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Revista Curinga Edição 18

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Sensação Subjetividade

Sensação Subjetividade das horas A percepção do tempo no dia a dia varia para cada pessoa. São 45 minutos da segunda etapa de uma partida de futebol. O time vence pela vantagem de um gol e a vitória é suficiente para conquistar o campeonato. O juiz assinala quatro minutos de acréscimo. Para o torcedor do time quase campeão, cada minuto parece durar uma hora. A torcida do time perdedor vê passar cada minuto como se fosse um segundo. A depender da situação e do estado emocional, o ser humano percebe a passagem das horas de uma maneira diferente. Esse é só um exemplo de como o cérebro humano reage a estímulos que, agradáveis ou desagradáveis, têm o poder de influenciar na percepção subjetiva temporal. Para entender a relação entre o tempo humano e o do relógio, a neurociência define um como cronológico e outro como psicológico. Gabriela Souza, neurocientista e coordenadora do Laboratório de Psicofisiologia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), explica que o tempo cronológico é aquele medido por meio dos relógios e dos calendários. Enquanto o psicológico é a sensação subjetiva da passagem do tempo interpretada por cada sujeito. O modo como percebemos o tempo passar também pode ser influenciado pela prática de atividades, como a meditação ou o uso de substâncias. Uma delas é a cannabis sativa – a maconha. A. L., 23, usa maconha desde os 17. Ele reconhece a alteração na percepção do tempo quando recorre à substância. Contudo, segundo ele, a maneira como reage é variável. “Depende muito do que estou fazendo e da especificidade da erva. Algumas vezes as horas parecem passar mais rápido e outras mais devagar, mas dificilmente passam na mesma velocidade.” Jogar videogame é outro divertimento de A. L., melhor ainda quando está junto dos amigos. O jogo virtual de futebol é o seu preferido. A curiosidade é que, em algumas ocasiões, ele joga depois de ter utilizado a cannabis. É quando comprova empiricamente a alteração na velocidade da passagem do tempo. “Já me peguei achando que a partida estava quase acabando. Quando olhei no relógio e vi que se passaram só 12 minutos de jogo, me assustei. Até jogando futebol de verdade acontece algo parecido.” Um artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria em 2005, feito por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), evidenciar que os estudos com usuários de maconha apresentam resultados conflitantes. E a maioria relata que não há atrofia cerebral ou alterações volumétricas regionais nas estruturas encefálicas. Porém, existe uma pequena evidência de que usuários de longo prazo, que iniciaram um uso regular no início da adolescência, apresentam atrofia cerebral assim como redução na substância cinzenta. “Estudos de neuroimagem funcional (técnica que mostra o fluxo sanguíneo cerebral) relatam aumento na atividade neural em regiões que podem estar relacionadas com intoxicação por cannabis. Constatou-se assim, alteração do humor e redução na atividade de regiões relacionadas com funções cognitivas prejudicadas durante a intoxicação aguda.”, argumenta a neurocientista Gabriela Souza. A consequência desse processo é que acontece uma alteração de volume cerebral e de fluxo sanguíneo em algumas regiões cerebrais pode contribuir para que a interpretação de tempo fique alterada. Texto: Brunello Amorim Foto: Lorena Lima Arte: Rayssa Amaral

Meditação para desacelerar José Geraldo Silva, o mestre Geraldinho, é professor de ioga há 20 anos. Para ele, a prática de meditação é a possibilidade de se desvencilhar da rotina corrida. Enquanto está no ioga, ele conta que sente os minutos passarem mais devagar. “Um dos objetivos da prática do ioga é a realização de uma avaliação interior, com o intuito de desaceleração da vida, e que influencia na sensação do tempo que passa, resultando assim em vários benefícios”, conta. A maneira como a meditação interfere na percepção do tempo da vida humana varia para cada pessoa. Uma hora na aula de ioga é o momento em que o professor e seus alunos sentem a respiração e estabelecem uma sinergia entre mente e corpo. Contudo, essa “desaceleração” dos ponteiros do relógio pode ir além dos 60 minutos da prática e aparecer também no dia a dia dos praticantes, trazendo reflexos para outras ações. Geraldinho acredita que, “com a prática diária da atividade, os benefícios se intensificam, podendo ser sentidos sempre e não somente durante a atividade. Desse modo, o praticante realiza uma avaliação interior, que influencia no modo como ele enxerga a si mesmo, as outras pessoas, os animais, a natureza, enfim, o mundo”. Inclusive, a impressão de que a Terra faz o movimento de rotação cada vez mais depressa, fazendo os dias passar mais rápido, é válida. A neurocientista Gabriela acredita que “atualmente a quantidade de tarefas, compromissos e de informações processadas diariamente pelo cérebro aumentou enormemente e o dia continuou tendo 24 horas (tempo cronológico inalterado). Por isso a sensação subjetiva de que o tempo está passando mais rápido é real (tempo psicológico).” CURINGA | EDIÇÃO 18 35

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