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Moda & Negócios_EDIÇÃO 12

Jénerson Alves O

Jénerson Alves O ‘Renoir’ do Agreste Pode-se afirmar que o nome Jorge Souza é uma espécie de etiqueta no ambiente cultural de Caruaru e região. O artista plástico tem 60 anos de idade, dos quais 38 são dedicados à carreira profissionalmente. Entretanto, seu contato com a arte vem desde o início da juventude, enquanto autodidata. Nascido em Surubim, Jorge mora em Caruaru desde os 03 anos de idade, e não cansa de declarar que sente um carinho especial pela Capital do Agreste. Com traços impressionistas em sua obra, Jorge pode ser considerado um ‘Renoir’ do Agreste, traduzindo em seus quadros várias facetas do cotidiano. Quanto à sua verve artística, um dos aspectos que mais chama a atenção é a versatilidade e a capacidade de se reinventar. Entre os inúmeros cursos que fazem parte de sua história, destaca-se uma especialização em História da Arte, realizada em Recife em 2007, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Contudo, sua intimidade com a sala de aula não advém apenas de sua experiência como estudante. Jorge Souza é professor de Artes Plásticas no Sesc Caruaru há mais de duas décadas. Por causa disso, uma grande quantidade de novos talentos foram descobertos por ele, alguns dos tais inclusive despontaram posteriormente enquanto profissionais. Não apenas isso. Nos anos de 1996 e 1997, dedicou-se a minis- 16

trar capacitações para orientadores de arte e produção cultural. Sua obra se destaca por causa da utilização da tinta em volumetria nas telas, ou seja, com volume tridimensional. Outro diferencial é que Jorge Souza dispensa o uso dos pincéis na concepção das obras, optando pela espátula, instrumento com o qual ele se sente mais livre para expressar seus sentimentos. Ao observar alguns de seus quadros, é possível perceber uma relação com os pintores impressionistas europeus. Esse movimento surgiu na França no final do século XIX. Artistas como Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir e Edgar Degas são ícones deste movimento. Entre as características predominantes do segmento, há a valorização da decomposição das cores; o emprego de pinceladas soltas, no intuito de representar os movimentos na cena retratada na obra; e o uso de efeitos de sombras coloridas e luminosas. No entanto, Jorge Souza não se limita a reproduzir a essência impressionista. Ele a traduz para o contexto hodierno, chegando a estabelecer relações entre o impressionismo (eivado de subjetividade) e o urbanismo (com isso, expondo um olhar ‘para fora’, para a cidade). Um exemplo é a tela ‘Do lixo ao luxo’, que representa o valor da participação das favelas no Carnaval carioca. “Tanto quem desfila quanto quem fabrica a indumentária que embeleza os festejos de Momo no Rio de Janeiro, primordialmente, tem origem nas favelas”, explana. Outra tela que se destaca é ‘Naufrágio’, pintada em 2015, que provoca uma série de reflexões no público. Além da relação com o episódio marítimo de fracasso de uma embarcação, pode ser feita uma analogia com os fenômenos naturais dos “estrondos” de Caruaru, mas também pode representar um pouco da situação de tensão política no país, bem como expressar os inúmeros ‘naufrágios’ que ocorrem no âmbito da existência e da subjetividade das pessoas. “O interessante é que essa obra eu fiz sem um planejamento, ela simplesmente fluiu”, confidencia. Jorge Souza foi o homenageado do XXII Salão de Artes Plásticas realizado pelo Rotary Caruaru Norte entre os dias 18 a 31 de março, no Shopping Difusora. O evento contou com a participação de obras de outros artistas, a exemplo de Josélito Vasconcelos, Vona Vallente, Francesco Gaetani, Lammech Cunha, Marcus Firmo, Ed Bernardo, Patrícia Paschoal, Marluce Araújo, Geisyane Ingrid e, na ala de Novos Talentos Aldileide Camêlo, Maria dos Prazeres, Mércia Oliveira e Katia Leandra. Jénerson Alves Jornalista e membro da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel.