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edição de 5 de março de 2018

esPecial dia da mulher

esPecial dia da mulher Fotos: Divulgação Denise Millan, que vê a publicidade em fase de transformação Luciana Schwartz observa maior presença feminina na área de mídia das agências É associada da BFerraz e trouxe sua experiência do mundo corporativo para a agência. “Aqui na agência temos um histórico forte de mulheres na liderança e hoje contamos com 24 ocupando cargos gerenciais. Além disso, temos mais mulheres do que homens no quadro de funcionários. Dos 128 colaboradores, 74 são mulheres. Acredito que no universo da comunicação, que demanda imensa flexibilidade, a mulher se adapta de forma mais fácil. Nesse século, tivemos de nos adaptar a inúmeras e simultâneas atividades: ser mãe, estudar, trabalhar, cuidar do corpo, cuidar da mente, cuidar da saúde, estar bem-vestida, enfim, são vários itens a se preocupar simultaneamente, nos preparando para sermos mais flexíveis. O movimento de empoderamento está na pauta de todos os mercados, não só no publicitário, e temos um longo caminho pela frente. O mercado publicitário tem exigido mais verdade e propósito. Se a prática de igualdade entre homens e mulheres não existir dentro das marcas e das agências, as mensagens ficam estereotipadas e vazias e a comunicação falha”, recomenda Ana. Lucia Cucci, diretora de mídia da Tudo, é formada em publicidade e propaganda e desempenhou todas as funções da atividade de mídia, desde checking até a vice-presidência, tanto na Salles como na Publicis. “Na propaganda, temos alguns estigmas que aos poucos vão sendo vencidos, como o fato de ter poucas mulheres na direção da criação. Ainda se contam nos dedos a presença delas, mas é um território em que estamos avançando. Se não houver preconceitos contra nenhum gênero, o que vai valer é a competência”. Diretora de criação da WMc- Cann, Viviane Pepe ingressou no mercado de trabalho aos 19 anos. “Já trabalhando, juntei uma grana para estudar na School of Visual Arts, de Nova York, onde tive contato com nomes emblemáticos do design como Milton Glaser, Paula Scher e Sagmeister. Anos depois, fui para Londres estudar moda e print na Central St. Martins de Londres. E fiz também dois anos de marketing na FGV. Nesse meio tempo, vi a telefonia móvel nascer, o índice batom cair, a bolha da internet estourar e o otimismo sempre virar o jogo na nossa profissão”. característica Responsável pela área de estratégia da Mullen Lowe, Ana Luiza Santos estudou publicidade e fez pós em ciência do consumo na ESPM. “Acho que as mulheres, de forma geral, têm uma habilidade de compor, trabalhar junto e colaborar mais natural do que a maioria dos homens. Essa caraterística é muito natural em grande parte das mulheres. Não que isto seja uma regra imutável, mas muito em função da forma pela qual somos “a essência da publicidade é buscar ideias que cOnectem marcas e pessOas” criadas, pela influência cultural que tivemos. Em projetos e áreas em que há liderança feminina, os resultados são atingidos, entretanto não à custa de qualquer coisa. Vejo mulheres liderando demonstrando mais respeito e cuidado com o time, compartilhando vitórias, acertos e erros, num exercício de empatia constante. A publicidade nunca esteve tão desafiadora e vibrante. Cada dia, cada job novo, exige uma completa desconstrução do que sabemos. As fórmulas vencedoras têm vencido cada vez menos. Por isso, a vontade de aprender algo novo, todos os dias, vira o novo dogma da nossa profissão”, detalha. Investir no novo e agregar valor às transformações da publicidade faz parte da postura profissional de Denise Millan, vice-presidente de planejamento da Leo Burnett Tailor Made. “O que falta ainda em algumas áreas e empresas é o equilíbrio entre os gêneros. E isto deve ser buscado. “A mulher, sem dúvida, tem muito a contribuir na liderança das empresas e dos projetos. A mulher é apaixonada, dedicada e comprometida a entregar sempre seu melhor com muita competência e de forma harmoniosa. Além disso, pesquisas apontam que, entre as características da gestão feminina, uma das que mais chamam atenção é a grande preocupação com o indivíduo. E isso cria ambientes mais acolhedores, colaborativos e produtivos. Devemos sempre celebrar a diversidade de pessoas, de gêneros e de talentos”. Daniela Bombonato, head de planejamento da David, acredita que a publicidade está no divã, passando por transformações e questionamentos. “A publicidade se autorreferenciou por muito tempo, por seu poder e glamour. Mas a evolução das tecnologias, das possibilidades de conversas diretas com consumidores em tempo real, de produção de conteúdo, a volta do valor das experiências, as novas formas de mensuração, tudo isso abre uma série de novas possibilidades de entregas criativas e de conexão bastante interessantes. Isso até pode despertar a sensação de que as coisas não são mais as mesmas. A essência da publicidade é buscar ideias que conectem marcas e pessoas e estabelecer novas formas de relacionamento para resolver problemas de negócio; isso não muda. No fundo, mudam-se os ‘como’”, finaliza ela. 42 5 de março de 2018 - jornal propmark

