Revista Apólice #217

revistaapolice

Ano 21

Número 217

Dezembro 2016


editorial

Ano 21 - nº 217

Dezembro 2016

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Revista Apólice

2016 não deixará

saudades

Mais um ano vai ficando para trás. 2016 foi o ano em que

entendemos o tamanho da crise econômica que se abateu sobre o

País. A produção industrial caiu, o número de empregos também,

com reflexos inexoráveis para o mercado de seguros. No campo

político vimos a queda de uma presidente da república e a prisão

de alguns políticos. Delação premiada virou palavra da moda.

Agora, quais serão as consequências deste movimento para

2017? Especialistas dizem que podemos bater a marca de 14 milhões

de desempregados, com a falência de vários estados e municípios.

Onde está a luz no fim do túnel? Ainda está muito difícil de

enxergá-la, mesmo com uma série de ajustes fiscais. Agências do

Governo e economistas apontam um retorno do crescimento do

PIB para o próximo ano a partir do 2º semestre. No estágio atual, se

a economia parar de regredir já está de bom tamanho.

No mercado de seguros, os executivos tentam manter o discurso

otimista, mas até os mais “polianas” já encontram dificuldades.

Com a retração da indústria automobilística, as seguradoras buscaram

alternativas de produtos para frear as perdas na carteira de

automóveis, como aqueles com coberturas parciais. Elas pressionaram

a Susep para mudar a regulamentação do seguro auto popular,

mas este não é o caminho da recuperação.

O discurso para o próximo ano continuará sendo o da diversificação

de carteira. Os seguros de pessoas contribuíram muito

para que os resultados não fossem ainda piores e devem continuar

sendo o grande foco da venda cruzada.

Deixando a nuvem negra de lado, esperamos que 2017 traga

novas oportunidades para todos nós que trabalhamos para fazer

o setor de seguros crescer. Que o mercado mantenha seu papel

institucional de levar proteção à sociedade. Que a cada ano pra

frente, a sociedade possa entender melhor o lado social do seguro!

Feliz 2017!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

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sumário

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painel

gente

capa

Associação das Empresas de Assessoria e Consultoria de Seguros do

Rio de Janeiro mostra a importância deste segmento para o mercado

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18

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intergeracionalidade

Brasileiros caminham para a longevidade e ajudam os mais novos a se

preparar para uma vida longa e financeiramente saudável

qualidade de vida

Os planos de saúde são de extrema importância para os idosos e, aliados

às boas práticas e cuidados, podem trazer qualidade de vida à terceira

idade

sustentabilidade

A meta é apostar cada vez mais em fontes limpas e ampliar o envolvimento

do mercado de seguros nas iniciativas ambientais

evento

O 2º Fórum de Saúde Suplementar tratou das escolhas e caminhos para

o desenvolvimento deste setor

24

34

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transportes

Especialistas nacionais e internacionais se reuniram em São Paulo para

debater os desafios e as melhores práticas do setor

36

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insurance meeting

Enquanto o mercado se adapta às tecnologias existentes, novas surgem

para trazer ainda mais mudanças. A saída é agir rápido para acompanhar

as inovações

28

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indra

Como o comportamento do consumidor contribui para a transformação

digital do mercado

eventos

comunicação

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5


painel

• ntransporte

Brasil tem estradas perigosas

para transporte de carga

Segundo levantamento feito pelo JCC Cargo Watchlist,

os trechos das rodovias BR-116 (Curitiba – São

Paulo e Rio de Janeiro – São Paulo); SP-330 (Uberaba

– Porto de Santos) e BR-050 (Brasília – Santos) são consideradas

áreas com risco muito alto para a ocorrência de

roubo de cargas.

O JCC Cargo Watchlist é um relatório mensal elaborado

pela Joint Cargo Commitee, comitê misto formado por

representantes da área de avaliação de risco do mercado

segurador de Londres (Inglaterra).

Esse relatório monitora o risco para cargas transportadas,

seja por via aérea, marítima ou terrestre em várias

partes do mundo. Numa lista com classificações indicativas

por cor, os países são avaliados em 7 graus diferentes de

risco, que vão numa escala de baixo à extremo risco. A

lista considera riscos como guerras, greves, pirataria e

roubo de carga.

Apesar de não sofrer com os fatores de risco ligados

às guerras, as estradas brasileiras receberam pontuação

3,4, que as classifica com risco muito alto para ocorrências

de roubo de carga. A classificação ficou semelhante

à recebida pelo México, que ficou com pontuação 3,6 e a

mesma classificação (risco muito alto).

Prevenção

Os prejuízos com o roubo de carga para a economia

brasileira são inestimáveis, mas substanciais, já que,

com as ocorrências,

são impactados não só

o setor logístico, mas

várias cadeias produtivas,

além do segmento

de segurança pública.

Por conta disso,

várias soluções tecnológicas

e estratégias

estabelecidas por especialistas

em gerenciamento

de risco são

implementas para cada

carga embarcada. “O

gerenciamento de risco,

quando bem realizado, pode ser crucial para que o

transporte da carga aconteça de forma segura, eficaz e

sem custos excessivos ou não previstos. Isso faz toda a

diferença para a eficiência e saúde financeira da operação”,

afirma Adailton Dias, diretor da área de Transportes da

Sompo Seguros.

• nriscos diversos

Produtos com cotação online para

seguro de obras

A Allianz Seguros lançou o Allianz Construção, que tem

como principais características segurar edificações com até 25

pavimentos superiores e dois subsolos, prazo máximo da obra

de 36 meses e valor em risco de até R$ 30 milhões. O produto já

está disponível para cotação

online.

Dependendo do risco e

de suas características, os

corretores podem inclusive

emitir a apólice diretamente.

“A mudança confere autonomia

ao nosso canal de distribuição.

A cotação via web

também facilita a captação e

reversão de negócios, já que o

processo é descomplicado. O

que antes demorava em torno

de 5 dias úteis, agora leva minutos”,

afirma Mario Jorge, diretor de Negócios Corporativos.

O produto contempla diversos tipos de obras, possibilitando

ao corretor ofertar proteção e atuar em segmentos variados.

Além disso, conta com coberturas adicionais diferenciadas,

como Honorário de Perito, Obras Civis, Instalações e Montagens

Concluídas e Armazenamento Fora do Canteiro de Obras

ou Local de Risco.

• ncorretora

Unificação de processos na

América Latina

A unificação dos escritórios da Cooper Gay na América

Latina prevê mudanças em diversas áreas dos escritórios do

Brasil, Chile, Equador, México e Uruguai. Uma delas é a de

Recursos Humanos.

“Iniciamos um trabalho de análise de processos e unificação

de dados a fim de preparar os escritórios para os grandes

desafios que surgirão com a união dos escritórios da América

Latina”, explica Maria Ferrari, presidente da companhia no

Uruguai.

As reuniões entre os executivos de todos os países buscam

as melhores práticas para esse novo desenho de negócios

das unidades.

“Com a sinergia entre os escritórios, os processos da área de

RH deverão funcionar de maneira mais eficiente e eficaz”, afirma

Fabio Basilone, CEO da companhia de resseguros no Brasil.

“O objetivo final é a criação de uma área de gestão de

pessoas unificada, com os mesmos objetivos e metas”, diz

Mauricio Rodriguez, presidente de Equador e Bolívia.

6


• ncara nova

Federações estreiam novas marcas

As Federações associadas à CNseg (FenSeg, FenaPrevi,

FenaSaúde e FenaCap) estrearam suas novas marcas no dia

17 de novembro.

Além de um alinhamento tipográfico, as marcas sofreram

ajustes nas cores para alcançarem o mesmo padrão de luminosidade

e uma maior harmonização entre si e em relação à

cor institucional da Confederação.

A harmonização, inclusive, teve o objetivo de contribuir

para o reforço da mensagem “A força da união”, que é o atual

slogan da instituição e Federações.

Outra mudança efetuada foi o da retirada dos ícones então

existentes dentro dos símbolos, que possuíam pouca representatividade.

Também foram criadas paletas de cores de apoio

e outros elementos de identidade visual para enriquecer as

peças institucionais.

Navegando pelos sites das Federações, os internautas já

podem visualizar as novas marcas aplicadas. Em relação a

outras peças, como publicações, cartões de visita e papeis

timbrados, serão substituídas gradualmente, de acordo com a

necessidade de confecção de novas peças.

7


painel

Operadora premia vencedores de

campanha de vendas

O mês de janeiro já é conhecido pela realização do evento

comercial da Ameplan, quando são premiados os profissionais

participantes da campanha de vendas do ano anterior.

A operadora criou a tradição de realizar a premiação de

suas campanhas no início do ano, época em que também é

feito o lançamento da ação seguinte. A ação é direcionada aos

corretores, gerentes, supervisores, funcionários

administrativos e também às

plataformas cadastradas, abrangendo

os profissionais envolvidos na venda

dos planos de saúde da operadora.

A campanha “Caribe, a nova onda

da Ameplan” foi lançada em janeiro de

2016 e vai entregar 20 cabines duplas

em um cruzeiro de oito dias pelo mar

do Caribe, passando por locais como

Jamaica, Puerto Limon, Ilha Grand

• ndivulgação

Cartilha de prevenção de incêndio

para bares e restaurantes

Cayman e cidade de Colón, no Panamá. A viagem inclui passagens

aéreas até Cartagena (Colômbia), além de traslados e

cruzeiro all inclusive para cada vencedor e seu acompanhante.

O evento será realizado em janeiro e já está sendo preparado.

Para envolver ainda mais os convidados, todos os itens e

detalhes serão produzidos para criar o clima de um cruzeiro no

Caribe. Durante o evento, uma nova campanha de vendas será

anunciada para 2017, ano em que a Ameplan vai comemorar

seu Jubileu de Prata.

Para a realização da campanha

“Caribe, a nova onda da Ameplan”, a

operadora contou com a parceria da

Corpore Administradora de Benefícios,

Dentalpar Assistência Odontológica, Divicom

Administradora de Benefícios e

Quântica Administradora de Benefícios.

Os convites e detalhes do evento

serão distribuídos nas corretoras e plataformas

participantes da ação, a partir

do dia 2 de Janeiro de 2017.

• nreconhecimento

Colaborador de seguradora

vence concurso da CNseg

A SulAmérica desenvolveu o Guia de Proteção e Prevenção de

Riscos voltado aos estabelecimentos que trabalham nas atividades de

bares, restaurantes, lanchonetes, padarias e similares. A cartilha traz

dicas de segurança para evitar incêndios nesses estabelecimentos.

Segundo dados levantados pela seguradora, 57% das ocorrências

de incêndios nesses estabelecimentos estão relacionadas

a utilização incorreta ou problemas de conservação ou limpeza de

equipamentos de cozinha como fritadeiras, fogões, fornos e sistemas

de exaustão. Devido ao uso de chamas e gases combustíveis, esses

ambientes estão mais expostos ao risco de incêndio, que pode ser

minimizado com condutas adequadas.

Entre os tópicos abordados no guia estão orientações de

segurança sobre a utilização correta de extintores, verificação de

instalações elétricas e a gás e limpeza e manutenção de coifas e

dutos de exaustão. Outro ponto importante abordado na cartilha

é o treinamento dos colaboradores

da empresa.

“O segmento de bares e restaurantes

tem suas próprias características

e requer soluções de proteção

específicas. Dada a sua natureza,

é um segmento que se beneficia

diretamente da gestão de riscos, e a

informação é uma grande aliada nesse

processo”, afirma o vice-presidente de

Auto e Massificados da SulAmérica,

Eduardo Dal Ri.

O colaborador Rafael Maia, da Mongeral Aegon

Seguros e Previdência, venceu a categoria Post

do 1º Concurso Cultural

Minha Vida Mais

Segura com o texto

“Seguro aos 25”. Aos

28 anos, Maia decidiu

participar da iniciativa

– que conta com

o apoio da Susep e é

organizada pela CNseg

–, já que o tema ainda

é um tabu na sociedade

brasileira.

“Meu objetivo foi trazer ao debate a importância

de se pensar sobre os imprevistos desde jovem,

quando contratar um seguro deve ser considerado. O

texto foi um convite para que todos reflitam sobre a

necessidade de proteção e planejamento a partir da

contratação de um seguro de vida”, explica.

No post, ele cita números alarmantes do seguro

DPVAT: só em 2015, quase 600 mil indenizações por

invalidez permanente foram causadas em acidentes

de trânsito e 51% das vítimas têm idade entre 18 e

34 anos.

Os vencedores foram reconhecidos em cerimônia

realizada no dia 21 de novembro, no Rio de

Janeiro.

8


• nacordo

Aon anuncia aquisição da Admix

A Aon firmou um acordo para adquirir a Admix. Os termos

financeiros não foram divulgados e a aquisição está sujeita às

condições de fechamento habituais e aprovação regulamentar.

“O mercado privado de seguros de saúde no Brasil tem

mostrado um crescimento constante nos últimos anos, apesar

de desafiar as condições macroeconômicas. Esperamos que

o crescimento neste setor

a acelerar como as condições

econômicas melhorar

e empregadores continuam a

procurar maneiras de atrair e

reter os principais talentos”,

diz John Zern, CEO da

Aon Saúde & Benefícios. “A

Admix complementa as capacidades

já existentes da Aon,

mais do que dobra a nossa

presença no Brasil e também

expande nossa capacidade de

atender clientes na América Latina e em todo o mundo”.

