indústria<br />

também deverá ser permitido entrar na<br />

distribuição e na venda directa ao consumidor<br />

final. Tratamento igualitário dos<br />

parceiros.<br />

GH - Esta é uma aliança contra-natura?<br />

JGE - A da ANF com a Alliance Unich<br />

em, tendo sido exequível, não é contra-natura,<br />

embora levante muitas questões<br />

ao nível do mercado a que a indústria farmacêutica<br />

deverá saber dar resposta.<br />

>>><br />

"Espero que AH tenham competência para escolher o melhor para o doente"<br />

GH - Afirmou também que, nesse caso,<br />

a indústria consideraria a hi pótese de<br />

entrar na comercialização. Est ão realmente<br />

dispostos a isso ou é apenas<br />

uma hipótese remota?<br />

JGE - O m u ndo está em mudança. Devemos<br />

estud ar todas as oportunidades.<br />

GH - Considera que esta liberalização<br />

pode ser um primeiro passo para a<br />

entrada da indústria na comercialização<br />

? Através da associação com<br />

hipermerc.ados?<br />

J GE - É prematura qualquer avaliação.<br />

GH - Com o fim da majoração de 10%<br />

nos genéricos, a cha que as vendas<br />

podem descer?<br />

JGE - O fim da majoração de 10% signi-<br />

>>><br />

Hospitais devem 700 milhões<br />

fica o fim da discriminação de um segmento<br />

de mercado face a outro, o que é,<br />

para nós, positivo. Não é certo que a prescrição<br />

gastos em Saúde, e m geral, e, em particular,<br />

as d ívidas dos hospita is aos<br />

la boratórios?<br />

de genéricos tivesse uma relação JGE - Esperamos q ue contribua para as<br />

directa com essa majoração.<br />

GH - Vê com bons olhos a vontade do<br />

SE da Saúde de reorganizar as farmácias<br />

hospitalares?<br />

diminuir!<br />

GH - Acha que os administradores hospitala<br />

res são sensíveis ao facto de os<br />

medicamentos inovadores, mais caros,<br />

JGE - Vemos com bons olhos tod as as poderem reduzir os gastos em Saúde<br />

intenções para melhorar o desempenho numa perspectiva de longo prazo?<br />

hospitalar, com ganhos para os doentes. JGE - Espero que todos eles tenham competências<br />

