Revista Apólice #219

revistaapolice

Ano 22

Número 219

Março 2017


editorial

Ano 22 - nº 219

Março 2017

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J.B. Oliveira

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

A velha escola das técnicas de vendas ensinava os profissionais

que quanto mais falassem e não dessem tempo para o consumidor

pensar, melhor seriam seus resultados. Durante muito tempo

o vendedor se esmerou em falar apenas sobre o produto e a

empresa.

Há algum tempo, o centro das atenções passou a ser a necessidade

do cliente. O bom vendedor, agora, deve ouvir mais sobre

a realidade do cliente, entender quais são suas carências, para

poder oferecer um produto que esteja de acordo com as suas

necessidades.

O conhecimento técnico sobre os produtos continua a ser

fundamental, para que (em nosso mercado) o corretor de seguros

tenha a capacidade de identificar o que pode ser melhor para o

cliente, não para o vendedor. Identificando esta necessidade é

possível vender mais produtos para o mesmo cliente.

Neste mês do consumidor, outro desafio é deixar o consumidor

ainda mais satisfeito. A criação de novos produtos, como o seguro

Auto Popular, esbarra, em algumas seguradoras, na questão

jurídica. As companhias temem que haja uma judicialização do

produto e que sejam obrigadas, na Justiça, a recuperar os veículos

sinistrados com peças novas, o que inviabilizaria o produto. Nestas

ações o cliente pode alegar que no momento da venda esta

informação não tenha ficado bem esclarecida.

É mais um desafio para o setor.

Boa leitura!

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Revista Apólice

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sumário

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painel

gente

ouvidoria

Somente em 2015, quase 70 mil reclamações chegaram

às seguradoras brasileiras. As companhias

mantêm departamentos autônomos para atender

seus clientes

rural

A agropecuária é o setor que sempre carrega a esperança

de retomada de crescimento no Brasil. Para o

mercado de seguros a esperança na carteira também

se renova

previdência

Com a reforma previdenciária, abrem-se as portas

para as poupanças de longo prazo. A previdência

privada desponta como um dos meios de se garantir

estabilidade

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imagem

A chave para relações bem sucedidas está na comunicação.

Sabendo disso, o mercado de seguros agora

quer ampliar sua voz

posse

Silas Kasahaya assume o CVG-SP. Nova gestão focará

na comunicação e na formação profissional, além de

discutir o Universal Life e a reforma da previdência

mulher

Elas adquirem diferentes tipos de seguros e são mais

focadas no benefício recebido. Por isso, as seguradoras

desenham e aperfeiçoam produtos voltados ao

público feminino

comunicação

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painel

• neconomia

Reaquecendo os

negócios

Vários indicadores apontam para uma

leve retomada do crescimento econômico,

o que não significa uma recuperação rápida

das perdas ocorridas nos últimos anos. No

entanto, esses sinais indicam uma interrupção

da queda e reversão das expectativas em relação

às atividades em geral. Esse momento,

de mudança de rumos com aquecimento

econômico, é uma excelente oportunidade

para os empresários pensarem na proteção

de seus negócios.

Segundo o presidente da Comissão de

Riscos Patrimonais Massificados da FenSeg,

Danilo Silveira, esse é o momento para se

refletir sobre a proteção dos negócios para

que, justamente num momento de recuperação

e perspectivas de ganhos, não ocorra a

paralisação da atividade ou perda total dos

meios de produção.

“Para gerenciar os riscos é preciso enxergar

o que pode causar algum dano ou impor

alguma perda ao negócio e tomar as medidas

necessárias, entre elas a proteção por meio

do seguro”, ressalta ele.

Silveira destaca as principais coberturas

do seguro empresarial como os danos causados

por incêndio, raios e explosão.

• ncorporativo

Fraudes diminuem no Brasil

As ocorrências de fraude

nas empresas diminuíram durante

o último ano no Brasil.

É o que se conclui a partir das

entrevistas com executivos

do País, que responderam à

pesquisa do Relatório Global

de Fraude & Risco 2016/2017

da Kroll, consultoria em gestão

de riscos corporativos e

investigações.

Realizado anualmente,

o estudo ouve gestores de diferentes setores mundiais que influenciam ou

respondem por estratégias de combate ao risco e às irregularidades em suas

empresas. Nesta edição, participaram cerca de 550 profissionais.

Embora 9 a cada 10 respondentes brasileiros (94%) admitam que a exposição

à fraude aumentou, apenas 68% relataram ter sido vítimas de más-práticas

no período, índice nove pontos menor do que a edição de 2015.

O número surpreende ainda mais à luz da experiência internacional.

Globalmente, a média de empresas afetadas foi de 82% – 14 pontos superior,

portanto. Além disso, a tendência mundial é de crescimento nos registros de

fraude desde 2012 – a incidência partiu, respectivamente, de 61% naquele ano,

a 70% (2013), 75% (2015) até a marca atual.

O Brasil, contudo, não está sozinho. Itália (77%) e Índia (68%) igualmente

reportaram menos ocorrências.

• nproduto

Cresce a procura pelo residencial

Uma boa notícia para o

mercado segurador. Dados

recentemente divulgados pela

Federação Nacional de Seguros

Gerais (FenSeg) mostram

que a porcentagem de domicílios

com seguro residencial

cresceu no último ano.

Enquanto em 2015 eram

13,3% do total, no ano seguinte

saltou para 14,5%. Isso significa

um aumento em torno

de 800 mil novas apólices. Em 2016, foram comercializadas 9,9 milhões de

apólices ante 9,1 milhões no período anterior. O total de domicílios, nos dois

períodos, permaneceu em 68 milhões de unidades. E de acordo com as projeções

da entidade, o valor em prêmios será 10% maior em 2017.

As regiões Sul e Sudeste foram as principais responsáveis pelo crescimento.

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• nenergia

Ataques cibernéticos

Os investimentos das empresas de energia, governança e

estratégias de proteção contra ataques de hackers vão somar

cerca de US$ 1,87 bilhão a partir de 2018. A programação do

grande volume de investimento tem o objetivo de fazer frente

a uma realidade cada vez mais presente nas empresas do

segmento de energia (hidro, eólica, biomassa, solar, petróleo,

gás, entre outras). De acordo com um estudo da consultoria

de risco e corretora de seguros americana Marsh, em parceria

com a Swiss Re, durante o ano de 2016, 80% das companhias

de 40 países no mundo (incluindo Brasil), participantes do

levantamento, já sofreram ataques cibernéticos.

O aumento do uso da internet e das tecnologias em rede

facilita a gestão eficiente para estas empresas, oferecendo

aos gestores diversas oportunidades de melhorar diversos

aspectos na operação e manutenção das plantas. Entretanto, na

mesma medida que o controle tem ficado mais preciso, abre-

-se também brechas para ataques cibernéticos aos SDSCs. O

erro humano é muitas vezes um fator-chave no sucesso dos

ataques cibernéticos, devido à insuficiente conscientização dos

riscos cibernéticos entre os funcionários em todos os níveis

da organização.

No Brasil, a gestão de riscos cibernéticos no setor elétrico

ainda é incipiente, principalmente devido à falta de histórico

de ocorrências no país. Como as ocorrências são mais comuns

no exterior, percebe-se um movimento das multinacionais

com operações no País no sentido de buscar verificar as reais

vulnerabilidades de seus sistemas de proteção e controle.

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painel

• nsaúde

Saúde suplementar perde

beneficiários

O mercado de saúde suplementar contabilizou 69,9 milhões

de beneficiários em dezembro de 2016, com redução de

1,7% na comparação com dezembro de 2015. Os planos de

assistência médica totalizaram 47,9 milhões de beneficiários

(68,5% do mercado) e tiveram retração de 3,1%.

Nos últimos doze meses terminados em dezembro de

2016, o setor de saúde suplementar perdeu 1,5 milhão de

beneficiários de planos de assistência médica. Vale ressaltar

que nos planos de assistência médica, o resultado demonstra

que o ritmo de desaceleração permanece estável, considerando

que a taxa de variação foi de - 3,1% nos últimos doze meses

terminados em dezembro de 2016 comparando-se a taxa de

-3,1%, no igual período terminado em setembro de 2016.

Como reflexo da crise econômica enfrentada pelo País,

os planos empresariais registraram uma redução de 3,2% de

dezembro de 2015 a dezembro de 2016, em um cenário que

apresenta mais de 12 milhões de desempregados.

• nbalanço

Mercado segurador cresce

em 2016

O setor de seguros registrou crescimento nominal de

9,2% em 2016 na comparação com 2015, de acordo com dados

divulgados pela Susep e compilados pela CNseg. O resultado

representa um volume de arrecadação de R$ 239,3 bilhões e

diz respeito ao desempenho das carteiras de seguros gerais,

vida, previdência complementar aberta e capitalização.

Houve ainda crescimento expressivo no volume de

indenizações, benefícios, resgates e sorteios pagos pelos

segmentos regulados pela autarquia em 2016, que alcançou

R$ 121,6 bilhões. Esse valor representa, efetivamente, o papel

do setor de seguros em relação à proteção do patrimônio

dos brasileiros.

Outro destaque foi a expansão de 19,3% das reservas

técnicas, as quais atingiram o patamar de R$ 785 bilhões no

ano passado, confirmando o mercado segurador brasileiro

como um dos mais importantes investidores institucionais

do País.

• ncampanha

Direito dos beneficiários de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) preparou

uma campanha informativa para esclarecer à sociedade

o papel da reguladora e os direitos dos consumidores de

planos de saúde. O material é composto por um comercial de

30 segundos para televisão e cinco animações para internet

e redes sociais.

O conteúdo da campanha foi definido a partir dos resultados

de uma pesquisa realizada pela Agência em 2016. No

levantamento, foram identificadas as principais dúvidas do

consumidor sobre planos de saúde; o grau de conhecimento

sobre seus direitos e deveres no que diz respeito à contratação

desse tipo de produto; como a decisão de compra está sendo

realizada; e como os consumidores avaliam os serviços ofertados

pelos planos de saúde no Brasil, entre outras informações.

A partir dessas informações, foram produzidos um comercial

para televisão que explica em linguagem acessível o

papel da ANS; e cinco filmetes para internet e redes sociais

abordando os temas que mais despertam dúvidas e interesse

dos consumidores: carência, cobertura, prazos máximos de

atendimento, reajuste e mediação de conflitos. Também foi

preparado um conteúdo específico para o portal da Agência,

abordando os principais assuntos relacionados à saúde suplementar

para esclarecer e orientar os beneficiários de planos

de saúde e consumidores em geral.

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• nevento

Especialistas debatem seguro empresarial

O seguro empresarial e as pequenas

e médias empresas foram o centro

da discussão do Café com Seguro,

organizado pela Academia Nacional

de Seguros e Previdência (ANSP) no

início de março. O evento contou com

parceria do Sincor-SP.

“Hoje, 27% do faturamento do

mercado é gerado pelas pequenas

empresas. Desse total, menos de 25%

fazem seguro, apesar da obrigatoriedade

legal de contratar seguro contra

incêndio”, lembrou Paulo Umeki,

vice-presidente Técnico da Liberty

Seguros. Trata-se, segundo ele, de um

enorme potencial de crescimento tanto para as seguradoras como

para os corretores. “Esse quadro se dá pela falta de consciência

do risco pelos empreendedores e também de foco das seguradoras

e dos corretores de seguro”, afirmou.