A Admix tem mais de 1,4 milhão de beneficiários, em

cerca de 6.700 empresas de todas as indústrias e tamanhos, e

coloca cerca de R$ 2 bilhões em prêmios de saúde e benefícios

a cada ano.

“A experiência da Aon,

as relações fortes da empresa

com operadoras e capacidades

de classe mundial aumentarão

nossa capacidade de criar e

executar soluções de saúde”,

declara Cesar Antunes, fundador

e proprietário da Admix.

“Estamos entusiasmados

com a visão da Aon para o

futuro da saúde e benefícios

no Brasil”, afirma.

Fernando Pereira, CEO da Aon Risk Solutions América Latina,

pontua que a aquisição da Admix proporciona “uma oferta

expandida em um setor que é cada vez mais importante para os

empregadores, a economia do país e os consumidores no Brasil”.

9


painel

• nproduto

Chega ao mercado o primeiro

Seguro Auto Popular

Há dez anos o mercado discute alternativas para

a inclusão securitária. Apenas cerca de 30% dos automóveis

possui algum tipo de seguro, mesmo considerando

o crescimento da frota de veículos.

Foram criados produtos com coberturas parciais

que geraram alguns descontos, mas a alternativa do

produto popular passou a existir a partir de 2016, com

aprovação de regras da Susep para recuperação de

veículos com peças usadas e ou alternativas. Todas

as peças ligadas à segurança do veículo são novas e

originais.

O produto Azul Seguros Auto Popular é dirigido

para veículos com importância segurada até R$ 60

mil, com data de fabricação a partir de cinco anos ou

mais. O prêmio pode ser parcelado em 10 vezes, com

cobertura básica para colisão, roubo, furto e indenização

de 80% a 90% da tabela FIPE; assistência 24h e

guincho limitado.

O valor do seguro auto popular pode ficar até 30%

mais barato que o tradicional, desde que o segurado

aceite o produto

popular, com oficina

referenciada

e coberturas dentro

dos limites estipulados.

O dano

médio para RC de

terceiros é R$ 25

mil. O valor médio

atual dos sinistros

é de R$ 7 mil.

Luiz Pomarole,

diretor da

Porto Seguro,

explicou que as

vendas devem começar

assim que a

Susep liberar a autorização

do produto.

“Está tudo

pronto, aguardando esta autorização”, diz o executivo.

O lançamento do seguro auto popular só foi possível

após a aprovação da Circular 340, em 30 de setembro.

Será um ramo exclusivo, de número 26.

O produto começa a ser comercializado primeiro

em São Paulo Capital e região metropolitana, em uma

proposta de aprendizado. A logística da peça de reuso

é a base para conseguir expandir a comercialização do

produto para outras regiões.

• nmudança

IRB Brasil Re inaugura novo

escritório em São Paulo

O IRB Brasil Re está de casa nova em São Paulo. Inaugurado

em novembro, o novo escritório fica na Avenida Faria Lima, centro

financeiro e empresarial da região, no bairro do Itaim Bibi.

O local foi projetado para atender melhor aos clientes, visitantes

e colaboradores, com instalações modernas, divididas em

um ambiente mais amplo, integrado e sustentável.

As salas de reuniões estão equipadas com tecnologia de ponta

e os colaboradores têm acesso a uma sacada com vista panorâmica

da cidade, além de contar com áreas de convivência e um café.

O prédio em que o imóvel está instalado adota práticas sustentáveis,

seja no processo produtivo ou na atuação de responsabilidade

social, que trazem grande economia na sua operação. No

subsolo há uma horta que aproveita resíduos orgânicos gerados no

próprio edifício. Também está à disposição um bicicletário que

oferece 166 vagas para estimular, entre os colaboradores, esse

meio de transporte pelas ruas da cidade.

• ndiálogo

Susep reformula Comissão

A Susep está reformulando a Comissão Especial dos Mercados

de Seguros, Capitalização, Resseguros e Previdência Complementar

Aberta com o objetivo de ampliar os canais de comunicação com os

representantes do setor para debater temas de interesses de todos.

A Comissão será presidida pelo superintendente da Susep,

Joaquim Mendanha de Ataídes, e composta pelas principais

entidades representativas dos mercados. “A nossa intenção ao

reformular a Comissão Especial está calcada na importância de

se estabelecer um fórum de interlocução com o mercado, visando

debater as questões afetas ao setor, criando, com isso, uma agenda

positiva para o seu desenvolvimento”, afirma Mendanha.

Farão parte da Comissão Especial os presidentes da CNseg;

FenSeg; Fenacap; Fenaber; Fenaprevi; Fenacor e da Escola Nacional

de Seguros (Funenseg).

A Comissão Especial vai se reunir ordinariamente a cada dois

meses ou extraordinariamente por convocação de seu presidente.

Poderão ser criadas subcomissões temáticas e grupos de trabalho

para tratar de assuntos específicos.

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GENTE

Organização comercial

Tulio Vidal

Para dar mais força e suporte aos corretores

regionalmente, a área Comercial da Allianz Seguros,

sob a gestão de Eduardo Grillo, passou

por uma adequação.

A mudança será a alavanca do novo modelo

de negócios da seguradora no Brasil, que visa

eficiência operacional, foco no cliente, simplificação

e digitalização de processos e produtos e,

sobretudo, reforçar a parceria e o relacionamento

com os corretores.

Consideração uma melhor distribuição territorial

e concentração de negócios, a empresa

conta com sete regionais. Flávio Rewa fica à

frente da “SP Corporate e Empresas”, Soraia

Silva permanece com a regional “São Paulo”,

Leonardo Marins assume as filiais da “SP Interior”, Luciano

Ambrosini é o novo responsável pela regional “Sul”, Ricardo

Zhouri dirige a “Minas Gerais e Centro-Oeste”, Alexandro Barbosa

lidera “Norte e Nordeste”, e Paulo Loureiro comanda “Rio

de Janeiro e Espírito Santo. A Filial Digital passa a integrar a

recém-criada diretoria de Canais, que está sob a responsabilidade

de Antonio Soeiro.

Leonardo Marins, Paulo Loureiro, Paulo Sequeira, Karine de Barros, Antonio

Soeiro, Eduardo Grillo, Ricardo Zhuri, Soraia Silva, Luciano Ambrosini, Flavio

Rewa e Alexandre Barbosa

A diretoria conta ainda com a área de Gestão Comercial,

comandada por Paulo Pires Sequeira, responsável pelo

planejamento, implementação e monitoramento da estratégia

comercial, e agregou a área de Market Management, sob

gestão de Karine Correa Paes de Barros, responsável pela

estratégia para clientes, análises mercado e marketing (corporativo,

digital e eventos).

Mudanças em

transportes

O diretor de Transportes da Berkley,

Sidney Cesare Junior, que liderou a

implantação da carteira de Transportes

no Brasil, desligou-se da companhia

para assumir novos desafios.

Com a mudança, a gestão da área

de Transportes passa para a responsabilidade

de Thiago Tardone, atual

Superintendente de Transportes. O

executivo atua na seguradora desde

2010.

12

Novo diretor

comercial

Fábio Lessa é o novo diretor

comercial da Capemisa Seguradora.

Há 15 anos no mercado segurador

(nove deles na empresa),

Lessa também construiu carreira

na área comercial e, até ocupar a

nova posição, exercia a função

de Superintendente Comercial

Nacional.

Diretoria executiva de

canais

Marcelo Barp de Almeida foi nomeado

diretor-executivo da recém-criada diretoria de

Canais da Tempo USS, depois de ter liderado

as financeiras Luizacred, Hipercard e FIC, joint

ventures, respectivamente, do conglomerado Itaú

Unibanco com Magazine Luiza, e Walmart Brasil

e Grupo Casino.

O executivo chega com a missão de expandir a

atuação da empresa por meio do desenvolvimento

de novos canais e parcerias com outras empresas

para a distribuição dos serviços de assistência

do grupo.


13


GENTE

Entre os mais inovadores

A CIO da Liberty Seguros, Ana Lúcia D’Amaral, foi a

vencedora da categoria Women In Tech do Prêmio Computerworld

IT Leaders 2016.

Realizada pela Computerworld,

a premiação elege

os 100 CIOs mais inovadores

do Brasil por meio de pesquisa

realizada com mais de 1,4 mil

profissionais de empresas de

diversos segmentos.

Este foi o primeiro ano

da categoria Women in Tech,

dedicada exclusivamente às

mulheres, com o objetivo de

incentivar a atuação feminina

na área de Tecnologia da

Informação e reconhecer a

sua presença na liderança do

setor. A executiva também foi uma das finalistas na categoria

de Seguros.

“O reconhecimento vai muito além do gênero, pois mostra

que estamos no caminho certo ao incentivar o protagonismo e

ao promover diferentes estilos de liderança, algo que valorizo

muito no trabalho com minha equipe”, diz a executiva.

Presença ampliada

Ramon Goméz assume a diretoria comercial da MetLife.

Com sólida experiência, Gómez construiu carreira em empresas

como Allianz Seguros, Itaú Unibanco e Redecard.

A mudança faz parte da

estratégia da companhia de

ampliar sua presença no Brasil.

A ideia é reforçar o time

comercial à frente do canal

Corretores. Recentemente ingressaram

na empresa Jaime

Neto (diretor regional para o

Interior de São Paulo e Minas

Gerais) e Durvalice Fontana

(gerente regional para as regiões

Norte e Nordeste) que, ao

lado de Gustavo Toledo (diretor

regional para São Paulo),

João Levandowski (diretor

regional para Sul) e Denise Carvalho, (diretora regional para

Centro-Oeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo) completam a

liderança do canal.

Cassia Gil, que acumulava a diretoria comercial e dental

desde 2014, passa a ser responsável pela área de Operações

e Dental.

Moção de louvor

O presidente da Academia Nacional de Seguros e Previdência

(ANSP), Mauro César Batista, foi agraciado com moção de louvor

pela Câmara Legislativa do Distrito Federal em sessão solene presidida

pelo Deputado Distrital Rodrigo Delmasso e proposta pelo

Clube dos Corretores de Seguros do Distrito Federal.

“Não temos dúvidas em quanto a ANSP, como uma entidade de

estudo, pesquisa e debate, precisa se fazer presente nessas oportunidades

por ser uma entidade nacional. É uma honra para a Academia

ter esse reconhecimento e para mim receber esta homenagem

na Câmara

Legislativa do

Distrito Federal”,

disse Batista.

“Ficamos

honrados. E a

homenagem e

a honra não são

somente para o

presidente, mas

para toda a diretoria,

todos os

acadêmicos e a

entidade como

um todo”, afirmou.

Diretor na vicepresidência

Técnica

A HDI Seguros anuncia o diretor de Automóvel

e Massificados, Fabio Leme, como o novo vice-

-presidente Técnico.

Desde 2010 na companhia, Leme chega ao cargo

após seis anos como diretor na empresa. Oficialmente,

o executivo passou a exercer a nova função no começo

de dezembro.

“Chegar à vice-presidência

de

uma companhia

como a HDI Seguros

é muito gratificante.

Vou encarar

esse desafio como

uma oportunidade

para continuar ajudando

a empresa

a crescer, além de

dar continuidade

no trabalho que

foi realizado com

excelência pelo

Murilo”, declarou

Leme.

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15


capa | aconseg-rj

Susep aposta nas assessorias

de seguro da Aconseg-Rio

O superintendente da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, e parte da mesa

diretora, a partir da esquerda: Alexandre Vilardi, vice-presidente da Icatu; José

Adalberto Ferrara, presidente da Tokio Marine; Duílio Varnier Júnior, superintendente

executivo da Bradesco e Henrique Brandão, presidente do Sincor-RJ

Fotos: Rosane Bekierman

Associação das Empresas de Assessoria e

Consultoria de Seguros do Rio de Janeiro mostra

a importância deste segmento para o mercado

O

titular da Superintendência

de Seguros Privados (Susep),

Joaquim Mendanha de Ataídes,

afirmou que o trabalho

realizado pelas assessorias de seguros é

extremamente importante para que o corretor

exerça o seu papel efetivo de levar

a proteção ao consumidor. “Os números

mostram sua relevância na produção do

segmento: somente no Rio de Janeiro, essas

empresas foram responsáveis por R$

1,5 bilhão em prêmios no ano passado,

oferecendo infraestrutura e consultoria

para mais de 3.500 corretores”, frisou.

O executivo foi homenageado em

almoço oferecido pela Associação das

Empresas de Assessoria e Consultoria

de Seguros do Rio de Janeiro (Aconseg-

-RJ), em 23 de novembro, na capital fluminense.

Na ocasião, o superintendente

convidou a entidade a fazer parte da

Comissão da Susep com o mercado, que

está sendo reativada pela autarquia para

promover maior interação com os players

do setor. “A Aconseg-RJ cabe muito bem

em uma das subcomissões que serão

formadas, para que possa representar

os interesses das assessorias em nossas

reuniões técnicas”, afirmou.

O evento contou ainda com a presença

dos líderes de grandes seguradoras,

como Bradesco Seguros, SulAmérica,

Tokio Marine, Sompo Seguros, Amil,

Suhai, Mapfre, AIG, HDI, Essor e Mitsui

Sumitomo. “O prestígio dessas grandes

companhias deixa claro que elas também

reconhecem a importância das assessorias

para o crescimento do setor e para

a disseminação da cultura do seguro no

País”, observou Mendanha. Em 2015, as

assessorias do Rio englobaram aproximadamente

60% da produção de Auto

do estado e cerca de 40% das demais

carteiras.

O presidente da Aconseg-RJ, Luiz

Philipe Baeta Neves, reafirmou que

contará com o apoio de Mendanha, que

é corretor de seguros, na missão de buscar

sempre a valorização da categoria e

das assessorias de seguros. “Corretores,

seguradoras, entidades e consumidores

precisam conhecer o valor dessas empresas

para o conforto e a tranquilidade das

famílias e empresas do nosso estado. É

hora de dar mais visibilidade ao trabalho

que nós realizamos de forma pioneira e

inovadora no Brasil”, disse.

16


Novo momento da Aconseg-RJ

Em saudação aos convidados do evento, Baeta Neves destacou a presença

do superintendente da Susep num evento da Aconseg-RJ, aliado às iniciativas

inovadoras de modernização da entidade como um marco de uma nova etapa

para os associados, seguradoras parceiras, corretores e para o mercado de seguros

em geral.

“É uma honra receber cada um de vocês aqui presentes, em especial, o

superintendente da Susep, nesta grande confraternização de seguradores, corretores,

empresários e lideranças do setor, reunidos nesta singela mas calorosa

homenagem que a diretoria e as empresas da Aconseg-RJ prestam ao titular desta

autarquia do Ministério da Fazenda”, disse o presidente.

Ele lembrou ainda que a maioria das grandes seguradoras que atuam no

estado do Rio de Janeiro utilizam o canal das assessorias de seguros da associação

para o relacionamento com os corretores. “Para as companhias que operam

conosco, significa uma grande redução de seus quadros de funcionários e de

seus gastos administrativos e comerciais. Por isso, o modelo vem se expandindo

em todo o Brasil”, explicou Baeta.

Outra meta desta gestão é fortalecer a marca Aconseg-RJ, atraindo um maior

número de empresas associadas e, assim, conquistar novas seguradoras parceiras

e os jovens corretores, recém-formados pela Escola Nacional de Seguros ou em

início de carreira.

O resultado, segundo o presidente, será o aumento da arrecadação de prêmios.

Para isso, uma das medidas adotadas foi o desenvolvimento de uma nova

estratégia de comunicação para a entidade, com a modernização do site, que já

se tornou um fórum de debates para mais de 30 mil corretores e profissionais do

mercado, a reformulação da revista impressa da entidade e a presença nas redes

sociais, além de campanha de valorização do corretor (veja box ao lado).

“A ideia é abrir esses canais a todos os públicos: seguradoras, corretores

de seguros, entidades parceiras e consumidores. Todos precisam conhecer a

importância das assessorias para o crescimento do mercado de seguros no Rio

e para a tranquilidade das famílias e empresas do nosso estado. É hora de dar

mais visibilidade a esse trabalho que realizamos de forma pioneira e inovadora

no País”, explicou. De acordo com o executivo, o apoio da Susep é fundamental

para que isso ocorra. O novo titular da autarquia também é corretor de seguros.

“Queremos que ele cerre fileiras conosco nessa luta diária para demonstrar o valor

que a nossa atividade tem hoje para a produção do setor”, finalizou.

A Aconseg-RJ congrega empresas que fornecem recursos tecnológicos, administrativos

e de gestão aos corretores de seguros, para que eles se dediquem

somente às vendas de seguros.

“Somente no Rio de

Janeiro, essas empresas

foram responsáveis

por R$ 1,5 bilhão em

prêmios no ano passado,

oferecendo infraestrutura

e consultoria para mais

de 3.500 corretores”

Joaquim Mendanha de Ataídes

Campanha de

sucesso

A campanha Corretor Certo,

lançada pela diretoria da Aconseg-

-RJ, obteve mais de mil cadastros

em menos de dez dias no hotsite

www.corretorcerto.com. A iniciativa

inédita disponibiliza kit de divulgação

digital para corretores

de todo o

Brasil. “É preciso

que estes profissionais

tenham

meios efetivos de

mostrar que se diferenciam

de canais de distribuição

alternativos, como agentes bancários,

empresas de proteção veicular, internet,

entre outros”, explica o presidente

da entidade. Além de infográfico, o

kit gratuito contém um Certificado

digitalizado, Selo Certificador para

inserção em sites, banners e assinaturas

de e-mail personalizadas com

o slogan: seguro só com corretor de

seguros.

Fotos: Rosane Bekierman

O superintendente da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes (esquerda),

❙❙com o presidente da Aconseg-RJ, Luiz Philipe Baeta Neves

“As companhias

que operam com as

assessorias conseguem

obter uma grande

redução de seus

quadros de funcionários

e de seus gastos

administrativos e

comerciais”

Luiz Philipe Baeta Neves

17


longevidade | intergeracionalidade

Investindo nas

próximas gerações

Os brasileiros caminham para a longevidade e estão aprendendo a se

preparar para o futuro. Muitos contam com a ajuda dos avós, idosos ativos

que auxiliam na garantia da tranquilidade financeira dos netos

Lívia Sousa

18


Se num passado recente a frase “a

vida começa aos 40” soava com

certa estranheza aos ouvidos das

pessoas, agora pode-se dizer que

ela não só é verdadeira como em alguns

países a população já vive essa nova realidade.

Entre 2000 e 2015, a expectativa de

vida no mundo aumentou cinco anos – o

maior crescimento desde os anos 1960,

de acordo com a Organização Mundial da

Saúde (OMS). Com isso, na Suíça a idade

média chegou a 83,4 anos. Na Austrália e

na Espanha, a 82,8. Já os franceses vivem,

em média, 82,4 anos. Mas é no Japão que

estão as pessoas mais velhas do mundo,

alcançando uma média de 83,7 anos.

Apesar de registrar um número inferior

(75 anos), o Brasil também caminha

para a longevidade. Entre 2005 e 2015,

a proporção de brasileiros com mais de

60 anos cresceu em velocidade superior

à da média mundial, saindo de 9,8% para

14,3%, de acordo com o relatório Síntese

de Indicadores Sociais 2016, do Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE). Outros dados divulgados pela

OMS apontam que o grupo da terceira

idade, que hoje soma 24,4 milhões de

pessoas e representa 12% da população

brasileira, será de 30% em 2050, saltando

para 70 milhões. Para o especialista em

envelhecimento e presidente do Centro

Internacional de Longevidade-Brasil

(ILC-Brasil), Alexandre Kalache, o País

passa por uma revolução da longevidade.

“As pessoas estão vivendo por muito mais

tempo e isso vai ter um impacto profundo

em todas as etapas da vida do indivíduo”,

afirma.

Envelhecer, no entanto, é um processo

complexo e exige boas atitudes para se

garantir mais estabilidade e conforto na

terceira idade. Por isso, essa revolução

atinge não só quem já chegou aos 65

anos, mas também os jovens, que devem

começar a se preparar para uma vida mais

longeva o quanto antes. “Antigamente a

vida era uma corrida de 100 metros: você

vinha com toda energia para chegar ao

fim, e esse fim era curto. Hoje ela está

muito mais para uma maratona, em que

você tem que ter estratégia, saber o que

está fazendo, ter instrumentos e ferramentas”,

compara Kalache.

Quatro capitais são essenciais para

completar essa maratona. O primeiro

deles é a saúde, responsável por fornecer

uma melhor qualidade de vida na terceira

idade. Em seguida vêm os relacionamentos,

pois todo idoso necessita do amparo

e cuidado de amigos e familiares. Com

a explosão da tecnologia é importante

que eles também busquem aprender

mais, mas devem receber estímulos da

sociedade para que o aprendizado seja

mais fácil. Por fim, o capital financeiro

será essencial para se viver bem.

“Envelhecer não é fácil. Você perde

status, muitas vezes perde o sobrenome

da empresa para a qual trabalhava e se

torna um aposentado. Até a palavra é

cruel, porque aposento eram casas grandes

e antigas, em que o idoso ficava fora

de visão. E isso complica a noção de que

se vive bem apenas com a aposentadoria”,

diz Kalache, classificando como

inadiável a discussão sobre a reforma

previdenciária.

Auxílio

Enquanto nos anos 1960 a taxa de

fecundidade no País era de seis filhos

por mulher, hoje chega a menos de dois.

Com cada vez menos crianças, jovens e

adolescentes, não vai demorar para que

também se tenha menos adultos, que serão

responsáveis por suportar um grupo

maior de aposentados no futuro. Para

uma nação como o Brasil, que envelhece

antes de enriquecer, o cenário preocupa.

Já pensando na própria velhice,

muitos jovens buscam acumular capital.

A Pesquisa Aegon de Preparo para

Aposentadoria, realizada pelo Instituto

de Longevidade Mongeral Aegon, revela

que 76% dos jovens de 20 a 29 anos têm

um plano traçado para suas aposentadorias,

seja formal ou não. No entanto,

Kalache chama atenção para o fato de

que eles encontram dificuldades para

guardar dinheiro. Os jovens não sabem

exatamente como se planejar para esse

futuro sabendo que o emprego é instável

e que a “vida ordenada”, de ir para o

mesmo emprego durante anos e ao final

ter uma aposentadoria, está se tornando

uma raridade.

Para ajudar a nova geração, a terceira

idade entra em cena. Os idosos têm renda

de aproximadamente R$ 500 bilhões/ano,

❙ Alexandre Kalache, do Centro


❙ Internacional de Longevidade-Brasil

44% maior que a média da população brasileira.

Em alguns casos, a renda a mais é

gerada pelo novo perfil da terceira idade

– em torno de 30% desse coletivo continuam

colocados no mercado de trabalho.

Em outros, é resultado dos idosos que

conseguiram economizar, chegar com um

patrimônio importante na velhice e que

hoje envelhecem com saúde e recursos.

Por isso, eles investem também no futuro

das novas gerações, sobretudo dos netos.

“Depois de certa idade você não está

mais preocupado em fazer carreira, mas

em deixar um legado, em ser lembrado

na velhice e depois da morte. E uma das

formas de ser lembrado é compartilhando

o ‘pé de meia’ que conseguiu com quem

ainda não chegou lá”, afirma Kalache.

Citando o próprio pai, que adquiriu

uma caderneta de poupança para cada

neto, ele assegura que o melhor presente

dos avós para os netos é a compra de

uma apólice que possa ser capitalizada ao

longo da vida. Se a criança for prudente

no futuro, será resguardada até chegar ao

seu próprio envelhecimento.

Previdência privada

Os pais buscam garantir para a criança

aquilo que não puderam ter, sobretudo

os da classe C, ou aquilo que lhes custou

muito para conseguir. Já os avós desejam

oferecer aos netos o que não puderam dar

aos próprios filhos. “Em todos os casos,

o foco é proporcionar a conquista de um

projeto de vida que trará melhorias para

19


intergeracionalidade

20

❙❙Soraia Fidalgo, da Brasilprev

a condição social da criança no futuro,

por meio da educação”, declara Soraia

Fidalgo, superintendente de Clientes da

Brasilprev.

Um dos meios mais utilizados para

se alcançar este objetivo é contratando

um plano de previdência privada. Dados

divulgados pela Federação Nacional de

Previdência Privada e Vida (FenaPrevi)

indicam que dos R$ 6,44 bilhões investidos

nos planos individuais em setembro

deste ano, R$ 151,44 milhões foram destinados

aos planos para menores

Até junho passado, na Brasilprev,

os avós correspondiam a 6% da base de

clientes dos planos Brasilprev Junior,

produto voltado às pessoas com idade entre

zero e 21 anos. Em 2015, este número

chegava a 5%. O plano foi criado para que

os clientes utilizassem os recursos ainda

jovens e se transformou em uma ferramenta

para apoiar pais ou responsáveis

na formação de reserva para custear projetos

de filhos, sobrinhos e netos – principalmente

relacionados à educação, como

curso técnico, de idiomas, faculdade ou

pós-graduação. Contudo, o investimento

pode ser direcionado a outros objetivos,

como uma viagem, um intercâmbio ou

mesmo a abertura do próprio negócio.

A maior parte dos avós participantes

do plano (51%) no período tinha entre 61

e 70 anos de idade; 2% entre 41 e 50 anos;

20% 51 e 60 anos e 27% estavam na faixa

acima dos 70. Quanto aos beneficiários,

a maioria possuía entre sete e 14 anos

(56%); 11% de zero a seis, 17% de 15 a

17 anos, e 12% de 18 a 21 anos de idade.

O tíquete médio das contribuições rea-

❙❙Jorge Nasser, da Bradesco

lizadas pelos avós era de R$ 124, ante os

R$ 107 em 2015, um crescimento de 16%.

O Grupo Bradesco Seguros, por sua

vez, conta com mais de 200 mil participantes

(que representam 12% de sua

carteira de planos individuais em previdência

complementar aberta) nos Planos

para Menores, modalidade que segundo

o diretor geral da Bradesco Vida e Previdência

e da Bradesco Capitalização,

Jorge Nasser, é uma das que mais têm

crescido nos últimos anos. “Na prática,

os planos para menores são basicamente

iguais aos demais oferecidos em previdência.

Apenas a comunicação relativa ao

produto - incluindo, por exemplo, ações e

Mercado atento

O mercado segurador está sempre

atento às oportunidades oriundas de

mudanças de hábitos, culturais, econômicas

e também demográficas. Hoje,

de um modo geral, já existem produtos

voltados para a terceira idade, mas seus

preços altos são um reflexo da idade e

riscos associados.

