Revista Apólice #214

revistaapolice

Ano 21

Número 214

Setembro 2016


editorial

Ano 21 - nº 214

Setembrop 2016

Esta revista é uma

publicação independente da

Correcta Editora Ltda

e de público dirigido

Diretora de Redação:

Kelly Lubiato - MTB 25933

klubiato@revistaapolice.com.br

Diretor Executivo:

Francisco Pantoja

francisco@revistaapolice.com.br

Repórteres:

Amanda Cruz

amanda@revistaapolice.com.br

Lívia Sousa

livia@revistaapolice.com.br

Executiva de Negócios:

Graciane Pereira

graciane@revistaapolice.com.br

Diagramação e Arte:

arte@revistaapolice.com.br

Articulistas:

J.B. Oliveira

Tiragem:

15.000 exemplares

Circulação:

Nacional

Periodicidade:

Mensal

CORRECTA EDITORA LTDA

Administração, Redação e Publicidade:

CNPJ: 00689066/0001-30

Rua Loefgreen, 1291 - cj. 133

V. Clementino

Cep 04040-031 - São Paulo/SP

Telefones (11) 5082-1472 / 5082-2158

Os artigos assinados são de responsabilidade

exclusiva de seus autores, não

representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

Ano difícil para

todos os setores

Será que já atingimos o fundo do poço econômico? Alguns especialistas

acreditam que sim, apesar de afirmarem que a recuperação

ainda levará bons anos. A indústria automobilística ainda sofre com

quedas constantes e não dá sinais de recuperação. Mas, como disse

uma empresária venezuelana “mesmo em crises profundas as pessoas

vão para o trabalho, saem para comer, a vida continua”.

No mercado de seguros, os efeitos da crise são retardados e demoram

um pouco a aparecer. Entretanto, quando se instalam demoram

um pouco mais para a recuperação. Agora, estamos conhecendo

a crise de perto em nosso setor, com ganhos muito mais magros

e perda efetiva na quantidade de segurados.

Por isso, as seguradoras intencionam, cada vez mais, aumentar

a quantidade de itens de seguro vendidos para cada cliente. Para

aquele enorme contingente que não possui mais capital para adquirir

um produto completo, a solução está sendo criar novas oportunidades

com menos coberturas. É o caso dos seguros de automóveis

sem a cobertura de perda parcial, que estão sendo comercializados

por todas as grandes seguradoras. É um ajuste que as companhias

foram obrigadas a fazer para atender um nicho específico de mercado

que se formou a partir da nova realidade econômica.

Nesta edição mostramos uma grande diversidade de produtos

que podem trazer novas oportunidades para os corretores de seguros.

Transporte, seguro rural, tecnologia, eventos, investimentos, esporte,

enfim, temas capazes de abrir novas perspectivas de atuação.

Como disse o especialista Hitendra Patel: para inovar é preciso ter

muitas referências (aprendizado de forma geral, tudo vemos, ouvimos,

sentimos, que se transforma em pontos dentro de nossa cabeça).

A inovação vem da diferente ligação entre estes pontos, da forma

diferente como enxergamos as possibilidades.

Acesse nosso site

www.revistaapolice.com.br

Siga nosso

twitter.com/revistaapolice

Curta nosso

Revista Apólice

Boa leitura!

Diretora de Redação

Mande suas dúvidas, críticas e sugestões para redacao@revistaapolice.com.br

3


sumário

18

22

26

6

16

18

22

26

32

36

42

|

|

|

|

|

|

|

|

painel

gente

investimentos

O mercado de investimentos é arriscado, mas pode contar com alguns

produtos de seguro para minimizar seus impactos

rural

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento, “sobraram” R$ 48 milhões da safra de inverno. Mesmo

neste cenário a carteira continua crescendo

eventos

Da festa intimista, realizada em casa, aos grandes shows internacionais:

o seguro garante tranquilidade para qualquer tipo de ocasião

esporte

No golfe, a maior honraria de um praticante pode ser também um risco

para as suas finanças: conheça a cobertura hole in one, que protege

uma grande vitória no golfe

transporte

Vital para a garantia dos negócios no setor, o gerenciamento de risco

auxilia na identificação de tendências e no planejamento de ações que

permitem as companhias agirem preventivamente

posse

Em cerimônia realizada em Salvador, SindSeg BA/SE/TO empossa nova

diretoria. Executivos ficarão à frente da entidade até 2019

32

36

44

46

48

50

54

56

57

58

|

|

|

|

|

|

|

|

painel saúde

tecnologia

Realidade aumentada, que ganhou notoriedade com o Pokémon Go,

já não é novidade para mercado segurador.

previdência

Fenaprevi discutiu a necessidade e propostas para reformas na Previdência

Social durante evento em São Paulo

sul

Rio Grande do Sul: Sincor-RS promove a décima edição do encontro

de corretoras de seguro do estado

Santa Catarina: O 6° Encontro Catarinense da Mulher Profissional de

Seguros trouxe temas atuais para debate em dois dias de evento

painel eventos

inovação

Nem sempre a inovação é disruptiva, mas ela traz em seu escopo o

treino de lançar um olhar diferente para formas de realizar coisas. É o

pensar fora da caixa

blockchain

As seguradoras precisam ter dados consistentes para que possam fazer

os melhores negócios e mitigar os erros de contratação. Compilar e

dividir dados é a estratégia mais acertada para alcançar essa meta

comunicação

4


5


painel

• nprofissional

Cresce número de corretores de

seguros em São Paulo

No Estado de São Paulo, o número de corretores de seguros

teve aumento nos últimos 12 meses, em comparação

ao mesmo período do ano anterior. Empresas computaram

alta de 7% e, entre pessoas físicas, 6%. Os dados são da

Carta de Conjuntura do Setor de Seguros, do Sincor-SP.

De acordo com o estudo, o fato se deve ao maior interesse

pela profissão e pelo segmento de seguros. Existem

também razões fiscais, como a possibilidade de tributação

pelo Simples Nacional, que estimulou corretores pessoas

físicas a se tornarem empresas. Ao final de julho, o total

de corretores de seguros no Estado era de 39,5 mil, sendo

63% pessoas físicas e 37% pessoas jurídicas.

Quanto aos números do mercado de seguros e da

economia brasileira, foi apontada melhora em algumas

variáveis econômicas. Por exemplo, índices que medem a

confiança dos setores, o comportamento do dólar comercial

(de um patamar de R$ 4,00 para R$ 3,20) e a diminuição

das perdas do PIB, previstas para 2016, passando

de -3,9% para -3,2%.

De acordo com o presidente da entidade, Alexandre

Camillo, os momentos de adversidade econômica podem

ser oportunos. “A situação da economia no País e a expectativa

dos profissionais vêm melhorando aos poucos.

As notícias positivas refletem imediata e diretamente nas

pessoas, trazendo muito aprendizado. Mas a fase pós-crise

é ainda mais proveitosa, pois há estoque de vontade e de

negócios a serem feitos”, declara.

• nremanejamento

Fenacor apresenta nova estrutura

organizacional

A Diretoria Plena da Federação Nacional dos Corretores de

Seguros (Fenacor) alterou a sua estrutura organizacional, com

o objetivo de aprimorar os processos internos e a interação com

os profissionais, sindicatos e entidades do setor de seguros em

todo o Brasil. Foi aprovada a criação da Ouvidoria Geral, que

ficará a cargo de Wanderson

do Nascimento (presidente do

Sincor-BA), e a integração de

todas as ações da área de comunicação,

incluindo assessoria

de imprensa e redes sociais, na

Diretoria de Comunicação Integrada,

que terá como responsável

Erico Melo Nery (presidente

do Sincor-SE).

Outra mudança é a extensão

de atividades e funções de

duas vice-presidências. Celso

Marini, que hoje atua na área

de Relações Institucionais, foi

nomeado diretor de Assuntos e Ações Legislativos. Já Alexandre

Camillo, vice da região Sudeste, ficará responsável também pela

área de Certificação Digital.

Alberto Célio Cotrin Leite assumiu o cargo de diretor

secretário da Federação, no lugar de Joaquim Mendanha, que

foi nomeado pelo Governo para comandar a Superintendência

de Seguros Privados (Susep). A vice-presidência da Federação

para a região Norte também sofreu mudanças. Jair da Conceição,

presidente do Sincor-TO, passa a responder pelas ações locais.

• nserviço

Parceria para consertos de pintura e funilaria

A Porto Seguro Faz firmou uma

parceria com a DiskReparo para oferecer

pequenos reparos de pintura e funilaria

em automóveis a clientes e não clientes

da seguradora na capital de São Paulo.

Estão disponíveis serviços como

repinturas e reparos em pequenos amassados,

ralados na lataria, recuperação de

trincas de para-choques, retrovisores,

apliques, entre outros. O atendimento

poderá ser realizado no local que o cliente

desejar, desde que atenda a algumas

recomendações como ser coberto e iluminado,

protegido de sol, chuva e vento,

com espaço mínimo para abertura de

portas do veículo, um ponto de energia e

circulação do prestador de serviço.

“Estamos animados com a parceria,

pois ela nos dá a oportunidade de

expandir ainda mais nosso portfólio de

serviços na categoria de automóveis,

trazendo soluções para as mais diferentes

necessidades de nossos clientes. Agora,

pequenos ajustes nos veículos poderão

ser feitos de forma rápida, com encerramento

no mesmo dia e sem sair de casa,

facilitando a rotina.”, destaca Marcos

Loução, diretor da empresa.

6


painel

• nvistoria

Companhia oferece serviços para autos

em domicílio

A Liberty Seguros implementou a

vistoria de sinistros de automóveis em domicílio.

A iniciativa, em operação desde

março deste ano em Sorocaba (SP), traz

agilidade, facilidade e comodidade para

segurados e terceiros, e em setembro chega

a outras três cidades: Manaus (AM),

Fortaleza (CE) e Pelotas (RS).

“Esta iniciativa reforça nosso compromisso

com o atendimento excepcional”,

diz Dennis Milan, diretor de

Operações e Sinistros da empresa. “O

feedback dos clientes e corretores tem

sido muito positivo. Os principais destaques

são a comodidade de não ter que

se deslocar para uma oficina ou posto

de atendimento e a segurança, rapidez e

qualidade da perícia feita por funcionários

especializados”, explica.

Para garantir comodidade e facilidade

para o segurado ou terceiro, caso ele

prefira, a visita também pode ser agendada

em seu local de trabalho. Durante

a visita, o cliente recebe o orçamento,

todas as orientações sobre o processo

de sinistro e canais de atendimento e a

autorização para o reparo sai na hora. Por

meio de um tablet o perito apresenta as

oficinas referenciadas nas quais o cliente

pode realizar o reparo com o orçamento

pré-aprovado.

• nprevidência

Aumenta desejo do trabalhador por

plano de aposentadoria

Pesquisas globais realizadas pela Willis Towers Watson com empregadores

e empregados mostram a relação entre benefícios, saúde e

produtividade. O estudo Global Benefits Attitudes ouviu 1.004 empregados

de grandes empresas brasileiras, enquanto uma segunda pesquisa,

a Staying@Work – Health & Productivity (Saúde e Produtividade),

levantou dados de 56 grandes companhias nacionais e multinacionais

no Brasil.

Segundo dados do estudo Global Benefits Attitudes, os trabalhadores

brasileiros, ao responder a pergunta “se sua empresa oferecesse um

valor para ser gasto com benefícios, onde você o investiria? ”, 26% dos

empregados optariam por plano de aposentadoria, seguido pelo 24% dos

empregados que escolheram planos de saúde, 12% por proteção médica

adicional (plano odontológico ou plano/reembolso ótico), 11% por seguro

de vida e invalidez, seguro proteção de renda (prestamista); 10%

por proteção financeira (seguro para doenças graves e outros seguros).

• nlegislação

Seguradora deve informar

consumidor sobre recusa

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de

Lei 5541/16, que obriga as empresas fornecedoras

de seguros a informar ao consumidor o motivo

da recusa na contratação do seguro no prazo

máximo de 48 horas. O período começará a ser

contado a partir do prazo solicitado pela seguradora

para avaliação da proposta de seguro.

“O direito da seguradora de recusar a contratação

é legítimo. Porém, o consumidor possui o

direito de saber o porquê da recusa da seguradora”,

afirma o autor da proposta, deputado Rômulo

Gouveia (PSD-PB).

Pela proposta, a obrigação vale para as seguradoras

que atuam nos ramos de seguro para

cobertura de riscos sobre quaisquer tipos de bens,

sejam móveis ou imóveis.

A informação deverá ser prestada por escrito

ao consumidor. É permitido o envio de mensagem

para endereço eletrônico comprovadamente

fornecido por ele.

O descumprimento da medida sujeitará os

infratores às penalidades previstas no Código de

Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), que vão

desde multa à interdição do estabelecimento.

De caráter conclusivo, a proposta será analisada

pelas comissões de Defesa dos Direitos das

Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação;

e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

8


9


painel

• ntecnologia

Apoio digital para vendas de

seguro de vida e odontológico

A internet é uma grande aliada para os corretores de

seguros comercializarem mais produtos, investindo na comunicação

ágil com seus clientes. Após muitas conversas com

corretores de seguros, a MetLife desenvolveu uma plataforma

para agilizar as vendas e o acompanhamento da carteira dos

corretores.

De acordo com Raphael Carvalho, a plataforma realiza

desde a cotação de produtos de seguro de vida e odontológicos

até o acompanhamento de sinistros. Cerca de 3 mil corretores

já utilizam a plataforma em fase de testes. A companhia

percebeu um aumento de 43% na quantidade de cotações e

de 50%, nas vendas. “A plataforma é intuitiva e funcional,

facilitando a utilização por parte dos corretores”, acrescenta.

Logo na primeira tela, os corretores conseguem ver todas

as cotações em andamento e aquelas que já foram concluídas,

por meio de um painel de controle organizado de acordo com

as etapas da contratação. A partir daí, ele pode dar continuidade

às negociações ou iniciar uma nova cotação.

Para gerar mais oportunidades de negócio, a ferramenta

100% digital pode ser usada enquanto o corretor conversa

com seus clientes. A plataforma pode ser acessada pelo tablet,

smartphone, notebook e computadores desktop.

A partir do painel de informações, o corretor tem uma

visão gerencial de todos os negócios em andamento, e ainda

consegue obter o cálculo do prêmio rapidamente, logo depois

de incluir quais coberturas são desejadas. A nova ferramenta

ainda ajuda a alavancar os negócios: todos os documentos

podem ser enviados via internet, basta fazer o upload dos

arquivos necessários para a análise e aprovação do seguro

de vida em grupo ou individual.

Para o desenvolvimento

da plataforma

a seguradora

contou com a parceira

de 12 corretores,

que praticamente

foram “sócios” do

negócio. “Só assim

foi possível descobrir

as “dores” dos corretores.

Ele permite

que o corretor não

só administre sua

carteira e seus negócios,

mas também dá

autonomia para que

ele responda imediatamente

as necessidades

dos clientes”,

avalia Carvalho.

• nconsumidor

Aprovada cobertura de danos em

carro vendido sem aviso prévio

A Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara dos

Deputados, aprovou proposta que obriga seguradoras a cobrirem

as despesas com danos em veículo segurado mesmo que

este tenha sido transferido para outra pessoa sem comunicação

prévia.

A iniciativa está prevista no Projeto de Lei 1012/11, do

deputado Geraldo Resende (PMDB-MS).

A proposta exime a seguradora dessa obrigação se a

transferência tiver agravado o risco de acidentes, ou se for comprovado

que o segurado ou o comprador agiram com má-fé.

