Revista Apólice #220

revistaapolice

Ano 22

Número 220

Abril 2017


editorial

Ano 22 - nº 220

Abril 2017

Esta revista é uma

publicação independente

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Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Que venham

novos riscos

A tecnologia, as novas formas de comunicação, a locomoção,

a economia compartilhada jogaram luz sobre uma nova onda de

riscos. O seguro de automóvel, que tanto sofreu no último ano,

não voltará aos patamares de anos anteriores. A frota segurada

está envelhecendo e o carro deixou de ser objeto de desejo da

nova geração de consumidores.

O que vem pela frente? O seguro para veículos autoguiados

já existe fora do país. Por aqui, algumas montadoras já começam

os testes com os modelos novos. Mas a mobilidade urbana insere

em nosso cotidiano outros desafios.

No outro extremo do carro sem motoristas estão as bicicletas,

que voltaram à cena, seja por questões de saúde, ideológicas

ou econômicas. O aumento de circulação das ‘magrelas’ trouxe

consigo uma onde de violência, que aumentou o risco de roubo

e furto destes objetos. De olho neste nicho, algumas seguradoras

passaram a oferecer coberturas para estes veículos, mas os consumidores

ainda não demonstram total satisfação com o produto,

principalmente pelo custo.

A necessidade de ter tudo à mão levou as companhias a

desenvolverem formas de estarem mais presentes na vida do

consumidor. Seja através de aplicativos próprios ou em parcerias

com outras empresas, as seguradoras procuram maneiras de estimular

o consumidor a conhecer e comprar mais produtos. Ainda é

incipiente, mas é um caminho viável e que será muito utilizado no

futuro.

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Boa leitura!

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Revista Apólice

Diretora de Redação

ERRATA Na edição número 218, página 11, matéria da Addvalora informa

que a empresa não terceiriza seus trabalhos. O correto é que a empresa não

“quarteiriza” seus trabalhos.

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

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sumário

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painel

gente

rede lojacorr

Diogo Arndt da Silva assume a presidência da Rede Lojacorr com

o objetivo de abrir as fronteiras do Brasil para um novo modelo de

gestão empresarial

bike

Uso das bicicletas como meio de transporte duplica em dez anos.

Presença cada vez mais constante nas ruas aquece esse nicho do

mercado de seguros

aplicativos

Mercado age com cautela no desenvolvimento de proteções específicas

para serviço de transporte via app, mas isso não significa

desamparo. Há coberturas aptas a proteger motoristas e passageiros

inteligência artificial

Os carros sem motorista já estão em teste em alguns lugares do

mundo e devem fazer com que o mercado de seguros repense

diversas questões

rc ônibus

Com a liquidação extrajudicial da principal seguradora do setor,

corretores e seguradoras se preparam para receber novas demandas

vendas

A mobilidade física e digital estão intimamente ligadas. Por isso, os

apps do mercado de seguros ajudam os segurados no cotidiano e

seguradores e corretores, nos negócios

débito automático

Débito automático é suspenso pelos bancos mesmo com o sinal

verde do cliente que contrata ou renova um seguro. Entrave pode

trazer sérios problemas aos corretores, segurados e seguradoras

resseguro

6º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro mostra que muita coisa

mudou neste período, desde a reserva de mercado até a inovação

em produtos

eventos

congresso

9º Congresso Estadual de Corretores de Seguros de Minas Gerais

reflete a nova realidade do corretor de seguros, que precisa buscar

novas oportunidades em outras carteiras além do automóvel

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painel

• nacordo

Recadastramento de corretores

O superintendente da Superintendência de Seguros Privados

(Susep), Joaquim Mendanha de Ataídes, e o presidente do Instituto

Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguro

(Ibracor), Gumercindo Rocha Filho, assinaram o Acordo de Cooperação

Técnica-Operacional para a implementação, em parceria, dos

planos de trabalho para o recadastramento de corretores de seguros e

a distribuição de identidades profissionais.

Para pessoas físicas, o recadastramento terá início no dia 2 de

maio deste ano, encerrando-se em 31 de agosto.

Para pessoas jurídicas, o recadastramento será no período de 1º de

novembro de 2017 a 31 de abril de 2018. No caso de pessoas jurídicas,

o recadastramento

somente se efetivará

com o corretor de

seguros responsável,

que estiver devidamente

recadastrado.

As circulares

da Susep dispondo

sobre o recadastramento

e a distribuição

de identidades

profissionais serão

editadas em breve.

• nproduto

Residências para locação

A Tokio Marine passa a incluir na cobertura do

Seguro Residencial Premiado imóveis disponíveis

em plataformas de locação e aplicativos, como

Airbnb, HomeAway e HouseTrip.

“Garantir a proteção do imóvel, principalmente

enquanto estiver locado, é o papel que

a companhia desempenha para que o cliente

possa ter um negócio rentável, sem se preocupar

com a segurança dos bens”, explica o diretor de

Precificação e RD Massificados, Arnaldo Bechara.

O cliente conta com atendimento para os

serviços de assistência 24 horas, consultoria exclusiva

de sustentabilidade, serviço de descarte

de móveis e equipamentos eletrônicos, help desk

ilimitado para computadores e inspeção domiciliar,

com limpeza de ar-condicionado, instalação

de telas de segurança

para apartamentos,

instalação

de suporte de

TV, caçamba para

descarte de entulhos

e limpezas

de até três caixas

d’água.

• nsaúde

Fraudes e desperdício consomem verba

Um trabalho produzido pelo Instituto de

Estudos de Saúde Suplementar (IESS) estima

que cerca de R$ 22,5 bilhões dos gastos

das operadoras de planos de saúde do País

com contas hospitalares e exames, em 2015,

foram gerados indevidamente, decorrendo

de fraudes e desperdícios com procedimentos

desnecessários. Isso representa 19% do

total das despesas assistenciais realizadas

pelas operadoras de planos de saúde.

No estudo “Evidências de práticas

fraudulentas em sistemas de saúde internacionais

e no Brasil”, o IESS identificou que

de 12% a 18% das contas hospitalares apresentam

itens indevidos e de 25% a 40% dos

exames laboratoriais não são necessários.

Observa, ainda, com base em relatório da

Controladoria Geral da União (CGU), que o

problema também é de grandes proporções

no sistema público de saúde: entre 2002 e

2015, foram detectadas irregularidades de

desvio de dinheiro em aproximadamente

R$ 5,04 bilhões, o que equivaleu a 27,3%

do total de irregularidades em todas as

áreas do governo.

Embora ressalve que a corrupção e

a fraude são difíceis de serem detectadas

na área da saúde, uma vez que a cadeia

produtiva desse setor contempla diversos

segmentos e particularidades em cada um

deles, inclusive com distinção entre os sistemas

públicos e privados. O estudo aponta

que, na saúde privada, as principais formas

de abuso se concentram em tratamentos

excessivos e desnecessários ou baixa qualidade

no atendimento; comercialização inadequada

de medicamentos e de dispositivos

médicos e sonegação de tributos.

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• nmundo

Recorde no faturamento global

O faturamento total de seguros no

mundo atingiu um novo recorde: 3,6

trilhões de euros em 2016 (US$ 3,8

trilhões). É isso o que revela estudo da

Allianz, com dados iniciais divulgados

no dia 13 de março, sem incluir seguro

de saúde. Em uma comparação anual,

o aumento nominal – após ajustes para

refletir os efeitos de conversão de moeda

estrangeira – é estimado em 4,4%.

Embora o ritmo de crescimento tenha

diminuído ligeiramente nos dois anos

anteriores – quando estava acima da

marca de 5%, está em linha com a média

de longo prazo e a taxa de crescimento

econômico global, comenta o grupo no

comunicado divulgado.

Dos 150 bilhões de euros em prêmios

adicionais, cerca de 70 bilhões de euros são

atribuíveis a um único mercado: a China.

Isto significa que o Reino Médio é responsável

por cerca de metade do crescimento

do ano passado; sem a China, o mundo dos

seguros teria conseguido um crescimento

de apenas 2,7%.

O Brasil é o 15º maior mercado de

seguros do mundo no ranking do estudo

da Allianz, com 47 bilhões de euros em

2016. O ranking é liderado pelos Estados

Unidos, com 1,125 trilhão de euros em

prêmios, pelo Japão, com 399 bilhões de

euros, e pela China, com 365 bilhões de

euros. Em participação do setor no PIB, o

Brasil despenca no ranking, com apenas

2,9%. China também exibe ainda um

tímido percentual: 3,6%. Uma referência

para os estudiosos é a penetração dos

Estados Unidos: 6,7%.

O consumo per capita de seguros tem

liderança japonesa. Na sequência, Hong

Kong exibe 6,4 mil euros por habitante;

Suíça, com 5,2 mil; Dinamarca, 4,4 mil.

O Brasil contabiliza apenas 230 euros de

consumo de seguro por habitante, o que

revela, segundo os mais otimistas executivos

do setor, o tamanho do potencial

que a indústria ainda tem para explorar.

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painel

• ntransporte

Novo produto no mercado

A Chubb lançou o seguro avulso para transporte

internacional de carga, cujo objetivo é atender pequenas

e médias empresas que buscam esse tipo de cobertura

em função de necessidades pontuais. O produto pode

ser cotado e emitido, via internet, por meio do Portal do

Corretor – ferramenta que a companhia mantém em constante

evolução.

“Tanto a cotação

quanto a emissão

do seguro podem

ser feitos em

poucos minutos,

liberando o embarque.

Essa agilidade

tem importância crítica porque o seguro costuma ser o

último assunto que o cliente considera quando realiza

um embarque casual”, diz Omar Mendoza, diretor de

Marine da companhia. Conforme o executivo, o Portal

do Corretor pode ser acessado em qualquer horário e a

partir de qualquer local com acesso à internet.

O novo produto poderá solucionar casos como o do

embarcador que transporta de modo esporádico e que,

por isso, não necessita contratar uma apólice anual. “Esse

segurado agora também pode contar com o acompanhamento

de uma companhia de seguros especializada em

Transportes para atender suas necessidades em qualquer

lugar do mundo e que tem o apoio de uma rede global de

unidades que abrange 54 países”, afirma Mendoza.

• nstartup

Aceleradora abre processo

seletivo

A Oxigênio Aceleradora abre as inscrições para o

processo que irá selecionar de cinco a sete startups para

participar do 4º Ciclo de Aceleração.

Empreendedores interessados em participar têm até

o dia 7 de maio para inscrever startups que possuam

sinergia com um dos mercados nos quais a Porto Seguro

atua e que já tenham produto constituído ou protótipo em

estágio intermediário de desenvolvimento.

Cada uma das empresas selecionadas receberá um

investimento de US$ 50 mil em dinheiro, além de US$

100 mil aplicados em investimentos indiretos na forma

de benefícios e recursos.

O 4º ciclo de aceleração da Oxigênio terá início em

14 de agosto de 2017, na sede da empresa, em São Paulo,

com duração de três meses. As inscrições dos projetos

podem ser feitas pelo website da Oxigênio.

Não diga não para o

seu cliente

Seguradora Suhai oferece produto alternativo

para carros e motos, buscando atrair uma nova

parcela de consumidores ao mercado

Se, historicamente, a frota segurada não consegue ultrapassar

a marca de 30%, com a crise na indústria automobilística em

2016 associada aos novos hábitos de consumo, é possível que

este número fique ainda menor.

Os corretores de seguros encontram diversas barreiras no

momento de colocar o risco dos veículos com mais de seis anos

de uso nos produtos tradicionais (seguro compreensivo). A alternativa

encontrada por mais de 20 mil corretores, nos últimos

anos, foi oferecer um produto que cobrisse exclusivamente o

casco do veículo, com proteção de roubo e furto.

De acordo com Robson Tricarico, diretor comercial da Suhai

Seguradora, um seguro deste tipo pode custar até 80% mais

barato em relação a um produto tradicional. “Conseguimos fazer

isso por conta de nossa expertise

na recuperação de veículos sinistrados”,

explica. O bom desempenho

da seguradora baseia-se no fato

dela conseguir, além de precificar

com excelência, ter inteligência

estratégica para entender como o

mercado de quadrilhas organizadas

se orienta, movimenta e atua em

cada região do país.

“Estas duas macro variáveis

(precificação + expertise) permitem

que a Suhai consiga ter no seu

produto exclusivo de Furto e Roubo uma opção econômica, barata,

acessível para qualquer moto e carro, dando a oportunidade

de mais pessoas adquirirem o seguro no Brasil”, destaca Tricarico.

A seguradora obteve 70% de crescimento em 2016 e projeta

mais 50% para este ano. A receita, segundo Tricarico, foi buscar

o público que, de certa forma, estava alijado do mercado por

conta dos valores dos prêmios do seguro de automóvel tradicional.

“A frota está envelhecendo rapidamente e as seguradoras

tradicionais não têm interesse neste tipo de segmento, pelo alto

risco da operação ”.

Um produto mais simples pode significar para o corretor de

seguros a garantia de novos negócios e a manutenção de antigos

clientes. “Em primeiro lugar, a seguradora aceita qualquer tipo

de carro e moto, o que é fundamental para o corretor que não

consegue colocar alguns riscos, tais como tunados, blindados,

importados e perfis jovens. O corretor não fala “não” para o

seu cliente”, anima-se Tricarico. Além disso, não há preço fixo:

o corretor é quem estabelece o percentual da sua comissão e,

por último, o seguro Suhai não faz a associação de contrato de

rastreamento, taxas de instalação de rastreador, multas rescisórias

ou qualquer outra taxa.

