Revista Apólice #229

revistaapolice

Ano 23

Número 229

Fevereiro 2018

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editorial

Ano 23 - nº 229

Fevereiro 2018

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Ano curto para tudo

que precisa ser feito

2018 será um ano picotado por 12 feriados, sendo 10 deles com

possibilidade de emenda, um campeonato Mundial de futebol e

eleições. Até por conta disso, parece que as empresas vislumbraram

a necessidade de tomar decisões mais cedo.

Se o cenário político não dá sinais de estabilidade, com ameaças

de candidaturas que seriam pouco factíveis há algum tempo, o

cenário econômico teima em tentar se reerguer. Apesar de reformas

necessárias, que são adiadas repetidas vezes, o que funciona

mesmo é o mundo corporativo.

Os empresários brasileiros buscam novas formas de tornar seus

negócios viáveis e sustentáveis. Melhorar a relação com o consumidor

é outro ponto crucial nestes novos tempos. No mercado de

seguros não poderia ser diferente. Os executivos buscam parceiros

que sejam capazes de tornar a relação do consumidor com o

setor de seguros ainda mais ágil e agradável. Por isso, a busca por

novas tecnologias capazes de incrementar processos de back-

-office é incessante. Seja na área de emissão, regulação de sinistros

ou subscrição, o que se espera, hoje, é que o serviço seja digital e

transparente.

Na área de saúde, também há muitos novos prestadores de

serviços tentando seu lugar ao sol, com serviços capazes de mitigar

os riscos desta carteira. Seja através do cuidado com o doente

crônico ou do alinhamento de informações sobre o paciente, as

operadoras buscam formas de diminuir os custos que são possíveis.

Um deles pode estar ligado à forma de comercialização. Vendas

mal feitas acabam tornando-se processos judiciais no futuro.

Esta é mais uma luta do setor.

Boa leitura!

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Revista Apólice

Diretora de Redação

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sumário

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painel

gente

especial serviços

riscos e coberturas

É preciso enxergar além do que acontece a nossa frente para

entender o mundo dos riscos globais. Para encará-lo, as seguradoras

buscam apoio em empresas que possam fornecer as

melhores soluções

relacionamento

Os prestadores de serviços são a imagem e a extensão das seguradoras.

O que, de fato, o mercado espera desses profissionais?

Entidades e companhias do setor respondem

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saúde suplementar

tendências

Mercado de saúde suplementar tenta se equilibrar entre demandas

dos clientes, alto custo de operação e a necessidade

de abrir as portas às novas tecnologias

consumidor

A quantidade de erros na hora das vendas de produtos de

saúde gera insatisfação de usuários e sinaliza que está na hora

do mercado rever a capacitação dos profissionais

evento

Operadora revela os resultados positivos do último ano e anuncia

sua nova campanha de incentivo

campanha

AIG cria programa exclusivo para as assessorias de seguros,

empresas que são responsáveis por 5% de sua produção

fenasaúde

Workshop debate o legado da política de reajuste de preços

na saúde suplementar e as alternativas para a regulação dos

reajustes diante da alta dos custos do setor

comunicação

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painel

• nentrave

Lei de Seguro precisa de

ajustes

• ¢ mudanças

Comercialização por meios

remotos

As novas regras para a comercialização de seguros por

meios remotos nas operações relacionadas a planos de seguro

e de previdência complementar aberta entraram em vigor no

dia 26 de janeiro. Entre as principais mudanças está a utilização

dos meios remotos para celebração de contratos coletivos de

seguro e previdência e para certas atividades de pós-venda. De

acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), a

norma foi editada para permitir que as operações ocorram de

forma mais completa e adequada, considerando o avanço do

uso de tecnologias digitais que vem transformado os serviços

financeiros em todo o mundo. Além disso, ela coloca o setor

alinhado a outros setores supervisionados, como bancos e

mercado de capitais, no que diz respeito ao uso de tecnologias

digitais.

Em análise no Senado, a proposta de criação de uma

Lei de Contrato de Seguro foi concebida para garantir

mais proteção ao consumidor. Na prática, segundo um

estudo produzido pela Comissão de Direito Securitário

da OAB-SP, a proposta comete equívocos por não fazer

diferenciação entre segurados de seguros massificados

e segurados de grandes empresas. Se for aprovada sem

alterações, o estudo avalia que a proposta poderá gerar

impactos negativos para a atividade seguradora, como

aumento da judicialização, majoração do prêmio de

seguro, insegurança jurídica e a saída de seguradoras e

resseguradoras estrangeiras do país. “A OAB-SP não é

contrária a esta lei, mas deseja contribuir para aprimorá-

-la”, disse Débora Schalch, presidente da Comissão,

durante a apresentação do estudo, em São Paulo.

• nhomenagem

Despedida a Sérgio Petzhold

O mercado de seguros se despediu de Sérgio Petzhold, ex-presidente

do Sincor-RS, que faleceu em 2 de janeiro. Petzhold foi goleiro do Internacional

e Floriano (hoje Novo Hamburgo) e, em 1968, deixou a carreira. Já

bacharel em ciências contábeis, passou a trabalhar como corretor de seguros.

Ele era acadêmico da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP)

e cidadão emérito da cidade de Porto Alegre, título obtido em 2006. Com

mais de 50 anos de atuação no setor, foi presidente do Sincor-RS de 1974

a 1976. Voltou a ser eleito em 1983 e exerceu o cargo até 2006. Era um dos

fundadores da Fenacor e da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Corretores

de Seguros de Porto Alegre.

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painel

• nsegurança

Brasil perde dinheiro com crimes

cibernéticos

O Brasil é o segundo país que mais perdeu financeiramente

com ataques cibernéticos em 2017, atrás apenas da China, e

também o país em que mais crianças sofrem com bullying,

na mesma posição que a Índia. É o que apontou o Norton

Cyber Security Insights Report 2017, divulgado pela Norton

by Symantec.

No ano passado, cerca de 62 milhões de brasileiros (61% da

população adulta conectada do país) foram vítimas de cibercrime.

As perdas totalizaram US$ 22 bilhões. De um modo geral,

as vítimas tendem a usar a mesma senha em várias contas ou

compartilhá-la com outras pessoas. Os millenials são os mais

afetados, sendo que 26% deles não possuem nenhum método

de proteção em pelo menos um dispositivo e eles são mais

propensos a compartilhar a senha.

•produto n

Apólice

residencial para

a terceira idade

O Grupo BB e Mapfre

lançou o Mapfre Residencial

+ Sênior, um seguro criado

para atender as necessidades

da terceira idade, agregando benefícios e serviços customizados.

As assistências focam em saúde e bem-estar e disponibilizam

orientação por telefone para medicamentos, descontos

em farmácias, indicação de médicos, enfermeiros, técnicos de

enfermagem e fisioterapeutas, locação de muletas, cadeiras de

rodas, cama hospitalar, cilindro de oxigênio e transporte para

tratamento fisioterápico, além de serviços voltados para a residência

como chaveiro, eletricista, vidraceiro, desentupimento,

conserto de aparelhos linha branca e instalação de olho mágico.

• negócios

Empresa de soluções para

corretores

A Virtual Softwares para Seguros e a Sistemas Seguros

ligaram suas operações e, a partir de agora, são responsáveis

pelo processamento anual de quatro milhões de

apólices de seguros e por uma carteira de mais de dois

mil clientes.

“A fusão com a Virtual fortalece a estratégia para

ganharmos ainda mais mercado”, salienta Fernando Rodrigues,

CEO da Sistemas Seguros.

Para Maurício dos Santos, CEO da Virtual Softwares

para Seguros, a união também possibilitará que as duas

operações “invistam ainda mais em pessoal, estrutura,

novos produtos e soluções, para viabilizar a consolidação

de uma posição de destaque entre as principais Insurtechs

do Brasil.”

• negócios 2

Aquisição de ativos e

operações

A Icatu Seguros e o BNP Paribas Cardif assinaram o

contrato no qual a seguradora vai adquirir a totalidade

dos ativos e as operações de Cardif Capitalização no

Brasil. A partir da aprovação da operação pelos órgãos

reguladores, a Icatu assumirá as carteiras e a comercialização

de capitalização da Cardif e passa a ser provedora

exclusiva desses produtos para o BNP Paribas Cardif Brasil.

A efetivação da operação ainda está sujeita à aprovação

do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)

e da Susep.

No segmento de Capitalização, a Cardif atua principalmente

na modalidade de incentivos e tem faturamento

anual de R$ 85 milhões (2016). O acordo preserva as

condições contratadas pelos atuais parceiros e clientes,

que continuarão a contar com os serviços.

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• nautomóvel

Aplicativo dá desconto em

seguro

A SulAmérica

apresentou o aplicativo

Auto.Vc, que

utiliza um sistema

de telemetria no celular

do motorista,

seja ele cliente ou

não da companhia.

Por meio do app, o

usuário recebe uma

avaliação do seu modo de dirigir, obtém dicas personalizadas

e pode ser recompensado se adotar boas práticas

de direção. Quanto mais segura for a direção do carro, mais

pontos ele acumula e mais alta é sua posição no ranking.

Com isso, pode ser recompensado com até R$ 400 de

desconto no seguro, R$ 800 na franquia ou 30 diárias extras

no carro reserva.

A novidade estará disponível em breve para todo o

País. O lançamento encontra-se em fase inicial, com cinco

mil usuários de seis cidades brasileiras, e ocorre após um

piloto com colaboradores da seguradora.

• ntecnologia

Colaboradora digital no RH

A Tokio Marine investiu em Inteligência Artificial na

realização de atendimentos no Departamento de Recursos

Humanos. Desenvolvida através de um software baseado no

supercomputador Watson, a colaboradora digital Marina é

capaz de aprender, identificar expressões e interpretar contextos,

sendo inicialmente responsável por realizar cerca de

dois mil atendimentos mensais referentes a assuntos do dia a

dia dos colaboradores da companhia, como férias, benefícios

e avaliação de desempenho.

Em sua fase inicial, Marina estará disponível para atendimentos

via chat, dentro do Portal de Recursos Humanos

da seguradora.

Numa segunda

etapa, a previsão

é que ela passe a

atender também

dúvidas de corretores

e clientes

através de canais

como telefone,

vídeo e chats de

redes sociais.

• npesquisa

Queda nas fatalidades de

trânsito

O Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, programa

do Governo de São Paulo, divulgou o número de

óbitos causados por acidentes de trânsito em 2017. Segundo

o Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Estado

de São Paulo (Infosiga SP), 5.645 ocorrências fatais

foram registradas nos 645 municípios do estado. O número

representa uma redução de -1,4% na comparação com 2016

e 82 mortes evitadas.

Desde o início dos registros do Infosiga SP, que contemplam

dados a partir de 2015, a redução é de -6,9%. Na

comparação dos dados de 2017 com a projeção de óbitos

para este ano, a redução é de 25,4%. A projeção para 2018,

feita a partir dos números registrados desde 2010, era de

7.571 óbitos. A meta do programa é reduzir pela metade o

número de óbitos na comparação com a projeção para 2020

(7.761 fatalidades).

• ncomemoração

20 anos no mercado

A Prudential do Brasil completou 20 anos de atuação

com um modelo de negócios focado em atender às necessidades

dos clientes por meio do seguro de vida personalizado.

“O futuro continuará sendo de crescimento sustentável do

negócio, mantendo o foco na qualidade dos nossos produtos

e na satisfação dos clientes através da inovação tecnológica,

apoio constante aos

corretores de seguros

e às corretoras das empresas

parceiras. Temos

desafios a superar, mas

com o time de colaboradores

que a Prudential

tem, estou muito

otimista com nosso

futuro e os próximos

20 anos”, ressalta Marcelo

Mancini Peixoto,

presidente & CEO da

empresa.

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painel

• ¢ campanha

Companhia levará corretores ao

Vale do Silício

A Previsul apresentou sua nova campanha de incentivo

de vendas para os corretores de seguros de São Paulo.

Em 2018, a premiação levará os profissionais com o maior

número de vendas à cidade de São Francisco e ao Vale do

Silício – principal polo tecnológico dos EUA. Entre os meses

de janeiro a março, a seguradora passará por 20 cidades em

13 estados para o lançamento da campanha, intitulada “Sou

+ Previsul 2018 – É você corretor, no centro da inovação”.

• ncapitalização

R$ 1 bilhão em sorteios

Entre janeiro e novembro de 2017, as empresas que

comercializam títulos de capitalização distribuíram R$ 1

bilhão em sorteios, o equivalente ao pagamento de R$ 4,4

milhões por dia útil, a clientes sorteados de todo o país. É o

que afirma a Federação Nacional de Capitalização (FenaCap).

No período, o segmento teve uma receita de R$ 18,6 bilhões,

montante inferior ao registrado entre janeiro e novembro de

2016, quando a receita global foi de R$ 18,9 bilhões.