para saber discernir o que é me-<br />

GH - Isto pode aumentar ou diminuir os lhor para o doente. 1111


A década de 90 foi próspera<br />

para a Ciência nacional.<br />

Muitos investigadores<br />

portugueses concluíram a sua<br />

formação avançada nas<br />

melhores universidades do<br />

mundo. Regressados,<br />

enriqueceram a massa<br />

cinzenta nacional.<br />

N<br />

uno Arantes e Oliveira é produto<br />

dessa selecção de ilustres doutores.<br />

Após concluir a licenciatura<br />

em Biologia, rumou, ao abrigo do programa<br />

Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e<br />

Medicina, para a Universidade da Califórnia<br />

(em São Francisco, nos EUA). Decorria o ano<br />

de 1998. Já doutorado na área da genética, o<br />

biólogo regressa, em 2002, a Portugal. Cheio<br />

de ideias, deu largas ao seu espírito empreendedor.<br />

Aproveitando o know-how adquirido<br />

nos EUA e sabendo das potencialidades dos<br />

negócios com base biotecnológica, ~uno<br />

Arantes e Oliveira esteve na criaçao da Alfama,<br />

empresa de Investigação e Desenvolvimento<br />

(I&D) dedicada à biomédica.<br />

Risco ambicioso<br />

A trabalhar na descoberta e desenvolvimento<br />

de novas d rogas, a Alfam a é a p rimeira<br />

empresa portuguesa com forte base biotecnológica<br />

a investir neste sector da I&D.<br />

Os objectivos traçados são ambiciosos: "Trabalhamos<br />

para fazer chegar ao mercado uma<br />

nova classe de fármacos aplicáveis às doenças<br />

inflamatórias. Para tal, desenvolvemos moléculas<br />

que possam dar novas respostas a doentes<br />

com artrite reumatóide.<br />

Asma, psoríase ou enfarte do miocárdio são<br />

outros dos problemas de saúde que se enquadram<br />

no trabalho que desenvolvemos'', diz o<br />

Ciência<br />

. ,<br />

comercio do 1 conhecimento<br />

J<br />

director da Alfama, que pretende, até 201 2,<br />

ter um produto no mercado baseado nestas<br />

investigações.<br />

Com persistência, esta empresa biotecnológica<br />

tem conseguido contrariar a ideia de que<br />

não há investidores disponíveis para aplicar<br />

din h eiro em C iência. H á cerca de dois<br />

meses, os responsáveis pela Alfama receberam<br />

uma excelente notícia. Um conjunto de<br />

investimentos, públicos e privados, no valor<br />

de três milhões de euros, vão ser injectados<br />

na empresa.<br />

"Para além de representar, em Portugal, um<br />

dos maiores investimentos com capital de<br />

risco, na área da biotecnologia, esse dinheiro<br />

possibilita um grande salto para as n ossas<br />

aspirações'', conta o empreendedor.<br />

Ainda que o montante em causa esteja distante<br />

dos 800 m ilh ões de eu ros - custo<br />

médio das etapas que antecedem a comercialização<br />

de um fármaco -, este capital servirá<br />

para dar continuidade às investigações iniciadas.<br />

"Desde a fase do estudo da molécula<br />

que origina um medicamento até à disponibilização<br />

do fármaco nas farmácias decorrem<br />

muitos anos.<br />

Uma droga tem de funcionar bem e apresentar<br />

mais valia em relação às demais presentes<br />

no mercado. Na investigação farmacêutica<br />

muitas das moléculas estudadas não chegam a<br />

ser comercializadas, pois as várias fases de testes<br />

clínicos a que são sujeitas ditam que apenas<br />

as melhores cheguem ao doente", explica.<br />

Descobrir, desenvolver e vender<br />

Para empresas start-ups, como a Alfama, o<br />

O bioempreededor<br />

O ' bioempreendedorismo' é ainda<br />

um conceito pouco desenvolvido<br />

em Portugal, p ois os nossos cient<br />

istas só agora começam a ver o<br />

potencial comercial dos seus trabalhos.<br />

Foi nos anos 80, nos EUA, que surgiram<br />

as primeir as bioempresas.<br />

Após anos de investigação, alguns<br />

cientistas da área da biotecnologia<br />

lançaram no mercado as suas ideias,<br />

o produto do seu trabalho.<br />

Porém, pelas características próprias<br />

desta área, poucas são as empresas<br />

q ue conhecem o sucesso.<br />

"As chances destes negócios falharem<br />

são muitas . O ciclo d e um<br />

empresa apoiada em I&D é muito<br />

lento. D esde a investigação até à<br />

ch egada a uma aplicação prática<br />

decor rem muitos anos", explica<br />

Nuno Arantes de Oliveira.<br />

Por outro lado, em Portugal ainda<br />

não há investidores de capital de<br />

risco que apostem em biotecnologia.<br />

Por cá, o Estado e o sector bancário<br />

continuam a ser os grandes investidores<br />

com capital de risco. E o bioempreendedor<br />

acrescenta: "Havendo<br />

um caso de sucesso, os investidores<br />

estariam mais disponíveis para arriscar<br />

em biotecnologia. Gerar-se-ia<br />

um efe ito tipo bola de neve. "<br />

importante é a descoberta e o desenvolvimento<br />

de novos fármacos.<br />

À posteriori, o direito de comercialização<br />

poderá ser cedido a uma multinacional farmacêutica.<br />

"Vender um produto numa fase<br />

intermédia de ensaios clínicos não significa<br />

que os objectivos da empresa fracassaram.<br />

É que a partir de determinada fase os<br />

i n vestimentos são muito avu ltados e


O futuro da<br />

biotecnologia<br />

A biotecnologia tem vingado na<br />

área das ciências biomédicas, sobretudo<br />

em aplicações farmacêuticas. É<br />

que os medicamentos têm um valor<br />

acrescentado muito grande, pois,<br />

apesar de concentrarem avultados<br />

investimentos, as margens de lucro<br />

associadas a esta indústria são muito<br />

elevadas.<br />

"A área da saúde vai continuar a ser<br />

o grànde destinatário da investigação<br />

biotecnológica. Mas outras<br />

áreas, como a agro-alimentar e a·<br />

industrial (no melhoramento de<br />

processos industriais, nas áreas da<br />

química, do têxtil ou do ambiente),<br />

têm registado um aumento do<br />

recurso à biotecnologia. Porém,<br />

quando comparado ·com a área da<br />

biomédica, estes sectores representam<br />

um menor valor acrescentado.<br />

Mas sem dúvida que há muito pr:n<br />

onde aplicar biotecnologià', refere o<br />

bioempreendedor.<br />

>>><br />

Para se comercializar a Ciência tem de ser boa; mas nem sempre a boa Ciência é comercializável<br />

Autógrafos 3<br />

Autógrafos 1<br />

Muitos médicos amigos do escritor marcaram<br />

presença no evento. Luís Lebre Mendes, internista<br />

no Hospital de Santa Cruz, foi um dos que fez<br />

questão em dar os parabéns a António Sampaio<br />

pelo "Asas de Cartão''. Um livro de um Portugal onde<br />

a hierarquia social e religiosa existia mas onde<br />

o que contava era, e talvez ainda seja,<br />

a personalidade forte da sua gente.<br />

Mais personalidades que não quiseram deixar de elogiar a<br />

escrita do clínico. Além do casal Lebre Mendes, vemos<br />

ainda na foto o internista do Hospital da Marinha, João<br />

Sampaio-- que não é fam iliar do autor do "Asas de Cartão"<br />

- e a assistente social do BES, Fátima Veiga.<br />

incomportáveis para uma empresa com a<br />

director da Alfama concorda que "nos anos<br />

mente comercial. Regra geral, investe-se<br />

dimensão da Alfama'', explica N uno Aran­<br />

90 foi criado um enorme potencial ao nível<br />

em ciência fundamental, na acumulação de<br />

tes e O liveira. Embora nem sempre seja o<br />

dos recursos humanos - com os programas<br />

saber. "<br />

melhor, muitas vezes esse é o negócio possível.<br />

"Uma coisa é certa: quanto mais<br />

longe uma empresa for, mais dinheiro conseguirá<br />

arrecadar. À medida que a droga vai<br />

passado fases da sua evolução, menor é o<br />

risco empresarial associado à sua comercialização".<br />

de doutoramento e pós-doutoramento para<br />

jovens." E qual deve ser o papel do Estado<br />

no contexto da Ciência nacional? "Vejo o<br />

Estado como agente que cria as condições<br />

para que os privados invistam em ciência.<br />

Investir não é só apoiar e dar subsídios. O<br />

investimento privado em base científica e<br />

tecnológica tem uma perspectiva de lucro.<br />

E conclui: "Para se comercializar a Ciência<br />

tem de ser boa; mas nem sempre a boa<br />

Ciência é comercializável. Por outro lado,<br />

há também áreas científicas que estão mais<br />

perto do mercado. Nem toda a Ciência<br />

tem de ser comercializável. Tem de haver<br />

um certo equilíbrio entre a investigação<br />

fundamental e a investigação aplicada". E<br />

Autógrafos 2<br />

Nem só os médicos estiveram presentes no lançamento da obra literária do<br />

psiquiatra António Sampaio.<br />

Os farmacêuticos também marcaram presença. Na foto vemos Luís Rodrigues,<br />

professor da Faculdade de Farmácia de Lisboa, e Sofia Abrunhosa, farmacêutica. Os<br />

sorrisos provam que o clínico-escritor é muito considerado entre os responsáveis<br />

das diferentes áreas da Saúde. Certamente que António Sampaio não deixou de<br />

referir que no seu livro a Mulher tem um papel preponderante. Ela era a única<br />