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GENTE

Troca de gerações

A Academia Nacional de Seguros e Previdência

(ANSP) sempre esteve marcada pela administração

de executivos da geração baby-boomers. Agora,

João Marcelo dos Santos, que já estava à frente do

Conselho de Cátedras, assume a presidência da entidade.

Mauro Cesar

Batista fica no

Conselho Superior

da Academia.

“Uma sociedade

saudável possui

instituições sólidas.

A neutralidade da

Academia é interessante

para fomentar

as críticas e discussões,

com o objetivo

de amadurecer

as ideias”, explica

Santos. É nesta entidade

que se firmam os conceitos importantes sobre

o mercado segurador.

O foco da próxima gestão será a comunicação

interna e externa, com células produtoras de ideias.

“O desafio é ser tão bom quanto possível, gerenciando

a diversidade para extrair o melhor dela”, planeja o

novo presidente. Para tanto, ele elabora três passos

importantes: atender mais e melhor os acadêmicos

para propiciar a divulgação de seus pensamentos e

o aproveitamento de seus conhecimentos; reforçar o

papel institucional da Academia; e dar visibilidade

internacional à entidade.

Novidades na área de

Energy

A Austral Re anunciou

Elias Silva Junior

como responsável pela

nova área de Energy. A

expansão do portfólio

é parte da estratégia da

empresa em investir em

um segmento com grande

potencial de expansão.

Elias será responsável por

desenvolver a carteira de

clientes do setor, estruturando

soluções de resseguro para todo tipo de risco

da cadeia de exploração e produção.

Reestruturação de equipe

A MDS Insure Brasil entra em 2017 com novidades que incluem

a criação de uma área focada em novos negócios, além de movimentações

na diretoria.

Com as mudanças, Victor Garibaldi

assume a diretoria de Novos Negócios;

Denis Teixeira passa a responder como

diretor da unidade regional de negócios

São Paulo; Romano Brandenburg será

alçado a diretor da região Sul, baseado

em Blumenau; Thiago Tristão permanece

à frente da diretoria regional do Rio

de Janeiro, respondendo também pelo

Nordeste, e Gustavo Quintão se mantém

no comando da diretoria de Benefícios.

CEO para América do Norte e

Ásica-Pacífico

A Stefanini anuncia Spencer Gracias

como o novo CEO para América do

Norte e Ásia-Pacífico.

Baseado em Detroit, Michigan, sede

da empresa na América do Norte, Gracias

tem como missão implementar um plano

estratégico que reforce o objetivo de atuar

como agente de transformação digital

para os clientes. “Queremos estreitar cada

vez mais a relação com nossos clientes,

compreendendo seus principais desafios

para atuar em parceria, oferecendo soluções que atendam os seus

objetivos de negócios”, disse Gracias

Executivo para a América Latina

A Chubb nomeou José Cruz como

vice-presidente de Agency Distribution

Management para a América Latina. Ele

se reportará diretamente a David Heard,

senior vice president de Personal Lines

& Agency da companhia para a região, e

com um reporte matricial a Darryl Page,

vice president da Chubb & Division President

Personal Lines Chubb Overseas

General.

Cruz será responsável em maximizar

as vendas de produtos das divisões de

Propriedade e Responsabilidade Civil,

Linhas Pessoais, Acidentes e Saúde e Vida. Fará isso por meio de

corretores e agentes independentes nos países da América Latina onde

a empresa mantém operações.

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Executiva reeleita

A diretora de Marketing e Sustentabilidade

do Grupo BB e Mapfre, Fátima Lima, foi reeleita

para compor o conselho mundial dos Princípios

para Sustentabilidade em Seguros – um compromisso

entre as principais seguradoras mundiais e

a Iniciativa Financeira do Programa das Nações

Unidas para o Meio Ambiente (Unep-FI, na sigla

em inglês).

Entre os 26 países

com empresas

signatárias, o Brasil

é o país com mais

conselheiros participantes

do conselho

(três, no total) e com

o maior número de

seguradoras signatárias

(11), que representam

60% do

mercado nacional

– além de contar com

a adesão de duas instituições

apoiadoras

(CNseg e Susep).

Novo CEO para o Brasil

A Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros

(SRCSB) nomeia Luciano Calheiros como

seu novo CEO. O executivo sucede João Nogueira

Batista, que assumiu uma cadeira no Conselho

de Administração da companhia no Brasil após o

fechamento da transação relativa à joint venture

com a Bradesco Seguros.

Calheiros vai administrar a joint venture entre

as duas empresas,

operação resultante

da fusão das carteiras

da SRCSB e de

grandes riscos da

Bradesco Seguros,

que ainda aguarda

aprovação dos órgãos

reguladores.

Aos 43 anos,

o executivo é diretor

comercial da

SRCSB, cargo que

ocupa desde março

de 2016.

Sindicato tem novo líder

Atuante desde 1999 como membro

do Sindicato das Empresas de Seguros

Privados, de Resseguros e de Capitalização

do Estado de Santa Catarina

(SindsegSC), Rogerio Spezia tomou

posse como presidente da instituição

no dia 5 de abril.

A ideia é ampliar a integração entre

seguradoras, corretores e segurados. “As

ações planejadas com foco em ‘orientação

ao mercado’ buscam o entendimento

e ajudarão os clientes a conhecerem

melhor o setor de seguros”, conta ele.

Iniciativas institucionais estão nos

planos de Spezia para ajudar o mercado

segurador catarinense a atravessar o momento de instabilidade no

cenário econômico.

Sócio na área de seguros

A Thinkseg recebe um novo sócio

para a área de seguros: Raphael Swierczynski,

que possui 22 anos de experiência

no setor, desenvolvendo negócios e

liderando equipes. Ele chega à fintech de

seguros como novo sócio para o desenvolvimento

da área. O executivo esteve

por 10 anos na QBE Brasil Seguros, na

qual ocupou, nos últimos três anos, o

cargo de presidente da seguradora australiana,

presente em 37 países.

Responsável pelo mercado de arte

A Axa nomeou Cristiane

Porto Rodrigues como gerente

(Country Manager) para as

atividades de seguros de arte

no Brasil.

Em seu novo cargo, ela será

responsável por todos os aspectos

das atividades da Axa ART

no Brasil, incluindo desenvolvimento

de negócios, avaliação de

riscos e subscrição, com foco no

fortalecimento do engajamento

com colecionadores de arte,

galerias e museus brasileiros.

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capa | rede lojacorr

Transição para novos caminhos

Diogo Arndt da Silva assume a presidência da Rede

Lojacorr com o objetivo de abrir as fronteiras do

Brasil para um novo modelo de gestão empresarial

Permitir que as pessoas continuem

a sonhar. Este é o lema

que move todos os corretores

da Rede Lojacorr, grupo que

se fortaleceu muito nos últimos 20 anos.

Pelas mãos de seu fundador, José

Heitor da Silva, a Rede Lojacorr começou

a engatinhar em um terreno que ainda

era desconhecido. Assim, ele fez nascer

uma empresa que oferece as soluções em

seguros para corretores e segurados, com

acesso a mais seguradoras e produtos.

A Rede cresceu e foi se espalhando

pelo País. Atualmente, já conta com 430

corretoras, totalizando 900 corretores

de seguros, que participaram da 5º Convenção

Nacional Lojacorr, organizada

pelo diretor Administrativo Financeiro,

André Ogliari Duarte. “A Convenção é a

materialização de um momento mágico,

uma oportunidade única de reunirmos

toda a Rede para trocarmos energia,

experiências e vibrações positivas. Sinto

muito orgulho de fazer parte dessa história”,

celebrou.

Logo na abertura, Heitor afirmou que

nos primeiros oito anos, atuou como uma

Kelly Lubiato

assessoria, com foco nos serviços para os

corretores de seguros. “Esta foi a nossa

decisão mais acertada”, lembrou, muito

emocionado. “Os corretores puderam sair

da condição de pequenos para se juntar (e

se transformar) numa empresa de grande

porte, com tecnologia e parceria de

conhecimento”. No encerramento deste

evento, realizado no mês de março, em

Curitiba, José Heitor passou o comando

da Rede Lojacorr para Diogo Arndt da

Silva, seu filho, que trabalha na empresa

desde a sua fundação.

Nestes 20 anos de história da empresa,

a expansão pode ser verificada na

plenária da convenção e nas presenças

de seguradores. Sem exceção, todos os

painéis contaram com auditório lotado,

com representantes dos 16 Estados em

que há operação da Lojacorr. “O propósito

foi se unir para vender mais. Com o

passar do tempo, o compartilhamento de

informações e de experiências mostrou-

-se fundamental para o desenvolvimento

de novas habilidades para o crescimento

profissional de todos”, comemorou Diogo

Arndt da Silva, agora presidente da empresa.

Ele ainda acrescentou que a “única

certeza é a mudança e que é preciso ser

protagonista na indústria da proteção”.

Ainda na abertura, o presidente do

Sindicato das Seguradoras do Paraná,

João Gilberto Possiede, ressaltou a importância

do Estado sediar um evento

tão importante e com pessoas expressivas

do mercado. Para se ter uma ideia, 16 seguradoras

parceiras montaram estandes

e, ainda, patrocinaram o evento. O tema

que permeou o encontro foi “conecte-se

ao seu crescimento”. Representantes das

seguradoras falaram de suas expectativas

e de como vêem o futuro, obedecendo ao

propósito de oferecer alternativas e novos

negócios para os corretores.

José Heitor da Silva

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Diogo Arndt da Silva

O primeiro painel das seguradoras

abordou “os rumos do mercado de seguros

e a corretagem de seguros para

os próximos anos” e foi moderado pelo

diretor de Operações e Mercado da Rede

Lojacorr, Luiz Longobardi Junior. O diretor

Comercial Sul e Centro Oeste da Porto

Seguro, Marcelo Zorzo, destacou que

é muito importante investir em pessoas.

Com os avanços tecnológicos, 20% das

vendas físicas são precedidas por consultas

online; 20% das vendas são feitas

via dispositivos móveis; 50% das vendas

acontecem no mesmo dia da consulta

online. “O momento de crise nos gera

desconforto, movimento, criatividade e

inovação. Neste cenário de crise vimos

o mercado de seguros movimentar-se. A

pergunta é: qual é o seu propósito, o que

você espera? Para realizar algo, temos

que ser algo”, questionou Zorzo.

Seguindo nesta linha de criar algo

diferente, o presidente da Tokio Marine,

José Adalberto Ferrara, sempre otimista,

disse que a estratégia de crescimento do

mercado segurador deve ser baseada em

três pilares: desenvolver novos canais

de distribuição (intensificando a difusão

da cultura do seguro para simplificar a

comunicação e torná-lo fácil de entender);

desenvolver canais de apoio aos

corretores de seguros; e desenvolvimento

de novos produtos. “Os novos produtos

é que trarão novos consumidores para o

mercado. É preciso investir na parceria

ganha-ganha com os corretores de seguros”,

ratificou Ferrara.

“O mercado de seguros vai continuar

crescendo apesar do encolhimento do

PIB, que nunca nos serviu de parâmetro,

considerou Marco Antonio Gonçalves,

diretor Geral do Grupo Bradesco. “Independente

de existir internet, canais

alternativos e agentes, o corretor de

seguros ainda é muito importante nos

Estados Unidos, exemplificou o executivo

para ilustrar como deve ser o futuro dos

canais de distribuição no Brasil.

Ele acredita que o corretor é a pessoa

que pode trazer mais benefícios para

o consumidor e mais resultados para a

seguradora. “O corretor não pode temer

a tecnologia, mas deve se beneficiar de

todos os métodos disponíveis, para estar

mais próximo do consumidor”.

Um ponto foi comum entre os palestrantes:

o corretor continuará existindo,

mas sua atuação deve ser aprimorada.

O CEO da Sompo Seguros, Francisco

Caiuby Vidigal Filho, lembrou que vivemos

em uma sociedade mais longeva e

que a possibilidade de viver mais traz novos

desafios. Kiko mostrou o exemplo da

Sompo, no Japão, que está desenvolvendo

novos produtos que atendam a um perfil

de consumidores idosos. “Estamos aprendendo

a buscar outras oportunidades e,

lá, criamos um serviço de home care.

No Brasil, a inovação está na criação de

novas ferramentas para facilitar a venda

para uma geração que utiliza a internet

para tudo”.

É importante ressaltar que o Brasil

está entrando na era da economia com-

Marcelo Zorzo, da Porto Seguro

José Adalberto Ferrara, da Tokio Marine

Marco A. Gonçalves, do Grupo Bradesco

Francisco Caiuby Vidigal F o , da Sompo

Carlos Magnarelli, da Liberty

Hélio Kinoshita, da Mitsui Sumitomo

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ede lojacorr

Murilo Riedel, da HDI

Eduardo Grillo, da Allianz

Inovação/Mesa de negócios

A 5ª Convenção Nacional da Lojacorr

apresentou aos participantes

um novo modelo de interação com

os seguradores, através de Mesas de

Negócios, elaborada e moderada pelo

diretor Comercial, Geniomar Pereira.

Especialistas técnicos e comerciais

das companhias atendem pessoalmente

os corretores de seguros.

É uma oportunidade de conversar

com a pessoa que decide e viabiliza

os produtos. “Estamos criando uma

cultura. Nossa intenção é anunciar

antes aos participantes quem serão

os representantes das seguradoras. As

dezesseis patrocinadoras do evento

participaram e trouxeram técnicos e

comerciais para ouvir o corretor e dar

uma resposta mais definitiva”, explicou

Geniomar Pereira, diretor Comercial da

Rede Lojacorr.

Rodrigo Bacellar, da Odontoprev

Thomas Batt, da Sura

Ricardo J. Iglesias Teixeira, da Centauro-ON

João Levandowski, da MetLife

14

partilhada, em que a forma de se locomover,

viajar, comprar, mudou muito. A

indústria de seguros precisa estar atenta

a este novo consumidor.