O diretor-executivo do Instituto

de Longevidade Mongeral Aegon,

Henrique Noya, aposta que no curto

prazo serão apresentadas soluções

mais criativas e inovadoras na maneira

de avaliar esse segmento. “Acredito

que logo surgirão produtos de seguros

específicos e mais eficientes, a preços

com mais poder de penetração”, afirma,

acrescentando que no cenário de

transformação demográfica o mercado

❙ ❙Lucas Amendola, da Seguralta

peças de relacionamento, como extratos -

é especificamente voltada para o público

a que se destina”, explica o executivo.

Quanto mais cedo o participante

aderir a um plano de previdência privada,

melhor, pois assim ele obtém maior

prazo de diferimento para alcançar a

meta pretendida. E quanto maior for

o prazo de contribuição, menor será o

valor do aporte exigido para alcançar

essa meta. Contudo, Nasser ressalta que

a previdência privada não é o único veículo

para planejamento do futuro. “As

vantagens proporcionadas pelos fundos

de previdência privada como instrumentos

de planejamento sucessório também

segurador tem a missão de ajudar as

pessoas a assumir a responsabilidade

por seu futuro financeiro. “Se vamos

todos viver por mais tempo, aumenta a

importância de poupar”, conclui.

Foto: Wanezza Soares


21


intergeracionalidade

❙❙Jaime Prazeres, da Porto Seguro

constituem importante diferencial para

um público com idades mais avançadas”,

acrescenta.

Os fundos não integram inventário e

custas judiciais, sendo os recursos distribuídos

de forma ágil em decorrência da falta

do participante; oferecem flexibilidade

quanto à indicação e alteração de beneficiários,

assim como na forma de devolução

da reserva, por pagamento único ou renda

certa; e asseguram eficiência tributária,

com tributação regressiva, alcançando

alíquota de IR de 10% após dez anos.

Seguro de vida

Os avós também buscam precaver

os entes em caso de algum incidente e,

para isso, recorrem aos seguros de vida

que disponibilizam produtos específicos

para esse público. “A maior preocupação

dos nossos segurados é garantir a tranquilidade

financeira de seus filhos e netos”,

afirma Nasser, da Bradesco. A companhia

dispõe de um seguro de vida específico

para quem tem entre 60 e 80 anos de

idade. De janeiro a outubro deste ano,

as vendas do produto cresceram 84,4%

em quantidade de apólices e 62,8% em

volume financeiro, na comparação com

o mesmo período de 2015.

Em média, os seguros de vida voltados

à terceira idade fornecem indenizações

de R$ 100 mil, além de benefícios

como desconto em farmácias, orientações

esportivas e nutricionais e assistência

funeral. O custo é compatível com a faixa

etária e tem se mostrado importante principalmente

para pagamento de inventário.

Por outro lado, o produto tem algumas

restrições se comparado com um seguro

22

❙❙Alexandre Vicente, da Liberty

de vida para pessoas mais jovens. “O

pagamento progressivo da indenização

de até 24 meses, por exemplo, passa a ser

integral após este período. Neste plano,

é possível contratar apenas a cobertura

básica que é a morte com assistência funeral”,

pontua Lucas Amendola, gerente

Comercial da corretora Seguralta.

A tendência, segundo Nasser, é que

a demanda pelo produto se mantenha

aquecida à medida que os conceitos de

planejamento sucessório e educação

financeira avancem. Já Amendola acredita

que a expansão se dará também em

outros tipos de proteção, considerando

que aos poucos os brasileiros estão assimilando

a cultura do seguro e sua devida

importância.

Seguro educacional

R$ 34 milhões foram gastos com os

seguros educacionais até setembro passado.

O valor, de acordo com a Superintendência

de Seguros Privados (Susep),

é 19% maior que as cifras somadas em

2015 e 62% superior ao montante registrado

em setembro do mesmo ano.

O salto recente se deu em razão, principalmente,

da crise econômica. Porém,

apesar de trazer coberturas com forte

apelo, a procura pelo produto ainda não

é tão expressiva. “Houve um salto e isso

parte da consciência previdenciária. O

brasileiro passou a ter essa preocupação,

principalmente os pais ou os responsáveis

financeiros. Mas ainda há um campo

enorme a se explorar e isso é uma boa

oportunidade”, garante Alexandre Vicente,

diretor de Seguros Pessoais da

Liberty Seguros.

❙❙Aquiles Poli, da BR Insurance

O seguro educacional funciona como

uma proteção financeira, garantindo o

pagamento das mensalidades em casos de

desemprego ou morte dos pais ou do responsável

financeiro que, muitas vezes, são

os avós. “O seguro possui um custo muito

baixo de contratação, que gira em torno

de 1% a 2% do valor da mensalidade, e

está à disposição tanto de universidades

e faculdades, como de colégios”, explica

o diretor de Benefícios da BR Insurance,

Aquiles Poli.

Algumas seguradoras também oferecem

assistência aos alunos em caso de

acidente dentro da instituição de ensino

ou em eventos externos promovidos por

ela, no período em que o estudante estiver

matriculado. Entre as principais coberturas

estão assistência médico-hospitalares

e odontológicas emergenciais em caso de

acidente, transporte em caso de acidente,

tratamento fisioterápico, transmissão de

mensagens urgentes e reposição de aulas

com professores particulares.

“A responsabilidade de uma instituição

de ensino também permeia o bem

estar e segurança de seus colaboradores

e alunos. Com o seguro, é possível oferecer

maior proteção e assistências em

caso de acidentes”, diz Jaime Prazeres,

gerente comercial do Seguro Vida da

Porto Seguro.

Normalmente, em razão das características

do produto, o seguro educacional

é contratado pela instituição de ensino.

A contratação também pode ser feita de

maneira individual, mas neste caso o interessado

deve contratar um seguro de vida

com uma cobertura adicional que englobe

coberturas para escolas ou faculdades.


23


saúde | qualidade de vida

A longevidade hoje

Os planos de saúde são de extrema importância

para os idosos e, aliados a boas práticas e

cuidados, podem trazer qualidade de vida à

terceira idade

Amanda Cruz

24


Quando o Brasil começou a

envelhecer e inverter sua pirâmide

demográfica, principalmente

no começo dos anos 90,

a preocupação era principalmente sobre o

quanto esses idosos iriam viver.

Em 2016, o IBGE aponta que os

idosos representam 11,34% da população

brasileira (22,9 milhões de pessoas). Nos

próximos 20 anos esse número deverá

triplicar. Segundo a OMS, o Brasil será

o sexto país no mundo em números de

idosos até 2025.

A preocupação hoje é com a qualidade

de vida. Por isso, muito se fala em prevenção

e cuidados que devem ser tomados

para não apenas chegar aos 70, 80 anos,

mas para chegar lá bem. Essa cultura

de antecipação dos cuidados é bastante

útil aos jovens, mas como se aplica ao

idoso? Em um País onde existem apenas

mil geriatras, de acordo com a Sociedade

Brasileira de Geriatria e Gerontologia,

como a saúde suplementar pode cuidar

do longevo de hoje?

Acredita-se que tudo começa pelas

escolhas que são feitas. A FenaSaúde usos

esse mote como tema de seu 2° Seminário

(saiba mais sobre o evento na página 32).

A conta a ser paga no final do mês pela

saúde suplementar está insustentável e

algo precisa ser mudado, esse é o fato.

Enquanto isso, a entidade tenta encontrar

maneiras para que os beneficiários não

fiquem desassistidos. O boletim da Saúde

Suplementar apresentou o momento de

dificuldade: mais de um milhão de beneficiários

deixaram os planos de saúde,

apenas no Sudeste. “Há uma clara relação

entre a dinâmica do mercado de trabalho

formal e o desenvolvimento do mercado

de Saúde Suplementar. Com a retração

das atividades econômicas, houve queda

do número de beneficiários. Os planos

coletivos empresariais são responsáveis

por 66% dos vínculos”, analisa Solange

Beatriz Palheiro Mendes, presidente da

FenaSaúde.

Se a dificuldade é grande para aqueles

que estão em idade de trabalho, os

idosos têm menos opções ainda. Dentro

do universo de beneficiários, de cerca

de 48 milhões de vínculos, pessoas com

mais de 60 anos representam 12,7% do

total, de acordo com a Agência Nacional

25


qualidade de vida

❙❙Maurício Lopes, da SulAmérica

de Saúde Suplementar (ANS), mas precisam

de cuidados muito mais elaborados.

Pensando nisso, a autarquia desenvolveu

um programa chamado Projeto

Idoso Bem Cuidado, que consiste em

parcerias com instituições comprometidas

com o envelhecimento ativo. Segundo

a entidade, a ideia do projeto surgiu da

necessidade de melhorar o cuidado aos

idosos que possuem planos privados

de saúde no Brasil e da necessidade de

debater e reorientar os modelos de prestação

e remuneração de serviços na saúde

suplementar.

Enquanto sociedade, o aumento da

expectativa de vida é um grande triunfo,

mas traz a conta e seus desafios. “Será

necessário repensar a estrutura de atendimento

à população, de modo a criar um

sistema mais sustentável que considere a

coordenação do cuidado ao idoso para

cada fase do envelhecimento até, se necessário,

o cuidado paliativo”, acredita

o vice-presidente de Saúde e Odonto da

SulAmérica, Maurício Lopes.

Quando se fala em idosos, fala-se

também de doenças degenerativas, como

a hipertensão, diabetes e as neoplasias.

Hoje essas doenças são muito bem tratadas

e têm uma alta taxa de sobrevida.

Assim é também a maioria dos casos

de câncer que, se antes eram quase uma

sentença de morte, hoje têm alta chance

de cura, especialmente se descoberto

no início. Com esses tratamentos vêm

também um custo alto. “Cada vez mais,

conseguimos tratar de maneira eficiente

determinada doença, mas com alto custo

26

de exames e tratamento. Obviamente,

a preocupação da operadora, que faz o

equilíbrio financeiro disso, está em tirar

a capacidade de custear, financiar esse

tipo de processos conciliando com os

seus interesses de negócios, suas margens

etc, isso fica cada vez mais difícil”, aponta

Francisco Vignoli, médico e fundador

da B2Saúde. Ele afirma ainda que 1,5%

dos beneficiários de saúde representam

60% dos custos, ou seja, mais da metade

do que se arrecada vai para uma parcela

mínima de pessoas. “O princípio básico

do mutualismo, em saúde, é muito mais

complexo. Enquanto na previdência, por

exemplo, a conta do benefício é feita em

cima de um valor sólido, conhecido, na

saúde você não tem esse pré-conhecimento

de quanto irá gastar. Há tratamentos

que chegam a R$ 80 mil mensais sem

prazo para acabar”, esclarece Vignoli.

Há tempo para o cuidado?

A adoção de um estilo de vida que

seja equilibrado, saudável e feliz – unindo

boa alimentação, exercícios físicos, cuidado

coma saúde mental etc - é a fórmula

tão disseminada para uma vida longeva

e com qualidade. A própria SulAmérica

desenvolve o Programa Saúde Ativa para

estimular as mudanças de comportamento

objetivando uma vida mais saudável,

para segurados de todas as idades. Mas a

saúde suplementar tem longevos em sua

carteira hoje, que precisam de cuidados

mais do que nunca, e dentro desse tipo de

programa é preciso existir um recorte que

sustente as pessoas com 65 anos ou mais.

Empresas de gestão de saúde têm

ocupado essa lacuna do mercado de

saúde e auxiliado as operadoras a cuidar

melhor de sua carteira na terceira idade.

“Nós temos um programa que acompanha

tanto os idosos saudáveis, para que

eles mantenham a sua qualidade de vida,

quanto aqueles que possuem doenças

crônicas. Temos idosos que não têm

nenhuma doença crônica, mas que tem

algum comprometimento em seu dia a dia

por razões físicas, sociais ou financeiras”,

é o que conta Ana Cláudia Pinto, médica

PhD e professora, sobre a sua experiência

como diretora de produtos da empresa

Healthways, especializada nesses cuidados.

Ficam fora desses tipos de programas

pessoas com dificuldade cognitivas,

como pacientes com Alzheimer, pois a

participação e interação ativa do idoso

são fundamentais para o desenvolvimento

do programa.

Idosos têm maneiras diferentes de

lidar com a cultura da promoção de

saúde, da prevenção de doenças, do que

as outras gerações. “Naturalmente, a

conscientização sobre a importância dos

hábitos saudáveis costuma aumentar ao

longo da vida e, infelizmente, isso ocorre

muitas vezes após complicações de saúde

decorrentes de um estilo de vida inadequado”,

comenta Lopes. Para esse idoso, a

dica é abordar a fragilidade (síndrome de

múltiplas causas caracterizada por perda

de força e resistência e diminuição da

função fisiológica), que deve ser utilizada

no gerenciamento da sua saúde. Também

se faz premente a mudança na estratégia

de cuidados, que não deve ser focada em

tratar os eventos agudos, mas sim focar

a coordenação do cuidado, visando a estabilização

do quadro e de suas doenças

crônicas e a manutenção da capacidade

funcional e da autonomia pelo maior

tempo possível.

Quanto antes o cuidado vier, menos

surpresas desagradáveis o idosos encontrará.

Vignoli lembra que o estilo de vida

é crucial porque dois terços das doenças

são criados pelas próprias pessoas, por

seus hábitos. Em média, 41% da população

têm sobrepeso ou é obesa. Esse é

um fator que pode ser mudado, mas que

entregará consequências da mesma ma-

❙❙Francisco Vignoli, da B2Saúde


❙❙Ana Cláudia Pinto, da Healthways

Idosos nos Planos de Saúde

Idade

Beneficiários

60 a 69 anos 2.226.323

70 a 79 anos 1.019.339

80 anos ou mais 577.798

TOTAL 3.823.460

Fonte: ANS

neira, pois não será erradicado da noite

para o dia. As mudanças nos hábitos

têm sido percebidas nos últimos 30, 40

anos. Ainda assim, as doenças crônicas

causadas pelos maus hábitos continuam

cobrando seu preço.