conhecedora das verdades, dos homens e dos santos.<br />

O mercado da ciência<br />

É um investimento para ganhar dinheiro a<br />

sendo o Estado o principal responsável por<br />

Ciente da importância da investigação que<br />

médio prazo. Nas universidades, o investi­<br />

essa gestão, a política científica de um país<br />

se faz nas Universidades portuguesas, o<br />

mento público não tem um fim necessaria-<br />

é um espelho das suas principais opções. im


Desporto e aventura<br />

Depois de uma semana de<br />

trabalho, reuniões importantes<br />

e stress exagerado, é<br />

muito agradável Largar tudo,<br />

calçar os ténis e ir para o<br />

meio da natureza. Descubra o<br />

que ela tem para Lhe oferecer<br />

e diga adeus aos fins-desemana<br />

monótonos.<br />

uando falamos em actividades<br />

radicais ou desportos extremos,<br />

faz-se de imediato uma associação<br />

com per ontudo, não tem de ser assim .<br />

Aliás, é bom que não seja. Mais do que perigosos,<br />

pretende-se que os desportos extremos<br />

sejam actividades recreativas que alimentam<br />

o espírito de equipa e o contacto com a natureza.<br />

Talvez por isso, são cada vez mais as pessoas<br />

interessadas nestas actividades.<br />

Aquilo que inicialmente se resumia à escalada,<br />

ao montanhismo e à canoagem já se<br />

diversificou e trouxe um sem número de<br />

outros desportos igualmente entusiasmantes.<br />

Os participantes já não se limitam a<br />

ficar a ver e saber que se faz noutros países e<br />

trazem as novidades para solo nacional. Por<br />

isso, do rafting ao snowpaint, passando<br />

pelos fi ns-de-semana tipo "Survivor'', há<br />

uma imensidão de ofertas adequadas à condição<br />

fís ica, carteira e entusiasmo de cada<br />

um. Aconselhamos a que deixe o fato e o<br />

portátil em casa e decida-se por algo radical.<br />

Acção todo o terreno<br />

Se tem vontade de sair do stresse da cidade e


Contactos<br />

Algumas empresas que organizam<br />

as actividades referidas e que podem<br />

servir de apoio na criação de um<br />

programa que combine desporto e<br />

natureza. Algumas empresas estão<br />

mesmo preparadas para organizar<br />

um plano multiactividades, incluindo<br />

diversos desportos num período<br />

curto de tempo.<br />

A Vida é Bela<br />

Actividades<br />

organizadas<br />

Aqui fica um cardápio de actividades<br />

a praticar em outdoor.<br />

enveredar por actividades que exigem trabalho<br />

de equipa, esforço e dedicação, convém<br />

descobrir os desportos que as empresas organizadoras<br />

de actividades radicais têm preparados<br />

para si. Não basta saber que o montanhismo<br />

consiste em andar nas montanhas ou<br />

www.avidaebela.com<br />

Tel.: 213 617150<br />

Cabra Montêz<br />

www.cabramontez.com<br />

Tel.: 91 7 446 668<br />

Passeios Todo-o-Terreno<br />

Canoagem<br />

Canyoning<br />

Passeios interpretativos da natureza<br />

Passeios de Moto 4<br />

Desportos de aventura aquáticos<br />

(ex: Geocaching)<br />

Slide<br />

Viagens aventura (em Portugal e no"<br />

estrangeiro)<br />

Rappel<br />

Provas de karts<br />

Motos de água<br />

Surf<br />

Kart cross<br />

BTT<br />

Tiro com arco<br />

Escalada<br />

Montanhismo<br />

Orientação diurna e nocturna<br />

Paintball<br />

Equitação<br />

Rafting<br />

Passeios de helicóptero<br />

Aluguer de insufláveis e paredes de<br />

escalada artificiais<br />

que o parapente consiste em voar. Conheça<br />

as actividades e atreva-se a escolher uma.<br />

Mas tenha sempre em conta que os desportos<br />

extremos podem proporcionar uma fuga<br />

ao dia-a-dia, mas têm de ser praticados com<br />

consciência. Por serem muito exigentes e<br />

praticados em meios naturais são muitas<br />

vezes imprevisíveis. É, por isso, essencial<br />

seguir as normas de segurança e respeitar a<br />

natureza. Consulte o cardápio de actividades<br />

e deixe-se levar por uma (ou por várias).<br />

Emoções fortes no ar<br />

O desejo de voar é conhecido, por isso não<br />

nos surpreende que o homem esteja sempre<br />

à procura de novas formas d e chegar às<br />

nuvens. A nova moda é o paramotor.<br />

Depois do parapente quis mais e este é o<br />

resultado: uma asa de parapente e um motor<br />

montado numa estrutura de liga leve. Uma<br />

certeza: "um vôo inesquecível", exclama<br />

Paulo Freitas praticante da modalidade há<br />

poucos meses e adepto dos desportos radicais<br />

há largos anos. D e facto, esta aeronave<br />

pessoal começa a cativar os portugueses,<br />

principalmente pelo facto de ter motor. De<br />

acordo com Paulo Freitas "é muito semelhante<br />

ao parapente, mas tem motor, pelo<br />

que necessita só de alguns metros para descolar<br />

e aterrar". Para além disso, o paramotor<br />

é fácil de pilotar e também de transportar<br />

porque é todo desmontável. E se pensa<br />

que por ter motor é perigoso, desengane-se.<br />

Desde que sejam tidas as precauções necessárias<br />

não há riscos acrescidos.<br />

Quanto à aprendizagem , alegrem-se os<br />

interessados: "um pequeno curso com profissionais<br />

credenciados e dedicação é suficiente.<br />

Ao fim de alguns dias estamos preparados<br />

para voar. Aliás, se houver<br />

antecedentes no parapente a aprendizagem<br />

é muito facilitada", esclarece o adepto de<br />

desportos radicais. !!li<br />

Os desportos radicais são óptimos para combater o stress<br />

