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6 months ago

Moda & Negócios_EDIÇÃO 15

Joicy Eleiny Silva Slow

Joicy Eleiny Silva Slow Fashion Vamos construir uma situação hipotética: Você acaba de sair de determinada loja que oferece baixo custo em produtos de qualidade mediana e alta popularidade no momento. Você comprou três itens de vestuário que são tendências da estação: uma blusa ombro a ombro, uma t-shirt e uma cropped simples. Todas as peças juntas custaram um total de R$ 80,00. Três meses à frente você ainda terá as peças em bom estado? Ainda usará mesmo que a moda já tenha ditado outras tendências? É natural que os desejos no mundo da moda girem em torno das peças em alta na temporada em questão, mas a constante frequência com que as tendências são lançadas pode provocar um efeito negativo no seu guarda -roupa, no seu bolso, no meio ambiente e nas condições de trabalho do setor de produção da indústria da moda. Lidar com a compra como uma ação efêmera e orientada pelo surgimento de novas trends pode ser perigoso e aproximar o consumidor do extremo consumista da linha tênue do consumo. Pensando na conscientização desse consumidor, que muitas vezes não tem noção da relevância da sua compra desnecessária, surgiu um movimento denominado Slow Fashion. Do termo inglês que significa “Moda Lenta”, o Slow Fashion atua como uma proposta sustentável para o consumo da moda. Semelhante ao Slow Food, que preserva a qualidade do alimento em detrimento do preço exageradamente baixo, contrário à ideia de Fast Food. O movimento foi criado pela inglesa Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion. Para o Slow Fashion, ainda que o produto tenha um custo mais elevado, o investimento é válido, pois poupa o intenso descarte de peças, a poluição desencadeada pelo descarte, o trabalho em condições subumanas consequente da alta demanda de produção, como evidencia o documentário ‘The True Cost’ e fatores relacionados ao consumo inconsciente. No movimento Slow, as peças são produzidas em uma escala potencialmente menor, incorporando valores culturais, sociais e ecológicos, por isso, podem custar um pouco mais caro. Contudo, essas são peças mais versáteis e criativas, que podem se transformar de acordo com a composição adotada, peças mais duráveis, com a garantia de conservação em longo prazo, não só em relação à qualidade dos materiais utilizados, mas principalmente em relação aos cortes clássicos e atemporais, divergentes das tendências efêmeras das produções em grande escala, diminuindo a necessidade de novas compras. O conceito Slow valoriza a diversidade ecológica, social e cultural, impulsionando o comércio a partir do valor agregado à peça, como a sua história, no caso dos bazares e brechós, preservando os métodos tradicionais de fabricação, como o feito à mão. É priorizada a diversidade, baseada no estilo próprio, valores individuais e ideias com que se tem empa- QUEM TEM CURSO QUE COMEçA COM DISNEY E TERMINA COM CAMBRIDGE? NINGUÉM TEM O QUE O CNA TEM. MATRíCULAS ABERTAS!

No Brasil, uma das marcas que seguem o conceito Slow é a ORNA, fundada em 2014 pelas irmãs Bárbara, Débora e Julia Alcantara tia, evitando que todos tenham um visual praticamente igual e preservando as culturas que se desfazem a partir do conceito massivo de beleza ocidental. Um movimento contrário ao estilo globalizado e favorável à democratização da moda. Produtores e consumidores estabelecem relações de confiança, isso porque as escolhas são norteadas pelas paixões pessoais e identidade de cada comprador, o que exige do criador um conhecimento prévio e intensa relação com seu público. As marcas slow preocupam-se em investir em recursos locais, promover o desenvolvimento da área em que estão situadas. Outra característica da moda slow é o senso de responsabilidade inspirado pelo amor à profissão, os produtores desse tipo de moda agem de forma criativa e inovadora, buscando o seu melhor a cada criação. O Slow Fashion age ainda de maneira programada. Uma vez que o Fast Fashion lida desenfreadamente com a matéria prima esgotável, esses recursos naturais se desgastam rapidamente e não possuem espaço de tempo passível de renovação. No Slow Fashion, as produções são programadas a partir do respeito ao tempo de renovação ambiental, em um ritmo saudável e alinhado aos ciclos naturais. Dentro da ideia Slow existe um exercício de estímulo à lentidão nas compras e valorização de peças como bens, o Armário Cápsula. A ideia do projeto surgiu da blogueira Caroline, do blog Unfancy. Quantas peças você possui no seu armário e sequer lembra-se da existência porque não costuma usar? O armário capsula restringe a quantidade de roupas que você deve ter, no caso de Caroline, foram 37 peças, mas este número não é uma regra. A proposta é selecionar uma quantidade satisfatória de peças que serão usadas ao longo de determinada estação e renovar, mantendo algumas peças, sempre que possível, a cada nova estação. O armário cápsula influencia a ter peças mais versáteis, o objetivo é aproveitar mais e comprar menos. Que tal pensar nessa nova estratégia de consumo para o seu closet? 9