O encontro reuniu ainda Márcio Bertolini, consultor de

Negócios do Sebrae-SP e coordenador estadual do Programa

Corretor de Seguros Empreendedor; Ezaqueu Bueno, coordena-

• ntransportes

Workshop discute setor

O Clube Internacional de Seguros de Transportes (CIST)

deu início à sua agenda de eventos do ano com o Workshop

“Desafios do setor de seguros de transportes em 2017”, realizado

na manhã de 16 de fevereiro, no Circolo Italiano, em

São Paulo. O presidente José Geraldo da Silva ressaltou o

foco da entidade na disseminação de conteúdo técnico para o

segmento de transportes. A previsão de crescimento de 1,6%

do PIB brasileiro após 2 anos de forte retração anima o setor

de transportes e deu início às discussões do evento.

Durante o primeiro painel, Paulo Robson Alves, head de

Marine da XL Catlin falou sobre os riscos de não precificar

❙❙Sergio Nobre, Ezaqueu Bueno, Paulo Umeki, Márcio Bertolini e Edmur de Almeida

dor da Comissão de Riscos Patrimoniais do Sincor-SP; e Sergio

Nobre, diretor da ANSP.

“Os palestrantes trouxeram para o debate temas importantíssimos

para o desenvolvimento do mercado segurador.

Este ano traremos muitos outros temas que agreguem conhecimento

aos participantes”, disse Edmur de Almeida, diretor

da Academia.

os produtos de forma adequada, podendo causar prejuízos

e falta de precisão na avaliação de riscos. Enquanto os roubos

de cargas crescem, especialmente dos carregamentos

alimentícios, a precificação dos seguros não caminha junto

com essa realidade e, para ele, o preço é reflexo da subscrição

que precisa ser bem feita. É o que endossou Rosevaldo Silva,

superintendente de transportes da Tokio Marine, ressaltando

que a cadeia, como um todo, é afetada em momento de sinistro

e é preciso, antes que isso aconteça, mensurar qual a potencial

perda e se preparar para atendê-la.

Fraudes e sonegação precisam ser combatidas. Assim,

o mercado de seguros de Transportes será mais sólido para

acompanhar o restante do setor e se posicionar com ainda

mais força no País.

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painel

• nconsumidores

Cartilhas para orientação

A Superintendência de Seguros Privados (Susep)

lançou o Guia de Orientação e Defesa do Consumidor, em

formato digital, contendo informações importantes aos

consumidores sobre todo o setor supervisionado, abrangendo

os segmentos de seguros, previdência complementar

aberta e capitalização.

A edição completa tem explicações sobre cada produto,

como contratar, além de informações sobre os direitos

básicos do consumidor.

Além da versão digital, a autarquia lançou também o

Guia de Orientação Básica ao Consumidor e mais seis cartilhas

sobre produtos de seguros, previdência complementar

aberta e capitalização. A iniciativa faz parte das ações em

comemoração aos 50 anos da autarquia, completados no dia

21 de novembro de 2016. As edições serão distribuídas por

órgãos de defesa do consumidor, parceiros conveniados e

também estarão à disposição nas unidades de atendimento.

A versão impressa terá 20 mil exemplares distribuídos em

todo o País.

As edições vão abranger o seguro de automóvel, de

vida e acidentes pessoais, de garantia estendida, DPVAT,

título de capitalização e previdência complementar aberta.

As cartilhas terão apenas versões impressas, num total de

30 mil exemplares, que serão distribuídos em todo o país.

Objetivo é ampliar as informações prestadas aos

consumidores pela Susep. Além de servir como base na

tomada de decisões mais conscientes e na proteção contra

eventuais prejuízos, visa, principalmente, estimular maior

exigência dos cidadãos por seus direitos.

• npesquisa

Confiança no setor aumenta

O setor de seguros voltou a acreditar na recuperação

da economia brasileira. Pesquisa da Fenacor aponta que as

seguradoras, as corretoras e as resseguradoras têm expectativas

positivas para o semestre.

Depois de quatro meses consecutivos em queda, o Índice

de Confiança do Setor de Seguros (ICSS) voltou a subir

e marcou 105,5 pontos em janeiro de 2017.

Para o presidente da entidade, Armando Vergílio, esse

resultado é fruto da percepção do mercado de que a economia

começa a dar sinais de recuperação e que o setor de

seguros tem, mais uma vez, a chance de superar expectativas

e também colaborar com a retomada do crescimento, especialmente

lançando produtos voltados para as classes B e C. É

o caso, por exemplo, do seguro Auto Popular, que possibilita

aos proprietários de carros usados protegerem o seu veículo,

pagando valores mais compatíveis com a sua renda.

• nautomóvel

Mulheres são mais cuidadosas no

trânsito

Segundo o relatório Mulheres no Trânsito, da Seguradora

Líder-DPVAT, as mulheres responderam por apenas 25% das

indenizações pagas por acidentes em 2015, contra 75% dos

homens. Já os dados do Departamento Nacional de Trânsito

(Denatran) mostram que apenas 11% dos acidentes de trânsito

são provocados por mulheres.

Os números refletem características como: maior cautela

e maior prudência. Psicóloga especialista em trânsito, Salete

Coelho Martins conta que, na direção, os aspectos comportamentais

mais presentes nas mulheres são o planejamento prévio

e a segurança.

Além de estarem em vantagem em relação à segurança

no trânsito, elas também são mais atentas quando o assunto é

manutenção do automóvel, e costumam seguir corretamente o

agendamento de revisões proposto pelas montadoras.

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• n25 anos

Março, Mês do Jubileu de Prata da Ameplan Saúde

No dia 27 de Março a Ameplan completa 25 anos,

idade extremamente jovem para absorver e se moldar às

exigências do mercado e extremamente madura pela incrível

jornada vivida ao longo do tempo, diante

das grandes mudanças que ocorreram no

país e no mundo.

“Não é a toda hora que uma empresa

chega aos 25 anos”, comenta José Silva

dos Santos, diretor Administrativo Financeiro

da operadora e que está vibrante pela

oportunidade de estar na Ameplan exatamente

neste momento histórico, quando

os resultados se apresentam tão positivos

e consolidados.

“Muita gente boa passou por aqui ao

longo dos anos”, continua, “contribuindo com energia e inteligência

na construção sólida da nossa marca, que conquistou

a confiança das pessoas e hoje já e reconhecida no mercado

pela Excelência no Atendimento aos seus Beneficiários.

É muito gratificante viver este momento junto com nossa

equipe e desfrutar das alegrias conquistadas e dos desafios

que estão por vir”, finaliza.

A Ameplan sempre foi uma empresa

moderna e antenada com as inovações ocorridas

no mercado e vem se reinventando com

criatividade e profissionalismo. Seu modelo

de Gestão Profissional é composto por uma

equipe afinada, totalmente comprometida

com o nobre objetivo de proporcionar o que

há de melhor em termos de saúde e qualidade

de vida para seus clientes.

O Jubileu de Prata da Ameplan será

marcado por um evento especial. Na oportunidade,

será apresentado o novo vídeo institucional da

empresa e todos conhecerão a nova identidade visual da

operadora.

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GENTE

Aposta na sucessão

Após 20 anos à frente da presidência da

Rede Lojacorr, José Heitor da Silva passou a

presidência para Diogo Arndt da Silva, que está

na companhia desde a sua fundação. A empresa

conta atualmente com 900 corretores parceiros,

distribuídos em 16

estados brasileiros.

A mudança na direção

da empresa foi

anunciada durante

a 5 a Convenção Nacional,

que reuniu

cerca de mil pessoas

em Curitiba.

Heitor agora

será o presidente

da holding da Rede

Lojacorr, encarregada

de administrar

as outras empresas do grupo.

A Rede Lojacorr conta agora com um novo

projeto de expansão e deve abrir novos escritórios

regionais, ampliando a expansão para estados do

Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Mudanças comerciais e

regionais

A Tokio Marine recebe o reforço de José

Luis Ferreira da Silva como diretor Comercial.

O executivo será responsável pela área nas regiões

Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Minas Gerais.

José Luis tem mais de 30 anos de experiência

no mercado e deverá fortalecer o relacionamento

com corretores e assessorias.

Superintendente de garantia

A Marsh Brasil apresentou Luis Guilherme Menezes como superintendente

de Garantia da companhia

no Brasil. Formado em Ciências Econômicas,

Menezes acumula experiência

no mercado segurador e passagens por

players como a seguradora J Malucelli.

Com a chegada do executivo, que

ficará sediado em São Paulo, a corretora

ganha mais expertise para oferecer soluções

personalizadas. Em sua posição,

Menezes será responsável por desenvolver

e expandir a prática de garantia,

consolidando a posição da empresa no

mercado.

Mudanças nas sucursais

A Capemisa tem novos colaboradores em duas sucursais. As mudanças

visam consolidar o posicionamento da marca como uma seguradora

especializada em vida e incrementar os negócios nas regiões.

A unidade de João Pessoa (PB) passa a ser comandada por Francisco

Plácido Dantas Neto. “Minha missão a frente da companhia é estimular

que os corretores da Paraíba abram

espaço para o seguro de vida em suas

carteiras. Hoje eles estão muito focados

em seguro de automóveis e quero mudar

esse conceito”, afirma Plácido, que

também responderá pela sucursal do Rio

Grande do Norte.

Já Cesar Augusto Castelli Zuicker

será o responsável pela sucursal de Campinas.

“O principal objetivo é fortalecer

a imagem da empresa. Quero também

estreitar os laços com os corretores, além

de divulgar a importância do mercado

segurador na região”, declara.

Mais um integrante

no Conef

O secretário-executivo adjunto do

Ministério da Fazenda, Daniel Rodrigues

Alves, designou o diretor de Administração

da Superintendência de Seguros

Privados (Susep), Paulo dos Santos,

integrante do Comitê Nacional de Educação

Financeira (Conef), na condição

de representante suplente da autarquia.

Santos vai substituir Natalie Haanwinckel

Hurtado.

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Novo presidente

Pelos próximos quatro

anos, o Sincor-MS será comandado

pelo corretor de seguros

Arnol Lemos Filho. Eleito

presidente da entidade em

pleito realizado no dia 15 de

fevereiro, Lemos vai substituir

Pedro Bonacina.

Com a nova diretoria,

Aparecido Oliveira de Brito

ocupará a vice-presidência do

Sindicato e Clóvis Jose Miguel será o novo diretor social.

Telma Chaves França passa a desempenhar a função de

diretora secretária e Ben-Hur Iwazaki de Lima será o novo

diretor secretário adjunto.

Gerente sênior para o

mercado

Marcos Cantinelli

é o novo gerente

sênior para o mercado

de seguros da Direct.

One.

“Estou muito empolgado

com esse novo

desafio”, destaca Cantinelli.

Sua meta é ajudar a crescer 150% as comunicações

transacionais processadas pela empresa, que em 2016 somaram

120 milhões de documentos, como boletos, faturas,

apólices, certificados, extratos e comunicados

Novo comando

para o RH

Luciana Montuanelli

é a nova diretora de Recursos

Humanos da Mondial

Assistance. A executiva, que

já atuou no mercado automotivo,

químico, eletrônico,

Telecom e de embalagens

farmacêuticas, liderou equipes

no México, Venezuela,

Panamá, Chile, Colômbia e

Argentina.

A chegada da nova diretora marca a ampliação da gestão

junto aos colaboradores e parceiros para que a empresa

conquiste ainda mais sua participação no mercado brasileiro.

Diretor-presidente de

resseguros

Eduardo Toledo passa a ocupar

o cargo de diretor-presidente de

Resseguros da SOM.US, empresa

que atua na consultoria e distribuição

de seguros e resseguros na

América Latina.

