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Revista Apólice #209

Região Sul |

Região Sul | catástrofes Foto: Janaína Mônego, SDR Xanxerês O Brasil, que num passado não tão distante era considerado um país livre dos desastres naturais, se vê cada vez mais ameaçado pelas fortes chuvas, vendavais e por fenômenos atípicos como os tornados, famosos até então em cidades norte-americanas. Neste cenário, a região Sul do País é a mais castigada. Para se ter ideia, Santa Catarina representa apenas 1,2% do território nacional e, ainda assim, foi o Estado que mais teve situação de calamidade pública decretada pelo governo federal entre 1991 e 2012. Frequentes e intensos, esses desastres tangibilizam o lado social do seguro. “É nesta hora que o produto demonstra o quão essencial é, pois nem sempre no momento de uma catástrofe a pessoa tem estrutura financeira para repor seus prejuízos”, destaca Alexandre Vieira, diretor de sinistros da Tokio Marine. Mesmo com constantes fenômenos naturais atingindo o País, uma grande parcela da sociedade ainda não entende a importância do papel do seguro para proteger seu patrimônio. Mas o executivo garante que parte dela ficou mais consciente depois das divulgações destes fenômenos pela mídia, como o temporal em Santa Catarina, em novembro de Na rota dos Chuvas, vendavais e tornados que atingem a região tangibilizam a importância do seguro e seu lado social. A fim de minimizar as perdas dos segurados, companhias realizam operações especiais Lívia Sousa 2008, que ganhou repercussão nacional e é considerado pelo governo como a pior tragédia natural do Estado. Foram 135 vítimas fatais, 14 cidades em situação de calamidade pública e outras 63 de emergência. Ao todo, mais de 1,5 milhão de catarinenses foram prejudicados. Diretor de sinistros de automóvel da Liberty Seguros, Marcio Probst afirma que o episódio em questão alertou o mercado brasileiro de seguros para a necessidade de uma maior preocupação com desastres naturais e como tratar os sinistros causados por estes eventos. “Antes de 2008, os eventos naturais mais comuns eram vendavais e chuvas de granizo. Após este período, os alagamentos e deslizamentos de terra passaram a ser mais comuns”, diz. Pelas proporções da tragédia, o temporal em Santa Catarina é considerado até hoje como uma das ocorrências mais marcantes atendidas pela companhia, que na ocasião regulou aproximadamente 300 sinistros de automóvel (200 deles com ressarcimento integral) e pagou indenizações da ordem de R$ 6 milhões. Operações especiais A fim de minimizar as perdas, o mercado segurador não só investe em novos produtos como também realiza operações 28

desastres naturais especiais nos locais atingidos. A própria Liberty, no caso do temporal em Santa Catarina, acionou um plano de contingência e agiu de maneira diferenciada em alguns casos. “Muitos segurados perderam tudo o que tinham, inclusive pertences pessoais e documentos. Como forma de atenuar a burocracia e diminuir o prazo de indenizações, efetuamos os ressarcimentos com documentação reduzida, fato ❙❙Alexandre Vieira, da Tokio Marine que se repetiu em 2011 na região serrana do Rio de Janeiro”, recorda Probst. A operação envolveu equipe especializada de atendimento no call center, atendimento emergencial e “fura fila” na assistência 24 horas, com equipe e acionamento de guincho de outras regiões para suprir a demanda. Os corretores de seguros locais prestavam atendimento diferenciado às vítimas e os veículos atingidos pelo alagamento, que eram direcionados às oficinas cadastradas para recebimento, tiveram seus reparos acompanhados pelos profissionais. Foram enviados ainda peritos de outras regiões do Estado para suportar o aumento de demanda e definir o tipo de perda em prazo reduzido. Para Roberto Hernández, Chief Claims Officer da Zurich, estar próximo de segurados e corretores é essencial quando ocorre um evento natural. “Somos conscientes das múltiplas incidências e inseguranças que essas situações provocam tanto em significativos desastres da natureza quanto em eventos de menor envergadura, mas com impactos importantes nas famílias e pequenos comerciantes”, frisa. Em ocasiões semelhantes, a companhia estabelece um protocolo de atuação na resolução dos sinistros, desde a fase de alerta precoce até a intervenção e mobilização de equipes presenciais nas regiões afetadas, e aposta em um sistema interno de alertas para saber com antecedência as possíveis situações ❙❙Marcio Probst, da Liberty Seguros 29

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