As operadoras se alinham, portanto,

com as empresas de saúde para tentar

atender esse público, mesmo com as contas

nem sempre fechando, pois eles são

capazes de trazer autonomia e melhora

para vida do idoso e fazer da carteira

de saúde uma operação mais saudável

e com menos impacto para as companhias.

Essas empresas geralmente são

responsáveis pelo cuidado com fatores

como alimentação e atividades físicas,

gerenciamento de riscos de acidentes em

suas casas, além de atendimento para tirar

dúvidas sobre tratamentos e recomendações.

“A gama de atendimento vai desde

o idoso saudável até o momento de mais

necessidade, como uma situação de emergência,

necessidade de resgate etc.”, conta

Ana Cláudia. A queda, por exemplo, é

um risco que precisa de muita atenção,

pois pode transformar idosos ativos em

saudáveis em pessoas debilitadas, com

graves problemas de mobilidade.

Os idosos são, muitas vezes, solitários.

Esse fator tem sido a pista seguida

para tratar desses beneficiários com outro

olhar. Nem sempre a principal privação

da terceira idade está relacionada com

alguma doença, mas muitas vezes com

a falta de espaço no convívio com a

sociedade, com a família. Isso afeta diretamente

a saúde mental dessas pessoas.

“Com as questões de saúde, o idoso tem

que aprender a conviver. Eu acredito que

o maior desafio é a parte social. Porque,

mesmo sendo saudável, se estiver sozinho,

a falta de interação social afetará a

saúde dele”, pontua Ana Cláudia.

Pensando soluções

A saúde suplementar não quer desamparar

esses idosos, mas a complicação

de seus casos são desafios enormes

para a carteira e acabam somando-se a

outros fatores, como a judicialização da

saúde, a inflação médica, o mau uso e o

abuso, que não são pautas diretamente

ligadas aos idosos presentes nas carteiras

de planos de saúde, mas que acabam por

tirar recursos que poderiam ir para tratamentos

necessários e efetivos. “Vivemos

uma era de delírio no que diz respeito ao

financiamento da saúde. A constituição

dá uma definição de saúde como universalizada

e, na prática, isso não funciona

porque todo o exagero não funciona”,

opina o médico Francisco Vignoli.

Portanto, é preciso cortar excessos e

colocar mais dinheiro nessa conta, porque

se os dois fatores continuarem a crescer,

nem idosos nem pessoas em outras faixas

etárias poderão contar com o sistema

de saúde suplementar. Medidas como

exigir daqueles ainda ativos que contribua

financeiramente para a previdência

da saúde, o VGBL Saúde; para aqueles

que já estão no sistema, volta à fórmula

básica, mas impactante: mudanças no

modelo, nos cálculos e abolição da política

de risco total, refrear a inclusão de

tratamentos experimentais que têm altos

custos e pouca comprovação de resultado.

“Existem várias formas, mas o grande

problema é identificar o desperdício.

Analisar se a quantidade de exames,

procedimentos, tipos de cirurgias são

adequados à situação. Muitas vezes, nesse

sistema assimétrico, há hospitais com

grande lucro e operadoras com prejuízo.

Esse posicionamento não está bom, a

estrutura precisa ser mais simétrica”,

comenta Vignoli.

Um conjunto de coisas que culminam

em melhores práticas. Indivíduos mais

saudáveis alinhados com operadoras

mais preparadas com certeza produzem

um mercado mais sólido. Mas é preciso

reconhecer as parcerias e observar as

necessidades mais de perto, pois se as

operadoras não estiverem preparadas, as

mudanças ocorrerão da mesma forma.

“Percebemos que existem que se preocupam,

mas elas não são a maioria. O que

é bastante interessante é que as próprias

pessoas começam a cobrar esse tipo de

coisa. Elas estão fazendo sua própria revolução

na saúde, estejam as operadoras

junto ou não”, celebra Ana Claúdia.

A terceira idade é almejada como

a fase de descanso, de missão de trabalho

cumprida e momento de aproveitar

a calmaria que chega com os anos de

dedicação e a sabedoria adquirida. Mas

o que os idosos têm encontrado nem

sempre é um futuro acolhedor. Por conta

das discrepâncias e preocupações que

chegam e parece não ter uma resolução

rápida, ainda mais para quem espera o

cuidado hoje, o médico Vignoli alerta:

“estamos chegando a um momento que

não adianta apenas aumentar o valor do

plano, porque uma hora a conta não vai

mais ser paga”, finaliza.

27


sustentabilidade | energia

Força de renovação

Os desafios do clima passam pelo

tipo de energia utilizada. A meta é

apostar cada vez mais em fontes

limpas e renováveis e ampliar o

envolvimento do mercado de

seguros nas iniciativas ambientais

Amanda Cruz

28


Se nos últimos meses o mercado

financeiro e o mercado de seguros

comemoraram a retomada

do crescimento na área de óleo

e gás, outra vertente vem igualmente

ganhando espaço nos dois setores: as

energias renováveis.

A 22ª Conferência do Clima, realizada

em Marrakesh, no Marrocos, trouxe o

mercado de seguros como um potencial

apoio para que questões ambientais almejadas,

como a diminuição de emissão de

gases poluentes, a utilização de energias

renováveis e a mitigação dos impactos

de desastres climáticos em países com

infraestrutura precária, trazendo-o para

mais perto da realidade.

A escolha do local da realização do

encontro das nações foi pertinente, já que

o continente africano entrou no cerne da

preocupação ambiental. Uma das metas

do encontro era ampliar as vozes dos

países da região que mais sofrem com

as mudanças do clima.

Apontado como um player fundamental,

os países contam com a indústria

seguradora para proteger pessoas em

situação de vulnerabilidade. Apenas pagar

a conta de um desastre não resolve, é

preciso ajudar a perceber e a minimizar

os riscos. Além de ampliar o alcance dos

produtos para cuidar dessas fragilidades,

essa é a oportunidade do mercado de

mostrar, mundialmente, seu lado social.

A doutora em Saúde Pública e da área

de Comunicação de Riscos Ambientais

e Tecnológicos, Cilene Victor da Silva,

participa ativamente de encontros como

conferências da ONU e a própria COP,

que discutem temas ambientais. Ela

afirma que a relação dos seguros com

desastres é recorrente. “A minha percepção,

participando desses eventos, é

que a indústria de seguros é fundamental

em todas essas discussões, no que diz

respeito a mitigar e promover ações de

adaptação às mudanças climáticas e seus

impactos, que já são realidade”, aponta.

O esforço do mercado entraria, por

exemplo, na ajuda a pequenos agricultores

que já sofrem com as mudanças.

Durante a COP22, um encontro de nove

países selou o interesse em intensificar

esse tema. Ao menos é o que diz um

comunicado oficial intitulado: “Declaração

Conjunta sobre InsuResilience - A

Iniciativa sobre o Seguro de Risco Climático”,

disponível para consulta no site

do evento. Entre os juramentos de países

como Alemanha, Itália e Canadá, estão

diretrizes como ampliar o apoio dado a

países em situação de vulnerabilidade,

além de ajudar no financiamento dessas

iniciativas. Se, em 2015, os membros do

G7 lançaram um pacote de ação para

agilizar essa ajuda, arrecadando US$

420 milhões para amparar pelo menos

180 milhões de pessoas em situação de

insegurança, este ano a inicitiva chegou

aos US$ 550 milhões, após a entrada da

União Europeia e da Holanda na corrente.

Além disso, companhias privadas que

queiram apoiar o projeto serão conclamadas

pelos participantes.

Embora esse movimento exista, Cilene

destaca que percebe que o mercado de

seguros precisa se conciliar com a comunidade

científica. “Parece que a indústria do

seguro ainda não se encontrou. Falta mais

ação. Quando esses desastres ocorrem nós

estamos falando de duas questões: das perdas

de vidas humanas e também das perdas

materiais”, afirma. Isso é destacado porque

após essas tragédias as pessoas costumam

voltar a esses locais de risco para tentar

salvar os bens que ainda restam, bens

necessários para sua sobrevivência e a sua

participação na sociedade, aí é que está o

desastre que o setor pode ajudar a sanar.

De acordo com relatório divulgado pela

Cilene Victor da Silva, especialista

❙❙em Riscos Ambientais

Organização Mundial da Saúde (OMS), em

março de 2016, uma em cada quatro mortes

no ano de 2012 estão relacionadas com o

meio-ambiente, totalizando 12,6 milhões.

São doenças como diarreia, dengue, zyca

e até distúrbios mentais como estresse, que

estão relacionadas a esse tema. No Brasil,

de 15% a 16% das doenças poderiam ser

evitadas se medidas ambientais fossem

tomadas. As seguradoras têm o poder do

gerenciamento de riscos nas mãos para auxiliar

as prefeituras e governos para evitar

esse tipo de situação: as mortes evitáveis

que ainda ocorrem.

Trabalhar a prevenção sempre será

o caminho do setor, não importa para

onde se olhe. O descuido que atrasa o

mercado de seguros a estabelecer uma

ajuda efetiva pode estar na maneira como

encara suas responsabilidades; o costume

de enxergar apenas a partir de um ponto

de vista próprio, não olhando pelo prisma

dos ambientalistas. Cilene dá dicas que

ela acredita serem fundamentais para o

mercado de seguros ser mais efetivo: “a

questão não é vender o seguro em si. É,

na verdade, participar, ajudar a promover

ações e soluções de prevenção”, afirma a

especialista. Envolvendo-se com outros

atores importantes como governos, outras

empresas da iniciativa privada, banco

mundial e a ONU, cria-se uma corrente

sólida. “Essa população, antes de mais

nada, tem que ser informada. Saber a

quais tipos de sinistros ela está vulnerável,

em que situações os bens dela serão preservados”,

aconselha. Ela acredita ainda

que as empresas de seguro ainda não

entenderam – “talvez por uma leitura de

não se identificarem como um setor protagonista

na área” – que são extremamente

importantes para ajudar a fazer com que

essas metas sejam atingidas em qualquer

lugar do mundo. Para conseguir isso é

preciso partir de programas, acordos e

projetos que já estão em andamento e que

já contam com resoluções, adicionando

sua expertise.

As diretrizes do clima mundial estão

acessíveis em três documentos principais.

O Marco de Sendai, no Japão; o Acordo

de Paris, que entrou em vigor no começo

de novembro e que será o norte das

decisões, e a Agenda 2030, que traz 17

objetivos do desenvolvimento sustentável.

29


energia

“Eu acredito que as empresas de seguro

precisam ler esses documentos com um

pouco mais de atenção para conseguir

entender melhor o seu próprio papel”,

pontua Cilene. O mercado de seguros terá

protagonismo quando se adaptar. Tanto é

verdade que David Stevens, representante

do escritório da ONU para a Redução de

Riscos de Desastre, é bastante próximo das

seguradoras e entidades do mercado, pois

o braço da organização tem como meta

trazer a conscientização para a população

e sabe que esse é um bom caminho. Um

objetivo afim ao do setor.

A questão é, principalmente, cultural.

A meta é migrar da cultura do desastre

para a cultura da prevenção. De ser

aquele que apenas paga, para se tornar

aquele que evita que tragédias ocorram.

Mariana, Minas Gerais, continua a ser um

bom exemplo. Apesar de não ter sido um

desastre climático, mas tecnológico, se

transformou em uma tragédia ambiental.

“Assim que o desastre aconteceu, todos

falavam em um desastre anunciado, mas

a verdade é que nós não o anunciamos;

os desastres são construídos de maneira

silenciosa todos os dias, ao longo do tempo.

As empresas de seguro, assim como

a imprensa, os formuladores de políticas

públicas e a sociedade de maneira geral

não estão inseridos na cultura de proteção

e não a promovem”, ressalta a doutora.

O Brasil e as energias

renováveis

Os esforços ambientais no Brasil

passam, principalmente, pelo desenvolvimento

de energias renováveis. Embora

tenha sido um destaque importante na

COP 21, em 2015, não atingiu o mesmo

patamar em 2016 e acabou minimizando

os esforços já realizados. Mesmo assim,

há movimentos significativos em busca

de um lugar ao sol mais sustentável. Um

dos caminhos que o mercado de seguros

está ajudando a traçar nesse sentido é o

das energias renováveis, principalmente

solar e eólica, que cresceram 30% nos

últimos dez anos, indo de 2,8% na particpação

da oferta de energia interna em

2004 para 4,1% em 2014. Outras fontes

também fazem parte da matriz do País,

como Petróleo e seus derivados.

Seguindo essa tendência do setor

30

❙❙Tiago Moraes, da Marsh Brasil

elétrico, há aproximadamente cinco anos,

o mercado de seguros amadureceu a oferta

de proteção para esses produtores, o apetite

cresceu e a rentabilidade também aumentou,

conforme conta Tiago Moraes, líder

da prática de Power & Utilities da Marsh

Brasil. “Quando a energia eólica veio

para o Brasil, tínhamos uma condição de

investimento muito favorável. O mercado

de seguros sabia que teria um bom retorno,

a situação financeira era boa e as chances

de sinistros, muito baixas”, explica. Os

fornecedores chegaram e ficaram, e então

veio a estabilização. O preço extremamente

baixo que trouxe players com condições

muito agressivas no mercado não poderia

durar para sempre, então a produção se

estabilizou, deixando no Brasil apenas os

atores resilientes. “O nível de fornecimento

❙❙Leonardo Semenovitch, da Travelers

e os projetos que estão sendo viabilizados

no Brasil, hoje, são muito mais sustentáveis

que os últimos projetos daquele período.

