003 - O FATO MANDACARU - MARÇO 2018 - NÚMERO 3

ofatomandacaru

Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA!

Moradores do Jardim Olímpico protestam

contra obra abandonada

“Mato, ratos, sapos, cobras, lagartos e mosquitos são heranças do descaso. Queremos a conclusão da escola técnica. A prefeitura tem que intervir”. Página 3

Rugby Feminino de

O que é esse “META 4”

que quase parou a UEM?

Página 7

Maringá

Entre títulos

e dificuldades

com falta de

patrocínios

Página 15

ESPORTES:

E7

Escola

sedia

torneio pelo

Paranaense de Tênis de Campo

Página 12

Dívida de

90 mil

com o

ECAD pode

decretar a falência

da Rádio Comunitária

São Francisco

do Jardim Alvorada

Página 4


Pág. 2 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

1977 e a medieval T.F.P.

desembarcava em Maringá.

Eles voltaram?

Laércio Souto Maior - Escritor, Historiador e Jornalista

Na cruzada pelo território continental do Brasil, no ano da graça de 1977, a Sociedade Brasileira de Defesa da

TRADIÇÃO, FAMÍLIA E PROPRIEDADE - TFP, chegava a Maringá com um pelotão de jovens usando ternos e gravatas,

capas vermelhas sobre o paletó, sapatos reluzentes, cabelos cortados à moda militar, empunhando grandes estandartes

com um leão bordado ao centro, desfilando imponentes nas largas e arborizadas avenidas e ruas da Cidade Canção.

Em dado momento da caminhada

paravam nas esquinas das

avenidas e através dos seus vistosos

megafones gritavam palavras

de ordem contra o divórcio, o comunismo,

a maçonaria, o feminismo

e os desvios da Igreja Católica

Apostólica Romana.

Segundo eles, o catolicismo

abandonava gradativamente os sagrados

postulados da igreja tradicional

aderindo à realidade das novidades

do mundo moderno, assustando

esses guerreiros medievais - que na

contramão da história, em pleno século

XX, praticamente no alvorecer do

século XXI que se aproximava com

todos os seus desafios, insistiam em

defender o retorno a Idade Média.

EXPEDIENTE

Ano 01 - Edição 003

Março de 2018

Rua Itamar Garcia Pereira, 55

Vila Sta. Isabel - Maringá/PR

• Telefone: (44) 3246-1769

• Whatsapp: (44) 99713-0030

• E-mail: ofato_mandacaru@libero.it

Ligiane Ciola

DRT-SP 46266 - Jornalista Responsável

J. C. Leonel

DRT- PR 4678

Ricardo Rennó

ArtWork Com. & Mkt. - Diagramação

Impressão:

O Diário do Norte do Paraná (Maringá)

Tiragem:

5.000 exemplares

Distribuição:

Gratuita

A opinião dos colunistas não representa

necessariamente a posição editorial do Jornal.

Tonitroavam aos

brados em todas as cidades

visitadas o material

propagandístico da

TFP com ênfase para o

jornal “O Catolicismo”

e o livro/bíblia do movimento

denominado

“Revolução e Contrarrevolução”

escrito pelo

seu líder nacional, Plínio

Correia de Oliveira,

membro de tradicional

família pernambucana

radicada na cidade de

São Paulo.

Objetivo maior da

TFP naquela época:

dominar o mundo e

construir uma sociedade

nova inspirada nos princípios

da Idade Média, treinando em seus

mosteiros secretos uma imensa legião

de jovens para o que consideravam

uma santa missão.

No auge da sua existência, em

plena guerra fria entre o Império

Norte-Americano e a União das Repúblicas

Socialistas Soviéticas

(URSS), a TFP além de atuar em todo

o território brasileiro ampliou

os seus tentáculos a 14 países mundo

afora.

Um parêntese: atualizando a

narrativa para o nosso tempo verificaremos

que a prática dos fanáticos

jovens seguidores do deputado

federal Jair Bolsonaro não é mera

coincidência. O fascismo nos modelos

de partidos políticos ou nos

movimentos religiosos é uma raiz

difícil de extirpar.

Os soldados da TFP, seus megafones e estandartes.

Ao saber da notícia da presença

em Maringá dos jovens militantes

da TFP despachei imediatamente

o jornalista Ernesto Luiz Piancó

Morato e um dos nossos fotógrafos

para dar cobertura à novidade

que acabara de chegar a nossa cidade.

Paralelamente, além do editorial,

escrevi uma matéria de fundo

contando a história da TFP e sua

presença deletéria no cenário político

nacional da época. E passamos

a bombardear diariamente a TFP

enquanto durou sua presença em

Maringá.

E o que prevíamos aconteceu:

recebemos a visita de dois líderes

do movimento que vieram da cidade

de São Paulo e que adentraram

em nossa redação, acompanhados

do jornalista e um dos sócios do

“Diário”, Franklin Vieira da Silva.

Após fazer as apresentações,

Franklin se retirou. Sem mais delongas,

os dois jovens comandantes

da TFP solicitaram o direito que

a nossa Lei de Imprensa lhes concedia

de responder ao “O Diário do

Norte do Paraná” com o mesmo

destaque das matérias em que eles

foram afrontados. Respondi que

sim,

“O Diário” daria à TFP o direito

de resposta conforme determinava

e ordenava a Lei de Imprensa.

E assim foi feito. Só que, na sequência,

continuamos a estampar

em nossas páginas nossa posição

contrária a permanência em Maringá

do mencionado movimento

agora reforçado pela crítica de peso

do representante maior da Igreja

Católica em Maringá - o arcebispo

Dom Jaime Luiz Coelho.■


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

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Obra abandonada

no Jardim Olímpico

Moradores protestam contra Governo do Estado e pedem intervenção

da Prefeitura de Maringá

J. C. Leonel

ALGUMAS DAS

CONSEQUÊNCIAS DO

ABANDONO DA OBRA:

• Mato alto: podendo conter

animais peçonhentos e lixo;

• Acúmulo de água nas lajes:

expondo a possíveis proliferações

do Aedes Aegypti;

• Suposto ponto de encontro de:

traficantes e usuários de drogas,

desvalorizando os imóveis.

O CEEP, Centro Estadual de Educação Profissional

começou a ser construído no final de 2012 e de

acordo com os moradores do Jardim Olímpico, a

obra que é de competência do Governo do Estado

está abandonada há mais de 3 anos.

Arnaldo Gonçalves

Morador do Jd. Olímpico

há 7 anos.

“Em 2014 nós fomos até o

setor de obras da prefeitura

de Maringá e nem eles sabiam

da existência dessa

obra, disseram que não

existia. Eu disse a eles: Eu

moro em frente, como não

existe? Nós queremos que

terminem essa escola”.

OBRA NO

QUADRO

NEGRO:

Manoel Messias

Morador do Jd. Olímpico

há 11 anos.

“Nós ficamos muito felizes

com o início da construção

da escola porque nossas casas

poderiam até valorizarem.

Em vez disso, hoje com

o abandono somos nós que

estamos perdendo dinheiro.

Eu conversei com o dono da

empreiteira que veio aqui na

obra e ele disse: O governo

não estava pagando, vou

abandonar a obra, e abandonou

mesmo. Além de tudo

tem a questão da segurança;

todo dia tem gente estranha

ali dentro. Não sei o que

eles fazem, mas coisa boa

não deve ser porque é tudo

muito escuro. Não sabemos

se é droga ou outra coisa,

mas não é nada bom.”

Paulo Vendramim

Morador do Jd. Olímpico

há 18 anos.

“O governo do Estado começou

essa obra e depois

de quase um ano abandonou

tudo; quando estávamos

próximos das eleições

para governador eles voltaram

a trabalhar. Ficaram

aqui 15 dias e logo após as

eleições sumiram definitivamente.

