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Moda & Negócios_EDIÇÃO 14

Jénerson Alves Fulô de

Jénerson Alves Fulô de Mandacaru chegou pra arrebentar Com o sucesso nacional, grupo caruaruense comprova que a cultura popular está viva e é capaz de arrastar multidões. nome ‘Fulô de Mandacaru’ não poderia ser mais icônico. Da família dos cactos, o mandacaru é uma planta O presente na caatinga brasileira. Símbolo da resistência do povo nordestino, o nascimento de suas flores simboliza o fim de um ciclo de estiagem nas regiões áridas. Semelhantemente, o grupo musical caruaruense liderado por Armandinho, Pingo e Bruno, até bem pouco, e, agora, por Armandinho, Pingo e Tiago, representa a solidez da cultura popular nordestina diante da cultura pop. Com a grande repercussão gerada após a vitória da banda de forró no programa SuperStar, da Rede Globo de Televisão, a Fulô de Mandacaru desabrochou, trazendo a esperança de um novo momento não apenas para a equipe, mas para a arte popular. O FIGURINO DO GRUPO A indumentária confere ao grupo uma identidade visual representativa de elementos da cultura nordestina. O chapéu de cangaceiro, a alpercata nos pés e o lenço no pescoço são ‘marcas registradas’ do figurino do grupo, valorizando os arquétipos regionais. Ademais, os caruaruenses têm arrastado multidões por onde passam. Assim sendo, é possível afirmar que eles estão situados em um ‘ponto de intersecção’ localizado entre a cultura popular e a cultura de massa, com audiências amplas e heterogêneas. Após a conquista do 1º lugar, no Programa Superstar o grupo está realizando uma média mensal de 25 shows. Além do contrato com a gravadora Som Livre, os forrozeiros de Caruaru conseguiram emplacar três músicas de sucesso nas emissoras de rádio e televisão, a saber: ‘Fulô de Mandacaru’, ‘São João de Outrora’ e ‘Só o Mie’. Assim como a raiz do mandacaru capta água dos lençóis freáticos para se manter, o grupo musical alcança sucesso mediante forças invisíveis, a exemplo da formação familiar. Armandinho e Pingo fazem parte da quarta geração de uma família de músicos, entre os quais se destaca o pai, Armando Barros, que marcou a história dos festejos juninos de Caruaru. “Nós fomos criados em um ambiente muito saudável, ouvindo canções de artistas como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste. Nossa formação musical prestigiou o que há de melhor na cultura do Nordeste”, confidencia Armandinho.

afirma o professor José Urbano: “Nossa cultura popular possui uma marca universal. O que falta é mais apoio para os fazedores dessa cultura”. Iniciada em 2001, pode-se afirmar que a banda Fulô de Mandacaru ‘debutou’ este ano, com uma festa de proporções nacionais. Na época, Pingo estava no alto de seus 10 anos de idade, enquanto o irmão Armandinho estava com 15, mesma idade do ex-componente Diego César. No princípio, apresentavam-se em festas de amigos. Foi em 2004 que pela primeira vez subiram no palco principal do Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, durante o São João de Caruaru, o que lhes abriu espaço para tocarem em diversos eventos em todo o Nordeste. Um ano depois, o grupo vivenciou a primeira experiência internacional, realizando uma turnê na França. Na ocasião, os integrantes participaram do Festival Le Grand Soufflet, que também reuniu artistas da estirpe de Renato Borguetti e Silvério Pessoa. Ao longo desses 15 anos de carreira, o espólio da banda conta com sete CDs e dois DVDs. O clipe ‘Quando o homem chora’, disponível no YouTube, é um sucesso entre os internautas. No ano passado, os garotos percorreram os estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, sempre apresentando um repertório que enaltece a mais autêntica expressão cultural nordestina. O REGIONALISMO POSSUI ELEMENTOS UNIVERSAIS A vitória do Fulô de Mandacaru indica que a cultura regional está viva e que a essência da arte produzida autenticamente ainda se destaca, sobretudo em um contexto de crise musical, em que muitas produções fonográficas que alcançam espaço midiático têm um foco estritamente mercadológico. O que se percebe é que o regionalismo produzido em Caruaru possui elementos universais, capazes de emocionar pessoas de lugares e idades distintas. É como SUCESSO CONTAGIA CLASSE ARTÍSTICA Outros artistas regionais afirmam que se sentem contemplados com o sucesso da banda. “Os meninos deram uma força a gente, uma explosão de exposição da nossa cultura”, celebra o cantor Elifas Junior, complementando: “É gratificante vê-los neste patamar, conquistado com talento. Isso vai dar uma mexida nas estruturas e na cabeça de muita gente que precisa acordar para o valor da cultura popular”. SAI BRUNO, ENTRA TIAGO. Causou espanto aos fâs do Fulô de Mandacaru, depois da conquista do Superstar, pelo grupo, a notícia de que estaria deixando a Banda um dos seus integrantes, o triangueiro Bruno Carvalho, para comandar a Orquestra Frisson, da qual, há seis anos, ele já faz parte. Para que o trio não perdesse sua originalidade – Sanfona, Zabumba e Triângulo – Armandinho e Pingo foram buscar Tiago Muriê, conhecido por Tiago Marron que, por 8 anos, integrou a banda, tendo se afastado para se dedicar ao sacerdócio. Ingressou num seminário para ser padre, abandonando a ideia para retornar ao seu antigo ofício – triangueiro da Fulô de Mandacaru. Jénerson Alves Jornalista e membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel.