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8 months ago

Revista Apólice #210

mercado | transporte

mercado | transporte Setor mantém o otimismo Mercado, que já lida com o o aumento da sinistralidade e as fraudes, sente reflexo direto da situação econômica. Executivos comentam as perspectivas do mercado diante das adversidades Lívia Sousa O mercado de seguros de transportes brasileiro se tornou bastante competitivo. As empresas estão revendo custos em todos os quesitos, o que inclui também a contratação dos seguros, solicitando que as companhias seguradoras reduzam suas taxas e contribuam, assim, para um panorama de grande concorrência e elevação do percentual de sinistralidade. Ao mesmo tempo, em se tratando do mercado como um todo, o setor sente o reflexo direto da situação econômica, uma vez que o seguro é contratado por conta do trabalho de transportar aquilo que é produzido e comercializado no País. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015 o Produto Interno Bruto (PIB) totalizou R$ 5,9 trilhões – valores correntes –, o equivalente a uma contração de 3,8% em relação ao ano anterior, a maior da série iniciada em 1996. Já o PIB per capita ficou em R$ 28.876, com queda de 4,6% em volume, em relação ao ano anterior. Dentre as atividades que compõem os serviços realizados no País, a área de transporte, armazenagem e correio foi a que apresentou a segunda maior retração, de 6,5%; ficando atrás do comércio, que sofreu queda de 8,9%. Para se ter ideia, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o mercado de seguro de transportes atingiu R$ 2,47 bilhões em prêmios emitidos em 2015 20

contra R$ 2,56 bilhões em 2014, o que representa uma queda de 3,55%. “No início do ano, especificamente no primeiro trimestre, a movimentação de carga é menor. No fim de ano, o número aumenta por conta das safras e das datas comemorativas”, comenta Iramil Bueno de Araujo, gerente geral transportes e gerenciamento de risco da Rodobens, afirmando ainda que as paralisações dos caminhoneiros nas rodovias federais que reivindicavam a renúncia da presidente Dilma Rousseff foram muito curtas e não impactaram na área. Diretor executivo da área de Transportes da Yasuda Marítima, Adailton Dias afirma que, nos anos recentes, o segmento sofreu com os problemas que afligem os clientes das seguradoras: os operadores logísticos. De acordo com o executivo, a falta de investimentos em obras de infraestrutura, as más condições dos meios de transporte de cargas e das estradas, a falta de profissionais qualificados para atuar no segmento, além da baixa segurança fizeram com que essa categoria de seguro deixasse de ser interessante para algumas seguradoras. E tudo isso é somado às grandes dificuldades de operacionalizar o processo de subscrição e cobrança dos prêmios. “Para os players que se mantiveram, foi necessário investir na operação para poder atender ao segurado e ainda buscar a rentabilidade da carteira”, completa. Diante deste cenário, a aposta, na visão de Dias, é cada vez mais investir em ❙❙Iramil Bueno de Araujo, da Rodobens pessoas e contar com um corpo técnico que conheça o segmento, os meandros das operações logísticas e as necessidades dos segurados. Gargalos Junto com o equilíbrio técnico entre o cálculo atuarial e o sinistro, os altos índices de roubos de carga são um grande problema neste segmento. “O aumento da frequência e severidade no roubo de carga tem sido um desafio, necessitando maior atenção no momento da subscrição de um risco, principalmente nos planos de gerenciamento de riscos”, lembra a gerente de Transportes da Porto Seguro, Rose Matos. Entre as mais visadas estão as cargas de alimentos e bebida, de automóveis e de peças de carros. No entanto, são os eletroeletrônicos, os produtos farmacêuticos e os cigarros que dispararam. “Estes são veículos com cargas de maior valor agregado. Produtos eletrônicos, por exemplo, com valores elevados que podem chegar a R$ 2 milhões ou mais em um único carregamento, estão entre os mais visados e são alvos de abordagem para roubo de carga”, analisa Sergio Caron, líder de Práticas de Transporte da Marsh. Segundo ele, as regiões do roubo de carga se concentram no eixo Sul/ Sudeste/Nordeste, onde ocorre a grande distribuição dos produtos dada a concentração dos mercados consumidores. A consultoria FreightWatch divulgou um relatório que considerou apenas cinco das 27 unidades federativas do País, com 21