Views
10 months ago

Revista Curinga Edição 18

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Texto: Gabriel Campbell

Texto: Gabriel Campbell Foto: Carol Rooke Arte: Gabriella Pinheiro Sensação Arte de viver a vida Apesar da idade, seguir sempre em frente e sem medo de errar. Esse é o lema de Elisa e Cecília, senhoras que desejam viver acima de qualquer coisa. Sensação Para o psicólogo Marcos Areal, ao falarmos de mulheres que estão hoje com mais de 60 anos não podemos deixar de lado uma contextualização sobre sua infância, adolescência e parte da fase adulta. Essas mulheres viviam uma ditadura tanto na política, com o regime militar, quanto dentro dos núcleos familiares. O costume era ser donas de casa. A princípio servindo o lar, tendo como líder maior o pai, e, depois de casadas, servindo o marido e os filhos. Sendo assim, a sua produção cultural ficava restrita ao ambiente doméstico, sem, na maioria dos casos, a possibilidade de se desvencilhar dessa situação. Ao atingirem a melhor idade, se veem como se tivessem passado pela vida sem ter expressado tudo o que queriam ou todo o potencial que têm para produzir. Produção essa que pode se apresentar em áreas variadas, como acadêmica, artística, laboral, física e intelectual. Dessa forma, quando atingem a maturidade, a busca por esse “tempo perdido” é mais que natural. Já não há mais a opressão do pai, devido a idade avançada ou ao falecimento do patriarca, e também os maridos deixaram de exercer a influência que tinham antes. Sendo assim, as mulheres estão agora livres para exercer seu potencial, interpreta o psicólogo. Para Areal, nem mesmo o sexagésimo aniversário pode atrapalhar essa liberdade. “A maturidade as coloca em uma condição em que o outro não tem mais tanto poder sobre elas, agora estão buscando uma satisfação pessoal ‘self’. Tudo o que podiam fazer pela família eles já fizeram, é chegado o seu momento”, relativiza. Dar valor à vida e ao tempo é o que as mulheres a seguir fazem de melhor. O passar dos anos só contribuiu para serem mais livres e fazerem o que têm vontade. Engana-se quem pensa que o velho é aquela figura pacata e incapaz. Hoje, de acordo com elas, são mais ativas que os próprios jovens. O tempo corre, e essas senhoras não querem perder um só segundo.

A rotina depois dos 60 A professora Elisa Silva, 62, não se considera da geração saúde. Adepta do Tai Chi há três anos, diz que foi pela primeira vez por curiosidade. Pratica o exercício para ajudar na sua psicomotricidade, e comenta que foi somente depois de começar a fazer as aulas que percebeu que realmente não conseguia realizar certos movimentos. “Quando eu venho de lá, fico ótima. É um exercício não racional. Eu anulo quaisquer pensamentos. A cabeça vazia é completamente fantástica”, comenta. A professora revela que consegue dar aula durante oito horas sem se cansar e ter problemas com a voz. Além disso, não se preocupa com as questões físicas da idade. Para ela, o mais importante é a energia, aspecto de sua vida que ela tem de sobra. “Uma verdade que tenho para mim é que não tenho tempo a perder. Hoje, mais do que nunca, eu tenho certeza disso.” Segundo Silvia, a mudança não tem nada a ver com o tempo. “Não existe amadurecimento com o passar dos anos. Você precisa se questionar e estar disposto a mudar. A idade, inclusive, pode servir para a cristalização de maus comportamentos.” Durante a menopausa, confessa ter ficado muito triste devido às baixas de hormônios. “Lembro que foi uma época péssima na minha vida. Pela primeira vez, senti o peso da idade”. Foi depois disso que Elisa pôde perceber que não era mais jovem. “Olhava para minhas pernas e elas já não estavam mais durinhas”. Mesmo assim, ela não se priva de usar um biquíni ou um short mais curto. “Não é uma coisa que me incomoda.” O que mais teme é ficar doente e perder sua energia. Não faz exames regularmente. Nunca foi atenta às questões relacionadas às rotinas de saúde. A única doença que possui é hipertireoidismo, que, de acordo com ela, apareceu sem sintomas. Eu não tenho muito mais tempo a perder com problemas. Meu tempo é muito menor daqui em diante. Separada do marido desde 2001, nunca mais teve nenhum outro companheiro fixo vivendo em sua casa. Para ela, com o tipo de vida agitado que leva, hoje seria difícil. “Gosto de ir aonde eu quiser na hora que quiser. Eu adoro morar sozinha. Acho muito bom chegar em casa e não conversar com ninguém.” Hoje não sente tanta vontade de se relacionar sexualmente devido à queda da libido decorrente da diminuição de hormônios da idade. Passou a comer melhor depois dos 40 por se preocupar com sua saúde. Elisa revela que comia muito mal e chegava até mesmo a pular refeições ou trocá-las por comidas pouco nutritivas. “Descobri que não sou imortal nem a dona da razão. Para mim, nem existe razão. Temos que nos cuidar.” As modelos Lourdinha Mol, 60, (esquerda) e Míriam Gomes Oliveira, 28, (direita), concordam que a aparência pode mudar com os anos, mas o que importa é ter uma mente jovem. Ela dá para a idade o mérito de não se importar tanto com as coisas. “Essa é a diferença da Elisa de 30 e poucos anos: tudo antes era problema, tudo me estressava e virava uma questão imensa. Hoje relevo muito mais as coisas, sei que tudo vai passar e que não adianta se estressar.” Amante de viagens, Cecília Trópia, 66, diz que sua maior vontade, daqui para frente, é passear cada vez mais. Por ter se casado cedo e ter que cuidar dos filhos, ela diz que nunca pôde viajar por conta própria. Sempre viajou acompanhada dos filhos pequenos e do falecido marido. Cecília sente muitas saudades da época em que jogava vôlei. A atividade teve que ser interrompida porque ela não poderia mais cair, já que as chances da fratura se tornar algo grave eram maiores devido à idade. Foi quando começou a praticar musculação para fortalecer os joelhos. Segundo ela, a opção pela prática foi por causa da perda de cartilagem progressiva durante os anos. “Comecei a fazer musculação depois de sentir algumas dores no joelho. Faço pela saúde, para me fortalecer, para que possa continuar fazendo tudo que eu faço”. O bom de ficar velha é fazer o que você quer fazer na hora desejada. “Os filhos já estão criados e não temos mais a obrigação dos cuidados.” CURINGA | EDIÇÃO 18 11 11

Revista Curinga Edição 23
Revista Curinga Edição 13
Revista Curinga Edição 20
Revista Curinga Edição 11
Revista Curinga Edição 17
Revista Curinga Edição 01
Revista Curinga Edição 15
Revista Curinga Edição 12
Revista Curinga Edição 05
Revista Curinga Edição 08
Revista Curinga Edição 06
Revista Curinga Edição 25
Revista Curinga Edição 21
Revista Curinga Edição 16
Revista Curinga Edição 07
Revista Curinga Edição 19
Revista Curinga Edição 00
Revista Curinga Edição 24
Smurfs Reviva essa emoção - Revista Hadar!
Revista UnicaPhoto - Ed09
02-edicao-revista-lika-agosto (1)
Revista São Francisco - Edição 05
Revista Eu Tenho Futuro - Cesumar
Edição Outubro de 2012 - Versão em PDF - Revista Anônimos
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 1 EDICAO
Revista LiteraLivre 4ª edição (versão 1)
Revista LiteraLivre 4ª edição