A proposta ainda será analisada em caráter conclusivo

pelas comissões de Finanças e Tributação (inclusive quanto

ao mérito); e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

• nagilidade

Movimentação Expressa chega a

São Paulo

As empresas contratantes do seguro saúde SPG (Seguro

para Grupos entre três e 199 vidas) da Bradesco Saúde, no

Estado de São Paulo, já podem contar com o sistema “Movimentação

Expressa” (MOVE). Trata-se de uma ferramenta

que realiza, por exemplo, a inclusão e exclusão de segurados,

alteração de dados cadastrais, solicitação de segunda

via de cartão, entre outros serviços rotineiros.

Atualmente, além de São Paulo, o “Movimentação

Expressa” está disponível para as empresas contratantes

de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro e

também para os corretores de seguros cadastrados no

Grupo Segurador, de todas as regiões do País. Com essa

funcionalidade, corretores e clientes contam com a agilidade

do serviço on-line, sem perder a eficiência.

Para ter acesso ao MOVE, o cliente deverá acessar o site

da Bradesco Saúde e entrar na área exclusiva de Empresas.

Lá, também está disponível uma videoaula sobre como

utilizar o sistema corretamente.

10


painel

• nresultados

Lucro de US$ 1,96 bilhões

O Lloyd’s teve um lucro de US$ 1,96 bilhões no primeiro semestre. Os

números mostram um aumento de US$ 0,35 bilhão no lucro do mercado

mundial de seguros e resseguros especializados, em relação ao mesmo

período do ano anterior. A companhia também reportou retorno sobre

o capital anualizado de 11,7% e índice combinado de 98.0%. Nos seis

primeiros meses do ano, grandes sinistros aumentaram principalmente

em decorrência dos incêndios de Fort McMurray em Alberta, no Canadá.

Os prêmios ficaram sobre pressão devido às condições desafiadoras

em que o mercado opera, entretanto, as classificações de risco permanecem

fortes, com (AA-) Fitch, (A) A.M. Best e (A+) Standard & Poor’s.

“Os resultados refletem o ambiente competitivo em que estamos

operando, mas eles demonstram que o Lloyd’s possui solidez financeira.

Claramente o referendo do Reino Unido em relação à saída da União

Europeia é uma questão importante para lidarmos e agora focamos nossa

atenção para colocar em prática, planos que garantam

a continuidade da comercialização por toda a

Europa”, afirma a presidente mundial do Lloyd’s,

Inga Beale.

• npesquisa

Corretores de seguros

avaliam o mercado

O Sincor-SP divulgou a Pesquisa de Satisfação

dos Corretores de Seguros, em que os profissionais

manifestaram, via internet, a opinião

sobre o desempenho das seguradoras com

as quais trabalham. “A pesquisa visa conhecer

melhor o mercado de corretores de seguros. É

o nosso primeiro estudo deste tipo, que deve

se repetir anualmente”, diz o 1º vice-presidente

do Sindicato, Boris Ber.

A pesquisa foi separada em quatro ramos,

sendo Automóvel e Vida os mais bem avaliados

pela agilidade no atendimento e pela gama de

serviços oferecidos. No ramo Vida, a ênfase foi

para a qualidade dos produtos empresariais e

individuais. Um dado importante é que aproximadamente

1/3 dos corretores entrevistados

ainda não operam com os produtos PGBL e

VGBL. Já Ramos Elementares ficou abaixo, em

razão dos critérios de renovação e aceitação.

Neste segmento, as emissões despontam.

Saúde e Odonto aparece em último lugar,

sobretudo pelas formas de reajuste e reembolso.

20% dos profissionais entrevistados afirmaram

ter tido algum caso sem solução neste

ramo e quase 30% deles ainda têm receio de

comercializar esse tipo de produto.

• nmarca

Companhia de assistência se junta a Grupo Segurador

“Somos todos Mapfre”. É assim que a Brasil Assistência anunciou sua nova

marca para clientes e parceiros de negócios. Desta forma, a empresa busca

sinergia com o Grupo Segurador. “Além dos aspectos quantitativos, também

vamos nos beneficiar do backoffice do grupo”, destaca Almir Fernandes,

presidente da Mapfre Assistência.

Atuando no mercado de seguros e de montadoras, Fernandes acredita

que o maior nicho a ser explorado é a área de varejo, através de acordos para

prestação de vários tipos de assistência 24 horas atrelados aos produtos de

bens de consumo.

O executivo afirma que o maior valor da assistência está no fato dela tangibilizar

contratos. “O índice de utilização é alto, com os clientes buscando

cada vez mais serviços que lhes traga conforto. Estes serviços estão ficando

mais complexos. O grande desafio é equilibrar o custo dos produtos e ainda

assim deixá-los competitivos”.

A essência de uma empresa de assistência é fazer a administração de uma

rede de prestadores, com tecnologia e logística para que o cliente seja atendido

com eficiência e rapidez.

12


painel

• negócios

Itaú vende operações de vida em grupo para

Prudential

O Itaú Unibanco fechou um acordo de venda das operações da certeira de

seguros de vida em grupo para a Prudential do Brasil. O comunicado oficial do

banco justificou a venda afirmando que ela não tinha valores substanciais para o

resultado de 2016. O Itaú Unibanco deverá focar em seguros massificados.

Em 2015, a operação

teve prêmios líquidos de

R$ 465 milhões e contava

com 1,9 milhão de vidas

seguradas. A venda já está

oficializada e a transferência

efetiva das ações deverá

ocorrer assim que todas

as condições previstas em

contrato forem cumpridas,

incluindo a obtenção das autorizações

necessárias junto

ao órgão regulador.

• nresseguros

A corrida para manter relevância

Taxas em queda, termos e condições mais amplos, quedas insustentáveis

de reservas e rendimentos baixos de investimentos são alguns dos fatores

que afetam negativamente os resseguradores globais. Estes fundamentos

operacionais fracos no setor de resseguros também são exacerbados pela

demanda das seguradoras, que retém mais negócios para alavancar seu próprio

excesso de capacidade. Como resultado, as empresas intensificam esforços para

desenvolver novas estratégias, a fim de se adaptar às mudanças estruturais

do mercado, conforme detalhado no novo relatório da consultoria A.M. Best.

O documento observa que as resseguradoras fazem movimentos para

posicionar suas organizações para a sobrevivência em longo prazo, e cada

vez mais parecem estar a ver a capacidade do mercado de capitais como

uma oportunidade em oposição a uma ameaça. A capacidade do mercado

de capitais continua a ser atraída para o setor de resseguro e subscritores que

têm o conhecimento de mercado e capacidade de distribuição para avaliar o

risco estão se beneficiando.

“A capacidade do mercado de capitais pressiona claramente o setor de

resseguros a trabalhar para cobrar menos”, disse o vice-presidente da A.M. Best,

Robert DeRose. “Com mais capital

no mercado, o vencedor

deve ser o cliente segurado,

pois isso reduz o custo do

seguro. Mas é a proposição

de valor de longo prazo que

é realmente importante para

todas as partes envolvidas e

o resultado ainda é incerto”.

• nautomóvel

Seguro compacto

A SulAmérica passou a oferecer

o Auto Compacto nos Estados de São

Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Desenvolvido a partir dos resultados

de um estudo de comportamento dos

segurados, que apontou as coberturas

e serviços mais utilizados, o produto

utiliza peças genuínas ou originais e é

direcionado aos proprietários de veículos

zero quilômetro, seminovos e com até

sete anos de uso avaliados em até R$ 70

mil. Entre as coberturas estão colisão,

roubo e furto, incêndio, alagamentos, terceiros

e opcionais de vidros, assistência

24 horas, carro reserva e danos morais.

O Auto Compacto traz também a

possibilidade de escolha entre duas franquias

no momento do sinistro. De acordo

com seu orçamento, o segurado pode

optar pela franquia Produto Compacto,

que abrange as oficinas da rede referenciada

da seguradora, e pagar o menor

valor, ou pela franquia Livre Escolha,

que permite que ele eleja uma oficina de

sua preferência, pagando um valor maior.

“Este produto traz ao segmento uma

solução inteligente alinhada à realidade

do mercado e às necessidades dos clientes”,

afirma o vice-presidente de Auto e

Massificados, Eduardo Dal Ri.

14


• ntecnologia

Mercado investe em programas mundiais de seguros

A globalização financeira levou empresas brasileiras a

internacionalizarem operações e um dos setores em evidência

nesse processo é o de tecnologia da informação. Crescentes

também são os riscos associados, como os crimes cibernéticos,

que causam perdas financeiras por meio de roubo e

vazamento de dados.

De olho nisso, a área de TI avança na contratação do

Programa Mundial, um conjunto de apólices que visa cobrir

toda a operação da empresa nos diversos países em que atua.

Hoje, a principal demanda é referente ao seguro contra crimes

cibernéticos, focado em gerenciar e precaver a exposição de

dados e informações sigilosas. “A internacionalização é uma

realidade inclusive para as pequenas e médias empresas de TI.

Tais companhias operam muitas vezes em mercados litigiosos

e regulados, como os Estados Unidos. Portanto, com uma

estrutura de Programa Mundial, elas atendem às legislações

de cada país e podem contar com o pagamento de sinistro

localmente”, explica Vivian Rennó, gerente de Programas

Mundiais da AIG Brasil.

Outros seguros demandados dentro da estrutura de Programa

Mundial são o D&O, o de responsabilização pessoal

dos executivos por atos de gestão; e o de Responsabilidade

Civil Profissional.

15


GENTE

Muitas novidades para a América Latina

A Chubb anunciou a nomeação de José Sosa como Senior Vice

President Accident, Health & Life para a unidade América Latina. No

cargo, ele reportará diretamente a Jorge Luis Cazar, Regional President

da companhia, e a Ed Levin, Division President Accident & Health para

a Chubb Overseas General.

Lope García é o novo Senior Vice President for Claims para a

região. Até antes de sua nomeação

ele atuou como Chief Claims

Officer para a América Latina na

Zurich Insurance. Por fim, Christian

Curtze foi nomeado como

Regional Director of Placement

& Facultative Reinsurance para a

América Latina. Em sua nova posição,

o executivo será responsável

por centralizar e otimizar a linha de

resseguros facultativos. Além disso,

ele será responsável pela gestão estratégica

de resseguros facultativos

e por realizar a análise das opções

de resseguros, entre outras funções.

VP para mercados

emergentes

A XL Catlin anunciou a nomeação de Lauren

Pollock como vice-presidente para mercados

emergentes, baseada em Nova York. Brendan

Plessis, líder de mercados emergentes na companhia

disse que “como parte de seu novo papel,

Lauren também estará envolvida em diversos

de nossos projetos de inovação, trabalhando de

perto com Sarah Street, vice-presidente executiva

de Iniciativas de Inovação e Estratégia”.

Especialista em comercialização

Após uma reestruturação em seu departamento

comercial, o Grupo Tracker direcionou Rodrigo Abbud

para esta diretoria, após dez anos de empresa, atuando

diretamente à frente de áreas como marketing, produtos

e vendas.

Abbud afirma que colocará em prática todo seu conhecimento

estratégico, teórico e vivência de longos anos

no Grupo Tracker em busca de um melhor alinhamento e

expansão comercial da empresa. “Meu principal desafio

será redirecionar a companhia rumo ao crescimento sustentável

e ainda mais rentável de seus negócios”, conta.

Novas funções de executivos

A Zurich anunciou adequações de cargos alinhadas à nova

estrutura da companhia global. No Brasil, a companhia passa a

atuar junto ao mercado com equipes de Seguros Gerais, Vida e

Previdência integradas.

Os novos comandos seguem focalizados no fortalecimento

da proposta de valor da seguradora: atender às reais necessidades

de seus parceiros e clientes.

Glaucia Asvolinsque Smithson assume as diretorias de

Vida e Previdência Corporativas e de Commercial Lines em

Seguros Gerais, sendo

responsável por estreitar

o relacionamento de

ambas as áreas com o

mercado e, também, por

desenvolver soluções e

produtos.

Walter Pereira se

torna diretor de Varejo e

seguirá liderando a equipe

de gestão de produtos

de Linhas Individuais de

Seguros Gerais, Vida e

Capitalização. Devido à

sua expertise no mercado

segurador, mantém

um forte apoio à área

comercial.

16


CCS-SP reelege diretoria para o próximo biênio

O Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP) reelegeu a diretoria

para a gestão 2016/2018. A chapa é liderada pelo mentor Adevaldo Calegari (ao

centro na foto), o secretário Evaldir Barboza de Paula e a presidente da Junta Fiscalizadora

Luciana Ferreira. Para completar o quadro, a diretoria ganhou o reforço

de três novos membros: Flavio Bevilácqua Bosisio, Jorge Teixeira Barbosa e Paulo

Schroeder. “Com muito orgulho e respeito a todos vocês, por terem acreditado no

nosso trabalho, continuaremos à frente do Clube pelos próximos dois anos”. Embora

tenha exercido a mentoria da entidade por cinco meses em 2014, após a renúncia de

Alexandre Camillo, que se afastou para concorrer à eleição no Sincor-SP, Calegari

cumpriu uma única gestão.

Em setembro deste ano, ele

completou exatos dois anos no

cargo. Sua gestão foi marcada

pela apresentação de temas inéditos

nos almoços mensais e a

participação de empresas prestadoras

de serviços, além da realização

de encontros externos.

“Continuaremos apostando na

inovação. O momento exige a

reciclagem e o aprimoramento

dos corretores”, declarou.

Dois em um

A QBE anunciou a nomeação de

Marcelo Teixeira para a função dupla

de diretor Global de Seguros via

Bancos e diretor de Desenvolvimento

Estratégico de Mercados Emergentes.

Marcelo ficará encarregado de

conduzir a estratégia e o crescimento

do em parceria com bancos, em

diversos mercados, em escala global.

17


produto | investimentos

Para cada investidor,

uma solução

O mercado de

investimentos é

arriscado, mas pode

contar com alguns

produtos de seguro

para minimizar seus

impactos

Amanda Cruz

18


Os investidores do mercado

financeiro estão sempre rodeados

de apostas, riscos, investimentos

que nem sempre

têm um retorno garantido. Alguns mais

conservadores, outros mais agressivos.

Embora os engravatados de Wall Street

ou da Bovespa não tenham um seguro que

cubra os riscos de suas grandes apostas,

o mercado de investimentos, no Brasil

e fora dele, pode contar com diferentes

produtos, para diferentes perfis, que

auxiliam transações de pessoa física ou

jurídica e evitam que grandes perdas

sejam desastrosas. Caso saibam apostar

bem, claro.

Brincadeira de gente grande

À parte dos investimentos prazerosos,

feitos para o lazer, existem aqueles

que são motivo de tensão para seus

investidores.

Os seguros podem não fazer com

que seu investimento aumente, nem

promete garantias financeiras além dos

valores estabelecidos para indenização

de sinistro, mas esses dois mercados são

muito próximos. “O seguro impede que

investimentos feitos em ativos se percam

por ocorrência de força maior, uma catástrofe,

um acidente”, aponta Luciano

Mendonça, da Euler Hermes.

O melhor exemplo de risco entre

investidores que pode contar com um

seguro de crédito são os chamados recebíveis

à prazo, como é o caso de títulos

de dívida e ativos que venham da venda

de mercadorias, serviços prestados que

financiam os sacados e antecipam recursos

aos cedentes. “Os recebíveis podem

não ser honrados pelos sacados na data

de vencimento e, assim, os investidores

podem se proteger deste risco comprando

uma apólice de seguro de crédito, que vai

garantir o recebimento do título em caso

de mora ou insolvência do sacado”, explica

Mendonça.

Ou seja, o seguro de crédito ajuda a

cobrir os danos causados por inadimplência.

Mendonça explica que quem procura

por esse tipo de cobertura no mercado são,

na maioria das vezes, empresas manufatureiras

que possuem margens menores

e precisam buscar novos clientes para

alavancar essas vendas.

A preocupação está no core business.

As empresas precisam focar no objeto

principal de sua existência e por isso

preferem deixar as avaliações de crédito,

análises de clientes potenciais e o monitoramento

dos créditos nas mãos de um

especialista.

