Views
3 months ago

Moda & Negócios_EDIÇÃO 13 PARA IMPRESSÃO

José Urbano Festa

José Urbano Festa Junina O encontro de culturas, origens e significados ciclo junino no nordeste é a representação máxima da O nossa cultura, sobre todos os ângulos. Celebrando temas que unem tradições rurais, ritos sagrados e costumes urbanos, o São João apresenta para o Brasil e o mundo o que temos de melhor nos aspectos sociais e de cultura popular. Mergulhando na história, encontramos as origens do nosso colorido festejo. Iniciando pelo aspecto da moda, o figurino tipicamente junino se mantem fiel às vestimentas rurais, acrescentando o padrão xadrez às roupas dos camponeses europeus, criadores do ciclo festeiro. A encenação do casamento, que deu origem às quadrilhas juninas, é de origem francesa e utiliza o dialeto daquele país até os dias atuais. O próprio termo vem de Quadrille, e demais expressões do vocabulário, como Anarriê, Alavantú, Balancê. Essa tradição nasce nos bailes de casamento da nobreza europeia, se reproduz nos casamentos rurais e chega ao Brasil na colonização. O vestuário dos Bacamarteiros é de tecido brim azul, com lenços no pescoço. Eles homenageiam os cangaceiros do nordeste, no figurino, e os soldados brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai, com os bacamartes, arma criada pelos espanhóis e de nome francês, braquemarte. Na culinária, temos a soma de duas culturas: indígena (pamonha, milho cozido, xerém) e a africana (cocada, angu, quentão, pé de moleque). No aspecto religioso, três personagens são homenageados: São João, Santo Antonio e São Pedro. Desse trio, o destaque vai para o João Batista, citado nos evangelhos como primo de Jesus, sendo a origem primitiva da festa como “Joanina” derivado do nome do personagem. “Junina” é uma corruptela brasileira no nome do famoso apóstolo. A musicalidade é a expressão máxima do evento. A sonoridade tem como destaque nosso pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento, o Gonzagão, Rei do Baião. Sertanejo de Exu, transpôs as fronteiras do estado e apresentou ao Brasil o panorama social nordestino, na beleza das suas 622 músicas, gravadas em mais de 100 Lps, ao longo de 50 anos de carreira musical. Forró, xote, baião, xaxado...todos esses ritmos fazem parte da alquimia musical do nosso mestre maior. Sua obra tem 3 características: denuncia o drama nordestino diante da seca; decanta o simbolismo rural do jumento, o sanfoneiro, o vaqueiro e outros personagens; e por fim dá um toque de alegria e sensualidade, receitando “Ovo de Codorna” como afrodisíaco regional, e deixando tudo “Danado de Bom”. Falando em musicalidade, foi o compositor Jorge de Altinho que denominou Caruaru a “Capital do Forró”, bela canção interpretada nas vozes do saudoso Trio Nordestino. Os instrumentos musicais do forró, têm origens distintas. O Acordeom é oriundo da gaita de fole escocesa, que aqui ganhou o nome de Sanfona, e no mundo forrozeiro, é tam- 14

ém conhecida como sofona, fole, pé de bode etc. Já a Zabumba é pura percussão, criada a partir dos instrumentos musicais dos nossos antepassados africanos escravizados. O Triângulo, um objeto sonoro metálico, descoberto por Luiz Gonzaga nas ruas do Recife, para contrapor os tons médios e graves, equilibrando os acompanhamentos instrumentais. Os balões são de origem chinesa, as bandeirolas de Portugal, porém o mais importante recurso é genuinamente nordestino: o calor humano da nossa gente, a força de resistência do povo, a capacidade de se adaptar as diversidades do clima, a veia poética, a religiosidade e tantos outros aspectos que, do litoral ao sertão, imprimem em rimas, versos e prosas, a identidade cultural do nordestino, sobre as bênçãos de padre Cícero, a ousadia de Lampião e a poesia forrozeira de Luiz Gonzaga, nossa majestade, o rei do baião. E Viva São João! José Urbano Prof. de História, Técnico em Educação da UFPE e membro da ACACCIL PROGRAMAÇÃO DO SÃO JOÃO DE CARUARU, E COMIDAS GIGANTES Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Caruaru, são as seguintes as atrações que se apresentarão no Pátio do Forró, durante os festejos juninos, que este ano terão como homenageados a artesã Marliete Rodrigues, o cantor Gilvan Neves e, em memória, o jornalista Marcolino Júnior: Sábado – 04/06 • Azulão • Nando Cordel • Elba Ramalho • Cavaleiros do Forró Domingo – 05/06 • Israel da Mídia • Magníficos • Solteirões Quarta – 08 • Fabiana Pimentinha • Silvério Pessoa • Os Gonzagas Sexta – 10/06 • Berinho • Novinho da Paraíba • Luan Santana • Pedrinho Pegação Sábado – 11/06 • Calango Aceso • Santanna • Caru Forró • Matheus e Kauã Domingo – 12/06 • Walmir Silva • Adelmário Coelho • Dorgival Dantas Quarta – 15/06 • Jailson Rosseti PROGRAMAÇÃO • Valdir Santos • Os 3 do Nordeste Sexta – 17/06 • Marcus Lessa • Flávio José • Danilo Botrel • Gabriel Diniz Sábado – 18/06 • Aviões do Forró • Gilvan Neves • Geraldinho Lins • Iohannes Domingo – 19/06 • Renilda Cardoso • Limão com Mel • Luan Estilizado Terça – 21/06 • Virados do Forró • Del Feliz • Vilões do Forró • Banda Zé do Estado Quarta – 22/06 • Desejo de Menina • Arreio de Ouro • Didi de Caruaru Quinta – 23/06 • Elifas Júnior • Benil • Petrúcio Amorim • Brasas do Forró Sexta – 24/06 • Fulô de Mandacaru • Margareth Menezes • Paula Mattos • Santa Dose Sábado – 25/06 • Gatinha Manhosa • Bichinha Arrumada • Jorge de Altinho • Wesley Safadão Domingo – 26/06 • Erisson Porto • Amigos Sertanejos • Márcia Felipe Segunda – 27/06 • Brucelose • Mastruz com Leite • Erick Moreira • Maciel Melo Terça – 28/06 • Anjo Azul • Israel Filho • Gusttavo Lima Quarta – 29/06 • Lucas Costa • Jonas Esticado • Bell Marques COMIDAS GIGANTES Como ocorre todos os anos, haverá, durante as festividades juninas de Caruaru, apresentação de comidas gigantes, seguindo o seguinte calendário, de acordo com José Augusto Soares - Presidente da União dos Criadores das Comidas Gigantes de Caruaru: 09 - Quinta Forró dos amigos e o maior caldinho do mundo Rua maria antonieta - São João da Escócia - 20h 12 - Domingo O maior cuscuz do mundo Caminhada do Forró - Alto do Moura - 13h 16 - Quinta Dobradinha Rua Francisco Amorim de Souza - Indianópolis - 20h 17 - Sexta Pão doce Rua Capitão Nilo F. Da Costa - Salgado - 20h 19 - Domingo Macaxeira Vila Campos - 1º Distrito Industrial - Agamenon - 15h 19 - Domingo Milho assado Rua Coelho Neto - Santa Rosa - 20h 22 - Quarta Bolo de saia Praça da Cidade Jardim - 20h 24 - Sexta Broa de milho Rua Antônio Menino - Divinópolis - 20h 24 - Sexta Bolo de tapioca Rua da Tijuca - Salgado - 20h 28 - Terça Salgadinho gigante Rua dr. Pedro Eustáquio Vieira - Salgado - 20h 29 - Quarta Munguzá Praça 14 de Julho - Centro - 15h 15