Sobre o abandono

do terreno e do mato que

cresce, é o prefeito que tem

que responder, pois quem

manda na cidade é o prefeito.

Ele tem que correr atrás

da solução deste problema,

pois a obra pode ser do governo

do Estado, mas está

dentro do território de Maringá

e está criando muitos

problemas para a gente

aqui do Jardim Olímpico.”

Nilton P. Sobral

Morador do Jd. Olímpico

há 8 anos.

“Lembro que em 2013 quando

começaram a construir

eles tinham pressa, e me pediram

para ir buscar a placa

do governo do Estado que estava

lá no pátio da prefeitura.

Na placa estava escrito

que ia ser uma escola profissionalizante

e que iam entregar

a obra em 1 ano, aí eu

perguntei ao povo da empreiteira:

Como é que vocês

vão entregar uma obra desse

tamanho em um ano? Ninguém

disse um A, e deu no

que deu. De lá para cá, vândalos

já roubaram quase tudo;

janelas, esquadrias, ferro,

madeira, lajotas, cercas,

enfim, tudo o que podia ser

carregado e nós não podíamos

fazer nada.”

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná instaurou processo administrativo para apurar possíveis irregularidades

cometidas pela empreiteira que estava construindo o CEEP. O custo final previsto era de R$ 7 milhões.

A obra do CEEP de Maringá está sendo investigada pela Operação Quadro Negro que investiga um suposto

esquema de desvio de recursos de obras em escolas estaduais em pelo menos 18 colégios de diversas regiões

do Paraná. Todas as obras estariam paradas desde 2015. Informações de dezembro de 2017 dão conta

que apenas 9,72% da obra do CEEP de Maringá foi efetivamente executada, mas no sistema de acompanhamento

de obras do governo havia sido notificada a execução de 36,85%.■

Rosimar de Oliveira

Moradora do Jd. Olímpico

há 10 anos.

“Faz muito tempo que esta

obra está parada, é um foco

de proliferação de mosquitos,

ratos, sapos e insetos.

Além disso, o local passou

a ser frequentado por traficantes

e usuários de drogas.

Quando chove então,

essa obra aí vira um verdadeiro

rio. A água desce o

morro e se acumula lá embaixo

formando uma grande

poça. Com o acúmulo de

água nos tetos se formam focos

de mosquitos e a noite a

sinfonia dos sapos chega a

incomodar. Minha sobrinha

foi até a prefeitura e

também recebeu como resposta

“que não é de competência

do município, mas

do governo do Estado, e então

nos perguntamos: Se

não é a prefeitura que vai intervir

junto ao governo do

Estado para uma solução

sobre a conclusão da obra e

também da limpeza e manutenção

do canteiro, então

quem fará por nós?”


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Equipe do Programa Sabadão Sertanejo

Polêmicas e dívidas com o

ECAD podem decretar o fim da

Rádio Comunitária S. Francisco FM

J. C. Leonel

Padre Luís Carlos Azevedo: “Precisamos da ajuda dos comerciantes para

salvar a Rádio São Francisco”.

90 mil reais, está é a dívida que

a atual diretoria da ASCODECAL,

associação que detém o mandato da

91,3 FM comunitária terá que honrar

com o ECAD - Escritório Central

de Arrecadação e Distribuição,

órgão que arrecada e fiscaliza direitos

autorais ligados a execução de

músicas em locais públicos.

A Rádio São Francisco tem sede

em uma sala da paróquia de mesmo

nome, e transmite na mesma frequência

da Rádio Santa Isabel que como

mostramos na edição anterior, fechou

por falta de ouvintes e dificuldades financeiras,

ainda que infinitamente menos

graves da que se encontra a Rádio

do Jardim Alvorada.

Para o Padre Luís Carlos Azevedo,

diretor administrativo da atual

gestão, as dificuldades derivam do fato

que cada dia que passa

a emissora há menos audiência

e encontra muitas

dificuldades para obter

ajuda através dos “apoios culturais”,

doações em dinheiro que rádios

comunitárias como a São Francisco

podem receber de privados.

De acordo com o estatuto da

ASCODECAL, o mandato de cada

gestão deve durar 2 anos com a possibilidade

de reeleição. A atual diretoria,

eleita em 2016, de acordo com

o estatuto deveria ter convocado eleições

já no mês de outubro do ano passado,

pois o mandato atual vencerá

no próximo dia 05 de abril.

“Nosso mandato vence em

abril desse ano. Temos que convocar

novas eleições e os componentes

das chapas tem que ser associados

da ASCODECAL para que a

chapa seja aceita legalmente, além

disso, é necessária a aprovação da

direção atual.

Hoje temos uma dívida de mais

de 80 mil reais com o ECAD e não

temos condições de pagar. No momento

a rádio tem sede em um local

cedido pela paróquia. Nos próximos

dias nos reuniremos com os

membros do conselho e depois levaremos

uma proposta aos voluntários

associados que eventualmente

queiram formar chapas e participar

das eleições.

Todos deverão estar cientes que

a chapa vencedora deverá assumir

as dívidas atuais bem como as futuras,

caso isso não aconteça poderemos

até mesmo decidir de ceder espaço

a grupos que não fazem parte

da ASCODECAL, e em última instância

existe até mesmo a possibilidade

de devolvermos a concessão

ao Ministério das Telecomunicações,

seria o fim”.

Padre Luís conclui dizendo que

tem esperanças de reverter a situação

e que para isso a diretoria atual

está se esforçando em acolher somente

programas radiofônicos que

Padre Luís Carlos Azevedo

tragam apoios culturais, “pois a rádio

não vive de brisa”.

Todos são bem-vindos desde que

queiram ajudar, diz padre Luís. “Nossa

rádio é democrática e apesar de ter

sede dentro da paróquia católica, oferecemos

espaços para a realização de

programas a outras confissões religiosas,

afinal a rádio não é da igreja e

sim da comunidade.”■

Rádio Comunitária S. Francisco 91.3 FM .

Ouça também no site:

www.radiosaofrancisco.com.br

Contatos, doações e apoios culturais:

(44) 3229 5151.


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! | Pág. 5

Associação Comunitária

do Jardim Alvorada

Quer trazer para o bairro uma Subprefeitura para atender toda a

zona norte de Maringá.

Ligiane Ciola

O advogado Omar Loureiro, reeleito Presidente da Associação Comunitária do Jardim Alvorada em dezembro do ano

passado e empossado dia 16 de fevereiro deste ano, quer revitalizar a relação com os moradores do maior bairro de

Maringá. Loureiro compara a saúde da associação com os serviços prestados pela saúde pública, para ele “precária”.

Entre os objetivos do presidente está a criação da carteirinha de sócio.

“Todas as associações de bairros

deveriam ter associados caso

contrário não há sentido de ser a

existência das mesmas. Atualmente

não possuímos associados e isso me

incomoda muito. Já no final do ano

passado começamos a visitar os moradores

de porta em porta para cadastrar

interessados em fazer parte

do nosso grupo.

Queremos que as pessoas participem

ativamente de todas as atividades

e que somente os associados

tenham direito de votar e de ser

votados. Até agora assistimos a muita

confusão; é um tal de gente que

nem mora no Alvorada aparecer

com comprovantes de residência de

outros moradores para votar e ninguém

até hoje conseguiu coibir este

tipo de abuso. Agora as coisas vão

mudar, diz Loureiro.”