Mendonça alerta para o fato de que os

empresários costumam segurar veículos,

imóvel, vida dos funcionários etc, mas a

carteira das vendas a prazo é deixada sem

qualquer proteção, ainda que represente

40% dos ativos de uma empresa. “Imagine

uma empresa na qual a margem de vendas

é bastante apertada: 5%. Se houver um

calote, em uma venda de R$100, deve-se

vender 20 vezes o mesmo valor para equalizar

aquela perda. Assim, proteção contra

calote é essencial para uma empresa que

quer se manter competitiva no mercado”,

aponta o executivo da Euler Hermes.

Entre empresas

Outra preocupação, que ultrapassa a

área de atividade de uma empresa e preocupa

todas de maneira geral, é investir

em uma fusão ou aquisição e mais tarde

encontrar irregularidades ou graves problemas

que possam atingir sua reputação

e seu capital financeiro. Há dois anos,

uma seguradora trouxe ao Brasil um produto

que quer proteger essas transações.

“Apesar do mercado da América Latina

ser novo, a demanda por esse produto

vem crescendo consistentemente, por isso

acreditamos que essa tendência continue

nos próximos anos”, aposta Bruna Reis,

líder da prática de Private Equity e Fusões

❙❙Bruna Reis, da Marsh Brasil

❙❙Luciano Mendonça, da Euler Hermes

e Aquisições da Marsh Brasil.

Esse produto está disponível apenas

para o comprador, cobrindo o passivo

oculto da empresa comprada. “Caso surja

um processo pós fechamento, referente

a um ato desconhecido no momento da

operação, o comprador será reembolsado”,

afirma Bruna. Essa apólice foi desenhada

semelhante ao que é oferecido nos EUA

e na Europa, o que falta é a expansão que

contemple uma apólice para o vendedor e

também para contingências, cláusulas que

já estão disponíveis lá fora.

Ainda existem poucas apólices de

proteção para fusões e aquisições e o mercado

brasileiro não apresenta exclusões

específicas. “Porém, com a crise política

no País, as últimas cotações foram apresentadas

com exclusão para reclamações

relacionadas à corrupção”, esclarece

Bruna. Mesmo assim, a executiva afirma

que essa não é uma exclusão padrão e que

poderá ser renegociada.

Semelhante a essa iniciativa estão os

produtos da Chubb voltados para proteger

os gestores de investimento e as entidades

responsáveis envolvidas nessa gestão. A

apólice oferece cobertura em casos de

responsabilização dos administradores por

questões relacionadas com a gestão (D&O)

e cobertura em casos de responsabilização

das entidades envolvidas e dos seus gestores

por questões relacionadas à prestação

de serviços de investimento (E&O). “O

IMI - Investment Menagement Insurance

é um seguro de responsabilidade civil à

base de reclamação. Um produto voltado

19


investimentos

❙❙Rafael Domingues, da Chubb

para fundos de investimento que tem

como principal característica o fato de

ser a junção de dois produtos: D&O e

E&O”, explica Rafael Domingues, diretor

de Financial Lines da companhia.

Esses fundos, chamados FIDC –

Fundo de Investimentos em direitos

creditórios – funcionam da seguinte

maneira: eles compram os direitos dos

créditos que um portador tem sobre determinados

títulos da dívida quem vêm

de vendas de mercadorias ou prestação

de serviços. Esses compradores têm,

portanto, seus títulos segurados contra

eventuais inadimplências. Mendonça,

da Euler Hermes, explica que “embora

não haja proteção para a taxa de retorno

– yield - que um investidor espera de um

fundo de crédito desse tipo, há proteção

para os ativos que o compõem. Isso acaba

mitigando o risco de perda do fundo que

pode ser causado pelo calote”, elucida.

Já no caso de seguro de fusões

e aquisições, as empresas de Private

Equity podem vender suas alavancadas

e precisar encerrar esses fundos. Bruna,

da Marsh, afirma que a apólice dá a garantia

ao comprador sem precisar deixar

os recursos da empresa bloqueados. Isso

faz com que exista um fluxo do capital

adquirido, com o qual o comprador poderá

contar assim que fizer a aquisição.

Olhar ao seguro de crédito

As equações são complexas mas

abrangem qualquer empresário, do mais

entendido de captação de recursos e investimento

até aquele que decide colocar

uma máquina de cartão de crédito em sua

loja de varejo e vender a prazo.

Uma boa maneira de entender como

funciona esse mercado de compra, venda,

investimentos e título de crédito é o filme

norte-americano The Big Short – A

Grande Aposta – de 2014. Ele trata sobre

a grande bolha imobiliária que surgiu

no mercado dos EUA após o país liberar

uma quantia grandiosa de crédito à população

sem verificação de perfil, sem saber

se elas poderiam arcar com suas dívidas

– os chamados subprime. Com essa realidade,

havia muitos imóveis com preços

muito baixos. Ao não conseguirem arcar

com as hipotecas, os norte-americanos

abandonaram suas dívidas e aqueles

que detinham os títulos dessas dívidas

ficaram com um grande rombo financeiro

em suas mãos. Muitos deles estavam

segurados, mas devido ao tamanho da

crise, perderam seu valor e até mesmo

as seguradoras não tinham como arcar

com esses gigantescos sinistros.

“Proteção contra esta variação do

preço de mercado dos ativos é uma coisa

que muitas empresas buscam, mas não

existe proteção de apólice de seguro que

cubra essa diferença”, explica Mendonça,

que completa: “geralmente, esse tipo de

proteção está ligada aos investimentos que

flutuam na contra-mão da tendência destes

ativos. Aparece aqui a figura importante

do corretor para buscar a melhor solução”.

Hoje, os corretores que vendem esses

tipos de seguro são, em sua maioria, altamente

especializados e capacitados para

lidar com essas complexidades.

Para Domingues, da Chubb, esses

produtos constituem uma ótima oportunidade

para o profissional da corretagem.

“É um mercado em franco desenvolvimento

e ainda com poucos corretores

atuando nesse nicho. Os corretores de

seguro que buscam o conhecimento

podem colher bons frutos, já que há uma

demanda represada, além de já existirem

seguradoras com apetite para aceitar esse

tipo de risco”, aponta.

Cada um a seu modo

Nem todos os investidores vivem de

comprar e vender ações na bolsa. Alguns

são pessoas com outras profissões que

trazem os negócios como investimento, es-

20


colhendo imóveis ou fundos com retornos

menores, mas com ganhos certos, outros

ainda praticam o investimento também

como hobby. É o caso daqueles que optam

por ter como patrimônio obras de arte.

Obras consagradas são leiloadas

e vendidas aos colecionadores que sabem

que o valor artístico e histórico de

algumas peças é imensurável, mas que

fazem questão de tê-las em suas paredes.

Nessa questão, o mercado de seguros

aposta na cobertura All Risks, ou seja,

que qualquer tipo de risco que a obra

corra estará coberto caso o investidor

tenha uma apólice, conforme explica

Midiã Borges, consultora em Riscos e

Seguros para Entretenimento e Obras

de Arte da Aon Brasil. “A cobertura é

mundial, a partir do período que as obras

são retiradas dos locais até o seu retorno

ao lugar de origem ou o local indicado

pelo proprietário”, explica. Exposição

doméstica e internacional, transporte e

até terremotos e furacões fazem parte

dos riscos cobertos.

Obra de arte não é apenas um quadro

ou escultura de um artista famoso; antiguidades,

prataria e objetos de estanho,

jóias, tapetes antigos, livros raros, manuscritos

e fotografias, moedas e medalhas

entram no escopo de bens segurados. A

apólice, geralmente, custa 2% do valor

dos bens e conta com flexibilidade para

se adequar à realidade e necessidade

do colecionador, que pode ser discutida

com um bom corretor de seguros. “A

consultoria adequada para garantir a cobertura

de seguros para as obras de arte

é um dos desafios desse mercado, que já

é bem mais maduro em outros países. É

preciso uma equipe especializada, com

conhecimento técnico e rápido retorno”,

opina a executiva.

A evolução para esses investidores

está em acompanhar o mercado lá fora.

Midiã conta que em mercados como o

dos EUA, que têm um produto chamado

Art Plus para acervos de museus que

atendem o pacote completo de seguros, o

patrimônio, responsabilidade civil, D&O,

crime, entre outros.

Os seguros podem ser desenhados

de acordo com a necessidade ou característica,

cobrindo coleções particulares e

corporativas através de uma apólice anual

até exposições temporárias onde o seguro

garante a cobertura chamada prego a

prego incluindo a cobertura de RCTRC,

de Seguro Transporte, que é obrigatória.

De uma forma ou de outra, os corretores

podem ter grande papel de destaque

dentro desse nicho. A consultoria especializada

é importante em qualquer carteira,

mas é mais fácil de ser percebida nesta

por sua elevada necessidade de conhecimento

dos pormenores que envolvem

cada apólice e cada operação de crédito.

Os corretores são responsáveis por levar

soluções de prevenção e cobertura de risco

enquanto investidores são completamente

avessos a qualquer possibilidade de perdas

em investimentos.


produto | seguro rural

Seguro agrícola não utiliza

toda a verba de subsídio

do Governo Federal

Segundo dados divulgados pelo Ministério

da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

“sobraram” R$ 48 milhões da safra de inverno.

Mesmo neste cenário a carteira continua

crescendo

Kelly Lubiato

Em meados do mês de agosto, o

Ministério da Agricultura, Pecuária

e Abastecimento (Mapa)

divulgou a realocação de R$ 48

milhões do subsídio ao seguro rural da

safra 2016/2017 para o grupo de grãos de

verão. Esta decisão foi tomada pelo Ministério

antes de convocar uma comissão

de trabalho que reúne representantes do

setor agropecuário, instituições financeiras

e seguradoras, com o objetivo é

discutir propostas para mudanças no

seguro rural.

No primeiro semestre, foram utilizados

R$ 87 milhões em recursos do

Programa de Seguro Rural (PSR), que

representou mais de 17 mil apólices, com

destaque para o milho e o trigo.

O valor inicial previsto era de R$ 158

milhões para a subvenção de culturas de

verão e mais R$ 23 para as culturas de

inverno, ambos da safra 2016/2017.

Qualquer produtor rural pessoa física

ou jurídica pode pleitear a utilização

da subvenção ao prêmio do seguro. Há

subvenções oferecidas também pelos

governos da esfera estadual e municipal.

O PSR beneficia mais de 70 culturas agrícolas,

além das modalidades pecuária,

aquícola e de florestas, em 20 unidades

da federação.

Para contratar o seguro rural, o

22

produtor deve procurar uma seguradora

habilitada pelo Ministério da Agricultura

no Programa de Subvenção. Caso o produtor

já tenha cobertura do Proagro ou

do Proagro Mais para uma lavoura, não

será beneficiado pelo PSR na mesma área.

Wady Cury, presidente da comissão

de seguro rural da FenSeg, afirma que o

primeiro assunto desta pauta montada

pelo Governo e apresentada ao novo grupo

é a criação do Fundo de Catástrofe, de

caráter privado, para financiar o seguro

❙❙Wady Cury, da FenSeg

rural no país. “Ele é discutido há mais

de uma década no setor e já é bastante

conhecido pela área técnica do governo.

O objetivo do plano é evitar contingenciamentos

que prejudicam o Programa

Nacional de Subvenção ao Prêmio do

Seguro Rural (PSR)”, explica.

O executivo conta que o governo

se esforça para melhorar o programa

de subsídios, com mais previsibilidade

e planejamento. “A construção de um

novo modelo não é fácil, mas é preciso

convergência entre os setores público e

privado. O processo está em fase inicial,

mas é relevante discutir se uma apólice

deve ser de responsabilidade de apenas

um ente (público ou privado) ou de todos

os atores, uma vez que a atividade tem

“múltiplos impactos” na sociedade”,

reflete Cury.

O seguro é um dos instrumentos de

política agrícola mais utilizados no mundo

para reduzir o grau de risco e incer-


teza e, portanto, melhorar a alocação de

recursos da atividade rural. No Brasil, o

Ministério da Agricultura, dentro de sua

Política Agrícola, entende que proteger-se

de riscos causados por adversidades climáticas

é imprescindível para o produtor

que, ao contratar o seguro, pode recuperar

o capital investido em sua lavoura ou

empreendimento.

Hoje em dia, é muito difícil para o

agricultor se manter na atividade rural

se não tiver competitividade. “E, para

isso, é preciso reduzir os custos e riscos”,

garante o executivo que também é diretor

Geral do Grupo Segurador BB Mapfre,

acrescentando que o seguro é uma ferramenta

que ajuda o produtor a gerenciar

melhor seus custos e as consequências a

riscos, auxiliando na reposição de perdas

e possibilitando mais segurança para que

continue investindo na propriedade. O papel

das seguradoras é fundamental nesse

processo, ao disseminar as vantagens do

seguro e sua importância para garantir a

safra. “No modelo de hoje, as seguradoras

fazem o papel de pulverizadoras dos valores

alocados por cultura e também fazem

o papel de disseminação, implantação e

operacionalização deste programa, bem

como a manutenção e aprimoramento

deste importante instrumento de mitigação

de risco. A cultura do seguro está

sendo criada na cabeça dos produtores,

não mais como um custo efetivo na operação,

mas como um produto de valor

agregado e com bastante inerência na

maioria das regiões.

A aderência ao seguro rural é uma

das grandes batalhas que o mercado

nacional deve enfrentar. Leandro Poli,

diretor de Ramos Elementares da Essor

Seguros, acredita que a demanda pelo

seguro rural deve aumentar à medida

que houver um trabalho conjunto do setor

(seguradoras e corretores de seguros) no

sentido de divulgar a disponibilidade do

seguro rural. “Infelizmente, o produtor

rural ainda não entende o seguro rural

como um investimento para garantir a

continuidade do seu negócio”.

Menos de 15% de toda área agricultável

do Brasil está segurada, embora o

país venha avançando em números positivos

desde 2006, quando o Programa de

Subvenção do Prêmio do Seguro Rural

(PSR) foi criado. Desde então, o volume

de recursos cresceu quase 20 vezes.

A evolução dos números é visível,

mas ainda há uma enorme parcela de

produtores que estão fora deste cenário.

Comparando os anos de 2006 e 2014, a

quantidade de produtores atendidos subiu

de 16.653 para 82.268, de culturas seguradas

saltou de 28 para 58. Já a quantidade

de área segurada passou de 1,56 milhão

de hectares para 12 milhões de hectares.

Mesmo com toda a demanda, o

cenário de crise econômica e de queda

na concessão de crédito foram cruciais

23


seguro rural

❙❙Fabio Dias, corretor

para que todo o valor disponível para o

PSR não fosse utilizado. “Houve muitos

desafios, tanto nos conceitos dos critérios

de distribuição dos valores de subvenção,

quanto na alocação e distribuição dos

valores no orçamento de 2015. Em alguns

casos, a diminuição dos percentuais de

subvenção oneraram os produtores, principalmente

os que plantam culturas de

maior risco. Mas a demanda pelo seguro

não deve arrefecer. O ministério optou

por uma política tentando ampliar a base

de segurados, e as seguradoras estão bem

motivadas de que esse mercado cresça

nos próximos anos”, aposta Cury.

Distribuição

Quatro estados brasileiros são responsáveis

por 80% da utilização dos

recursos do PSR: Paraná (37%), Rio

Grande do Sul (21%), São Paulo (14%)

Participação de Mercado

24

e Santa Catarina (8%). As culturas que

ficam mais protegidas são: Soja (43,56%),

Uva (10,89%). Estas informações são do

Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento, atualizados até agosto

de 2016.

O corretor de seguros e professor

da Escola Nacional de Seguros Fabio

Dias afirma que quando acaba a disponibilidade

de valores dos subsídios governamentais,

o setor sofre uma parada.

