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7 months ago

Revista Curinga Edição 18

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Habitar Moda a meu modo

Habitar Moda a meu modo Mais do que criar tendências e padrões estéticos, a moda está, durante toda a sua história, ligada a transformações sociais. O modo de se vestir está relacionado às lutas de seu tempo para alcance de espaço numa busca infinita pelo novo. A professora Daniela Calanca afirma no livro “História Social da Moda” que a história do vestuário não é um simples inventário de imagens, mas sim o reflexo dos fenômenos socioeconômicos, políticos, culturais e os costumes de determinada época. A partir da Baixa Idade Média, desenvolve-se no indivíduo o desejo de ter uma personalidade singular. Desta forma, passa a existir maior possibilidade da afirmação social graças à individualidade. Bem além da Idade Média, ícones de diferentes épocas subverteram padrões impostos cultural e socialmente por meio de seus estilos e protagonismo, criando possibilidades de expressão da moda. Assim, mais do que um costume que muda, volta e se altera, ela representa conquistas de espaço.

Texto: Lívia Monteiro Foto: Caroline Hardt Arte: Clarissa Castro Ousadia Mulheres empresárias usando terno durante o dia. Donas de casa cuidando dos filhos à noite. A mulher moderna é resultado da evolução dos papéis femininos na sociedade, determinante para a mudança de seu modo de vestir. A partir da Primeira Guerra Mundial, as mulheres precisam de roupas práticas para suas novas tarefas. Elas abandonam os corpetes, libertam suas silhuetas e passam a andar de bicicleta, o que seria impossível com as saias longas. A calça passa a ser reivindicada, sendo que a peça tinha uso exclusivo aos homens e chegou a ser proibida às mulheres na França do século 19, conforme afirma Lars Svedsen em seu livro “A Moda: uma filosofia”. Conhecida por ser “uma mulher à frente do seu tempo”, Gabrielle Chanel – ou Coco Chanel – foi inspiração para a libertação da mulher na moda durante as décadas de 1910 e 1920. Sua audácia e busca pela simplicidade fizeram com que ela quebrasse padrões da época. Assim, ela insere o vestuário masculino, saias mais curtas e o neutro vestido preto, criando um novo paradigma para as mulheres. Para a professora e jornalista de moda Carla Mendonça, Chanel conseguiu trazer uma outra atmosfera para a ideia da moda na época. “Ela teve sucesso em entender o espírito do tempo e que a Primeira Guerra traria outras necessidades à mulher, relendo isso e aplicando num produto desejável. Os paradigmas que ela quebra são de tirar a moda de um lugar inacessível, entendendo que elegância não está só no exagero, mas que poderia estar na simplicidade.” Excentricidade Nada mais simples, básico e prático do que usar calça jeans. Mas a peça-chave do guarda-roupa atual demorou a se popularizar. Criada no fim do século 19, por ser confeccionada em um tecido resistente para fazendeiros, a vestimenta era exclusivamente masculina e ligada ao trabalho pesado. Só em 1934 a marca Levi Strauss & Co. lançou a primeira coleção de jeans para mulheres. Mesmo assim, esse tipo de roupa não foi popularizado rapidamente. A professora Calanca conta que, somente no fim dos anos 1960, após várias tentativas de conquistar um amplo mercado de massas nas décadas precedentes, o jeans supera todas as divisões de classe, sexo, idade. Iris Apfel é ícone mundial da moda, decoração e de acessórios. Em uma época em que mulheres não usavam jeans, ela insistiu em usá-los. Eram os anos 1940 e, até conseguir seu jeans, a excêntrica Iris precisou ir a uma loja ao menos cinco vezes e convencer os vendedores a encomendar uma calça masculina que servisse nela. Ao ser questionada sobre regras de moda no documentário Iris (2014), dirigido por Albert Maysles, Apfel diz que não há regras, pois ela as quebraria. Foi exatamente essa ruptura que Iris provocou ao usar jeans masculinos nos anos 1940. Aos 94 anos, sua marca registrada são óculos redondos e imensos, além de incomuns sobreposições de colares e braceletes gigantes. A excentricidade de Apfel deu-lhe destaque e reconhecimento no mundo da moda, abrindo espaço para outras pessoas se expressarem de forma mais autêntica. Antimodas Pense nas estrelas hollywoodianas. Ou então nas pop stars da música. A partir da década de 1980, elas influenciaram ainda mais os padrões de moda e beleza, indicando formas de viver e consolidando a busca sem fim pela jovialidade. Como exemplo disso, as antimodas surgidas após a Segunda Guerra Mundial buscaram, por meio dos jovens, a ruptura da cultura dominante. Representados por famosos, hippies na década de 1970 ou punks na década de 1980, essa contracultura trouxe diversos ganhos à moda. Da minissaia ao jeans, do rock ao pop, a liberdade ao se vestir e agir redefiniu comportamentos e estilos. Explorando um perfil jovem e extremamente sexualizado, Madonna idealizou o culto ao corpo, tornando-se um ideal de beleza e moda. Em seu livro Ensaios sobre Moda, Arte e Globalização Cultural, Diana Crane afirma que, por sua capacidade de se identificar com os diferentes estados de espírito das jovens – e interpretá-los –, Madonna afetou o mundo da moda. Com seu icônico sutiã em forma de cone, crucifixos, luvas sem dedos, renda e meias-calças rasgadas, Madonna mostrou-se uma mulher livre e sempre jovial, como até hoje se mantém, exibindo à sociedade a possibilidade eterna de buscar a jovialidade. Para Carla, “assim como na época da Chanel, Madonna faz tanto sucesso exatamente por entender a década de 1980. É a década do crescimento das academias, da ginástica aeróbica, da mulher construindo seu corpo como corpo mais forte. A Madonna não inventa isso, mas populariza”, interpreta. CURINGA | EDIÇÃO 17 37

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