Foto-notícia - União dos Moradores

Aconteceu dia 15 de fevereiro na capela Santa Rita de Cássia no Jardim Real,

a reunião de planejamento e definição da posse da União dos moradores da

Vila Vardelina, Núcleo Social Papa João XXIII, Jardim São Jorge, Jardim

Tropical I e II, Jardim Petrópolis e Conjunto Residencial Planville. De acordo

Paulo Borghi atual vice-presidente do Jardim Tropical a posse acontecerá

ainda no mês de março mas a data será fixada de acordo com a disponibilidade

do Prefeito Ulisses Maia que teria se comprometido a prestigiar o evento. ■

Omar diz ainda que

apesar dos problemas de

organização, a associação

possui uma grande

variedade de atividades

destinadas aos moradores

e para ele, isso é um

paradoxo. “Nosso salão

comunitário vive sempre

cheio de gente. Temos

sempre atividades e o

único dia que o salão fica

livre é sexta-feira que

deixamos disponível para

um projeto que ainda não conseguimos

colocar em prática; se trata

de um baile da terceira idade, mas esse

ano essa coisa vai sair do papel.”

O programa de atividades da associação

comunitária do Alvorada inclui

aulas de capoeira, hip hop, karatê, feet

dance e ginástica para a 3ª idade.

Omar Loureiro Presidente da Associação

Diretoria da Associação Comunitária do Jardim Alvorada

De acordo com Loureiro, os professores

e instrutores das várias atividades

são voluntários e não recebem

nenhum tipo de compensação

econômica.

“A prefeitura nos deixa usar o

salão gratuitamente e a única renda

que possuímos provém de locações

esporádicas do salão, mas há situações

em que o morador não há recursos

para pagar a taxa e a gente

acaba cedendo o salão gratuitamente.

Nesses casos a única exigência

que fazemos e que nos entreguem

o salão limpo e ordenado.”

Os eventos mais importantes organizados

pela associação comunitária

são o Fest Alvorada e o Festival

da Juventude, mas para Omar o

objetivo maior de sua gestão é trazer

para o Alvorada uma subprefeitura,

já que hoje a população local

chega a cerca de 70 mil.■


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“Reforma da Previdência é uma ação do Governo

contra os Trabalhadores”

Ana Lúcia Rodrigues - Professora da UEM e Coordenadora do Observatório das Metrópoles de Maringá

Envelhecer no Brasil não é fácil e chega a ser perverso para milhões de pessoas. A aposentadoria ou pensão é a única

forma de sobrevivência para a grande maioria das pessoas idosas brasileiras. Muitos estudiosos afirmam que se a

Previdência Social Pública não existisse estas pessoas idosas não teriam como sobreviver, pois 70% dos aposentados

no Brasil dependem exclusivamente da aposentadoria como fonte de renda*. 62% dos aposentados no país recebem

apenas 1 (um) salário mínimo, ou seja, R$ 954,00.

Sindicatos protestaram contra a Reforma da Previdência

Reforma após as eleições

A Reforma da Previdência que

está em tramitação no Congresso

Nacional foi suspensa por enquanto,

mas será retomada com força

após as eleições. Os deputados e senadores

que são favoráveis à reforma,

são maioria no Congresso mas

não tiveram coragem de votar contra

os trabalhadores brasileiros antes

das eleições. Todavia, se forem

reeleitos votarão sem pestanejar.

A previdência está

mesmo falida?

O argumento do “presidente”

Temer é que a Reforma se faz necessária,

pois não há recursos suficientes

para pagar as aposentadorias.

Justo a aposentadoria, um direito

fundamental garantido pela Constituição

Federal de 88 a toda a população

que contribuiu com uma vida

inteira de trabalho para construir as

riquezas do país. Podemos dizer

que esse direito é o resultado de um

grande pacto social firmado por todos

os brasileiros e brasileiras em

prol de uma velhice com o mínimo

de dignidade. Em 2015, todos os benefícios

pagos significaram apenas

8% do PIB - Produto Interno Bruto.

Será que não há dinheiro

para garantir esse benefício

primordial para a população?

O Brasil pagou, em 2015, R$

480 bilhões de reais para 90 milhões

de aposentados e pensionistas.

E pagou R$ 502 bilhões, só de

juros da dívida pública, a meia dúzia

de banqueiros. Além de beneficiar

os banqueiros especuladores, o

governo deu um desconto de R$

100 bilhões de impostos para grandes

empresários.

Em 2016 a farra continuou, pois

os deputados aprovaram Medida Provisória

do governo Temer, apelidada

de “MP do Trilhão”– que levará a

União a perder cerca de R$ 1 trilhão

nos próximos 25 anos, em decorrência

da isenção fiscal concedida a empresas

estrangeiras que atuam agora

nos campos de petróleo brasileiros

(pois agora o Petróleo não é mais nosso).

Isso também se repete em relação

às empresas de telecomunicações

e a grandes fazendeiros.

Em janeiro de 2018, o presidente

abriu mão de mais de R$ 12 bilhões

de arrecadação com uma Medida

Provisória que permite a renegociação

de dívidas bilionárias de

meia dúzia de grandes proprietários

rurais. Além de tudo isso, há também

muitas empresas, inclusive bancos

que têm lucros estratosféricos,

que são grandes devedoras da Previdência.

Considerando apenas o

ano de 2015, houve uma sonegação

de R$ 103 bilhões, sendo que somados

os anos anteriores, há uma dívida

total do setor privado para com a

Previdência de R$ 374 bilhões.

Resposta: há dinheiro para bancar

as pensões e as aposentadorias

para a população, mas falta respeito

e reconhecimento à história vivida

por cada pessoa que construiu esse

“Brasilzão”. A velhice não pode ser

uma maldição e não é. Deve ser o coroamento

da existência, um momento

da vida em que as pessoas

merecem ficar um pouco mais tranquilas,

aproveitar a convivência

com filhos, netos, bisnetos, amigos

e amigas.

Um momento com tempo

livre para fazer o que quiser.

Convido a todas as pessoas idosas

de Maringá e região para aproveitar

a liberdade desse momento e

usar cada minuto de suas vidas na luta

contra esta que é chamada Reforma

da Morte. Em respeito aos cabelos

grisalhos, a cada história construída

e em honra à vida. ■

Contatos: (44) 3011-4287

observatorio@uem.br

observatoriodasmetropolesmaringa.com


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! | Pág. 7

Um software cujo nome se resume

em apenas duas palavras, o

META 4, vem dando muito que falar

nas universidades públicas paranaenses,

causando uma queda de

braço entre o governo de Beto Richa

e os reitores, tendo, a reboque,

os sindicatos a puxar o cordão de

protesto.

Deixemos de lado, por um momento,

a queda de braço. Afinal o

que é o META 4? Trata se um programa

de computador utilizado para

fazer a gestão de pessoal e rodar a

folha de pagamento. O sistema informatizado

é gerenciado pela Secretaria

Estadual de Administração

e Previdência (SEAP).

Para utilizar o META 4, o governo

comprou, por contrato de licença,

o software de uma empresa

espanhola do mesmo nome. Outras

empresas, públicas e privadas, já

adotam o sistema. Algumas delas:

Caixa Econômica Federal, Bradesco,

Detran e o Boticário.

Uma rápida observada nas prestadoras

de serviço especializadas na

implementação do software basta para

ver que ele promete, em resumo,

centralizar a informação dos funcionários

numa única plataforma, captar

o melhor talento dentro e fora da empresa,

facilitar a comunicação entre

gestores e trabalhadores e aumentar a

produtividade dos funcionários, de

quebra reduzindo custo.

Tudo parece canalizar a uma filosofia

de meritocracia no ambiente

de trabalho. E é justamente aí, temendo

que o governo, sem conhecer

as especificidades de uma instituição

pública de ensino superior,

queira administrá-la como se fosse

uma empresa particular, que a preocupação

aumenta.

