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8 months ago

Revista Curinga Edição 20

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Identidade Malvado

Identidade Malvado Favorito Todo vilão que se preze faz o que bem entende. Regras não fazem parte do seu dicionário. Mas porque gostamos tanto deles? Texto: Caio Gomes Foto: Lilian Indrusiak Arte: Sabrina Passos Casting: Jade Noronha (Maquiagem) Brener de Oliveira (modelo)

São as cores contra a escuridão, é o riso contra a melancolia, o caos contra a busca de organização. Não existe Batman sem o Curinga. Filipe Monteiro O limite entre o prazer e o pecado é explorado por pensadores e cidadãos comuns há séculos. Desde a Grécia antiga com Sócrates e Platão, passando por pensadores como Kant e Nietzsche, até pesquisadores da nossa atualidade, a humanidade buscou entender a relação entre ética e moral, e também a linha tênue que divide o bem e o mal. A preocupação pela conduta humana, suas ações e seus pensamentos se tornam relevantes desde o momento em que o ser humano vive em sociedade. A ética e a moral se tornam necessárias para a convivência com seus pares. Mas também não é segredo para ninguém que os pecados nos atraem tanto. De acordo com a psicóloga Karine Alane, uma das explicações para a tendência do ser humano pelo proibido pode ser explicada por meio do modelo estrutural da personalidade (1923), proposto por Sigmund Freud, criador da psicanálise. Nesse modelo, Freud descreve três instâncias que interagem entre si: o Id, o Superego e o Ego. O primeiro consiste nos impulsos, instintos e desejos inconscientes, que orbitam sob o princípio do prazer, desconhecendo valores éticos. O segundo é marcado pelas proibições, exigências e padrões de conduta. E o último, o Ego, tem a função mediadora e busca o meio termo entre as duas primeiras instâncias, planejando o comportamento de acordo com a possibilidade ou não de sua execução. De acordo com Karine, a relação e atração das pessoas com o proibido pode ser explicado através de telenovelas e filmes: “por vezes, assistimos vilões satisfazendo aqueles mesmos desejos reprimidos dentro de nós, em circunstâncias que nos são muito familiares”. Essa explicação, segundo a psicóloga, nos traz uma questão de caráter existencial: “quando vibramos com os atos de um vilão, o que em nós foi machucado ou envergonhado?”. Os exemplos de vilões que foram adorados e acabaram ganhando destaque em suas histórias são muitos, e o fascínio despertado em seu público ultrapassa gerações. Como acontece com o personagem Darth Vader da franquia Star Wars (1977); Bellatriz Lestrange, que teve sua primeira aparição em Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007) e Carminha de Avenida Brasil, telenovela brasileira de grande sucesso exibida em 2012; Karine completa: “nosso Id é capaz de exigir satisfação através de alguns impulsos nada adoráveis moralmente, dos quais os ditos vilões são tão propensos a realizar”. Por que tão sério? Vilão: encarnação do mal/antagonista anti-herói. Essa definição sempre foi a mais aceita, porém, há quem enxergue esse papel de uma forma diferente. Este “novo” vilão pós-moderno, ainda que seja responsável por representar o mal, é responsável pela complementação do bem. Filipe Monteiro, fã do Batman, enxerga exatamente isso na relação entre o herói e o seu principal vilão: o Curinga. Segundo ele, um precisa do outro para viver, “senão não há muito sentido em continuar. É como se o Curinga representasse tudo o que falta no Batman e vice-versa. São as cores contra a escuridão, é o riso contra a melancolia, o caos contra a busca de organização. Não existe Batman sem Curinga”. CURINGA | EDIÇÃO 20 7

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