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Revista Apólice #222

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Ano 22<br />

Número 222<br />

Junho 2017


editorial<br />

Ano 22 - nº 222<br />

Junho 2017<br />

Esta revista é uma<br />

publicação independente<br />

da Correcta Editora Ltda<br />

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Tiragem:<br />

15.000 exemplares<br />

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Periodicidade:<br />

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Os artigos assinados são de responsabilidade<br />

exclusiva de seus autores, não<br />

representando, necessariamente, a<br />

opinião desta revista.<br />

A procura de novos<br />

consumidores<br />

Neste período de incertezas políticas e econômicas, o mercado<br />

de seguros brasileiro busca alternativas para continuar no<br />

caminho do crescimento. Há muito se fala que as pequenas empresas<br />

são um nicho muito lucrativo.<br />

Entretanto, enquanto a carteira de automóveis proporcionava<br />

ganhos rápidos, os corretores de seguros e as seguradoras iam<br />

deixando de lado este público. A mesma coisa acontecia na carteira<br />

de saúde. Enquanto a economia vivia um período de pleno<br />

emprego, não se comercializa muitos produtos para as empresas<br />

de menor porte porque era muito “trabalhoso” para um resultado<br />

pequeno.<br />

Muito bem, agora, são as PME´s que representam quase que<br />

uma tábua de salvação para algumas carteiras do mercado. Elas<br />

representam 98,5% das empresas brasileiras, sendo mais de 5<br />

milhões de clientes potenciais. A crise para elas também é latente,<br />

mas as oportunidades de proteção são muitas, pois elas não<br />

possuem a cultura do seguro.<br />

Neste momento mais difícil, cabe ao setor (tanto corretores<br />

quanto seguradores) trabalhar para disseminar uma cultura de<br />

proteção neste setor. Os empresários precisam saber que existe<br />

a possibilidade de garantir seu patrimônio e quanto isso custa. O<br />

investimento inicial, principalmente de tempo, pode ser alto, mas<br />

os resultados futuros certamente serão recompensadores.<br />

Boa leitura!<br />

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<strong>Revista</strong> <strong>Apólice</strong><br />

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Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br<br />

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sumário<br />

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painel<br />

gente<br />

ituran<br />

Multinacional israelense firma parceria com mais uma grande seguradora<br />

e quer ampliar presença no Rio Grande do Sul<br />

especial PME<br />

abertura<br />

As pequenas empresas foram prejudicadas pela recessão econômica<br />

em 2016, mas elas ainda formam o maior público potencial para o<br />

mercado de seguros<br />

caixa<br />

Caixa Odonto aposta em nicho para ampliar seus beneficiários. Expectativa<br />

da companhia é crescer 25% no segmento em 2017<br />

argo<br />

Cobertura do seguro de RC Profissional passou a ser oferecida de forma<br />

digital para 14 novas atividades e pode ser adquirida por pessoa física<br />

ou jurídica<br />

saúde<br />

Os pequenos empresários querem oferecer a seus talentos uma boa<br />

cesta de benefícios, mas precisam encontrar medidas para desonerar<br />

a folha de pagamento<br />

odonto<br />

Operadoras apostam que empresas de menor porte possam oferecer este<br />

produto como uma pequena amostra do poder de retenção dos benefícios<br />

patrimonial<br />

O sucesso do pequeno e médio empreendimento depende de uma<br />

gestão de risco responsável e o seguro é um componente fundamental<br />

para a solidez do negócio<br />

frotas<br />

Contratar um produto para cada veículo pesa quando as empresas<br />

utilizam carros em sua atividade. A alternativa oferecida é o seguro<br />

para pequenas frotas<br />

responsabilidade civil<br />

Aumenta a conscientização e a procura por coberturas para mitigar<br />

danos causados por erros humanos no exercício de diversas profissões<br />

vida e previdência<br />

Dois novos produtos entram no radar dos empresários que desejam<br />

reduzir os custos e, sobretudo, atrair e manter bons profissionais dentro<br />

de suas companhias<br />

corretores<br />

Os donos das PME’s geralmente são os responsáveis pela contratação<br />

do seguro, facilitando a relação com o corretor<br />

evento<br />

8º Simpósio Paranaense: os consumidores mudaram, o mercado se<br />

movimenta o tempo todo e os corretores de seguros precisam acompanhar<br />

a nova realidade<br />

comunicação<br />

4


5


painel • n legislação<br />

• nesporte<br />

Atletas protegidos<br />

A Sompo Seguros lançou o Seguro Atleta, um<br />

produto de vida especialmente desenvolvido para<br />

atender às necessidades específicas dos jogadores de<br />

futebol em atuação no Brasil.<br />

O novo produto pode ser contratado por clubes<br />

de futebol ou investidores e inclui coberturas que<br />

preveem até mesmo as situações inesperadas que,<br />

eventualmente, coloquem a carreira do jogador em<br />

risco.<br />

Além de considerar todas as coberturas previstas<br />

pela Lei Pelé (Lei 9.615/1998), a novidade foi estruturada<br />

para que sua contratação seja efetuada de forma<br />

totalmente desburocratizada, o que agiliza o processo<br />

de gestão do benefício por parte dos clubes. Entre os<br />

benefícios do produto está a cobertura por invalidez<br />

total por acidente, especial para atletas profissionais.<br />

O produto também conta com serviços de assistência<br />

24 horas diferenciados para esse público.<br />

Seguro auto poderá cobrir danos por<br />

vandalismo<br />

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou proposta que<br />

torna obrigatória nos seguros de automóveis a cobertura de danos<br />

causados por eventos da natureza, como enchentes e quedas de árvore,<br />

e por manifestações sociais, como motins e atos de vandalismo, das<br />

quais o segurado não participe. A proposição inclui a garantia no<br />

Código Civil (Lei 10.406/02), na parte que trata do seguro de dano.<br />

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo deputado<br />

Antônio Jácome (PTN-RN), aos projetos de lei 4388/16, do deputado<br />

Wilson Filho (PTB-PB), e 4549/16, do deputado Dr. Jorge Silva (PHS-<br />

-ES), que tramitam em conjunto e tratam do assunto. O substitutivo<br />

reúne o conteúdo das duas propostas.<br />

Jácome defendeu a matéria com o argumento de que a legislação<br />

atual apenas estabelece regras gerais sobre o assunto, abrindo brechas<br />

que permitem a não cobertura de danos causados por vandalismo ou<br />

tempestades, por exemplo.<br />

A matéria tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada<br />

pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça<br />

e de Cidadania, na Câmara dos Deputados.<br />

• nsetor<br />

Crescimento de 200% nos últimos<br />

dez anos<br />

Somente em 2016, o setor de seguros faturou o montante<br />

de R$ 132 bilhões. Há dez anos, o valor acumulado era de R$<br />

44 bilhões, representando um crescimento de 200% durante o<br />

período.<br />

De acordo com o levantamento realizado pelo Sincor-SP, no<br />

período, o Índice Geral de Preços (IGPM) cresceu 89%; o Índice<br />

Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 82%; o dólar<br />

comercial, 60%. “Ou seja, o mercado de seguros brasileiro superou<br />

com folga esses indicadores”, declara.<br />

O estudo ainda aponta que o aumento não foi uniforme, já<br />

que o seguro saúde cresceu 295%, o seguro de pessoas avançou<br />

264%, enquanto que o seguro de automóvel variou 144%.<br />

6


• ntransportes<br />

Rio de Janeiro vê crescer roubo de<br />

cargas<br />

De acordo com relatório do Intituto British Standards, o roubo<br />

de cargas no continente americano alcançou novos níveis em 2016.<br />

A cadeia de suprimentos nas Américas passou por uma ampla<br />

gama de riscos relacionados à segurança, responsabilidade social<br />

corporativa e problemas de continuidade dos negócios no último<br />

ano. O roubo de cargas continua sendo a principal preocupação<br />

nesse continente. O maior aumento de ocorrências desses roubos<br />

aconteceu no Rio de<br />

Janeiro. O estado,<br />

que ocupava a segunda<br />

posição nesse<br />

índice, reportou um<br />

total de mais de 9<br />

mil roubos de carga<br />

em 2016, 36% mais<br />

incidentes que os<br />

registrados em 2015.<br />

O crescimento de<br />

um ano para o outro<br />

no estado fluminense, combinado com o que o relatório chama de<br />

“esforços mínimos para conter as taxas de roubos”, sugere que o<br />

roubo de cargas poderá aumentar em 2017.<br />

• nauto<br />

Aliro chega para vender seguro auto<br />

mais barato<br />

A Liberty Seguros viabilizará uma nova marca de seguro para<br />

automóveis nos próximos meses.<br />

O nome escolhido foi Aliro Seguro e a ideia é buscar atender<br />

pessoas que queiram seguros mais simplificados por preço mais acessível.<br />

A seguradora no Brasil se baseou em pesquisa que indicou que,<br />

após a crise, a parcela que adotou produtos e serviços menos caros,<br />

pretende continuar com eles.<br />

“São consumidores que<br />

não abrem mão da qualidade<br />

ao contratar um produto e o<br />

nosso objetivo com a nova<br />

marca é oferecer um seguro<br />

auto descomplicado”, diz Carlos<br />

Magnarelli, CEO da seguradora<br />

no Brasil.<br />

Não há risco de canibalização<br />

da marca mais tradicional,<br />

segundo o executivo. “Cada<br />

uma das marcas possui o seu<br />

próprio público-alvo”, afirma<br />

Magnarelli.<br />

• naudiência pública<br />

Corretores em Brasília<br />

A Comissão de Finanças e Tributação, em Brasília, foi<br />

tomada por corretores de seguros no dia 25 de maio. A<br />

razão foi uma audiência pública que debateu a situação<br />

da Youse no mercado de seguros.<br />

Há a alegação de que a empresa, que faz parte da<br />

Caixa Seguradora, seria ilegal por promover a venda<br />

de seguros totalmente online, sem mediação de um<br />

corretor de seguros. Os profissionais da corretagem<br />

reclamam que a companhia, além de não ser uma<br />

seguradora, estaria vendendo a ideia de que o corretor<br />

é dispensável.<br />

Eles afirmam ainda que, no início, a Youse nem<br />

divulgava que era da Caixa e que os planos são mais<br />

baratos porque oferecem poucas coberturas.<br />

Do outro lado, o representante da Caixa Seguridade<br />

Participações foi o diretor Paulo Eduardo Cabral Furtado,<br />

que afirmou que a Youse é apenas uma plataforma. “As<br />

grandes empresas estão indo para plataformas digitais.<br />

O e-commerce é uma realidade há muito tempo. A<br />

área de serviços começa a se deslocar também para<br />

estas plataformas. Nós tomamos a decisão estratégica<br />

de vender seguros na internet. Criamos a arca Youse,<br />

que é uma plataforma de vendas da Caixa Seguradora.”<br />

O corretor de seguros Edmar Fornazzari, que esteve<br />

em Brasília, ressaltou o não comparecimento da<br />

alta cúpula da Youse para prestar os esclarecimentos<br />

necessários. “Estavam apenas os diretores que, infelizmente,<br />

não tinham embasamento ou poder para<br />

responder as perguntas que foram colocadas”, pontuou.<br />

Mesmo assim, ele afirma que a ida até a capital do País<br />

foi bastante proveitosa. “Na realidade, eles não têm<br />

autorização para fazer o que estão fazendo. Mesmo<br />

assim, nós agradecemos ao diretor da Youse por ter<br />

comparecido e recebido todas as perguntas. Acredito<br />

que nós, com essa primeira ação, vamos ter bastante<br />

êxito nessa questão”, apostou Edmar.<br />

7


painel<br />

• ncorretores<br />

Susep aprova recadastramento<br />

O Conselho Diretor da Susep aprovou o recadastramento dos<br />

corretores de seguros, capitalização e previdência complementar<br />

aberta, pessoas físicas e jurídicas, visando atualizar a base de<br />

dados cadastrais dos corretores de seguros, além de aumentar a<br />

segurança das informações.<br />

O recadastramento será realizado em parceria com o órgão<br />

auxiliar da autarquia, o Instituto Brasileiro de Autorregulação do<br />

Mercado de Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização<br />

e de Previdência Complementar Aberta – Ibracor.<br />

Os corretores de seguros e as sociedades corretoras deverão<br />

se recadastrar por meio de solicitação específica gerada no site<br />

da autarquia, informando seus dados e anexando os documentos<br />

necessários.<br />

Os períodos fixados para cumprimento do recadastramento<br />

vão de 1º de junho a 30 de setembro para pessoas físicas e de 1º<br />

de dezembro de 2017 a 30 de maio de 2018 para pessoas jurídicas.<br />

Diferentemente de recadastramentos anteriores, não haverá<br />

dispensa para corretores registrados recentemente. A decisão da<br />

autarquia levou em conta recente aperfeiçoamento do sistema<br />

informatizado por meio do qual são recebidos e processados os<br />

pedidos dos corretores, o qual passou a contar com uma série de<br />

regras de validação inexistentes na versão anterior.<br />

Os corretores de seguros e as sociedades corretoras que não<br />

efetuarem o recadastramento dentro do prazo estipulado terão seus<br />

respectivos registros suspensos e ficarão impedidos de intermediar<br />

negócios de seguros, capitalização e previdência complementar<br />

aberta, até a regularização de seus respectivos cadastros.<br />

Também foi aprovada a emissão e distribuição das carteiras<br />

de identidade profissional de corretores de seguros, demanda<br />

antiga e esperada pelos profissionais que atuam no segmento,<br />

pessoas físicas.<br />

O pressuposto para a expedição da carteira de identidade<br />

profissional, nas condições estipuladas no normativo próprio, é<br />

o deferimento do pedido de recadastramento, conforme regulamentado<br />

pela Autarquia.<br />

• ¢ varejo<br />

Transferência de carteira<br />

As seguradoras AIG Brasil e Assurant fecharam<br />

um acordo para a transferência das carteiras<br />

de varejo. Estão inclusos os seguros de Garantia<br />

Estendida Original, Danos Acidentais e Roubo ou<br />

Furto Qualificado de Bens. A Assurant assumirá as<br />

operações neste segmento assim que ocorram<br />

as devidas aprovações legais pelo Conselho<br />

Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e,<br />

posteriormente, pela SUSEP.<br />

Até que essas aprovações finais sejam concedidas,<br />

a AIG continuará administrando e operando<br />

os produtos normalmente; sem qualquer<br />

alteração que venha a impactar os parceiros de<br />

negócios ou os clientes finais que possuam apólices<br />

da companhia dos produtos em questão.<br />

O valor da transação não será divulgado por<br />

questões de confidencialidade.<br />

8


• nsaúde<br />

Ameplan se torna operadora de grande porte<br />

No ano em que comemora os seus<br />

25 anos de existência, a Ameplan Saúde<br />

está comemorando também a sua transição<br />

numérica de empresa de médio para<br />

grande porte.<br />

Esta evolução implica em responsabilidades<br />

maiores, o que não parece incomodar<br />

ou preocupar os colaboradores<br />

e gestores da operadora.<br />

Afinal, não se trata de uma obra do<br />

acaso, mas sim o resultado do trabalho<br />

sério e dedicado de um grupo de pessoas<br />

que tem sabido se organizar e focar a<br />

visão e a missão da empresa em<br />

total harmonia com o desejo de<br />

seu controlador.<br />

Não é o tamanho como objetivo,<br />

mas só vira grande quem<br />

faz as coisas certas (eficácia) e<br />

faz direito o que se propõe a fazer<br />

(eficiência), dentro de um mercado<br />

extremamente competitivo com serviços<br />

altamente sensíveis aos seus consumidores.<br />

Neste sentido, o que de melhor pode<br />

se abstrair desta transformação de média<br />

para grande é exatamente o atestado de<br />

que os meios estão corretos e tem tido<br />

eco na preferência dos consumidores. Em<br />

um mercado que retraiu 1,5 milhão de<br />

vidas nos últimos 12 meses, a Ameplan<br />

cresceu 15% no número de vidas e 25%<br />

em faturamento, no mesmo período.<br />

Se não for o mais expressivo significado<br />

desta transformação de média para<br />

grande, ele é, inquestionavelmente,<br />

de grande valor<br />

para os steakholders. Um<br />

atestado de que o serviço é<br />

bom e confiável. E para fortalecer<br />

a tese de um crescimento<br />

sólido e sustentável,<br />

a Ameplan Saúde publicou<br />

o seu balanço no Valor Econômico, no<br />

dia 31/03/2017.<br />

No comando estratégico da empresa<br />

deve haver mais concentração e maior<br />

vigor na condução operacional, pois<br />

sabidamente o interesse e acompanhamento<br />

da ANS – Agência Nacional de<br />

Saúde Suplementar será mais frequente<br />

e dedicado.<br />

Ninguém cresce sem antes ser<br />

pequeno ou médio. Ser grande traz desafios<br />

maiores e mais exigentes de cada<br />

colaborador do time. Mas, se eles foram<br />

capazes de construir uma empresa grande,<br />

sem dúvida alguma, serão capazes<br />

de dar mais corpo e musculatura para a<br />

mesma criatura.<br />

Os pilares que a conduziram até aqui<br />

continuarão sendo trabalhados com afinco,<br />

com muito carinho e dedicação, mas,<br />

outros já estão sendo preparados para<br />

suportar a expansão. O mais importante<br />

é a modernização nos sistemas de informações,<br />

bem como o foco na Excelência<br />

do Atendimento.<br />

9


GENTE<br />

Novos comandos<br />

Adalber Kupcinskas Alencar é o novo diretor<br />

de Personal Lines da Sompo Seguros. Com cerca<br />

de 30 anos de atuação nos segmentos de seguros e<br />

finanças, ele chega com o desafio de contribuir com o<br />

crescimento das carteiras de automóvel e residencial.<br />

A companhia contratou ainda Fabricio Miguel<br />

Cardozo, que passa a atuar como gerente da filial da<br />

em Blumenau. Ele chega para dar suporte às estratégias<br />

de crescimento da companhia no estado de<br />

Santa Catarina e de expansão das carteiras em áreas<br />

como as de seguros de automóvel, transportes, vida<br />

e patrimoniais.<br />

Promoção na<br />

diretoria de<br />

capitalização<br />

Márcio Coutinho Teixeira de<br />

Carvalho acaba de assumir o cargo de<br />

diretor de Capitalização da Capemisa. O<br />

executivo iniciou sua carreira na empresa<br />

em 2009, como gerente de Capitalização,<br />

Novos Negócios e Licitações, com o<br />

desafio de contribuir para a estruturação<br />

dessas áreas. Em 2015, Márcio foi promovido<br />

a Superintendente.<br />

Litígios e resolução de<br />

conflitos<br />

Expert em resolução de conflitos, com ênfase<br />

em litígios judiciais, arbitragens, negociações e<br />

mediações envolvendo temas de alta complexidade,<br />

além de especialização em seguros e resseguros,<br />

o advogado Felipe Bastos retorna ao Veirano<br />

Advogados. Com horizontes ampliados e novas<br />

experiências acumuladas, Felipe retoma sua trajetória<br />

no escritório onde iniciou sua carreira e atuou<br />

por cerca de 15 anos.<br />

Gerente na sucursal Sul<br />

Sidnei André é o novo gerente da sucursal Santa<br />

Catarina da Previsul Seguradora. “Nossa intenção é<br />

conquistar uma posição de destaque no mercado de<br />

seguros de vida e aumentar a participação no mercado<br />

com base no fortalecimento das parcerias com<br />

os corretores, nosso principal cliente”, afirma ele.<br />

Mudança na<br />

autarquia<br />

O advogado Marcelo Augusto<br />

Camacho Rocha é o novo diretor de<br />

Organização da Superintendência de<br />

Seguros Privados (Susep). Ele ocupava<br />

a chefia de Gabinete da autarquia desde<br />

2016. Rocha é advogado e antes atuava<br />

no setor Jurídico da Fenacor.<br />

Liderança na área de<br />

operações<br />

Com mais de 30 anos de experiência na área<br />

de Tecnologia & Operações e vivência em gestão<br />

de equipes em grandes corporações, Daniel Ramos<br />

é o novo diretor de operações da Tokio Marine.<br />

O executivo entrou na companhia em 2010.<br />

Ele ajudou a estruturação e implementação da<br />

área de Operações e Tecnologia da Informação.<br />

Desde então, atuou no gerenciamento de mais<br />

de 680 projetos e 800 iniciativas tecnológicas e<br />

operacionais.<br />

10


11


capa | ituran<br />

Conquistando o<br />

público e o mercado<br />

Pioneira em rastreamento<br />

com seguro, multinacional<br />

israelense firma parceria com<br />

mais uma grande seguradora<br />

e quer ampliar presença no<br />

Rio Grande do Sul<br />

Lívia Sousa<br />

12


Os rastreadores chegaram<br />

com o objetivo de garantir<br />

a segurança dos veículos<br />

de carga, até então os mais<br />

visados quando se trata de roubo e furto.<br />

Mas a tecnologia evoluiu, o mercado de<br />

rastreamento cresceu e os rastreadores<br />

propriamente ditos foram aperfeiçoados.<br />

Além de indicar a localização do veículo,<br />

agora esses equipamentos contam com o<br />

apoio do seguro.<br />

O conceito de rastreador com seguro<br />

surgiu para atender diretamente quem<br />

deseja proteger o automóvel de passeio,<br />

mas não consegue arcar com os prêmios<br />

cobrados pelas seguradoras em seus<br />

seguros compreensivos. Com o agravamento<br />

da crise econômica, o percentual<br />

de pessoas que fazem um seguro de<br />

automóvel completo reduziu. No entanto,<br />

muitas delas não abrem mão de adquirir<br />

uma proteção mais econômica, adequada<br />

às novas finanças, e que ao mesmo tempo<br />

supram suas necessidades. Não é para<br />

menos: somente no ano passado 57 carros<br />

foram roubados a cada hora no Brasil, de<br />

acordo com a Confederação Nacional das<br />

Seguradoras (CNseg). Por isso, uma parte<br />

considerável dos motoristas opta pelo Ituran<br />

com Seguro. “É uma solução ideal sob<br />

o ponto de vista de coberturas, qualidade e<br />

preço”, garante Roberto Posternak, diretor<br />

comercial da Ituran no Brasil.<br />

Com custo mensal a partir de R$<br />

69,90, o produto garante ao condutor<br />

indenização integral do valor do automóvel<br />

pela Tabela Fipe em caso de roubo<br />

e furto, além da assistência 24 horas.<br />

Também há a possibilidade de contratar<br />

coberturas adicionais contra terceiros e<br />

perda total por colisão. O produto está<br />

disponível para os modelos de veículos<br />

com valor de até R$ 150 mil e 20 anos de<br />

idade, além de ter aceitação para carros<br />

blindados, modificados, veículos com<br />

isenções fiscais (táxis, por exemplo) e<br />

para modalidades de carros utilizados<br />

por motoristas que operam por aplicativos<br />

como Uber, Cabify e 99POP. Outro<br />

atrativo é que não há a necessidade de<br />

avaliação de perfil do motorista para a<br />

precificação ou consulta aos órgãos de<br />

proteção ao consumidor.<br />

Parceria recente<br />

Pioneira no segmento, a empresa<br />

comercializa o Ituran com Seguro há<br />

cerca de oito anos, mas se esforçou para<br />

conquistar um mercado que até então<br />

desconhecia um produto nestes moldes.<br />

Posternak confirma que houve alguns<br />

entraves para a concepção do rastreador<br />

com seguro, mas prefere guardar o segredo<br />

do sucesso.<br />

O fato é que a ideia deu certo e a<br />

companhia adquiriu o know-how necessário<br />

para consolidar parcerias com<br />

grandes seguradoras. O acordo mais<br />

recente foi firmado com a HDI Seguros,<br />

que passou a integrar o portfólio de seguradoras<br />

parceiras da empresa ao lado da<br />

Cardif, Liberty Seguros, Mapfre Seguros<br />

e QBE Seguros. “A HDI é uma empresa<br />

reconhecida por ser digital e pelo excelente<br />

atendimento aos segurados. Tê-los<br />

juntos neste projeto reforça o quanto o<br />

produto faz sentido como solução para o<br />

mercado segurador”, justifica o diretor.<br />

A parceria foi anunciada em abril<br />

deste ano, mas as conversas com a seguradora<br />

se iniciaram ainda em 2016. Os<br />

primeiros resultados do acordo, segundo<br />

Posternak, estão acima do esperado,<br />

com feedbacks positivos de corretores<br />

e clientes e planos de ampliação da parceria,<br />

ofertando mais possibilidades aos<br />

corretores e segurados.<br />

Expansão no Rio Grande do Sul<br />

O eixo Rio-São Paulo foi, por 17<br />

anos, o local onde a Ituran concentrou<br />

seus esforços. A empresa começa a<br />

expandir presença em outros estados e<br />

Roberto Posternak, diretor comercial<br />

13


ituran<br />

❙❙Sede da Ituran, em São Paulo<br />

no momento foca no Rio Grande do Sul,<br />

local em que iniciou atuação por meio<br />

de parcerias com assessorias de seguros<br />

e onde a HDI Seguros tem forte atuação.<br />

“Alguns estudos mostraram que existe<br />

uma grande demanda pelos nossos produtos<br />

no estado. A parceria vai agregar e dar<br />

maior confiança ao Ituran com Seguro”,<br />

diz Roberto Posternak.<br />

A solução já é comercializada na<br />

região, sendo os corretores de seguros o<br />

principal canal de distribuição do produto.<br />

A oferta via corretor sempre foi<br />

destaque na empresa e o executivo afirma<br />

A Ituran no Brasil<br />

Multinacional israelense, a Ituran<br />

chegou ao mercado em 1994 e atua,<br />

além do seu país de origem, nos Estados<br />

Unidos, na Argentina e no Brasil. No<br />

mundo, conta com uma carteira de mais<br />

de um milhão de clientes. Em território<br />

nacional foi fundada em 2000, possui 1<br />

mil colaboradores espalhados por todo<br />

o país e 600 mil clientes ativos.<br />

14<br />

que a participação destes profissionais<br />

nas vendas aumenta a cada mês. “Ter<br />

esta solução no portfólio da corretora é<br />

uma necessidade latente para evitar perda<br />

de clientes. Os corretores identificaram<br />

o rastreamento com seguro como uma<br />

oportunidade para não perder negócios. É<br />

a famosa ‘carta na manga’”, diz o diretor.<br />

Com a entrada de forma mais expressiva<br />

no Estado, a companhia espera<br />

contribuir com os corretores da região<br />

para que possam aumentar suas receitas<br />

e fidelizar mais clientes em suas carteiras.<br />

“Não queremos ser a solução, mas<br />

sim mais uma oportunidade para evitar<br />

perdas de vendas.”<br />

Foco no digital<br />

Mais do que oferecer soluções adequadas,<br />

é preciso marcar presença na<br />

internet para atender clientes exigentes<br />

e conectados. Os canais digitais ganham<br />

cada vez mais importância e nos dias de<br />

hoje funcionam como o principal cartão<br />

de visita das companhias, uma vez que<br />

muitos consumidores buscam referências<br />

via portal, e isso vale também para<br />

as companhias que atuam em seguros.<br />

Ter um site que ofereça informações de<br />

Até dezembro de 2016, a Ituran Brasil<br />

havia ultrapassado a marca de 60 mil<br />

veículos recuperados – o equivalente à<br />

recuperação de um patrimônio de mais<br />

de R$ 2,8 bilhões. Durante todo o ano a<br />

companhia teve uma média mensal de<br />

800 eventos relacionados a roubo e furto,<br />

com mais de dez mil acionamentos<br />

recebidos pela central de atendimento.<br />

Rastreador para<br />

motos<br />

Em fevereiro deste ano, as coberturas<br />

do Ituran com Seguro foram<br />

ampliadas para as motocicletas. Motos<br />

de qualquer modelo agora podem<br />

contratar os serviços da empresa. A<br />

companhia trabalha com o rastreador<br />

para motos com vendas na Grande São<br />

Paulo, Campinas e Baixada Santista.<br />

maneira intuitiva, tanto aos consumidores<br />

quanto aos parceiros, aumenta as chances<br />

de uma venda bem sucedida.<br />

Assim como o mercado segurador,<br />

que está evoluindo nesse sentido e vem<br />

se adaptando aos dispositivos móveis, a<br />

Ituran entendeu bem o conceito e recentemente<br />

reformulou sua página na web.<br />

A nova versão do site priorizou a conectividade<br />

móvel do usuário, garantindo um<br />

ambiente leve e uma navegação mais prática<br />

e dinâmica. A empresa buscou acompanhar<br />

a tendência do design responsivo,<br />

que se adapta ao formato compatível com<br />

o aparelho utilizado pelo usuário (smartphones<br />

e tablets), permitindo integração<br />

e proporcionando uma experiência mais<br />

agradável durante a visita ao portal.<br />

“Nosso e-commerce, lançado há seis<br />

anos e pioneiro no conceito de compra<br />

online dentro do segmento, foi o foco<br />

da companhia para esse projeto. Com<br />

nova usabilidade e look and feel, esperamos<br />

um incremento na vendas online.<br />

O objetivo é facilitar o atendimento e a<br />

relação com o público”, revela Posternak.<br />

A página traz detalhes completos sobre<br />

produtos, pontos de instalação e outras<br />

facilidades, como a compra online dos<br />

serviços. Corretores e lojistas parceiros<br />

também contam com uma área restrita e<br />

criptografada para maior segurança.


