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edição de 5 de março de 2018

esPecial dia da mulher

esPecial dia da mulher Publicidade ganha mais relevância na gestão com presença feminina Elas estão na liderança de grandes agências e sua frequência no ambiente estratégico do marketing é exigida por anunciantes no Agency Scope Paulo Macedo Chegar lá, em qualquer profissão, não é fácil. Requer talento, conhecimento e vontade de fazer acontecer. Além disso, a mulher precisou direcionar energia extra para provar sua capacidadde no ambiente do management empresarial. Na publicidade, o espaço feminino sempre foi reduzido, mas não a ponto de ofuscar o desempenho de profissionais como Christina Carvalho Pinto, Marlene Bregman e Ana Carmen Longobardi, por exemplo. Hoje, mulheres estão à frente de operações de grandes agências. Cíntia Gonçalves divide a gestão da AlmapBBDO com Luiz Sanches. Gal Barradas, que ficou em 10° lugar no ranking do Agency Scope 2016 de publicitários mais admirados do país, era copresidente da BETC. Claudia Colaferro é CEO da área latino-americana da holding DAN (Dentsu Aegis Network). Christina é presidente do grupo Full Jazz e comandou a Young & Rubicam. Miriam Shirley lidera a Publicis Brasil, ao lado de Eduardo Lorenzi. Marcia Esteves divide com Rodrigo Jatene a Grey Brasil. E Silvia Panico é a diretora- -geral da David. A relação de nomes é grande, mas ainda há espaço. Porque, como disse o “filósofo” Erasmo Carlos em uma canção: “sexo frágil é uma mentira absurda”. O Agency Scope apontou que 35% dos 405 entrevistados (da área de anunciantes) consideram importante como critério para selecionar uma agência de publicidade, a presença de mulheres em áreas gerenciais. Dos nove diretores de marketing mais admirados pelo mercado, segundo a pesquisa da Scopen (ex-Grupo Consultores), cinco são mulheres. A primeira colocação neste ranking foi ocupada por Daniela Cachich, seguida de Cris Duclos (4ª), Andrea Viviane Pepe, que viu “a telefonia crescer e o índice batom cair” Salgueiro (6ª), Malu Lopes (7ª) e Paula Costa (8ª). Há uma nova geração que vem fazendo frente aos clichês, machismo e preconceito. Elas estão demarcando território e fazendo a diferença em cargos- -chaves nas agências. Aline Garcia é business leader da AKQA, com formação em publicidade e MBA em gestão empresarial. Ela fala que trabalha para inspirar e se inspirar no futuro. “Acho complicado afirmar que um negócio vai melhor porque tem uma mulher ou um homem à frente, ou que tal área Fotos: Divulgação é melhor gerida por mulheres. Os indivíduos devem competir em igualdade para qualquer posição, independentemente do gênero. A melhor definição pra mim seria: qualquer indivíduo é capacitado para gerir qualquer área ou estar à frente de qualquer negócio, desde que tenha força de vontade e dedicação para construir o perfil profissional compatível a isso”, afirma Aline. discussão Eliza Gorgatti, que estudou administração na FEA-USP, “O mOvimentO de empOderamentO está na pauta de tOdOs Os mercadOs, nãO só nO publicitáriO” passou por grandes agências como Wunderman, Sun-MRM e Ogilvy. Mas foi na ID\TBWA que se iniciou como gestora de equipes, o que ajudou na criação do próprio negócio, a Today, da qual se desligou para dirigir a criação da Publicis. “Se enumerarmos as características profissionais das mulheres, mesmo com todas as isenções possíveis, sempre corremos o risco de parecermos tendenciosos e entrar na berlinda da comparação. Hoje, trabalho em uma agência liderada por um casal de copresidentes, em que 61% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres e dos sete diretores de criação, três são mulheres. E ao olhar para todas essas pessoas, percebo que mais do que uma questão de gênero, estamos falando sobre perfis profissionais e principalmente sobre o grande valor que se agrega quando se tem diversidade. Ultimamente discute-se muito sobre a igualdade de gênero e acredito ser um grande passo, mas o que eu realmente acredito é na diversidade da gestão. A mistura não só de gêneros, mas de origens, backgrounds, classes sociais, estilos e perfis profissionais diferentes é muito poderosa. E é isso que vai agregar cada vez mais nas nossas vidas dentro e fora do trabalho”, argumenta Eliza. Por outro lado, Marina Pi- 40 5 de março de 2018 - jornal propmark