Toledo vai coordenar uma

equipe de profissionais alocados

em São Paulo e no Rio de Janeiro,

que atendem clientes da empresa

nas áreas de contratos e facultativos. “Meu grande desafio será

atender, de forma independente, as demandas de resseguros

oriundas de corretores de seguros parceiros, bem como intensificar

o relacionamento com as seguradoras”, explica.

Cargo duplo

Ana Paula de Almeida Santos,

diretora Jurídica da Assurant,

foi nomeada vice-presidente da

Comissão de Garantia Estendida

e Afinidades e presidente da Comissão

de Assuntos Jurídicos da

Federação Nacional de Seguros

Gerais (FenSeg).

“As comissões da Federação

são formadas por nomes importantes do mercado e são essenciais

para o desenvolvimento dos negócios das companhias no Brasil.

O nível de debate dos temas pautados é sempre muito alto, o

que ajuda os membros a ficarem cada vez mais conectados às

questões do setor”, avalia Ana Paula.

Diretor de TI

A Sompo Seguros contratou Wander Bringhenti como diretor

de Tecnologia da Informação, responsável pelas operações

de Tecnologia e Projetos. Ele chega

para contribuir com a seguradora

em sua estratégia de incremento na

melhoria de atendimento ao cliente

e processos internos, bem como na

expansão do share de mercado.

Outro desafio é o de dar suporte

às oportunidades de negócios por

conta da ampliação do portfólio

de produtos e uso de tecnologia, já

que a empresa investiu em novos

recursos nessa área.

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consumidor | ouvidoria

Uma via de mão dupla

Entender a expectativa do cliente é o

maior desafio das Ouvidorias. Somente em

2015, quase 70 mil reclamações chegaram

às seguradoras brasileiras, que mantêm

departamentos exclusivos e autônomos

para atender seus clientes

Kelly Lubiato

O

empresário Dae Yol Kim

enfrenta há quatro meses

um périplo para regular o

sinistro ocorrido em sua

residência. Através de uma mesma corretora,

ele adquiriu o seguro do seu carro

e da sua casa. Depois de vários meses

falando com a corretora, ele descobriu

que não tinha a cobertura contra terceiros.

Entretanto, questiona a demora da

corretora e da seguradora em responder

a sua demanda.

Quando uma reclamação chega à ouvidoria,

é porque ela já passou por outros

âmbitos da companhia. Esta instância foi

regulamentada pela Susep em 2013, mas

algumas seguradoras já dispõem deste

departamento há mais tempo.

Apesar de ser um setor reconhecido

e regulamentado, a ouvidoria ainda

não é vista pelo cliente como um canal

pró-consumidor. Esta é a sua grande

diferença para o SAC (Setor de Atendimento

ao Cliente), além de ter um fluxo

da reclamação que varia de acordo com

cada empresa.

Segundo o relatório das Ouvidorias

elaborado pela CNseg, com dados de 33

seguradoras e operadoras de saúde, em

2015 chegaram 110.681 demandas de

consumidores. É importante destacar,

conforme o relatório, “que o exercício

da função do Ouvidor pressupõe um

significativo grau de entendimento das

operações de seguros, capitalização,

previdência complementar aberta, saúde

suplementar e experiência de vida suficiente

para identificar o custo social de

Demandas por segmento

Segmento Nº de Demandas % Participação

Seguros Gerais 52.438 48%

Saúde Suplementar 31.302 28%

Seguro de Pessoas 16.215 15%

Previdência Complementar Aberta 7.113 6%

Capitalização 3.613 3%

Total 110.681

Fonte: CNseg

14


“O ouvidor

precisa ter um

conhecimento

técnico profundo,

mas precisa ter

equipe que conheça

tudo e deve,

principalmente,

gostar de pessoas.

O conhecimento

técnico se

pode aprender,

mas atitude e

comportamento

vem de dentro para

fora. Para trabalhar

com Ouvidoria

feliz é preciso estar

disposto a lidar com

o pior momento do

público. É preciso ter

prazer em ajudar para

o trabalho não ficar

pesado”

Gabriela Assmar,

Ombusdman do Grupo Icatu

Demandas das Ouvidorias 2015

Mercado Susep

um pleito juridicamente amparado que

não seja atendido”.

A CNseg estima que atualmente

100% das seguradoras tenham uma

ouvidoria para atender os segurados.

Além da obrigatoriedade, o aumento

das demandas acontece por dois fatores:

o primeiro é a maior conscientização do

consumidor em relação aos seus direitos;

a segunda é a maior divulgação da

existência destes canais. Silas Rivelle,

presidente da Comissão de Ouvidores da

CNseg, explica que a Ouvidoria é uma via

de mão dupla. “O cliente fala o que pensa

sobre a empresa e recebe de volta este

material tratado”. Hoje, o consumidor

encontra no site da maioria das seguradoras

e operadoras de saúde o caminho

para chegar até a ouvidoria. É um avanço

significativo para o Brasil, que possui

uma legislação favorável ao consumidor

desde 1991, quando foi promulgado o

Código de Defesa do Consumidor.

Na Icatu Seguros, a ouvidoria funciona

desde 1998 e recebe as demandas

que passam pelo atendimento ao cliente

e que não são resolvidas. A advogada

Gabriela Assmar é a responsável pelo

setor e afirma que muitas das demandas

não são de ordem técnica, mas porque

este é um produto bastante sofisticado e

muita gente compra sem ler o contrato.

“É uma questão de educação do cliente”.

Entretanto, Gabriela acrescenta que o

DNA da Ouvidoria é ser aquela instância

a qual o cliente chega quando os canais

anteriores não resolveram. “No momento

que chega até nós, deixa de ser a mesma

lógica”, ressalta.

A ouvidoria, por definição, deve ter

autonomia, independência, alçada decisória

e não pode ter medo de desagradar

a diretoria e o conselho da empresa. O

Total de Demandas*

2014 2015 Variação

2014/2015

Demandas 62.617 68.933 10%

* Números das 29 empresas que participaram da coleta de 2014 e 2015, que representam 76,3% do valor

arrecadado pelas empresas supervisionadas pela Susep em 2014

objetivo mais nobre deste setor é, além

de resolver o problema do consumidor,

gerar recomendações e melhorias que

evitem que problemas semelhantes voltem

a acontecer.

O trabalho da ouvidoria é sempre

movido pela ação do segurado. “A

demanda do cliente reclama depois de

passar pelos setores de atendimento da

companhia ou por meio de canais ‘agravados’

(Susep, Procon’s e mídia – Consumidor.gov;

ReclameAqui; Facebook)”,

explica Gabriela. Nos casos que vêm

direto das mídias sociais, nem sempre se

trata de reclamações. Podem ser simples

solicitações de documentos ou dúvidas

sobre o contrato.

De acordo com a regulamentação da

Susep, a Ouvidoria tem prazo de 15 dias

para responder ao segurado.

O retorno

Um dos papéis da Ouvidoria é diminuir

a quantidade de demandas judiciais.

Este departamento não é um centro de

custo, mas um gerador de resultados,

esclarece Rivelle. “O cliente busca uma

atuação imparcial, justa (baseada na

legislação), que atue não como representante

da corporação, mas como defensor

do consumidor”, acrescenta.

Os números crescem rapidamente.

Na Unimed Seguradora, Rivelle conta

que em 2016 houve um incremento de

58% na quantidade de reclamações que

chegaram à Ouvidoria, em relação a 2015.

Isto aconteceu porque a empresa fez uma

grande divulgação sobre o trabalho deste

canal. “Com isso, houve queda de 27%

nas ações judiciais e 41% nos processos

junto à ANS (Agência Nacional de Saúde

Suplementar). “Ou seja, a boa atuação da

Ouvidoria evita que as empresas sofram

15


ouvidoria

Para corretores

Os corretores de seguros também

possuem um canal direto com o seu

sindicato para dar andamento às suas

reclamações. Em São Paulo, a Ouvidoria

do Sincor recebeu em 2016 ligações,

com demandas de diversas categorias

como dúvidas em relação às comissões,

vistorias realizadas sem agendamento

e, principalmente, descredenciamento

em seguradoras etc.

O titular desta Ouvidoria, o corretor

Otavio Milliet, conta que toda

reclamação é analisada em parceria

com outros integrantes da diretoria,

para dar o devido encaminhamento

à demanda.

Nos últimos 12 meses, foram

abertos 135 processos na Ouvidoria do

Sindicato dos Corretores de Seguros de

São Paulo, sendo 101 encerrados com

reversão (solucionados) e 27 encerrados

sem reversão. Há sete processos em

tramitação.

“Se você considerar que os processos

que chegam à Ouvidoria já passaram

por tentativa de solução por parte

de algum departamento do Sincor-SP,

como Disque Sincor, Assessoria Técnica

ou Comissão de Ética, o sucesso em

78,91% dos casos encerrados é bem

expressivo”, comenta Milliet.

A esfera anterior à Ouvidoria, neste

caso, é o Disque Sicor, que realiza 1600

atendimentos por anos, de acordo

com informações de Simone Favaro

Martins, vice-presidente do Sindicato.

“Neste ponto, as reclamações são das

mais diversas naturezas possíveis, mas

o índice de reversão é de 74,8%”, comemora

Simone.

“Em 2016, o perfil dos

consumidores que

chegaram à Ouvidoria

da Tokio Marine foi:

86% segurados; 8%

terceiros; 5% corretores

e 1% outros. Do total

de registros, 48% foram

efetuados diretamente

na seguradora e 52%

por meio da Susep”

Masaaki Itakura, diretor

executivo de Estratégia

Corporativa da Tokio Marine

ações judiciais e/ou recebam multas do

órgão regulador. Isso protege a imagem

da companhia”.

É possível ter um número maior de

reclamações no órgão público, mas o

crescimento de carteira demonstra que

houve queda na proporção

Os gestores das companhias seguradoras

encontraram na Ouvidoria um

grande aliado para a melhoria dos processos

das empresas, além da fidelização

16

Simone Favaro Martins

Otavio Milliet

dos clientes. “Quando o cliente sente-se

respeitado ele se torna um grande divulgador

da marca da companhia”, avalia

Rivelle, argumentando que um dos pilares

da Ouvidoria é justamente ser uma

ferramenta estratégica para melhoria de

processos.

O grande engano sobre o trabalho

das Ouvidorias acontece porque as pessoas

acreditam que elas são apenas um

canal de reclamação. Na verdade, esque-

cem que ela possui representatividade

dentro das corporações, pois reportam-se

diretamente à presidência e ao conselho

das empresas.

Na Tokio Marine, por exemplo, há

um intercâmbio constante entre a área

de Atendimento do Cliente e os diversos

departamentos, empenhados não só em

prover as necessidades, mas em exceder

as expectativas do cliente. “O contato entre

as áreas é fundamental para que todos

estejam alinhados quanto a importância

de ter uma atitude proativa para prestar

um atendimento claro e entender eventuais

melhorias que podem ser feitas nos

processos e serviços”, explica Masaaki

Itakura, diretor executivo de Estratégia

Corporativa.


17


ural | produto

Onde brota a esperança

A agropecuária é o setor que sempre carrega a

esperança de retomada de crescimento no Brasil.

