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Moda & Negócios_EDIÇÃO 19 para Web

José Nivaldo Junior UMA

José Nivaldo Junior UMA JANELA PARA O MUNDO Minha definição preferida de marketing é muito simples: a atitude e o uso de ferramentas que permitem manter a janela da mente em sintonia com o mercado. O conceito é singelo mas a sua aplicação não é tão fácil assim. Os bons publicitários, muitas vezes apontados como mágicos capazes de vender qualquer produto ou ideia, sabem que não têm tais poderes. Você só consegue vender aquilo que as pessoas precisam, desejam ou venham a ter o sonho de consumir. A gente simples do interior já sabia disso há muito tempo. Essa sabedoria se reflete em expressões populares como “tentar vender pano vermelho na porta do cemitério dia de finados” ou “vender geladeira a esquimó”. Ninguém muda os conceitos de ninguém, depois que eles se cristalizam. Você só consegue vender aquilo que as pessoas precisam, desejam ou venham a ter o sonho de consumir. Estudos recentes de Universidades americanas, publicados na imprensa especializada, demonstram que as pessoas discutem não para esclarecer a si próprias mas para convencer os oponentes; lêem não para aprender, mas sim para reforçar o que já pensam. Uma boa demonstração disso é quando se trava um debate político. Os espectadores assistem ao mesmo confronto, mas chegam a conclusões frequentemente opostas. Isso porque filtram os argumentos de acordo com suas próprias ideias prévias. Por isso, todos os que lidam com o mercado têm que se educar e fazer um esforço permanente para não deixarem seus preconceitos determinarem os rumos dos seus negócios. Especialmente em momentos de crise e rápidas transformações, é fundamental para o sucesso de empreendedores, pequenos, médios ou grandes, exercitarem suas mentes para que elas não fechem sua janela para o mundo. Para isso, é preciso combinar sensibilidade e marketing. Esta é a fórmula perfeita para que todos mantenham-se em sintonia com a vida real, com o mercado e até com a natureza e o universo. José Nivaldo Junior Publicitário. Membro da Academia Pernambucana de Letras. 16

José Urbano Na Roça e na Rua, a tradição do povo nordestino ciclo Junino é o período no qual florescem todas as O manifestações rurais do nordeste, a partir dos seus múltiplos elementos culturais. Especificamente no quesito moda, o povo nordestino mantém uma autenticidade que o identifica nos quatro cantos do mundo. Nos primórdios do Brasil rural, os tecidos mais rústicos tinham a preferência para o trabalho no campo, eis a razão pela qual predomina o trinômio “brim”, “algodão xadrex” e o popular e colorido “xita”, tecido esse utilizado para decorar os espaços onde acontecem os festejos, como também os locais onde ficam a trindade santa do evento: São Pedro, Santo Antonio e São João, esse último o dono da festa. Na indumentária sertaneja, tem espaço ainda como vestuário do vaqueiro, o gibão, perneiras, luvas e chapéu de couro, elemento este extraído de bodes ou dos bovinos da região. Eles compõem a armadura que permite ao homem campestre adentrar na caatinga, espaço permeado por gravetos, espinhos, mandacaru, e uma infinidade de plantas rudimentares, que desafiam as secas e a própria convivência do homem e seu habitat, no ritual que deu origem a Vaquejada. Para os homens, fica adequado o uso de camisa mangas compridas, de preferência xadrex, e as mulheres usam belas saias rodadas, multi coloridas. Mas a grandeza do evento tem vários aspectos, como a matriz musical de Luiz Gonzaga, nosso inventor musical, intérprete de xotes, xaxados e baiões, esses ritmos, variações musicais do forró, que o denominaram Rei do Baião. Tem os bacamarteiros, referências aos soldados da Guerra contra o Paraguai, no Brasil Império. Os balões e sua origem na distante China, inicialmente feitos de bambu e seda, utilizados como sinaleiras nas torres da muralha gigante. A beleza coreográfica das quadrilhas francesas, adaptadas para os terreiros nordestinos. A religiosidade dos três santos ora citados, e a devoção ao Padre Cícero, cearense referência na devoção nordestina. O xaxado, ritmo definido pelos cangaceiros, nas suas horas de diversão, sob o comando de Virgulino Ferreira, outro pernambucano rei, denominado o Rei do Cangaço. A riqueza da nossa culinária, a pamonha, canjica, cuscuz, cocada, pé de moleque e outras guloseimas, são indispensáveis na fartura das mesas rurais. Em sua edição 2017, o ciclo junino em Caruaru contempla a Roça e a Rua, promovendo as manifestações nos distritos rurais e na cidade, interligando tradições e modernidades no mesmo ambiente social. Ao tempo que temos no pátio de eventos Luiz Gonzaga a grandeza de uma arena festiva, vivemos outrora a festividade nas ruas da cidade, 03 de Maio e suas saudosas Irmãs Lira, fazedoras da alegria local. Um capítulo especial é o elenco de artistas de nome nacional, gigantes do passado ou personalidades atuais, mas com muita história, a exemplo do Trio Nordestino que cantou a beleza poética de “Capital do Forró”, composição musical de final dos anos 70, oriunda da mente criativa e alma iluminada de Jorge de Altinho, esse também um forrozeiro espetacular. Para não cometer o deslize de esquecer nomes, não vou citar os inúmeros artistas, anônimos ou famosos, urbanos ou rurais, que fazem, juntos, esse espetáculo folclórico, em nome da alegria, cultura, história e tradições dessa nação que une nove estados, numa corrente nordestina de vida, fé e esperanças. Viva São João, São Pedro e Santo Antonio, Viva o Nordeste, Viva o Povo Brasileiro. José Urbano Historiador. Técnico em Educação da UFPE. Membro da ACACCIL 17