Carlos Magnarelli, presidente da

Liberty, chamou a atenção dos corretores

para o novo perfil da sociedade brasileira,

com novos núcleos familiares (gays, sem

filhos, solitários, com bichos). “Temos

que entender como estas pessoas enxergam

os produtos do mercado. A nova

geração quer experimentar e não apenas

comprar”, pontuou.

O acesso, em tempo real, a dados de

comportamento e perfis de uso individuais

abrem um novo capítulo na forma

como as empresas se relacionam com os

consumidores e, no mundo dos seguros,

não será diferente.

“A transformação e o crescimento

do mercado vão depender de mudanças

contínuas, passando por novos produtos,

no automóvel, por exemplo, passando de

preço flat para um cálculo mais justo”,

previu Helio Kinoshita, vice-presidente

da Mitsui Sumitomo.

A internet pode ser uma inimiga ou

aliada, dependendo da forma como as

empresas atuam. Na segunda opção, as

tecnologias são adaptáveis e abrem espaço

para a inovação. “Temos que encontrar

soluções para aumentar a escala do

negócio e atingir melhor alguns nichos,

como o de pequenas e médias empresas,

por exemplo”, declarou o diretor Geral

da Sancor Seguros, Leandro Poreti. O

crescimento sustentável proporciona a

melhora continua, com aprendizado e

capacitação, sempre junto com o corretor.

A grande lição de casa, quando se

fala de futuro, é trabalhar os números do

mercado para vislumbrar as tendências

locais. O presidente da HDI Seguros,

Murilo Riedel, destacou que a frota segurável

caminha para o patamar de ‘apenas’

cinco milhões de veículos. Com isso, será

necessário aumentar a eficiência, com

redesenho da estrutura e da forma de

comercialização, com investimento na

digitalização. “Esta não é uma escolha,

mas o caminho obrigatório para o nosso

mercado”, sentenciou.

O valor das despesas totais com tecnologia

deve cair nos próximos anos e os

ciclos de investimento serão mais rápidos,

com formatos não previstos. A disrupção

no negócio de seguros será em processos,

estratégias e em provedores tradicionais.

“Quando se coloca a conectividade antes

da criatividade, você pode dar passos

para trás”, raciocinou o diretor Comercial

da Allianz Seguros, Eduardo Grillo. Para

ele, os produtos digitais ainda dependem

da interação humana, mas o objetivo é

disponibilizar ao corretor um fluxo de

cotação mais simples.

Além da tecnologia, o futuro dos

corretores também deve passar pelo


Luiz Longobardi Junior

investimento na comercialização de

produtos de benefícios, como o plano de

saúde e o odontológico. “Acreditamos no

potencial dos consumidores, porque os

planos odontológicos cresceram 746%

nos últimos 16 anos, 746%. Existe mercado

e potencial”, sentenciou Rodrigo

Bacellar, presidente da Odontoprev.

Ele ressaltou que montar uma carteira

ajuda na formação de comissão

vitalícia.

Aliás, é das pequenas empresas que

surgem a inovação, muito por conta da

sua agilidade para transformar processos.

“Hoje, uma empresa pequena tem chance

de ser melhor que a grande, podendo

chegar até a destruí-la”, enfatizou Sillas

Devai Junior, superintendente Nacional

da Unimed Seguros.

O mais importante, de acordo com

Thomas Batt, presidente da Sura Seguros,

André Ogliari Duarte

é interagir de forma consciente para fazer

do futuro uma grande oportunidade. “As

mega-tendências variam de acordo com

as partes do mundo, mas temos que nos

atentar também ao cliente, aos negócios

e à força da tecnologia”. A inovação tem

que ser tecnicamente viável de se implementar,

prevendo empatia, colaboração

e possibilidade de prototipação. “Temos

que nos permitir testar”, classificou Jonson

Marques de Souza, diretor Comercial

da Mapfre Seguros.

“Sabemos que a economia está

difícil e terá desafios. A especialização

será crucial para o sucesso dos negócios

e a inovação será vital para assegurar

vantagem competitiva“, endossou Souza.

O superintendente executivo de

mercado da Icatu Seguros, Alberto Lohmann,

defendeu a importância do seguro

de vida e dos planos de previdência para

o corretor atender plenamente o cliente,

principalmente agora, quando as pessoas

começam a se preocupar mais com

aposentadoria e proteção da renda, com

o aumento da longevidade e a reforma

da previdência. “Mesmo com todos

estes indícios de que as áreas de vida e

previdência serão buscadas pelos clientes

e de que estes ramos irão se desenvolver,

esses produtos têm particularidades e é

preciso insistir no convencimento dos

corretores sobre a importância de atuação

e o aculturamento da população sobre a

proteção de longo prazo”.

Ricardo José Iglesias Teixeira, diretor

Presidente da Centauro-ON, reiterou

que estamos numa era de mudanças

com os avanços da tecnologia, e que os

profissionais terão que se adaptar para

sobreviver.

Em sua análise, as novas tecnologias

não vêm para substituir o trabalho

humano, mas para gerar mais eficiência.

“30% das atividades, por necessidade

de criatividade ou emoção, não serão

substituídas”. Com tudo o que foi exposto

nos quatro momentos do Painel das Seguradoras,

o último palestrante, João Levandowski,

diretor regional da MetLife,

concluiu que, de fato, teremos mudanças

à vista. “A previsão é de crescimento do

mercado de seguros. A grande questão

é: ‘a que custo?’. As margens do seguro

automóvel estão cada vez mais aperta-

Motivadores

O professor e doutor em educação

Mario Sergio Cortella deu uma “aula”

expositiva aos participantes. Mostrou

como devemos ter uma insatisfação

produtiva, mantendo a capacidade de

querer mais e melhor. “Não há problema

em ser ambicioso, não se pode ser ganancioso.

Ele citou o exemplo da banda

Rolling Stones, que em 2017 completam

55 anos de carreira, como modelo de

insatisfação positiva. “Dê oportunidade

ao êxito. Use sua capacidade de se

reinventar”.

O vice-presidente Comercial da MetLife,

Ramon Gomez, também mostrou seu

dom de palestrante, falando sobre o

que lhe tira o sono. Gomez disse que a

nova geração de consumidores prefere

ir ao dentista do que ao banco e confia

mais em recomendações de amigos

sobre produtos do que em publicidade

na televisão. “Saímos da era do planeta

de átomos para o planeta de dados”.

15


mobilidade | bike

Proteção sobre

duas rodas

Uso das bicicletas como meio de transporte

duplica em dez anos. Presença cada vez mais

constante nas ruas aquece o mercado de

seguros desenhado exclusivamente para bikes

Lívia Sousa

das. As novas gerações não estão mais

preocupadas em ter um automóvel. Este

não pode mais ser o principal produto do

mercado, é preciso nos reinventarmos”.

Tecnologia

O CIO da Rede Lojacorr, Sandro

Ribeiro dos Santos, apresentou o painel

sobre tecnologia que mostrou como as

seguradoras estão investindo neste setor.

Os temas abordados foram os que permeiam

a discussão de todos os setores

da economia, como digitalização, cloud

computing, inteligência artificial e internet

das coisas. A conclusão foi que após a

digitalização das tarefas possíveis, todo o

trabalho realizado por pessoas será muito

mais valorizado.

Ao final, foi apresentado o mais novo

projeto da própria Rede, um cotador

online para os corretores da Rede Lojacorr.

Através de um link fornecido pelo

corretor de seguros, o consumidor poderá

fazer a cotação online do seu seguro de

automóvel em seu smartphone, tablet ou

computador. O corretor pode acompanhar

toda a movimentação do cliente na

plataforma de sua preferência e realizar o

contato sempre que achar necessário. “É

importante ressaltar que todas as movimentações

do cliente estão nas mãos do

corretor de seguros, que é quem determina

as condições comerciais”. Para acessar

o “Yes, Ok” o cliente deverá acrescentar o

nome do corretor no endereço eletrônico.

Todos os corretores da Rede Lojacorr

terão acesso a esta ferramenta.

16

Sandro Ribeiro dos Santos

Mais que um equipamento para lazer e para a prática de esportes, as

bicicletas agora fazem parte da rotina de quem decidiu deixar o

automóvel de lado. Em uma década, o uso das bikes como meio de

transporte duplicou, passando de 1,3 bilhão de viagens realizadas

em 2004 para 2,6 bilhões em 2014, em todo o Brasil. Os dados constam no Sistema

de Informações da Mobilidade Urbana (Simu), relatório anual desenvolvido

pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) em parceria com o

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Uma parcela considerável do crescimento se deve ao trânsito caótico e até

mesmo por questões de saúde. Em alguns casos, a própria prefeitura incentiva o

uso da bicicleta pelos cidadãos. Na capital paulista, por exemplo, quem faz uma

parte do percurso diário de bike acumula créditos no Bilhete da Mobilidade. Os

valores são calculados conforme a distância, o local e o horário percorridos, e podem

ser resgatados em dinheiro ou consumidos em uma rede credenciada de serviços.

Passando mais tempo nas ruas, é natural que as “magrelas” fiquem mais

vulneráveis a roubos e furtos. Só no Estado de São Paulo, um boletim de ocorrência

por roubo e furto do equipamento é registrado a cada 30 minutos. De

acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), de janeiro a setembro

de 2016 foram levadas, em média, 46 bikes por dia. 12.710 ocorrências foram

registradas no período, ante 11.954 somadas um ano antes – o equivalente a

um aumento de 6,3%.

Ao mesmo tempo em que as ocorrências crescem, aumenta também a quantidade

de pessoas interessadas em proteger o equipamento, fato que aquece o

mercado de seguro para bicicletas. O produto está entre os mais procurados no

departamento de Personal Lines, ficando

atrás apenas do seguro de automóvel. Leonardo

Ferraz, diretor da corretora LAF

Seguros, acredita que a cada dez bicicletas

vendidas hoje, nove já saem das lojas com

seguro.

“Com a popularização do uso deste

modal e o aumento das ciclofaixas, houve

maior interesse para a aquisição e uso diário

do equipamento. Aliado a isso, pessoas mal

intencionadas migraram para esta nova modalidade

de roubo e furto. Assim, surgiu a

necessidade de proteger o bem”, lembra ele,

que recebe de 200 a 250 cotações mensais

para este tipo de proteção. Geralmente,

❙❙Leonardo Ferraz, da corretora LAF


80% das cotações são convertidas em

seguros, o que levou a corretora a criar

um departamento especializado em seguro

de bicicletas.

O que também evoluiu foi o padrão

das magrelas. Tanto evoluiu que agora não

é raro encontrar nas ruas bicicletas com

valores acima de R$ 5 mil. Aliás, muitas

delas chegam a custar tanto quanto um

automóvel popular zero quilômetro.

Coberturas, valores e

contratação

Existem diversos produtos no mercado

de seguro para bikes. Eles vão desde

os específicos, feitos exclusivamente

para bicicletas, aos acessórios, que são

contratados em conjunto com o seguro

residencial – neste caso, dependendo da

apólice contratada, há uma cobertura

especial para a subtração de bikes dentro

e fora da residência segurada, que garante

também os danos causados durante o

transporte.

De um modo geral, porém, este tipo

de seguro cobre a subtração da bike

mediante roubo ou furto qualificado,

inclusive quando o equipamento está na

casa do segurado, além dos danos ou roubo

durante o transporte (desde que a bicicleta

esteja devidamente alocada em racks ou

tule). Nos produtos mais direcionados,

é garantida a cobertura em caso de dano

material parcial ou total ao pedalar e até

responsabilidade civil, com coberturas de

danos materiais e corporais causados a

terceiros, assim como o pagamento, até o

valor limite determinado em apólice, dos

custos decorrentes de uma eventual ação

judicial. Algumas seguradoras permitem

❙❙André L. Mantovani, da Ação Absoluta

❙❙Ana Badaró, da BR Insurance

ainda que a cobertura seja estendida aos

filhos e cônjuge enquanto estiverem pedalando.

É importante lembrar que, para as

bikes elétricas, a franquia aplicada é maior.

Já o produto específico é feito para

bicicletas com valor entre R$ 3 mil e R$

80 mil, seja para utilização esportiva,

amadora, profissional, locomoção diária

ou a lazer, e uso em área urbana, rodovia,

estrada de terra, campo ou até mesmo em

montanha.

“Dependendo do valor e da atividade

poderá ser necessária uma análise prévia

de aceitação, mas na maioria dos casos

a contratação pode ser realizada em até

dez minutos”, explica André Luis Mantovani,

sócio-diretor da Ação Absoluta

Corretora de Seguros. “O custo de um

seguro completo para uma bike zero

de R$ 5 mil sai em torno de R$ 549,75

ao ano, o que é bem acessível. Isso sem

mencionar a paz de espírito que o usuário

terá ao dar suas pedaladas”, acrescenta.

O preço deste tipo de seguro acompanha

algumas faixas que partem de R$ 500 e

podem chegar a R$ 700 para bikes de até

R$ 13 mil. Acima deste valor, o custo é

personalizado.

Nos moldes atuais, o seguro de bike

não considera o perfil do segurado, como

é feito no seguro de automóvel. Por isso,

não há um perfil pré-definido para a

contratação do produto. “Acredito que em

breve esse cenário venha a mudar, levando

em consideração a data de nascimento

e endereço residencial do cliente”, prevê

Ana Badaró, diretora de Personal Lines

da BR Insurance.