“O mercado de seguro agrícola é muito

dependente dos subsídios. É muito raro

o produtor rural comprar um seguro sem

que haja subvenção, seja ela federal ou

estadual”, afirma Dias.

Para ele, a verba do PSR pode sobrar

por dois motivos: o Governo disponibiliza

um valor alto, acima do que o mercado

suporta, ou porque houve retração nos

créditos bancários. “É importante ressaltar

que os bancos exigem a contratação do

seguro para culturas financiadas, assim

como as empresas de insumos agrícolas”,

esclarece Dias.

Esta versão é corroborada pelo engenheiro

agrônomo Sérgio Luiz Ferreira,

da empresa Paraná Norte distribuidora de

insumos, que afirma que a contratação

aumenta logo que algum evento climático

assola uma região. “Passamos por uma

grave crise na última safra e é natural

que para 2016/2017 haja um aumento da

contratação de seguro. As pessoas têm

medo de levar outro prejuízo e acabam

fazendo o seguro”, avalia.

Fabio Dias conta que na última

safra de milho safrinha e trigo teve um

Seguradora Apólices % Número de Apólices

Aliança do Brasil 299.738,00 48,52%

Mapfre 98.599,00 15,96%

Nobre 80.208,00 12,98%

Swiss Re 52.947,00 8,57%

Essor 33.725,00 5,46%

Allianz 30.892,00 5,00%

Porto Seguro 15.555,00 2,52%

Sancor 4.473,00 ,72%

Fairfax 1.462,00 ,24%

Excelsior 134,00 ,02%

Itaú 9,00 ,00%

Total 617.742,00 100,00%

Fonte: Mapa

❙❙Leandro Poli, da Essor

volume maior de contratação de seguros

do que neste ano. “O que senti de meus

clientes foi a redução da área plantada e

até mesmo das culturas não subsidiadas.

As culturas mais fortes em contratação

de seguros são os grãos, como o milho

safrinha, o trigo e a soja”.

O setor demora a se desenvolver por

falta de divulgação de seus benefícios.

Esta é o opinião tanto de corretores

quanto de seguradoras.

Por isso, o Governo Federal tenta

melhorar a distribuição dos produtos e

diminuir a burocracia. O Plano Agro

Mais é um conjunto de medidas com

o objetivo de reduzir a burocracia nas

normas e processos do Ministério da

Agricultura, buscando mais eficiência

para impulsionar a competitividade do

setor de agronegócios.

De acordo com nota do Ministério, o

governo vem se esforçando para melhorar

o programa de subsídios, com mais previsibilidade

e planejamento. Os números

têm mostrado que o produtor continua

acreditando que o financiamento, com

o apoio do governo, é importante para

o desenvolvimento da agropecuária. Na

safra 2015/2016, encerrada em 30 de

junho, médios e grandes produtores rurais

tomaram empréstimos da ordem de

R$ 150 bilhões, referentes a créditos de

custeio, comercialização e investimento,

volume 2,6% superior ao do ciclo anterior,

de acordo com dados divulgados

pela Secretaria de Política Agrícola (SPA)

do Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento (Mapa).


25


produto | eventos

Há jeito para tudo!

Da festa intimista, realizada em casa, aos

grandes shows internacionais: o seguro garante

tranquilidade para qualquer tipo de ocasião

Há tempos o mercado de festas

e cerimônias apresenta

números positivos, o que não

foi abalado nem mesmo com

os primeiros sinais da crise financeira

e política. O último estudo divulgado

pela Associação Brasileira dos Eventos

Sociais (Abrafesta) mostra que, em

2014, o faturamento do setor chegou a

aproximadamente R$ 16,8 bilhões – a

maioria casamentos, bailes de debutantes

e formaturas.

Praticamente nenhum detalhe passa

despercebido quando se resolve oferecer

ou organizar uma festa, desde a escolha

dos convidados, passando pelo cardápio

e as músicas que vão animar o momento.

Por outro lado, muitas vezes um item

importante fica fora da lista: o seguro,

ainda contratado majoritariamente para

grandes eventos. “O seguro para eventos

tem o objetivo de garantir desde um mega

show até uma festa típica, uma simples

❙❙Alexandro Sanxes, da Berkley

26

Lívia Sousa

festa ou reunião de amigos mesmo em

casa”, lembra o diretor de Riscos Diversos

da Berkley, Alexandro Sanxes.

A própria Abrafesta lançou, em

parceria com a Chubb Seguros, um produto

voltado à pessoa jurídica na hora

de contratar os serviços de empresas

associadas à instituição. Estudado por

dois anos, o seguro abrange montagem,

festa e desmontagem de casamentos,

aniversários ou formaturas com até 1,4

mil convidados.

“Fazendo um comparativo, o seguro

para evento equivale ao seguro de automóvel.

É tão importante e preciso quanto.

Não adianta esperar bater o carro para

depois providenciar o seguro. É preciso

se precaver e, desta forma, garantir tanto

o cliente quanto o fornecedor”, declara

Ricardo Dias, presidente da Abrafesta,

acrescentando que a entidade pretende

criar um produto para festas menores, organizadas

na própria residência. “Novos

estudos serão realizados para a extensão

deste produto para eventos com o número

abaixo de 100 pessoas”, adianta.

Este tipo de proteção, no entanto,

vem se disseminando de forma gradativa.

Pelo menos é o que garante a diretora

de Seguros Patrimoniais Empresariais

da Liberty Seguros, Rosy Herzka. “Os

segurados, de forma geral, têm se mostrado

mais receptivos para a contratação

deste tipo de seguro”, afirma a executiva,

atribuindo boa parte disso à veiculação

de imprevistos que ocorreram em alguma

festa e que geraram transtornos ou prejuízos

para o organizador.

Para as reuniões mais intimistas,

realizadas em casa, o seguro de Responsabilidade

Civil de Eventos é o mais

indicado, com um custo médio de R$ 500

para um limite de R$ 100 mil. Podem ser

consideradas as coberturas de RC Evento,

RC Empregador, Fornecimento de Comestíveis

e Danos Morais, que garantem

não só a realização da festa como também

a indenização de danos decorrentes do

evento, além de cenários, trajes e presentes

aos participantes. A contratação pode ser

feita pelo próprio proprietário da festa,

desde que o evento ocorra dentro das leis,

não havendo nenhum pré-requisito para a

aquisição do seguro.

Comemoração em grande

estilo

As casas noturnas trabalham com

pacotes exclusivos para quem deseja comemorar

o aniversário no local. Acesso

a área VIP e petiscos e bebidas por conta

da casa são algumas das regalias oferecidas

aos aniversariantes, que levam um

grande grupo de amigos para consumir

no espaço.

Geralmente esses estabelecimentos já

estão protegidos por algum tipo de seguro.

Assim como no de festas em residência,

o seguro de RC Eventos aplica-se neste

caso, com as mesmas linhas de coberturas,

podendo ser acrescentada uma cobertura

acessória para instalação e montagem das

estruturas do evento. O custo médio é de

❙❙Ricardo Dias, da Abrafesta


27


eventos

❙❙Rosy Herzka, da Liberty Seguros

R$ 650 para um limite de R$ 100 mil.

Para as comemorações realizadas em

casas noturnas, é importante que o seguro

abranja todo o calendário de eventos do

estabelecimento (que na maioria das vezes

não é tão longo), com destaque para

as coberturas voltadas ao público e que

garantam também a propriedade.

Contudo, isso não impede que o

anfitrião da festa dê um “upgrade” no

produto. “Contratar um seguro à parte

independe do local oferecer ou não um

seguro para eventos. O que se pretende

resguardar é a pessoa que será responsabilizada

em caso de algum sinistro”, explica

Rosy. No momento da contratação,

deverão ser informados os limites e as

coberturas desejadas para o tipo de festa

que será realizada.

As proteções adquiridas por conta

própria normalmente são seguros patrimoniais,

que têm grande restrição

em relação às coberturas e garantias

necessárias para os eventos. A apólice

é uma ferramenta para complementar

essas coberturas e pode ser contratada

por eventos específicos.

O segmento, porém, tem dado pouca

atenção para este tipo de seguro, considerando

que não apresenta frequência

em sinistros. “Mas existe uma grande

concentração de riscos que pode tornar

um sinistro com alto potencial de perdas”,

frisa Sanxes, da Berkley.

Covers artísticos

Covers de cantores e bandas consagradas,

que fazem sucesso e são uma atração

muito bem-vinda em comemorações,

também devem estar amparados pelo

seguro. Trata-se de um produto muito comum

para artistas no exterior – mas ainda

pouco utilizado pelos artistas brasileiros

–, que tem garantidas as coberturas de

cancelamento e de RC empregador com

extensão para o cover.

“Procuramos amparar os danos

causados aos artistas participantes do

evento. É uma cobertura acessória que

pode ser contratada quando se pretende

resguardar os danos sofridos pelos profissionais”,

afirma a executiva da Liberty.

O seu custo varia em relação ao limite

da cobertura básica contratada, que se

destina a amparar os danos materiais ou

corporais sofridos pelo artista.

Destaque para a cobertura de cancelamento,

que pode acontecer tanto pelo não

comparecimento do artista quanto pela

extensão para coberturas climáticas que

podem inviabilizar a realização do evento.

Os ícones da música

O Brasil se acostumou a promover

grandes eventos, como feiras corpo-

28


29


eventos

rativas, disputas esportivas e, principalmente,

festivais de música e shows

internacionais. Desde que entrou para a

rota de apresentação dos ícones da música

mundial, em meados da década de 1980,

a lista de bandas e personalidades com

passaporte brasileiro não para de ganhar

nomes de peso: Foo Fighters, David

Guetta, U2, The Rolling Stones e Maaron

5 são apenas alguns deles.

Acompanhando esse movimento,

as seguradoras viram a necessidade de

ofertar um seguro de Responsabilidade

Civil voltado exclusivamente a este

nicho, produto que pode ser contratado

tanto pelos organizadores do evento

quanto pelos produtores e prestadores de

serviços. “Além de cobrir os danos corporais

ou materiais causados a terceiros

decorrentes de instalação, montagem,

desmontagem, fornecimento de alimentos

e bebidas, o seguro também cobre tumultos

ocorridos entre os visitantes e danos

morais”, explica Camila Santos, gerente

de Responsabilidade Civil da AIG Brasil.

Há a possibilidade de inclusão de

outras coberturas, como cancelamento

e condições climáticas (podendo ser segurado

o cachê do artista, os custos com

a produção, entre outros). Também estão

protegidas vendas de ingressos abaixo

do esperado, comum até entre as grandes

cantoras do pop. Lady GaGa e Madonna

que o digam: quando se apresentaram em

solo brasileiro, em novembro e dezembro

de 2012, não lotaram os estádios. No ano

seguinte foi a vez da banda Aerosmith, que

dias antes de participar do festival Monsters

of Rock no Brasil tocou para apenas

três mil fãs em um estádio na Costa Rica.

30

Talvez pelo espaço, grande demais; ou pelo

preço “salgado” dos ingressos.

Normalmente, as grandes produtoras

já possuem uma cultura para esse tipo

de seguro e sempre contam com um planejamento

de coberturas que garantem

desde os artistas, o público, o local do

show, os empregados e fornecedores para

a realização dos eventos, equipamentos

utilizados nos eventos, entre outros. Em

razão da grande variedade de coberturas

e limites que podem ser contratados, não

é possível estimar um custo médio deste

tipo de seguro.

É importante lembrar que imprevistos

também podem acontecer com os próprios

artistas. A banda canadense Magic,

por exemplo, cancelou as apresentações

que faria em Belo Horizonte e Brasília

nos dias 22 e 26 de janeiro deste ano,

respectivamente, por conta da logística

❙❙Camila Santos, da AIG Brasil.

da turnê. No Brasil, o cantor Roberto

Carlos cancelou, em junho deste ano,

quatro apresentações na capital paulista,

além de um show que faria no início de

setembro em Sorocaba, interior de São

Paulo, todos por problemas de saúde. O

caso mais recente foi o do cantor Zayn

Malik, ex One Direction, que após uma

crise de ansiedade desistiu de se apresentar

em Dubai no dia 7 de outubro.

Em outras situações, um festival

pode ser prejudicado por completo –

como a primeira edição do Lollapalooza

Colômbia, que nem chegou a acontecer:

foi cancelado após a cantora Rihanna,

então a atração principal do evento,

anunciar de última hora que não se

apresentaria mais por temor ao zika

vírus. Neste caso, o cancelamento do

evento (conhecido como no show) não é

amparado pelo Seguro de RC Eventos

da AIG. “Para estar coberto com relação

a cancelamento do evento, é necessária

a contratação de apólice adicional, presente

no Ramo 171, da Superintendência

de Seguros Privados (Susep) – Riscos

Diversos”, declara Camila.

O fato é que não são somente os shows

internacionais que atraem um público considerável

por aqui. Mesmo com grandes

nomes da música nacional, o País ainda

carece de cultura no que diz respeito à

proteção de eventos. “Temos um grande

potencial com artistas nacionais que não

contratam este seguro”, salienta Alexandro

Sanxes, da Berkley. “As seguradoras têm

a responsabilidade de capacitar os corretores

de seguro e de facilitar a forma de

contratação, para buscar uma cultura para

o segmento”, finaliza o executivo.


31


produto | esporte

Um sinistro

comemorado

No golfe, a maior honraria de um praticante

pode ser também um risco para as suas finanças:

conheça a cobertura Hole in One, que protege uma

grande vitória

Amanda Cruz

32


Simples apostas com amigos

são feitas todos os dias como

uma brincadeira inocente, mas

algumas delas podem se tornar

realidade e levar um participante a um

grande prejuízo. Não acredita? É o que

acontece no golfe, onde um lance de sorte

pode por em risco um patrimônio.

O golfe ficou fora dos Jogos Olímpicos

Modernos por 112 anos, retornando

em 2016, nos jogos do Rio de Janeiro.

Justin Rose, golfista britânico, celebrou a

volta do esporte da melhor maneira possível:

com um Hole in One. Um feito inédito

até então em um campeonato Olímpico.

O Hole in One, ou jogada perfeita,

é a tacada mais difícil e mais valiosa no

golfe e consiste em acertar o buraco na

primeira tacada. Ao vencedor, fica a glória

de integrar o seleto hall daqueles que são 1

em 12,5 mil, mas também uma conta bem

gorda para pagar. Isso porque os jogadores

que praticam o esporte levam suas apostas

muito a sério e quem acerta a jogada

perfeita precisa pagar uma festa inteira,

para que todos os presentes celebrem a

conquista. “Não é uma obrigação, mas a

tradição é tão forte que sempre acontece

uma comemoração”, conta Antonio Padua,

presidente da Federação Paulista de Golfe.

Ele enfatiza ainda que “fazer um hole in

one é uma emoção muito grande. Existem

golfistas muito talentosos, que jogam há

décadas, que nunca fizeram a jogada na

carreira. Comemorei muito os dois que

já fiz em campos oficiais – o último deles

há um ano, em Poços de Caldas”.

❙❙Marcelo Goldman, da Tokio Marine

Se em 1991 o número de praticantes

de golfe no Brasil era de, aproximadamente,

7 mil, e em 2011 já havia saltado

para 25 mil, esse certamente é um cenário

que apresenta crescimento de riscos e que

precisa ser olhado de perto, assim como

o mercado de seguros olha para outros

esportes.

A Federação Paulista de Golfe – FPG

– hoje conta com cerca de 5 mil filiados

e, embora não existam dados anteriores

sobre o número de Hole in One, vários já

ocorreram entre esses jogadores. A partir

de 2016, a entidade começou a não só

contabilizá-los, mas também a promover

o Embrase Hole in One Club, evento que

premiará os jogadores que conquistarem o

feito. Por isso, sabe-se que de janeiro deste

ano até o final de julho foram registrados

44 jogadas perfeitas em campos paulistas.