Medo do META 4

Voltemos à discussão da queda

de braço. Ela começou há cinco

anos, quando o governo decidiu que

as universidades estaduais teriam

que entrar no META 4. Houve reação.

O governo recuou. E voltou ao

assunto em 2016, desta vez com mais

pressão. Vale dizer que as universidades

estaduais do Norte do Paraná

(UENP), com sede em Cornélio

Procópio, e a Estadual do Paraná

(Unespar), aderiram ao sistema desde

2012. Olhando o que ocorreu

com elas de lá para cá é que as outras

cinco universidades, a de Maringá

(UEM), de Ponta Grossa

META 4: que bicho é este

que quase parou a UEM?

(UEPG), de Guarapuava (Unicentro),

de Cascavel (Unioeste) e a de

Londrina (UEL) passaram a temer

pelo que viria acontecer caso o ingresso

no META 4 fosse irreversível.

E a julgar pelos fatos recentes,

aparenta ser irreversível mesmo.

O governo, com o aval do Tribunal

de Contas do Estado, ameaçou,

em janeiro, a não pagar os salários

dos servidores das universidades

se elas não enviassem as informações

sobre pessoal solicitadas pela

SEAP. O caldo engrossou. Com

carta branca de seu Conselho Universitário,

o colegiado máximo da

instituição, a reitora da UEL, Berenice

Jordão, resolveu encaminhar

os dados ao governo, acompanhando

as demais universidades. A

UEM decidiu não enviar as informações.

O Conselho Universitário votou

contrário ao encaminhamento

dos dados. Os salários atrasaram

por cinco dias e foram pagos no dia

em que uma greve seria iniciada.

Foi então que o reitor Mauro Baesso,

a pedido da SEAP, resolveu

mandar para a Caixa Econômica Federal

ofício autorizando a transferência

do recurso da UEM para a

conta dos servidores. Recurso este

que estava retido pelo governo.

Reitor da UEM enviou ofício

autorizando pagamento dos

salários, mas para o Governo

é adesão ao META 4

‘Baesso tomou a decisão com

o aval do Conselho Universitário.

O COU votou pelo envio do ofício

sob o entendimento de que o documento

apenas permitiria que o dinheiro

para o pagamento dos salários

fossem processados a partir do

novo Siaf (Sistema Integrado de Finanças

Públicas), sem que isso significasse

a adesão automática ao

META 4. Já, o governo entendeu o

contrário. Fevereiro está chegando

ao fim e uma nova onda de tensão

paira no ar: se a Reitoria não encaminhou

as informações exigidas para

o ingresso no META 4 é possível

outro atraso dos salários.

Mauro Baesso - Reitor da UEM

Mas, se de um lado o bolso vazio

no final do mês causa arrepios,

de outro os servidores temem ainda

Paulo Pupim

O software que o governo quer implantar nas universidades estaduais paranaenses é

motivo de uma queda de braço envolvendo sindicatos, reitorias e o Palácio Iguaçu.

outras consequências pela eventual

adesão ao sistema. Eles citam, por

exemplo, o corte abrupto de funções

gratificadas. Hipótese este levantada

pelo presidente do Sindicato

dos Funcionários da Unioeste, o

Sinteoeste, Giancarlo Tozo.

Ofício autorizando pagamento dos salários

Para reitores META 4 é

“desmonte do ensino público”

Como se fosse pouco, os próreitores

de pesquisa e pósgraduação

e os reitores se referem

ao META 4 como um passo decisivo

para o desmonte do ensino superior

público estadual. Na avaliação

deles, como o sistema de decisão ficaria

centralizado em Curitiba, longe

da realidade cotidiana das universidades,

as instituições perderiam

a agilidade burocrática em liberar

professores para pós-graduação

ou mesmo para viajarem a um congresso

científico, dentro ou fora do

Brasil.

Com isso, a capacitação docente,

num ritmo mais lento, provocaria

queda na produção científica e

na inovação tecnológica, justamente

nas áreas em que universidades

como a UEM e a UEL se despontam

nos ranking das agências de avaliação

espalhadas pelo mundo. Guerra

de informações e boatos

Enquanto isso, a queda de braço

prossegue. Um dos capítulos mais

recentes, também um dos mais

emblemáticos, ocorreu em meados

de janeiro, quando o governo fez circular,

especialmente pelas redes sociais,

a notícia de que a UEM pagava

supersalários a uma casta de trabalhadores,

na média de R$ 50 a 80

mil reais.

A opinião pública, claro, reagiu

cobrando explicações e assimilando

o discurso de que o META 4 coibiria

tudo isso, devido à transparência

de informações inerente ao sistema.

E é nesta guerra de informações

e boatos que a batalha promete

novos capítulos.

Indignado, o pró-reitor de Recursos

Humanos e Assuntos Comunitários

da UEM, Luiz Octávio, desmentiu

categoricamente a notícia,

chegando a gravar um áudio que

também ganhou a rede social

WhatsApp.

Em suma, ele explicou que existem

pessoas com dois vínculos empregatícios.

Veja um exemplo: num

período da jornada diária o servidor

dá aulas e no outro trabalha como

médico, atendendo pacientes no

hospital universitário.

Quando chegou no final de

2017, o mesmo profissional recebeu

dois salários, dois décimos terceiros

e dois adicionais de férias, o

que chegou à remuneração de cerca

de R$ 60 mil. Outro caso esclarecido

pelo pró-reitor foi o de uma servidora

que queria reenquadramento

na carreira, passando a receber como

advogada.

Como era funcionária antiga,

ele teria direito aos pagamentos retroativos

pelo tempo de atuação na

UEM. Resultado: a remuneração

em dezembro chegaria em torno de

R$ 300 mil. Conforme Luiz Octávio,

a universidade deu parecer contrário

ao reenquadramento, a funcionária

não recebeu os R$ 300 mil,

mas o governo teria mantido no Portal

da Transparência o valor como

se verdade fosse.■


Pág. 8 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

Dona Dora Karatê

“Minha vida é uma luta de muitos rounds...”

O encontro com a equipe de O

FATO MANDACARU acontece

no salão de beleza de Dona Dora

que fica na Rua Jalbas Rodrigues

Alves - Vila Santa Isabel.

Chegamos com alguns minutos

de antecedência e pudemos observar

a leveza de seu ser no atendimento

a uma cliente.

Dona Dora termina o trabalho,

troca algumas palavras com a cliente

e a ouve atentamente, tudo com

um tom de voz baixo e sereno, depois

se despede com um abraço e vem

até ao ingresso para nos receber.

Decidimos registrar o encontro

em vídeo, pois o karatê é a luta mais

branda que esta corajosa mulher

já enfrentou.

A entrevista pode ser vista no site:

ofatomandacaru.blogspot.com.br

Ligiane Ciola

Quem a vê pela primeira vez pode imaginar que se trata

de uma pessoa frágil até mesmo pela idade, mas é só

um ledo engano. Doraci Maria Carvalho ou simplesmente

Dona Dora, tem 68 anos, há 4 luta karatê e já está na

faixa vermelha.

Round Atual:

Ligiane Ciola: Como começou

essa história de praticar Karatê?

Dora: Começou com a minha

neta que praticava karatê na

UEM. Ela não gostava de ir sozinha

e me pediu para participar das

aulas, foi ai que conversei com o

professor Marcelo Alessandro Pereira

que também é Presidente do

Instituto Hagakure de Karatê-Dô

Shotokan e ele me disse que eu podia

participar sim, que seria bom

fazer algumas aulas para experimentar.

Eu fiz e não parei mais.

No início eu ficava meio perdida,

afinal eu já tinha 64 anos mas

todo mundo lá, me deu muito apoio

e não me deixaram desistir.