15


especial PME | abertura<br />

9 milhões de clientes potenciais<br />

Apesar das pequenas empresas terem sido prejudicadas<br />

pela recessão econômica em 2016, elas ainda formam<br />

o maior público potencial para o mercado de seguros,<br />

principalmente por conta da baixa penetração neste nicho<br />

Apesar das altas taxas de juros<br />

e do aumento do desemprego,<br />

as Micro e Pequenas Empresas<br />

foram o nicho econômico<br />

que conseguiu manter-se ativo neste<br />

período conturbado. Mesmo com sua<br />

forte presença em todos os setores da economia,<br />

como construção civil, indústria,<br />

comércio e serviços, além dos pequenos<br />

produtores rurais, elas também sofreram<br />

efeitos da crise econômica.<br />

De acordo com dados do Serviço<br />

Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas<br />

Empresas - Sebrae, as micro e pequenas<br />

empresas representavam 27% do PIB brasileiro,<br />

em 2011. Elas são 98,5% das empresas<br />

privadas brasileiras. No entanto, a<br />

penetração do mercado de seguros neste<br />

representativo mercado ainda é muito<br />

pequena, não chegando a 5%, conforme<br />

executivos do setor.<br />

Em um momento em que a economia<br />

apresenta perfil recessivo, as seguradoras<br />

do mercado buscam neste filão de empresas<br />

novos consumidores. Ao contrário das<br />

grandes corporações, as PME´s têm poder<br />

de barganha menor e não pressionam<br />

Kelly Lubiato<br />

as seguradoras para baixar o preço. Por<br />

outro lado, elas estão aptas a consumir<br />

produtos de prateleira.<br />

Como a sua área de atuação é a<br />

mais diversa possível, as seguradoras e<br />

operadoras de planos de saúde e odontológicos<br />

começam a segmentar a oferta<br />

de produtos. Várias delas já lançaram no<br />

mercado produtos com foco em um ramo<br />

de atividade, como petshops e salões de<br />

cabeleireiros, por exemplo.<br />

O perfil do empreendedor está mais<br />

definido, segundo dados de uma pesquisa<br />

realizada pelo órgão. As mulheres já correspondem<br />

a 51% dos empreendedores<br />

iniciais, e está aumentando o número de<br />

pessoas com mais de 55 anos que se aventuram<br />

no mundo dos negócios, conforme<br />

aponta a pesquisa do Grupo Monitor<br />

Global do Empreendedorismo. De acordo<br />

com o estudo, em 2012, 7% dos empreendedores<br />

iniciais tinham mais de 55 anos.<br />

Em 2016, esse número saltou para 10%. Já<br />

a participação dos brasileiros empreendedores<br />

que têm entre 18 e 24 anos, passou de<br />

18%, em 2012, para 20%, em 2016.<br />

Segundo o presidente do Sebrae,<br />

Guilherme Afif Domingos, quem assume<br />

qualquer atividade privada deve<br />

estar ciente dos riscos que corre, porque<br />

empreender implica em correr riscos.<br />

“O lucro é o prêmio da eficácia de quem<br />

assume um risco”, disse. Cabe ao mercado<br />

de seguros auxiliar os empresários a<br />

mitigar estes riscos.<br />

É papel do Sebrae orientar o empreendedor,<br />

transmitindo a ele conceitos de<br />

educação financeira. Na edição de 2016,<br />

o GEM trouxe uma boa expectativa<br />

para o futuro: o empreendedorismo por<br />

oportunidade voltou a crescer. 75% dos<br />

empreendedores nascentes – aqueles que<br />

estão envolvidos com a abertura de uma<br />

empresa – estão buscando esse caminho<br />

porque encontraram um nicho de atuação.<br />

Houve uma ligeira melhora na proporção<br />

❙❙Guilherme Afif Domingos, do Sebrae<br />

Elza Fiuza - Agência Brasil<br />

16


❙❙Erick Santos, corretor de seguros<br />

de novos negócios por oportunidade. Foram<br />

57,4% em 2016, contra 56,5%, em 2015.<br />

“Com a lei da terceirização, o empreendedorismo<br />

deve aumentar bastante,<br />

porque trabalhando sem registro ele vai<br />

identificar novas oportunidades no mercado”,<br />

acredita Afif. A lei da terceirização<br />

vai ser muito utilizada como fornecedores<br />

do novo encadeamento produtivo<br />

desta nova cadeia digital.<br />

De qualquer forma, principalmente<br />

para os seguros de benefícios, o fato das<br />

PME´s representarem 54% das carteiras<br />

assinadas em 2015, de acordo com a Relação<br />

Anual de Informações Sociais, é um<br />

alento. Além disso, pela sua flexibilidade<br />

e rápido poder de decisão, elas são um<br />

nicho atraente para todas as carteiras.<br />

A palavra do corretor<br />

Se, por um lado, as seguradoras bradam<br />

aos quatro ventos que incentivam os<br />

corretores de seguros, com treinamento e<br />

remuneração, para comercializar produtos<br />

para as micro e pequenas empresas, na rua,<br />

o profissional não percebe esta motivação.<br />

O corretor de seguros Erick Santos<br />

sente que, algumas vezes, ao invés de<br />

incentivo, há certa pressão das seguradoras<br />

para a venda de outros produtos. “Se<br />

a seguradora tem um produto diferente,<br />

ela cobra que ele seja oferecido ao cliente.<br />

Nem sempre isso é possível”, lamenta.<br />

Outro problema é que, em alguns casos,<br />

os produtos oferecidos para as PME´s<br />

têm custo elevado. Pela experiência de<br />

Santos, as PME´s ainda dependem de<br />

um intenso trabalho de divulgação para<br />

conhecer o que o mercado de seguros<br />

pode oferecer de proteção.<br />

“Normalmente, nós temos que oferecer<br />

e mostrar os produtos que o mercado<br />

possui. Quando sou procurado por uma<br />

empresa, normalmente é porque ela já<br />

teve um sinistro e quer se resguardar para<br />

eventos futuros”, avalia Santos.<br />

Para ele, a lógica do preço também<br />

funciona nas micro e pequenas empresas.<br />

Entretanto, cabe ao corretor de seguros<br />

estar atento às necessidades deste nicho. Por<br />

exemplo, várias categorias de trabalhadores<br />

exigem o seguro de vida em sua Convenção<br />

Coletiva de Trabalho. “Qualquer padaria<br />

precisa deste produto. Neste caso, temos<br />

que aproveitar para ofertar novas proteções”,<br />

antecipa e garante: “o mercado de<br />

PME´s é grande e generoso”.<br />

17


especial PME | caixa<br />

Foco nas pequenas empresas<br />

para incrementar carteira<br />

Caixa Odonto aposta neste nicho para ampliar<br />

seus beneficiários. Expectativa da companhia é<br />

crescer 25% no segmento em 2017<br />

Com a crise que já afeta a economia<br />

brasileira há anos, muitas<br />

empresas acabam tendo que<br />

realizar demissões em larga<br />

escala. A prova disso é que desemprego<br />

nunca atingiu níveis tão altos por aqui.<br />

De acordo com o IBGE (instituto Brasileiro<br />

de Geografia e Estatística), são 14,2<br />

milhões de desempregados no primeiro<br />

trimestre de 2017. O número é 14,9%<br />

superior ao trimestre imediatamente<br />

anterior (outubro, novembro e dezembro<br />

de 2016) – o equivalente a 1,8 milhão de<br />

pessoas a mais desocupadas.<br />

A consequência de tantas demissões,<br />

que ocorrem em maior volume nas organizações<br />

de grande porte, está na perda<br />

de beneficiários por parte das operadoras<br />

de planos de saúde e odontológico, já que<br />

os produtos corporativos representam<br />

a maior parte do “share” das empresas<br />

comercializadoras desses serviços.<br />

Diante de tal realidade, o foco<br />

da Caixa Seguradora Odonto está nas<br />

PMEs – pequenas e médias empresas,<br />

que possuem entre duas e 199 vidas. “É<br />

uma estratégia que iniciou com a crise<br />

econômica e vai permanecer. Com as<br />

grandes demitindo ou pedindo recuperação<br />

judicial, o mercado focou em quem<br />

consegue manter relativa estabilidade”,<br />

afirma Júlio Cesar Felipe, CEO da Caixa<br />

Seguradora Odonto.<br />

De acordo com Felipe, a ideia da<br />

companhia é oferecer valores exclusivos<br />

para a empresa cliente com a contrapartida<br />

que a mesma custeie parte do benefício.<br />

“Este ano, queremos avançar 25%<br />

nessa área. Em 2016, o crescimento foi<br />

de 11% em relação ao anterior”, pontua.<br />

“Somos a quarta operadora do mercado<br />

e queremos ser a segunda nos próximos<br />

anos e o segmento de PMEs é funda-<br />

18<br />

mental para atingirmos esse objetivo”,<br />

complementa o CEO.<br />

Campanha para PMEs<br />

Com o objetivo de aproveitar essa<br />

lacuna no mercado e atingir a meta de<br />

vendas para este ano, a Caixa Seguradora<br />

Odonto iniciou uma nova campanha de<br />

incentivo de vendas específica para o<br />

segmento e destinada a corretores de todo<br />

o país. Além do comissionamento e agenciamento,<br />

são oferecidas bonificações<br />

que variam de R$ 50,00 a R$ 500,00. A<br />

iniciativa é válida até o mês de novembro.<br />

Para o executivo, os diferenciais<br />

do produto ofertado pela operadora são<br />

importantes aliados dos corretores para<br />

a concretização das vendas. “Isenção de<br />

pagamento aos dependentes com até três<br />

anos de idade, uso de aplicativo mobile<br />

para consulta de rede, envio de reembolso,<br />

carteirinha virtual, são alguns<br />

exemplos”, elenca. Segundo Felipe, o rol<br />

mínimo da ANS (Agência Nacional da<br />

Saúde Suplementar) já representa uma<br />

cobertura praticamente completa em relação<br />

aos procedimentos. Agregar serviços<br />

é estratégia de negócio bastante eficaz.<br />

Valores<br />

Atualmente, na opção PME da Caixa<br />

Seguradora Odonto, o valor para o funcionário<br />

fica a partir de R$ 18,97 e, além do<br />

preço competitivo, o titular do plano ainda<br />

recebe Assistência Residencial 24h com<br />

mais de 70 mil prestadores de serviços<br />

cadastrados e isenção de pagamento de<br />

crianças dependentes de 0 a 3 anos. São<br />

quatro opções disponíveis: Sigma (Rol<br />

mínimo da ANS), Beta (Sigma + 13 procedimentos),<br />

Alfa (Beta + documentação<br />

ortodôntica) e Delta (Alfa + próteses). Todos<br />

os planos possuem cobertura nacional,<br />

❙❙Júlio Cesar Felipe, CEO<br />

possibilitando assim um atendimento de<br />

qualidade onde o cliente estiver. Vale destacar<br />

que há isenção de carência para todos<br />

os procedimentos, exceto para contratos<br />

com até 29 vidas que terão carência de 180<br />

dias para procedimentos da especialidade<br />

Prótese do rol da ANS<br />

A empresa<br />

A Caixa Seguradora Odonto é uma<br />

das maiores operadoras de planos odontológicos<br />

do Brasil. Com mais de 20<br />

anos de experiência no segmento, a empresa<br />

oferece diversas opções de planos<br />

individuais e corporativos. Atualmente,<br />

a Caixa Seguradora Odonto conta com<br />

550 mil beneficiários, 7.500 pontos de<br />

atendimento e mais de 25 mil opções de<br />

atendimento em todo o Brasil. A empresa<br />

faz parte da Caixa Seguradora, uma união<br />

bem sucedida entre duas instituições:<br />

a CNP Assurances, líder do mercado<br />

francês em seguros de pessoas, e a Caixa<br />

Econômica Federal.<br />

www.odontoempresas.com.br


19


especial PME | argo seguros<br />

Protector Multiprofissionais<br />

completa um ano<br />

Cobertura do seguro de<br />

Responsabilidade Civil<br />

Profissional passou a<br />

ser oferecida de forma<br />

digital para 14 novas<br />

atividades e pode ser<br />

adquirida por pessoa<br />

física ou jurídica<br />

Pioneira no Brasil na comercialização<br />

de seguros online<br />

para cobrir riscos de médicos,<br />

dentistas, engenheiros, arquitetos,<br />

advogados, contadores, corretores<br />

de seguro e de imóveis, a Argo Seguros<br />

comemora o aniversário de um ano do<br />

produto Protector Multiprofissionais.<br />

Com ele, a cobertura do seguro de RC<br />

Profissional passou a ser oferecida de<br />

forma digital para 14 novas atividades e<br />

pode ser adquirido pela empresa (pessoa<br />

jurídica) ou para o próprio profissional<br />

(pessoa física).<br />

O seguro pode ser contratado em<br />

poucos minutos e com diversas formas<br />

de pagamentos. A emissão da apólice<br />

acontece em tempo real, com cobertura<br />

imediata ao segurado, que pode baixar o<br />

❙❙Gustavo Galrão, superintendente de Financial Lines & P&C<br />

20<br />

app e obter todas as informações sobre<br />

a apólice, bem como usufruir da Central<br />

de Benefícios, que provê descontos de<br />

produtos e serviços das maiores empresas<br />

de e-commerce.<br />

“Estamos sempre trabalhando para<br />

melhorar as nossas ofertas de produtos e<br />

serviços, e este, sem dúvida, é um produto<br />

que confere muita flexibilidade para o corretor<br />

atuar devido à sua abrangência”, afirma<br />

Gustavo Galrão, superintendente de<br />

Financial Lines & P&C da Argo Seguros.<br />

O Protector Multiprofissionais está<br />

disponível para as atividades de Notários<br />

Públicos e Registradores; Publicidade<br />

e Marketing; Empresas e Profissionais<br />

de Turismo; Consultoria de RH e Head<br />

Hunter; Certificação Digital; Postos de<br />

Combustível; Áudio, Vídeo e Fotografia;<br />

Vistoria Veicular (ECV); Produção de<br />

Eventos e Entretenimento; Jardinagem e<br />

Design de Interiores; Instituição de Ensino<br />

e Professores; Síndico e Administradora<br />

de Condomínio; Empresas e Profissionais<br />

de Tecnologia; e Salão de Beleza.<br />

Com cobertura ampla – característica<br />

comum entre todos os produtos de<br />

RC Profissional oferecidos através do<br />

Protector - inclui despesas de defesa em<br />

todas as esferas, acordos e indenizações.<br />

Adicionalmente, dentro do Protector<br />

Multiprofissionais, o seguro ainda contempla<br />

de forma automática<br />

coberturas para “Danos à<br />

Reputação”; “Custos Emergenciais”;<br />

“Calúnia, Injúria<br />

e Difamação”; “Danos a<br />

Documentos de Clientes” e<br />

“Atos Intencionais de Colaboradores”.<br />

Especialmente para<br />

o segurado, foi desenvolvida<br />

ainda uma “Sala de<br />

Emergência”, um serviço de<br />

atendimento diferenciado e<br />

exclusivo, onde uma equipe<br />

de especialistas o auxilia em<br />

caso de eventuais dúvidas<br />

❙❙Roberto Uhl, gerente de Canais Digitais<br />

sobre casos relacionados à sua atividade<br />

profissional, mesmo que não tenha relação<br />

direta com o objeto do seguro.<br />

Já para o corretor de seguros, o<br />

Multiprofissionais conta com diversas<br />

funcionalidades que facilitam sua comercialização,<br />

como sites e materiais de<br />

vendas personalizados, Leads, app móvel,<br />

cotações, entre outras. “As vendas geram<br />

pontuação no Clube Protector, que pode<br />

ser trocada por produtos e serviços. Já<br />

pela Central do Corretor Protector, os<br />

corretores podem fazer a gestão da sua<br />

carteira, bem como obter outras informações<br />

da seguradora”, destaca Roberto<br />

Uhl, gerente de Canais Digitais da Argo<br />

Seguros.<br />

Todo esse investimento em inovação<br />

digital possibilitou que a seguradora pulasse<br />

de 5ª para 2ª colocação no ranking<br />

Susep de maior seguradora de RC Profissional<br />

do mercado brasileiro, em 2016.<br />

Atualmente, o Protector possui mais de 52<br />

mil segurados ativos e presença em 3.700<br />

cidades de todos os Estados, o que consolida<br />

sua posição de destaque no mercado.<br />

O corretor que desejar mais informações<br />

sobre o Protector e os produtos<br />

disponíveis pode acessar a página<br />

“Corretores Protector” no Facebook; o<br />

canal “Argo Protector” no YouTube ou<br />

o endereço blog.argo-protector.com.br,<br />

na internet.


21


especial PME | saúde<br />

Coparticipação<br />

garante a saúde<br />

das PMEs<br />

Os pequenos empresários querem oferecer a seus<br />

talentos uma boa cesta de benefícios, mas precisam<br />

encontrar medidas para desonerar a folha de pagamento<br />

Amanda Cruz<br />

22


A<br />

precariedade do atendimento<br />

na rede pública de saúde é o<br />

que faz os brasileiros sonharem<br />

com a saúde suplementar.<br />

Embora o setor privado também passe<br />

por algumas dificuldades e venha perdendo<br />

beneficiários, uma pesquisa feita<br />

pelo Ibope, em parceria com o Instituto<br />

de Estudos da Saúde Suplementar – IESS,<br />

mostrou que entre os não-beneficiários<br />

86% dos entrevistados afirmam que valorizam<br />

esse tipo de produto.<br />

Com a disponibilidade de planos individuais<br />

cada vez menor, o caminho para<br />

alcançar esse sonho passa pelos postos<br />

de trabalho. Empresas que oferecem o<br />

plano de saúde a seus funcionários têm<br />

melhor engajamento no trabalho e, se nas<br />

grandes empresas esse item é quase que<br />

obrigatório, nas PMEs eles começam a<br />

seguir a mesma trilha.<br />

As seguradoras e operadoras de<br />

saúde, portanto, procuram atingir as<br />

particularidades desses clientes: “eles<br />

procuram valores menores com redução<br />

de carências”, conta Valmir Gomes, gerente<br />

Comercial da Plena Saúde. O executivo<br />

acrescenta que entre as principais<br />

dificuldades encontradas nesses clientes<br />

está a preocupação com os reajustes.<br />

“Eles sabem que o reajuste será feito de<br />

acordo com a sinistralidade do contrato<br />

e isso gera apreensão”, completa. Laureci<br />

Zeviani, diretor Comercial da Ameplan,<br />

percebe o mesmo tipo de limitação. “Fica<br />

muito evidenciada a necessidade premente<br />

por redução de custos. Eles buscam<br />

medidas que visem reduzir custos para<br />

manter seus negócios e ganhar competitividade”,<br />

explica.<br />

Outro ponto levantado por Marco<br />

Antonio Ferreira, diretor Corporativo<br />

da Amil, é a questão do absenteísmo.<br />

Muitas vezes, quando o funcionário tem<br />

um plano de saúde, o acesso mais fácil<br />

às consultas e atendimento de pronto-<br />

-socorro acaba por aumentar as faltas.<br />

“Por contar com equipes enxutas, elas<br />

sofrem mais esse impacto. Dispondo também<br />

de menos recursos financeiros, esse<br />

segmento demanda ainda mais soluções<br />

que proporcionem mais qualidade na assistência<br />

e solubilidade nos tratamentos,<br />

a preços mais acessíveis”, opina.<br />

O interesse nessas pequenas gigantes<br />

é evidenciado pelas companhias,<br />

que cada vez mais fazem propagandas,<br />

lançam produtos e reservam até mesmo<br />

equipes inteiras para lidar com este nicho.<br />

Juntas, essas empresas são fortes representando,<br />

de acordo com informações de<br />

2015 do Serviço Brasileiro de Apoio às<br />

Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE,<br />

27% do PIB brasileiro.<br />

Mesmo com essa participação, as<br />

pequenas e micro empresas são as mais<br />

afetadas pela recente crise que assolou o<br />

País. Elas trabalham diretamente com o<br />

consumidor final e muitas são oriundas da<br />

necessidade desses empreendedores de<br />

voltar ao mercado de trabalho. Pode não<br />

parecer uma boa ideia abrir um negócios<br />

em tempos de crise, mas a recessão leva<br />

à falta de emprego e essa carência leva<br />

as pessoas a buscarem alternativas que,<br />

algumas vezes, só encontram no empreendedorismo.<br />

Para as companhias de saúde, a crise<br />

veio para reafirmar o interesse nos planos<br />

e mostrar o que as pessoas fazem questão<br />

de ter mesmo em tempos difíceis. “Todas<br />

as empresas estão no mesmo cenário e<br />

com as mesmas dificuldades para conduzir<br />

seus negócios. Nesse sentido, os<br />

pequenos e micro empresários têm nos<br />

procurado para poder manter os benefícios”,<br />

afirma Zeviani. Para a Plena Saúde,<br />

a relação com as PMEs também é muito<br />

boa e melhorou nos últimos tempos: sem<br />

contratos cancelados. “Os clientes PMEs<br />

são de extrema importância para a operadora.<br />

Com eles nós atingimos o equilíbrio<br />

❙❙Marco Antonio Ferreira, da Amil<br />

❙❙Laureci Zeviani, da Ameplan<br />

na carteira”, afirma Gomes.<br />

Buscar soluções que sejam capazes<br />

de reter funcionários, não onerar a folha<br />

de pagamento, com atendimento satisfatório<br />

e que não incentivar o absenteísmo.<br />

Esta é uma equação difícil de resolver,<br />

mas é uma exigência dos clientes e um<br />

desafio para as operadoras entregarem.<br />

Coparticipação<br />

Há quem diga que mexer no bolso é<br />

um dos melhores caminhos para o aprendizado.<br />

A oferta do plano de saúde pode<br />

ser, ao mesmo tempo, um benefício e uma<br />

ferramenta de conscientização para os<br />

colaboradores. PMEs têm uma característica<br />

que, embora não seja uma unanimidade,<br />

pode ser vista em muitas situações:<br />

as equipes pequenas proporcionam mais<br />

proximidade entre os diferentes níveis<br />

hierárquicos das empresas. Isso faz com<br />

que a comunicação seja facilitada e fique<br />

um pouco menos vertical.<br />

Os corretores entram justamente<br />

nessa fase, uma vez que os empresários<br />

não explicam os motivos para implementar<br />

um plano deste, ao invés de outro, ou<br />

falam sobre as coberturas disponíveis.<br />

Em tempos de vendas cada vez mais<br />

consultivas, não raro corretores que lidam<br />

com PME’s se disponibilizam para<br />

esclarecer não só aos donos, mas também<br />

aos funcionários, qual o papel de cada um<br />

dentro desse benefício.<br />

Nesse contexto, é mais fácil explicar<br />

aos funcionários a situação da empresa<br />

e propor planos de coparticipação. Eles<br />

23


saúde<br />

Microempreendedor<br />

Em outubro de 2016, a Agência<br />

Nacional de Saúde Suplementar (ANS)<br />

discutiu medidas para oferecer ao<br />

Microempreendedor Individual (MEI)<br />

planos de saúde coletivos.<br />

De acordo com a reguladora, os<br />

planos para microempreendedores<br />

atingem preços aproximadamente<br />

35% menores que os planos individuais<br />

e essa é uma das vantagens mais<br />

visadas: o custo-benefício.<br />

continuam assistidos pela saúde suplementar.<br />

Além disso, a folha de pagamento<br />

não fica tão pesada, ajudando a empresa<br />

a manter-se.<br />

Neste sistema, o funcionário colabora<br />

com dinheiro a cada evento, o que o faz<br />

perceber o custo do plano e o torna mais<br />

comedido..As empresas já procuram essa<br />

modalidade, é o que afirmam os entrevistados.<br />

“Verificamos uma demanda<br />

maior por produtos com o mecanismo<br />

de coparticipação. Empresas de todos<br />

os portes podem contratar esse plano.<br />

Trata-se de um importante mecanismo<br />

de incentivo ao uso mais consciente do<br />

plano, resultando no combate ao desperdício”,<br />

comenta Ferreira, da Amil.<br />

Mas a medida é o equilíbrio. A oferta<br />

do planos de saúde ainda deve ser um<br />

benefício, pois a coparticipação não deve<br />

vir como um fardo para os funcionários.<br />

É preciso que a comunicação seja clara<br />

dentro da empresa e que seja possível que<br />

o funcionário saiba que, mesmo pagando,<br />

está tendo uma vantagem. Para combater<br />

cobranças excessivas, a ANS anunciou<br />

em março deste ano que deverá criar<br />

normativas para limitar em até 40%<br />

o valor a ser pago pelos funcionários.<br />

Há também planos de criar novas três<br />

de convênios com franquia. A Agência<br />

afirma que 50% dos beneficiários têm<br />

algum tipo de participação ou franquia.<br />

Essa proposta também impediria a cobrança<br />

para procedimentos preventivos<br />

e de doenças crônicas.<br />

É importante lembrar que a utilização<br />

do plano deve ser feita e não inibida, o que<br />

deve ser contido é o abuso. A linha não é<br />

assim tão tênue e incentivar o funcionário<br />

a fazer exames preventivos e manter a<br />

saúde em dia, além de ajudá-lo a ficar mais<br />

saudável e motivado, acaba fazendo com<br />

que ele não recorra a procedimentos mais<br />

complexos, e mais caros, em hospitais.<br />

A mais cobiçada<br />

Foco. Essa é a palavra que as companhias<br />

do setor de saúde usam para as<br />

PME’s. Estão todos investindo nesses<br />

clientes e a concorrência acirrada fará<br />

com que os produtos fiquem cada vez<br />

mais complexos e abrangentes. “Trata-se<br />

de uma segmentação importante, onde<br />

se configura um mercado de concorrência<br />

perfeita, considerando que todos<br />

os agentes que ofertam plano de saúde<br />

estão também nesse segmento. Inclusive<br />

as seguradoras”, observa Laureci Zeviani.<br />

Os planos para PME variam entre<br />

2 e 199 vidas, alguns oferecem planos<br />

odontológicos, outros têm diferenciação<br />

de preço, coberturas mais flexíveis. Todos<br />

têm em comum a visão da necessidade<br />

de diminuir custos. As operadoras e seguradoras<br />

já perceberam que os planos<br />

voltados às PME’s não devem ser versões<br />

menores do que se via no mercado para<br />

Como funciona a<br />

coparticipação:<br />

A coparticipação é um valor pago<br />

à parte, pelo beneficiário do plano de<br />

saúde, pela utilização de um procedimento.<br />

Pode ocorrer da seguinte forma:<br />

〉〉<br />

Cobrança de um percentual do custo<br />

real do procedimento, quando a<br />

coparticipação incidir sobre o valor<br />

pago pela operadora ao prestador<br />

de serviço;<br />

〉〉<br />

Cobrança de um percentual de tabela,<br />

quando o valor de coparticipação se<br />

reportar a uma tabela com valores de<br />

referência, independente do valor a<br />

ser pago pela operadora ao prestador;<br />

〉〉<br />

Cobrança de um valor monetário fixo<br />

para cada procedimento ou grupo<br />

específico;<br />

〉〉<br />

Cobrança de um percentual incidente<br />

sobre o valor da contra prestação<br />

pecuniária referente a diferentes procedimentos.<br />

empresas de grande porte, pelo contrário,<br />

as ofertas devem ser cada vez mais<br />

personalizadas.<br />

“As PME’s são uma das prioridades<br />

da Amil e pretendemos manter os investimentos<br />

em produtos e serviços para<br />

empresas desse porte”, promete Marco<br />

Antonio Ferreira. Na Plena Saúde o assunto<br />

é o mesmo: “é o foco da operadora<br />

investir em produtos pessoa jurídica, é<br />

um nicho de mercado promissor e que<br />

equilibra a carteira de saúde. Os produtos<br />

para pessoa jurídica são desenhados<br />

para que as empresas consigam oferecer<br />

um benefício aos seus colaboradores,<br />

com atendimento de qualidade”, afirma<br />

Valmir Gomes.<br />

A penetração do mercado de seguro<br />

nos nichos PME’s ainda é menor do que<br />

esperado, mas a fomentação da cultura<br />

está acontecendo; muito mais por necessidade<br />

e por receio dos empresários de<br />

perderem o que construíram, é verdade,<br />

mas de uma forma ou de outra, eles se<br />

encontrarão com os benefícios de ter<br />

saúde e de saber que seus funcionários<br />

estão respaldados e trabalhando mais<br />

felizes por possuírem o que ainda é um<br />

desejo guardado de muitos.<br />

24


25


especial PME | odonto<br />

Um benefício que<br />

não pesa no bolso<br />

Operadoras<br />

apostam<br />

que empresas<br />

de menor<br />

porte possam<br />

oferecer este<br />

produto como<br />

uma pequena<br />

amostra do poder<br />

de retenção dos<br />

benefícios<br />

Kelly Lubiato<br />

Grande parte das empresas com<br />

porte mais robusto já conta<br />

com uma série de benefícios<br />

para seus colaboradores, inclusive<br />

o plano odontológico. Por isso, o foco de<br />

várias operadoras recai agora sobre as pequenas<br />

empresas, que necessitam de novas formas para<br />

reter talentos em seu quadro de funcionários.<br />

Segundo dados do Sebrae, as PME´s representam<br />

98,5% das empresas e geram 17 milhões empregos, sendo responsáveis<br />

por 27% do PIB brasileiro. De acordo com o presidente do<br />

Sindicato das Empresas de Odontologia de Grupo, Geraldo Almeida Lima,<br />

“alia-se estes dados ao fato de que o custo-benefício dos planos empresariais<br />