Para o mercado de seguros, a esperança na

carteira também se renova

Amanda Cruz

18


❙❙Joaquim Francisco, da Allianz

Em um momento difícil, o Brasil

continua contando com o setor

que sempre traz a esperança

para a retomada do crescimento:

o agronegócio. Para 2017, a expectativa

é que ocorra uma expansão de 2%, de

acordo com a Confederação da Agricultura

e Pecuária do Brasil (CNA). De 2015

para 2016 o setor teve um acréscimo em

sua participação na economia nacional,

sustentando seu lugar de carro-chefe, com

alteração de 21,5% para 23% de participação

e agregando 48% das exportações

do País.

Esse otimismo é benéfico também

para o mercado de seguros, já que

alavanca a procura dos produtores por

seguro rural, modalidade crucial para

apoiar aqueles que podem ver suas safras

arruinadas por fenômenos da natureza e

abrangem a atividade agrícola, pecuária,

o patrimônio do produtor, crédito e risco

de morte.

Esse apoio acontece desde 2005 graças

ao Programa de Subvenção ao Prêmio

do Seguro Rural, realizado pelo Governo

Federal em parceria com seguradoras,

que possibilitam que o produtor escolha

a companhia que preferir para se proteger

com descontos providos pelo incentivo

do Estado. “Temos mantido constante

relacionamento com o MAPA e direcionado

as demandas que os agricultores nos

encaminham por meio dos corretores. O

diálogo com o Governo Federal é saudável

e busca melhorias para os produtores

rurais”, afirma Joaquim Francisco, superintendente

de Agronegócios da Allianz.

Para onde vai o incentivo

Mesmo com o grande peso e importância

que esse incentivo tem, no último

ano, a subvenção dada pelo Governo Federal

ao seguro rural não foi totalmente

utilizada. Essa verba deverá, portanto, ser

realocada, conforme explica o corretor

da Rural Brokers, Marcelo Westin. “Primeiro,

é preciso esclarecer que esta sobra

deu-se apenas para as culturas de inverno,

sendo ocasionada por diversos fatores.

Dentre eles, podemos destacar a incerteza

do mercado com relação aos recursos

para a subvenção, a diminuição da área

plantada de trigo e o dimensionamento

de safra de inverno com área superior à

demandada na prática”, explica. “Trata-se

de verba destinada às culturas de inverno.

Como não foram consumidas, serão

utilizadas para as culturas de verão”,

completa o corretor.

Para aqueles produtores que contrataram

apenas apólices para a cultura de

inverno, é necessário que procurem um

corretor para saber se sua subvenção já

foi, ou não, concedida.

Embora seja uma modalidade de

grande importância para a economia

brasileira, alguns fatores influenciaram

nessa baixa utilização. É o que explica

Vitor Augusto Ozaki, diretor do

❙❙Marcelo Westin, da Rural Brokers

As modalidades do

seguro rural

A meta do produto é abranger

todo tipo de cultivo e necessidade dos

produtores. É importante lembrar que

o seguro agrícola é uma modalidade

dentro do seguro rural oferecido. Veja

o que ele abrange:

〉〉

Agrícola

〉〉

Pecuário

〉〉

Aquícola

〉〉

Benfeitorias e produtos agropecuários

〉〉

Penhor Rural

〉〉

Florestas

〉〉

Seguro de Vida do produtor rural

〉〉

Seguro de Cédula do produtor

rural

Departamento de Gestão de Risco e

Recursos Econômicos do Ministério da

Agricultura Pecuária e Abastecimento

(MAPA). Ele afirma que, ao contrário

do que a primeira leitura possa indicar,

o orçamento destinado foi executado. No

entanto, outras questões implicaram no

aumento da disponibilização do que havia

sido previamente decidido. “Em função

do problema ocorrido com a seguradora

Nobre [que operava com o produto], o comitê

decidiu disponibilizar R$ 1,5 milhão

a mais para o cultivo de frutas, em caráter

excepcional no final do ano. Porém, não

houve demanda”, explicou. Ele afirmou

ainda que, de qualquer maneira, dos R$

400 milhões disponíveis, R$ 398 milhões

foram usados, ou seja, 99,6% da verba.

A posição da Allianz nessa carteira

corrobora com o que foi explicado

pelo diretor do MAPA. O executivo da

19


produto

Vitor Augusto Ozaki,

❙❙do Ministério da Agricultura

companhia afirmou que “todo recurso

da subvenção que foi disponibilizado no

último ano foi utilizado”.

Ou seja, não foi o interesse ou a capacidade

dos produtores que diminuiu.

Segundo as palavras do corretor Marcelo

Westin, não se pode apontar desinteresse

“de maneira alguma, pois a busca por esse

seguro segue aquecida”, mas a realocação

de recursos deu a impressão de que nem

todos que poderiam pleitear a subvenção e

beneficiar suas produções foram atingidos.

Como há crescimento do setor, o natural

é que a demanda cresça. Para Ozaki, o

motivo dessa diferença está no fato de que

houve dificuldade em divulgar esse novo

montante disponível no momento adequado

para que fosse possível realizar a venda

das apólices. Em 2016 foram contratadas

76,3 mil apólices de seguro rural, que

garantiram capitais da ordem de R$ 13,26

bilhões, beneficiando 48 mil produtores,

de acordo com dados do MAPA.

Em tempos de dificuldades de confiança

na administração pública, o PSR

ainda pode ser utilizado como um benefício

no qual o Governo se empenha

em trazer melhoras, sendo esse um dos

programas com maior índice de execução

orçamentária no Ministério. “O que é

necessário é a divulgação antecipada,

alocação de volume de recursos orçamentários

compatíveis com o setor e

incentivo de concorrência entre as empresas

que ofertam o produto, para que

exista redução de custo para o produtor,

o beneficiário”, coloca Ozaki.

Westin concorda que divulgar faz

toda a diferença e que é preciso mostrar

mais os benefícios dessa ferramenta. “A

ajuda é para a estabilidade econômica dos

produtores, que mesmo afetados por uma

intempérie climática recuperam parte

dos valores investidos na lavoura. Isso

permite que eles fiquem ativos na safra

seguinte, não precisando vender terras ou

outros ativos para quitar dívidas”, exemplifica.

Mas a corretora não pretende ficar

de braços cruzados e já adota medidas de

conscientização, seja pelas redes sociais

ou indo a campo ficar mais próxima de

seus parceiros. Com isso, o projeto é aumentar

a carteira da corretora em 15%,

pois ainda há espaço no setor.

Descobrindo nichos

Há muito tempo há a intenção do

Governo Federal em criar um fundo para

catástrofes para evitar danos ainda maiores

às plantações e aos animais. Algo que

seja ainda mais robusto, pronto para níveis

mais severos de sinistros. A discussão

vem há mais de uma década e, se parecia

tomar força no último ano, pelas longas

discussões técnicas, em 2017 a ideia parece

ter sido deixada em segundo plano.

É o que adianta o diretor do MAPA: “Por

enquanto, a discussão sobre o Fundo está

parada. Nesse contexto de ajuste fiscal

acho pouco provável que a regulamentação

ganhe fôlego. Nesse momento, o foco é aumentar

os recursos para o PSR e aumentar

o número de produtores beneficiados e de

área segurada”, afirma.

Chegando como seguradora no

Brasil, pois já atuava no mercado de

resseguros, a Markel tem procurado seu

espaço em novos nichos. O seguro rural já

Culturas que mais receberam

subvenção em 2016

❙❙Leonardo Paixão, da Markel

figura entre os interesses da companhia.

Prova disso é a parceria formada com a

Associação Nacional dos Distribuidores

de Insumos Agrícolas e Veterinários

(Andav). Leonardo Paixão, presidente

da Markel no Brasil, afirma que procurar

esses espaços não preenchidos é a meta

da companhia no País. “O agro será um

foco desde que seja possível trabalhar

segmentos específicos dentro desse setor”,

adianta.

Portanto, a parceria faz parte dessa

filosofia. “No caso, notamos uma demanda

pontual das empresas associadas à

Andav, que buscavam uma cobertura específica

para proteger seus armazéns, que

têm certas peculiaridades pelo conjunto

complexo de regras às quais estão sujeitos”,

explica. A companhia quer manter

uma postura mais reservada, já que não

pretende trabalhar com massificados,

mas investir nos nichos que parecerem

promissores, como o rural.

SOJA R$167,90* 42,1 %

MILHO (2ª SAFRA) R$ 74,07* 18,6 %

TRIGO R$ 42,93* 10,8 %

MAÇÃ R$ 34,85* 8,7 %

UVA R$ 25,64* 6,4 %

(*milhões)

Juntas, essas culturas consumiram 86,7% - R$ 345,38 milhões – dos recursos disponíveis.

Mais de 47 mil produtores foram beneficiados

20


Lei quer mais incentivo ao setor

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos

Deputados aprovou o Projeto de Lei 2433/15, do ex-deputado

Edinho Bez (PMDB-SC), que cria incentivos para que produtores

rurais adotem tecnologias agrícolas capazes de reduzir

as perdas decorrentes de efeitos climáticos.

Pelo texto, o Programa de Incentivo à Adoção de Tecnologias

Redutoras de Risco Agroclimático vai oferecer linhas de

crédito específicas para cobrir até 60% do custo de tecnologias

produtivas resistentes a climas adversos, como estiagem,

excesso de chuva, granizo, geada e insolação.

Poderão ser financiados pelo programa com limites de

crédito, taxas de juros, prazos de pagamento e de carência

diferenciados tecnologias de irrigação ou drenagem;

proteção de cultivos por meio de telas, estufas, coberturas

plásticas; e demais tecnologias recomendadas pela pesquisa

agropecuária oficial.

Para o relator da proposta, deputado Valtenir Pereira

(PMDB-MT), o seguro agrícola não é suficiente para arcar com

os prejuízos do agricultor por questões climáticas. “Essas perdas

podem ser mitigadas, caso o agricultor usar tecnologias

já disponíveis, como telas para proteção de pomares contra

chuvas de granizos.”

Segundo Pereira, a proposta deve gerar uma redução no

gasto do seguro rural, com economia de recursos públicos,

corte no aumento dos preços dos alimentos e geração de

emprego e renda aos trabalhadores da cadeia produtiva.

O projeto ainda será analisado conclusivamente pela

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto

foi aprovado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento

e Desenvolvimento Rural em setembro de 2015.

Fonte: Agência da Câmara

Os nichos nem sempre são tão bem

demarcados. A procura por seguros para

determinadas culturas criam espécies de

sub-nichos na carteira. Na Allianz, por

exemplo, a maior procura é pelo seguro

de grãos, especialmente soja, milho e

trigo. “Isso tem ocorrido pelo fato dessas

culturas terem grande produção no Brasil

e serem tradicionais em quase todas

as regiões, com destaque para o Sul,

Centro-Oeste e Sudeste”, conta Joaquim

Francisco.

Perspectivas

Em 2016, além do aumento de 87%

nas indenizações em 2016, conforme dados

da Susep, o MAPA afirma que houve

recuperação do desempenho no produto

rural, mas os números ganham forma em

histórias como a de clientes de Westin em

Goiás, que enfrentaram secas em grandes

áreas, capazes de paralisar a produção

não fosse o seguro contratado. Ou casos

de revendas que, por terem a proteção,

não precisaram recorrer à execução de

garantias como hipotecas. Sem o seguro

as pessoas recorrem a esses processos

que, na visão do corretor, “além de serem

custosos e demorados, perde-se o cliente

quando eles chegam ao fim”, opina.

Joaquim Francisco, da Allianz, cita

a expertise da companhia como alicerce

para acreditar no bom desenvolvimento

da carteira. “Nossas perspectivas são

muito boas para essa carteira, tendo em

vista que o agronegócio tem sido o responsável

por amparar a nossa economia.