Round 1960

Ligiane Ciola: É verdade que

uma das primeiras lutas que a senhora

enfrentou foi contra a ditadura?

Dora: Eu cheguei a Maringá

em 1960 e fui estudar. Na época do

golpe militar eu estava no Colégio

João XXIII e participava do movimento

estudantil contra a ditadura

e por várias vezes quase fui presa.

Me lembro de uma ocasião que

tive que me esconder sob um banco

de uma igreja, um milico passou

pertinho de mim e não me viu, mas

alguns colegas foram presos e apanharam.

Hoje quando vejo as pessoas

dizerem que querem a volta da ditadura,

a volta dos militares, eu fico

louca da vida pois

nós sofríamos muito

com a repressão, pois

o estudante era mal

visto, a sociedade

não tinha liberdade

de expressar-se. Só

quem não viveu na pele

o que nós vivemos

pode dizer uma barbaridade

dessas.

Round 1972

Ligiane Ciola: Mas depois

disso sua vida mudou radicalmente,

não é mesmo?

Dora: Mudou sim, eu gostava

muito de escrever e até ganhei o primeiro

prêmio em um concurso com

a matéria sobre “A VIDA DE UM

PALHAÇO”, mas depois disso me

casei e parei de estudar, fui morar

em Curitiba.

Em 1972 voltei a Maringá com

um filho e mesmo assim resolvi voltar

a estudar. Lutei muito para completar

os meus estudos; primeiro

no Colégio Brasílio Itiberê e depois

no Colégio Paraná, lá é particular

mas eu ganhei uma bolsa de estudos

em um concurso da prefeitura

e pude terminar o Cientifico em

uma excelente escola.

Round 1982

Ligiane Ciola: E depois disso

veio o vestibular?

Dora: Veio sim, passei na

UEM em direito mas não pude frequentar,

perdi o prazo para fazer a

matrícula pois a minha vida estava

muito difícil naquele período, me

separei e fiquei com dois filhos menores.

Round 1992

Ligiane Ciola: Essa foi a luta

mais difícil, a senhora pensou em

desistir?

Dora: Fazer o que? Aí fui trabalhar,

trabalhei bastante, criei meus

filhos e voltei a fazer o curso de

atendente de enfermagem no

SENAC e de lá fui direto para a Santa

Casa em 1992 e onde trabalhei 4

anos e depois fui para a cardiologia

do Santa Rita, lá trabalhei quase 8

anos, no mesmo período ia uma vez

por mês para Curitiba fazer o curso

de técnico de enfermagem, com a

mochila nas costas, foi muito difícil,

eu pegava as matérias lá, voltava

para estudar e depois ia fazer os

exames.

Eu já estava pensando em fazer

medicina mas aí conheci o meu segundo

marido. Trabalhei um tempo

com ele que depois me ajudou a montar

o salão. Estava indo muito bem

mas tive que me mudar para Curitiba

pois meu marido tinha sido

transferido para lá. Na capital montei

um salão e deu certo e depois de

4 anos voltei para Maringá, abri o

salão aqui de novo onde já estou há

10 anos. A luta continua, sempre.

Round de Medalhas

Ligiane Ciola: Mas vamos voltar

para o Karatê que está coroando

todas essas vitórias na sua vida?

Dora: É verdade, hoje sou muito

feliz e realizada e não consigo

imaginar minha vida sem o karatê.

Adoro treinar e competir e já ganhei

várias medalhas, uma delas é

de ouro, foi uma glória, uma gratidão

dentro meu coração, vou até o

fim, até chegar a faixa preta.

Nunca é tarde para começar,

quem tem vontade deve correr

atrás do seu objetivo. Tente, se não

der certo pelo menos você tentou,

não vai ficar frustrada por não ter

tentado.■


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! | Pág. 9

Feirão da Resistência e da Reforma Agrária

em Londrina

Uma união bem sucedida entre lutas do campo e da cidade

José Maschio, Jornalista - Londrina/PR

Fotos:

Fagner Bruno de Souza

No próximo dia 8 de março,

irá fazer um ano que uma ideia

deu certo. Foi na marcha das Mulheres.

E foi em uma conversa entre

lideranças do MST (Movimento

dos Trabalhadores Rurais

Sem Terra) e um diretor do Sindicato

dos Jornalistas Profissionais

do Norte do Paraná.

E o Feirão da Resistência e

da Reforma Agrária, no dia 10 de

março irá para sua décima edição.

Um caso de sucesso na luta dos trabalhadores

urbanos e rurais contra o

golpe no país.

Vale situar. O golpe apertava (e

ainda aperta) o torniquete sobre os

assentamentos da reforma agrária.

Os programas federais de aquisição

de alimentos dos pequenos produtores

iam a ser abandonados. Do relato

nasceu o projeto. Fazer um feirão

para denunciar o descaso do governo

federal para com os pequenos

agricultores.

Restava descobrir um local para

isso. Aí surgiu o MARL (Movimento

dos Artistas de Rua de Londrina).

O pessoal do MARL havia

ocupado um prédio público abandonado.

A antiga seda da ULES

(União Londrinense dos Estudantes

Secundaristas). Antes um mocó, o

espaço, depois de ocupado, passou

a ser requisitado pelo município.

Entidades solidárias à ocupação

organizaram uma ação de resistência.

E deu-se a união: Sindicato dos

Jornalistas, MARL e MST unidos na

resistência. O Feirão da Resistência e

da Reforma Agrária foi uma das consequências

da articulação campo e cidade

contra o descaso daqueles que

governam o país para uma minoria,

contra o povo.

Mas não foi a única. A partir das

edições mensais, sempre nos segundos

sábados de cada mês, aliada

à venda de produtos agroecológicos

a turma da resistência está lá. Comida

afro, produtos artesanais, livros

de resistência, troca de sementes, de

ideias e intensa atividade cultural.

O Feirão em Londrina firma-se

como um espaço de resistência e de

confraternização entre artistas, trabalhadores,

produtores rurais, o pessoal

da agricultura orgânica e, principalmente,

um espaço para o exercício

da igualdade e contra os preconceitos

tão comuns em nossa sociedade

de castas sociais.

Vale salientar que uma das maiores

preocupações no feirão é a garantia

de bons produtos, sejam eles da agropecuária

ou de atividades artesanais. E

que se pratique, no feirão, o preço justo,

sem a preocupação com o

lucro, coisa comum nas relações

comerciais capitalistas.

Outra conquista importante

dessa experiência

comunitária foi agregar lutas

outras, como a do povo

que luta por moradia em

Londrina. A Ocupação Flores

do Campo organizou

sua resistência a partir de

contatos com o pessoal do

Feirão. Hoje, grupos de comunicação,

de educação e de artistas

trabalham junto aos moradores,

quase 800 pessoas em busca da dignidade

de um local para morar.

A ocupação é em um projeto minha

Casa Minha Vida, em que o empresário

construiu apenas 48% da

obra e, com 100% da grana na mão,

abandonou a obra. Depois de dois

anos de abandono da área, deu-se a

ocupação. Hoje a CEF busca na Justiça

a reintegração, mas esqueceuse

de buscar os culpados por mais esse

ato de corrupção.

As atividades em Londrina não

se restringem aos feirões dos sábados.

O espaço MARL tornou-se

uma referência para artistas, movimentos

culturais e lúdicos para o povo

da resistência em Londrina. Pensou

capoeira? Tem aulas gratuitas lá

no MARL. E todo dia tem grupos de

teatro, de música ou de contadores de

história a ensaiar no local.

A experiência de Londrina mostra

que é possível a construção de

um mundo melhor. Com pessoas,

das mais diversas atividades profissionais

e culturais, a se unir pelo

bem comum. Não é muita coisa ainda,

em uma sociedade cada vez mais

individualista e entregue à ação de

políticos nada comprometidos com o

povo. Mas é um grande alento.

