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Revista Apólice #210

Região Centro-Oeste/MG

Região Centro-Oeste/MG | desenvolvimento As oportunidades do cerrado A região Centro-Oeste e Minas Gerais apresenta, desempenho destacado no País, dentro do setor de seguros Amanda Cruz 34 O crescimento da região Centro-Oeste e em Minas Gerais, como todas as outras regiões, sofreu impactos nos últimos meses causados pela conjuntura econômica atual no País. De acordo com informações do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, as vendas de automóveis e comerciais leves novos na região diminuíram 24,9% em 2015. A desaceleração da atividade econômica na região Centro-Oeste refletiu, em especial, a reversão do desempenho da indústria de transformação, impactada pelo recuo na produção de automóveis, e a retração de vendas no comércio ampliado. Mesmo assim, os dados da Susep revelam que a carteira de automóveis da região Centro-Oeste cresceu 1,82%, um valor relativamente baixo, mas que não tira a força da carteira nos estados. Joaquim Mendanha de Ataídes, presidente do Sincor-GO, reforça que a carteira de automóvel ainda é o carro-chefe, mas destaca que há espaço para novas apostas no cerrado, como a maior conscientização sobre o seguro residencial, por exemplo. “Entendo que os seguros patrimoniais possuem uma participação expressiva na carteira profissional do corretor de seguros”, sinaliza. “A carteira de automóvel individual é sempre um desafio pela sua volatilidade. Desde 2013 dedicamos muito tempo e esforço para torná-la rentável. Nos últimos dois anos, mudamos nossa forma de atuação e trabalhamos nesse que, hoje, é nosso maior desafio”, aponta Alexandre Brum, gerente da filial de Minas Gerais da Mitsui Sumitomo.

Ascom Sincor O setor agrícola da região permanece otimista, mas a desvalorização do real e a projeção de aumento da produção de soja pode causar um estoque não esperado dos grãos, que precisam ser armazenados de forma segura para poderem ser escoados conforme a demanda do mercado for melhorar. Ou seja, a dinâmica da região precisará aguardar a possibilidade melhora econômica para ver seus grãos e outros produtos agrícolas, que são abundantes, revalorizados. A safra de grãos do Centro-Oeste totalizou 89,9 milhões de toneladas em 2015, de acordo com o Levantamento Sistemático de Produção Agrícula (LSPA) de dezembro, do IBGE. O aumento anual de 8,3% refletiu crescimento das safras de milho, segunda maior em termos de valor da produção (14,6%), soja (4,3%), arroz (2,5%) e feijão (1,2%). Em relação às demais culturas, destaca- -se a expansão de 6% na produção de cana-de-açúcar e o recuo de 18,3% na de tomate. Esses dados mostram a importância da cultura rural nessa localidade. Porém, há que se fazer a distinção entre os pontos fortes da região. Existem os seguros que envolvem o agronegócio – que cuidam de plantações, máquinas agrícolas, animais etc – e que remetem constantemente à região, mas que têm uma baixa adesão. Ainda que seja a atividade com maior movimentação do PIB, os dados consolidados em 2015 pelo Ministério da Agricultura mostram que, dentro do seguro agrícola no País, ❙❙Joaquim Mendanha, do Sincor GO o Estado que tem a maior área segurada na região é o Mato Grosso do Sul (9%), seguido por Goiás (4%). “A região Minas/Centro-oeste possui vasta diversidade cultural e econômica, além de suas particularidades. As seguradoras com perfil corporativo geralmente concentram suas estruturas em Belo Horizonte, Goiânia ou Brasília. Assim, os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul têm dificuldade maior de acesso e aproximação em relação às seguradoras que atuam em nichos diferenciados”, comenta Felipe Cavalcante, superintendente comercial da Berkley. Esse fato traz o desafio que se transforma em estratégia: alcançar mais corretores. Em Minas Gerais, comenta, “nossa expectativa é interiorizar, estar mais próximos dos corretores do Triângulo Mineiro, Sul e Norte de Minas, Zona da Mata e Centro-Oeste Mineiro”. Este mercado possui grande potencial nos produtos comercializados pela seguradora, neste sentido, investiremos em treinamentos e visitas nestas regiões. Na visão da Tokio Marine, os produtos massificados, de forma geral, tendem a ser mais estáveis. “O automóvel é o principal alvo, apesar da elevada competitividade. Minas Gerais tem expressiva parcela de contribuição nessa carteira dentro da seguradora”, afirma Andreia Padovani, superintendente Comercial Varejo da companhia em Minas Gerais. O estado, que é o que possui o maior número de municípios, precisa atender a todos igualmente. Uma das maneiras que a Tokio encontrou de responder a isso foi com a realização de treinamentos periódicos via web, para que os corretores tenham acesso a informações sem precisar se deslocar. “Utilizamos a tecnologia a nosso favor”, afirma. Muitas filiais estão sendo abertas. As seguradoras consultadas, cada uma dentro de sua expertise, têm sucursais disponíveis nessas regiões tanto para atingir consumidores quanto para estreitar os laços com corretores. Assim, interiorizar as operações também faz parte da estratégia. Mas nem todas as questões se resumem ao contato entre os players. Mendanha afirma que essa relação é um obstáculo atualmente, não só pelo contato, mas também por dificuldades técnicas, levantando o ponto de que a seguradora está presente nem sempre significa ampla atuação. “Nossa maior dificuldade é no quesito aceitação de riscos por parte das companhias segura- 35

Aviação e Mercado - Revista - 8