Almoço, jantar ou happy hour

A cobertura Hole in One está atrelada

ao seguro residencial, como um adicional

à Responsabilidade Civil familiar, e

cobre as despesas como bebidas, comidas

e até lembrancinhas alusivas ao grande

feito esportivo.

A Tokio Marine, que oferece essa

cobertura adicional, explicita em seu

clausulado que o segurado deverá estar

na condição de golfista amador, que tem

no golfe um hobby, não lucrativo, para

receber a indenização, tanto pelo hole

in one quanto pela jogada conhecida

como albatroz (completar o buraco com

três tacadas abaixo do par). Entre outras

condições, está a necessidade do sinistro

ocorrer em campeonatos, torneios ou

treinos em clubes de golfe comerciais que

tenha, no mínimo, nove buracos e que

esteja sendo disputada por, no mínimo,

dois jogadores.

Quem é que sabia?

Esse é um produto que pode ficar

escondido dentro da prateleira, perdido

em meio a tantas outras coberturas que

podem parecer mais urgentes. Esse é um

bom motivo para o corretor conhecer melhor

seu cliente: a venda consultiva passa

também pelo profissional da corretagem

saber quais são os hobbies de seu cliente,

evitando que uma tacada de sorte no momento

de diversão acabe em um prejuízo.

Isso mostra que é preciso ter diálogo com

as seguradoras com as quais ele trabalha.

Adriano Fernandes, diretor de Personal

Lines da Sompo Seguros, afirma que é

esse olhar atento que traz produtos que

conseguem abranger a maior gama de

mercado possível. “Nesse caso específico,

detectamos que havia corretores de

seguros que atendiam clubes de golfe e

que teriam mais oportunidades de fechar

negócios se incluíssemos essa cobertura

agregada ao seguro residencial. Essa cobertura

já é uma realidade na companhia

há algum tempo”, pontua o executivo.

O perfil do segurado, geralmente,

é de alguém de alto padrão que já está

familiarizado com o hábito de comprar

seguros, como executivos de classe média

alta. “O que fizemos foi disponibilizar

essa cobertura adicional e outras que

agregam valor ao esporte para permitir

ao segurado o direito de escolha por sua

contratação”, afirma Fernandes.

Já a Tokio Marine teve sua decisão

bastante baseada na intimidade que possui

com os clientes japoneses. “Incluímos

essa cobertura em nosso produto para

atender um público específico que é praticante

desse esporte, sendo que a colônia

japonesa – um de nossos segmentos foco

– faz parte do público”, revela o diretor

Executivo Técnico de Massificados,

Marcelo Goldman.

Quanto à contratação, ela é feita

por pessoa física, até mesmo porque a

cobertura está dentro do seguro residencial,

mas abrange não só o clube ou

❙❙Adriano Fernandes, da Sompo


esporte

a associação das quais o segurado seja

sócio e/ou membro, mas também qualquer

outro local que esteja destinado à

prática do esporte.

Na Sompo, nos últimos 12 meses,

ocorreram dois sinistros, com média de

indenização de R$ 2,3 mil. Entre 2013

e 2014, houve outros seis sinistros, com

indenização média de R$ 4 mil. O valor

que será disponibilizado dependerá da

cobertura e de seu limite contratado e

está vinculada à cobertura de Responsabilidade

Civil Familiar.

Afinal, o Hole in One representa um

risco da seguradora em ter um cliente

que é não apenas um bom jogador, mas

também um sortudo. “Bater bem na bola

aumenta as chances de deixá-la próxima

do buraco e de embocar em uma só tacada,

mas muitos jogadores de altíssimo nível

técnico nunca fizeram um ace. Há casos

de jogadores que erraram a tacada, mas a

bola bateu em uma árvore ou num muro, e

acabou caindo no buraco”, finaliza Pádua.

Reconhecimento do cliente

As coberturas adicionais que o

mercado oferece em suas apólices são

muitas vezes deixadas de lado porque as

pessoas querem economizar. O discurso

de disseminação do seguro no País é algo

recorrente, mas só quem realmente utiliza

sabe dizer o quanto a cobertura foi, ou

não, satisfatória.

É o caso de Ricardo Vilarinho, 66

❙❙Ricardo Vilarinho, engenheiro

34

anos, engenheiro, empresário e jogador

de golfe na Associação Esportiva São

José, em São José dos Campos, São Paulo.

Ele começou a praticar o esporte

em 2000 e já marcou duas vezes o Hole

in One. “Comecei a jogar em Manaus.

Quando eu fiz o primeiro Hole in One.

Não tinha a cobertura do seguro. Mas lá

já existia uma companhia que oferecia o

produto residencial com essa cobertura”,

conta Vilarinho. O contato veio de outro

golfista, que era corretor de seguros e

auxiliou o cliente na escolha da cobertura

mais adequada. O engenheiro contratou

o seguro com o valor de indenização de

R$ 5 mil. “Quando eu fiz o segundo Hole

in One pude fazer uma grande festa no

clube”, lembra.

Para acionar o seguro, foi preciso um

documento, cedido pelo clube de golfe,

em que duas testemunhas atestaram o

feito do jogador, que posteriormente foi

reconhecido pela federação paulista e

entrou no hall da fama dos golfistas. Esse

documento é o comprovante que a seguradora

exige para reembolsar o sortudo

dos gastos com a festa.

Vilarinho diz que, pelo seguro residencial

como um todo, paga um prêmio

anual de R$ 600 e se mostra satisfeito

em também poder contar com as demais

assistências que acompanham o produto,

afirmando que já acionou diversas delas,

como encanador, eletricista, entre outros.

“Tudo que eu tive que fazer foi entregar as

notas. Funcionou perfeitamente”, elogia.

Para Vilarinho, a conquista de um

Hole in One deixa o golfista em “estado

de graça”. Ele afirma que tem o desejo de

realizar mais jogadas perfeitas e reitera

que o fato de ter seguro o auxilia a ficar

despreocupado e ainda mais feliz com a

conquista. “A emoção é um espetáculo.

Essa é uma grande tradição e depois que

pude contar com o seguro, não deixo de

ter, de renovar”, afirma.

O saldo dessa conquista é muito positivo

também para o mercado, que tem o

reconhecimento do cliente. “Recomendo a

outros golfistas porque não é apenas o seguro

do Hole in One. O seguro da minha casa

conta muito, já utilizei diversos serviços e

sei que estou protegido. Nunca tive nenhum

acidente em casa, mas é importante saber

que estou seguro”, avalia.

Adicional

Geralmente quem contrata a cobertura

adicional Hole in One, também

contrata a cobertura para tacos de

golfe. Essa cobertura garante o reembolso

ao segurado em caso de danos

aos seus tacos de golfe por conta de

roubo, furto qualificado, incêndio ou

queda de raio. Além disso, os segurados

também contratam a cobertura

de Responsabilidade Civil – Prática de

Esportes, que é complementar à de

RC Familiar.

Recordes

Hole in One significa acertar uma

bola no buraco com uma única jogada.

De acordo com os golfistas, a tacada

perfeita, é mais fácil de ser conseguida

em buracos de par 3 e muito raras em

buracos de par 4 ou 5.

Golfistas de todos os perfis já acertaram

as suas jogadas perfeitas:

〉〉

O primeiro Hole in One em um

buraco par de 4 foi feito em 2001

por Andrew Magee;

〉〉

O jogador mais velho a conseguir

a tacada perfeita foi o americano

Gus Andreone. O golfista acertou

seu hole in one em 2014, aos 103

anos;

〉〉

Já o mais jovem a conseguir o feito

foi o prodígio Coby Orr que, com

apenas 5 anos, conseguiu acertar,

de primeira, um buraco que estava

a 100,6 metros de distância;

〉〉

Sheila Drummond, aos 53 anos, foi

a primeira golfista cega a registrar

um Hole in One a mais de 120

metros de distância;

〉〉

A tacada de Justin Rose, nas Olimpíadas

do Rio de Janeiro, além

de ser o primeiro Hole in One da

história dos jogos, foi feita em um

buraco par 3, a 172 metros


35


transporte | gerenciamento

Planejamento

do início ao fim

Vital para a garantia dos negócios

no setor, o gerenciamento de risco

auxilia na identificação de tendências

e no planejamento de ações que

permitem as companhias agirem

preventivamente

Lívia Sousa

36


Os desafios enfrentados pelo

setor de transportes de cargas

são velhos conhecidos,

como o excesso de burocracias,

que atrapalha o desenvolvimento

do ramo no País, e a defasagem na

infraestrutura. Segundo uma pesquisa

feita pela Fundação Dom Cabral, a ineficiência

da logística consome 12% do

Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro

e representa uma perda de cerca de US$

80 bilhões ao ano.

Em situações como essas, ações tecnicamente

adequadas para a prevenção de

perdas e mitigação de sinistros se tornam

ainda mais importantes. “Sem o gerenciamento

de riscos, teríamos perdas muito

mais relevantes em todo o sistema de

movimentação de cargas e, por tabela, seguros

mais caros e prejuízos para todos”,

diz Ruy Gouvêa, diretor de Planejamento

e Estratégia da Associação Brasileira das

Empresas de Gerenciamento de Riscos e

de Tecnologia de Rastreamento, Monitoramento

e Telemetria (Gristec).

Tão importante quanto o seguro, a

gestão de riscos faz com que o cliente

mantenha uma taxa de seguro baixa e seja

atrativo para as companhias seguradoras.

Mas não se engane ao imaginar que basta

contratar um seguro e uma gerenciadora

de riscos para que a operação esteja

totalmente segura. Delicado e complexo,

o trabalho deve ser feito a quatro

mãos e envolver segurado, seguradora,

❙❙Ruy Gouvêa, da Gristec

corretora e gestora de riscos. “Reunindo

as quatro empresas, é possível fazer um

bom planejamento, mapeando do início

ao fim a operação da cadeia logística de

cada cliente e, assim, identificar as vulnerabilidades

e aplicar as correções para

mitigação dos riscos”, afirma o gerente

operacional da J&C Gestão de Riscos,

Eduardo Lima.

O gerenciamento na prática

No transporte rodoviário de cargas, o

gerenciamento de risco atua na prevenção

de perdas por meio de procedimentos

pré-definidos de acordo com cada tipo de

operação. São traçados planos de viagem

e pontos de parada considerando a carga

transportada, a operação logística, o grau

de risco da mercadoria e de exigências das

seguradoras, o veículo e a rota. Para que

isso seja feito, os motoristas e responsáveis

pelo transporte são treinados de acordo

com essa regra e o Plano de Gerenciamento

de Risco fica em posse da empresa de

monitoramento. Após a preparação, quando

o veículo sair para viagem, é possível

prever ações e atuar em situações que não

estiverem no itinerário.

Os equipamentos de monitoramento,

que possuem dispositivos de segurança

capazes de sinalizar qualquer violação,

possibilitam o gerenciamento das informações

da viagem e têm como principal

ferramenta as informações do equipamento

instalado no veículo. No entanto,

utilizam-se também iscas eletrônicas,

travas especializadas, grades, gaiolas, telemetria

e escoltas. “Através da avaliação

de riscos de cada operação, determina-se

medidas a serem adotadas para que se

restrinja a exposição ao risco do cliente.

São várias as ações possíveis, indo desde

adoção de procedimentos simples até as

ações de campo, determinação de rotas e

análise de padrões”, declara o diretor comercial

da OpenTech, Eduardo Oliveira

de Souza. “Cada operação tem seu risco

especifico e a atividade da gerenciadora

de risco é de equilibrar a relação custo

versus benefício para a entrega do serviço

adequado à necessidade do cliente”,

complementa.

Gerente de marketing da Trans Sat,

Bruna Medeiros assegura que com o correto

acompanhamento realizado por essas

❙❙Eduardo Lima, da J&C

ferramentas, além de um motorista bem

treinado para cumprir o que foi definido,

as chances de se identificar uma situação

de sinistro e tratar em tempo hábil para

recuperação aumentam muito. “Quando

qualquer violação é identificada pela central

de monitoramento, imediatamente são

enviadas mensagens de questionamento

ao motorista e se o contato não for estabelecido

inicia-se o plano de contingência

– acionamento do policiamento de toda

região e equipe de pronto atendimento –

segurança particular”, explica.

Contudo, nem sempre foi assim.

Logo que se iniciaram as práticas de

gerenciamento de risco, havia dificuldade

na execução das tarefas e no cumprimento

das exigências. As seguradoras, por sua

vez, não sugeriam procedimentos específicos

e as apólices eram generalizadas.

Passados os anos, as companhias criaram

departamentos especializados no assunto,

tornando as regras mais exigentes para

o cumprimento das empresas de transportes

e dos fornecedores de tecnologia

e de mão de obra para o monitoramento.

Agora, a gerenciadora precisa ser auditada

periodicamente e cumprir uma série

de requisitos de segurança e redundâncias

tecnológicas para estar apta e ser liberada

para exercer as atividades aos segurados.

“Essa evolução no mercado segurador

trouxe muitos benefícios, pois profissionalizou

o setor e concedeu espaço

para empresas dispostas e serem cada vez

37


gerenciamento

melhores”, destaca Bruna, traçando outra

mudança significativa. “O transportador e

o embarcador contratava a gerenciadora

de risco apenas por exigência da seguradora.

Hoje, a maioria das empresas

contrata a gerenciadora como propulsora

de seus negócios, são extremamente exigentes

e utilizam as regras de segurança

para angariar mais sucesso e lucro em

suas operações”.

Comparado com o serviço oferecido

internacionalmente, Ruy Gouvêa, da

Gristec, avalia o gerenciamento de riscos

do Brasil como eficiente, mas salienta a

ausência de uma atuação mais firme da

autoridade pública no combate ao roubo

e à receptação das cargas ilícitas, somada

à conservação, sinalização e fiscalização

das estradas de todo o País.

Roubo de carga

19.250 ocorrências, a maioria concentrada

na região Sudeste, e um prejuízo

recorde de R$ 1,12 bilhão (confira nos

38

gráficos abaixo). Este foi o saldo do roubo

e furto de cargas apenas no último ano,

de acordo com um levantamento feito

pela Associação Nacional do Transporte

de Cargas e Logística (NTC&Logística).

Os números comprovam que o roubo e

suas derivações continuam sendo o maior

entrave da área. “A alta sinistralidade é

uma realidade cada vez maior não só em

transportes, mas em todos os segmentos

empresariais. Por isso, medidas preventivas

são mais do que importantes em um

cenário de criminalidade”, frisa o Coronel

Paulo Roberto Souza, assessor de segurança

da NTC, destacando que muitas vezes

as fraudes vêm do próprio condutor do

veículo, com a falsificação das notas fiscais

e com os desvios de carga.

Cargas de alto valor e de fácil

revenda no mercado, como produtos

alimentícios, farmacêuticos e químicos,

são os principais alvos deste tipo de

ação. Ainda integram a lista cigarros,

eletroeletrônicos, têxteis e confecções,

❙❙Eduardo O. de Souza, da OpenTech

autopeças, combustíveis e bebidas. Vale

ressaltar que isso também se aplica na

área de armazenagem, considerando o

planejamento das quadrilhas especializadas,

que aliciam os trabalhadores dos

armazéns de embarcadores, operadores

logísticos e transportadores para identificar

cargas potenciais.

É possível inibir as fraudes, contribuir

para a queda de sinistros, diminuir

o custo do embarcador e, sobretudo,

garantir a segurança contra roubo e furto

utilizando dados históricos e estatísticos

para mapeamento dos riscos, como perfil

das cargas transportadas e áreas de maior

incidência. “Mas sempre com foco na

prevenção”, diz Adriano Thiele, diretor

executivo de operações da JSL. Além da

criação de regras e utilização de tecnologias

diversas, é importante investir em

aspetos operacionais como criação de rotogramas,

adequação de horários de carga

e descarga e treinamentos constantes dos

motoristas. “As operações devem ser analisadas

individualmente e considerando

suas particularidades, sempre em conjunto

entre embarcador e transportador, para

que as regras definidas não inviabilizem

a operação”, declara.

