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Moda & Negócios_EDIÇÃO 21 para WEB

Saúde Thaísa Batista

Saúde Thaísa Batista Segurar, por quê? POsTeRgADOR De URInA Você já ouviu falar sobre o Postergador de urina? Antes de explicar melhor sobre o termo, vou contar resumidamente sobre algo que me aconteceu durante o período escolar. Na minha adolescência eu sofria muito com infecção urinária de repetição, ou seja, várias vezes sentia dores na região inferior da barriga, acompanhada de ardor ao urinar, vontade de urinar muitas vezes e, ao urinar, saía pouca urina. Recordo-me de uma das vezes que fui ao hospital, a dor era tão grande que eu não conseguia endireitar a coluna, tive que andar curvada. Fora todos os sintomas que falei, dessa vez tive presença de sangue na urina e febre. Eu era uma postergadora de urina. O postergador de urina é aquela pessoa que sente vontade de urinar e, por algum motivo, não vai urinar. Muitas vezes, o que aconteceu bastante comigo, o fato de não ir urinar no momento em que sentia vontade, fazia com que a vontade passasse, e a bexiga ia acumulando mais urina, por mais tempo que o devido. Agora você pode se perguntar, “mas Thaisa por que você prendia sua urina? ” E o que eu te respondo é algo que infelizmente é bastante comum: Eu era OBRIGADA a segurar a minha urina! Lembra que falei que isso aconteceu no meu período escolar? O que acontecia era que eu sentia vontade de urinar e pedia ao professor (a) para ir ao banheiro e a resposta era um não, muitas vezes acompanhada de “no intervalo você vai”. Só que no intervalo a fila era grande e isso algumas vezes me fazia desistir de ir, ou simplesmente a vontade passava. E como alguém vai ao banheiro sem vontade? Se você não tiver uma orientação correta, você não vai, e nunca vai pensar que isso irá te trazer problemas no futuro. Após o uso de muitos antibióticos, vários exames de sangue e urina, alguns internamentos, um único médico da emergência do hospital que fui, naquela crise em que andei curvada, me perguntou sobre meus hábitos urinários e alertou sobre as idas ao banheiro no colégio, ou, no caso, as faltas de idas. Minha mãe foi ao colégio e conversou com quem era preciso conversar e eu ganhei um “passe livre” para ir ao banheiro todas as vezes que sentia vontade. Eu posso dizer que mesmo após tudo que passei com as infecções, tive sucesso, pois na fase adulta não fiquei com sequelas urinárias, porém nem todos que passam por isso têm o mesmo sucesso e acabam por precisar fazer algum tratamento, como o de fisioterapia pélvica, até mesmo na fase da infância ou adolescência. Não é preciso que chegue à fase adulta para sofrer as consequências de ser um postergador. Agora eu pergunto, vocês pais, tios, avós, professores ou quem quer que esteja lendo essa maté- 18

ia e tem a responsabilidade ou convive com uma criança ou adolescente já parou para pensar nos hábitos urinários dele (a)? Quem nunca ouviu ou falou “não usa aquele banheiro que é sujo”? E agora na era tecnológica em que vivemos, quantas crianças e adolescentes não se perdem naquele mundo e simplesmente não querem parar o que estão fazendo para ir ao banheiro? Isso é algo tão comum e que parece inofensivo, porém não é! As consequências podem ser das mais graves, como uma lesão renal. Sim, uma lesão RENAL! Eu precisaria de mais que uma matéria para falar sobre todo o processo que pode levar a uma lesão renal, mas saiba que a possibilidade existe, e que um simples “não vou fazer xixi agora” ou “você não pode ir ao banheiro agora”, quando se torna um hábito, e quando não tratada corretamente, pode levar desde uma infecção urinária à perda de um rim. Algo grave, não acha? Então fica aqui o meu alerta a todos: Observem os hábitos urinários e, fecais também, das suas crianças, dos seus adolescentes e até os seus próprios hábitos. Quando encontramos um problema cedo e corremos atrás da solução, as consequências podem ser mínimas ou até mesmo nulas. Se ao ler essa matéria você identificou alguém ou se identificou, procure o tratamento médico e um fisioterapeuta que trabalhe com a área. Um grande abraço. Thaisa Batista Pereira Silva Bacharel em Fisioterapia; Formação em Fisioterapia nos Distúrbios Uroginecológicos, Radiofrequência nas Disfunções Miccionais, Estética Íntima, Linfotaping e TMI. 19