A modalidade Tradicional registrou a maior representatividade,

com faturamento de R$ 15,6 bilhões. Já a modalidade

de Incentivo arrecadou R$ 1,9 bilhão. A modalidade Popular,

de baixo valor, arrecadou R$ 990,9 milhões.

• nprojeto

Publicação de bens obrigatória

Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados obriga

seguradoras, empresas de previdência privada e de títulos

de capitalização a publicar trimestralmente a relação de bens

garantidores dos seguros, títulos e planos que emitem. Essas

empresas já são

obrigadas por lei

a possuir bens que

sirvam como garantia

para os papéis

que emitem. Apesar

da preocupação

do legislador em

manter esse pilar,

o autor do projeto,

Heuler Cruvinel

(PSD-GO), afirma

que isso nem sempre é cumprido, principalmente quando

ocorrem quebras das empresas do setor.

Qualquer segurado, portador de título de capitalização

ou participante ou beneficiário de plano de previdência privada

poderá solicitar cópia da relação de bens garantidores.

Fonte: Agência Câmara Notícias

• ncorporate

Insurtech atuará no setor

empresarial

A Thinkseg entrará para o segmento corporativo a partir

de março. O CEO da companhia, Andre Gregori, é quem

dirigirá o nicho de produtos para as empresas, começando

pelo seguro garantia. A nova área ainda contará com a participação

do sócio Carlos Eduardo Sarkovas e outros profissionais

recém-incorporados ao time.

A entrada de Gregori no seguro garantia coincide com

o encerramento do período de “non compete”, cláusula de

não competição, cumprida por ele após deixar a instituição

na qual trabalhava antes de

fundar a Thinkseg. “O seguro

garantia deve apresentar

um crescimento ainda

mais significativo a partir

de agora, uma vez que os

investimentos em infraestrutura

estão começando

a ser retomados e novos

projetos estarão na pauta

de quem quer que venha a

ser o novo presidente”, diz

Gregori.

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• nevento

Lançado o Brasesul 2018

Foi lançado oficialmente

o Encontro Sul Brasileiro

dos Corretores de

Seguros (Brasesul) 2018,

que acontecerá em Florianópolis

(SC) nos dias 19 e

20 de julho.

Com o tema “Caminhos,

Alternativas e Soluções”,

as palestras e painéis

serão voltados aos avanços

tecnológicos e às novas

opções de atuação no mercado.

Haverá ainda a Feira

de Negócios, que receberá os corretores de seguros.

Promovido pela união dos Sincors no Estado do Paraná,

Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o Brasesul visa unir todos

os corretores de seguros dos Estados do Sul, proporcionando,

além da integração da categoria, a troca de informações e

conhecimentos, atualização profissional e o fortalecimento da

relação com o mercado segurador.

• nresultado

Otimismo do setor continua

em alta

O otimismo do setor de seguros continuou crescendo no

primeiro mês de 2018. No caso das seguradoras, o Índice de

Confiança e Expectativas das Seguradoras (ICES) é o maior

valor desde 2015, atingindo agora mais que 125 pontos. É

o que aponta o Índice de Confiança do Setor de Seguros

(ICSS), calculado a partir de pesquisa realizada pela Federação

Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor).

Essa avaliação favorável está espalhada entre todos os

tipos de empresas analisadas – seguradoras, resseguradoras

e grandes corretoras.

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GENTE

Mudanças na presidência

O presidente do Grupo

Bradesco Seguros, Octavio

de Lazari Junior, foi escolhido

pelo Conselho de

Administração do banco para

substituir Luiz Carlos Trabuco

na presidência da companhia.

Lazari continuará como presidente

da seguradora, acumulando

os cargos.

A nova composição do

comando do Bradesco será efetivada em 12 de março, após

eleição do novo Conselho de Administração da Organização

pela Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas.

O novo Conselho irá referendar a indicação de Octavio de

Lazari Junior.

Trabuco, que continuará na presidência do Conselho

e cumprirá o seu atual mandato como CEO até a primeira

reunião do Conselho, passará a se dedicar de forma exclusiva

ao cargo de presidente do Conselho de Administração.

Espanhol comanda

seguradora

Miguel Pérez Jaime deixou

a presidência da Allianz Seguros.

Com isso, o cargo passou a

ser ocupado por Eduard Folch,

espanhol de Barcelona especialista

em varejo de automóvel.

Jaime estava à frente da companhia

desde 2013, quando substituiu

o argentino Edward Lange, então CEO da seguradora.

Diretor executivo de

Underwriting

A Allianz Worldwide Partners Brasil apresentou

Alan Leal como diretor de Underwriting para o Brasil.

O executivo vai liderar a área de Underwriting e Portfólio

Management, desenvolvendo

os aspectos de riscos, técnicos,

mercadológicos, operacionais e

econômicos da operação, além

de aprovar cotações e acompanhar

sinistralidade das carteiras

junto à equipe. Será responsável

ainda por desenvolver novas

metodologias de precificação,

automatização e inovações.

Eleição com chapa única

A eleição para a nova diretoria

do Sincor-SP na gestão 2018/2022

será com chapa única, liderada pelo

atual presidente da entidade, Alexandre

Camillo. Intitulada “Sincor-SP

por Todos e Com Todos”, a chapa

mantém Camillo na presidência e os

atuais diretores executivos para gerir

o Sindicato por mais quatro anos. A

Assembleia Geral para aclamação

acontecerá no dia 26 de março.

Superintendente de Grandes

Riscos

A Sompo Seguros contratou

Edson Toguchi como novo superintendente

de Grandes Riscos,

para contribuir com as perspectivas

da companhia de expandir

a atuação e desenvolver soluções

estratégicas para a área.

O executivo, que tem mais de

25 anos de experiência em grandes

companhias de seguros, iniciou

carreira na Yasuda Seguros, uma das empresas que deu origem

à Sompo no Brasil. Atuou no desenvolvimento e lançamento

de novos produtos de seguros e liderou projetos de reposicionamento

para atingir objetivos estratégicos comerciais para as

linhas de produto sob sua responsabilidade.

Líder e CCO para a linha de

Viagem

Dois novos executivos passaram a

integrar o time da Chubb. O primeiro é

Juan Ignacio de Lorenzo, que se junta

como head of Travel Insurance para

América Latina. Ele será responsável

por todos os processos da carteira,

incluindo o desenvolvimento de negócios,

definição e execução da estratégia,

relacionamento com parceiros chave,

além dosaspectos relacionados aos

resultados da região.

A segunda nomeação é de Diego Navarro, que assume o

cargo de Chief Commercial Officer, Travel Insurance para a

região. Neste papel, ele será responsável pelo gerenciamento

comercial do portfólio, com foco na entrega, execução, relacionamento

com parceiros de negócios e maximização das receitas.

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VP de Desenvolvimento de

Negócios e Estratégia

A Aon contratou Hélio Novaes

para ocupar a vice-presidência de

Desenvolvimento de Negócios e

Estratégia da companhia. Reconhecido

no mercado segurador por

sua experiência e know-how no

setor, o executivo já atuou nas áreas

de Gestão de Riscos, Afinidades e

Benefícios. “Meu trabalho dentro

da companhia é desenvolver novas

estratégias de crescimento com

clientes e colaboradores e novos projetos de parcerias com

empresas líderes de diversos segmentos. Além disso, vamos

identificar as melhores oportunidades de inovação dentro do

setor de seguros”, comenta Novaes.

Diretoria de filiais

Paulo Mantovani foi nomeado diretor para as filiais

Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre (região Sul) e Rio

de Janeiro na Marsh Brasil. Ele já estava à frente da filial

Rio desde 2016. Com a nova

estrutura organizacional,

Juliano Trein e Claudio

Denucci, superintendentes

das filiais da região Sul e

Belo Horizonte, respectivamente,

passam a se reportar

diretamente ao executivo.

Em sua nova missão,

Mantovani contará com o

apoio de Marcelo Elias, Marcelo Borges, Paula Lopes, Raul

Nechar e André Takahashi, diretores de negócios da companhia,

para o fortalecimento da marca e dos produtos em todas

as regiões foco do país.

Diretor presidente

Marcos Aurélio Couto é o

novo presidente & CEO da BR

Insurance. Ele substitui Luiz Roberto

Mesquita de Salles Oliveira,

que assumirá o cargo de COO de

Benefícios.

O executivo soma mais de

30 anos na indústria de seguros e

já passou por companhias como

Mitsui Sumitomo, Ace Seguradora

e Grupo Tempo Assist. Couto

também foi diretor do Sindseg, da FenaSaúde e atualmente

é diretor da Academia Nacional de Seguros e Previdência

(ANSP).

Movimentação de executivos

A JLT Brasil movimentou

seus executivos com o objetivo

de potencializar a sinergia das

empresas de seguros, resseguros

e benefícios e alcançar a meta de

crescimento de 20% do grupo

na América Latina até 2019. A

maioria das mudanças aconteceu

na holding onde Alvaro Eyler,

CEO da JLT Seguros, assume o

cargo de Deputy CEO. Adriano

Oka passa a ocupar o posto de Chief Strategy Officer.

Luciana Olivo vai para a vice-presidência de Sinistros.

Santiago Arellano passou a integrar o time da JLT Resseguros

no início de 2018 como diretor técnico e de colocações

de resseguros. Já Rosaura Torres chega para atuar como

diretora comercial da nova filial Ribeirão Preto.

Tripla mudança

A MDS Brasil anunciou

três mudanças. A primeira foi

a escolha de Pedro Carvalho

para assumir a recém-criada

Superintendência de Resseguros.

Thomaz Tescaro, que

ocupou o cargo de Gerente de

Affinity na corretora entre 2012

e 2015, volta à companhia como

diretor de Varejo. Maria Lígia

Fuschini assume a superintendência de Gestão de Saúde,

área recém-criada que visa normatizar o trabalho nas regionais

da empresa e rever critérios e ações.

Diretora comercial

A April Brasil promoveu

Claudia Brito como diretora

comercial. Colaboradora da

multinacional francesa desde

2014, a executiva deixa

o cargo de gerente nacional

para liderar as ações comerciais

do grupo no mercado

brasileiro.

“Estou pronta para lidar

com os novos desafios da

função e contribuir cada vez

mais com o sucesso do grupo

no Brasil, sempre contando com o apoio de nossa excelente

equipe comercial”, garante.

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serviços | riscos e coberturas

O mundo muda e os

riscos, também

É preciso enxergar além do que

acontece a nossa frente para

entender o mundo dos riscos

globais. E para encará-lo as

seguradoras buscam apoio em

empresas que possam fornecer as

melhores soluções

Kelly Lubiato

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O

mundo é dinâmico e nosso

mercado tem que correr para

acompanhar as suas necessidades.

Há uma cadeia de

prestadores de serviços que trabalham

para que, na ponta, o consumidor tenha

segurança quanto à sua proteção.

2017 foi um ano movimentado em

termos de grandes riscos, com eventos

como os furacões no Caribe, nos Estados

Unidos e Porto Rico, incêndios na

Califórnia (mais severos e com prejuízos

para o mercado como um todo) e o terremoto

no México. Como consequência, os

contratos de resseguro sofreram reajustes

entre 20% e 25%.

Por outro lado, há uma série de demandas

do mercado que fazem com que

as seguradoras sejam obrigadas a buscar

soluções fora de sua base para poder

manter um bom nível de rentabilidade

e ainda atrair novos consumidores para

a sua base.

De acordo com Hugo Assis, responsável

pela prática de seguros da

consultoria Accenture, se compararmos

o Brasil aos demais países da América, os

principais desafios para o ano de 2018 são

semelhantes, mas com distância de acordo

com o estágio de maturidade de cada

mercado. Ele classifica três pontos como

recorrentes: 1) A transformação digital:

precisa incorporar processos disruptivos

para trazer resultados, entretanto, sem a

necessidade de mudanças complexas. “É

preciso evoluir, aprendendo e corrigindo

de forma ágil até atingir a transformação

necessária”, esclarece Assis; 2) Eficiência:

o avanço da inteligência artificial

combinado a novas gerações de chatbots,

robotização, entre outras soluções,

demonstram que a eficiência nas seguradoras

ainda pode evoluir muito. “Neste

caso, experimentamos bons resultados

em projetos de BPO (Business Process

Outsourcing)”; e 3) Gestão de

Dados: o mundo digital é orientado

a dados e a criação de capacidade

analítica nas seguradoras para

gestão de informações com

os mais diversos objetivos

é um tema constante, que

demanda novas capacidades

técnicas que não se

encontram naturalmente

nas empresas.

As seguradoras enfrentam

um nível de demanda grande e

elas não podem negligenciar estas

questões. “Modelos digitais inova-

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iscos e coberturas

dores não são possíveis sem gerenciamento

de dados e altos níveis de eficiência.

Digital significa fazer as coisas mais

rápidas, melhor e mais barato e isso exige

uma grande dose de inovação. Em nossos

estudos, descobrimos que as seguradoras

que sabem inovar são atentas e têm uma

forte disciplina que garante que suas

iniciativas estejam alinhadas com sua

estratégia”, explica Juan Mazzini, sênior

analyst de Financial Services da Celent.

