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Revista Curinga Edição 20

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Ócio Criativo Comum

Ócio Criativo Comum Descanso Desocupar-se pode revelar SAÍDA Desde 1992, todas as estatísticas oficiais de trabalho no Brasil são feitas através da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste período, o conceito da PNAD sobre trabalho considerou como “ocupadas” as pessoas que trabalham em qualquer serviço ou posição e taxou como “desocupadas” as pessoas economicamente ativas que não estão trabalhando. A partir de 2013, o IBGE mudou este conceito e passou a também investigar a taxa de “subocupação”. Segundo o Instituto, “subocupado” é todo aquele que trabalha, porém cumpre uma jornada semanal inferior à 40 horas. > O Brasil é o quinto país no mundo cujo órgão oficial de estatística investiga a taxa de “desocupação”; uma ideia exportada da U.S. Census Bureau, agência oficial de estatística dos Estados Unidos. O resultado disso: a última PNAD, divulgada em novembro de 2016, mostrou que os “subocupados” no Brasil são 22,9 milhões de pessoas. Dos 89 milhões de brasileiros economicamente ativos, 21,2% são considerados “subocupados”, ou seja, cumprem uma jornada de trabalho semanal menor que 40 horas. Contrapondo-se à essa concepção clássica sobre o trabalho, o protestantismo valorizava o trabalho profissional como meio de salvação do homem. As ideias protestantes pregavam que unicamente se desonra a Deus através do prazer mundano. Somente através do trabalho e da profissão seria possível render glórias e honras ao Senhor. Em 1880, o jornalista e filósofo franco-cubano Paul Lafargue publicou o manifesto “O Direito à preguiça”, no qual critica a “santificação do trabalho”, considerando-a o “dogma mais desastroso do capitalismo”. Lafargue abre o manifesto com uma citação do poeta alemão e um dos maiores representantes do Iluminismo do século 18, Gotthold Ephraim Lessing: “Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos”. A proposta foi recebida com diversas críticas, principalmente pelos burgueses da época. Cerca de 100 anos antes, após a Revolução Industrial, a preguiça chegou a ser criminalizada. Na Inglaterra, por exemplo, existiam as “ideal workhouses” (casas ideais de trabalho, em tradução livre), locais para onde pessoas consideradas “preguiçosas” eram levadas e forçadas a trabalhar entre 14 e 16 horas por dia, sete dias por semana. > Muitas empresas atualmente sabem que funcionário estressado e cansado não produz tanto quanto poderia. Pensando em criar um ambiente mais produtivo, essas instituições começaram a perceber que ócio criativo não é sinônimo de preguiça, e sim de produtividade.

Produtivo o lado bom da preguiça. Texto: Sandro Aurélio Foto: Fabiano Alves Arte: Carol Vieira O advogado trabalhista Filipe de Figueiredo relata que, juridicamente, o número de horas independe para se criar laços empregatícios e que todos os direitos são garantidos. A problemática é que nem todos os que são considerados subocupados gostariam de trabalhar mais. Boa parte deles consegue se manter trabalhando menos de 40 horas semanais e estão satisfeitos com isso. É o caso de inúmeras profissões diferentes. Mas será que estão satisfeitos em serem considerados como “subocupados?” O professor Bruno Pedrosa, 25 anos, passou um ano e meio, entre 2015 e 2016, trabalhando em escritório, de segunda a sexta, entre 8h e 17h. Essa foi a época em que menos pôde se dedicar à sua paixão: o taekwondo. Hoje, Bruno montou uma academia e vive das aulas da arte marcial sulcoreana. Direito à Preguiça Na Idade Média, a ideia social sobre trabalho era bastante oposta à atual. O ponto de mudança foi a Revolução Industrial, apoiada nas ideias liberais de Martin Lutero. A concepção católica medieval sempre considerou que o trabalho devia desenvolver-se apenas na medida em que o homem dele necessitasse. Não era aceito, jamais, como um fim em si mesmo. < Apesar das várias aulas que ministra ao longo da semana, ele não chega a trabalhar 40 horas semanais e é enquadrado pelo IBGE como “subocupado.” Quando questionado sobre isso, Bruno afirma “que nunca se sentiu tão realizado” e que se sente “totalmente ocupado”. A rotina massante que tinha no escritório não o permitia ter tempo para treinar e nem para dar aulas. Ele diz sentir saudade da estabilidade de todo início de mês receber um salário fixo, mas ainda assim está mais feliz como empreendedor no esporte. A melhor parte de não trabalhar seguidamente o dia todo, segundo o professor, é tirar um cochilo depois do almoço. O que muitos consideram como preguiça, Bruno considera como altamente saudável. Luciano Torres fundou sua empresa de sistemas de desenvolvimento para web em 2005 e, desde o início, tem preocupação com o bem-estar de seus funcionários. Atualmente, sua empresa fica localizada em uma casa discreta no bairro Jardim dos Inconfidentes, em Mariana. Os 12 funcionários da empresa podem usufruir de pausas no trabalho na hora que quiserem para uma partida no videogame Playstation 3, um encontro no estúdio musical com guitarra, violão e bateria, uma mesa de totó ou um lanche na cozinha. Luciano afirma que “o trabalho como programador é muito estressante, e essas pequenas pausas diárias de descanso e relaxamento tornam os funcionários mais ligados afetivamente à empresa e mais produtivos também”, finaliza. CHEGADA CURINGA | EDIÇÃO 20 13

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