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Proteccão<br />

aos cabelos<br />

No Verão, as agressões ao cabelo são uma<br />

constante: o sol, a água salgada e o calor. Davines<br />

Essential Haircare é a solução para dar nova vida<br />

ao cabelo depois de umas férias passadas na praia.<br />

A linha Davines Morno é a indicada para quem<br />

necessita de revitalizar os cabelos secos e<br />

desidratados ou pintados. Para os tratar, existe um<br />

champô, um condicionador, um creme, um fluído<br />

hidratante e um sérum que trazem de volta a<br />

saúde do cabelo.<br />

A Loewe criou um perfume a pensar numa mulher<br />

que se sente bem consigo própria, é feminina e<br />

independente. A Mi Aire vem dar forma a um novo<br />

conceito de fragrância que acompanha a mulher<br />

actual, tão dinâmica como sensual.<br />

o frasco foi desenhado a pensar numa janela de<br />

um avião, duas janelas de vidro que preservam o<br />

"a ire" entre si. Lá dentro, guardam-se aromas a<br />

tangerina, bergamota, trevo, almíscar e um original<br />

toque de musgo de carvalho.<br />

A gama deste novo perfume é composta por um<br />

Eau de Toilette, um gel de banho e uma emulsão<br />

hidratante que dão resposta às necessidades de<br />

todas as mulheres.<br />

O homem atrás<br />

da sombra<br />

Elegantemente simples, simplesmente elegante. É<br />

assim que se pode adjectivar o novo perfume<br />

masculino Davidoff Silver Shadow. Três notas fazem<br />

desta fragrância uma verdadeira assinatura: o<br />

âmbar, o açafrão e a laranja amarga. A harmonia é<br />

conseguida com toques subtis de folhas de canelas<br />

e cravo que deixam no ar uma aura que destaca o<br />

homem da restante multidão. O frasco corresponde<br />

ao seu interior, com linhas rigorosas e materiais<br />

luxuosos, reflectindo a masculinidade carismática e<br />

misteriosa.<br />

Flik Flak:<br />

•<br />

para o menino<br />

•<br />

e para a menina<br />

Porque aprender também pode ser divertido, a Flik<br />

Flak propõe relógios suíços coloridos, animados e<br />

atraentes sem esquecer a excelência da máquina.<br />

Com a ajuda de especialistas em aprendizagem, a<br />

marca desenvolveu a Fun Collection, para ajudar as<br />

crianças a ler as horas. Acompanhados de cowboys,<br />

do Capuchinho Vermelho, de flores e bonecas os<br />

mais pequenos fazem o primeiro contacto com o<br />

tempo. E para resistiram às traquinices, os relógios<br />

têm a caixa em alumínio, vidro resistente a riscos e<br />

podem ser lavados na máquina a 40°. Tudo para<br />

prevenir desastres maiores.<br />

Leve, atraente, compacto e funcional são alguns<br />

predicados do novo C75 da Siemens. Este telemóvel<br />

vem equipado com triband, o que possibilita aos<br />

utilizadores estarem contactáveis em qualquer parte<br />

do mundo, e com uma câmara VGA que permite tirar<br />

fotografias e filmar pequenos vídeos.<br />

A agenda integrada com lista de endereços ajuda os<br />

utilizadores do C75 a organizarem o seu dia-a-dia,<br />

mesmo que seja "fora de portas" pois terão acesso<br />

ao instant messaging para conversas on-line de<br />

baixo custo.<br />

AROJ1AteM4<br />

CREME<br />

DESODORIZANTE<br />

Gérmen de Trigo<br />

e<br />

Exuacto de úmomib<br />

50 g<br />

Frescura de Verão<br />

Combater os odores da transpiração com um<br />

perfume suave e delicado é a proposta da Aroma<br />

da Terra. o seu novo creme desodorizante, feito à<br />

base de óleo de gérmen de trigo e extracto de<br />

camomila, regula a transpiração durante o dia sem<br />

a inibir. Os ingredientes garantem ainda um<br />

cuidado extra para a pele, não interferindo com o<br />

seu equilíbrio e deixando-a sedosa, hidratada e<br />

com um aroma agradável. Um verdadeiro mimo<br />

para fazer frente aos odores indesejáveis<br />

provocados pelo calor da estação.<br />

jennifer Lopez lança Live<br />

Recorde com a Sony<br />

MOMO I CONOITI<br />

MOISTURIZJNG REVIT<br />

CREME<br />

wmi MILK 1lilSTlE<br />

DRY & OEHYORATED<br />

Ela canta, ela dança, ela representa e em tudo o que faz imprime um toque de<br />

sensualidade. jennifer Lopez deixou a sua imagem de marca no perfume que acaba<br />

de lançar. Live tem um aroma frutado e floral com notas de limão da Sicília, laranja<br />

italiana, caramelo, sândalo<br />

e groselha. A mistura<br />

resulta numa fragrância<br />

leve, cheia de energia e<br />

vivacidade guardada dentro<br />

e um frasco único, de onde<br />

são lançados raios de cor<br />

púrpura, amarela e verde. O<br />

conjunto resulta numa<br />

envolvência que se<br />

assemelha à de dois<br />

bailarinos a dançar.<br />

Cyber-shot H1 com zoom óptico 12x e Super Steady Shot.<br />

Parece complicado mas não é. Estas são as características da<br />

nova máquina fotográfica digital da Sony. Com a Cyber-shot<br />

H1 o objecto mais distante é focado com toda a precisão, os<br />

detalhes são extremamente apurados e as fotos saem<br />

"firmes como uma rocha". Esta qualidade só é<br />

possível com as características especiais desta<br />

máquina: uma lente poderosa, o sistema Super<br />

Steady Shot (exclusivo da Sony), um ecrã<br />

LCD de 2.5 polegadas, um CCD Super HAD<br />

com resolução de 5.1 Megapixeis efectivos<br />

e uma memória interna de 32 MB. E a<br />

bateria não é problema, com uma só carga<br />

das duas baterias pode tirar até 260<br />

fotografias.<br />

27 .


