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Revista Curinga Edição 20

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Sensação Simetria

Sensação Simetria desconexa Cor dos olhos, da pele, do cabelo. Tudo vendido como poção de embelezamento. Rotulamos o que nos cerca como “belo” e “feio”, tomando como referência padrões estéticos que nos são impostos. A vaidade nos faz acreditar na perfeição. Criado em 1883 pelo antropólogo inglês Francis Galton, o termo eugenia significa bem nascido. A Teoria Eugênica propõe a criação de uma raça de seres humanos hereditariamente perfeita , com a eliminação de doenças genéticas, busca por genes que resultam em indivíduos mais inteligentes e mais saudáveis física e mentalmente. Na década de 1930, a ideologia eugênica nos Estados Unidos foi responsável por leis que promoviam a esterilização coercitiva de pessoas consideradas de raça inferior aos nórdicos, tidos como o “homem modelo” para os estadunidenses. Mais de 70 mil pessoas foram impedidas de gerar descendentes, seja por preconceito racial, social, ou possuírem de doenças genéticas. Esse tipo de eugenia é denominado Eugenia Negativa. Diferente da negativa que propõe a não reprodução, a Eugenia Positiva valoriza as raças tidas como saudáveis e superiores a gerarem descendentes. Uma das ações neste sentido foi a aplicação de leis de anti miscigenação, que atuaram até 1967 em alguns estados dos EUA, proibindo o casamento inter-racial. A Eugenia atingiu seu ápice na Alemanha Nazista de Hitler. Seis milhões de judeus e milhares de deficientes físicos e mentais, idosos e ciganos foram exterminados por não possuírem os genes da tão sonhada raça pura ariana, que, nos planos do Fuhrer, dominaria o mundo. Após o holocausto ocorrido na Segunda Guerra Mundial, a ideologia eugênica de uma raça superior perdeu adeptos e a popularidade. No entanto, os estudos sobre genética, fertilização in vitro e erradicação de doenças hereditárias através da seleção laboratorial cresce à cada dia.

Texto: Agliene Melquíades Foto: Príscila Ferreira Arte: Francielle Ramos Dilema científico O Diagnóstico Pré-Implantacional (DPI), é um procedimento no qual se retira uma das células dos embriões com poucos dias de vida para que o material genético seja escaneado. A partir da análise do DNA, os embriões livres de genes com potencial de desenvolver doenças hereditárias no futuro são implantados no útero materno. A técnica permite a seleção de embriões isentos de mais de 300 doenças genéticas, além da escolha do sexo do bebê. Nos Estados Unidos, o Instituto de Fertilidade de Los Angeles oferece aos pacientes a possibilidade, mesmo com possíveis fracassos, da escolha da cor dos olhos e cabelos dos bebês. Aliada ao avanço das pesquisas, emergem dúvidas e polêmicas. Quais os critérios para perceber se a prática não sustenta preconceitos contra deficiências e fenótipos? Seria o método da seleção laboratorial a volta da Eugenia sobre outro nome? A seleção laboratorial deve se limitar à aspectos da saúde e impedir fins estéticos? Para a professora de Biodireito da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Iara Antunes de Souza, “a escolha de fenótipos geraria, em um futuro não tão distante, a Eugenia Positiva. Ela ressalta a importância da sociedade se atentar para o fato de o avanço científico ter um potencial benéfico e maléfico ao mesmo tempo. “A possibilidade de exterminar uma deficiência via manipulação genética pode, em um primeiro momento, parecer benéfica. De outro lado, com a ampliação do uso da técnica, aqueles que não quiserem ou não puderem usá-la serão relegados à falta de outras pesquisas e políticas públicas de tratamento, cura e inclusão. Isso, claro, a longo prazo”, analisa. O Brasil não possui leis que tratam da seleção laboratorial. É a Resolução 2121/2015 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que regulamenta a questão. O documento proíbe a escolha de características junto aos embriões em reprodução humana assistida. De acordo com o quinto princípio da resolução, “As técnicas de reprodução assistida (RA) não podem ser aplicadas com a intenção de selecionar o sexo, ou qualquer outra característica biológica do futuro filho, exceto quando se trata de evitar doenças do filho que venha a nascer. “ Beleza sem limites Se por um lado a possibilidade de uma sociedade padronizada desde os genes parece a visão de um futuro incerto, ou até mesmo ficção, a vaidade exacerbada e a vontade de idolatrar pessoas, com alta aprovação pelo público, é evidente. Com a avidez de se chegar ao “ápice da beleza”, há quem realize diversos procedimentos estéticos. Um dos exemplos mais famosos é o boneco Ken, companheiro da boneca Barbie. O personagem da ficção fez com que pessoas reais se submetessem a diversas cirurgias para se transformar no boneco e ficarem conhecidas como “Ken Humanos”. O brasileiro Rodrigo Alves, de 33 anos, já realizou 50 cirurgias em 11 anos, e desembolsou cerca de R$1,5 milhão para se tornar o boneco da vida real. Na busca para se tornar o Ken humano, ele CURINGA | EDIÇÃO 20 31

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