geralmente são melhores do que os para as Pessoas Físicas, e percebe-se um<br />

enorme potencial consumo”.<br />

26


❙❙Geraldo Almeida Lima, do Sinog<br />

❙❙Carlos Rogoginsky, da OdontoPrev<br />

O mercado de planos odontológicos é<br />

muito competitivo, com uma oferta vasta<br />

de operadoras, de todos os portes, o que<br />

coloca as empresas consumidoras em<br />

uma situação privilegiada. Além disso, as<br />

PME’s geralmente trabalham com estruturas<br />

enxutas, visando sempre a eficiência<br />

operacional e racionalização dos custos.<br />

“Desta forma, há uma menor tendência<br />

de fidelização, visto que ficam seduzidas<br />

sempre a buscar a melhor relação custo-<br />

-benefício”, explica Lima.<br />

Porém, em tempos de crise tudo fica<br />

mais difícil. O desemprego aumenta e a<br />

falta de dinheiro pressiona o empresário,<br />

que promove corte de custos.<br />

“Além das empresas tentarem segurar<br />

ao máximo eventuais novos investimentos,<br />

nos deparamos com um maior volume de<br />

demissões, o que faz com que naturalmente<br />

haja uma saída maior de beneficiários<br />

dos contratos empresariais”, argumenta<br />

Lima. Segundo dados da Agência Nacional<br />

de Saúde Suplemente, a quantidade de<br />

beneficiários cresceu 3,8% em 2016, em<br />

relação ao ano anterior, chegando à marca<br />

de quase 22 milhões de vidas. Considerando<br />

que apenas o mercado de planos<br />

de saúde já possui mais de 47 milhões de<br />

beneficiários, é fácil entender o otimismo<br />

em relação ao odontológico.<br />

Um comportamento comum ao consumidor<br />

de planos odontológicos é realizar<br />

todos os procedimentos necessários<br />

nos primeiros meses de vigência do plano.<br />

Depois disso, segundo os executivos,<br />

eles simplesmente abandonam qualquer<br />

tipo de acompanhamento preventivo.<br />

Por isso, o grande desafio das operadoras<br />

é agregar coberturas acessórias<br />

quem fidelizem o cliente. Lima afirma<br />

que o consumidor brasileiro deve mudar<br />

sua postura em relação ao plano odontológico,<br />

encarando-o como uma espécie<br />

de previdência, visando o cuidado no<br />

longo prazo.<br />

Mais fácil de lidar<br />

Negociar com pequenas empresas é<br />

mais fácil, acreditam alguns executivos<br />

do setor. Porque normalmente quem<br />

decide é também quem tem o poder de<br />

compra. Por outro lado, estas empresas<br />

dispõem de uma estrutura mais enxuta<br />

e é comum que a mesma pessoa que<br />

contratou o plano odontológico é quem<br />

cuida do RH. “Temos que oferecer não<br />

apenas um preço razoável, mas também<br />

temos que oferecer serviços que liberem a<br />

tarefa do administrador”, avalia Armando<br />

Rodrigues, presidente da Dentalpar.<br />

Rodrigues argumenta que as PMEs<br />

são mais flexíveis e que é possível aplicar<br />

os reajustes de acordo com a utilização da<br />

empresa, o que torna o plano mais justo.<br />

Também é possível a criação de produtos<br />

customizados, alinhados ao que a empresa<br />

necessita e espera da operadora.<br />

Mesmo as empresas de porte maior<br />

não deixam de olhar para as PME´s.<br />

❙❙Armando Rodrigues, da Dentalpar<br />

Carlos Rogoginsky, diretor Comercial<br />

da OdontoPrev, diz para atender este<br />

público é preciso facilitar os serviços e<br />

atender a demanda com produtos mais<br />

acessíveis. “O nível de fidelização é alto,<br />

há tendência do setor pela volatibilidade<br />

da própria empresa, mas há clientes na<br />

base há mais de 10 anos. Não observamos<br />

grande rotatividade”, avalia.<br />

Rugoginsky afirma que a tecnologia<br />

também é uma forte aliada tanto para as<br />

vendas quanto para o controle da carteira.<br />

A Odontoprev possui ferramentas para<br />

dispositivos móveis para a captura de informações<br />

dos clientes, obedecendo as regras<br />

da ANS para a guarda e transmissão<br />

de dados cadastrais do titular. “De forma<br />

simples e fácil trazemos as informações<br />

para a base de clientes e, posteriormente,<br />

a ativação é feita via meios eletrônicos.<br />

Buscamos um canal fluído e fácil para o<br />

corretor fazer a captura e a circulação das<br />

informações”.<br />

Na carteira da operadora, este tipo de<br />

plano deve continuar crescendo por uma<br />

conjunção de fatores, como abrangência<br />

do plano e rol mínimo de procedimentos<br />

exigidos pela ANS. Entretanto, Rogoginsky<br />

acredita que é preciso ter mais<br />

opções na manga para atender a todos os<br />

tipos de público. “É preciso poder desenhar<br />

um produto para cada tipo de público,<br />

mesmo dentro da mesma organização.<br />

Mas o que determina a contratação é a<br />

facilidade na gestão do benefício”.<br />

27


especial PME | patrimonial<br />

Estabilidade garantida<br />

O sucesso do pequeno e médio<br />

empreendimento depende de uma<br />

gestão de risco responsável e o seguro<br />

é um componente fundamental para a<br />

solidez do negócio<br />

Lívia Sousa<br />

As demissões em massa levaram<br />

muitos brasileiros a colocar<br />

em prática seu espírito<br />

empreendedor. É o que aponta<br />

o Empresômetro, empresa especializada<br />

em inteligência de mercado. Dados divulgados<br />

pela companhia indicam que<br />

no ano passado a abertura de pequenas<br />

e médias empresas saltou 11,73% apenas<br />

no estado de São Paulo.<br />

Em termos de otimismo diante da<br />

crise elas também se mostram à frente<br />

das grandes corporações, visto que a<br />

recuperação é mais ágil para este perfil<br />

de negócio. Em contrapartida, ficam<br />

mais vulneráveis quando se deparam<br />

com algum tipo de acidente, justamente<br />

porque encontram maior dificuldade<br />

de manter reserva financeira nestas situações.<br />

Qualquer evento do tipo pode<br />

colocá-las em risco e, em casos extremos,<br />

forçar os proprietários a decretar falência,<br />

impactando, além dos próprios donos, a<br />

economia de um modo geral.<br />

O sucesso de um empreendimento<br />

depende de uma gestão de risco responsável<br />

e, por isso, o seguro é um componente<br />

28<br />

fundamental para a solidez do negócio.<br />

“O primeiro grande objetivo do seguro é<br />

estabelecer um equilíbrio financeiro em<br />

caso de algum problema, seja ele de pequena<br />

ou grande proporção e prejuízos”,<br />

lembra Gilberto Reina, superintendente<br />

regional de clientes locais da Marsh. Sendo<br />

assim, esta é a principal ferramenta<br />

que a companhia tem para evitar a quebra<br />

❙❙Gilberto Reina, da Marsh<br />

em caso de uma ocorrência coberta pela<br />

apólice, considerando que muitas vezes a<br />

propriedade de uma pequena e média empresa<br />

está atrelada ao capital de seu dono.<br />

Para as PME’s o produto mais indicado<br />

é o seguro patrimonial, que possui<br />

coberturas básicas de incêndio, queda<br />

de raio, explosão e fumaça. Coberturas<br />

opcionais podem ser adicionadas à<br />

apólice, como danos elétricos, vendaval/<br />

impacto de veículos, perda ou pagamento<br />

de aluguel de imóvel, tumultos, subtração<br />

de bens ou de valores, equipamentos eletrônicos,<br />

além de responsabilidade civil,<br />

quebra de vidros, derrame de sprinklers,<br />

recomposição de documentos e lucros<br />

cessantes, que mantém o pagamento<br />

das despesas fixas e lucros da empresa<br />

enquanto ela estiver paralisada por conta<br />

do sinistro. Serviços de assistência 24<br />

horas também são disponibilizados para<br />

facilitar o dia a dia dos empresários. Os<br />

serviços estão divididos por planos e<br />

incluem chaveiro, reparos hidráulicos e<br />

de telefonia, eletricista e até segurança e<br />

vigilância em caso de sinistro.<br />

Todas essas proteções vão se adequar


❙❙Alessandro Gomes, da Chubb<br />

melhor ou não dependendo da atividade<br />

do cliente. “A empresa que tem uma<br />

atividade instalada em um andar de um<br />

edifício, por exemplo, vai precisar mais<br />

de algumas coberturas e menos de outras,<br />

como é o caso da cobertura de vendaval,<br />

que se aplica muito mais às pequenas e<br />

médias empresas localizadas em um terreno<br />

térreo do que as que estão situadas<br />

em um prédio”, explica Reina.<br />

❙❙Nilton Dias, da Seguralta<br />

O seguro na prática<br />

A importância de se estar amparado<br />

fica ainda mais evidente quando ocorre<br />

algum incêndio ou explosão, sinistros<br />

registrados com mais frequência pelas<br />

pequenas e médias empresas. Um dos<br />

acidentes recentes aconteceu em abril<br />

deste ano com a explosão de um bar<br />

localizado na Vila Mariana, zona Sul de<br />

São Paulo. Seis pessoas ficaram feridas,<br />

uma delas em estado grave. As informações<br />

divulgadas pela perícia excluíram o<br />

vazamento de gás de botijão e indicaram<br />

que o acidente pode ter sido motivado<br />

pelo acúmulo de metano vindo do esgoto.<br />

Quase dois anos antes um caso semelhante<br />

ocorreu em São Cristóvão, zona<br />

norte do Rio de Janeiro, no local onde<br />

funcionavam uma pizzaria, uma drogaria<br />

e um restaurante. A explosão começou<br />

na pizzaria, após um vazamento de gás,<br />

onde estavam estocados botijões – inclusive<br />

alguns abertos. Na época, a Defesa<br />

Civil somou 54 imóveis residenciais e<br />

comerciais atingidos, que ocupavam um<br />

espaço equivalente a um quarteirão, e 41<br />

pessoas desalojadas. Dos escombros foram<br />

retirados sete feridos, mas por sorte<br />

nenhum deles com gravidade.<br />

Diretor de PME da Chubb Brasil,<br />

Alessandro Barletta Gomes lembra que<br />

os sinistros em patrimônios neste segmento<br />

são muito comuns, não raramente<br />

com prejuízos a terceiros que podem<br />

representar perdas ainda maiores. “Se<br />

houver óbitos, os prejuízos são particularmente<br />

severos e provavelmente a justiça<br />

determinará uma indenização equivalente<br />

à renda que essas pessoas deixaram<br />

de obter, caso permanecessem vivas”,<br />

afirma. “Uma eventual reconstrução a<br />

partir de um incêndio pode ser possível<br />

se os prejuízos causarem apenas danos<br />

materiais. Contudo, na medida em que<br />

terceiros são afetados, as perdas podem<br />

se multiplicar, inviabilizando o prosseguimento<br />

da operação”, diz ele.<br />

Já para as empresas de tecnologia da<br />

informação e construção, as coberturas<br />

são basicamente as mesmas do seguro<br />

empresarial: incêndio, explosão, vendaval,<br />

queda de raio, roubo ou furto de<br />

bens e danos elétricos. “Essas atividades<br />

possibilitam a contratação de seguros<br />

específicos, também fundamentais para<br />

o negócio como, por exemplo, o seguro<br />

de riscos de engenharia, que engloba<br />

coberturas para danos causados à obra,<br />

responsabilidade civil, vida em grupo dos<br />

funcionários e equipamentos incorporados<br />

à obra e erro de projeto”, declara Nilton<br />

Dias, diretor comercial da Seguralta.<br />

Aos salões de beleza, um dos setores<br />

que mais cresce no Brasil (dados do Sebrae<br />

indicam que em 2016 o País tinha<br />

❙❙Jarbas Medeiros, da Porto Seguro<br />

mais de 300 mil salões de beleza e cerca<br />

de sete mil salões abertos mensalmente),<br />

o seguro patrimonial garante desde os<br />

riscos básicos até a responsabilidade civil<br />

envolvendo as atividades do cabeleireiro<br />

em produtos específicos disponibilizado<br />

pelas seguradoras.<br />

Conscientização<br />

O pequeno e médio empresário<br />

se importa em profissionalizar o seu<br />

negócio nos mínimos detalhes. Ainda<br />

assim, a maioria deles deixa de incluir<br />

a proteção no planejamento da empresa,<br />

sendo o fator principal o equívoco quanto<br />

ao preço do produto. “O valor varia de<br />

acordo com a atividade desenvolvida<br />

na empresa. Dependendo da atividade,<br />

os comércios de pequeno porte podem<br />

contratar o seguro anual pagando menos<br />

que o valor de um cafezinho por dia”,<br />

declara Jarbas Medeiros, superintendente<br />

de Ramos Elementares da Porto Seguro.<br />

Uma parcela significativa do mercado<br />

de PME imagina que o seguro patrimonial<br />

é caro, percepção formada com<br />

base em um raciocínio equivocado. Estas<br />

pessoas tomam como referência o seguro<br />

de automóvel, que é bem mais divulgado<br />

e pode custar R$ 2 mil para a cobertura<br />

de um carro avaliado em R$ 40 mil. Para<br />

este público, se a propriedade valer cerca<br />

de R$ 300 mil, o custo do seguro tende a<br />

crescer na mesma proporção.<br />

Na verdade, o valor do seguro patrimonial<br />

é bem menor que a taxa do seguro<br />

auto. O ticket médio do produto fica entre<br />

R$ 1.500 e R$ 2 mil por ano. Ou seja,<br />

29


patrimonial<br />

❙❙Fabio Luciano da Silva, da Alfa<br />

mais uma vez a questão é que no Brasil a<br />

cultura do seguro não é bem desenvolvida<br />

e com isso muitas empresas não priorizam<br />

a contratação do seguro. Ou aderem<br />

apenas depois de vivenciar um acidente.<br />

“Por não terem tido nenhum histórico de<br />

sinistros, os empresários acreditam que<br />

nenhum imprevisto acontecerá com eles<br />

e que não precisam do seguro para suas<br />

empresas”, acrescenta Medeiros.<br />

Fabio Luciano da Silva Conceição,<br />

gerente geral Produto RE da Alfa<br />

Seguradora, lamenta que seja comum<br />

o empresário julgar que a proteção do<br />

seguro não se faz necessária. “A rigor,<br />

acreditam que estão pagando por algo que<br />

não usarão. Tranquilidade e estabilidade<br />

têm preço?”, provoca. “Enganam-se os<br />

que pensam que pelo fato de não ter<br />

ocorrido algum dano, pagou por algo<br />

que não usou. Durante toda a vigência a<br />

certeza de ter uma proteção torna-se um<br />

uso diário e por um custo bem menor que<br />

o empresário imagina.”<br />

O executivo cita o caso em que uma<br />

das empresas seguradas pela companhia,<br />

uma loja de roupas localizada dentro de<br />

um shopping, foi atingida por um incêndio<br />

que também afetou outras lojas. O<br />

shopping possuía apólice para prédio,<br />

áreas comuns e uma pequena verba para<br />

o conteúdo das lojas. Por estar dentro do<br />

estabelecimento, não é raro se pensar que<br />

não há necessidade de contratar proteção<br />

para o conteúdo. “Se esta loja não tivesse<br />

seguro para todo o estoque, inclusive, certamente<br />

estaria brigando, provavelmente<br />

30<br />

❙❙Cristian Achurra, da AIG<br />

em juízo, para receber a indenização pelos<br />

danos sofridos. Por ter seguro, recebeu a<br />

indenização para reabrir garantindo sua<br />

estabilidade financeira”, afirma.<br />

É neste sentido que o mercado segurador<br />

precisa agir, tanto empresas como<br />

corretores. Mas, afinal, como desmistificar<br />

isso? A própria Porto Seguro busca<br />

estudar o perfil das empresas brasileiras<br />

e as necessidades específicas de cada<br />

nicho, oferecendo novas garantias e coberturas<br />

para cada segmento, além de dar<br />

continuidade à parceria com os corretores<br />

a divulgar os produtos e difundir a importância<br />

da contratação pelas empresas.<br />

A Marsh, por sua vez, investe no<br />

famoso “boca a boca”. A companhia<br />

acredita que a melhor maneira de buscar<br />

novos segurados é por meio de indicação<br />

de outros clientes. “Pedimos aos clientes<br />

que enxergam o seguro verdadeiramente<br />

como uma proteção que indiquem amigos,<br />

fornecedores, ou até mesmo clientes<br />

para que consigamos aumentar o número<br />

de negócios. Através deste trabalho<br />

alavancamos bastante a nossa carteira”,<br />

garante Gilberto Reina.<br />

Trabalhar junto aos corretores para<br />

ajudar os clientes a compreender e a<br />

gerenciar o risco de forma mais eficaz<br />

é a estratégia utilizada pela AIG Brasil.<br />

Para isso, são oferecidas coberturas,<br />

ferramentas e acesso às práticas de<br />

avaliação e mitigação de possíveis<br />

vulnerabilidades. Também são realizados<br />

treinamentos sobre o portfólio<br />

de produtos da companhia, além da<br />

❙❙Claudia Rizzo, da MDS<br />

participação em eventos que objetivam<br />

o fortalecimento do corretor de seguros.<br />

O Portal do Corretor, lançado há pouco<br />

mais de um ano, é resultado desse trabalho.<br />

“A plataforma atende à crescente<br />

demanda dos corretores por agilidade e<br />

retorno em tempo real para que possam<br />

atender com mais agilidade os pequenos<br />

e médios empreendedores clientes”, diz<br />

o gerente Seguro Empresarial, Cristian<br />

Achurra.<br />

Gerente Executiva de Operações da<br />

área de Varejo da MDS Insure, Claudia<br />

Rizzo frisa que a procura é sempre maior<br />

quando há incidentes de grandes proporções<br />

e que têm impacto na imprensa,<br />

gerando uma demanda temporária. “No<br />

mais, não há muita demanda”, afirma.<br />

A MDS tem uma área especifica para<br />

atendimento de pequenas empresas que<br />

cobre o todo segmento. Os investimentos<br />

na venda são feitos, em sua maioria, a<br />

partir da mídia digital.<br />

Já a Seguralta realiza um trabalho<br />

através da rede de franqueados junto aos<br />

empresários para identificar os riscos<br />

a que eles estão expostos e oferecer as<br />

soluções mais adequadas para cada empresa.<br />

“Estamos trabalhando fortemente<br />

a capacitação da nossa equipe interna e<br />

de franqueados, realizando prospecções<br />

em nichos e produtos específicos”, pontua<br />

Nilton Dias. “O que sentimos que tem<br />

atraído os empresários é a percepção da<br />

dificuldade em repor perdas decorrentes<br />

de eventual sinistro, daí a importância em<br />

ter o seguro”, conclui o executivo.


