Views
3 months ago

Revista Curinga Edição 22

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Comum Golpe de sorte

Comum Golpe de sorte Texto: Luana Carvalho Foto: Iara Campos Arte: Fernanda Covalski A linha tênue entre acaso e eventualidade é definida pela interpretação de cada pessoa. Seria um jogo de variáveis ou uma mera questão de escolhas? Para os que acreditam, a sorte é como receber um presente inesperado e de grande valor. O filósofo Jonas de Oliveira afirma que, Aristóteles, já na Antiguidade, falava que a sorte é uma causa acidental das coisas. Tudo quanto se deve à sorte, se deve também à causalidade. Para Jonas, a sua concepção está ligada na crença de que algo afortunado nos foi oferecido como dádiva do destino ou dos deuses, como recompensa ou prêmio. Segundo Cleanil Bastos, monitora do Centro Espírita Cuiabá, nós estamos sujeitos às leis universais criadas por Deus e, quando as infringimos, temos que nos reajustar com elas. Assim, a sorte é o resultado de nossas escolhas e esforços e não existe acaso nas leis universais. Os efeitos do nosso livre arbítrio, contrários ou não à Lei Divina, são o que a religião chama de sorte ou azar. Apesar de não ver a fé como sorte, Jonathas Assis, 22, diagnosticado com câncer na região mediastinal do tórax há cinco anos, foi agraciado por sua devoção. Ele conta que quando descobriu a doença não se abalou e sabia que seria curado. “Eu e minha família tínhamos muita fé na cura. Claro que a situação é difícil e no início tudo é muito obscuro e duvidoso. Mas eu nunca fiquei pensando que iria morrer. Então eu acredito que me segurei mais na fé do que na sorte”, afirma. Jonathas ainda diz que a sorte é supor que o destino pode ser alterado de A sorte e o azar andam juntos e estão ligados ao mundo material. Jonathas Assis

Com muito estudo e sorte, Bruno investe todos os dias na bolsa de valores. acordo com os acontecimentos aleatórios que ocorrem nas nossas vidas: “para mim, a sorte e o azar andam juntos e estão ligadas ao mundo material. A fé é a crença em algo muito maior que uma invenção humana”. Hoje, Jonathas está curado. Estudando a sorte Na sabedoria popular, quem ganha muito dinheiro de forma inesperada pode se considerar sortudo. Segundo o Doutor em Estatística pela Universidade de Harvard, Ivair Silva, a sorte para a ciência, até certo ponto, é uma questão matemática. Eventos como o sorteio da Mega-sena, que mobilizam a sorte, podem ser tão prováveis de ganho quanto quaisquer outros eventos sob condições aleatórias. A probabilidade daquele número ganhador ser sorteado é igual a probabilidade de qualquer outra sequência. No site “Dicas MegaSena”, o matemático Munir Niss relata que ganhou prêmios de loteria 50 vezes, além da Mega-Sena. Niss conta que notou a existência de alguns padrões de resultado e sequências que costumavam sair mais nos sorteios. Com isso, começou a criar materiais ensinando como fazer um jogo da na Mega-Sena, tornando maiores as possibilidades de ganhar. Ele afirma, por isso, que se tivesse ganho apenas uma vez, seria sorte, mas foram 50. O estatístico Ivair confirma o raciocínio de que existem modelos de probabilidade, como as suposições de aleatoriedade e independência. “Elas podem ser úteis para mensurar se determinadas ocorrências são tão esperadas quanto outras possíveis realizações do mesmo fenômeno aleatório, ou se são atípicas”, complementa. Como o matemático Munir, o estudante de Direito Bruno Alvarenga, aos 19 anos, conseguiu obter lucros, investindo na Bolsa de Valores através do estudo. Ele conta que o aprendizado das estatísticas é fundamental para lucrar ou não levar prejuízo em um investimento, a fim de depender menos da sorte. Bruno conta que o estudo é uma segurança para operar no mercado sem crer em apostas, sem depender do acaso, servindo para maximizar o que ela pode te trazer e minimizar as perdas. Apenas quando se lucra além do esperado é sorte. ”Existem variáveis que são imprevisíveis, como se o executivo da empresa que você investiu morrer, e logo depois a empresa falir, você perde todo seu dinheiro”, completa. Para ele, a sorte é a interação entre nós e o acaso. Bruno, porém, considera-se sortudo por outras razões. Após sofrer um acidente de carro, no qual todos os passageiros se salvaram, sentiu-se grato por isso. “A falta de sorte que tira a saúde de alguém é uma falta bem pior do que de alguém que perdeu dinheiro”, afirma o investidor. Para ele, a sorte se tornou algo imensurável e, logo depois, começou a dar mais valor a coisas incalculáveis do que ao patrimônio. O estatístico Ivair explica que mesmo nas ocasiões atípicas como um acidente de carro, que fogem das explicações matemáticas, não se pode afirmar nada sobre a existência ou essência da sorte. “O oculto, o indisponível para avaliação, medição e replicação, está, por hipótese, ausente nos cálculos estatísticos”, conclui. A sorte, portanto, não é uma questão de probabilidade - mas há quem diga que ela tem suas razões. CURINGA | EDIÇÃO 22 11

Revista Curinga Edição 17
Revista Curinga Edição 21
Revista Curinga Edição 05
Revista Curinga Edição 23
Revista Curinga Edição 20
Revista Curinga Edição 18
Revista Curinga Edição 13
Revista Curinga Edição 15
Revista Curinga Edição 08
Revista Curinga Edição 11
Revista Curinga Edição 12
Revista Curinga Edição 16
Revista Curinga Edição 06
Revista Curinga Edição 19
Revista Curinga Edição 24
Revista Curinga Edição 07
Revista Curinga Edição 01
Revista Curinga Edição 00
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 4 EDICAO
Revista UnicaPhoto - Edição 06 - Maio/2016
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 1 EDICAO
Revista Curinga Edição 14
Revista Curinga Edição 09
Revista Curinga Edição 02
Revista Curinga Edição 10
Revista Curinga Edição 03
Revista Curinga Edição 04
Revista PÚBLICA - 1ª Edição
Revista Economia n. 13.pmd - Faap