22.02.2018 Visualizações

Gestão Hospitalar N.º 9 2005

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

Em Outubro<br />

Conferência Nacional<br />

Sobre Farmacoeconomia<br />

Administradores ·


04 Editorial<br />

11 Peritos<br />

em Portugal<br />

I Conferência Nacional<br />

de Farm acoeconomia<br />

Acrescentar Valor nas Decisões de Saúde<br />

Manuel Delgado, presidente da APAH e da sua<br />

homóloga europeia, analisa neste número da GH as<br />

diferenças no exercício da profissão na UE. Estarnos<br />

a falar de administradores hospitalares, logicamente.<br />

E segundo parece há diferenças demasiado<br />

marcantes (entre Portugal e França, por exemplo)<br />

que acabam por ditar o dia a dia profissiona l.<br />

Para ler com toda a atenção.<br />

A Farmacoeconomia é um instrumento de que os<br />

gestores hospitalares e os médicos se socorrem<br />

para fazer face às despesas com medicamentos.<br />

Mas será que os governantes entendem a sua<br />

vocação? A APAH realiza em Outubro um encontro<br />

sabre o tema, com a presença de dois dos principais<br />

peritos europeus.<br />

16 Entrevista<br />

Luís Pisco deixa o IQS e a APMCG para ficar à frente<br />

da Unidade de Missão.<br />

E tem dois anos para mostrar o que vale. Em conversa<br />

com a GH disse que, a partir de agora, nada<br />

voltará a ser como era nos Cuidados de Saúde Primários.<br />

Schering-Plough Farma, Lda.<br />

•<br />

18 Reflexões<br />

22 Cooperação<br />

A cientista Maria do Carmo Fonseca, que coordena<br />

um projecto de investigação na área da genética<br />

humana em que estão envolvidos sete grupos<br />

europeus, ainda tem tempo para dar aulas de Biologia<br />

Molecular na Faculdade de Medicina de Lisboa.<br />

Conheça esta mulher que afirma que se nada<br />

se altera r em Portuga l os melhores ceréb ros não<br />

regressam.<br />

Administradores hospitalares e outros profissionais<br />

de saúde foram co nvidados para uma missão<br />

de trabalho num hospital estatal da Guiné-Bissau.<br />

Dois dos cooperantes (um administrador h~_s p,~ft!.ar 1 ,-',L oi::<br />

e uma economista) apre! ~tam na GH _~ t!erJbl~l1cA -<br />

guinneense.<br />

· ------------J<br />

Rua Agualva dos Açores, 16<br />

2735- 557 Agualva - Cacém<br />

PORTUGAL<br />

Telf 214 339 300 1 Fax 214 312 052<br />

www schering- plough.com<br />

tfj Schering-Plough<br />

BIBLIOT E C A


Sopra<br />

uma boa nova,<br />

A <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong><br />

na Europa<br />

Manuel Delgado<br />

Presidente da APAH<br />

A situação<br />

portuguesa é neste<br />

caso, como<br />

eventualmente<br />

noutros, 11 sui generis".<br />

Ao acumular,<br />

permanente<br />

e estável,<br />

de conhecimento dos<br />

profissionais,<br />

devidamente<br />

habilitados,<br />

prefere-se, muitas<br />

vezes, a ruptura,<br />

introduzindo-se<br />

o 11 sangue novo"<br />

do arrivismo<br />

H<br />

á mais de uma década que os administrad~r~s<br />

hospi~alares portugueses<br />

part1c1pam acuvamente na organização<br />

que congrega a maioria dos gestores<br />

hospitalares dos países europeus, a EAHM (European<br />

Association of Hospital Managers).<br />

Muitos desses gestores têm formação médica,<br />

outros são diplomados nas áreas de economia, de<br />

gestão ou das ciências sociais em geral e há um<br />

grupo crescente constituído por profissionais<br />

com formação em gestão de hospitais ou serviços<br />

afins.<br />

É esta, por exemplo, a tradição da escola francesa,<br />

que apenas admite em funções de gestão técnica,<br />

intermédia ou de topo, profissionais diplomados<br />

pela Escola de Rennes.<br />

Há todavia um traço comum que a todos nos<br />

une: a dedicação a esta área muito específica da<br />

gestão, de forma intensa, permanente e disponível<br />

para aprender coisas novas, desenvolvermos o<br />

nosso conhecimento, acompanharmos as experiências<br />

uns dos outros e contribuirmos para<br />

melhorar a eficiência das organizações de saúde e<br />

o acesso dos doentes.<br />

Ao longo destes anos tenho comentado com os<br />

nossos colegas europeus as diferentes situações<br />

vividas em Portugal, com ciclos políticos que<br />

vão alternando, num movimento pendular sincopado,<br />

ou o reconhecimento das competências<br />

específicas para a gestão hospitalar, ou o seu desprezo<br />

em benefício de gestores de "reconhecido<br />

mérito", de fora da saúde, que meteoricamente<br />

atracam a este cais e logo partem sem deixar<br />

rasto.<br />

E sempre vou ouvindo, nos períodos de maré<br />

baixa, palavras de conforto e de esperança q uanto<br />

ao futuro, que valha a verdade, a seguir, tarde<br />

ou cedo, se confirmam.<br />

A situação portuguesa é neste caso, como eventualmente<br />

noutros, "sui generis". Ao acumular,<br />

permanente e estável, de conhecimento dos profissionais,<br />

devidamente habilitados, prefere-se,<br />

muitas vezes, a ruptura, introduzindo-se o "sangue<br />

novo" do arrivismo, de pequenas ou grandes<br />

habilidades, de desconstrução.<br />

Que provocam a instabilidade no governo dos<br />

serviços, geram a desconfiança nos profissionais<br />

de saúde e pioram o funcionamento das instituições.<br />

Há, naturalmente, excepções que apenas<br />

confirmam a regra.<br />

Veja-se o que se passa lá fora, repare-se na continuidade<br />

e autonomia das condições de trabalho<br />

que são dadas aos gestores hospitalares e percebase<br />

os ganhos que isto trás para o funcionamento<br />

das instituições.<br />

Em benefício dos doentes, naturalmente. lilll<br />

Aliámos a experiência e solidez de um grupo internacional,<br />

líder na sua área, ao maior e mais moderno complexo industrial<br />

farmacêutico português.<br />

Escolhemos Portugal para ser o centro mundial de desenvolvimento<br />

e produção de medicamentos injectáveis da Fresenius Kabi.<br />

Apostámos na qualidade, competência e formação dos nossos<br />

profissionais.<br />

Acreditámos no seu apoio.<br />

Em Portugal, com portugueses, para o mundo.<br />

[1']<br />

LABESFAL<br />

Fresenius<br />

Kabi<br />

Caring for Life


Sócrates<br />

Prioridade à periferia<br />

O<br />

primeiro-ministro, José Sócrates,<br />

considerou prioritária<br />

a modernização dos equipamentos<br />

de Saúde nas áreas metropolitanas<br />

do país e anunciou o lançamento<br />

do concurso para a construção do novo<br />

Hospital de Vila Franca de Xira.<br />

Esta unidade será gerida e construída<br />

em regime de PPP's, estando a sua<br />

inauguração prevista para 2008.<br />

ln "Portugal Diário" 20/08/05<br />

<strong>Gestão</strong><br />

Ministro iliba ex-funcionários<br />

Ortopedia<br />

O<br />

ministro da Saúde, Correia de Campos, ilibou<br />

da acção disciplinar os antigos funcionários do<br />

ministério envolvidos no caso do acompanhamento<br />

da gestão do Hospital Amadora-Sintra. Correia de<br />

Campos enviou o relatório para a Procuradoria-Geral<br />

da República mas, em 2003, Estado e Grupo Mello<br />

resolveram o caso no Tribunal Arbitral, sendo o Estado<br />

condenado a pagar 38 milhões de euros.<br />

ln "Diário de Notícias" 01/09/05<br />

Francisco George<br />

O Call-Center<br />

da Saúde vem aí<br />

A<br />

linha telefónica de atendimento<br />

pediátrico Trim-Trim Dói-Dói e a Linha<br />

de Saúde Pública vão fundir-se e dar origem,<br />

já em Maio de 2006, a um centro nacional<br />

de atendimento telefónico de<br />

encaminhamento a doentes.<br />

Em entrevista, o director-geral da Saúde,<br />

Francisco George, explicou que o objectivo é<br />

encaminhar os utentes para os serviços<br />

adequados e aliviar as urgências hospitalares.<br />

O dirigente afirmou esperar que o Call­<br />

Center receba 37 mil chamadas por mês<br />

durante o primeiro ano de funcionamento.<br />

Francisco George revelou ainda que o centro<br />

é uma parceria público-privada e está em<br />

fase adiantada de adjudicação à EPS.<br />

Hospital aplica técnica operatória inovadora<br />

O<br />

Hospital Garcia de Orta, em Almada,<br />

vai efectuar de forma regular a<br />

cirurgia percutânea, uma técnica inédita no<br />

nosso país, que serve para operar doentes<br />

ortopédicos reduzindo o tempo de<br />

recuperação. De acordo com Costa<br />

Martins, médico ortopedista da unidade,<br />

esta técnica é aplicável a pequenas<br />

ln "Público" 01/09/05<br />

cirurgias em mãos e pés, consistindo numa<br />

pequena incisão, quase milimétrica, feita<br />

com recurso a anestesia local e<br />

equipamento específico. Os doent es têm<br />

alta no mesmo dia e podem retomar a sua<br />

vida normal ao fim de oito dias.<br />

ln "Jornal de Notícias" 01 /09/05<br />

Doentes crónicos<br />

Hospitais mandam médico a casa<br />

O<br />

centro hospitalar que reúne as unidades de S. Francisco ~ a vi e r, Egas ~~~ '.z .<br />

e Santa Cruz vai avançar com um novo modelo de at endimento dom1c1liano<br />

aos doentes crónicos. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Correia de Campos,<br />

que explicou que o modelo pretende evit ar deslocações desnecessárias às urgências.<br />

Esta hospitalização ao domicílio pressupõe a deslocação a casa do doente<br />

de profissionais de en fermagem acompanhados ou não por médicos e abrange doentes<br />

crónicos que já sej am seguidos nest es hospitais.<br />

Contestação<br />

Ordem dos Médicos<br />

contra Autoridade<br />

da Concorrência<br />

A<br />

Ordem dos Médicos (OM) contesta a<br />

ingerência da Autoridade da<br />

Concorrência (AdC), dirigida por Abel<br />

Mateus, relativamente à aplicação de<br />

coimas. A reacção do Bastonário Pedro<br />

Nunes surge depois da AdC ter aplicado<br />

uma coima à Ordem dos Médicos<br />

Dentistas por estes fixarem tabelas com<br />

preços mínimos e máximos, o que segundo<br />

aquela entidade é proibido pelas leis<br />

nacional e comunitária.<br />

ln "Portugal Diário" 01 /09/05<br />

e "Expresso" 03/09/05<br />

ln " Portugal Diário" 22/08/05<br />

Estudo<br />

Aspirina ajuda<br />

'bypass'<br />

U<br />

m estudo, feito por especialistas norteamericanos<br />

e publicado na Revista<br />

Americana do Coração, concluiu que tomar<br />

aspirinas nos dias anteriores a uma operação<br />

de coração aberto pode ajudar a aumentar<br />

as hipóteses de sobrevivência.Os pacientes<br />

que tomaram aspirina antes da int ervenção<br />

tiveram um risco de hemorragia de 3,5 por<br />

cento, mais 0, 1 % do que os que não<br />

tomaram. Mas a t axa de mortalidade<br />

reduziu-se significativamente: 4,4% nos<br />

doentes que não tomaram e 1,7% entre os<br />

que tomaram.<br />

ln " Portugal Diário" 30/08/05<br />

Hospitais Públicos<br />

Consultas e<br />

cirurgias aumentam<br />

O<br />

s hospitais do sector público<br />

administrat ivo (SPA) aumentaram<br />

ligeiramente o número de consult as e<br />

cirurgias em 2004, mas demonstraram<br />

incapacidade em cobrar os serviços<br />

prestados. A avaliação é do ministério da<br />

tutela, que revela que estas unidades<br />

hospitalares regist aram um aumento de 6,2<br />

por cento nas consultas realizadas, de 2003<br />

para o ano passado, t endo atingindo os 4<br />

milhões de at endimentos.<br />

O número de primeiras consult as também<br />

aumentou (5%) bem como as intervenções<br />

cirúrgicas {0,5%) e a cirurgia em ambulatório<br />

(2,9%).<br />

ln "Portugal Diário" 02/08/05


Gripe das Aves<br />

Portugal preparado para actuar<br />

O Governo prevê gastar 22,5 milhoes de euros em prevenção<br />

P<br />

ortugal já tem planos para reagir cerca de 25% da população portuguesa, ou gueses, também a Agência Portuguesa de<br />

caso a gripe das aves chegue ao seja, aquela que está "mais em risco", como Segurança Alimentar (APSA) esclareceu, no<br />

nosso país. Os planos de contingência<br />

os técnicos de Saúde, afirmou o titular da início deste mês, que os consumidores de<br />