31


especial PME | frotas<br />

Coberturas amplas<br />

a baixo custo<br />

Contratar um seguro para cada veículo pesa<br />

quando as empresas utilizam os carros em sua<br />

atividade. Neste caso, a alternativa oferecida é o<br />

seguro para pequenas frotas<br />

A<br />

frota de automóveis em circulação<br />

no Brasil chegou a<br />

52,7 milhões de unidades em<br />

2016, com uma idade média<br />

de 13,9 anos, de acordo com a Federação<br />

Nacional da Distribuição de Veículos<br />

Automotores (Fenabrave). Quantos deles<br />

estão segurados é o grande xis da questão.<br />

Dos milhões de carros nas ruas, só<br />

30% conta com um seguro de automóvel.<br />

A principal justificativa para a falta de<br />

proteção é o preço. Os motoristas dizem<br />

que contratar um seguro para o veículo é<br />

caro, ainda assim muitos deles reconhecem<br />

a importância do produto.<br />

Para as empresas, especialmente<br />

às pequenas e médias que utilizam<br />

os carros para exercer sua atividade,<br />

contratar um seguro para cada veículo<br />

pode realmente pesar quando os valores<br />

são colocados na ponta do lápis. Neste<br />

caso, a alternativa oferecida é o seguro<br />

para pequenas frotas. “A vantagem de<br />

contratar um seguro de pequenas frotas<br />

Lívia Sousa<br />

é que os riscos são calculados de forma<br />

mais ampla, beneficiando a empresa com<br />

descontos”, diz o gerente executivo de<br />

Produto Frota e Licitação do Grupo BB<br />

e Mapfre, Anderson Oliveira Silva.<br />

O seguro em questão, na visão do<br />

executivo, é extremamente vantajoso<br />

para as companhias deste porte por<br />

não proteger apenas o automóvel, mas<br />

também o motorista, os passageiros e os<br />

terceiros. “Ao contratar uma apólice de<br />

seguros, as pequenas e médias empresas<br />

minimizam os possíveis prejuízos, não<br />

alterando os investimentos e fluxo de<br />

caixa”, completa.<br />

O produto geralmente é destinado<br />

às empresas com uma frota de dois a<br />

50 itens, mas este número pode mudar<br />

conforme a avaliação da atividade da<br />

empresa. Há seguradoras, por exemplo,<br />

que oferecem um estudo personalizado<br />

para a frota da companhia de acordo<br />

com a atividade, região, características,<br />

veículos e histórico de sinistralidade.<br />

Auto tradicional x pequenas<br />

frotas<br />

Além das coberturas tradicionais de<br />

casco (compreensiva), Responsabilidade<br />

Civil Facultativa de Veículos – RCFV<br />

(danos materiais, danos corporais e danos<br />

morais) e Acidentes Pessoais de Passageiros<br />

– APP (morte e invalidez permanente),<br />

a solução conta com a opção de contratação<br />

da cobertura de RCFV na modalidade<br />

de Garantia Única e cláusula 112, com<br />

extensão da cobertura de RCFV-Danos<br />

Corporais a sócios e dirigentes.<br />

❙❙Olcimar Zerbato, da Rodobens<br />

32


“Praticamente não há diferença entre<br />

o seguro para pequenas frotas e o seguro<br />

de automóvel tradicional. A diferenciação<br />

se dá mais na questão de controle, com<br />

todas as apólices em um único vencimento”,<br />

explica Olcimar Zerbato, gerente de<br />

negócios da Rodobens, acrescentando<br />

que a demanda pelo produto é maior entre<br />

as transportadoras.<br />

Contudo, há alguns destaques. Um<br />

deles é que as coberturas não precisam<br />

ser iguais para todos os veículos. A frota<br />

pode ser dividida em subgrupos, para<br />

uma definição de coberturas e perfil<br />

para cada um. Existe ainda a opção<br />

de contratar assistências 24 horas, que<br />

incluem, entre outros serviços, reboque,<br />

reparo, chaveiro, troca de pneus, envio de<br />

motorista, Detran online e despachante.<br />

Também é possível solicitar um carro<br />

reserva em caso de sinistro e reparo ou<br />

troca de vidros em caso de quebra ou<br />

trinca – o que pode ser estendido para<br />

faróis, lanternas e retrovisores.<br />

A desburocratização é outro ponto a<br />

favor, com fluxos específicos de atendimento<br />

em assistências 24 horas e sinistros<br />

pensados para garantir a continuidade<br />

dos serviços. “A agilidade dá maior<br />

tranquilidade à operação dos segurados”,<br />

afirma Gabriel Bugallo, diretor de<br />

Soluções e Resseguros da Sura Brasil.<br />

Neste caso não é necessário preencher<br />

o questionário de bom risco (QBR), pois<br />

há um questionário de avaliação de risco<br />

simplificado elaborado especialmente<br />

❙❙Luiz Padial, da Tokio Marine<br />

Anderson Oliveira Silva,<br />

❙❙do Grupo BB Mapfre<br />

para as PMEs.<br />

Diretor de Automóvel da Tokio Marine,<br />

Luiz Padial concorda que o serviço<br />

garante flexibilidade e tempo extra ao<br />

pequeno e médio empresário para se<br />

dedicarem às questões do core business<br />

de suas empresas, e cita outros benefícios<br />

da contratação simplificada. “É um<br />

seguro sem perfil de condutor, com mais<br />

autonomia e simplicidade, e que oferece<br />

descontos e economia para o segurado<br />

mediante avaliação da quantidade de<br />

itens da frota.”<br />

Com o objetivo de agregar serviços<br />

de gestão de riscos ao seguro automotivo,<br />

as seguradoras investem no trabalho em<br />

parceria com os corretores para treinar os<br />

motoristas das empresas que contratam o<br />

produto. A prática geralmente acontece<br />

com frotas maiores e também pode ser<br />

realizada no seguro para pequenas frotas,<br />

mas segundo Zerbato a maioria delas não<br />

adota essa medida. “As empresas buscam<br />

custo reduzido e com o treinamento acabam<br />

perdendo a questão do desconto”,<br />

lembra. Para as frotas menores, Padial<br />

declara que é possível indicar a instalação<br />

de rastreador para determinados modelos<br />

de veículo quando a incidência de roubo<br />

e furto é recorrente.<br />

No entanto, a própria Sura estuda<br />

implementar o gerenciamento de risco de<br />

frotas para este público, com ações específicas<br />

para o segmento, como melhores<br />

práticas na utilização de veículos e dicas<br />

de segurança. A Liberty Seguros, por<br />

Seguro para<br />

pequenas frotas:<br />

por que contratar<br />

➥➥<strong>Apólice</strong> é única e a administração<br />

é mais fácil;<br />

➥➥Frota pode ser dividida em<br />

subgrupos, para uma definição<br />

de coberturas e perfil para cada<br />

automóvel;<br />

➥➥Há a possibilidade de se contratar<br />

assistências 24 horas;<br />

➥➥Desburocratização, com fluxos<br />

específicos de atendimento em<br />

assistências e sinistros;<br />

➥➥Em alguns casos as seguradoras<br />

treinam os motoristas das<br />

empresas que contratam o<br />

produto.<br />

sua vez, já oferece uma consultoria sobre<br />

gerenciamento de risco aos segurados<br />

com análises periódicas.<br />

“Informamos o resultado das contas,<br />

recomendamos conforme características<br />

da frota, cursos de direção defensiva,<br />

reuniões com motoristas, campanhas,<br />

participação na franquia, instalação de<br />

rastreadores e outras ações, analisando<br />

o tipo de sinistro e frequência que esteja<br />

ocorrendo”, explica a superintendente de<br />

Frotas, Rebeca Edery.<br />

Conscientes aos riscos<br />

Rebeca informa que a demanda é<br />

crescente para esse tipo de produto e<br />

observa um aumento nas solicitações de<br />

cotações, principalmente para pequenas<br />

e médias empresas. “O aumento da procura<br />

acontece porque a consciência dos<br />

proprietários de empresas em relação aos<br />

riscos existentes em cada região do país<br />

vem crescendo. Eles observam o prejuízo<br />

que podem ter caso percam seus bens e<br />

não tenham como arcar com o valor dos<br />

veículos, o que pode impedir o exercício<br />

de suas atividades”, diz.<br />

Luiz Padial, da Tokio Marine, reconhece<br />

que 2016 foi um ano difícil para as<br />

empresas que reduziram a quantidade de<br />

veículos, mas destaca que o momento é<br />

de retomada e a procura das companhias<br />

tem sido intensa.<br />

33


especial PME | responsabilidade civil<br />

Profissionais e<br />

patrimônios protegidos<br />

Aumenta a<br />

conscientização e a<br />

procura por coberturas<br />

para mitigar danos<br />

causados por erros<br />

humanos no exercício<br />

de diversas profissões<br />

Amanda Cruz<br />

❙❙Carlos Cures, da Global Risk<br />

34<br />

O<br />

quão danoso pode ser o<br />

erro? As falhas acontecem<br />

de forma recorrente, mesmo<br />

no trabalho, mas para alguns<br />

elas podem decretar o fim de uma carreira.<br />

Os profissionais de saúde são um<br />

bom exemplo disso, já que um deslize<br />

pode ser fatal.<br />

Visando esse nicho, as seguradoras<br />

trouxeram para o Brasil o seguro de Responsabilidade<br />

Profissional (E&O) que<br />

cobre as reclamações feitas por terceiros<br />

contra esses profissionais. Esse produto<br />

pode ser aliado ao RC para pessoas jurídicas,<br />

garantindo o pacote completo de<br />

cobertura para responsabilidades.<br />

As PME’s são as que mais podem<br />

sofrer se um de seus profissionais cometer<br />

um erro e não tiver como arcar com<br />

os custos de defesa e de uma possível<br />

indenização. “Como todo seguro de<br />

responsabilidade civil, ele visa proteger<br />

o segurado contra possíveis danos - materiais,<br />

corporais e morais, que venha a<br />

causar a terceiros”, explica Carlos Cures,<br />

corretor da Global Risk. As principais<br />

diferenças entre o RC comum, contratado<br />

pelas empresas, e o RC Profissional é que<br />

o segundo tem contratação exclusiva para<br />

pessoa física e que “o fato causador do<br />

dano tem que ser, necessariamente, um<br />

erro profissional”, esclarece Cures.<br />

O produto PME tem a vantagem de<br />

poder ser padronizado, pois as contratantes<br />

têm perfis mais parecidos. “O PME<br />

contempla coberturas comuns como<br />

existência e uso de imóvel, empregador e<br />

dano moral. Para as grandes corporações,<br />

o seguro é taylor made, precisa ser customizado”,<br />

detalha Felipe Smith, diretor<br />

Executivo de Produtos Pessoa Jurídica da<br />

Tokio Marine.<br />

Na Seguros Unimed, por exemplo,<br />

que tem o produto há 3 anos, o foco é para<br />

seus profissionais da saúde, conforme<br />

conta Patrícia Menezes Holanda Barros,<br />

gerente de Estratégia Comercial de RC<br />

e D&O. “Para nós, existe uma procura<br />

muito grande pelo produto porque antes<br />

os hospitais bancavam esse risco. Só que,<br />

hoje, como a margem de lucro do hospital<br />

não é tão grande, e a incidência de processos<br />

contra médicos e hospitais aumentou<br />

bastante, a procura pelo produto também<br />

cresceu”, conta.<br />

As demandas, de forma geral, ocorrem<br />

contra profissionais e também contra<br />

o local onde o serviço foi prestado. No<br />

caso da área de saúde os consultórios<br />

e hospitais podem ser envolvidos nos<br />

erros médicos. “Enquanto o profissional<br />

somente será responsabilizado se for<br />

comprovada a culpa em uma de suas<br />

modalidades, a pessoa jurídica tem a<br />

chamada responsabilidade objetiva, ou<br />

seja, há presunção de responsabilidade,<br />

o que significa que caberá a ela provar<br />

que não colaborou para o evento danoso”,<br />

explica Sandra Franco, especialista da<br />

Franco Consultoria.<br />

❙❙Felipe Smith, da Tokio Marine


❙❙Patrícia Barros, da Seguros Unimed<br />

Patrícia explica que, no produto da<br />

Unimed, existe uma cobertura que se estende<br />

à pessoa jurídica. “Até por conta do<br />

conhecimento sobre a área, entendemos<br />

que os médicos hoje têm sempre uma pessoa<br />

jurídica. Então, ele contrata o seguro<br />

individual e pode solicitar a cobertura<br />

para PJ. Sendo assim, tanto ele quanto a<br />

empresa da qual ele é sócio estão protegidos.<br />

Vale lembrar que isso só é válido<br />

em atos cometidos por ele”, conta Patrícia.<br />

Diferentes modalidades<br />

É importante esclarecer que o produto<br />

de E&O é voltado para pessoa física e<br />

não para as empresas – essas têm outro<br />

tipo de RC que pode ser contratado. Os<br />

negócios de pequeno porte têm uma<br />

dependência ainda mais forte da boa<br />

conduta e da responsabilidade dos sócios,<br />

que geralmente são poucos, e dependem<br />

da saúde financeira desses responsáveis.<br />

Cures aponta dois fatores para que se<br />

note o benefício do produto: a proteção<br />

❙❙Sandra Franco, da Franco Consultoria<br />

patrimonial do profissional – seja ele<br />

pessoa física ou jurídica - em caso de<br />

condenação e, segundo ele, a utilização<br />

desse seguro como um argumento de<br />

venda. “Isso demonstra que se ocorrer<br />

alguma falha profissional na execução do<br />

serviço, o cliente contará com o apoio da<br />

seguradora para ser ressarcido. Transmite<br />

segurança e credibilidade na hora da<br />

venda dos serviços”, opina.<br />

Mas nem sempre essa foi a visão dos<br />

profissionais do mercado. Patrícia conta<br />

que no início do produto “as entidades<br />

médicas acreditavam que ter esse seguro<br />

aumentaria a judicialização, então não o<br />

recomendavam” ou ainda que as pessoas<br />

poderiam duvidar da credibilidade do<br />

médico, deduzindo que alguém precisaria<br />

do produto por não ser um bom<br />

profissional. “A contratação de um seguro<br />

profissional jamais servirá como uma<br />

autorização para errar. Mas, diante de<br />

um erro, a vítima poderá ser indenizada<br />

sem que haja a diminuição do patrimônio<br />

financeiro do responsável”, opina Sandra.<br />

Mesmo com esse conservadorismo, nos<br />

últimos 10 anos o número de processos,<br />

só contra profissionais de saúde, cresceu<br />

300%. “Percebeu-se que não é a existência<br />

do produto que estimula o aumento<br />

das reclamações, mas o aumento da<br />

consciência dos cidadãos de que podem<br />

pleitear indenizações”, pondera Sandra.<br />

Felipe Smith vai ao encontro da visão<br />

de que o aumento da autonomia dos segurados<br />

é que faz essas demandas crescerem<br />

e, por isso mesmo, a Responsabilidade<br />

Civil se torna ainda mais importante.<br />

“As pessoas estão muito mais conscientes<br />

em relação a seus direitos e há uma série<br />

de leis e ordenamentos que protegem os<br />

direitos de terceiros”, pontua.<br />

É desafiador, mas não é difícil. Essa<br />

é uma carteira que cresce. “No ano passado,<br />

no período entre janeiro de abril,<br />

o mercado emitiu R$ 292 milhões em<br />

prêmios de RC. Este ano, considerando o<br />

mesmo período, este número chegou a R$<br />

322 milhões”, contabiliza Smith.<br />

Para conhecer melhor o produto é<br />

importante atuar com ele. As corretoras<br />

são clientes potenciais para essa carteira<br />

e esse pode ser o melhor convite para que<br />

outros profissionais saibam da importância<br />

de contratação do produto.<br />

Experiência no<br />

produto<br />

O RC Profissional está entre os produtos<br />

ofertados pela Excelsior Seguros<br />

e tem sido um destaque, ocupando<br />

o terceiro lugar em importância de<br />

carteira na companhia. A especialização,<br />

nesse caso, foi na área de saúde<br />

- médicos, dentistas, veterinários etc,<br />

