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4 months ago

Revista Apólice #213

enefícios | saúde Hora

enefícios | saúde Hora de se reorganizar Com o corte nos gastos, muitas empresas deixam de oferecer assistência médica como benefício aos colaboradores. Com o trabalho das consultorias e das operadoras de saúde, é possível manter o produto mesmo com orçamentos apertados Lívia Sousa 28

Considerado o terceiro maior desejo dos brasileiros, ficando atrás somente da casa própria e da educação, os planos de saúde são uma das chaves de sucesso para se atrair e manter bons profissionais nas corporações. Contudo, em momentos de crise econômica, uma espécie de navalha passa pelo orçamento das empresas. Mesmo cientes de que o produto vai além de um complemento salarial, muitas delas estão excluindo os convênios médicos da cesta de benefícios ofertados aos colaboradores. Além da instabilidade, outros fatores contribuem para que as companhias deixem de oferecer ou tenham dificuldade em manter o plano de saúde como benefício. Um deles é a inflação médica, que segundo a CNseg deve chegar perto dos 20% este ano. Há elementos em sua composição que não estão sob o controle empresarial, como as novas tecnologias, os novos procedimentos e a valorização do dólar, afetando diretamente o preço de materiais e medicamentos utilizados nas internações. “Ainda há de se considerar o aumento da longevidade, que também gera alta dos custos. A crise só agravou o quadro crítico pelo qual já passava o sistema de saúde brasileiro”, alega Mario Saddy, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Healthways. Em alguns casos, no entanto, as próprias empresas se perdem na organização. A escolha equivocada e a má gestão do plano causam grande impacto financeiro, ❙❙Mario Saddy, da Healthways refletido na elevação dos custos diretos, através dos reajustes; e indiretos, por conta do absenteísmo. “As companhias precisam entender que não se trata apenas comprar ou oferecer o plano de saúde. É necessário fazer uma gestão voltada para o acompanhamento, o controle e a prevenção da saúde”, destaca Roberto Ramos, diretor executivo do Grupo Nunes & Grossi. O segmento pode e deve contribuir para o crescimento da qualidade de vida. Para que isso ocorra, os personagens precisam se tornar protagonistas e trabalhar juntos. Recorrendo às consultorias Se no passado elas acreditavam que gerir os custos assistenciais era prerrogativa exclusiva da operadora ou seguradora contratada, hoje precisam se adequar à nova realidade e analisar profundamente o modelo de benefício oferecido para definir seu posicionamento em relação ao mercado e, especialmente, aos competidores. Para ajudá-las, as consultorias de benefícios, por meio da gestão de saúde, buscam desonerar a área de Recursos Humanos das companhias e acompanhar a sinistralidade e a prevenção da saúde dos colaboradores. Mas algumas empresas ainda cometem o erro de prescindir dos serviços das consultorias especializadas: a gestão de benefícios requer expertise e a atuação de especialistas agrega valor expressivo neste aspecto. “Elas carecem de conhecimento em gestão de saúde como um todo e um dos ❙❙Roberto Ramos, do Nunes & Grossi ❙❙Francisco Bruno, da Mercer Marsh principais trabalhos das consultorias é a mudança conceitual dos investimentos na área. As empresas precisam investir para que seus funcionários não adoeçam, porque isso também faz os planos não encarecerem”, destaca Saddy. Consultor sênior da Mercer Marsh Benefícios, Francisco Bruno afirma que o ano de 2016 tem sido desafiador no que tange ao controle da evolução dos custos médicos. “A despeito de que não temos como atuar em determinados fatores, em outros é possível mitigar os impactos esperados, de forma integrada e coesa, propiciando uma relação custo versus benefício mais equilibrada no longo prazo”, diz. Algumas ações importantes devem ser tomadas, como a revisão do desenho dos planos oferecidos aos empregados ativos e inativos, tornando-os mais simples e, ao mesmo tempo, garantindo um nível de satisfação adequado e a manutenção de sua qualidade. Soma-se à lista o desenvolvimento de programas de qualidade de vida (PQV), que ainda não são investidos efetivamente no ambiente empresarial. Em uma pesquisa feita com 513 companhias, a Mercer Marsh identificou que apenas 20% delas têm um PQV estruturado para gerenciar os custos com a saúde dos funcionários. Mas o primeiro passo para que elas se reorganizem e continuem ofertando o benefício é, de imediato, definir quais são os objetivos ao oferecer o produto aos colaboradores (competitividade face aos seus concorrentes, atração e retenção de talentos, investimento em capital huma- 29