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Revista Curinga Edição 22

Revista Laboratorial do Curso de Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

Habitar Texto: Priscila

Habitar Texto: Priscila Santos Foto: Jéssica Avelar Arte: Matheus Gramigna Qual imagem desejamos projetar de nós mesmos? Sou o que realmente aparento? Faço o que realmente desejo? Em tempos de internet, “textão” no Facebook e vídeos no Youtube, vivenciamos uma espécie de frenesi coletivo de culto à adoração da imagem. Nesta sociedade repleta de exigências, existem padrões de comportamento na vida real e online para estabelecermos nossas relações com o mundo. Pensando estritamente em nossos discursos na web, acabamos por projetar personagens para além de nossas identidades. A Psicologia chama esse fenômeno de “golpe da imagem” - pois, em muitos casos, uma imagem bem sucedida significa exercer um tipo de poder e status sobre outras pessoas. Para a psicóloga Carolina Ziviani, 32, vivemos em grupos desde o nascimento. Dessa forma, tudo o que aprendemos com outras pessoas, compõe nosso repertório de normas e padrões de convívio. “As regras morais são comportamentos validados pela sociedade, que nos ensina o que é certo ou errado. Porém, são modificadas ao longo do tempo e nem sempre são benéficas a todos”, afirma Ziviani. Para ela, precisamos ser críticos com relação a comportamentos padronizados, pois, muitas vezes, essa normatização nos leva a tentar ser ou aceitar algo que não somos. Assim, existem experiências (mesmo que negativas) nesse emaranhado de vivências que são cruciais para a construção de quem somos. A maneira com a qual iremos experienciar nossa existência, bem como o modo que iremos nos afetar diante dela, dependerá da individualidade de cada um. Maria Silva*, 28, apaixonou-se pelo professor de Física, na época cinco anos mais velho que ela. Inteligente, fã de Beatles e do diretor de cinema espanhol Pedro Almodóvar, ele parecia ser tudo aquilo que ela havia sonhado para si. Parecia. Em dois anos de relacionamento, Maria* vivenciou momentos de subjugação e violência, terminando a relação com uma ordem judicial de restrição. “Hoje, depois de muita terapia, tenho uma vida amorosa estável, mas tenho plena consciência de que nem tudo que reluz é ouro”, afirma Maria*. Ainda que experiências hostis possam se tornar traumas, algumas pessoas conseguem superar essas vivências negativas. Foi o que aconteceu com o fotógrafo Flávio Charchar, 31. Sua imagem pessoal era algo inimaginável. Durante a infância e adolescência, foi submetido a situações de vulnerabilidade e bullying pelos colegas de escola. Restrito a pou- Quem você pensa que é?

É preciso refletir cada vez mais sobre nossa imagem pessoal e seus desdobramentos positivos e negativos na sociedade cos amigos e a diversos estereótipos como o de nerd e esquisito, conseguiu encontrar uma saída em seu processo de sociabilização. “Acredito que quando sofremos bullying, criamos um certo antagonismo ao grupo opressor. Assim, procurei me apoiar em pessoas parecidas comigo e fui formando e reafirmando minhas opiniões e gostos. Foi dessa forma que subverti meu sofrimento, me tornando quem hoje eu sou”, reflete Charchar. Imagem e influências O termo “influenciadores digitais” é utilizado para designar pessoas que trabalham sua imagem online em busca de fama, dinheiro ou reconhecimento de seus discursos. Com isso, muitos internautas têm como fontes de consumo de informações, blogueiras e youtubers. Marcas e eventos investem diretamente na imagem dessas pessoas, trocando alguns posts com menções em redes sociais por dinheiro ou produtos. Em julho de 2017, o canal de TV por assinatura, GNT, realizou um encontro chamado TEIA. A proposta do evento foi promover uma reflexão sobre novas perspectivas de vida em um mundo que está em constantes mudanças. Assim, webcelebridades, blogueiras, cantores, ativistas, jornalistas, vlogueiros e personagens da web, reuniram-se em São Paulo. O youtuber Cauê Moura possui mais de cinco milhões de inscritos em seu canal e participou dessa última edição. Moura fala abertamente que, em seu vlog, quem se apresenta é a sua persona, e os discursos ali colocados fazem parte apenas da personalidade do personagem. “O caos é o meu negócio. As maiores repercussões do que eu faço se propagam muito mais quando os assuntos são polêmicos ou controversos”, afirma Cauê durante uma entrevista ao canal de TV. Para Beatriz Polivanov, doutora em Estudos Culturais e Mídia e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), existem padrões estéticos de imagens que são propagados pela mídia (TV, Internet, revistas, jornais impressos e rádio), bem como pela publicidade e redes sociais mais pessoais, como Facebook e Instagram. Ela afirma que os influenciadores digitais são pouco questionados, já que o ato de assumir a opinião de outras pessoas sempre existiu. Além disso, pouco se sabe sobre essa “prática profissional”, pois muitas vezes a ideia de digital está ligada a construção de narrativas sem um grande suporte midiático por trás. Segundo Polivanov, é preciso refletir criticamente sobre o amadorismo característico dos canais de youtubers e blogueiros, que podem divulgar conteúdos de maneira simplista com valores questionáveis. *O nome foi modificado para proteger a identidade da personagem. CURINGA | EDIÇÃO 22 9

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