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Moda & Negócios_EDIÇÃO 21 para WEB

Agildo Galdino O

Agildo Galdino O Incrível Jeans e a Sustentabilidade Não, não é história da carochinha. Vamos falar sim do jeans como pano de fundo de uma “epopeia” que se inicia lá pelos idos de 1847. Com o término da guerra entre norte americanos e mexicanos, à Califórnia acorreram milhares de pessoas de toda parte em busca do ouro do Vale do Rio Sacramento. Mostrei ao meu amigo Herton Bruno L. Lopes, empresário do ramo de confecções, uma emblemática foto de uma calça “Levi’s®” lá dos idos de 1960, década em que no Brasil a importação de calça jeans era praticamente da marca “Lee”, que entre nós era a mais famosa ou, se preferir, a mais popular. Daí tivemos uma apetecível conversa e nós confessamos não conhecer sequer uma pessoa, que não tenha ao menos uma peça jeans em seu guarda roupa. E aí, meu amigo, André Ricardo, jornalista na Capital da Esperança, como assim a chamou Juscelino Kubitschek, não foges à regra, né? Eu mesmo não me surpreenderia se qualquer dia desses aparecesse um alienígena vestido de calça jeans... A maioria das pessoas mundo afora veste jeans, homens, mulheres e crianças, indistintamente. O jeans, inclusive, foi eleito na virada do milênio pela revista Time “O Artigo de Moda do Século 20”. Não, não é à toa que a calça jeans resistiu à erosão dos tempos, sem dar a mínima para as diferenças socioculturais e tampouco para regimes políticos e religiões. Soube reinventar-se frequentemente ao longo do tempo e manter-se fiel aqueles jovens que abandonaram as roupas convencionais e adotaram um outro estilo de vida. Vamos à cidade de São Francisco, no distante ano de 1847, na Califórnia, ver o que aconteceu por lá: um jovem americano naturalizado de nome Levi Strauss torna-se responsável pela fabricação da primeira calça jeans “Levi’s”, que teve boa aceitação por ser extremamente durável, mas de uma rigidez e desconforto demasiado. Então ele vai à Europa e de lá traz um tecido – denim – fabricado pela primeira vez, em 1792, na cidade francesa de Nîmes – mais apropriado, resistente e muito mais confortável do que aquela espécie de lona utilizada na confecção da primeira calça. As calças confeccionadas com o novo tecido foram um sucesso, mas os bolsos não eram resistentes. É então que Jacob Davis aponta a Strauss a solução: aplicar rebites de cobre nas extremidades dos bolsos conferindo-lhes maior resistência e, deu no que deu, o que conhecemos hoje do universo do jeans. A indústria da moda continua a sua expansão mundo afora e a discussão da sustentabilidade está posta à mesa, independentemente da classe social. As tendências comportamentais do consumidor ampliam o desafio neste início de século XXI. Cabe às empresas da moda buscarem como, aliás, muitas já vêm buscando soluções na cadeia de produção, de forma a se adaptarem ao desenvolvimento sustentável. Conceito este pautado na satisfação das necessidades e do bem-estar da geração presente e fazendo justiça às gerações futuras com o mínimo desperdício de recursos naturais e de prejuízos ao meio ambiente. Portanto, nesse contexto, é fundamental que a indústria da moda seja inovadora para tirar “proveito” da sustentabilidade e do consumidor consciente em que valores éticos de consumo vão impor que as empresas se adaptem. Agildo Galdino Ferreira Membro da Academia Caruaruense de Cultura, Ciências e Letras, e possui doutorado em Ecologia e Recursos Naturais. 8

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