Ele acredita que as seguradoras

têm muito o que aprender com as empresas

que inovam, principalmente com

as insurtechs. Não que toda insurtech

seja inovadora! Muitas startups devem

passar por um processo de maturação

da sua proposta de valor para se tornar

relevante. “As seguradoras investem

mais recursos para ficar atentas ao que

acontece no mundo Insurtech, tanto na

experimentação, quanto na associação,

incluindo a participação na aceleração

do crescimento deste tipo de empresas,

ou mesmo investindo diretamente”,

avalia Mazzini. Segundo ele, a sugestão

que a sua empresa dá às seguradoras é

que, no mínimo, elas invistam para estar

informadas e atentas ao que acontece em

startups, para que, a partir daí, cada um

possa investir dentro das suas possibilidades

e estratégia.

Assis, da Accenture, explica que as

experiências dos consumidores em outras

indústrias, fora do mundo dos seguros,

estão direcionando suas expectativas.

❙❙Juan Mazzini, da Celent

16

❙❙Hugo Assis, da Accenture

Hoje, o consumidor consegue fazer compras

com um clique, transações bancárias

a partir de reconhecimento facial etc.

Somada a estas expectativas existe uma

crescente demanda por controle e transparência

do modelo de riscos. “Essa nova

tendência de comportamento, somada ao

valor de avaliações de clientes, indicações,

dentre outros, está começando a ser

capturado e vai influenciar na dinâmica

do negócio como conhecemos hoje”,

avalia o executivo.

Isso acontece porque devido ao movimento

de empoderamento do cliente,

os produtos de seguros precisarão ser

mais customizados e flexíveis e deverão

levar em consideração os hábitos dos

clientes. “Para que aconteça, as seguradoras

precisarão rever seus conceitos de

criação de produtos, flexibilizando seus

sistemas core, mergulhando na jornada

do consumidor para entender suas necessidades,

atuando em modelo ágil de

desenvolvimento e criando acesso aos

novos produtos em plataformas digitais.

Hoje o que mercado oferece são produtos

‘commodities’”, acrescenta Assis.

A atuação das seguradoras depende

de uma série de serviços, prestados

por terceiros ou não, que garantem a

satisfação do cliente. Muitas vezes, o

atendimento direto ao consumidor não é

feito pela seguradora, mas ele leva a sua

assinatura. “Por conta desta sinergia entre

os departamentos, áreas como sinistros

e atendimento a clientes/corretores são

grandes oportunidade de melhoria com

a aplicação de tecnologias e tendências”,

avalia Assis.

O mundo das Insurtechs

Um estudo publicado pela Celent

aponta que 2018 será o ano da “verdade”

para as insurtechs. Existem empresas

que venderam bilhões de apólices, outras

que completaram IPO´s de até US$ 1,5

bilhões, e ainda aquelas que aproveitaram

as vantagens do mundo digital. Elas

propõem novos modelos de seguros com

base em experiências de clientes que não

eram atendidos em seguradoras tradicionais,

mas que ainda não são lucrativos.

“Quanto mais isso pode durar? Nas conversas

com atores da indústria de seguros,

observamos que estamos num ponto de

virada, onde os resultados ainda não são

percebidos”, aponta Mazzini.

As seguradoras estão investindo em

várias frentes, algumas visíveis para o

cliente e outras, não, mas não sem importância.

Mazzini avalia que no que é

visível para o cliente, “vemos um grande

interesse no uso de agentes virtuais suportados

pelo uso da inteligência artificial

e linguagem natural, a modernização de

canais digitais, incluindo ferramentas

que gerenciam canais de comunicação e

um aprofundamento na análise de dados

que tenha impacto na melhor experiência

do cliente. Em áreas não visíveis para o

cliente, as seguradoras continuam modernizando

seus sistemas e centrais e

❙❙Gustavo Zobaran, da camara-e.net


ferramentas para evitar fraudes, visando

principalmente gerar eficiência e cuidar

da linha de custos sem renunciar ao

serviço”.

Segundo levantamento da Câmara

Brasileira de Comércio Eletrônico,

existem cerca de 40 insurtechs cadastradas

no mapa do ecossistema do

segmento no Brasil. “Nossa tarefa é

encaixá-las em categorias, de modo

que possamos entender como elas

trabalham”, explica Gustavo Zobaran,

coordenador do Comitê de Insurtechs da

camara-e.net. Agora, ela começa a

realizar uma análise qualitativa destas

empresas, para entender como elas

operam, que tipo de tecnologia utilizam

em seus serviços, que dores resolvem,

quantos colaboradores têm e como atuam

no mercado de seguros. O estudo

também deve levantar se estas empresas

apresentam serviços/produtos para o

consumidor ou se são provedoras de

serviços e tecnologia para seguradoras.

Antes de colocar a mão no bolso,

o investidor quer saber se o negócio

realmente tem condições de evoluir,

principalmente considerando-se que o

setor de seguros no Brasil é altamente

regulado.

Assis, da Accenture, acrescenta que

a maioria absoluta dos investimentos

está concentrada em soluções de venda

e distribuição de produtos de seguro, o

que demonstra uma oportunidade para

que as seguradoras possam transformar

e evoluir suas plataformas para melhor

atender seus canais de distribuição.

“Tendências não faltam nessa linha,

como o “gamification”, que ganha notoriedade

por ajudar a melhorar o nível de

informação dos produtos e a interatividade

junto aos clientes”, completa.

Quais são os riscos para 2018?

Durante o Fórum Econômico Mundial,

que aconteceu em Davos, na Suíça,

foi divulgado o Relatório de Riscos Globais,

a partir de entrevistas realizadas

com executivos de empresas do mundo

inteiro. Este relatório compartilha as

perspectivas de especialistas globais e

tomadores de decisão sobre os riscos

mais significantes que o mundo enfrenta.

O que ficou claro é que o grande desafio

das sociedades modernas é acompanhar

o ritmo acelerado das mudanças.

17


iscos e coberturas

John Drzik, da Marsh Global Risk

❙❙and Digital

Ele destaca inúmeras áreas em que

se empurram sistemas à beira do abismo,

desde taxas de perda de biodiversidade

de nível de extinção até preocupações

crescentes sobre a possibilidade de novas

guerras.

Os riscos cibernéticos ainda aparecem

na liderança, pois eles podem

afetar diversas cadeias econômicas.

Logo depois vêm os riscos geopolíticos,

as mudanças climáticas e a cooperação

público privada.

John Drzik, presidente da Marsh

Global Risk and Digital, disse na apresentação

que quando se pensa sobre a

escala comparativa [de perdas], o cyber

está acima da escala de catástrofes naturais,

mas a infra-estrutura comparativa

contra ele é muito menor em escala. “Eu

penso sobre as agências governamentais,

bem como as organizações de voluntários,

que se concentram na resposta a

desastres naturais, em comparação com

as agências cibernéticas nacionais. Estas

têm muito menos recursos. Elas têm alguma

capacidade, mas não o suficiente

para lidar com o risco significativamente

crescente”, avaliou.

A preocupação justifica-se pelo fato

de que junto com a motivação, a capacidade

de atacar também está aumentando.

Drzik salientou que se preocupa com a

proliferação de dispositivos interligados.

“O uso de inteligência artificial e outras

18

tecnologias emergentes também está levando

a uma maior exposição cibernética

para as empresas”.

“Gostamos de olhar para depois de

amanhã”, ratifica Renato Rodrigues, CEO

da XL Catlin no Brasil. Ele destaca que a

empresa realiza estudos constantes para

saber de onde vêm os novos riscos. Como

uma forte tendência para os próximos

anos, já a partir de 2018, são os riscos

ligados às moedas criptográficas e o

blockchain, pois estas questões podem

impactar o mercado de seguros à medida

que os contratos passam a ser diretos

entre as seguradoras. O blockchain permite

o pagamento direto, atravessando

as fronteiras geográficas, com impacto

na taxação e na velocidade. “Estes contratos

são regulados de forma colegiada”,

explica Rodrigues.

Da mesma forma, o Bitcoin (ou

qualquer outra ciber-moeda similar)

ainda não está devidamente regulado,

mas todos estudam a melhor forma de

cobrir este risco. “É preciso criar uma

solução para cobrir os contratos de blockchain

sem intermediação de agentes

financeiros. São operações incipientes,

mas que já começam a ser utilizadas por

multinacionais”, explica Rodrigues. Ele

acrescenta que se estuda a possibilidade

de dar cobertura ao risco sistêmico, que

mistura ciber com risco financeiro puro.

A questão da internet das coisas

também preocupa, principalmente a definição

de, em caso de dano, de quem é a

responsabilidade, ou seja, de qual parte

da cadeia. O Relatório de Riscos Globais

2018 aponta que havia 8,4 bilhões de

dispositivos conectados à web, para uma

população de 7,6 bilhões de pessoas. A

projeção é de que eles atinjam a marca

de 20,4 bilhões até 2020. A pergunta é:

“até que ponto o tipo de transação feita

automaticamente pode acarretar em

algum tipo de responsabilidade, caso

haja um defeito, um erro ou um ataque

cibernético?”

O CEO da XL Catlin explica que

ainda existem os riscos que não estão

previstos nas apólices. Como exemplo,

ele cita a crise hídrica no Estado de São

Paulo em 2016, que levou algumas empresas

até a suspenderem as operações,

gerando perda de produtividade. “Estu-

Renato Rodrigues,

❙❙da XL Catlin

damos uma cobertura de lucros cessantes

para empresas que sejam obrigadas a

dispensar seus funcionários por falta de

água em suas dependências. Começamos

a colocar uma cláusula de crise hídrica

que pudesse obstruir os negócios. Ela é

decorrente de causa externa, mas passa a

ser incorporada como um risco”.

Outro exemplo de risco que ainda

não está previsto nas apólices, mas que

já tem um grupo de trabalho voltado

para ele, é a questão dos opiáceos nos

Estados Unidos e Canadá. São drogas

viciantes vendidas como analgésicos,

com receita médica, como a oxicodona,

codeína e morfina. Elas passaram a ocupar

o lugar de outras drogas entre jovens e

adolescentes e provocam um crescimento

exponencial de mortes e de overdoses.

Nos últimos meses alguns estados

e municípios americanos processaram

grandes empresas farmacêuticas, distribuidores

e médicos devido às supostas

contribuições para a disseminação da

epidemia. Estes casos podem provocar

mudanças nos processos contenciosos em

que a indenização (neste caso) é exigida,

não só por indivíduos (alegando lesões

corporais específicas), mas também pelos

governos estaduais e locais, que alegam

danos ao público (isto é, “contencioso

relativo a incômodos à população”).

Resta-nos esperar para ver que decisões

os tribunais tomarão.


19


especial serviços | relacionamento

Trabalho alinhado

Os prestadores de serviços são a imagem

e a extensão das seguradoras. O que, de

fato, o mercado espera desses profissionais?

Entidades e companhias do setor

respondem

Lívia Sousa

20


❙❙Mauro César Batista, do Sindseg SP

❙❙Augusto Matos, do Sindseg MG/GO/MT/DF

As empresas remam para o

caminho do crescimento ao

mesmo tempo em que vivem

a era do aprofundamento

tecnológico e das exigências dos consumidores,

que buscam imediatismo e

nenhum tipo de conflito. Provocadas

pela necessidade de melhoria em seus

processos, elas terão um desafio ainda

maior este ano. Isso porque a economia

dá sinais de que manterá os níveis de crescimento

na maioria dos setores, acirrando

a competitividade entre as companhias.

Todas, obrigatoriamente, deverão primar

pela excelência em seus serviços.

Recorrer aos prestadores é uma maneira

de se preparar para essa travessia.

No mundo globalizado, as organizações

têm dispensado grandes esforços no aprimoramento

da atividade fim, terceirizando

ações complementares às suas rotinas.

Prestadores com qualificação apurada

são muito bem vindos. “O que se espera,

acima de tudo, é que sejam competitivos

e busquem excelência e eficácia naquilo

que se propõem”, lembra o presidente do

Sindicato das Seguradoras, Previdência

e Capitalização do Estado de São Paulo

(Sindseg SP), Mauro César Batista.

No setor de seguros não é diferente.

O dinamismo das relações de consumo

e a digitalização das vendas no e-commerce

não permitem descanso em relação

às melhorias de processo, agilidade e

entrega. “Esses pontos merecem atenção

e ainda sofrerão muitas alterações ao

longo de 2018, principalmente no que diz

respeito ao e-commerce. O brasileiro está

se conscientizando da necessidade do seguro,

de proteger-se e mitigar riscos; mas,

ao mesmo tempo, quer sempre agilidade

e uma relação sem atritos”, enfatiza Augusto

Matos, presidente do Sindseg MG/

GO/MT/DF.