SPEM quer residência<br />

para portadores<br />

feito em duas viaturas próprias, especialmente<br />

adaptadas. Essas mesmas viaturas são tamb ém<br />

utilizadas no apoio domiciliário a doentes (higiene<br />

e cuidados de casa) e na d is t ribuição de<br />

refeições. Um outro elemento da SPEM presta<br />

apoio psicológico também no domicílio dos associados<br />

que não podem deslocar-se.<br />

Não tendo pertencido a nenhum a das duas<br />

direcções anteriores e, pelo contrário, tendo participado<br />

da que a antecedeu, sinto-me perfeitamente<br />

à vontade para fazer o elogio do esforço dedicado<br />

e bem sucedido da Drª. Manuela Martins e dos<br />

seus colaboradores mais directos, alguns dos quais<br />

praticamente em tempo completo. Não é que a<br />

Sociedade, nos 14 anos em que quase se limitou a<br />

existir, não dispusesse de personalidades de relevo,<br />

até no plano social, competentes, bem intencionadas,<br />

que integravam os seus órgãos dirigentes.<br />

Mas, sendo profissionalmente activas, acabavam<br />

por subordinar a sua colaboração aos escassos<br />

tempos livres de que dispunham. O caso da<br />

SPEM é o da vantagem de pessoas simples,<br />

comuns, mas interessadas, que se aplicam esforçada<br />

e persistentemente, sobre personalidades brilhantes<br />

mas ausentes.<br />

A satisfação que dá enunciar os apoios que a<br />

Sociedade já presta aos associados não pode servir<br />

para esconder o muito que falta: Objectivos para<br />

o futuro. Mais alguns anos de esforço com a<br />

mesma determinação e persistência. Há que<br />

estender ao País inteiro, pelo menos às localidades<br />

que tenham um número considerável de portemporária<br />

de esclerose múltipla<br />

António Amaro de Matos - Director da SPEM<br />

Terminou para a Sociedade Portuguesa de<br />

Esclerose Múltipla (SPEM), em Dezembro<br />

de 2004 com a eleição dos órgãos<br />

sociais presentemente em funções, um período<br />

que se pode chamar "de ouro" pela riqueza das<br />

transformações ocorridas. Duas direcções sucessivas<br />

presididas pela Drª. Manuela Martins adquiriram<br />

apoios, mostraram que os mereciam e dotaram,<br />

em seis anos, a sociedade dos meios materiais<br />

e humanos indispensáveis. Passou, assim, das boas<br />

intenções do passado (inegáveis, mas sem concretização)<br />

à realidade actuante do presente que, pelo<br />

menos em Lisboa, na sua sede, já satisfaz algumas<br />

das necessidades sentidas pelos portadores de<br />

esclerose múltipla.<br />

O centro de neuroreabilitação, sob a orientação<br />

de dois médicos especializados em fisiatria,<br />

dispõe de duas fisioterapeutas e de uma terapeuta<br />

ocupacional clínica. Esta última orienta também<br />

o centro de actividades com a colaboração de<br />

uma assistente social e de uma assistente sóciopsicológica.<br />

O apoio na altura (frequentemente<br />

traumática) do diagnóstico e o acompanhamento<br />

posterior é feito pela psicóloga clínica da sociedade.<br />

A coordenação da acção social e a triagem dos<br />

portadores de EM desse ponto de vista compete a<br />

uma assistente social que trabalha na sede. Existe<br />

também a possibilidade de dar assistência jurídica<br />

(direito de trabalho, benefícios, aquisições, etc.)<br />

aos associados, através de uma advogada contratada.<br />

O transporte desde o domicilio até às instalações<br />

da Sociedade, para os que necessitam, é<br />

tadores de EM, todos os serviços que só possam<br />

ser prestados localmente. A Sociedade tem âmbito<br />

nacional e, portanto, a responsabilidade de<br />

procurar organizar fora da sua<br />

muito limitados (de uma a quasede<br />

apoios aos associados. Não<br />

sendo possível, nem aconselhável,<br />

dirigir centralizadamente, a<br />

partlf de Lisboa, as organizações<br />

locais, concretizar este<br />

objectivo depende da captação<br />

de pessoas disponíveis nos<br />

locais e de obter financiamento<br />

(desejavelmente local) para os<br />

encargos correspondentes. Já há<br />

algumas delegações da SPEM<br />

que iniciaram, com o apoio da<br />

direcção nacional, a prestação<br />

de serviços aos associados. E<br />

muito se espera do efeito de<br />

demonstração que as instalações<br />

da nossa sede e o trabalho<br />

que aqui se faz proporciona.<br />

Leva tempo mas lá chegaremos.<br />

Ainda no âmbito das acções<br />

que podem ser directamen te<br />

conduzidas pela direcção nacional<br />

colocamos como objectivo<br />

importante, com um impacto<br />

muito significativo para a qualidade<br />

de vida, quer dos portado-<br />

zação de uma residência temporária para os<br />

"O caso da SPEM é<br />

o da vantagem de<br />

pessoas simples,<br />

comuns, mas<br />

interessadas, que se<br />

aplicam esforçada e<br />

persistentemente,<br />

sobre personalidades<br />

brilhantes<br />

mas ausentes"<br />

Dedicado a:<br />

Manuela Martins<br />

Presidente da SPEM<br />

portadores. O conceito teve aplicação no Reino<br />

Unido onde se estimularam as sociedades locais a<br />

coar pequenas instalações onde, em períodos<br />

tro semanas) os portadores de<br />

EM dependentes podem residir,<br />

dispondo das condições e dos<br />

cuidados especializados indispensáveis.<br />

Com o duplo objectivo<br />

de lhes permitir a mudança<br />

do ambiente ao qual estão limitados<br />

pela sua dependência e<br />

pelas dificuldades de locomoção<br />

e de possibilitar às pessoas<br />

que deles cuidam fazerem<br />

as suas próprias férias ou, simplesmente,<br />

descansarem de<br />

uma actividade esgotante física<br />

e psíquicamente. Falta-nos, para<br />

conseguirmos tornar realidade<br />

estas residências, instalações em<br />

primeiro lugar. Talvez não seja o<br />

mais difícil de obter. Possivelmente<br />

através de uma autarquia,<br />

com o aproveitamento de<br />

um fogo devoluto. Garantir o<br />

financiamento da despesa<br />

correspondente é o mais complicado.<br />

Implica encontrar um<br />

res de EM quer dos seus familiares, a concrenapoio<br />

seguro e permanente que<br />

nos permita contratar o pessoal indispensável e<br />

cobrir as outras despesas. rim


Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

,,..,,<br />

nao<br />

fazem milagres ...<br />

Mas têm que tentar<br />

H<br />

á um gap persistente entre o que podia<br />

ser o desempenho dos hospitais e o que é<br />

o desempenho dos hospitais; ou dito de<br />

outra forma - há uma significativa distancia entre a<br />

expectativa dos cidadãos ("clientes") e dos contribuintes<br />

("accionistas") e a performance dos hospitais.<br />

nómica e social sensível, tanto<br />

mais quanto há públicos desacordos<br />

em relação às melhores<br />

soluções para reduzir esse gap e<br />

dar sustentabilidade financeira<br />

ao sistema.<br />

Naturalmente que podemos ser<br />

ideológicos sobre estas ou outras<br />

questões de saúde, mas temos o<br />

dever profissional de 'encontrar<br />

respostas práticas e efectivas para<br />

os problemas graves e persistentes<br />

do sistema de saúde.<br />

A questão ideológica pode e deve<br />

centrar-se nos princípios enformadores<br />

do sistema; o que não<br />

pode, nem deve é condicionar a<br />

adopção das melhores e mais<br />

ajustadas modalidades de gestão<br />

e dos instrumentos mais adequados<br />

à concretização dos princípios<br />

fundamentais defendidos.<br />

Claro que as alce rações de estat<br />

u ro são importantes, mas<br />

manifestamente insuficientes se<br />

não ocorrerem transformações substanciais na orga-<br />

nização interna, na reestruturação do management e<br />

Esta é uma questão política, ecozação,<br />

porventura a área mais resistente a mudanças<br />

de mentalidade.<br />

"Para obter melhoria<br />

de performance<br />

no hospital, é necessário<br />

combinar estratégias<br />

que promovam<br />

o envolvimento<br />

e a participação clinica,<br />

com estratégias<br />

económicas"<br />

José Carlos Lopes Martins<br />

Administrador <strong>Hospitalar</strong><br />

É que, para obter melhoria de performance no hospital,<br />

é necessário combinar estratégias que promovam<br />

o envolvimento e a participação clinica, com<br />

estratégias económicas orientadas para os resultados<br />

e para a melhoria de qualidade<br />

dos serviços.<br />

É aqui, na resposta a desafios<br />

estratégicos e operacionais que<br />

os profissionais de administração<br />

hospitalar, independentemente<br />

da posição que ocupam no interior<br />

da estrutura hierárquica,<br />

têm que desenvolver e aplicar<br />

com coragem e determinação os<br />

seus conhecimentos e competências<br />

especificas.<br />

Os hospitais e o sistema de<br />

saúde português não podem<br />

fugir ao principio da mutabilidade,<br />

seja pela necessidade de<br />

adaptar as estruturas e o funcionamento<br />

às novas exigências<br />

sociais e económicas, seja fundamentalmente<br />

pela imperiosidade<br />

em tornar sustentável um sistema<br />

que, protegendo a equidade<br />

e a solidariedade, faça aumentar<br />

a eficiência e a satisfação de<br />

doentes e profissionais.<br />

As reformas exigem clareza de<br />

objectivos e continuidade e coerência nas medidas de<br />

na cultura de prestação de contas e de responsabilipolítica,<br />

mas exigem também protagonistas competentes<br />

e vontade de acção. 11111


O novo impulso à<br />

reforma dos hospitais<br />

Pelo menos para mim, iniciou-se a ideia da reforma<br />

dos hospitais públicos e do SNS, num célebre documento<br />

«cor de rosa» (a cor meio rosa meio lilás com<br />

que viu a luz do dia) aprovado ao fim de dilacerantes discussões<br />

no sector da saúde do PCP, ainda nos anos 80.<br />

Foi quando Edgar Correia, o renovador comunista entretanto<br />

desaparecido e responsável à data pelo sector da saúde do<br />

PCP, conseguiu a pulso, gerar força suficiente para que se<br />

passasse de um quadro defensivo, no plano das ideias, para<br />

uma iniciativa transformadora.<br />

Eram simples as ideias embora envoltas em ambiguidades: o<br />

modelo de comando, de financiamento e de remuneração do<br />

sector público carecia de reestruturação para gerar mais autonomia<br />

e responsabilização, mais regulação por via económica<br />

e não administrativa e promover uma mudança retributiva<br />

com ligação da remuneração à produção.<br />

Com a chegada ao Ministério da Saúde de Maria de Belém e<br />

Sakellarides em 1995, cedo se percebeu, embora uns mais<br />

cedo do que outros, que havia no PS pensamento reformador<br />

suficiente para dar o pontapé de saída no processo de reforma.<br />

Num curtíssimo espaço de tempo, arrastando com grande<br />

fragilidade na base de apoio, nos aparelhos sindicais e partidários<br />

e, sobretudo, nas direcções respectivas, do PCP e do<br />

PS, um núcleo com pensamento e acção foi-se formando,<br />

saltou por cima das diferenças partidárias e ganhou solidez de<br />

discurso.<br />

Sakellarides com a sua proverbial sabedoria de gestão da<br />

mudança avisou os fogosos reformadores, desde cedo, de que<br />

o processo só adquire verdade material quando as pessoas, os<br />

profissionais e os cidadãos, dele se apropriam. Quando portanto<br />

as leis saltam fora do Diário da República para a cabeça<br />

das mulheres e dos homens. O que determina uma conduta<br />

bottom - top e não top - down.<br />

Dez anos depois da subida ao poder de Maria de Belém, que<br />

avaliação fazer das peripécias da reforma?<br />

Importa situar o discurso e os objectivos dos diversos actores.<br />

O discurso reformador, comum a comunistas, socialistas,<br />

comuns a Luís Filipe Pereira, Manuela Arcanjo, Correia de<br />

Campos e a Maria de Belém esconde concepções obviamente<br />

contraditórias.<br />

A viragem capitalista traria consigo um aumento dos custos<br />

da mão-de-obra com perda da chamada competitividade.<br />

Fruto certamente do ambiente estagnado na economia e da<br />

frustração das perspectivas de remuneração dos investimentos,<br />

o capitalismo da saúde está, no mínimo, em reavaliação.<br />

Uma segunda corrente disputa amplamente e tem até hegemonizado<br />

o poder nos últimos anos, após a derrota do<br />

ministério Maria de Belém/Sakellarides: é o ponto vista estatista<br />

ou de capitalismo de Estado. Se é verdade que a viragem<br />

capitalista no financiamento e na prestação de cuidados de<br />

saúde comporta riscos de elevação geral dos custos de mãode-obra,<br />

não é menos verdade que as despesas gerais do Estado<br />

com a saúde não devem, mesmo assim, superar o limiar<br />

mais baixo possível dos custos gerais do funcionamento da<br />

própria economia, para que os recursos continuem a alimentar<br />

as necessidades de fomento e investimento do próprio<br />

capitalismo.<br />

A noção portuguesa e europeia de direito à saúde apresentase<br />

deste ponto de vista como perigosamente desligada das<br />

necessidades estritas da economia nacional e pressiona portanto<br />