A corretora, que oferece o produto

há 11 anos, viu a procura pelo seguro

crescer após o aumento dos roubos na

❙❙Janete Tani, da Argo

região da Cidade Universitária, em São

Paulo. Recentemente, fechou uma parceria

com a empresa Specialized para a comercialização

de um seguro exclusivo para

bicicletas. A proteção adicional da solução

também garante indenização contra danos

decorrentes de acidentes em situações de

uso e reparo ou substituição das peças

danificadas em casos de acidentes.

Fique de olho

A maior dúvida de quem deseja

proteger o equipamento é quais itens

avaliar antes de contratar o seguro. Em

linhas gerais, nada diferente do que se

considerar ao adquirir qualquer tipo de

proteção, como leitura da cotação, franquias

e coberturas oferecidas. Entretanto,

devido às particularidades do segmento,

alguns pontos merecem atenção.

“Veja se o seguro cobre, por exemplo,

danos à bicicleta enquanto estiver pedalando

fora da residência ou do local de

guarda. Também é importante verificar

se estão abrangidos os acidentes causados

durante o transporte, o que nem sempre é

coberto”, explica a gerente de Riscos Patrimoniais

da Argo Seguros, Janete Tani.

Os danos causados a terceiros, que

já é englobado na cobertura de algumas

seguradoras, costuma ser opcional. Sendo

assim, também é preciso verificar se esta

garantia é oferecida de maneira opcional,

para não ser surpreendido no futuro

caso seja envolvido em algum acidente.

Também é aconselhável pesquisar quais

seguradoras trabalham com este seguro,

ver as coberturas que são oferecidas em

cada produto e averiguar tanto a expertise

do corretor envolvido quanto o histórico

e relatos de sinistros indenizados.

17


mobilidade | aplicativos

Qual seguro contratar?

Mercado age

com cautela no

desenvolvimento

de proteções

específicas

para serviço de

transporte via

app, mas isso não

significa desamparo.

Há coberturas aptas a

proteger motoristas e

passageiros

Antes mesmo de serem regulamentados

em algumas cidades

brasileiras, os serviços

de transporte por meio de

carros particulares já haviam conquistado

muitos usuários. Além de serem os “queridinhos”

do público, tornaram-se uma

alternativa para aqueles que precisam

garantir ou complementar a renda em

tempos de crise.

Quem cogita entrar para o ramo

precisa estar amparado por um seguro.

No entanto, ainda não existe um produto

desenhado exclusivamente para esse fim.

“O mercado de seguros e a sociedade ainda

andam num passo mais cauteloso em

relação a todas as novidades tecnológicas

que surgem”, justifica Ana Rita Petraroli,

advogada e presidente da Associação Internacional

de Direito de Seguro (AIDA)

no Brasil.

Ela lembra que o desenho de um produto

não é um processo rápido e precisa

atender a todas as obrigações legais e financeiras

a ele inerentes, da aprovação ao

lucro. Isso não significa que o setor seja

refratário às novidades, antiquado quanto

aos novos mercados ou insensível às

modernidades. Apenas que usa da cautela

18

Lívia Sousa

para a análise

necessária dos

novos riscos e suas consequências ainda

desconhecidas. “Novos produtos serão

apresentados assim que amadurecerem

as relações da sociedade com estes novos

riscos”, assegura.

Como são feitas as escolhas dos

motoristas? Em que tipo de veículo vão

trafegar? Como se poderá aferir a capacidade

profissional deles para prestar

serviços que contenham tantas hipóteses

de risco, como é o caso do transporte

de passageiros? A seriedade e a competência

das operadoras de aplicativos

de transporte estão entre as principais

dúvidas do mercado. E enquanto as

partes contratantes não se conhecerem

muito bem e, principalmente, não confiarem

uma na outra, não se pode esperar

grandes avanços no setor. É o que diz

a também advogada Angélica Carlini,

acrescentando que a timidez do mercado

guarda estreita relação com as condições

econômicas atuais do País.

“O surgimento do transporte coletivo

por aplicativos está sob o ‘guarda-chuva’

das novas tecnologias. Não devemos nos

surpreender, mas estudar adequadamente

cada uma das novas situações para desenhar

seguros que se adequem a elas e

sejam seguros e sustentáveis para o setor.

Não há como fugir das novas tecnologias

e dos desafios que elas vão nos propor

continuamente”, destaca.

Coberturas obrigatórias

Se por um lado a chegada de um

produto específico deve ser precedida de

estudos rigorosos para evitar percalços

e perdas, por outro deixa a dúvida sobre

quais proteções se adequam para a atividade

enquanto ele não é lançado. Para

Ana Rita, todas essas formas de negócios

colocados como inovadores já existiam

com os pontos e cooperativas de táxis,

os táxis executivos e as cooperativas de

transporte. O que acontece agora é apenas

uma mudança de plataforma de distribuição.

“O diferencial é a forma virtual de

contratação”, explica. Sendo assim, novos

produtos podem até serem desenhados,

mas os existentes são aptos a cobrir estes

riscos com uma pequena adaptação na

subscrição e na análise do sinistro.

As próprias empresas determinam

que algumas coberturas conhecidas

sejam contratadas. A Cabify, que conta

com pouco mais de 150 motoristas no

Brasil, possui parceria com seguradoras

que fornecem o seguro de Acidentes

Pessoais de Passageiros (APP), exigido

pelo decreto de São Paulo e mencionado

em outros projetos de Lei discutidos em

âmbito nacional. Segundo o diretor geral

da companhia no País, Daniel Velazco-


❙❙Ana Rita Petraroli, da AIDA

-Bedoya, também está sendo implantado

um seguro de acidente a terceiros como

mais uma solução de proteção.

Sobre a possibilidade de desenvolver

um seguro específico junto com o mercado,

ele diz que a empresa estuda os pontos

de risco que podem ser contemplados

pelo produto. “Este modelo de trabalho é

muito novo. Ainda não iniciamos uma estruturação

do produto, pois confiamos em

nosso processo de entrada de parceiros

que inicia com uma análise documental

do automóvel e do motorista, verificação

de antecedentes criminais, reuniões

informativas presenciais, vistoria dos

automóveis e teste toxicológico”, declara,

afirmando que isso não tira a importância

de se pensar no assunto.

O seguro de APP também é exigido

pela americana Uber, uma das primeiras

empresas do ramo a chegar por aqui e a

enfrentar o protesto eufórico dos taxistas.

Além de determinar que os motoristas

apresentem a prova do licenciamento do

veículo – o que requer que estejam regulares

com o seguro DPVAT –, a companhia

fechou uma parceria com o Grupo Ace

para manter a cobertura para a proteção

dos envolvidos. O seguro cobre motoristas

e usuários em cada viagem, com as

coberturas, em caso de acidentes, de R$

100 mil para morte acidental, R$ 100 mil

para invalidez permanente total ou parcial

e até R$ 5 mil para despesas médicas.

“Esta cobertura tem início no momento

em que os motoristas parceiros estão

a caminho para buscar um usuário. Já

para o usuário, a cobertura tem início no

momento em que ele ingressa no veículo

em uma viagem”, informa a Uber, que no

Brasil está presente em quase 50 cidades,

ultrapassou a marca dos 50 mil parceiros

e soma nove milhões de usuários ativos

(que utilizaram o aplicativo ao menos

uma vez nos últimos três meses).

Para a consecução do contrato de

seguro, é imprescindível que o segurador

saiba que o segurado vai exercer atividade

comercial com o veículo e, principalmente,

a quais riscos ele estará sujeito em

consequência de sua atividade.

Assédios e assaltos

Quem utiliza esses serviços não está

sujeito apenas a danos físicos e materiais.

Os relatos de mulheres que foram assediadas

pelos motoristas são cada vez mais

frequentes. Em um dos casos ocorridos

com a Uber, a companhia excluiu o motorista

do aplicativo após uma passageira

denunciá-lo nas redes sociais.

É importante destacar que coberturas

próprias de relações trabalhistas não

cabem nestes casos. “Não se trata de

relação de emprego da forma tradicional,

mas de trabalho, com outra modalidade

de relacionamento”, argumenta Angélica

Carlini. Coberturas de assédio moral

também não são aplicáveis, justamente

porque “não há relação de emprego e

nem tão pouco avaliação prévia do empregado,

políticas de prevenção, entre

outras circunstâncias que devem sempre

estar presentes nessa modalidade de

contratação.”

Também relatadas por quem está

❙❙Daniel Velazco-Bedoya, da Cabify

❙❙Angélica Carlini, advogada

atrás do volante, a sensação de insegurança

e medo de assaltos só cresceram após a

aceitação do pagamento em dinheiro – o

que, inicialmente, era feito apenas com

cartão de crédito. Aqui, um seguro de

responsabilidade civil pode funcionar.

“Em princípio, não há muita diferença

entre o seguro de RC contratado por um

motorista de táxi e aquele que poderia ser

contratado por um operador de sistemas

de aplicativos”, diz Angélica. Coberturas

mais específicas ficam de fora se a

contratação for realizada diretamente

por quem vai guiar o veículo e realizar

a prestação do serviço. Se a contratação

for feita pelas empresas que operam os

aplicativos, é possível desenhar produtos

que tragam as tradicionais coberturas de

RC e algumas outras mais específicas.

Ainda em caso de assaltos, o seguro

de automóvel tradicional pode ser uma

solução. “O produto indeniza o proprietário

do veiculo em caso de furto ou

roubo. Não parece que seja necessária

outra cobertura”, diz Ana Rita Petraroli.

Também deve-se considerar o Seguro de

Responsabilidade Civil Facultativa de

Veículos (RCF-V), modulada para condutores

de veículos que operem no sistema

de aplicativos. Isso é possível porque existe

tecnologia instalada nas empresas de

seguro para realizar cálculos estatísticos,

na medida em que não existem diferenças

substanciais dos motoristas de táxi. Mas é

fortemente recomendável que o desenho

do produto seja específico, para atender

exatamente as peculiaridades dessa nova

modalidade de prestação de serviços.

19


mobilidade | inteligência artificial

Guiados pelo avanço

Os carros sem motorista já estão em teste em

alguns lugares do mundo e devem fazer com

que o mercado de seguros repense diversas

questões

Amanda Cruz

Em 1999, o mundo do cinema

conheceu um robô que tinha sentimentos

e queria ser um humano;

em o “Homem Bicentenário”, o

robô doméstico interpretado por Robin

Willians foi capaz de se apaixonar e encarar

desafios como qualquer ser humano.

Em 2001, foi a vez de um menino-robô

- o primeiro já programado para amar –

emocionar milhões de pessoas ao redor

do mundo em A.I. - Inteligência Artificial.

Em 2017, um robô programado no

Laboratório de Pesquisa de Neurorrobótica

da universidade Beuth Hoschschule,

em Berlim, tem a inteligência de uma

criança de dez anos e continuará se

desenvolvendo. Em 20 anos, ele será um

robô adulto com a devida mentalidade

dos 30 anos.

Na vida cotidiana, um homem na

cidade de Pittsburg, na Pennsylvania,

EUA, já pode pedir um Uber e ser atendido

por um carro autônomo, que apesar

de estar na fase de testes e contar com

acompanhamento humano para qualquer

eventualidade, anda sozinho pelas ruas,

aprendendo caminhos e tornando quase

dispensável assumir um volante.

A diferença é que as primeiras histórias

são obras de ficção e as outras duas

são parte da nova realidade. A inteligência

artificial não é apenas mote para mais

uma obra do cinema, mas uma área da

ciência da computação que tenta recriar

a inteligência humana em máquinas,

conforme explica o líder de Segurança

da Informação da IBM Brasil, João Paulo

Lara Rocha. “No caso da IBM, o Watson

é um sistema de computação cognitiva

que aprende em larga escala, raciocina de

acordo com propósitos e interage com os

humanos de forma natural”, explica. Essa

tecnologia está sendo expandida para

várias áreas e hoje já pode ser encontrada

nos setores de direito, varejo, educação,

saúde etc, em quatro diferentes línguas

além do inglês, incluindo português

brasileiro. Ela se alimenta de dados e

funciona de forma bastante parecida

com o raciocínio humano. “É como uma

criança em aprendizado”, exemplifica.

Os veículos autônomos

O uso dessa tecnologia na indústria

automobilística para criação de carros

sem motoristas é, sem dúvidas, um dos

que mais vai impactar a vida cotidiana,

especialmente nas grandes cidades como

São Paulo, já que o paulistano, segundo

apontamento do Ibope, realizado em

setembro de 2016, passa, em média, um

mês e meio por ano preso no trânsito.

Se falar de carros também é falar de

seguros, o setor deverá se preparar para

20


❙❙Ricardo Bacellar, da KPMG

as implicações e oportunidades que vêm

junto com essa novidade.

Em janeiro de 2016, a seguradora

XL Catlin assinou uma parceria com

a Oxbotica – companhia de tecnologia

responsável por desenvolver carros autônomos

e criadora do software Selenium

– para dar suporte ao desenvolvimento

de soluções robóticas. A ideia é analisar

de perto o gerenciamento de riscos que

se fará necessário na indústria de seguros

quando esses veículos começarem

a circular. “Os engenheiros de sistemas

autônomos fizeram avanços que mudaram

fundamentalmente a maneira como

os transportes funcionam”, afirma Clive

Scrivener, chairman do Conselho da

Oxbotica. Segundo o especialista, um

carro sem motorista pode usar dados de

sensores colocados nele para entender o

que está ao redor e para onde ele deverá ir

em seguida, de acordo com os algoritmos

programados. “Mas o verdadeiro desafio

é que os carros sem motoristas estão em

ambientes reais, não digitais, e o mundo

real está mudando o tempo inteiro”, completa

Scrivener. Nessa situação é no poder

de decisão desse novo mecanismo que

está a diferença entre inteligência cognitiva

e o que era feito antes na robótica e

é essa tecnologia que está nos carros que

já rodam por algumas cidades.

