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7 months ago

Revista Apólice #210

produto | habitacional

produto | habitacional Seguro em casa: comprar ou alugar? O mercado imobiliário conta com modalidades de seguro para garantir segurança ao comprar ou alugar um imóvel 28 Amanda Cruz No universo dos seguros, alguns produtos são protagonistas, outros, entretanto, carecem de explicações e, mesmo sendo essenciais, às vezes não são conhecidos ou detalhados para os segurados. É o caso do Seguro Habitacional. Muito confundido com o produto residencial e até mesmo com o Seguro de Condomínio, ele é uma contratação obrigatória para dar garantia às operações de financiamento para aquisição e construção de imóvel residencial. Trocando em miúdos, esse seguro é o que garante que as parcelas de um imóvel sejam quitadas em casos de morte ou invalidez permanente, além de cobrir danos físicos causados ao imóvel durante a vigência da apólice: que começa na data de assinatura do financiamento e chega ao fim quando a dívida é extinta ou quando o financiamento termina, o que ocorrer primeiro. Outro fato sobre o produto é que ele pode ter mais de um segurado, pois pode ser necessário para a composição de renda. Sendo assim, caso ocorra um sinistro causando morte ou invalidez permanente, a indenização será proporcional. “É comum entre os clientes que compram ou alugam imóveis, haver confusão entre os termos seguro habitacional e seguro residencial”, aponta Nathaly Leão, coordenadora do setor de locação da Imobiliária Nova Aliança Imóveis. Ela explica que a principal diferença entre as duas modalidades é o que, exatamente, está coberto. Enquanto o primeiro, além de quitar eventuais parcelas em andamento, pode cobrir danos causados ao prédio, ele não indeniza outros tipos de acidente. “No residencial, o objeto recai sobre a proteção relacionada a acidentes das mais diversas espécies, causadores de danos a móveis e pertences dentro do imóvel, podendo variar de acordo com a

cobertura contratada”, explica. Ou seja: caso o cliente tenha contratado apenas o seguro habitacional, ainda que com coberturas adicionais, o prédio físico estará protegido, mas seus pertences não. “O residencial é mais amplo, completo. Ele, sim, pode cobrir tanto os danos do prédio quanto o seu conteúdo. As duas carteiras possuem notas técnicas diferentes. Hoje, tentamos discutir a criação de um seguro ampliado, para que nessas situações não seja preciso contratar os dois. O seguro habitacional foi criado para atender ao mercado financeiro”, acredita Lucio Camurça, superintendente de compliance da Lockton Brasil. Contratação O seguro habitacional é contratado diretamente com a agência financeira, não passando pelo corretor de seguros. Pela regra, esse agente deve apresentar, na hora do financiamento, duas opções ao segurado. Se a financeira tiver algum vínculo com uma seguradora a outra opção deverá ser de uma companhia diferente. “Para o cliente, não é possível recorrer ao mercado de varejo, a um corretor, para essa apólice, pois o mercado não dá a opção”, afirma Camurça. O executivo alega que ainda não há nenhuma seguradora que olhou para essa possibilidade de ter o corretor como canal de vendas da carteira. Alguns dos motivos apontados para isso é a diferenciação na cobrança, com comissionamento do profissional, que geraria um custo mais ❙❙Marcus Vinicius Branco elevado, e as questões de inadimplência: “quando atrelado à financeira, existe a possibilidade de proteção da mesma contra calotes. Para a venda no varejo, a legislação precisará olhar para uma maneira de conseguir que essa proteção seja garantida”, afirma Camurça. O mercado de venda de imóveis também está em retração, contabilizando uma queda de aproximadamente 40%, agravado pelo valor do seguro, já que ele compõe o preço final do imóvel e o mercado aumentou a restrição ao crédito imobiliário por conta das dificuldades econômicas. Lançada pela Federação de Seguros Gerais (FenSeg) em 2016, a cartilha de seguro Habitacional é bastante esclarecedora para que os consumidores saibam a que têm direito. Ela é parte da série “Entenda o Seguro”, realizada pela CNseg e suas federações é distribuída por todo País e pode ser consultada online, no site da federação. Locação: espaço para o corretor Os corretores, além da comercialização do seguro residencial, têm outra alternativa de negócio, que apresenta crescimento: a Fiança Locatícia. André Schubert, corretor de seguros, trabalha com o produto e percebe sua evolução e expansão no território brasileiro: “Há alguns anos, o produto era mais comercializado na capitais, onde estão os grandes negócios”, cita. Para exemplificar, Schubert conta que em 2008 realizou um trabalho de divulgação na serra gaúcha e na região metropolitana de Porto Alegre e 90% das imobiliárias não conhecia ou não confiava no produto, usando apenas o fiador como garantia. A mudança dessa mentalidade tem ocorrido aos poucos. “Temos um produto muito bom que, atualmente, é difundido em quase todas as praças. Porém, o mercado atualmente não está favorável, pelos motivos econômicos e políticos conhecidos por todos”, aponta o corretor. ❙❙Lucio Camurça, da Lockton 29