Na época, todo mundo veio com apetite

muito grande, crendo nas energias renováveis

como o melhor negócio do mundo”,

completa Moraes.

Isso não quer dizer que os negócios

mudaram drasticamente. A energia

eólica e a solar ainda são muito mais

baratas e vantajosas, comparadas com

outras fontes. Moraes conta que “o custo

dessas energias ajuda muito o mercado

de seguros. Utilizar um painel solar ou

um parque eólico com risco modular é

muito mais fácil e menos arriscado do

que uma hidrelétrica, que pode romper

uma barragem”, alerta.

As condições macroeconômicas

também não parecem ter desestimulado

o setor, que se mantém perene. “Nós

identificamos na área de energia, principalmente

no setor da matriz de geração

renovável, um importante segmento para

atuação em nossas linhas de negócios

patrimoniais”, conta Leonardo Semenovitch,

diretor-presidente da Travelers

Seguros. A companhia lançou, em 2016,

soluções para essas fontes renováveis

disponíveis para proprietários, investidores,

construtores e concessionários

dos serviços de geração de energia

renovável. “Sem dúvidas, o produto de

destaque que pode contribuir para esse

mercado é o patrimonial – Property e

Casualty, para que os riscos inerentes

à atuação das empresas não resultem

na interrupção de seus negócios”, diz

Semenovitch sobre a experiência. Essa

carteira inclui proteções como cobertura

para equipamentos, operações e a análise

do risco, que é extremamente necessária

para conhecer o perfil exato de contratação.

O executivo ressalta ainda Riscos

de Energia, Responsabilidade Civil e os

Resseguros como carteiras importantes

para o desenvolvimento dessa operação.

O Brasil é um dos países com mais

tecnologia e desenvolvimento em energias

renováveis ao redor do mundo. O relatório

da Agência Ambiental da ONU o coloca na

terceira posição entre os países que mais

investem em energias renováveis. “Quando

o Brasil olhou para as energias solar e

eólica já trouxe tecnologias muito desen-


Hidrelétrica é energia

renovável?

Quando se fala em energias renováveis

e limpas, geralmente as hidrelétricas

ficam de fora. A água é um

bem natural que pode ser reutilizado

na geração de energias, a existência

de hidrelétricas não fazem com que a

água acabe. Por esse ângulo, ela também

não emite poluentes enquanto

gera energia.

Mesmo assim, diversos ambientalistas

descartam essa forma de geração

de energia como uma das alternativas

sustentáveis devido ao grande impacto

ambiental, atingindo flora, fauna, populações

indígenas e ribeirinhas das

regiões onde são construídas.

volvidas. A Dinamarca, uma das pioneiras

no setor, e até hoje referência, fez as primeiras

eólicas e enfrentou os primeiros e

maiores sinistros. Todos os problemas que

existiram na energia eólica aconteceram

enquanto o Brasil estava investindo em

hidrelétrica”, conta o executivo da Marsh.

Segundo ele, esses avanços fizeram com

que todos os players do mercado queiram

hoje ser os maiores da carteira.

Futuro e sustentabilidade

Não há garantias e nem mesmo

indícios fortes de que as energias solar e

eólica tenham potencial de substituição

frente à energia das hidrelétricas. “Não

temos como definir, exatamente, como

será o futuro da geração de energia. Atualmente,

o crescimento da produção de

renovável é expressivo, além de contribuir

para o meio ambiente e para a vida da sociedade.

Dessa maneira, podemos esperar

uma consolidação e crescimento deste

mercado, como uma tendência mundial”,

afirma o presidente da Trevelers.

Tiago Moraes, da Marsh, também

acredita nesse crescimento, ainda que

não o veja suficientemente como fonte de

substituição. “Objetivo é ter mais renovável.

A substituição não é o foco porque esses

são tipos de energia intermitentes, que

não dão estabilidade. Temos a previsão do

tempo, mas, mesmo assim, não há como

garantir que ventará ou fará sol. Mesmo

assim, vejo o setor trabalhando em algo

que, em breve, fará muita diferença que

é o seguro de riscos climáticos”, aponta.

O futuro dependerá da sensibilização

da sociedade e de um despertar mais focado

em conhecimento, tanto ambiental

quanto de seguro. A evolução da cultura

de gerenciamento de riscos ainda é um

processo em desenvolvimento; ao mesmo

tempo, é a chave para a longevidade dos

negócios e também para a melhora das

condições de vida no planeta. As transformações

caminham juntas com o mercado,

e a lição que fica para os seguradores,

resseguradores e corretores de seguros

que lidam com esse tema é a de encontrar

o protagonismo nas pautas de discussões

ambientais por meio da ação, do envolvimento.

É entender e encontrar o seu lugar

de destaque, ajudar efetivamente a mitigar

os riscos, não só remediar os danos.

31


evento | saúde

As escolhas da saúde suplementar

O 2º Fórum de Saúde Suplementar tratou das escolhas

e caminhos para o desenvolvimento deste setor

Amanda Cruz

Chegou o momento do mercado

de saúde fazer suas mais importantes

escolhas. Não apenas

a Saúde Suplementar, tema central

do fórum realizado pela FenaSaúde,

no Rio de Janeiro, mas também a saúde

pública. Chegou a hora das duas aprenderem

a caminhar juntas.

O dinheiro da saúde suplementar,

como costuma enfatizar Solange Beatriz,

presidente da FenaSaúde, não é uma fonte

sem fim e o orçamento tem ficado cada

vez mais apertado para arcar com todas

as coberturas e procedimentos que são

exigidos e dar conta também da inflação

médica e da judicialização, além das

fraudes.

Todas as decisões a serem tomadas

passam por toda a cadeia: consumidores –

que precisam entender seu papel na saúde

suplementar e utilizar seus planos com

consciência - prestadores, operadoras e

32

regulador trabalhando em conjunto para

que a conta feche.

Marcio Coriolano, presidente da

CNseg, lembrou que o aumento da taxa

de desemprego e a queda da renda são

fatores importantes que levaram o mercado

de saúde a se estagnar, como ocorre

também nos casos dos planos odontológicos.

Embora as PMEs ainda mantenham

o posto de queridinhas do mercado, essa

realidade não poderá ser sustentada

apenas por elas. “A inflação médica está

entre 15% e 20%. Essa é uma restrição

de acesso absurda, que faz os números da

saúde suplementar decrescerem”, apontou

o presidente.

Outra autoridade presente no evento,

o diretor-presidente da ANS, José

Carlos Abrahão, mostrou-se empenhado

em fazer da autarquia um órgão não só

fiscalizador, mas participativo, que ajude

o restante do mercado a encontrar soluções.

“O País tem que acabar com essa

falta de credibilidade e crise de futuro”,

afirmou o líder da autarquia ao dizer que

acredita que o setor de saúde é influente

para trazer mudanças internas e externas

a sua atividade.

Enfrentando a economia

Octavio Barros, diretor e economista-chefe

do Banco Bradesco, foi o

responsável pelo painel sobre perspectivas

econômicas e apontou que a crise

que vemos hoje no Brasil não é uma

jabuticaba. “Não há mais locomotivas no

mundo. Estamos vendo uma estagnação

secular global”, pontuou. Além da desigualdade

“brutal” apontada por Barros,

há a questão do envelhecimento, que não

está ligada apenas à previdência, social ou

complementar, mas a uma população que

precisará mais de cuidado médico e pode

não encontrar um mercado privado que

lhe dê melhores condições de tratamento.

E o cenário não anima. O FMI considera

qualquer crescimento de uma economia

em torno de 2,5% uma recessão.

A previsão de crescimento econômico


mundial esse ano é de 2,7%. A eleição de

Trump, nos EUA, deverá trazer um protecionismo

que deverá conspirar contra o

crescimento do país, na visão de Barros.

No Brasil, o país que mais envelhecerá

até 2060, também adota essa postura.

“Entre os 40 países mais ricos do mundo,

o Brasil é o mais protecionista. A abertura

econômica é a salvação brasileira”,

indicou o economista.

Desde 2014, o PIB brasileiro caiu

10,4 pontos percentuais. “Sendo otimistas,

imaginando crescimento de 1% em

2017, voltaremos ao nível de atividade

apenas em 2021”, disse.

Enquanto isso, as previsões do economista

incluem um pico de 13% que só

deverá começar a diminuir no final do

próximo ano, mas não deverá, tão cedo,

atingir patamares mais baixos. Como

exemplo, São Paulo, em menos de dois

anos, demitiu 1,5 milhão de pessoas.

O colapso iminente

Em meio a tudo isso, o mercado de

saúde espera por esse crescimento de PIB

para poder respirar. Marcos Bosi Ferraz,

professor da Unifesp, disse que só o “desenvolvimento

econômico e social leva

à saúde. Um indivíduo mais saudável é,

também, mais produtivo”, afirmou. Portanto,

é um sistema que se retroalimenta

e devem caminhar juntos.

Isso leva a outra escolha, como país:

hoje, 8% do PIB é direcionado à saúde.

A pergunta feita é se esse é um montante

suficiente, se não for, deve avançar sobre

outras fatias da divisão da economia,

como educação, por exemplo?

Para Bosi, países desenvolvidos e

em desenvolvimento precisam exercer

e encarar esses processos de escolha,

tendo como base os valores da sociedade.

“Precisamos entender que o mundo tem

discussões que aqui ainda nem começaram”,

destacou.

Questões sociais, como a eutanásia

também levantam a necessidade de analisar

a discussão entre liberdade individual

e justiça médica. “Não há errado ou certo.

Há aquilo que queremos”, refletiu.

O modelo deve mudar. É necessário

priorizar medidas eficientes com

considerações em longo prazo. Para

isso: investimentos feitos com base em

estratégias de mercado, regulamentação

clara, estimativa de riscos e de incertezas,

“O mercado pede essa mudança. Vamos

decidir o que queremos”, afirmou Bossi.

O RH é parte importante na cadeia

de discussão, já que os planos de saúde

empresariais representam uma fatia

significante dentro dessa crise: esse tipo

de contratação caiu 3,2% nos últimos

❙❙José Carlos Abrahão, Marcio Coriolano, Marcos Bosi e Dony De Nuccio

12 meses. Paulo Sardinha, presidente da

associação de recursos humanos do Rio

de Janeiro, destacou que o RH muitas vezes

é afastado da solução de contratação

do benefício, que é passado direto para

o departamento financeiro. “É preciso

tirar a saúde da área financeira e levá-la

à área da produtividade e competitividade”,

afirmou. O RH se envolve mais na

hora de rever os planos. A saída que tem

sido utilizada é diminuir a qualidade do

contrato, mas Sardinha não acredita nessa

saída de precarização.

Marcio Coriolano, da CNseg, colocou

seu ponto de vista no painel, afirmando

que o sistema de planos de saúde

não conseguem exercer plenamente suas

funções por conta do tamanho das exigência.

“É impossível uma seguradora em um

pequeno município conseguir suportar três

transplantes em um mês. não há recursos

para isso”, elucidou. E completou. “Acredito

que devemos pedir mais regulação.

É hora da ANS entrar em campo para

pactuar novos modelos”. Abrahão, presidente

da reguladora de saúde, concordou

e afirmou que “a principal mensagem a ser

deixada é que precisamos sair do discurso

e partir para a ação. O sistema de saúde

brasileiro é desejo de diversos países. É

preciso melhorá-lo, unir o público e o

privado”, afirmou.

Já Gustavo Gusso, professor da

Universidade de São Paulo, aposta

no modelo que prioriza a utilização

de médicos generaliza, diminuindo

a procura direta da população por

especialistas. “Cuidados especializados

são necessários a uma parte

pequena da população”, explicou.

Para ele, o médico generalista deve

fazer a primeira avaliação e decidir

se o paciente, de fato, precisa se

consultar com um médico com

direcionamento específico. “A

atenção primária não é restringir o

acesso, mas colocar paciente junto

ao médico correto”, disse.

Todas essas ações e propostas

têm uma preocupação em comum,

verbalizada por Sérgio Santos, CEO

da Amil. “Se não houver mudanças

a saúde, todas as empresas vão

quebrar. A saúde suplementar vai

acabar”.

33


tecnologia | insurance meeting

Inovação, disrupção, ação

Enquanto o mercado se adapta às tecnologias

já utilizadas, novas surgem para trazer ainda

mais mudanças. A saída é agir rápido para

acompanhar as inovações

O

que a tecnologia pode

trazer às empresas e o que

é responsabilidade delas

colocarem em prática? As

mudanças aceleradas do cotidiano,

impactadas pelas medidas disruptivas,

muitas provocadas pelas start-ups de

tecnologia, foi o tema do primeiro painel

da edição 2016 do Insurance Service

Meeting, evento promovido pela CNseg,

em Campinas.

O professor da Fundação Instituto

de Administração (FIA), Luis Rasquilha,

falou da mudança de mentalidade que

hoje já faz parte da infância, mas que

ainda precisa chegar com mais força aos

mercados. “54% das crianças inglesas

confiam mais no Google do que nos pais”,

conta Rasquilha. Elas já sabem que a

internet e os gadgets proporcionam um

conhecimento que vai além do que pode

ser guardado na cabeça. “O estranho,

hoje, é quem não está conectado. Há

Amanda Cruz

uma mudança de geração”, disse sobre

o que ele chama de fusão entre pessoas

e máquinas.