aquilo que o capital aceita como custo de manutenção<br />

da mão-de-obra.<br />

O Estado e os seus agentes procuram controlar a despesa,<br />

centralizar e burocratizar o processo de decisão, combater a<br />

autonomia das unidades prestadoras, sujeitar o reapetrechamento<br />

e a introdução de novos progressos, a um feroz controlo<br />

administrativo. Do ponto de vista do Estado, intermediário<br />

na socialização do custo da mão-de-obra no que se<br />

refere à saúde, a prestação é uma despesa. Apenas a pressão<br />

popular e de capitalistas com negócio na saúde obrigam a<br />

uma expansão da oferta.<br />

Enquanto a despesa por parte do Estado se manteve em<br />

níveis aceitáveis, nunca houve quantificação e contabilização<br />

significativa das prestações. A rigorosa contabilidade da produção<br />

só é perseguida quando está em causa a valorização da<br />

produção - para a geração de mais-valia - ou para efeitos de<br />

cálculo dos equivalentes de produção gerados pelos produtores<br />

livres associados em economia comunitária (em comunismo<br />

- onde cada um precisa de saber exactamente o que fez e<br />

o que os outros fizeram). Quando é apenas um encargo<br />

necessário mas em sim mesmo sem potencial de valorização,<br />

é despiciendo montar quantificação organizada.<br />

A pressão para a compressão da despesa, a recusa de passar a<br />

economia estatal a um modo valorizador da produção, a<br />

insistência correlacionada na manutenção estrita do assalariamento,<br />

e o centralismo burocrático de comando, constituem-se<br />

em travões ao desenvolvimento das forças produtivas.<br />

Perpetuam uma gravíssima dissociação entre os que<br />

comandam e os comandados, os diversificados e longínquos<br />

braços operacionais do aparelho prestador<br />

estatal, gerando erros e desperdícios. E perpetuam<br />

no âmago das relações de produção<br />

uma dissociação e grave relutância entre o<br />

assalariado e o produto do seu trabalho.<br />

A derrota a prazo dos émulos do capitalismo<br />

de Estado na saúde está na forma mistificatória<br />

com que encaram este aspecto<br />

fulcral da crise gestionária do SNS.<br />

Fazem flirr com as ideias originais de<br />

autonomia, incluindo autonomia de<br />

gestão de saldos, de auto-definição de<br />

estratégias, de regulação económica, por<br />

contrato, das unidades públicas. Fazem<br />

flirt com o desassalariamento, prometem<br />

incentivos remuneracórios, mas o que<br />

acontece é aumento do centralismo, do<br />

peso e da ditadura da João Crisóstemo, da<br />

Unidade de Missão e o reiterado e piorado<br />

assalariamento -<br />

com ataques às carreiras<br />

e àquilo que é a sua matriz de qualificação<br />

profissional.<br />

Podem exibir como sucessos aumentos de<br />

registo que não são aumentos do efectivamente<br />

produzido, ou são apenas a linha<br />

ascen cional de produção do SNS dos últimos 50 ou 60<br />

anos, sem oscilação específica. No interior das unidades de<br />

produção nenhuma remodelação efectiva aconteceu. Nenhuma<br />

r.egociação, nenhuma mudança organizativa, nenhuma<br />

remodelação de serviços ou de prioridades tiveram<br />

lugar. Enfim, nenhuma mudança das relações de produção<br />

"A noção<br />

portuguesa e<br />

europeia de direito<br />

à saúde apresenta-<br />

-se como<br />

perigosamente<br />

desligada das<br />

necessidades<br />

estritas da<br />

economia nacional"<br />

Paulo Fidalgo<br />

Gastrenterologista<br />

(IPO/ Lisboa)<br />

ou alteração retributiva.<br />

A própria consigna da redução consistente da despesa, aquela<br />

que de facto serviu de arremesso para isolar e derrotar o<br />

m inistério de Maria de Belém, falha rotundamente. Na<br />

medida em que os facrores de produção continuam mais ou<br />

menos livremente a determinarem a subida de custos.<br />

Aumenta portanto a pressão para uma ruptura com o<br />

modelo de comando estatal. Para a radical remodelação do<br />

ambiente gestionário de financiamento, e de comando,<br />

cada vez mais percebido como entrave ao<br />

relançamento das unidades hospitalares<br />

públicas. Nestas, o assalariamento induz<br />

relutância produtiva, as promessas de<br />

melhoria retributiva iludidas resultam em<br />

estagnação, enquanto as modificações,<br />

incipientes, mas de amplo significado, do<br />

tempo da reforma de Maria de Belém,<br />

marcam passo. São exemplos o regime<br />

remuneratório experimental da clínica<br />

geral, o sistema retributivo das listas de<br />

espera e os congeladíssimos centros de responsabilidade<br />

integrada. O recuo do peso<br />

salarial na despesa, a dissociação crescente<br />

entre o valor percebido das prestações e a<br />

desvalorização salarial, aumentam a percepção<br />

de que é urgente uma remodelação<br />

retributiva que ligue a remuneração ao<br />

valor da produção.<br />

Se a posição americana está sem perspectivas,<br />

se os agentes da aristrocracia de Estado<br />

falham, aumenta a oportunidade para<br />

uma retomada efectiva de reforma. As<br />

condições para superar a crise não podem<br />

contudo resultar apenas, como aconteceu<br />

no tempo de Maria de Belém, de uma mão cheia de pessoas<br />

preocupadas com o SNS. Terá de contar com uma base<br />

laboral de apoio mais consciente e amadurecida, que se<br />

aproprie das ideias mestras da reforma: novas retribuições,<br />

nova autonomia, maior responsabilidade, um novo Serviço<br />

Nacional de Saúde. lilll


DIÁRIO DA REPÚBLICA<br />

A GH fará eco, mensalmente, das medidas tomadas por quem nos governa e que de uma forma ou de outra<br />

são importantes para o sector da Saúde e, em casos mais específicos, para o próprio País. Nesta edição,<br />

damos conta de decisões apresentadas em Diário da República entre 30 de Junho e 21 de Julho de <strong>2005</strong>.<br />

Presidência· do Conselho de Ministros<br />

Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social<br />

R .. olução do Conselho de Ministros n. 0 113/<strong>2005</strong> de 30 de Junho<br />

Dccieto Regulamenlar n. 0 51<strong>2005</strong> de 12 de Julho<br />

Aprova o Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água- Bases e Linhas O rientadoras (PNUEA)<br />

Cria o Gabinete de lmervençáo Integrada para a Reestrururaçáo Empresarial (AGllRE). bem como os núdeos de intervençáo rápida<br />

e personalizada responsáveis pela aplicaçáo local da poUtica de emprego<br />

Resolução do Conselho de Ministros n. 0 112/<strong>2005</strong> de 30 de Junho<br />