A ação fecha os espaços do próprio

risco, através de controles e processos, dificultando

e até mesmo impedindo alguns

tipos de fraude ao seguro, antes comuns.

Isso reflete diretamente na frequência de

eventos, tornando qualquer apólice mais

saudável. Todavia, não se pode afirmar


39


gerenciamento

❙❙Bruna Medeiros, da Trans Sat

❙❙Cel Paulo Roberto Souza, da NTC

❙❙Adriano Thiele, da JSL.

que a fraude se tornará erradicada de

forma definitiva. “A raiz de todo processo

reside no enfraquecimento dos valores

morais, somado a sensação de impunidade,

em uma justiça em muitos casos lenta,

o que incentiva o exercício”, recorda Marconi

Peixoto, gerente de Riscos de Transportes

da Willis Towers Watson. “Por isso,

todo processo precisa ser dinâmico com

ajustes constantes e que acompanhem a

própria evolução logística”.

Ele ainda frisa que continua sendo

um ponto fundamental o combate à

receptação de mercadoria roubada por

comerciantes, principal fator que torna

o roubo de carga no Brasil um negócio

vantajoso. “Muitos processos contra receptadores

se arrastam nos intermináveis

corredores da justiça há décadas e quando

são julgados, muitas vezes a materialidade

da denúncia já pereceu”, finaliza.

Recuperação do setor

Com a instabilidade econômica e a

queda do consumo, a movimentação física

de cargas e de outros bens se retraiu.

O último boletim Economia em Foco

elaborado pela Confederação Nacional

Para não errar ao contratar uma gerenciadora de riscos...

... é necessário levantar o seu histórico know-how, carteira de clientes,

corretoras e seguradoras. Segundo Eduardo Lima, da J&C Gestão de Riscos,

os maiores equívocos ocorrem com clientes que acabam buscando a empresa

mais barata. Ele ainda alerta para o fato de que algumas companhias

também podem vender uma base de rastreamento dedicada a um único

cliente que, quando implantada ao gerenciamento de risco, adiciona outros

clientes para serem gerenciados na mesma base. “Para que isso seja

evitado, é necessário abrir um bid e realizar visita técnica em cada empresa

concorrente”, diz o executivo.

Às gerenciadoras, cabe...

... a atualização tecnológica constante para que se estejam sempre um

passo a frente das quadrilhas que se especializam cada vez mais em roubos

e furtos;

... equilibrar os custos em momentos de crise. Para isso, devem investir

em soluções de amplo espectro, que possam garantir ganho de escala na

contratação, e que tragam redução de custos ao eliminar retrabalhos e trazer

junto soluções logísticas e de gestão para o cliente.

do Transporte (CNT), divulgado em setembro,

revela que somente no primeiro

semestre deste ano o setor de transporte e

logística caiu 5,9%, fechando 37.410 postos

de trabalho no período. Para agravar

a situação, o Programa de Investimentos

em Logística (PIL), anunciado pelo Governo

Federal, não avançou. Sendo assim,

como atender as companhias que, visando

eficiência, redução de custos e melhora na

competitividade em momentos de orçamentos

apertados, buscam pela logística

e pelo transporte eficiente?

Na visão de Thiele, a melhor maneira

para que as companhias do setor

contornem as dificuldades é estudar

continuamente cada operação em que

atua, além de investir na qualidade do

serviço prestado e na formação e no desenvolvimento

dos colaboradores. Com

as oscilações econômicas, ele também

destaca a importância de não concentrar

a atuação em um único segmento. “A economia

funciona em ciclos, favorecendo

diferentes setores em momentos distintos.

As oscilações atuais, por exemplo, favorecem

a indústria de alimentos, mas não o

setor automotivo. A logística diferenciada

é nossa regra, mas não existe uma receita

pronta”, pontua.

Confiante, o executivo lembra que o

segmento terá um longo caminho pela frente

até voltar a apresentar resultados positivos.

Para isso, serão necessárias medidas de

recuperação econômica – principalmente

para a geração de empregos.

40


41


evento | posse

Novos comandantes

Em cerimônia realizada em Salvador, SindSeg BA/SE/

TO empossa nova diretoria. Sob o comando de João

Giuseppe Esmeraldo, executivos ficarão à frente da

entidade até 2019

Para os próximos três anos, o

Sindicato das Seguradoras da

Bahia, Sergipe e de Tocantins

(SindSeg BA/SE/TO) contará

com os trabalhos da nova diretoria,

empossada no dia 26 de agosto, para a

gestão 2016/2019. Realizada em Salvador,

na Bahia, a cerimônia contou a presença

de personalidades do mercado segurador

local e nacional.

Em seu discurso, o presidente reeleito

João Giuseppe Esmeraldo destacou a

nova fase, reafirmando o compromisso

com a indústria por meio da diretoria,

comissões técnicas e demais entidades.

“As ações planejadas por esta ges-

❙❙Lideranças do mercado presentes na posse da nova diretoria

tão estarão alinhadas com as ações da

CNseg, FenSeg, FenaCap, FenaPrevi e

FenaSaúde a fim de que a sinergia com

as entidades mais representativas do setor

seja cada vez mais fortalecida. Também

contamos com o acolhimento e parceria

das entidades locais, como Sincor-BA,

CSB, Clube do Seguro de Feira de Santana,

CSP-BA, Sincor-SE e Sincor-TO,

para continuar edificando o mercado nos

estados de atuação”, disse.

O executivo enfatizou também o

caminho que o Sindicato trilhou em sua

primeira gestão, iniciada em 2013. “No

primeiro mandato, tivemos o desafio

de ressignificar o papel da entidade.

❙ João Giuseppe Esmeraldo,


❙ presidente do SindSeg BA/SE/TO

Ampliamos a rede de relacionamento de

seguros, identificamos demandas da indústria,

ajustamos as formas de trabalho,

agregamos as boas práticas, atravessamos

fronteiras. Entre as conquistas, sem dúvida,

a maior delas é o relacionamento

e a integração que os profissionais das

associadas passaram a ter. Hoje, as seguradoras

trocam ideias sobre o mercado,

se consultam, se unem enquanto grupo e

como representantes de uma indústria”,

declarou ele.

Giuseppe aproveitou a ocasião para

adiantar algumas propostas da diretoria

para o triênio, como o estreitamento do

diálogo com os órgãos de interesse ainda

não atingidos pelo Sindicato, como

magistrados e gestores públicos. Nesta

gestão, o tema educação também ganhará

maior atenção. “A ideia é estender para

programas e ações educacionais com

regularidade nas escolas e demais cam-

42


Novo quadro diretivo gestão

2016/2019

❙❙Homenageados Meiry Sakagushi e Oriovaldo Lima

pos da sociedade”, declarou o presidente, frisando ainda o compromisso de

intensificar a comunicação do mercado com a imprensa. “As grandes mídias

precisam saber o que devolvemos em benefícios para a sociedade, no sentido

também de combater a imagem distorcida que ainda é propagada sobre o

seguro”.

A cerimônia contou ainda com homenagens à executiva Meiry Sakaguchi,

pela atuação como diretora financeira do Sindicato e que recentemente

aposentou-se do cargo de gerente comercial na Porto Seguro; e ao diretor

da FenaPrevi, Oriovaldo Pereira Lima, único representante da Federação

sediado na Bahia. Após a cerimônia, os convidados participaram de um

jantar comemorativo, ao som de jazz.

Presidente

➥➥

João Giuseppe Silveira Leite Esmeraldo –

Bradesco Seguros

Vice-presidente

➥➥

Paul Douglas Canarin – HDI Seguros

Diretor Tesoureiro

➥➥

Gilberto de Jesus – Cia Aliança da Bahia

Diretor Secretário

➥➥

André dos Santos Pereira –

SulAmérica Cia Nacional de Seguros

Diretor

➥➥

Alexandro Luciano Barbosa – Allianz Seguros

Conselho Fiscal

➥➥

Eduardo Gregório Scartezini –

Porto Seguro Cia de Seguros Gerais

➥➥

Nelson Brágio Uzêda – Excelsior Seguros

➥➥

Claudio Luis Moreira Almeida – Mapfre Seguros

Suplentes do Conselho Fiscal

➥➥

Durvalice Viana dos Prazeres Fontana – MetLife

➥➥

Cassio Emanuel Silva Coutinho de Souza –

Tokio Marine Seguradora

➥➥

Thiago Stahlmann da Silva – Bradesco Seguros

43


painel

saúde

Obesidade Infantil

O Centro de Desenvolvimento Comunitário Circo Social

Vila Ré (CDC), na zona leste de São Paulo, que atende cerca

de 500 jovens e crianças por meio de projetos sociais, ganhou

uma horta comunitária, uma cozinha industrial e um refeitório.

As novidades são fruto de uma parceria recém-firmada entre a

Amil e a Associação Cristã de Moços/Young Men’s Christian

Association (ACM/YMCA), que contribuirá para fortalecer a

luta contra a obesidade infantil. Os participantes do projeto

aprenderão a cultivar alimentos, com o acompanhamento de

educadores, e terão à disposição o Espaço Amil para uma Alimentação

Saudável, onde serão preparadas e servidas cerca de

400 refeições por dia, com cardápio orientado por nutricionistas.

No local, também serão realizados palestras e workshops

de orientação nutricional ao longo de 2016. De acordo com a

diretora de Sustentabilidade da operadora de saúde, Odete Freitas,

“a parceria ajudará a disseminar a importância da adoção

de hábitos saudáveis desde cedo, fazendo com que os jovens

possam multiplicar os ensinamentos adquiridos não só dentro

de casa, como também para toda a comunidade”.

Plano de saúde para

tempos de crise

A Golden Cross relançou um plano empresarial focado na

cobertura hospitalar, que proporciona acesso à urgência, emergência

e internações. De acordo com o diretor de marketing da

companhia, Cláudio Brabo, o produto atende a uma demanda

do mercado diante da atual crise econômica e pode ajudar a

minimizar a evasão de clientes do sistema de saúde suplementar.

Brabo explica que mesmo grandes organizações têm sido

afetadas por esse cenário de recessão e, por isso, buscam formas

de reduzir as despesas com os planos de saúde. No caso

das pequenas e médias empresas, esse impacto é ainda maior.

Segundo o executivo, essa opção pode proporcionar uma

redução de até 35% no preço final para os clientes. Ele destaca

também que o produto permite que os associados estejam

protegidos nos eventos de maior custo: as internações hospitalares.

Brabo aponta que, dependendo do prazo e do hospital

escolhido, os gastos podem ultrapassar ao valor de um carro

ou até um imóvel, comprometendo o patrimônio da família e/

ou da empresa

Ameplan implanta Projeto

de Ouvidoria Preventiva

Criada em janeiro de 2014, a Ouvidoria da Ameplan

Saúde está alinhada ao plano estratégico do corpo diretivo,

atuando fortemente para evitar recorrências de ruídos. Fazendo

uso dos indicadores obtidos a partir das manifestações

de seus clientes, promove a análise, gera novas informações,

provoca o debate e obtém sugestões para o aperfeiçoamento

dos processos, provocando mudanças que contribuem para

prevenção e reversão definitiva de reclamações.

Atualmente, a Ouvidoria Ameplan está dando um novo

passo, com o “Projeto Ouvidoria Preventiva”, uma proposta

que se efetiva com a disponibilização dos indicadores

de uma determinada área e, a partir destes indicadores,

promove um debate com todos os profissionais do setor,

independentemente de cargos e responsabilidades, mas com

o único propósito de buscar sugestões, críticas e soluções

que poderão ser utilizadas para o fim proposto ou qualquer

outro campo de melhoria.

Segundo Katia Regina Costa, Ouvidora da Ameplan

Saúde e responsável pelo setor, o projeto já foi implantado

nos departamentos de SAC, Cadastro e Comercial e será

desenvolvido em toda sua extensão de negócio, adotando

o conceito working together, com o comprometimento de

todos e alinhado ao principal pilar da empresa, de ser reconhecida

no mercado pela ética, profissionalismo e excelência

no atendimento.

O Projeto é um case de sucesso do canal da Ouuvidoria,

onde se dá acesso a todas as informações compiladas nos

relatórios gerenciais, instrumento de gestão essencial nas

atividades de avaliação e monitoramento dos processos.

Outro objetivo do projeto, além de estreitar a relação da

ouvidoria com os gestores, é propiciar e estimular toda

equipe para que sejam agentes de mudanças, contribuindo

para o resultado institucional.

“Entender nossos beneficiários e atuar preventivamente,

antevendo ruídos, é uma ação estratégica, no qual a ouvidoria

contribui para sanar as necessidades de seu cliente”,

conclui Katia.

44


45


tecnologia | realidade aumentada

A grande aliada

Ferramenta que ganhou notoriedade com o

Pokémon Go já não é novidade para mercado

segurador. Entenda como essa tecnologia

pode auxiliar as empresas do setor a oferecer

melhores experiências aos clientes

Foi preciso poucas horas de seu

lançamento no Brasil, no início

de agosto, para que o game Pokémon

Go registrasse as primeiras

ocorrências no País. No Espírito Santo,

um estudante de 14 anos teve o celular

roubado enquanto tentava capturar um

personagem no centro da cidade de Vila

Velha. O mesmo aconteceu com um

homem de 32 anos que, no momento da

captura de mais um Pokémon, foi abordado

por um ladrão na Avenida Paulista,

em São Paulo.

Tudo não passou de um susto por

aqui, mas ocorrências graves já foram

registradas em outros países por causa

dos jogadores “distraídos”. Nos Estados

Unidos, um motorista bateu o carro em

uma viatura de polícia

que estava parada.

Já na Austrália,

duas pessoas

caíram de um

precipício, em

uma área rural,

e precisaram

ser resgatadas. No

Japão, um estudante

foi detido por andar a

pé em uma rodovia expressa.

Situações como essas fazem com que

o jogo chame atenção, principalmente,

de quem atua no mercado segurador.

Prova disso é que algumas seguradoras

já acrescentaram no portfólio um produto

voltado aos jogadores de Pokémon Go,

com coberturas para acidentes e para o

transporte do segurado ao hospital. No

entanto, antes mesmo do surgimento do

Lívia Sousa

game, o setor já voltava suas atenções

à chamada realidade aumentada (RA),

tecnologia que une ao mesmo tempo os

mundos real e virtual por meio de um

software.

“Apesar de a ferramenta ter ganhado

notoriedade por causa do Pokémon Go,

as seguradoras já estavam antenadas

no assunto. Elas entenderam que a

ferramenta pode ser uma

aliada e facilitar a vida

do segurado”, declara

Marcos Caruso, líder

da Indústria de Seguros

da Stefanini.

Utilizada pela indústria

de games há

algum tempo, a realidade aumentada

ganhou impulso a partir da proliferação

dos dispositivos móveis e de sua combinação

com outras tecnologias, conquistando

também o mundo dos negócios. Na

Ásia, nos Estados Unidos e na Europa,

as empresas largaram na frente em sua

utilização. Em solo brasileiro, muitas

companhias estão estudando o assunto e

algumas já colocaram a RA em campanhas,

eventos e promoções.

Instituições educacionais também

se valem da ideia. O Serviço Nacional

de Aprendizagem Industrial (Senai), por

exemplo, conta com um aplicativo para

que, por meio da câmera do celular ou do

tablet, as imagens de seus livros didáticos

sejam reconhecidas em 3D. Os alunos do

curso técnico de automação industrial

conseguem visualizar os marcadores

impressos nas ilustrações e, assim,

ter acesso aos conteúdos animados.