Nossos investimentos têm sido direcionados

à área de sistemas e análises de

climatologia”. O executivo afirmou ainda

que a companhia deverá apresentar, em

breve, novidades em seu portfólio de

produtos rurais.

O horizonte de plantio no Brasil é

vasto em alqueires e pequeno em proteção.

Apenas 20% da área plantada são

hoje seguradas. “Estamos falando do

Brasil, um país com vocação agrícola

e dimensões continentais. É fácil ver o

potencial de crescimento desse produto”,

finaliza o corretor.

21


aposentadoria | previdência privada

Invista hoje,

descanse amanhã

Com a reforma previdenciária, abrem-se as portas para as poupanças

de longo prazo. Planos de previdência privada despontam como um

dos meios de se garantir estabilidade no futuro

Lívia Sousa

22


Anunciada pelo Governo Federal

em dezembro passado, a

reforma previdenciária finalmente

deve sair do papel em

2017. A medida prevê que o trabalhador

urbano atinja a idade mínima de 65 anos

e contribua por pelo menos 25 anos para

obter 76% do benefício. Já para receber

a aposentadoria integral, é preciso que o

contribuinte pague a Previdência Social

por 49 anos. Hoje, se aposenta por tempo

de contribuição quem pagou a Previdência

por, no mínimo, 15 anos. Para

resgatar 100% do benefício, este número

é de 35 anos para os homens e 30 para as

mulheres. No caso da aposentadoria por

idade, eles precisam ter 65 anos e elas, 60.

Com a nova regra, a ideia é que posteriormente

os números sejam reajustados até

se manter o mínimo de 70 anos de idade

para ambos.

Toda essa modificação, segundo o

Governo, se faz necessária diante da

baixa geração de emprego, do rápido envelhecimento

da população e da mudança

demográfica, que impactam diretamente

as despesas da previdência. Só em 2016,

o Instituto Nacional do Seguro Social

(INSS) registrou um déficit de R$ 149,73

bilhões, valor recorde equivalente a pouco

mais de 2% do Produto Interno Bruto

(PIB). O rombo é 74,5% maior que as

cifras alcançadas um ano antes, quando

somou R$ 85,81 bilhões. Para 2017, o

orçamento aprovado pelo Congresso é

❙❙Nilton Molina, da CNseg

de menos R$ 181,2 bilhões.

Por outro lado, alguns economistas

questionam o cálculo do déficit da

Previdência e as limitações provocadas

pelo envelhecimento da população com a

alegação de que o Governo retira recursos

da seguridade social para financiar outras

despesas. É o caso da Desvinculação das

Receitas da União (DRU), que tem como

principal fonte de recursos as contribuições

sociais e permite o livre uso de 20%

de todos os tributos federais vinculados

por lei a fundos ou despesas.

Em meio à discussão sobre a necessidade

e a maneira como a reforma da

Previdência Social está sendo feita, outra

preocupação aparece: os brasileiros subestimam

o risco real de perda de renda.

Apenas 41% da população acredita que

há menos de 10% de chance de um evento

inesperado impedir sua capacidade de

gerar renda, revela estudo elaborado por

uma seguradora suíça. Neste cenário, o

Governo é visto como a principal fonte

de renda em situações de perdas repentinas.

As poupanças pessoais ficam em

segundo plano.

Especialista em longevidade e membro

do Conselho Diretor da Confederação

Nacional das Seguradoras (CNseg),

Nilton Molina garante que o valor dos

benefícios do INSS serão cada vez menores.

Assim, para estar presente em toda

a sociedade, o Estado jogará uma espécie

de cobertor fino à população. “As pessoas

de baixo salário sempre estarão cobertas

pelo seguro social. Já as de salário médio

em diante vão precisar de recursos. O estado

que ia prover 100% das necessidades

para o futuro vai ajudar, mas menos do

que você vai precisar. Portanto, quem

ganha melhor terá que se preocupar mais

do que se preocupa hoje com poupança

futura”, diz ele.

Para Molina, a reforma previdenciária,

que já deveria ter sido discutida no

País há pelo menos três décadas, produz

dois efeitos antes mesmo de acontecer:

o primeiro, de natureza subjetiva, leva

as pessoas a entender a necessidade de

se poupar ainda mais; o segundo, de

natureza objetiva, considera que o sistema

de previdência atual tem um nível

de cobertura muito elevado – 92% dos

brasileiros recebem salários abaixo do

❙❙Renato Follador, do Fundo Paraná

teto. “A reforma induz a diminuição de

benefícios em aproximadamente 25% do

teto”, pontua.

Reserva financeira

Os brasileiros estão encarando a

aposentadoria como um projeto cada

vez mais distante. Em uma pesquisa feita

pela Federação Nacional de Previdência

Privada e Vida (FenaPrevi) em parceria

com o Ipsos Brasil, 62% dos entrevistados

afirmaram acreditar que a reforma da

previdência deve dificultar a aprovação

dos pedidos de aposentadoria.

Neste caso, formar uma poupança é

uma boa opção. Isso pode ser feito de várias

maneiras, como por meio da compra

de um apartamento ou investimento em

fundos. Contudo, o consultor em previdência

e presidente do Fundo Paraná de

Previdência Multipatrocinada, Renato

Follador, defende que o melhor instrumento

para poupanças de longo prazo

são os planos de previdência privada, pois

carregam estímulos fiscais importantes.

“A previdência privada complementar

é um patrimônio com finalidade

definida. Como a contribuição é mensal,

ela cria disciplina na hora de poupar por

meio de um boleto ou um débito em conta,

que o participante do plano recolherá

antes mesmo de gastar o dinheiro com

outras despesas ou compras por vezes

supérfluas”, explica. Como o imposto

de renda cobrado no resgate antecipado

é alto, o dinheiro fica menos ao alcance

das mãos e o detentor pensará duas vezes

antes de utilizá-lo.

Esta é a grande vantagem macroe-

23


previdência privada

❙❙Helio Portocarrero, economista

conômica do produto, dada a dificuldade

de se implantar um sistema de capitalização

e manter o regime de repartição

na previdência social. Por outro lado, as

aplicações em previdência privada são

muito concentradas, assim como o sistema

financeiro brasileiro – particularmente

o sistema bancário, que atinge a massa

maior da população. “Isso provoca uma

rentabilidade abaixo de outras aplicações

financeiras”, argumenta Helio Portocarrero,

economista e membro do Comitê de

Estudo de Mercado da CNseg.

Segundo ele, seria importante a existência

de um mecanismo que induzisse

uma competição maior na provisão de

previdência privada. Para isso, é preciso

que haja uma limitação por risco que

possa ocorrer. “Existe a possibilidade

de se aplicar na previdência privada um

mecanismo que foi aplicado ao sistema

imobiliário, que é o do patrimônio de

aceitação, o que seria muito útil para que

realmente pudesse aumentar a competitividade

do setor”.

Eles já pensam no futuro

Contratar um plano de previdência

privada está nos planos de Camila Verbisck

desde 2015, quando a jornalista

passou a trabalhar como Pessoa Jurídica.

Hoje, a profissional de 34 anos atua

como microempreendedora individual e

contribui com a previdência social para

ter aposentadoria com base no salário

mínimo. A previdência privada, neste

caso, seria um complemento.

“Trabalhei com carteira assinada por

24

quatro anos, mas nunca me preocupei

tanto com isso porque, na minha cabeça,

até eu ter idade de aposentar, não existiria

mais previdência pública. Estava pressentindo”,

declara.

Com 43 anos de idade, o radialista

Leonardo Engelmann cogita seguir o mesmo

caminho e vê na previdência privada

a maneira de complementar os últimos

dez anos trabalhados – tempo que serve

de base para que se aposente pelo INSS.

“Você faz o que quiser com uma aposentadoria

privada. Eu receberia o plano e

declararia como renda para aumentar o

valor da aposentadoria”, explica ele, que

aos 18 anos recusou contratar o produto

oferecido por um banco. “Se tivesse feito

o contrato naquela época, com certeza

estaria mais feliz.”

Quem já aderiu ao plano, por sua vez,

elevou o valor da contribuição. Dados

divulgados pela FenaPrevi indicam que

entre janeiro e novembro do último ano

os aportes acumularam R$ 98,17 bilhões,

apresentando uma evolução de 19,14%

frente ao mesmo período de 2015, quando

somaram R$ 82,40 bilhões. Os planos

individuais foram os que mais receberam

recursos.

Com as famílias “apertando os

cintos” em razão da crise econômica, o

aumento das contribuições deixa uma

questão curiosa: de onde essas pessoas

tiram dinheiro para aplicar na previdência

privada quando o momento pede corte

nos gastos? Na visão do presidente da

Federação, Edson Franco, a discussão

❙❙Leonardo Engelmann, radialista

❙❙Edson Franco, da Fenaprevi

da reforma contribui para a formação de

consciência de que o Estado, sozinho, não

vai conseguir prover toda a necessidade do

indivíduo na aposentadoria. “As pessoas

começam a entender que precisam formar

sua própria poupança”, pontua.

Na medida em que elas continuarão

precisando complementar a renda, os

aportes devem seguir em expansão acima

da inflação, pois o segmento é relativamente

jovem no País e ainda está em processo

de formação e acumulação. “Qualquer

segmento de acumulação de poupança de

longo prazo depende de um processo de

estabilização monetária e econômica para

poder crescer, fato que ocorreu somente

com o Plano Real. Por isso, a previdência

privada cresce muito acima da inflação. Já

estamos chegando a reservas de R$ 650

bilhões”, diz o executivo.

A média de idade do investidor que

hoje aplica em previdência é de 45 anos,

geração que ainda tem uma memória

inflacionária. Já as novas gerações tendem

a ter uma visão de longo prazo, pois

viveram experiências de estabilidade

monetária e macroeconômica. Franco

pontua que a cultura de poupança de

longo prazo muda com o tempo. Assim,

o setor tem também a responsabilidade

de formar pessoas, ajudá-las a entender a

importância desses mecanismos de investimento

e de proteção que correspondam

a essas expectativas.

Mercado será beneficiado

Os especialistas são categóricos:

a previdência privada sempre foi uma


necessidade para qualquer pessoa que

deseja manter o padrão de vida na velhice

e muitos não enxergavam este fato até o

anúncio da reforma previdenciária, que

agora é considerada a maior “vendedora”

dos planos de previdência privada. “Na

forma que está sendo desenhada, a reforma

irá empurrar muitos contribuintes para a

previdência privada, pois os benefícios

estarão mais limitados e com prazos mais

longos para obtenção”, afirma Ecio Costa,

professor de Economia da Universidade

Federal de Pernambuco (UFPE) e sócio

da Cedes Consultoria e Planejamento.

Desta forma, o setor se beneficiará com um

maior contigente de contribuintes.

Já o planejador financeiro e sócio da

Moneyplan Consultoria, Fernando Meibak,

atenta para o fato de que os planos de

previdência precisam ter custos menores.

Caso contrário, o aconselhável é que as

pessoas invistam elas mesmas para o

longo prazo. “Os planos de previdência

sofreram a concorrência de outros mecanismos

de investimento de longo prazo,

como Tesouro Direto, que é mais barato.

Os custos dos produtos atuais são muito

elevados e, com a queda de juros, ficarão

menos atraentes”, argumenta.

Ao mesmo tempo em que o mercado

cresce, aumenta também o lucro dos

bancos que vendem os planos PGBL e

VGBL.

Quando e como investir

Em previdência, tempo e dinheiro

são fatores fundamentais. Quanto mais

❙❙Ecio Costa, da Cedes

se tem um, menos se precisa do outro.