Ana Ferraz dá consistência aos contratos e à gestão da agência BFerraz Ana Luiza Santos está à frente do planejamento da Mullen Lowe: “Característica natural” res, que é formada pela ESPM, começou sua carreira na Abril, onde apresendeu a dar valor à produção de conteúdo. Na Agência Click, hoje Isobar, se tornou pioneira em consumer strategy. “Uma baita escola que me ensinou a trabalhar lado a lado com todas as áreas da agência e a pensar a comunicação verdadeiramente como uma experiência viva”, diz ela, desde 2012 ocupando a diretoria de planejamento da Africa. “Acredito que o mundo do trabalho se construiu historicamente muito identificado com os valores masculinos: o pragmatismo, a racionalidade, a disciplina e a competitividade. Valores que culminaram em uma dinâmica altamente pautada pela perfomance e – muitas vezes – só por ela. Não é por acaso que esse modelo de gestão esteja enfraquecido e os valores femininos ganhando cada vez mais espaço e protagonismo”, ela acrescentou. COO da J. Walter Thompson, a executiva Ana Raquel Hernandez reconhece que há poucas mulheres em posições de liderança nas empresas, mas pondera que a presença feminina “traz uma diversidade de pontos de vista que é crucial para qualquer empresa”. Ela prossegue: “Também há vários indicadores mostrando que empresas com mulheres na alta gestão são mais lucrativas, reducionistas; a minha experiência indica que mulheres são mais colaborativas, inovadoras, lidam melhor com as incertezas e têm mais empatia, fazendo uma melhor gestão das equipes sem perder o foco dos resultados”, afirma. “O mundO dO trabalhO se cOnstruiu histOricamente muitO identificadO cOm Os valOres masculinOs” talentos Líder de mídia omnichannel da VML, Luciana Schwartz é formada em publicidade com pós em marketing. Com 30 anos de mercado, tendo trabalhado na AlmapBBDO, Neogama e Wunderman, além de uma passagem pelo portal IG como COO e VP de mercado, ela tem projetos como levar as Casas Bahia para patrocinar o futebol da Globo, a primeira rede de varejo a ocupar esse espaço na emissora. Outro projeto que ela destaca na sua carreira foi desenvolvido para Ben&Jerry’s, da Unilever, em parceria com o canal Turner. “O que agrega valor nas entregas de uma agência é a sua capacidade de formar equipes com talentos complementares e megadedicados. E não uma questão de gêneros. Tendo oportunidades, as mulheres podem se destacar na liderança de qualquer área. Infelizmente, temos poucos exemplos, em todas elas. Fato que está mudando. Lentamente, mas está. Atualmente, a grande maioria dos departamentos de mídia, em clientes e nas agências, é predominantemente feminino”, constata Luciana. A head de atendimento da David, Carolina Vieira, acumula 15 anos de experiência desde que se formou em publicidade e propaganda na Universidade Metodista de São Paulo e concluiu a pós-graduação em comunicação na ESPM. “Já trabalhei com clientes como Motorola, Kimberly-Clark, Burger King, Sony, Faber Castell, Nestlé e Coca-Cola em projetos locais, regionais e globais. Acredito que as mulheres têm uma liderança mais próxima das pessoas. São mais flexíveis e usam as competências emocionais para gerir pessoas. Isso gera empatia e faz com que todos trabalhem em um ambiente mais agradável. Além de construir um relacionamento com todos, o que é fundamental para o crescimento do negócio”. Já Viviane Sbrana, diretora de data intelligence da Ogilvy, fascinada por assuntos com lógica e o raciocínio matemáticos, propõe igualdade. “O espaço que a mulher conquistou nesses últimos tempos só nos mostrou a importância do nosso talento no mercado de trabalho. Em algumas funções, as mulheres conseguem um desempenho superior, mas o mais importante, pra mim, é a diversidade: homens e mulheres trabalhando juntos em um ambiente igualitário, e podendo reunir o que cada um tem de melhor”. Principal liderança do hub de negócios da F.biz, Juliana Nascimento ocupa a posição de CBO na agência. Ela é formada em administração de empresas pela FEA-USP e tem MBA Executivo no Ibmec-SP/Insper. “A sensibilidade está longe de ser um recurso exclusivamente feminino, mas acredito que, historicamente, as mulheres foram mais estimuladas a prestar atenção nela. E também não é sinônimo de fraqueza. Usá-la, na minha opinião, é garantia de vantagem competitiva, não importa seu gênero”. A executiva Ana Ferraz é advogada, com MBA em negócios e especialização em contratos. jornal propmark - 5 de março de 2018 41