Views
4 months ago

Revista Curinga Edição 21

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

não xingue nã bar nã

não xingue nã bar nã Habitar O Sim e Três letras, dois pequenos termos. Advérbios. Afirmação e negação. Pode. Não pode. É a partir de duas palavras que aprendemos sobre as permissões e proibições: Sim e Não. Parece simples, mas as afirmativas e negativas aprendidas na infância irão refletir e ter consequências durante toda a sua vida. A psicanalista Gervaci Matos, 60 anos, aponta que “de um modo geral, o sim e o não em demasia ou em falta traz muitas situações de insegurança, indecisão ou resultam em pessoas mimadas”. Os excessos são prejudiciais e, a longo prazo, atrapalham a pessoa a ter uma vida plena e saudável. Segundo Matos, a psicoterapia cita que a formação humana busca esse equilíbrio para enfrentar obstáculos, e que o domínio próprio deve ser uma procura do ser humano para enfrentar as situações da vida. Portanto, quando não há esse equilíbrio e a criança recebe muitas afirmações ou negações, isso vai influenciar no modo como tratará os demais e até mesmo como se enxerga dentro da sociedade. Para a psicanalista, desde a amamentação, o indivíduo já começa a formar sua personalidade. “Quando a mãe está amamentando um filho, a primeira coisa que o filho procura é o olhar da mãe, o Não que tem uma ligação muito profunda e que passa segurança para a formação futura. Só que hoje em dia, as mães amamentam assistindo televisão, chamando atenção do outro filho, então, quando a criança não encontra o olhar da mãe, ela procura qualquer outro ponto para olhar”. Matos explica que a idade entre 0 a 7 anos seria o mesmo que uma página em branco, que será escrita pelos responsáveis enquanto estes ensinam a dizer sim e não. Após os 7 anos, quando a criança já começou a ser alfabetizada, ela vai saber dividir, a respeitar os mais velhos, ou seja, terá noção do que pode ou não fazer. A falta de limites Esse seria o mundo ideal, porque não é o que vem acontecendo. Cada vez mais nos deparamos com notícias de jovens e adultos que reagem de forma desastrosa frente ao não ou que não sabem se impor, sendo inseguros. não case não pare não olhe não veja n fume não dan fale palavrã

o fale palavrão não vote não jogue não matar não trair nã o passe não falte não esqueça não pense não peça não grit hor não reclame não grafite não atrase não pertube nã não mude não use não amole não corra não salvo não lig case não pare não olhe não veja não julgue não estacion na grama não bata não cobiçar não fume não da mude não vire não fale não beije não transe não não fale palavrão não vote não jogu tar não trair não roubar não passe n não esqueça não pense não grite não senhor n em Des equilíbrio Para a psicopedagoga Marcela Gaiotto, 29, a chave para não deixar que isso atrapalhe as relações interpessoais seriam os pais imporem limites aos filhos, mas isso acaba acontecendo tarde demais, o que resulta nos famosos conflitos entre as gerações. Marcela evidencia que até mesmo o jeito como dizemos o não deve ser cuidadosa, pois se falado de forma grosseira, pode formar adultos reprimidos e que terão medo de colocar em pauta sua opinião ou até mesmo de demonstrar afeto. “Deve ser de forma firme, porém, com amor”, diz. Júlia C., 20, estudante da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), alega ter sofrido com o excesso de nãos durante sua vida. Quando teve a oportunidade de sair de casa para estudar, deparou-se com as consequências que o exagero de nãos causou. “Eu era muito presa. Essa questão de ter que decidir minhas próprias coisas, não tinha essa liberdade. Tudo tinha que passar por eles (os pais). Até hoje tenho muita dificuldade de decidir as coisas. Preciso pedir opinião da minha mãe.” Apesar de reconhecer que em seu caso não houve consequências graves, já que percebeu que com o tempo ela conseguiria se remodelar, Júlia diz que por causa da educação que recebeu, sente dificuldades em se impor e mesmo quando quer, não sabe como agir. Para ela, é importante que haja autonomia e que a pessoa tenha seu espaço. A estudante ressalta que os pais deveriam deixar que seus filhos cometam erros de vez em quando, para que eles possam aprender e saber medir as consequências. Já Natália B., 21, estudante da Universidade Federal de Lavras (Ufla), conviveu com os dois tipos de educação, a conservadora e a liberal. Como morou por 16 anos com seus avós e sua mãe, ela conta que a educação que teve foi a mesma que os seus avós receberam no século passado, uma educação que ela considerava machista, onde deveria aprender a costurar, cozinhar, arrumar a casa e se casar com um marido bem sucedido financeiramente. Natália não aceitou essa educação imposta por seus avós e passou a seguir suas próprias regras. Ela relata que sempre teve personalidade forte nesse aspecto e que recebeu o apoio da mãe quando resolveu adotar um estilo de vida mais liberal. Em ambos os casos, é notável que os princípios, valores e regras podem dialogar de formas e jeitos diferentes entre as gerações. O mais importante nesses conflitos é estar disposto a conversar e enfrentar as frustrações. “Pessoas que não sabem lidar com suas frustrações, sofrem perante um mundo em que recebemos o não muitas vezes em nosso dia a dia”, diz Marcela. Os efeitos decorrentes de uma vida em que o “sim” e o “não” não foram dosados são muitos. A saída que o campo medicinal aponta para superar esse conflito é o acompanhamento terapêutico com profissionais. Gervaci destaca que essa é uma das medidas para que a pessoa entenda que o seu “eu” está mal-formado e precisa de restauração. “É necessário que o racional e o emocional sejam filtrados, assim a pessoa vai descobrir o seu querer.” Foto: Pedro Nigro Texto: Carolina Carli e Eric Castro Arte: Amanda dos Santos Francisco ão julgue não estacione não pise na grama não bata não co CURINGA | EDIÇÃO 21 35 ce não mude não vire não fale não beije não transe não xing o não vote não jogue não matar não trair não roubar não p

Revista Curinga Edição 15
Revista Curinga Edição 13
Revista Curinga Edição 20
Revista Curinga Edição 12
Revista Curinga Edição 11
Revista Curinga Edição 17
Revista Curinga Edição 05
Revista Curinga Edição 23
Revista Curinga Edição 18
Revista Curinga Edição 08
Revista Curinga Edição 07
Revista Curinga Edição 19
Revista Curinga Edição 16
Revista Curinga Edição 06
Revista Curinga Edição 01
Revista Curinga Edição 24
Revista Curinga Edição 00
Empreenda Revista - Edição Junho
Empreenda Revista - Edição Maio
Empreenda Revista - Edição Junho
Revista Economia & Tecnologia - Universidade Federal do Paraná
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 4 EDICAO
Revista UnicaPhoto - Edição 06 - Maio/2016
edicao-86-revista-entre-lagos
Revista Sotaque
Brasil1 - RI UFBA - Universidade Federal da Bahia
Revista Universidade e Sociedade - Andes-SN
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 1 EDICAO