Mostra que é possível a sociedade

organizada reverter essa quadro

de desânimo que se abateu sobre

a população. E o mais importante,

que é transformar sonhos individuais

em realidades coletivas. Basta

que se juntem os que pensam na dignidade

da pessoa humana como a

maior conquista social.

No momento que uma ideia está

há completar um ano, o Feirão da Resistência

e da Reforma Agrária mostra

o caminho. E o espaço MARL é

um exemplo a ser seguido por outros

municípios, na busca por espaços onde

a cidadania possa ser exercida em

sua plenitude. Em tempo: no dia 10

de março, o feirão coincide com o encerramento

do Encontro de Contadores

de História de Londrina, em

mais uma demonstração de que juntar

campo e cidade é a solução para

os nossos males sociais.■


Pág. 10 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

Relojoaria Mandacaru

Mantém público fiel em tempos de

celulares multifuncionais.

da Redação

Cleber Tobias de Moraes tem 37 anos e nasceu

em Londrina, cidade onde há 18 anos começou a

aprender a profissão de relojoeiro.

Os segredos que ele aprendeu

com o pai o trouxeram a Maringá,

aqui, ele já está há 12 anos com sua

relojoaria que fica no número 344

da Avenida Mandacaru.

Na era em que as horas são

acompanhadas em celulares, o relojoeiro

vive da fidelidade de quem

não abre mão de um relógio de pulso.

A verdade é que hoje a tecnologia

joga a favor de quem oferece

serviços tão especializados

como os do Cleber; um grupo

de WhatsApp é um desses

avanços que todo comerciante

hoje usa, e o relojoeiro,

mesmo vivendo em

seu mundo romântico também

não abre mão de ter.

Um coração que tem que

bater perfeito como um

relógio

Hoje os ponteiros do coração do

Cleber funcionam tão bem como os

relógios que ele conserta, mas há 9

meses ele tomou um susto, seus ponteiros

começaram a perder o tempo

justo e mesmo sendo assim tão jovem,

foi vítima de um infarto.

“Eu venho de uma família que tem

problemas cardíacos. Meu pai, meu

mestre de profissão morreu com apenas

47 anos. Aprendi muito com meu pai e

este infarto me fez mudar de vida, mudar

hábitos e viver mais sereno.”

“Sou disposto a ensinar os mistérios dessa profissão a quem quiser aprender.”

O Mandacaru e a

Relojoaria Mandacaru

“Eu gosto muito da Avenida

Mandacaru, é um lugar legal para

o meu comércio, consegui uma boa

freguesia trabalhando aqui. Nesse

ramo a confiança é fundamental,

pois às vezes o cliente nos deixa

um relógio que é uma peça

única e insubstituível.

O que está em jogo são

afetos além de valores dos objetos.

Em Maringá atualmente

existem poucos relojoeiros,

creio que eu seja o mais jovem

na profissão aqui.”

A Relojoaria Mandacaru

oferece serviços gerais de conserto,

reparo e limpeza para relógios.

Lá no Cleber também é possível

amolar alicates e facas.

O horário de atendimento é das

9 às 19h de segunda a sexta e aos sábados

das 8 às 12h.■


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! | Pág. 11

Jaime Vieira

O poeta da Rua Paranaguá

Ligiane Ciola

Nasceu em Marília, viveu a infância e parte da adolescência

em Assis - SP, e só em 1967 transferiu-se com os pais para

Maringá, por isso se considera maringaense de adoção.

Seus feitos testemunham a favor e disso, ninguém discorda.

Em 1969, depois de concluir o

Colegial, (atual ensino médio) no

Instituto Estadual de Educação, Jaime

ingressou na UEM, onde se formou

em Letras; logo após a formatura

voltou para o mesmo Instituto

de Educação, só que como professor

de inglês.

De lá para cá foram mais de 30

anos de magistério em várias escolas

de Maringá, entre elas está a

Unidade Polo, onde existe até um

anfiteatro que leva o seu nome.

Um lamento como primeira

poesia

“O primeiro poema, escrevi

quando eu ainda usava calças curtas.

Lembro-me que a professora

me fez passar de sala em sala para

ler para os outros alunos, talvez naquele

momento eu tenha recebido

meu maior incentivo”.

Lamento

“A cortina fechou e eu não

abri. A peça terminou e eu não assisti.

A sinfonia iniciou e eu não ouvi.

E aos poucos desafinou e eu não

percebi. A loucura começou e eu

não vi. A esperança findou

e eu não vivi. A lágrima

rolou e eu engoli.

A tristeza dobrou e eu sofri.

A saudade ficou e eu

não sorri. E você não voltou

e eu lhe perdi.”

(Escrito por Jaime Vieira aos

14 anos.)

De desencontros a

reencanto

A veia poética de Jaime não se

desenvolveu imediatamente, na

verdade entrou em letargo, mas

não por muito tempo. Jaime conta

que durante uma prova na UEM, o

Jaime Vieira e seu mais recente livro de poesias: “Reencanto II”

Professor Leônidas Querubim Avelino,

PHD em literatura comparada

pela Universidade de Harvard, pediu

na última questão para

que os alunos escrevessem

uma poesia.

Os versos de Jaime

impressionaram tanto,

que o professor lhe perguntou:

“Esse é o único

poema ou há outros? Eu

disse: sim, tenho vários,

e ele me disse: Dê um jeito

de datilografa-los e

me traga para eu dar uma olhada”.

A olhada do professor Leônidas

nos 26 poemas deu vida a Desencontros,

o primeiro livro de Jaime Vieira.

Maringá Maringá

Jaime Vierira

Hoje Jaime já coleciona 7 livros

e 39 prêmios literários. O último

livro é a antologia poética que

tem como título Reencanto II.

A redação de O FATO pediu ao

autor para escolher um dos poemas

da coletânea para publicarmos e Jaime

escolheu “Maringá, Maringá”.■

Jaime Vieira e Paulo Leminski

Por entre as árvores vestida de verde, e de flores, o ano todo,

de janeiro a janeiro, uma emoção caminha, pega-me por inteiro

eu começo a imaginar.

A cabocla do Ingá cresceu tanto e tanto que para meu espanto

agora sim, começou “a dar o que falar”.

Maringá, Maringá, já não te vejo vestida de chita, vejo-te cada

vez mais bonita, de cabeça erguida, vestida de tafetá, convida-me

sorridente e me rever feliz diariamente e por aqui, sempre ficar.

Sob a sombra dos teus espigões que me assombram, arquitetam

esperanças, meço tempo e te vejo ainda tão criança, carregando nos

ombros, do nosso tempo o peso imenso do amanhã.

E com o orgulho sinto o vento do orgulho derrubando o velho

muro e com pressa, abrindo às pressas, as portas do progresso

para você passar.

Maringá, Maringá, uma ilusão errante faz-me sentir gigante

orgulhoso e feliz, assim.

É que no meio de tudo nas sacolas do teu agora tu carregas,

sobretudo também um pouco de mim.

Enquanto isso, as minhas ilusões, sem compromisso,

procuram rimas para te saudar.

Maringá, Maringá, já não é preciso e nem consigo imaginar,

apenas sei que já aprendi que longe de ti já não posso mais ficar.


Pág. 12 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

E7 sedia Torneio pelo

Paranaense de Tênis de Campo

da Redação

A E7 Escola de Tênis de Campo sediou no último fim de

semana de fevereiro um torneio paranaense da classe E250 que vale

250 pontos para o ranking da FTP.

40 atletas de várias cidades do Paraná se revezaram nas 6 quadras

do complexo tenístico que tem Eduardo Celidônio como mentor e diretor.

