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Revista Curinga Edição 20

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Sensação O biólogo

Sensação O biólogo entomologista e zoólogo norte-americano Alfred Charles Kinsey fundou, em 1947, o Instituto de Pesquisa sobre Sexo, hoje chamado de Instituto Kinsey para Pesquisa sobre Sexo, Gênero e Reprodução. Um ano após a fundação, publicou seu primeiro relatório intitulado O Comportamento Sexual dos homens e, em 1953, o segundo volume, O Comportamento Sexual das Mulheres. Essas pesquisas envolveram 11.240 pessoas (5.300 homens e 5.940 mulheres) e serviram de base ideológica para a educação sexual ensinada até hoje em escolas e universidades do mundo. Porém, na época, geraram polêmica por atiçar a sociedade americana em se tratando de moral, religião e conservadorismo. Esse pesquisador foi responsável por difundir a ideia da atividade sexual livre e dissociada da procriação, abominava a distinção tradicional entre o homem e a mulher, diferença que, para ele, não estaria determinada no gênero e sim na cultura. Tentou mostrar o sexo como algo natural ao ser humano e separar o tema de sentimentalismos para uma análise clínica. “Para compreender a repercussão dos relatórios Kinsey, é necessário estar informado que no início do século XX, na maioria dos estados dos Estados Unidos, sexo extra-conjugal, sexo oral, mesmo no casamento, e homossexualidade, eram crimes previstos em lei. Daí o furor e a repercussão da sua publicação”, afirma o Doutor em Ciências Humanas Tito Sena, em sua tese Os relatórios Kinsey, Master & Johnson, Hite: As sexualidades estatísticas em uma perspectiva das ciências humanas. Para Kinsey, todos os comportamentos sexuais considerados desviantes eram normais. Considerava em particular a bissexualidade como a mais equilibrada de todas as orientações, já que pratica atividades tanto heterosexuais quanto homossexuais. O sociólogo John Gagnon, na coletânea de artigos “Uma interpretação do desejo: ensaios sobre o estudo da sexualidade”, publicada em 2006, confirma o impacto dos relatórios Kinsey: “foi no âmbito da legislação e dos costumes que a pesquisa exerceu seu maior impacto. Se os dados de Kinsey estavam corretos – e os poucos estudos subseqüentes tenderam a confirmar muitos dos resultados –, isso significava que havia uma grave incongruência entre a lei e a conduta sexual”. Segundo Gagnon, “os relatórios indicavam que muitos aspectos comportamentais considerados criminosos ou desviantes eram praticados, na verdade, por segmentos bastante amplos da população. A visão de que todas essas condutas deviam ser consideradas criminosas, ou vistas como uma perversão do desenvolvimento sexual normal, foi submetida a um duro golpe crítico, estabelecendo-se uma continuidade maior entre o que era visto antes como ‘pervertido’ e como ‘normal’”. Levando em conta o resultado dos estudos de Kinsey, em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria removeu a homossexualidade da lista de desordens mentais, não considerando os homossexuais como diferentes ou passíveis de correção. Em 1986, a Organização Mundial de Saúde (OMS), também desconsiderou a homossexualidade como uma doença. Kinsey foi o precursor de vários movimentos em prol da liberdade

sexual, surgidos depois. Em consequência a esses movimentos e pesquisas, com o passar dos anos, o mundo ocidental foi se tornando mais permissivo ao tratar a sexualidade, abrindo espaço para que o mercado do sexo se ampliasse e ganhasse força. A considerada “época de ouro” da pornografia pública e da pornografia hardcore, por exemplo, marcou o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, quando até filmes eróticos passavam no cinema. Liberdade sexual vs Repressão O crescimento do mercado do sexo pode ser visto como uma quebra de tabus, porém estamos longe de chegar ao entendimento da sexulidade como algo natural e que possa ser discutido abertamente. Flávia Barbosa, dona de sex shop em Ouro Preto, conta que em atendimentos presenciais é necessária uma abordagem específica para cada cliente. Ela e o marido tomam o cuidado de indagar seus consumidores sobre a preferência por atendimento masculino ou feminino. Conversam até sobre suas experiências particulares, tudo para que o cliente se sinta mais à vontade em contar o que realmente quer ou precisa. Ela diz ainda que as vendas virtuais diferenciam-se e muito das presenciais. “Nas vendas virtuais o público masculino consome mais produtos para o prazer solitário (masturbadores, desenvolvedores, etc), já presencialmente a preferência é por produtos que vão estimular a parceira (excitantes, estimulantes, vibradores, massageadores e lubrificantes)”. Por outro lado, o público feminino, “quando atendido presencialmente, em sua maioria procura por vibradores ou produtos para o pompoarismo. Nos atendimentos virtuais, a maior procura são os estimulantes, excitantes, produtos sadofetiche e também para sexo anal”, pontua Flávia. Em ambos os casos evidencia-se uma vergonha enrustida quando se trata de se auto-gerar prazer. Para a sexóloga Walkiria Fernandes, o conhecimento do próprio corpo é imprescindível para um bom desenvolvimento da sexualidade e a superação de constrangimentos. De acordo com ela,as pessoas têm grande tendência em depositar a responsabilidade da descoberta de seus próprios pontos de prazer em outra pessoa, quando deveria ser o contrário. Cabe ao indivíduo assumir as rédeas desse controle, já que somente ele tem o real conhecimento de seu corpo. “O outro pode nos tocar, mas ele não sabe o que estamos sentindo em cada lugar. Então quando a gente se toca, percebemos instintivamente os lugares que nos são mais prazerosos, identificando esses pontos, isso pode ser passado para o parceiro”, ressalta. Hoje, existem profissões que se especializam na arte de quebrar o que especialistas chamam de “couraças musculares”, esses bloqueios que formamos em consequência das influências sócio-culturais sofridas durante a vida. O terapêuta tântrico, por exemplo, cumpre o papel de ajudar a romper com essas couraças. Através de meditações, exercícios, respiração e massagens, atua “desprogramando” essas memórias neuro-musculares, dissolvendo essas couraças e liberando os canais de energia. Assim, os bloqueios psicológicos e emocionais que estão impressos no corpo também se dissolvem, ressignificando as emoções e sentimentos. Para a terapeuta tântrico Sada Maitreya, “Quando nos permitimos, de forma saudável, aprendemos com o sexo uma grande lição: dar e receber. Passamos a conhecer melhor nosso corpo e o corpo do outro, percebemos o sagrado que foi perdido com o tempo. Sexo é vida e quando nos distanciamos dessa energia criadora, murchamos como uma flor que não está sendo regada”. CURINGA | EDIÇÃO 20 11

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