A realidade aumentada

nos seguros

Por meio da realidade aumentada,

as empresas podem

46


❙❙Marcos Caruso, da Stefanini

oferecer experiências maiores e melhores

aos clientes, possibilitando que os consumidores

“provem” produtos sem sair de

casa ou sem necessariamente os tocar.

No caso das seguradoras, pode-se, por

exemplo, testar a exposição aos riscos

sem de fato vivenciá-los, o que é ideal

para as áreas de sinistros, subscrição e

vistorias. “A realidade aumentada permite

que processos de vistorias simples

sejam feitos pelo celular. A ferramenta

identifica o grau de reparo necessário”,

afirma Caruso.

Algo semelhante já ocorre em países

europeus, onde o aplicativo identifica

o ruído do automóvel e diagnostica as

possíveis causas do problema. Alguns

eletrodomésticos das linhas branca e

marrom também adotam mecanismo

similar. Essas medidas evitam a “quebra”

na rotina do segurado, que por vezes precisa

deixar o carro ou o eletrodoméstico

em oficinas para finalmente saber o que

ocorre com o seu produto.

Realidade virtual

A interação com ambientes em 360

graus é a principal aposta da realidade

virtual. Desenvolvida desde o final da década

de 80, a tecnologia ganhou destaque

com videogames e óculos inteligentes,

mas já ultrapassa esses segmentos ao ser

utilizada pelas áreas de esportes, entretenimento

e imóveis.

No mercado de seguros, a lista de

possibilidades criadas por esse tipo de

tecnologia é extensa. A começar pelo

“passeio” por localidades e estradas, fator

que pode ajudar a decidir quais proteções

contratar em uma viagem. Ainda é possível

navegar por prédios antes de construí-

-los, o que auxilia no cálculo do valor

da apólice do seguro da obra, além de

“entrar” em uma casa, fazendo com que

o cliente previna acidentes domésticos.

Pode-se também trabalhar com a

RA para educar e sensibilizar clientes

a diminuírem sua exposição aos riscos,

como, por exemplo, aplicativos de planos

de saúde que premiam atitudes saudáveis,

como um medidor de caminhadas com

objetivos e prêmios ao longo do caminho.

“Em seguro saúde, a realidade virtual

pode ajudar inclusive na padronização de

procedimentos médicos. As seguradoras

geralmente perdem dinheiro porque

os médicos não seguem o protocolo de

atendimento”, lembra Caruso.

Um caminho sem volta?

“A tecnologia que temos hoje é muito

nova e, por isso, a maioria das empresas

está começando a aprender sobre ela”,

declara Tuong Nguyen, analista de

Pesquisas do Gartner, empresa de fornecimento

de pesquisas e aconselhamento

em tecnologia. As companhias que têm

experiência com projetos pilotos também

estão descobrindo como utilizar a realidade

virtual a seu favor. Mas como saber

se elas estão no caminho certo?

“Cada empresa precisa de uma

❙❙Tuong Nguyen, do Gartner

❙❙Acácio Alves, da Provider IT

meta para o uso da tecnologia. Algumas

utilizam a realidade aumentada para a

manutenção de equipamentos ou para

menos erros no procedimento. Depois de

implantar a tecnologia, é preciso comparar

o resultado com a solução RA e sem

a solução RA. Não há uma métrica para

medir o sucesso. Depende do problema

que ela está tentando resolver”, declara

Nguyen.

Mais uma prova de que a transformação

digital invadiu de vez o dia a dia

da sociedade e das corporações, a realidade

aumentada será, em breve, maior

que a realidade virtual. De acordo com

um relatório recente da Digi-Capital, é

esperado que a RA gere em torno de US$

120 bilhões de receita para as empresas

no ano de 2020, enquanto a expectativa

para a RV fica em torno de U$ 30 bilhões.

“A realidade aumentada irá impactar

todos os setores da sociedade e do mundo

corporativo, como medicina, pesquisa,

educação, segurança, entretenimento,

serviços e indústrias. Com a evolução

da tecnologia e sua utilização em larga

escala, o custo se reduzirá cada vez mais

e a ferramenta se popularizará, tornando-

-se muito presente em nosso dia-a-dia”,

prevê o diretor executivo da Provider IT,

Acácio Alves.

Toda essa força, porém, não deve

perpetuar. Com as velozes mudanças,

já se espera que outro tipo de tecnologia

se sobreponha à realidade aumentada

em breve.

47


evento | previdência

Agenda para ajudar o País

FenaPrevi

discutiu a

necessidade

e propostas

para reformas

na Previdência

Social durante

evento em São

Paulo

Amanda Cruz

A

reforma da previdência social

tem tomado os noticiários

nos últimos tempos e levantado

questionamentos sobre

os direitos trabalhistas adquiridos dos

brasileiros. No VII Fórum Nacional de

Seguros de Vida e Previdência, promovido

pela FenaPrevi, não foi diferente: a

reforma foi o gancho de todos os painéis

apresentados durante o dia 23 de agosto,

em São Paulo. Os únicos que parecem

não estar totalmente a par das mudanças

propostas são os maiores interessados: a

população.

A entidade promoveu uma pesquisa,

apresentada durante o evento, que mostra

o tamanho do desconhecimento dos 1500

entrevistados pela entidade. 44% deles

sequer ouviram falar sobre as mudanças

que estão sendo propostas.

Pesquisa

Idade para se aposentar, tempo de

contribuição, direitos adquiridos são

questões que evidenciam a contradição

entre o que os indivíduos querem, acham

e esperam. Por exemplo, quando perguntados

sobre em qual idade deveriam ter o

direito de se aposentar, homens acreditam

que o ideal seria aos 58 anos, enquanto

mulheres afirmam, em média, 53 anos e

quando a pergunta é sobre o tempo de

contribuição, as respostas ficam em 31 e

48

28 anos, respectivamente. Em contrapartida,

se a pergunta é quando as pessoas

acham que, efetivamente, conseguirão se

aposentar as respostas se aproximam das

idades que são praticadas hoje em dia,

homens e mulheres se aposentando entre

64,65 anos e 58,60 anos, respectivamente.

Edson Franco, presidente da Fena-

Previ, ressalta a discrepância entre os

anseios dessa população e o que pode ser

praticado na realidade: “as idades citadas

estão muito abaixo da praticada na maioria

dos outros países, 65 anos, que já vêm

discutindo uma mudança para 67 anos”,

afirma. Mas, independente do desejo pessoal,

as pessoas têm consciência de que a

idade de aposentadoria que almejam não

será possível na prática.

O País chegou ao momento que já

era anunciado há mais de 20 anos por

especialistas do setor. A conta não fecha.

A previdência social custa, hoje, 12% do

PIB. Comparado com o mundo, apesar de

ser um país jovem, o Brasil ocupa o quinto

lugar no ranking das nações que mais gasta

com aposentadorias e pensões. Para José

Cechin, diretor executivo da FenaSaúde,

“as escolhas previdenciárias do País foram

feitas sem fundamento atuarial” e agora é

o momento de receber a conta.

O primeiro ponto apontado por

Edson Franco é a falta de equidade na

distribuição. Para ele, falta um fator que

unifique todos os aposentados, que acabe

com as diferenciações, sejam elas por

gênero, categoria profissional ou qualquer

outro fator. Além da fixação de idade

mínima para se aposentar, desvincular o

ajuste da previdência do salário mínimo.

A previdência privada

A previdência privada tem muito

a ver com o benefício social. Especialmente

porque a primeira precisa de uma

população bem preparada para lidar com

finanças, que tenha educação financeira e

que saiba o que pode vir do estado e o que

deverá ser buscado no mercado privado.

Sabendo não só do interesse em um

mercado saudável, mas também do dever

social enquanto entidade, Franco afirmou

que a FenaPrevi, por meio da CNseg,

entregou uma proposta ao governo para

ajudar a decidir quais reformas podem

ser feitas.

O mercado de previdência privada

não só é a favor como conta com as

reformas da previdência para saber o

terreno onde pisa, descobrir qual deverá

ser o aumento da demanda nos próximos

anos e se preparar para ajudar a instruir

e educar cada vez mais pessoas sobre

previdência, social e complementar, à

medida que elas forem se integrando a

esse mercado em busca de mais garantias

para o futuro.


49


evento | sul

Corretoras em festa e aprendizado

Sincor-RS promove

a décima edição do

encontro de corretoras

de seguro do Estado

Bastante anunciado desde o início

do semestre, o 10° Encontro

Feminino de Corretoras de

Seguros foi realizado no dia 12

de agosto, em Porto Alegre, e promovido

pelo Sindicato do Corretores de Seguros

do Rio Grande do Sul (Sincor-RS).

Feito especialmente para o público

feminino, o evento acontece desde 2003

e agora, em sua décima edição, contou

com nomes como Maria Helena Monteiro,

diretora de ensino técnico da Escola

Nacional de Seguros, falando sobre autoconfiança

e o espaço para as mulheres

agirem, conquistando cada vez mais seus

objetivos.

O Dr. José Camargo, médico, escritor

e palestrante gaúcho, teve a incumbência

de falar sobre sabedoria e maturidade e

foi muito bem recebido pelas participantes.

Mas o dia foi mesmo das mulheres.

Nomes como Simone Leite, presidente da

Federasul, que tratou sobre o protagonismo

da mulher no mercado de trabalho; as

jornalistas Laura Medina e Isabel Ferrari

– falaram sobre bem-estar e a relação

das mulheres com a vida, o dia a dia e

❙❙Representantes de entidades na abertura do evento

dividiram suas próprias experiências e

situações com o público. Leila Navarro,

palestrante motivacional, encerrou a

rodada de palestras com o tema “Como

virar o jogo e ser feliz na vida pessoal e

profissional”. Autoestima e confiança,

mesmo em tempos difíceis, foram os

motes da palestra de encerramento.

Com um espaço maior para o evento,

esse ano foram recebidas mais de 520

mulheres. O presidente da entidade que

promoveu o evento, Ricardo Pansera,

afirmou, durante a abertura, que “a participação

feminina no mercado de seguros

é sempre bem-vinda, pois elas têm uma

forma diferente de encarar situações.

Vocês têm a percepção dos detalhes que

frequentemente são ignorados”.

Os patrocinadores tiveram um painel

especial para falar sobre o mercado

e sobre a participação das mulheres.

Bradesco Seguros, HDI, Icatu Seguros,

Liberty, Porto Seguro, Sancor, Sompo

e SulAmérica preencheram o conteúdo

e puderam falar daquilo que têm em

suas companhias, em seus produtos,

direcionados para o público feminino.

Além disso, nesta edição as companhias

seguradoras contaram com um lounge,

seus espaços personalizados. Assim,

puderam interagir com as corretoras,

estando mais perto, conhecendo as particularidades

da região e as expectativas

dessas profissionais.

❙❙Leila Navarro ministra palestra às corretoras

Saldo positivo

Ao final do evento, Pansera afirmou

ter a sensação de objetivo alcançado.

Os auditórios ficaram repletos para as

palestras. Já, para o público, “o Sincor

reconheceu a importância do papel das

mulheres no mercado segurador brasileiro”,

conforme disse uma corretora à

entidade.

Com isso em vista, o sindicato se

prepara para a edição de 2017 do Encontro

Estadual de Corretores de Seguros –

Encor. A 12ª edição evento será realizada

na cidade de Bento Gonçalves – RS nos

dias 3 e 4 de agosto.

50


51


As mulheres profissionais do

mercado de seguros catarinense

receberam um evento

especial dedicado à sua atuação

no setor. Nos dias 15 e 16 de setembro

Blumenau sediou o 6° Encontro Catarinense

da Mulher Profissional de Seguros,

reunindo cerca de 400 congressistas,

sendo 320 corretoras de seguros. O mote

principal da realização estava atrelado à

necessidade de trazer ainda mais à tona

o importante papel da mulher dentro

desse mercado. Elas, que vêm ganhando

mais espaço a cada dia, puderam ouvir,

perguntar e debater diferentes posicionamentos

a partir do que foi discutido.

O evento teve patrocínio da Escola

Nacional de Seguros e de companhia

do mercado, como a Bradesco Seguros,

HDI, Liberty, Mapfre, MetLife, Porto

Seguro, Sancor, Sompo, SulAmérica e

Tokio Marine.

Autoridades e representantes de

entidades de outros estados marcaram

presença na cerimônia de abertura, que

contou ainda com a aula magna do palestrante

Steven Dubner que trouxe ao

palco do evento o tema: “Não sabendo

que era impossível, foi lá e fez” – uma

reflexão baseada em conquistas de deevento

| encontro catarinense

Blumenau recebe as mulheres

do mercado de seguros

O 6° Encontro Catarinense da Mulher Profissional de Seguros trouxe temas

atuais para debate em dois dias de evento

52

ficientes físicos em jogos. Dubner foi o

primeiro treinador da seleção brasileira

de basquete com cadeiras de rosas.

O fim da primeira noite foi marcado

por um coquetel entre os estandes das

seguradoras parceiras, proporcionando

aos participantes momentos de interação

e troca entre autoridades, corretores e

seguradores.

O presidente do Sindseg-SC, Paulo

Lückman, esteve presente prestigiando

o evento e reiterou apoio à iniciativa.

“Nas últimas décadas, em todos setores

econômicos, as mulheres demonstraram

que com persistência e coragem é possível

enfrentar qualquer batalha. Através delas

que o papel de liderança exercido pela

mulher se tornou destaque, principalmente

no mercado de seguros”, afirmou.

Entre os representantes de entidades

estavam também Auri Bertelli, presidente

do Sincor-SC e Maria Filomena Branquinho,

presidente do Sincor-MG.

Já no dia 16, o dia foi iniciado com a

palestra de Rodrigo Maia. O tema abordado

foi “Inovação, competitividade e

crescimento”. Em seguida, foi a vez de

Sônia Rica falar sobre alternativas de se

aproximar do cliente e uma nova perspectiva

de abordagem de vendas, com

a palestra intitulada “Atendimento que

pode fazer a diferença”.

A tarde do segundo dia trouxe a

descontração do desfile da Happy Modas,

dando às congressistas mais um momento

de descontração. As palestras foram

retomadas com Patrícia Chacon, que

ministrou uma conversa sobre “Marketing

Feminino na conquista do espaço no mercado”.

Seguida por Roberto Vilela falando

sobre a “Corrida ao Sucesso”.

O restante da tarde foi preenchido

com lazer, e os congressistas tiveram a

oportunidade de realizar atividades no

espaço do Mercado Segurador, além de

uma visita à Vila Germânica.

A despedida do evento teve ainda

sorteio de brindes oferecidos pelas seguradoras

e uma festa mexicana que fechou

a edição 2016 do evento.


53


eventos

• nCCS-SP

Mantendo o otimismo

O otimismo sempre foi uma marca do mercado de seguros.

Enquanto diversos setores sentiram a recessão que se instalou

no País, os seguradores e corretores apostaram no crescimento,

ainda que menor.

Aparentemente, chegou a hora de voltar a apostar mais alto.

O Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo recebeu executivos

da Bradesco Seguros para falar sobre o que acontecerá nos

próximos meses e anos.

Como porta-voz desse otimismo, Marco Antonio Gonçalves,

diretor da companhia, começou a sua fala afirmando que o Brasil

precisava de boas notícias. “O País precisa se recuperar do pessimismo.

A grande notícia dos últimos tempos foi a Olimpíada, ela

trouxe de volta a autoestima brasileira”, afirmou.

O País continua com um posto entre os 10 maiores PIBs do

mundo. “Não é uma economia frágil” e, ao se tornar mais longevo,

abre novas oportunidades. “O abismo que existia entre a atividade

de seguros e a economia é grande, mas isso é uma excelente

notícia”, completa. A expectativa de crescimento, ainda em 2016,

fica entre 9% e 11%, independente da possível retração de outros

setores.