Olhando para os riscos

A cada nova invenção, um novo

risco. O mercado de seguros está atento,

mas ainda é difícil mensurar o alcance

dos desafios que essa novidade trará. “A

indústria sempre trabalhou com etapas

de amadurecimento e, a cada etapa, surge

um conjunto novo de soluções”, acredita

Ricardo Bacellar, head da área Automotiva

da KPMG. Ele elenca uma série de fatores

que corroboram com essa indústria

e o principal deles pode ser visto em dois

dados: um estudo da Academia Brasileira

de Neurologia (ABN) mostrou que até

20% de todos os acidentes de trânsito

acontecem por causa de sonolência dos

motoristas. Já um estudo do Observatório

Nacional de Segurança Viária (ONSV)

afirma que 90% de todos os acidentes são

causados por falha humana. É fácil fazer

um comparativo: os robôs que agora são

capazes de aprender não se cansam, não

têm sono ou indisposição, não se distraem.

“O esperado é que, com essa tecnologia

embarcada, os acidentes diminuam.

Se esse índice de erro existe e você vai

substituir grande parte dos percursos para

a ação tecnológica há de se imaginar que

o número de vítimas diminuirá bastante”,

aponta Bacellar.

Os riscos são outros. As implicações

só poderão ser totalmente avaliadas

quando esses carros estiverem nas ruas,

mas muitas perguntas já se abriram para

os seguradores: como precificar o seguro

de um veículo que está em constante evolução

e aprendizado, diminuindo riscos?

Quão confiável e seguro é o software

que está dentro desse robô? Quem é o

responsável quando se comete um erro?

As respostas ainda não chegaram e

deverão mudar tão rápido quanto as tecnologias

dos carros, mas mais importante

do que ter todas as resoluções é conhecer

a tecnologia por trás e saber fazer as

perguntas certas, para gerenciar o risco.

“Essa é uma das razões para a parceria

com a Oxbotica: ter acesso aos testes de

suas aplicações e poder aprender – em

primeira mão – como o produto funciona

e se comporta em diferentes situações”,

afirma o líder da parceria na XL Richard

Jinks. “No momento, nenhum carro está

pronto para ser completamente autônomo,

sem nenhum controle humano,

mas isso não está longe de acontecer. As

fábricas estão se movimentando e essa

realidade deverá ser possível em 2021”,

indica Jinks.

Outros dispositivos também poderão

❙❙Clive Scrivener, da Oxbotica

ser usados para mitigar riscos, conforme

aponta o executivo da IBM. Ele afirma

que a companhia tem usado essa inteligência

cognitiva para outros fins, como

monitorar de maneira mais precisa o clima.

“Se aplicarmos essas características

de previsão para a indústria de seguros é

possível que um carro tenha à disposição

informações, por meio de um dispositivo,

de onde está chovendo e quais os riscos

de acidentes e alagamentos. Com essa

previsibilidade, pode-se reduzir a exposição

ao risco”, elucida Rocha.

Eles aprenderão as regras de trânsito

e são capazes de compreender também as

regras sociais para poder interagir com

outros carros. Por se renovarem constantemente,

a obsolescência, tão comum

nas tecnologias de hoje, não deverá ser

um problema. Pelo contrário, poderá

ajudar essa solução a ficar mais acessível

e ser expandida para utilização em trens,

ônibus e outros veículos coletivos. Inclusive,

essa é a primeira aposta de alguns

especialistas. “Nós realmente prevemos

essa tecnologia começando a ser parte

do cotidiano das pessoas no futuro. Em

outubro de 2016 um carro autônomo foi

testado nas ruas britânicas pela primeira

vez. A previsão é que 10 milhões deles

estejam nas ruas em 2020. Os primeiros

a adotar esse modelo não deverão ser os

proprietários individuais, mas aqueles

que buscam por novas formas de sistema

de transporte, que já estão sendo estudados

por grandes cidades ao redor do

mundo”, explica o chairman da Oxbotica,

Scrivener.

21


inteligência artificial

A evolução dos sistemas autônomos

1958 O piloto automático da Chysler

Introduzido em 1958, no modelo Imperials,

foi o primeiro exemplo de um sistema autômato

que assumia algum tipo de controle no veículo.

2005 Stanley navegou o deserto

de Mojave

Sebastian Thrune e uma equipe do

Laboratório de Inteligência Artificial de

Stanford criaram um carro autônomo

chamado Stanley. Esse se tornou o primeiro

modelo a

completar mais

de 200 km no

deserto de Mojave,

na Califórnia,

vencendo o

Grande Desafio

de DARPA

❙❙Carro autônomo desenvolvido pela Oxbotica

Com os carros de serviços usando essas

tecnologias surgem ainda outras ques-

testes estão temporariamente suspensos

te físicos, a companhia informou que os

tões que refletem na indústria de seguros. até que se entenda o que aconteceu. O

No caso dos carros compartilhados, quem líder de segurança da IBM diz que não se

responde pelo erro? Quem é o dono do sabe ao certo o que houve especificamente

neste caso, mas acredita que tenha sido

veículo? De quem é a responsabilidade

que deve ser acionado na hora do sinistro? falha humana, algo impossível de prever.

Além disso, Bacellar lembra que esses “O ideal é que em uma fase de testes,

carros, por rodarem mais, necessitam de ambos os veículos estejam conectados

mais manutenção o que pode, segundo para que conversem. Conseguir prever a

ele, gerar uma necessidade exagerada de ação humana é uma questão de tentativa

peças de manutenção e a diferença para e erro até aprimorarmos as tecnologias

as seguradoras, que não lidarão tanto com existentes. Conectando todos os dispositivos

[carros, semáforos, câmeras de

indivíduos, mas com CNPJ dos frotistas,

que serão clientes mais complexos. controle de trânsito etc] teríamos uma

No dia 24 de março de 2017, um condição mais favorável de prevenção de

carro autônomo que está sendo utilizado acidentes, mas isso não é nada trivial ou

para testes pelo Uber colidiu com outro barato”, comenta.

veículo que falhou ao não dar passagem, Dentro dos veículos a tecnologia

esse segundo guiado por um motorista. promete segurança e conforto. Fora deles

Mesmo sem grandes danos, especialmen-

surge uma ameaça: os ataques cibernéticos.

Os desafios nesse sentido são diversos,

conforme cita João Paulo Lara Rocha, da

IBM. “Já vimos em anos anteriores casos

de pesquisadores que conseguem controlar

veículos remotamente, desabilitar freios e

até acessar os microfones do carro”, conta.

A conexão com o meio digital torna o indivíduo

um alvo em potencial para essas

ações e é nesse momento que o virtual e

o real colidem.

Em 2013, o caso Target, uma companhia

varejista americana, se tornou

famoso por causa de um ataque cibernético

que invadiu 40 milhões de contas

com dados financeiros importantes dos

clientes. Como isso ocorreu? Por causa de

um ciberataque direcionado que começou

na empresa que fornecia ar-condicionado

à Target. “Hoje em dia não adianta uma

seguradora ou uma montadora assegurarem

as informações de seus clientes se

todos os fornecedores e outras empresas

que têm acesso aos dados podem colocá-

-los em risco por negligência ou por não

estarem em conformidade com as regulamentações

de proteção dos mesmos”,

alerta Rocha.

Os dados do condutor somados com a

sua rota usual e mais a vulnerabilidade do

carro conectado podem ser combinações

perigosas. Isso abre uma nova pergunta ao

mercado: “Como as companhias que detém

e que também compartilham entre si todos

esses dados vão proteger a privacidade de

seus clientes com todo esse cenário?” A

resposta deverá ser: mais trabalho para a

área de criação de produtos, especialmente

Fonte: XL Catlin

2011 Inteligência

Artificial Avançada

O Watson, supercomputador

da IBM derrotou dois

humanos campeões de um

programa televisivo de perguntas

e respostas

22


os de responsabilidade e cibernéticos.

A missão é de paz

Máquinas que ficariam tão inteligentes

que se rebelariam contra os humanos

não parecem ser uma preocupação do

mercado e nem deveriam ser para a população,

mesmo para as pessoas que ainda

acham interagir com robôs algo peculiar

demais. Mas essa relação entre homem e

máquina não é de hoje. Muitos trabalhadores,

ao longo da história, foram sendo

substituídos por robôs, especialmente

em trabalhos mecânicos e perigosos. E

na medida em que isso foi ficando cada

vez mais constante, surgiram dois tipos

de visões sobre o que acontecerá com os

humanos no mercado de trabalho. Alguns

analistas acreditam num futuro distópico,

no qual apenas uma pequena porcentagem

da força de trabalho terá emprego

fixo e será indispensável. Outros apontam

que alguns cargos poderão ser tomados

por robôs, mas isso ajudará a criar novas

oportunidades: “Há 40 anos, ninguém

trabalhava com TI ou na indústria de celulares

e veja hoje a diferença. As coisas

mudam”, aponta Clive Scrivener. Esses

temores sobre o futuro levam a população

a encarar suas questões culturais de

frente. Muitos podem falar do futebol,

mas os brasileiros têm uma relação extremamente

passional com seus carros

e com o ato de dirigir. É algo cultural

que marca personalidades e converte em

status o que nasceu para ser uma opção

de mobilidade. Então, o brasileiro vai

Impacto no mercado

de trabalho

De acordo com pesquisa do Centro

de Soluções de Políticas Globais, nos

EUA, os carros autônomos deverão

afetar cerca de 4 milhões de empregados

que trabalham como motoristas

no país. São 3,6 milhões de homens e

aproximadamente 500 mil mulheres

ocupando esses cargos atualmente.

aceitar a extinção do motorista? “Aqui,

a tendência à adoção vai ser um pouco

mais lenta, mas não por causa de atraso

na tecnologia e sim por essa paixão. Só

que essa novidade é um caminho sem

volta e os benefícios de poder aproveitar o

tempo que gastaria no trânsito com outras

tarefas, usando melhor o tempo dentro do

veículo será um apelo imbatível”, aposta

Bacellar. Jinks, da XL tem uma visão

parecida e lembra que os carros sem

motorista são uma opção, quem dirige por

prazer não precisará aposentar o hobby.

O acesso também não deverá ser algo

muito difícil, já que a evolução da tecnologia

barateia os custos de sua utilização.

Quanto mais avanços sobre uma novidade,

mas acessível ela fica, como pode ser

observado na indústria de smartphones.

Os menores riscos diminuirão o preço

do seguro e essa soma pode beneficiar

muita gente, como idosos e pessoas com

deficiência, que alcançarão ainda mais

mobilidade graças a essa invenção, mas

que deverão ser analisados pelos seguros

de acordo com seus próprios riscos e condições.

Bacellar afirma que o carro não

terá um preço impeditivo e toma como

base a montadora GM que, segundo ele,

“está anunciando um veículo tecnológico

para início de 2018 por cerca de US$ 30

mil”. Esse pode não ser um valor amplamente

acessível hoje, mas a tendência de

diminuição deve se aproximar cada vez

mais dos valores populares praticados

pelo mercado. Se hoje o subsídio para

compra de carros adaptados existe, isso

não deverá ser diferente quando o tipo

de veículo mudar. “O foco da tecnologia

sempre deve ter como preocupação o serviço

ao ser humano e a democratização

de seu uso”, opina Rocha. “Nós vemos

nosso papel, como uma companhia de

seguro, de ajudar o motorista com a

adoção de soluções como essa por meio

de nossas capacidades de gerenciamento

de riscos. Queremos desempenhar nosso

papel permitindo a adoção dessa tecnologia,

para beneficiar toda a sociedade”,

afirma Jinks.

O setor de seguros precisará ser

um ator que investirá forte nas novas

tecnologias ou, apesar de essencial, será

reformulado por empresas que venham

mais alinhadas com o que as evoluções

tecnológicas esperam, especialmente no

que diz respeito à diminuição de burocracias.

Empresas que atuam na confecção

desses carros sabem quanto esse nicho é

importante e algumas já pensam em lançar

os seus modelos com seguro incluso.

2016 11 de outubro

Um carro sem motorista

rodou pelas ruas britânicas

pela primeira vez. O carro

elétrico de dois lugares, desenvolvido

pela Oxbotica

andou por áreas movimentadas,

sendo capaz de realizar

curvas e evitar pedestres

2016 25 de outubro

Um caminhão autônomo

entregou mais de 50

latas de cervejas da cidade

de Fort Collins até Denver,

no estado americano do

Colorado

Hoje

Em média, os carros

autônomos possuem

cerca de 70 sensores,

incluindo giroscópios,

acelerômetros, sensores

de luz e de umidade

Futuro

É estimado que 10

milhões de carros sem

motorista estarão nas ruas

até 2020

23


mobilidade | rc ônibus

Reestruturando a carteira

Com a liquidação extrajudicial da principal

seguradora do setor, corretores e seguradoras se

preparam para receber novas demandas

Lívia Sousa

Após seis meses sob direção

fiscal, a Nobre Seguradora

teve liquidação extrajudicial

decretada pela Superintendência

de Seguros Privados (Susep), em

outubro passado. Com as apólices canceladas,

a companhia não pode transferir a

carteira para outras seguradoras. “Cabe

aos segurados, por meio de seus respectivos

corretores de seguro, demandarem

as seguradoras que possuem autorização

para operar nos ramos de seguro de interesse”,

disse a empresa ao ser procurada

pela Revista Apólice.

A decisão da autarquia afetou diretamente

a carteira de Responsabilidade

Civil Ônibus (RCO), da qual a Nobre era

líder de mercado, e impactou o setor –

inclusive os corretores. “Cerca de 80%

da nossa carteira estava segurada através

da Nobre”, declara Sheylla Minatto, diretora

da Acertcor Corretora de Seguros.