Há muitos prestadores espalhados

pelo país, mas será que o mercado segurador

está realmente satisfeito com o

serviço prestado? A Revista Apólice conversou

com representantes de entidades

e das seguradoras para saber o que eles

esperam de seus prestadores, no que esses

profissionais avançaram e o que ainda

precisam aperfeiçoar.

Regulação de sinistro

A regulação do sinistro é a hora da

verdade de qualquer seguradora. É o momento

em que se trabalha para atender a

expectativa do segurado, que ao pagar o

prêmio transferiu o risco com confiança

para a companhia. Nesta área, o maior

desafio está na estruturação do processo

digital, seja no desenvolvimento do aplicativo,

na aplicação ou usabilidade junto

aos segurados, para encontrar a ferramenta

ideal para o público certo, sem abrir

mão do atendimento humanizado com o

qual o cliente está acostumado.

“Procuramos prestadores que superem

a experiência e a expectativa dos

nossos segurados. Eles são a imagem e

extensão da companhia e devem ter o

mesmo comportamento e proporcionar a

mesma experiência que os clientes esperam

de nós”, pontua Roberto Hernández

Martínez, Chief Claims Officer da Zurich.

A seguradora conta com uma rede

de prestadores composta por empresas

21


elacionamento

escolhidas após um processo de seleção

e concorrência. “Realizamos um trabalho

conjunto para assegurar que elas mantenham

o nível de serviço e atendimento

aos clientes”, assegura.

Já a Porto Seguro realiza a maioria

das suas regulações de sinistros através

dos próprios funcionários. Para as vistorias

feitas por prestadores de serviços,

busca parceiros que atuem dentro dos padrões

de qualidade da empresa. O diretor

de Sinistros Auto, Ramos Elementares,

Transportes e Fiança, Lauriberto Tavares,

declara que é preciso mais agilidade sem

perder a qualidade do serviço. Para o

futuro, ele acredita na regulação digital

tanto para o seguro de automóvel como

para outros ramos. “A evolução dos aplicativos

remotos irão proporcionar cada

vez mais agilidade e comodidade aos

segurados”, prevê.

Tanto a Porto quanto a Zurich se

movimentam para otimizar o processo de

regulação de sinistros, que toma tempo,

e por vezes, também é burocrático. Recentemente,

a primeira companhia lançou

para sinistros de automóveis e residências

uma solução que envia ao segurado,

através de SMS, um link para download

do aplicativo em seu smartphone. A

ferramenta acessa a câmera do aparelho

e permite que o próprio cliente capture

imagens do veículo, a partir de instruções

dadas por um inspetor da seguradora por

meio de viva voz ou chat. O orçamento

para o reparo do carro também é feito

no ato da vistoria. Além disso, já está em

piloto a regulação através do guincheiro,

também com aplicativo digital.

❙❙Lauriberto Tavares, da Porto Seguro

22

❙❙Roberto Hernández Martínez, da Zurich

A seguradora suíça, por sua vez, se

vale de três recursos para melhorar o resultado

operacional na regulação de sinistros:

otimização de operações por meio

de digitalização e automação, utilização

da informação de sinistros com o objetivo

de melhorar a experiência do cliente e ser

mais eficiente, e regulação dos sinistros

por meio da excelência técnica. A companhia

acredita que a digitalização e a

automação vão revolucionar a maneira

de interagir com segurados, corretores e

parceiros, e já trabalha para antecipar isso

ao mercado na área de sinistros.

“Tradicionalmente, os sinistros são

conhecidos por serem uma área de back

office. Mas temos consciência de sua

importância estratégica e de como ela

pode contribuir com outros segmentos

da companhia. Pode ser uma alavanca

para a equipe de vendas com uma clara

e transparente proposição de valor até a

utilização das métricas de sinistros para

atingir os objetivos e planos de negócio”,

diz. “Sabemos que não é uma jornada

simples, mas temos esse compromisso.”

Agilidade na emissão da

apólice

Este é um ponto de grande mensuração

pelos corretores e segurados na

avaliação de uma seguradora diante da

tendência imediatista do consumidor. As

companhias devem investir cada vez mais

nessa “entrega”, cientes que a rapidez é

muito valorizada na venda.

“O segurado compra uma ‘promessa’

de pagamento em face de um sinistro,

onde vai ‘enxergar’ e materializar a compra

em três pontos principais – emissão

do documento por parte da seguradora,

atendimento de uma assistência 24 horas

e atendimento de sinistro, sendo o primeiro

a emissão da apólice e a agilidade

com que ela ocorrerá”, enfatiza Augusto

Matos, do Sindseg MG/GO/MT/DF.

Atenta ao papel que a tecnologia

desempenha no dia a dia das pessoas, a

AIG oferece aos corretores a funcionalidade

de emissão online das apólices,

diretamente do Portal do Corretor, com

o intuito de que o profissional ganhe mais

autonomia em relação ao atendimento e

responda a seus clientes com mais rapidez

e eficiência. Nessa tarefa, conta com

parceiros que visam construir um relacionamento

de longo prazo e invistam em

pessoas e processos de forma contínua.

“Um desafio comum a vários segmentos

é a importância da capacitação

da mão de obra e do engajamento. É um

esforço conjunto da AIG e de nossos

parceiros para manter os profissionais

empenhados e engajados, prontos para

um atendimento de excelência e que possam,

inclusive, acrescentar com ideias e

melhorias”, declara o COO, Luis Ricardo

Almeida.

Além da qualidade, agilidade e

comprometimento dos prestadores, as

seguradoras também valorizam sistemas

mais integrados que simplifiquem a utilização

do cliente final em todos os seus

serviços e a flexibilidade de adaptação

ao modelo de negócio. É por essa razão

que os colaboradores da Axa contam com

autonomia para tratar o assunto diretamente

com corretores e parceiros. “Eles

❙❙Luis Ricardo Almeida, da AIG


❙❙Bruno Salmon, da AXA

têm expertise em ramos específicos, mas

conhecem todos os processos de emissão

da seguradora”, revela Bruno Salmon,

secretário geral e diretor de Operações.

Dessa maneira, é possível promover

maior dinamismo no processo: quando

há maior demanda por determinada linha

de negócio, os emissores são remanejados

para manter o nível de serviço.

Mas será que toda essa autonomia

realmente funciona? O executivo garante

que sim. Em 2017, por exemplo, foi desenvolvido

um projeto específico para a

área de emissões, com foco em métricas,

qualidade e alta performance, permitindo

que a emissão fosse realizada em menor

tempo. “Em dezembro, 95% das apólices

foram emitidas em menos de dez dias”,

afirma Salmon. Do ponto de vista interno,

houve aumento da produtividade, com

emissões eficientes e equipes comerciais

focadas em relacionamento e negócios.

❙❙Masaaki Itakura, da Tokio Marine

Pagamento de comissão

Aqui, a questão é como alinhar o

pagamento para o corretor com margens

para cada forma de distribuição (digital,

consultiva ou relacional), buscando remunerar

adequadamente o profissional

para o desempenho de suas funções. E,

mais uma vez, agilidade e qualidade da

operação aparecem como os principais

desafios.

“O objetivo é creditar a comissão

o mais rápido possível e sem erros para

obtermos a satisfação dos nossos corretores

e assessorias, ao mesmo tempo em

que mantemos a precisão na operação,

evitando falhas e atrasos”, pontua o

diretor-executivo de Estratégia Corporativa

da Tokio Marine, Masaaki Itakura.

Para a companhia, que trabalha com um

extrato de comissão digital, outra preocupação

é manter sempre atualizados

os dados bancários dos corretores. De

forma proativa, é feita uma checagem

para verificar se todos os pagamentos

foram confirmados. Em caso de qualquer

inconsistência, a seguradora entra

em contato o mais rápido possível para

resolver o problema.

Os dados dos extratos financeiros

são enviados por um link, que direciona

para o acesso direto ao Portal, garantindo

a segurança das informações. Apenas

usuários específicos, definidos pelas

próprias corretoras, têm acesso a essas

informações.

Política de subscrição

É preciso adequar as normas e as políticas

do mercado à realidade brasileira

do risco, um desafio e tanto pelas diferenças

regionais de risco ou mesmo de

23


elacionamento

Critérios de avaliação

Em 2016, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg),

por meio de sua Comissão de Sustentabilidade e Inovação, realizou

uma pesquisa entre as empresas associadas – que representam

cerca de 80% do market-share do mercado segurador – para saber

o nível de preocupação com as questões ambiental, social e de

governança que elas têm na hora da contratação de fornecedores.

No levantamento, 63% das seguradoras afirmaram que as

boas práticas sociais e trabalhistas adotadas pelos prestadores

de serviços são os maiores critérios que avaliam em seus fornecedores

de serviços. Ainda aparecem nessa lista os riscos sociais

e trabalhistas (53%), as práticas de respeito aos Direitos Humanos

(também com 53%) e as boas práticas ambientais (40%). “Há anos,

sequer contávamos que elas dessem importância para as práticas

ambientais de um prestador”, lembra o presidente da Confederação,

Marcio Coriolano.

Segundo o documento, 37% das seguradoras entrevistadas

analisam os históricos de casos de trabalho infantil, 33% consideram

os riscos ambientais e outros 33% avaliam o histórico de casos de

trabalhos análogos à escravidão. Apenas 30% das empresas não

consideram os aspectos ambiental, social e de governança. “O

que as seguradoras buscam para si, também buscam em seus

fornecedores. O preço pode até ser mais caro, mas o prestador

tem que obedecer a todas essas práticas”, ressalta.

Para ele, o grande desafio e a grande necessidade é ter bons

critérios para se contratar esse tipo de serviço. “É fundamental que

o prestador tenha boa estrutura e esteja com os processos formalizados.

Ao contratá-los, as seguradoras ajudam a levar essas boas

práticas para um ambiente muito maior. E, embora a solução para

um determinado tipo de serviço seja a terceirização, a seguradora

precisa estar atenta que, na verdade, o cliente enxerga o prestador

como a sua marca.”

atividades. Essa

adequação está

cada vez mais

minuciosa, onde

as seguradoras

aprovam com a

Superintendência

de Seguros

Privados (Susep)

produtos mais

elaborados para

cada segurado

– como, por

exemplo, os seguros

empresariais

(petshops,

academias de

ginástica, hotéis

e clínicas), que

❙❙Salvatore Lombardi Jr, da Argo

possuem coberturas específicas e variação de taxa em

relação ao CEP de risco, considerando a diferença de

risco regional.

Na Argo Seguros, os critérios de precificação são

elaborados com base na experiência do mercado e da

própria companhia para cada segmento em que atua.

Esses critérios são monitorados pelos atuários em

conjunto com o Head da Linha, com a participação

dos subscritores. A aprovação final é dada pelo Chief

Underwriter Office local e Global do Grupo baseado

em Londres. Salvatore Lombardi Jr, diretor de Transportes

e de Relacionamento com o Mercado, garante

que esta não é uma tarefa simples.

“Subscrever num mercado com ausência do estado

e leis que não funcionam, especialmente quanto

à receptação de mercadorias, é muito complicado”,

diz o executivo.

Propostas apresentadas no Senado visam dar mais

rigor aos crimes de receptação. Hoje, a pena para quem

conscientemente compra, recebe ou transporta mercadorias

roubadas vai de um a quatro anos de prisão. Se

a receptação se der com fim comercial ou industrial, é

classificada como qualificada e a reclusão pode chegar

a oito anos. Um dos projetos prevê que a pena para a

receptação seja de dois a seis anos e, para a receptação

qualificada, de cinco a dez. “Esperamos alterações nas

leis no que tange à receptação de mercadorias. Mais

atuação do estado no combate aos roubos e, no nosso

caso, manteremos a nossa disciplina de subscrição”,

afirma Salvatore.

A empresa, que acompanha e monitora os prestadores

de serviços constantemente, acredita que eles

precisam aperfeiçoar a qualidade da informação e a

agilidade nas respostas, visto que informações rápidas

e precisas podem melhorar sensivelmente a subscrição

dos riscos.

24


evento | campanha

Premiação ampliada

Operadora revela os

resultados positivos do

último ano e anuncia

sua nova campanha de

incentivo

A

Ameplan lançou sua nova

campanha de incentivo para

2018 ampliando os premiados

e estabelecendo novas metas

para a operadora. Esse ano, a companhia

levará seus contemplados a Arraial

D’Ajuda, na Bahia.

Durante o evento de lançamento,

realizado em São Paulo, os parceiros

puderam conhecer os detalhes e ouvir o

agradecimento de Laureci Zeviani, diretor

comercial, que ressaltou a importância

dos corretores para o crescimento que a

Ameplan atingiu nos últimos anos. Em

2017, mesmo sendo um ano adverso, a

operadora anunciou um avanço financeiro

de 25% e crescimento de 10% no

número de beneficiários, dando fôlego

para desenhar as

metas do ano que

se inicia.

Perspectivas

O otimismo

continua imper

a n d o d e n t r o

da companhia.

