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9 months ago

Revista Curinga Edição 20

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Comum Jogo da Ganância

Comum Jogo da Ganância Texto: Caroline Borges Foto: Camila Guardiola Arte: Felipe Nogueira Casting: Neder Ghader (Modelo) Dinheiro sempre esteve ligado à ideia de sucesso. O desejo de possuir mais e mais é fomentado pelo capitalismo, que parece permitir a transgressão de regras para conseguir o que se quer.

Avareza, do latim avarus, significa querer muito, desejar desesperadamente. É o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, é a ambição de acumular riquezas. A avareza se faz presente ao longo dos séculos, sendo associada ao catolicismo, mas não restrita a ele. No século XVI, na Suíça, surgiu o movimento religioso que ficou conhecido como Calvinismo, cuja doutrina sugere que quem obtivesse maior sucesso no trabalho e prosperidade econômica seriam escolhidos por Deus: quem tem mais riquezas, tem proteção divina. A corrente religiosa defende o trabalho e a poupança como virtudes essenciais, o que leva ao pressuposto de que o princípio está diretamente relacionado ao desenvolvimento do sistema capitalista. Segundo o historiador José Alves Freitas Neto, a lógica do capitalismo não lida com a perspectiva da riqueza limitada. Pelo contrário, ela está intimamente ligada à capacidade do capital de se reinventar e descobrir novos desejos. O empresário Jorge Paulo Lemann foi eleito em 2016, pela revista Forbes, o homem mais rico do Brasil pela quarta vez consecutiva. Seu enriquecimento representa um ganho de R$ 54 milhões por dia, ou R$ 2,2 milhões por hora. Aos 76 anos, Lemann está à frente de um império de marcas globais, como Heinz, Trident e Ambev, e caminha para se tornar um importante investidor em empresas de inovação. Para Freitas Neto, o capitalismo tem como pressuposto enriquecer e usa o acúmulo de bens como base. Malandragem e corrupção Em uma sociedade regida pelo mercado, o pecado se expressa nas mais diversas formas, como no famoso jeitinho brasileiro. Apesar de visto como pecado, culturalmente o jeitinho malandro não é taxado assim. Segundo o psicoterapeuta e professor universitário Gilberto Gnoato, o jeitinho é uma categoria intermediária que se situa entre a honestidade e a marginalidade. No Brasil, existe uma lacuna entre o que é legal e ilegal, onde regras e leis são relativas, podendo valer ou não, de acordo com o contexto em que se encontram e, principalmente, “quem” são os atores envolvidos. O jeitinho está presente no dia-a-dia do brasileiro em diversas proporções, desde o cenário político até as ações cotidianas. No entanto, o “quem” e “como” são de extrema importância no julgamento do que é considerado corrupção. Esta se estende por todos os âmbitos da sociedade brasileira, está entranhada de tal modo no contexto social, que as pequenas faltas tornam-se corriqueiras: elas são veladas e recorrentes, de modo que não são consideradas transgressões. Por exemplo, é considerado um absurdo quando lemos nos jornais a notícia de que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber 16,5 milhões de dólares de propina do empresário Eike Batista, em 2011, mas que furar a fila da padaria, já não é considerado um problema. Segundo a ex-assessora de Cabral Sonia Baptista, o político mantinha gastos mensais de cerca de R$220 mil, e, de acordo com o MPF, ele movimentou um montante de R$224 milhões em recursos ilegais. Para o historiador Rodrigo Coppe, a avareza na busca obsessiva de sempre ter mais é o reflexo de uma alma marcada pelo egocentrismo, e isso toma uma envergadura alarmante na sociedade moderna. O pecado está enraizado na desigualdade social: segundo a organização não governamental britânica Oxfam, que busca soluções para o problema da pobreza e da injustiça, as 85 pessoas mais ricas do mundo compartilham uma riqueza de cerca de R$ 3,8 trilhões, enquanto as outras 3,5 bilhões de pessoas do globo dividem o mesmo valor. CURINGA | EDIÇÃO 20 37

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