Views
7 months ago

Moda & Negócios_EDIÇÃO 16

Malude Maciel O

Malude Maciel O CARUARUENSE IPOJUCA Dizem que: “A primeira impressão é a que fica” e também: “O que os olhos não veem o coração não sente”. Querendo ou não, ao adentrarmos na Capital do Agreste, atravessando a Ponte Elias de Oliveira Lima, mais conhecida como: Ponte Nova do Rosário, apreciamos uma imagem totalmente desconexa com um bonito “Cartão Postal” da cidade, pois deparamo-nos com um trecho do Rio Ipojuca num estado feioso de calamidade pública. É lógico que os olhos admiram a beleza, a harmonia, a natureza, o verde e as águas límpidas, porém na realidade só temos sujeira e lixo naquele afluente que é o único a banhar a nossa terrinha santa. Vários compositores já evocaram lindamente o nome do Ipojuca em suas canções (Petrúcio Amorim, Flávio José, etc.), relembrando os tempos áureos das chuvas com “cheias” memoráveis e o rio, ricamente carregando as baronesas ao longo da costa. 12

Nascido em Arcoverde e caruaruense de coração, na história do Ipojuca temos registros de que já foi amplamente navegável e nas imediações do Colégio das freiras (Sagrado Coração), havia barcos transportando passageiros de uma margem para outra e mesmo a passeio pelo curso do rio. Os habitantes, na época, usufruíam da área de lazer com banhos e vários divertimentos. As lavadeiras de roupas ali tinham seu cais perfeito para aquela atividade do seu sustento. O seu nome é de origem indígena (tupi), sendo totalmente pernambucano. Passa por vinte e cinco cidades, cortando entre elas: Pesqueira, Sanharó, Bezerros, Caruaru, Escada, Chã Grande, Gravatá, Ipojuca Primavera, S. Caetano e Tacaimbó, etc. mas, o Rio Ipojuca é hoje o terceiro mais poluído do Brasil. Acabrunhado, mal tratado, sujo e sem nenhum atrativo. Exibese, vergonhosamente, logo na entrada da “Terra de Vitalino” que recebe inúmeros turistas, comerciantes, estudantes, etc. numa gama de passantes que observam a desvalorização do ambiente daquelas paragens. Uma verdadeira tristeza não somente pelo lado turístico, mas, sobretudo, pela parte ambiental. Sabemos que a causticante estiagem da região prejudica infinitamente, mas não justifica a desatenção dos responsáveis, inclusive os moradores mais próximos. Por que deixá-lo ao “deus dará”? Por que não revitalizar o Ipojuca? Por que não investir na preservação da Natureza que clama pelos cuidados do ser humano? Talvez não seja obra valorizada com votação nas urnas porque os valores estão invertidos e isso não aparece, mas a consciência pesa no que toca à responsabilidade ambiental e salvação do Planeta. As construções irregulares ao longo das margens atrapalham sobremaneira toda restauração e também causam problemas habitacionais na comunidade carente, com risco de vida. Sabemos de algumas investidas em limpeza momentânea, programas de saneamento da bacia hidrográfica e campanhas, mas NADA se concretizou estando atualmente ainda pior porque esse desvelo tem que ser permanente para virar costume e hábito nos ribeirinhos. Desenvolvendo a educação nesse sentido com grande ênfase e continuidade. Educar não é fácil, porém necessário e ninguém, em sã consciência, pode se furtar desse dever. Clamamos aos governantes por um projeto de trabalho efetivo às margens do Ipojuca e, se não em todo seu percurso, pelo menos na parte que nos toca e que o torna caruaruense, com grande importância na situação climática. Quem ama, cuida; e nada melhor do que ser bem cuidado. Malude Maciel Membro da ACACCIL