Para normalizar a situação, foi preciso

refazer todos os seguros e explicar para

os segurados que precisariam pagar uma

nova apólice, com novos valores.

Ao contrário da Acertcor Corretora,

a Tangará Seguros não teve nenhum caso

de seguradora com liquidação extrajudicial.

Contudo, alerta para a importância

das corretoras verificarem a solidez das

companhias com as quais trabalham. “O

cliente nos confia a cuidar do seu patrimônio

desde a escolha do melhor produto até

o atendimento de uma ocorrência de sinistro.

Precisamos estar atentos às notícias

oficiais do mercado, evitando transtornos

para os nossos segurados”, diz a proprietária

da empresa, Aparecida Silva.

Na Tangará Seguros, a carteira de

Responsabilidade Civil Ônibus teve um

crescimento médio de 125% em um ano.

Em qualquer que seja a situação, Aparecida

lembra que transportar pessoas é uma

grande responsabilidade e por isso deve se

priorizar tanto a contratação do produto

em si como suas garantias complementares,

que também são importantes para a

tranquilidade do proprietário do veículo.

Poucas opções no mercado

Devido ao aumento do sinistro das

seguradoras que absorveram os clientes

da Nobre, o preço do seguro RCO saltou,

em média, 45% de 2016 para 2017,

principalmente na cobertura de Responsabilidade

Civil para Danos Materiais

causados a Terceiros. O quadro se agrava

ainda mais ao considerar que apenas três

seguradoras operam com a carteira no

O fim da Nobre Seguradora

A empresa, que atuava no mercado segurador desde 1992, fechou o ano de

2015 com um Patrimônio Líquido Ajustado em R$ 53 milhões. De acordo com a

própria seguradora, o valor era insuficiente às exigências da Susep. No mesmo

ano, a Nobre apresentou um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta

(TAC), que foi recusado pela autarquia.

Entrou em direção fiscal em março de 2016, mas a medida não foi suficiente

para tirar a companhia do vermelho. Sete meses depois, a Susep decretou liquidação

extrajudicial. Como houve cobertura para os eventos ocorridos até o dia 3 de outubro,

a Massa Liquidanda da Nobre Seguradora está apurando o valor a ser restituído com

base na relação proporcional entre o prêmio pago e os dias cobertos para futura

restituição. A empresa pede que os beneficiários dos sinistros mantenham seus dados

(como endereço, telefone e e-mail) atualizados na Massa Liquidanda.

momento. “A falta de opções faz com que

o preço aumente e o segurado fique sem

muitas escolhas”, afirma Sheylla.

Entre essas seguradoras está a Essor,

que se estruturou para receber a

demanda. “Temos atendido aos pedidos

de cotação destes corretores e emitido as

propostas contratadas. Apesar do aumento

nos negócios, continuamos mantendo

nosso compromisso com os corretores,

segurados e o mercado, atendendo com

a mesma qualidade e responsabilidade”,

pontua Márcio Feital, diretor técnico de

Auto/Transportes da companhia.

Outra companhia que teve um

incremento na demanda foi a Gente

Seguradora. “Fomos procurados pelos

corretores que assessoram seus segurados,

no intuito de recolocar estes riscos

no mercado. Sendo assim, alguns seguros

foram encaminhados dentro do nosso

nicho de atuação”, declara o responsável

pela área comercial/RCO da empresa,

Carlos Eduardo Pinto de Souza, ressaltando

a importância da contratação do

seguro de RCO. “É uma proteção para

toda a população e os transportadores

de passageiros sentem-se seguros para

melhor atendê-los. No Brasil, existe uma

legislação específica em cada estado da

federação, onde a maioria das empresas

de transportadores de passageiros tem

que atendê-la.”

24


aplicativos | vendas

Conexões sem amarras

A mobilidade física e digital estão intimamente

ligadas. Por isso, os apps do mercado de seguros

ajudam os segurados no cotidiano e seguradores

e corretores, nos negócios

Amanda Cruz

O

celular é a mais importante

ferramenta de conexão com

a internet no Brasil. Apesar

dessa realidade já estar no

inconsciente coletivo das pessoas, sem

precisar de muitos dados, consta no

Suplemento de Tecnologias de Informação

e Comunicação (TIC) da Pesquisa

Nacional por Amostra de Domicílios

(Pnad), realizada em 2014 e divulgada

em abril de 2016 pelo Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística, que 54,9%

dos domicílios brasileiros já têm acesso

à internet e que, nessas casas, 80,4% dos

acessos são feitos por meio do celular –

algumas residências utilizavam celular

e o computador (que ficou com 76,6%

dos acessos). A maior proporção dessa

maneira de conexão ocorre no Nordeste

do País.

Há diversos fatores que corroboram

para que esses sejam os dados brasileiros,

como as razões econômicas, por exemplo.

Mas mesmo aqueles que até pouco tempo

não tinham acesso às redes têm como

preferência os celulares por um motivo:

a mobilidade. “A mobilidade é uma das

principais demandas dos clientes e corretores

do mercado hoje. Temos acompanhado

esse movimento, oferecendo

soluções tecnológicas que atendam suas

necessidades”, afirma Etienne Gonçalves,

gerente de Experiência Digital e Clientes

da Liberty Seguros.

Essas soluções vêm principalmente

com os aplicativos, que existem para os

mais variados fins. Em abril de 2016,

um estudo da Fundação Getúlio Vargas

(FGV) afirmou que o Brasil chegou à

marca de 168 milhões de smartphones em

uso, e dados do Ibope mostram que esses

usuários têm, em média, 15 aplicativos

instalados. O mercado de seguros entrou

nesse mundo, primeiro, com aplicativos

simples como os de consultas para redes

credenciadas, mas eles têm evoluído

e ajudado de maneira mais efetiva no

cotidiano, no momento da ocorrência de

sinistros e também nas vendas do setor,

embora esse último item ainda seja um

ponto delicado nas discussões do mercado.

“A tecnologia tem sido uma ferramenta

indispensável para a companhia

em todas as áreas de negócios”, afirma

o diretor de Tecnologia da SulAmérica,

Cristiano Barbieri. A SulAmérica oferece

seis aplicativos aos clientes em diversas

carteiras e um voltado aos corretores de

seguros. Para além do mercado, a seguradora

desenvolveu uma parceria com o

Waze, conhecida ferramenta de tráfego,

oferecendo informações aos motoristas

sobre trânsito mais seguro. Por meio

dessa parceria, a companhia fornece aos

usuários dicas como aviso para acender

os faróis em estradas, sinalização sobre

velocidade, indicação de alto índice de

acidentes em determinadas vias, entre

outras funcionalidades, além de serviços

como previsão do tempo. A intenção

nessas inserções é aproximar o cliente da

seguradora, que acaba por espalhar a cultura

do seguro e, ao mesmo tempo, fazer a

divulgação de sua marca, relacionando-a

com práticas tecnológicas com as quais

as pessoas já se identificam.

A Liberty também aposta na tecnologia

dos aplicativos, mas afirma não abrir

mão de diferentes canais digitais já conhecidos,

como Skype e as redes sociais,

para estar em contato com aqueles que

procuram a companhia. “Estar próximo

aos clientes e corretores é fundamental

e, já que eles estão mais conectados,

nós também estamos presentes nesses

canais”, afirma Etienne.

25


vendas

❙❙Etienne Gonçalves, da Liberty

Já que telefonar há muito tempo

deixou de ser a função principal dos

celulares, o aplicativo da thinkseg surgiu

como uma alternativa à venda tradicional

de seguros. A plataforma quer que

o cliente cote e contrate seu produto

100% pelo celular, com toda experiência

online. Para alguns, essa dinâmica pode

ser assustadora e representar alguma

ameaça, mas para André Gregori, CEO

da thinkseg, ela representa flexibilização.

Por isso, ao criar a companhia a ideia era

possibilitar que o seguro fosse contratado

em qualquer lugar do mundo, a qualquer

hora. “Essa flexibilidade na contratação

vai ao encontro à rotina movimentada

da vida das pessoas, muitas vezes sem

horário para nada”, afirma Gregori. A

proposta da companhia é modernizar

a comercialização e dar outro papel ao

corretor de seguros. Ao invés de cotar, ele

seria o responsável pelo acompanhamento

da relação entre seguradora e cliente.

“Sempre haverá um corretor envolvido no

processo para mostrar o funcionamento

ao cliente, tirar dúvidas e dar suporte. No

momento, a companhia está cadastrando

corretores para atuarem no seu market

place. O objetivo é atingir mil profissionais

qualificados nesta primeira fase”,

propõe o executivo.

Conhecendo os hábitos

O que desejam os clientes? É impossível

responder essa pergunta sem

conhecê-los muito bem. Em tempos em

que o contato entre vendedores e compradores

é feito cada vez mais na esfera

26

digital, as empresas precisam contar

com mecanismos para descobrir quem

são seus consumidores. Com isso, as

pegadas digitais foram imediatamente

acopladas ao marketing: o caminho que

um perfil faz até que ele finalize uma

compra mostra não só por quais tipos de

produtos ele se interessa, mas também

como ele costuma comprar, quanto tempo

demora a decidir uma aquisição e qual a

periodicidade de suas compras online.

Além disso, o remarketing identifica

as pesquisas dos usuários para que os

anúncios que aparecem em suas páginas

sejam relacionados às suas pesquisas

e cada anúncio se torna personalizado.

Essas práticas agradam uns e desagradam

outros, mas são amplamente utilizadas,

inclusive no mercado de seguros.

“O ambiente digital permite compreender

as tendências de comportamento.

Por isso, quando entendemos as formas de

interação com as seguradoras e as ações

que mais geram resultados positivos, é

possível identificar um caminho para

aperfeiçoar canais de atendimento e serviços.

Acreditamos que seria interessante

para o mercado segurador aproveitar dados

resultantes das interações em aplicativos

e canais digitais para colher insights

sobre o perfil dos nossos clientes e pensar

em novas soluções”, defende Barbieri.

As redes sociais não servem apenas

para que as companhias possam se comunicar

com clientes por meio das páginas,

elas são essenciais para conhecer o consumidor.

“O seguro ofertado em ambiente

online tem de ser diferente do ofertado

no meio offline. Isso é uma realidade. A

inovação tecnológica ainda permite que

as empresas tenham acesso aos hábitos

do cliente para oferecer produtos que vão

ao encontro às necessidades dele”, explica

André Gregori. No caso da start-up, ela

irá vai observar as qualificações dos seus

clientes por meio das redes sociais e do

que é respondido no aplicativo.

O virtual é real

Essa iniciativa é bastante semelhante

à telemetria usada em automóveis, que já

existe no Brasil, mesmo que ainda não

tenha atingido o mercado com força total,

mas que já tem mostrado os lados positivos

desse monitoramento do perfil de

❙❙Cristiano Barbieri, da SulAmérica

motoristas. A Liberty, por exemplo, tem

utilizado e visto resultados. Em agosto de

2015, a companhia lançou um programa

para estimular financeiramente os usuários

com as melhores práticas ao volante.

A tecnologia de um carro conectado é

utilizada para conhecer o comportamento

de direção do consumidor, que pode conseguir

até 30% de desconto dependendo

de seu desempenho. É onde a mobilidade

física se encontra com a mobilidade digital,

permitindo que a sua vida cotidiana,

o caminho de todo dia para o trabalho

ou para buscar os filhos na escola, esteja

atrelada às possibilidades de ganhos para

ambas as partes. “Para o consumidor,

os ganhos estão na individualização do

cálculo do preço do seguro, que passa a

levar em conta o risco real de cada cliente,

ao invés de um cálculo atuarial pelo perfil

médio de mercado”, esclarece a executiva.

Ela completa que embora pelo perfil médio

os jovens de 18 a 24 anos representem

maior risco isso não é, necessariamente,

verdade e a telemetria pode ajudar a separar

esses tipos diferentes de motoristas de

maneira mais precisa. “Para a seguradora,

os ganhos estão em entender melhor o

perfil de seus consumidores e estimular

a mudança de comportamento desses

motoristas que buscam uma direção mais

segura e têm um feedback em tempo real

sobre como estão dirigindo e onde podem

melhorar”, explica.

Nesse sentido, em fevereiro de 2017,

a thinkseg formalizou uma proposta de

acordo com a Prefeitura de São Paulo

para adoção do app, por meio de docu-


❙❙André Gregori, CEO da thinkseg

mento digital enviado ao assessor especial

André Magalhães, da secretaria de

Relações Internacionais do Município

de São Paulo. O intuito é justamente

acompanhar os motoristas por meio da

plataforma. “O assunto está em estudo,

mas é uma boa maneira de premiar o

bom motorista. O app pode ser uma boa

maneira da atual administração conceder

benefícios aos motoristas mais conscientes

no trânsito da cidade”, opina Gregori.

As mudanças nas formas de vendas

em todas as carteiras está mesmo em

pauta. Durante um evento ocorrido em

São Paulo, o Fórum S2, muitas foram

as discussões sobre o que deve mudar

na comercialização. A superintendente

Comercia & Trade Marketing da Zurich,

Michele Borba, falou sobre a evolução do

contato com os clientes e como o online

conquistou o mercado e se tornou um

caminho sem volta. “Nós não falamos

mais nem em millenials, porque não é

algo só de geração, as pessoas mais velhas

podem estar tão ou mais conectadas do

que os mais jovens”, pontuou. Assim, o

trade marketing – modalidade em que

empresas analisam os consumidores e

suas particularidades para direcionar

suas campanhas e canais de mídia – que

já era feito por meio das pesquisas e relacionamento

com clientes por uma central,

hoje está muito mais evoluído.

