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Revista Apólice #213

vida | doenças

vida | doenças crônicas Ampliando horizontes de Vida Doenças crônicas podem fazer com que os portadores não tenham acesso ao seguro de vida. O desafio do mercado é encontrar o equilíbrio entre a proteção dos clientes e a saúde da carteira Amanda Cruz Há uma discussão nos mercados de todo o mundo: a intenção do seguro é proteger pessoas e, ao mesmo tempo, ter um mercado sólido e rentável. Onde começa uma coisa e termina a outra? Esse é o questionamento feito quando a conversa é sobre os pacientes com doenças crônicas, como diabetes, câncer e HIV, por exemplo. Para Bruna Timbó, diretora executiva da LTseg, o produto de Vida comercializado no Brasil é muito tradicional, sendo que a maioria de suas alterações estão relacionadas às convenções coletivas e questões referentes às doenças laborais. ❙❙Bruna Timbó, da LTseg 24 “O mercado ainda é muito conservador”, afirma. Tanto que Edglei Monteiro, diretor de seguro Vida da Sompo Seguros, aponta como a mudança mais relevante nessa carteira é a cobertura de invalidez funcional permanente total por doença. “Essa foi uma mudança sutil, mas bastante importante”, alega. Determinada pela circular Susep 302/2005, ela tornou mais clara a característica da indenização, ajudando a evitar dúvidas no momento do pagamento. Já na visão de Alessandra Monteiro, gerente de riscos de Vida e Previdência do IRB Brasil Re, as mudanças do seguro de vida foram significativas. “Os produtos evoluíram sempre buscando oferecer novas coberturas aos clientes. A medicina e a maior qualidade dos dados estatísticos possibilitaram que pessoas com determinadas doenças, como a diabetes, que antes não poderiam comprar seguro de vida, possam fazer isso hoje”, aponta. A questão mais importante ao contratar um produto é ser transparente sobre doenças preexistentes. O seguro precisa de cálculos preventivos para gerenciar seus riscos e é aí que se instaura o dilema entre seguradoras e segurados que precisam da proteção. “A função do seguro é garantir a tranquilidade e dar suporte financeiro caso um imprevisto altere a condição do segurado. Assim como o seguro de automóvel é contratado com a finalidade de reposição ou conserto de um veículo, caso ele venha a sofrer avarias ou seja roubado, o seguro de vida garante o capital segurado caso o quadro de saúde do segurado se altere”, explica Monteiro. Ele afirma ainda que os riscos excluídos estão sendo, aos poucos, modificados. A Sompo, por exemplo, já disponibiliza uma opção de contratação com cobertura para 10 doenças graves como AVC, câncer, infarto, transplante de órgãos, paralisia total e irreversível ou perda total de audição, fala ou visão. Essas doenças crônicas agravam o risco de morte e de invalidez, dificultando a contratação do seguro. Alessandra lembra que a diabetes é um bom exemplo de como o mercado pode se adaptar, principalmente se o paciente tem meios de comprovar que segue corretamente o tratamento, não tendo outras doenças associadas. “O preço será mais caro em função do aumento do risco, mas já dispomos de estatísticas suficientes para mensurar quanto a mais de risco teremos para poder cobrar o valor adequado”, afirma a executiva. No caso do câncer, há variáveis a serem analisadas, como a metástase, tempo desde o diagnóstico e tratamento. “Se alguém teve a doença em um só local há mais de cinco anos, pode comprar um seguro, ainda que por um preço um pouco maior”, comenta. ❙❙Edglei Monteiro, da Sompo Seguros

O que se alega no mercado é que o risco de uma doença crônica é certo, quase um sinistro anunciado, ainda que seja amenizado por tratamentos. Um beneficiário pode adoecer logo após contratar o seguro? Sim. Mas no momento da contratação isso era incerto. “O mercado não se interessa por esse tipo de risco. Ainda não é arrojado o suficiente para assumir esses beneficiários”, alega Bruna. Ediglei Monteiro lembra que a doença descoberta depois, por mais complexa que ela seja, “não muda em absolutamente nada” o que já foi contratado na apólice. “Esta é a importância da contratação antes que exista a ciência que contraiu uma doença. Com isso, se o quadro de saúde do segurado se agravar e for constatada invalidez por conta de seu estado de saúde, a seguradora fará o pagamento da indenização normalmente”, assegura o executivo da Sompo. A fraude é o um dos fantasmas que assombram a necessidade de inovação do produto. Se já é difícil ter certeza sobre as declarações feitas em outros tipos de riscos, no seguro de vida isso fica ainda mais delicado. “Existe muita fraude, falta de consciência na utilização e excesso de judicialização. A seguradora não quer comercializar determinados produtos por causa disso. Em Vida existe o apelo muito forte no momento em que alguém vai ao juiz reclamar uma cobertura e o nosso Estado tem a tendência de aceitála”, destaca Bruna. É verdade que, para algumas doenças, a cobertura existe, mas muitos portadores reclamam que, ainda assim, o risco acaba por ser declinado. Questão de mercado Costumava ser uma sentença de morte. No início dos anos 80, receber a notícias de que tinha adquirido o vírus HIV era desesperador para quem recebia o diagnóstico, um caminho sem volta. O vírus ainda não tem cura, e por isso muito se fala em prevenção e conscientização. Mas a medicina avança e, com medicamentos e acompanhamento médico, ser portador de HIV não quer dizer que a pessoa desenvolverá a AIDS e, muito menos, que terá uma morte iminente. Pelo contrário, portadores de do vírus têm vivido saudáveis, felizes: criam suas famílias, trabalham, têm vida social e têm que responder por seus direitos e deveres, como qualquer outra pessoa. Constatações que podem parecer óbvias, mas que nem sempre são vistas de forma tão natural. É chegada a hora do mercado de seguros olhar para isso, assim como tem se dedicado a olhar para beneficiários diabéticos, com algum tipo de câncer ou aqueles que desenvolvem Alzheimer? No setor, o sinistro das apólices de vida é certo e, por isso, as companhias se preocupam em gerenciar muito bem seus riscos para manter, na medida do possível, a sinistralidade baixa. A evolução dos tratamentos faz com que seja preciso reavaliar o chamado grupo de risco e, talvez, até mudá-los para o que se conhece por comportamento de risco. Muitas vezes, um paciente portador de HIV que tem cuidados com a saúde periódicos pode representar menos risco do que um que não tenha o vírus e que não tenha nenhum cuidado com a saúde, alimentação e os hábitos de maneira geral. Mesmo com todos esses aspectos, Alessandra, do IRB, sabe que “um portador de HIV tem uma probabilidade maior de desenvolver doenças que atacam a imunidade e aumentam demais o risco”, explica. Ainda assim, ela se mostra otimista: “temos observado uma evolução no tratamento de portadores de HIV e acredito que essa dificuldade deve diminuir em um futuro próximo”. O estigma da doença pode fazer com que essa ideia pareça inconcebível, mas, ao parar para responder uma pergunta, o mer-

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