“Nós construímos uma quadra de tênis aqui no terreno de

casa, mas ela vivia sempre ocupada por meu filho que é tenista

profissional; então construímos outra, mas não bastou. Como o

terreno de casa é grande, pois aqui antigamente era uma chácara,

resolvi criar uma escola e acabei construindo mais 4 quadras.”

Eduardo Celidônio é primo do deputado Renato Celidônio

(falecido em 1986).

O torneio organizado pela E7 se concluiu com a premiação

que viu como protagonistas os seguintes atletas:

A E7 Escola de Tênis de Campo

conta atualmente com três professores:

Ednei Souza, Bruna Presnal

e Kauê Machado que explica:

“Na E7 as pessoas que tem vontade

de aprender a jogar tênis podem

participar de uma aula experimental.

Quem participa normalmente

adora e começa a praticar.”

Em breve a E7 será novamente

sede de outros importantes torneios

da Federação Paranaense de Tênis

(E500 e E1000), reservados a

atletas de nível mais alto.

Os atletas prosseguem a preparação

e Eduardo Celidônio convida

todas as pessoas que tem vontade

de praticar o tênis, mas que nunca

tiveram a oportunidade, de se dirigirem

até a E7 e participar de uma

aula gratuita.

“Para isso basta telefonar na escola

e agendar um horário. Depois

se a pessoa gostar e vai gostar, fazemos

a matrícula e começa a participar

das aulas. Temos turmas de manhã,

à tarde e a noite. Aqui a gente

está em família. São todos bemvindos,”

diz Celidônio.■


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! | Pág. 13

Toda pessoa é abençoada!

Nilson Pereira

Tem no coração, o amor, a sabedoria e o poder de deus. Então, a tarefa, o grande desafio,

para qualquer um de nós, é sintonizar, conectar-se com o “espírito puro/santo”.

Colocar a personalidade a serviço do espírito de Deus é a maior conquista. É

um trabalho íntimo, interno no dia a dia.

Vencer a si mesmo é vencer o bom combate. Dentro de nós estão os valores divinos.

Dentro de nós estão aqueles valores contrários à divindade. No livro de ouro,

editado pela ponte para a liberdade, Saint Germain começa o discurso i dizendo: “A

vida, manifestada em todas as suas atividades, é Deus em ação e é unicamente pela

falta de conhecimento na forma de ajustar o pensamento e sentimento que a humanidade

está constantemente interrompendo a plura fluência dessa perfeita essência

de vida que, não fosse isso, expressaria naturalmente sua perfeição em toda

parte. A tendência natural da vida é amor, paz, beleza, harmonia e opulência”.

A “lenda chinesa da sogra e da nora” ensina que, mudando-se os pensamentos

e os sentimentos conseguimos grandes vitórias. Curando nossos relacionamentos

corrigimos nossos hábitos, resgatando o bem, nos transformando. Através dos sentimentos

divinos, teremos vida, e vida em abundância.

A Lenda Chinesa da Sogra e da Nora

Era uma vez uma jovem chinesa chamada Lin, que se casou e foi viver com o

marido na casa da sogra. Passado algum tempo, Lin começou a perceber que não

se adaptava à mãe de seu esposo. Seus temperamentos eram muito diferentes e a

jovem se irritava com muitos dos hábitos e costumes da sogra, os quais criticavam

cada vez com mais frequência.

Com o passar dos meses as coisas foram se tornando cada vez piores a ponto

da convivência se tornar insuportável naquela casa. Contudo, segundo as antigas

tradições da cultura chinesa, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe

em tudo.

Mas a jovem Lin, não aguentando a ideia de viver com a aquela mulher por mais

tempo, tomou a decisão de ir a segredo consultar um Mestre, velho amigo do seu

pai. Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou um ramalhete de ervas medicinais

e disse-lhe:

– “Para te livrares da tua sogra, não deves usar estas ervas de uma única vez,

pois isso poderia causar suspeitas. Misture-as com a comida, pouco a pouco, dia

após dia, e assim ela vai sendo envenenada lentamente”.

Lin ouviu as palavras do Mestre, que continuou:

– “E para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti,

deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e

ajuda-a a resolver os seus problemas”.

Ao que Lin respondeu:

– “Obrigado, Mestre Huang; farei tudo o que me recomenda”.

Lin ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de assassinar a

sogra. Durante várias semanas serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente

para a sogra.

Tinha sempre presente à recomendação de Mestre Huang para evitar suspeitas:

controlava o temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse

a sua própria mãe.

Passados seis meses, toda a família estava mudada. Lin controlava bem o seu

temperamento e quase nunca se aborrecia. Durantes estes meses, não teve uma única

discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável. As atitudes

da sogra mudaram ao ponto em que ambas passaram a tratar-se como mãe e filha.

Certo dia, Lin foi procurar o Mestre Huang para lhe pedir ajuda:

– “Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno venha a matar a minha sogra.

É que ela transformou-se numa mulher agradável e hoje gosto dela como se fosse

a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou”.■

ENSINAMENTOS DA GRANDE FRATERNIDADE BRANCA

CONTATO: (44) 3028 6139

Conhecendo a

Constituição

O Preâmbulo da Constituição Federal de 1988

Anderson Alarcon & João Vitor Borges Paulino

A importância do conhecimento de nossa

Lei Maior e de nossa participação como cidadãos.

Muitos acreditam que a Constituição

Federal de 1988 se inicia em

seu artigo 1º. Infelizmente, equivocam-se.

A nossa Lei Maior, que institui

o Estado Democrático de Direito

e que constitui-a-ação da República

Federativa do Brasil, por essa

razão, chamada de constituição, tem

início em seu Preâmbulo.

Já em sua introdução, antes mesmo

da disciplina de seus artigos, a

CF diz a que veio. Vejamos seu teor:

“PREÂMBULO. Nós, representantes

do povo brasileiro, reunidos

em Assembleia Nacional

Constituinte para instituir um

Estado Democrático, destinado a

assegurar o exercício dos direitos

sociais e individuais, a liberdade,

a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento,

a igualdade e a

justiça como valores supremos de

uma sociedade fraterna, pluralista

e sem preconceitos, fundada na

harmonia social e comprometida,

na ordem interna e internacional,

com a solução pacífica das controvérsias,

promulgamos, sob a

proteção de Deus, a seguinte

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA

FEDERATIVA DO BRASIL.”

Por tradição, várias constituições

elaboram textos preliminares

nos quais são estipulados os principais

valores e objetivos de seus textos

constitucionais.

A etimologia da palavra

Preâmbulo, em sua essência, significa

Pré: antes e Ambulare: andar,

isto é, aquilo que se faz antes de

prosseguir.

Dessa forma, temos que o

Preâmbulo é a carta de abertura da

Constituição Federal, estando à disposição

à nossa interpretação constitucional.

Um dos pontos principais que

se ressalta da leitura do texto, dado

os tempos atuais, é a importância

da consideração do povo como titular

da Constituição.

Este mesmo povo, a fim de

exercer o poder de soberania que

lhe é conferido, inclusive reforçado

pelo parágrafo único do artigo

1º da CF, apenas pode fazê-lo caso

tenha conhecimento de seus direitos

e deveres.

Portanto, nesse sentido, o

Preâmbulo possui fundamental importância

para nossa compreensão

do principal texto do país, a Constituição

Federal.

É nele que encontramos nossas

garantias primordiais e - por que

não - responsabilidades como cidadãos.

É nele que passamos a entender

que o futuro do país depende de

nós.

Precisamos, cada vez mais,

conscientizarmo-nos a sobre a importância

de nosso papel para a comunidade.