Por isso, quem começa a contribuir antes

pode contribuir com menos mensalmente

do que quem começa mais tarde, para uma

aposentadoria de igual valor e iniciada na

mesma idade.

Além de poupar por mais tempo, o

detentor do plano vai usufruir mais dos

juros recebidos no investimento de seu

dinheiro. Para se ter ideia, poupando durante

35 anos mais de 2/3 do patrimônio

acumulado virá dos juros. Em 30 anos,

por exemplo, a previdência privada rende

31% a mais que um investimento num

fundo financeiro.

Em alguns casos, pensando no futuro

da nova geração, os planos são contratados

pelos próprios pais ou avós. Já para

quem vai aderir ao produto por conta

própria, o ideal é que isso seja feito assim

que o participante entrar para o mercado

de trabalho.

“A previdência privada, com a coparticipação

do empregador, deve ter

início o mais breve possível, pois quanto

maior o prazo para contribuir maior o

montante obtido. É válido lembrar que

a previdência sem a coparticipação pode

não ser tão interessante, tendo em vista

as taxas de administração e carregamento

cobradas por todas as instituições financeiras”,

declara o especialista em finanças

e professor da FAE Centro Universitário,

Amilton Dalledone.

PGBL ou VGBL?

Em um primeiro momento as letras

❙❙Amilton Dalledone, professor universitário

❙❙Fernando Meibak, planejador financeiro

podem assustar, mas o que muda é apenas

o momento no qual o investidor vai recolher

o imposto de renda sobre o capital

(no resgate ou no recebimento da renda).

No Plano Gerador de Benefícios Livres

(PGBL), modalidade indicada para

quem declara o Imposto de Renda pelo

formulário completo, o poupador pode

deduzir anualmente da base de cálculo

do tributo, o valor total das contribuições

efetuadas a planos de previdência complementar,

durante o exercício social, até

o limite de 12% da sua renda bruta, reduzindo

o imposto a pagar ou, até mesmo,

podendo ter direito à restituição.

Já o Vida Gerador de Benefícios

Livres (VGBL) é ideal para quem declara

o Imposto de Renda pelo formulário

simplificado, para quem se encontra na

faixa de isenção do IR, ou para quem já

atingiu o limite de dedução previsto para

a previdência complementar (12% da

renda bruta). No entanto, no momento do

resgate ou do recebimento do benefício,

o IR incide apenas sobre o valor dos rendimentos

auferidos, e não sobre o valor

total do resgate ou do benefício recebido,

como ocorre no PGBL.

“O produto PGBL e VGBL tem vantagens

interessantes. Em geral recomendamos

a opção pelo PGBL. O indivíduo

precisa ficar muito tempo investido, no

mínimo sete anos. Tem que optar pelo

regime de imposto regressivo. A taxa

de administração do fundo não pode ser

acima de 1% ao ano, não pode ter taxa

de carregamento”, aconselha o planejador

financeiro Fernando Meibak.

25


consumidor | comunicação

Estabelecendo contato

A chave para relações bem sucedidas

está na comunicação. Sabendo disso,

o mercado de seguros agora quer

ampliar sua voz

Amanda Cruz

Consultar sites como o Reclame

Aqui antes de comprar um produto

ou contratar um serviço se

tornou uma tarefa quase obrigatória.

As companhias do mercado de

seguros estão por lá e somam milhares de

ocorrências, com taxas altas de resolução

que, entre as maiores empresas do setor,

ficam entre 80 e 90%. Já a porcentagem

daqueles que voltariam a fazer negócio

com as companhias não é tão boa assim e

fica entre 33% e 65%. O top 3 dos motivos

das reclamações são velhos conhecidos

do mercado: demora na execução dos

serviços; cobranças indevidas e lentidão

no andamento de resolução do sinistro.

Isso mostra que é preciso aparar arestas

e melhorar o entendimento entre o seguro

e a população.

No mês do consumidor, as ouvidorias

das seguradoras, conforme vemos

na página 14, parecem empenhadas em

manter sua reputação sem manchas, mas

no mundo real isso está longe de poder ser

uma realidade em qualquer setor.

O mercado chegou ao momento de se

26

perguntar: as estratégias de comunicação

sobre os produtos têm sido efetivas? Principalmente

porque é comum que, fora do

nicho especializado, o setor tenha destaque

midiático apenas de forma negativa,

quando há algum problema.

A busca não é apenas para sanar

cada reclamação individualmente. Isso

continua a ser muito importante, mas é

também encontrar maneiras de utilizar

informações e dados para fazer com que

a comunicação entre players seja a chave

para uma reputação mais condizente com

aquilo que o mercado pretende oferecer de

produtos e de retorno e ajuda à sociedade.

Com a palavra, os

seguradores

Seja nas relações interpessoais ou

nos negócios, a comunicação é pauta recorrente,

especialmente para aqueles que

querem resolver suas diferenças e ver seus

projetos saindo do papel. Com o mercado

de seguros não é diferente. Quando uma

companhia desenha um novo produto para

determinado público, a informação sobre a

novidade precisa chegar de forma efetiva

às pessoas. “Os consumidores querem ter a

garantia de atendimento rápido e especializado.

Nesse sentido, a disponibilização

de diversos canais de atendimento que

permitam ao cliente acionar a seguradora

por celular, computador ou telefone é essencial

para o setor de seguros e aproxima

o público das companhias”, opina Ana

Beatriz Basso, diretora de Marketing da

MetLife no Brasil.

O uso intensivo dos smartphones

pode ter dado mais agilidade, mas também

traz ainda mais exigências. Como a

principal entidade de representação das

seguradoras, a Confederação Nacional

das Empresas de Seguros Gerais, Previdência

Privada e Vida, Saúde Suplementar

e Capitalização (CNseg) analisa

a efetividade de comunicação do setor e

propõe mudanças para incrementá-la. É

o que afirma Marcio Coriolano, presidente

da entidade. Para ele, o mercado

se esforça para melhorar a comunicação

e parte desse esforço está concentrado

em novas mídias. “Claro que ainda há


muito que melhorar, mas acredito que

esse processo será fortalecido cada vez

mais, em benefício das empresas e, claro,

dos consumidores”, afirma.

Esse otimismo parte do exemplo que

a própria entidade dá: a Rádio CNseg e

as ações em mídias sociais, como o Facebook,

são ferramentas para modernizar

o alcance, especialmente para atingir

jovens, que são o foco do Programa de

Educação em Seguros, idealizado pela

entidade. “Além disso, teremos novidades

em breve, incluindo o lançamento de um

canal no Youtube”, promete Coriolano.

As redes são justamente o que têm dado

mais retorno.

Complexo, mas acessível

À primeira vista, o mercado é mesmo

complexo e o que muito se ouve

conversando com consumidores sobre

determinados tipos de seguro é que eles

não faziam ideia de que tal modalidade

existisse. Sendo assim, quando chega o

momento de entender de contratos, coberturas,

exclusões e regras de seguro,

de maneira geral, é quando se apresenta

o momento de mais ruído nesse entendimento.

“As pessoas têm dificuldade de

entender algumas regras dos contratos e

até mesmo de perceber a necessidade de

fazer seguro em suas vidas. Mas acredito

que essa resistência pode ser vencida

paulatinamente mediante uma estratégia

de comunicação adequada das empresas

e entidades do setor e, claro, a atuação dos

corretores”, aponta o presidente da CNseg.

A acessibilidade ao setor chegou,

sem dúvidas, por meio da internet e da

presença obrigatória nas redes sociais. A

comunicação é instantânea e a exigência

por agilidade e eficiência é grande e ainda

maior quando um assunto de urgência,

como um sinistro, entra em cena. Mas,

ao contrário do que pode parecer, isso é

um incentivo para o aprimoramento e não

uma plataforma para se acomodar. “As

seguradoras são obrigadas a se atualizar

e aperfeiçoar o atendimento para atender

as demandas com qualidade”, esclarece.

Apenas ter o digital incorporado às

ações não garante o sucesso, o corretor

precisa ser treinado para usar os recursos

e alcançar mais clientes.

A MetLife vê em sua ferramenta

de cotações online para PME um case

de sucesso, segundo a executiva da

companhia. Isso porque eles cresceram

46% no primeiro mês de utilização, com

diminuição no tempo de operação.

Se a contratação é fácil nos seguros

mais básicos, como o de automóvel, o

consumidor fica familiarizado, começa

a pesquisar e se aprimora com a complexidade

e as possibilidades de outros

serviços e em breve está pronto para comprar

mais proteção. Ou pelo menos é isso

que se espera. É um processo que pode

parecer longo demais, principalmente por

ser um mercado com baixa penetração

em determinadas carteiras, que quer trabalhar

usando todo seu potencial. Mas é

preciso ponderar se a falta de demanda e

de cultura do seguro não está, justamente,

na maneira como o mercado se apresenta,

coloca-se e até mesmo como se abstém

de algumas questões.

Aplicativos, ouvidorias, cartilhas,

campanhas publicitárias, posts e acompanhamento

dos memes na internet. Nas

estratégias de marketing têm de tudo e

o intuito é estar em dia. Tudo é rápido e

volátil: qualquer erro pode comprometer

reputações e fazer com que a comunicação

não se estabeleça.

É preciso cuidado

Nenhuma empresa está livre de erros,

problemas e a dança de ganhar e perder

clientes é eterna. Nenhuma companhia

será unanimidade no mercado, mas aquelas

que souberem se comunicar melhor

ganham uns metros de vantagem na largada.

“O pior para a companhia são clientes

insatisfeitos”, ressalta Coriolano. Para

ele, essas pessoas poderão, rapidamente,

multiplicar uma opinião desfavorável sobre

a empresa, mesmo entre pessoas que

nunca utilizaram o serviço. “Além disso,

as reclamações entram nas listas dos

Procons, o que sempre é uma propaganda

negativa. A melhor maneira de minimizar

isso é procurando solucionar queixas

e demandas dos clientes rapidamente”,

aconselha. É preciso, também, dar espaço

para que as empresas se mostrem à

sociedade. Um processo de evolução que

demanda tempo e boa vontade, tanto do

receptor quanto do emissor.

A crença de que o mercado é difícil

❙❙Marcio Coriolano, da CNseg

de compreender está sendo desmistificada,

até mesmo pela necessidade que o

momento econômico impõe. As pessoas

têm procurado, por si só ou por meio de

seus corretores, entender esse mercado. A

MetLife realizou uma pesquisa em julho

de 2016 e constatou que as três principais

preocupações das pessoas envolvem independência

financeira (41%); cuidados com

a família (39%) e saúde da família (32%).

Todos esses pontos passam pelas ofertas

do mercado de seguros e é a comunicação

que pode ajudá-los a perceber isso.

Na prática, a estratégia

funciona?

O presidente da CNseg acredita que os

esforços do mercado estão rendendo frutos

para se comunicar com a sociedade em geral

e também com os poderes constituídos,

dialogando com o Governo, o Congresso

e o Judiciário em questões mais técnicas.

Ana Beatriz, da MetLife, crê que os espaços

para as seguradoras se mostrarem estão

cada vez mais amplos, especialmente com

as redes. É na internet que os esforços têm

se concentrado e, embora os meios digitais

estejam cada vez mais democráticos, quem

têm confiança em interagir com empresas

e avaliar seu desempenho por meio das

redes são, especialmente, os jovens entre

16 e 35 anos. Todas as faixas de idade são

importantes, mas o que esses potenciais

consumidores, que deveriam estar no auge

de suas atividades de contratação, pensam

sobre o mercado?