Michele lembra que a interação nas

lojas físicas tende a ficar menor, enquanto

as lojas virtuais devem oferecer experiências

mais diversificadas, o que muda o

papel do vendedor e também do corretor.

A mudança do perfil do consumidor

para alguém mais conectado altera toda

a dinâmica.

Segundo a executiva, mesmo quando

os consumidores ainda vão à loja física,

chegam com pouca paciência para a experiência

de compras, porque esse cliente

já viu o preço, já pesquisou em outras

lojas, sabe as características do que quer

etc. É preciso preparar o vendedor para

isso. “O vendedor não é mais aquele cara

que sabe tudo. Muitas vezes, o cliente

chega sabendo mais do que ele. O que

o vendedor precisa é focar nas relações

humanas e fazer com que as pessoas se

relacionem com o que estão vendendo”,

enfatiza a executiva.

Até o início dos anos 2000, a internet,

ainda muito recente e sem abranger

grande parte da população brasileira,

tinha fama de terra de ninguém. Com

a utilização das redes, e os problemas

que surgiram ao longo do tempo, isso

tem mudado. Cada vez mais, a legislação

tenta acompanhar as mudanças, que

são rápidas demais. Essa evolução tem

deixado as pessoas mais confiantes para

utilizar o meio digital, tanto que uma

pesquisa realizada pela Ipsos, a pedido

do Facebook, mostra que 76% dos brasileiros

utilizam internet banking, sendo

90% dos acessos oriundos dos smartphones.

A tendência nas companhias

de seguros é que esses canais digitais

também absorvam as interações com

os clientes. “Com a implantação do conceito

Click-Call-Face, para atendimento

aos consumidores, notamos a maior

procura pelo autosserviço e, inclusive,

registramos uma redução de ligações

telefônicas”, diz Barbieri.

Mais do que a resistência do mercado

de seguros, que é natural, a venda por

aplicativos precisaria convencer o usuário.

Parece que as companhias já têm

conseguido isso. Cada uma a sua maneira,

as interações digitais crescem e o mercado

se reinventa. “Resiliência é o nome do

jogo. Acreditamos que esse é o modelo

do futuro, do novo comprador de seguros.

Até porque, em qualquer lugar do mundo,

as pessoas resistem à tecnologia. O fato é

que não há alternativa. Ou a sociedade se

movimenta para ficar antenada ou ficará

presa ao passado”, sentencia Gregori.

A influência do

digital sobre

as lojas físicas

64%

das pessoas que

compram online dizem

que foram influenciadas

por ações online de

empresas de varejo

42%

das pessoas que

utilizam smartphone

na França disseram

terem sido influenciadas

durante a compra em

loja física por terem

acessado a internet

44%

das pessoas na

Alemanha disseram

que considerariam

consumir um produto

de uma marca diferente

da que normalmente

consumiria caso

encontrassem

informações relevantes

online

27


mercado | débito automático

Pagamento cancelado

28


Débito automático é suspenso pelos bancos

mesmo com o sinal verde do cliente que

contrata ou renova um seguro. Entrave pode

trazer sérios problemas aos corretores, segurados

e seguradoras

Lívia Sousa

O

cliente procura o corretor

para renovar o seguro ou

contratar uma nova apólice.

Até o fechamento do

negócio, o processo corre sem qualquer

dificuldade. Mas quando o segurado entra

em contato com o banco para autorizar o

débito automático das parcelas, o pagamento

é cancelado. No atendimento das

instituições bancárias, a alegação quase

sempre é a mesma: erro no sistema.

Não são raros os relatos de corretores

e segurados que enfrentam este problema

em diversas carteiras. “Tive caso em

que o cliente foi até a agência bancária e

conversou com o gerente para autorizar

o débito. Segundo a gerência estava tudo

confirmado, mas no dia do débito o banco

devolveu a cobrança”, diz o corretor Ednir

Fornazzari, da Fornazzari Corretora

de Seguros. Dez a quinze segurados se

queixaram da negativa da instituição

bancária apenas nesta corretora.

Já na RGSegs Corretora de Seguros

foram dois clientes de seguro automóvel.

Um deles contratou a apólice e foi avisado

pela corretora sobre a data do débito. Passados

dois dias do vencimento, informou

a companhia que a seguradora não havia

debitado o valor da primeira parcela. O outro

solicitou a renovação do seguro em dez

vezes, mas o débito ocorreu somente até a

6ª parcela. “Soubemos do ocorrido após os

segurados nos avisarem”, afirma o corretor

Rogério Gomes. Por sorte nenhuma das

duas apólices foi cancelada. “Regularizamos

a situação dos clientes na seguradora

graças ao contato que fizeram”, declara.

Modernidade em xeque

Instituída pelo Banco Central, a

autorização obrigatória do correntista

para a realização do débito automático

poderia facilitar a vida do segurado e do

corretor. Por outro lado, faz Fornazzari

questionar o poder da tecnologia. “O

débito em conta corrente prejudicou a categoria.

Nem todas as seguradoras avisam

o corretor sobre a devolução. Até temos

esse controle, mas não podemos parar de

produzir e de resolver problemas internos

para solucionar o que teoricamente já

estava resolvido [o seguro contratado ou

renovado]”, argumenta.

Quando o problema ocorre, algumas

seguradoras enviam um boleto para que

o segurado pague a parcela sem juros.

Outras, no entanto, cancelam automaticamente

as demais parcelas caso a primeira

não seja quitada. Nestes casos, o corretor

precisa voltar a enviar uma nova proposta

ou até mesmo um novo orçamento para

o cliente. “Já se cogita nos bastidores do

mercado a adoção da antiga e boa fórmula

dos quatro cheques”, revela Fornazzari.

Relação afetada

Este tipo de entrave pode estremecer

a relação entre corretor e segurado, que

tem a confiança como principal pilar. Ao

passar por essa situação, o cliente questiona

se a corretora realmente recebeu o

comunicado da seguradora e não repassou

a informação. Em caso de sinistro, o

❙❙Ednir Fornazzari, da Fornazzari

transtorno é ainda maior. “O segurado está

certo de que tem o seguro. O corretor, mais

ainda. Aí vem a surpresa. É a certeza de

perder o cliente, porque fica a palavra de

um contra o outro”, destaca Fornazzari.

Igualmente afetada é a relação entre

corretor e seguradora. Ao não confiar no

sistema do banco junto a determinada

companhia, a corretora opta por trabalhar

com outra seguradora. Para que isso não

aconteça, é imprescindível uma maior

aproximação das seguradoras e das

instituições bancárias com as corretoras

de seguros. Para Rogério Gomes, a responsabilidade

de repassar a informação

do cancelamento do débito é de todos os

envolvidos no processo. Caso contrário,

as corretoras ficam vulneráveis ao estresse

e às reclamações.

“Quando acontece um sinistro, a

primeira coisa que o segurado faz é ligar

para o corretor. Por isso, precisamos ter

em mãos todas as informações detalhadas,

mesmo porque o cancelamento do

débito já autorizado pelo cliente pode

ocasionar uma ação judicial por parte do

segurado”, frisa.

No topo das reclamações

O Banco do Brasil e o Itaú são

apontados pelos corretores como as instituições

financeiras que mais cancelam

o débito autorizado pelos segurados. Procurado

pela Revista Apólice, o Banco do

Brasil declarou, em nota, que modificou

o procedimento de débito automático em

conta corrente de clientes realizado por

empresas conveniadas e passou a exigir a

confirmação do débito pelo cliente, diretamente

em agência ou por qualquer canal

de atendimento (terminais de autoatendimento,

internet, aplicativo para celular e

central de atendimento telefônico).

“O procedimento visa atender determinações

legais e oferecer maior

segurança jurídica e transparência a

todas as partes envolvidas. As alterações

promovidas pelo BB alcançaram

todos os conveniados e contratantes dos

serviços, sem exceção, independentemente

do ramo de atividade”, afirmou a

instituição bancária, acrescentando que

o serviço de débito automático do banco

é disciplinado pelas normas do Banco

Central e segue o que está preconizado

29


débito automático

❙❙Rogério Gomes, da RGSegs

no Manual da Federação Brasileira de

Bancos (Febraban).”

Também procurada, a Febraban disse

que a cada novo contrato com a seguradora

é necessário que o cliente autorize

novamente o débito automático em sua

conta corrente – mesmo que esse débito

tenha sido autorizado no ano anterior,

pois trata-se de um contrato novo.

O Itaú não se pronunciou até o fechamento

desta edição.

Minimizando os impactos

As seguradoras passaram a adotar

mecanismos específicos para atender aos

casos de rejeições bancárias por falta de

autorização. A Liberty Seguros, por exemplo,

comunica os clientes, corretores e sua

força de vendas quando o banco informa

que não houve autorização do correntista.

“Nesse caso, geramos um novo boleto, sem

cobrança de juros, e com a prorrogação

da data de pagamento para o cliente”,

explica a superintendente de Tesouraria

da companhia, Neide Pinotti. Os boletos

são emitidos com mais sete dias de prazo

para serem quitados.

Já a Sompo só é informada de que a

operação não está autorizada após tentativa

de débito. Três dias antes da data do pagamento,

a seguradora envia mensagens via

SMS e e-mail ao cliente e ao corretor informando

sobre o vencimento e a necessidade

de autorização. Se a situação não for regularizada,

no dia posterior à rejeição do débito

pelo banco são enviadas outras mensagens

via SMS e e-mail para informar sobre a

negativa e que é necessária a autorização.

30

Caso a situação persista, é enviado

outro e-mail informando que, novamente,

não foi efetuado débito da parcela por falta

de autorização. Nesse momento também

é solicitado ao segurado e ao corretor

que entre em contato com a seguradora a

fim de evitar o cancelamento da apólice.

Em paralelo, a Sompo efetua o contato

via telefone com o segurado para, mais

uma vez, prestar esclarecimentos sobre a

situação e, se necessário, instruí-lo sobre

as medidas cabíveis para autorizar o débito

e regularizar a situação.

“Devido a esta ação específica, a

inadimplência por este motivo é inferior a

3%, um índice satisfatório para empresas

que trabalham com grande volume de

cobranças via débito automático ou boleto

bancário”, afirmou a companhia, em nota.

Outra companhia que adotou o aviso

via SMS é a Tokio Marine. A mensagem é

enviada quatro dias antes do pagamento.

Além disso, quando o corretor informa

no sistema de cotação da seguradora

que a cobrança será via débito em conta,

a companhia apresenta uma mensagem

reforçando a necessidade de autorização

prévia junto ao banco do segurado. No

Portal Nosso Corretor, os profissionais

também têm acesso a uma relação de

clientes que estão com as parcelas pendentes

de autorização de débito.

“Se mesmo após os alertas não

ocorrer o débito, alteramos a forma de

cobrança da parcela para boleto, emitido

automaticamente pelo nosso sistema, e

enviamos via e-mail para o corretor, para

que o mesmo envie ao segurado e esse

possa efetuar o pagamento, evitando assim

o cancelamento”, explica José Adalberto

Ferrara, presidente da companhia.

Como alternativa aos segurados, a

Tokio instituiu no ano passado o pagamento

sem juros no cartão de crédito para os

produtos Automóvel Individual, Residencial

Premiado e Empresarial – Pequenas

Empresas. A nova forma de pagamento,

segundo o presidente, ajuda os corretores

a reduzirem problemas de inadimplência

em suas carteiras.

A Porto Seguro, por sua vez, lembra

que o procedimento de pré-autorização

para os débitos em conta-corrente é um

processo de relacionamento exclusivo

entre banco e correntista, protegido por

❙❙Arthur D’Amoed Neto, da SulAmérica

sigilo e totalmente independente da contratação

do seguro. Em nota, a companhia

declarou que no momento da transmissão

da proposta de seguro alerta o corretor

para a necessidade de pré-autorização do

débito, além de disponibilizar um manual,

fornecido pelos bancos, com orientações

para o segurado.

“Quando o débito não é efetuado

por ausência de pré-autorização, a Porto

Seguro prorroga a data de vencimento da

parcela e encaminha um boleto bancário,

sem cobrança de qualquer encargo adicional,

viabilizando outro meio para que

o segurado possa regularizar a parcela e

manter a cobertura securitária”, esclareceu

no documento, que também responde pelas

empresas Azul Seguros e Itaú Seguros.

Vice-presidente de Relações com Investidores

da SulAmérica, Arthur Farme

D’Amoed Neto declara que os bancos

vêm, corretamente, adotando medidas

para reduzir a frequência de casos de

fraudes em meios de pagamentos. Nesse

âmbito, adotaram procedimentos com

relação à modalidade de pagamento por

meio de débito em conta-corrente para

compras de produtos e serviços que exigiram,

no caso da indústria de seguros,

alguns ajustes nos respectivos processos

de cobrança.“Entendemos que o cenário

já se encontra estabilizado, com grande

parte do mercado envolvido também nas

providências necessárias à adaptação de

seus processos para a próximas fases de

cobrança registrada, em linha com um

movimento promovido pela Febraban com

o mesmo objetivo”, conclui o executivo.


evento | 6 0 encontro de resseguro

Congresso mostra os desafios do

resseguro 10 anos após a abertura

6º Encontro de Resseguro

do Rio de Janeiro mostra

que muita coisa mudou

neste período, desde a

reserva de mercado até a

inovação em produtos

Kelly Lubiato

Uma comemoração e tanto

para os dez anos de mercado

aberto de resseguros. O 6º

Encontro de Resseguro do Rio

de Janeiro reuniu mais de 600 pessoas

para mostrar como será o futuro desta

operação em terras brasileiras.