Felipe Turlão especial para o propMArK Um estudo inédito da Revelo indica que, no setor de tecnologia, existe diferença de 17,4% nos salários oferecidos a mulheres, quando comparados aos vencimentos dos homens. A diferença é consistente em todas as carreiras, categorias e níveis de senioridade. Além disso, elas são menos representativas em funções de tecnologia, o que perpetua estereótipos de “carreiras de meninos”. Em média, elas optam por carreiras de desenvolvimento de software com 73% menos frequência que os homens. Algumas das principais empresas do setor, no entanto, estão lutando para diminuir esse tipo de problema. Segundo Gabriela Batista, profissional do Google e representante do Women@Google, há esforços permanentes na casa, como a existência do Comitê de Mulheres, grupo focado no empoderamento das mulheres de empresa. “Acreditamos que não há inovação sem diversidade. O Google deve ser um lugar onde pessoas de diferentes origens e experiências tenham a oportunidade de fazer seu melhor trabalho. A verdade é que ainda não estamos lá. Sabemos que a diversidade e a inclusão são valores críticos para o nosso sucesso e inovação no futuro. Nós também sabemos que desafiar os vieses (dentro e fora do Google) é a coisa certa a se fazer. É por isso que continuamos a apoiar esforços relacionados aos nossos compromissos com o progresso”, afirma a profissional. Como forma de ajudar as mulheres a conquistar espaço na empresa, o Google tem programas como o Stretch, que permite a elas darem feedbacks para construir relações de trabalho mais fortes, e o Pure MentoesPecial Dia Da Mulher Players de tecnologia tentam reduzir diferença de salários Profissionais mulheres têm pouca representatividade em áreas técnicas, “dominadas por meninos”, mas as empresas querem mudar realidade Candice Morgan, do Pinterest: “Inclusão e diversidade tornam nosso negócio forte” ring, que desenvolve talentos femininos através de mentoria. Além disso, há iniciativas como a licença paternidade de 84 dias, que possibilita ao pai dividir responsabilidades com as mães. Na Adobe, a prioridade recente foi equiparar os salários entre homens e mulheres, fato conquistado em 2017, segundo Gabriela Viana, diretora de marketing da Adobe para a América Latina. “Antes mesmo do foco na liderança é necessário resolver a inexplicável diferença salarial entre os gêneros que ainda temos em tantas indústrias”, avalia. A empresa adotou políticas como a de licença-maternidade e paternidade, horas flexíveis e home-office, além de Divulgação “Há um objetivo consciente na contratação de mulHeres na empresa. especificamente na área técnica, exatamente 50% dos novos funcionários são mulHeres” creches em alguns escritórios pelo mundo. Possui programas como o Women’s Executive Shadow Program, no qual mulheres podem experimentar os desafios de liderança, e o Women Unlimited, que provê educação, mentoria e networking. “Há um objetivo consciente na contratação de mulheres na empresa. Especificamente na área técnica, exatamente 50% dos novos funcionários são mulheres. Em vendas, outra área tradicionalmente masculina, também contratamos três profissionais do gênero”, explica a executiva. “As mulheres representam 51,6% da população brasileira. Quando nós, mulheres, tivermos papéis condizentes com essa proporção na política, no mundo corporativo e na sociedade em geral, seguramente isso beneficiará a todos”, completa. O Pinterest, por sua vez, oferece 180 dias de licença maternidade integral e quatro semanas de retorno gradual ao trabalho. Além disso, ampliou as contratações em áreas antes dominadas por homens. “Superamos nosso objetivo de contratação para cargos de engenharia, com 26% de mulheres”, afirma Candice Morgan, chefe de diversidade do Pinterest. A empresa também adota a política de, a cada processo seletivo, ter uma mulher e um representante de grupo étnico sub-representado. “Acreditamos firmemente que a inclusão e a diversidade tornam nosso negócio mais forte. Como parte do nosso comprometimento com a inclusão e a diversidade no Pinterest, examinamos o que os nossos gerentes mais fortes estavam fazendo para construir equipes inclusivas e criamos uma lista de boas práticas baseadas nesses princípios para que líderes de todos os níveis possam colocar essas práticas em ação”, explica Candice. jornal propmark - 5 de março de 2018 43