estão preparados e o Governo já aprovou<br />

a compra de um medicamento antivirai.<br />

Conforme revelou ao jornal "Público" o director-geral<br />

da Saúde, Francisco George, existem<br />

dois planos de contingência, um da Direcção­<br />

Geral de Veterinária e outro da Direcção-Geral<br />

de Saúde, que foncionam em conjunto com o<br />

Instituto Ricardo Jorge e o Infarmed.<br />

Entretanto, o Governo aprovou, no passado<br />

dia 1 de Setembro, a compra de um medicamento<br />

antivirai para o tratamento da gripe<br />

das ave~ em doses suficientes para proteger<br />

pasta da Saúde, Correia de Campos.<br />

O Executivo prevê gastar cerca de 22,5<br />

milhões de euros no medicamento - considerado<br />

o antivirai "mais eficaz contra as estirpes<br />

virais" existentes - que será sujeito a<br />

receita médica, sem comparticipação, custando<br />

cada embalagem 27,5 euros.<br />

Apesar de lançar "uma palavra de tranquilidade"<br />

aos cidadãos, o ministro Correia de<br />

Campos não deixa de alertar que a "pandemia<br />

é um risco longínquo mas existente".<br />

Com a intenção de tranquilizar os portu-<br />

aves n ão correm risco de contaminação<br />

com o vírus. Em comunicado, este organismo<br />

explica que "o vírus H5N1 não resiste a<br />

temperaturas superiores a 70° C, pelo que a<br />

transm issão por ingestão de alimentos<br />

cozinhados acima d est a temperatura é<br />

improvável".<br />

Contudo, a APSA promete investigar quais<br />

as potenciais consequências na saúde animal<br />

e na cadeia alimentar. Galinhas, patos<br />

e gansos são os principais reservatórios do<br />

vírus H5Nl. rm<br />

Orçamento<br />

Saúde recebe mais 4,8%<br />

O<br />

Governo já está a preparar o Orçamento<br />

de Estado (OE) para o ano de Económico".<br />

2006 e a Saúde deverá receber mais 4,8%,<br />

representando um aumento da dotação orçamental<br />

superior a 400 milhões de euros,<br />

revelou o m inistro da Saúde, Correia de<br />

Legislação<br />

Campos, em declarações ao jornal "Diário<br />

Sublinhando que a "seriedade" do OE está<br />

nas mãos do ministro das Finanças, o titular<br />

da pasta da Saúde explicou que esta subida<br />

da despesa está em linha com crescimento<br />

nominal da economia portuguesa, representando<br />

um abrandamento da evolução das<br />

despesas com o sector.<br />

No entanto, o governante espera que seja<br />

concedido o estatuto de excepção ao Serviço<br />

Nacional de Saúde (SN S), tendo proposto às<br />

Finanças a transferência de uma verba idêntica<br />

à de <strong>2005</strong>, mas acrescida de 1, 8 m il<br />

milhões de euros, o mesmo valor do Orçamento<br />

Rectificativo deste ano.Correia de<br />

Campos estima que o SNS chegue ao fim<br />

deste ano com um défice do exercício à volta<br />

dos 160 milhões de euros. rm<br />

Medicamentos fora<br />

das gasolineiras<br />

Avenda de medicamentos não sujeitos a<br />

receita m édica fora das farmácias<br />

deverá ser uma realidade já em<br />

Novembro deste ano. Existem<br />

quatro ou cinco grandes superfícies<br />

comerciais a estudar projectos<br />

para a venda de fármacos<br />

mas m u lto poucas<br />

gasolineiras deverão aderir.<br />

De acordo com António Saleiro,<br />

presid ente da Associação<br />

Nacional de Revendedores de<br />

Combustíveis (ANAREC), o<br />

diploma publicado não corresponde ás expectativas<br />

do sector. Exige-se que em cada estabelecimento<br />

exista um funcionário<br />

dedicado apenas à venda<br />

exclusiva de medicamentos, o<br />

que é incomportável para uma<br />

gasolineira, afirmou Saleiro.<br />

Num posto a funcionar 24h<br />

por dia seriam necessários três<br />

funcionários para fazer os turnos<br />

e mais um para cobrir as<br />

folgas destes apenas para a<br />

venda de medicamentos. rm<br />

Correia de Campos<br />

Santa Maria e<br />

S. João abertos<br />

aos privados<br />

e<br />

arreia de Campos tem 300 milhões de<br />

euros disponíveis para empresarializar os<br />

hospit~s de S. João e Santa Maria ainda este<br />

ano. E acrescenta que a experiência do Amadora-Sintra<br />

ou se repete ou acaba de vez.<br />

Em entrevista ao "Diário Económico", o titular<br />

da pasta da Saúde afirma que "gostaria<br />

muito de empresarializar" as duas maiores unidades<br />

hospitalares do país porque são os "hospitais<br />

centrais mais caros, os mais gastadores"<br />

e porque nunca mais voltará a "ter administrações<br />

de tão boa qualidade".<br />

Sublinhando que aquelas duas unidades não<br />

estão na lista das parcerias, Correia de Campos<br />

aponta, no entanto, que "quando tiverem um<br />

plano director suficientemente bem estruturado,<br />

quando os novos hospitais de Loures e de<br />

Vila Nova de Gaia estiverem a funcionar e<br />

quando o Santa Maria puder pa5.sar de 1100<br />

camas para 800, então encontraremos o financiamento".<br />

As soluções previstas passam por criar empresas<br />

para os meios complementares de diagnóstico,<br />

com os profissionais, em que 51 %<br />

do capital é público e 49% é privado. rm


Entre 19 e 22 de Setembro<br />

Nice A capital da Saúde<br />

de Nações tão diferentes como Estados<br />

Unidos da América e China, para reílectirem<br />

e apresentarem os grandes desafios<br />

que se enfrentam hoje na área da Saúde.<br />

E os desafios, neste encontro, assentam<br />

em quatro vertentes: o risco; a qualidade,<br />

a competência e a investigação. Perto de<br />

uma centena de oradores foram convidados<br />

para apresentarem os seus pontos de<br />

vista, num encontro que se realiza de dois<br />

em dois anos, e que junta médicos, administradores<br />

hospitalares e docentes das<br />

principais universidades do mundo.<br />

A Associação Portuguesa dos Administradores<br />

<strong>Hospitalar</strong>es (APAH) vai estar<br />

representada, através do seu presidente e<br />

de outros membros da direcção.<br />

De referir ainda que, no primeiro dia do<br />

evento - dia 19 - Manuel Delgado, que<br />

O<br />

34° Congresso Mundial da Federação<br />

Internacional dos Hospi­<br />

a problemática ligada ao funcionamento <strong>Hospitalar</strong>es, realiza a respectiva Assemde<br />

francesa de Nice será a capital da Saúde e preside à Associação Europeia de Gestores<br />

tais (FIH), vai realizar-se em dos hospitais vai estar em debate.<br />

bleia Geral anual, na qual se vai antecipar<br />

Nice, entre 19 e 22 de Setembro. É caso O Centro de Congressos Acrópole vai a discussão que terá lugar, posteriormente<br />

no congresso mundial. para dizer que, durante quatro dias, a cida-<br />

juntar, desta forma, profissionais de saúde<br />

rm<br />

Pediatra português apresenta resultados<br />

João Pedro Gomes, director do serviço<br />

de Pediatria do Hospital de Santa<br />

Maria, é um dos oradores convidados<br />

do 34° Congresso Mundial da FIH.<br />

A GH soube que a apresentação de<br />

Gomes Pedro tem por base a cultura e<br />

os hospitais e o médico português vai<br />

dar a conhecer os resultados do trabalho<br />

que tem realizado em Santa<br />

Maria, mais precisamente no serviço<br />

de Pediatria. Neste serviço, de facto, os<br />

mais pequenos não se podem queixar : a<br />

humanização tem sido uma realidade e<br />

não tem faltado teatro, música e palhaços<br />

entre outras manifestações culturais que,<br />

acima de tudo, os ajudam a esquecer os<br />

dramas reais com que se debatem.<br />

"Não consigo entender a ideia do Hospital<br />

dissociado da Comunicação e da Cultura.<br />

Concordo que esta vertente se tem perdido,<br />

ao longo dos tempos, mas se formos<br />

ver a organização hospitalar na<br />

Grécia antiga estes padrões estavam<br />

interligados e é bom perceber que em<br />

muitas sociedades a discussão volta a<br />

ter lugar", explicou o clínico.<br />

Gomes Pedro vai, desta forma, dar a<br />

conhecer uma vivência pessoal, que<br />

gostaria fosse ponto de reflexão para os<br />

presentes.<br />

1 ª Conferência Nacional<br />

Farmacoeconomia junta<br />

peritos ingleses em Lisboa<br />

AAssociação Portuguesa dos<br />

Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

(APAH) realiza a 14 de Outubro,<br />

no auditório da<br />

Escola Superior de<br />

Tecnologia de Saúde<br />

de Lisboa , a 1 ª Conferência<br />

Nacional de<br />

Farmacoeconomia,<br />

subordinada ao tema<br />

"Suporte à Decisão<br />

sobre o Financiamento<br />

de Medicamentos<br />

no Sector Hospi talar",<br />

em colaboração<br />

com a Novartis<br />

Oncology e a revista Prémio.<br />

Este encontro, que traz a Portugal dois<br />

dos nomes mais sonantes na vertente de<br />

Farmacoeconomia - Michael Drummond,<br />

director do Centro de Economia da<br />

Saúde, na Grã-Bretanha, e Sir Michael<br />

Rawlins, presidente do NICE - Instituto<br />

Nacional para a Saúde e Excelência Clínica,<br />

t ambém na Grã-Bretanha -<br />

conta<br />

ainda com a presença das principais personalidades<br />

nacionais ligadas ao sector.<br />

A Farmacoeconomia é um tema que tem<br />

vindo a ganhar impacto e interesse por<br />

parte de quem gere os hospitais, bem como<br />

por parte de clínicos e todos os profissionais<br />

de saúde que se apercebem das<br />

mudanças que se estão a delinear no sector.<br />

Nomes de peso<br />

De facto, num momento em que as dívidas<br />

dos hospitais aumentam de ano para<br />

ano; em que as listas de espera - para con-<br />

suita e cirurgia - não dão sinais de estabilizar;<br />

em que os doentes continuam a<br />

queixar-se dos tempos gastos nos hospi-<br />

tais, mesmo no dia da consulta, e em que<br />

várias vozes se têm levantado no sentido<br />

da renovação urgente da farmácia hospitalar,<br />

a realização de um encontro sobre farmacoeconomia<br />

acaba por ser bem actual e<br />

oportuno.<br />

O debate e discussão vão centrar-se em<br />

quatro temáticas principais: "Critérios<br />

económicos na selecção de medicamentos";<br />

"NICE -<br />

I Conferência Nacional<br />

de Farmacoeconomia<br />

Acrescentar Valor nas Decisões de Saúde<br />

Quem é<br />

Sir Michael<br />

Rawlins<br />

- Professor de Farmacologia Clínica<br />

na Universidade de Newcastle<br />

desde 1973<br />

-Consultor do NHS (serviço nacional<br />

de saúde britânico) em Newcastle<br />

-Vice-presidente do Comité para a<br />

Segurança e qualidade dos Medicamentos<br />

(1987/1992), assumindo<br />

a presidência entre 1993/1998<br />

- Presidente do Comité de Aconselhamento<br />

sobre a Utilização de<br />

Medicamentos, desde 1999<br />

- Presidente do Instituto Nacional<br />

para a Saúde Excelência Clínica,<br />

desde 2003.<br />

Modelo de compatibili-<br />

zação entre qualidade<br />

e custo"; "O financiamento<br />

dos hospitais e<br />

a especificidade do<br />

medicamento" e, por<br />

último, "Como opti-<br />

m1zar custos com<br />

ganhos em saúde sem<br />

comprometer a equidade?"<br />

Entre os moderadores<br />

e conferencistas vão<br />

estar<br />

presentes<br />

Manuel Delgado (presidente da APAH);<br />

Carlos Gouveia Pinto (ISEG), João Pereira<br />

"(Escola Nacional de Saúde Pública;<br />

Francisco Batel Marques (Instituto da<br />

Qualidade em Saúde); Pedro Pitta Barros<br />

(Faculdade de Economia da Universidade<br />

Nova de Lisboa ; Ricardo da Luz<br />

(IPO/Lisboa) ; Luís Fonseca (revista Prémio);<br />

Jorge Brochado (Associação Portuguesa<br />

dos Farmacêuticos <strong>Hospitalar</strong>es);<br />

Alexander Triebnigg (Novartis Parma) e<br />

um responsável de uma associação de<br />

doentes.<br />

O secretário de Estado da Saúde, Francisco<br />

Ramos, já confirmou a sua presença no<br />

evento, bem como dezenas de mdividualidades<br />

ligadas ao sector desde administradores<br />

hospitalares, médicos, enfermeiros,<br />

farmacêuticos, representantes de associações<br />

de doentes e de associações de<br />

estudantes das principais escolas de Saúde<br />

do país. rm


Luís Pisco à GH<br />

Crescimento dos SAP's<br />

,,,,..<br />

nao pode continuar<br />

Luís Pisco deixará em breve<br />

a direcção do IQS<br />

e da Associação Portuguesa<br />

de Médicos de Clínica Geral<br />

(APMCG) para liderar a<br />

Unidade de Missão para os<br />

Cuidados Primários de Saúde.<br />

Parar já a construção<br />

de centros de saúde<br />

nos moldes em que têm vindo<br />

a ser erguidos e mexer<br />

nas remunerações para<br />

premiar o empenho<br />

dos profissionais de saúde<br />

são duas das prioridades<br />

de um plano que se quer<br />

cumprir em dois anps.<br />

GH - O primeiro passo para a reforma dos<br />

cuidados primários de Saúde foi a elaboração<br />

de um relatório. Já disse que concordava na<br />

generalidade. De que discorda em particular?<br />

LP - Urna das coisas boas que Unidade de<br />

Missão vai ter é um guião bem feito e que a<br />

generalidade dos parceiros sociais - corno a<br />

FNAM e o SIM - consideraram um bom<br />

documento. A própria APMCG achou que o<br />

documento era bom. As críticas que se fizeram<br />

na altura era por haver algumas dúvidas sobre<br />

se o Sr. Ministro da Saúde estaria disposto a<br />

aplicar aquele documento tal qual ele estava,<br />

a adoptá-lo como seu.<br />

GH - Essas dúvidas dissiparam-se?<br />

LP - A criação desta Unidade de Missão vem<br />

precisamente ao encontro daquilo que os parceiros<br />

sociais - sindicatos e APMCG- pediram<br />

ao Sr. Ministro.<br />

GH - Uma das prioridades é a reforma do funcionamento<br />

dos centros de saúde. Como?<br />

LP - O actual funcionamento dos centros<br />

GH - Mas essa reorganização funcionará em<br />

que termos?<br />

LP - Neste momento não existe trabalho em<br />

equipa, que terá de ser promovido. Primeiro, pelo<br />

redimensionamento dos centros de saúde. Hoje<br />

são demasiado grandes, têm demasiada gente,<br />

estão habitualmente nas periferias das cidades.<br />

Num país como a Holanda, encontram-se centros<br />

de saúde com seis, sete médicos, quer no centro<br />

das cidades, quer nas povoações, portanto,<br />

próximo das pessoas.<br />

GH - Uma das possibilidades é encerrar os<br />

centros de saúde maiores e abrir mais pequenos?<br />

LP - Eu não disse isso. Primeiro temos de parar<br />

o 'pipe-line'. Haverá um conjunto de centros para<br />

construir, nos mesmos moldes, que é desejável<br />

que o não sejam.<br />

Não serão construídos<br />

mais centros<br />

de saúde semelhantes<br />

aos existentes<br />

de saúde tem coisas boas e coisas más. Mas<br />

há uma insatisfação crescente, quer dos pro­<br />

GH-Os que estiverem em projecto param?<br />

fissionais de saúde que vêern expectativas<br />

LP - Exactamente! Não poderão avançar mais<br />

Alvos ...<br />

> Manuel Delgado - Um bom dirigente<br />

associativo<br />

antigas por cumprir, quer dos cidadãos.<br />

Hoje em dia, os centros de saúde estão<br />

muito mais vocacionados para a doença crónica<br />

do que para a doença aguda; os cuidados<br />

domiciliários não são aquilo que nós<br />

centros de saúde deste tipo. Depois há os que<br />

precisam de obras, remodelações. Estas terão de<br />

ser feitas segundo uma nova filosofia de espaços,<br />

mais pequenos, mais agradáveis, mais tranquilos,<br />

mais humanizados. Haverá, no futuro,<br />

> Correia de Campos - Muito bem<br />

preparado para Ministro da Saúde<br />

desejaríamos; determinados grupos sociais<br />

têm dificuldades em lidar com o actual fun­<br />

casos em que se pode reorganizar funcionalmente<br />

centros já existentes, com maneiras arti­<br />

> Pedro Nunes - Inteligente<br />

cionamento dos centros, como os que estão<br />

ficiais de dividir os grupos: em vez de 40 médi­<br />

e pragmático<br />

laboralrnente activos, que têm dificuldades<br />

GH - Está a dizer que é preciso fazer uma tria­<br />

saúde. A maioria das consultas faz-se nos serviços<br />

O centro de saúde tem de estar reorganizado de<br />

cos, fazer 3 ou 4 grupos com orientações e<br />

> Gomes Esteves - Um hábil negociador<br />

> João Cordeiro - Grande visão<br />

estratégica<br />

em ter uma acessibilidade dentro de parâmetros<br />

que considerem razoáveis. Porque os<br />

centros de saúde estão muito vocacionados<br />

para os reformados, que têm o dia todo livre.<br />

gem mais restrita das pessoas que recorrem<br />

aos centros?<br />

LP - Nós não fuzernos medicina organizada, programada,<br />

nem nos hospitais nem nos centros de<br />

de urgência hospitalares e de cuidados primários.<br />

O número de SAP's, CATUR's, que apareceram<br />

e cresceram como cogumelos-que são uns consumidores<br />

de recursos - não pode continuar!<br />

uma maneira que responda às necessidades de<br />

vários grupos: as necessidades de um adolescente<br />

não são as mesmas de wn executivo ou de uma<br />

pessoa que está reformada.<br />

aspectos visuais diferentes, de maneira que os<br />

doentes saibam qual é o seu núcleo. Esta subdivisão<br />

em grupos mais pequenos é importante<br />

pela sua capacidade de resposta. Se queremos


que a resposta não seja dada nos serviços de<br />

estão designados a um médico mas a um grupo,<br />

por ordenado fixo, existe o tipo de problemas<br />

GH -<br />

A cooperativa é um a hipótese. A<br />

urgência e como os médicos não trabalham 24<br />

que lhes dará uma resposta colectiva.<br />

que nós temos. É óbvio que o pagamento por<br />

· autonomia do.s centros pode tomar<br />

horas por dia, se eu estou de manhã e o meu<br />

Isto tem a ver também com a mudança de<br />

acto tem também perversidades e dificuldades.<br />

outras formas?<br />

doente vem de tarde, haverá um colega meu que<br />

remuneração e o sistema de incentivos. H á<br />

É preciso encontrar uma solução intermédia,<br />

LP - As Unidades de Saúde Familiares (USF),<br />

poderá dar essa resposta à tarde. Os doentes não<br />

imensos exemplos e, nos locais onde é pago<br />

premiando a quantidade e a qualidade do tra­<br />

depois de estarem organizadas, podem ser geri­<br />

balho.<br />

das e assumidas pelo próprio E.stado, pelo sector<br />

cooperativo, pelo sector social e até privado.<br />

GH - Vão alargar o Regime Remuneratório<br />

Ou, eventualmente, pelas próprias autarquias,<br />

Experimental (RRE}?<br />

embora não me pareça que a solução global para<br />

LP - Depois de aperfeiçoado. Q uem tem um<br />

o problema passe por aqui, já que, tradicional­<br />

bom desempenho tem de ser recompensado<br />

mente, nunca tiveram um papel relevante.<br />

por ISSO.<br />

Vão ser criados<br />

GH - Prémios de produtividade?<br />

LP - N ão lhes chamaria isso. Eu falei em quantidade<br />

e qualidade. Não nos interessa ter apenas<br />

mais quantidade de consultas a granel.<br />

Por exemplo, em Inglaterra, há um sistema de<br />

mecanismos de avaliação<br />

para verificar<br />

o cumprimento<br />

dos contratos-programa<br />

pagamentos de médicos de família que premeia<br />

objectivos de qualidade. Isso é possível.<br />

de gestão dos centros<br />

de saúde<br />

GH - Esses grupos mais pequenos de médi­<br />

GH - Privados como o Grupo Mello?<br />


Curriculum Vitae<br />

Luís Pisco<br />

Idade - 56 anos<br />

certo! Vamos ter de mexer na informatização<br />

dos centros de saúde, propor alterações de<br />

legislação, a questão dos recursos humanos,<br />

criar sistemas de incentivos, propor alterações<br />

nos sistemas remuneracórios ... Podemos ter a<br />

duplicação de exames, de medicações, que não<br />

é bom para o doente nem para o País, que paga.<br />

GH - A experiência de Matosinhos vai ser<br />

repetida?<br />

A nível mundial, há especialidades como a pediatria,<br />

medicina interna e saúde pública com dificuldades<br />

em recrutar membros. Há um fascínio<br />

tecnológico que faz com que os jovens médicos<br />

queiram ser neurocirurgiões, oftalmologistas,<br />

> Licenciatura em Medicina, pela<br />

Universidade de Coimbra<br />

> Especialista em Medicina Geral e<br />

Familiar<br />

> Especialidade em Medicina do<br />

Trabalho, pela Escola Nacional de<br />

Saúde Publica.<br />

> Coordenador Nacional do Projecto<br />

MoniQuOr<br />

> Director do Instituto da Qualidade em<br />

Saúde<br />

> Presidente da Direcção (99 - 2004 e<br />

eleito para <strong>2005</strong>-2008) da Associação<br />

Portuguesa dos Médicos de Clínica<br />

Geral<br />

> Membro da Direcção da Sociedade<br />

Europeia de Medicina Familiar<br />

> Director da Revista Qualidade em<br />

Saúde, Director da versão Portuguesa<br />

da American Family Physician,<br />

Membro do Conselho Consultivo da<br />

Revista Portuguesa de Clínica Geral,<br />

membro do Grupo de revisores da<br />

Revista "Quality in Health Care",<br />

membro do Editorial Board da "Quality<br />

in Primary Care" e "lnternational<br />

journal of Medicine" Revistas<br />

Internacionais editadas em Inglaterra.<br />

ideia dos objeccivos, mas saber como se fazem<br />

determinados procedimentos na prática, só lá<br />

mais para a frente.<br />

GH - Se a gestão for entregue às Misericórdias,<br />

privados ou cooperativas, os funcionários<br />

quererão saber o que acontece aos seus<br />

empregos.<br />

LP - Isto não vai ser um processo imediato.<br />

Até ao final de 2006 terá de haver 200 USF,<br />

cobrindo cerca de 2 milhões de pessoas.<br />

Ninguém vai ser obrigado a tomar uma<br />

decisão de repente. Por exemplo, os RRE<br />

que existem actualmente estarão numa<br />

posição mais adiantada para puderem assumir<br />

a sua organização em USE<br />

Provavelmente, numa primeira fase, será<br />

uma adesão perfeitamente voluntária, em<br />

que as pessoas poderão aderir. Haverá centros<br />

de saúde que continuarão a funcionar<br />

em moldes semelhantes.<br />

GH - Concretamente, que serviços poderão<br />

LP - Acredito que esta articulação e este fi.mcionamento<br />

devem nascer debaixo para cima.<br />

Estar a pôr um conselho de administração, uma<br />

cadeia de comando e controlo que vai mandar<br />

em hospitais e centros, pessoalmente, tenho forríssimas<br />

dúvidas que isso resulte.<br />

GH - A experiência a repetir, terá algumas<br />

mudanças.<br />

LP - Eu diria com algum cuidado. Ninguém<br />

tem dúvidas sobre a necessidade dos centros de<br />

saúde e hospitais se articularem. Mais importante<br />

que o tal conselho de administração, que está centrado<br />

nele próprio, é centrarmo-nos nas pessoas<br />

e no modo como elas e a informação fluem<br />

neste nível de cuidados.<br />

GH - O relatório aponta para 200 USF a funcionar<br />

dentro de 2 anos.<br />

LP - Acho que será exequível. Estaremos a dar<br />

um atendimento diference e melhor organizado<br />

a dois milhões de portugueses. Já é significativo.<br />

Mas acho que uma reforma do sistema de saúde<br />

fazer investigação.<br />

Vamos ter que ver reconhecido, até pelo próprio<br />

Estado, o papel importante que estas especialidades<br />

generalistas têm.<br />

Todo o trabalho normal<br />

de um centro de saúde<br />

poderá ser alvo de um<br />

contrato-programa<br />

GH - Há falta de médicos de família. Como<br />

dirigente da APMCG, já disse não estar contra<br />

a contratação de médicos estrangeiros.<br />

LP - Tem que se colocar de forma célere os<br />

novos especialistas e tornar os concursos de provimento<br />

muito mais céleres. Temos que aproveitar<br />

os médicos estrangeiros- desde que sejam<br />

especialistas e dominem a língua portuguesa.<br />

E, se houver um bom regime de incentivos,<br />

haverá um conjunto de médicos que estará<br />

disponível para ver aumentados os seus<br />

ficheiros - em vez de ter 1500 doentes pode<br />

> Representante nacional no EQuiP<br />

(Associação Europeia para a Qualidade<br />

na Medicina Familiar)<br />

ser contratualizados?<br />

LP-Tudo aquilo que é o trabalho normal de um<br />

centro de saúde. Uma USF poderá prestar serviços<br />

ao fim-de-semana ou até mais tarde e isso<br />

demorará 1 O anos.<br />

GH - O primeiro passo é dentro de 2 anos e<br />

o resto vai-se fazendo?<br />

ter 2000. Desde que isso corresponda a um<br />

pagamento diferenciado.<br />

Outra coisa é libertar os médicos de tarefas<br />

que eles não deveriam estar a fazer como ser­<br />

terá um pagamento diferenciado.<br />

LP - O mais difícil é conseguir a massa crítica<br />

viços de urgências.<br />

suficiente e vencer a inércia inicial. Estou con-<br />

GH - Como vai funcionar a ligação dos centros<br />

de saúde aos hospitais?<br />

LP-Não é admissível que não se tire partido das<br />

vencido que quando chegarmos às 200 USF e 2<br />

milhões de pessoas o resto será um caminho<br />

mais fácil.<br />

GH - No âmbito de um protocolo com Fundação<br />

Gulbenkian estão a ser formados mais<br />

cerca de 100 médicos estrangeiros. De onde<br />

novas tecnologias de informação e comunicação.<br />

vêm?<br />

Os médicos de família já não são 'gate-keepers',<br />

GH - Neste cenário, qual é o futuro do médi­<br />

LP - A maior parte deles nem são especialistas em<br />

barreiras à passagem aos segundo nível de cui­<br />

co de família?<br />

medicina familiar, mas de especialidades hospi­<br />

dados, mas vistos como ajudando os doentes a<br />

LP - Temos médicos de família insuficientes<br />

talares. Vêm, sobretudo, dos países de Leste.<br />

navegar dentro do sistema. O fluir dos doentes<br />

entre os dois níveis de cuidados cem de se fazer<br />

com mais cuidado, sem que a informação se<br />

perca. Se o doente vai ao hospital, este não tem<br />

acesso à sua ficha e vice-versa, o que origina<br />

para as necessidades e uma inversão do "rario"<br />

médicos de família/médicos hospitalares. Os<br />

médicos de família terão de ser aproveitados o<br />

melhor possível naquilo que são o seu treino e<br />

as suas qualificações.<br />

>>><br />

"Uma reforma do sistema de saúde demorará 10 anos"<br />

GH - Mesmo assim, quantos médicos ainda<br />

seriam precisos em Portugal?<br />

LP - Faltarão cerca de 500 a 800 médicos<br />

de família. rm


Ciência<br />

1 nvestigação de excelência<br />

A Ciência faz-se com avanços<br />

e recuos. Neste percurso,<br />

os erros cometidos<br />

e as hipóteses não comprovadas<br />

são passos importantes<br />

para a obtenção d~ mais<br />

conhecimento. Para o cientista<br />

actual, trabalhar em redes<br />

de conhecimento<br />

é uma necessidade básica.<br />

E a massa crítica da comunidade<br />

científica internacional<br />

um contributo fundamental<br />

para mais e melhor ciência.<br />

É o caso de Maria do<br />

Carmo Fonseca.<br />

P<br />

artil~ar para p~der prosseguir no conhecimento.<br />

E com esta postura que<br />

Maria do Carmo Fonseca, investigadora<br />

e coordenadora executiva do Instituto de<br />

Medicina Molecular (IMM), está na Ciência. A<br />

liderar, desde <strong>2005</strong>, um projecto internacional,<br />

financiado pela Fundação Europeia para a Ciência,<br />

a cientista tem já largas dezenas de artigos<br />

publicados em revistas científicas internacionais<br />

e, na área da Genética Molecular, é uma importante<br />

referência. Em Portugal e no estrangeiro.<br />

A também professora catedrática na Faculdade<br />

de Medicina de Lisboa candidatou-se aos<br />

fundos europeus para desenvolver investigação<br />

na área da genética humana. "Compreendendo<br />

a base da vida humana, percebe-se os mecanismos<br />

das enfermidades e pode desenvolver­<br />

-se novos tratamentos e métodos preventivos<br />

para doenças variadas", refere.<br />

Para além da equipa que dirige no IMM, a<br />

investigadora coordena o trabalho desenvolvido<br />

por outros seis grupos, distribuídos pela<br />

Suíça, Dinamarca e Holanda. E as vantagens de<br />

integrar uma rede de conhecimento, garantindo<br />

uma produtiva partilha de dados, são inúmeras:<br />

"Estimula-se a interacção entre vários<br />

laboratórios europeus e aumenta-se a produtividade<br />

científica internacional. O objectivo é<br />

colocar mais gente a discutir ideias, pôr as pessoas<br />

a pensar em conjunto".<br />

Na era da informação as distâncias geográficas<br />

esbatem-se. A noção de espaço é relativizada<br />

pela internet. O mail é uma ferramenta imprescindível.<br />

Partilhar resultados de experiências<br />

laboratoriais de forma quase instantânea permite<br />

a cada equipa mostrar a evolução dos<br />

seus trabalhos. Os sucessos e os erros. Através<br />

da rede de conhecimento é possível "eliminar<br />

hipóteses, discutir dificuldades tecnológicas e<br />

apresentar soluções desenvolvidas. Há também<br />

todos aqueles problemas inerentes ao processo<br />

de investigar que não são publicados nos<br />

artigos das revistas de Ciência." Conhecer a<br />

experiência de outros investigadores evita perdas<br />

de tempo, contribui para que os mesmos<br />

erros não se repitam.<br />

O factor humano<br />

Criado em Novembro de 2001, o IMM resulta<br />

do agrupamento de 5 cenuos de investigação que<br />

funcionavam no campus da Faculdade de Medicina<br />

de Lisboa. A nova constituição pretendeu<br />

reunir os meios técnicos e humanos capazes de<br />

introduzir, utilizar e desenvolver técnicas de biologia<br />

celular e molecular , aplicáveis à biomédica.<br />

E em quase 4 anos o IMM é já considerado,<br />

pela qualidade da investigação ali produzida,<br />

um centro de excelência.<br />

Os cientistas trabalham nas áreas da biologia<br />

O caso irlandês<br />

Massa crítica<br />

A crítica é um dos motores para o<br />

progresso do conhecimento. Debater<br />

ideias, partilhar experiências e<br />

relatar conclusões são passos<br />

importantes para a produção de<br />

boa Ciência.<br />

Para que um artigo seja publicado<br />

numa revista científica (nacional ou<br />

estrangeira), o(s) seu(s) autore(s) têm<br />

de submeter o seu trabalho à análise<br />

de um júri - composto por cientistas<br />

especialistas na área em abordagem.<br />

Este avaliará a qualidade do conteúdo<br />

e o rigor das conclusões.<br />

Mais tarde, a metodologia e os resultados<br />

obtidos sofrem nova leitura<br />

crítica. Desta vez, a comunidade científica<br />

encarregar-se-á de asseverar o<br />

valor científico do trabalho. O número<br />

e as características· das citações<br />

em futuros artigos científicos atestarão<br />

sobre qual o contributo que o<br />

artigo em questão acrescentou ao<br />

conhecimento humano.<br />

Aquando da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em 1986,<br />

a Irlanda já fazia parte do conjunto dos países que viria, anos mais tarde, a<br />

