Views
4 months ago

Revista Curinga Edição 22

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

A verdade sobre mentiras

A verdade sobre mentiras Comum Texto: Amanda Santos e Gabriela Vilhena Foto: Daniel Tulher Arte: Carolina Carli

A propagação de notícias falsas tem aumentado de forma proporcional ao ritmo acelerado da internet. Nesse ambiente, a atenção do leitor para não cair em armadilhas deve ser redobrada. Segundo o Instituto Verificador de Comunicação (IVC), a circulação dos cinco maiores jornais impressos do país diminuiu entre 8 e 15%, de janeiro de 2015 ao mesmo mês do ano seguinte. E se antes a produção tinha um dia inteiro para acontecer, agora a corrida é para entregar a manchete mesmo com pouca apuração. As versões online dos veículos jornalísticos se adequam à nova maneira de informar e aceleram o rendimento, com pouca checagem de informação. De acordo com o gerente de marketing da empresa Usemobile, Matheus Guerra, (26) “o fato de haver a possibilidade de postar informações anonimamente colabora muito [para a propagação de falsas informações], ​tanto para que pessoas mal intencionadas façam isso, quanto para que pessoas possam publicar ou compartilhar esse tipo de notícia sem prejudicar sua ‘reputação’.” Nos meios impressos e nos digitas, as fake news [notícias falsas] têm forte impacto sobre os envolvidos, pela dificuldade de retratação. Segundo estudo produzido pela empresa americana Socialflow, apresentado em Harvard em 2017, a correção não tem o mesmo efeito da notícia falsa sobre os usuários. Durante a análise, eles acompanharam a audiência de um tweet errado da rede NBC e em seguida uma publicação do mesmo gênero e veículo que corrigia a informação passada anteriormente. Ao fim, concluiu-se que o post que desmente a notícia falsa tende a alcançar cerca de seis vezes menos pessoas que a primeira notícia publicada. Com a expansão das redes sociais, as fake news ultrapassam os limites jornalísticos e se tornam também posts diários e instantâneos na internet. Segundo o gerente Matheus, o que reforça a propagação desse tipo de notícia é a necessidade de sustentar determinado ponto de vista pessoal. Quando a notícia expõe algo em que a pessoa acredita, ela compartilha sem o fact-checking para ratificar seu pensamento. “As pessoas não gostam de estar erradas e, muitas vezes, não conseguem aceitar opiniões diferentes [...] No Brasil atual, com toda a polarização que está acontecendo, principalmente na política, isso se acentua ainda mais.” Para saber mais sobre como identificar e não repassar uma notícia falsa, acesse: www.jornalismo.ufop.br/revistacuringa Um conceito atual A Universidade de Oxford acrescentou em seu dicionário anual, em 2015, o conceito de pós-verdade, o qual representa a desvalorização dos fatos objetivos. O leitor passa a moldar a sua opinião através do apelo emocional e das crenças pessoais. Como ocorreu com a falsa notícia de que o Papa Francisco estaria apoiando a candidatura a presidência de Donald Trump. Ainda que desmentida, a manchete se espalhou nas redes sociais e serviu para alcançar eleitores cristãos e associar a imagem de Trump aos valores do Papa. A palavra “pós-verdade” foi eleita, pelo mesmo Dicionário Oxford, a mais importante do ano de 2016, indicando seu uso comum e frequente na sociedade. Apesar de ser um conceito, ela se destacou no ano passado por descrever de maneira mais próxima o momento atual. Devido à inversão de valores sobre o que deve ser relevante, quando algum veículo se retrata, a maior parte dos usuários que compartilharam a primeira notícia falsa tem uma tendência a não compartilhar a correção que poderia descredibilizar determinado ponto de vista. Com o conceito da pós-verdade tão presente, estes boatos se tornam parcialmente reais, já que no imaginário popular adquirem credibilidade. Aqui no Brasil, a Câmara dos Deputados tramita uma proposta de lei que prevê a criminalização de quem divulga e compartilha notícias falsas ou “prejudicialmente incompletas”. A pena estipulada é de 2 a 8 meses, porque, segundo o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), “Esses atos causam sérios prejuízos, muitas vezes irreparáveis, tanto para pessoas físicas ou jurídicas, as quais não têm garantido o direito de defesa sobre os fatos falsamente divulgados”. No entanto, há quem não concorde com a lei em votação, por se tratar de uma medida genérica e, em alguns casos, pouco efetiva. A contraproposta é educar a população e os usuários assíduos da internet, para que a propagação destas notícias através das redes sociais diminua. Uma ideia é que o governo realize campanhas contra sites especializados em fake news, já que esses normalmente não desmentem os boatos por falta de vigilância. O segundo projeto pode prejudicar determinadas ações políticas, de maneira que a primeira pode ser manejada de acordo com os interesses de certos grupos. A contraproposta prevê disseminar todas as formas de fake news possíveis. CURINGA | EDIÇÃO 22 37

Revista Curinga Edição 21
Revista Curinga Edição 17
Revista Curinga Edição 23
Revista Curinga Edição 18
Revista Curinga Edição 20
Revista Curinga Edição 13
Revista Curinga Edição 08
Revista Curinga Edição 15
Revista Curinga Edição 05
Revista Curinga Edição 12
Revista Curinga Edição 11
Revista Curinga Edição 06
Revista Curinga Edição 16
Revista Curinga Edição 19
Revista Curinga Edição 07
Revista Curinga Edição 01
Revista Curinga Edição 24
Revista Curinga Edição 00
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 4 EDICAO
OBSERVATORIO DO ANALISTA EM REVISTA - 1 EDICAO
Revista UnicaPhoto - Edição 06 - Maio/2016
Revista Curinga Edição 09
Revista Curinga Edição 14
Revista Curinga Edição 02
Revista Curinga Edição 10
Revista Curinga Edição 03
Revista Curinga Edição 04
Revista PÚBLICA - 1ª Edição
Revista Economia n. 13.pmd - Faap