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4 months ago

Revista Apólice #209

esseguro Um olhar sobre

esseguro Um olhar sobre o futuro A modelagem dos produtos de responsabilidade civil, com sua natureza de cauda longa e sua suscetibilidade às mudanças tecnológicas, econômicas, jurídicas e sociais, representa um grande desafio para o setor de resseguros. Modelar riscos catastróficos de RC é particularmente difícil porque as informações disponíveis não dizem respeito às exposições futuras. Um modelo produzido pela Swiss Re leva em conta o desenvolvimento futuro. Em vez de partir das estatísticas de sinistros passados, a abordagem de modelagem desenvolvida pela resseguradora trabalha com cenários que dão origem a possíveis perda no ambiente da jurisdição de origem do risco, para avaliar os fatores de risco. “A indústria do seguro usa resultados passados para determinar o que vai acontecer no futuro”, afirma Florian Kummer, diretor do Centro de Subscrição de Resseguro da Swiss Re. Em Responsabilidade Civil, os riscos são influenciados por fatores sociais, econômicos e políticos que estão em frequente mudança. “O passado não é suficiente para determinar o que vai acontecer no futuro, principalmente considerando que este é um produto de cauda longa”, lembra Kummer. O modelo LDR (Liability Risk Drivers), desenvolvido e patenteado pela resseguradora nos Estados Unidos, representa uma mudança de paradigmas para o setor. ❙❙Marcia Cicarelli, da Demarest 36 Ronaldo Lemos, advogado Kummer explica que esta não é apenas outra perspectiva de modelagem, mas uma nova forma de enxergar os riscos, porque o RC é um produto dinâmico, no qual a tecnologia influencia os riscos e os sinistros. Com a análise de fatores como tecnologia, mobilidade social, desenvolvimento jurídico, é possível verificar as mudanças e prever com mais precisão o que pode acontecer no futuro. “Hoje existe uma demanda maior para acertos sobre as perdas futuras. Uma modelagem correta pode determinar o risco extremo de uma carteira e o que fazer para mitigar os riscos e a quantidade de capital necessário para a empresa”, antecipa Kummer. Cobertura de terrorismo O especialista mexicano Napoleon Montes-Amaya, da Hiscox MGA, mostrou quais riscos representam as maiores ameaças atualmente e como as apólices podem ser desenhadas para cobri-los. Apólices que possuem a cobertura de terrorismo apenas como um adicional necessitam de uma certificação do governo para que haja a indenização. No caso de apólices com cobertura específica para terrorismo, o evento causador do dano depende apenas do cumprimento das definições da seguradora para que tenha cobertura. “Os riscos são de várias naturezas, como sabotagem e terrorismo. Mas há também a comoção civil e o dolo. Num campo maior está a guerra civil e a insurreição”, explicou Montes-Amaya. Quando um país recebe um evento global como as Olimpíadas, shoppings, hotéis e estações de metro poderiam adquirir apólices com cobertura para terrorismo. O custo desta cobertura pode ser de até 10% do valor total. Renato Rodrigues, CEO da XL Catlin Brasil, afirmou que o terrorismo não é uma coisa nova, mas com crescimento nos últimos 10 anos, com 32 mil vidas perdidas em 2014 em atos. “Percebemos o fortalecimento do Estado Islâmico e os clientes se preocupam, porque sabem que o terrorismo se move. Na década de 80, a América Latina era o foco dos ataques no Chile, Peru, Nicarágua e Colômbia. Hoje está deslocado para Europa e Oriente Médio”, contou Rodrigues. O mercado local não está preparado para comercializar estes produtos, com endossos às apólices já existentes. Para se ter cobertura, ainda é preciso que haja reconhecimento do Governo. No Brasil, os riscos cibernéticos já representam um problema muito maior. Não precisa plantar uma bomba ou cometer um ato físico. “Um hackeamento pode levar a um atentado gigantesco. Ainda temos um longo caminho a ser percorrido no Brasil”, apontou Rodrigues. O executivo da Hiscox afirmou que há oferta de produtos no mercado internacional. “Entretanto, é difícil inovar no Brasil, porque são necessários de seis a 12 meses para registrar um produto. A maioria dos clientes está pedindo este produto com a cobertura padrão para as vítimas”, concluiu.

eventos internet Corretagem online A corretagem online tem ganhado holofotes dentro do mercado de seguros, positiva ou negativamente, já que muitos acreditam que essa modalidade de distribuição é uma concorrência direta que pode aniquilar os meios tradicionais praticados pela maioria dos corretores de seguros, que optam pelo contato direto com cliente do começo ao fim dos processos. Do outro lado, estão as corretoras que tentam preservar o que há de bom em modelos anteriores, mas que trazem ao mercado nova abordagem e diferentes técnicas para obter mais público. Pensando nesse momento disruptivo, a RGA promoveu um café da manhã para apresentar as novidades da companhia, que iniciou recentemente suas operações no Brasil, onde atua no ramo de vida e, futuramente, deverá enveredar pelo caminho da carteira de saúde. Para unir as pontas do mercado e falar sobre modernização, o CEO da startup de corretagem online TaCerto. com, João Cardoso, foi o palestrante convidado da resseguradora. “Em 2011, ninguém comprava uma apólice pela internet”, com essa realidade o executivo mostrou o quanto cinco anos podem significar na evolução tecnológica, já que, embora ainda exista muito receio e resistência com o online no mercado de seguros, as plataformas têm galgado espaço importante. “No Brasil, há muito a questão se o online e o tradicional se anulam ou se complementam”, disse o palestrante. Mas sendo uma realidade tão latente e uma oportunidade para que as seguradoras possam ter sistemas centra- lizados que facilitem a comercialização de seus produtos, por que o mercado da corretagem online ainda não é amplo e diversificado no País? Brasileiros têm fama de não procurar seguros na internet, mas a empresa percebeu um ponto chave: elas precisam de conteúdo. Quanto mais conteúdo de qualidade uma página oferecer, mais ela será capaz de reter o interesse de leitores que se tornarão futuros compradores, além de formar comunidades de interação das pessoas que têm interesse pelo produto. “Acho que essa é uma questão que talvez não preocupe as companhias muito antigas, mas nos preocupa por ser novo. No mundo inteiro isso está muito latente, no Brasil ainda está começando. Então, a intenção é provocar mercado”, afirma Ronald Poon Affat, CEO da RGA. Sobre a competitividade entre práticas tradicionais e as novas práticas, João Cardoso não enxerga competição. O executivo vê no momento uma boa oportunidade para mudar, para expandir. O corretor pode usar a plataforma para fazer negócios que normalmente não faria. “O momento permite ao corretor pensar como ele pode aumentar a receita. É mais fácil fazer isso ajudando seu cliente a ter mais produtos do que somente aumentando número de clientes. A tecnologia tem que fazer com que o corretor ajude seu cliente a diferenciar os produtos e compar um seguro PET, um seguro de vida etc.”, aposta.

eDição 168 - Revista Jornauto