originar a Comunidade Europeia.<br />

Ainda que a adesão da Irlanda remonte a 1972, no final da década de 80, os<br />

seus índices de desenvolvimento eram semelhantes aos de Portugal. Porém,<br />

na década seguinte, a distância em relação ao nosso país cresceu.<br />

Devido a políticas e investimentos voltados para a Ciência, inovação e tecnologia,<br />

assim como um papel catalizador desenvolvido pelas universidades<br />

irlandesas, o país tornou-se num caso de estudo internacional. O sucesso das<br />

políticas foi evidente e, sobretudo, na segunda metade dos anos 90, a Irlanda<br />

passou a desempenhar um papel cada vez mais proeminente na Ciência europeia.<br />

Para além de conseguir fixar os seus cientistas, a política científica<br />

irlandesa conseguiu atrair vários cientistas internacionais de renome.<br />

celular e do desenvolvimento, da imunologia e<br />

doenças infecciosas, das neurociência e da oncologia.<br />

Aliás, é com orgulho que Maria do Carmo<br />

Fonseca fala da qualidade do grupo de cientistas<br />

com quem trabalha: ''A ciência não se faz individualmente.<br />

Faz-se com várias pessoas. No<br />

IMM há pessoas especializadas em diversas áreas,<br />

distribuídas pela investigação básica e aplicada.<br />

Também apostamos bastante na divulgação científica.<br />

É importante que o cientista saiba quais as<br />

preocupações da sociedade para que, no momento<br />

de escolher quais as áreas a investigar, essa<br />

informação seja útil para a decisão final."<br />

Investir no regresso<br />

Após o forte investimento feito na década de<br />

90, em formação avançada - além fronteiras -<br />

de jovens portugueses, o nosso país nem sempre<br />

conseguiu assegurar o regresso dos cérebros<br />

mais brilhantes. ''As condições para atrair os<br />

melhores têm de ser criadas. Há cientistas<br />

nacionais de grande potencial, formados no<br />

estrangeiro que não voltaram. Muitos estiveram<br />

inseridos em boas equipas de investigação,<br />

desenvolveram trabalho científico meritório e<br />

tiveram acesso a conhecimentos e a tecnologias<br />

de topo", diz Carmo Fonseca.<br />

As perspectivas de carreira científica oferecidas<br />

por Portugal a um promissor investigador ficam,<br />

regra geral, aquém das propostas provenientes de<br />

outros países. "Deve dar-se condições diferentes<br />

aos cenuos de investigação de excelência. Os responsáveis<br />

pela Ciência nacional têm de apoiá­<br />

-los condignamente. A dotação orçamental deve<br />

ser proporcional ao mérito demonstrado, à qualidade<br />

da investigação produzida. Só assim se<br />

poderão atrair cientistas de topo, para os melhores<br />

centros de investigação."<br />

Em ano de transição política, os efeitos da<br />

política científica seguida só serão sentidos no<br />

futuro. De acordo com a investigadora, "só<br />

para o ano é que poderemos ver se os orçamentos<br />

para a Ciência reflectem as intenção<br />

anunciadas pelo Governo. Se haverá uma aposta<br />

clara na tecnologia e no conhecimento." rm<br />

Nuno Estêvão


Hans Keiding e Martine Bellanger, duas<br />

personalidades com provas dadas no sector da Saúde<br />

na Europa, vieram a Portugal para participar no<br />

"workshop" organizado pela APAH em parceria com a<br />

Manahealth<br />

Que futuro para a Saúde?<br />

'Workshop' sobre sistemas de saúde<br />

Um 'workshop' com número<br />

Limitado de participantes foi<br />

organizado pela APAH em<br />

parceria com a Manahealth.<br />

.Dois responsáveis<br />

internacionais estiveram<br />

presentes e apresentaram<br />

dados e experiências<br />

D<br />

ecorreu na Escola Nacional de<br />

Saúde Pública (EN SP), em<br />

Lisboa, no passado dia 12 de<br />

Setembro, um 'workshop' sobre "Sistemas<br />

de Saúde - as decisões, o financiamento e<br />

o desempenho". A organização esteve a<br />

cargo da APAH e o encontro, que se integrava<br />

no projecto europeu de gestão de<br />

serviços de saúde (Manahealth) atingiu os<br />

objectivos propostos, tendo participado<br />

responsáveis de áreas diversificados, num<br />

número que, à partida, não poderia ultrapassar<br />

as 30 pessoas.<br />

As questões propostas para análise a ser<br />

feita pelos diferentes grupos, eram, sem<br />

dúvida, actuais. O primeiro tema da lista<br />

referia-se aos "Sistemas de Saúde - características<br />

dominantes e desempenho'',<br />

temática que tinha por base um estudo da<br />

Organização Mundial de Saúde e as comparações<br />

europeias.<br />

Seguidamente o assunto deixou uma pergunta<br />

no ar: "Quem deverá pagar os cuida-<br />

dos de Saúde e como?". Neste domínio, as<br />

linhas de referência baseavam-se na<br />

importância da regulação e nos tipos de<br />

financiamento.<br />

O último tema proposto tinha tanto de<br />

interessante quando de perigoso: "A tomada<br />

de decisão em sistemas de saúde". É neste<br />

domínio que se questionam as políticas de<br />

comando e controlo (modelos fornecedor­<br />

-pagador), as escolhas com base na equidade<br />

e na eficiência, as decisões regionalizadas<br />

e a igualdade de oportunidades e os incentivos<br />

e esquemas de pagamento.<br />

Para participar no evento deslocaram-se a<br />

Portugal Hans Keiding, que além de professor<br />

de Economia de Saúde da Universidade<br />

de Copenhaga é investigador para a área de<br />

financiamento e de seguros de saúde, e Martine<br />

Bellanger, especialista na análise comparada<br />

dos Sistemas de Saúde e conhecedora<br />

profunda do sistema francês. m


Cooperação portuguesa na Saúde<br />

Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

J<br />

em missão na Guiné-Bissau<br />

Administradores <strong>Hospitalar</strong>es<br />

e outros profissionais de Saúde<br />

portugueses receberam<br />

o convite para participarem<br />

numa missão de cooperação com<br />

a Guiné-Bissau. O relato sobre<br />

o que há para fazer neste<br />

país é apresentado<br />

por dois cooperantes.<br />

N<br />

a sequência do concurso público<br />

internacional, promovido<br />

pelo Ministério da Saúde do<br />

Governo da Guiné-Bissau, e financiado<br />

pelo Banco Africano de Desenvolvimento,<br />

foi atribuída ao lnsrirnto de Ciências Biomédicas<br />

de Abel Salazar (Universidade do<br />

Porto) a missão de executar o Projecto de<br />

"Reorganização e <strong>Gestão</strong> do Hospital<br />

Nacional Simão Mendes'', de Bissau. Esta<br />

missão, que foi considerada de interesse<br />

público pelos Ministros da Saúde e da<br />

Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de<br />

Portugal, representa um contributo para o<br />

aperfeiçoamento das relações de Portugal<br />

com os PALOP, e será uma modesta quotaparte<br />

para a melhoria dos indicadores contidos<br />

nos "Objectivos do Desenvolvimento<br />

do Milénio", neste País Irmão.<br />

Integram a missão os administradores hospitalares<br />

Paulo Salgado (designado chefe da<br />

missão pelo ICBAS) e Vítor Seabra.: a economista<br />

Conceição Santos Salgado, e o engenheiro<br />

hospitalar João Faria.<br />

As actividades decorrerão em parceria com<br />

profissionais guineenses, prosseguindo<br />

dois grandes objectivos: (re) organizar os serviços<br />

do Hospital, no sentido de os mesmos<br />

>>><br />

Há muito trabalho a realizar na área<br />

da cooperação e desenvolvimento<br />

na Saúde, entre Portugal e a Guiné<br />

virem a ser, progressivamente, geridos com<br />

eficácia e eficiência e promover a assistência<br />

técnica nas áreas da manutenção de instalações<br />

e equipamentos - com absoluto respeito<br />

pelas idiossincrasias e valores locais.<br />

Bem a propósito, deixamos na GH um texto<br />

de Paulo Salgado e Conceição Santos Salgado,<br />

sobre a realidade da Guiné-Bissau em<br />

geral e no sector da Saúde em particular<br />

"Forsa di pis sta na iagu" - ditado crioulo.<br />

A força do peixe está na água; ou seja:<br />

as nossas capacidades e forças residem<br />

no trabalho e na perseverança<br />

É razoável reconhecer a importância crescente<br />

da cooperação internacional - que mais não<br />

fosse pela forte razão de que as bolsas de subdesenvolvimento<br />

(eufemisticamente: países ou<br />

zonas em vias de desenvolvimento!) também<br />

"entram" na aldeia global e, portanto, os países<br />

ricos sentem-se obrigados a enfrentar e analisar<br />

este fenómeno e procurar soluções para os problemas<br />

que o subdesenvolvimento gera.<br />

Destacamos, em particular, os problemas<br />

que se vivem na África: o empobrecimento,<br />

a miséria, o abandono das terras, a fuga de<br />

uns países para outros; a desaceleração do<br />

investimento (referida na Cimeira dos Países<br />

da Comunidade de Desenvolvimento da<br />

África Austral - SADC, e mencionada, também,<br />

pela Comissão para a África, no âmbito<br />

do ,G8, que apelou para a duplicação da<br />

ajuda aos países africanos - que passaria dos<br />

actuais 8 cêntimos por cada 100 dólares para<br />

16 cêntimos por cada 100 dólares n.a ajuda)<br />

acenrnou, nas últimas décadas, o atraso e<br />

dependência dos países e regiões altamente<br />

carenciados e pobres; a "mutilação da cidadania'',<br />

expressão que explica a redução drástica<br />

dos direitos mais elementares dos<br />

cidadãos de muitas zonas do Mundo, em<br />

especial da África.<br />

Estamos confrontados com a explosão das<br />

desigualdades e com o aumento da exclusão<br />

social: mais de 2 biliões de pessoas têm um<br />

rendimento inferior a 2 dólares por dia! Bastará<br />

compulsar o Relatório do Milénio das<br />

Nações Unidas para pasmarmos face à realidade<br />

traduzida pelos indicadores de desenvolvimento<br />

...<br />

Qualquer recusa na ajuda mais básica a África<br />

é colocar em perigo, cada vez maior, os<br />

países pobres e - imagine-se! - a própria<br />

segurança dos países ricos.<br />

Entretanto, se os EUA perdoarem a dívida<br />

em detrimento da ajuda a outros programas<br />

de assistência, será um gesto chocante, como<br />

afirma Jeffrey Sachs, director do Earth lnstitute<br />

da Universidade da Columbia, assessor<br />

de Kofi Annan.<br />

A Política Portuguesa de Cooperação<br />

Os últimos governos de Portugal têm insistido<br />

na sensibilização e concretização de<br />

acções de cooperação com os PALOP, rendo<br />

sido priorizarizados os seguintes domínios:<br />

promoção e defesa da língua; apoio em projectos<br />

de saúde, educação, direito e ciência;<br />

criação de estruturas de apoio em áreas agrícolas;<br />

formação técnico-militar; apoio à<br />

cooperação empresarial.<br />

Refira-se, positivamente, a passagem de uma<br />

cooperação essencialmente bilateral - concei<br />

ro minimalista - para uma cooperação<br />

multilateral (envolvendo entidades públicas<br />

e privadas, organismos nacionais e internacionais),<br />

o que conferirá uma maior<br />

dimensão e aprofundamento interinstitucional<br />

e exigirá aos países promotores e receptores<br />

das acções de cooperação a coordenação<br />

efectiva das políricas de cooperação.<br />

A Cooperação na Saúde na Guiné-Bissau<br />

O elenco das dádivas, das ajudas, das iniciativas,<br />

enfim, de todas as formas de cooperação,<br />

levadas a efeito pelo Governo Português<br />

na Guiné-Bissau e da sua concretização<br />

e publicitação são da responsabilidade - e<br />

bem - do Instituto Português de Apoio ao<br />

Desenvolvimento (IPAD).<br />

O facto de estarmos envolvidos em projectos<br />

de saúde no Hospital Nacional Simão Mendes,<br />

de Bissau (projectos que, afinal, correspondem<br />

a uma múltipla e desejável parceria,<br />

pois estavam e estão empenhadas Instituições<br />

Portuguesas como o IPAD, Fundação<br />

Calouste Gulbenkian, Direcção-Geral<br />

da Saúde, Embaixada de Portugal em Bissau<br />

- e Organismos ln ternacionais como o<br />

Banco Mundial), o conhecimento que detemos<br />

da realidade social, económica e sanitária<br />

da Guiné-Bissau, são razões que nos<br />

levam a fazer uma reflexão em sede da Revista<br />

de <strong>Gestão</strong> <strong>Hospitalar</strong>.


A Saúde não é ainda vista como um<br />

dos bens mais importantes da<br />

população, na Guiné-Bissau.<br />

Daí a importância do apoio dos<br />

técnicos portugueses<br />

Natureza económica e social<br />

A República da Guiné-Bissau é um dos países<br />

mais pobres do mundo, repousando a sua<br />

débil economia na agricultura e na pesca<br />

comunitárias (muito frágeis); na separação<br />

de classes entre os camponeses e pequenos<br />

comerciantes e classe dirigente; na existência<br />

de relações mercantis internas em esferas<br />

muito limitadas; no comércio com o exterior,<br />

reduzido, quase exclusivamente, ao caju<br />

e óleo de palma.<br />

Os números do quadro seguinte são elucidativos<br />

quanto aos desajustes estruturais.<br />

Numa recente nota ao Fundo Monetário<br />

Internacional, as autoridades guineense.s<br />

referem que dois terços da população vive<br />

abaixo do nível de pobreza e, para o presente<br />

ano, as previsões apontam para um crescimento<br />

de 2%, que o deficit rondará 28% do<br />

PIB, e que apenas se retomará o investimento<br />

estrangeiro se houver estabilidade<br />

política.<br />

Do ponto de vista social, há dezenas de<br />

milhares de pessoas que não trabalham e<br />

que vivem à custa dos magros proventos<br />

auferidos por algum familiar - a distribuição<br />

dos rendimentos diminutos tem que<br />

repartir-se por muitos.<br />

Sistema de Saúde<br />

A Guiné-Bissau apresenta uma situação difícil.<br />

Senão vejamos:<br />

- Falta de infra-estruturas, inexistência de<br />

manutenção curativa e preventiva dos equipamentos<br />

hospitalares; preparação deficiente<br />

de recursos humanos e insuficientes<br />

recursos financeiros; disponibilidade irregular<br />

de medicamentos e outros bens para utilização<br />

quotidiana; equipamentqs de apoio<br />

clínico muito degradados ou inexistentes;<br />

interligação deficiente entre os cuidados primários<br />

e hospitalares; dependência da ajuda<br />

externa (as centenas de evacuações para Portugal<br />

são um exemplo claríssimo).<br />

Quanto aos recursos humanos, verificou-se<br />

uma fuga de quadros provocada pelo evento<br />

militar verificado em 1998. A nível da saúde,<br />

por exemplo, a situação foi agravada pelo<br />

decréscimo drástico de RH (em especial, de<br />

médicos) de 1997 para 2000 (Abril).<br />

Observemos os Indicadores de Desenvolvimento<br />

H umano:<br />

Por outro lado, os indicadores de saúde na Guiné-Bissau<br />

são muito preocupantes: Infant mortaliry rate -<br />

139/ 1000 (WHO African Region - 9 1; WHO European<br />

Regiop - 2 1); Probability of dying under age 5<br />

- 203/ 1000 (WHO African Region - 163; WHO<br />

European Region - 26); Probabiliry of dying between<br />

age 5 and 59 - 318 (WHO African Region - 316;<br />

WHO European Region - 156) ; Maternal mortaliry<br />

ratio - 910/ 100.000 (W H O African Region -<br />

940/ 100.000; WHO European Region - 59); from<br />

WBank Report of July, Bissao: 1200/100.000 in Hospital<br />

ofBissao; Health expenditure per capita - 54 USO<br />

(world ranking - 156 in 190 countries); Health expenditure<br />

(% of GDP) - 1.1 (WHO Afucan Region - 1.7;<br />

WHO European- 5.2; Distribution of health in the<br />

population - índex of equaliry of ch ild survival -<br />

0,510 (world rank 177 in 190 countries); Children<br />

immunized agai nst measles -1997 - 51 %.<br />

Indicadores de Desenvolvimento Humano<br />

INDICADORES<br />

Esperança de vida à nascença<br />

Taxa de alfabetização de adultos (% da população com mais de 15 anos)<br />

Taxa bruta de escolarização combinada (do primário ao secundário)<br />

PIB/ por habitante (em PPA)<br />

Índice de esperança de vida<br />

Índice do nível de instrução<br />

Índice do PIB<br />

Pobreza humana<br />

Probabilidade de à nascença morrer antes dos 40 anos<br />

Taxa de analfabetismo de adultos<br />

População privada de acesso regular a água em casa<br />

Insuficiência ponderai de crianças (com menos de 5 anos)<br />

Classificação<br />

Valor<br />

FONTE : RAPPORT MO NDIAL SUR LE D~VELOPP EM ENT HUMAIN 2003; Ano base 1989-9 1<br />

2. No ano de <strong>2005</strong>, estão presentes no HNSM médicos chineses e cubanos, ent re outros.<br />

VALORES<br />

45 anos<br />

39,6 %<br />

43 %<br />

970<br />

0,33<br />

0,41<br />

0,38<br />

84<br />

47,8%<br />

41,3%<br />

60,4<br />

44%<br />

23%<br />

Perspectivas<br />

As populações da Guiné-Bissau têm sido vítimas<br />

de eventos poücico-militares que as empobrecem.<br />

A promoção do bem comum, na GB, tem que<br />

partir de uma nova engenharia no âmbito da solidariedade,<br />

assente em modelos de cooperação<br />

que visem o acesso da população aos bens essenciais:<br />

água potável, vacinação em massa, protecção<br />

de mães e crianças, alimentação, cuidados<br />

de saúde hospitalares mínimos.<br />

Naturalmente que a África (neste caso, a<br />

Guiné-Bissau) precisa de muitas fo rmas de<br />

solidariedade (incluindo concertos de música<br />

e de ajudas as mais variadas!); mas do que<br />

carece, essencialmente, é de que as populações<br />

sejam capazes de acreditar que o futuro depende<br />

delas mesmas e da sua capacidade em gerir<br />

as doações de forma exemplar.<br />

Sempre que um país ou uma organização tome<br />

a decisão que se traduza em acções de cooperação<br />

efectiva com outros países ou organizações,<br />

estará a promover o aumento do bem<br />

comum mundial.<br />

Portugal pode representar, no concerto da cooperação<br />

multilateral a desenvolver pela Europa<br />

em África, um papel que dignifica a condição da<br />

vida humana, inserido na estratégia de sobrevivência<br />

dos Homens, a qual se enquadra na<br />

solidariedade mundial, e não apenas numa restrita<br />

solidariedade nacional ou continental. Portugal<br />

tem que continuar, e mesmo aprofundar<br />

(no que for possível), as suas relações de cooperação<br />

com este País Irmão, de resto, no respeito<br />

pelo programa do actual governo. m


Medicamento em Portugal em 2007<br />

Hipertensão e Colesterol<br />

com tratamento simultâneo<br />

U<br />

m medicamento que trata a<br />

hipertensão e o colesterol, em<br />

simultâneo, estará disponível em<br />

Portugal em 2007, soube a GH junto de<br />

fonte da Indústria Farmacêutica.<br />

Este fármaco - denominado "Caduet", e<br />

comercializado pela Pfizer - foi sujeito a<br />

estudos apurados e está já a ser comercializado<br />

nos EUA, Brasil e México. A confirmação<br />

da eficácia do medicamento, foi apresentada<br />

recentemente.<br />

>>><br />

Recém-nascidos com<br />

Asma sofrem menos<br />

Segundo a conceituada revista médica "The<br />

· Lancet", os resultados do ASCOT (Anglo­<br />

Scandinavian Cardiac Outcomes Trial), um<br />

ensaio clínico desenvolvido durante cinco<br />

anos, junto de 20 mil pacientes de vários<br />

países europeus, concluem existir uma<br />

redução significativa na taxa de mortalid ~de<br />

em doentes com hipertensão arterial agravada<br />

por factores de risco cardiovascular adicionais,<br />

quando tratados com base no bloqueador<br />

dos canais de cálcio Norvasc<br />

(besiulato de Amlodipina).<br />

Por outro lado, dez mil pacientes do<br />

ASC OT, com níveis normais ou moderadamente<br />

elevados de colesterol, receberam tratamento<br />

com Zarator 1 O mg (atorvastatina)<br />

ou placebo, no sentido de avaliar os benefícios<br />

cardiovasculares da terapêutica hipolipemiante.<br />

Em Outubro de 2002, este braço<br />

lipídico do ASCT fo i interrompido precocemente<br />

devido aos benefícios significativos<br />

do tratamento com Zarator na redução da<br />

incidência de enfartes do miocárdio.<br />

Segundo responsáveis da indústria farmacêut<br />

ica, os resulta d os gerais do ASCOT,<br />

incluindo os dados do Zarator no braço<br />

hipertensos e vítimas de<br />

co sterol podem ter mais<br />

quai~tlade de vida no futuro<br />

lipídico, desempenham um papel importante<br />

na redução eficaz dos eventos cardiovasculares<br />

e da mortalidade em doentes hipertensos<br />

com factores de risco adicionais. Para<br />

Michael Barelowitz, vice-presidente da Pfizer,<br />

esta situação "implica a avaliação pelos<br />

médicos da necessidade de uma intervenção<br />

mais eficaz sobre gestão do risco cardiovascular<br />

global, nomeadamente a utilização de<br />

outras terapêuticas, como o Caduet, que oferece<br />

os benefícios do Narvasc e do Zarator<br />

num mesmo comprimido". rm<br />

Nova opção terapêutica<br />

Pa ra bebés com Asma<br />

U<br />

ma n ova formulação oral de<br />

M ontelucaste Sódico, infantil e<br />

granulado, pode ajudar a aliviar a<br />

preocupação diária dos pais relativamente ao<br />

tratamento de lactantes e crianças com asma.<br />

O fármaco, pode ser usado em crianças a<br />

partir dos seis meses de idade, no tratamento<br />

da asma em associação a corticosteróides<br />

inalados e na p rofilaxia induzida pelo exercício<br />

físico.<br />

Esta nova formulação é a primeira medicação<br />

de controlo, activa por via oral, não-esteroíde,<br />

disponível para crianças tão novas.<br />

O fármaco - que comercialmente se denomina<br />

"Singulair Infa ntil Granulado" , da<br />

Merck Sharp & Dohme - pode ser administrado<br />

d irectamente na boca ou m isturado<br />

numa colher com alimentos moles, tal como<br />

puré de maçã ou de cenoura, arroz ou gelado.<br />

A nova formulação não tem sabor e já vem<br />

doseada em saquetas individuais.De acordo<br />

com o pediatra Lopes dos Santos, director<br />

do departamento de Pediatria do Hospital<br />

Pedro H ispano, Matosinhos, "com esta nova<br />

form ulação do medicam en to passamos a<br />

d ispôr de mais uma opção terapêutica para<br />

doentes com este problema, com utilização<br />

fácil e cómoda. Este é um benefício claro<br />

tanto para as crianças como para os pais, uma<br />

vez que substitui com vantagem os corticóides<br />

inalados na prevenção das exacerbações<br />

víricas na asma do lactente e crianças em<br />

idade pré-escolar".<br />

Além disso, acrescenta o clín ico, "<br />

a asma e<br />

I<br />

uma doença crónica e deve ser tratada de<br />

forma continuada. Este tratamento, com uma<br />

única dose diária, vai tornar mais fácil tratar<br />

a doença sem interrupções". l!lll<br />

Alguns números<br />

sobre a Asma<br />

- Entre 100 a 150 milhões de pessoas<br />

sofrem de asma, em todo o<br />

mundo;<br />

- Na Europa Ocidental, a incidência<br />

de asma duplicou nos últimos<br />

10 anos;<br />

- Mais de 11 por cento das<br />

crianças em Portugal têm asma;<br />

- O peso humano e económico<br />

associado à asma é enorme.<br />

Embora não existam dados em<br />

Portugal, nos EUA os custos<br />

anuais com a doença (directos e<br />

indirectos) excedem os 12, 7<br />

biliões de dólares;<br />

- As mortes relacionadas com<br />

asma atingem mais de 180 mil<br />

casos todos os anos.


Trancoso<br />

Sorria:<br />

está na Baía!<br />

Para quem ainda não gozou<br />

as merecidas férias fica aqui<br />

a ideia de um destino que nunca<br />

vai esquecer. O convite está<br />

feito. Venha connosco<br />

As férias terminaram para muitos.<br />

Mas cada vez há mais pessoas a gozar<br />

o merecido descanso "fora de horas".<br />

Para aqueles que resolveram fazer inveja aos<br />

colegas - optando por ir de férias quando a<br />

maioria regressava ao trabalho - aqui fica uma<br />

sugestão que não deixa ninguém indiferente:<br />

uma viagem até ao Brasil. Melhor: até à Baía.<br />

Melhor: até Porto Seguro. Melhor: até Trancoso!<br />

Acompanhe-nos.<br />

E se não sorriu ainda .... Sorria: está na<br />

Baía! .... onde o "stress" não existe.<br />

Quando chegar a Porto Seguro (de avião claro!)<br />

vai perceber que qualquer ligação ao dia-a-dia<br />

a que está habituado é pura coincidência.<br />

Lá, tudo é diferente. A simpatia é um estado<br />

de espírito. A alegria é uma herança genética.<br />

E a energía - sempre positiva- é partilhada<br />

pelo olhar e pela magia de quem vai conhecendo.<br />

Uma água de coco bem fresca, ainda no<br />

aeroporto, vai dar-lhe a certeza de que está no<br />

Brasil. E sorria, está, finalmente, na Baía<br />

É altura de continuar. São 50 minutos de<br />

Porto Seguro a Trancoso de carro, por estrada,<br />

ou menos tempo se preferir fazer o percurso de<br />

balsa, passando por Arraial d'Ajuda.