Para o mercado

O que você tem que mais ninguém

no mercado tem? A empresa precisa ser

relevante. O professor afirma que os processos

realmente disruptivos não acontecem

dentro das empresas que já existem,

porque elas se sentem confortáveis com o

que já têm e deixam de pensar em novas

soluções. Os novos entrantes é que mudam

o jogo. “Qualquer empresa de táxi

poderia ter feito o Uber. Qualquer hotel

poderia ter criado o Airbnb. Por que não

fizeram? Porque estavam confortáveis”,

provocou.

Para o palestrante, a preocupação não

é o que surge na tecnologia, mas como as

empresas ligam os pontos, se reinventam.

Empresas estão presas a modelos

tradicionais e precisam testar rapidamente

novas tecnologias, antes que fiquem

obsoletas. “Inovação não é tecnologia,

inovação é atitude”, decretou.

Para que essa atitude seja tomada

é preciso maturidade. Embora essa seja

uma afirmativa quase obvia repetida à

exaustão em diversos mercados, o CEO

da Capgemini, Paulo Marcelo, lembrou

que a realidade pode ser muito diferente

do discurso, de acordo com pesquisa feita

pela consultoria: 60% dos executivos

acreditam que o impacto digital mudará

o mercado, mas apenas 30% têm planos

❙❙Luis Rasquilha, professor da FIA

34


para a mudança. Muitas profissões só

existem hoje por causa dessas transformações.

“Poucas empresas conseguirão

ser completamente digitais, mas as

companhias que não dependem de um

produto físico, como as seguradoras, podem

conseguir isso”, afirmou. Portanto,

o caminho para o setor é criar produtos

mais flexíveis e personalizados a seus

clientes. “São as experiências cotidianas

com o seguro que fazem a diferença.

A capacidade de participar do que está

acontecendo por meio de dispositivos e

redes sociais”, reforçou Marcelo.

É a nova geração, não só a Y, que chegou

mudando tudo, mas a Z, que cresce

com ainda mais força disruptiva. Miguel

Buenos, diretor da Serasa Experian,

acredita que o Brasil já está trilhando esse

caminho e usa como exemplo as agências

de viagens. Ele dá ainda outras ideias:

a realidade aumentada, por exemplo, é

uma tecnologia que poderia ser utilizada

para avisos de sinistros ou avaliação de

subscrição. Assim, vêm ganhando espaço

as Insurtechs. Mesmo com o mercado

caminhando, Buenos indagou: “estamos

preparados para todas essas ferramentas,

esses novos consumidores e colaboradores?

Como vender um seguro para um

youtuber?”.

Paulo Marcelo vê ainda outra questão

a ser abordada: a relação com os colaboradores

de tecnologia da informação. “É

preciso mudar a postura dos mercados de

seguros com TI, entendendo que ela faz

parte do negócio, que não deve atuar de

forma isolada”, apontou. Os profissionais

precisam saber como as tecnologias se

aplicam às suas áreas de negócios. Por

isso, Buenos tem uma sugestão: “abra

a mente. Saia do dia a dia. Deixe que o

ócio funcione”.

Mediação

E o corretor de seguros, como fica

nessa onda tecnológica? Para eles, muitas

vezes, essas tecnologias são grandes

ameaças, monstros que crescem e se

alimentam desse medo de mudanças.

Essa ameaça pode se transformar em

uma grande oportunidade se a ação for o

ingrediente principal da atuação. Sem se

reposicionar e acompanhar o mercado, o

corretor não se sustentará. “Os corretores

passarão por momentos duros em suas

carreiras. Os produtos de prateleira serão,

cada vez mais, contratados diretamente”,

avisou Buenos.

Até mesmo as malas de viagem

podem estar com os dias contados: as

impressoras 3D, assim que ficarem mais

acessíveis, permitirão que as pessoas

imprimam suas próprias roupas, minimizando

a quantidade de bagagem que precisam

para suas viagens. Loucura? Isso

já está sendo produzido por Danit Peleg,

estilista em uma universidade de design

de Israel, já imprime essas peças e avisa

que seu intuito é que, em breve, as pessoas

possam desenhar e imprimir suas roupas

sem sair de casa. “Você aperta um botão e

o mundo é seu. Esse comentário, que já é

feito há pelo menos 50 anos, é agora a realidade”,

afirmou Mukul Ahuja, diretor da

Deloitte. Ele salientou que a humanidade

se transformou em uma “vila global, mais

rápida a cada dia” e que o digital foi capaz

de mudar como as pessoas são. Novidades

como os carros sem motoristas impactarão

o cotidiano e o mercado de seguros. Para

o segundo, exigirão experiências just-in-

-time, como a possibilidade de contratar

um seguro episódico, como para um vôo,

já de dentro do aeroporto, para não sofrer

perdas caso ele atrase ou seja cancelado.

A validade do contrato acabaria assim

que o avião pousasse em seu destino. Ou

ainda um aparelho fotográfico que pudesse

ser segurado apenas minutos antes do fotógrafo

sair de casa com o equipamento.

Basicamente, essa flexibilização seria possível

para diversos outros bens. Diferentes

cenários, com diferentes combinações.

Para Ahuja, é crucial o entendimento e a

melhora da experiência do cliente, a sua

jornada junto à companhia. No Reino

Unido, os brokers já avaliam hábitos e

elementos deixados pelos clientes nas

redes, as pegadas digitais, para formular

produtos e moldar seus alvos.

Um olhar para todos os players do

mercado, esses produtos on demand e

just in time já existe, feito na hora, por um

período menor, apontou Roberto Ciccone,

sócio responsável pelo setor de seguros

na Everis na região Américas, avisando:

“não se pode deixar a tecnologia chegar

para começar a se preparar”.

Se tudo isso assusta, Andreia Eic-

❙❙Mukul Ahuja, da Deloitte

chorn, executiva global da IBM, deu mais

alguns exemplos: ela acredita que os consumidores

hoje se sentem mais à vontade

em ambientes digitais, sentindo-se livres

para tirar dúvidas que não teria com outra

pessoa. Ela apresentou uma solução

cognitiva já existente: Watson é utilizado

para o atendimento ao cliente e, segundo

Andreia, sabe identificar se a pessoa na

outra linha está feliz, zangada, insatisfeita

etc. “O Watson pode dizer qual é o seu

humor, destacar pontos da conversa e

possibilitar que os agentes façam melhores

escolhas”, afirmou. Além disso,

os sistemas cognitivos são capazes de

ajudar médicos a concluírem seus diagnósticos.

As máquinas estão sendo trabalhadas

não apenas para operar algumas

situações, mas também para aprender e

melhorar o que já existe, a comunicação,

compatibilidades e possibilidades das

informações que recolhem. Capacidade

não só de armazenar informações, mas

de aglutiná-las de maneira mais efetiva.

Mas os sistemas só não bastam. Há três

passos muito importantes: pensar grande,

começar pequeno e se expandir rápido.

Os sinais estão aí. Muitos avanços

foram feitos e a experiência tecnológica

no mercado segurador é hoje apenas a 14ª

melhor. Como mudar isso? Lembrando,

como Andreia, de que por mais que as

soluções cognitivas sejam eficientes elas

não substituem aqueles que têm que tomar

as decisões. “Eu não acredito que as

máquinas se voltarão contra as pessoas”,

brincou Andreia.

35


tecnologia | indra

O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

COMO ACELERADOR DA TRANSFORMAÇÃO

DIGITAL DO SETOR DE SEGUROS

O

setor de seguros, que tradicionalmente

demora mais

que outras indústrias na

adoção de novas tecnologias,

entrou definitivamente em uma fase de

transformação. A tecnologia, que era uma

peça a mais na estratégia competitiva das

empresas, tornou-se central para a estratégia

do negócio e para atingir o crescimento

com eficiência e criação de valor.

A amplitude da transformação digital no

setor compreende todas as fases da cadeia

de valor, da subscrição do risco ao sinistro.

A mudança no comportamento do

cliente e a digitalização estão fazendo

com que as seguradoras, assim como

outras indústrias, mudem seus modelos

operacionais e de negócio. O grande desafio

das seguradoras é o de criar um novo

modelo de relacionamento digital com seu

cliente, migrando de uma mentalidade

atual, que é meramente transacional, para

uma mentalidade relacional que gere uma

maior recorrência e proporciona margens

maiores no longo prazo.

Uma nova geração de consumidores

completamente conectada e que privilegia

a experiência na compra e no consumo de

serviços desafia as seguradoras a explorar

novas formas de ofertar seus produtos. Os

canais tradicionais não deixarão de existir

tão cedo, mas as novas maneiras de acessar

os clientes crescem de forma rápida.

Os produtos terão que ganhar transparência

e ajustar-se a um novo estilo de

vida dos seus consumidores. Seguros por

horas, por novos gadgets tecnológicos,

inseridos no contexto das experiências dos

clientes e com a exigência do imediatismo

que caracteriza a nova geração de consumidores

não podem virar realidade sem

uma estratégia tecnológica bem definida.

As novas tecnologias abrem novas

fronteiras em algumas áreas:

• l A inteligência artificial permite

a interação mediante linguagem natural

através de voz ou de texto (bots) permitindo

um bom nível de autosserviço para os

36

Juliano Fiorussi Davoli

produtos de seguros mais simples;

• l As tecnologias sociais permitem

analisar o comportamento do consumidor

por meio de monitoramento de open source

(redes sociais, fóruns, etc.) para obter

uma maior personalização da proposta

de valor;

• l A gamificação como meio para

favorecer a adoção de comportamentos

que reduzam a exposição ao risco ou para

incentivar a produtividade dos funcionários

internos;

• l A realidade virtual como ferramenta

para tratamentos de longo prazo

ou doenças crônicas;

• l As tecnologias de gestão de identidade

digital do cliente, como uma forma

de oferecer serviços adicionais, como a

possibilidade de se tornar uma porta de

identidade para dar acesso ao cliente para

o mundo digital;

De forma similar, a tecnologia está

a serviço da eficiência na gestão dos

sinistros:

• l Avaliação e reparo. As novas

tecnologias permitem fazer avaliações

a partir de centros especializados e sem

movimentação física, com o qual é feita

uma economia de até 50% do custo habitual

nos casos em que a avaliação é viável.

A gravação na origem dos danos também

permite um controle do processo de reparos,

com economia de até 25%.

O uso de drones para avaliar os danos

causados por catástrofes naturais permite

uma economia de até 30% da avaliação

tradicional. Também começam a ser

usados nos EUA para calcular melhor

os prêmios residenciais com base em

algumas variáveis como os materiais de

construção utilizados, a orientação, etc.

Além destes benefícios em custo, o

processo é agilizado com o aumento de

satisfação pelo cliente.

Neste contexto, a Indra, uma das principais

companhia globais de consultoria e

tecnologia, está oferecendo uma solução

de Vistoria Digital para ajudar as seguradoras

na melhoria da experiência dos seus

clientes. “É um aplicativo para dispositivos

móveis (iOS ou Android) que entre outras

características, faz uma chamada de vídeo

entre o segurado e um Contact Center,

que pode ser composto por peritos ou

analistas de sinistros” explica Luciano

Guidetti, gerente responsável pela solução

no Brasil. A solução se aplica para seguros

de propriedade, como auto, residencial,

comercial, náutico, aeronáutico e outros.

“A solução foi concebida para beneficiar

todos os atores envolvidos nestes processos”,

explica Guidetti.

A experiência do segurado é o foco

da solução. Seja para um autosserviço do

segurado ou utilizado por um prestador

a serviço da seguradora, a utilização da

solução de vistoria digital pode acelerar

os processos de emissão e sinistros.

Para as seguradoras, a vistoria digital

é uma oportunidade de estreitar o relacionamento

com seus clientes, oferecendo a

possibilidade de uma participação ativa

dos clientes nos processos. Além disso,

a gravação do vídeo em tempo real, com

geolocalização, ajuda na prevenção a

fraudes.

“A Indra está preparada para ajudar as

seguradoras nessa nova jornada tecnológica”

comenta Juliano Fiorussi Davoli, responsável

pela área de seguros da empresa.

“Temos pessoas qualificadas e uma ampla

oferta de soluções que nos posicionam de

forma diferenciada no mercado”.


37


evento | cist

Fotos: Valdir Lopes

Transportes em pauta

Especialistas nacionais

e internacionais se

reuniram em São

Paulo para debater os

desafios e as melhores

práticas do setor

Responsável por mais de 60% do

volume de mercadorias movimentadas

no Brasil, o transporte

rodoviário de cargas esbarra

em inúmeros gargalos. Além dos desafios

já conhecidos, como o roubo de carga, a

malha rodoviária insuficiente para atender

às necessidades logísticas do País, o

setor e sua indústria seguradora sentem

os impactados das incertezas impostas

pela retração da economia.

Em busca de respostas para esses

entraves, especialistas nacionais e internacionais

se reuniram no 4º Simpósio Exposcist,

organizado pelo Clube Internacional

de Seguros de Transportes (CIST),

38

Lívia Sousa

em São Paulo. “É uma grande oportunidade

para a expansão do conhecimento.

Levantamos tudo com muito empenho

para debatermos sobre os rumos e o futuro

do seguro de transporte de cargas e

para disseminarmos as melhores práticas

e nos tornarmos profissionais melhores”,

destacou o presidente da entidade, José

Geraldo da Silva, no discurso de abertura.