27


comunicação

Principalmente que não basta apenas

boa vontade para atingir os objetivos, as

iniciativas precisam de efetividade. A

Revista Apólice conversou com alguns

consumidores da geração Y para que eles

dêem a última palavra sobre o que acham

da comunicação do mercado, ajudando

os players a descobrir como melhorar e

alcançar esse público.

Bianca Dalonso, 25, assistente comercial,

afirma que não vê, ou não percebe,

um grande volume de informações do

mercado chegando até ela. Pelo contrário,

muitas vezes é preciso ser proativa para

entender o que está adquirindo. “Meu

corretor é ótimo e me ajuda muito. Geralmente,

fico sabendo das novidades de serviços

quando vou fazer a renovação [do

seguro de automóvel]. Os benefícios para

jovens e mulheres que são oferecidos, por

exemplo, descobri assim. Apesar disso,

a última vez que precisei renovar, optei

por um produto e só soube exatamente os

serviços aos quais tinha direito quando a

apólice detalhada chegou e eu fui lê-la”,

conta. Se as seguradoras divulgaram,

pelo menos para essa consumidora as

campanhas não foram assertivas.

A verdade é que essa tarefa é muito

delegada aos corretores, mas, mesmo

para eles, é difícil conhecer a fundo

e em detalhes todos os produtos das

companhias. O que sempre terá um peso

maior, de acordo com entrevistados, é a

sensação de segurança. Isabella Borrelli,

23, estudante, tem uma apólice para seus

equipamentos fotográficos, mas confessa

que teve pouco contato com a seguradora.

“A companhia na qual eu fechei o seguro

me colocou para falar diretamente com a

corretora. Tudo que eu preciso trato com

ela, ainda mais porque não tive nenhum

problema, não precisei acionar o seguro.

Mas me sinto mais confiante de andar

por aí com a câmera protegida”, destaca.

Já Ana Paula Sanches, 23, produtora

de conteúdo, tem na saúde suplementar a

referência sobre o mercado e diz que se

sente muito bem atendida pela operadora

no que diz respeito à rede credenciada e

aos processos de atendimento, mas faz

uma ressalva: “o reembolso nunca é do

valor integral da consulta”. Mesmo com

coisas positivas para contar, o contato

da profissional de mídia com o mercado

28

❙❙Ana Beatriz Basso, da MetLife

não é muito próximo, pois o seguro de

vida que possuía anteriormente era relacionado

à empresa onde trabalhava e, ao

acabar o vínculo empregatício, o produto

não foi mantido. “Nunca vou atrás dessas

questões. Muito por comodismo e até

mesmo por elas representarem um gasto

a mais”, confessa. Complementando

essa visão, Ana também não vê muitas

informações sobre o seguro e, para ela,

quando há contato com algum tipo de

divulgação as empresas exageram nos

pontos positivos e deixam de esclarecer

pontos cruciais para a contratação. “Nunca

dirão, por exemplo, que determinadas

área e coberturas não fazem parte do

plano”, aponta. Camila Tiemi,26, auxiliar

administrativa, não teve a mesma sorte

com o plano de saúde que possui e diz que

❙❙Bianca Dalonso, assistente comercial

não está satisfeita com os serviços prestados.

“Por coincidência, acabo de ir ao

hospital do convênio e descobri que eles

não possuem materiais para realização

de uma determinada cirurgia”, reclama.

Esse descontentamento deve permanecer

e, segundo ela, essa é a única maneira que

tem contato com o mercado: quando mais

precisa. “Não lembro a última vez que vi

uma campanha com explicação de algo

sobre seguros”, aponta. As propagandas

que enaltecem a marca, mas não mostram,

de maneira prática, como o produto

pode ser utilizado parecem passar despercebidas

para os entrevistados.

A verdade é que pouco se pensa em

seguro, especialmente na juventude e, se

isso está começando a mudar em algumas

carteiras, aparentemente se deve muito

mais aos problemas enfrentados pelo País

do que por outros motivos. É o caso da

previdência privada, que ganhou destaque

nos últimos meses por conta da reforma

da Previdência Social, proposta pelo atual

governo [leia mais sobre o assunto na

página 22]. “Sobre outras contratações de

seguro além do automóvel, sinceramente,

não pensava nisso. Agora, penso em

previdência privada, porque me assusta

imaginar que mesmo quem começou a

trabalhar aos 16 anos com carteira assinada,

como eu, pode não chegar a receber

a aposentadoria. Então, estou começando

a cogitar a contratação”, afirma Bianca.

Apesar do descontentamento com os

serviços que possui hoje, Camila Tiemi

também está no grupo dos que pretende

dar mais atenção aos investimentos para

o futuro. “Tenho interesse porque, sinceramente,

eu não acredito que um dia vou

conseguir me aposentar”, lamenta.

A comunicação do mercado precisa

encontrar caminhos que alcancem as

pessoas, que faça com que consumidor e

companhia sejam próximos de verdade.

É um exercício constante e Ana Beatriz,

representante da seguradora, parece

concordar que é necessário evoluir.

“Essa evolução precisa ocorrer não só

na divulgação de novos produtos, mas

no pós-venda, aproximando o cliente e

a companhia”, endossa. Talvez, para o

mercado, seja um bom momento para,

além de fazer mais, aprender a falar

mais ainda.


evento | posse

Silas Kasahaya assume o CVG-SP

Comunicação e formação

profissional serão o foco de

seu mandato. Universal Life

e reforma da previdência

também devem entrar nas

discussões da nova gestão

Kelly Lubiato

O

Clube Vida em Grupo de São

Paulo (CVG-SP) está sob

novo comando. Em fevereiro

passado, Silas Kasahaya tomou

posse como presidente da entidade

para a gestão 2017-2018. O enfoque de

seu mandato será na comunicação e na

formação profissional.

“Vamos divulgar as ações da entidade

para atrair jovens do mercado”, disse

Kasahaya durante a cerimônia de posse,

ratificando que a entidade deve aumentar

presença nas mídias sociais. A formação

profissional, presencial e a distância também

serão reforçadas.

Alguns pontos devem marcar a nova

gestão, como a discussão do produto

Universal Life e a reforma da previdência.

Além disso, Kasahaya quer que os

associados participem de debates sobre

as tendências de distribuição de produtos

em novos canais e tecnologia.

Ex-presidente do Clube, Dilmo Bantim

Moreira assume agora a presidência

do Conselho Consultivo da entidade. “O

CVG é a única entidade especializada

na formação profissional com enfoque

nos seguros de pessoas, com convênio

❙❙Silas Kasahaya e Dilmo Bantim Moreira

com o Sindicato dos Securitários e com

a Universidade Mackenzie”, declarou.

Ele destacou ainda a importância do

trabalho realizado pelo Clube, sendo difícil

encontrar nas seguradoras alguém da

área de seguros de pessoas que não tenha

passado pelos seus cursos. Na gestão de

Dilmo, foi feita uma alteração no estatuto

para possibilitar a entrada de corretoras

de seguros e resseguradoras. Oito empresas

se associaram e outras entradas

estão em curso. “Quanto maior o corpo

de associados melhor será o serviço ao

mercado segurador”, acrescentou.

Novos associados

Durante o período em que Dilmo

esteve à frente do Clube, foram realizados

33 eventos, com a participação de 2500

pessoas, além de 80 cursos com 1500

pessoas formadas.

O CVG-SP nasceu com encontros

sociais, o que sempre aconteceu durante

os 35 anos de sua história. O Clube possui

DNA de cursos, palestras, seminários,

encontros de relacionamento e inúmeros

outras atividades que contribuem para o

desenvolvimento do mercado de seguros

de pessoas no Brasil.

“Vamos tentar trazer pessoas novas

para o Clube. Queremos ser um grande

portal para trazer novidades para as seguradoras,

com o grande desafio de aumentar

e melhorar a comunicação com o mercado.

Também temos que trazer novos associados”,

projeta o novo presidente.

Entre as ações previstas estão o

acolhimento a novas corretoras e resseguradoras,

juntamente com a realização de

cursos e seminários e inclusão de novos

cursos na grade oferecida pelo CVG,

principalmente a distância.

Nova diretoria do CVG-SP

29


soluções | mulheres

Olhar atento ao

público feminino

Elas adquirem

diferentes tipos de

seguros e são mais

focadas no benefício

recebido. Por isso,

as seguradoras não

só desenham novos

produtos voltados ao

público feminino como

aperfeiçoam os já

existentes no portfólio

Lívia Sousa

30


Com presença no mercado de

trabalho cada vez mais sólida

e poder aquisitivo maior, as

mulheres estão atentas à importância

da contratação de um seguro

para proteger os filhos, familiares e

dependentes. Além disso, se mostram

mais abertas e exigentes quando procuram

por este tipo de produto. A segunda

edição da pesquisa “Mulheres no Mercado

de Seguros no Brasil”, produzida

recentemente pela Escola Nacional de

Seguros, revela que elas têm mais chance

de adquirir diferentes tipos de seguros

e são mais focadas no benefício recebido.

Por serem mais detalhistas na área,

continuam sua busca na esperança de

encontrar a solução perfeita, enquanto os

homens preferem comprar um produto

viável a continuar a fazer compras.

De olho nessa questão, as empresas

que atuam no segmento não só desenvolvem

novos produtos voltados ao público

feminino como aperfeiçoam aqueles já

existentes no portfólio. As soluções vão

desde o seguro para a bolsa, que garante

a indenização em caso de roubo ou furto

qualificado da bolsa ou pasta a fim de

repor os itens perdidos (carteira, documentos,

celular, óculos de sol ou de grau,

cosméticos, perfume e chaves); aos mais

tradicionais, como os seguros de automóvel

e de vida. “Gradualmente elas vêm se

conscientizando sobre o planejamento

do futuro e prevenção de imprevistos”,

afirma o diretor de Vida e Previdência

da SulAmérica, Fabiano Lima.

Seguro de vida

O seguro de vida voltado às mulheres

criou um diferencial no mercado que

resultou na maior atratividade para esse

público e na necessidade das seguradoras

pensarem em soluções personalizadas,

compreendendo as demandas e os tipos

de assistência e garantias que fazem a

diferença em suas vidas. “Sem dúvida,

isso faz com que o produto tenha boa

aceitação, à medida que oferece serviços

além da cobertura básica dos seguros

tradicionais de vida”, garante Lima.

Quem adere a este tipo de proteção

tem acesso às coberturas para morte

e invalidez permanente por acidente,

assistência funeral e sorteios mensais.

❙❙Fabiano Lima, da SulAmérica

O pagamento do valor contratado para

diagnósticos de câncer ginecológico ou

de mama também está incluso. Nestes

casos, dependendo da seguradora, a

indenização pode ser utilizada como a

segurada preferir, sem necessidade de

comprovação de despesas – a renda extra

pode servir para custear viagens do tratamento

e outras contas não cobertas pelo

plano de saúde, por exemplo.

Há ainda descontos em redes de

estabelecimentos e profissionais para

serviços relacionados com estética e

beleza, acesso a informações gerais sobre

nutrição, quantidade de calorias de

cardápios, dicas de estilo de vida, saúde

e bem-estar, segunda opinião médica e

❙❙Leandro Poretti, da Sancor

assistências residencial, aos filhos e a vítima

de crime, além de apoio psicológico

familiar no caso de doenças, invalidez e

falecimento da segurada. Podem ser adicionadas

ainda as opções de morte com

extensão ao cônjuge, acidente vascular

cerebral (AVC), cirurgia coronariana,

insuficiência renal crônica, neoplasia e

transplante de órgãos vitais.

