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Moda & Negócios_EDIÇÃO 13 PARA IMPRESSÃO

Bento R. P. de

Bento R. P. de Albuquerque LONGEVIDADE E MERCADO DE TRABALHO Analisando recentemente alguns estudos sobre o atual perfil socioeconômico da população brasileira, inclusive por conta da atual crise política e econômica que o nosso país vem atravessando, fui levado a olhar com mais atenção uma pesquisa intitulada “Longevidade”, feita recentemente pela Zhuo Consultoria de São Paulo, a qual se orientou na crença e na afirmativa de um grande numero de cientistas de que, em pouco tempo, passar de 100 anos de idade será algo comum em todo o mundo. O objetivo da pesquisa foi ouvir a opinião e as expectativas dos brasileiros sobre esse fenômeno demográfico iminente e avaliar as expectativas da nossa população com relação ao mesmo, tendo chegado à conclusão de que a preocupação das pessoas é não saber e não imaginar o que fariam, ou o que farão, com este tempo extra de vida. Para chegar a essa conclusão a empresa entrevistou pouco mais de mil habitantes de quatro capitais brasileiras, São Luís, São Paulo, Recife e Porto Alegre, incluindo pessoas de ambos os sexos das classes A, B e C, com idades entre 20 e 70 anos. Todos nós sabemos que a atual expectativa de vida do brasileiro é de 75 anos em média e que essa idade mais do que dobrou desde 1930. Mas o aumento de idade previsto por esses cientistas para os próximos anos pode ser muito mais impactante, e chegar rápido aos 120 anos, algo que ainda não somos capazes de imaginar, pois a maioria dos entrevistados ainda acredita que chegará apenas entre 76 e 85 anos de vida. E a surpresa está na percepção de jovens e idosos sobre o tema, pois apenas 13% dos entrevistados entre 20 e 35 anos acredita que passará dos 75 anos e 21% dos idosos com mais de 70 anos crê que viverá mais de 90. A pesquisa também identificou o fato de que os mais jovens 8

não querem ou têm medo de envelhecer demais porque se imaginam nas mesmas situações de seus pais e avós que chegaram aos 80 anos sem conseguir andar ou sofrendo de doenças que os tornam dependentes. No entanto, os entrevistados de 70 anos que ainda gozam de boa saúde têm disposição de sobra para continuar vivendo, especialmente quando mantêm contato com a natureza e uma prática religiosa. O detalhe é que, com os avanços da ciência e o aumento da longevidade, as pessoas não terão escolha e vão ter que conviver com elas mesmas por mais tempo. A pesquisa também demonstra, por exemplo, que 44% dos entrevistados entre 56 e 69 anos não exerce atualmente nenhuma atividade remunerada regular e que sua inserção no mercado de trabalho, mesmo quando elas querem continuar trabalhando, ainda é muito difícil. Mas com o aumento do tempo de vida médio da população esta situação certamente se tornará economicamente insustentável obrigando as pessoas a se manterem trabalhando por muito mais tempo. Esse fato, somado à falta de opções de educação direcionadas para pessoas mais velhas, pode deixar o aumento no tempo de vida bem pouco atraente. Talvez por isso, muitos entrevistados não enxergam a perspectiva de chegar aos 120 anos como um horizonte para novas oportunidades, mas como um calvário. As previsões não são apenas de que será comum viver por mais de um século, mas de que o aumento na qualidade de vida acompanhará este avanço. E este processo deverá provocar grandes mudanças na sociedade, especialmente no que diz respeito ao trabalho e à educação. Parece que vamos ter mesmo de repensar nossas perspectivas para o futuro próximo e que o sistema de reeducação contínua será realmente uma necessidade, para que as pessoas tenham oportunidades de se reinventarem constantemente para serem inseridas e mantidas no mercado de trabalho. Bento R. P. de Albuquerque Vice-diretor da Faculdade de Administração da UPE. Diretor da J&B Consultores. bento@jbconsultores.com.br