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6 months ago

Revista Apólice #209

automóvel Adriano

automóvel Adriano Fernandes, da Yasuda ❙❙Marítima cobertura sempre foi viável, mas como obrigatoriedade ganharia outros contornos e poderia impactar a precificação. Roberto Posternack, que por não trabalhar em seguradora, mas em prestadora de serviço, consegue se distanciar um pouco da situação, opina que “tudo que o mercado conseguir garantir para aprimorar a proteção dos segurados é válido e importante”. Para ele, isso ajuda no processo de democratização, sendo mais relevante cumprir com os anseios dos clientes do que manter a demanda reprimida. Já para os seguradores, apesar dessas coberturas serem tendência de mercado, a obrigatoriedade não se faz necessária. “O mercado de seguros, historicamente, cria opções de cobertura para atender as necessidades de seus segurados, que tem a livre escolha de contratá-las ou não”, afirma Fernandes, da Yasuda, que acredita que a obrigação viria também ao segurado, que perderia seu direito de livre escolha. Isso iria na contramão do que está sendo feito hoje, tanto no que diz respeito à venda consultiva de corretores, que devem avaliar as reais necessidades de seus clientes e instruí-los para que a experiência com seguro seja satisfatória quanto sobre as possibilidades de flexibilização das apólices para torná-las mais baratas. 20 Dilemas e opções Serviços adicionais agregados, assistência 24 horas e outros serviços para residência, por exemplo, não são mais vistos como diferenciais. Para entrar na corrida, todas as seguradoras embarcaram nessas ofertas e agora precisam buscar novidades. Olham para o que é feito nas empresas lá fora ou para o comportamento que possa trazer ideias. É hora de movimento. A tecnologia deverá ser o foco de atenção de onde brotarão as inovações, como já é percebido, para além da ficção científica. Os carros autônomos deverão fazer parte das estratégias comerciais em breve, pois já deixaram de ser uma distante realidade para se tornar uma possibilidade que só saberá aproveitar quem estiver atento e preparado de antemão. Indo ainda mais fundo no ideal de flexibilização, o corretor da Rodobens faz sua previsão: “imagino que quando o seguro pay how you drive chegar ao mercado brasileiro será uma revolução, uma mudança radical. Acredito que virá pela demanda do cliente, que poderá ser atendida por uma seguradora nova que trará expertise de fora para implantar o sistema aqui de forma abrangente. Mas, para isso, deverão ser discutidas também questões ligadas à legislação e à regulamentação de mercado”, explica. Os consumidores não apenas gostam, como exigem que o produto espelhe quem ele é e seu modo de vida. Do Seguro Auto Popular ao Seguro de Luxo, o que eles procuram é serem contemplados por alguma fatia desse mercado capaz de acompanhar seus hábitos, seus anseios e que com essas informações sejam capazes de compensá- -los com mais serviços personalizados. “Os seguros modulares, cada vez mais sob medida para as diferentes necessidades do consumidor, e o alto padrão de qualidade em diversos canais de atendimento, deverão guiar as inovações do setor”, aposta Jabis Alexandre, da Mapfre. Mas uma coisa é certa: a mentalidade das pessoas em relação ao carro, principalmente quando elas enfrentam problemas de mobilidade nas grandes cidades, está mudando mais rápido do que se imagina. Muitas procuram meios de locomoção alternativos e desdenhado do status de importância, social e de locomoção, do automóvel. Os sinais já são claros, conforme lembra Fernandes: “O produto, que foi o pilar de um modelo industrial – o Fordismo, agora está se renovando para se adequar aos novos tempos. E toda a rede de produtos e serviços ao seu redor segue esse caminho”, afirma. ❙❙Roberto Posternak, da Ituran Para manter a carteira viva, novamente, se aposta no corretor para fazer a união entre conhecimento de produto e conhecimento de público. “O corretor seguirá atuando como o especialista no produto, além do relacionamento direto com o cliente. O retorno da visão 360º do mercado e das demandas dos segurados é o elemento que abastece as seguradoras e impulsiona o desenvolvimento de melhorias e novos produtos”, ressalta Jabis Alexandre. Se há algo que não tenha pretensão de mudanças é o papel do corretor dentro de toda essa cadeia. Por agora, os seguradores não fazem menção de utilizar as novas tecnologias para essa distribuição, automatizar, tornar suas vendas online. Eles demonstram interesse em utilizar plataformas, mas passando pela mediação dos profissionais da corretagem, credenciados na Susep. Essa reafirmação de parceria deve motivar ainda mais os corretores a entregarem aquilo que o apelo tecnológico não é capaz de prover. Como destaca Fernandes, “os corretores são parceiros cruciais, pois são os olhos e ouvidos do mercado, são eles que estão na linha de frente prestando consultoria e ouvindo a demanda dos clientes”. Os profissionais da corretagem se não estão atentos a isso, precisam ficar, conforme o exemplo dado por Carlos Ronaldo, da Rodobens: “É trabalho do corretor cutucar as seguradoras, identificando as necessidades e traduzindo isso da melhor forma possível. Acredito que as seguradoras estão bastante abertas a essas investidas”, completa.

especial | motos Precisando de Seguro O alto índice de sinistros encarece o valor de prêmio da carteira e acaba tornando inviável a contratação de produtos para alguns modelos de motocicletas Cortando as ruas dos grandes centros urbanos ou garantindo a mobilidade em pequenas cidades afastadas das capitais, a moto no Brasil representa 27% da frota nacional e é alternativa de renda para muitas pessoas, do moto táxi ao motoboy, passando pelos entregadores de pizza. É utilizada majoritariamente por pessoas mais novas e/ou com menor poder aquisitivo. Amanda Cruz Há também quem use a moto só para lazer, como hobby. Nesses casos, o veículo costuma ser mais potente, feito para viagens na estrada, com um valor mais alto e adquirida por pessoas, geralmente, um pouco mais velhas. Cláudia Rizzo, gerente executiva de Operações Varejo da MDS, explica que, de forma geral sempre existe dificuldade um pouco maior para se fazer um seguro e conseguir boas coberturas nos modelos individuais. “Isso acontece, justamente, por causa dessas diferenças de perfil, tanto da moto quanto do condutor”, explica. A executiva completa ainda que “sobre o seguro de moto, as pessoas que contratam, como são mais velhas, tendem a guardar a moto em casa, só usar em determinadas situações e a ter mais preocupação, tanto com segurança quanto com manutenção. De maneira geral, motos mais simples, com menos cilindradas, são de condutores mais jovens e despreparados”, afirma. Luis Rocha, sócio da Central Brag Corretora, percebe justamente essa movimentação. “Quem nos procura, via de regra, são os motociclistas e não motoqueiros que usam a moto para trabalhar. Para esses últimos, o seguro não compensa”, conta. 21