Views
10 months ago

Revista Curinga Edição 20

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Identidade A culpa é de

Identidade A culpa é de quem? Texto: Janaina Maria de Almeida Foto: Camila Guardiola e Tainara Torres Arte: Pedro Guimarães Casting: Gabriella Seabra Sarah Barbosa Vitório Diniz (modelos) Os Sete Pecados, oficializados na Suma Teológica de São Tomás de Aquino, no século XIII, servem de apoio para um perpetuado código de ética. Mesmo em perspectivas distintas, o conceito está relacionado a uma moral coletiva que preza pelo respeito ao próximo e a organização das relações sociais.

A interpretação religiosa “Pecado é uma falta contra a razão, a verdade e a consciência reta. É uma falta contra o amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana”, afirma o teólogo e padre Darcy Fernandes Leão, do Seminário São José de Mariana (MG), segundo o Catecismo da Igreja Católica. Toda a humanidade carrega em si a potencialidade de pecar, pois somos descendentes de Adão e Eva, atores do pecado original, explica Leão. Este pecado pode ser relacionado à soberba, uma vez que tinham a pretensão de adquirir o conhecimento divino ao comerem o fruto proibido do Jardim do Éden. Assim, qualquer pessoa está sujeita a pecar, mas também é merecedora do perdão. Apesar da origem católica, o conceito de Sete Pecados Capitais é tratado de maneira diferente em outras religiões. No Espiritismo de Allan Kardec, segundo Roberto Custódio, palestrante e diretor de trabalhos mediúnicos do centro espírita Chico Xavier, em Ribeirão Preto (SP), não se considera a existência de pecados, mas sim de erros. Nessa religião também é levado em conta o conceito do livre arbítrio. E a oportunidade de corrigir as falhas é pautada na lei da caridade e do amor. Quando um espírito comete erros ele não é castigado, mas passa por situações relacionadas ao que causou para desenvolver sabedoria. A reencarnação é o meio pelo qual o espírito tem a oportunidade de evoluir e ter uma vida melhor. Quanto mais evoluímos, mais compreensíveis e amorosos podemos ser. Para a mãe pequena (segundo membro na hierarquia do terreiro) Cristiane Nunes, do centro espírita Casa de Canção São Jorge, em Barbacena (MG), a Umbanda não entende o conceito de pecado e castigo, mas confia na lei do retorno. A vida do indivíduo está diretamente relacionada às suas práticas e pensamentos, sua passagem será determinada pela sua forma de agir. Os umbandistas recebem orientações de espíritos desencarnados: alguns vêm para pedir ajuda para completar a missão que foram dadas a eles, e outros apresentamse como guias para ajudar espíritos encarnados a cumprirem sua passagem. Na perspectiva do pastor Jorge, da Primeira Igreja Batista de Mariana (MG), não há categorias de pecados. Qualquer conduta que fuja do que está escrito na bíblia sagrada, pode ser considerada transgressão ou pecado. Segundo o pastor, a morte de Jesus foi para que a humanidade tivesse a oportunidade de se arrepender e receber perdão. Porém, ele ressalta que é importante ter cuidado quando líderes religiosos acusam, ao invés de difundir a oportunidade de remissão e vida nova em Deus. O dirigente religioso enxerga a igreja como um hospital e, de acordo com ele, “a função de um líder espiritual é ajudar as pessoas e não ser juíz”. Nessa concepção, todos merecem absolvição. Não há necessidade de pagar penitências para reconciliação com Deus, basta pedir perdão. É fundamental reconhecer as faltas e se arrepender ainda em vida, a fim de se preparar para o juízo final e receber a graça da eternidade celestial na companhia de Deus. Objetivo x subjetivo “A mãe dos pecados capitais é a vaidade”. A frase é da música Vida Loka parte 1, do grupo de rap Racionais Mc’s, e dialoga com a origem do pecado original e o panorama atual de ressignificação dos vícios de conduta. Em palestra proferida no Instituto CPFL (mantido pela Companhia Paulista de Força e Luz), no dia 21 de setembro de 2009, o historiador Leandro Karnal afirma que, desde o século XVI, uma sequência de revoluções científicas deslocaram o homem do centro do universo. O ser humano percebe-se sozinho ao ver suas ideologias enfraquecidas. Porém, esse mesmo homem tornase cada vez mais vaidoso e autocentrado. O ser da atualidade vive em um mundo cada vez mais virtual e internalizado. Esse homem contemporâneo passa a dar significados subjetivos aos clássicos pecados. Agora, gula, luxúria, avareza, inveja, vaidade, preguiça e ira ganham adjetivos de qualidade, a exemplo da luxúria, que passa a ser a valorização excessiva do corpo. “As pessoas buscam cada vez mais o cultivo do corpo e seus prazeres”, observa. O que não significa que esse processo seja tranquilo. Joana Pereira*, 38 anos, carrega há duas décadas a culpa por um relacionamento fora do casamento. Acusada de cometer o pecado da luxúria, ela se casou ainda menina, aos 14, depois de muita insistência da mãe e do seu ex-marido, considerado CURINGA | EDIÇÃO 20 25

Revista Curinga Edição 15
Revista Curinga Edição 18
Revista Curinga Edição 08
Revista Curinga Edição 21
Revista Curinga Edição 17
Revista Curinga Edição 23
Revista Curinga Edição 12
Revista Curinga Edição 05
Revista Curinga Edição 13
Revista Curinga Edição 11
Revista Curinga Edição 25
Revista Curinga Edição 19
Revista Curinga Edição 06
Revista Curinga Edição 16
Revista Curinga Edição 00
Revista Curinga Edição 07
Revista Curinga Edição 01
Revista Curinga Edição 24
Revista Em Diabetes Edição 10
Revista São Francisco - Edição 05
Revista UnicaPhoto - Edição 06 - Maio/2016
Revista Sotaque
REVISTA AUGE - EDIÇÃO 29
Índigo Fanzine #00 2017
Revista Curinga Edição 22
Revista Curinga Edição 14
Revista Curinga Edição 09
Revista Curinga Edição 10
Revista Curinga Edição 02
Revista Curinga Edição 04