O "Quadrado"<br />

Em Trancoso tudo se mistura. O chique<br />

mistura-se com o hippie. O pagode<br />

mistura-se com o forró. O rio mistura-se<br />

com o mar. ·.<br />

Tudo ali existe e de tudo é possível<br />

estar perto. Mas se pensa que essa<br />

mistura implica confusão é puro<br />

engano. Tudo se cruza com.tranquilidade<br />

e bom gosto. Se assim não<br />

fosse não corria o risco de se cruzar<br />

no 11 Quadrado", com Naomi Campbel;<br />

Matt Dillon; Elba Ramalho; Giselle<br />

Bundchen;Vera Fisher, entre muitas<br />

outras figuras das artes.<br />

O 11 Quadrado" é onde quase tudo<br />

acontece.<br />

São casinhas multicoloridas, colocadas<br />

lado-a-lado, em quadrado<br />

(mais rectângulo), deixando o centro<br />

para u'!la pequena igreja jesuíta,<br />

construída no século XVlll, e perto<br />

do miradouro deixa imaginar as caravelas<br />

cruzando aquele mar.<br />

As balsas não diferem muito dos cacilheiros que<br />

fazem a travessia Cacilhas - Trafaria. A grande<br />

diferença está no facto de serem completamente<br />

abertas.<br />

Se optar por fazer o percurso de balsa, quando<br />

atingir a margem está em Arraial d'Ajuda.<br />

Terra marcada pelo simbolismo da chegada<br />

dos portugueses a Terras de Vera Cruz,<br />

em 1500. O nome de Cabral (Pedro Alvares)<br />

é visível em tudo. Desde Pousadas a restaurantes<br />

e loj inhas de "souvenirs".<br />

O orgulho da ligação primordial a Portugal<br />

é sentido nesta cidade, onde o turismo cresce<br />

ano após ano e onde o exagero de restaurantes,<br />

de pousadas e de lojas de artesanato<br />

nos faz esquecer, por instantes, que<br />

estamos em Arraial d'Ajuda.<br />

Mas as sensações de que estamos no paraíso<br />

regressam quando, a 2 metros do mar, numa<br />

cabana de beira de praia - onde se apercebe<br />

de um novo estilo musical e de dança, o<br />

" C , " ,<br />

rorro- reggae - e servi <strong>º</strong>d o o a l moço: casq<br />

uinha de sirí para começar, pernas de<br />

caranguejo panado, para recomeçar, e badejo<br />

grelhado (um dos peixes típicos da Baía),<br />

com arroz, feijão, salada e aipim (mandioca<br />

frita), como prato principal.<br />

Para beber? Bom, apenas 3 opções: cerveja<br />

bem gelada, caipirinha ou "capeta''. As duas<br />

primeiras conhece, obviamente. O capeta<br />

(que se fosse possível traduzir, seria diabo)<br />

será talvez um 'cocktail' que mistura guaraná,<br />

cachaça, leite condensado e abacaxi, e<br />

certamente mais qualquer coisa. O capeta<br />

pode ser bebido sem qualquer dificuldade<br />

mas os efeitos são sentidos no momento de<br />

deixar a mesa. E mais não dizemos<br />

A viagem continua. De Arraial d'Ajuda a<br />

Trancoso são apenas 27 Km. Muito verde.<br />

Muitos pastos. Muitos bois nos pastos. Poucas<br />

casas a cortar o verde, intenso. Pouca<br />

gente a cruzar este universo.<br />

Prédios não existem em toda a região de<br />

Porto Seguro. O espaço, por aqui, é amplo<br />

mas recortado e o tempo passa muito devagar.<br />

Não há pressa. E quem lá vai só tem<br />

uma opção: deixar de se preocupar com o<br />

que deixou para trás. Caso contrário não vai<br />

tirar partido dos dias tranquilos e do exagero<br />

de mar, de sol e de boa disposição.<br />

Sorria de novo: está na Etnia<br />

A entrada em Trancoso não é bonita. É até<br />

rude. Mas esta imagem está prestes a desvanecer-se.<br />

Porque a Étnia está à vista.<br />

E falar da Etnia é falar do André e do Corrado,<br />

os dois responsáveis pela idealização,<br />

construção e manutenção de uma das mais<br />

bonitas e conceituadas pousadas da localidade.<br />

São oito casinhas brancas, cada uma com<br />

seu estilo, no meio de vegetação, mais ou<br />

menos rasteira, árvores e as famosas redes<br />

que se encontram penduradas nas próprias<br />

árvores.<br />

A piscina, com um azul que faz ' raccort"<br />

com o céu limpo, está no centro de tudo. É<br />

à sua volta que se reúne, à noite, quem ali se<br />

hospeda - para longas conversas sobre temáticas<br />

tão diferentes como política e moda -<br />

é ali que se toma o "café da manha" - e<br />

nem imagina que café da manhã! - é ali se<br />

somos cumprimentados, diariamente, pelo<br />

sorriso bem brasileiro do André e pelo charme<br />

italiano do Corrado.<br />

Toda aquela maravilha foi pensada por<br />

ambos, há três anos. E os resultados estão à<br />

vista. Melhor deve ser impossível. Os pormenores<br />

chegam a ser "duvidosos".<br />

Acredita, por exemplo, que é possível ter<br />

no seu apartamento um pequeno jardim<br />

natural, a um metro do duche? Ou seja,<br />

está a tomar duche junto a plantas, pedras e<br />

terra, e nesta loucura de espaço há ainda<br />

uma janela que se abre para o exterior, onde<br />

tudo é apenas verde com muito cheiro a<br />

terra. Mas tudo isto só é apreciado por você.<br />

De fora nada se consegue vislumbrar. lEll<br />

Contacto<br />

.<br />

para viagem<br />

atmosphere hotels<br />

Largo Vitorino Damásio n. <strong>º</strong> 3C -<br />

Armazém 10<br />

1200-872 Lisboa - Portugal<br />

tel: +351213907 170<br />

fax: +351 213 907 172<br />

Tm:+351917246039<br />

www.atmospherehotels.pt


Seguindo as tendências da moda,<br />

a Ouro Vivo cria e desenha<br />

colecções ideais para a mulher<br />

que gosta de combinar jóias<br />

com roupa simples.<br />

Com cinco colecções repletas<br />

de pureza, cor e paixão,<br />

a marca promete ser original<br />

e descontraída.<br />

Já Manuel dos Santos Jóias cria<br />

peças para mulheres<br />

que não prescindem de Luxo<br />

e ostentação.<br />

Ouro Vivo<br />

Perfection<br />

De formas redondas e delicadas, representa as<br />

últimas tendências da joalharia. De linhas ovais e<br />

pequenos diamantes, as peças desta colecção dão<br />

um toque de luminosidade e distinção, e são ideais<br />

para as mulheres que não abdicam de<br />

modernidade e sofisticação.<br />

Ouro Vivo<br />

Pop Flower<br />

..<br />

Ouro Vivo Cuore<br />

Tal como o nome indica, esta é uma colecção<br />

inspirada no amor, que se destaca pelo ar fresco e<br />

divertido. Baseada no romantismo, o coração de<br />

forma irregular é o centro das atenções e ideal<br />

para as mulheres românticas que querem dar um<br />

toque de cor à vida.<br />

Diferente e original, é uma colecção composta por<br />

fios, pendentes e brincos em ouro branco e<br />

amarelo, com uma flor em formas rectangulares<br />

que é protagonista em todas as peças. De salientar<br />

que o efeito " bombee" e a textura acetinada<br />

garante o efeito casual, enquanto que os<br />

pendentes nos fios, a textura e o design fazem<br />

desta a colecção mais adequada para combinar<br />

com jeans e roupa casual.<br />

Ouro Vivo Mix colors<br />

Numa mistura perfeita de materiais, formas e cores<br />

a colecção Mix colors é constituída por peças com<br />

formas irregulares que combinam entre si,<br />

alternando cores e texturas, que se realçam pela<br />

conjugação de ouro branco e rosa. Sem dúvida, o<br />

complemento ideal para as mulheres que não<br />

receiam inovar.<br />

Manuel dos Santos<br />

Jóia.s, colecção Vou<br />

Há cinco anos Manuel dos Santos criou a primeira<br />

colecção de jóias com pedras preciosas, mas agora<br />

decidiu fazer algo diferente: criou a primeira<br />

colecção de jóias totalmente em ouro. Constituída<br />

por brincos, colares e pulseiras, esta colecção é<br />

composta por 30 referências em ouro branco, ouro<br />

amarelo ou ambos.<br />

Ouro Vivo Essencial<br />

De desenho minimalista e linhas onduladas e<br />

sinuosas, distingue-se pelas pérolas brancas de<br />

beleza singular. Num design vanguardista, a<br />

colecção Essencial mostra uma nova forma de usar<br />

jóias e pérolas, soltando-se do conceito clássico<br />

geralmente associado a estas pedras.


Varanda de Lisboa<br />

Sentir a cidade<br />

P<br />

ara<br />

se almoçar ou jantar no restaurante<br />

"Varanda de Lisboa" convém fazer<br />

reserva. Não que este espaço, localizado<br />

no último andar do Hotel Mundial, bem<br />

no centro de Lisboa, tenha poucas mesas -<br />

pelo contrário! Tem capacidade para uma centena<br />

de clientes.<br />

O problema é que todos querem ocupar as mesas<br />

localizadas perto das janelas. E têm toda a razão:<br />

de um lado temos como paisagem o Castelo de<br />

S. Jorge e todo o emaranhado dos telhados da<br />

Lisboa antiga. Do outro, o olhar atravessa a<br />

Praça do Comércio, o Rossio e o Rio Tejo.<br />

O "Varanda de Lisboa" tem capacidade para<br />

dar resposta às mais diferentes pretensões. À<br />

noite é preferido por clientes do próprio hotel<br />

e por pessoas que se querem deliciar não só com<br />

as especialidades culinárias do chefe Carlos<br />

Queijo, como com a panorâmica de Lisboa "by<br />

night" - ao som dos acordos vindos do piano<br />

do maestro Hugo Alves.<br />

Ao almoço, os clientes aceitam as sugestões<br />

do chefe de mesa, Francisco Lopes, e do<br />

escanção António Correia, para os seus<br />

almoços de negócios.<br />

Escollhas<br />

O cardápio do "Varanda de Lisboa" tem por<br />

base a cozinha regional portuguesa e, neste<br />

domínio, de acordo com Francisco Lopes, o<br />

peixe ocupa lugar de destaque nas preferências<br />

dos clientes, particularmente o bacalhau,<br />

que pode ser confeccionado com castanhas e<br />

legumes ("Bacalhau no Forno à Mundial").<br />

Se preferir carne, pode optar pelos<br />

"Medalhões de novilho no espeto com<br />

gambas", que também vai ficar bem servido,<br />

ou então pelos "Lombinhos de novilho<br />

com molho de três pimentas" (ver foto),<br />

que o chefe Carlos Queijo faz acompanhar<br />

com castanhas, arroz selvagem com passas<br />

e pinhões e uma linda "tarrelette" de esparregado.<br />

Para este prato, a escolha do<br />

escanção António Correia, recai sobre o<br />

Coll ares Visconde de Salréu, de 1933<br />

(tinto), que já não se fabrica (o preço deste<br />

vinho ronda os 50 euros).m


ita com ·a z<br />

•<br />

U<br />

m dos pesadelos recorrentes para os familiares<br />

de um doente de Alzheimer é, sem<br />

dúvida, a quase inevitável necessidade de,<br />

mais tarde ou mais cedo, recorrerem a um serviço<br />

hospitalar para assistência ao seu familiar.<br />

Numa primeira fase da doença, o recurso ao hospital<br />

tem, a maior parte das vezes, o intuito de obter um<br />

diagnóstico especializado e fiável para um quadro de<br />

sintomas que não pode mais ser ignorado.<br />

E a posterior certeza de que a esses sintomas corresponde<br />

uma situação irreversível, progressiva e, até<br />

hoje, incurável é, tanto para o próprio doente -<br />

quando com ela é confrontado - como para os seus<br />

familiares, um terrível momento de desorientação e<br />

de impotência que desafia a capacidade dos médicos<br />

para prestarem o apoio indispensável.<br />

Com o evoluir da doença, a sensação de angústia dos<br />

cuidadores adensa-se sell?-_pre que é necessário levar o<br />

doente a um serviço hospitalar.<br />

A progressiva incapacidade do doente para entender e<br />

para se fazer entender, para se orientar no espaço e no<br />

tempo e para reconhecer os que o rodeiam, torna o<br />

recurso aos hospitais, quer seja numa situação de<br />

urgência, quer se trate de uma simples consulta ou de<br />

um internam ento, num drama para os pró prios<br />

doentes e para os familiares que os assistem.<br />

E essas deslocações são tanto mais necessárias quanto<br />

é certo que as terapias específicas disponíveis para<br />

esta patologia só são comparticipadas pelo Estado<br />

quando receitadas por neurologista ou por psiquiatra<br />

sendo certo que dificilmente se consegue que estes<br />

especialistas se desloquem ao domicílio dos doentes,<br />

m esm o quando estes residem em grandes centros<br />

urbanos.<br />

As dificuldad es d e m obilid ad e que no rmalmen te<br />

afectam estes doentes, a par de todas as suas limitações<br />

psíquicas, avolumam as dificuldades de acesso<br />

aos hospitais e contribuem para que se calcule ser<br />

muito elevado o número de doentes não diagnosticados<br />

ou que não são efectivamente medicados.<br />

Mas o pesadelo que representa o atendimento hospitalar<br />

destes doentes afecta também os próprios profissionais<br />

de saúde que se deparam com pacientes que<br />

não podem exprimir as suas queixas, que têm comportamentos<br />

anómalos e que não obedecem a comandos<br />

porque nem sequer os entendem ...<br />

Estas dificuldades são obviamente um acréscimo às já<br />

complicadas condições em que se processa o normal<br />

acesso e atendimento na maioria dos nossos serviços<br />

hospitalares.<br />

A insuficiência do número de médicos, de enfermeiros<br />

e de pessoal de apoio tende a tornar o acendimento<br />

menos personalizado e, por isso, menos humanizado<br />

o que, no caso dos doentes de Alzheimer ou de<br />

vítimas de fo rmas de demência afins, é - como se<br />

compreende - factor muito negativo.<br />

Também o frequente recurso a profissionais estrangeiros<br />

que nem sempre dominam bem a língua portuguesa<br />

dificulta a já reduzida capacidade de relacionamento<br />

d aqueles doent es n um ambiente que<br />

desconhecem e que se lhes apresenta hostil.<br />

N ão é, portanto, de estranhar que os doentes de Alzh<br />

eimer sofram um m anifesto agravam ento da sua<br />

situação quando sujeitos a internamento hospitalar -<br />

m esmo que em unidades esp ecializadas - se não<br />

fo rem acompanhados de perto pelos seus habituais<br />

cuidadores.<br />

É perante este quadro que se afi gura indispensável<br />

reequacionar o papel do médico assistente, dos familiares<br />

e dos restantes cuidadores deste tipo de doentes<br />

n a ligação com os serviços hospitalares e com os<br />

diversos profiss ionais que neles actuam.<br />

Sem uma estreita articulação destes vários intervenientes<br />

- sem que a mesma possa ou deva significar<br />

interfe rência· nas respectivas áreas de actuação - não<br />

poderá existir esperança de um atempado diagnóstico<br />

e de uma intervenção terapêutica minimamente eficaz<br />

para o retardamento da evolução da doença e<br />

para uma melhoria efectiva da qualidade de vida dos<br />

doentes.<br />

Com efeito, se for certa a perspectiva que nos é dada<br />

pelos especialistas no que concerne ao aumento exponencial<br />

do número de pessoas atingidas pela Doença<br />

de Alzheimer e demências afins nas p róxima décadas<br />

torna-se indispensável e muito,<br />

d e dor ou de prazer onde outros não vislumbram<br />

q ualquer manifestação reconhecível, por vezes mesmo<br />

o único rosco ainda com significado na confusa<br />

memória do doente, a presença do seu familiar cuidador<br />

pode fazer a diferença entre uma intervenção<br />

terapêutica atempada e eficaz e uma intromissão tida<br />

por violenta e agressora.<br />

M as para que essa presença seja uma mais valia para o<br />

doente e para os profissionais de<br />

m uito urgente a d efin ição de "Com o evoluir saúde é indispensável q u e os<br />