Marcelo Belber,

gerente comercial,

diz que sua

área precisa ser

sempre otimista,

embora exista a

consciência de

que 2018 pode

ser ainda mais

desafiador do

que 2017. “As

metas são muito

mais altas do

que foram no ano

passado, o que é

normal; ninguém dá uma meta que você

não acredite que será atingida. Com o que

a Ameplan colocou para o departamento

comercial, nós vamos analisar o mercado,

investir mais, ter mais parcerias e atingir

essas metas, elas são muito maiores,

mas não são inatingíveis”, acredita o

executivo.

O leque está aberto. Não há um

segmento que vá receber mais atenção;

Pessoa Física, Jurídica, PME e adesões,

todos deverão ser contemplados com investimentos

e muito trabalho da Ameplan

e de suas parceiras: Affix, Dentalpar, Hebron,

Corpore e Divicom. Porém, há uma

novidade que deverá agitar a carteira PJ: o

representante que tiver o melhor resultado

com negociação de Contrato Corporativo

(PJ) terá o seu merecido reconhecimento

na campanha. Com o evento, que contou

com mais investimentos do que o realizado

no último ano, a operadora quer

mostrar justamente que acredita em seu

potencial de expansão.

A nova campanha

Para motivar os parceiros, a Bahia

é a aposta deste ano. Ao todo serão 35

viagens oferecidas: 15 serão para os

parceiros – 3 de cada empresa – e as

outras 20 serão por conta da operadora.

Os dois primeiros colocados de cada

administradora; os dois primeiros da

Dentalpar que venderem os produtos

Ameplan; os três primeiros colocados

da própria operadora em PME, os dois

primeiros em PF e também o corretor

pendência zero – aquele que for mais

ágil e não deixar problemas com documentação

ou qualquer outro fator para

trás na hora de fechar o seguro – serão

contemplados.

As plataformas de vendas participam

e o dono da campeã irá à viagem e poderá

levar um funcionário. Os repasses

também foram incluídos após demandas:

o empresário responsável por esses

repasses e também um administrativo,

o supervisor e o gerente estarão em Arraial

D’ajuda. Além, claro, da equipe da

operadora que, conforme lembra Belber,

adotou o slogan para suas campanhas:

“Viajar é bom, mas viajar com a Ameplan

é melhor”.

25


saúde suplementar | tendências

Preparo para

a reinvenção

Mercado de saúde suplementar

tenta se equilibrar entre

demandas dos clientes, alto custo

de operação e a necessidade

de abrir as portas às novas

tecnologias

Amanda Cruz

26


As mudanças no Rol da Agência

Nacional de Saúde Suplementar

– que determina as coberturas

mínimas que todos os

beneficiários têm direito e é reformulada

a cada dois anos -, estão cada vez mais

robustas, visando atender as necessidades

e demandas dos beneficiários da saúde

suplementar. Foram incluídos neste ano,

além da inédita cobertura para esclerose

múltipla, outros exames, terapias e cirurgias,

totalizando 18 procedimentos.

Para José Anselmo Neto, diretor da

Vichiwork – consultoria em benefícios

e treinamentos empresariais, essas iniciativas

parecem ser benéficas para os

pacientes, mesmo que na outra ponta

exista a preocupação com o impacto

que essa decisão causará. “Certamente,

o maior impacto virá dos tratamentos

orais para câncer. Ao todo, são oito

novos aprovados, o que representou um

grande avanço no tratamento de muitos

pacientes”, reforça.

Solange Beatriz Palheiro Mendes,

presidente da Fenasaúde, afirma que a revisão

é desejada pelos consumidores, mas

as incorporações, geralmente, têm custos

que podem ser muito altos. “Portanto, há

um problema de escolha: incorporar tudo

de forma imediata, e aceitar os custos, ou

considerar a capacidade de pagamento

dos beneficiários e empresas que contratam

planos de saúde”, pondera.

Esse é um momento em que o setor

precisa se reinventar, diminuir os custos,

mudar antigas concepções de atendimento

e parar de perder beneficiários.

De acordo com dados divulgados pelo

Instituto de Estudos da Saúde Suplementar

(IESS), em novembro de 2017 houve

uma queda de 1,1% no total de pessoas

atendidas pelo sistema suplementar, o

que pode não parecer uma baixa muito

grande, mas é significativo se for levado

em consideração que esse setor, que sempre

foi extremamente promissor, ainda

não atinge uma parcela tão grande da

população, mesmo sendo um benefício

tão desejado.

A pergunta agora é: como seguir o

órgão máximo, oferecer tudo o que é preciso,

pensar em diferenciais de mercado

e ainda lidar com os desafios que aparecem?

Com quem a saúde suplementar

27


tendências

pode contar para enfrentar esse momento

e voltar a crescer?

É comum que a primeira crítica seja

feita à autarquia no momento de atualização,

pois vem da crença de operadoras e

entidades de que o aumento do Rol possa

ser um fator limitante para sua atuação.

A autarquia se defende afirmando que a

atualização é realizada apenas após extensa

discussão no Comitê Permanente de

Regulação da Atenção à Saúde (Cosaúde).

A presidente da Fenasaúde não

acompanha o coro de uma parte do setor,

que minimiza as decisões da autarquia.

Ela acredita que é preciso ver que as

inclusões têm, sim, impacto financeiro

importante e usa o estudo “Estimativa

de Custo e Impacto de Tecnologias na

Despesa Assistencial”, feito pela entidade,

que analisou 16 das 26 novas tecnologias

(medicamentos, terapias e exames)

propostas para a incorporação, antes da

definição da nova lista para 2018. A partir

dos dados disponibilizados de custo e

prevalência, o resultado mostrou que o

custo adicional poderia ser de R$ 5,4 bilhões,

o equivalente a aproximadamente

4% do total das despesas assistenciais

em 2016. Vale frisar que não se tratou de

uma Análise de Custo-Efetividade ou de

Análise de Impacto Orçamentário, que

são análises mais complexas.

Às críticas que são feitas, a ANS

rebate reforçando a ideia de mutualismo.

Segundo a entidade, essas são as

diretrizes escolhidas porque a autarquia

entende que é o melhor caminho para a

saúde suplementar e seus beneficiários, de

acordo não apenas com as questões inerentes

às doenças cobertas, mas também

com a aplicabilidade econômica dessas

iniciativas. “Como se sabe, o sistema

mutualista que caracteriza a relação de

consumo nos planos de saúde se baseia

no princípio de que todos os beneficiários

partilham os custos e riscos em situação

de igualdade. Ou seja, cada beneficiário

utiliza o plano de forma distinta, de

acordo com sua situação de saúde, mas

os custos são divididos de maneira igualitária

por todos”, explica a autarquia em

comunicado à Revista Apólice.

Para Neto, da Vichiwork, as dificuldades

de acesso por conta de custo acabam

se tornando um pano de fundo. “Não

28

❙❙José Anselmo Neto, da Vichiwork

podemos pensar que o fato de aumentar

as coberturas, que estão associadas à

maior qualidade de vida dos pacientes e

até mesmo em vidas salvas, pode ser um

entrave para o acesso aos novos beneficiários”,

opina. Para ele, o desperdício e

a fraude é que precisam ser eliminados

para que os custos possam ser reduzidos,

já que hoje essas práticas representam

20% de toda a despesa médica.

Fabio Abreu, fundador da Health

Centrix Soluções em Saúde, também não

vê o Rol como agente encarecedor dos

planos, reforçando o fato de que há anos

a ANS coloca novas obrigatoriedades no

mercado e que nem por isso deixou de

crescer. “A redução recente do tamanho

do mercado é relacionado à crise econômica,

da qual o País está ensaiando agora

sua saída”, opina. Ele completa dizendo

duvidar de quem alega que o mercado

❙❙Solange Beatriz P. Mendes, da Fenasaúde

cresceria mais se tivesse menos obrigações

com o órgão regulador. “A única

intervenção da ANS que afeta o crescimento

do mercado não é relacionada

com as obrigações das operadoras e sim

à regulação de preços, principalmente

para pessoas físicas”, pontua.

Questão de custos

Os mecanismos regulatórios, claro,

fazem parte dessa luta, especialmente no

que diz respeito às normas e regras que

visam intensificar boas práticas. “Monitorar

a saúde dos beneficiários de planos

de saúde e desenvolver programas de

promoção à saúde e prevenção de doenças

são estratégias importantes para melhorar

o cuidado e diminuir os gastos do setor”,

ressalta a autarquia.

Mesmo com todos os esforços, no

final do dia as contas precisam fechar.

Neto acredita que é preciso encarar

esses fatos como uma contribuição para

que haja melhor gestão desse benefício.

“Nossa experiência mostra que, além de

um acompanhamento muito próximo da

utilização e atenção aos pontos-chave da

saúde da população, avançar no entendimento

dos efeitos entre saúde assistencial

e saúde ocupacional reduz drasticamente

a incidência de tratamentos de alto custo

e melhora os resultados das empresas”,

explica.

Quando o assunto é o aumento da

sinistralidade, seja pelo crescimento

de utilização ou custos, as operadoras

parecem não ter uma solução padrão de

mercado para isso e é justamente nesse

momento que as prestadoras de serviço

podem ser cruciais para oferecer essas

respostas ou, ao menos, poder pensar

nelas em conjunto. Ter colaboradores

que veem a operação de fora pode levar

ao difícil passo que o mercado precisa

tomar: mudar sua forma de operar, pensar

em ser disruptivo, menos burocrático,

trazendo para um diálogo mais próximo

as redes credenciadas e se permitindo

abrir mão de tanto conservadorismo que

trava o setor. Os dados devem ser a peça

fundamental para que isso se transforme

em realidade. “A tecnologia será o grande

motor de transformação e redução de

custos. O incremento no custo de novas

tecnologias para o cuidado da saúde -


medicamentos, equipamentos e novos

OPMEs - não é significativo, pois elas

são oferecidas para todos simultaneamente

em função de nosso modelo regulado

de absorção; por vezes, essas novas tecnologias

trazem redução de custo quando

analisadas pela ótica da farmaeconomia”,

aposta Fabio Abreu.

O mercado já começou a se mexer.

Tatiana Farah, fundadora da Saúde Concierge,

apresentou recentemente ao setor

uma plataforma acompanhada de um

aplicativo que monitorará os pacientes visando,

principalmente, diminuir os custos

e evitar desperdícios na saúde suplementar.

“Queremos fazer a redução do custo por

meio de uma análise qualificada de dados

e também promovendo ações preventivas”,

comenta. É a tecnologia, finalmente, estabelecendo

de forma mais clara como pode

ajudar o mercado a se reinventar.

A sustentabilidade desse sistema

tem pautado a preocupação de todos

que atuam no setor e Solange Beatriz

enfatiza duas principais razões para

isso: a acelerada evolução dos custos da

saúde e a solidariedade intergeracional,

quando os mais jovens subsidiam os

mais longevos – isso porque, há 15 anos,

para cada beneficiário com 60 anos ou

mais, existiam outros três com idades

entre zero e 19 anos; hoje, essa relação

caiu para dois. “Toda a cadeia produtiva

sabe que é preciso mudar os modelos de

acesso e de financiamento, mas falta um

maior entendimento. É uma discussão

urgente porque os custos estão ficando

impagáveis. E se mais pessoas deixarem a

Saúde Suplementar, os custos para os que

ficarem serão ainda mais altos”, alerta.

Tecnologia e obstáculos

Os debates são importantes para que

se saiba o que fazer no presente, mas a

verdade é que o que precisa ser debatido

na saúde suplementar brasileira é justamente

o modelo seguido, comparando-o

com outras possibilidades. É preciso

buscar o que há de mais efetivo sendo

feito nos mercados ao redor do mundo e

transformar essas informações em soluções

locais, que levarão o setor brasileiro

a uma forma única e efetiva de atendimento.

“Existe um longo debate sobre o

nosso modelo de saúde suplementar e a

❙❙Fabio Abreu, da HealthCentrix

regulação do setor que envolve inúmeras

variáveis e suas consequências. Esse ainda

é um tema sobre o qual estamos compreendendo

os principais obstáculos, para

que possamos agir nos pontos corretos, de

modo que a saúde suplementar seja mais

acessível e com custos equilibrados.”,

pondera Neto.

Para alinhar custos com benefícios,

prestadoras de serviços que têm a

tecnologia como aliada propõem novas

maneiras de aperfeiçoar as operações,

modernizar o setor e criar condições

mais favoráveis para medidas disruptivas.

“O maior obstáculo para a saúde

suplementar é o mind set dos players

envolvidos. O setor é conservador na

forma como lida com inovações e ainda

está muito focado no modelo perde-

-ganha, que tem caracterizado a relação

entre seus players, levando a modelos

❙❙Tatiana Farah, da Saúde Concierge

altamente complexos, como operadoras

verticalizadas e com atuação geográfica

ampla”, coloca Abreu. Para ele, a regulamentação

da ANS tem que ser vista como

parte do negócio e, como tal, tem que ser

gerenciada pelos players, assim como a

judicialização.