“Existe uma nova forma de encarar

coberturas como esta no mercado e por

isso acreditamos no crescimento sustentável

dos produtos que compõem a

carteira de seguros de pessoas”, declara

Leandro Poretti, diretor geral da Sancor

Seguros do Brasil.

Seguro de automóvel

Elas são mais atentas no trânsito e

nos cuidados com o carro. O relatório

Mulheres no Trânsito, divulgados pela

Seguradora Líder-DPVAT, aponta que

o público feminino respondeu por 25%

das indenizações pagas por acidentes em

2015 contra 75% dos homens. Já os dados

do Departamento Nacional de Trânsito

(Denatran) mostram que só 11% dos acidentes

são provocados por mulheres. A

maior cautela diante do volante justifica

os descontos oferecidos pelas seguradoras

nas apólices de seguro de automóvel,

já que elas registram as menores taxas de

sinistralidade.

No seguro de automóvel desenhado

exclusivamente para elas, são oferecidas

coberturas básicas para os casos de

colisão, incêndio, roubo e furto, assim

como para danos materiais e corporais

causados a terceiros. É possível contratar

coberturas adicionais, que incluem acidentes

pessoais de passageiros, despesas

extraordinárias, indenização pelo valor

de um novo veículo, cobertura para kit-

-gás e danos morais. Ao contratar qualquer

uma das coberturas básicas, a segurada

conta com serviço de despachante

gratuito, atendimento em rede de oficinas

habilitadas para reparo do automóvel e

descontos em serviços de manutenção

em centros automotivos.

Já os serviços personalizados incluem

carro reserva em casos de sinistro

de indenização integral ou danos parciais,

reparo ou a troca do vidro trincado ou

quebrado no caso de acidente envolvendo

31


mulheres

O poder das mulheres no mercado segurador

Em 2015, de acordo com a pesquisa

da Escola Nacional de Seguros, as

mulheres representavam 56% do total

dos funcionários do setor. O número é

bastante similar ao valor encontrado

no mercado segurador americano

(60%). Durante a negociação com o

cliente, elas são mais sensíveis e menos

egocêntricas. Na hora de fechar um negócio,

se mostram mais éticas e confiáveis.

É o que apontou Fabio Luchetti,

presidente da Porto Seguro, durante o

evento “Dia Internacional da Mulher –

Corretora de Seguros”, realizado pelo

Sindicato dos Corretores de Seguros

São Paulo (Sincor-SP) na capital paulista.

“Elas vão nos atributos do seguro

e operam com mais carteira que os

corretores, trabalham melhor com o leque

de produtos”, lembrou o executivo.

As corretoras lideradas por mulheres,

segundo ele, também apresentam melhores

resultados – em geral, um ponto

percentual a menos de sinistralidade –,

além de maiores índices de renovação.

A segurança que a mulher corretora

agrega ao setor se destaca. “A

capacidade de conciliar diversas áreas

de atuação permite a mulher atender

com alta capacidade os níveis de exigências

que o mercado de trabalho

requer”, declarou.

apenas os vidros, substituição de faróis,

lanternas e retrovisores e assistência com

até 400 quilômetros ou quilometragem

ilimitada.

Como o carro ainda é um bem de

grande valia para os consumidores brasileiros,

há a necessidade de se oferecer

proteções extras. “Além da proteção ao

veículo, as seguradas optam pelo seguro

também devido aos benefícios, descontos

e vantagens que facilitam o seu dia

a dia. Como o serviço de transporte

amigo, que em situações de emergência

garante o serviço de um taxista”, diz o

superintendente do Porto Seguro Auto,

Jaime Soares.

❙❙Jaime Soares, da Porto Seguro

32

Assim, as mulheres também têm

acesso ao reparo de eletrodomésticos

linha branca, reparos emergenciais help

desk, consulta gratuita para pets, serviços

emergenciais à residência, além de

descontos em academias, em clínicas de

estética e bem-estar, salas de cinema e

eventos culturais.

“Buscamos o aprimoramento da experiência

do cliente, com uma visão única

da base de segurados, de forma a entender

melhor suas necessidades e oferecer, em

um único lugar, soluções que garantam

proteção completa em todos os seus

ciclos de vida”, afirma Marco Antonio

Gonçalves, diretor-geral da organização

❙❙Marco Antonio Gonçalves, da Bradesco

de Vendas do Grupo Bradesco Seguros.

A participação das mulheres na base de

clientes da empresa passou de 42% em

2014 para 44,9% em 2015. No ano passado,

o número saltou para 45,5%.

Oportunidades

Apesar dos avanços significativos, a

cultura do seguro ainda está em processo

de construção no Brasil, questão que gera

oportunidade de expansão nacional do

setor e que permanece como o principal

desafio do mercado. De fato há muitas janelas

para serem abertas neste segmento

e, em especial, no público feminino. Além

de administrarem seus lares e serem

mães em tempo integral, as mulheres

ainda contribuem para o crescimento do

País, formando mais de 51% de toda a

população economicamente ativa. Porém,

quando se olha para a parcela da população

que possui seguro, elas representam

menos de 30%.

Segundo Leandro Poretti, da Sancor,

o mercado de seguros de pessoas é um

dos que ainda enfrentam uma grande

barreira cultural. “As mulheres são mais

conscientes da importância e necessidade

dos cuidados para a saúde e bem-estar,

mas não enxergam o seguro de vida como

uma proteção financeira para o seu bem

maior, que é a própria vida”, explica.

“Desta maneiram, buscamos inovar e

evidenciar os atributos de nossos produtos”,

acrescenta.


33


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

Línguas parecidas...

Sempre que pergunto, em treinamento, quais são as línguas

parecidas com a nossa, as respostas são: Espanhol. Italiano.

Francês...

Respostas corretas: essas três línguas se parecem com o

Português, e nem poderia ser diferente, uma vez que são da mesma

“família”: todas provêm do berço comum, o Latim. Por isso,

são chamadas de neolatinas. (Pertencem também a esse grupo, o

Romeno, o Catalão, o Galego e o Provençal).

Mas há OUTRAS línguas bem semelhantes ao Português.

Eis algumas delas: o Juridiquês, o Mediquês, o Economês, o

Policiês e muitas outras. Um boletim em Policiês é algo mais ou

menos assim:

”O meliante abateu o desafeto, vibrando-lhe três violentos

pontaços no abdômen. A seguir, evadiu-se em companhia de sua

amásia, homiziando-se em local incerto e não sabido”.

Há um movimento atual muito forte, a partir do próprio

Conselho Nacional de Justiça, no sentido de se eliminar ou pelo

diminuir o uso do Juridiquês no ambiente geral dos operadores

do Direito. Sem dúvida, será de grande valia, pois os termos

usados por alguns profissionais dessa área são de doer. À guisa

de ilustração, imagine-se o caso de um cidadão de poucas letras

dirigindo-se a um advogado para pedir-lhe que o assista na venda

que quer fazer de um imóvel de sua propriedade. O culto jurista

lhe dirigirá esta singela pergunta: “E o senhor tem outorga uxória?

” Entre perplexo e assustado, o cliente dirá: “Eu acho que já tive

isso, mas sarei! ” Outorga uxória tem mesmo jeitão de doença – até

contagiosa – mas significa apenas autorização da esposa!

Mais complicado, sem dúvida, é o Mediquês. Basta ler uma

bula de remédio para se ver quão grande é a distância que o separa

do nosso idioma, causando sérios problemas de comunicação com

pessoas não ligadas à área da saúde. O médico pergunta ao paciente

se ele tem cefaleia. “Tenho não senhor. O que eu tenho mesmo é

uma dor de cabeça danada!” é a pronta resposta.

No meu livro “Falar Bem é Bem Fácil” (esgotado), defendo

a tese de que a mensagem é a ideia. Assim, uma mensagem só

é recebida pelo receptor quando ele consegue formar a ideia

do que ela significa. Tanto isso é certo que quando alguém não

consegue entender o sentido de uma comunicação, diz: “Não

faço a menor ideia”! Para comprovar, conto uma história que

ilustra bem essa realidade.

Cidadão humilde do interior, acompanhado da mulher, vai

à consulta médica. Após examiná-lo, o médico diz: –“Bem, seu

José, o que temos aqui é apenas uma intumescência da glândula

prostática. Não será necessário procedermos à prostatectomia. O

senhor apenas vai usar isto. ”E entrega um objeto ao paciente, que

agradece e sai com a mulher. No corredor, volta-se para ele e indaga:–

–“Veia, cê intendeu o que o médico disse? ” –“Num faço a menor

ideia”, responde ela. – “Intãovamovortá!”– “Dotô, que que é pra fazê

com isto que o senhor deu pra nóis? ” – “O senhor introduz esse

supositório na extremidade retal. ” –“Sim sinhô, dotô, agardecido.”

De novo no corredor, refaz a pergunta:–“E agora, veia, ceintendeu?”–

“Nadicadinada!”– “intão, vamovortatraveiz” “Por favor, dotô, dá

pra expricar mais meior o que que nós tem que fazê com esse tar

de positório?”– “O senhor... bem, o senhor aplica o supositório no

orifício anal.”– “Ah! Sim sinhô, no orifício anal, tá certo!”– “Muié,

e agora? Cê intendeu? Cênum é tão burra ansim, né?”–“Inda num

intendi nada não.Esse dotô fala muito cumprido. Vamo pedi pra ele

falá mais curto!”– “Intão, vamovortadinovo. ”–“Dotô, dá pru sinhô

fala, ansim mais curtico, o que que é pra fazê com o tar de positório?

”– “O senhor... o senhor... o introduz no ânus!”–“Introduz no ânus...

sim sinhô, dotô, muito brigado”. – ”E agora, muié, intendeu? Ele falô

bem curtico!”– ”Falôcurtico, mai num falô a nossa língua! Cêtem

que pedi pra ele faláqui nem quinóis”– ”Então eu vô vortá a vortá”.

– ”Discurpe, dotô, mainum dá prosenhôfaláqui nem quinóis fala?

Senão nóis num intende!” Interrompido pela quarta vez, o médico

finalmente se dá conta de que está falando em Mediquês, e o interlocutor

não conhece essa língua. O que ele faz? Vai para o popular.

Usa a linguagem de conhecimento do paciente. Diz-lhe, com todas

as letras (que não colocarei aqui. E nem é necessário, porque vocês

já fizeram a ideia...) : ”O senhor pega esse supositório e...”

Aí o velhinho se volta para ele e diz candidamente: ”Ói, dotô,

eu bem que disse pra minha veia que o sinhô ia acaba ficando aborrecido

com nóis...”

Em praticamente todas as áreas profissionais, criam-se formas

próprias de falar, jargões, códigos do domínio apenas de quem pertence

à categoria. Isso facilita a comunicação interna, pois a simplifica,

mas complica a externa! Alguns termos usados num segmento

têm sentido totalmente diverso do uso fora dele. Um exemplo bem

claro é o termo prêmio. Na linguagem comum, é um ganho, algo que

se recebe. No universo do seguro, porém, é o oposto: é o que se paga

pela apólice garantidora do bem segurado. Outro termo, sinistro, é

aplicado a um dano em relação ao bem ou à pessoa segurada, e é

algo negativo. Pra moçada aqui fora, entretanto, é algo muito “joia”,

“da hora”, “legal pacas...”

Espero que este artigo seja considerado sinistro! Mas espero

que meu carro não sofra nenhum... sinistro!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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