Na abertura, o presidente da Fenaber,

Paulo Pereira, lembrou que, nesse período,

o faturamento anual saltou de R$ 3,8

bilhões para R$ 10 bilhões. Hoje, atuam

no país 128 resseguradoras, entre nacionais

e estrangeiras, e ainda 24 corretoras

de resseguro.

Ele destacou o parecer da Receita

Federal sobre o Imposto de Renda do

ressegurador admitido, que, por esse

entendimento, deve pagar o imposto

como se fosse local. “O impacto pode

ser muito grande, com consequências

imprevisíveis”, afirmou.

O presidente da CNseg, Marcio Coriolano,

ressaltou que, apesar do ambiente

recessivo, o crescimento nominal do mercado

segurador sobe. “Com a queda da

inflação, o setor já vive um crescimento

real, em contraste com a relativa inércia

de setores mais dinâmicos.” Para ele, a

aprovação das reformas previdenciária e

trabalhista será fundamental para criar

um ambiente de confiança no país.

O diretor-presidente da Agência

Nacional de Saúde (ANS), José Carlos

Abrahão, pediu que a atuação do setor de

resseguros seja estendido à saúde suplementar.

“Vamos trabalhar essa ferramenta,

que será mais um produto para as resseguradoras

e uma garantia para o sistema.”

Neste mesmo sentido, a presidente da

Fenasaúde também conclamou os resseguradores

a serem mais criativos na oferta

de produtos. Entretanto, as companhias não

sentem confiança no sistema regulatório

das regras para este setor. Há um impasse.

O cenário econômico atual foi

mostrado pelo economista Alexandre

Schwartsman, do Insper. Em seguida, a

Plenária II debateu o projeto de lei 3.555,

que visa a regular os contratos de seguro

no país. Participaram os advogados André

Tavares, João Marcelo Santos, Marcelo

Mansur e Sergio Ruy Barroso de Mello.

Alesandra Monteiro, subscritora do

IRB-Brasil Re, mostrou que é possível

ser feita uma parceria entre seguradoras

e resseguradoras com o objetivo de criar

novos produtos de vida e novas formas de

aceitação do risco. “Os grandes desafios

do mercado de seguros e resseguros são:

encontrar soluções mais eficientes de

subscrição, personalizando produtos sem

perder a qualidade e a margem técnica”,

destacou. É preciso fidelizar clientes

e estabelecer relações de longo prazo,

identificando padrões comportamentais

do consumidor para desenvolver produtos

mais adequados.

No período de dez anos de abertura,

Marcos Castro, CEO do Lloyd´s no

Brasil, lembrou que 11 intervenções

importantes ocorreram no marco regulatório,

despertando insegurança entre os

players. Segundo a Federação Europeia

de Seguros e Resseguros, “resseguro é

uma das indústrias mais globalizadas

do mundo atualmente. A habilidade

singular dos resseguradores de agrupar

riscos e pagar sinistros em escala global

tem, para empresas e consumidores, os

mesmos efeitos de prosperidade do livre

comércio, pois ajuda a estimular o crescimento

econômico, empregos e fomenta

a estabilidade”. Uma reflexão sobre isso

precisa estar no radar de todos para um

mercado cada vez mais próspero.

31


eventos

Corretores irão a Cancún

A Previsul Seguradora apresentou sua nova campanha

de incentivo aos corretores de São Paulo. Intitulada como

“Sou+Previsul – Você+leve muito em breve”, a ação levará os

profissionais para Cancún, no México.

Além da viagem, com direito a um acompanhante, os

corretores participantes que atingirem R$ 6 mil em vendas

novas emitidas ganharão prêmios mensais inspirados no

destino final. Serão contemplados os 15 corretores com maior

produção durante o período da campanha, válida de 1º de

janeiro a 31 de dezembro deste ano.

O presidente da seguradora, Renato Pedroso convidou

os profissionais a participarem da ação da companhia que,

agora, trabalha com o slogan “Para o hoje ser + leve como a

vida pede”.

“Podemos trazer a segurança do amanhã com a clareza e

a leveza do hoje e oportunizar ao nosso segurado viver com

mais tranquilidade e mais leveza, tendo o seu seguro garantido”,

explicou Pedroso.

Argo na UCS

A União dos Corretores de Seguros (UCS) recebeu a Argo para

apresentação de sua plataforma digital. Na foto: Marcelo Guirao,

Salvatore Lombardi, Lourdes Morales, Roberto Uhl, Mara

Sutto, Fernando Cantreras, Raquel Gomes e Pedro Purm.

Camaracor recebe a Porto Seguro

Foto: Julianny Mestriner

Rodrigo Ricciardi (gerente sucursal), Renato Pedroso (presidente), Andreia

Araújo (diretora de Negócios) e Claudionir Fontana (gerente Sul)

Braz Romildo (Camaracor), Eva Miguel (diretora Comercial SP

da Porto Seguro), Pedro Barbato (presidente da Camaracor),

Rivaldo Leite (diretor executivo de Produção da Porto Seguro) e

Jorge Teixeira (Camaracor)

Novas oportunidades para o corretor

Acostumada a crescer acima da inflação, a indústria de seguros

viu os resultados encolherem nos últimos dois anos. No

entanto, sinais positivos já começam a aparecer. Um deles é a

estimativa do Banco Central de que o processo

de recolocação das empresas deve

começar no último semestre. O índice de

confiança do setor também mostra boas

perspectivas e atingiu, em janeiro deste

ano, o maior nível desde 2014, quando o

mercado estava em alta.“Não há motivos

para expectativas ruins. Já batemos no

fundo do poço e agora estamos em um

momento de retomada lenta”, disse o presidente

da Tokio Marine, José Adalberto

Ferrara, durante almoço realizado pelo

Clube dos Corretores de Seguros de São

Paulo (CCS-SP) no início de março.

Mesmo quando a economia não

32

vai bem, novas oportunidades se abrem para o corretor. É

necessário pensar de forma diferente para que o mercado

securitário cresça e nisso os corretores exercem papel fundamental.

Para auxiliá-los, a seguradora

apostou no desenvolvimento de novos

canais de distribuição com a ferramenta

Tokio Marine no Varejo. “Essa classe consome

a garantia estendida do televisor, o

seguro contra roubo e furto do celular e

compra o produto de acidentes pessoais

nos pontos de venda. Ela consome aquilo

que o corretor não vende. Os profissionais

fogem desses produtos e não fazem ideia

do potencial do segmento”, destacou

Ferrara, acrescentando que a empresa

auxiliará os lojistas a utilizar a ferramenta. O

corretor que apresentar o ponto de venda

à seguradora receberá comissão.


As metas da nova gestão

A nova gestão do Clube Vida em Grupo de São Paulo - CVG-SP - realizou o primeiro encontro com o mercado após a posse, dando

continuidade aos tradicionais almoços da entidade. A intenção do encontro foi apresentar caminhos e pilares que serão

❙❙utilizados pelo novo grupo de comando

25 anos de atuação

Há 25 anos, a operadora de saúde Ameplan

entrava no mercado. Em 2017, para comemorar

essa data, a companhia escolheu o bistrô Paris 6, em

São Paulo, onde recebeu mais de 100 pessoas para

comemorar seu Jubileu de Prata.

O presidente da operadora, Ali Hussein Ibrahin

Taha, relembrou a trajetória da empresa e apresentou

uma novidade para os convidados: a aquisição da

Beta Saúde, empresa de diagnóstico que deverá proporcionar

a ampliação do alcance da Ameplan em

São Paulo. Ele falou do atendimento da companhia,

que inaugurou uma nova sede administrativa, em

Santo Amaro, e que disponibiliza quatro hospitais

referenciados para atender seus beneficiários. A

operadora se faz presente com hospitais em toda

a cidade: zona sul, leste, oeste e o hospital da zona

norte, que está sendo finalizado e deverá ser entregue

ainda em 2017.

Durante a festa, o presidente Ali Hussein foi parabenizado

por autoridades como o superintendente

regional do INSS de São Paulo, José Carlos Oliveira;

os vereadores Rodrigo Goulart e Isac Felix; além dos

deputados federais Goulart, Cleber Verde Cordeiro

Mendes e Arnaldo Faria Sá.

As fontes renováveis

As fontes de energias renováveis, cada

vez mais presentes nas discussões do setor

de seguros, foram o tema da primeira edição

do Travelers International Summit no

Brasil, promovido pela seguradora Travelers.

Leonardo Semenovitch, diretor presidente

da companhia, disse que o setor

energético deverá estar entre as prioridades

de desenvolvimento e um ramo no qual a

companhia quer ser reconhecida. “O mercado

tem respondido de forma positiva à

solução que estamos desenvolvendo, uma vez que inclui um conjunto

abrangente de produtos e serviços que atendem aos riscos inerentes

do setor de energias renováveis. Pretendemos continuar promovendo

melhorias e compartilhando nossa experiência”, afirmou.

As energias mais utilizadas, e reconhecidas, são a eólica e a solar. No

Brasil, mesmo com aumento de investimento nessas matrizes, a energia

eólica representa apenas 6% da energia utilizada no país, enquanto a

porcentagem de energia solar é incipiente. “O Brasil tem apenas 2%

de sua capacidade eólica sendo utilizada”, ressaltou Natã Alves, subscritor

de Riscos de Energia. O executivo fez ainda uma comparação

com a Alemanha, a líder mundial em energia solar: “o melhor local de

incidência de energia solar na Alemanha é pior do que o lugar menos

propício a essa energia no Brasil”, exemplificou. Quanto o assunto é

vento, a China é a campeã.

Para gerir esses riscos, de acordo com Jonathas Abdopu, gestor na

área de Energia, existem quatro boas estratégias: a transferência – que

consiste em contratar o seguro e ceder essa responsabilidade; mitigar

– já que nem todo risco pode ser transferido e os sinistros podem

continuar acontecendo, é preciso diminuir os danos à imagem, o que

depende de uma boa governança corporativa e movimentação interna;

reter ou assumir riscos - perdas esperadas, como novos investimentos,

por exemplo; e, por último, eliminar: ver o que pode ser substituído e

definitivamente riscar certas situações da operação da empresa. “Ter

uma gestão de riscos madura melhora a imagem da empresa no mercado.

Isso traz mais ganhos e oportunidades”, afirmou.

33


Os temas centrais da discussão

neste evento, além dos ramos

elementares e benefícios,

estão ligados ao cenário

político-econômico brasileiro. Reforma

da previdência e operação Lava-Jato

fizeram parte dos debates.

A presidente do Sindicato dos Corretores

de Seguros de Minas Gerais,

Maria Filomena Branquinho, afirmou

na abertura que os corretores precisam

vencer a concorrência de um mercado

livre, da internet e das associações que

vendem seguro ilegal. “Em julho completa

10 anos da luta contra estas entidades

e sempre que necessário o corretor, nas

cidades mais afastadas, colabora para a

coleta de documentos para que possamos

fazer uma representação junto aos órgãos

competentes. Agradeço ao Mendanha

(Joaquim Mendanha, superintendente da

Susep) porque estes processos não ficam

mais na gaveta”, comemorou.

As lideranças do mercado se reuniram

para fazer um resumo de suas ações

no setor. Joaquim Mendanha, superintenevento

| 9 0 congresso de minas gerais

Oportunidades estão

em toda parte

9º Congresso Estadual de Corretores de Seguros de

Minas Gerais reflete a nova realidade do corretor de

seguros, que precisa buscar novas oportunidades

em outras carteiras além do automóvel

Kelly Lubiato

dente da Susep, disse que a intenção do

órgão é ser referência internacional em

termos de regulação. “Um dos objetivos é

viabilizar a autorregulação dos corretores

de seguros. A partir de 2 de maio será feito

o recadastramento”, adiantou. Mendanha

afirmou que a autorregulação é essencial

para a supervisão de mais de 100 mil

corretores, além de ser fundamental para

desenvolvimento do segmento.

O mercado será exigido na questão

da previdência, que está em evidência

por conta da reforma anunciada pelo

Governo Federal. Por isso, os corretores

serão obrigados e entender um pouco

mais sobre previdência privada. Para o

superintendente, os corretores terão papel

fundamental na divulgação do produto.

Vale lembrar que hoje a esmagadora

maioria das vendas é feita via instituições

bancárias.

Robert Bittar, presidente da Escola

Nacional de Seguros, pontuou que a

instituição é a ferramenta ideal para a

capacitação dos corretores de seguros. “A

ENS se incumbe da formação desde os

cursos básicos, os técnicos até o ensino

superior e pós-graduação. Ela também

atua em outros pontos de apoio à cultura

do seguro, realiza mais de 200 palestras

por ano. 33 mil pessoas participaram

destes eventos”, enumerou.

Nas palestras temáticas, o seguro

auto e os seguros de pessoas estiveram

presentes. A mensagem, mais uma vez,

é a de que os corretores precisam diversificar

suas carteiras.

O estado de Minas Gerais tem 21

milhões de habitantes e 5,9 milhões de

unidades habitacionais. O índice de penetração

do seguro residencial é de menos

de 10%. A título de comparação, São Paulo

tem 27% de penetração, o que geraria

cerca de R$ 100 milhões em comissões

caso se equiparasse aos paulistas.

Este não é um número impossível de

ser alcançado.

Normalmente, as pessoas não contratam

o seguro residencial porque não

vêem a necessidade e imaginam que é

caro. Para estimular o consumidor, algumas

dicas dos especialistas: comunicar

melhor coberturas e benefícios; buscar

parcerias em condomínios, empresas e

imobiliárias; personalizar a abordagem

e a oferta com as necessidade de cada

público; ampliar a oferta; explorar a sua

propria carteira e destacar eventos ocorridos

na região que estariam amparados

pelo seguro.

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