Segundo o Conselho Nacional de

Justiça (CNJ), somente em 2016, foram

103.896 processos na Saúde Suplementar.

O gasto aproximado com demandas

judiciais ligadas à saúde pública e privada

foi de R$ 8,2 bilhões em 2015. Entre

os itens mais demandados, na Justiça,

estão coberturas não previstas em lei

(geralmente de contratos antigos), rede

de atendimento (quando o médico não

atende por determinado plano, e mesmo

assim o beneficiário quer ser atendido

por ele), carência (uso do plano antes do

prazo mínimo), procedimentos que não

são oferecidos pelo plano e reajuste de

mensalidades. “Esta [a judicialização]

não deveria existir na intensidade que

temos, mas os componentes culturais e

a linha jurídica brasileira estão aí como

parte do cenário estratégico com o qual

o gestor tem de lidar”, considera Abreu.

É verdade que se fala hoje da tecnologia

como se ela fosse um colete salva-

-vidas para a saúde do setor e, de fato, ela

deverá ser. Controles de gestão podem

ser muito mais facilmente acionados

por meio dela, como consultas online,

a distância, para casos simples podem

fazer a diferença no tempo do médico e

do paciente, especialmente em um País

continental como o Brasil, onde há também

grande concentração de médicos em

algumas áreas em detrimento a outras,

mas a prática ainda não é autorizada pelo

CFM (Conselho Federal de Medicina)

Brasil. Mas Fábio Abreu está otimista

na mudança realizada com a HealthCentrix

iniciando agora seus serviços. “As

tecnologias para tratar os dados hoje

disponíveis no sistema de saúde privado

poderiam melhorar em muito a gestão do

sistema e trazer redução significativa dos

custos com maior qualidade. Tenho visto

soluções incríveis utilizando machine

learning e inteligência artificial que terão

impacto enorme na forma como operadoras

autorizam procedimentos, fazem

glosas nos sistemas de contas médicas,

29


tendências

avaliam seus prestadores e fazem gestão

de saúde populacional de suas carteiras.

Em cinco anos, o modelo será muito

diferente do que temos agora”, promete.

Tatiana também destaca que a possibilidade

de monitoramento com participação

efetiva do usuário – já que na

plataforma ele mesmo sobe alguns dados

que alimentam seu histórico – em tempo

real permitirá dar uma visão clara e oferecer

um trabalho customizado ao cliente,

o que ela chama de um “RG Clínico” ,

portátil e que permite que o beneficiário

seja atendido em qualquer lugar e por

qualquer médico, sendo possível apresentar

seu histórico em tempo real.

Mitigar os custos com mais investimentos

em tecnologia? Por um lado, o

ritmo acelerado de desenvolvimento de

novas tecnologias representa, ao mesmo

tempo, a tendência e o maior desafio para

a Saúde Suplementar nos próximos anos.

Esse é um caminho sem volta na área da

saúde e muito bem-vindo. Entretanto, a

indústria impõe um ritmo avançado de

incorporação de tecnologias, o que cria

desafios econômicos para o setor de saúde.

“Um dos principais é equilibrar os custos

assistenciais, historicamente, mais elevados

– potencializados pela adoção de novas

tecnologias, procedimentos – do que

as receitas das empresas. Em dez anos, o

resultado operacional do setor fechou em

vermelho em seis, sendo o último analisado

o de 2016”, lamenta Solange Beatriz.

Neto acredita que é preciso encarar

o risco inicial para que o futuro possa

ser mais promissor para o setor. “Como

em toda área, a tecnologia nasce cara e

vai se tornando barata com o passar do

tempo, enquanto aprimora outros pontos

coligados a ela. Ao final do processo, ela

torna mais acessíveis procedimentos que

antes eram caros”, explica.

Como presidente da Fenasaúde,

Solange se mostra entusiasta das novas

tecnologias, mas de maneira mais analítica,

defendendo que a incorporação

de novos procedimentos e tecnologias

devam considerar fatores como a relação

custo/eficácia clínica comprovada, além

da realização de estudos preliminares de

impacto, como é feito no setor público.

Abreu conta que o caminho é trabalhar

fortemente a questão dos dados,

30

analisando-os para alimentar a inteligência

artificial cognitiva; aprendendo,

a máquina será capaz de criar novas

regras, analisar histórico do paciente em

tempo real e saber como ele deverá ser

encaminhado. “Esse é um exemplo de

impactos que já acontecem lá fora e vêm

para o Brasil em pouco tempo”.

Sobre o sigilo dos dados, questão

latente no mercado que se preocupa cada

vez mais com segurança digital, Abreu

acredita que a tecnologia pode ser usada

tanto para o bem quanto para o mal e as

empresas que quiserem se estabelecer

farão de tudo para acertar.

A crescente intimidade da população

com a tecnologia afasta cada vez mais a

desconfiança com as novidades digitais.

De acordo com a Federação Brasileira

“Monitorar a saúde dos

beneficiários de planos

de saúde e desenvolver

programas de promoção

à saúde e prevenção de

doenças são estratégias

importantes para

melhorar o cuidado e

diminuir os gastos do

setor”

dos Bancos (Febrabran), em 2014 apenas

10% das pessoas que têm conta em bancos

faziam suas transações via móbile,

por medo de ter seus dados bancários

e até mesmo seu dinheiro roubado. Em

2016, esse número já era de 34% - levando

a modalidade ao topo entre os meios utilizados

para transações bancárias. Não é à

toa que o setor financeiro está já bastante

avançado, com suas fintechs trabalhando

para aumentar ainda mais essa confiança

– e o mercado de seguros, por sua vez,

oferta ao público suas insurtechs, que

seguem a mesma linha de pensamento.

A empresa garante que conta ainda com

outros protocolos para que os dados não

caiam na mão de ninguém: acessos têm

tempo limitado, chaves criptografadas,

entre outros. Se um paciente estiver em

outra cidade ou país, com seu celular

é possível disponibilizar uma chave de

validade de 10 minutos para que o médico

que o atende naquele instante tenha

conhecimento de seu histórico clinico.

Expectativas

A esperança na retomada de crescimento

de beneficiários está diretamente

ligada ao otimismo de que 2018 será melhor,

com diminuição do desemprego e,

consequentemente, mais pessoas cobertas

por planos de saúde. Será preciso esperar

para ver se isso, de fato de concretizará e

as prestadoras de serviço de saúde serão

a base para que o mercado volte a operar

com mais agilidade, otimizado e podendo

atender da maneira diferenciada que deveria

ser o padrão da saúde suplementar.

Portanto, não haverá empecilhos que

parem esse setor. Judicialização, custos,

aumento de Rol, tecnologia, todas essas

questões são parte do esqueleto de um

sistema complexo, caberá às pessoas

estarem alinhadas a ele. “É como perguntar

se a Uber terá seu crescimento

diminuído por conta da regulamentação

ou da pressão dos taxistas. Isso realmente

importa? Não. Eles sabem que é parte do

negócio deles lidar com isso e sabem que

esses pontos fazem parte da equação de

crescimento de seu negócio. Essa deve

ser a postura dos gestores dos planos de

saúde - é parte do seu dia-a-dia: reuniões

na ANS, acordos com o Governo etc.

Essa postura pragmática é o perfil que

vejo nos principais players do setor”,

compara Abreu.

Como em qualquer relação comercial,

as parceiras entre operadoras e prestadores

de serviço existem e estão sempre

sendo aperfeiçoadas em busca dos melhores

resultados para todos: beneficiários

de planos, operadoras e profissionais de

saúde. “Um exemplo disso é a busca pelo

aprimoramento do modelo de atenção à

saúde, com ênfase aos cuidados primários,

e novas formas de remuneração dos

hospitais”, conta Solange.

Tatiana comemora que os esforços

já começaram a dar frutos. Ela diz que

a Saúde Concierge já consegue perceber

que a redução de custos com ferramentas

de gerenciamento é uma realidade

e um alento às empresas que precisam

mudar seu modo de olhar e operar no

mercado.


seguradora | campanha

Crescer Juntos é motivação para

incentivar a produção dos corretores

AIG criou um programa exclusivo para as

assessorias de seguros, empresas que são

responsáveis por 5% de sua produção

Kelly Lubiato

O

programa Crescer Juntos,

formulado pela AIG

Brasil, reconheceu as

assessorias com maior

produção durante todo ano de 2017,

realizada através do Portal do Corretor

disponibilizado pela seguradora. As

30 assessorias que produzem para a

companhia, espalhadas por todo o

Brasil, respondem por três mil corretores

de seguros. Juntos, eles foram

responsáveis por 5% da produção da

seguradora em 2017.

O maior canal de distribuição da

AIG é através dos corretores de seguros,

que estão categorizados como

grandes e middle market, onde estão

incluídas as assessorias. “Este canal

cresceu muito na companhia, com

expectativa de dobrar de tamanho

em 2018, atingindo a marca de 10%

do faturamento da seguradora”, disse

Fabio Cabral, diretor Comercial da

AIG Brasil.

Por isso, a seguradora decidiu trabalhar

de forma mais estratégica com

o canal, reconhecendo através do Prêmio

Crescer Juntos as assessorias que

tiveram melhor performance em 2017.

Cabral explica que um dos focos

da seguradora para este ano serão os

seguros de responsabilidade civil,

porque eles estão preenchendo a lacuna

deixada pelos produtos para pessoas

físicas, que tiveram uma queda significativa

(seguro de automóvel e vida) de

vendas. “Eu visito muito vários pontos

do Brasil e escuto dos corretores que o

seu faturamento está caindo como consequência

da crise”, lamentou Cabral.

“O seguro de responsabilidade

tem um viés de varejo forte”, lembrou

o executivo, acrescentando que o corretor

de pequeno e médio porte, que

está acostumado a vender seguros de

pessoa física, está vendo com bons

olhos os seguros de RC Profissional

para todas as áreas e profissões. “É

um seguro simples, não muito caro,

que parece com os seguros de varejo”,

completou Cabral.

Os campeões de 2017 foram:

〉〉

1º lugar: Uda/Repgen, de Salvador/

BA

〉〉

2º lugar: Selletiva, de São Paulo/SP

〉〉

3º lugar: Victory, de Londrina/PR

〉〉

4º lugar: Ala, de Blumenau/SC

〉〉

5º lugar: Laço Forte, de Brasília/DF

Compra da Validus

No mês de janeiro, a AIG International

Group também anunciou a

compra da Validus Holdings por US$

5,56 bilhões, envolvendo os negócios

de resseguros.

“Esta aquisição é um avanço

significativo na execução da nossa

estratégia para prosseguir um crescimento

rentável”, afirmou o presidente

e CEO da AIG, Brian Duperreault, no

anúncio da aquisição, acrescentando

que a Validus é “um excelente ajuste

cultural e que conhece muito bem a

equipe da adquirida”.

Estrategicamente, o acordo proporciona

à AIG uma forte operação

de subscrição de resseguro; uma presença

imediata na Lloyd’s; experiência

de linha de especialidade aditiva; e um

conjunto de habilidades em torno do

capital de terceiros com o AlphaCat,

que introduz novas possibilidades

para a AIG como um criador de riscos”,

disse Duperreault.

1º lugar: Uda/Repgen, de Salvador/BA

2º lugar: Selletiva, de São Paulo/SP

3º lugar: Victory, de Londrina/PR

4º lugar: Ala, de Blumenau/SC

5º lugar: Laço Forte, de Brasília/DF

31


saúde suplementar | consumidor

Capacitação e cultura

para minar prejuízos

A quantidade de erros

na hora das vendas

de produtos de saúde

gera insatisfação de

usuários e sinaliza que

está na hora do mercado

rever a capacitação dos

profissionais

Amanda Cruz

32


Sair das filas do SUS e ter um

atendimento mais digno, ágil e

com qualidade.

Este é um dos maiores desejos

de grande parte da população brasileira

e, por isso mesmo, um dos setores

mais protegidos pela Agência Nacional

de Saúde Suplementar.

É um mercado que passa por dificuldades

e que vem perdendo beneficiários,

muito embora este movimento esteja

diretamente ligado ao momento difícil e

de aumento de desemprego na economia

brasileira. Os custos e a queda na qualidade

de atendimento nesse momento podem

afastar aqueles que já se sentiram lesados

de alguma forma, que passam a acreditar

que arcar com um plano de saúde pode

não ser tão vantajoso.

Em uma análise no site Reclame

Aqui, principal canal online voltado

para que consumidores exponham suas

insatisfações com atendimentos e serviços

prestados, é possível perceber alguns

problemas recorrentes na saúde suplementar.

Até o fechamento desta matéria,

foram computadas 2.538 reclamações por

cobranças indevidas em troca ou cancelamento

de planos; 1.694 por dificuldades

de agendamento de consultas; 1.557 por

conta de demora para autorização de

consultas, exames e cirurgias, além de

1.019 acionamentos de pessoas insatisfeitas

com a rede de credenciamento e

atendimento.