A meta futura deverá ser recuperar a posição econômica

que o Brasil almejava há algum tempo: ser a sexta economia do

mundo. Junto com isso, até 2020, ser uma potência no mercado

de seguros. No Brasil existe a cultura do patrimônio. O desejo do

brasileiro é ter a casa própria, mas não há a cultura de assegurá-

-la. “O brasileiro pode passar 30 anos trabalhando para conseguir

adquirir um imóvel e não se dá conta que pode perdê-lo em 30

segundos, por causa de um incêndio”, pontuou o executivo da

Bradesco.

Assim também é no seguro de vida. Só 18% da população

têm essa modalidade de seguro. Geralmente, só tem por causa de

associações. Outro exemplo é o seguro saúde, um grande desejo

da população em geral, mas que só foi alcançado por 25%.

• nresseguros

Sem mistérios

Dilmo Bantim e Paulo Botti, em almoço promovido

pelo Clube Vida em Grupo de São Paulo, que

recebeu o presidente da Terra Brasis Re e da ANRE (Associação

Nacional das Resseguradoras), Botti, para falar

sobre esta fatia do mercado. Ele fez questão de dizer aos

participantes que não há mistério no resseguro e que

ele serve de ferramenta para aumentar a capacidade

das seguradoras.

Sobre a nova entidade, Botti contou que ela nasceu

com quatro companhias associadas: Terra Brasis, Austral,

IRB Brasil e BTG Pactual, e que seu objetivo é desenvolver

estudos e trabalhos técnicos que contribuam

para o crescimento e o aprimoramento do mercado

de seguros e de resseguros no Brasil.

• nalmoço

Unindo forças

A Aconseg-SP recebeu no seu almoço de setembro

o presidente do Sincor-SP, além de outros

representantes do sindicato. As entidades reforçaram

a importância de unir esforços para ajudar os corretores

de seguros. Camillo se disse empenhado em

fazer com que o sindicato cresça e tenha cada vez

mais associados, além de continuar trabalhando em

harmonia com as assessorias

54


55


tecnologia | desafios

A arrogância é inimiga da inovação

Nem sempre a inovação

é disruptiva, mas ela

traz em seu escopo o

treino de lançar um olhar

diferente para formas de

realizar coisas. É o pensar

fora da caixa

Kelly Lubiato

As previsões se realizam

muito mais rápido do que se

imagina, principalmente em

um mundo conectado. Isto

torna a urgência necessária para todos

os assuntos, principalmente quando se

trata de inovação. O Dr. Hitendra Patel,

diretor do IXL Center, salientou que a

“humildade é a parceira da inovação,

porque permite que se ouça ao redor,

consumidores e steakholders”.

O estudioso aponta que qualquer

indústria pode ser mudada pela inovação

disruptiva e que há opções para os momentos

de crise. Ele ministrou palestra

durante um evento realizado por uma

seguradora no Guarujá, em São Paulo,

para clientes e corretores de seguros, que

tratou especificamente deste tema. Patel

mostrou que as inovações devem acontecer

em quatro áreas: sustentabilidade,

saúde, conectividade e robótica.

A inovação verde é necessária por

conta do crescimento da população, das

mudanças climáticas e da pesquisa de

novos recursos. Há que se estudar como

renovar, recriar e reciclar. “Na indústria

alimentícia, já estão sendo formadas

fazendas para criação de insetos, que

possuem mais proteína do que um bife,

ciclo de crescimento mais rápido e mais

potencial para alimentar um grande número

de pessoas”, exemplificou. Outro

questionamento do especialista foi em

relação às energias renováveis, que estão

crescendo e o preço dos insumos caindo.

Será que é o fim do petróleo?

A inovação na saúde vem das pesquisas

para atender a uma população cada

56

❙❙Dr. Hitendra Patel, diretor do IXL Center

vez mais idosa, com avanço da biotecnologia,

diagnóstico e prevenção, com o

objetivo de baixar o custo da saúde. “A

prevenção é fundamental para diminuir

o custo da saúde. Além disso, a indústria

da reposição de partes do corpo também

está desenvolvida”, avaliou.

A inovação em conectividade vem

da digitalizacao e da conectividade

total, databases e inteligência preditiva.

“Esteja disponível em qualquer lugar e

em qualquer momento”, é o lema. Por

último, Patel citou a inovação robótica,

que leva o ser humano a estar em

qualquer lugar, dirigir qualquer coisa,

operar qualquer fábrica ou fazer coisas

de forma diferente. “Será a o fim de não

estar fisicamente em qualquer lugar? Se

você supervisiona cinco fábricas, pode

andar por elas sem ter que visitá-las

pessoalmente. Hospitais usam isso com

os médicos”, contou.

Todas estas mudanças poderão servir

para que o ser humano tenha mais tempo

para viver melhor, rindo mais e aproveitando

seu tempo.

O grande desafio para ter grandes

ideias é ter mais pontos para poder ligar.

Eles vêm de varias referencias que

podemos conectar. Clientes, parceiros,

experiências de outros setores.A recomendação

do especialista é: “acumule

mais pontos. Tente conectá-los de forma

diferente, refazendo isso sempre. A

primeira conexão é praticamente igual

para todos, mas o exercício faz com que

se comece a quebrar as regras e fazer

diferente. Inovação é seguir as regras,

quebrar as regras e fazer as conexões de

forma diferente”, finalizou.

As pessoas acreditam que apenas

empresas emergentes e novos produtos

levam às inovações disruptivas. Mas não

é bem assim, pois muitas novidades vêm

da evolução de tecnologias existentes. É

a inovação de melhoria continua.

Carlos Cortes, diretor da riscos da

Zurich, mostrou exemplos de inovação a

partir do carro autoguiado. 90% dos acidentes

automobilísticos são causados por

erro humano. US$ 9 mil é o custo médio

de um carro por ano nos EUA. No Brasil

é R$ 15 mil. Ele é usado apenas 4% do

tempo, passa 30% do tempo estacionado,

ocupando espaço. A taxa de ocupação dos

veículos nos EUA é de 1,02 ocupantes.

No Brasil, é 1,04. As novas tecnologias

podem causar mudanças neste cenário.

“A mistura de carros auto-dirigíveis

e compartilhamento pode reduzir a frota

de 250 milhões para 25 milhões nos

EUA. Os acidentes cairiam de 8 milhões

para 1,1 milhão de acidentes de trânsito,

com queda do consumo de combustíveis

de 36 bi de litros para 760 milhões de

litros por ano”, demonstrou Cortes.


pesquisa | blockchain

Base sólida de dados

As seguradoras precisam ter dados consistentes

para que possam fazer os melhores negócios

e mitigar os erros de contratação. Compilar e

dividir dados pode ser a estratégia mais acertada

para alcançar essa meta

Blockchain: uma estrutura que

computa diferentes dados e

arma um histórico com essas

informações. A partir delas,

aqueles que fazem parte de um grupo

com acesso, podem desenvolver suas

transações conhecendo todo o background

da outra ponta com quem fará

negócios.

Muito utilizada com os processos

que envolvem bitcoin, uma espécie de

moeda criptografada e online que permite

pagamentos baseado em códigos na rede

através de qualquer tipo de gadget com

acesso, esse mecanismo facilita processos,

deixa-os mais seguros além de facilitar

a análise.

Não à toa, outras indústrias começaram

a olhar para essa realidade e a tentar

montar essa parte do quebra-cabeça para

encaixá-lo em seus negócios. O mercado

de seguros é um desses interessados.

De acordo com estudo publicado em

julho de 2016 pela consultoria PwC, o

mercado tem se voltado para a novidade.

O estudo afirma que esse é um tema na

agenda de seguradores e resseguradores

Amanda Cruz

globais, e muitos já investiram em experimentos

para pesquisar a usabilidade.

Entre as principais vantagens de

ter esse banco de dados estão algumas

questões como o fato dele ser à prova de

falsificação na manutenção de registros,

a descentralização de autoridades para

validação de processos e as respostas

apropriadas dos códigos eletrônicos

condensados.

Quatro pilares estariam presentes

nessa relação: identidade, espaço, tempo

e mutualismo. No primeiro, a tecnologia

blockchain oferece a possibilidade de um

banco de dados portátil, seguro e global

contendo informações pessoais ou legais

de cada indivíduo. Isso pode simplificar os

processos reduzindo os atrasos e custos. O

estudo afirma, ainda, que isso seria capaz

de reduzir os riscos de fraudes.

Já no pilar espaço, o blockchain

permite interação resiliente entre participantes

dispersos. No contexto dos seguros,

isso poderia ampliar a rede de seguradores

envolvidos em uma transação, permitindo

ajustes mais rápidos entre os mercados.

Combinado com outras tecnologias digitais

emergentes, seria possível até mesmo

contribuir para produtos customizados

mais precisos, como o seguro de um container

de carga que cobrisse apenas uma

etapa da sua viagem.

O tempo, terceiro pilar, o estudo afirma

que dentro dos seguros o blockchain poderia

causar novas capacidades de fazer as

coisas. Por exemplo, um segurado poderia

manter um registro de estoque em tempo

real de seu armazém, podendo comprovar

se o valor segurável daquela mercadoria

estava correto. Isso possibilitaria o seguro

cobrir risco real ao invés de um risco máximo

estimado. Por outro lado, fornecendo

um caminho para uma super auditoria a

todo momento esse monitoramento de

blockchain pode melhorar a segurança

jurídica, dando dados mais precisos.

O último pilar é também a base do

mercado de seguros: o mutualismo. O

estudo aponta essa área como a que a tecnologia

de blockchain mais se manifesta,

pois ele permite que a operação descentralizada

reduza também os monopólios.

Muitos dos processos de base da

venda do seguro decorre de manter o

controle de documentação e ter a certeza

de que os registros existentes entre cliente,

corretores subscritores, resseguradores e

gerentes de sinistros permaneçam intactos.

Essa compilação de dados proporciona

um controle de informações densas e

muitas vezes complicadas, que mudam

com o tempo, de maneira mais fácil, isso

reduz erros, atrasos, custos e incertezas de

natureza legal.

Quase todos os entrevistados estavam

conscientes sobre os benefícios que uma

mudança dessas pode trazer. A maioria

deles afirmou ter feito algum curso ou

participado de conversas e debates sobre o

tema. Mesmo assim, poucos deles podiam

afirmar, com convicção que tinham um

bom domínio sobre o tema.

A realidade apontada mostra que o

mercado tem apetite para tecnologias que

trazem soluções, mas ainda precisa se

familiarizar e encontrar o local adequado

para elas.

57


comunicação e expressão

por J. B. Oliveira*

O xis da questão...

Além de ser uma letra do alfabeto, o X apresenta uma

polivalência simplesmente incrível! Na álgebra, martiriza

os estudantes como símbolo da incógnita nas equações;

em aritmética, indica uma das quatro operações básicas; na

gramática, está presente na classe dos numerais, equivalendo

ao número 10 em algarismos romanos! Na formação do

ser humano, é o cromossomo que vai caracterizar o sexo

masculino (XY) ou o feminino (XX). Na gastronomia de

lanchonete, está na frente do gostoso X-Burger... Nos laboratórios,

é famoso no Raio X. Nos contos infanto-juvenis,

faz-se presente para assinalar onde está enterrado o tesouro!

Nesta mesma seara, nomeia um grupo de super-heróis:

X-Men. Nas festas de fim de ano, se recebermos cartão de

Natal do exterior, certamente trará votos de Merry Xmass.

Talvez por isso o ex-titular (olhe o xis aí, gente!) da

8ª posição entre os milionários do mundo, tenha inserido

essa letrinha milagrosa na maioria das 14 empresas que

integravam o grupo EBX, sigla composta por suas iniciais

Eike Batista, mais o x, que, segundo ele: “representa a

multiplicação e acelera a criação da riqueza”. E não é que

ele deu ao livro que escreveu o sugestivo título de “O xis

da questão” – “A trajetória do maior empreendedor do

Brasil”, publicação da editora Primeira Pessoa?

“O Xis da Questão” é, ainda, o nome de um restaurante

localizado na rua Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro...

Quanto a seu uso, ah! esse deve ser o horror dos estrangeiros!

Afinal, essa letrinha pode indicar cinco – na

verdade, seis – situações fonéticas diferentes. Analisemos

as mutações que aparecem nesta frase:

O sexto xarope foi o máximo: exagerado, quase tóxico,

mas excepcional.

1. Sexto: o som aqui é de S. A pronúncia é a mesma de

CESTO. É o mesmo caso dos vocábulos texto, expectativa,

têxtil (esta palavra é paroxítona, com acento na primeira

sílaba...).

2. Xarope: aqui soa como CH, à semelhança de enxofre,

vexame, xeque.

3. Máximo: o som é de SS, da mesma forma que em

auxílio, próximo. Vale notar que em italiano a palavra

equivalente é massimo. Temos em São Paulo um famoso

chef de cozinha que pôs seu nome próprio, Massimo, no

restaurante que manteve por muitos anos na alameda

Santos.

4. Exagerado: aqui o som é de Z, como ocorre em

exausto, exame, inexorável. E ao chegar a essa palavra,

paramos um pouquinho. Há muuuitas pessoas que pronunciam

INECSORÁVEL, achando que é a forma certa. Não

é! A origem da palavra é o verbo EXORAR, cuja pronúncia

não causa dúvida: é EZORAR. Ora, como o termo derivado

acompanha o primitivo, segue-se que a pronúncia correta

da palavra que estamos focando é ineZorável.

Há uma composição de Flávio José, chamada “A natureza

das coisas”, que a certa altura diz: “A natureza não

tem pressa / segue seu compasso / inexoravelmente chega

lá”. Um vídeo mostra o autor e outros dez cantores - entre

eles Elba Ramalho, Frank Aguiar e Cristina Amaral -

interpretando esse forró e todos cometem o mesmo erro:

cantam ineCSoravelmente...

5. Tóxico: aqui, sim, o som correto é CS, como em sexo,

nexo, látex. E também aqui ocorre desvio de pronúncia.

Não são poucos os que dizem TÓCHICO! O interessante

é que outra palavra – de mesmo berço etimológico – é

pronunciada corretamente: TOXINA!

6. Excepcional: esta é a sexta possibilidade: x não tem

nenhuma função fonética. É como se não existisse, assim:

ecepcional! O fenômeno se estende a outras palavras, como

exceção, excesso, exceto.

Para fechar, vale a pena passar uma vista d’olhos em

outros aspectos que envolvem o X e causam incorreções

ou dúvidas.

Esterno é nome um osso do peito; externo é relativo

ao exterior. Estrato é camada ou tipo de nuvem; extrato é

o que se extraiu de alguma coisa, como extrato bancário.

Chá é infusão de folhas; xá é o designativo dos soberanos

da antiga Pérsia, atual Irã. Cheque é ordem de pagamento;

xeque é jogada de xadrez. Tacha é mancha, defeito; Taxa

é tributo. Chácara é propriedade rural (em Atibaia, por

exemplo...); xácara é narrativa popular em versos. Espiar é

espreitar; expiar é remir, pagar. Daí vem a expressão “bode

expiatório”, que tem origem no culto hebraico dos tempos

históricos, descrito na Bíblia, no capítulo 16 de Levítico.

Por ocasião do Yom Kipur – o Dia da Expiação – um bode,

sobre cuja cabeça tinha o sacerdote confessado os pecados

do povo, era tocado para o deserto levando simbolicamente

todas suas culpas. Na linguagem figurada de nossos dias,

bode expiatório é a pessoa sobre quem os outros fazer recair

a culpa por algum erro. Nesse caso, no Brasil, temos

verdadeiros rebanhos desses bodes!

* J. B. Oliveira é Consultor de Empresas, Professor Universitário, Advogado e Jornalista.

É Autor do livro “Falar Bem é Bem Fácil”, e membro da Academia Cristã de Letras

www.jboliveira.com.br – jboliveira@jbo.com.br

58


59

More magazines by this user
Similar magazines