uma política nacional de intervenção<br />

centrada no e para o<br />

doente, em que este seja o eixo<br />

condutor das várias intervenções<br />

- da medicina, da psicologia, da<br />

enfermagem, da terapia ocupacional,<br />

da fisioterapia, do apoio<br />

social...<br />

Uma política capaz de articular<br />

os sectores da saúde e da segurança<br />

social, as actuações dos<br />

organismos públicos e das instituições<br />

particulares, das empresas<br />

com fins lucrativos e das entidad<br />

es benévolas e q ue integre e<br />

valorize, de forma clara e iniludível,<br />

o papel dos familiares e de<br />

outros cuidadores informais<br />

enq uanto actores privilegiados -<br />

pela proximidade e pelos afectos<br />

- de uma actuação que se quer<br />

humanizada e humanizante.<br />

A intermediação do cuidador<br />

informal torna-se vital não só para o doente que se<br />

não pode exprimir mas também para o profissional<br />

de saúde que não pode fazer-se entender.<br />

Conhecedor dos hábitos, dos gostos e das antipatias<br />

do doente, único ainda capaz de compreender sinais<br />

da doença, a sensação<br />

de angústia<br />

dos cuidadores adensa-se<br />

sempre que é necessário<br />

levar o doente<br />

a um serviço hospitalar"<br />

Leonor Guimarães<br />

Vice-Presidente<br />

da Direcção da APFADA<br />

que se avoluma e ameaça subverter<br />

a própria sociedade.<br />

familiares tenham a informação e<br />

a formação necessárias para saberem<br />

até onde a sua actuação<br />

pode e deve ir e onde deve parar<br />

para não se sobrepor nem se<br />

impor.<br />

Informação e formação q ue<br />

devem ser p restadas pelos profissionais<br />

de saúde, principalmente<br />

os que actuam em meio hospitalar,<br />

o que pressupõe sensibilidade,<br />

profundo conhecimento dos<br />

efeitos da doença - seja no próprio<br />

doente, seja nos cuidadores<br />

- e a humildade suficiente para<br />

aceitarem que o conhecimento<br />

científico ou técnico não é suficiente<br />

p ara superar o muro de<br />

silêncio e solidão que separa estes<br />

doentes da realidade envolvente.<br />

Mesmo todos somos muito poucos<br />

para enfrentar este problema<br />

É imperativo q ue se potencie a acção pela articulação<br />

dos meios e dos esforços, em nome da dignidade e da<br />

qualidade de vida dos doentes de Alzheimer.<br />

É que, afinal, amanhã ... podemos ser nós! l'illl


•<br />

esa 1os • • •<br />

N<br />

uma altura em que por toda a Europa se<br />

assiste, c~m mais ou menos i nte~si~ade, a<br />

um movimento crescente de pnvat1zação<br />

da prestação de cuidados de saúde de nível hospitalar,<br />

assume particular relevância a discussão sobre quais as<br />

diferenças que existem na forma de gerir um hospital<br />

pelo sector público versus o sector privado. Mais<br />

importante ainda, é saber se essas diferenças- se é<br />

que existem- se repercutem "a posteriori" nos resultados<br />

obtidos em termos de ganhos efectivos de saúde<br />

para as populações, grau de satisfação dos utentes e dos<br />

profissionais e recursos humanos e materiais consumidos.<br />

A simples observação da realidade, permite concluir<br />

que existem de facto diferenças importantes na forma<br />

como os dois seçtores, público e privado, enfrentam o<br />

desafio de gerir uma organização tão complexa como<br />

um hospital. Desde logo, as principais diferenças<br />

derivam das restrições e condicionalismos que o sector<br />

público por definição impõe à sua gestão, como sejam<br />

a rigidez dos processos de aquisição de recursos e de<br />

contratação de pessoal, a excessiva standardização dos<br />

procedimentos e centralização da decisão (tipo "one<br />

size fits all"). É óbvio que uma organização extraordinariamente<br />

complexa como é um hospital n ão se<br />

compadece des ta falta de flexibilidade de gestão. Pior<br />

do que isso, torna impossível gerir de forma adequada<br />

o seu principal activo - o capital de conhecimento<br />

dos seus recursos humanos mais diferenciados que<br />

são os profissionais de saúde. O processo de empresarialização<br />

dos hospitais públicos é no fundo uma<br />

forma de procurar atenuar estes efeitos.<br />

O problema é que, e essa será a principal diferença que<br />

condiciona verdadeiramente tudo o resto, os hospitais<br />

públicos não têm que lutar pelos clientes e não vivem<br />

em regime de concorrência uns com os outros. Mais,<br />

no final do dia, todos sabemos que mesmo que sejam<br />

mal geridos o dinheiro desperdiçado acabará sempre<br />

por aparecer. As administrações até podem cair, mas o<br />

resto}ª organização fi ca e não é responsabilizada<br />

nem E_rejudica a sua carreira por causa disso. Quem<br />

-<br />

não ouviu ainda a frase "os Ministros vêm e vão, nós<br />

ficamos?" Em síntese, não há tensão criativa e tão<br />

pouco uma cultura de responsabilização e avaliação<br />

correlativa!<br />

Por último, a gestão pública finge diariamente que não<br />

se encontra inserida numa cadeia de valor altam ente<br />

lucrativa, a qual, a montante e a jusante d a actividade<br />

hospitalar, é dominada pelas indústrias multinacionais<br />

mais poderosas do mundo. Por puro preconceito ideológico<br />

na cadeia de valor do sector da saúde o lucro<br />

- que também poderia ser chamado excedente para<br />

investimento - parece estar vedado apenas ao sector<br />

hospitalar, curiosamente aquele que com pra a todos<br />

as outras actividades da cadeia! Com esta atitude, a<br />

gestão pública ignora olimpicamente aquele que será<br />

um dos mais importantes e complexos desafios que a<br />

gestão hospitalar enfrentará na próxima década e onde<br />

o seu papel será fundamental: a gestão proactiva da<br />

inovação clínica e tecnológica (nos EUA, estima-se que<br />

a quota do aumento ·da despesa devido à introdução de<br />

novas tecnologias tenha rondado nos últimos anos<br />

os 40%). Pior, ao ignorar qll:e o sector é um negócio,<br />

a gestão hospitalar: pública não estabelece regras e<br />

púncípios de conduta nomeadamente no que se refere<br />

a inevitáveis conflitos de interesse. A curto prazo tal<br />

traduzir-se-á numa verdadeira irresponsabilidade ética.<br />

Por seu lado, o mercado privado de saúde em Portugal<br />

mudou d e forma radical na última d écada devido<br />

fundamentalmente ao crescimento sus tentado muito<br />

elevado dos seguros de saúde e à introdução em 1995<br />

do conceito de managed care. Hoje os prémios de<br />

seguros de saúde já representam um valor anual<br />

acima dos 300 milhões de euros e o número de pessoas<br />

seguras, não contanto com os subsistemas de saúde do<br />

próprio Estado, ascende a cerca de<br />

14% da população portuguesa.<br />

Este novo contexto, levou ao desenvolvimento<br />

de um sector privado de<br />

prestação cada vez mais sofisticado e,<br />

sobretudo, já não baseado ou depen ­<br />

dente das convenções com o SNS e<br />

por isso não sujeito aos sobejamente<br />

conhecidos e discutidos conflitos de<br />

interesse com o Estado.<br />

E, tal como o Estado financiador, as<br />

seguradoras privadas enfrentam hoje o<br />

mesmo desafio de controlar os custos<br />

sem comprometer a qualidade e o<br />

acesso dos seus clientes aos cuidados<br />

de saúde mais efectivos. O mercado de<br />

prestação privado tem estado assim<br />

sujeito a uma pressão competitiva ao<br />

nível das receitas (por exemplo, a passagem<br />

de uma estrutura de financiamento<br />

baseada no pagamento por acto<br />

para preços pacote por cirurgia, introdução<br />

de mecanism os de auditoria<br />

clínica, pagamenro diferenciado aos<br />

prestadores mais efectivos, numa primeira<br />

abordagem ao conceito de pagamento<br />

pelo valor da produção), torn<br />

a ndo imperativo o desafio da<br />

eficiência.<br />

Neste contexto, o sector privado teve<br />

que, para sobreviver, d ese nvolver<br />

novas competências e trabalhar arduamen te com os<br />

11<br />

Tal como o Estado<br />

.<br />

financiador,<br />

as seguradoras<br />

privadas enfrentam<br />

hoje o mesmo<br />

desafio de controlar<br />

os custos sem<br />

comprometer a<br />

qualidade e o<br />

acesso dos seus<br />

clientes aos<br />

cuidados de saúde".<br />

Isabel Vaz<br />

Presidente<br />

CE Espírito Santo Saúde<br />

bém aqui uma novidade face ao sector público, mas<br />

que daria para outro artigo .. ) para conhecer de forma<br />

detalhada as estruturas de cus tos do tratamento das<br />

várias doenças, reinventar as formas<br />

de relacionamento com os fornecedores<br />

de equipamento e consumíveis<br />

clínicos, e promover a optimização<br />

d o sistema pondo em prática uma<br />

rigorosa disciplina de desenho de processos<br />

por forma a atribuir de forma<br />

correcta os recursos d o h ospital e<br />

optimizar a capacidade instalada.<br />

Por trabalhar num contexto competitivo<br />

e concorrencial - e também, há<br />

que reconhecer, por us ufruir de uma<br />

maior flexibilidade de gestão - o sector<br />

privado de prestação um pouco por<br />

toda a Europa tem demonstrado estar<br />

à altura do desafio de gestão colocado<br />

pelo Estado financiador. Esse desafio<br />

pode sintetizar-se na prática da forma<br />

seguinte: com as operações de privatização<br />

e a subsequente criação de um<br />

mercado concorrencial, o Estado espera<br />

que os grupos privados dêem um<br />

contributo positivo e, espera-se, exemplar<br />

para a melhoria da tecnologia de<br />

gestão- i.e. fazer diferente e melhor -<br />

com forte impacto no aumento da<br />

eficiência e consequente redução do<br />

desperdício - i.e. fazer mais com<br />

menos.<br />

É também este o desafio que neste<br />

momento se coloca ao sector privado<br />

médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde (tamem<br />

Portugal. É chegado o momento de este provar o<br />

que vale ... ou calar-se para sempre! rm


Dor Crónica<br />

em Portugal<br />

O Estado da Arte<br />

As duas primeiras Unidades de Dor Crónica<br />

em Portugal Continental, já fizeram as<br />

Bodas de Prata. São elas as Unidades de<br />

Dor Crónica do Instituto Português de Oncologia<br />

do Centro Regional de Lisboa, cujo Director é o Dr.<br />

José Luís Portela e a do Centro Regional do Porto,<br />

dirigida pelo Dr. Zeferino Bastos. A ambos os parabéns!<br />

Felizmente, hoje o panorama é bem diferente: nos<br />

Hospitais Portugueses existem 51 Unidades de Dor<br />

Crónica, com diferentes níveis organizativos e assistenciais,<br />

contando com a do Hospital Central do<br />

Funchal e a do Hospital do Divino Espírito Santo em<br />

Ponta Delgada. Em muitos Hospitais a Unidade de<br />

tratamento de Dor Crónica não está institucionalizada<br />

(é vista como um posto de trabalho) o que dificulta<br />

o seu desenvolvimento e a tarefa assistencial.<br />

A este propósito, Portugal tem sido algo pioneiro na<br />

Europa, muito pela mão dos membros da Associação<br />

Portuguesa para o Estu9-o da Dor (APED), fundada<br />

pelo Dr. Nestor Rodrigues em 1990 e hoje Presidida<br />

pelo Prof. Doutor José Castro Lopes da Faculdade<br />

de Medicina do Porto, com a colaboração do Ministério<br />

da Saúde e da Direcção Geral da Saúde, Senão<br />

vepmos:<br />

- Em 1999 é instituído por Despacho Ministerial, o<br />

dia 14 de Junho como o Dia Nacional de Luta Contra<br />

a Dor;<br />

- Em 2001 é aprovado por Despacho Ministerial, o<br />

Plano Nacional de Luta Contra a Dor; neste Plano<br />

prevê-se a criação de Unidades de Dor crónica em<br />

7 5% dos hospitais Portugueses, até 2007.<br />

- Em 2003 a dor é equiparada ao 5° Sinal Vital, através<br />

de Circular Normativa da Direcção Geral da<br />

Saúde;<br />

- Em <strong>2005</strong> é aprovada pela Ordem dos Médicos a<br />

Competência em Dor.<br />

Apesar de todo este esforço legislativo/documental e de<br />

muito boas vontades sabemos estar longe das metas do<br />

Plano Nacional de Luta Contra a Dor, e sabemos que<br />

a aplicação da Circular normativa que equipara a Dor<br />

ao 5° Sinal Vital está ainda mais longe de ser uma realidade<br />

na maioria dos Hospitais Portugueses (há quem<br />

diga que somos relativamente bons a planear, esquecemo-nos<br />

de regulamentar e somos maus a implementar).<br />

Sempre que se fala ou escreve sobre Dor em Portugal,<br />

vêm à baila as "Barreiras ao Tratamento da Dor" que<br />

passam pelas regulamentares (receituário especial para<br />

a prescrição de opióides), pelas económicas (comparticipação<br />

desajustada), pelas médico/ profissionais<br />

(mitos, medos e tabus atribuíveis à falta de formação<br />

nesta área) e pelas culturais e religiosas.<br />

O facto é: se tomarem como referência o relatório<br />

" Pain in Europe 2003", é estimável que em Portugal<br />

existam cerca de 2 milhões de cidadãos com dor crónica.<br />

O que por outras palavras quer dizer que "temos<br />

um verdadeiro problema de saúde pública".<br />

Se tomarmos como referência a Organização Mundial<br />

de Saúde (OMS) que refere o consumo de opióides<br />

como um indicador da qualidade dos serviços de<br />

