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6 months ago

Revista Curinga Edição 18

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Habitar Atualmente,

Habitar Atualmente, fala-se não somente a respeito da moda unissex, mas da moda sem gênero e sem padrões determinados para homens e mulheres. Na música brasileira, vemos cantores que quebram e buscam desconstruir o padrão de gênero ao se vestirem. É o caso do mineiro Lineker, 29, expoente da nova MPB. Maquiado, com salto de 15 centímetros e usando brincos, o cantor, performer, bailarino e diretor recebeu a equipe da Curinga antes de seu show em Ouro Preto para conversar sobre a quebra do padrão da masculinidade e sobre a liberdade para se vestir. REVISTA CURINGA: Como você define o seu estilo? LINEKER: Não tenho estilo, gente! Eu uso realmente o que tenho vontade de usar! RC: No seu site, você fala sobre querer a desconstrução de normatividades de gênero e sexualidade. Como você trabalha isso na sua vida profissional e pessoal? L: Se, em algum aspecto, meu trabalho toca na questão de gênero, ele toca sobre discutir masculinidades. Nunca me enquadrei no padrão de masculinidade imposto pela nossa cultura. O fato de ser gay já me fez desviar desse padrão. A partir disso, passei por uma série de transformações, tanto na minha vida quanto no meu trabalho, muito ligado às questões que me interessam e que estão pulsando em mim. Como o lugar de fala do artista é, de certo modo, privilegiado, tento usar este lugar para dar visibilidade a certas questões. RC: Quando você começou a abdicar dessa masculinidade? L: Acho que a gente está sempre em processo de desconstrução. Participei de alguns processos de criação em que eu nem sabia que estava falando de gênero. A partir disso, fui entrando em contato, buscando referências. 2013 foi o ano em que tomei consciência de que, ao usar um vestido, eu estava falando de gênero. Em 2007 eu já usava saia pra fazer show, mas, pra mim, eu não estava falando de gênero, estava fazendo o que eu queria fazer, sabe? RC: E como tem sido esse processo de transição? L: A cada vez, estou mais tranquilo de fazer o que eu quiser, sem me importar se as pessoas vão me achar masculino ou feminino. Hoje olho pra uma roupa e penso: “é uma roupa, né?”. Posso usar o que tiver vontade. Em um dia, posso estar usando um brinco; no outro posso estar usando uma maquiagem e, no outro dia, não. RC: Como pessoa pública, como você vê as pessoas sendo tocadas pela sua liberdade em se vestir? L: Se o que faço está inspirando e colabora de alguma forma para o processo de alguém, fico muito feliz. Porque eu gostaria de, nos meus 16 anos, ter encontrado pessoas e artistas que tivessem me inspirado e me ajudado a vivenciar de forma mais rápida e menos dolorosa o meu processo.

Tecnologia, aliada dos amantes Identidade A utilização de cartas em um relacionamento já foi um hábito comum. Décadas atrás, a saída era escrever várias folhas de um sentimento enclausurado. Se era comum esperar vários dias pela resposta do endereçado, nesta segunda década do século 21, parece uma eternidade se levarmos em conta a quantidade de recursos para a comunicação e suas velocidades. Passar horas escrevendo em uma folha de papel ainda é uma atividade existente entre remetentes e destinatários. Porém, em 2014, as agências dos Correios registraram 2,4 bilhões de cartas enviadas por brasileiros. Um número bem menor do que em 2001, quando o índice apontou 6,1 bilhões de cartas encaminhadas pelo território nacional. A queda foi de 60% do valor inicial. Uma pesquisa de 2013 da Universidade Northwestern, dos Estados Unidos, aponta que três cartas são suficientes para deixar o relacionamento mais feliz. O estudo contou com 120 casais que se relacionavam há mais de 11 anos. A cada quatro meses, a pessoa mandava uma carta para sua alma gêmea e, segundo os resultados, os casais se sentiam mais felizes. Apesar da constatação, metade deles não manteve o hábito no ano seguinte. A funcionária pública de Florianópolis Sônia Mognon, 48, relacionou-se por quatro anos com um homem. O casal se conheceu em 1985. O último ano do namoro foi marcado por cartas porque Sônia mudou de Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul, para a capital catarinense. “Não existiam os meios de comunicação de hoje. Se a data de envio da carta fosse o dia primeiro de qualquer mês, chegaria ao remetente no término do mesmo mês. Levaria de 20 a 30 dias para chegar”, diz. Para a entrevistada, o envio de cartas em tempos atuais demonstra o afeto de uma forma diferenciada. “As cartas ainda Rapidez, agilidade e escolhas. Tudo isso em suas mãos. Antes, eram outras tecnologias. Hoje, conhecer pessoas é possível pela internet, aplicativos e redes sociais. Conteúdo ficcional meramente ilustrativo são um meio de comunicação, mas, hoje em dia, de modo sentimental. Você consegue passar seus sentimentos para outra pessoa por ali. Claro que abdicar desse modelo é compreensível por conta dos recursos que temos hoje: celular, e-mail, aplicativos, por exemplo.” A educadora aposentada Marly Moysés Silva Araujo tem antepassados libaneses que viveram em terras marianenses e estabeleceram laços familiares dentro da Região dos Inconfidentes. Ela afirma que, desde a chegada de seus ancestrais ao Brasil, os relacionamentos amorosos dos imigrantes aconteciam por proximidade étnica. Os patrícios, nome dado aos compatriotas do Líbano, eram preferência entre os próprios imigrantes. “Entre os meus avós, três pessoas eram libanesas e, com isso, os hábitos e os relacionamentos sociais eram diferentes do Brasil. A proximidade dos patrícios era algo muito bom, afinal, eles cultivavam os costumes. Como estavam longe da terra natal, era é uma espécie de união, mesmo com a distância.” Segundo ela, os motivos que levavam aos casamentos por conveniência geográfica e étnica iam muito além do interesse financeiro. “Segurança, confiança e afetividade muito grande. A conduta na educação dos filhos era extremamente preservada. Por isso, também havia prioridades em casamentos entre libaneses. Então, na minha família, parentes mais distantes, mais velhos, tiveram seus casamentos realizados entre libaneses”, afirma. Sobre a cultura na cidade de Mariana, a entrevistada relata que “tinha tios libaneses no Rio de Janeiro, outra parte da família morava em Belo Horizonte e havia libaneses aqui em Mariana. Na região marianense, havia libaneses donos de fazenda e eles tinham uma cultura muito preservada”. Marly encerra relatando a preservação dos costumes como hábito dos libanenses. CURINGA | EDIÇÃO 17 18 39

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