Esse canal de reclamações online

pode ser um bom termômetro para

entender os motivos que levam aos

descontentamentos que, resolvidos, são

encaminhados para o Poder Judiciário,

problema que o mercado tenta combater.

Para se ter ideia, a empresa que mais recebe

reclamações no site tem nota 4,28 (de

10) e, mesmo quando responde aos usuários,

esses não se sentem satisfeitos. Prova

disso é que com um índice de 71,9% de

respostas às reclamações e 66,1% dos

problemas resolvidos, apenas 45,1% dos

usuários afirmam que voltariam a fazer

negócio com a empresa.

Mas, de quem é a culpa? Do consumidor,

das empresas ou do intermediário

que oferece o produto? A origem dessas

reivindicações não recai apenas em um

membro dessa cadeia de atendimento.

❙❙José Silvio Toni, do Sindiplanos

Tudo é mais complexo porque a falta de

intimidade dos clientes com o mercado

de saúde, e o que ele é capaz de oferecer,

cria um abismo entre o que é acordado

e o que é entendido; quando um sinistro

da saúde acontece e o cliente percebe que

não terá direito ao que imaginava que

estaria coberto – o que muitas vezes acontece

em um momento delicado – todas as

partes envolvidas se sentem lesadas. “O

cliente precisa compreender que o plano

de saúde só tem a cobertura para o que

pode acontecer, não para a doença que já

explodiu, que é imediata. O plano precisa

do caráter preventivo para funcionar bem.

É preciso seguir a lógica da distribuição

do risco entre os que contribuem. O plano

não foi feito para atender as necessidades

da população como um todo”, defende

José Silvio Toni, presidente do recém

criado Sindiplanos - Sindicato das Empresas

de Comercialização e Distribuição

de Planos de Saúde e Odontológicos do

Estado de São Paulo.

Por outro lado, seguradoras e operadoras

de saúde ainda pecam em dar

transparência às complexas regras que

existem e os corretores, por sua vez,

acabam cometendo erros que custarão

caro às outras duas pontas dessa equação.

A venda consultiva é exaustivamente

apontada como a única maneira correta

de atuação dos corretores, independentemente

da carteira em que atuam. Ao mesmo

tempo, o corretor de seguros e planos

de saúde depende muito das ferramentas

disponibilizadas pelas operadoras e do

entendimento pleno daquilo que vende. É

necessário que o profissional possa tirar

33


consumidor

❙❙Laureci Zeviani, da Ameplan

dúvidas, ter um contato estreito com as

companhias e assim poder ser claro com

as pessoas que, leigas, podem ficar sem

coberturas caso a apólice não seja muito

bem planejada. Algo está se perdendo

entre uma ponta e outra dessa comunicação

e, ao invés de procurar culpados,

o mercado tem se empenhado para que

cada player faça sua parte e mude essa

realidade, mantendo os diferenciais que

levam a saúde suplementar a ser tão importante

na vida da população.

Judicialização

Laureci Zeviani, diretor comercial

da Ameplan Saúde, embora não ache que

as dificuldades sejam tão expressivas,

reconhece que esses problemas, na visão

da operadora, acontecem principalmente

nas áreas de varejo e têm como motivo

a “falta de clareza para o cliente sobre a

funcionalidade do produto vendido”.

Os escritórios de advocacia especializados

nessas demandas conhecem bem

essa realidade, como é o caso advogado

Rafael Robba, do Vilhena Silva. Por lá, as

maiores reclamações estão relacionadas

com negativas de tratamento, exclusões

de cobertura ou reajustes. “Quando

se fala em contratação, o reajuste é a

maior deficiência dos consumidores,

que muitas vezes desconhecem estas

cláusulas, por vezes mal explicadas para

os consumidores”, comenta. Há também

a falha no entendimento do tipo de plano

contratado - se por adesão, individual ou

coletivo – e não saber que isso afeta toda

a relação entre expectativa e realidade dos

❙❙Rafael Robba, do Vilhena Silva

beneficiários, levando-os à frustração. “A

gente tem uma quantidade muito grande

de ações nas quais o consumidor também

discute coberturas. Dificilmente um consumidor

sabe dizer como o reembolso

do plano dele é calculado, por exemplo”,

conta Robba.

A palavra temida no mercado de saúde

suplementar está cada vez mais difícil

de ser ignorada. A falta de informação

não é motivo para o cliente deixar de

exigir algo que precise e que seja crucial

para sua saúde, porque não leu corretamente

a apólice ou porque o intermediário

falhou em deixar as questões claras.

Ainda que ele queira resolver a situação,

o mercado, de acordo com Robba, nem

sempre é tão acessível assim. “Quando o

problema acontece, dificilmente as soluções

são colocadas para o consumidor.

Muitas vezes ele busca sua solução junto

a seu corretor, a operadora e até a ANS,

mas dificilmente a encontra, por isso

acaba buscando o judiciário”, diz.

Uma das muitas reclamações das

operadoras e também de entidades da

saúde suplementar é que a justiça acaba

pendendo muito a favor do consumidor.

Mas por que isso acontece?

Robba explica que a defesa do consumidor

é uma lei federal e, por ela, está

determinado que o judiciário, de fato,

já tenha o consumidor como hipossuficiente.

“O consumidor tem uma série

de proteções justamente para que esse

tipo de prática de mercado - de omitir

informações ou não levar informações

adequadas no momento pré-contratual -

não prejudique o consumidor na execução

de contrato”, defende o advogado. Todas

as falhas de informação que eventualmente

acontecerem antes da contratação

vão ser depois corrigidas pelo judiciário

com base no código de defesa do consumidor.

“Não é que o judiciário esteja

extrapolando, é a lei”, completa.

Os casos de fraude também fazem

parte dessas preocupações. O mutualismo

abre também essas brechas e, mesmo

quando algo está errado, isso não quer dizer

que a operadora não terá que atender

o beneficiário. O escritório Vilhena Silva

já recebeu um caso assim: um contrato

social fraudado para que uma pessoa

que não fazia parte do corpo da empresa

tivesse direito ao plano. Claramente uma

fraude, porém que partiu da empresa e

do corretor. A decisão final do juiz foi

manter o beneficiário no plano, porque

a má-fé não partiu dele, portanto ele não

poderia ser lesado por conta da ação de

seus intermediários.

Ou seja, nem só o consumidor é prejudicado

com vendas mal-feitas. Todo o

mercado sofre esse impacto e arca com

as despesas envolvidas, o que só agrava

a questão de acessibilidade da população

à saúde suplementar.

Para o presidente do Sindiplanos,

o seguro saúde se diferencia de outros

tipos de seguros, como o automóvel,

Resultado de 4000 decisões judiciais de segunda instância envolvendo

planos de saúde na Comarca da cidade de São Paulo do TJSP, 2013 e 2014

Resultado das Decisões Judiciais Total %

Favorável ao usuário 3.575 88,07

Desfavorável ao usuário 300 7,39

Parcialmente favorável ao usuário 174 4,29

Envolvem prestadores, não usuários 10 0,25

Fonte: TJSP, Scheffer, M. Observatório da Judicialização da Saúde Suplementar (DMP/FMUSP)

34


por exemplo, que tem um limite de

cobertura mais delimitado. “O carro é

o valor do carro e limites de terceiros,

por exemplo, mas o plano de saúde pode

cobrir diferentes necessidades com valores

incalculáveis. Essa realidade cria

uma amplitude de possibilidades, que

tem um preço a ser pago”, explica Toni.

O papel do intermediário

Para Zeviani, a primeira coisa a

ser ressaltada é a necessidade de treinamento.

Na operadora quatro gestoras

de vendas estão presentes em corretoras

e plataformas, justamente para atualizá-

-las e repassar as informações necessárias

aos corretores, o que Zeviani

compara com “um mantra” que deve

ser repetido até que seja compreendido.

A operadora também estabeleceu

um tratamento especial no momento em

que as reclamações são recebidas, assim

é possível detectar onde aconteceu o

problema e se é algo relacionado à venda

e que possa ser trabalhado e melhorado

com o corretor. Para o incentivo ser completo,

a companhia incluiu a motivação

em sua campanha de vendas: o corretor

mais qualificado ganha prêmios por seu

desempenho. “É perceptível a redução

de problemas ocasionados por desvio

relacionado ao profissional de vendas.

Nos últimos quatro anos, tempo que já

dura este trabalho focado, saímos de

um sinal vermelho para um amarelo

suave. Permitimo-nos ser cada vez mais

criteriosos exatamente porque temos

cumprido este papel de parceiros e até de

orientadores desses parceiros”, comenta.

Ninguém é dono do cliente. A troca

entre corretores e companhias deve ser

em prol do beneficiário e não uma disputa

para saber quem se dá melhor com

ele. Zeviani reforça que hoje a equipe da

operadora está mais disposta a aprender

do que ensinar corretores, mas que é

preciso estar atento. “Ainda podemos

perceber que às vezes falta um entendimento

correto entre a necessidade do

cliente e o produto que se oferece”, enfatiza.

Laureci Zeviani ainda completa:

“tudo nasce nas mãos do corretor. Sua

boa atuação produz bons clientes para

toda a cadeia, inclusive para ele mesmo.

Considerando que um bom cliente, bem

assistido, produz propaganda positiva

para outras seis pessoas, ao passo que

um cliente insatisfeito replica sua impressão

negativa para uma infinidade de

pessoas. O bom corretor sabe que antes

de vender um produto, ele está vendendo

primeiro a sua imagem”, destaca.

Então, por quem é o corretor? O

profissional da corretagem deveria

ser, antes de tudo, um representante

dos interesses do beneficiário. Quando

alguns deixam de exercer esse papel o

cliente se confunde. Tanto que quando

a venda é mal feita o beneficiário não

costuma procurar os culpados separando

corretor de operadora. Para ele

– como é possível perceber nas reclamações

online – o corretor é um braço

da companhia de saúde e, portanto, a

falha e a deficiência no atendimento

vêm dos dois. “Eu vejo essa prática

como prejudicial porque acredito que

desvirtua a função do corretor. Ele precisa

levar informação ao beneficiário e

com isso impedir que, lá na frente, ele

desconheça seus limites e parta para

ações judiciais”, alega Robba.

A venda de qualquer seguro é complexa.

A maioria dos corretores trabalha

exercendo o seu melhor, mas quando

se trata de saúde há uma desvantagem

em relação a outras carteiras: a falta de

instrução. Há cursos já disponíveis para

esse nicho, mas eles ainda não abrangem

o Brasil todo e não têm grande adesão.

“Até para pessoas com muita instrução

esse assunto é complexo. O grupo de

pessoas que vendem planos é formado

por indivíduos mais simples e que precisam

aprender na prática, no dia a dia”,

reflete Zeviani.

Os sites de reclamação, disponíveis

a todos são cada vez mais um

fator levado em consideração antes de

o consumidor bater o martelo no que

diz respeito à contratação dos cuidados

com a saúde. O que falta agora é que,

separadamente, cada player do setor

faça um mea culpa e descobrir se está

falhando em algum momento e que

sejam curiosos, busquem informações

e conheçam o seu papel, não só de

direitos e necessidade de vendas, como

suas responsabilidades éticas e sociais,

envolvidas nessa relação.

Apoio para quem

comercializa saúde

Ao contrário do que acontece com os

corretores de outras modalidades de seguro,

credenciados e regulamentados pela

Susep e apoiados pelos Sincor’s, àqueles

que comercializam saúde falta mais regulação

para o mercado e suas funções. Mas

isso já começou a mudar.

No dia 17 de janeiro deste ano, um

sindicato voltado para essa categoria

foi finalmente aprovado, tornando-se o

representante das empresas mediadoras

de planos de saúde. José Silvio Toni, já estabelecido

como presidente da entidade,

atua no mercado há 26 anos e comemora

a vitória, dizendo assumir com alegria a

nova responsabilidade de capitanear essa

empreitada. “Agora caminharemos de

maneira muito mais alinhada aos corretores.

Nós [profissionais que comercializam

planos de saúde] só não estamos no Sincor

por questões legais, não por falta de vontade;

apenas porque o Sincor representa

corretores de seguros, que pertencem

ao sistema financeiro e não ao de saúde”,

elucida. Alexandre Camillo, presidente

do Sincor-SP, é um dos padrinhos desse

novo sindicato, justamente por conta da

similaridade de atuação, da vontade do

presidente do novo sindicato de equiparar

os passos na saúde com o que foi feito no

setor de seguros. Além disso, diversas companhias

de seguros já foram comunicadas

sobre o novo órgão e Toni afirma que a

ideia foi muito bem recebida.

Para começar, o Sindiplanos busca

uma cadeira na ANS, para participar das

questões que são discutidas na autarquia.

Além disso, a formação de profissionais

mais capacitados será uma importante

bandeira porque, para Toni, além de esse

ser um caminho para melhorar o atendimento

e a rentabilidade no mercado –

evitando que as vendas mal feitas gerem

ainda mais danos, essa também é uma

oportunidade de mostrar à sociedade que

os planos de saúde são importantes para

quem os utiliza, mas também podem ser

uma oportunidade de trabalho e ganhos,

de ajuda social, dando uma profissão

promissora, em expansão, que sustenta

famílias e protege a população.