mas também disponibiliza para advogados<br />

e notários. “Existe uma demanda<br />

crescente pela proteção, a cultura do<br />

seguro está cada vez mais presente nos<br />

profissionais liberais para conceder a<br />

tranquilidade necessária para o bom<br />

exercício de sua profissão”, acredita<br />

João Carlos Inojosa, diretor Comercial<br />

da companhia.<br />

Outro diferencial destacado pelo<br />

executivo é a sua assistência jurídica.<br />

“O segurado, ao saber de uma possível<br />

reclamação, já pode acioná-la e<br />

terá o atendimento, com uma equipe<br />

altamente qualificada e especializada<br />

em Direito Médico”, explica.<br />

Inojosa ainda faz um alerta, especialmente<br />

aos corretores: existem<br />

associações se passando por seguradoras<br />

com vantagens muito maiores<br />

do que as oferecidas pelo mercado.<br />

“Essas empresas que alegam vantagens<br />

milagrosas, maiores que das companhias<br />

seguradoras, podem ser um<br />

grande perigo em caso de sinistro. As<br />

seguradoras comercializam seus produtos<br />

diretamente<br />

através de seus<br />

corretores e não<br />

travestidos com<br />

nome de entidades<br />

ou associações”,<br />

destaca.<br />

João Carlos Inojosa<br />

35


especial PME | vida e previdência<br />

Benefícios diversificados<br />

Dois novos produtos entram no radar dos<br />

empresários que desejam reduzir os custos e,<br />

sobretudo, atrair e manter bons profissionais<br />

dentro de suas companhias<br />

Por muitos anos os benefícios<br />

ficaram restritos às grandes<br />

corporações. Desde que o segmento<br />

de pequenas e médias<br />

empresas se fortaleceu, porém, isso<br />

mudou. As companhias de menor porte<br />

entenderam que nem todos os profissionais<br />

valorizam apenas um bom salário,<br />

mas também buscam por aquilo que os<br />

atenda profissional e pessoalmente.<br />

Os planos de saúde e odontológicos<br />

já são tradicionais neste meio, que agora<br />

dá espaço a outras carteiras. Uma delas<br />

é a poupança de longo prazo, especialmente<br />

a previdência privada, hoje no<br />

centro dos holofotes em razão da reforma<br />

previdenciária. “O futuro de uma aposentadoria<br />

melhor, com mais qualidade de<br />

vida e dignidade, não é responsabilidade<br />

do Estado nem da Previdência Social.<br />

Manter o padrão de vida é função dos<br />

planos de previdência privada”, afirma<br />

Miguel Pereira, diretor de Previdência e<br />

Atuarial da Lockton.<br />

Ele acredita que é mais benéfico<br />

quando o governo concede incentivos<br />

fiscais para essa iniciativa, já que os<br />

❙❙Miguel Pereira, da Lockton<br />

Lívia Sousa<br />

fundos de previdência são livres de<br />

impostos sobre os ganhos de capital<br />

durante o período de capitalização dos<br />

recursos aportados no plano. A empresa<br />

tributada pelo lucro real pode instituir<br />

um plano de previdência complementar<br />

para incentivar a adesão dos colaboradores,<br />

lançando suas contribuições como<br />

Despesa Operacional, além de permitir<br />

ao participante abater suas contribuições<br />

da base de cálculo mensal do Imposto<br />

de Renda.<br />

Marcelo Mello, vice-presidente de<br />

Investimentos, Vida e Previdência da SulAmérica,<br />

destaca que a possibilidade de<br />

participação em um plano de previdência<br />

privada pode, sim, ser um fator de motivação<br />

profissional para os colaboradores,<br />

que contam com mais uma opção de estabilidade<br />

financeira e uma ferramenta de<br />

planejamento para o futuro. “As pequenas<br />

e médias empresas estão percebendo as<br />

vantagens de contratação desse tipo de<br />

produto”, afirma. Aliás, este foi o motivo<br />

que levou a seguradora a alcançar um recorde<br />

em reservas de previdência privada,<br />

ultrapassando a marca de R$ 6,1 bilhões<br />

❙❙Marcelo Mello, da SulAmérica<br />

Os benefícios dos<br />

produtos<br />

Previdência privada<br />

〉〉<br />

Aos colaboradores, funciona como<br />

uma opção de estabilidade financeira<br />

e uma ferramenta de planejamento<br />

para o futuro;<br />

〉〉<br />

Condições comerciais diferenciadas<br />

e possibilidade de regras<br />

customizadas;<br />

〉〉<br />

Custeio do plano pode ser definido<br />

pela empresa no momento<br />

da negociação do contrato com a<br />

seguradora.<br />

Seguro de vida<br />

〉〉<br />

Pode ser estendido aos cônjuges e<br />

filhos do funcionário;<br />

〉〉<br />

Permite a inclusão dos funcionários<br />

terceirizados, dos estagiários e dos<br />

sócios na mesma apólice dos colaboradores<br />

fixos;<br />

〉〉<br />

Oferece coberturas que podem<br />

subsidiar, parcial ou integralmente,<br />

os custos com funcionários<br />

afastados.<br />

no fim do ano passado, com crescimento<br />

de 14,3% em relação a 2015.<br />

É importante lembrar que nos planos<br />

empresariais a oferta de condições<br />

comerciais é diferente das aplicadas nos<br />

planos individuais, por se tratar de uma<br />

negociação em grupo. Os planos coletivos<br />

também apresentam um diferencial<br />

na forma de custeio, considerando que a<br />

empresa pode participar de forma parcial<br />

ou total das contribuições realizadas no<br />

plano do funcionário. A forma de custeio<br />

do plano é flexível e definida pela<br />

empresa no momento da negociação do<br />

contrato com a seguradora. As contribuições<br />

variam e costumam ser descontadas<br />

da folha de pagamento do colaborador.<br />

Entretanto, mais importante que as<br />

regras são os mecanismos de acompanhamento<br />

e governança que as empresas<br />

criam para acompanhar e disseminar a<br />

educação financeira dos planos de pre-<br />

36


❙❙Andreia Araújo, da Previsul<br />

vidência. Na maioria das companhias os<br />

planos são do tipo Contribuição Definida,<br />

em que funcionário escolhe o nível de<br />

contribuição a fazer e a empresa acompanha<br />

essa decisão, segundo regras pré-<br />

-estabelecidas. Mas, de um modo geral,<br />

as pessoas não acompanham o benefício<br />

a ser gerado pelo plano de forma que<br />

consigam corrigir o rumo ou fazer mais<br />

contribuições.<br />

“O nível de renda de aposentadoria<br />

projetado está aquém dos objetivos do<br />

participante”, justifica Pereira. Por isso, a<br />

própria Lockton lançou no final de 2016<br />

o Índice Geral de Previdência Lockton<br />

(IGPL), em que se pode fazer a simulação<br />

do nível de benefício esperado na aposentadoria.<br />

“Infelizmente, poucas empresas<br />

têm a sensibilidade e realizam ações<br />

efetivas para estimular os colaboradores<br />

a pensarem no benefício que seu plano<br />

de previdência irá produzir.”<br />

Proteção aos funcionários e<br />

familiares<br />

O que também chama atenção dos<br />

pequenos e médios empresários é o seguro<br />

de vida, demandado tanto como um<br />

benefício adicional quanto para garantir a<br />

segurança dos colaboradores no caso de<br />

possíveis imprevistos durante o trabalho.<br />

Aos funcionários, é mais uma opção de<br />

proteção no caso de incidentes, que pode<br />

assegurar a tranquilidade dos familiares,<br />

incluindo cônjuges e filhos. O produto<br />

se torna essencial para que os familiares<br />

tenham condições de manter estabilidade<br />

no caso de morte ou invalidez.<br />

Para contratar, é exigido que as<br />

❙❙Marcela Vasconcellos da Silva, da Alfa<br />

empresas tenham, no mínimo, dois ou<br />

três funcionários. O número máximo<br />

varia, indo de 250 a 600 colaboradores,<br />

dependendo da seguradora. Entre as<br />

coberturas oferecidas estão morte por<br />

qualquer causa, morte acidental, invalidez<br />

permanente total ou parcial por<br />

acidente, invalidez funcional permanente<br />

total por doença, além de antecipação,<br />

diárias de internação hospitalar, despesas<br />

médicas, hospitalares e odontológicas,<br />

doenças congênitas dos filhos e rescisão<br />

contratual por morte.<br />

“A busca pelo produto é crescente<br />

mesmo em meio a um cenário econômico<br />

adverso. Até por conta disso, os empresários<br />

estão cada vez mais sensibilizados<br />

pela importância de estender proteção<br />

extra aos seus colaboradores”, pontua<br />

Andreia Araújo, diretora de Negócios da<br />

Previsul Seguradora.<br />

Também é comum no segmento de<br />

pequenas e médias empresas a contratação<br />

de prestadores de serviços para dar<br />

suporte a demandas sazonais ou para<br />

entrega de projetos. Para atender essa<br />

demanda, algumas seguradoras permitem<br />

a inclusão dos funcionários terceirizados<br />

na mesma apólice dos colaboradores<br />

fixos, além da possibilidade de inserir<br />

estagiários e sócios.<br />

“Como estamos falando de pessoas<br />

e relações de trabalho, é importante que<br />

o empresário fique atento à prevenção<br />

de riscos”, argumenta Marcela Vasconcellos<br />

da Silva, gerente geral produto<br />

Vida da Alfa Seguradora, que relaciona<br />

o aumento da procura pelo produto à<br />

crise e ao crescimento do número de pes-<br />

❙❙Raphael de Carvalho, da MetLife<br />

soas que iniciaram seu próprio negócio,<br />

assim como ao início de uma melhora<br />

da economia, quando essas empresas<br />

implementaram a contratação do seguro<br />

como um diferencial.<br />

Já o presidente da MetLife no Brasil,<br />

Raphael de Carvalho, lembra que em<br />

determinadas indústrias as companhias<br />

precisam cumprir demandas regulatórias<br />

e oferecer seguro de vida para os funcionários.<br />

Contudo, a empresa também<br />

pode aproveitar a necessidade para criar<br />

diferencial competitivo frente aos concorrentes<br />

e oferecer coberturas complementares.<br />

Um exemplo é a redução de custos<br />

com a administração de funcionários<br />

afastados. “Existem coberturas de vida<br />

para empresas que podem subsidiar de<br />

forma parcial ou integral esses custos”,<br />

afirma. Outro exemplo, segundo ele, são<br />

os seguros destinados às escolas particulares,<br />

com proteção de até 24 horas para<br />

os estudantes. “Vemos nesse mercado<br />

um grande potencial de negócio e uma<br />

oportunidade para exercer nosso papel de<br />

forma plena”, declara Carvalho.<br />

Contudo, é preciso ficar atento. Boa<br />

parte das pequenas e médias empresas<br />

tem o fundador do negócio como principal<br />

executivo e tomador de decisões.<br />

Diante de uma rotina atribulada com<br />

diversas atribuições, esse profissional<br />

precisa de agilidade na hora de contratar<br />

um benefício para seus colaboradores.<br />

“Buscar parceiros experientes e com trajetória<br />

sólida, que suportem o crescimento<br />

e a profissionalização da empresa, dá<br />

segurança ao empreendedor”, aconselha<br />

o executivo.<br />

37


especial PME | corretores<br />

A boa centralização<br />

As PMEs contam com<br />

um quadro enxuto de<br />

funcionários. Por isso,<br />

os donos do negócio<br />

geralmente são os<br />

responsáveis pela<br />

contratação do seguro,<br />

facilitando a relação<br />

com o corretor<br />

38<br />

Amanda Cruz<br />

A<br />

PME’s não são apenas alternativas<br />

de clientes. Representando<br />

98,5% das empresas<br />

do País, de acordo com informações<br />

do Sebrae em parceria com o<br />

Departamento Intersindical de Estatística<br />

e Estudos Socioeconômicos – Dieese,<br />

elas vêm nos mais variados segmentos<br />

e necessidades e, por isso mesmo, têm<br />

características muito particulares na hora<br />

de contratar um seguro.<br />

Embora a maior parte dos corretores<br />

esteja aberta a trabalhar com qualquer<br />

porte de empresa, as pequenas, médias e<br />

micros apresentam dois pontos cruciais<br />

que devem ser notados: elas têm mais necessidade<br />

de proteção, já que um sinistro<br />

pode comprometer todo o patrimônio e,<br />

por terem perfis muito diferentes no quadro<br />

societário, muitos desconhecem os<br />

produtos de seguro ou acreditam que não<br />

têm capital para arcar com os prêmios.<br />

Os corretores trabalham para reverter<br />

esse quadro. Paulo Kalassa, da 3Seg<br />

Seguros, intitula a sua corretora como<br />

uma “butique de seguros”, atendendo<br />

grandes empresas, com mais de 500<br />

vidas, mas possui uma divisão interna<br />

para atender aquelas que possuem menos<br />

funcionários. O foco nesse caso são os<br />

benefícios – saúde, vida e odontológico,<br />

passando por patrimonial. “Mas também<br />

atendemos demandas específicas de<br />

acordo com cada empresa, então surge<br />

o seguro garantia, fiança, frota e D&O.<br />

Esse posicionamento reforça que nenhum


negócio é pequeno demais para nenhum<br />

produto.<br />

Acreditando nessa premissa, Douglas<br />

Polido, corretor da VIP Dinâmica,<br />

afirma que as pequenas empresas são a<br />

entrada para trabalhar com companhias<br />

maiores, mas guardam uma vantagem:<br />

“em muitos casos, as empresas de porte<br />

menor geram um custo benefício melhor”,<br />

observa. Na corretora de Polido,<br />

as maiores oportunidades no nicho estão<br />

nos ramos empresariais, vida em grupo e<br />

mini frota, contabilizando 25% de toda<br />

a produção.<br />

Cultura<br />

A autoconfiança desses sócios pode<br />

ser um grande obstáculo. Uma pesquisa<br />

realizada em maio de 2017 sobre a<br />

preocupação dos brasileiros em manter<br />

reservas financeiras para imprevistos,<br />

feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito<br />

(SPC) juntamente com a Confederação<br />

Nacional de Dirigentes Lojistas, mostra<br />

que 60% dos brasileiros não têm<br />

qualquer reserva para o futuro; como<br />

as PME’s, muitas vezes, acabam sendo<br />

administradas como extensão dos hábitos<br />

de poucos sócios, isso pode refletir no<br />

comportamento de caixa das empresas.<br />

“Embora não sejam todas, muitas PME’s<br />

são empresas familiares, gerando uma<br />

autoconfiança que dificulta nosso trabalho.<br />

“Algumas até, mesmo depois de<br />

muita conversa e explicação, continuam<br />

julgando desnecessário ter uma apólice”,<br />

lamenta Polido.<br />

Por outro lado, o trabalho dos corretores<br />

influencia para que o conhecimento<br />

e cultura de seguro aumentem nesse<br />

nicho. Uma das coisas que têm facilitado<br />

esse interesse é que os responsáveis pela<br />

contratação das apólices, muitas vezes,<br />

são os próprios donos e essa proximidade<br />

faz com que a consultoria possa ser feita<br />

diretamente com quem tem o poder de<br />

decisão. “O trabalho consultivo sendo<br />

feito mais de perto aumenta a confiança<br />

do cliente, ajudando a fidelização e<br />

facilitando o oferecimento de diversos<br />

produtos, não só da pessoa jurídica, como<br />

das demandas de pessoa física”, explica<br />

Kalassa.<br />

A centralização das decisões, nesse<br />

caso, é uma grande aliada. “Em empresas<br />

de grande porte, normalmente cada área<br />

cuida do seu seguro – por exemplo, o<br />

RH cuida de toda parte de benefícios – o<br />

que dificulta o oferecimento de produtos<br />

diversos a um mesmo cliente”, diz Kalassa.<br />

Polido completa este pensamento,<br />

afirmando que em grandes empresas,<br />

embora a noção de compra do seguro<br />

esteja mais presente, ela não pode ser<br />

