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Revista Curinga Edição 22

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Sensação Encontros e

Sensação Encontros e desencontros “Quem inventou o amor? Me explica por favor…” cantava Renato Russo em 1997. Até hoje estamos procurando uma explicação para entender como se dá esse sentimento que se reinventa, se modifica e ultrapassa o tempo. Entre tantas crises, ainda somos capazes de amar? No mesmo ano em que Renato Russo cantava aquela canção, o psicólogo social Arthur Aron, da Universidade Estadual de Nova Iorque, publicou um estudo que tinha como tese ser possível fazer com que duas pessoas desconhecidas se apaixonassem depois de responder a 36 perguntas. Na época, o teste foi submetido a um casal de desconhecidos, seis meses depois, eles se casaram. Teria o psicólogo Aron inventado o amor? Segundo ele, suas conclusões estavam longe desse sentimento, o que ele provara era apenas paixão fugaz. Em busca de um amor de verão, foliões fogem anualmente de suas rotinas para caminhar rumo ao carnaval. As cidades lotam de pessoas que esperam o ano inteiro para ter cinco dias de puro lazer. A cidade histórica de Diamantina, interior de Minas Gerais, famosa pelos carnavais nas ladeiras íngremes, foi palco da história de amor da Ana Paula del Bisogno e Leandro Franciscani Silveira, em 2009. Ana Paula, 27, viajou com mais três amigas para curtir o carnaval com a pretensão de se divertir e fazer amigos. Ao conhecer Leandro, 29, que por coincidência se hospedava na mesma casa que ela, enxergou uma potencial grande amizade. Leandro, por outro lado, já queria algo mais. E não foi Platão quem disse que o amor nasce da amizade? Não foi nos becos de Diamantina que essa história se concretizou. Porém, por outra coincidência do acaso, ou do amor, os dois moravam na mesma cidade, Belo Horizonte, e foi lá que eles se conheceram melhor e começaram a namorar. Em 2012, terminaram e seguiram caminhos diferentes. Mas o destino, ou a sorte, novamente pregou uma peça de amor no casal. Sete meses depois, houve o reencontro, novo namoro por mais um ano, até o noivado. Este que rendeu o casamento em agosto de 2016, um processo de aprendizado e carinho, segundo ela. Eterno enquanto dure Porém o amor nem sempre se manifesta como primavera. Em alguns momentos, projeções românticas e a realidade se chocam. Quando não há mais saída, o desgaste toma conta das relações e o que era amor vira outra coisa. Bernardo Amorim, professor de Literatura da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) explica que a literatura, a partir da fase renascentista, contribuiu para constituir os valores e ideais em busca de um sentimento puro e verdadeiro. Romances avassaladores como os de

Texto: Amanda Santos e Marina Lopes Foto: Paula Locher Arte: Marina Lopes “Romeu e Julieta” e “Tristão e Isolda” fizeram parte da construção da imagem do amor romântico. Segundo Bernardo, fomos influenciados pela cultura judaico-cristã que associou o amor ao casamento para nos livrar do pecado. Assim, para a Igreja Católica, homem e mulher deveriam constituir uma família e ser um par para vida eterna. Esse modelo foi perpetuado até ultrapassar o tempo e atingir mulheres como Rosa*, 36. Quando criança sonhava em se casar e seguir em busca de um final feliz para se sentir completa. Na primeira tentativa não teve sorte, o namorado a abandonou após saber que ela estava grávida. Porém, Rosa* ainda tinha esperanças. No segundo relacionamento o seu sonho se realizou, se casou e recebeu as bênçãos da Igreja. A partir daí, Rosa* pensou que a sua felicidade estaria garantida e que conseguiria viver a história de uma família feliz. Ela engravidou, mas logo em seguida sofreu aborto espontâneo. Depois disso, seu médico disse que ela não poderia mais ter filhos. Jurandir Freire Costa, psicanalista, explica em seu livro, “Sem Fraude Nem Favor”, de 1998, que quando a projeção que temos não se realiza na realidade, a tendência é de um parceiro culpar o outro por não corresponder às suas expectativas. Ele explica que “quando não realizamos o ideal imaginário do amor, buscamos explicar a impossibilidade culpando a nós mesmos, aos outros ou ao mundo, mas nunca contestando as regras comportamentais, sentimentais ou cognitivas, que interiorizamos quando aprendemos a amar.” Assim se comportou o marido de Rosa*, desolado por não poder ter um filho, a trocou por outra e ela foi abandonada mais uma vez. Depois de se sentir traída, não contestou e nem teve tempo de culpar ninguém. Após a separação, descobriu que estava grávida, esperando uma menina, a quem decidiu amar. *O nome foi modificado para proteger a identidade da personagem. CURINGA | EDIÇÃO 22 13

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