Define o procedimento para a elaboração da Estratégia Nacional de Desenvolvimcnco Suscenrávd<br />

Dccieto-Lei o.• 119/<strong>2005</strong> de 22 de Julho<br />

Quana alteração ao Decreto-Lei n. 0 328/93, de 25 de Setembro, que revê o regime de segurança soci21 dos trabalhadores independentes<br />

Resolução do Conselho de Ministros n.• 111/<strong>2005</strong> de 30 de Junho<br />

Incumbe os Ministérios cbs Fina.nças e do Trabalho e da Solidariedade Social e o ministério peninente em razão da matéria de cond<br />

uz.ir o processo de avaliação dos regimes especiais que consagram, para determinados grupos de subscritores da Caixa Geral de Ministério da Administração Interna<br />

Aposentações, desvios às regrudo Escaruco da Aposentação. por forma a convergirem com o regime geral<br />

Decreto n. 0 13-A/<strong>2005</strong> de 20 de Julho<br />

Fixa a daca das dciçõcs gerais para os 6rgãos das autarquias locais<br />

Resolução do Conselho de Ministros n. 0 110/<strong>2005</strong> de 30 de Junho<br />

Aprova as orientações e medidas necessárias para reforçar a convergência e a equidade entre os pensio nisras da Caixa G eral de Aposentaçôes<br />

e os da segurança social e a garamir a sustentabilidade dos sistemas de procecção social, bem como medidas tendentes Decieto do Presidente da República n. 0 35-A/<strong>2005</strong> de 2 1 de Julho<br />

Presidência da República<br />

a reforçar a equidade e eficácia do sistema do regime gern.1 da segurança social<br />

Exonera, a seu pedido e sob proposta do Primeiro-Ministro, o Prof. Doutor Luís Manud Moreira de Campos e Cunha do cargo<br />

de Ministro de Estado e das Finanças<br />

Resolução do Conselho de Ministros n. 0 109/<strong>2005</strong> de 30 de Junho<br />

Aprova um conjumo imcgrado de medidas rdativas à gC"Scáo da função pública<br />

Dccieto do Presidente da República n. 0 35-81<strong>2005</strong> de 21 de Julho<br />

Nomeia, sob proposta do Primeiro-Miniscro, o Prof. Doutor Fernando Teixeira dos Santos para o cargo de Ministro de Estado<br />

Dcclarasão de Rcctificação o.• 58/<strong>2005</strong> de 13 de Julho<br />

e das Finanças<br />

De cer sido recrificado o Decreto-Lei n. 0 93/<strong>2005</strong>, do Miniscério da Saúde, que transforma os hospitais sociedades anónimas em<br />

enc.idadcs públi~ empresariais, publicado no Diário da República, 1."' série, n. 0 109, de 7 de Junho de <strong>2005</strong><br />

Roche<br />

Inovamos na Saúde<br />

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior<br />

Portaria n. 0 5761<strong>2005</strong> de 4 de Julho<br />

Aurnriza o funcionamemo do curso de oomplemento de formação em Enfermagem na Escola Superior de Saúde Jean Piaget -Algarve<br />

e aprova o respectivo plano de escudos<br />

FORMAÇÃO FINANCIADA<br />

EM SERVIÇOS DE SAÚDE<br />

Portaria n. • 585/<strong>2005</strong> de 6 de Julho<br />

Aumri1..a o lnstiruro Superior Bissaya Barrem a conferir o grau de mestre na especialidade de Administração Pública<br />

Portaria n. • 5951<strong>2005</strong> de 15 de Julho<br />

AU(oriza um conjunto de escabelecimenros de ensino superior politécnico público a conferir os gr:ius de bacharel e de licenciado<br />

em diversas áreas e, em consequência, a ministrar os respectivos cursÕ~. Introduz a1cera.ções em cursos minisuados em escabelecimenros<br />

de ensino superior politécnico público<br />

Portaria n.• 6091<strong>2005</strong> de 25 de Julho<br />

Autoriza o Instituto Superior de Estudos Inccrcuh urais e Transd.isciplinarcs - Viseu a conferir o grau de mestre na especialidade<br />

de Reabilitaçáo Cognitiva<br />

Portaria n. • 6081<strong>2005</strong> de 25 de Julho<br />

Aurori7..a o lnstiruto Superior Bi..._u~ Barreto a conferir o grau de mec;rre na especialidade de Geroncologia Social<br />

Portaria n. 0 607/<strong>2005</strong> de 25 de Julho<br />

Autoriza a alteração do plano de estudos do curso biet:ípico de licenciatur:i em Terapia da Fala ministrado peJa Escola Superior<br />

de Saúde Egas Moniz<br />

Ministério da Economia e da Inovação<br />

Ponaria n. • 578/<strong>2005</strong> de 6 de Julho<br />

Revoga diversos diplomas de concrolo administrativo de preços de alguns bens e serviços<br />

Ministério da )usti~a<br />

Dccn:to-Lci n.• 111/<strong>2005</strong> de 8 de Julho<br />

Cria a «emp r~ na hora», arrav6' de um regime especial de constituição imediata de sociedades. aJcerando o Código das Sociedades<br />

Comerciais, o regime do Registo Nacional das Pessoas Colectivas, o Código do Registo Comercial, o Decreto-Lei n. 0 322-<br />

N2001. de 14 de Dezembro. o Regulamento Emolumemar dos Registos e Notariado, o Decreto-Lei n. 0 8-B/2002, de 15 de<br />

Janeiro, o Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colcctivas e o Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado<br />

Portaria n. • 590..A/<strong>2005</strong> de 14 de Julho<br />

Rt:gulamenra u anigo 26.• do Dt:en:tr.>-Lei n. 0 111/<strong>2005</strong>, de 8 de Julho, o n. 0 1 do artigo 167. 0 do C6digo das Sociedades Comer·<br />

ciais e o n. 0 2 do anigo 70. 0 do Código do Regi.~ro C'..omercial. estipulando que os actos relativos às sociedades comerciais e outras<br />

pessoas oolectivas sujeitos a public:ação obrigatória passam a ser publicados cm shio da lnrcrnct de acesso público<br />

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Actualização de Formadores<br />

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