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7 months ago

Moda & Negócios_EDIÇÃO 20 PARA WEB

Francisco Cunha A

Francisco Cunha A retomada vem aí. O que fazer? 6 Historicamente, há uma espécie de acoplamento entre a dinâmica política e a dinâmica econômica, quando observamos a conjuntura e as tendências do ambiente no qual se desenvolvem os nossos negócios. Todavia, temos observado nos últimos tempos uma espécie de desacoplamento dessas duas tendências. Dizendo de outro modo: pelo menos no curto prazo, o mercado já parece ter precificado a turbulência política atual e não oscila muito diante da perspectiva da permanência ou não de Temer na Presidência. Desde que, claro, a equipe econômica, Henrique Meirelles à frente, não seja mexida... Essa nova realidade desacoplada parece indicar, além de uma novidade conjuntural, na realidade, uma tendência de recuperação estrutural da economia. De fato, depois de uma feroz recessão que acumulou 11 trimestres consecutivos de queda do PIB, com taxa acumulada de 9% de crescimento negativo, a atividade econômica parece iniciar uma retomada ainda que tímida, justamente por obra da equipe econômica que, os comentaristas mais sérios reconhecem amplamente, está fazendo a coisa certa. A inflação já baixou, rodando abaixo de 4% ao ano, e os juros estão em trajetória de queda. Mesmo em face de uma crise política que, a maioria reconhece, é a mais dramática de décadas... Bom, se a economia geral parece começar a se afastar, ainda que lentamente, do fundo do poço, o que resta ao empreendedor fazer para aproveitar a marola a favor dos negócios, depois do longo período na retranca? 1. Inicialmente, manter a cautela redobrada da qual se viu obrigado a lançar mão quando a crise se instalou. Essa não foi só uma das maiores recessões da história brasileira como também será a de mais lenta recuperação. Por isso, não abrir mão da cautela é vital. 2. Todavia, com o início do desanuviamento do horizonte, já dá para aumentar um pouco o risco. Começar a programar arriscar aquela dose de ousadia que caracteriza os verdadeiros empreendedores, que historicamente diferencia os bemsucedidos dos que não o são. 3. Outra coisa importante é começar a preparar os colaboradores para o novo ciclo de crescimento dos negócios que, muito provavelmente, não terá o vigor do anterior, mas que deve acompanhar a recuperação cíclica da economia que se está esboçando no cenário nacional. 4. Reforçar a escuta do cliente é de grande importância para ajudar a preparar a nova fase de desenvolvimento que começar a se esboçar. Afinal, a crise prolongada promoveu também mudanças significativas nos hábitos de consumo dos clientes. 5. Por fim, mas não menos importante, é essencial promover um mergulho, o mais amplo possível, naquilo que já se convencionou chamar de “disrupção digital” dos negócios. Sim, há quem já fale que estamos vivendo a quarta revolução industrial provocada, justamente, pela digitalização da vida cotidiana e dos negócios. Pelo que vemos, existem setores empresariais interiores sendo reestruturados e, mesmo, totalmente revirados pela revolução digital. Não dá para perder este bonde. A hora é, então, de retomada e, para isso, é preciso preparação. Mão e mentes à obra, portanto! Francisco Cunha Consultor de empresas, sócio-fundador da TGI Consultoria e militante da mobilidade a pé no Recife.

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