saúde para os doentes com dor crónica, rapidamente<br />

concluímos que existe uma diferença abissal no<br />

consumo de opióides em Portugal e na Europa; dados<br />

da OMS de Outubro de 2004 referem um consumo<br />

de opióides per capita em Portugal 6 vezes inferior a<br />

Espanha, 12 vezes inferior a França, 15 vezes inferior<br />

à Alemanha e 20 vezes inferior ao Reino Unido.<br />

Deixemos a legislação para o Governo! Foi eleito por<br />

maioria de votos ... e tenhamos fé ... que cumpra o seu<br />

dever!<br />

Falemos de Formação Profissional, igualdade de d ireitos<br />

(li no Jornal Expresso, que os doentes oncológicos,<br />

nos nossos IPO's, ainda não têm todos os mesmos<br />

direitos no acesso ao controlo da dor) e deveres, algo<br />

que está mais na mão de cada um de nós!<br />

Ao nível da formação pré-graduada, não tem sido<br />

"possível" incluir novas matérias no curriculum de<br />

Medicina e de Farmácia (esta foi a informação que<br />

obtive por parte das faculdades)!<br />

Na perspectiva da formação pós-graduada (seguramente<br />

vou pecar por omissão e perdoem-me aqueles,<br />

que não forem citados, embora não seja meu objectivo<br />

listar a totalidade das iniciativas), refiro o Curso<br />

Pós-Graduado em Medicina da Dor, da Faculdade<br />

de Medicina da Universidade do Porto (vai para a<br />

quarta edição este ano); na Universidade do Minho, o<br />

Prof. Dr. Armando Almeida tem dado<br />

o seu melhor; pela primeira vez este<br />

ano a Faculdade de Medicina de Lisboa<br />

criou o Curso de Especialização<br />

em Ciências da Dor.<br />

Quanto à profissão farmacêutica, e<br />

no âmbito da formação pré-graduada,<br />

a Faculdade de Farmácia de Lisboa,<br />

através da Profª Doutora Maria<br />

Augusta Soares, tem dado a oporcunidade<br />

de desenvolver algumas aulas e<br />

seminários sobre Dor para os alunos<br />

do 5° Ano.<br />

Quanto à formação pós-graduad a a<br />

Associação Nacional de Farmácias<br />

(ANF) tem vindo a promover (até<br />

porque os farmacêuticos necessitam<br />

d e revalidar a carteira profissional)<br />

no âmbito d a Farmácia de ofi cina,<br />

acções de formação em dor nas q uais<br />

tenho tido a oportunidade de colaborar<br />

como formador.<br />

A Universid ade de Évora, através do<br />

Prof. Doutor Carlos Sinogas do<br />

Departamento de Biologia (Biologia<br />

da Saúde), vai desenvolver já este ano<br />

o Mestrado em Acompanhamento<br />

Fármaco Terapêutico que inclui formação<br />

em Dor.<br />

No âmbito p rivado, a CESPU (Coo-<br />

perativa de Ensino Superior, Politécnico e U niversitário)<br />

que ministra vários cursos na área da saúde, pelo<br />

menos no Instituto Superior de Ciências da Saúde -<br />

· "Sempre que se fala<br />

ou escreve sobre<br />

Dor em Portugal,<br />

vêm à baila as<br />

'Barreiras ao<br />

Tratamento da Dor'<br />

que passam pelas<br />

regulamentares,<br />

pelas económicas,<br />

pelas<br />

médico/profissionais<br />

e pelas culturais e<br />

religiosas".<br />

João Mota Dias<br />

Licenciado em Farmácia<br />

Norte há envolvimento com formação em dor.<br />

A Fundação Grünenthal (entidade privada sem fins<br />

lucrativos, cuj o "mecenas" são as empresas do grupo<br />

Grünenthal) tem vindo e vai continuar a desenvolver<br />

acções de formação em Dor. Até pela minha proximidade<br />

a este projecto (do qual muito me orgulho)<br />

seria hipócrita não o referir. Está aberto à partici-<br />

pação de Médicos, Enfermeiros e Farmacêuticos.<br />

Creio que <strong>2005</strong> está<br />

sobrecarregado, mas para 2006 (onde<br />

está prevista a participação de 1.000<br />

profissionais) seguramente haverá<br />

vagas.<br />

As Escolas de Enfermagem, sei estarem<br />

bastante activas em formação e<br />

mui to envolvidas na "arte de cuidar".<br />

Aliás a Enfermagem foi dos grupos<br />

profissionais que primeiro se interessou<br />

pelo desenvolvimento do tratamento<br />

da dor. O elevado número de<br />

iniciativas e o espaço aqui disponível,<br />

não permitem referência particular.<br />

Sem dúvida todas estas actividades,<br />

têm uma capacidade formativa limitada,<br />

mas são o "espelho da vontade"<br />

de contribuir para o "abate" da<br />

barreira da falta de formação em Dor.<br />

Como em tudo, se todos fizermos a<br />

nossa parte (quanto mais não seja por<br />

nós próprios ou pelos nossos ... um<br />

dia destes!) vamos poder trazer SOL<br />

(a cura não é ainda possível) à vida de<br />

milhares de doentes (e familiares) que<br />

acorrem aos nossos hospitais.<br />

A Semana Europeia de Luta Contra a<br />

Dor, tem este ano início a 17 de<br />

Outubro.<br />

Será seguramente muno " Bem-Vindo" o envolvimento<br />

e a colaboração dos Hospitais Portugueses<br />

nesta iniciativa. rm


DIÁRIO DA REPÚBLICA<br />

A GH dá-Lhe conta, mensalmente, da actividade Legislativa mais relevante. Desta vez, publicamos<br />

uma resenha que vai de 25 de julho a 12 de Setembro.<br />

Presidência do Conselho de Ministros<br />

Resolução do Conselho de Ministros n. 0 121/<strong>2005</strong> de 1 de Agosto<br />

Visa implementar a definição de orientações uniformes que fomentem o rigor e promovam<br />

a transparência da acção do Estado e dos titulares da gestão das entidades públicas empresariais<br />

e sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos, aplicando-se<br />

ainda estas medidas, com as devidas adaptações, aos institutos públicos<br />

Resolução do Conselho de Ministros n. 0<br />

124/<strong>2005</strong> de 4 de Agosto<br />

Determina a reestruturação da administração central do Estado, estabelecendo os seus objectivos,<br />

princípios, programas e m etodologia<br />

Resolução do Conselho de Ministros n. 0<br />

137 /<strong>2005</strong> de 17 de Agosto<br />

Determina a adopção do sistema de facturação electrónica pelos serviços e organismos da<br />

Administração Pública<br />

Ministério da Saúde<br />

Decreto Regulamentar n. 0 7 /<strong>2005</strong> de 1 O de Agosto<br />

Cria, em execução do Plano Nacional de Saúde, o Alto Comissariado da Saúde e extingue<br />

a Comissão Nacional de Luta contra a Sida, revogando os n<strong>º</strong>s 2 a 5 do artigo 2. 0 do Decreto-Lei<br />

n. 0 257/2001, de 22 de Setembro<br />

Decreto-Lei n. 0<br />

129/<strong>2005</strong> de 11 de Agosto<br />

Altera o Decreto-Lei n. 0 118/92, de 25 de Junho, que estabelece o regime de comparticipação<br />

do Estado no preço dos medicamentos<br />

Decreto-Lei n. 0<br />

134/<strong>2005</strong> de 16 de Agosto<br />

Estabelece o regime da venda de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das farmácias<br />

Portaria n. 0 710/<strong>2005</strong> de 23 de Agosto<br />

Fixa as vagas para a candidatura à matrícula e inscrição no ano lectivo de <strong>2005</strong>-2006 nos<br />

cursos de complemenw de formação científica e pedagógica e de qualificação para o exercício<br />

de outras funções educativas ministrados por estabelecimentos de ensino superior particular<br />

e cooperativo<br />

Portaria n. 0 709/<strong>2005</strong> de 23 de Agosto<br />

Autoriza o funcionamento do curso de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem<br />

de Saúde Infantil e Pediatria na Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny e aprova<br />

o respeccivo plano de estudos<br />

Portaria n. 0 708/<strong>2005</strong> de 23 de Agosto<br />

Autoriza a alteração do plano de estudos do curso bietápico de licenciatura em Cardiopneumologia<br />

ministrado pela Escola Superior de Saúde da C ruz Vermelha Portuguesa<br />

Portaria n. 0 707 /<strong>2005</strong> de 23 de Agosto<br />

Autoriza a alteração do plano de estudos do curso bietápico de licenciatura em Radiologia<br />

m inistrado pela E;scola Superior de Saúde da C ruz Vermelha Portuguesa<br />

Portaria n. 0 705/<strong>2005</strong> de 23 de Agosto<br />

Autoriza a alteração do plano de estudos do curso bietápico de licenciatura em Fisioterapia<br />

ministrado pela Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa<br />

Portaria n. 0 704/<strong>2005</strong> de 23 de Agosto<br />

Autoriza o Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares - Almada a conferir<br />

o grau de mestre na especialidade de Psicologia - Desenvolvimento Sensorial e Cognmvo<br />

Portaria n. 0 732/<strong>2005</strong> de 25 de Agosto<br />

Fixa as vagas para a candidatura à matrícula e inscrição no ano lectivo de <strong>2005</strong>-2006 nos<br />

cursos de pós-licenciatura de especialização em Enfermagem minisuados por estabelecimentos<br />

de ensino superior particular e cooperativo<br />

Roche<br />

Inovamos na Saúde<br />

Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social<br />

Decreto-Lei n. 0 125/<strong>2005</strong> de 3 de Agosto<br />

Suspende o regime de flexibilização da idade de acesso à pensão de reforma por antecipação,<br />

constante do n. 0 2 do artigo 23. 0 , do n. 0 2 do attigo 26. 0 e dos n<strong>º</strong>s 1 a 4 do artigo 3 8. 0 -A<br />

do Decreto-Lei n. 0 329/93, de 25 de Setem bro, na redacção em vigor, assim como revoga<br />

o regime de antecipação da idade da reforma para os trabalhadores desempregados, previsto<br />

no artigo 13. 0 do Decreto-Lei n. 0 84/2003, de 24 de Abril<br />

Decreto-Lei n. 0<br />

146/<strong>2005</strong>. de 26 de Agosto<br />

Altera o Decreto-Lei n.<strong>º</strong> 28/2004, de 4 de Fevereiro, que estabelece o novo regime jurídico<br />

de protecção social na eventualidad e doença no âmbito do subsistema previdencial de<br />

segurança social<br />

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior<br />

Portaria n. 0 609/<strong>2005</strong> de 25 de Julho<br />

Autoriza o Instituto Superior de Estud os Interculturais e Transdisciplinares - Viseu a conferir<br />

o grau de mestre na especialidade de Reabilitação Cognitiva<br />

Portaria n. 0 608/<strong>2005</strong> de 25 de Julho<br />

Autoriza o Instituto Superior Bissaya Barreto a co~ferir o grau de mestre na especialidade<br />

de Geronto logia Social<br />

Portaria n. 0<br />

607/<strong>2005</strong> de 25 de Julho<br />

Autoriza a alteração do plano de estudos do curso bietápico de licenciatura em Terapia da<br />

Fala ministrado pela Escola Superior de Saúde Egas Moniz<br />

Portaria n. 0 649/<strong>2005</strong> de 10 de Agosto<br />

Altera o plan o de estudos do curso de complemento de formação em Enfermagem minis-<br />

-rradcrpel:rEsrnt:í"'S rior de Enfermagem de Bissaya Barrew<br />

ESCOli\ r ' i>~rtaria·~ri;0 ~4sdoo5 de 10 de Agosto<br />

SA ')r' Autoriza'a'alteração d3 plano de estudos do curso de licenciatura em Educação Física, Saúde<br />

>---- e Desporto mi'ms fãéfc pelo Instituto Superior de C iências da Saúde - Sul<br />

Portaria n. 0 68311f05 de 12 de Agosto<br />

f\ Fixa as vagas para a candidatura à matrícula e inscrição, no ano lectivo de <strong>2005</strong>-2006, nos<br />

cursos de comp lemen~o de formação em Enfermagem ministrados por estabelecimentos de<br />

ensino superior particular e cooperativo<br />

--<br />

,-.. r<br />

t 2 o . \ () 2o:J s-<br />

Ministérios da Economia e da Inovação e da Saúde<br />

Portaria n. 0 618-A/<strong>2005</strong> de 27 de Julho<br />

Actualiza os preços de medicamentos<br />

Ministérios das Financas e da Administracão Pública e da<br />

Saúde , ,<br />

Portaria n. 0 639/<strong>2005</strong> de 4 de Agosto<br />

Aprova o q uadro de pessoal transitório do Instituto da Droga e da Toxicodependência<br />

Portaria n. 0 812/<strong>2005</strong> de 12 de Setembro<br />

Autoriza a celebração de contrato de prestação de serviços de conferên cia de im pressos do<br />

SNS - receituário médico e requisições de meios auxiliares de diagnóstico, através da digitalização<br />

dos respectivos códigos de barras<br />

Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações<br />

Portaria n. 0 747/<strong>2005</strong> de 29 de Agosto<br />

Estabelece as regras de obtenção do cerrificado que atesta os conhecimentos profissionais<br />

para o exercício da actividade de prestação de serviços com veículos pronto-socorro<br />

Assembleia da República<br />

Lei n. 0 39-A/<strong>2005</strong> de 29 de Julho<br />

Primeira alteração à Lei n. 0 55-B/2004 , de 30 de Dezem bro (Orçam ento do Estado para<br />

<strong>2005</strong>)<br />

Lei n. 0 44/<strong>2005</strong> de 29 de Agosto<br />

Lei das associações de defesa dos utentes de saúde<br />

Lei n. 0 43/<strong>2005</strong> de 29 de Agosto<br />

Determina a não contagem do tempo de serviço para efeitos d e progressão nas carreiras e<br />

o congelamento do montante de todos os suplementos remuneratórios de todos os funcionários,<br />

agentes e demais servidores do Estado até 3 1 de Dezembro de 2006<br />

Lei n. 0<br />

51/<strong>2005</strong> de 30 de Agosto<br />

Estabelece regras para as nomeações dos altos cargos dirigentes da Administração Pública


MSD Dedicamos<br />

a nossa vida<br />

a melhorar a sua<br />

Merck Sharp & Dohme<br />

Qta. da Fonte Edif. Vasco da Gama, 19<br />

P.O. Box 214<br />

2770-192 Paço D' Arcos<br />

www.msd.pt<br />

• un1vad1S.pt<br />

medicina e multo mais

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!