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Revista Curinga Edição 18

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Sensação Jornada atr

Sensação Jornada atr Buracos de minhoca, paradoxos e universos paralelos. Na física quântica, ciência e ficção se cruzam o tempo todo . Texto: Caio aniceto Foto: Monique Torquetti e Taíssa faria Arte: Mariana Araújo Os seres humanos vivem no presente, sem acesso ao passado e se movendo inevitavelmente em direção ao futuro. Para a maioria das pessoas, o tempo é algo fixo – e imutável. O relógio parece mover-se em uma única direção. De acordo com o cientista Isaac Newton, o tempo seria absoluto independentemente de qualquer observador e progrediria a um ritmo consistente em todo o universo. Newton acreditava que o tempo era imperceptível e só poderia ser entendido matematicamente. Para o cientista, os seres humanos só seriam capazes de perceber o tempo relativo, que é uma medida de objetos perceptíveis em movimento (como a Lua ou Sol). A partir desses movimentos, seria possível perceber a passagem do tempo. Os conceitos de espaço e tempo eram separados antes do advento da Teoria da Relatividade especial, que ligava os dois e demonstrou que ambos são dependentes do estado de movimento do observador. Nas teorias do físico Albert Einstein, as ideias de tempo e espaço absolutos foram substituídas pela noção de espaço-tempo. Em fevereiro de 2016, as ondas gravitacionais previstas pela relatividade geral de Einstein foram finalmente detectadas por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, confirmando uma previsão feita há quase 100 anos. Mais do que nunca, sabemos que o tempo é, na realidade, maleável. Algumas teorias e modelos em Física, incluindo a teoria das cordas e algumas interpretações da mecânica quântica atuais, sugerem que nosso universo pode ser apenas um entre incontáveis outros. A Interpretação de Muitos Mundos (IMM) da mecânica quântica, em particular, apoia a ideia de que todos os possíveis resultados de eventos aleatórios (e decisões) podem ocorrer em universos separados.

vés do tempo Turistas do tempo A ideia de retornar ao passado ou visitar o futuro não surge do meio científico. São diversas as lendas e mitologias que citam essa possibilidade, demonstrando que a vontade de viajar no tempo acompanha a humanidade desde seus primórdios. Teoricamente, a viagem no tempo poderia ser feita por meio de três métodos: ao alcançar uma velocidade maior do que a da luz, com a utilização de cordas cósmicas ou ao atravessar os chamados buracos de minhoca. “O buraco de minhoca é uma ‘falha’ na continuidade do universo. Sua nave pode estar na mesma velocidade e você, de repente, estar em um lugar muito distante do espaço”, explica a graduanda em Física da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) Vitória Ballesteros. “Imagine um pano sobre duas mesas. Agora imagine que você quer ir de um ponto A, na extremidade de uma mesa, até um ponto B, na extremidade da outra mesa. Você percorreria uma distância grande, certo? Agora imagine que os pontos estão fixos sobre a toalha, mas que as mesas se separam e parte do tecido desce. Os pontos A e B estarão agora mais ‘próximos’ e sua distância percorrida será menor porque você não terá que atravessar todo o pano”, esclarece. Uma das principais objeções à ideia de que a viagem no tempo seria possível é o fato evidente de não termos sido visitados por turistas do futuro. Se a viagem ao passado fosse possível, é improvável que essa tecnologia jamais fosse usada. Talvez a humanidade tenha morrido antes de inventá-la, por exemplo. Outra hipótese formulada por cientistas é de que, ao mover-se no espaço-tempo, o turista não voltaria de fato ao seu mundo de origem, mas a uma cópia dele. Ou seja, a viagem no tempo em si cria novos universos e ramificações da mesma forma que as outras decisões fariam, causando os chamados “paradoxos”. “Imagine que você é neto de Hitler e quer voltar no tempo e matar seu avô. Se você conseguir, seu avô não fará o seu pai e você não existirá. Mas, se você não existir, como vai matar seu avô?”, questiona Vitória. “Uma explicação para esse paradoxo seria que, quando você altera a realidade dessa forma, o mundo em que você está acostumado a viver vai mudar completamente para uma versão sem você e você passa a existir nessa nova realidade onde seu avô está morto. Isso criaria uma realidade paralela, um outro ‘mundo’”, esclarece a estudante. Em escala incomparavelmente menor, viajar (sem volta) ao futuro é um fenômeno comprovado pela física relativística, mas percorrer qualquer “distância” significativa requer uma velocidade próxima da luz, o que não seria viável com a tecnologia atual. 31 CURINGA | EDIÇÃO 17 18 33

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