Secretário geral da Asociacion Latinoamericana

de Suscriptores Maritimos

(Alsum), Leonardo Umana reforçou a

parceria com o Clube, iniciada há dois

anos. A aliança deve ganhar ainda mais

força com a chegada de uma opção virtual

de capacitação na área. “Trata-se

de um curso online que funciona com

sucesso em espanhol e que foi estruturado

por profissionais ingleses, americanos e

latino-americanos”, explicou.

A ideia é que a versão em português

seja adaptada às necessidades do mercado

local com a colaboração do CIST, que já

analisa os 42 módulos do curso e estuda

como enquadrar o conteúdo, originalmente

em espanhol, à legislação e ao

clausulado brasileiro. Silva assegurou que

a novidade vai agregar valor para as seguradoras

de transporte de carga nacional,

mas disse ainda não ser possível apontar

quando o material online será disponibilizado

aos profissionais brasileiros.

“É preciso analisar números, a relação

custo-benefício. Ajustar o conteúdo às

leis locais é um processo demorado e

custoso. Dependendo do investimento

necessário, podemos desenvolver e estruturar

o curso aqui e colocar a bandeira da

Alsum”, afirmou.

Também marcaram presença no

evento o presidente da Associação Paulista

dos Técnicos de Seguro, Osmar

Bertacini; e o presidente da Asociación

Internacional de Investigadores del Roubo

de Autos (IAATI LatinoAmérica),

Daniel Beck.

Acidentes rodoviários de

cargas

Quase todos os acidentes rodoviários

envolvem um motorista profissional.

Entre as causas estão as condições da

estrada, do trânsito e do meio ambiente,

mas principalmente a falha do próprio

motorista, incluindo a imprudência, a

velocidade incompatível com a via e a


❙❙José Geraldo da Silva, do Cist

fadiga ao volante. Segundo os médicos

de tráfego, aproximadamente 90% dos

acidentes deriva do fator humano.

Esses acontecimentos impressionam

não só em sua forma física, mas também

quando são apresentados em estatísticas.

Dados divulgados pelo Departamento de

Informática do Sistema Único de Saúde

(Datasus) em 2014 mostravam que o número

de acidentados graves no trânsito

ultrapassava os 200 mil anualmente.

Apenas em rodovias federais, os gastos

associados às vítimas chegavam a R$

8 bilhões. Outros R$ 5 bilhões eram

destinados aos veículos, considerando a

perda de carga.

“O consumo de energia do motorista

influencia nas causas dos acidentes. O ato

de segurar o volante por muitas horas

pode levar ao cansaço e à fadiga. Já as

dores no pescoço e nas costas decorrem

da musculatura contraída por tempo

prolongado”, explicou Henrique Naoki

Shimabukuro, médico especialista em

medicina de tráfego e ex-diretor da Associação

Brasileira de Medicina de Tráfego

(Abramet). A jornada de trabalho também

é determinante. “A grande maioria dos

motoristas trabalha de 10 a 16 horas por

dia”, acrescentou.

Contudo, os profissionais cometem

outros equívocos. Os erros alimentares,

por exemplo, estão presentes na rotina

de 98% desses motoristas, seguidos do

sedentarismo (96%). Os dois hábitos levam

ao mal súbito, ao infarto e à apneia

do sono, que provoca sonolência diurna

excessiva, falta de atenção, dificuldade

de concentração e alterações de humor.

Somente no ano passado, a Polícia Rodoviária

Federal (PRF) registrou 4.056

acidentes de trânsito nas estradas brasileiras,

dos quais a suposta causa foi dormir

ao volante. Destes, 328 tiveram vítimas

fatais e 835 resultaram em feridos graves.

Na lista de hábitos equivocados estão

ainda o álcool (58%), as drogas (16%), o

tabagismo (38%) e o uso do rebite (32%),

droga sintética que atua no sistema nervoso

central e estimula o motorista a

acelerar seu ritmo de trabalho.

Salvar vidas dá lucro

“Não fizemos nada que o mercado

não conheça, só aplicamos disciplina”.

Este é o “segredo” de Ramon Alcaraz,

fundador e presidente da Fadel Transportes

e Logística. Concentrada na região

Sudeste, a empresa realiza mais de 1500

entregas por dia e era surpreendida pelo

tombamento de um caminhão a cada

mês. Em um sistema que considerava a

experiência profissional do motorista e

supostamente controlava a velocidade

do veículo, encontrar o erro era o desafio.

As mudanças ocorreram em 2014,

quando o controle dos veículos passou

a considerar três variáveis: frenagem

brusca, excesso de velocidade e a chamada

força G (que identifica se o condutor

realizou uma força maior com a tendência

de tombamento do caminhão). Rotas

mapeadas com paradas programadas em

locais cadastrados, controle de jornada

online, veículos equipados com airbag

e sistema de travamento do motorista

reserva em caso de cabine leito também

foram adotados.

“Investimos R$ 300 mil por ano.

Para uma empresa média como a nossa,

que conta com três mil funcionários, é

um custo baixo perto dos ganhos que

tivemos”, declarou Alcaraz, lembrando

que o uso da tecnologia sem uma boa

gestão não é capaz de solucionar os problemas

de qualquer empresa. “Mudanças

organizacionais são importantes não só

no discurso”.

Medidas simples foram grandes

aliadas. Após constatar que os motoristas

envolvidos em acidentes tinham características

semelhantes, a companhia passou

❙❙Ramon Alcaraz, da Fadel

a reuni-los para chegar ao perfil de profissional

ideal. Hoje, contrata condutores

que mais se aproximam deste grupo. Tão

importante quanto foi o investimento em

um rotograma para definir a velocidade

permitida por trechos da rodovia. A

cada excesso cometido em uma das três

variáveis, o condutor recebe pontos em

seu prontuário eletrônico. Alguns deles

são admissíveis e exigem que o motorista

passe por um sistema de reciclagem de

treinamento, mas em caso de excessos

graves o sistema gera “bolas pretas”.

Apenas uma bola preta é necessária

para justa causa. “Este nunca é o ponto

em que queremos chegar. Se enquanto o

profissional passar seu crachá o sistema

identificar que ele é um motorista ‘bola

preta’, ele nem consegue ligar o caminhão”,

explicou.

Os ganhos são claros. Enquanto em

setembro de 2015 a companhia registrou

100 mil picos de velocidade, menos de

um ano depois o número caiu para 328.

As ocorrências envolvendo acidentes

de trabalho, com ou sem afastamento

do motorista, também reduziram: de 15

ocorrências em 2015 para uma expectativa

de 11 até o final deste ano. Hoje, a Fadel

sente o aumento de produtividade após o

controle efetivo de velocidade e tempo de

parada do motorista e tem menos de um

tombamento de caminhão por semestre.

“Um investimento de R$ 300 mil nos deu

um ganho, só de acidentes de tombamento

e conserto de caminhão, de R$ 1,7 milhão

por ano”, finalizou Alcaraz.

39


eventos

Mercado se despede de 2016

Entidades e empresas comemoram o final de 2016 com a certeza

de que o próximo ano será melhor

Aconseg-SP comemora 13 anos

A Associação das Consultorias

de Seguros de São

Paulo celebrou os 13 anos da

entidade com a presença de

seguradores, associados e

representantes do setor.

Durante o encontro, o

presidente da entidade, Marcos

Colantonio, destacou as

principais conquistas em

2016, como a formulação do

Relatório sobre as assessorias

de seguro de São Paulo. Na

foto, estão os representantes

das Assessorias associadas à

Aconseg-SP.

Troféu

Alvorada

O Sindicato dos Corretores de

Seguros do Distrito Federal mais

uma vez organizou a confraternização

de seus associados, com

a participação de mais de 500

pessoas. Na ocasião aconteceu

a entrega do Troféu Alvorada,

que contemplou seguradores e

corretoras de seguros escolhidos

em pesquisa realizada pelo

Sincor. Também aconteceram as

homenagens especiais, como a

recebida pela editora da Revista

Apólice, Kelly Lubiato, em nome

de sua equipe, das mãos de Dorival

Alves de Sousa.

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CVG-SP encerra

atividades com eleição

de novo presidente

A festa do Clube Vida em Grupo de São Paulo foi diferente, no

Burlesque Paris 6, com direito a show e música vibrantes. Ela marcou

a despedida pública de Dilmo Bantim Moreira, atual presidente da

entidade que, junto à sua diretoria, comemorou as conquistas no

35 0 aniversário do CVG-SP.

Resseguradora festeja

primeiro ano oficial no

Brasil

A RGA marcou com uma festa em casa de shows

em São Paulo seu primeiro ano de atuação no Brasil.

Estiveram presentes alguns clientes e amigos num

ambiente informal, embalados por rocks clássicos da

banda Lady & The Tramps. Na foto, Ronald Poon Affat,

presidente da companhia, posa junto à banda.

Festa dos 80 anos da Gebram Corretora

A Gebram Corretora de Seguros

comemorou 80 anos de atuação

no dia 1º de dezembro. A empresa

foi fundada em 1936 por Salim

M. Gebram, pioneiro no ramo da

corretagem de seguros, em Jundiaí

e região. A corretora, que nasceu

comercializando produtos de seguro

de acidentes do trabalho, logo

conquistou posição de destaque que

mantém até hoje.

Quis o destino que, em 1964,

com apenas 47 anos de idade, num

enfarte fulminante, Gebram viesse a

falecer. A esposa, Sebastiana Gebram, assumiu a empresa e a

educação dos três filhos adolescentes. Hoje, aos 96 anos, ela

participou da festa e ainda atua esporadicamente na corretora,

a qual teve a paciência e competência de administrar, até

que seus filhos pudessem dar continuidade nos negócios. É

possível que ela seja a corretora mulher mais antiga do Brasil.

O restante da história já é mais conhecido por todos: os filhos

continuaram “tocando” a corretora com os mesmos valores,

dedicação e competência, consolidando resultados e sucesso,

recebendo reforços de colaboradores do mercado, e já,

contando com a 3ª geração atuando na administração da

corretora há mais de 12 anos.

A Gebram possui uma equipe de 180 colaboradores,

mais de 48 mil clientes e 8 filiais: 2 em bairros de Jundiaí, e

demais nas cidades da região: Itatiba, Campo Limpo Paulista,

Cajamar, Várzea Paulista, Itupeva e Morungaba.

41


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

A vírgula... ah! a vírgula!

A vírgula, como de resto toda a pontuação, centra-se

nos domínios da estilística, ou seja, depende do modo de

redação de cada pessoa. Há quem goste de usar muitas

vezes a vírgula em seus textos e há quem a use o mínimo

possível: é o estilo. Entretanto, há um limite gramatical

para esse uso. E é sobre o que a gramática exige que

trataremos aqui. A vírgula é um “meio-ponto”, isto é,

indica uma pausa de curta duração, que não marca o fim

do enunciado, como o faz o ponto final. É empregada tanto

para separar os termos de uma oração (vírgula no interior

da oração), como para separar as orações de um período

(vírgula entre orações).

Para falar do primeiro caso, importa lembrar que

temos, em português, duas formas de construção da

frase: a ordem direta e a ordem indireta. Na ordem

direta — ou lógica — os termos obedecerão à seguinte

sequência: sujeito + verbo + complemento do verbo +

adjuntos. Exemplo:

sujeito verbo complemento (objeto direto) adj. adverbial

Os peritos analisaram os documentos do processo com rigor.

Ao ocorrer qualquer alteração na sequência lógica

dos termos, teremos a ordem indireta, que exigirá – obrigatoriamente

– o uso da vírgula:

Com rigor, os peritos analisaram os documentos do

processo.

Quando a oração se dispõe em ordem direta, não se

separam por vírgulas seus termos imediatos. Assim,

não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado, entre

o verbo e seu complemento, e entre o nome e seu complemento

ou adjunto.

O segundo caso, da vírgula separando orações é de

mais fácil compreensão. Exemplos:

• l O homem que lê, vale mais.

• l Quando o candidato chegou, todos saíram da sala.

• l Jonas dormia, quando começou a tempestade.

• l Os alunos prometeram, porém não trouxeram a

redação.

• l Penso, logo existo.

Outro ponto controverso sobre a vírgula é seu uso

antes de etc. Há correntes favoráveis e contrárias à sua

colocação. Pessoalmente entendo que não cabe seu uso.

Isso porque etc. é abreviação da expressão latina et cetera

(ou et coetera), que significa “e o resto”. Logo, se está presente

a conjunção e, não vejo necessidade de aplicação da

vírgula. Fora de discussão, porém, é que não cabe o uso

de e antes de etc. (...e etc.). Há que se considerar que etc.

é uma abreviatura. Por isso requer um ponto. Se estiver

encerrando a frase, o próprio ponto que indica abreviatura

servirá de ponto final, não sendo necessário outro.

Ainda sobre vírgula, é um primor o que a ABL – Academia

Brasileira de Letras publicou a seu respeito ocasião

de seu centésimo aniversário. Mais ou menos assim:

A vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.

Não espere.

Pode sumir com o dinheiro.

23, 4.

2,34.

Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve.

Isso, só ele resolve.

Pode ser solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.

Pode mudar a opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.

Pode condenar ou salvar.

Não tenha clemência.

Não, tenha clemência.

Pode, ainda, tornar a frase abaixo favorável à

mulher ou ao homem:

Se o homem soubesse o valor que tem a mulher,

andaria de quatro à sua procura.

Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher

andaria de quatro à sua procura.

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

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