Vamos juntos?■


Pág. 14 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

COLUNA

LIGIANE CIOLA

• Medeiros - Everton de Melo, Antônio Borges, Alcindo Martins e Maria de Fátima Giraldeli formam a

experiente equipe da MEDEIROS CORRETORA DE IMÓVEIS liderada pelo competente Luís

Fernando Medeiros. A Medeiros fica na Avenida Mandacaru 749.■

• Restaurante Casa Di Nonna de Cara Nova - Os

amigos André e Viviane, proprietários do excelente

restaurante que fica na praça de alimentação do

Shopping Mandacaru, informam que a Casa di

Nonna passará por melhorias que darão mais

conforto aos clientes. Se você ainda não provou as

delícias do Restaurante Casa di Nonna, te

aconselho de dar um pulinho lá. Preço justo e

qualidade excelente.■

• Lub Motors - O Agnaldo Batista, titular da Lub Motors da Avenida Mandacaru avisa que em breve o

centro de serviço contará com uma grande novidade para os proprietários de veículos com câmbio automático.

Funcionários da Lub Motors já estão em Santa Catarina participando de treinamentos operacionais

da moderna máquina. Agnaldo garante que o sistema é o mais preciso e rápido do mercado,

aguardem. Na foto a excelente equipe guiada por Agnaldo Batista.■

• Peixaria Mandacaru - O Jorge e a Luíza da Peixaria

Mandacaru tem sempre uma vasta gama de pescados

à disposição dos clientes. Produtos de excelente

qualidade e preço justo. A Peixaria Mandacaru fica

em frente ao tiro de guerra na Av. Mandacaru.■

• Sandra da Saúde - Agradece ao Secretário de saúde e

vigilância sanitária de Maringá, Jair Biatto, ao diretor de

vigilância da saúde Eduardo Alcântara e também à Rosa Maria

Cripa gerente de vigilância sanitária, por terem aceitado sua

solicitação de oferecer curso gratuito de boas práticas de

manipulação de alimentos a ambulantes de carrinhos de

cachorrão. O objetivo do curso é prevenir riscos e promover a

saúde em prol da população. A primeira edição do curso

aconteceu dia 20 no auditório da Secretaria de Saúde e contou

com a participação de 45 ambulantes. O próximo acontece dia

21 de março. As inscrições podem ser feitas através do

telefone: (44) 3218-3190.■

• Agenor - A Borracharia do Agenor Silva completa 9

meses de atividade na Avenida Mandacaru. O Agenor

trabalha como borracheiro desde 2003, antes

ele trabalhava como caminhoneiro.■


O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! | Pág. 15

Maringá Rugby conquista títulos mas sofre

com falta de patrocinadores

J. C. Leonel & Norberto Mastrocola

Cresce no mundo o número de apaixonados pelo Rugby, o esporte da bola oval.

Demorou 173 anos, mas enfim, ele chegou em Maringá. Que bom!

A Associação Atlética Rugby

Maringá, ou Maringá Rugby como é

mais conhecida, conta hoje com cerca

de 40 atletas nas categorias feminina,

masculina e juvenil, além de um

projeto semanal que atende 35

crianças em parceria com o Centro

Universitário Uningá.

Entre as várias competições de

2017, destacam-se os resultados da equipe

feminina que começou o ano com um

bom 9ª lugar no torneio de qualificação

para o campeonato nacional, foi vicecampeã

dos Jogos Abertos do Paraná e

corou sua temporada em outubro com o

título do Campeonato Brasileiro Oktobe

Seven´s disputado em Blumenau.

O time masculino também conseguiu

uma medalha de bronze nos Jogos

Abertos do Paraná que em 2017 teve sua

fase final disputada em Apucarana.

2017 foi também o ano em que pela primeira

vez a associação recebeu verba

proveniente do município, isso fez com

que o clube se estruturasse na compra de

equipamentos e uniformes para 2018.

“Temos tudo para desenvolver o

Rugby na cidade”, diz Margrith Weiss,

Presidente Associação Atlética Rugby

Maringá que também é atleta. “Para

este ano, nossa intenção é investir em

categorias de base. Fechamos parcerias

com duas escolas onde desenvolveremos

polos formativos possibilitando

descoberta de novos talentos

que venham integrar nossas categorias

de base. Nossa meta é atingir a 200

atletas”.

Em busca de patrocínio

O Rugby Maringá precisa de ajuda

para se manter e representar bem a

cidade e quem tiver a coragem de patrocinar

esses jovens com certeza obterá

excelentes resultados mediáticos,

pois isso aconteceu em todos os países

onde o esporte foi implantado. Aos céticos

Margrith Weiss responde com dados:

“Hoje o Rugby já é o segundo mais

praticado entre todos os esportes no

mundo inteiro”.

Rugby: O esporte,

seus objetivos e o

“belo ambiente

que se respira”

(Norberto Mastrocola -

ex-jogador de Rugby e Apresentador

do Programa Tutto Rugby TV na Itália).

O Rugby que até 2008 era um perfeito

estranho para a maioria dos maringaenses

continua conquistando

adeptos e torcedores aqui como no

mundo inteiro. Talvez porque foi concebido

originalmente como uma variação

do futebol, talvez porque seja um

esporte de contato físico mas que está

longe de ser considerado violento.

O fato é que o clima que se respira

em uma partida de Rugby é o da amizade.

15 atletas unidos com o objetivo de

levar a bola oval além da linha de fundo

do campo adversário para fazer a

“meta”. A meta é o momento mágico

do Rugby, é como o gol, mas é melhor,

porque é sempre resultado de uma jogada

coletiva.

Cada meta vale 5 pontos e após cada

meta, a equipe ainda tem direito a

uma conversão; um chute que caso passe

entre a parte superior interna do H

acrescenta mais 2 pontos ao placar.

Há ainda outras possibilidades de

marcar pontos como o “droap” e o “penalty”,

ambos valendo 3 pontos, mas

os detalhes do esporte o espectador

aprende muito rápido. Para quem já conhece

o Futebol Americano fica a dica:

Ao contrário do esporte americano, no

Rugby os jogadores avançam e passam

a bola com as mãos somente para trás e

o contato físico para bloquear o adversário

só é possível acontecer sobre o

atleta que carrega a bola, mesmo assim

tem que ser abaixo da linha da cintura.

É claro que para os amantes do futebol,

a dinâmica do jogo é incompreensível

no início, mas depois que você começa

a entender o que está acontecendo, começa

também a opinar, a se interessar e

a perceber que dentro do campo não há

espaço para polêmica e desrespeito. O

árbitro tem o respeito de todos os jogadores,

isso faz parte da cultura do jogo.

O clima que se percebe dentro do

campo transfere para as arquibancadas

a certeza de que o estádio é um lugar seguro

quando o esporte consegue demonstrar

que podemos ser muito mais

civilizados do que somos.

Torcidas sentam juntas, antes do

jogo, durante o jogo e após o jogo, cantam

juntas, festejam quando vencem e

quando perdem.

Terceiro Tempo:

Adversários sim, inimigos jamais.

Com esse espírito que jogadores e comissão

técnica além de jornalistas e patrocinadores

se encontram para confraternizar

após a partida. É na zona

mista que tudo acontece.

Comer, beber, conversar, dar entrevistas,

reconhecer os méritos do adversário

mesmo quando se vence em modo incontestável.

Tudo isso faz com que o pacto

de lealdade e amizade não precise de

papel assinado pois funciona na prática.■

Associação Atlética Rugby Maringá,

Treinos no Parque Alfredo Nyefller.

Todas as Terças e Quintas às 20h00

e aos Sábados às 10h00.


Pág. 16 | DISTRIBUIÇÃO GRATUITA! O Jornal Comunitário da Zona Norte de Maringá! | Ano 01 | Edição 003 | Maringá, março de 2018

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