ampliada, justamente por ser discutida<br />

com um funcionário que vai fazer o que<br />

foi solicitado.<br />

Não só os corretores estão focados<br />

em vender para esse público. Cada vez<br />

mais as seguradoras criam produtos<br />

novos voltados para os pequenos empresários.<br />

“Porém, vale lembrar que cada<br />

companhia tem uma preferência por<br />

setores e atividades, por isso nosso papel<br />

é fundamental para escolher o produto<br />

que se encaixa na empresa, bem como<br />

cláusulas e serviços”, defende.<br />

Os produtos de PME não são miniaturas<br />

de soluções para empresas de<br />

grande porte. “PME ainda não é o foco<br />

de todas as companhias, mas elas estão<br />

constatando que é uma fatia relevante do<br />

mercado, e que é muito viável investir<br />

peado nesse ramo”, opina Polido.<br />

Entre as dificuldades encontradas<br />

pelos consultores está, principalmente, o<br />

volume de negócios. O corretor precisa<br />

do crosselling porque o ticket médio<br />

dessas empresas pequenas é menor. As<br />

PME’s têm muita demanda, mas precisam<br />

de uma estrutura focada para ser<br />

❙❙Paulo Kalassa, da 3Seg Seguros<br />

❙❙Douglas Polido, da VIP Dinâmica<br />

uma carteira eficaz. “Acho que esse é<br />

o maior desafio. É preciso apostar nas<br />

PME’s com muito mais ênfase, mas também<br />

percebemos o retorno. Na 3Seg, há<br />

clientes com até seis tipos diferentes de<br />

apólices”, comenta.<br />

Empresas grandes da mesma área<br />

têm necessidades mais parecidas do que<br />

pequenas e médias na mesma situação.<br />

Nas últimas, o fator humano é mais<br />

latente por ser mais próximo. Não raro<br />

funcionários e chefes têm uma relação<br />

muito mais amigável. Daí vem outro<br />

trunfo para os corretores de seguros: ser<br />

consultor de um pequeno empresário,<br />

visitar a empresa, participar ativamente<br />

do dia a dia faz com que eles se mostrem<br />

mais e estejam mais próximos daqueles<br />

funcionários que ali estão. Por isso, quem<br />

diversifica a carteira pode aprender também<br />

a levar seguro individual para os<br />

funcionários. O que ainda não existe na<br />

cesta de benefícios daquela empresa, e o<br />

que ela não pode oferecer por questões<br />

financeiras reais, pode ser mostrado<br />

a esse colaborador. Automóvel, Vida,<br />

Previdência Privada etc. São carteiras<br />

que precisam de venda consultiva e que,<br />

justamente pela falta de cultura, muitas<br />

pessoas não conhecem. A própria empresa<br />

pode ser uma seara de atuação na qual<br />

os colaboradores já conhecem, confiam e<br />

têm o respaldo das contratações que foram<br />

feitas como benefícios para começar<br />

a se interessar por suas próprias formas<br />

de proteção. Assim, o corretor cresce e<br />

leva com ele a cultura do seguro.<br />

39


evento | 8º simpósio paranaense<br />

Reinvenção e otimismo<br />

Os consumidores mudaram, o mercado se<br />

movimenta o tempo todo e os corretores de<br />

seguros precisam acompanhar a nova realidade.<br />

Para isso, só há uma saída: se reinventar<br />

A<br />

renovação sempre retorna<br />

ao centro dos debates no<br />

mercado de seguros. Como<br />

os corretores podem fazer<br />

mais e melhor? Quais ferramentas as<br />

seguradoras podem disponibilizar para<br />

que isso seja feito? O caminho é partir<br />

para novos produtos ou focar no que<br />

já existe? Executivos responderam essas<br />

indagações durante o 8° Simpósio<br />

Paranaense de Seguros, realizado pelo<br />

Sincor-PR, em Curitiba.<br />

Leonardo Pereira de Freitas, diretor<br />

comercial Mercado Brasil da Bradesco<br />

Seguros, lembrou que apesar da mudança<br />

de comportamento do consumidor e de<br />

todas as outras modificações, se reinventar<br />

não precisa ser nada mirabolante.<br />

“Temos que cada vez menos pensar<br />

no produto e cada vez mais pensar no<br />

cliente. Quando focamos no cliente,<br />

Amanda Cruz e Lívia Sousa<br />

abre-se um leque de oportunidades para<br />

falar de negócios com os corretores”,<br />

exemplificou.<br />

A entrega de uma proposta de valor<br />

também deve ser mais tangível, e isso vai<br />

além de mostrar preços ao cliente, que<br />

hoje não busca por empresas, mas por<br />

soluções. Por isso, a multicanalidade não<br />

pode ser apenas a transposição do que é<br />

feito nos meios tradicionais para o digital.<br />

Correndo atrás<br />

A dica do diretor executivo de Produção<br />

da Porto Seguro, Rivaldo Leite, é<br />

unir corretores que se proponham a ser<br />

consultores e seguradores que estejam<br />

dispostos a prover ferramentas para<br />

efetuar essas vendas. Ele citou a compra<br />

da XP Investimentos pela Itaú Seguros,<br />

destacando que entre sete e nove mil<br />

agentes autônomos estão por trás da XP.<br />

“E se amanhã esses agentes começarem a<br />

ofertar automóvel, residencial? Se alguém<br />

se prepara para entrar no seu quintal, você<br />

se prepara para entrar no quintal dele?”,<br />

provocou.<br />

Flávio Rodrigues, vice-presidente<br />

comercial da HDI Seguros, defende um<br />

processo de inteligência por trás da cotação<br />

capaz de simplificar a burocracia. “É<br />

hora de fazermos a lição de casa, facilitarmos<br />

a vida dos corretores e lançarmos<br />

novos produtos.”<br />

De qual lado estamos?<br />

Rafael Caetano Tongnole, superintendente<br />

de Marketing – Vendas Online<br />

e Canais Digitais do Grupo Porto Seguro,<br />

acredita que a discussão, de fato, é o que<br />

as seguradoras e os corretores podem<br />

fazer de diferente para agregar valor e ganhar<br />

competitividade. “Até que ponto preciso<br />

estar refém do que executo há anos<br />

dentro de um ambiente?”, questionou. É<br />

necessário identificar a rotina, verificar<br />

o que pode ser mudado e experimentar<br />

recompensas diferenciadas por meio da<br />

venda de outros produtos e do diálogo<br />

com consumidores de outros negócios.<br />

“Nossos hábitos estão diretamente ligados<br />

aos nossos resultados”, acrescentou.<br />

40


Nesta nova realidade, a personalização<br />

também ganha fôlego. “Se dirijo bem,<br />

não tem por que pagar no seguro o preço<br />

da média do mercado. Se ando pouco com<br />

o meu carro, não devo pagar pelo prêmio<br />

cheio”, explicou o superintendente de<br />

Marketing e Inovação da Liberty Seguros,<br />

José Mello, destacando que a inovação<br />

e a reinvenção partem da empatia, da<br />

colaboração e da experimentação.<br />

Para que isso funcione, é preciso<br />

apostar em melhoria e simplificação de<br />

processos para que o corretor consiga ter<br />

mais eficiência para otimizar o tempo do<br />

segurado. “Temos um papel social muito<br />

forte no incentivo da cultura do seguro e<br />

a tecnologia pode nos ajudar a propagar<br />

o conhecimento por meio de aplicativos,<br />

informações no site e treinamentos digitais”,<br />

afirmou Canabarro Pereira da<br />

Cunha Neto, diretor de Tecnologia de<br />

Informação da Tokio Marine.<br />

Se ainda restam dúvidas de que este<br />

é realmente é o caminho, os próprios<br />

números comprovam que sim. Enquanto<br />

o investimento em startups de seguros era<br />

de US$ 300 milhões no mundo, no ano<br />

passado bateu US$ 3 bilhões. De acordo<br />

com previsões, 40% da frota americana<br />

será totalmente autônoma entre 2025 e<br />

2030. Qual será a cara do seguro de automóvel<br />

no futuro? “Quem está na indústria<br />

de TI aprende que as previsões de tempo<br />

sempre erram. Talvez isso aconteça em<br />

2030, talvez em 2022, 2023, isso se não<br />

acontecer antes do que as previsões<br />

mostram. O comportamento está fazendo<br />

com que a nossa indústria seja bastante<br />

transformada”, alegou Cristiano Barbieri,<br />

diretor de Tecnologia e Informação da<br />

SulAmérica.<br />

Entendendo as necessidades<br />

Plano de saúde, seguro de vida e<br />

previdência privada. Esses são alguns<br />

itens que tornaram-se indispensáveis.<br />

“Nesse momento, acho que o mercado<br />

regulado pela ANS está dando passo mais<br />

à frente do que a Susep, que ainda não fez<br />

a regulamentação da venda eletrônica.”,<br />

pontuou Illeana Iglésias, presidente da<br />

Extramed. Para ela, os corretores precisam<br />

entender que venda eletrônica não é<br />

sinônimo de dispensa do corretor, mas<br />

sim a utilização de processos por essa via,<br />

que está aí para simplificá-los.<br />

Para o seguro de pessoas, as oportunidades<br />

estão em uma questão principal:<br />

aprender a vender os produtos, sejam eles<br />

novos ou os já conhecidos na prateleira.<br />

“Acho que o que a gente está fazendo<br />

aqui no Brasil hoje é um pouco do que<br />

os EUA viveram há 40 anos, em termos<br />

de desenvolvimentos de novos produtos,<br />

de novas soluções de proteção de renda.<br />

Tudo isso para que a gente tenha, no final,<br />

a vida protegida”, destacou Fernanda<br />

Haydee Pasquarelli, superintendente de<br />

Vida e Previdência da Porto Seguro.<br />

E quando oferecer essa proteção é<br />

um tabu? O diretor comercial da Centauro-ON,<br />

Carlos Eduardo Rosenmann,<br />

contou que, embora o seguro de vida seja<br />

um produto fundamental para a existência<br />

contemporânea e o mercado ofereça<br />

diversas soluções, ele levou dois anos<br />

do lançamento do produto individual na<br />

companhia para entender que não basta<br />

explicar o produto ao corretor. “Se existe<br />

uma reinvenção necessária é pegar um<br />

produto que precisa ser vendido e de fato<br />

aprender como vendê-lo”, afirmou.<br />

O corretor de seguros não vende o<br />

seguro de vida. O consumidor também<br />

não compra. É o que afirmou durante<br />

o debate Olívio Lucas Filho, diretor de<br />

seguros de pessoas da Tokio Marine. “O<br />

seguro de vida remete muito à morte. Por<br />

isso o mercado está mudando”.<br />

Marcio Magnaboschi, diretor comercial<br />

da Axa, aproveitou a discussão para<br />

trazer uma provocação aos corretores. Ele<br />

citou uma pesquisa que mostrava que, em<br />

20 anos, os robôs substituiriam diversos<br />

profissionais, inclusive os corretores de<br />

seguros. “Uma pesquisa dessas, na linha<br />

da reinvenção, nos faz pensar como nós,<br />

agindo nesse mercado, podemos continuar<br />

sendo relevantes”, refletiu. Outro<br />

dado citado pelo executivo é o fato de que<br />

companhias como Google e Facebook,<br />

que detêm uma quantidade enorme de dados<br />

e jornadas digitais de seus usuários,<br />

pensam em entrar no ramo de seguros.<br />

“Imaginem essas empresas digitais no<br />

segmento, concorrendo com a gente. A<br />

reinvenção é necessária. É preciso pensar<br />

sobre isso”, concluiu.<br />

Palavra do presidente<br />

“Precisávamos fazer essa provocação,<br />

porque o momento pede que o<br />

corretor repense o seu negócio. Não<br />

se pode mais descarregar a produção<br />

da corretora no segurador. O mundo<br />

virou eletrônico, as seguradoras transferiram<br />

os processos para o corretor de<br />

seguros e isso é uma coisa que não vai<br />

voltar atrás. O corretor precisa crescer,<br />

se desenvolver, encontrar plataformas<br />

de negócios. Isso deve ser feito para<br />

que o mercado continue vivo e ativo.”<br />

José Antonio de Castro,<br />

presidente do Sincor-PR<br />

41


comunicação e expressão<br />

por J. B. Oliveira*<br />

Improviso: um palavrão<br />

para muitas pessoas<br />

Ao longo desses muitos anos de convivência nos<br />

mais diversos meios sociais, acadêmicos, políticos,<br />

religiosos e culturais, tenho visto muita gente “boa”<br />

– isto é, culta, letrada, ilustre e ilustrada – “tremer<br />

na base” ao ser convidada para falar de improviso.<br />

Parece-lhe, faltar tudo: a fala, o ar, o piso, a firmeza<br />

nos membros inferiores e superiores – pernas e<br />

mãos põem-se a tremer como vara verde... – e então<br />

lhes falta o principal: a inspiração!<br />

Entretanto, questiono: haverá mesmo esse tal<br />

improviso?<br />

E o que quer dizer improviso?<br />

Um dos sentidos cabíveis nessa palavra é “sem<br />

provisão”.<br />

Seria o caso de alguém que não tenha se provido<br />

do que deveria prover-se.<br />

Na fábula da cigarra e da formiga, esta última<br />

recolheu alimentos durante todo o verão, provendo<br />

sua toca de alimentos, enquanto a outra só cantava.<br />

Vindo o inverno, lá estava a formiga abrigada em<br />

sua toca, com estoque de alimentos providos por ela.<br />

Ouve uma batida débil na porta e vai atender.<br />

É a faminta cigarra, pedindo-lhe abrigo e comida.<br />

- Você não cantou no verão? Agora dance no<br />

inverno, diz-lhe a formiga.<br />

Dificilmente a pessoa terá que proferir uma fala<br />

de improviso.<br />

Poderá ter que enfrentar uma fala imprevista,<br />

que é coisa totalmente diferente!<br />

O que tudo isso quer dizer é que é pouco provável<br />

que se peça a alguém para falar de assunto que não<br />

seja de sua área de competência ou de sua esfera de<br />

conhecimento!<br />

Ninguém de bom senso vai pedir a um advogado<br />

que fale sobre Física Quântica ou Medicina<br />

Ortomolecular!<br />

Se solicitado a falar, o assunto em questão será<br />

de sua esfera natural de conhecimento profissional,<br />

cultural ou social. Poderá ser, no máximo, uma fala<br />

imprevista, mas não de improviso.<br />

Imagine esta situação: você recebe um telefonema<br />

de uma pessoa amiga que informa que está<br />

na cidade e virá fazer-lhe visita no fim de semana.<br />

Você sabe que ela gosta de bolo e resolve fazer um.<br />

Busca as provisões necessárias com antecedência,<br />

e o prepara. Quando a visita chegar daí a alguns<br />

dias, o bolo estará pronto para ser servido.<br />

Imagine agora que a pessoa lhe telefone no<br />

próprio dia, é feriado, você não tem onde comprar<br />

os ingredientes, mas quer oferecer o bolo.<br />

O que você faz? Abre a geladeira e lá estão os<br />

ovos, leite, manteiga e fermento. Vai à dispensa e<br />

encontra farinha, açúcar, chocolate e frutas secas!<br />

Eureca! Dá para fazer um bolo de chocolate ou de<br />

frutas ou de chocolate com frutas!<br />

Você trabalhou com o imprevisto, mas não<br />

com o improviso. Você tinha provisão. Talvez<br />

nem soubesse, mas a necessidade fez com que<br />

você localizasse tudo aquilo de que precisava para<br />

fazer o bolo!<br />

Suponha agora que você continue a fuçar na<br />

despensa e encontre linguiça, pé de porco, paio,<br />

bacon, alho, cebola... e resolva pôr tudo isso no<br />

bolo!? Vai ser uma desgraça!<br />

A esse risco está sujeito a discurso imprevisto,<br />

se não houver bom senso!<br />

Então, convidado a falar numa situação como<br />

essa, respire fundo, busque os conhecimentos que<br />

se acham armazenados na mente, selecione-os por<br />

ordem de pertinência, de oportunidade e de importância,<br />

estabeleça a sequencia em tópicos e pronto!<br />

Fale. Faça seu bolo! Mas sem acrescentar<br />

cebola, bacon, pé de porco...<br />

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.<br />

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras<br />

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br<br />

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