35


evento | fenasaúde

O que esperar da saúde

suplementar?

Workshop debate o legado da política

de reajuste de preços e as alternativas

para a regulação dos reajustes diante

da alta dos custos do setor

Livia Sousa

A

saúde suplementar vive o

dilema da elevação de custo

e o que se espera para 2018

é um reajuste agudo. Assim,

o desafio do mercado será ainda maior,

tanto na administração do reajuste como

nos esclarecimentos à sociedade. Para

discutir o legado da política de reajuste de

preços e as alternativas para a regulação

dos reajustes diante do crescimento dos

custos, a Federação Nacional de Saúde

Suplementar (FenaSaúde) realizou o 2º

Workshop de Análise do Impacto Regulatório,

no Rio de Janeiro.

“É importante que a sociedade

perceba que a saúde é cara. A medicina

se desenvolve e alcança patamares que

lamentavelmente a renda da população

e dos estados não acompanha. Também

temos um marco regulatório enrijecido

e amplo em termos de direitos e garantias,

uma equação difícil de lidar”, disse

Solange Beatriz Mendes, presidente da

entidade.

Assim como a saúde, a regulação envolve

custos. No Brasil, especificamente,

há um excesso de regulações que muitas

vezes não são avaliadas. “O aumento dos

preços pressiona o limite dos planos. É

interesse da operadora manter esse preço

o mais baixo possível. Queremos que as

fontes de custos sejam trabalhadas para

que não se repita o ocorrido entre 2008 e

2016, quando o subreajuste foi na ordem

de 69%”, alegou o superintendente de

Regulação da FenaSaúde, Sandro Leal

Alves, completando que o controle dos

preços passou a ser minimamente ordenado

por questões de falhas de mercado e

36

problemas na concorrência.

“Precisamos avançar na

regulação baseada em evidências,

na transparência,

no mercado de materiais e

medicamentos e na melhor

concorrência no mercado de

insumos.”

Mais do que nunca se

faz necessário o esforço da sociedade,

do legislativo e do regulador em tentar

aperfeiçoar e mitigar esses pontos, que

ao invés de trazerem garantias ao beneficiário

podem gerar insegurança e a impossibilidade

de maior acesso ao produto.

“Diria que o setor vive um momento

em que está ‘estrangulado’”, afirmou

Solange Beatriz. Isso não significa que

não haja expectativas de um desempenho

positivo ainda este ano, considerando a

recuperação da economia. Entretanto,

as medidas a serem tomadas devem ser

criteriosas e cautelosas. Qualquer desvio

numa operação que está no seu limite

pode trazer danos irreparáveis.

Mas como estão essas discussões?

No ano passado, a Agência Nacional de

Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu

um normativo para disciplinar a Análise

de Impacto Regulatório. Identificação de

custos, monitoramento e pós-implementação,

formulação de opções regulatórias

e análise de cenários e comparações de

opções regulatórias “são a parte mais

robusta do documento”, declarou o secretário-geral

da Agência, Suriêtte Santos.

“A partir da regulamentação, pretendemos

investir no fortalecimento

desses pontos para que tenhamos um

“É importante que a

sociedade perceba que a

saúde é cara”

Solange Beatriz, da FenaSaúde

embasamento maior na tomada de decisão”,

pontuou. Ainda em elaboração,

o documento pretende estabelecer três

níveis de impacto regulatório: elementar;

comparação entre alternativas qualitativa

ou por critério; e comparação qualitativa

entre alternativas de custo-benefício ou

custo-efetividade (este último opcional).

Fundamentos e efeitos

Quando se fala da questão de concorrência

no setor de saúde suplementar,

especificamente de planos, também é

necessário analisar a questão da estrutura

de concorrência em outros mercados. É o

que pontuou Mônica Viegas, professora

associada do Departamento de Ciências

Econômicas da Universidade Federal de

Minas Gerais (UFMG). “Vários mercados

interagem”, disse. De maneira geral,

o resultado da teoria econômica para

bens e serviços é de que a concorrência

melhora o bem estar na questão específica

de preço. No caso da saúde, diversas fa-


lhas colocam isso em xeque. O resultado,

segundo ela, muitas vezes é ambíguo.

“O setor de saúde afeta o bem estar

de diversas maneiras e a estrutura de

mercado vai afetar o bem estar em vários

momentos dessa decisão. Temos o efeito

preço (em termos de prêmio do seguro

e dos serviços hospitalares e farmacêuticos),

o efeito na qualidade (a estrutura

de mercado e a resolução e a organização

desse mercado afeta a qualidade) e o efeito

na decisão de tratamento (os incentivos

impactam na decisão de tratamento que

os provedores vão tomar para os consumidores)”,

explicou.

Já Ana Carolina Maia, professora

doutora na Faculdade de Economia,

Administração e Contabilidade da Universidade

de São Paulo (FEA/USP), foi

categórica ao afirmar que o reajuste único

para todos os contratos, sem especificidade

do plano, região ou faixa etária, é

um equívoco. “Há uma deterioração das

carteiras, o que inviabiliza a formação

de novos grupos, fazendo que as taxas

de cancelamento no Brasil cheguem a

28% de segurados de menor risco. Este

percentual representa os mais jovens,

que normalmente deixam os planos em

momentos de dificuldades financeiras.”

Enquanto a superintendente Regulatório

de Saúde da SulAmérica, Mônica

Nigri, reforçou que os custos são impactados

também com o envelhecimento da

população, a judicialização e a incorporação

de tecnologia, o especialista em

Regulação da ANS, João Boaventura

Carlos Ragazzo, da FGV, não acredita em uma solução de curto prazo para

❙❙a redução de custos

Branco de Matos, lembrou que o reajuste

é apenas uma parte das dificuldades dos

planos individuais, e que esta questão não

pode estar desconectada ao cenário geral

da saúde no Brasil.

Carlos Ragazzo, professor na Fundação

Getúlio Vargas (FGV), não acredita

em uma solução de curto prazo para o

crescimento dos planos de saúde individual

e redução de custos. Já o representante

do Ministério da Fazenda, João

Manoel Pinho Neto, chefe da assessoria

Especial de Reformas Microeconômicas

da entidade, afirmou que o setor precisa

avaliar o desempenho da regulamentação

de preços. “Se diminuiu a atratividade do

mercado, devem ser analisadas as falhas

e fazer uma comparação com outros

mercados. É importante a intervenção

Armando Castelar, da UFRJ e da FGV-Rio, sugeriu uma melhor análise da

❙❙utilização do price cap

nos preços, mas é necessário olhar o

desempenho.”

Alternativas e propostas

O modelo de reajuste atual desagrada

porque não cobre os custos das operadoras

e afasta os segurados, concluiu Edgard

Pereira, professor do Departamento

de Economia, do Instituto de Economia,

da Universidade de Campinas (Unicamp).

“É preciso efetivar uma política de ganhos

em escala e utilizar o price cap (preço-teto)

para que se dê maior abrangência

aos planos de saúde individuais”, afirmou.

Entretanto, o price cap transfere parte da

produtividade para o beneficiário porque

este compõe a maior parte do custo não

gerenciável. “Os reajustes dos planos estão

acima da inflação e dos rendimentos.

O que acontecerá é que as pessoas sairão

dos planos. As causas dos custos elevados

estão nos custos não gerenciáveis”, alegou

o professor da Universidade Federal do

Rio de Janeiro (UFRJ) e da Fundação

Getúlio Vargas (FGV-Rio), Armando

Castelar Pinheiro, sugerindo uma melhor

análise dos impactos da proposta.

Os custos gerenciáveis chegam a

aproximadamente 15% do total. Segundo

José Cechin, diretor-executivo da

FenaSaúde, há necessidade de exigir dos

operadores um gerenciamento de seus

custos, mas grande parte está no que não

é gerenciável. “Precisamos aperfeiçoar o

modelo de reajuste, mas também temos

que avaliar os fatores que impulsionam a

elevação dos custos”, finalizou.

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comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Recordar é viver

Há 28 anos, a edição de março de 1990 da Tribuna da Magistratura,

órgão oficial da Associação Paulista de Magistrados – então presidida

pelo desembargador Francis Davis – publicava, em sua página 14, o artigo

abaixo, que redigi nos albores do governo Collor de Mello.

O turismo descollorido

O choque causado pelo plano econômico

do governo Collor de Mello,

lembrou-me de imediato – pasmem-se –

uma expressão do Evangelho. Acha-se ela

inserida no sermão profético, registrado

por São Mateus no capítulo 24 de seu

livro, a partir do versículo 38. Ali, diz

Jesus: “Porquanto, assim como, nos dias

anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam,

casavam e até davam-se em casamento,

até ao dia em que Noé entrou na arca, e

não o perceberam, até que veio o dilúvio

e os levou a todos...’

Pois é, aí está a metáfora.

No Brasil, nos dias anteriores ao plano,

todos comiam e bebiam, compravam

e vendiam, depositavam e sacavam, aplicavam

e resgatavam, especulavam e lucravam,

dolarizavam e cruzadavam sem

maiores preocupações, mesmo quando

se anunciava um novo plano econômico

a partir da posse do novo governo.

Gatos escaldados – embora em água

morna – os brasileiros preparavam-se

para “tirar de letra” mais uma investida

do poder central. Afinal, já haviam enfrentado

os planos Cruzado, Bresser e

Verão e, a não ser por alguns arranhões,

tinham saídos ilesos. Que viesse o tal

plano. Não seria muito diferente dos outros:

no alcance, no efeito e na duração.

Cabe aqui uma piadinha sociológico-

-restrospectiva.

É a que retrata a conversa de dois

caboclos – na época do governo Goulart

– sobre a situação política.

– É, compadre, parece que agora o

“tar” de consumismo vem “memo” pro

Brasil, né?!

– “Dêxa vim” compadre. “Dêxa vim”

que “nóis avacaia” ele!

Não falada, embora, esta era a disposição

intima de todos.

Aí como Noé entrou na arca, Collor

de Mello entrou no governo. Então “veio

o dilúvio e os levou a todos”. E foi todos

mesmo.

Collor havia dito, reiteradas vezes,

que afligiria pesadamente as “elites”, o

que deixava muita gente de fora, supondo

que o “facão” iria voltar-se somente

contra as grandes fortunas, as contas

elevadas, as notórias especulações etc.,

poupando os poupadores de caderneta...

Ledo engano. A partir de CIN-

QUENTA MIL todos foram atingidos!

Daí aparecer, primeiro em Brasília e

já agora por todo o país, a frase tragicômica:

“no tempo do Sarney eu era elite

e não sabia”.

Mexendo com toda a economia,

vez que enxugou – de pronto – 80%

do meio circulante nacional, o plano é

extremamente drástico para o setor de

turismo. Viagens internacionais hoje, nem

pensar. Embora tenha o dólar desabado

espetacularmente, não há cruzeiros para

comprá-lo.

As viagens domésticas, por seu turno,

encolheram-se a ponto de, praticamente,

desaparecer. Afinal, sobre os preços já

elevados incidiu, junto à posse do novo

governo, um aumento de tarifas superior

a 50%! Vôos cancelados, aviões semi-

-vazios, aeroportos às moscas redundam

– na outra ponta – em agências paralisadas

e vazias.

Entretanto – embora momentaneamente

descolloridas – as Agências estão

confiantes e esperançosas.

O drástico plano Brasil Novo foi o

remédio amargo para cortar de vez um

mal insidioso e letal que minava o corpo

debilitado de nossa economia. E o fazia

sutilmente, como certas moléstias, que só

se manifestam em fase terminal, quando

já nada se pode fazer.

Nossa deteriorada e desprestigiada

moeda era uma batata quente que

ninguém queria ter nas mãos. Todos

procuravam trocá-la, literalmente, por

qualquer coisa: dólar, ouro, títulos, veículos,

imóveis, eletrodomésticos, gaiola sem

fundo, óculos sem lente... Para os Agentes

era insustentável e vexatória a situação.

Os negócios, se não fossem concluídos

no ato, em dinheiro vivo, e repassados

imediatamente às Operadoras ou Transportadoras,

não gozavam de qualquer

firmeza ou garantia de manutenção de

preço, frente à instabilidade do cruzado.

Hoje tudo está mudando. A partir do

respeito que passou a merecer o cruzeiro.

Sabemos todos que temos uma árdua

tarefa pela frente, que é a reconstrução

da nossa economia. Não desconhecemos

a necessidade de dar, cada um, sua cota

de sacrifício.

Mas estamos convencidos de que

vale a pena: O Brasil precisa e merece

isto.

Afinal, como ensinava um tranquilo

mineiro a seu filho, “no fim dá tudo certo”.

E, ante a expressão algo incrédula do

jovem, acrescentava: “se ainda não deu

certo, é porque ainda não é o fim”.

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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