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Revista Apólice #209

evento | resseguro A

evento | resseguro A crise e seus reflexos 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro reuniu o setor para mostrar quais são os desafios para o futuro, como inovação e novos produtos, além de apresentar uma fotografia do cenário atual e os riscos envolvidos em um grande evento, como os Jogos Rio 2016 Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro O Brasil vive momentos complexos em seu cenário político e econômico desde 2015. Mesmo assim, o setor de seguros e resseguros mostrou-se resiliente, avançando com um panorama em que o capital passa a ter custo intrínseco e com aversão ao risco. “É neste momento que o 32 setor pode contribuir para a proteção de uma legião de brasileiros que conquistou bens e avanços sociais no passado recente”, afirmou Marcio Coriolano, presidente da CNseg. Para uma plateia de cerca de 500 pessoas, ele afirmou que há vários setores que apresentam condições para avançar guiados pelo resseguro, como o seguro de garantia e o saúde, por exemplo. “As oportunidades para o setor aumentarão, porque a severidade está crescendo, o que pode ser minimizado com a ajuda do resseguro”. “Produto, emprego e renda é o combustível do setor de seguros e ressegu-

os”, enfatizou Coriolano. Mesmo com a crise política e financeira, as pessoas que tiverem oportunidade continuarão consumindo os produtos do mercado. Para ele, é hora de ter criatividade. Com crescimento de cerca de 30% em prêmios em 2015, o setor de resseguro é considerado a locomotiva do mercado, pelo seu poder de aumentar a capacidade financeira das seguradoras. Além disso, outra função do segmento é criar produtos que atendam as necessidades dos clientes e não apenas os interesses econômicos das empresas. “Neste caso, o lucro vem como consequência da distribuição de produtos que cubram o que o cliente precisa”, ressaltou Roberto Westenberger, superintendente da Susep. “Se pensarmos macroeconomicamente na indústria do seguro, se olharmos atentamente, veremos que a participação deste mercado na economia ainda está aquém da países sulamericanos como o Chile”, animou-se Westenberger durante a coletiva para a imprensa. Para ele, há um crescimento represado desde a abertura do mercado de resseguros, principalmente em relação à criação de novos produtos nas áreas de garantia, longevidade e saúde, por exemplo. Depois da abertura, as resseguradoras perderam a comodidade de ter condições e comissões uniformes. “A palavra de ordem agora é competição”, sentenciou o executivo. Pólo de resseguro Durante a abertura do 5º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, o presidente da Fenaber, Federação Nacional das Resseguradoras, Paulo Pereira, afirmou que o mercado está criando condições para que resseguradores internacionais, principalmente latino-americanos, se instalem na cidade, com a criação de um Polo Regional de Resseguros. O tamanho do mercado brasileiro é de US$ 2,5 bilhões. Somente a América Latina é responsável por negócios da ordem de US$ 21 bilhões. “Se atrairmos 10% deste mercado, já dobramos o volume do setor no Brasil”, disse o executivo. Entretanto, vale lembrar que este projeto já está em discussão há bastante tempo e ainda enfrenta vários problemas, como a queda do grau de investimento do Brasil. Pereira afirmou que é preciso construir um bom motivo para que os estrangeiros sejam motivados a investir aqui, com mudanças no ambiente regulatório, trabalhista e tributário. “Até o início de junho já teremos um projeto pronto para apresentar ao Ministério da Fazenda”, declarou. Outro ponto destacado pelo executivo foi o projeto de aumento da cobertura do seguro de garantia de grandes obras civis de infraestrutura, que passaria de 5% para 30%. “O Governo, em caso de sinistro, não quer receber dinheiro, mas sim a obra pronta”, apontou, acrescentando que, em breve, “estaremos com o produto pronto”, finalizou Pereira. Panorama do setor Paulo Eduardo de Freitas Botti, presidente da Terra Brasis, mostrou que o plano elaborado por um Grupo de Trabalho do setor apresentado ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) para os próximos cinco anos sugere que a oferta preferencial continue em 40%, mantendo a regulamentação atual. A colocação obrigatória cai de 40% a 15%, gradativamente, de 2015 até 2020, ao passo que o limite intragrupo avança de 20% a 75% e a retenção mínima das seguradoras mantém-se em 50%. A aceitação de riscos de Exterior pelas resseguradoras locais será tratada de forma específica. As seguradoras locais compraram R$ 10 bilhões de resseguros, com R$ ❙❙Paulo Botti, da Terra Brasis Re 2,7 bilhões offshore e R$7,3 bilhões resseguradoras locais. As resseguradoras offshore adquiriram R$ 1,2 bilhões. Em 2015, os resseguradores locais ficaram com 43% dos prêmios, depois da retrocessão. Os resseguradores internacionais ficaram com 57%, sendo que a capacidade do mercado dobrou de tamanho nos últimos oito anos. “Em um ambiente regulatório estável e com mercado unido devemos discutir alguns pontos, como trazer vida, saúde e previdência para o resseguro, ou como precificar mais corretamente e com maior simetria. Desmistificar o resseguro é o grande desafio”, ponderou Botti. Inovar é necessário “A internet começou como uma rede de computadores, depois passou a ser de pessoas e, agora, é das coisas”, destacou o jornalista Ronaldo Lemos, responsável por falar do tema Inovação no evento. Certamente este ponto de vista muda a forma como vivemos, pois a Internet das Coisas irá ditar o próximo movimento disruptivo. Além de mostrar como os objetos podem se comunicar sem a interferência humana, Lemos apontou que o que vem pela frente é a cultura do compartilhamento, o que torna possível que 50% da população mundial viva em apenas 2% do seu território. “A necessidade de gestão de risco será grande para o mercado de seguros, graças ao processo de adensamento populacional. Será preciso mudar a administração das cidades, com foco para o gerenciamento de dados”, declarou. Lemos afirmou que o mercado de seguros está apto a criar sistemas de confiança por conta de já trabalhar com a boa-fé. “O setor já tem a capacidade de medir a confiança de quem esta do outro lado. A indústria de seguros esta posicionada para criar sistemas de negócios baseados na economia da confiança”, finalizou. A advogada Marcia Cicarelli destacou que o mercado de seguros vende uma segurança que dificilmente é visível pelo consumidor. Entretanto, conhecer bem as necessidades e os hábitos deste consumidor é fundamental para o desenho de 33

eDição 168 - Revista Jornauto