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Moda & Negócios_EDIÇÃO 21 para WEB

José Nivaldo Junior A

José Nivaldo Junior A Economia Descolou da Política Enquanto a crise política parece não ter fim, a economia brasileira tem emitido sinais cada vez mais consistentes de recuperação. Os norte-americanos cultivam uma sábia máxima popularizada por Kennedy; “Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pelo seu país”. Pois os brasileiros estão cada vez menos perguntando o que o governo pode fazer por eles e cada vez mais o que eles podem fazer por eles mesmos. Assim, enquanto se aprofunda o desencanto da coletividade com as suas lideranças e as próprias instituições os agentes econômicos arregaçam as mangas, caem em campo e tratam de costurar as suas atividades com linhas descontaminadas dos dedos governamentais. Durante muitos anos a sociedade brasileira se acostumou a produzir impulsionada por benesses e protecionismos governamentais. Esse processo chegou ao ponto máximo nos anos recentes, quando uma distorcida rede de proteção social foi estendida aos necessitados de todo o País. Distribuir dinheiro é sempre bom. Garante popularidade. Provoca aplausos. Mas a prática só traz resultados efetivos se acompanhada por medidas para integrar os beneficiados ao processo produtivo. Sob pena de não ter sustentabilidade. Se transformar em pura e simples esmola. O pior desse assistencialismo vendido como grande tábua de salvação da pobreza, foi a sua contrapartida na outra ponta da pirâmide sócio-econômica. Ou seja, enquanto os pobres se fartavam com migalhas improdutivas, as elites (criticadas nos discursos da boca para fora mas acariciadas na intimidade promíscua dos favorecimentos) se lambuzavam com os mais despudorados benefícios jamais concedidos no País. Graças a estímulos fiscais, descontos de impostos, financiamentos fartos e praticamente a juros zero, sem falar nos generosos superfaturamentos - tudo financiado com o seu dinheiro, caro leitor. Esse modelo de capitalismo bandoleiro foi impulsionado por governos recentes blindados por um falso conceito de esquerda, quando de esquerda mesmo só tinham as cores das bandeiras e das camisas. O naufrágio desse modelo trouxe uma natural ressaca nos agentes econômicos e nos consumidores. Mas, lentamente, a sociedade, por ela mesma, começou a sair do fundo do poço. Ainda tem muita gente desconfiada. Mas cresce a cada dia os que entendem que estocar dinheiro não vale a pena quando as oportunidades estão batendo na porta. O risco faz parte do negócio, qualquer negócio. E a grande lição a ser aprendida é a de que a expansão da economia não depende de calmaria política nem de incentivos mal intencionados. A economia reage por si só. E isto está acontecendo. José Nivaldo Junior Publicitário. Membro da Academia Pernambucana de Letras. 11